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TREINAMENTO ESPORTIVO A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades presenciais em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória, e com a Educação a Distância presente em todo estado do Espírito Santo, e com polos distribuídos por todo o país. Desde 1999 atua no mercado capixaba, destacando-se pela oferta de cursos de graduação, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sempre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 instituições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MISSÃO Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali- dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores. VISÃO Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida nacionalmente como referência em qualidade educacional. R E I TO R GRUPO MULTIVIX R E I 2 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 3 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte) Paulo Victor Mezzaroba Treinamento Esportivo/ MEZZAROBA, P.V - Multivix, 2020 Catalogação: Biblioteca Central Multivix 2020 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. 4 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE QUADROS Escala de percepção subjetiva de esforço 141 5 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS Diferentes práticas de exercícios físicos 12 Movimento cíclico de corrida 13 Uso de cronômetro nos treinamentos 14 Percentual de contribuição aeróbia e anaeróbia no fornecimento de energia durante um exercício de carga progressiva de corrida. 15 Exercício resistido de levantamento de peso 17 Anatomia cardíaca 19 Mensuração da pressão arterial 20 Transporte de oxigênio no sangue 21 Relação do treinamento físico com aspetos cognitivos e escolares 22 Componente tático em uma equipe de futebol 24 Diferenças biológicas entre crianças durante a maturação 28 Estímulos físicos gerais em crianças 29 Escala de 10 pontos de percepção de esforço 38 Percepção subjetiva de esforço da sessão em dois diferentes sujeitos 39 Zonas de treinamento com base em percentuais submáximos da frequência cardíaca 40 Uso de smartwatch para acompanhamento de uma sessão de treinamento 41 Aumento da ventilação durante um exercício intenso 43 Capacidade de realizar esforços intensos de uma atleta de 44 salto em distância 44 Escala de Borg para mensuração da percepção subjetiva de esforço 45 Controle da frequência cardiaca durante um exercício de corrida 47 Exercício resistido com controle externo com base em número de repetições 48 Pessoa sedentária iniciando a prática de exercícios físicos 50 Modelo de integração entre as cargas internas e externas de treinamento físico 50 Exaustão gerada pela acidose metabólica durante exercícios de cada pesada 52 6 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Treinamento de ativação anaeróbia com potência de saltos 53 DNA como componente genético da individualidade biológica 60 Experiências e práticas físicas de uma criança 61 Criança bailarina com alto nível de flexibilidade 62 Perfil de somatotipo endomorfo e ectomorfo 64 Ajuste corporal ao frio 65 Exercício com sobrecarga alta 68 Avaliação física de força muscular 69 Medidas antropométricas de uma avaliação física 70 Sobrecarga com anilhas em um exercício de supino na musculação 71 Desenvolvimento da força em um caminho que foca na intensidade 72 Movimento potente de um atacante no futebol 73 Compromisso frequente de exercícios físicos 75 Importância do momento de férias para atletas 76 Perda de resultados estéticos após a interrupção da prática de exercícios físicos 77 Vantagens relacionados ao histórico de treinamento físico 78 Sistema respiratório requisitado nas demandas de capacidade aeróbia 85 Uso do analisador de gases para detecção do consumo de oxigênio 88 Sensação de falta de ar durante exercício intenso 89 Caixa d’água representando a capacidade anaeróbia 90 Teste de Wingate em cicloergômetro 91 Comprometimento funcional ao longo do processo de envelhecimento 93 Estruturas do coração que podem ser modificadas com treinamento físico 94 Treinamento de potência com pliometria 96 Fadiga por alto número de repetições em exercícios resistidos 97 Hipertrofia muscular associada ao treinamento resistido 99 Dor muscular causada por eventos inflamatórios e miotraumas no treinamento físico 102 Representação de treinamento neuromuscular para melhora da coordenação 108 7 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Representação das adaptações respiratórias na pré-ativação 110 Recuperação após sessão de corrida 111 Planejamentos semanais dos microciclos 112 Microciclo com até três treinos diários (T), sessões complementares (TC), e de força (TF) 113 Distribuição de cargas altas (A), médias (M), baixas (B) e repouso (R) em um microciclo 114 Momento de competição com o auge das capacidades físicas 115 Momento de repouso necessário durante o macrociclo transitório 118 Planejamento anual das métricas de treinamento 119 Plano anual simples com um pico de rendimento 120 Plano anual duplo com dois picos de rendimento 122 Plano anual triplo com três picos de rendimento 124 Uso do termômetro para verificação da temperatura interna 130 Variações do clima que devem ser adaptados pelo organismo 131 Hidratação durante o exercício físico 133 Suor durante a prática de exercício físico 134 Cidade próxima à região montanhosa, propícia para realizar estratégias de treinamento em altitude 136 Simulação de treinamento em altitude com o uso de máscara de restrição de influxo respiratório 137 Corredor enfrentando condição chuvosa 140 Ambiente para execução do teste Yo-Yo 141 Uso do monitor cardíaco para as práticas físicas 142 Controle com alta validação científica para monitoramento cardíaco 144 Autocontrole na respiração 145 Espirometria em teste laboratorial de corrida em esteira 146 Resultados de consumo de oxigênio e gás carbônico durante teste de corrida 147 8 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO AO TREINAMENTO FÍSICO 11 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 11 1.1 TIPOS DE TREINAMENTO FÍSICO 11 1.2 FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO FÍSICO 22 2. APLICAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO 34 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 34 2.1 VARIÁVEIS DE CONTROLE DO TREINAMENTO FÍSICO 34 2.2 VARIÁVEIS DE PRESCRIÇÃO E MONITORAMENTO 42 3. PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO FÍSICO 58 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 58 3.1 PRINCÍPIOS BÁSICOS DO TREINAMENTO 59 3.2 PRINCÍPIOS AVANÇADOS DO TREINAMENTO 69 4.CAPACIDADES BIOMOTORAS 83 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 83 4.1 CAPACIDADES E POTÊNCIAS84 4.2 CAPACIDADES RESISTIDAS 92 5. PERIODIZAÇÃO 106 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 106 5.1 ESTRUTURAS MENORES DE PERIODIZAÇÃO 107 5.2 ESTRUTURAS MAIORES DE PERIODIZAÇÃO 118 6. AVALIAÇÕES E FATORES INFLUENCIADORES DO TREINAMENTO 128 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 128 6.1 FATORES INFLUENCIADORES 129 6.2 AVALIAÇÕES 138 1UNIDADE 2UNIDADE 3UNIDADE 5UNIDADE 6UNIDADE 4UNIDADE 9 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ATENÇÃO PARA SABER SAIBA MAIS ONDE PESQUISAR DICAS LEITURA COMPLEMENTAR GLOSSÁRIO ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM CURIOSIDADES QUESTÕES ÁUDIOSMÍDIAS INTEGRADAS ANOTAÇÕES EXEMPLOS CITAÇÕES DOWNLOADS ICONOGRAFIA UNIDADE 1 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 10 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO > Compreender a aplicabilidade prática dos diferentes tipos de treinamento físico. > Identificar as terminologias específicas da área de treinamento esportivo e as aplicações básicas do treinamento físico. > Relacionar objetivos da prática com os tipos mais adequados de treinamentos. > Diferenciar os perfis de treinamento em função da idade e do nível de treinamento. 11 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 1 INTRODUÇÃO AO TREINAMENTO FÍSICO INTRODUÇÃO DA UNIDADE Ajustes e adaptações internas são necessários para o organismo suportar al- terações nas demandas dos diversos sistemas. Sabemos que o coração acele- ra os batimentos como ajuste a uma atividade física e tal situação ocorre, pois os músculos ativos requisitam mais oxigênio, presente no sangue, para gerar energia mecânica durante as contrações musculares. No entanto, um organismo que é continuamente exposto a esse ajuste, como durante um treinamento físico, começa a buscar estratégias para sofrer me- nos impacto desse estresse cardíaco e vascular, adaptando-se estruturalmen- te, seja pelo aumento do miocárdio, seja pelo aumento da câmara cardíaca. E essa é a complexidade e o dever do treinamento físico do exercício: em es- sência, garantir que o caminho das intervenções físicas seja o mais adequado possível para cada objetivo traçado pelo professor de Educação Física, com- preendendo que cada tipo de estímulo externo gera uma resposta interna diferente, individual e com magnitudes variadas. Esta é uma disciplina extremamente aplicada, com alto vínculo à maioria das áreas aplicadas do curso de Educação Física, seja com as aplicações de fins performáticos, seja de melhora da saúde, e compreender os pontos que im- pactam e são impactados pelo treinamento físico é essencial. 1.1 TIPOS DE TREINAMENTO FÍSICO Ao pensarmos em todas as possibilidades de exercícios físicos e modalidades esportivas, deparamo-nos com um grande leque de opções, o que pode inti- midar o professor de Educação Física que não consegue se sentir preparado para tantas áreas de atuação e também confundir o potencial aluno acerca da modalidade que melhor se encaixa em seu perfil e objetivo. Observe a imagem a seguir: 12 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 DIFERENTES PRÁTICAS DE EXERCÍCIOS FÍSICOS Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: silhuetas em diferentes posições de exercícios. No entanto, desconsiderando aspectos técnicos e táticos específicos de cada atuação física, as respostas físicas podem ser facilmente agrupadas em pou- cos perfis de treinamento físico. Dessa maneira, é simples compreender as respostas orgânicas esperadas em cada tipo de estímulo e os objetivos que melhor podem ser desenvolvidos em curto e em longo prazo. Nesse tópico, serão abordados os principais agrupamentos de treinamento físico nos subtópicos expostos a seguir: 1.1.1 TREINAMENTO AERÓBICO O treinamento físico pode atender a uma enorme variedade de estímulos compatíveis com esportes coletivos, como futebol e basquetebol, outras para esportes individuais, como a natação e o ciclismo, e ainda estímulos exclusi- vos das modalidades resistidas, como a musculação e a ginástica funcional. De fato, é extremamente complexo tratar de cada uma dessas alternativas, pois o aprimoramento das capacidades físicas pode ocorrer com os mais di- versos tipos de estímulos. Entretanto, determinadas intervenções são espe- cializadas para o desenvolvimentos de algumas características específicas. Treinamentos aeróbios, por exemplo, possuem, em geral, características de movimentos cíclicos; são amplamente utilizados para o aprimoramento das potências e capacidades aeróbias e anaeróbias, como corridas para o aprimo- 13 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO ramento do consumo máximo de oxigênio ou até mesmo da capacidade de sprint (McARDLE et al., 2016), demonstrados pela imagem a seguir. MOVIMENTO CÍCLICO DE CORRIDA Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: sprint de um corredor. A característica cíclica se dá pela repetição de fases, com o movimento contínuo, normalmente característico de locomoção (andar, nadar, pedalar ou remar). Tais situações favorecem aspectos cardiovasculares centrais pela facilitação das bombas musculares no retorno venoso. Como a circulação sanguínea é facilitada, o aporte de oxigênio para os músculos durante esses exercícios é grande e, assim, o metabolismo aeróbio garante grande parte das demandas energéticas requisitadas (McARDLE et al., 2016). desenvolvimento das culturas. Os professores que atuam com modalidades aeróbias e cíclicas utilizam, com frequência, variáveis como o tempo e ou a velocidade para controlar as ações 14 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 que seus alunos estão realizando, por exemplo: correr 45 minutos a 12 km/h ou, ainda, realizar 10 séries de 100m de corrida para 15 segundos, com intervalo de 30 segundos entre elas. O cronômetro, mostrado na imagem seguinte, é um instrumento comum no pescoço de um professor dessas modalidades. USO DE CRONÔMETRO NOS TREINAMENTOS Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: mão segurando um cronômetro. Cada uma dessas ações tem um custo energético e desgaste orgânico espe- cíficos. Pense no cansaço, no desgaste, na falta de ar e em outras sensações que você apresenta quando: caminha por uma hora; corre intensamente por 100m; sobe 5 lances de escada; realiza movimentos explosivos, como saltos ou arremessos; e faz exercícios resistidos, como a musculação. Os exercícios aeróbios com característica cíclica são aqueles que permitem duração maior de permanência em esforço. Contudo, demandas maiores de esforço geram alteração nas capacidades de permanência em exercício, mantendo prioridades nas utilizações dos sistemas aeróbios. Pensando nessa lógica, uma corrida de 100m, muito intensa, com du- ração entre 10 e 15 segundos, pode ter maior ativação de metabolismos anaeróbios, como a creatina-fosfato. Uma prova de 200m crawl na na- tação, com tempo aproximado de 2 minutos, vai ter maior ativação da glicólise anaeróbia, e um corredor de rua de provas entre 10 e 20 km, ou maratona, vai ter forte ativação dos sistemas aeróbios, especialmente pela quebra dos lipídios (McARDLE et al., 2016). 15 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO No entanto, nosso corpo é essencialmente aeróbio e essas alterações de intensidade nos exercícios cíclicos não desregulam a manuten- ção da predominância aeróbia. Para interpretar o gráfico seguinte, con- sidere que a coluna equivale ao percentual gasto de energia; já a linha equivale à velocidade (Km/h): PERCENTUAL DE CONTRIBUIÇÃO AERÓBIA E ANAERÓBIA NO FORNECIMENTO DE ENERGIA DURANTE UM EXERCÍCIODE CARGA PROGRESSIVA DE CORRIDA. Velocidade (km/h) Aeróbico Glicolítico Limiar Aeróbico Limiar Anaeróbico Limiar Anaeróbico Pe rc en tu al d e en er gi a (% ) 100 80 60 40 20 0 6 8 10 12 14 16 18 Fonte: Adaptado de Bertuzzi et al. (2013). #pratodosverem: Gráfico mostrando que, durante o aumento da intensidade de esforço, a quantidade de energia derivada dos metabolismos aeróbios é maior. O gráfico reforça que mesmo durante o aumento da intensidade de esfor- ço, a quantidade de energia derivada dos metabolismos aeróbios é maior, no entanto, o aumento da dependência dos metabolismos anaeróbios gera complicações, como a alternação do pH celular, que comprometem a permanência do esforço. 16 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1.1.2 TREINAMENTO RESISTIDO Se o treinamento aeróbio costuma apresentar características cíclicas, no trei- namento resistido há a quebra do movimento com ações de frenagem. Um agachamento, como o ilustrado pela figura a seguir, apresenta as fases de flexão do quadril e dos joelhos e a extensão dessas articulações, ou seja, em um momento, o movimento cessa e há o retorno na direção oposta (FLECK; KRAEMER, 2017). Movimento de agachamento representando o treinamento resistido Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: mulher fazendo exercício de agachamento na academia. Tal ação causa pequenas compressões teciduais que ocorrem entre as fases excêntricas e concêntricas do movimento e geram uma pequena oclusão dos vasos sanguíneos, restringindo, assim, o fluxo de sangue e, consequentemente, o volume de oxigênio ao músculo. Distribuição de sangue via sistema cardiovascular Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: imagem demonstrando a anatomia do coração e dos vasos sanguíneos. Para suprir as demandas energéticas durante os exercícios, o corpo precisa se utilizar de estratégias específicas, criando um refluxo sanguíneo direcionado à região de músculos ativos, gerado por alterações periféricas e temporárias dos vasos sanguíneos, induzidas pela vasodilatação (FLECK; KRAEMER, 2017). 17 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Devido ao aumento da frequência cardíaca induzido pelo exercício físico, há uma elevação do fluxo sanguíneo e do estresse de cisalhamento na parede dos vasos, sobretudo no local em que ocorrem as pequenas oclusões vasculares, estimulando, desse modo, a produção de um potente vasodilatador pelas células endoteliais locais, o óxido nítrico. Em função disso, algumas características de praticantes de modalidades com esse perfil são evidentes, por exemplo, as respostas vasculares mais dependentes de alterações periféricas do que centrais acarretam maior aparência da vasodilatação dos capilares sanguíneos periféricos (FLECK; KRAEMER, 2017). Algumas modalidades se utilizam amplamente de exercícios com caracte- rísticas tipicamente acíclicas, como os treinamentos resistidos ou de força, musculação, treinos funcionais ou levantamento de peso. Esses são alguns dos exemplos de estímulos que geram respostas relacionadas ao aumen- to de força e potência muscular, resistência muscular localizada e também hipertrofia muscular. EXERCÍCIO RESISTIDO DE LEVANTAMENTO DE PESO Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: imagem demonstrando a execução de um levantamento de peso. 18 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Todas essas variáveis treináveis podem ser utilizadas de forma direta e indi- reta para obtenção de objetivos distintos, como melhora na velocidade, agili- dade, equilíbrio, coordenação, saltos, flexibilidade, emagrecimento, economia de movimento, entre outros. Outro ponto interessante é pensar na progressão da carga e no volume de treino, destacando que, quando se trata de força, o volume deve comandar grande parte dessa equação. Pense naqueles treinos em que o professor exi- ge que o aluno faça alguma série até a fadiga e tente entender como essa requisição é um absurdo no raciocínio explicitado a seguir. A fadiga pode ocorrer em 1 ou 100 repetições do movimento e vai depender exclusivamente da carga utilizada na execução do movimento. Todavia, a representação de uma falha para uma repetição é completamente diferente do que para 100. Assim, os treinos mais lógicos e assertivos devem determinar a quantidade de repetições máximas desejadas ou até mesmo a zona de repetições (FLECK; KRAEMER, 2017). 1.1.3 TREINAMENTO CONCORRENTE É interessante pensar que, ao contrário do que ocorre em exercícios aeróbios, em que o grande volume de sangue liberado pelo coração auxilia no direcio- namento de componentes dos metabolismos energéticos musculares, nos exercícios resistidos esses componentes precisam chegar rapidamente, ven- cendo as restrições vasculares para isso. Por conta disso, a manipulação de carga e de volume gera adaptações cardio- vasculares específicas nos sujeitos treinados aerobiamente. Como nos mostra a imagem a seguir, nota-se um aumento das câmaras cardíacas e, conse- quentemente, do volume de ejeção, fazendo com que o coração possa redu- zir a frequência de batimentos e manter o débito cardíaco. 19 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO ANATOMIA CARDÍACA Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: imagem mostrando as estruturas e as câmaras cardíacas. Já para sujeitos treinados em exercícios resistidos, o coração adapta-se com uma hipertrofia funcional do miocárdio, aumentando-se o tamanho, o peso e a espessura das paredes cardíacas (FLECK; KRAEMER, 2017). Tal situação não afeta exclusivamente os fatores centrais, uma vez que, com uma ejeção mais potente de sangue, haverá maior turbilhonamento do san- gue e estímulos acentuados para síntese de óxido nítrico, gerando ajustes pe- riféricos pontuais no direcionamento de sangue para os músculos-alvo, devi- do à vasodilatação, impedindo o aumento abrupto da pressão arterial. 20 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 MENSURAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: homem tendo a pressão arterial aferida por profissional da Saúde. Essa junção de benefícios gera destaque para o treinamento concorrente, haja vista que o sujeito exposto aos estímulos variados, no mesmo dia ou em dias alternados, pode garantir respostas amplas e acopladas que esse perfil de treinamento pode gerar. Respostas de emagrecimento e de aumento nas capacidades físicas dos exercícios aeróbios chamam muito a atenção de professores e de praticantes para o treinamento concorrente. Como exemplo para o uso do treinamento concorrente, um maratonista não utilizará os mesmos percentuais de ativação de sistemas energéticos, tipagem de fibras musculares e gestos motores requeridos em uma sala de musculação. Entretanto, os benefícios do aumento de força e potência, especialmente na maior rigidez do músculo e tendão, podem criar uma força elástica que reduz a demanda energética durante cada passada na corrida, o que torna o corredor mais econômico e, consequentemente, mais eficiente (McARDLE et al., 2016). 21 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Corredores mais eficientes e econômicos apresentam menor consumo de oxigênio em mesmas intensidades, aumentando a eficiência de transporte de oxigênio, sendo que a inclusão de treinamentos pouco específicos à mo- dalidade, como treinamento de saltos e treinamento de força em alta intensi- dade, podem ser recomendados para esse fim. TRANSPORTE DE OXIGÊNIO NO SANGUE Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: representaçãode uma hemácia carreando uma molécula de oxigênio. Todavia, ao se acoplarem diferentes estímulos, também é preciso maior aten- ção aos efeitos gerados no corpo humano. Sobrecargas orgânicas ou ainda o desalinhamento entre os tipos de treinamento acerca dos melhores cami- nhos para gerar respostas de aumento de força ou potência muscular podem evidenciar alguns problemas acerca do uso indiscriminado do treinamento concorrente, principalmente quando diferentes profissionais são responsá- veis por cada sessão ou perfil de trabalho. 22 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1.2 FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO FÍSICO Sabendo que diferentes tipos de treinamento físico são utilizados nas rotinas de profissionais de Educação Física, é de extrema relevância compreender os principais motivos e objetivos que fazem as pessoas buscarem um ambiente de estímulos para esse fim. De fato, a melhoria das capacidades físicas faz parte do motivo mais óbvio, mas, cada vez mais, destacam-se melhorias nos aspectos psicológicos, cog- nitivos, sociais, além de fatores intimamente ligados à qualidade de vida e à saúde global de um indivíduo. RELAÇÃO DO TREINAMENTO FÍSICO COM ASPETOS COGNITIVOS E ESCOLARES Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: professora conversando com um jovem estudante. Atualmente, o campo que aplica os conhecimentos do treinamento físico abrange uma grande quantidade de informações de diversas áreas e até mesmo profissões. Assim, não é incomum vermos o envolvimento de nutri- cionistas, psicólogos, médicos, fisioterapeutas, entre outros, em um ambiente de treinamento de alto nível e também em rotinas de pessoas que buscam meramente se tornarem fisicamente ativas. Os próximos tópicos abordarão os componentes do treinamento físico. Acompanhe! 23 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 1.2.1 COMPONENTES DO TREINAMENTO FÍSICO São diversos os componentes presentes em um treinamento físico, que, jun- tos, auxiliam no aumento da capacidade e na habilidade de o sujeito treinado realizar performances melhores. Componente físico Responsável pelo desenvolvimento de todas as capacidades biomotoras, como força ou resistência. Componente técnico Responsável pela melhoria nas habilidades específicas da modalidade praticada. Componente tático Responsável pela capacidade cognitiva na prática, desenvolvendo estratégias de melhoria da performance. O principal componente de um treinamento esportivo e físico é a própria pre- paração física, com o desenvolvimento progressivo das capacidades biomo- toras de interesse para o objetivo do indivíduo ou da modalidade. Seja para aumentar força, potência ou resistência muscular, capacidades ou potências aeróbias e anaeróbias, o treinamento físico busca gerar melhorias progressi- vas e continuadas em quem recebe os estímulos (ROSCHEL et al., 2011). O componente físico valida grande parte das respostas desejadas em uma rotina de treinamento, mas não é o único aspecto a ser considerado na me- lhora da performance humana nas diversas modalidades de interesse. Outro componente relevante é o técnico, que busca aprimorar as habilidades e a execução dos movimentos, muitas vezes tornando-os mais eficientes, facili- tando, por conseguinte, os componentes físicos. 24 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Apesar de ser um componente continuamente trabalhado, a grande maioria das melhoras funcionais em performance obtidas nas primeiras semanas do início de um treinamento físico ocorrem em função das adaptações neurais, que, efetivamente, garantem melhor coordenação para execução do movi- mento. Por exemplo, os treinos de pliometria são um grande desafio para ini- ciantes, devido à grande exigência coordenativa e à demanda neural, e, com o passar do tempo, saltar caixotes passa a ser mais possível. O componente técnico é evidenciado na troca de modalidades, em que su- jeitos muito bem preparados fisicamente não necessariamente mantêm a qualidade performática sob outras condições técnicas. É bastante perceptível essas alterações em modalidades aquáticas, tendo em vista que há grande al- teração na técnica de locomoção e, nesse caso, grandes esforços podem não recompensar altas velocidades de deslocamento. Por fim, o componente tático perfaz os fatores relacionados às estratégias dos movimentos e das ações de cada modalidade. Tal componente é amplamen- te citado em modalidades coletivas, como o futebol, quando se trata da mo- vimentação das posições, jogadas ensaiadas, posicionamento dos jogadores e comportamento coletivo, de grupos ou individual. COMPONENTE TÁTICO EM UMA EQUIPE DE FUTEBOL Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: quadro com representação de um campo de futebol com jogadas ensaiadas. 25 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Porém há grande dependência do componente tático em modalidades com- petitivas individuais e, apesar de demandar menos tempo de preparo em comparação às modalidades coletivas, também gera efeito significativo no rendimento físico final. Na corrida, é comum ouvir a palavra pace para qua- lificar o ritmo imposto em cada quilômetro ou etapa de um percurso, e esse ritmo pode ser uma estratégia individual em que, para cada distância, um atleta opta por manter velocidades maiores no começo, no meio ou no fim da prova. Somada a esses componentes, a periodização ou o planejamento do treina- mento indica os caminhos mais adequados para desenvolver, progressiva- mente, os aspectos mais globais e básicos, importantes no começo de um treinamento físico para gerar base sólida das capacidades orgânicas, até as demandas mais específicas, que usualmente dispõem o sujeito no momento de pico de rendimento, que pode ser o calendário de uma competição ou, ainda, o fim de período de treinamento. É justamente nesse calendário que os componentes somam-se para gerar resultados compatíveis com os objetivos desejados inicialmente, adicionan- do também os componentes externos à Educação Física, como a nutrição e a fisioterapia, que vão acompanhando, de forma aliada, toda a mudança de demanda ou de necessidades dos indivíduos ativos. 1.2.2 DIFERENTES IDADES DE TREINAMENTO O treinamento desportivo, com o intuito de aprimoramento da performance, ganha cada vez mais espaço no cenário mundial, com exigências de respos- tas efetivas e rápidas dos atletas que se submetem aos programas de treina- mento, rigorosidade do seu controle e prescrição, além do entendimento das respostas fisiológicas do organismo ao esforço físico. Isso acontece, cada vez mais, em idades precoces. No entanto, em relação às variáveis e às adaptações fisiológicas decorrentes da exposição ao treinamento sistematizado, não são muitos os estudos que utilizam a população de crianças e de adolescentes como sujeitos, devido aos empecilhos éticos ou à própria falta de referências específicas para tanto, fa- zendo com que, na prática, possivelmente muitos alunos e pequenos atletas sejam tratados como “miniadultos”. 26 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 De fato, sabe-se que as respostas de crianças e de adolescentes à sobre- carga física e aos aspectos e às demandas fisiológicas são diferentes da- quelas observadas em sujeitos mais velhos. Pensando nisso, sempre deve ser ponderada a grande influência dos processos de maturação, de cres- cimento e de desenvolvimento físico na população de crianças e de ado- lescentes durante a avaliação da evolução do desempenho motor e da prescrição de treinamento (BOHME, 2003). Mesmo sem efeitos do treinamento, essas crianças tendem a melhorar va- riáveis relacionadasao treinamento físico, e a potencialização desses efeitos pode ser percebida pela inserção da prática de exercícios físicos. O gráfico, a seguir, demonstra mudanças naturais em variáveis biomotoras, como resistência, força, velocidade e flexibilidade com o passar das idades cronológicas, sob a influência de aspectos maturacionais. Mudanças em variáveis biomotoras com o passar da vida, sem a influência externa do exercício físico Fonte: adaptado de McArdle et al. (2011). #pratodosverem: na figura, um gráfico demonstra as mudanças que variáveis biomotoras, como resistência, força, velocidade e flexibilidade, apresentam com o passar das idades cronológicas. Notam-se as alterações com a maturação e com o envelhecimento: a força aumenta, gradativamente, com o transcorrer da puberdade até atingir o pico na idade adulta, enquanto a flexibilidade reduz, drasticamente, desde o nascimento até as idades mais avançadas. Estágios da vida Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: na figura, há a representação de diversas fases da vida de um homem, do bebê ao idoso. 27 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Assim, nem sempre é simples a diferenciação dos efeitos decorrentes dos pro- cessos de crescimento e de maturação; de fatores ambientais, como a respos- ta ao treinamento sistematizado, visto que os efeitos dos processos naturais e inerentes a esse período da vida podem mascarar ou serem maiores do que os efeitos da exposição ao ambiente. A identificação e a compreensão das mudanças internas decorrentes, única e exclusivamente, do processo matu- racional e a determinação da idade biológica individual permitem e facilitam quantificar a magnitude e o impacto dos efeitos desse processo nas várias etapas fisiológicas (BOHME, 2003). Tendo em vista esses conceitos, crianças e adolescentes necessitam de parâ- metros viáveis para suas peculiaridades, destinados ao controle das variáveis de treinamento, podendo evitar um supertreinamento ou uma estagnação de desempenho do jovem atleta ou da criança inserida no contexto esportivo e do exercício físico. Além disso, em um grupo de crianças e de adolescentes de mesma idade cronológica é possível encontrar sujeitos de diferentes níveis maturacionais (pré-púberes, púberes e pós-púberes), ou seja, a variabilidade entre idade cro- nológica e maturação biológica pode ser grande. A divisão de categorias competitivas e de grupos de treinamento é fei- ta pela análise da idade cronológica, que é uma avaliação que não conse- gue justificar o estágio maturacional em que crianças e adolescentes se encontram. Então, isso pode criar problemas na identificação de talentos esportivos já que, certamente, não seria possível identificar sujeitos com diferentes níveis de maturação. Maturação Processo evolutivo que engloba um conjunto de mudanças biológicas que ocorrem de forma sequencial e ordenada e levam o indivíduo a atingir o estado adulto. (McARDLE et al., 2016) Variação individual Processo que pode variar no seu ritmo e grau, independentemente de raça, sexo e ambiente. 28 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Efeito da variação Algumas crianças podem apresentar velocidade de maturação mais acelerada do que outras (precoce) ou mais lenta (tardia); porém, com a mesma ordem sequencial para cada sexo. Os fatores relacionados aos processos biológicos dificultam ainda mais o entendimento de quais respostas são exclusivamente advindas de fatores ambientais, como o treinamento sistematizado, e quais são resultantes do processo de crescimento e de maturação, já que, por exemplo, maturadores precoces podem apresentar uma melhor predisposição ao treinamento e à melhora do rendimento do que sujeitos de mesma idade cronológica e com maturação normal ou tardia, além da diferença evidente nos componentes físicos entre sexos a partir da puberdade. DIFERENÇAS BIOLÓGICAS ENTRE CRIANÇAS DURANTE A MATURAÇÃO Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: duas crianças, um menino e uma menina, de tamanhos diferentes. 29 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Olhando o outro lado da moeda, durante o envelhecimento também há uma série de eventos que devem ser considerados. À medida que há uma invo- lução de diversas capacidades físicas, também é possível frear essa situação com adaptações relacionadas ao treinamento físico. De fato, o treinamento físico deve sempre considerar o indivíduo que está envolvido para gerar as adaptações mais apropriadas em cada fase da vida. 1.2.2 DIFERENTES NÍVEIS DE TREINAMENTO Este tópico possui uma forte ligação com o anterior, uma vez que a evolução dos níveis de treinamento físico está intimamente interligada à capacidade de tolerar o estresse físico e as cargas de treino. Sobretudo nas idades preco- ces, o perfil da grande maioria dos treinamentos de alto rendimento não é compatível com a estrutura biológica das crianças. Apesar de algumas modalidades apresentarem peculiaridades, espera-se que crianças mais novas, até por volta dos 6 anos, ainda estejam em uma for- mação esportiva geral, focada especialmente nos estímulos corretos para o desenvolvimento motor (ROSCHEL et al., 2011). ESTÍMULOS FÍSICOS GERAIS EM CRIANÇAS Fonte: Plataforma Deduca (2023). #pratodosverem: crianças brincando em ambiente de prática esportiva. 30 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A iniciação esportiva pode ser introduzida na sequência, mas ainda focada em aprendizagens múltiplas e no desenvolvimento das habilidades motoras, com programas de treinamento de baixa intensidade e com foco em ludici- dade. Somente a partir dos 11 anos de idade, há o fluxo de formação atlética com aumentos progressivos dos componentes físicos, técnicos e táticos, até que se chegue ao treinamento especializado e, já próximo à idade adulta, o potencial alto desempenho. Essas etapas são extremamente importantes, pois a janela entre o início de práticas desportivas, possíveis especializações e eventuais demonstrações de alta performance é grande, compreendendo diversas idades e períodos ma- turacionais. Em essência, poucos que iniciaram práticas desportivas chegarão ao alto desempenho, mas todos que chegam ao alto desempenho precisam dessa formação inicial ampla e progressiva. Pensando em um planejamento de longo prazo e na evolução dos níveis de trabalho, para qualquer idade de trabalho, mas especialmente nos sujeitos mais novos e nos mais velhos, há necessidade de, progressivamente, alterar-se para mais o número de sessões, horas de treino, a carga de treino composta pelo volume e pela intensidade de trabalho e também a frequência a que o sujeito é exposto a competições se o objetivo for aprimorar- se em aspectos competitivos (BOHME, 2003). desenvolvimento das culturas. Sujeitos destreinados, fisicamente ativos, muito ativos e atléticos apresentam grandes diferenças entre si nas capacidades de tolerar as demandas de um treinamento físico e, por isso, o nível do indivíduo deve ser uma baliza impor- tante no direcionamento dos objetivos, da amplitude e da densidade de res- postas esperadas em determinado período de tempo. 31 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO CONCLUSÃO Esta unidade objetivou apresentar termos, componentes e fundamentos do treinamento físico. Cabe ao professor de Educação Física ser um grande co- nhecedor do corpo humano e dos efeitos que os estímulos físicos geram não somente para maximizar os efeitos do treinamento mas para garantir a inte- gridade de todo sujeito que ingressa em uma rotina sistematizada de esfor- ços físicos. Isso abrange desde aqueles sedentários,que pretendem começar a prática regular de atividades físicas, os praticantes recreacionais e com bas- tante atenção, aos atletas que dedicam grande parte das horas do dia para o treinamento físico. Tais observações destacam que tanto quanto ser um bom conhecedor do exercício físico, o professor de Educação Física também deve entender os eventos que ocorrem durante a maturação e o envelhecimento para propiciar as melhores práticas em cada fase da vida. Este é um conteúdo de alta aplicabilidade na atuação profissional e, com a continuidade de seus estudos, será possível abarcar as principais práticas para os mais diversos objetivos e modalidades trabalhadas na Educação Física. 32 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 MATERIAL COMPLEMENTAR BOHME, M. T. S. Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo. Revista Brasileira de Ciências e Movimento, [s. l.], v. 11, n. 3, p. 97-104, 2003. Disponível em: https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/ view/517. Acesso em: 23 mar. 2023. CHANDLER, T. J.; BROWN, L. E. Treinamento de força para o desempenho humano. Porto Alegre: Grupo A, 2009. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca. com.br/reader/books/9788536319353/pageid/0. Acesso em: 23 mar. 2023. FLECK, S. J.; KRAEMER, W. J. Fundamentos do treina- mento de força muscular. Porto Alegre: Artmed, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com. br/reader/books/9788582713907/pageid/0. Acesso em: 23 mar. 2023. MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. Dispo- nível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788520461815/recent. Acesso em: 23 mar. 2023. ROSCHEL, H.; TRICOLI, V.; UGRINOWITSCH, C. Treina- mento físico: considerações práticas e científicas. Revis- ta Brasileira de Educação Física e Esporte, [s. l.], v. 25 (spe), p. 53-65, 2011. Disponível em:; https://www.scielo. br/j/rbefe/a/PmjBpDkZrRcMvzBfGX45Y6t/. Acesso em: 23 mar. 2023. https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319353/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319353/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713907/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713907/pageid/0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520461815/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520461815/recent https://www.scielo.br/j/rbefe/a/PmjBpDkZrRcMvzBfGX45Y6t/ https://www.scielo.br/j/rbefe/a/PmjBpDkZrRcMvzBfGX45Y6t/ UNIDADE 2 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 33 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO > Compreender a diferença entre monitoramento, prescrição e controle das cargas de treino. > Identificar os principais métodos para os níveis adequados de carga do treinamento físico. > Compreender os efeitos cumulativos das cargas de treino diárias. > Analisar as principais variáveis utilizadas para aplicação do treinamento físico. 34 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 2. APLICAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO INTRODUÇÃO DA UNIDADE Em uma disciplina como Treinamento Físico, o aluno de educação física con- solida todos as disciplinas que progressivamente foram vistas até então no curso. Isso fica evidente nesta unidade, em que abordaremos diferentes vari- áveis para monitoramento, prescrição e controle do treinamento físico. Cada modalidade esportiva explicita diferentes variáveis externas, como ve- locidade média para o ciclista ou cargas em quilos para o halterofilista; no entanto, a compreensão de como extrair informações relevantes dos dife- rentes sistemas orgânicos afetados pelos exercícios físicos é universal. Por exemplo, saber que a frequência cardíaca aumenta progressivamente com a sobrecarga externa é ponto-chave para utilizar essa variável interna como recurso para o treinamento físico. Ademais, ter noção de que a frequência respiratória responde às diferentes demandas energéticas do esforço físico pode facilitar a percepção do professor em relação a cada aluno que esteja executando exercícios. Tais variáveis ajudam na prescrição de exercícios e no monitoramento das sessões de treinamento para as diferentes possibilidades de exercícios, seja para melhorias em treinamentos resistidos, seja para treinamentos aeróbios. Aproveite este momento para relembrar das aulas de educação física e trei- namentos físicos que já teve durante a vida e verificar se algum dos conceitos já foram aplicados em você. Bons estudos! 2.1 VARIÁVEIS DE CONTROLE DO TREINAMENTO FÍSICO O treinamento físico sistematizado com acompanhamento de um professor de educação física deve garantir respostas individualizadas e que assegurem efeitos continuados com base na acoplagem de diversos estímulos sequen- ciais em diferentes dias, semanas e meses (GOMES, 2011). 35 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para garantir os melhores resultados em longo prazo no treinamento físico, três principais momentos de atuação do professor de educação física devem ser garantidos: o momento futuro, que representa a prescrição de treino, em que o professor deve pensar no que será realizado de maneira antecipada; o momento presente, que representa o monitoramento, com o acompanhamento em tempo real da efetividade do que foi prescrito; e, por fim, o tempo passado, que indica todos os somatórios de estresses que as prescrições causaram. . Em essência, não há professor efetivo que consiga atuar somente durante a carga horária de uma sessão de treinamento, pois o tempo dedicado na mon- tagem do treinamento e na compreensão do estresse acumulado em deter- minados períodos de acompanhamento de treinamento são tão importantes quanto o próprio treino. 2.1.1 CARGA DE TREINO Uma das variáveis que devem ser controladas de forma continuada e precisa é a carga de treino, responsável por determinar o volume de estresse físico específico e orgânico global, além das adaptações dos diversos sistemas cor- porais, em especial no tecido muscular (BOHME, 2003). É consensual a grande relevância da determinação e do monitoramento das cargas de treino para a compreensão do status de treinamento individual, assegurando, por um lado, o efeito do estímulo físico. Atleta após uma sessão de treino Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: nadador feliz após uma sessão de treino. 36 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Também é um ótimo balanço entre o tempo e a qualidade das transições de repouso ao esforço, e esforço ao repouso, resultando em uma adequada recuperação para cada fonte de estímulo e estresse físico. Tempo de descanso para dosar a carga ideal de treino Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: relógio indicando o período de relaxamento. A carga de treino é usualmente determinada pela relação entre intensidade e duração de cada sessão, além do efeito cumulativo de sessões de treinamen- to físico, podendo ser quantificada por diferentes métodos que determinam a quantidade de estresse físico em impulsos de treino (TRIMPs). TRIMPs Do inglês, Training impulses, são os métodos que determinam a quantidade de estresse físico em impulsos de treino. Método de Edwards TRIMP baseado no somatório do tempo de permanência em cada uma das cinco zonas de intensidade da frequência cardíaca (EDWARDS, 1993). Método de PSE-sessão TRIMP baseado na relação entre a percepçãosubjetiva de esforço da sessão e o seu tempo de duração (TIBANA et al., 2017). 37 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A prescrição e o monitoramento são fundamentais para gerar cargas adequa- das para cada capacidade física que se pretende treinar; porém, é o controle que gera percepção completa de como um corpo está suportando todo o impacto do treinamento físico. Isso acontece, pois sabemos que um único estímulo intenso não é o suficiente para gerar uma sessão completa intensa; além disso, a acoplagem de estresse de diferentes dias também deve ser considerada. Não é incomum que sujei- tos ativos reportem percepções mais intensas na sexta-feira em comparação à segunda-feira, após um período de recuperação passiva do final de semana, mesmo que faça sessões de treinamento idênticas nos dois dias. 2.1.2 PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO DA SESSÃO Um dos protocolos para determinação da carga de treino é a Percepção Subjetiva de Esforço da sessão (PSE-sessão), em que os sujeitos devem res- ponder após 30 minutos do término da sessão de treinamento: “Como foi o treino?”, apontando em uma escala de 0 a 10 o descritor que melhor re- presenta a sensação obtida. Além disso, é necessário registrar o tempo da sessão em minutos. Os 30 minutos de aguardo para realizar a pergunta deve-se à tentativa de reportar a sensação da sessão como um todo, e não somente dos últimos es- forços feitos, que, se muito intensos, irão superestimar os valores obtidos e, se muito leves, subestimá-los. A imagem seguinte mostra a escala de 10 pontos de percepção do esforço, modelo utilizado por Tibana (2017). 38 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO ESCALA DE 10 PONTOS DE PERCEPÇÃO DE ESFORÇO Classifi cação Descrição 0 Repouso 1 Muito, Muito fácil 2 Fácil 3 Moderado 4 Um Pouco Difícil 5 Difícil 6 - 7 Muito Difícil 8 - 9 - 10 Máximo Fonte: adaptado de Tibana (2017). #pratodosverem: classificação de 0 a 10 para descritores entre repouso e esforços máximos. Um ponto interessante para testar a habilidade do técnico e do professor, é realizar a comparação do descritor pretendido pelo descritor sentido pelos atletas e pelos alunos. Nesse caso, destaca-se a dificuldade de gerar estímulos em conjunto que acoplem-se de uma maneira previsível; motivo pelo qual é mais simples detectar o passado para ajustar o futuro. A PSE-sessão consiste no produto entre o tempo da sessão em minutos e o descritor reportado pelo sujeito após os 30 minutos, resultando em uma variável que não possui unidade de medida padrão, sendo conhecida como unidade arbitrária (UA). Com base nesses dados, é possível extrair quão monótonos estão os estímulos, variável que representa bem a variação ou a falta dela, nos estímulos previstos no treinamento, gerando treino com a mesma percepção continuamente; fa- tor que aumenta drasticamente o estresse percebido. A figura a seguir representa dados reais do estudo de Tibana et al. (2017) em que o sujeito A apresenta mais tendências de monotonia (representado pela linha) mesmo que o sujeito B apresente maiores carga de treinamento (re- presentado pelas barras). 39 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO DA SESSÃO EM DOIS DIFERENTES SUJEITOS Fonte: adaptado de Tibana (2017). #pratodosverem: gráficos com a variação da carga de treino medida em unidades arbitrárias e monotonia de duas pessoas. Todas essas variáveis devem estar amplamente inseridas em um contexto de treinamento adequado, regido por princípios científicos e métodos confiáveis, pensando que um sujeito por estar tendo estresse por altas cargas ou, ainda, por alta monotonia. 2.1.3 MÉTODO DE EDWARD Sabemos que a relação entre o esforço físico e a frequência cardíaca é direta e extremamente proporcional. Desse modo, é possível estabelecer que, quanto maior for o tempo em que um sujeito permanece em exercício com frequên- cia cardíaca elevada, maior também foi a carga de treino daquele momento. 40 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Aproveitando a relação entre essa variável fisiológica e a capacidade de exe- cutar performances físicas, outro método para determinação da carga de trei- no foi desenvolvido, baseando-se em zonas de intensidades progressivas na medida em que há aproximação aos valores máximos de frequência cardíaca. As cinco zonas de frequência cardíacas são exemplificadas na imagem a se- guir e descritas como: MUITO LEVE, quando a frequência cardíaca estiver en- tre 50 e 60% da máxima; LEVE, para 60 a 70%; MODERADA, entre 70 e 80%; DIFÍCIL, entre 80 e 90%; e MÁXIMA, quando a frequência cardíaca se aproxima dos 100% da máxima (MCARDLE et al., 2016). ZONAS DE TREINAMENTO COM BASE EM PERCENTUAIS SUBMÁXIMOS DA FREQUÊNCIA CARDÍACA ESFORÇO EFEITO MÁXIMA 90 -100% DIFÍCIL 80 - 90% MODERADO 70 - 80% LEVE 60-70% MUITO LEVE 50-60% DESENVOLVE O MÁXIMO DESEMPENHO E VELOCIDADE AUMENTA A CAPACIDADE DE DESEMPENHO MÁXIMO MELHORA A CAPACIDADE AERÓBICA MELHORA A QUEIMA DE RESISTÊNCIA E GORDURA BÁSICA MELHORA A SAÚDE E AJUDA NA RECUPERAÇÃO Fonte: adaptado de McArdle et al. (2016) #pratodosverem: imagem com classificação de esforços progressivos entre domínios muito leves e máximos de esforço. Cada zona representa um treinamento com um objetivo específico, por exem- plo, treinamentos regenerativos com foco em recuperação estarão mais pró- ximos da zona um, e treinamentos intervalados de alta intensidade apresen- tarão picos de estímulos na zona cinco. Uma sessão completa de treinamento físico é composta por um volume determinado em cada uma das cinco zonas. Sabendo disso, e pensando no contexto de volume e de intensidade, surgiu o método de Edwards, e que é necessário saber o volume de tempo, em minu- tos, que o aluno permaneceu em cada uma das zonas de intensidade e, em seguida, multiplicar pelo fator de correção de intensidade, sendo compatível com o número da zona. 41 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Se um aluno permaneceu durante 10 minutos na zona 1 (10 × 1 = 10 UA), e dois minutos na zona 5 (2 × 5 = 10 UA), esta sessão de 20 minutos de treinamento apresentou carga de treino total de 20 UA. Na prática, percebemos que treinos mais intensos geram maiores cargas de treino para mesmos volumes ou, ainda, que é possível atingir a mesma carga de treino com um volume consideravelmente menor. Esse método de controle da carga de treino tem se tornado bastante usual e presente nas rotinas de treinamento físico por conta da popularização dos equipamentos de mensuração da frequência cardíaca, que, anos atrás, eram equipamentos laboratoriais de alta complexidade e preço. USO DE SMARTWATCH PARA ACOMPANHAMENTO DE UMA SESSÃO DE TREINAMENTO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher utilizando um smartwatch durante uma sessão de treino. 42 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Os monitores cardíacos, e especialmente os smartwatches, apresentam tecnologia cada vez mais precisa e de custo acessível, possibilitando que professores de educação física e praticantes compreendam o funciona- mento do corpo durante o treinamento físico, por meio das variações da frequência cardíaca. 2.2 VARIÁVEIS DE PRESCRIÇÃO E MONITORAMENTO Se controlar diz respeito ao passado, prescrever e monitorar um treinamento físico diz respeito aos tempos verbais futuro e presente. Na prescrição, o pro- fessor de educação física prevê quais as cargas internas e externas desejadas para a sessão de exercício que ainda sequer foi realizada, enquanto, no moni-toramento, há a garantia de que o aluno ou o indivíduo está mantendo, em tempo real, as determinações da prescrição. Ambas devem fazer parte da rotina de exercício físico para garantir tanto o ca- minho desejado pelo professor para atender aos objetivos do aluno quanto a efetivação do que se deseja. Treinos mais intensos devem gerar respostas es- pecíficas, como o aumento de força ou de potência; treinos mais volumosos, outras respostas, como o aumento da resistência aeróbia ou resistência mus- cular localizada; e treinamentos regenerativos devem garantir a capacidade de suportar as acoplagens de estresse entre sessões. 2.2.1 VARIÁVEIS INTERNAS O uso de variáveis internas de monitoramento e de prescrição do treinamen- to físico pode ser concretizado por diferentes parâmetros fisiológicos, uma vez que, à proporção que a sobrecarga de esforço aumenta, a frequência cardí- aca, a respiração, os hormônios, os sinais elétricos neurais e diversos outros eventos internos alteram-se e, na maioria dos casos, de forma proporcional às intensidades de esforço. 43 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AUMENTO DA VENTILAÇÃO DURANTE UM EXERCÍCIO INTENSO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher ofegante durante a realização de um exercício físico. Entender o motivo pelo qual esses eventos ocorrem é essencial, já que o cor- po busca todas as alternativas para garantir a energia para a demanda interna aumentada, sobretudo pela grande requisição metabólica do músculo ativo. Entretanto, para o treinamento físico, mais relevante do que determinar cada um dos eventos metabólicos e o que ocorre com cada um dos sistemas orgâ- nicos, é importante determinar as intensidades específicas em que cada um desses metabolismos são ativados (BOHME, 2003). É relevante destacar que, para cada evento interno, as sobrecargas exter- nas, como intensidade e volume, são individuais e fortemente dependentes de fatores, por exemplo, estado de treinamento, sexo e idade. Isso significa que as mesmas sensações e eventos biológicos podem ser experienciados por uma pessoa destreinada correndo a 8 km/h e outra muito bem treinada correndo a 16 km/h. Em função disso, detectar as cargas internas, com base nas premissas fisioló- gicas, é fundamental para o direcionamento do treinamento físico, visto que os estímulos para cada perfil metabólico e sistema energético geram adapta- ções úteis para cada tipo de gesto motor (MCARDLE et al., 2016). 44 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Pensem em sujeitos que precisam aprimorar a capacidade explosiva dos membros inferiores para provas de salto horizontal do atletismo. São esforços muito intensos e com duração pequena, compatíveis com a ativação meta- bólica do sistema energético anaeróbio da creatina fosfato e, em função disso, o treinamento físico deve direcionar esse perfil de ativação contrátil para gerar efeitos performáticos desejados. CAPACIDADE DE REALIZAR ESFORÇOS INTENSOS DE UMA ATLETA DE SALTO EM DISTÂNCIA Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: atleta de salto em distância aterrissando após um salto. Como resultado esperado dos efeitos crônicos do treinamento físico exem- plificado, espera-se maior acúmulo de creatina intramuscular, com maior capacidade energética desse sistema, permitindo maiores intensidades por mais durações. Mesmo que as intensidades desejadas e programadas estejam coerentes, também é necessário garantir que elas sejam efetivadas durante o proces- so de treinamento e de intervenções físicas, e, para isso, diferentes variáveis podem ser utilizadas. 45 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Diferentes respostas internas podem ser obtidas e mensuradas pelo treinamento físico. Muitas delas são conhecidas de disciplinas, como Bioquímica e Fisiologia; algumas exigem equipamentos caros e mão de obra especializada, como variáveis sanguíneas de lactato, glicose, hormônios e marcadores inflamatórios, variáveis respiratórias de consumo de oxigênio, ventilação pulmonar e troca gasosa, e até mesmo variáveis neurais, como a sinalização elétrica das sinapses ou a biopsia muscular (MCARDLE et al., 2016). Outras possuem instrumentalização mais popularizada, como a captação da frequência cardíaca por monitores cardíacos ou smartwatches, além de respostas muito simples, como a percepção subjetiva de esforço, em que o professor pode prescrever as intensidades de treino baseado na sensação de cansaço reportada pelo aluno em uma escala de esforço progressivo, exem- plificada pela figura a seguir. ESCALA DE BORG PARA MENSURAÇÃO DA PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO 6 - 7 muito fácil 8 - 9 fácil 10 - 11 relativamente fácil 12 - 13 ligeiramente cansativo 14 - 15 cansativo 16 - 17 muito cansativo 18 - 19 exaustivo 20 - Fonte: adaptado de Tibana et al. (2017). #pratodosverem: escala progressiva de 6 a 20 pontos com descritores entre a sensação muito fácil e exaustivo. 46 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Percepção subjetiva de esforço Valor de sensação utilizada com base em valores da escala de Borg. Sensação fácil Valores de 6 a 9 para exercícios muito leves. Sensação relativamente fácil Entre 10 e 12 para exercícios fáceis. Sensação ligeiramente cansativo Entre 13 e 14 para exercícios moderados. Sensação muito cansativo De 15 até 18 para exercícios difíceis. Sensação exaustão De 18 a 19 para exercícios máximos (TIBANA et al., 2017). Com a utilização dessas variáveis internas de treinamento, sabe-se que a carga interna de dois sujeitos distintos poderá ser igual, mesmo quando as cargas externas forem diferentes e, mais importante, as cargas internas podem ser diferentes mesmo quando as cargas externas forem iguais. Isso explicita que um sujeito pode estar correndo com sensação 10 de Borg a 10 km/h, enquanto outro indivíduo, com a mesma sensação, pode estar a uma velocidade de 15 km/h. 47 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Já a prescrição pela frequência cardíaca é realizada, em geral, por percentuais submáximos da frequência cardíaca máxima, valor que pode ser obtido por testes físicos máximos ou por equações de predição, como as demonstradas por Tibana et al. (2009): “208 – (0,7 × idade)” e “220-Idade”. Como essa prescrição baseia-se em zonas de intensidades progressivas, haja vista que há aproximação aos valores máximos, utilizando a equação citada, estima-se que uma pessoa de 40 anos, por exemplo, tenha um valor de 180 batimentos cardíacos por minuto máximos para prescrição baseada nas zo- nas de frequência cardíaca vistas no último subtópico desta unidade. A zona muito leve, entre 50 a 60% da frequência cardíaca, indicaria um valor entre 90 e 108 batimentos; já a zona máxima, entre 90 e 100% da máxima, deve manter uma frequência cardíaca entre 162 e 180 batimentos. CONTROLE DA FREQUÊNCIA CARDIACA DURANTE UM EXERCÍCIO DE CORRIDA Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: homem de meia-idade realizando uma corrida em esteira com monitoramento da frequência cardíaca. 48 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Explicita-se, com base nisso, que a prescrição de treinamento deve ser sem- pre individualizada, considerando-se variáveis como nível de treinamento, idade, sexo, fatores genéticos e respostas às variáveis internas de controle da carga, além da compreensão de como aplicar esses instrumentos e quais são as melhores variáveis para cada tipo e momento do treinamento físico. 2.2.2 VARIÁVEIS EXTERNAS As variáveis externas utilizadas para prescrição e monitoramentodo treina- mento físico irão depender sempre da modalidade que está sendo aplicada. Exercícios cíclicos usam, com frequência, variáveis, como tempo e ou veloci- dade, por exemplo: correr 45 minutos a 12 km/h ou realizar 10 séries de 100m de corrida para 15 segundos, com intervalo de 30 segundos entre elas. Já os exercícios acíclicos resistidos utilizam-se, normalmente, de número de repetições, séries, tipos de exercícios e sobrecargas, como peso, tração de elás- tico, velocidade e amplitude do movimento, por exemplo: quatro séries de 10 repetições do movimento agachamento com uma velocidade de 1:1 (um se- gundo para a fase concêntrica e um segundo para a fase excêntrica do movi- mento), e intervalo de dois minutos entre cada série (FLECK; KRAEMER, 2017). EXERCÍCIO RESISTIDO COM CONTROLE EXTERNO COM BASE EM NÚMERO DE REPETIÇÕES Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher realizando um exercício de braço em um equipamento de musculação. 49 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O professor deve ter habilidade de controlar essa carga externa de treino por meio da habilidade de gerar periodicidade de estímulos em um planejamen- to de treinamento; de mixar diferentes quantidades e qualidades de estímu- los externos com a variação da intensidade e do volume do estímulo; e, por fim, considerar os aspectos da individualidade biológica e do estilo de vida de cada sujeito inserido em uma rotina de treinamento. Um professor de atletismo, que utiliza a corrida como gesto motor, deve saber quando exigir do aluno esforços de longa distância, como 5 ou 10 km, esforços curtos e repetidos, como séries de 100 m, e, mais: qual a velocidade ideal para cada um desses esforços, tempo de descanso entre séries e entre dias de treinamento, além da ordem que esses estímulos serão aplicados. Obviamente todos esses estímulos externos, baseados em distâncias e em velocidades, geram diferentes respostas internas nos diversos sistemas or- gânicos, como respiratório, cardiovascular, muscular, além de respostas in- flamatórias, microlesões, entre outras. Monitorar essas diferentes respostas internas também pode trazer vantagens amplas no controle dos efeitos dese- jados do treinamento físico, especialmente quando se trata de sujeitos inse- ridos em rotinas intensas de exercícios ou de pessoas que desejam respostas rápidas e amplas (BOHME, 2003). Portanto, ao pedir para que um sujeito corra a 10 km/h, um professor deve saber que essa intensidade externa irá representar diferentes respostas inter- nas em diferentes pessoas. Uma pessoa bem treinada pode sentir essa carga como leve, regenerativa, mantendo-a com frequência cardíaca e respiratória baixas; por outro lado, um sujeito destreinado pode sofrer de forma aguda crônica para realizar uma corrida nessa intensidade, com sensações de quei- mação e dor muscular tardia. 50 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO PESSOA SEDENTÁRIA INICIANDO A PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher realizando exercício em bicicleta ergométrica. A figura a seguir resume esses aspectos e sugere que as respostas efetivas e desejadas de um treinamento físico, também conhecidas como adapta- ções, são obtidas somente com a correta manipulação das cargas internas e externas. Acompanhe! MODELO DE INTEGRAÇÃO ENTRE AS CARGAS INTERNAS E EXTERNAS DE TREINAMENTO FÍSICO Carga externa de treinamento Características Individuais Qualidade e quantidade Resultado do treinamento (adaptações) Periodização Características individuais Fonte: adaptado de McArdle (2016). #pratodosverem: esquema com a associação entre a carga externa e interna de treinamento físico para proporcionar adaptações e resultados. 51 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 2.2.3 PERFORMANCE FÍSICA Pensando em cada uma das variáveis internas e externas para a prescrição e para o monitoramento do treinamento físico, a execução das performances coerentes em cada um dos domínios de intensidade é essencial. Os exercícios no domínio de intensidade MUITO LEVE são aqueles com sobre- carga de quase exclusividade aeróbia. Nesse domínio, os tecidos musculares exigem mais oxigênio para o metabolismo contrátil; contudo, não há necessi- dade de aumento robusto na ventilação, pois o corpo aumenta a eficiência de retenção, eliminando menos oxigênio a cada expiração. Aumentando-se a sobrecarga e a intensidade, atingem-se os domínios de intensidade leve e moderado, que ocorrem entre os limiares aeróbio e ana- eróbio. Nessas intensidades, a escala de Borg apresenta valores de até 14, o que representa um aumento considerável na produção de lactato muscu- lar. Porém, ao extravasar para o sangue a capacidade oxidativa do organismo como um todo ainda é eficaz em metabolizar os metabólitos ácidos, como os íons de hidrogênio. Um destaque dessas intensidades é o primeiro aumento íngreme de ven- tilação, uma vez que o corpo precisa aumentar a ativação do metabolis- mo para sustentar o equilíbrio energético, além de garantir um ambiente biológico estável. Acima do limiar anaeróbio, há o domínio de esforço pesado, momento em que a produção dos metabólitos do metabolismo anaeróbio superam a ca- pacidade de remoção. Há um novo aumento abrupto de ventilação; no en- tanto, nem mesmo a hiperventilação consegue compensar o aumento e o acúmulo de componentes ácidos, o que potencialmente gera acidose e, eventualmente, a fadiga. Nesse domínio, a fadiga pode acontecer em poucos instantes, quando há in- tensidades próximas da máxima, ou ser sustentada por período maior em intensidades submáximas, gerando exercícios extremamente desgastan- tes, sensações de mal-estar e náuseas geradas pela alta acidose metabólica (MCARDLE et al., 2016). 52 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO EXAUSTÃO GERADA PELA ACIDOSE METABÓLICA DURANTE EXERCÍCIOS DE CADA PESADA Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher demonstrando fadiga durante sessão de exercício físico. Nos últimos anos, também tem sido descrito o domínio de intensidade severo, muito utilizado em metodologias de treinamento intervalado, por gerar fadiga precocemente sem que haja descanso e intervalo de recuperação. No domínio severo, esperam-se sobrecargas internas supramáximas com a obtenção de valores maiores do que o máximo para frequência cardíaca, por exemplo (TIBANA et al. 2009). Todos esses estímulos são amplamente direcionados para treinamentos que visam aprimorar a capacidade e a potência aeróbia, melhorando o potencial de gerar energia de maneira mais volumosa ou mais rápida a partir dos me- tabolismos que utilizam o oxigênio para as reações energéticas. 53 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Todavia, também há uma grande preocupação nas metodologias de trei- namento acerca das ativações do metabolismo anaeróbio, as quais devem garantir dois pontos-chave: maior resistência à acidose, fazendo com que as enzimas não falhem imediatamente à redução do pH, e uma demora maior na produção dos elementos ácidos, potencialmente por aumento do forneci- mento de energia por vias aeróbias (FLECK; KRAEMER, 2017). São três as principais intensidades de treinamento: 1) os treinamentos de to- lerância à acidose, com intensidades de ativação glicolítica por maiores pe- ríodos de tempo; 2) os treinos voltados à produção de lactato, com foco nas intensidades máximas do metabolismo glicolítico e na maior produção em volume relacionada aos metabólitos desse sistema metabólico; e, por fim, 3) o treinamento de potência anaeróbia, com intensidades de ativação do sistema do fosfagênio.TREINAMENTO DE ATIVAÇÃO ANAERÓBIA COM POTÊNCIA DE SALTOS Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher treinando saltos de potência. 54 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Os treinos de tolerância buscam aumentar a capacidade de tamponamento à acidose muscular, melhorando tanto a capacidade contrátil física, como a habilidade de manutenção da coordenação e a técnica de movimento em in- tensidades altas. Além disso, também resulta em melhoras na quantidade de armazenamento de substratos energéticos, como o glicogênio intramuscular. Os treinamentos para produção de lactato são menos volumosos e mais in- tensos com o objetivo da máxima taxa de produção energética derivada do metabolismo glicolítico. Como resultado, as máximas intensidades são am- plamente aprimoradas, principalmente pela maior capacidade metabólica e pela manutenção da capacidade neuromuscular. Já os treinamentos de potência objetivam aumentar a explosão muscular em sprints ou gestos motores intensos contra resistência. Para essas intensida- des, distâncias ou volumes muito pequenos, com intensidades muito amplas, são utilizados nos treinos, com descansos maiores entre séries, por exemplo, sprints de 10 a 20m, ou a pliometria e o arremesso. A conexão entre os diversos tipos de performance física faz muito sentido para o treinamento físico, sobretudo quando monitorados, controlados e prescri- tos de maneira adequada. 55 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO O principal objetivo desta unidade foi elucidar como as diferentes variáveis de treinamento físico podem ser utilizadas por todo tipo de pessoa, seja um idoso, seja um atleta de alto nível. Com clareza, o professor de educação física deve estar preparado para trabalhar com os três tempos verbais: passado, pre- sente e futuro, atuando, assim, na prescrição das sessões de exercícios físicos que serão realizadas; no monitoramento da própria sessão, para garantir que ocorra o desejado; e no controle das sessões que ocorreram, para entender como a acoplagem de diversos estímulos e sessões de exercícios geram res- postas no organismo. Destaca-se a habilidade necessária para desenvolver treinamentos baseados em variáveis externas, mais perceptíveis aos alunos, e variáveis internas, que demonstram, de maneira clara, objetiva e individual, como essas cargas ex- ternas reagem perante cada realidade de perfil corporal, carga genética, nível de treinamento, estado de saúde, sono, alimentação, entre outros fatores que influenciam fortemente a atuação do professor de educação física. É interessante lembrar que a tecnologia dispõe de diversas instrumentaliza- ções para detectar cada uma dessas variáveis; algumas delas de alto custo e com necessidade de mão de obra especializada. No entanto, há outras ex- tremamente possíveis de serem aplicadas em qualquer realidade e área da educação física, como a percepção subjetiva de esforço e até mesmo o moni- toramento da frequência cardíaca. Bons estudos e vamos em frente! 56 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO MATERIAL COMPLEMENTAR Recomenda-se a leitura complementar dos livros: Treinamento de força para o desempenho humano. Fundamentos do treinamento de força muscular. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. Recomenda-se a leitura complementar dos artigos: Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo. Quantificação da carga da sessão de treino no Crossfit por meio da percepção subjetiva do esforço: um estudo de caso e revisão de literatura. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319353 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713907 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517/542 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517/542 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/view/919 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/view/919 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/view/919 UNIDADE 3 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 57 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO > Compreender os princípios que norteiam o treinamento físico e que geram resultados ao praticante. > Aplicar os conceitos de cada um dos princípios do treinamento físico. > Destacar os principais aspectos que são gerais e válidos para todo tipo de treinamento físico. 58 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 3. PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO FÍSICO INTRODUÇÃO DA UNIDADE Os princípios do treinamento físico permeiam o grupo de informações rele- vantes e aplicáveis para todo tipo de treinamento físico em todas as modalida- des. Podem ser reconhecidos como pilares fundamentais para a compreensão das respostas que todo sujeito que passa por estímulos físicos sistematizados potencialmente possui, além de discriminar informações aplicáveis para a prescrição de treinamento físico. Obviamente que as possibilidades de aplicação do treinamento físico são di- versas, podendo requisitar especificidades relacionadas a cada tipo de ges- to motor, como os cíclicos ou os resistidos; explicitar os padrões técnicos e gestuais de modalidades diferentes, como a natação e o atletismo; ou, ainda, direcionar necessidades de aprimoramento tático de forma única, como nas modalidades individuais ou nas modalidades coletivas. Mesmo com essas perspectivas, algumas respostas e efeitos são genéricos, como no caso dos principais do treinamento físico, destacando-se a individu- alidade biológica, com conceitos acerca da genética e do fenótipo humano; os princípios de adaptação, sobrecarga, interdependência volume-intensida- de e especificidade, que geram compreensão dos ajustes e das adaptações estruturais e funcionais a todo tipo de estresse, especialmente o físico; além dos princípios da continuidade e da reversibilidade, que explicitam o ciclo continuado do treinamento físico; e, por fim, o princípio da treinabilidade, que destaca como um corpo reage ao treinamento físico com o passar da vida e do próprio nível de treinamento obtido. Bons estudos! 59 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.1 PRINCÍPIOS BÁSICOS DO TREINAMENTO Todos os princípios dão corpo teórico altamente aplicado aos professo- res de educação física e treinadores, seja na iniciação esportiva, seja no alto rendimento, no trabalho com crianças ou idosos, nos objetivos rela- cionados à saúde ou ao rendimento físico, e devem ser utilizados como base para o desenvolvimento de todos os demais itens que o treinamento físico exige (FLECK; KRAEMER, 2017). No entanto, alguns princípios podem ser considerados a base dos outros, ten- do em vista que norteiam as respostas iniciais obtidas e devem ser essencial- mente consideradas pelo professor de educação física, que são: o princípio da individualidade biológica, da adaptação e da sobrecarga. 3.1.1 PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA Como estratégia para compreender as particularidades de cada indivíduo que está na rotina de treinamento físico, destaca-se o princípio da indivi- dualidade biológica. É possível afirmar que existe uma alta variabilidade de fenômenos fisiológicos e funcionais entre sujeitos, mesmo quando aparen- temente parecidos. Nesse sentido, o treinamento individualizado, principal- mente baseado em variáveis internas, pode trazer melhores resultadosde adaptação orgânica. Essas características individuais são marcadas por cargas genéticas e tam- bém pelo perfil fenotípico. Algumas características têm maior relação gené- tica, a quais podem ser influenciadas pelo perfil e pelas heranças familiares, como no caso das características antropométricas em medidas como a esta- tura, além do perfil e da composição de fibras musculares e de aspectos fun- cionais, como a força e a flexibilidade. 60 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO DNA COMO COMPONENTE GENÉTICO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: imagem representando um DNA humano. Entretanto, apesar de existir alta relação dos potenciais máximos que um su- jeito pode ter dentro de ambientes esportivos e de práticas de exercícios físi- cos, em especial no alto nível, com a genética, é errado afirmar que esse perfil limite o desenvolvimento de uma pessoa que queira se envolver e evoluir fisi- camente em programas de treinamento físico. Sabemos que o perfil fenotípico de cada pessoa ou, em outras palavras, as ex- periências, os ambientes e os meios a que alguém foi exposto no decorrer da vida, podem ser massivamente decisivas para tanto a expressão dos genes já preexistentes quanto também no desenvolvimento de habilidades funcionais específicas que forem direcionadas em cada fase do desenvolvimento motor, sobretudo durante as fases infantis (BOHME, 2003). 61 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS FÍSICAS DE UMA CRIANÇA Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: criança jogando futebol. Tal situação é um alento para as pessoas que praticam esportes e exercícios de maneira recreativa, uma vez que, quando pensamos em situações compe- titivas de alto rendimento, potencialmente existe uma vantagem em pessoas mais predispostas geneticamente a estarem em uma olimpíada ou campe- onato mundial. Porém, qualquer pessoa pode evoluir e ter adaptações em qualquer modalidade. Um exemplo prático pode ser visto em jogadores de basquetebol, que usualmente possuem estaturas elevadas, ou ginastas, que possuem menor estatura. Apesar de, no senso comum e no imaginário popular, algumas pessoas leigas creditarem que este ou aquele esporte pode estimular ou reduzir o crescimento, na verdade o que ocorre é simplesmente uma seleção natural de pessoas tendenciosamente mais altas ou mais baixas dentro do alto rendimento dessas modalidades, visto que tais características físicas podem facilitar o desempenho requisitado. 62 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Um outro ponto interessante para destaque, é que cada um desses parâme- tros, com alta ou baixa dependência genética, também têm fases de maior sensibilidade à estimulação. Por exemplo, a flexibilidade é uma capacidade biomotora altamente sensível a estímulos realizados em idades precoces, próximas aos seis anos de idade. Por isso, é comum existirem centros de trei- namento sistematizados de ginastas ou até mesmo a introdução de aulas e rotinas de balé em sujeitos jovens. Por outro lado, capacidades biomotoras de força, explosão muscular e potência são fortemente relacionadas ao período pubertário, que é extremamente individualizado e também dependente de fatores como gênero e estilo de vida. (FLECK; KRAEMER, 2017). CRIANÇA BAILARINA COM ALTO NÍVEL DE FLEXIBILIDADE Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: criança com roupa de bailarina realizando movimento de flexibilidade. Além disso, os perfis de somatotipo corporal são variáveis interessantes, pois podem representar pessoas com maior tendência de apresentar característi- cas de acúmulo de gordura, de ganho de massa muscular ou de estruturas mais alongadas. 63 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Somatotipo Refere-se aos tipos de perfis corporais relacionados à tendência de distribuição da composição corporal. Endomorfo Característica relacionada a uma maior tendência de acúmulo de gordura corporal. Mesomorfo Tendência superior de ganho de massa magra no perfil individual. Ectomorfo Refere-se ao perfil corporal esguio, com tendência a apresentar estruturas longilíneas (MCARDLE et al., 2016). Destaca-se que, apesar de existir pessoas com perfil explícito de endomorfia, mesomorfia e ectomorfia, a grande maioria apresenta padrões intermediá- rios com alta relação à comportamentos de vida e não somente à tendencia genética. A figura abaixo exemplifica dois desses perfis de somatotipo. 64 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO PERFIL DE SOMATOTIPO ENDOMORFO E ECTOMORFO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: duas mulheres enroladas em uma fita métrica, de costas uma para a outra. Uma delas aparenta ser mais esguia; e outra, acima do peso. A individualidade biológica traduz muitos fatores relacionados ao que um su- jeito tem de características. Todavia, a resposta final de um sujeito, particu- larmente pessoas fisicamente ativas, o tripé de tarefas, ambiente e genética devem sempre ser considerados. 3.1.2 PRINCÍPIO DA ADAPTAÇÃO O corpo humano sempre reage a estímulos e estresses como uma resposta básica para se proteger contra a perda da estabilidade dos sistemas orgâni- cos. Algumas reações são reconhecidas como ajustes agudos, por exemplo, os tremores que alguém tem ao passar frio. Assim, o corpo busca aumentar as reações químicas que geram contração muscular para produzir mais calor como consequência primária. Tal ajuste é extremamente útil para manter o equilíbrio da temperatura cor- poral; no entanto, imagine alguém que vive em um ambiente frio: definitiva- mente não seria viável manter os tremores como estratégia única de proteção orgânica. Nesse aspecto, há uma adaptação do sistema endócrino com maior liberação de hormônios metabólicos e produção de calor naturalmente, ou 65 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 seja, mudanças orgânicas que geram efeitos mais crônicos como resposta ao estresse (MCARDLE et al., 2016). AJUSTE CORPORAL AO FRIO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher sentada, lendo um livro, protegendo-se do frio com um cobertor nas costas e nos braços. Essa situação pode também ser modulada como resposta a estímulos e estresses físicos, sendo que estímulos muito fracos não acarretam grandes consequências de adaptação; médios apenas excitam e geram ajustes; fortes podem provocar adaptações; e muito fortes podem superar a habilidade de adaptação do corpo, além de danos na estrutura ou nas capacidades funcionais do sistema musculoesquelético. . Por vezes, essa linha de efetividade de adaptação pode ser superada, geran- do eventos que podem gerar cansaço ou fadiga, representados pela falha metabólica normalmente em função de depleção de reservas energéticas e 66 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO ou de acúmulos de metabólitos ácidos, como íons de hidrogênio e lactato, ou uma exaustão; momento em que há profundo desgaste do organismo e inabilidades funcionais. Em função disso, atualmente o grande desafio dos professores de educação física é balancear os estímulos físicos com a habilidade de recuperação do cor- po, em especial porque o corpo não possui compartimentos diferentes para as sobrecargas e, pontualmente, o somatório de estresses físicos, químicos, psicológicos, emocionais, a falta de sono, entre outros fatores, pode ser muito impactante para um organismo (MCARDLE et al. 2016). Capacidade máxima de trabalho Carga Retorno ao nível pré-carga Super-compensação Fadiga e recuperação FASES Os eventos relacionados à adaptação orgânica são gerados pela quebra na linha de homeostasia, acarretando quebra de substratos energéticos, possíveis microlesões no tecido muscular e até mesmo eventos inflamatórios. Gráfico de supercompensação Fonte: adaptado de McArdle (2016). #pratodosverem: gráfico demonstrado efeitos do estímulo e da recuperação física. Como resposta ao estímulo, o corpo inicia o processo recuperativo, gerando não somente o retorno aos níveis prévios mas uma recuperação superior, conhecida como supercompensação. Essas adaptações causam os resultados físicos e são favoráveis para que um futuro estímulo não cause tanto impacto quanto o primeiro. Resultado físico de emagrecimento Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher dentro de uma calça larga. 67 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Essas adaptações podem ser representadas por diversos eventos cor- porais, específicos aos estímulos que foram dados, como maior sínte- se de proteínas musculares, maior acúmulo de substratos energéticos ou melhora na capacidade de atuação de sistemas como o cardiovascular, endócrino ou neuromuscular. Um detalhe que chama a atenção na imagem “Resultado físico de emagreci- mento” é a perda da supercompensação ao longo do tempo. Isso ocorre, pois o corpo não detecta mais necessidade de sustentar habilidades funcionais ou estruturas para um estresse que não mais ocorreu. Essa situação justifica a continuidade dos estímulos e demostra que um único exercício ou sessão de exercícios não gera adaptação sustentável. 3.1.3 PRINCÍPIO DA SOBRECARGA Durante o estado de supercompensação, as capacidades orgânicas gerais, principalmente de domínio físico, tornam-se superiores ao estado pré-esti- mulação, o que gera grandes benefícios à capacidade física. Porém, um estí- mulo que antes poderia ser considerado forte talvez não mais seja suficiente para gerar as mesmas adaptações. Essa situação justifica os conceitos relacionados ao princípio da sobrecarga, em que a aplicação do aumento progressivo na carga de trabalho deve ser feita sempre que o sujeito se adapta à carga anterior para gerar novas super- compensações e adaptações. Em suma, estímulos fortes necessitam de uma recuperação compatível para gerar supercompensação e habilidade para um estímulo ainda mais forte. Em teoria, pode parecer algo simples de controlar, mas são diversos pontos que exigem controle e equilíbrio (FLECK; KRAEMER, 2017). 68 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO EXERCÍCIO COM SOBRECARGA ALTA Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: homem se exercitando com pneu de trator. Um aspecto importante a se considerar são os momentos de depleção, já que o estímulo e a sobrecarga provavelmente não ocorrem em função de somen- te um exercício ou de uma sessão de exercícios, tendo em vista que pode ocorrer acoplagem dos estresses diários, semanais e mensais. Essa situação reforça a necessidade de o professor de educação física con- siderar os dias de descanso passivo, como o fim de semana, ou momen- tos de baixa carga na periodização de treino, para garantir recuperação e potenciais supercompensações. A aplicação de acréscimos na sobrecarga precisa respeitar os tempos corretos da supercompensação porque aumentos de sobrecargas aplicadas antes do tempo podem gerar dificuldade de recuperação e, consequentemente, perdas de rendimento físico ou lesões. Por outro lado, sobrecargas tardias podem representar um momento em que o sujeito já retornou às condições prévias, perdendo o potencial de adaptações, o que pode gerar um estímulo muito mais forte do que o previsto e uma potencial lesão (FLECK; KRAEMER, 2017). 69 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Controlar todos esses eventos exige alta habilidade de professores de educa- ção física, que devem conhecer amplamente seus alunos e atletas para de- tectar o avanço funcional e o aumento da capacidade de suportar cargas, por meio de avaliações e testes físicos regulares ou, no mínimo, controle do que tem sido feito nas sessões de exercícios físicos (FLECK; KRAEMER, 2017). AVALIAÇÃO FÍSICA DE FORÇA MUSCULAR Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: professor de educação física aplicando teste de força em mulher. Existem várias maneiras de gerar sobrecarga progressiva no decorrer do trei- namento físico, seja nadando mais rápido, seja utilizando uma nadadeira, cor- rendo na subida ou em um campo de areia, ou aumentando o número de re- petições em uma série de musculação. Em todas essas situações, o professor de cada modalidade deve sempre considerar as especificidades dos gestos motores e demandas físicas, as quais serão discutidas nos tópicos a seguir. 3.2 PRINCÍPIOS AVANÇADOS DO TREINAMENTO O professor que consegue detectar as individualidades de seus alunos, apli- car os melhores padrões de estímulos, controlar a adequada recuperação e o potencial de supercompensação e ainda gerar aumentos na sobrecarga compatíveis com as adaptações já geradas pelo treinamento, já tem grandes chances de sucesso para a obtenção dos resultados desejados. 70 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS DE UMA AVALIAÇÃO FÍSICA Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher medindo a circunferência de abdômen. Os tópicos a seguir tratarão dos detalhes que podem fazer grande diferen- ça nos momentos de aplicação do treinamento físico, especialmente ao con- trolar o padrão de estímulo externo com variações adequadas de volume e intensidade, ao manter o estímulo de maneira coerente e continuamente, de acordo com cada adaptação desejada, e específicos ao que se deseja me- lhorar. São os princípios da interdependência entre volume e intensidade, da continuidade ou reversibilidade e o princípio da especificidade. 3.2.1 PRINCÍPIOS DA INTERDEPENDÊNCIA ENTRE VOLUME E INTENSIDADE O volume, como variável do treinamento físico, expressa a quantidade total de trabalho realizado, como os quilômetros percorridos em uma corrida, o núme- ro de repetições, de séries ou de exercícios feitos em uma rotina de muscula- ção ou quantos minutos duraram uma aula de natação. Em outras palavras, o volume destaca o tempo total que o músculo permanece em contração. Por outro lado, a intensidade expressa a qualidade dessas cargas aplicadas, isto é, a velocidade com que a corrida ou o nado é realizado ou os quilogramas que estão em uma barra para execução de um exercício de supino, pensando no exemplo da musculação (FLECK; KRAEMER, 2017). 71 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SOBRECARGA COM ANILHAS EM UM EXERCÍCIO DE SUPINO NA MUSCULAÇÃO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: aparelho de musculação supino. É extremamente relevante compreender como essas duas variáveis intera- gem entre si, sobretudo para que os diferentes caminhos de uma periodiza- ção sejam obtidos e efetivados. Toda vez que ocorre aumento real de intensi- dade, há redução do volume de exercício, e vice-versa, ou seja, ao aumentar a velocidade de corrida, um sujeito reduz a distância que conseguirá percorrer naquela intensidade sem que entre em fadiga. Entende-se que aumentos do volume e da intensidade simultaneamente não são recomendados pelo excesso de estresse imposto e, além disso, somente são possíveis se estiverem sendo utilizados valores submáximos dessas variá- veis nos protocolos de trabalho. Durante uma rotina de treinamento físico, diferentes caminhos podem ser escolhidos, a saber: caminhos que buscam dar mais importância ao volume com o passar do tempo ou caminhos que buscam dar mais importânciaà intensidade com o passar do tempo. Essas situações exigem a criação de pe- riodizações que aumentam a intensidade com o decorrer do tempo e, por conseguinte, reduzam o volume ou vice-versa (MCARDLE et al., 2016). 72 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO DESENVOLVIMENTO DA FORÇA EM UM CAMINHO QUE FOCA NA INTENSIDADE Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: homem executando movimento de flexão na barra. Algumas variáveis treináveis e capacidades biomotoras respondem muito bem ao aumento da intensidade com o passar do tempo, como no caso de força, potência ou velocidade. Já outras variáveis, como a resistência muscular localizada e a resistência aeróbia, respondem muito bem ao aumento do vo- lume durante a periodização; tópico abordado no item a seguir. 3.2.2 PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE Sabendo-se que diferentes variáveis respondem a diferentes estímulos no processo adaptativo, todo treinamento deve ser planejado pensando- -se na performance esportiva ou gesto motor desejado de acordo com as qualidades físicas, os sistemas energéticos, segmentos corporais e coordenações requisitadas. O treinamento deve garantir a especificidade em três principais aspectos: o primeiro é o metabólico, em que se consideram as necessidades de caracte- rística da modalidade e a atuação de sistemas bioenergéticos, cardiovascu- lares e respiratórios. Por exemplo, sabemos que diferentes posições em uma equipe de futebol possuem diferentes demandas e, por isso, precisam de trei- namentos específicos. Atacantes podem realizar esforços intensos e curtos; e meio-campistas, esforços mais volumosos. 73 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 MOVIMENTO POTENTE DE UM ATACANTE NO FUTEBOL Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: homem chutando uma bola de futebol. Além disso, o treinamento deve ter especificidade neuromuscular, conside- rando-se o tipo de fibra muscular recrutada e o padrão de ativação coorde- nativa e de sinergias entre diferentes grupos musculares, como os agonistas e os antagonistas. Por exemplo, na tentativa de maximizar o envio de sinali- zação elétrica para o bíceps realizar uma flexão de cotovelo, os planejadores no córtex cerebral, controladores no cerebelo e distribuidores de sinal pelos motoneurônios precisam fazer uma distribuição correta desse estímulo para que o tríceps não realize aumento de contração muscular associada, freando o movimento e reduzindo a habilidade contrátil do bíceps. Tal coordenação motora específica assegura melhoras direcionadas às ativi- dades rotineiras, tanto em contextos esportivos e de alto nível quanto em pes- soas que se exercitam de maneira recreativa ou menos intensa com maiores focos na saúde (BOHME, 2003). Por fim, a própria rotina de treinamento físico deve garantir fases mais básicas, em que a sustentação metabólica e estrutural é priorizada, e fases mais espe- cíficas, que aumentam o potencial do que se pretende com o treinamento. Cumpre esclarecer que nem sempre o treinamento físico busca desenvolver a aptidão desejada, mas que, no momento-chave, o pico de rendimento deve ocorrer nesse sentido. 74 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Gestos motores Devem estar intimamente relacionados à característica do esporte ou da modalidade. Músculos Os músculos envolvidos no treinamento devem participar do gesto esportivo ou motor final, além de garantirem que a estratégia de contração seja similar. Sobrecargas Podem ser total ou parcialmente utilizadas durante os momentos de treinamento, não sendo necessário reproduzir fielmente as mesmas intensidades competitivas sempre. Velocidade A velocidade de execução dos movimentos deve ser muito próxima àquela desejada durante os momentos de performance física para que sejam desenvolvidas as habilidades de potência, de força ou de resistência. Amplitude A amplitude do movimento também deve ser similar ao gesto motor final; no entanto, pode ser reproduzida por diferentes fases em movimentos educativos de cada momento (CHANDLER; BROWN, 2009). Todos esses fatores destacam como o treinamento físico, especialmente no alto rendimento, merece a atenção da especificidade em qualquer tipo de objetivo. Uma pessoa que busca emagrecimento e o fará por meio do de- senvolvimento da força, na expectativa de que tal objetivo gere maior gas- 75 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 to calórico do metabolismo basal e dos momentos recuperativos pós- -exercício, deve garantir que a resposta-base, durante o treinamento físico, seja ganho de força. Juntando todos esses princípios, fica claro como podemos gerar respostas em qualquer modalidade quando bem direcionadas e, para consolidar esses entendimentos, o último tópico desta unidade trará as respostas de continui- dade e de reversibilidade, explorando o exercício físico e o treinamento como um estilo de vida, e não somente prescrição por número de sessões. 3.2.3 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE A continuidade da prática assegura que não haja reversibilidade dos resulta- dos conquistados. Entretanto, cabe pontuar que muitos benefícios da prática de qualquer exercício físico são levados para o resto da vida; então, seria injus- to se abordássemos o assunto como se todo o resultado fosse perdido logo que interrompida a rotina de treinamentos físicos. COMPROMISSO FREQUENTE DE EXERCÍCIOS FÍSICOS Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: calendário com compromissos agendados. 76 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO De toda maneira, o princípio da continuidade reforça que o treinamento fí- sico é um ciclo contínuo de repouso e de exercício, repetido como rotina, e não como sessões-alvo. Obviamente, espera-se que determinado período de treinamento gere resultados específicos; porém, no decorrer da vida de uma pessoa, o somatório de diversos desses períodos semanais, mensais e anuais garantem a manutenção de fatores, como estética, habilidades e capacidades biomotoras e os próprios parâmetros relacionados à saúde (BOHME, 2003). Sabemos que a própria continuidade deve ser questionada em alguns mo- mentos. Por exemplo, existem recomendações amplas para que se dê no mínimo um dia de descanso passivo e outro ativo por semana ou que atle- tas profissionais tenham um período de 30 dias consecutivos ou divididos de duas a três etapas de férias, garantindo uma quebra na rotina pesada de treinamento físico. IMPORTÂNCIA DO MOMENTO DE FÉRIAS PARA ATLETAS Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: fotografia de pernas masculinas, cruzadas, sobre uma rede. Isso significa que há alguns aspectos e fatores positivos na interrupção do treinamento físico, principalmente quando isso gera mais habilidades de re- cuperação, supercompensação, diminuição de aspectos inflamatórios e au- mento da habilidade funcional. Em geral, um ou dois dias de intervalo bastam para isso, haja vista que o corpo não necessariamente precisa de intervalos passivos para esses eventos, mas sim de alteração de cargas de treino. 77 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Se você, caro aluno, exercita-se com regularidade durante a semana, potencialmente já sentiu perdas no rendimento comparando-se segunda-feira e sexta-feira, com recuperação dessas habilidades no começo da semana seguinte. No entanto, pense também nos momentos que esse período foi maior, entre uma semana e um mês. Você, provavelmente, sentiu quedas drásticas na habilidade de desempenhar as mesmas performances, em especial as que dependem de resistência aeróbia. Isso caracteriza a reversibilidade,em que progressivamente há perda dos ganhos funcionais, estéticos e performáticos quando um treinamento físi- co é interrompido. Esse conceito é tão importante que muitos estudos co- meçaram a verificar não somente a habilidade de ganhar resultados com um tipo de treinamento mas também o tempo necessário para perder esses efeitos gerados. PERDA DE RESULTADOS ESTÉTICOS APÓS A INTERRUPÇÃO DA PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher apertando uma barriga saliente. 78 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Um dos estudos que buscou verificar efeitos do treinamento e do destrei- namento destaca que cada tipo de variável responde de maneira diferen- te, com algumas demorando mais para aprimorar-se durante o treinamen- to e outras demorando mais para retornarem aos padrões pré-treinamento (MICHELIN et al., 2009). Os autores realizaram nove meses de treinamento envolvendo exercícios aeróbios, resistidos e de flexibilidade com cinco sessões semanais de 80 minutos e seguiram com o experimento por um mês. Após a interrupção do treinamento, encontraram decréscimos significativos na flexibilidade, porém ganhos de 7% na força de membros inferiores e de 22% na potência aeróbia, obtidos durante o período de treinamento, que se mantiveram após o período de destreinamento (MICHELIN et al., 2009) Esses eventos sugerem que períodos muito prolongados de destreina- mento podem levar sujeitos treinados a condições muito próximas de uma pessoa sedentária, por mais que potencialmente possam ter van- tagens nos momentos de retorno, em função de todas as adaptações neuromusculares preexistentes. Evidências também sugerem que algumas variáveis podem apresentar per- das relacionadas ao destreinamento menores do que outras, como no caso da força muscular, que não sofre grandes alterações em curtos períodos de destreino, em comparação à potência, que, em um período de uma a três se- manas, apresenta quedas mais expressivas. VANTAGENS RELACIONADOS AO HISTÓRICO DE TREINAMENTO FÍSICO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: homem em torno dos 60 anos em posição de largada em uma corrida. 79 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Um outro aspecto relevante é o período de experiência prévia. Sabe-se que a extensão do período de treinamento anterior ao destreino pode impactar diretamente na habilidade do corpo em manter ativa, por maiores períodos, as habilidades funcionais previamente estabelecidas e, mais importante do que isso, a velocidade de retorno desses parâmetros quando o treinamento é inserido novamente na rotina. Em outras palavras, o treinamento físico sempre traz vantagens, mas são mui- to mais evidentes e explícitas quando há manutenção dos estímulos. Assim, o treinamento físico deve ser um estilo de vida, e não somente um período ou sessões prescritas (BOHME, 2003). Todos esses princípios são bases fortes para balizar a aplicação de treinamen- to físico e devem ser seguidos e pensados durante todo o processo de pres- crição, controle e monitoramento das sessões de treino, garantindo, portanto, respostas mais consolidadas e individualizadas em cada processo. Vamos em frente e ótimos estudos! 80 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO CONCLUSÃO O objetivo desta unidade foi estudar os mais relevantes princípios do trei- namento físico, destacando algumas informações fortemente universais e válidas para qualquer situação em que um professor de educação física possa se encontrar. Sabemos que o leque de atuação da nossa área é enorme, seja pela varieda- de de modalidades esportivas, seja pelos diferentes tipos de exercícios físi- cos, objetivos de prática e a diferença explícita que uma pessoa tem de outra. Por isso, termos alguns balizadores centrais que possam direcionar a atua- ção em ambientes de prescrição, controle e monitoramento facilita muito todo o processo. O princípio físico da individualidade biológica já supre um desses aspectos em que uma pessoa deve ser vista de maneira específica à outra, em função de fatores como a genética e o fenótipo, que devem ser considerados em todo ambiente de treinamento físico, tanto na habilidade de receber estímu- los quanto de recuperar-se. Isso somente é possível quando conectamos a maneira biológica pela qual nosso corpo responde aos estímulos, que, apesar de depender muito de cada sujeito, segue regras semelhantes, ditadas pelos princípios da adaptação e da sobrecarga. Magnitudes podem se modificar, mas a ordem dos processos é esperada que se repita em todos os sujeitos que aderem a uma rotina de treinamento físico. Além disso, as sobrecargas de treinamento são compostas pelas intensida- des e volumes utilizados; variáveis que podem ser individualizadas pelo uso de parâmetros de cargas interna. Contudo, um ponto é claro: quando a inten- sidade sobe, o volume tem de cair. Concluímos que o treinamento físico deve ser cíclico e contínuo para que, assim, garanta benefícios contínuos na vida de quem assume essa rotina. Bons estudos e até logo! 81 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 MATERIAL COMPLEMENTAR Treinamento de força para o desempenho humano Fundamentos do treinamento de força muscular. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano Recomenda-se a leitura complementar dos artigos: Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo. Quantificação da carga da sessão de treino no Crossfit por meio da percepção subjetiva do esforço: um estudo de caso e revisão de literatura. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319353 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713907 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517/542 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517/542 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/view/919 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/view/919 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/view/919 UNIDADE 4 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 82 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO > Compreender como as capacidades biomotoras afetam as performances específicas de cada modalidade e demanda física. > Conhecer as principais capacidades físicas aprimoradas nos treinamentos cíclicos. > Entender as principais capacidades físicas aprimoradas nos treinamentos resistidos. 83 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 4.CAPACIDADES BIOMOTORAS INTRODUÇÃO DA UNIDADE Um ponto de alta importância no treinamento físico é compreender quais são as alterações desejadas no processo e, com base nisso, direcionar, avaliar e diagnosticar a efetividade de adaptações obtidas pelo treinamento. Imagine um sujeito que treina força de forma adequada, mas está sendo avaliado e direcionado por medidas de resistência muscular: provavelmente, ocorrerão impactos negativos na própria periodização e nos resultados. Como já estudamos as relações entre os tipos de treinamento cíclicos e ací- clicos, encaixar as capacidades biomotoras treináveis em cada um desses treinamentos é uma tarefa mais simples. Os treinamentos cíclicos, como as modalidades de corrida e de natação, são os mais apropriados para desenvol- vimento de capacidades biomotoras relacionadas às capacidades e às potên- cias aeróbia e anaeróbia, que são as habilidadesde permanecer em esforço por mais tempo ou em maiores intensidades. Já nos treinamentos resistidos, como na musculação ou em treinamentos funcionais, há uma especialidade em trabalhos relacionados ao aumento de força, potência ou resistência muscular localizada, além das alterações estru- turais referentes à hipertrofia muscular. Sabendo disso, apesar de os professores de Educação Física estarem inseridos em uma grande possibilidade de modalidades e atuações práticas, é simples entender quais as variáveis estão sendo aprimoradas durante uma rotina de treinamento esportivo ou físico. Bons estudos! 84 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 4.1 CAPACIDADES E POTÊNCIAS As demandas energéticas de um corpo em esforço físico podem ser com- preendidas por meio de um modelo de caixa d’água, que funciona com o co- nhecimento do volume das reservas energéticas e velocidades de utilização desses estoques; ambas variáveis treináveis pela rotina de aplicação prática do treinamento físico. Imagine uma caixa d’água: essa é a representação da capacidade de atuação dos metabolismos aeróbios ou anaeróbios, sendo que capacidades maiores podem representar maior duração de respostas aos estímulos físicos, por exemplo, um maratonista tende a possuir uma grande capacidade aeróbia por suportar grandes volumes de esforço. A torneira que libera o conteúdo da caixa d’água, por sua vez, representa a potência desse metabolismo, uma vez que é possível ter uma torneira de alta vazão em uma caixa pequena ou vice-versa. A potência define a velocidade de uso dos metabolismos de cada caixa, por exemplo, um corredor de 100 m, definitivamente, possui alta potência anaeróbia (MCARDLE et al., 2016). 4.1.1 CAPACIDADE AERÓBIA A capacidade aeróbia pode ser determinada de diversas maneiras; como pa- drão ouro: eventos respiratórios, utilizando-se de variáveis como ventilação, consumo de oxigênio e de gás carbônico; e eventos sanguíneos: como os va- lores de lactato sanguíneo ou até mesmo de hormônios, além de maneiras preditivas, por meio de performances e equações. 85 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO SISTEMA RESPIRATÓRIO REQUISITADO NAS DEMANDAS DE CAPACIDADE AERÓBIA Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: imagem representando o sistema respiratório, pulmão e trato respiratório superior. Essa medida é utilizada amplamente para diagnóstico, controle e prescrição do desempenho e do treinamento aeróbios, sendo que as intensidades repre- sentadas por essa capacidade indicam o limite máximo da predominância aeróbia, tendo em vista que a capacidade aeróbia representa a quantidade total de energia proveniente desse sistema energético. Intensidades superiores à capacidade aeróbia podem representar um com- prometimento da permanência no esforço, ou seja, fadiga por vias metabó- licas e por acidose. Intensidades acima desse ponto podem ser largamente utilizadas para treinamentos intervalados e permitem a obtenção do consu- mo máximo de oxigênio. O padrão ouro para determinação dessa intensidade é um teste conhecido como máxima fase estável de lactato (MFEL), pois representa o limite máxi- mo entre a produção e a remoção de lactato sanguíneo, demonstrando que intensidades superiores à capacidade aeróbia são as que geram acúmulo de lactato sanguíneo e substâncias, como íons de hidrogênio, que geram acido- se muscular e, por conseguinte, fadiga (MCARDLE et al., 2016). 86 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A figura a seguir exemplifica a execução de um teste de MFEL em que um sujeito realiza, em diferentes dias, testes de 30 minutos de corrida, com coleta de sangue para determinação do lactato sanguíneo. Corrida com diferentes controles de intensidade em esteira rolante Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: homem correndo em esteira rolante. A intensidade de 16 km/h representa a estabilidade metabólica do limiar 2, 18 km/h, uma intensidade que extrapola esse limiar e gera fadiga antecipada; e 20 km/h, uma intensidade de produção alta de lactato que representa baixa capacidade de permanecer em esforço. Determinação do limiar anaeróbio pelo teste da máxima fase estável de lactato (MFEL) Fonte: adaptado de Caputo et al. (2009). #pratodosverem: gráfico demonstrando a concentração de lactato em diferentes intensidades de corrida. Conhecendo as capacidades, entender a representação e as sensações que ocorrem em cada intensidade de esforço fica muito mais simples. Veja: um sujeito com alta capacidade aeróbia é exatamente aquele que consegue executar exercícios mais prolongados e em intensidades superiores. Assim, os treinamentos de aprimoramento da capacidade aeróbia usualmente pos- suem características contínuas e volumosas. 87 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Por exemplo, provavelmente se alguém destreinado ou pouco treinado quiser acompanhar um maratonista no início de uma prova, não conseguirá perma- necer mais do que alguns segundos ou minutos ao lado do atleta, enquanto este consegue completar os 42 km de performance. 4.1.2 POTÊNCIA AERÓBIA Se a capacidade aeróbia representa a permanência em esforços de carga mo- derada por longos períodos, a potência aeróbia direciona os máximos esfor- ços gerados pelos metabolismos aeróbios em cargas pesadas de domínios de intensidade. Essa intensidade não pode ser sustentada por longos períodos e representa, por exemplo, uma prova de 400 m na natação ou provas entre 800 e 1500 m na corrida. O consumo de oxigênio representa a capacidade que organismo tem de captar, transportar e utilizar oxigênio para as transformações energéticas, podendo ser mensurado por equipamentos que realizam análises de gases, como uma espirometria. A potência aeróbia é representada fortemente, como padrão ouro, pelo consumo máximo de oxigênio, intensidade de esforço que atinge os padrões máximos de captação, transporte e utilização do oxigênio, além da quantidade máxima de energia proveniente do metabolismo aeróbio por unidade de tempo (MCARDLE et al., 2016). 88 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 USO DO ANALISADOR DE GASES PARA DETECÇÃO DO CONSUMO DE OXIGÊNIO Fonte: acervo do autor (2023). #pratodosverem: homem correndo em esteira rolante com uso de espirometria. A potência aeróbia demonstra como o organismo é lento em atingir a má- xima eficiência energética, tal qual um carro a álcool antigo que demorava para dar partida no motor; evento conhecido, fisiologicamente, como inércia aeróbia, que gera um déficit de oxigênio. Todas as estratégias energéticas funcionam de maneira concomitante em um esquema de predominâncias, isto é, cada sistema é especializado em for- necer energia para uma demanda específica, e assume predominância quan- do requisitado, e, dentro da potência aeróbia, o sistema aeróbio atinge as de- mandas máximas de fornecimento energético. Nesse ponto, começamos a pensar nos famosos metabolismos aeróbios ou anaeróbios ou, em outras palavras, em estratégias energéticas que utilizam ou não o oxigênio para as reações químicas acontecerem. De fato, existem essas duas possibilidades; no entanto, nunca podemos esquecer que nosso corpo é aeróbio. Essencialmente, somente esses sistemas garantem o volume de ATP suficiente para sustentar as reações orgânicas, sendo que os anaeró- 89 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO bios atuam como sistemas auxiliares para momentos específicos e a potên- cia aeróbia representa a máxima eficiência desse sistema que utiliza oxigênio (MCARDLE et al., 2016). SENSAÇÃODE FALTA DE AR DURANTE EXERCÍCIO INTENSO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher ofegante durante corrida na esteira. Um detalhe relevante acerca dos sistemas anaeróbios é o preço biológico co- brado por eles. Esse preço é energético, pois, apesar de fornecerem energia no momento, os sistemas energéticos que não precisam de oxigênio necessitam ser recuperados, ou seus metabólitos eliminados, e quem fornece energia para isso são os metabolismos robustos que utilizam oxigênio. No momento em que intensidades de potência aeróbia estão ativas, o preço dos metabolis- mos anaeróbios já estão sendo cobrados (MCARDLE et al., 2016). Melhorar a potência aeróbia significa aumentar as intensidades em que o su- jeito consegue se exercitar nos níveis superiores de utilização energética ae- róbia. No contexto de treinamento físico, treinamentos intervalados ou ainda intervalados de alta intensidade são os que trazem ganhos bastante significa- tivos para essa capacidade biomotora. 90 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 4.1.3 CAPACIDADE E POTÊNCIA ANAERÓBIA Se o metabolismo aeróbio pode ter sua caixa d’água e torneira, o anaeróbio também! A capacidade anaeróbia representa a quantidade total de energia anaeróbia disponível, enquanto a potência anaeróbia direciona a máxima uti- lização das energias anaeróbias em um espaço de tempo. CAIXA D’ÁGUA REPRESENTANDO A CAPACIDADE ANAERÓBIA Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: caixa de água suspensa em cenário rural. Busque da memória os conhecimentos em fisiologia do exercício para lem- brar como a interação entre os metabolismos energéticos proporciona um volume maior de energia para os exercícios aeróbios, propiciando esforços mais duradouros, e uma velocidade maior na disponibilidade energética para os exercícios anaeróbios, gerando esforços mais intensos e vigorosos (MCARDLE et al., 2016). 91 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO O teste de Wingate possibilita uma visão interessante acerca dessas capacidades biomotoras treináveis. É um teste máximo, com duração de 30 segundos, em cicloergômetro, seguindo a recomendação para que o sujeito pedale da forma mais intensa possível durante todo o período. A potência em Watts mais alta atingida pode ser reconhecida como a potência anaeróbia e a potência média dos 30 segundos é a capacidade anaeróbia (MCARDLE et al., 2016). É possível que um sujeito realize o teste de Wingate com uma potência pico alta, mas não consiga sustentar por muito tempo. Por outro lado, também é possível que valores extremos de potência não sejam obtidos, mas ocorra a sustentação por mais tempo de uma intensidade pesada. TESTE DE WINGATE EM CICLOERGÔMETRO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: homem pedalando em um cicloergômetro. 92 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Isso fica muito evidente quando pensamos em diferentes necessidades nos esportes ou nas práticas físicas. Um atleta de salto em distância, por exemplo, necessita de uma corrida de aproximação acelerada e de um salto explosivo. Esse indivíduo será avaliado pela capacidade de executar cada salto individu- almente e, por isso, precisa de uma potência anaeróbia muito alta. Por outro lado, um atleta que irá nadar uma prova entre 50 e 100 m precisa sustentar a capacidade anaeróbia pelo tempo maior de ativação. Na prática, o treinamento irá conduzir para um caminho de maximizar o ta- manho da caixa d’água ou a vazão de água pela torneira e, apesar de saber- mos que é possível aprimorar ambas as capacidades e potências, é muito improvável que um sujeito consiga atuar no alto rendimento em ações que requisitem alta potência e outras com alta capacidade. Em outras palavras, dificilmente um maratonista será hábil para competir como velocista, mesmo que tenha aptidão física superior à população geral. 4.2 CAPACIDADES RESISTIDAS Os treinamentos resistidos são especializados em promover modificações na função e na estrutura da musculatura, melhorando as capacidades contráteis e também o volume e a densidade de massa magra presente na composi- ção corporal. Apesar de gerarem impactos metabólicos e físicos que podem ser associados aos dos treinamentos cíclicos e aeróbios, algumas capacidades biomotoras são específicas e aprimoram-se de forma mais direcionada nos sujeitos que executam os treinamentos em ambientes como musculação ou funcional (FLECK; KRAEMER, 2017). As principais variáveis treináveis nessas rotinas de treinamento dizem res- peito à melhora de força, potência e resistência muscular localizada, além das modificações estruturais que causam adaptações no volume sarco- plasmático da musculatura ou no volume e na quantidade de miofibri- las presentes em um grupo muscular. Esses tópicos serão tratados a seguir (CHANDLER; BROWN, 2009). 93 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 4.2.1 FORÇA E POTÊNCIA As respostas de progressão de força ao treinamento são facilmente confun- didas e influenciadas com situações de rotina diária, uma vez que é uma ca- pacidade física amplamente utilizada para qualquer tipo de movimento nas atividades de vida diária e até mesmo a eventos biológicos, passados por am- bos os sexos, como a puberdade, em que é difícil discriminar os efeitos da maturação dos efeitos do treinamento físico. Quando se trata de força, devem ser analisadas, em especial, as respostas de curto e de médio prazos, que refletem as adaptações neurais, o aumen- to da área de secção transversa, as modificações na arquitetura muscular e também as adaptações metabólicas e os metabólitos, por exemplo, na maior tolerância à acidose. O longo prazo sofre efeitos amplos das respostas biológicas internas, como os processos de envelhecimento, alterações hormonais em fases cronológi- cas da vida e a maturação, e torna-se muito complexo discriminar os efeitos exclusivos do treinamento físico. COMPROMETIMENTO FUNCIONAL AO LONGO DO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: idoso caminhando com auxílio de bengala. 94 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A força pode ser considerada a capacidade de movimentação de cargas, sendo reconhecido como um aumento de força a capacidade de aumen- tar a carga para um mesmo número de repetições. São diversas as adap- tações do organismo para garantir melhora de força muscular, como nas respostas metabólicas, hormonais, neurais e estruturais, mas algumas adaptações são inclusive bastante importantes e não reconhecidas por profissionais e praticantes. É curiosa a frequência com que ouvimos pessoas que realizam treina- mentos físicos reportando que irão executar um treino de cardio ao execu- tar movimentos cíclicos de corrida ou ciclismo; no entanto, as melhoras de força muscular também geram muitas adaptações cardiovasculares. Ao executar movimentos localizados e com sobrecarga, o coração também adapta-se a enviar com mais velocidade sangue para a região-alvo, aumen- tando a força e o volume da musculatura do miocárdio, além de propor- cionar adaptações periféricas dos vasos sanguíneos devido à vasodilatação (CHANDLER; BROWN, 2009). ESTRUTURAS DO CORAÇÃO QUE PODEM SER MODIFICADAS COM TREINAMENTO FÍSICO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: esquema das estruturas do coração. Além da força, a máxima produção de potência muscular é amplamente re- lacionada a movimentos esportivos; contudo, é uma variável presente nos gestos motores de requisição laboral ou em atividades de rotina diária. Afi- nal, um idoso, ao atravessar a rua com o sinal fechando, precisa ser rápido e potente, e não forte. 95 MULTIVIX EAD Credenciada pelaportaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO A melhora da potência muscular com o avanço do treinamento pode ser tra- duzida de maneira simples: a realização do mesmo trabalho em menos tem- po ou a realização de mais trabalho no mesmo tempo. Percebe-se que soma- da aos preceitos de força, em que a carga e a intensidade aumentadas eram de extrema relevância, a potência também preconiza a variável velocidade como parte da equação. Para essa variável, as contribuições neuromusculares garantem as respostas desejadas, explicitando a necessidade de adaptações neurais para a execução dos movimentos. Como exemplo, pense em um sujeito destreinado saltando caixotes. É bem provável que, no primeiro caixote de maior altura, essa pessoa não consiga saltar com os dois pé juntos e projete uma perna à frente para garantir o movimento como proteção instintiva (FLECK; KRAEMER, 2017). No caso, os trabalhos de pliometria exigem uma adaptação prévia bastante ampla e percebemos que mesmo sujeitos altamente adaptados à muscula- ção tradicional e possivelmente fortes, não necessariamente possuem habili- dade de saltos em diferentes padrões de altura. Primeira contribuição neuromuscular Capacidade para atingir a máxima taxa de produção de força. Segunda contribuição neuromuscular Capacidade de produção de força em contrações de velocidade lenta não intencional e rápida. Terceira contribuição neuromuscular Aprimoramento do ciclo de contração muscular nos padrões de encurtamento e alongamento. Quarta contribuição neuromuscular Melhora na coordenação e na habilidade de execução dos movimentos desejados. Fonte: FLECK; KRAEMER (2017). 96 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 É possível aprimorar a potência utilizando-se dos treinamentos resistidos padrões; entretanto, programas que empregam movimentos com alta po- tência muscular de execução, mesmo que usem cargas relativamente le- ves, apresentam-se superiores na melhora da capacidade de salto vertical, por exemplo. De fato, com o passar do tempo, os treinamentos resistidos com cargas altas, se não acompanhados por movimentos explosivos, podem diminuir a potên- cia muscular, provavelmente porque a fase concêntrica das contrações são afetadas por uma desaceleração. Por esse motivo, treinamentos balísticos e treinamentos de saltos são largamente utilizados por atletas para aprimora- mento dos movimentos que requerem maior potência (RADCLIFFE, 2017). TREINAMENTO DE POTÊNCIA COM PLIOMETRIA Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher saltando em cima de um caixote. Alguns fatores, como o perfil das fibras musculares requisitadas, podem inter- ferir no potencial de contração, por exemplo, as fibras musculares mais curtas, apesar de apresentarem um potencial levemente superior para a produção de força, não conseguem manter a mesma velocidade de contração das fi- bras com características mais longas. 97 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Esses eventos demonstram que um mesmo sujeito pode apresentar poten- ciais diferentes de força e de potência em função dos músculos-alvo, e que as respostas agudas e crônicas para cada padrão de movimento podem se alterar em função do tipo de movimento executado. Observe que os músculos posteriores de coxa são mais velozes e o músculo do quadríceps tendenciosamente mais forte, o tibial anterior mais veloz e a panturrilha mais forte, o que garante um equilíbrio coerente aos perfis mus- culares com relação aos tipos de bioalavancas que cada articulação gera aos músculos ativos. 4.2.2 RESISTÊNCIA MUSCULAR LOCALIZADA A resistência muscular localizada é uma variável relacionada à capacidade de manter a contração muscular por um tempo alongado nas atividades e nos esforços resistidos. É uma habilidade que apresenta viabilidade na vida roti- neira de sujeitos fisicamente ativos, mas sobretudo nas performances atlé- ticas que exigem maiores habilidades de manutenção de altos esforços por grande período, sem potenciais fadigas. FADIGA POR ALTO NÚMERO DE REPETIÇÕES EM EXERCÍCIOS RESISTIDOS Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher e homem realizando exercícios de agachamento. 98 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Muitos professores de Educação Física ou praticantes frequentes de exercí- cios físicos confundem ou aproximam essa capacidade biomotora com a ca- pacidade aeróbia, porém são capacidades diferentes do ponto de vista ener- gético, mas especialmente perfomáticos. Enquanto a capacidade aeróbia representa o estoque máximo de energia aeróbia e atua com predominância nos sistemas energéticos da respiração mitocondrial, a resistência muscular localizada traduz o tempo de contração máximo em esforços tipicamente resistidos e atua com ênfase energética gli- colítica. Um exemplo é a capacidade de executar mais movimentos de aga- chamento ou de supino (CHANDLER; BROWN, 2009). A resistência muscular localizada está muito relacionada à capacidade atlé- tica de manter alta a performance contrátil repetidamente e pode ser repre- sentada no ponto de vista de progressão do treinamento como a capacidade de aumentar o número de repetições com uma mesma sobrecarga externa ou, ainda, a habilidade de aumentar a sobrecarga externa para uma mesma quantidade de repetições-alvo dentro da rotina de treinamento. As características básicas da evolução para os treinamentos com essa ca- racterística são: alto número de repetições nos movimentos, séries de longa duração, maior quantidade de exercícios em uma sessão de exercício, me- nor intervalo ou tempo de descanso entre séries e exercícios ou ainda ou- tras ações que possam manter o músculo-alvo por muito tempo sob tensão (FLECK; KRAEMER, 2017). O perfil de capacidade biomotora exige estímulos em grandes ou em múltiplos grupos musculares por gerarem maior demanda metabólica e potencialmente componentes de fadiga. Em função do alto volume requisitado, cargas leves parecem efetivas para aprimorar a resistência muscular localizada, sendo que sujeitos novatos devem executar um número entre 10 e 15 repetições máximas e sujeitos avançados podem chegar a até 25 repetições máximas. 99 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Juntamente à potência e à força, perfazem as principais habilidades funcio- nais treináveis nos ambientes de treinamento resistido, mas têm importância ímpar, em especial para as modificações estruturais que serão tratadas no próximo tópico (CHANDLER; BROWN, 2009). Os treinos de volumes com características de resistência muscular localizada são os que mais efetivamente causam modificações em estruturas sarcoplas- máticas nos processos de hipertrofia muscular. 4.2.3 HIPERTROFIA Muitos podem pensar que as adaptações estruturais são as mais notáveis dos treinamentos resistidos, mas grandes alterações nas capacidades biomotoras já ocorrem em efeito cascata antes que sejam perceptíveis modificações físi- cas, principalmente no ganho de massa magra: o famoso evento relacionado à hipertrofia muscular (FLECK; KRAEMER, 2017). HIPERTROFIA MUSCULAR ASSOCIADA AO TREINAMENTO RESISTIDO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: homem musculoso realizando movimentos na academia de musculação. 100 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A hipertrofia no músculo ocorre em vários níveis estruturais, como aumento de tamanho e número de miofibrilas; aumento do tecido conjuntivo e de vo- lume do sarcoplasma; e, por fim, aumento, especialmente do tamanho, das fibras musculares. A hipertrofia das miofibrilas segue lógicas específicas em função do tipo de treinamento queestiver sendo feito. Há o aumento de sar- cômeros dispostos de forma paralela como resposta ao treino e ao aprimora- mento da força muscular, e de sarcômeros em série para os treinos de potên- cia com efeitos efetivos na velocidade de contração muscular. Hipertrofia Os músculos sofrem dois tipos clássicos de hipertrofia, que podem acontecer de forma acoplada ou direcionada; uma é a hipertrofia miofibrilar e a outra é a hipertrofia sarcoplasmática. Hipertrofia sarcoplasmática Também conhecida como metabólica, tem efeito agudo e transitório, representando as modificações em conteúdo intramuscular. Hipertrofia miofibrilar Também chamada tensional, tem efeitos crônicos em função do ganho efetivo de proteína contrátil com aumento de tamanho e número das miofibrilas. (CHANDLER; BROWN, 2009) A hipertrofia metabólica está intimamente ligada às demandas energéticas e é responsiva aos treinamentos físicos mais volumosos; ligada ao aumento de substratos energéticos, como glicogênio, creatina fosfato e triglicerídeos; além de apresentar uma consequente modificação no balaço hídrico do músculo pelo excesso de solutos internos com o acúmulo água. Já nos momentos em que a carga de treino é mais relevante, destacam-se os eventos relacionados à hipertrofia miofibrilar. A mudança perceptível é de ganho efetivo de força muscular pura como res- posta à capacidade contrátil aumentada e à própria especificidade ao treina- mento que deve estar sendo executado com grandes intensidades (CHAND- LER; BROWN, 2009). 101 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Por mais que a hipertrofia miofibrilar seja a representação clara dos obje- tivos funcionais do treinamento para aumento de força, até mesmo para a obtenção de objetivos secundários, como o próprio emagrecimento, vis- to que o aumento efetivo da taxa metabólica basal ocorre com o ganho de proteína contrátil e os maiores gastos calóricos pós-exercícios ocorrerão nos treinos mais intensos, a hipertrofia sarcoplasmática também tem sua importância atestada. Na progressão das periodizações do treinamento de força, por exemplo, o pe- ríodo básico inicial é mais volumoso do que intenso e isso gera uma prepara- ção ampla dos estoques de substratos intramusculares e da própria capaci- dade de geração de energia sustentável para os futuros esforços com maiores intensidades e, consequentemente, menores volumes. O treinamento resistido é capaz de criar um ambiente favorável para esses acontecimentos, sendo que apenas uma sessão de treinamento vigoro- so já é capaz de aumentar a síntese proteica. Há um pico dessas respostas entre uma e 24 horas após o estímulo físico; no entanto, por até 48 horas ainda há modificações biológicas favoráveis ao ganho de massa muscular (FLECK; KRAEMER, 2017). As principais respostas esperadas do treinamento para gerar tais adaptações são dependentes de eventos que podem parecer pouco interessantes, porém essenciais para a promoção do ganho de massa muscular. Miotraumas e inflamação são os estímulos necessários para que o corpo de adapte positivamente. 102 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 DOR MUSCULAR CAUSADA POR EVENTOS INFLAMATÓRIOS E MIOTRAUMAS NO TREINAMENTO FÍSICO Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: imagem de mão masculina pressionando a musculatura da panturrilha direita, avermelhada, representando dor muscular. Entretanto, não se trata de uma lesão ou de uma inflamação qualquer; estas, quando geradas durante o treinamento físico de alta intensidade, vêm acom- panhadas de todas as modificações metabólicas, hormonais, circulatórias, en- tre outras, que efetivamente possibilitam uma regeneração positiva. O balan- ço entre estímulo e recuperação torna-se essencial para que as adaptações musculares ocorram porque o excesso de miotraumas pode levar a uma lesão efetiva ou a perdas na capacidade contrátil do músculo; além disso, o excesso de recuperação pode causar perdas de adaptação prévia com as estruturas retornando às condições iniciais. 103 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO CONCLUSÃO O objetivo desta unidade foi estudar as principais capacidades biomotoras que podem ser treináveis nos protocolos de treinamento resistido e treina- mentos cíclicos: as capacidades e as potências aeróbias e anaeróbias, além de força, potência, resistência muscular localizada e hipertrofia. Cada treinamento e o aprimoramento de cada capacidade biomotora apre- sentam diversas peculiaridades na obtenção de efeitos biológicos viáveis dentro de cada um dos sistemas do corpo humano. Adaptações neurais, endócrinas, cardíacas, estruturais, entre outras, sobretudo as que geram o aprimoramento do funcionamento do tecido muscular, garantem as respos- tas progressivas ao treinamento e ao mesmo tempo exigem ajustes cons- tantes das variáveis de manipulação de treino para continuarem ativas ao longo do tempo. Pensando nisso, fica claro que as respostas obtidas no treinamento físico não são efetivamente pontuais em um sistema de causa e efeito imediato, mas sim um complexo emaranhado de cascatas de reações, em que existe aco- plagem de estresse, efeitos hormonais agudos e tardios, com efeitos metabó- licos agudos e estruturais cronicamente. Além disso, destaca-se a relevância funcional das variáveis treináveis nas mais diversas ações e movimentos de rotina, em especial com o avanço da idade, haja vista que as perdas biologicamente programadas podem ser muito acentuadas quando os estímulos ao longo do tempo não garantem adaptações continuadas. Que este conteúdo tenha alta aplicabilidade na sua atuação profissional e na continuidade de seus estudos, considerando como cada tipo de treinamento físico pode garantir melhora nas capacidades biomotoras desejadas, seja em uma rotina de vida ativa, seja em um contexto esportivo e de alto rendimento. Até a próxima! 104 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 MATERIAL COMPLEMENTAR 1. Treinamento de força para o desempenho humano. 2. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. Recomenda-se a leitura complementar dos artigos: 4. “Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo ”. 5. “Exercício aeróbio: aspectos bioenergéticos, ajustes fisiológicos, fadiga e índices de desempenho". https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319353/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319353/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713907/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517 https://periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/view/1980-0037.2009v11n1p94/7915 https://periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/view/1980-0037.2009v11n1p94/7915 UNIDADE 5 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 105 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO > Compreender as metodologias de periodização de treinamento físico nos períodos menores. > Entender a aplicação de periodização para sessões, microciclos e macrociclos. > Compreender as metodologias de periodização de treinamento físico nos períodos maiores. > Analisar a aplicação de periodização para planos anuais de treinamento simples, duplo e triplo. 106 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.Uem 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 5. PERIODIZAÇÃO INTRODUÇÃO DA UNIDADE A periodização foi tratada por muito tempo como aspecto principal para o planejamento do treinamento físico, sendo que, com base no mapa traçado pela periodização, poderia ser possível atingir as melhoras previstas em um período, especialmente tratando-se de aspectos performáticos e de atletas de alto rendimento, com altas expectativas de que as melhores performances ocorram nos momentos certos: as competições. Iremos abordar, nesta unidade, a periodização como um caminho, com início meio e fim, e que precisa de constante checagem para detectar permanência na rota ou nas necessidades de alteração de percurso. Isso deixa explícito que a periodização é ponto crucial para o planejamento do treinamento, mas não pode ser utilizada como um guia 100% confiável, havendo ainda a necessida- de de se olhar um GPS, bússola ou mapa (PRESTES et al., 2016). Sabemos que todas as ações de prescrição, monitoramento e controle das cargas de treinamento físico possibilitam uma clareza acerca das intenções do professor de Educação Física e da efetividade de atuação nos alunos ou nos atletas que estão sendo atendidos. Assim, o planejamento gerado pela periodização é um caminho constantemente preenchido pelas informações das rotinas de treinamento físico para garantir melhor assertividade no resul- tado final esperado, seja mensurado em quilos emagrecidos, em velocidade média aumentada ou em força aprimorada (MCARDLE et al., 2016). Para possibilitar a instrumentalização necessária para o uso dessas ferramen- tas, trabalharemos, durante esta unidade, partindo de um ambiente micro para um ambiente macro, entendendo como formatar as melhores possi- bilidades de aulas ou sessões de treinamento físico, os microciclos, normal- mente divididos em períodos de semanas; os macrociclos, divididos em me- ses; e o planejamento anual, que perfaz o período mais longo possível de ser pensado antecipadamente. Bons estudos! 107 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.1 ESTRUTURAS MENORES DE PERIODIZAÇÃO A periodização deve ser compreendida como o processo prático de planeja- mento do treinamento físico, cujo principal objetivo é orientar as ações com foco na obtenção de um resultado ou objetivo previamente pensados, e as respostas que se desejam em curto, médio e longo prazos nessa estruturação. O planejamento já contempla respostas e ajustes relacionados às possíveis reações orgânicas à carga planejada; aos momentos de fadiga, de recupera- ção e de supercompensação; às adaptações e aos potenciais destreinamen- tos. São três os principais pontos que contemplam as estruturas menores da periodização (GOMES, 2011). Sessão de treino É o planejamento diário e busca atender aos objetivos das periodizações, com diferentes volumes, intensidades e formatos. Microciclo É a acoplagem de diferentes sessões com objetivos diversos, como alta sobrecarga ou recuperação, tendo duração, na maioria dos casos, de uma semana. Macrociclo É o menor zoom das estruturas básicas de treinamento e de periodização; ao somar microciclos, apresenta duração de um ou mais meses. Com essas ferramentas, aumentam-se os benefícios obtidos em todo o ciclo de treinamento e enquanto houver manutenção de estímulos físicos, espe- cialmente para os praticantes regulares que precisam de quebras constan- tes na monotonia e na própria manutenção da motivação e dos resultados durante o processo. 108 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 5.1.1 SESSÃO DE TREINAMENTO A sessão de treino perfaz a menor parte da estrutura de planejamentos, com- posta também por divisões semanais, mensais e anuais, e é importante ao professor de Educação Física entender as diversas variáveis que podem ser previstas na montagem dessas sessões de treinamento, como tipo, estrutura, formato e duração. São três tipos básicos de sessões de treino: as de aprendizagem, que buscam aumentar os padrões de desenvolvimento neuromuscular; as de repetição, que envolvem utilizar as habilidades já aprendidas para o desenvolvimento físico, metabólico e performático; e, por fim, as sessões de aperfeiçoamento, que têm como objetivo-base desenvolver o alto desempenho físico, técnico e tático em cada gesto motor pretendido (FLECK; KRAEMER, 2017). REPRESENTAÇÃO DE TREINAMENTO NEUROMUSCULAR PARA MELHORA DA COORDENAÇÃO Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: ilustração de cum érebro andando em uma esteira rolante. Uma sessão de aprendizagem não deve ser utilizada somente para inician- tes, uma vez que, nas rotinas de desenvolvimento, novos padrões de gestos motores e adaptações neurais são inseridos. Já as sessões de repetição são as mais frequentemente utilizadas para montagem de aulas nos ciclos de trei- namento físico. 109 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 As sessões de treinamento físico também podem ser desenvolvidas em três formatos: sessão em grupo Consolidando, especialmente, a motivação coletiva mesmo que à custa de maior controle por parte do professor responsável. sessão individual Muito utilizada na fase preparatória, por auxiliar na preparação física e técnica, e na imposição de cargas de treinamento para sujeitos de qualquer nível. sessões mistas Utilizadas para potencializar as qualidades das sessões individuais e em grupo, em um único momento de treino. Fonte: GOMES (2011). Além disso, a estrutura da sessão deve ser fortemente considerada na monta- gem dos exercícios e com intensidades previstas, pois precisa estar encaixada a todos os estímulos que serão ministrados, iniciando pela parte preparatória, também conhecida como pré-ativação ou ainda aquecimento. Esse é o mo- mento em que os estímulos devem ser progressivos para garantir diversos objetivos, como: aumento da temperatura corporal, aumento da atividade do sistema nervoso central, redução da rigidez dos músculos e articulações, au- mento do fluxo sanguíneo para os músculos ativos, melhora da coordenação motora com consequente redução das lesões, ao preparar o corpo para a par- te principal, usualmente mais intensa, volumosa e desafiadora ao organismo (MCARDLE et al., 2016). 110 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO REPRESENTAÇÃO DAS ADAPTAÇÕES RESPIRATÓRIAS NA PRÉ-ATIVAÇÃO Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: ilustração mostrando esquema dos pulmões e trato respiratório superior. A pré-ativação possui dois grandes perfis: o central, que busca aumentar o trabalho especialmente cardíaco e respiratório; e o periférico, que direciona respostas neuromusculares, metabólicas e vasculares. Cada um deles respon- de ao perfil pretendido de trabalho no momento da parte mais importante da sessão de treino, conhecida como parte principal. Esta última possui a grande responsabilidade de gerar as adaptações pretendidas com o treinamento fí- sico e o somatório de sessões, visando manter o desempenho físico por meio da melhora de todas as capacidades biomotoras, estruturais e funcionais do corpo: força, potência, resistência muscular localizada, hipertrofia, potências e capacidades aeróbias e anaeróbias, além de todos os aspectos técnicos e táticos, dependendo da modalidade tratada. A sessão é finalizada com a parte final, usualmente destinada ao retorno das condições físicas e fisiológicas às que previamente existiam antes do início da sessão; para isso, os estímulos são ministrados com cargas decrescentes, priorizando-se exercícios de baixa intensidade nas modalidades cíclicas ou exercícios variados e coordenativos para modalidades resistidas. Um dos fo- cos desse momento pode ser a recuperação até o sujeito atingir estados fisio- lógicos iniciais,como frequência cardíaca, pressão arterial ou o próprio tônus muscular (FLECK; KRAEMER, 2017). 111 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 RECUPERAÇÃO APÓS SESSÃO DE CORRIDA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: mulher com sinais de cansaço, sentada em meio-fio. Todas essas sessões podem ser distribuídas em sessões mais longas, de duração média ou curta, sendo que o tempo total de cada uma dessas possibilidades dependerá muito do perfil de treinamento físico pretendido, especialmente comparando-se modalidades cíclicas das acíclicas ou ainda os sujeitos que treinam força e potência e os que treinam resistência. Sugere-se uma divisão de tempo com um percentual entre 20 e 25% para a parte inicial, 60 e 70% para a parte principal e 5 a 10% para a parte final (GOMES, 2011). Sessões entre 30 e 60 minutos são muito focadas para trabalhos de alta intensidade e até duas a três horas para trabalhos altamente volumo- sos. Para durações maiores do que uma hora de exercícios com intensida- de prevista elevada, deve-se considerar a reposição energética para garan- tir melhores aproveitamentos durante toda a sessão de treinamento físico (MCARDLE et al., 2016). 112 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO O somatório de diversas sessões também deve atender a uma lógica determi- nada e este é o assunto do próximo tópico. 5.1.2 MICROCICLOS DE TREINAMENTO A complexidade do treinamento físico se dá na medida em que uma única sessão de exercícios físicos gera alguns tipos de resposta, que não são neces- sariamente lineares aos efeitos do somatório de duas ou mais sessões. Por exemplo, uma única sessão com cargas fortes pode não gerar uma semana de sobrecarga intensa; já, por outro lado, várias sessões de carga moderada podem gerar uma semana de alta sobrecarga. PLANEJAMENTOS SEMANAIS DOS MICROCICLOS Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: calendário com páginas de meses e semanas. Esse somatório de cargas de treino de diferentes sessões acopladas em um mesmo objetivo é um microciclo, entendido como a menor fração do ciclo de treinamento físico, com duração entre uma semana e quatro semanas, dependendo do programa de treinamento empregado. Durante esses pe- ríodos, as sessões podem ser distribuídas de diferentes maneiras, inclusi- ve com mais de uma podendo ser realizada em um mesmo dia, conforme ilustrado a seguir: 113 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 MICROCICLO COM ATÉ TRÊS TREINOS DIÁRIOS (T), SESSÕES COMPLEMENTARES (TC), E DE FORÇA (TF) 7:00 Seg. TC TF TF TF TF TC TC TC TC TC TTTTTT TC Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom. 17:00 18:00 Fonte: adaptado de Gomes (2011). #pratodosverem: calendário com distribuição de treinos nos horários da manhã, tarde e noite. A distribuição de cargas nas sessões de treinamento físico distribuídas durante a semana são altas, com cargas entre 90 a 100% do máximo; médias, com cargas entre 80 e 90% do máximo; e baixas, com cargas entre 50 e 80% do máximo, gerando distribuições como as demonstradas nos gráficos a seguir. As diferentes distribuições de cargas de treinamento físico e objetivos das sessões geram microciclos de diferentes tipos, divididos em seis prin- cipais categorias: incorporação, ordinário, recuperação, pré-competitivo; competitivo e choque. 114 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO DISTRIBUIÇÃO DE CARGAS ALTAS (A), MÉDIAS (M), BAIXAS (B) E REPOUSO (R) EM UM MICROCICLO Intensidade MICROCICLO COM 1 PICO MICROCICLO COM 2 PICOS 90-100% 80-90% 50-80% 0 Dias A A M M M M B B B R R Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom. Intensidade 90-100% 80-90% 50-80% 0 Dias A B M M A M B B A R R Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom. Fonte: adaptado de Gomes (2011). #pratodosverem: esquemas com cargas trabalhadas em cada dia da semana. O microciclo de incorporação é aquele tipicamente aplicado no início do pe- ríodo de treinamento, para um sujeito iniciante ou treinado retornando aos treinamentos, e é realizado com cargas baixas que priorizam as adaptações coordenativas e a evolução progressiva das capacidades biomotoras. Já o mi- crociclo ordinário, como o próprio nome diz, é o mais repetido e comum nos períodos de treinamento, e procura garantir as adaptações orgânicas deseja- das, sendo realizado com cargas moderadas (PRESTES et al., 2016). O microciclo de choque caracteriza o ápice de aplicação de cargas durante um período de treinamento físico, aproximando-se de 100% da carga máxi- ma, exigindo mobilização ampla das reservas energéticas e demandas físicas do organismo. Para esse microciclo, não se recomenda combinar alto volume com alta intensidade para não gerar risco de supertreinamento. 115 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Normalmente, após um choque ocorre um microciclo de recuperação, mo- mento em que se garante a restauração ampliada, conhecida como super- compensação, das reservas energéticas, estruturas proteicas e capacidade funcional do organismo. Indivíduos que não contemplam a recuperação em seu treinamento potencialmente perdem adaptações, por não garantirem supercompensações ou por não terem cargas altas na rotina de treinamento físico (MCARDLE et al., 2016). Os microciclos pré-competitivos e competitivos são destinados exclusivamen- te a atletas amadores ou profissionais que possuem eventos competitivos em sua rotina. O primeiro também é conhecido como fase de polimento, em que as cargas são baixas para garantir plena recuperação e supercompensação; já o segundo depende exclusivamente do perfil do evento competitivo e das diferentes modalidades esportivas. MOMENTO DE COMPETIÇÃO COM O AUGE DAS CAPACIDADES FÍSICAS Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: atletas de atletismo durante uma prova da modalidade. Como se a junção de sessões formatando os microciclos não fossem o sufi- ciente, ainda há a possibilidade de diferentes microciclos serem acoplados para a formação de macrociclos; períodos de treinamento físico que serão tra- tados no próximo módulo. 116 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 5.1.3 MACROCICLOS DE TREINAMENTO A duração do macrociclo depende muito da variável que está sendo traba- lhada e do objetivo do período, do tempo necessário para desenvolver uma capacidade biomotora ou ainda do aperfeiçoamento de uma técnica ou táti- ca. Além disso, o tipo de sistema energético trabalhado também determina o tempo, por exemplo, o aprimoramento de capacidades aeróbias necessita de macrociclos mais longos. Como se estivéssemos reduzindo o zoom de uma câmera, os macrociclos representam uma visão mais afastada do período completo de treinamento físico. Olhar mais aproximado ao planejado Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: folha presa em prancheta, com uma lupa. MACROCICLOMicrociclo de choque Microciclo de recuperação Microciclo ordinário Contemplando de três até seis microciclos diferentes que fazem algum sentido quando associados, o macrociclo pode, por exemplo, juntar um ciclo de microciclos ordinário + choque + recuperação. Exemplo de macrociclo composto por três microciclos Fonte: elaborada pelo autor (2023). #pratodosverem: esquema com microciclos ordinário, choque e reparação formando um macrociclo. São três os principais tipos de macrociclos: o preparatório, o competitivo (pre- sente somente na rotina de atletas ou de sujeitos que participam de eventos competitivos) e o transitório. O período preparatório utiliza-se de exercícios diversificados e com alto volume de trabalho para desenvolver uma boa base de habilidadesfísicas e técnicas, além de garantir aumento progressivo da 117 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 intensidade e especificidade dos estímulos. Esse período é dividido em dois: a fase básica e específica. A primeira possui maior ênfase na preparação física geral, com grande tempo de duração, pois deve garantir as adaptações desejadas para o inicio de fases mais intensas e direcionadas. Nesse momento, atletas ainda não têm condições adequadas para participação em competições (PRESTES et al., 2016). Já na segunda, a intensidade pode predominar, com exercícios e atividades metabólicas mais próximas às desejadas em momentos de alta performance, sendo possível dar ênfase a trabalhos técnicos e táticos, sobretudo em mo- mentos de recuperação das altas intensidades de treino, gerados por microci- clos de choque, por exemplo. O macrociclo competitivo é ditado pela dinâmica do calendário de compe- tições. Nesse momento, os picos de performance devem ser obtidos e, para isso, existem três fases específicas: o polimento, a pré-competitiva e a compe- tição. Destaca-se a fase de polimento, que deve garantir a remoção da fadiga e a facilitação da supercompensação. Para isso, as cargas devem ser reduzidas e a duração não pode ser maior do que duas semanas (MCARDLE et al., 2016). Por fim, o período transitório ocorre ao fim das fases competitivas ou específicas. Esse momento deve garantir recuperação física e mental após os momentos de grandes esforços dos treinamentos ou competições. A duração máxima deve ser de um mês, não necessariamente com repouso passivo. As sessões de treinamento que ocorrerem nesse momento devem ter carga baixa, garantida tanto pela redução do volume quanto pela intensidade. 118 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO MOMENTO DE REPOUSO NECESSÁRIO DURANTE O MACROCICLO TRANSITÓRIO Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: relógio mostrando o horário destinado ao relaxamento. O período transitório é usualmente subestimado por praticantes de exercício físico, mas é o momento em que possíveis acoplagens de estresse podem ser amenizadas, evitando-se o risco aumentado de overtraining ou ainda de lesões derivadas dos esforços repetidos (FLECK; KRAEMER, 2017). Conhecendo as sessões, os microciclos e os macrociclos, podemos chegar ao último nível de planejamento do treinamento esportivo, que é o plano anual, assunto para o último módulo desta unidade. 5.2 ESTRUTURAS MAIORES DE PERIODIZAÇÃO O somatório de sessões, micro e macrociclos vai tomando forma do planeja- mento maior que um sujeito executa, normalmente baseado no momento em que espera obter um resultado específico, como uma competição ou um teste físico de concurso. 119 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PLANEJAMENTO ANUAL DAS MÉTRICAS DE TREINAMENTO Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: médico de jaleco branco manipulando planilha de acompanhamento de treinamento. É esperado que um professor de Educação Física, ao montar o planejamento, faça-o do maior para o menor; afinal, sabendo-se o tempo de trabalho e os eventos principais para serem considerados, é possível posicionar os ciclos e as sessões. Em suma, o professor deverá montar as sessões de treinamento somente quando estiver no momento adequado, mas as características des- sa sessão já estão orientadas pela periodização. 5.2.1 PLANO ANUAL SIMPLES DE TREINAMENTO Ao receber um aluno novo nas aulas de Educação Física ou para encaixar os melhores momentos de treinamento em um calendário competitivo, o pro- fessor de Educação Física tem amplas possibilidades de pensar anualmente, com um planejamento previsto para os 12 próximos meses, em especial nas variações de estímulos e sobrecargas. Já considerando o período de até um mês do macrociclo de transição, os sujeitos ativos irão ter disponíveis até 11 meses para treinar em um ano, possibilitando a ampla evolução física, fisioló- gica e psicológica (GOMES, 2011). 120 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Com esse pensamento é possível direcionar quantas semanas serão dis- ponibilizadas para cada macrociclo, quantos microciclos existirão e, con- sequentemente, quantas sessões serão realizadas. O plano anual também pode ser adaptado para cada situação em três principais formatos que serão tratados a seguir. O plano anual simples prevê 12 meses contínuos de evolução com um único pico de rendimento e é muito recomendado para sujeitos iniciantes ou ainda de menor idade, pois possibilita períodos preparatórios mais longos, gerando menor estresse em possíveis competições ou em fases específicas com maio- res cargas de treinamento. A variação de intensidades e de volumes é exem- plificada na figura a seguir. PLANO ANUAL SIMPLES COM UM PICO DE RENDIMENTO Mês Perio- dização (fase) 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Preparação Preparação geral Preparação especi�ca Período pré- competitivo Competições o�ciais R C Competitivo Transição 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Cu rv as d e v ol um e, in te sid ad e e pi co d e d es em pe nh o Fonte: adaptado de Gomes (2011). #pratodosverem: esquema de 12 meses contendo distribuição de intensidade, volumes e macrociclos previstos no período. É possível perceber, na figura, que há uma variação constante no decorrer dos macrociclos para o aumento das intensidades de trabalho físico, representa- dos pela linha tracejada, e, como compensação, uma redução do volume to- tal, demonstrada pela linha preta, em alinhamento com o princípio do trei- namento da interdependência volume-intensidade (FLECK; KRAEMER, 2017). Essa situação causa uma resposta progressiva de melhora na performance, com os picos de rendimento previstos nos momentos de maior aumento da intensidade, como visto na curva representada pelos círculos pretos. Esse mo- 121 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 delo encaixa-se perfeitamente para o exemplo demonstrado pela figura, uma vez que as competições centralizam-se ao fim do período e, provavelmente, os momentos de férias vêm na sequência. 5.2.2 PLANO ANUAL DUPLO DE TREINAMENTO Por sua vez, o plano anual duplo trata da execução de todos os ma- crociclos em seis meses, podendo ser executado duas vezes durante o período de 12 meses. Cabe reforçar que, especialmente para esses planos anuais mais divididos, o ano civil não necessariamente precisa ser referência para os momentos de início e de término, isto é, o aluno pode começar o plano em janeiro, finalizar a primeira etapa em junho e recomeçar em julho, ou ainda começar em março, finalizar a primeira etapa em agosto e recomeçar em setembro. Tudo dependerá do calendário de competições ou dos eventos desejados pelo aluno. Fonte: GOMES (2011). Esse formato de divisão do treinamento, em que toda a evolução é esperada em seis meses, é destinado para atletas ou para alunos envolvidos em am- biente de treinamento físico com maior tempo de experiência, já que toda a base orgânica precisa ser desenvolvida em um menor espaço de tempo (GOMES, 2011). Com a periodização anual dupla, os sujeitos conseguem obter dois picos de rendimento no ano, mas não necessariamente ambos ocorrem com a mesma magnitude, tanto por motivos propositais, como a presença de uma competi- ção de menor importância na primeira fase e maior importância na segunda fase, quanto por motivos de baixa adaptação ao modelo, em que o aluno não consegue subir a performance de maneira rápida no primeiro ciclo ou susten- 122 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO tarum segundo ciclo durante o ano. A figura apresentada a seguir mostra um exemplo de plano anual duplo com a variação de volume e de intensidade de treino, com resultados específicos relacionados à performance. PLANO ANUAL DUPLO COM DOIS PICOS DE RENDIMENTO 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 Mês 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Preparatório I Competitivo I Preparatório II Competitivo II Prep. geral Prep. especi�ca Pré- comp. Comp. o�ciais Prep. geral Prep. especi�ca Pré- comp. Comp. o�ciais Transição R R / C R CT Perio- dização (fase) Vo lum e ( km /se m an a) In te ns ida de em % do m áx . Volume Intensidade Pico de desempenho Fonte: adaptado de Gomes (2011). #pratodosverem: esquema de 12 meses contendo distribuição de intensidade, volumes e macrociclos previstos em dois períodos de seis meses. Percebe-se, na imagem, a presença de dois momentos de competições, o que explica a importância e a necessidade de um ciclo duplo, mas tam- bém a capacidade de projetar um resultado continuado e potencialmente superior ao que seria um ciclo simples, tendo dois picos de rendimento no mesmo período. 123 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.2.3 PLANO ANUAL TRIPLO DE TREINAMENTO O modelo mais curto de periodização anual e com o maior número de divi- sões é o plano anual triplo de treinamento; método em que se dividem os 12 meses de um ano em três etapas, deixando ainda mais densos os macroci- clos, sobretudo os preparatórios, que tendem a ser mais longos para projetar um grau superior de preparação. Este plano anual é destinado a atletas ou a alunos com alto grau de experiência em treinamento físico e costuma ser utilizado em anos que o calendário competitivo exige uma distribuição mais contínua do rendimento esportivo ou em momentos em que a rotina de um sujeito exija maior flexibilidade e velocidade de resultados obtidos dentro dos planos de treinamento. Fonte: GOMES (2011). Cabe destacar que, muito provavelmente, se uma pessoa despreparada re- alizar esse plano de treinamento, os picos de performance serão achatados, reduzindo os resultados esperados ou aumentando os potenciais riscos de le- são ou de supertreinamento, tendo em vista que os aumentos de intensidade precisam ser muito rápidos. O plano triplo de treinamento físico é exemplifi- cado na figura seguinte. Perceba como os meses destinados a cada fase são menores e a própria transição entre ciclos precisa ser mais rápida. 124 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO PLANO ANUAL TRIPLO COM TRÊS PICOS DE RENDIMENTO R / R / T R / TC R R/ C C 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 Mês 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Preparatório I Prep. II Prep. IIICompetitivo I Competitivo II Competitivo III Prep. especi�ca Prep. especi�ca Prep. especi�ca Prep. geral Transição Perio- dização (fase) Vo lum e ( km /se m an a) In te ns ida de em % do m áx . Volume Intensidade Pico de desempenho Fonte: adaptado de Gomes (2011). #pratodosverem: esquema de 12 meses contendo distribuição de intensidade, volumes e macrociclos previstos em três períodos de quatro meses. Ao pensarmos nessas possibilidades de periodizações, precisamos lembrar que todas as variáveis e fatores que influenciam o treinamento físico preci- sam ser consideradas de maneira acoplada, seja nos aspectos nutricionais, psicológicos, técnicos, físicos ou táticos, ajustando-se ao calendário de com- petições de um atleta ou à rotina de vida de um sujeito fisicamente ativo (MCARDLE et al., 2016). A periodização perfaz um dos aspectos mais importantes do conjunto de va- riáveis do treinamento físico e com base nela é possível inserir todos os outros conhecimentos que estamos abordando na disciplina. 125 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO O objetivo desta unidade foi direcionar todo o conteúdo organizacional do treinamento físico, instigando você a pensar no planejamento de curto, mé- dio e longo prazos. É muito importante que possamos entender que, na práti- ca, as nossas ações são desenvolvidas das sessões de treino ao plano anual de treinamento físico. Entretanto, ao receber um aluno ou iniciar a preparação de um atleta, o pensamento deve ser oposto. Obviamente, o professor de Educação Física não terá todas as sessões do ano planejadas e estruturadas antes de o plano anual iniciar. Contudo, o mapa (desenho) do ano juntamente com a duração e a variação dos macrociclos e dos potenciais microciclos que irão preencher esse período já devem estar bem encaminhados. Do aluno iniciante ao atleta de alto nível, o professor deve garantir uma linha do tempo plausível sobre como as evoluções ocorrerão e esses sujeitos devem ter expectativas cumpridas baseadas no planejamento prévio. Objetivos reais, como perder 10 kg de massa corporal, conseguir executar 10 barras ou ainda ganhar 5 cm de circunferência de bíceps, devem estar inseridos no processo evolutivo, com garantias de obtenção total ou parcial nos picos de rendimen- to previstos durante o plano anual. Isso cria um caminho a se percorrer e uma expectativa dos resultados espe- rados ao fim desse caminho. Assim, todas as ações diárias na montagem de sessões, disposição de exercícios e sobrecargas ficam bem contextualizadas e inseridas no processo. As sessões deverão garantir sobrecargas e benefícios que contemplem o inte- resse do microciclo, que, por sua vez, devem ser distribuídos e pensados em uma lógica adequada de estímulos e de recuperação dentro dos macrociclos, que preenchem, por fim, o plano anual de treinamento físico. Executar, na prática, esse conteúdo teórico possibilita grande controle do cur- to e médio prazos, e certo controle do longo prazo, aumentando a credibilida- de do professor de Educação Física em toda e qualquer rotina de treinamen- to, para qualquer público-alvo. 126 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO MATERIAL COMPLEMENTAR Recomenda-se a leitura complementar dos livros disponíveis na Minha Biblioteca: 1. Treinamento de força para o desempenho humano . 2. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. Recomenda-se a leitura complementar do artigo: 4. Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319353/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319353/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713907/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517 UNIDADE 6 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 127 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO > Identificar os fatores influenciadores do treinamento físico. > Discorrer e aplicar ajustes para fatores externos, como clima, hidratação e altitude. > Conhecer os objetivos de avaliações físicas e novas tecnologias. > Diferenciar validação científica e ecológica nas avaliações físicas inseridas nas rotinas de treinamento. 128 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 6. AVALIAÇÕES E FATORES INFLUENCIADORES DO TREINAMENTO INTRODUÇÃO DA UNIDADE O treinamento por si só traz muitas vantagens para a rotina de vida de qual-quer pessoa; no entanto, especialmente quando temos objetivos bem traça- dos, periodizações delineadas, prazos para resultados, como no caso de atletas de alto rendimento, as melhoras precisam ser direcionadas para um caminho e uma magnitude específicos (BOHME, 2003). De nada adianta para um atleta que será avaliado pela capacidade de salto aprimorar amplamente a capacidade de correr longas distâncias, da mesma forma que é um problema quando um sujeito está obtendo respostas subs- tanciais pelo treinamento, mas está sendo avaliado por parâmetros diferentes dos que estão melhorando. Por isso, compreender a importância da avaliação física, como um instrumento para diagnóstico e também para conclusão da eficácia ou ainda redirecionamento do caminho, é de suma importância. Obviamente que mesmo com todas as variáveis ajustadas, seja pelo correto monitoramento, controle e prescrição de treino, respeito a todos os princípios do treinamento físico, seja a atenção a cada aspecto da periodização, ainda existem fatores influenciadores que precisam ser ponderados, uma vez que podem representar alteração ampla da capacidade do corpo de receber estí- mulos e adaptar-se (PRESTES et al., 2016). Entre os principais fatores influenciadores estão o clima e a altitude, além do balanço hídrico, como resposta do corpo aos ajustes térmicos que ocorrem durante o exercício, especialmente quando associado a climas extremos. Co- nhecer o impacto desses eventos, para ajustar e manter o nível adequado de estímulos externos e internos, é imprescindível e deve fazer parte das rotinas dos profissionais de Educação Física. 129 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 6.1 FATORES INFLUENCIADORES O corpo reage a diversos tipos de estímulos, tanto os físicos, direcionados e pensados durante o processo de montagem do treinamento físico, quanto aqueles que não foram planejados, como o calor e o frio, mas que precisam ser considerados no processo. Apesar dos fatores influenciadores serem potencialmente cargas extras de estímulo, é possível, na maioria dos casos, metrificar essas demandas e, com isso, ajustar o estímulo físico para um padrão adequado e que gere os ajustes e as adaptações orgânicos desejados. São vários os fatores que influenciam na performance, por exemplo, a alimen- tação e o sono, mas os ambientais merecem destaque, pois, apesar de pode- rem ser medidos, não necessariamente podem ser controlados e é sobre isso que trataremos a seguir. Clima: variações da temperatura e da umidade relativa do ar geram impactos específicos e amplos no corpo humano. Hidratação: a água é bastante requisitada para as funções corporais e, por isso, a preocupação com a ingestão de água tem de ser alta, sobretudo no caso de pessoas fisicamente ativas. Altitude: estar exposto a ambientes altos ou baixos impacta na capacidade de captação do oxigênio e das estruturas que transportam esse gás. A altitude causa impactos imediatos, mas também pode gerar adaptações ao treinamento (MCARDLE et al., 2016). 130 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 6.1.1 CLIMA As variações externas de temperatura, seja pelo calor, seja pelo frio, re- percutem nos aspectos internos de termorregulação orgânica, visto que que o ser humano é homeotérmico e, por isso, precisa manter sua tem- peratura constante entre 36,5 e 37ºC, quando aferida de forma cutânea (MCARDLE et al., 2016). USO DO TERMÔMETRO PARA VERIFICAÇÃO DA TEMPERATURA INTERNA Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: menina deitada com um termômetro na boca. Essa condição explicita a necessidade biológica de se manterem constante- mente ativas estratégias de ganho e de perda de calor, especialmente du- rante situações em que se somam os estresses térmicos, como ocorre em momentos de prática de exercícios físicos. Toda reação química libera calor e, apesar dessa ineficiência nas conversões energéticas, o corpo humano se aproveita disso, sendo capaz de produzir o próprio calor. Entretanto, em momento de alta demanda energética, há a li- beração de muito calor, o que pode hiperaquecer o corpo. Por isso, a velocida- de de produção e a velocidade de perda devem estar equilibradas para que a temperatura corporal não se eleve ou diminua (MCARDLE et al., 2016). 131 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O hipotálamo é o principal termômetro interno do corpo e, ao detectar varia- ções de temperatura, direciona estratégias efetoras para regulação, como a vasoconstrição ou vasodilatação dos vasos sanguíneos próximos à pele, a su- dorese ou, ainda, mecanismos de produção involuntária de calor, por exem- plo, os calafrios que sentimos quando está frio. Quando o sangue passa próximo à pele, a troca de temperatura com o am- biente é facilitada e isso gera um resfriamento da pele, consequentemente do sangue e do sistema. Somado a isso, o suor maximiza esse resfriamento por meio da evaporação de gotículas de água superficializadas na pele; si- tuação necessária em momentos de alto aquecimento corporal, como em exercícios físicos. Todos esses mecanismos são regulados em função da produção de calor; contudo, o clima e a temperatura externa também podem maximizar ou difi- cultar os processos. Por exemplo, em dias muito quentes há uma dificuldade maior na troca de temperatura entre a pele e o ambiente; em dias com alta umidade relativa do ar, há uma maior dificuldade de evaporação do suor e esse mecanismo fica ineficiente para maximizar o resfriamento da pele. VARIAÇÕES DO CLIMA QUE DEVEM SER ADAPTADOS PELO ORGANISMO Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: representação de diferentes climas, como sol, chuva e frio. 132 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Essas sobrecargas ambientais, somadas à prática de exercícios físicos volu- mosos ou intensos, trazem estresse para alguns sistemas orgânicos. O car- diovascular, por exemplo, sofre ao tentar enviar mais sangue para a pele ao mesmo tempo que tem de continuar enviando sangue aos músculos ativos e aos órgãos essenciais; por conseguinte, a frequência cardíaca fica considera- velmente mais alta nos dias quentes (FLECK; KRAEMER, 2017). Além disso, ao dividir o direcionamento do fluxo sanguíneo, há um menor aporte de oxigênio aos músculos ativos durante o exercício físico, o que difi- culta uma manutenção predominante dos sistemas energéticos oxidativos e uma utilização maior de fontes de glicogênio. Uma outra consequência relacionada particularmente aos dias mais quen- tes é a alta demanda da transpiração como recurso-chave para regulação da temperatura corporal, o que pode impactar na manutenção do balaço hídri- co, com desidratação do corpo, assunto que trataremos no tópico a seguir. 6.1.2 HIDRATAÇÃO A manutenção do balanço hídrico é uma das mais importantes ações de rotina de uma pessoa, especialmente as que se expõem a situações de alta demanda termorregulatória e estão mais sujeitas a eventos de desidratação pela alta taxa de produção de suor. Em essência, o influxo diário de água de uma pessoa depende do consumo de alimentos, de líquidos e da própria água produzida pelo metabolismo mitocondrial. Por outro lado, a excreção diária de água é composta por urina, fezes, vapor respiratório nos pulmões e no processo de transpiração. 133 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 HIDRATAÇÃO DURANTE O EXERCÍCIO FÍSICO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher recebe uma garrafa de água durante a prática de exercício. Para pessoas que realizam pouco ou nenhum exercício e ainda estão inseridas em ambientes de temperatura amena, esse balanço hídrico é potencialmente estável, sendofácil cumprir as demandas de consumo. No entanto, ao inserir uma pessoa em climas quentes, somando-se à execução de exercícios intensos, a quantidade de água perdida na pele e nos pulmões pode ser consideravelmente maior e, se há mais excreção, também deve ter mais influxo (MCARDLE et al., 2016; BARBANTI, 1977). Erros nesse balanço hídrico podem levar a processos de desidratação e a per- das hídricas relevantes para o funcionamento do corpo. Em geral, as perdas são mensuradas em percentual de peso perdido em relação ao peso corporal 134 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO total e, progressivamente, as consequências podem ser desde aumento na temperatura corporal e redução no desempenho físico até comprometimen- tos severos na regulação da temperatura corporal e riscos de choque térmico, coma e morte (MCARDLE et al., 2016). É de extrema relevância detectar a taxa de suor de uma pessoa exposta a exercícios físicos regularmente, o que pode ser feito utilizando-se a equação exposta a seguir: Taxa de suor (L/h) = (PA-PD+L)/tempo Sendo: PA = peso antes do início da prática; PD = peso depois da prática; L = volume de líquidos ingeridos durante a prática em litros. A equação demonstra o volume de líquido perdido durante a prática, o poten- cial de reposição gerado pelos líquidos ingeridos e a quantidade de líquidos faltantes e que devem ser repostos o quanto antes, sendo que ingestões de até 1L/h são bem toleradas e consideradas para a reidratação efetiva. Pessoas treinadas são mais tolerantes às consequências da termorregulação, com mais eficiência do resfriamento cutâneo e, consequentemente, menores impactos da desidratação, mas, mesmo assim, as estratégias de hidratação antes, durante e após os exercícios físicos devem ser bem reguladas. SUOR DURANTE A PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: Mulher com o corpo suado após a prática de exercício físico. 135 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O corpo ajusta-se em diferentes níveis para impedir consequências severas da desidratação. Durante o exercício, por exemplo, há a liberação de hormô- nio antidiurético e, em momentos de alta taxa de suor, ativação de sensações como a sede, em função da potencial desidratação. Isso tudo destaca que, es- pecialmente para a regulação do balanço hídrico, não é recomendado espe- rar sensações e indicativos orgânicos para que se tome alguma atitude, tendo em vista que isso indica uma desidratação já existente. 6.1.3 ALTITUDE Em nossa rotina de vida, conseguimos, usualmente, sentir alguns efeitos da altitude no corpo humano, como a pressão no ouvido ao descer uma serra de carro ou entrar no avião ou o cansaço mais evidente ao enfrentar algum exer- cício físico realizado em uma montanha. Apesar de ser um tema interessante e potencialmente aplicável para o treina- mento físico, moramos em um país com poucos locais de altitude represen- tativa. A literatura considera altitude moderada entre 1500 e 3500 m, altitude elevada entre 3500 e 5500 m e altitude extrema acima dos 5500 m, locais em que é possível detectar efeitos amplos em um corpo, mesmo quando em re- pouso (MCARDLE et al., 2016). As maiores vantagens atribuídas ao treinamento em altitude referem-se ao volume de oxigênio mais rarefeito am altitudes elevadas, em função da menor pressão do ar. As respostas relacionadas à hipoxia direcionam um aumento da intensidade e expressão gênica da eritropoietina, hormônio responsável pela maturação dos eritrócitos nas células da medula óssea, au- mentando a quantidade de células transportadoras de oxigênio no sangue (FLECK; KRAEMER, 2017). 136 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO CIDADE PRÓXIMA À REGIÃO MONTANHOSA, PROPÍCIA PARA REALIZAR ESTRATÉGIAS DE TREINAMENTO EM ALTITUDE Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: foto de uma cidade com uma montanha no fundo. Pensando nisso, algumas intervenções começaram a ser propostas para buscar esse benefício metabólico para atletas ou pessoas fisicamente ativas, como o “live high, train high”, que se trata de uma exposição permanente à altitude e que costuma beneficiar populações de países com mais aci- dentes geográficos, montanhas e altitude elevada, ou ainda o “live low, train low”, que é o oposto da metodologia anterior e pode gerar benefícios pelo suplemento extra de oxigênio, o que pode facilitar a performance física e as adaptações ao treinamento. Exposições intermitentes também podem gerar benefícios, como o “live low, train high”, que propõe o uso esporádico de hipoxia associado a sessões de treinamento; todavia, como os treinos são executados em condições mais di- fíceis, as intensidades de prática podem reduzir e gerar impacto no condicio- namento do atleta. Por fim, “live high, train low”, que propõe a teoria da acli- matação do corpo levando à manutenção ou ao aumento do treino realizado em níveis do mar. 137 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Em um país como o Brasil, em que grandes altitudes são inexistentes, meto- dologias alternativas podem ser uma possibilidade de utilização para gerar benefícios, como o uso de câmaras de altitude ou cilindros hipobáricos, siste- mas que geram hipoxia em tendas, máscaras que dificultam a entrada do ar pelas vias aéreas ou, ainda, os treinamentos que geram oclusão vascular. SIMULAÇÃO DE TREINAMENTO EM ALTITUDE COM O USO DE MÁSCARA DE RESTRIÇÃO DE INFLUXO RESPIRATÓRIO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: mulher realizando exercícios de boxe utilizando máscara de restrição de influxo respiratório. Por fim, em situações em que atletas serão expostos de forma aguda a re- giões de maior altitude, é recomendada uma aclimatação progressiva. Para amenizar os efeitos da altitude, os sujeitos devem realizar um período de acli- matação prévia, entre uma a três semanas para altitudes elevadas, e até 90 dias, para atitudes extremas. Após permanecer cerca de um mês em altitude, as adaptações serão perdidas em cerca de três semanas no nível do mar. 138 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 6.2 AVALIAÇÕES A avaliação é um dos instrumentos mais relevantes no treinamento físico, pois garante que o caminho está coerente com o desejado e explicita a obtenção das metas criadas no início da periodização (BARBANTI, 1977). Avaliação diagnóstica Pode ser utilizada no começo do treinamento físico como diagnóstico das condições de um aluno ou atleta, indicando as condições iniciais que potencialmente melhorarão com o passar do tempo ou determinando parâmetros adequados para a correta prescrição do treinamento. Avaliação formativa Feita no meio do processo, repetidamente, garantindo que os pequenos objetivos dentro de cada micro e macrociclo estejam sendo obtidos ou redirecionando a rota do treinamento para melhorar a capacidade de gerar resultados ao longo do período. Avaliação somativa Também fecha o ciclo, gerando uma conferência dos resultados obtidos ou ainda do direcionamento para eventos esportivos dentro da periodização ou nas periodizações seguintes (PRESTES et al., 2016). De toda forma, para todas essas perspectivas as avaliações devem seguir dire- cionamentos, estar alinhadas com o objetivo de treinamento e do sujeito trei- nado, além de serem capazes de efetivamente mostrar aquilo que promete; tópicos que serão abordados a seguir. 139 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 6.2.1 VALIDAÇÃO ECOLÓGICA Todo tipo de variável que potencialmente pode ser avaliada e utilizada para prescrição, monitoramento ou controle dostreinamentos físicos devem passar por, ao menos, um ou dois tipos de validação: a validação ecológica e/ou a científica. Atualmente, com a alta requisição performática no dife- rentes campos dos esportes de alto rendimento, e também com o adven- to da tecnologia, ambos podem ser utilizados em rotinas de treinamento ( MCARDLE et al., 2016). A validação ecológica é aquela que garante que a variável utilizada para prescrição seja advinda de testes e de avaliações que foram realizadas em ambiente compatível com a performance final, por exemplo, um corredor de rua deve ser avaliado e ter suas variáveis de carga de treino mensuradas em performance de corrida de rua, e não de esteira. Da mesma forma, um jogador de futebol deve ser avaliado em campo de grama; e um ciclista de rua, pedalando na rua. Essa validação garante para o aluno ou atleta que haja alta aproximação das respostas desejadas com o ambiente de aplicação, mesmo que dentro das avaliações de campo possam haver redução no controle de análises, com a presença de fatores influenciadores que abordaremos logo mais, como calor, frio, vento, chuva ou umidade relativa do ar. 140 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO CORREDOR ENFRENTANDO CONDIÇÃO CHUVOSA Fonte. Pexels (2023). #pratodosverem: foto de um corredor molhado em meio a um evento competitivo. Quase sempre, medidas de avaliação com alta validação ecológica estão mui- to próximas às práticas rotineiras no treinamento físico e utilizam-se de mé- tricas, como velocidade, tempo, distância ou peso (MCARDLE et al., 2016). Um exemplo de teste que se destaca pela alta viabilidade prática e que se utiliza da própria performance física para determinação de variáveis para o treina- mento físico são os testes de corrida com mudança de direção, como o Leger, Soccer test, Beat test e o mais famoso, o Yo-Yo test. O Yo-Yo test consiste em corridas intermitentes, em uma faixa de 20 m, com mudança de direção. A velocidade é progressiva, controlada por sinais sono- ros. Tal teste estima o consumo máximo de oxigênio e as intensidades sub- máximas dos diversos domínios de esforço e, por se aproximar do perfil de esforços gerados em diferentes tipos de esportes coletivos, tem sido utilizado para avaliar, por exemplo, jogadores de futebol. A imagem, a seguir, demonstra o protocolo para execução do Yo-Yo test, com as distâncias e o espaço necessários. Cabe reforçar que um teste progressivo como esse pode ser feito facilmente em uma esteira, mas isso retiraria o be- nefício de uma alta validação ecológica, inserindo-se cada tipo de esporte em seu ambiente oficial de prática. 141 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AMBIENTE PARA EXECUÇÃO DO TESTE YO-YO Yoyo teste correndoandando 5 m 20 m Fonte: elaborado pelo autor (2023). #pratodosverem: metragens do teste Yo-Yo, 20 m para corrida e 5 m para área de escape. Para alguns, esses testes de campo, sem um controle absoluto de todas as variáveis intervenientes na performance física, podem sinalizar um indicativo de menor acurácia das variáveis analisadas, mas a tecnologia tem permitido acompanhar o que acontece internamente de uma forma a não interferir na situação real de avaliação. Destaca-se o uso de monitores cardíacos, que têm se tornado cada vez mais precisos e menos percebidos durante o uso. Além disso, as equações de fre- quência cardíaca máxima, muito utilizadas para prescrição de treinamento por meio de percentuais submáximos compatíveis com os domínios de in- tensidade, permitem que o controle das variáveis ocorra mesmo sem a ne- cessidade de um teste máximo, como o feito por cardiologistas em uma esteira rolante. Para a utilização dessas equações, devem ser tomadas algumas precauções, considerando a população-alvo e a validação científica das fórmulas. Um exemplo de confusões que podem ocorrer na aplicação prática é a equação de frequência cardíaca máxima “220 0 Idade”, que, apesar de ser amplamente conhecida entre professores e praticantes de exercício físico, não possui uma formulação científica, com critérios concretos de validação, além de um alto erro padrão de estimativa. Assim, sugere-se, para uma população adulta sau- dável, a utilização da equação formulada com quase 19 mil sujeitos: “208 - (0,7 × Idade)” (CAMARDA et al., 2008). 142 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO USO DO MONITOR CARDÍACO PARA AS PRÁTICAS FÍSICAS Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: pessoa monitorando a frequência cardíaca por aplicativos e smart watch. Variáveis psicofisiológicas também têm chamado muito a atenção da litera- tura pelo alto potencial de detectar cargas de esforço de uma maneira subje- tiva e simples. A percepção subjetiva de esforço é uma das mais utilizadas na prática, por meio da escala de Borg. A escala destaca pontuações de sensações de esforço, que elevam-se progressivamente da sensação de repouso para a sensação de máximo esforço. A escala vai do número 6 ao número 20, na tentativa de mimetizar as respostas cardíacas de um corpo em repouso, com aproximadamente 60 batimentos por minuto até 200 batimentos cardíacos máximos (BORG, 1982). A figura, a seguir, demonstra a escala subjetiva de esforço criada por Borg (1982) com sensações que vão de muito fácil, fácil, relativamente fácil, ligeira- mente cansativo, cansativo, muito cansativo e exaustivo. 143 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ESCALA DE PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO 6 - 7 muito fácil 8 - 9 fácil 10 - 11 relativamente fácil 12 - 13 ligeiramente cansativo 14 - 15 cansativo 16 - 17 muito cansativo 18 - 19 exaustivo 20 - Fonte: BORG (1982). #pratodosverem: escala de 6 a 20 pontos, com sensações progressivas de esforço entre muito fácil e exaustivo. A utilização das avaliações indiretas com alto potencial ecológico trazem res- postas confiáveis e possíveis de serem executadas durante rotinas de treina- mento físico nos mais diversos ambientes. E, no treinamento físico, o professor deve buscar equilibrar análises precisas e de alto custo com testes aplicáveis para praticantes de exercício e professores de Educação Física em academias, clubes e escolas. 144 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 6.2.2 VALIDAÇÃO CIENTÍFICA Se a validação ecológica se responsabiliza por garantir a aproximação do momento de avaliação com a prática real do aluno ou atleta, a validação científica deve assegurar que a variável avaliada seja a mais fidedigna e real perante o que se quer avaliar, com controle científico adequado para evi- tar turbulências nos resultados que possam representar viés na medida (MCARDLE et al., 2016). Por exemplo, se um professor deseja prescrever treinos com base na potên- cia aeróbia, apesar do teste Yo-Yo visto anteriormente ser uma possibilidade de aplicação com alta validação ecológica, se for utilizado dentro das rotinas práticas dos atletas e alunos, a avaliação com maior validação científica é o teste de consumo máximo de oxigênio, com o uso de uma espirometria para detectar os padrões de trocas gasosas em cada intensidade de esforço. As avaliações que priorizam uma alta validação científica devem possibilitar que as variáveis e as medidas geradas por si só já tenham confiabilidade final de análise e, por isso, devem ser bem pensadas no quesito significado fisioló- gico e também em sua aplicação final para o treinamento físico. CONTROLE COM ALTA VALIDAÇÃO CIENTÍFICA PARA MONITORAMENTO CARDÍACO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: equipamento de eletrocardiograma para monitoramento da função cardiovascular. 145 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIXEAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Seguindo o exemplo citado do consumo máximo de oxigênio, alguns parâ- metros respiratórios são muito relevantes para o treinamento físico e ampla- mente utilizados para detectar, de maneira fidedigna e confiável, padrões in- ternos de esforço orgânico. O consumo de oxigênio (VO2) e de gás carbônico (VCO2) são duas das principais variáveis que estimam as demandas metabó- licas em esforço e em repouso, demonstrando a utilização energética aeróbia dos tecidos ativos e o volume de metabólitos desse metabolismo energético (MCARDLE et al., 2016). AUTOCONTROLE NA RESPIRAÇÃO Fonte: Pexels (2023). #pratodosverem: foto de homem e mulher meditando. As duas variáveis juntas ainda permitem interpretações metabólicas amplas, como no caso do quociente respiratório (QR), em que, com base na divisão do VCO2 e VO2, é possível estimar o principal substrato energético que está sendo utilizado pelo metabolismo corporal; por exemplo, valores de QR próxi- mos a 0,7 representam a utilização da gordura e, próximo de 1, a utilização de carboidratos, explicitando o maior VO2 (MCARDLE et al., 2016). Já o VO2, por si, só representa grandes informações fisiológicas, especialmen- te para a transição repouso-esforço. Há um equivalente calórico de 5 calorias para cada litro de oxigênio consumido pelo corpo e tornam-se evidentes as 146 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO diferenças de demanda energética entre um corpo em repouso, consumindo entre 3 e 5 ml/kg/min e um corpo em esforço máximo, que pode atingir até 91 ml/kg/min; valor mais alto já registrado por cientistas (BURTSCHER et al., 2011). As principais limitações acerca da utilização dessas variáveis de uma forma rotineira dizem respeito ao alto custo dos equipamentos e da mão de obra es- pecializada requisitada para manuseio e interpretação desses dados. A figura seguinte demonstra a utilização da espirometria, equipamento utilizado para mensurar as variáveis respiratórias, em diferentes situações de esforço físico. ESPIROMETRIA EM TESTE LABORATORIAL DE CORRIDA EM ESTEIRA Fonte: elaborado pelo autor (2023). #pratodosverem: homem correndo na esteira com o uso de uma espirometria. De fato, como padrão ouro para determinação de variáveis de carga interna, a espirometria é uma das avaliações cientificamente mais utilizadas para va- lidar protocolos indiretos, demonstrando, com alta precisão, respiração a res- piração, o que ocorre com as demandas do organismo. A figura, a seguir, re- presenta um teste de corrida real, com progressão da sobrecarga a cada três minutos, sendo pontualmente visível o aumento de VO2 e VCO2. 147 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 RESULTADOS DE CONSUMO DE OXIGÊNIO E GÁS CARBÔNICO DURANTE TESTE DE CORRIDA Fonte: elaborado pelo autor (2023). #pratodosverem: gráfico demonstrando o volume de oxigênio e de gás carbônico utilizado durante um teste de esforço. O avanço da tecnologia permite que muitas avaliações de alta validação científica que poderiam ser realizadas somente em ambientes laboratoriais, com o uso de equipamentos de alto custo e mão de obra especializada, sejam mais próximas da realidade e da aplicação prática. Um dos exemplos é o próprio monitor cardíaco, que hoje se aproxima fortemente das medidas de profissionais cardiologistas executando um eletrocardiograma e está presente em instrumentos popularizados como os smart watches (MCARDLE et al., 2016). 148 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO 6.2.3 TECNOLOGIAS APLICADAS Ao abordar um tópico sobre tecnologias, é possível que surja uma falsa im- pressão de que há alta valorização somente dos equipamentos laboratoriais e de difícil acesso para o público e profissionais gerais, mas, tratando-se de treinamento físico, o oposto é verdade. As tecnologias buscam simplificar a captação de informações pelos profes- sores nas rotinas de treinamento, possibilitam a validação científica dentro de um ambiente de validação ecológica e, no fim das contas, o professor não precisa optar pela validação desejada, pois é possível avaliar os alunos em um ambiente próximo à prática mas também com bastante acuidade das infor- mações e medidas captadas para diagnóstico ou direcionamento do treino (BOHME, 2003). Para que possam efetivamente ser realizadas dentro do ambiente de práti- ca, as avaliações tecnológicas precisam ter fácil acesso aos praticantes e aos professores, trazendo também medidas de fácil interpretação e aplicação no treinamento; afinal, este é o principal objetivo em se avaliar. Seja com o uso de um bom GPS em um corredor ou ciclista de rua, que irá mostrar toda a carga externa do treinamento, como velocidade média e pico, altitude ganha ou perdida, distância percorrida, entre outros fatores, ou um monitor cardíaco durante uma aula de ginástica localizada que irá discrimi- nar todas as cargas de treino, calorias gastas na sessão e, dependendo do mo- delo, a variabilidade da frequência cardíaca, que estima a ativação do sistema nervoso simpático ou parassimpático, auxiliam na decisão do tipo de treino mais adequado dentro da periodização (MCARDLE et al., 2016). Apesar da alta tecnologia usualmente envolvida com os testes de parâmetros de carga interna, entender a variação fisiológica e as potenciais sensações que um aluno pode ter em cada situação, intensidade ou ainda sobrecarga podem ajudar muito (BOHME, 2003).. Uso da tecnologia nas avaliações físicas Fonte: Deduca (2023). #pratodosverem: foto de avaliador segurando um equipamento de avaliação cardíaca com o auxílio de informações em um computador. 149 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Na imagem a seguir, vemos um analisador de gases portátil e adaptado para uso em um esporte bastante específico, como a natação, trazendo respostas muito precisas sobre as demandas metabólicas em cada esforço. Uso de espirometria na natação Fonte. Adaptado de SOUSA et al. (2012). #pratodosverem: nadador utilizando um snorkel para análise de gases. Mesmo que o nadador esteja nadando o estilo específico, dentro de uma pis- cina real, ainda assim há certa fuga da realidade, pois o nadador sofre a influ- ência do snorkel na respiração e na movimentação, como em movimentos de virada olímpica. O mais interessante do advento de tecnologias caras é o surgimento de alternativas baratas e viáveis e, nesse caso, o conhecimento do professor de Educação Física de garantir, por exemplo, os momentos em que um sujeito fica mais ofegante na progressão de esforço. Com base nisso, pesquisadores formataram um teste conhecido como “talk test”, que avalia a capacidade de controle da fala em momentos de menor a maior demanda respiratória, sendo útil para discriminar momentos e intensi- dade de esforço, como os limiares metabólicos (LUCCA et al., 2012). Além disso, são muitas as variáveis internas, que exigem equipamentos tec- nológicos de análises, responsivas de maneira aguda e crônica ao exercí- cio físico. Algumas, como as respiratórias e cardiovasculares, já citadas, são mais utilizadas nas rotinas, porém a mensuração de variáveis sanguíne- as e de tecidos, como hormônios, enzimas e marcadores biológicos e me- tabólicos de lesão e inflamação muscular, trazem respostas cientificamen- te interessantes para explicar detalhadamente diversos sistemas orgânicos (MCARDLE et al., 2016). 150 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO Variáveis metabólicas, como o lactato e a glicose sanguínea, apresentam ótima relação do sangue periférico capilarizado com as respostas centrais,diminuindo a necessidade de exames mais invasivos. Pequenas perfurações com o uso de lanceta em regiões, como: ponta dos dedos, antebraço ou no lóbulo da orelha possibilitam a captação de gotículas de sangue suficientes para análise laboratorial ou ainda com o uso de analisadores portáteis de fácil utilização nas rotinas de treinamento de alta intensidade. Uma das utilizações dessas análises pode ser para a determinação do limiar anaeróbio por meio de protocolos diretos e indiretos de máxima fase estável de lactato e, assim, possibilitar a compreensão de intensidades de treinamen- to, predição de performances e a evolução ao longo das periodizações. O ponto-chave é entender que há espaço para todo perfil de trabalho no trei- namento físico, desde o que se baseia em alta performance e tem acesso fi- nanceiro para garantir isso até os processos de rotinas práticas comuns, que devem utilizar equipamentos baratos, bons e acessíveis. 151 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO Os principais objetivos da presente unidade buscaram elucidar as aplicabi- lidades das avaliações físicas, presentes nas rotinas de treinamento, desta- cando as possibilidades de uso de tecnologias, mas especialmente a apro- ximação com os ambientes reais de aplicação das performances. Além disso, mesmo quando há amplo controle de todos os objetivos das avalia- ções, ainda devemos considerar os aspectos influenciadores externos, como o clima e a altitude. As avaliações físicas buscam discriminar medidas e variáveis para diagnóstico e também para a prescrição do exercício físico e, para isso, precisam ser preci- sas e bem pensadas para se aproximar aos objetivos reais do aluno ou atleta. Passam pela validação científica, que se certifica que a medida avaliada seja o mais próxima e fidedigna possível do que se busca avaliar, e também pela validação ecológica, cujo objetivo é garantir que haja aproximação entre o ambiente da prática e de treino, com o ambiente da avaliação. Mesmo com todos os controles realizados, ainda assim o corpo humano sofre grandes impactos de fatores externos, como o clima, destacando-se o calor como um fator de impacto no sistema cardiovascular e na própria performan- ce, e também a altitude, que dificulta a captação de oxigênio em sujeitos ex- postos a ela, mas também pode gerar adaptações viáveis em metodologias aplicáveis de exposição progressiva. 152 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TREINAMENTO ESPORTIVO MATERIAL COMPLEMENTAR Recomenda-se a leitura complementar dos livros: Treinamento de força para o desempenho humano. Fundamentos do treinamento de força muscular. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. Recomenda-se a leitura complementar dos artigos: Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo. Comparação da frequência cardíaca máxima medida com fórmulas de predição propostas por Karvonen e Tanaka. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319353/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713907/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/pages/recent https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517 https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/517 https://www.scielo.br/j/abc/a/3SG3HkTkTZmg6NtrDfXmZYq/abstract/?lang=pt#:~:text=A%20equa%C3%A7%C3%A3o%20de%20Karvonen%20apresentou,a%20freq%C3%BC%C3%AAncia%20card%C3%ADaca%20m%C3%A1xima%20medida https://www.scielo.br/j/abc/a/3SG3HkTkTZmg6NtrDfXmZYq/abstract/?lang=pt#:~:text=A%20equa%C3%A7%C3%A3o%20de%20Karvonen%20apresentou,a%20freq%C3%BC%C3%AAncia%20card%C3%ADaca%20m%C3%A1xima%20medida https://www.scielo.br/j/abc/a/3SG3HkTkTZmg6NtrDfXmZYq/abstract/?lang=pt#:~:text=A%20equa%C3%A7%C3%A3o%20de%20Karvonen%20apresentou,a%20freq%C3%BC%C3%AAncia%20card%C3%ADaca%20m%C3%A1xima%20medida 153 TREINAMENTO ESPORTIVO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 REFERÊNCIAS BARBANTI, V. J. Treinamento esportivo. São Paulo: Blücher, 1977. [Minha Biblioteca] BERTUZZI, R.; NASCIMENTO, E. M. F.; URSO, R. P.; LIMA-SILVA, A. E. Energy system contributions during incremental exercise test. Journal of Sports Science & medicine, [s. l.], v. 12, n. 3, p. 454-460, 2013. BOHME, M. T. S. Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo. Revista Brasileira de Ciências e Movimento, [s. l.], v. 11, n. 3, p. 97-104, 2003. BOHME, M. T. S. Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo. Revista Brasileira de Ciências e Movimento, [s. l.], v. 11, n. 3, p. 97-104, 2003. BORG, G. A. V.; NOBLE, B. J. Perceived exertion. Exercise and Sport Sciences Reviews, [s. l.], v. 2, p.131-153, 1974. BURTSCHER, M.; NACHBAUER, W.; WILBER, R. The upper limit of aerobic power in humans. Arbeitphysiologie, [s. l.], v. 111, n. 10, p. 2625-2628, 2011. CAMARDA, S. R. A. et al. 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D.; KATCH F. I.; KATCH V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempe- nho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/books/9788527730167. Acesso em: 19 abr. 2023. MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempe- nho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. [Minha Biblioteca] PRESTES, J. et al. Prescrição e periodização do treinamento de força em academias. Barueri: Manole, 2016.4 PRESTES, J.; FOSCHINI, D.; MARCHETTI, P.; CHARRO, M.; TIBANA, R. Prescrição e periodização do treinamento de força em academias. Barueri: Manole, 2016. [Minha Biblioteca] PRESTES, J.; FOSCHINI, D.; MARCHETTI, P.; CHARRO, M.; TIBANA, R. Prescrição e periodização do treinamento de força em academias. Barueri: Manole, 2016. Disponível em: https://integra- da.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520451342/pages/recent. Acesso em: 3 maio 2023. RADCLIFFE, J. C. Treinamento funcional para atletas de todos os níveis: séries para agilidade, velocidade e força. Porto Alegre: Grupo A, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca. com.br/#/books/9788582713716/recent. Acesso em: 8 maio 2023. SOUSA A.; FIGUEIREDO, P.; VILAS-BOAS, P.; FERNANDES R. Cinética do consumo de oxigênio durante e após uma prova de 200 metros crol. Revista Digital EFDeportes.com, Buenos Aires, v. 17, p. 173, 2012. TIBANA, R. A. et al. Comparação da frequência cardíaca máxima e estimada por diferentes equa- ções. Brazilian Journal of Biomotricity, [s. l.], v. 3, n. 4, p. 359-365, 2009. TIBANA, R. A.; SOUSA, N. M. F.; PRESTES, J. Quantificação da carga da sessão de treino no Crossfit por meio da percepção subjetiva do esforço: um estudo de caso e revisão de literatura. 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Exercício resistido de levantamento de peso Anatomia cardíaca Mensuração da pressão arterial Transporte de oxigênio no sangue Relação do treinamento físico com aspetos cognitivos e escolares Componente tático em uma equipe de futebol Diferenças biológicas entre crianças durante a maturação Estímulos físicos gerais em crianças Escala de 10 pontos de percepção de esforço Percepção subjetiva de esforço da sessão em dois diferentes sujeitos Zonas de treinamento com base em percentuais submáximos da frequência cardíaca Uso de smartwatch para acompanhamento de uma sessão de treinamento Aumento da ventilação durante um exercício intenso Capacidade de realizar esforços intensos de uma atleta de salto em distância Escala de Borg para mensuração da percepção subjetiva de esforço Controle da frequência cardiaca durante um exercício de corrida Exercício resistido com controle externo com base em número de repetições Pessoa sedentária iniciando a prática de exercícios físicos Modelo de integração entre as cargas internas e externas de treinamento físico Exaustão gerada pela acidose metabólica durante exercícios de cada pesada Treinamento de ativação anaeróbia com potência de saltos DNA como componente genético da individualidade biológica Experiências e práticas físicas de uma criança Criança bailarina com alto nível de flexibilidade Perfil de somatotipo endomorfo e ectomorfo Ajuste corporal ao frio Exercício com sobrecarga alta Avaliação física de força muscular Medidas antropométricas de uma avaliação física Sobrecarga com anilhas em um exercício de supino na musculação Desenvolvimento da força em um caminho que foca na intensidade Movimento potente de um atacante no futebol Compromisso frequente de exercícios físicos Importância do momento de férias para atletas Perda de resultados estéticos após a interrupção da prática de exercícios físicos Vantagens relacionados ao histórico de treinamento físico Sistema respiratório requisitado nas demandas de capacidade aeróbia Uso do analisador de gases para detecção do consumo de oxigênio Sensação de falta de ar durante exercício intenso Caixa d’água representando a capacidade anaeróbia Teste de Wingate em cicloergômetro Comprometimento funcional ao longo do processo de envelhecimento Estruturas do coração que podem ser modificadas com treinamento físico Treinamento de potência com pliometria Fadiga por alto número de repetições em exercícios resistidos Hipertrofia muscular associada ao treinamento resistido Dor muscular causada por eventos inflamatórios e miotraumas no treinamento físico Representação de treinamento neuromuscular para melhora da coordenação Representação das adaptações respiratórias na pré-ativação Recuperação após sessão de corrida Planejamentos semanais dos microciclos Microciclo com até três treinos diários (T), sessões complementares (TC), e de força (TF) Distribuição de cargas altas (A), médias (M), baixas (B) e repouso (R) em um microciclo Momento de competição com o auge das capacidades físicas Momento de repouso necessário durante o macrociclo transitório Planejamento anual das métricas de treinamento Plano anual simples com um pico de rendimento Plano anual duplo com dois picos de rendimento Plano anual triplo com três picos de rendimento Uso do termômetro para verificação da temperatura interna Variações do clima que devem ser adaptados pelo organismo Hidratação durante o exercício físico Suor durante a prática de exercício físico Cidade próxima à região montanhosa, propícia para realizar estratégias de treinamento em altitude Simulação de treinamento em altitude com o uso de máscara de restrição de influxo respiratório Corredor enfrentando condição chuvosa Ambiente para execução do teste Yo-Yo Uso do monitor cardíaco para as práticas físicas Controle com alta validação científica para monitoramento cardíaco Autocontrole na respiração Espirometria em teste laboratorial de corrida em esteira Resultados de consumo de oxigênio e gás carbônico durante teste de corrida 1 INTRODUÇÃO AO TREINAMENTO FÍSICO INTRODUÇÃO DA UNIDADE 1.1 TIPOS DE TREINAMENTO FÍSICO 1.2 FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO FÍSICO 2. APLICAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO INTRODUÇÃO DA UNIDADE 2.1 Variáveis de controle do treinamento físico 2.2 Variáveis de prescrição e monitoramento 3. PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO FÍSICO INTRODUÇÃO DA UNIDADE 3.1 Princípios básicos do treinamento 3.2 Princípios avançados do treinamento 4.CAPACIDADES BIOMOTORAS INTRODUÇÃO DA UNIDADE 4.1 CAPACIDADES E POTÊNCIAS 4.2 CAPACIDADES RESISTIDAS 5. PERIODIZAÇÃO INTRODUÇÃO DA UNIDADE 5.1 ESTRUTURAS MENORES DE PERIODIZAÇÃO 5.2 ESTRUTURAS MAIORES DE PERIODIZAÇÃO 6. AVALIAÇÕES E FATORES INFLUENCIADORES DO TREINAMENTO INTRODUÇÃO DA UNIDADE 6.1 FATORES INFLUENCIADORES 6.2 AVALIAÇÕES _headingh.ge4pt6hazvk1