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<p>(</p><p>ASSINATURAS</p><p>|</p><p>DEFENSORIAS |</p><p>MAGISTRATURA</p><p>E</p><p>MP</p><p>)</p><p>AULAS DE CRIAÇÃO DE BASE</p><p>INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE</p><p>Professor Gustavo Fernandes</p><p>(</p><p>Elaborado</p><p>por</p><p>Aurora</p><p>Laureano</p><p>.</p><p>Advogada.</p><p>Especialista</p><p>em</p><p>Ciências</p><p>Penais.</p><p>)</p><p>AULA 26: INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE – PARTE 1</p><p>1. DIREITO DE PROPRIEDADE</p><p>A propriedade é considerada um direito fundamental e o seu exercício é condicionado ao cumprimento de sua função social (CRFB/1988, Art. 5º, incisos XXII e XXIII) - ao mesmo tempo em que é princípio da ordem econômica (CRFB/1988, Art. 170, inciso III).</p><p>CRFB/1988 – Art. 5º XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;</p><p>Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: III - função social da propriedade;</p><p>No período das revoluções liberais marcado pela Revolução Francesa, quando surgem os direitos fundamentais de primeira geração, entendia-se a propriedade de forma individualizada – como um direito praticamente absoluto do particular de utilizar e gozar dos seus bens da maneira que quisesse.</p><p>Posteriormente, sobretudo pela influência dos direitos fundamentais de segunda geração, a partir da transposição do Estado Liberal para o Estado Social, passou-se a entender que a propriedade tem uma função social a ser cumprida. Quando tal função não é cumprida, será possível ao Estado intervir naquela propriedade particular – o particular, em último caso poderá até perder a propriedade, como nas hipóteses de desapropriação.</p><p>A ideia de ser a propriedade protegida apenas quando sua função social é cumprida demonstra que o Estado, em algumas hipóteses de utilidade pública ou de interesse social poderá, sim, intervir na propriedade particular.</p><p>2. RESTRIÇÕES DO ESTADO SOBRE A PROPRIEDADE</p><p>As modalidades de restrição são classificadas em duas grandes categorias:</p><p>· Intervenções supressivas: há transferência, de maneira coercitiva, da propriedade de terceiro para o Estado. São exemplos: a desapropriação e a requisição de bens móveis e fungíveis;</p><p>· Intervenções restritivas: por estabelecerem restrições ao uso da propriedade, não a retiram do seu titular. As restrições incidem sobre as características essenciais da propriedade – a exclusividade, ligada ao uso com oponibilidade perante terceiros; o caráter absoluto, pela ampla liberdade de utilização, e; perpetuidade, pela qual a propriedade não se perde até que seja transferida a outrem. São exemplos todas as demais restrições.</p><p>As modalidades podem ser resumidas da forma a seguir3:</p><p>As restrições que afetem o caráter absoluto da propriedade impedem que ela seja utilizada livremente. Muito enquadram a edificação e o parcelamento compulsórios como limitação administrativa, ao passo que DI PIETRO entende que são aplicáveis individualmente.</p><p>Já pelas restrições que afetem a exclusividade da propriedade, será preciso suportar que um terceiro utilize o bem, o qual não mais poderá ser utilizado sozinho. Nas restrições restritivas, será afetado o caráter perpétuo e irrevogável do direito de propriedade.</p><p>São dois os fundamentos das restrições do Estado sobre a propriedade:</p><p>· Função social da propriedade: há o dever jurídico do proprietário de utilizá-la de acordo com a sua função social, para atingir o interesse públicos (CARVALHO FILHO);</p><p>· Poder de polícia do Estado: decorre da restrição dos direitos individuais, como o de propriedade, em prol de interesses públicos – incide o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado.</p><p>3. LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS</p><p>O tema das limitações é estudado no Direito Civil quanto ao direito de vizinhança (CC, Arts. 1.277 a 1.313). Diferentemente, as limitações administrativas são objeto do direito público e irão restringir a propriedade privada em razão da supremacia do interesse público sobre o privado.</p><p>Segundo DI PIETRO, consistem em limitações de caráter geral - não atingem destinatário determinado – instituídas por lei. Para CARVALHO FULHO, são atos legislativos ou administrativos.</p><p>Destacam-se duas principais características:</p><p>a) Impõem obrigações de caráter geral a proprietários indeterminados. As obrigações podem ser: positivas – a limpeza de terrenos, a adoção de medidas de segurança contra incêndio e o parcelamento ou edificação compulsória (CARVALHO FILHO); negativas – proibição de construir além de determinada altura, a exemplo da limitação de prédios de até seis andares na região Sudoeste do Distrito Federal; permissivas – obrigação de suportar que agentes de vigilância sanitária ingressem nos imóveis no contexto de endemias.</p><p>CARVALHO menciona os efeitos ex nunc (prospectivos) das limitações administrativas, de forma a não atingirem as propriedades anteriores antes da edição da lei. A exemplo da limitação que impede construções acima de seis andares, os prédios já construídos antes dessa limitação não serão derrubados.</p><p>b) Não dão direito à indenização: em decorrência do caráter geral, são impostas a todos e inexiste, como regra, um dano específico. O STJ aponta a seguinte exceção: quando comprovada uma limitação mais extensa que as já existentes, diante de situação peculiar:</p><p>“É indevida a indenização em favor dos proprietários dos terrenos atingidos pelo ato administrativo em questão, salvo se comprovada limitação administrativa mais extensa que as já existentes.” (AgInt nos EDcl no REsp 1.695.213/SP, j. em 7.6.2018)</p><p>No mesmo sentido, conforme leciona CARVALHO FILHO, somente a comprovação de um prejuízo diferenciado ou de um dano especial ensejaria à indenização. Caso o Estado seja obrigado a pagar indenização, o STJ exige alguns requisitos:</p><p>“(...) a jurisprudência do STJ pacificou-se no sentido da responsabilização do Estado na indenização decorrente de limitação administrativa, desde que preenchidos certos requisitos; dentre eles, que a aquisição do imóvel tenha se dado antes da ocorrência da restrição administrativa.” (AR 2.075/PR, DJe 23.9.209; EDcl no AgRg no AREsp 18.092/MA, DJe 16.11.2015).</p><p>Sobre o tema, há tese do STJ (Tese 5, Jurisprudência em Teses, Vol. 127): “5) É indevido o direito à indenização se o imóvel expropriado foi adquirido após a imposição de limitação administrativa, porque se supõe que as restrições de uso e gozo da propriedade já foram consideradas na fixação do preço do imóvel.”</p><p>Questão: Conforme entendimento jurisprudencial do STJ, a limitação administrativa sobre determinado bem constitui modalidade de intervenção restritiva na propriedade de caráter: geral, mas que pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito pessoal, se a limitação causar redução do valor econômico do bem e a sua aquisição tiver ocorrido anteriormente à instituição da restrição – CERTO.</p><p>Disto decorre que o preço do imóvel já terá sido calculado com base naquela limitação à qual estiver sujeito, de forma que o dever de indenizar seria cabível para a aquisição do imóvel antes da limitação.</p><p>Além disso, o STJ exige a comprovação da existência de efetivo prejuízo:</p><p>“(...) a mera alegação de que o imóvel está localizado em área urbana, por si só, não enseja a indenização advinda da criação de área non aedificandi, sendo necessária a comprovação da existência de efetivo prejuízo causado ao proprietário da área.” (AgRg no REsp 1.113.343/SC, DJe 3.12.10)</p><p>O fato de uma pessoa ter comprado um imóvel na área urbana e ter sido instituída uma limitação de construir não são suficientes para ensejar a responsabilização – o prejuízo deverá ser comprovado. Há tese do STJ nesse mesmo sentido (Tese 4):</p><p>“4) A indenização pela limitação administrativa ao direito de edificar, advinda da criação de área non aedificandi, somente é devida se imposta sobre imóvel urbano e desde que fique demonstrado o prejuízo causado ao proprietário da área.”</p><p>Dentre as diversas limitações administrativas previstas no Estatuto da Cidade, merece destaque o direito de preempção municipal, pelo qual</p><p>que “todos os bens poderão ser desapropriados” pelos entes federativos, incluídos os bens móveis, imóveis, semoventes, corpóreos, incorpóreos, privados e públicos. A posse poderá ser desapropriada, em razão de seu valor econômico (MEIRELLES). As ações, cotas e direitos relativos ao capital de pessoas jurídicas também poderão ser desapropriados, conforme entendimento sumulado do STF:</p><p>Súmula 476. “Desapropriadas as ações de uma sociedade, o Poder desapropriante, imitido na posse, pode exercer, desde logo, todos os direitos inerentes aos respectivos títulos.”</p><p>Os bens dos Estados, Município, DF e territórios poderão ser desapropriados pela União; os bens dos Municípios, pelos Estados (Art. 2º, § 2º) – em qualquer caso, deverá haver prévia autorização legislativa. Para os bens privados basta o preenchimento dos requisitos de utilidade, necessidade pública ou interesse social.</p><p>Segundo lição de CARVALHO FILHO, a entidade federativa “maior” poderá desapropriar bens da entidade federativa “menor”. Conclui-se que os bens públicos federais são inexpropriáveis. Além disso, tanto a doutrina como o STF entendem que o Estado só pode desapropriar os bens localizados em seu território (ADI 2.452, j. em 24.09.2003), aplicando-se o mesmo aos Municípios, (STF, RE 85.550, j. 22.2.1978); os Estados não podem desapropriar os bens dos Municípios localizados em outros Estados. Quanto aos bens federais das entidades da Administração Indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista) há polêmica. O posicionamento majoritário parece ser pela impossibilidade de desapropriação pela entidade política</p><p>“menor” (CARVALHO FILHO). O STF adota esse entendimento:</p><p>“A Companhia Docas do Rio de Janeiro, sociedade de economia mista federal, incumbida de explorar o serviço portuário em regime de exclusividade, não pode ter bem desapropriado pelo Estado.” (RE 172.816, j. 9.2.1994)</p><p>(</p><p>ASSINATURAS</p><p>|</p><p>DEFENSORIAS |</p><p>MAGISTRATURA</p><p>E</p><p>MP</p><p>)</p><p>O STJ entende de forma diversa: será possível a desapropriação de tais bens se houver autorização do Presidente da República, por decreto:</p><p>“É vedado ao Município desapropriar bens de propriedade da União ou de suas autarquias e fundações, sem prévia autorização, por decreto, do Presidente da República.” (REsp 1.188.700/MG, j. 18.5.10)</p><p>Tal possibilidade encontra fundamento no § 3º do Art. 2º do DL n. 3.365/1941, que ressalva a prévia autorização, por decreto do Presidente da República. Por isso, os bens da União poderão ser desapropriados pelos Estados e Municípios se houver a prévia autorização por decreto. Diferentemente, se não houver autorização, não será possível a desapropriação nem mesmo de empresas privadas, ainda que submetidas à fiscalização do Poder Público federal. Referida previsão afasta o posicionamento de que os bens das entidades da Administração Indireta somente não podem ser desapropriados enquanto estiverem afetados a uma finalidade pública (DI PIETRO).</p><p>DL n. 3.365/1941 – Art. 2º § 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e empresas cujo funcionamento dependa de autorização do Governo Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República.</p><p>Questão: Um estado não pode desapropriar tampouco proceder a tombamento de bem da União – ERRADO, pode tombamento, mas desapropriar não.</p><p>Questão (DPE-MG): Considere hipoteticamente que o município X, visando construir uma nova escola pública de Ensino Fundamental, identificou o imóvel residencial da senhora Y, mulher hipossuficiente economicamente (pessoa de baixa renda), como local adequado para tal construção. A senhora Y reside no local há mais de 10 anos e seu imóvel está localizado em um bairro carente, caracterizando-se como núcleo urbano informal. A senhora Y não possui outro imóvel. Avaliando o contexto, o Conselho Municipal de Política Urbana discutiu a possibilidade de desapropriação do referido imóvel. Ciente dessa situação, a senhora Y procurou uma unidade da Defensoria Pública para auxiliá-la juridicamente. Considerando os princípios e dispositivos legais apresentados nesse caso, assinale a alternativa correta: o município X deverá prever, no planejamento da ação de desapropriação, medidas compensatórias que incluam a realocação da família da senhora Y em outra unidade habitacional, a indenização de benfeitorias ou a compensação financeira suficiente para assegurar o restabelecimento da família em outro local, conforme prévio cadastramento dos ocupantes do imóvel.</p><p>Art. 4º-A, caput e § 1º, do DL 3.365/41: “Art. 4º-A. Quando o imóvel a ser desapropriado caracterizar-se como núcleo urbano informal ocupado predominantemente por população de baixa renda, nos termos do § 2º do art. 9º da Lei nº 13.465, de 11 de julho de 2017, e seu regulamento, o ente expropriante deverá prever, no planejamento da ação de desapropriação, medidas compensatórias. § 1º As medidas compensatórias a que se refere o caput incluem a realocação de famílias em outra unidade habitacional, a indenização de benfeitorias ou a compensação financeira suficiente para assegurar o restabelecimento da família em outro local, exigindo-se, para este fim, o prévio cadastramento dos ocupantes.”</p><p>b) Bens que não podem ser desapropriados</p><p>De um lado, há a impossibilidade jurídica, em decorrência de vedação legal ou constitucional:</p><p>· A pequena e a média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra, no caso de desapropriação para fins de reforma agrária (CRFB/1988, Art. 185, inciso I);</p><p>CRFB/1988 – Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de eforma agrária: I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra;</p><p>· A propriedade produtiva, também no caso de desapropriação para fins de reforma agrária (CRFB/1988, Art. 185, inciso II);</p><p>· Os bens públicos federais (interpretação a contrario sensu do Art. 2º, § 2º, do DL n. 3.365/1941) – os Estados e os Municípios não podem, por sua própria vontade, desapropriar os bens federais, ressalvada a autorização do Presidente da República, conforme já visto.</p><p>De outro lado, a impossibilidade material ou fática decorre da própria natureza:</p><p>· Pessoas físicas ou jurídicas, por serem sujeitos de direito, e não objeto.</p><p>· Direitos personalíssimos, como a vida, a imagem, a liberdade;</p><p>· Moeda corrente no país, por ser o próprio meio de compensação da desapropriação (ao contrário das moedas antigas): por exemplo, não é possível desapropriar R$ 100,00 e posteriormente indenizar pelo mesmo valor.</p><p>A doutrina aponta dois casos controvertidos:</p><p>1) Desapropriação de cadáver: não admitida por OLIVEIRA, diante da proteção dos direitos da personalidade para depois da morte; admitida por CARVALHO FILHO, com finalidade de pesquisa científica e proteção social, embora exista dificuldade de se arbitrar o valor da indenização;</p><p>2) Desapropriação de bens inalienáveis: admitida, para CARVALHO FILHO, sob o argumento de que a inviabilidade da alienação não pode prevalecer sobre o ius imperii do Estado.</p><p>6. COMPETÊNCIA</p><p>É privativa da União a competência para legislar sobre desapropriação (CRFB/1988, Art. 22, inciso II) – admitida a delegação aos Estados por lei complementar (parágrafo único). Tal competência não se confunde com a competência para editar o decreto expropriatório ou para promover a desapropriação.</p><p>CRFB/1988 – Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: II - desapropriação</p><p>7. SUJEITOS</p><p>a) Sujeitos ativos</p><p>Fala-se no sujeito ativo como aquele que tem a capacidade para editar o decreto expropriatório. Conceito mais amplo irá incluir aqueles que poderão promover a desapropriação, mas a ele não compete a edição do decreto – a exemplo dos delegatários do Poder Público, como os concessionários do serviço público.</p><p>Na desapropriação por utilidade pública são sujeitos ativos a União, os Estados, o</p><p>DF, os Municípios e os Territórios (DL n. 3.365/1941,</p><p>Art. 2º) - em complemento,</p><p>também poderão editar o decreto expropriatório as seguintes entidades: ANEEL (agência reguladora), conforme a Lei n. 9.074/1995, Art. 10, assim como o DNIT (autarquia federal), segundo a Lei n. 10.233/2001, Art. 82, inciso IX e a ANTT (autarquia federal), pela Lei n. 10.233/2001, Art. 24, inciso XIX.</p><p>Lei n. 9.074/1995 – Art. 10. Cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, declarar a utilidade pública, para fins de desapropriação ou instituição de servidão administrativa, das áreas necessárias à implantação de instalações de concessionários, permissionários e autorizados de energia elétrica.</p><p>Lei n. 10.233/2001 - Art. 82. São atribuições do DNIT, em sua esfera de atuação: IX – declarar a utilidade pública de bens e propriedades a serem desapropriados para implantação do Sistema Federal de Viação;</p><p>23 Art. 24. Cabe à ANTT, em sua esfera de atuação, como atribuições gerais: XIX - declarar a utilidade pública para fins de desapropriação ou de servidão administrativa de bens e propriedades necessários à execução de obras no âmbito das outorgas estabelecidas.</p><p>Na desapropriação por interesse social, a competência será da União, dos Estados, do DF, dos Municípios e dos Territórios, em regra (Lei n. 4.132/1962, Art. 5º). A União terá competência exclusiva (LC n. 76/1993, Art. 2º) para a desapropriação para reforma agrária prevista no texto constitucional (CRFB/1988, Art. 184).</p><p>São de competência exclusiva dos Municípios a desapropriação por descumprimento da função social da propriedade urbana (CRFB/1988, Art. 182, § 4º; Lei n. 10.257/01, Art. 8º) e a desapropriação urbanística ordinária (CRFB/1988, Art. 182, § 3º; DL n. 3.365/1941, Art. 5º, “i”).</p><p>DL n. 3.365/1941 – Art. 5º Consideram-se casos de utilidade pública: i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a execução de planos de urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a construção ou ampliação de distritos industriais;</p><p>Também será de competência exclusiva da União a expropriação constitucional</p><p>(CRFB/1988, Art. 243).</p><p>b) Sujeitos passivos</p><p>O sujeito passivo será o expropriado, pessoa física ou jurídica, inclusive de direito público – neste último caso, deverá ser observado o Art. 2º § 2º, DL n. 3.365/1941.</p><p>8. PROCEDIMENTO</p><p>1) Legislação aplicável</p><p>Às desapropriações ordinárias por utilidade pública aplicam-se os Arts. 11 a 30 do DL n. 3.365/1941, e subsidiariamente o CPC (DL n. 3.365/1941, Art. 42). Este procedimento é aplicável para as desapropriações por descumprimento da função social da propriedade urbana, pois o Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257/2001 não trata do tema, conforme já visto; e para as desapropriações ordinárias por interesse social fundadas na Lei n. 4.132/1962 (por força do seu art. 5º).</p><p>Lei n. 4.132/1962 - Art. 5º No que esta lei for omissa aplicam-se as normas legais que regulam a desapropriação por utilidade pública, inclusive no tocante ao processo e à justa indenização devida ao proprietário.</p><p>Para as desapropriações por descumprimento da função social da propriedade rural incide o rito previsto na Lei Complementar n. 76/1993. E à desapropriação confiscatória do art. 243 da CRFB/1988 são aplicáveis as regras da Lei n. 8.257/91.</p><p>2) Fases da desapropriação</p><p>2.1 Fase declaratória</p><p>O Poder Público vai declarar qual é a utilidade ou o interesse social para desapropriar o bem. É feita por decreto do chefe do Poder Executivo ou pelo Poder Legislativo, caso em que será editada lei de efeitos concretos e será exigida a adoção de providências, pelo Executivo, para efetivar a desapropriação (DL n. 3.365/1941, Art. 8º). Há autores como CARVALHO FILHO que defender ser mais adequado o decreto legislativo.</p><p>DL n. 3.365/1941 – Art. 8o O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação.</p><p>Referida declaração independe de autorização legislativa (ADI 969/DF, j. em 27.09.2006)27, a não ser que seja para desapropriar bens públicos (DL n. 3.365/1941, Art. 2º, § 2º). Será exigida autorização prévia, via decreto do Presidente da República, para a desapropriação pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios sobre “ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e empresas cujo funcionamento dependa de autorização do Governo Federal e se subordine à sua fiscalização” (Art. 2º, § 3º).</p><p>O ato declaratório deverá ser motivado de maneira detalhada e clara, conforme Enunciado da I Jornada de Direito Administrativo (Enunciado 4)28:</p><p>Enunciado 4. “O ato declaratório da desapropriação, por utilidade ou necessidade pública, ou por interesse social, deve ser motivado de maneira explícita, clara e congruente, não sendo suficiente a mera referência à hipótese legal”.</p><p>A doutrina entende ser possível o controle judicial do ato declaratório. Não será possível, no entanto, controlar a conveniência e oportunidade sobre a escolha do bem para fins de desapropriação, por se tratar de mérito administrativo. A medida de impugnação será ação declaratória de nulidade, a qual tramitará em conjunto com a ação de desapropriação (conexão), segundo leciona CARVALHO FILHO.</p><p>São quatro os efeitos da declaração de utilidade pública (DI PIETRO):</p><p>1) Submete o bem à força expropriatória do Estado;</p><p>2) Fixa-se o estado bem: a partir dali, todas as benfeitorias existentes e as condições atuais do bem serão indenizadas – mas, as benfeitorias posteriores à declaração somente serão indenizadas ou incluídas nos gastos com a indenização se forem necessárias ou, se forem úteis, desde que autorizadas pelo Poder Público;</p><p>3) Dá ao Poder Público o direito de penetrar no bem para realizar medições e verificações – poderá recorrer ao auxílio de força policial (DL n. 3.365/1941, Art. 7º). DI PIETRO afirme que, apesar de o dispositivo permitir o ingresso no domicílio pelo Poder Público, ele não poderá forçar a entrada caso o proprietário se negue, por força da inviolabilidade constitucional (CRFB/1988, Art. 5º, inciso, XI – neste caso, seria necessária autorização judicial;</p><p>4) Inicia o prazo de caducidade da declaração.</p><p>Na forma do Art. 10 do DL n. 3.365/1941, a partir da declaração, a desapropriação deverá ser efetivada no prazo de cinco anos da expedição do decreto, mediante acordo ou extrajudicialmente; caso contrário, caduca o decreto e somente após um ano o bem poderá ser objeto de nova declaração.</p><p>Questão: a desapropriação deverá se efetivar mediante acordo ou judicialmente, dentro de 5 (cinco) anos, contados da data da expedição do respectivo decreto e, decorrido tal prazo, este caducará – ERRADO, expirado o prazo de cinco anos sem a transferência do bem mediante acordo entre as partes ou sem o ajuizamento da ação de desapropriação, termina a eficácia do decreto de declaração de utilidade pública. Ressalte-se que no caso de caducidade, somente decorrido um ano, poderá ser o mesmo bem objeto de nova declaração.</p><p>Na declaração de desapropriação por interesse social o prazo de caducidade é reduzido para dois anos a partir da decretação da medida (Lei n. 4.132/62, Art. 3º) – a lei não menciona o período de carência para a renovação da declaração. Tal prazo é mais amplo e inclui o início das providências para aproveitar bem expropriado.</p><p>Na desapropriação para reforma agrária, o prazo também é de dois anos (LC n. 76/1993). Entretanto, não há previsão do prazo de caducidade na Lei n. 10.257/2011 (desapropriação por descumprimento da função social da propriedade urbana) e nem na Lei n. 8.257/1991 (desapropriação sancionatória).</p><p>2.2 Fase executória</p><p>O Poder Público irá adotar as medidas necessária à efetivação da desapropriação. Nesta fase, a competência será mais ampla, por incluir não somente as pessoas jurídicas competentes para editar o ato declaratório, como também os delegatários do Estado - inclusive as pessoas jurídicas de direito privado não integrantes da Administração Indireta. Será feita de forma expressa por lei ou contrato (DL n. 3.365/1941,</p><p>Art. 3º).</p><p>Esse dispositivo foi recentemente alterado pela Lei n. 14.273/201: DL n. 3.365/1941 - Art. 3º Podem promover a desapropriação, mediante autorização expressa constante de lei ou contrato: I - os concessionários, inclusive aqueles contratados nos termos da Lei nº 11.079, de 30 de dezembro de 2004; II - as entidades públicas; III - as entidades que exerçam funções delegadas do poder público; e IV - as autorizatárias para a exploração de ferrovias como atividade econômica.</p><p>A exemplo da Lei 11.107/2005, que prevê a promoção da desapropriação por parte do consórcio público, nos termos do contrato de consórcio de direito público (Art. 2º, § 1º, inciso II). Da mesma forma, a Lei n. 8.987/1995 permite que o concessionário ou permissionário promova a desapropriação, se houver disposição no contrato – caberá a responsabilidade pelas indenizações (Art. 29, inciso VII).</p><p>Lei n. 8.987/1995 – Art. 29. Incumbe ao poder concedente: VIII - declarar de utilidade pública os bens necessários à execução do serviço ou obra pública, promovendo as desapropriações, diretamente ou mediante outorga de poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações cabíveis;</p><p>Questão: a desapropriação poderá ser realizada por concessionária de serviço público, se assim estipulado no edital de licitação e no contrato de concessão, caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações cabíveis, preservada a competência do Poder Concedente para declarar de utilidade pública os bens necessários à execução do serviço ou obra pública – CERTO.</p><p>Art. 31. Incumbe à concessionária: VI - promover as desapropriações e constituir servidões autorizadas pelo poder concedente, conforme previsto no edital e no contrato;</p><p>Art. 29. Incumbe ao poder concedente: VIII - declarar de utilidade pública os bens necessários à execução do serviço ou obra pública, promovendo as desapropriações, diretamente ou mediante outorga de poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações cabíveis.</p><p>Importante atentar para o fato de que a etapa executória não se confunde com a etapa judicial: poderá a etapa executória ser administrativa, em caso de acordo – se tiver sido oferecido ao particular do valor de R$ 100.000,00 e particular entender como suficiente, por exemplo. Basta a escritura pública transcrita no Registro de Imóveis; se não houver acordo, ou quando não se souber quem é o proprietário do bem, deverá o Poder Público intentar ação judicial de desapropriação.</p><p>O Art. 10-B - introduzido pela Lei n. 13.867/2019 - permite que o particular possa optar pela mediação ou pela via arbitral e indicará um dos órgãos ou instituições especializados já cadastrados pelo órgão responsável pela desapropriação. Também poderá ser eleita câmara de mediação criada pelo poder público (Art. 32, § 2º, Lei n. 13.140/2015.</p><p>Quanto à competência para a ação, se a parte autora for a União, a ação deverá ser proposta no Distrito Federal ou no foro da Capital do Estado onde for domiciliado o réu perante juízo privativo, afastado o foro do local do bem. Se a parte autora for ente federado diverso da União, a ação deverá ser proposta no foro da situação dos bens (Art. 11, DL n. 3.365/1941).</p><p>Os requisitos da petição inicial deverão ser preenchidos conforme o Código de Processo Civil (Art. 13). Ao despachar a inicial, o juiz designará um perito para avaliar os bens (Art. 14) e será possível a imissão provisória na posse (Art. 15).</p><p>Há menção à citação por mandado na pessoa do proprietário dos bens Art. 16) – é possível a citação com hora certa (parágrafo único) e por edital, também para o réu no estrangeiro (Art. 18) e a carta precatória (Art. 17).</p><p>Feita a citação, a causa seguirá com o atual rito comum do CPC/2015 (Art. 19, DL</p><p>n. 3.365/1941) – mas, não haverá interrupção do processo no caso de falecimento do réu, ou da perda de sua capacidade civil. Nestas situações, o juiz, assim que tiver conhecimento, nomeará curador à lide, até que se lhe habilite o interessado (Art. 21).</p><p>É relevante o procedimento relativo à contestação, a qual somente poderá versar sobre vício do processo judicial ou impugnação do preço - qualquer outra questão deverá ser decidida por ação direta (Art. 20). Na prática, a ação respectiva busca decidir qual o preço da indenização. Para CARVALHO FILHO, a expressão “vício do processo judicial” abrange as questões preliminares (CPC, Art. 485). Não cabe, evidentemente, reconvenção.</p><p>Em sentido semelhante, será vedado ao Poder Judiciário, na ação de desapropriação, decidir se estão presentes ou não os casos de utilidade pública (Art. 9º). De forma que, se houver alguma ilegalidade no ato declaratório, deverá o expropriado ajuizar ação direta – ação ordinária declaratória de nulidade ou mandado de segurança (DI PIETRO).</p><p>Há Enunciado da I Jornada de Direito Administrativo que espelha entendimento diverso (Enunciado 3):</p><p>Enunciado 3 “Não constitui ofensa ao art. 9º do Decreto-Lei n. 3.365/1941 o exame por parte do Poder Judiciário, no curso do processo de desapropriação, da regularidade do processo administrativo de desapropriação e da presença dos elementos de validade do ato de declaração de utilidade pública.”</p><p>Diante da cognição sumarizada da ação de desapropriação, indicada no Art. 20 do DL n. 3.365/1941, o STF decidiu que é possível ao Ministério Público propor ação civil pública para discutir a titularidade de imóvel objeto de ação de desapropriação, na qual se operou a coisa julgada (Tese 858/RG):</p><p>Info 1019: “I - O trânsito em julgado de sentença condenatória proferida em sede de ação desapropriatória não obsta a propositura de Ação Civil Pública em defesa do patrimônio público, para discutir a dominialidade do bem expropriado, ainda que já se tenha expirado o prazo para a Ação Rescisória; II - Em sede de Ação de Desapropriação, os honorários sucumbenciais só serão devidos caso haja devido pagamento da indenização aos expropriados.” (RE 1.010.819, j. 26.5.21)</p><p>Findo o prazo para a contestação e se não houver concordância expressa quanto ao preço, o laudo será apresentado em cartório pelo perito, em cinco dias, pelo menos, antes da audiência de instrução e julgamento. Referida audiência seguirá CPC. A sentença fixará o preço da indenização (Art. 24) – caso sentencie no gabinete, o prazo será de 10 dias (parágrafo único). Dentre os critérios a serem fundamentados pelo juiz, destacam-se o preço da aquisição, a estimação dos bens para efeitos fiscais, o estado de conservação e o valor venal e a à valorização ou depreciação de área remanescente (Art. 27).</p><p>Art. 27. O juiz indicará na sentença os fatos que motivaram o seu convencimento e deverá atender, especialmente, à estimação dos bens para efeitos fiscais; ao preço de aquisição e interesse que deles aufere o proprietário; à sua situação, estado de conservação e segurança; ao valor venal dos da mesma espécie, nos últimos cinco anos, e à valorização ou depreciação de área remanescente, pertencente ao réu.</p><p>Exemplo: o Estado desapropriou metade da fazenda de Pedro para a construção de uma estação de esgoto. Houve, no entanto, divergência entre João e o Estado quanto ao valor da indenização a ser paga. Isso porque o proprietário alegou que a construção da estação de esgoto ao lado do restante da sua Fazenda fez com que ele não pudesse mais fazer uma plantação de laranja que estava planejando, tendo em vista que haveria contaminação das frutas. Logo, João cobrou os lucros cessantes decorrentes dessa situação. Foi realizada perícia, que atestou que a área remanescente teria se tornado imprópria para o cultivo de laranjas. Logo, é possível que o valor a ser pago inclua a indenização pela depreciação da área remanescente.</p><p>Info 738: Há violação aos limites das matérias que podem ser discutidas em ação de desapropriação direta quando se admite o debate - e até mesmo indenização - de área diferente da verdadeiramente expropriada, ainda que vizinha. STJ. 1ª Turma.REsp 1.577.047-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/05/2022</p><p>Da sentença que fixar o preço da</p><p>indenização será cabível apelação com efeito simplesmente devolutivo, quando interposta pelo expropriado. Quando interposta pelo expropriante, terá efeito devolutivo e suspensivo (Art. 28). Ficará a sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição em caso de condenação da Fazenda Pública em quantia superior ao dobro da oferecida (§ 1º).</p><p>O mandado de imissão na posse será expedido em favor do expropriante uma vez efetuado o pagamento ou a consignação – a sentença valerá como título hábil para a transcrição no registro de imóveis (Art. 29). Assim, o particular só perderá o bem quando efetuado o pagamento, razão pela qual tal dispositivo se alinha com a previsão constitucional de que a indenização deve ser prévia. Segundo lição de CARVALHO FILHO, é com o pagamento que se opera a “aquisição da propriedade pelo expropriante e a perda pelo expropriado”. Por tal razão, o Poder Público poderá desistir da desapropriação até data do pagamento da indenização.</p><p>Conforme jurisprudência do STJ, ainda que transitada em julgado a sentença de desapropriação, se o pagamento não ocorreu, será cabível a desistência:</p><p>“(...) a jurisprudência do STF e desta Corte é no sentido de aceitar a desistência da ação expropriatória, formulada pelo órgão expropriante, se ainda não ocorreu o pagamento do preço. A sentença, mesmo transitada em julgado, não impede a desistência.” (REsp 402.482/RJ, DJ de 12.08.2002)</p><p>CARVALHO FILHO entende que o pagamento parcial já inviabilizaria a desistência.</p><p>Existe, entretanto precedente do STJ em sentido diverso:</p><p>“(...) a desistência da expropriação pode ser feita até o pagamento integral e, no caso dos autos, apenas algumas parcelas foram pagas”, reputando válida a desistência.” (AgRg no REsp 1.090.549/SP, j. 15.10.2009)</p><p>Para o STJ, o pagamento parcial, a princípio, não obsta a desistência da ação. Uma segunda hipóteses trazida pela Corte envolve a alteração substancial do bem, caso em que não caberá desistência:</p><p>“(...) a desistência da desapropriação pressupõe a devolução do bem expropriado nas mesmas condições em que o expropriante o recebeu do proprietário, sendo, portanto, inviável o pedido de desistência quando o bem expropriado for substancialmente alterado em razão da ocupação do imóvel pelo expropriante.” (REsp 722.386/MT, j. em 5.11.2009)</p><p>O expropriado não poderá se opor à desistência do poder público, a não ser no caso de mudanças substanciais no bem. Neste sentido também entende CARVALHO FILHO. Caso o pagamento já tenha sido feito, o expropriado somente poderá pleitear depois a indenização pelos prejuízos.</p><p>AULA 28: INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE – PARTE 3</p><p>9. IMISSÃO PROVISÓRIA NA POSSE</p><p>Os pressupostos são três (Art. 15, DL n. 3.365/1941):</p><p>a) Alegação de urgência pelo expropriante: tal alegação é feita geralmente no próprio decreto expropriatório – mas, poderá ser declarada em momento posterior, inclusive no curso da ação de desapropriação (STJ, REsp 33.477, j. em 3.5.1993);</p><p>b) Depósito da quantia fixada segundo critério previsto em lei: diante da exigência constitucional de indenização justa e prévia (CRFB/1988, Art. 5º, inciso XXIV). A retirada da posse do bem já torna cabível o pagamento (Art. 15, § 1º, DL n. 3.365/1941);</p><p>Segundo entendimento simulado do STF (Súmula 65): “Não contraria a Constituição o art. 15, § 1º, do Decreto-lei n. 3.365/41 (Lei de Desapropriação por utilidade pública)”.</p><p>Questão: Na hipótese de urgência, o expropriante poderá ser emitido provisoriamente na posse do bem, que será autorizada mediante o depósito da quantia oferecida na inicial – ERRADO, será feita nos termos do art15, §1º, do DL.</p><p>c) Requerimento da imissão provisória em até 120 dias a contar da alegação de urgência (prazo improrrogável)</p><p>Questão: a alegação de urgência deve constar obrigatoriamente do decreto de utilidade pública e obrigará o expropriante a requerer a imissão provisória dentro do prazo improrrogável de 120 (cento e vinte) dias a contar de sua publicação – ERRADO, a urgência normalmente é declarada no próprio decreto expropriatório, mas pode ser alegada em momento posterior, inclusive quando já em curso a ação de desapropriação.</p><p>Aponta CARVALHO FILHO que, cumpridos tais requisitos, o expropriante terá direito subjetivo à imissão provisória na posse, sem prejuízo de dar continuidade à ação para tratar da quantia a ser fixada. Sobre o tema há alguns julgados do STJ:</p><p>“A imissão provisória na posse do imóvel objeto de desapropriação, caracterizada pela urgência, prescinde de avaliação prévia ou de pagamento integral, exigindo apenas o depósito judicial nos termos do art. 15, § 1º, do Decreto-Lei n. 3.365/1941.” (STJ, REsp 1.645.610/RJ, j. em 7.3.2017)</p><p>A citação do réu também é dispensada (art. 15, § 1º) - STJ, AgInt no REsp 1.756.911/PA, j. em 23.9.2019 – a imissão provisória poderá ser feita antes da citação.</p><p>A Lei n. 11.977/2009 inseriu o § 4º no Art. 15 do DL n. 3.365/1941, pelo qual passou a ser exigido o registro da imissão provisória na posse no registro de móveis competente. Para o STJ, a partir da imissão do Poder Público cessa, inclusive, a responsabilidade do expropriado quanto aos encargos incidentes sobre o bem, inclusive IPTU (STJ, REsp 239.687, j. em 17.02.2000) – não serão cobrados do expropriado o IPTU ou outros encargos sobre o bem pelo fato de estar tal bem em posse do Poder Público. Será possível ao expropriado requerer ao juízo o levantamento parcial do depósito – até 80% da quantia depositada (Art. 33, § 2º e 34, DL n. 3.365/1941).</p><p>DL n. 3.365/1941 - Art. 34. O levantamento do preço será deferido mediante prova de propriedade, de quitação de dívidas fiscais que recaiam sobre o bem expropriado, e publicação de editais, com o prazo de 10 dias, para conhecimento de terceiros. Parágrafo único. Se o juiz verificar que há dúvida fundada sobre o domínio, o preço ficará em depósito, ressalvada aos interessados a ação própria para disputá-lo.</p><p>A Lei n. 13.465/201 também inovou: se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão que concede a imissão provisória implicará a aquisição da propriedade, com o registro na matrícula do imóvel. A concordância, no entanto, não significa do fim do processo e não implica renúncia (Art. 34-A, § 1º) – o preço ainda poderá ser questionado e o expropriado poderá levantar 100% do depósito. (§ 2º).</p><p>Info 767: A ausência do depósito previsto no art. 15 do Decreto-Lei nº 3.365/41 para o deferimento de pedido de imissão provisória na posse veiculado em ação de desapropriação por utilidade pública não implica a extinção do processo sem resolução do mérito, mas, tão somente, o indeferimento da tutela provisória. STJ. 1ª Turma. REsp 1.930.735-TO, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 28/2/2023</p><p>10. INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO</p><p>A intervenção do Ministério Público será obrigatória no caso de desapropriação para fins de reforma agrária (LC n. 76/1993, Art. 18, § 2º). Inexiste previsão da sua intervenção no DL n. 3.365/1941 e na Lei n. 4.132/1962. Alguns autores da corrente minoritária CARVALHO FILHO defendem a obrigatoriedade da intervenção do Ministério Público em todas as ações de desapropriação, por se tratar de direito fundamental à propriedade que resulta das situações de necessidade pública e interesse social. A presença do interesse público vai exigir a participação do Ministério Público como fiscal da lei.</p><p>LC n. 76/1993 - Art. 18 § 2º O Ministério Público Federal intervirá, obrigatoriamente, após a manifestação das partes, antes de cada decisão manifestada no processo, em qualquer instância.</p><p>Para outros autores, a participação do Ministério Público não será obrigatória, pois incide interesse patrimonial ligado ao valor indenizatório. Haverá participação somente diante de exigência legal, como na desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária ou se a demanda envolver questão ligada ao meio ambiente (Art. 178, CPC).</p><p>CPC – Art. 178. O Ministério Público será intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, intervir como fiscal da ordem jurídica nas hipóteses previstas em lei ou na Constituição Federal</p><p>e nos processos que envolvam: I - interesse público ou social; II - interesse de incapaz; III - litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana</p><p>O STJ parece ter adotado esse segundo entendimento:</p><p>“(...) é desnecessária a atuação do Parquet, na medida em que o inciso III do art. 82, assim como o art. 18, § 2º, da Lei Complementar n. 76/93 não lhe atribuem competência para atuar em todas as demandas expropriatórias, mas apenas quando a causa gravita em torno de litígios coletivos pela posse da terra rural - desapropriação direta de imóvel rural para fins de reforma agrária, o que, à toda evidência, não é o caso dos autos. Nesse sentido: EREsp 486645 (Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 12.08.2009, DJe 21.08.2009).” (AgRg no REsp 1.413.689/CE, j. em 10.6.2014)</p><p>11. INDENIZAÇÃO</p><p>Embora a indenização, como regra, deva ser justa, prévia e em dinheiro (CRFB/1988, Art. 5º, inciso XXIV), a própria Constituição Federal menciona casos de indenização em títulos da dívida pública (Art. 184, § 3º, inciso III); em títulos da dívida agrária (Art. 184) – com ressalva para as benfeitorias úteis e necessárias, a serem pagas em dinheiro e; sem indenização (Art. 243) diante do confisco constitucionalmente autorizado.</p><p>Decorre do DL a necessidade de fixação de perícia pelo juiz (Arts. 14 e 23) - se não houver acordo, será necessária a prova pericial, embora ela não vincule o juiz. Sobre a prova pericial, o STJ entende que:</p><p>“(...) em se tratando de desapropriação, a prova pericial para a fixação do justo preço somente é dispensável quando há expressa concordância do expropriado com o valor da oferta inicial.” (AgRg no AREsp 203.423/SE, j.19.9.2013)</p><p>O valor da indenização, segundo o STJ, deve ser contemporâneo à data da avaliação do perito judicial (EAREsp 1.410.954/SP, j. em 12.11.2019). No caso de divergência entre a área registrada e a área real do imóvel – por exemplo, no registro o imóvel tem 200 m², mas tiver sido averiguado que ele possui 250 m² - a doutrina (CARVALHO FILHO) e o STJ apontam que prevalece, para fins de indenização, a área registrada:</p><p>“Se, em procedimento de desapropriação por interesse social, constatar-se que a área medida do bem é maior do que a escriturada no Registro de Imóveis, o expropriado receberá indenização correspondente à área registrada, ficando a diferença depositada em Juízo até que, posteriormente, se complemente o registro ou se defina a titularidade para o pagamento a quem de direito.” (REsp 1.307.026/BA, j. em 16.6.2015)</p><p>A mesma Corte entende que a indenização pela cobertura vegetal, de forma destacada ou separada da terra nua, está condicionada à efetiva comprovação da exploração econômica lícita dos recursos vegetais (AgInt no REsp 1.326.015/PR, j. em 1.4.2019). Sobre o tema há tese fixada (Jurisprudência em Teses, vol. 127):</p><p>7) “A indenização referente à cobertura vegetal deve ser calculada em separado do valor da terra nua quando comprovada a exploração dos recursos vegetais de forma lícita e anterior ao processo interventivo na propriedade.”</p><p>Segundo DI PIETRO, o montante indenizatório incluirá:</p><p>· O valor do bem expropriado, com todas as benfeitorias já existentes, além das necessárias feitas posteriormente e das úteis - estas últimas, apenas mediante autorização do expropriante. Segundo entendimento sumulado do STF, as construções feitas posteriormente, ainda que com licença concedida pelo Município, não são incluídas no valor da indenização.</p><p>Súmula 23: “Verificados os pressupostos legais para o licenciamento da obra, não o impede a declaração de utilidade pública para desapropriação do imóvel, mas o valor da obra não se incluirá na indenização, quando a desapropriação for efetivada.”</p><p>· Os lucros cessantes e os danos emergentes;</p><p>· As custas e as despesas judiciais;</p><p>· Os honorários advocatícios: a serem fixados entre “0,5 e 5% do valor da diferença” entre o preço oferecido e o fixado na sentença (Art. 27, § 1º) - o limite de R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais) mencionado no final do mencionado dispositivo legal foi reputado inconstitucional pelo STF (ADI 2.332-DF, j. em 17.5.2018);</p><p>Info 736: Na hipótese de desistência da ação de desapropriação por utilidade pública, face a inexistência de condenação e de proveito econômico, os honorários advocatícios sucumbenciais observam o valor atualizado da causa, assim como os limites da Lei das Desapropriações. STJ. 2ª Turma.REsp 1.834.024-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10/05/2022</p><p>Art. 85 (...) §2º Os honorários serão fixados (...) sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos: I - o grau de zelo do profissional; II - o lugar de prestação do serviço; III - a natureza e a importância da causa; IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.</p><p>Obs.: no entanto, não se aplicam os percentuais previstos no CPC, mas sim os do art. 27, § 1º, do DL 3.365/41.</p><p>Questão: O Município Beta, pretendendo construir uma escola no imóvel de Maria, editou decreto que declarou o imóvel como de utilidade pública. Em seguida, o Município ajuizou ação de desapropriação, sem requerer a imissão provisória na posse do imóvel. No curso do processo judicial, o Município decidiu construir a escola em outro imóvel que já era de sua propriedade, de maneira que revogou o decreto de utilidade pública e requereu a extinção do processo de desapropriação, pela desistência. No caso em tela, adotando a jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça, o magistrado deve extinguir o feito, homologando a desistência: com condenação do Município Beta em honorários advocatícios sucumbenciais, com valor calculado levando em consideração os limites da Lei das Desapropriações entre 0,5% e 5% incidentes sobre o valor atualizado da causa – CERTO.</p><p>Info 736, STJ: na hipótese de desistência da ação de desapropriação por utilidade pública, face a inexistência de condenação e de proveito econômico, os honorários advocatícios sucumbenciais observam o valor atualizado da causa, assim como os limites da Lei das Desapropriações.</p><p>· As despesas com desmonte e transporte de mecanismos instalados e em funcionamento, arbitradas em quantia módica (DL n. 3.365/1941, Art. 25, parágrafo único);</p><p>DL n. 3.365/1941 - Art. 25. O principal e os acessórios serão computados em parcelas autônomas Parágrafo único. O juiz poderá arbitrar quantia módica para desmonte e transporte de maquinismos instalados e em funcionamento.</p><p>· O fundo de comércio, desde que o próprio expropriado seja o seu proprietário (STJ, AgRg no REsp 1.199.990, j. em 19.4.2012); entretanto, se o fundo de comércio pertencer a outra pessoa, será ela quem deverá pleitear indenização em ação própria, por força do Art. 26 – ficam excluídos da indenização os valores correspondentes a direitos de terceiros;</p><p>DL n. 3.365/1941 - Art. 26. No valor da indenização, que será contemporâneo da avaliação, não se incluirão os direitos de terceiros contra o expropriado.</p><p>· A correção monetária, pela mera atualização do valor de compra, calculada a partir do laudo de avaliação.</p><p>Neste contexto, não mais vigora o art. 26, § 2º, do DL n. 3.365/1941 – que só permitia a incidência da correção após um ano da avaliação – desde a edição do art. 1º da Lei n. 6.899/81, conforme apontam DI PIETRO e CARVALHO FILHO.</p><p>O termo final será a data do efetivo pagamento da indenização, segundo entendimento sumulado do STF (Súmula 561).</p><p>Súmula 561: Em desapropriação, é devida a correção monetária até a data do efetivo pagamento da indenização, devendo proceder-se à atualização do cálculo, ainda que por mais de uma vez.</p><p>Tradicionalmente, até antes da EC 113/2021, entendia-se que os índices deveriam retratar a inflação do período, afastados os referentes à caderneta de poupança (precatórios), em analogia ao entendimento do STF na ADI 4.425, j. em 14.03.2013.</p><p>· Os juros moratórios: visam recompor a perda decorrente do atraso - a base de incidência é o valor da indenização fixado na sentença, corrigido</p><p>monetariamente. Serão devidos à razão de até 6% ao ano, a partir de 1º de janeiro do exercício seguinte àquele em que o pagamento deveria ser feito, nos termos do art. 100 da Constituição (Art. 15-B, DL n. 3.365/1941);</p><p>DL n. 3.365/1941 - Art. 15-B Nas ações a que se refere o art. 15-A, os juros moratórios destinam-se a recompor a perda decorrente do atraso no efetivo pagamento da indenização fixada na decisão final de mérito, e somente serão devidos à razão de até seis por cento ao ano, a partir de 1º de janeiro do exercício seguinte àquele em que o pagamento deveria ser feito, nos termos do art. 100 da Constituição.</p><p>· Os juros compensatórios: visam compensar a perda do bem – serão computados a partir da imissão provisória na posse, segundo entendimento sumulado do STF (Súmula164).</p><p>Súmula 164: No processo de desapropriação, são devidos juros compensatórios desde a antecipada imissão de posse, ordenada pelo juiz, por motivo de urgência.</p><p>Exemplo: o juiz pode autorizar que, antes de a ação de desapropriação chegar ao fim, o Poder Público já assuma a posse do bem desapropriado. A isso se chama de imissão provisória na posse. Ocorre que, se o valor da indenização fixada na sentença for maior do que a quantia oferecida pelo Poder Público, isso significa que o proprietário do bem estava certo ao questionar esse valor e que ele foi “injustamente” retirado prematuramente da posse de seu bem. Digo “injustamente” porque o valor oferecido era menor realmente do que o preço devido. Assim, a legislação, como forma de compensar essa perda antecipada do bem, prevê que o expropriante deverá pagar juros compensatórios ao expropriado. Desse modo, os juros compensatórios na desapropriação são aqueles fixados com o objetivo de compensar o proprietário em razão da ocorrência de imissão provisória na posse.</p><p>O STF entende que base de cálculo será “a diferença eventualmente apurada entre 80% do preço ofertado em juízo e o valor do bem fixado na sentença” (ADI 2.332/DF)</p><p>· imagine-se que o Poder Público tenha ofertado R$ 100.000,00 e na sentença foi fixado o valor de R$ 200.000,00 (diferença será de R$100.000,00.) O expropriado pode, desde</p><p>o início, levantar 80% do preço ofertado, ainda que dele discorde (Art. 33, § 2º) - a base será de R$ 120.000,00. A taxa de juros, por sua vez, será de 6% ao ano, não obstante o teor da Súmula 618-STF.</p><p>O DL de 1941 não previa originariamente os juros compensatórios, os quais surgiam a partir do percentual fixado pela jurisprudência – 6% ao ano, com base no CC/1916. Tal valor foi elevado a 12% ao ano (Súmula 618-STF), em decisão com efeitos substitutivos em contexto de alta inflação e sem previsão de correção monetária.</p><p>Em 1997, sobreveio a MP 1.577, a qual passou a prever os juros de “até 6%”. Na ADI 2.332, j. 17.5.2018, o STF declarou inconstitucional a expressão “até” e declarou constitucional a fixação dos juros compensatórios em exatos 6%. O entendimento da Súmula 618-STF, restou superado, embora ela não tenha sido formalmente cancelada.</p><p>Neste contexto, a súmula 408-STJ deverá ser atualizada para que, a partir da decisão definitiva do STF na ADI 2.332 (17.05.2018), o percentual volte a ser de 6% - de forma que, entre 11/06/1997 e 13/09/2001, seria de 6%; de 13/09/2001 a 15/05/2018, 12% e após, 6% novamente.</p><p>No julgamento definitivo da referida ADI, o STF reconheceu a constitucionalidade dos §§ 1º e 2º do Art. 15-A, DL n. 3.365/1941: “os juros compensatórios destinam-se, apenas, a compensar a perda de renda comprovadamente sofrida pelo proprietário” (§ 1º) e “não serão devidos juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência na exploração iguais a zero” (§ 2º).</p><p>Questão: o Supremo Tribunal Federal possui o entendimento no sentido de que os juros compensatórios são devidos, na desapropriação direta e indireta, no percentual de 6% ao ano, mesmo sendo o imóvel improdutivo – CERTO.</p><p>Conforme fixado pelo STF, as principais teses são:</p><p>“I - É constitucional o percentual de juros compensatórios de 6% (seis por cento) ao ano para a remuneração pela imissão provisória na posse de bem objeto de desapropriação; II - A base de cálculo dos juros compensatórios em desapropriações corresponde à diferença entre 80% do preço ofertado pelo ente público e o valor fixado na sentença; III - São constitucionais as normas que condicionam a incidência de juros compensatórios à produtividade da propriedade; IV - É constitucional a estipulação de parâmetros mínimo e máximo para a concessão de honorários advocatícios em desapropriações, sendo, contudo, vedada a fixação de um valor nominal máximo de honorários”.</p><p>Posteriormente, o Art. 3º da EC n. 113/2021 passou a prever que:</p><p>“Nas discussões e nas condenações que envolvam a Fazenda Pública, independentemente de sua natureza e para fins de atualização monetária, de remuneração do capital e de compensação da mora, inclusive do precatório, haverá a incidência, uma única vez, até o efetivo pagamento, do índice da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), acumulado mensalmente;”</p><p>A partir da indenização, ficarão sub-rogados no preço quaisquer ônus ou direitos que recaiam sobre o bem expropriado (Art. 31, DL n. 3.365/1941) – em vez de receber os R$ 200.000,00, o expropriado receberá apenas R$ 50.000,00, porque os R$ 150.000,00 estarão com a Caixa Econômica, que se sub-rogará diante do direito real de garantia.</p><p>CARVALHO FILHO aponta que, normalmente, são duas as parcelas indenizatórias: uma primeira, decorrente da imissão provisória na posse - quando o Poder Público deposita o valor, este passível de levantamento de 80% por parte do expropriado – a ser paga por alvará judicial e; uma segunda, decorrente da diferença do montante fixada na sentença – a ser paga por meio de precatório (CRFB/1988, Art. 100).</p><p>Exemplo DoD: O Estado ajuizou ação de desapropriação contra João oferecendo R$ 100 mil pelo imóvel. O art. 33, § 2º do DL autoriza que o proprietário, mesmo que discorde do valor, levante (saque) 80% da quantia oferecida, o que foi feito por João. O juiz deferiu a imissão provisória na posse. Ao final, após a perícia, o juiz fixou em R$ 300 mil o valor da indenização a ser paga ao proprietário (valor real do imóvel). Pela interpretação literal do art. 15-A, os 6% de juros compensatórios deveriam incidir sobre a diferença entre o valor fixado na sentença (300) e o preço ofertado em juízo (100). Assim, os juros compensatórios seriam 6% de 200 (6% de 300-100).</p><p>O STF afirmou que deve ser dada uma interpretação conforme ao art.15-A. Assim, a taxa de juros (6%) deve incidir sobre a diferença entre o valor fixado na sentença (300) e 80% do preço oferecido pelo Poder Público (em nosso exemplo, 80% de 100 = 80). Assim, segundo o STF, os juros compensatórios seriam 6% de 220 (6% de 300-80).</p><p>Info 902: 1) em relação ao “caput” do art. 15-A do DL 3.365/41: 1.a) reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros compensatórios no patamar fixo de 6% ao ano para remuneração do proprietário pela imissão provisória do ente público na posse de seu bem; 1.b) declarou a inconstitucionalidade do vocábulo “até”; 1.c) deu interpretação conforme a Constituição ao “caput” do art. 15-A, de maneira a incidir juros compensatórios sobre a diferença entre 80% do preço ofertado em juízo pelo ente público e o valor do bem fixado na sentença;</p><p>2) declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 15-A, que condiciona o pagamento dos juros compensatórios à comprovação da “perda da renda comprovadamente sofrida pelo proprietário”;</p><p>3) declarou a constitucionalidade do § 2º do art. 15-A, afastando o pagamento de juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência iguais a zero;</p><p>4) declarou a constitucionalidade do § 3º do art. 15-A, estendendo as regras e restrições de pagamento dos juros compensatórios à desapropriação indireta.</p><p>5) declarou a inconstitucionalidade do § 4º do art. 15-A;</p><p>6) declarou a constitucionalidade da estipulação de parâmetros mínimo (0,5%) e máximo (5%) para a concessão de</p><p>honorários advocatícios e a inconstitucionalidade da expressão “não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)” prevista no § 1º do art. 27. STF. Plenário. ADI 2332/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2018</p><p>Info 767: Para cumprimento dos requisitos arrolados no art. 16, caput, I e II, e § 4º, II, da LRF é necessário instruir a petição inicial da ação expropriatória de imóveis com a estimativa do impacto orçamentário-financeiro e apresentar declaração a respeito da compatibilidade das despesas necessárias ao pagamento das indenizações ao disposto no plano plurianual, na lei de diretrizes orçamentárias e na lei orçamentária anual. STJ. 1ª Turma. REsp 1.930.735-TO, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 28/2/2023</p><p>Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000), Art. 16. A criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental que acarrete aumento da despesa será acompanhado de: I - estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva entrar em vigor e nos dois subseqüentes; II - declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação orçamentária e financeira com a lei orçamentária anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias. (...) §4º As normas do caput constituem condição prévia para: (...) II - desapropriação de imóveis urbanos a que se refere o § 3º do art. 182 da Constituição.</p><p>12. DESTINO DOS BENS DESAPROPRIADOS</p><p>Como regra, o bem passará a integrar o patrimônio público, caso em que haverá a integração definitiva – por exemplo, a desapropriação de um bem imóvel para a construção de uma estrada. Em outros casos, os bens expropriados serão transferidos a terceiros e ficam no poder do expropriante apenas temporariamente, na chamada integração provisória. São exemplos:</p><p>· Para fins de urbanização (DL n. 3.365/1941, Art. 5º, “i”);</p><p>· Para fins de formação de distritos industriais (DL n. 3.365/1941, Art. 5º, “i”, in fine);</p><p>· Por interesse social (Lei n. 8.629/93, Arts. 18 a 24);</p><p>· Para assegurar o abastecimento da população (Decreto-lei 3.365/41, Art. 5º, “e”);</p><p>· Confiscatória (CRFB/1988, Art. 243);</p><p>· Por zona (Decreto-lei 3.365/41, Art. 4º): poderá abranger área contígua – por exemplo, se o Poder Público deseja construir um viaduto e, para realizar a obra, deverá desapropriar uma área contígua para alocar os tratores ou construir as fundações – ou quando houver valorização extraordinária da área. Poderá ser destinada à revenda.</p><p>Questão: A desapropriação por zona em razão da valorização extraordinária dos terrenos vizinhos se configura como especulação imobiliária, contrária ao atual texto constitucional que, para esses casos, estabelece o dever de o Poder Público valer-se da contribuição de melhoria – ERRADO, a chamada “desapropriação por zona” ou “desapropriação extensiva” encontra previsão no art. 4º do Decreto nº 3.365/1941, que estabelece, in verbis: “Art. 4º A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em qualquer caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se quais as indispensáveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda.”</p><p>13. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA</p><p>Segundo DI PIETRO, é aquela desapropriação que não observa o procedimento legal e os requisitos constitucionais - trata-se de desapropriação ilegal e inconstitucional. Por exemplo, quando não há declaração expropriatória por parte do Estado, ou quando ele não realiza o pagamento da indenização prévia. A atuação a manu militari para a apropriação do bem pelo Estado caracteriza fato administrativo de esbulho possessório, conforme aponta a doutrina. Apesar disso, a jurisprudência e a doutrina acabaram por entender que o ordenamento jurídico poderia albergar a desapropriação indireta, porquanto ela atenderia a outros interesses constitucionalmente tutelados – como a finalidade pública e o princípio da intangibilidade da obra pública.</p><p>Os requisitos são mencionados pelo STJ:</p><p>“(...) A chamada ‘desapropriação indireta’ é construção pretoriana criada para dirimir conflitos concretos entre o direito de propriedade e o princípio da função social das propriedades, nas hipóteses em que a Administração ocupa propriedade privada, sem observância de prévio processo de desapropriação, para implantar obra ou serviço público. Para que se tenha por caracterizada situação que imponha ao particular a substituição da prestação específica (restituir a coisa vindicada) por prestação alternativa (indenizá-la em dinheiro), com a consequente transferência compulsória do domínio ao Estado, é preciso que se verifiquem, cumulativamente, as seguintes circunstâncias: (a) o apossamento do bem pelo Estado, sem prévia observância do devido processo de desapropriação; (b) a afetação do bem, isto é, sua destinação à utilização pública; e (c) a impossibilidade material da outorga da tutela específica ao proprietário, isto é, a irreversibilidade da situação fática resultante do indevido apossamento e da afetação.” (REsp 442.774/SP, j. em 2.6.2015)</p><p>Na ação de desapropriação indireta, o autor da ação será o expropriado e o réu será o Poder Público, como a pessoa jurídica responsável pela incorporação do bem ao patrimônio. Como o objetivo é obter indenização, fala-se que não se trataria de “ação de desapropriação”, por restar apenas a pretensão indenizatória diantedo ocorrência do fato administrativo. Sobre o tema há entendimento sumulado do STJ:</p><p>Súmula 69: “Na desapropriação direta, os juros compensatórios são devidos desde a antecipada imissão na posse e, na desapropriação indireta, a partir da efetiva ocupação do imóvel.”</p><p>Para parte da doutrina, é ação pessoal (CARVALHO FILHO). Entende-se majoritariamente (e no STJ) ser uma ação de natureza real (REsp 944.351/PI, j. em 9.4.2013).</p><p>O foro da ação é o do local do imóvel (STF, RE 111.988, j. em 25.11.1988; STJ, CC 46.771/RJ, j. 24.8.2005).</p><p>Quanto à legitimidade, somente a pessoa jurídica de direito público poderá ocupar o polo passivo, pois somente ela pode realizar a desapropriação indireta. O STJ já autorizou o promissário comprador (REsp 1.024.923, j. em 20.3.2012) e o titular de posse legítima a ocupar o polo ativo (REsp 769.731, j. em 8.5.2007).</p><p>Relativamente à prescrição, prevaleceu o prazo de 20 anos com base na no antigo CC e por força de entendimento sumulado do STJ (Súmula 119). A partir da vigência do CC/2002, o STJ passou a considerar que a desapropriação indireta pressupõe a realização de obras pelo Poder Público ou sua destinação em função da utilidade pública/interesse social, de forma que:</p><p>“(...) é decenal o prazo para pleitear indenização por desapropriação indireta, conforme prevê o parágrafo único do art. 1.238 do Código Civil, em analogia ao prazo prescricional do usucapião extraordinário.” (AgInt no REsp 1.588.535/PE, j. em 2.8.18)</p><p>A questão restou resolvida definitivamente a partir do julgamento do REsp 1.757.352</p><p>· SC, j. 12.2.20, a 1ª Seção do STJ fixou a seguinte tese (recurso repetitivo):</p><p>“O prazo prescricional aplicável à desapropriação indireta, na hipótese em que o Poder Público tenha realizado obras no local ou atribuído natureza de utilidade pública ou de interesse social ao imóvel, é de 10 anos, conforme parágrafo único do art. 1.238 do CC.”</p><p>O prazo de cinco anos previsto no Art. 10 do DL n. 3.365/1941 se aplica às hipóteses de intervenção restritiva sobre a propriedade e a desapropriação indireta é modalidade supressiva, razão pela qual tal prazo não se aplica. Além disso, a previsão da Medida Provisória n. 2.019-48 de 2001, que mencionava expressamente a desapropriação indireta, foi suprimida pela MP 2.109-49/2001.</p><p>O que a pessoa pode fazercaso tenha sofrido uma desapropriação indireta?</p><p>1) Se o bem expropriado ainda não está sendo utilizado em nenhuma finalidade pública: pode ser proposta uma ação possessória com o objetivo de que a pessoa mantenha ou retome a posse do bem.</p><p>2) Se</p><p>o bem expropriado já está afetado a uma finalidade pública: considera-se que houve fato consumado e somente restará ao particular ajuizar uma “ação de desapropriação indireta” a fim de ser indenizado. Nesse sentido é o art. 35 do Decreto-Lei 3.365/41:</p><p>Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos.</p><p>Info 660: Não configura desapropriação indireta quando o Estado se limita a realizar serviços públicos de infraestrutura em gleba cuja invasão por particulares apresenta situação consolidada e irreversível. STJ. 2ª Turma. REsp 1.770.001-AM, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05/11/2019. Não se imputa ao Poder Público a responsabilidade integral por alegada desapropriação indireta quando, em gleba cuja ocupação por terceiros apresenta situação consolidada e irreversível, limita-se a realizar serviços públicos de infraestrutura, sem que tenha concorrido para o esbulho ocasionado exclusivamente por particulares. Assim, na medida em que o Poder Público não pratica o ato ilícito denominado “apossamento administrativo” nem, portanto, toma a propriedade do bem para si, não deve responder pela perda da propriedade em desfavor do particular, ainda que realize obras e serviços públicos essenciais para a comunidade instalada no local.</p><p>Questão: O poder público necessitando, com urgência, construir um anel viário ingressou em imóvel alheio vazio e passou a praticar a terraplanagem do terreno. Assinale a opção que indica a ação adequada que o proprietário do imóvel pode mover em face do poder público: ação de desapropriação indireta, pois o poder público já ingressou no imóvel e pratica atos de dono da área - CERTO, quando o poder público ocupa bem de propriedade particular e nele realiza obras ou implanta serviços públicos sem realizar os procedimentos regulares para a desapropriação deste como, por exemplo, a edição de decreto de utilidade pública e o pagamento de prévia indenização, a hipótese é de desapropriação indireta. Caso nenhuma obra ou serviço público tenha sido implementado no bem, o proprietário pode reaver o bem por meio de ação reivindicatória.</p><p>Questão: Na desapropriação indireta, por força da afetação do bem ao domínio público, ao proprietário prejudicado só resta pleitear indenização pelos prejuízos advindos da perda da propriedade, acrescidos de juros moratórios e compensatórios, incidindo os últimos a partir da data da efetiva ocupação do bem – CERTO, só resta ao particular proprietário do bem pleitear pagamento de justa indenização, através de Ação de Indenização por Desapropriação Indireta. Ressalte-se que os juros moratórios correspondem ao percentual de 6% ao ano (nos moldes do art. 15-B do Decreto-Lei 3.365/41). Já os juros compensatórios começam a incidir a partir do esbulho.</p><p>Questão: É correto afirmar que a chamada desapropriação indireta</p><p>A) não dispensa o cumprimento das exigências previstas no artigo 34 do Decreto-lei n° 3.365/41 para o levantamento do valor indenizatório depositado em juízo – ERRADO, não se aplica o artigo 34 da desapropriação indireta.</p><p>B) decorre da aplicação do princípio da intangibilidade da obra pública a uma situação originada de ato ilícito indenizável praticado pela Administração contra o proprietário ou possuidor.</p><p>C) decorre de apossamento administrativo cuja licitude se funda no princípio da intangibilidade da obra pública e na supremacia do interesse público – ERRADO, o apossamento administrativo opera-se de forma ilícita, sendo equiparado a autêntico esbulho possessório, por inobservância do devido processo legal inerente ao procedimento regular de desapropriação. A única peculiaridade consiste em que, em sendo dada ao bem uma destinação pública, não mais será possível reinvindicá-lo, em vista da afetação ocorrida, o que deságua no pagamento de indenização ao proprietário.</p><p>D) difere da desapropriação por utilidade pública, embora também fundada em decreto da entidade expropriante, por ser a respectiva ação judicial promovida pelo proprietário ou possuidor e não pelo Poder Público – ERRADO, a desapropriação indireta não é fundada em decreto da entidade expropriante, mas, sim, em apossamento irregular do bem, pelo Poder Público.</p><p>Questão: Assinale a opção correta a respeito da desapropriação indireta.</p><p>A) Se a administração conferir destinação pública a determinado bem, o particular prejudicado poderá recorrer a ações possessórias, reivindicatórias e indenizatórias – ERRADO, uma vez já incorporado o bem pelo Poder Público, só cabe ao particular requerer indenização pelo valor real e atualizado do imóvel, que na apropriação indireta será posterior a perda do bem. Só caberia as ações possessórias se o particular, diante da ameaça de perda do imóvel, impetrar a proteção possessória ANTES do fato administrativo da desapropriação indireta.</p><p>B) O juízo competente para processar e julgar a desapropriação indireta é o do foro de situação do bem – CERTO, trata-se de ação real, com foro do local do imóvel.</p><p>C) A afetação do bem particular a um fim público constitui forma de transferência da propriedade – ERRADO, afetação se liga ao tema bens públicos. O bem afetado significa que está sendo utilizado para determinado fim público, seja diretamente pelo Estado, seja o uso pelas pessoas em geral. A questão da afetação ou desafetação está ligada a finalidade do bem público, e não sobre propriedade.</p><p>Prazo da ação de desapropriação indireta: é o mesmo prazo da usucapião extraordinária. Enquanto não tiver passado o prazo da usucapião extraordinária, o particular pode ajuizar a ação de desapropriação indireta, com base no prazo do art.1238 do CC. Desse modo:</p><p>a) Se foram feitas obras ou serviços públicos no local: 10 anos.</p><p>b) Se não foram feitas: 15 anos.</p><p>Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo.</p><p>Info 658: Em regra, portanto, o prazo prescricional das ações indenizatórias por desapropriação indireta é de 10 anos porque existe uma presunção relativa de que o Poder Público realizou obras ou serviços públicos no local. Admite-se, excepcionalmente, o prazo prescricional de 15 anos, caso a parte interessada comprove, concreta e devidamente, que não foram feitas obras ou serviços no local, afastando a presunção legal. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.575.846-SC, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 26/06/2019.</p><p>Info 671: O prazo prescricional aplicável à desapropriação indireta, na hipótese em que o Poder Público tenha realizado obras no local ou atribuído natureza de utilidade pública ou de interesse social ao imóvel, é de 10 anos, conforme parágrafo único do art. 1.238 do CC. STJ. 1ª Seção. REsp 1757352-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12/02/2020</p><p>Desse modo, a súmula 119 do STJ está cancelada: “A ação de desapropriação indireta prescreve em vinte anos”.</p><p>Info 662: Em ação de desapropriação indireta é cabível reparação decorrente de limitações administrativas. STJ. 1ª Turma. REsp 1.653.169-RJ, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/11/2019. Imóvel do particular foi incluído em unidade de conservação. Houve, no caso, uma limitação administrativa. Ele ajuizou ação de desapropriação indireta pedindo indenização. Mesmo não tendo havido desapropriação indireta, mas sim mera limitação administrativa, o juiz deverá conhecer da ação e julgar seu mérito. Devem ser observados os princípios da instrumentalidade das formas e da primazia da solução integral do mérito.</p><p>A ação de desapropriação indireta – assim como ocorre com a ação pedindo o pagamento</p><p>de indenização por limitação administrativa – também é uma ação de natureza pessoal. Na ação de desapropriação indireta também se está buscando um direito pessoal, qual seja, uma indenização. Não se está pleiteando a retomada da propriedade do bem (direito real). Na ação de desapropriação indireta, o autor já sabe que perdeu a propriedade do bem e quer apenas ser ressarcido por isso. Conforme explica José dos Santos Carvalho Filho:</p><p>“extinguiu-se a relação de direito real com a transferência coativa da propriedade. Sendo assim, restou relação de caráter meramente indenizatório, razão por que melhor seria sua caracterização como ação pessoal.” (Manual de Direito Administrativo. 31ª ed., São Paulo: Atlas, 2017, p. 934).</p><p>Tema repetitivo 1004: Reconhecida a incidência do princípio da boa-fé objetiva em ação de desapropriação indireta, se a aquisição do bem ou de direitos sobre ele ocorrer quando já existente restrição administrativa, fica subentendido que tal ônus foi considerado na fixação do preço. Nesses casos, o adquirente não faz jus a qualquer indenização do órgão expropriante por eventual apossamento anterior. Excetuam-se da tese hipóteses em que patente a boa-fé objetiva do sucessor, como em situações de negócio jurídico gratuito ou de vulnerabilidade econômica do adquirente. STJ. 1ª Seção. REsp 1750660/SC, Rel. Min. Gurgel De Faria, Rel. p/ Acórdão Min. Herman Benjamin, julgado em 10/03/2021.</p><p>Desse modo, a ação de desapropriação indireta é proposta, em regra, pelo proprietário do bem que foi esbulhado. Quem adquire imóvel após limitação, apossamento ou esbulho administrativo não pode cobrar, em nome próprio e por meio de ação de desapropriação indireta, indenização por dano que não sofreu. EXCEÇÃO: O adquirente terá legitimidade para propor a ação se for patente a sua boa-fé objetiva, que será verificada nas seguintes hipóteses: a) caso se trate de negócio jurídico gratuito; ou b) caso o adquirente seja vulnerável econômico. Em ambos há presunção relativa de boa-fé objetiva, de moralidade e de inexistência de enriquecimento sem causa.</p><p>Info 493: O promissário comprador do imóvel tem direito de receber a indenização no caso deste imóvel ter sofrido desapropriação indireta, ainda que esta promessa não esteja registrada no Cartório de Registro de Imóveis. STJ. 2ª Turma. REsp 1204923-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/3/2012</p><p>A responsabilização do Estado na indenização decorrente de limitação administrativa somente ocorre se a aquisição do imóvel tiver ocorrido antes da restrição administrativa. STJ. 1ª Seção. AR 2075/PR, Rel. Min. Denise Arruda, Rel. p/ Acórdão Min. Humberto Martins, julgado em 27/5/2009.</p><p>14. APOSSAMENTO ADMINISTRATIVO</p><p>Segundo leciona CARVALHO FILHO, o apossamento administrativo difere da desapropriação indireta pelo seguinte fator: enquanto a desapropriação indireta é atingido o direito de propriedade, no apossamento administrativo a posse do bem é que será atingida. O Poder Público assumirá a posse do bem e passará a utilizá-lo de forma contínua e duradoura em prol do interesse público. Por tal razão, entende-se o apossamento administrativo como um dos requisitos para que se configure a desapropriação indireta. Poderá existir hipótese em que haja o apossamento, mas não ocorra desapropriação indireta. O próprio DL n. 3.365/1941 utiliza os termos como hipóteses diversas (Art. 15-A, § 3º).</p><p>DL n. 3.365/1941 – Art. 15-A § 3o O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de indenização por apossamento administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações que visem a indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público, em especial aqueles destinados à proteção ambiental, incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença.</p><p>CARVALHO FILHO aponta que o apossamento administrativo irá gerar a perda da propriedade junto à perda do bem, mas que será possível somente a perda da posse, a exemplo de um apossamento de um bem público federal por um Estado, que esbarra na vedação legal (DL n. 3.365/1941, Art. 2º, § 2º).</p><p>15. RETROCESSÃO</p><p>É o direito que surge para o particular de exigir de volta o imóvel se o Poder Público não o destinar para o que se desapropriou (DI PIETRO) e não der ao bem o destino declarado o ato expropriatório (MEIRELLES). Por exemplo, um imóvel é desapropriado para construir uma estrada, mas o Poder Público não constrói – neste caso, o particular terá direito de pedir o bem de volta.</p><p>Discute-se sobre a previsão, no CC/2002, sobre eventual direito de preferência do expropriado (Art. 519), o que caracterizaria um direito pessoal, e não um direito real. Disto decorre que seria possível o bem ser desapropriado para um determinado fim – como a construção da estrada – e o Poder Público acabar utilizando esse bem para outro interesse público – como a construção de uma escola. Neste caso, há tredestinação lícita - alteração da finalidade pública de um bem expropriado para outra finalidade, também pública, caso em que não há direito à retrocessão. MEIRELLES aponta que, neste caso, manteve-se a finalidade genérica.</p><p>CC – Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa.</p><p>Fala-se em tredestinação ilícita, por sua vez, se houver mudança da destinação do bem sem que seja atendido qualquer interesse público – haverá direito à retrocessão. Importante ressaltar que existe vedações legais à tredestinação lícita, como no imóvel desapropriado para implantação de parcelamento popular, destinado às classes de menor renda (Art. 5º, § 3º, DL n. 3.365/1941); na desapropriação confiscatória (CRFB/1988, Art. 243); na desapropriação sancionatória de imóvel rural, sempre para fins de reforma agrária (CRFB/1988, Art. 184). Em tais casos, há vinculação do Poder Público no sentido de utilizar o bem tal como determinado.</p><p>DL n. 3.365/1941 – Art. 5º §3º Ao imóvel desapropriado para implantação de parcelamento popular, destinado às classes de menor renda, não se dará outra utilização nem haverá retrocessão.</p><p>Há três correntes doutrinárias – citadas pelo STJ no REsp 943.604/CE:</p><p>· 1ª corrente (HELY LOPES MEIRELLES; CARVALHO FILHO): não existe mais retrocessão no direito brasileiro, por vedação expressa do Art. 35 do DL n. 3.365/1941, segundo o qual “os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda – restaria apenas o direito de preempção (preferência) do direito civil, com eficácia obrigacional (direito pessoal), conforme o Art. 519. CC.</p><p>DL n. 3.365/1941 - Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos.</p><p>· 2ª corrente (CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO; SEABRA FAGUNDES; CRETELLA JR.): permanece a retrocessão, quanto direito real, caso o bem não tenha sido utilizado para a finalidade pública que justificou a desapropriação. O art. 35 do DL n. 3.365/1941 deverá ser interpretado à luz da CRFB/1988 e só seria aplicável se a desapropriação tenha atendido os requisitos constitucionais.</p><p>· 3ª corrente (DI PIETRO): a retrocessão é direito de natureza mista (pessoal e real) – o expropriado escolherá se prefere o bem de volta ou apenas ser a indenização por perdas e danos, caso o Poder Público não dê ao imóvel uma destinação pública. Não será possível pedir de volta o bem se ele tiver sofrido profundas alterações ou já tiver sido transferido a terceiro – nestes casos, será possível pleitear a indenização, somente.</p><p>Embora não exista consenso na jurisprudência dos Tribunais Superiores, parece prevalecer a tese que atribui à retrocessão natureza real. A título exemplificativo, o STJ, no AgRg nos EDcl no Ag 1.069.903/MS, j. em 03.09.2009, entendeu que “a retrocessão constitui-se direito real do ex-proprietário de reaver o bem expropriado, mas não preposto a finalidade</p><p>pública.”; no REsp 623.511/RJ, j. 19.5.2005 houve referência explícita à doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello (segunda corrente).</p><p>No STF, há um julgado antigo que reconheceu a existência de mero direito pessoal de pleitear indenização (RE 99.571/ES, j. em 14.10.83); no RE 104.591, j. em 18.04.1986, foi reconhecida a natureza real.</p><p>Entender que a retrocessão tem natureza pessoal traz como consequência o prazo prescricional quinquenal (DL n. 20.910/32, Art. 1º); se a natureza for real, o prazo será de dez anos (CC, Art. 205), segundo DI PIETRO.</p><p>Para o STJ, incide o prazo de dez anos (natureza real), seja com base no CC/2002 (Art. 205), seja com base no Art. 177 do CC/1916 (REsp 623.511/RJ, j. 19.5.2005). No mesmo sentido entendeu o STF:</p><p>“Retrocessão. Aplica-se-lhe o prazo de prescrição de dez anos, previsto no art. 177 do Código Civil e não o quinquenal, estabelecido pelo Decreto nº 20.910-32. (...)” (RE 104.591/RS, DJU de 16.5.1986)37</p><p>Importante trazer, ainda, dois outros conceitos:</p><p>· Adestinação: o Poder Público permanece omisso em utilizar o bem para alguma finalidade pública.</p><p>CARVALHO FILHO aponta que, diante da ausência de prazo legal, somente a demonstração da intenção inequívoca da desistência do Poder Público é que haveria direito à retrocessão. Apesar da controvérsia, pode-se apontar como majoritária a corrente que diz que a mera omissão do Estado não configura tredestinação e não gera direito à retrocessão (OLIVEIRA).</p><p>· Desdestinação: há supressão da afetação do bem desapropriado – o bem utilizado para um fim público, posteriormente, é desafetado.</p><p>Segundo OLIVEIRA, não haveria direito de retrocessão, porquanto o bem chegou a ser efetivamente utilizado na satisfação do interesse público.</p><p>Questão: O Poder Público realizou desapropriação de um imóvel para fins de implantação de parcelamento popular, destinado a classes de menor renda, tendo posteriormente publicado edital de licitação para construção, em toda a extensão da área expropriada, de uma grande escola pública. Com base no caso concreto, atento ao direito positivo e à doutrina sobre o tema, é correto afirmar que</p><p>A) o direito de retrocessão somente seria cabível, no presente caso, se a administração conferisse ao bem uma nova destinação destituída de finalidade pública – ERRADO, considerando que se trata de desapropriação para fins de parcelamento do solo, não há direito à retrocessão, nos termos do art.5º, §3º.</p><p>B) permanecendo o bem destinado a outra finalidade pública, está configurada a tredestinação lícita – ERRADO, no caso de desapropriação para fins de parcelamento do solo não é possível considerar que a destinação diversa, mesmo pública, seja lícita, por exemplo.</p><p>C) se configura ilícita a referida destinação, desconforme com o plano inicialmente previsto, pelo que o Ministério Público poderá pleitear a invalidação do edital, exigindo judicialmente que se cumpra o destino para o qual se desapropriou o bem – CERTO, pois não é possível que se dê outra destinação quando houver desapropriação para implantação de parcelamento popular.</p><p>Questão: Tredestinação ou tresdestinação é a modificação legítima realizada no decorrer do procedimento expropriatório, viabilizada pela supremacia do interesse público, que possibilita a alteração de uma desapropriação por utilidade pública em desapropriação por necessidade pública e vice-versa, caracterizando mero desvio de finalidade genérico – ERRADO, a tredestinação, que ocorre quando o expropriante confere ao bem finalidade diversa da inicialmente prevista, nem sempre é legítima, pois poderá ocorrer para satisfazer interesses privados. Portanto, a tredestinação lícita ocorre quando o interesse público genérico permanece, embora o interesse específico tenha mudado; a tredestinação ilícita ocorre quando não se mantém o interesse público.</p><p>Questão: O desvio de finalidade genérico possibilita a retrocessão, consequência que não ocorre no desvio de finalidade específico, caso em que poderá ser convalidado o desvio, ressalvados alguns casos previstos em lei, como a desapropriação destinada à implantação de parcelamento popular, destinado às classes de menor renda – CERTO, a retrocessão não se aplica quando há desvio de interesse específico, quando o interesse público proposto inicialmente é modificado, mas continua sendo de interesse público. Neste caso, é possível, pois, a convalidação do desvio.</p><p>16. DIREITO DE EXTENSÃO</p><p>Caso o Poder Público precise desapropriar apenas uma parte do imóvel e a parte restante se tornar inaproveitável, o proprietário terá o direito de pleitear a inclusão da área remanescente no total da indenização. Neste caso, o remanescente resulta esvaziado de seu conteúdo econômico (CARVALHO FILHO).</p><p>O direito de extensão se fundamenta pelo abuso do direito. No âmbito do direito positivo existe polêmica. CARVALHO FILHO e MEIRELLES reconhecem a previsão no Art. 12 do Decreto federal n. 4.956/1903, o qual não foi revogado expressamente pelo DL n. 3.365/1941 – embora tenha sido revogado pelo Decreto n. 11/1991 (Art. 4º).</p><p>De todo modo, CARVALHO FILHO menciona outras leis especiais que previram o direito de extensão, como a Lei n. 4.504/64 (Estatuto da Terra) e a LC n. 76/1993 (desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária) - é possível defender que o direito de extensão valeria para as demais modalidades de desapropriação.</p><p>LC n. 76/1993 - Art. 4º Intentada a desapropriação parcial, o proprietário poderá requerer, na contestação, a desapropriação de todo o imóvel, quando a área remanescente ficar: I - reduzida a superfície inferior à da pequena propriedade rural; ou II - prejudicada substancialmente em suas condições de exploração econômica, caso seja o seu valor inferior ao da parte desapropriada.</p><p>Questão: O proprietário de imóvel rural para o qual tenha sido intentada ação de desapropriação parcial, restando área remanescente reduzida a superfície inferior à de pequena propriedade rural, tem direito de requerer, na contestação, que todo o imóvel seja desapropriado, salvo se a finalidade da desapropriação for a reforma agrária – ERRADO.</p><p>Info 808: Admite-se a aplicação subsidiária do Direito de Extensão aos casos de desapropriação por necessidade ou utilidade pública previsto na Lei Complementar 76/1993 quando a área remanescente for reduzida à superfície inferior a da pequena propriedade rural. STJ. 1ª Turma. REsp 1.937.626-RO, Rel. Min. Regina Helena Costa, Rel. para acórdão Min. Gurgel de Faria, julgado em 12/3/2024</p><p>image1.jpeg</p><p>image2.jpeg</p><p>image3.jpeg</p><p>image4.png</p><p>o Poder Público Municipal tem preferência para adquirir o imóvel urbano objeto de alienação onerosa entre particulares (Art. 25, Lei n. 10.257/2001). Será fixado em lei local por prazo não superior a cinco anos, renovável a partir de um ano após o decurso do prazo inicial de vigência (Art. 25, § 1º).</p><p>Lei n. 10.257/2001 – Art. 25. O direito de preempção confere ao Poder Público municipal preferência para aquisição de imóvel urbano objeto de alienação onerosa entre particulares.</p><p>Art. 25 § 1º Lei municipal, baseada no plano diretor, delimitará as áreas em que incidirá o direito de preempção e fixará prazo de vigência, não superior a cinco anos, renovável a partir de um ano após o decurso do prazo inicial de vigência.</p><p>O Art. 26 enumera os requisitos para o exercício do direito de preempção municipal. Dentre as obrigações impostas ao proprietário, destaca-se a de notificar sua intenção de alienar o imóvel para que o Município, no prazo máximo de trinta dias, manifeste seu interesse na compra (Art. 27). Será nula de pleno direito a alienação processada em condições diversas da proposta apresentada (Art. 27, § 5º). Será possível a aquisição do imóvel, pelo Município, pelo valor da base de cálculo do IPTU ou pelo valor indicado na proposta apresentada (Art. 27, § 6º, Lei n. 10.257/2001) – se a pessoa vender o imóvel por um valor inferior ao que tiver sido notificado, a alienação será tida como nula e o imóvel deverá ser vendido por valor mais baixo.</p><p>Por outro lado, DI PIETRO cita o parcelamento e a edificação compulsórios como formas específicas de restrição do Estado na propriedade. Para CARVALHO FILHO, se tratam de limitação administrativa.</p><p>Questão: O Estado, no exercício do poder de polícia, pode restringir o uso da propriedade particular por meio de obrigações de caráter geral, com base na segurança, na salubridade, na estética, ou em outro fim público, o que, em regra, não é indenizável. Essa forma de exercício do poder de polícia pelo Estado corresponde a: limitação administrativa.</p><p>Info 657: A qualificação de imóvel como estação ecológica limita o direito de propriedade, o que afasta a incidência do IPTU. STJ. 2ª Turma. REsp 1.695.340-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17/09/2019. A inclusão do imóvel do particular em Estação Ecológica representa uma evidente limitação administrativa imposta pelo Estado, ocasionando o esvaziamento completo dos atributos inerentes à propriedade,retirando-lhe o domínio útil do imóvel. Além disso, o art. 49 da Lei nº 9.985/2000 estabelece que a área de umaunidade de conservação de proteção integral é considerada zona ruralpara efeitos legais, motivo pelo qual não incide IPTU, mas sim ITR,sendo este último tributo de competência tributária exclusiva da União.</p><p>As limitações administrativas, em regra, são: a) Atos legislativos ou administrativos de caráter geral (leis, decretos, resoluções etc.); b) Definitivas (tendem a ser definitivas, podendo, no entanto, ser revogadas ou alteradas); c) Unilaterais (impõem obrigações apenas ao proprietário); d) Gratuitas (porque o Estado não precisa pagar indenização aos proprietários); e) Intervenções que restringem o caráter absoluto da propriedade.</p><p>(...) Sendo imposições de natureza genérica, as limitações administrativas não rendem ensejo a indenização, salvo comprovado prejuízo. (...). STJ. 2ª Turma. REsp 1233257/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 16/10/2012.</p><p>Info 786: Tratando-se de limitação administrativa, em regra, é indevido o pagamento de indenização aos proprietários dos imóveis abrangidos em área delimitada por ato administrativo, a não ser que comprovem efetivo prejuízo, ou limitação além das já existentes.</p><p>4. OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA</p><p>Embora DI PIETRO cite a utilização transitória de imóvel como uma das características da ocupação temporária, a doutrina em massa entende que a lei poderá estabelecer, excepcionalmente, a ocupação temporária sobre bens móveis.</p><p>O uso transitório do imóvel particular não vai se dar exclusivamente diante de perigo público iminente, mas para atingir interesse público em geral – como meio de apoio à execução de obras e serviços públicos, conforme lição de CARVALHO FILHO.</p><p>O fundamento legal (Art. 36, Decreto-lei n. 3.365/1941), extrai-se que a ocupação temporária será remunerada, quando ligada a obras públicas, e se vinculará ao processo de desapropriação.</p><p>Decreto-lei n. 3.365/1941 – Art. 36. É permitida a ocupação temporária, que será indenizada, afinal, por ação própria, de terrenos não edificados, vizinhos às obras e necessários à sua realização.</p><p>O expropriante prestará caução, quando exigida.</p><p>CARVALHO FILHO alerta a possibilidade de existirem ocupações temporárias para as demais obras e serviços, não necessariamente mediante remuneração ou vinculadas ao processo de desapropriação - como os de escolas, clubes e estabelecimentos privados por ocasião das eleições.</p><p>Há hipótese de ocupação provisória no âmbito das licitações, conforme previsão na Lei n. 8.666/1993 (Art. 58, inciso V) e na Lei n. 14.133/2021 (Art. 104, inciso V). Tais casos são exceções à afirmação da doutrina majoritária de que a ocupação temporária somente incidiria sobre bens imóveis, porquanto, naquelas hipóteses, haverá ocupação sobre bens móveis e sobre serviços.</p><p>Lei n. 8.666/1993 – Art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta Lei confere à Administração, em relação a eles, a prerrogativa de: V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato administrativo.</p><p>14 Lei n. 14.133/2021 - Art. 104. O regime jurídico dos contratos instituído por esta Lei confere à Administração, em relação a eles, as prerrogativas de: V - ocupar provisoriamente bens móveis e imóveis e utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato nas hipóteses de: a) risco à prestação de serviços essenciais; b) necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, inclusive após extinção do contrato.</p><p>Questão: Na hipótese de rescisão unilateral de contrato administrativo, a administração pública poderá promover a apropriação provisória dos bens e do serviço vinculado ao objeto do contrato para evitar a interrupção de sua execução. Essa medida representa uma cláusula exorbitante que se materializa em intervenção do Estado na propriedade privada na modalidade denominada: ocupação temporária</p><p>Segundo DI PIETRO, apesar de a ocupação temporária se aproximar da servidão administrativa em razão de ambas afetarem a exclusividade do direito de propriedade, apenas na ocupação haverá o caráter transitório, ao passo que na servidão administrativa o caráter será perpétuo.</p><p>A possibilidade de indenização vai depender da modalidade da ocupação. Se houver vinculação à desapropriação, incidirá ao final e em ação própria o dever de indenizar (Art. 36, Decreto-lei n. 3.365/1941); se não houver vinculação, em regra inexistirá dever de indenizar, a não ser que o particular comprove o prejuízo. Para praticamente todas as hipóteses de restrição, o seguinte raciocínio poderá ser utilizado: como o dever de indenizar pressupõe a ocorrência de prejuízo, deverá ser analisado caso a caso a presença ou não desse prejuízo, a não ser que exista previsão legal regulamentando de forma diversa.</p><p>5. REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA</p><p>Segundo CARVALHO FILHO, o Estado utilizará bens particulares, sejam móveis, imóveis ou serviços particulares quando houver perigo público iminente, para fins militares ou civis (CRFB, Art. 5º, inciso XXV). Fala-se em indenização ulterior, pois ela poderá ser devida quando cessar a iminência do perigo público, no caso de haver dano.</p><p>CRFB/1988 – Art. 5º XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;</p><p>Art. 170. A ordem econômica, fundada na</p><p>valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) III - função social da propriedade;</p><p>A requisição administrativa tem fundamentos político e jurídico: a) fundamento político: a existência de necessidade pública; b) fundamento jurídico genérico: a função social da propriedade; c) fundamento jurídico específico: iminente perigo público. Não depende da aquiescência do particular nem precisa de prévia autorização do Poder Judiciário, tendo como único pressuposto a necessidade de atendimento de uma situação de perigo público iminente.</p><p>A requisição administrativa afetará o caráter perpétuo e irrevogável do direito de propriedade quando recai sobre bens móveis fungíveis, caso em que se assemelha à desapropriação – mas, diferentemente desta, na requisição a indenização é posterior e a imissão na posse do bem não depende de autorização judicial. Já quando recai sobre bem</p><p>imóvel, a requisição se assemelha à ocupação temporária.</p><p>Ressalta-se que somente a União, em regra, pode regular a requisição (Art. 22, inciso III, CRFB/1988) – salvo se houver delegação dessa regulação aos Estados via lei complementar (Art. 22, parágrafo único).</p><p>Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra;</p><p>Art. 22. Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo.</p><p>A requisição administrativa, regra geral, somente será cabível sobre bens e serviços particulares (Art. 5º, inciso XXV, CRFB/1988). Excepcionalmente, admite-se a requisição de bens e serviços públicos nos casos de legalidade extraordinária – como as hipóteses de estado de defesa (CRFB/1988, Art. 136, § 1º, inciso II) e de estado de sítio (CRFB/1988, Art. 139, incisos VI e VIII), conforme julgados antigos do STF (MS 25.295/DF, DJ de 5.10.2007).</p><p>CRFB/1988 – Art. 136 § 1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes: II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de calamidade pública, respondendo a União pelos danos e custos decorrentes.</p><p>Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com fundamento no art. 137, I, só poderão ser tomadas contra as pessoas as seguintes medidas: VI - intervenção nas empresas de serviços públicos; VII - requisição de bens.</p><p>Recentemente, o STF decidiu no mesmo sentido:</p><p>“(...) é incabível a requisição administrativa, pela União, de bens insumos contratados por unidade federativa e destinados à execução do plano local de imunização, cujos pagamentos já foram empenhados”. Isso porque a requisição administrativa não pode se voltar contra bem ou serviço de outro ente federativo, de maneira a que haja indevida interferência na autonomia de um sobre outro. Com efeito, “na linha da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ressalvadas as situações fundadas no estado de defesa e no estado de sítio (CF, arts. 136, § 1º, II; 139, VII), os bens integrantes do patrimônio público estadual e municipal acham-se excluídos do alcance do poder que a Lei Magna outorgou à União (CF, art. 5º, XXV).” (ACO 3.463 MC-Ref/SP, j. 8.3.21 – Informativo 1008).</p><p>Info 1059: A requisição administrativa “para atendimento de necessidades coletivas, urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção de epidemias” — prevista na Lei Orgânica do Sistema Único de Saúde (Lei nº 8.080/1990) — não recai sobre bens e/ou serviços públicos de outro ente federativo. STF. Plenário. ADI 3454/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2022</p><p>Art. 15. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios exercerão, em seu âmbito administrativo, as seguintes atribuições: (...) XIII - para atendimento de necessidades coletivas, urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção de epidemias, a autoridade competente da esfera administrativa correspondente poderá requisitar bens e serviços, tanto de pessoas naturais como de jurídicas, sendo-lhes assegurada justa indenização;</p><p>Info 1080: É incabível a requisição administrativa, pela União, de bens insumos contratados por unidade federativa e destinados à execução do plano local de imunização, cujos pagamentos já foram empenhados. A requisição administrativa não pode se voltar contra bem ou serviço de outro ente federativo. Isso para que não haja indevida interferência na autonomia de um sobre outro.</p><p>STF. Plenário. ACO 3463 MC-Ref/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 8/3/2021</p><p>Questão: Com relação à requisição administrativa de leitos, medicamentos e insumos, feita pelo Poder Público, em razão de pandemia por COVID-19, assinale a afirmativa correta.</p><p>A) Constitui limitação constitucional à propriedade privada, através de ato de império do Poder Público, bastando a demonstração da necessidade e do perigo público iminente.</p><p>B) Na requisição administrativa será garantida a indenização prévia do dano ao particular.</p><p>C) Além do aspecto legal, o Poder Judiciário pode acrescentar outras medidas políticas que entende cabíveis, a serem adotadas na requisição, além daquelas estabelecidas pelo Executivo – ERRADO, não pode o Poder Judiciário acrescentar medidas políticas a serem adotadas na requisição não previstas na Constituição ou na lei.</p><p>D) Não cabe ao Poder Judiciário a fixação do valor da indenização, que deve ser estabelecida posteriormente ao ato de intervenção na propriedade privada – ERRADO, cabe ao Poder Judiciário, se não houver acordo entre o proprietário e a administração pública, fixar o valor da justa indenização, posteriormente ao ato de intervenção na propriedade privada.</p><p>Questão: Quanto ao poder de requisição administrativa da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, é correto afirmar: havendo uma situação de perigo e urgência, a autoridade competente pode determinar a imposição de limitação ao direito de propriedade dos particulares, com indenização posterior no caso de dano – CERTO.</p><p>Questão: Em razão de uma intensa chuva, diversas casas de determinado município foram inundadas, o que obrigou os moradores a deixarem suas residências. Por essa razão, o prefeito do município cogitou abrigá-los no ginásio de uma escola particular que funciona na cidade. Nessa situação hipotética: o município poderia realizar a requisição administrativa do ginásio particular, independentemente de procedimento administrativo prévio, até a extinção da situação de perigo, mas seria devida indenização ao particular caso se constatasse dano decorrente da utilização do citado espaço.</p><p>6. SERVIDÃO ADMINISTRATIVA</p><p>No Código Civil, a servidão pressupõe a existência da coisa dominante, ao passo que a servidão administrativa consiste em serviço público ou um bem, sempre afetado à realização de um serviço público. DI PIETRO menciona o exemplo da servidão de energia elétrica, em que a coisa serviente seria o prédio particular que recebe as linhas de transmissão, ao passo que a coisa dominante seria o serviço público de energia pública.</p><p>Não será necessário o consentimento do particular ou de prévia decisão judicial para que a Administração onere a propriedade privada pela servidão administrativa, embora seja exigida autorização legal. Será titular do direito real o ente instituidor – União, Estados, DF, Municípios e Territórios – ou aquele que recebe delegação do Poder Público</p><p>· pessoas jurídicas autorizadas por lei ou por contrato.</p><p>Podem ser objeto de servidão administrativa os bens imóveis específicos e individualizados. Para parcela minoritária da doutrina, incluem-se os bens móveis (LUCIA VALLE FIGUEIREDO) e os serviços (ADILSON DE ABREU DALLARI).</p><p>Questão: a servidão administrativa, direito real público que autoriza o poder público a usar</p><p>a propriedade imóvel para a execução de obras e serviços de interesse coletivo, pode incidir tanto sobre bem privado quanto público – CERTO.</p><p>CARVALHO FILHO defende a ideia de que, assim como ocorre na desapropriação, não é possível que o Município institua servidão sobre imóveis estaduais e federais e nem que o Estado o faça sobre imóveis federais (a pessoa “federativa” menor não poderia instituir servidão sobre o ente “maior”).</p><p>São fases de constituição da servidão:</p><p>a) Por lei, sem necessidade de se registrar a servidão (polêmica);</p><p>b) Por acordo formal por escritura pública, precedido de declaração de utilidade pública. Há acordo entre o Poder Público e o particular com fim especificado em decreto do chefe do Poder Executivo – não há autoexecutoriedade.</p><p>c) Por sentença judicial, quando não há acordo ou quando são adquiridas por usucapião, caso em que o Estado promoverá a ação pertinente, após o decreto declaratório da necessidade pública – mesmo procedimento da desapropriação (Art. 40, Decreto-lei n. 3.365/1941) – não há autoexecutoriedade.</p><p>Nos dois casos (sem polêmica) não há autoexecutoriedade, o que torna necessário realizar acordo ou provocar o poder judiciário. É necessário inscrever a servidão administrativa no Registro de Imóveis para a produção dos efeitos erga omnes (Lei n. 6.015/1973, art. 167, inciso I, item 6).</p><p>Lei n. 6.015/1973 - Art. 167. No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos: I - o registro: 6) das servidões em geral;</p><p>Entretanto, a jurisprudência confere um direito à proteção possessória diante da servidão permanente, mesmo que não formalizada, conforme entendimento sumulado do STF:</p><p>Súmula 415. Servidão de trânsito não titulada, mas tornada permanente, sobretudo pela natureza das obras realizadas, considera-se aparente, conferindo direito à proteção possessória.</p><p>Já sobre as servidões administrativas ex vi legis, a polêmica gira em torno das classificações trazidas pela doutrina. Para DI PIETRO, seriam exemplos de servidões administrativas: servidões sobre terrenos marginais (Lei n. 1.507/1867; Decreto n. 4.105/1868; Decreto n. 24.643/1934), a servidão a favor das fontes de água mineral, termal ou gasosa e dos recursos hídricos (Decreto-lei n. 7.841/45), a servidão sobre prédios vizinhos de obras ou imóvel pertencente ao patrimônio histórico e artístico nacional (Decreto-lei n. 25/37), a servidão militar (Decreto-lei n. 3.437/41), a servidão de aqueduto (Decreto n. 24.643/1867) e a servidão de energia elétrica (Decreto n. 35.851/54). Já para CARVALHO FILHO, todas as hipóteses citadas seriam exemplos de limitações administrativas genéricas, porquanto a instituição por lei afeta os destinatários de maneira indeterminada.</p><p>Por serem perpétuas/permanentes, as servidões administrativas não são, a princípio passíveis de extinção pelo mero uso, conforme lição de DI PIETRO. Podem, entretanto, ser extintas por desafetação (cessação do interesse público inicial) ou pela incorporação do bem ao patrimônio público ou quando há desaparecimento do bem sujeito à servidão, a exemplo de um terremoto. Além disso, por estarem fora do comércio, não se sujeitam à prescrição, penhora ou alienação.</p><p>Regra geral, a servidão administrativa não irá permitir a indenização se não for gerado prejuízo ao particular. Entretanto, caso ocorra prejuízo, será possível a indenização, a qual não poderá ser o mesmo valor do imóvel, conforme alerta CARVALHO FILHO. A indenização, além de condicionada à comprovação de prejuízo, deverá ser prévia. Incluem-se na indenização as seguintes parcelas: juros moratórios, atualização monetária, honorários de advogado e despesas judiciais, tal como ocorre nas desapropriações.</p><p>A prescrição da pretensão indenizatória se em cinco anos (Art. 10, parágrafo único, Decreto-lei n. 3.365/1941), a contar do momento em que o direito é restringido por ato do Poder Público. Isso vale para a requisição, a ocupação temporária e o tombamento, incluídas as limitações administrativas nos casos excepcionais.</p><p>Decreto-lei n. 3.365/1941- Art. 10. Parágrafo único. Extingue-se em cinco anos o direito de propor ação que vise a indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público.</p><p>Questão: Sobre a servidão administrativa é correto afirmar que: carrega consigo um interesse público corporificado, palpável, que permite usufruir de uma vantagem prestada.</p><p>Questão: A servidão administrativa</p><p>A) dispensa registro, se decorrente diretamente de lei, porque o ônus se constitui no momento em que a lei é promulgada.</p><p>B) não pode gravar bens de domínio público, pois não se pode estabelecer uma relação de sujeição sobre essa modalidade de bem – ERRADO, a doutrina defende tranquilamente a possibilidade da instituição de servidões sobre bens públicos, contanto que seja observada a hierarquia federativa</p><p>C) é forma de limitação do Estado à propriedade privada que se caracteriza pela utilização transitória – ERRADO, pois, em regra, a servidão é permanente.</p><p>D) sempre acarretará indenização ao proprietário do imóvel serviente, haja vista que limitará seu direito à fruição do bem – ERRADO, o pagamento de indenização em favor do proprietário do prédio serviente é apenas uma regra geral, que pressupõe, todavia, a presença de efetivo prejuízo por ele experimentado. Com efeito, sem danos, nada há a ser indenizado</p><p>questão: Assinale a opção que indica a denominação dada ao ônus real de uso instituído pela administração pública sobre determinado imóvel privado para atendimento do interesse público, mediante indenização dos prejuízos efetivamente suportados: servidão administrativa.</p><p>Info 756: É cabível a avaliação pericial provisória como condição à imissão na posse nas ações regidas pelo Decreto-Lei nº 3.365/41, quando não observados os requisitos previstos no art. 15, § 1º, do referido diploma. STJ. 2ª Turma. AREsp 1.674.697-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 08/11/2022</p><p>Desse modo, no procedimento de avaliação do bem, para fins de imissão provisória da posse, deve haver um breve contraditório a fim de que as partes auxiliem o avaliador na aquilatação do bem, de forma que, depois da manifestação de todos esses sujeitos processuais, o magistrado poderia determinar a complementação do valor ofertado inicialmente. Diante disso, a correta leitura do caput do art. 15 do DL 3.365/41 deve ser a de que: em regra, para haver a imissão provisória na posse o ente público interventor deve cumulativamente: a) alegar urgência; e b) depositar a quantia apurada, mediante contraditório, em avaliação prévia, da qual pode resultar inclusive a complementação da oferta inicial.</p><p>Essa regra geral pode ceder espaço, contudo, a procedimento de que não participa o proprietário do bem. Nesse sentido, a imissão provisória na posse pode ser feita, sem a oitiva do proprietário, e sem a avaliação prévia, desde que: a) seja depositado o preço oferecido, sendo este superior a 20x (vinte vezes) o valor locativo do imóvel sujeito a IPTU; b) seja depositada a quantia correspondente a 20x (vinte vezes) o valor locativo do imóvel sujeito a IPTU, se o preço for menor; c) seja depositado o valor cadastral do imóvel, para fins de lançamento do IPTU, caso tenha havido atualização no ano fiscal imediatamente anterior; ou d) se não tiver havido essa atualização, o juiz fixará o valor a ser depositado tendo em conta a época em que houver sido fixado originalmente o valor cadastral e a valorização ou desvalorização posterior do imóvel.</p><p>Info 769: Não incide imposto de renda sobre a compensação pela limitação decorrente da instalação de linhas de alta tensão na propriedade privada - servidão administrativa. STJ. 2ª Turma. REsp 1.992.514-CE, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 21/3/2023</p><p>7. TOMBAMENTO</p><p>Consiste em hipótese específica de intervenção na qual se busca proteger o patrimônio cultural brasileiro, conforme mencionado na Constituição Federal (CRFB/1988, Art. 216, § 1º). São patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial (Art. 216, caput) – a exemplo do Ofício das Baianas do Acarajé.</p><p>CRFB/1988 – Art. 216 §</p><p>1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.</p><p>O vocábulo “tombar” utilizado no sentido de registrar ou inscrever. A inscrição do patrimônio nos Livros de Tombo garante sua proteção, como forma de sujeitá-lo restrições parciais em prol do interesse público e da conservação da memória nacional, conforme aponta DI PIETRO. Deverá haver desapropriação no caso de restrição total e não é possível se falar em tombamento. O Decreto-lei n. 25/1937 regula o tombamento.</p><p>O tombamento é procedimento administrativo, por exigir uma sucessão de atos até o ato final, que é a inscrição no Livro do Tombo.</p><p>A doutrina discute, entretanto, sobre a natureza jurídica do ato de tombamento. para DI PIETRO, é ato discricionário e cabe à Administração decidir se o realizará ou não - eventual recusa deverá ser motivada. Em sentido semelhante, CARVALHO FILHO aponta que a avaliação sobre a qualificação do bem é privativa da Administração, razão pela qual se trata de ato discricionário – embora haja vinculação no sentido de que o autor do ato não poderá praticá-lo apresentando motivo diverso.</p><p>É matéria legislativa concorrente entre a União, os Estados e o DF a competência para legislar sobre a proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico (CRFB/1988, Art. 24, inciso VII).</p><p>Há polêmica sobre a competência municipal. Para DI PIETRO, os Municípios não poderiam legislar sobre o tema, porquanto possuem atribuição para promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, com observância da legislação e da ação fiscalizadora federal e estadual (Art. 30, inciso IX)26. Já para CARVALHO FILHO, pela competência para legislar sobre interesse local e para suplementar, no que couber, a legislação federal e a estadual sobre o tema, os Municípios poderiam legislar sobre o tema (Art. 30, incisos I e II).</p><p>Art. 30. Compete aos Municípios: IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.</p><p>O ato de tombamento será efetivado, segundo CARVALHO FILHO, por meio de ato administrativo. Para o STF, trata-se de ato de competência do Poder Executivo (ADI 1.706, j. em 9.4.2008). Neste primeiro momento, o STF entendia que o ato de tombamento somente se daria mediante lei:</p><p>“(...) é assente que o tombamento deve ser constituído mediante ato do Poder Executivo, que observando a legislação pertinente, estabelece o alcance da limitação ao direito de propriedade, não podendo ato emanado do Poder Legislativo, tampouco do Poder Judiciário, alterar essas restrições impostas em conformidade com a lei.” (STF, AI 738.932/SP, j. em 13.11.2012).</p><p>Posteriormente, o Relator Min. Gilmar Mendes esclareceu, na ACO 1.208-AgR, j. em 24.11.2017, algumas singularidades da ADI 1.706. Diante da coexistência de dois atos de tombamentos sobre o mesmo bem, havia um ato pretérito - realizado pelo Poder Executivo e um ato posterior - e mais restritivo e aprovado pelo Poder Legislativo.</p><p>Naquela oportunidade, a Corte havia concluído pela violação à separação dos poderes, em razão de o Legislativo ter alterado as condições de restrição à propriedade impostas pelo Executivo. Ao adotar a doutrina de Paulo Affonso Leme Machado, o STF reconheceu a possiblidade de realização do tombamento diretamente por ato legislativo federal, estadual ou municipal, inclusive. Concluiu o Ministro que:</p><p>“(...) o ato legislativo em questão (Lei 1.526/94), que instituiu o tombamento, apresenta-se como lei de efeitos concretos, a qual se consubstancia em tombamento provisório – de natureza declaratória – necessitando, todavia, de posterior implementação pelo Poder Executivo, mediante notificação posterior ao ente federativo proprietário do bem, nos termos do art. 5º do Decreto- Lei 25/37.”</p><p>A própria Constituição Federal já permite que a realização do tombamento de forma direta e sem necessidade de ato do Poder Executivo, sobre certos bens, como os documentos e sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos (CRFB/1988, Art. 216 § 5º).</p><p>Poderão ser objeto do tombamento os bens móveis, imóveis, materiais, imateriais, públicos ou privados, excluídas as obras de origem estrangeira (Decreto-lei n. 25/1937, Art. 3º). Para parte da doutrina (CARVALHO FILHO), o meio adequado para a proteção dos bens imateriais seria o registro. Tanto é assim que o Decreto n. 3.551/2000 instituiu o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial brasileiro (Art. 1º).</p><p>Questão: Sobre a proteção de bens de valor histórico e artístico, é CORRETO afirmar:</p><p>A) O tombamento de bens móveis impõe, dentre outras, restrição a sua circulação – CERTO.</p><p>"Art. 14. A. coisa tombada não poderá saír do país, senão por curto prazo, sem transferência de domínio e para fim de intercâmbio cultural, a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional."</p><p>B) A proibição de destruição, demolição ou mutilação de bens tombados implica restrições ao direito de propriedade, que podem ser afastadas apenas com autorização administrativa específica – ERRADO.</p><p>"Art. 17. As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum ser destruidas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cincoenta por cento do dano causado."</p><p>As coisas pertencentes às pessoas naturais e às pessoas jurídicas de direito privado e direito público interno também são alcançadas pelo Decreto-lei n. 25/1937 (Art. 2º).</p><p>O STF, na ACO 1.208-AgR, entendeu que, ao contrário do que ocorre na desapropriação, é perfeitamente possível que ente federativo estadual ou mesmo um Município tombe bem da União, por ausência de aplicação do princípio da hierarquia verticalizada (o Decreto-Lei 25/1937). O STJ já havia decidido no mesmo sentido:</p><p>“Como o tombamento não implica transferência da propriedade, inexiste a limitação constante no art. 1º, § 2º, do DL 3.365/1941, que proíbe o Município de desapropriar bem do Estado”. (STJ, RMS 18.952/RJ, DJ 30.5.2005)</p><p>Questão: A prefeitura municipal pode estabelecer um tombamento municipal sobre a mesma área já tombada pelo IPHAN – CERTO.</p><p>Questão: As coisas tombadas, que pertençam à União, aos Estados ou aos Municípios, podem ser alienadas a particulares, desde que autorizado judicialmente – ERRADO, o art. 11 do Decreto-Lei 25/37 dispõe que "As coisas tombadas, que pertençam à União, aos Estados ou aos Municípios, inalienáveis por natureza, só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas entidades".</p><p>São modalidades de tombamento, segundo DI PIETRO:</p><p>a) Quanto ao procedimento: de ofício, voluntário ou compulsório.</p><p>Quando atingir bens públicos, o tombamento será de ofício, por simples notificação da entidade política (Decreto-lei n. 25/1937, Art. 5º).</p><p>Decreto-lei n. 25/1937 – Art. 5º O tombamento dos bens pertencentes à União, aos Estados e aos Municípios se fará de ofício, por ordem do diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer, ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada, a fim de produzir os necessários efeitos.</p><p>Questão: a respeito do tombamento é correto afirmar que se recair sobre bem público, poderá se dar de ofício pela autoridade competente e a prévia notificação do ente proprietário constitui condição de validade do ato administrativo de tombamento – ERRADO, no tombamento de bem público, a notificação deve ser realizada apenas para a produção dos efeitos necessários</p><p>Quanto atingir bens particulares, poderá ser voluntário ou compulsório (Art. 6º). O tombamento voluntário se dá por pedido do particular ou quando o particular anuir, por escrito, à notificação do Poder Público (Art. 7º). Já no tombamento compulsório haverá iniciativa do Poder Públicos e independe da vontade do proprietário, quando este se recusar</p><p>a anuir à inscrição (Art. 8º).</p><p>Adota-se o procedimento legal (Art. 9º) – com notificação do proprietário para anuir ao tombamento no prazo de 15 dias ou impugnar; se houver impugnação, o procedimento é remetido ao Conselho Consultivo do órgão técnico para decisão em 60 dias – não caberá recurso. Ao final, o Ministro da Cultura promoverá a homologação (Lei n. 6.292/1975) e a inscrição no Livro do Tombo - há tombamento definitivo. Ao final, exige-se a transcrição no Registro de Imóveis (Decreto-lei n. 25/193, Art. 13).</p><p>Art. 13. O tombamento definitivo dos bens de propriedade particular será, por iniciativa do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, transcrito para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis e averbado ao lado da transcrição do domínio.</p><p>Questão: A proteção ao patrimônio cultural imaterial dá-se com o tombamento voluntário sempre que o interessado o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – ERRADO, a proteção do patrimônio imaterial se dá com o Registro, nos termos do Decreto 3.551/2000, e não com o tombamento.</p><p>“Art. 1º Fica instituído o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem patrimônio cultural brasileiro".</p><p>b) Quanto à eficácia: provisório ou definitivo.</p><p>Haverá tombamento provisório enquanto estiver em curso o processo - e definitivo quando este for finalizado. Para todos os efeitos, o tombamento provisório se equipara ao definitivo (Art. 10, parágrafo único).</p><p>c) Quanto aos destinatários: geral ou individual.</p><p>O tombamento geral atinge todos os bens de região determinada, ao passo que o tombamento individual atinge bem determinado, segundo ensina DI PIETRO. Para CARVALHO FILHO, em posição minoritária, tais casos de tombamento geral são, na verdade, tombamentos individuais em que cada proprietário deverá ser notificado. O tombamento geral ocorreria quando não houvesse pessoa individualizada, como nas praças, ruas e logradouros públicos. O STJ já decidiu em sentido diverso:</p><p>“(...) não é necessário que o tombamento geral, como no caso da cidade de Tiradentes, tenha procedimento para individualizar o bem (art. 1º do Decreto-Lei n. 25/37). As restrições do art. 17 do mesmo diploma legal se aplicam a todos os que tenham imóvel na área tombada.” (REsp 1.098.640/MG, DJe 25.6.2009; REsp 1.359.534/MA, DJe 24.10.2016).</p><p>Sobre o tema, há tese do STJ (Tese 1):</p><p>“1) O ato de tombamento geral não precisa individualizar os bens abarcados pelo tombo, pois as restrições impostas pelo Decreto-Lei n. 25/1937 se estendem à totalidade dos imóveis pertencentes à área tombada.”</p><p>Questão: O tombamento do imóvel necessariamente deve individualizado, para que surta os seus efeitos legais – ERRADO, assim, o tombamento não precisa individualizar os bens.</p><p>O procedimento varia conforme a modalidade, mas em todas se exige a manifestação de órgão técnico - na esfera administrativa é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), autarquia federal (Decreto n. 99.492/90). Em resumo:</p><p>É possível o cancelamento do tombamento por ato do Presidente da República, por motivos de interesse público (Decreto-lei n. 3.866/1941, Artigo único) – de ofício ou em grau de recurso. Para CARVALHO FILHO, trata-se de recurso hierárquico impróprio.</p><p>São efeitos do tombamento (Decreto-Lei n. 25/1937, Arts. 11 a 21):</p><p>i. Conservação: deverá conservar e reparar a coisa tombada. Caso não possua recursos, deverá levar a necessidade ao IPHAN – caso não sejam tomadas as providências pelo IPHAN, o proprietário poderá requerer que seja cancelado o tombamento da coisa (Art. 19); incidem para o proprietário as obrigações de não destruir, não demolir ou mutilar a coisa tombada; sem prévia autorização do IPHAN, não poderá repará-la pintá-la ou restaurá-la, sob pena de incidir multa de 50% do dano causado (Art. 17).</p><p>ii. Fiscalização: a coisa tombada estará sujeita à fiscalização permanente por parte do IPHAN (Art. 20); no caso de furto ou extravio de qualquer objeto tombado, deverá o proprietário dar conhecimento do fato ao IPHAN no prazo de 5 dias, sob pena de multa sobre o valor da coisa (Art. 16);</p><p>iii. Limitações aos imóveis vizinhos: sem prévia autorização do IPHAN, não se poderá fazer construção que impeça ou reduza a visibilidade da coisa tombada e nem colocar anúncios ou cartazes, sob pena de se destruir a obra ou se retirar o objeto e com aplicação de multa (Art. 18);</p><p>iv. Alienação: as restrições presentes no Decreto-Lei n. 25/1937 foram revogadas pelo CPC/2015: a) relativamente ao direito de preferência dos entes federados na alienação onerosa; b) relativamente à possibilidade do proprietário de gravar livremente a coisa tombada de penhor, anticrese ou hipoteca. A coisa tombada, se for pública, não poderá ser alienada (Art. 11).</p><p>v. Permanência no país: não poderá a coisa tombada sair do país, senão por curto prazo, sem transferência de domínio e para fim de intercâmbio cultural, a juízo do IPHAN (art. 14). Há possibilidade de imposição de multa no caso de ser tentada a exportação (Art. 15).</p><p>Em regra, não caberá indenização, pois há restrições parciais em prol do interesse público e da conservação da coisa. MEIRELLES alerta, inclusive, que o bem tombado, por vezes, acaba por ser valorizado após o procedimento de tombamento.</p><p>Questão: Com o objetivo de interditar a habitação em um conjunto de antigos imóveis residenciais em área caracterizada pela presença do comércio de bens e serviços, a prefeitura do município X decretou o tombamento de vinte e cinco casas localizadas no bairro, impondo aos proprietários a manutenção desses imóveis segundo suas características originais para a proteção do patrimônio histórico e cultural da cidade, sem previsão de indenização. Nessa situação hipotética, o ato administrativo de tombamento é</p><p>A) nulo, em razão do desvio de finalidade, pois o tombamento não é instrumento apto à gestão de limitação urbanística municipal.</p><p>B) nulo, em virtude do vício de competência para a edição do decreto, a qual, no caso, é da União – ERRADO, é matéria CONCORRENTE.</p><p>C) legal, pois o tombamento para a preservação do patrimônio cultural prescinde de indenização – ERRADO, em regra não cabe indenização.</p><p>D) anulável, mas poderia ser convalidado em ato posterior que fixasse justa indenização aos proprietários.</p><p>Questão: Assinale a alternativa incorreta:</p><p>A) É possível afirmar que os bens culturais inventariados estão submetidos a especial regime protetivo, a fim de evitar o seu perecimento ou degradação, promover sua preservação e segurança e divulgar a respectiva existência – CERTO.</p><p>B) Em razão da natureza fundamental, difusa, indisponível e intergeracional do patrimônio cultural, a determinação pelo Poder Judiciário de medidas tendentes a fazer com que o Legislativo e o Executivo cumpram a missão constitucional de promover a adequada tutela dos bens de valor cultural não implica violação à separação de Poderes – CERTO.</p><p>4. Muito embora envolva a declaração do valor cultural de um bem, quando se efetive por obra da Administração pública, ainda que se entenda haver aí algum grau de discricionariedade, esta não estará infensa à análise judicial. 5. Reconhecido por parecer técnico, em sede judicial, o valor cultural de um bem, pode o Judiciário declará-la para todos os fins de direito, impondo providências de proteção e conservação ao proprietário e mesmo ao Poder Público, se for o caso. (TJ-MG - AC: 10481120132206001 MG, Relator: Peixoto Henriques, Data de Julgamento: 25/09/2019, Data de Publicação: 01/10/2019)</p><p>C) O tombamento é um ato administrativo de caráter constitutivo, através do qual um bem de valor cultural ou natural passa a ser digno de preservação após sua inscrição no Livro Tombo – ERRADO, o tombamento apresenta, em paralelo ao aspecto constitutivo, também uma natureza declaratória, na medida em que o valor cultural, histórico, artístico ou paisagístico</p><p>do bem antecede o próprio ato de tombamento, sendo, pois, um pressuposto para que se efetive este ato. Dessa forma, o tombamento reconhece uma situação preexistente, o que configura seu aspecto declaratório</p><p>D) É dispensável o prévio tombamento de um bem para viabilizar o acesso à jurisdição em sua defesa – CERTO.</p><p>Questão: Há, no Município de Tutu Caramujo, uma casa antiga, sede de fazenda, construída no século XIX. Alguns herdeiros mobilizaram-se e o casarão foi tombado. Há recursos disponíveis, no orçamento municipal, para as obras de recuperação do imóvel, os quais, todavia, não foram liberados devido à falta de um projeto técnico cuja elaboração, conforme a legislação municipal, cabe aos proprietários. A falta de consenso entre os titulares do domínio, herdeiros netos e bisnetos do construtor, deu causa à propositura de Ação Civil Pública, visando a imposição da obrigação de fazer consistente na apresentação de projeto técnico de revitalização da sede do imóvel, no prazo de 90 dias. Aplicam-se ao caso as teses seguintes: o herdeiro que mantém a posse sobre a casa sede da fazenda é o único responsável pelo custeio do projeto de recuperação - responsabilidade aquiliana - porque a solidariedade não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes – ERRADO, a responsabilidade é dos coproprietários.</p><p>Questão: O tombamento é um dos instrumentos previstos para a proteção de bens integrantes do patrimônio histórico, mas somente gera os seus efeitos no final do processo administrativo, com o tombamento definitivo do bem – ERRADO.</p><p>Questão: Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>A) O inventário e o tombamento são instrumentos que auxiliam a preservação do patrimônio cultural, sendo que quando há o tombamento definitivo do bem, o proprietário fica impedido de locá-lo – ERRADO.</p><p>B) O tombamento de coisa pertencente à pessoa física ou jurídica de direito privado se fará voluntária ou compulsoriamente, somente podendo ser cancelado em caso de perecimento do bem protegido – ERRADO, o tombamento pode ser revogado por razões de oportunidade e conveniência, anulado em caso de vício na sua constituição, extinto em caso de desaparecimento do bem ou cancelado na hipótese prevista no art. 19, §2º, do Decreto-Lei 25/37.</p><p>C) Não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, salvo se houver autorização do órgão competente – CERTO.</p><p>AULA 27: INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE – PARTE 2</p><p>1. CONCEITO DE DESAPROPRIAÇÃO</p><p>CRFB/1988 – Art. 5º XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;</p><p>Com base no conceito trazido por DI PIETRO e nas normas constitucionais ligadas ao direito de propriedade e à sua função social (CRFB/1988, Art. 5º, incisos XXII e XXIII), tem-se que a definição de desapropriação (CRFB/1988, Art. 5º, inciso XXIV) traz alguns aspectos que merecem destaque:</p><p>1) Aspecto formal: procedimento administrativo com a finalidade de transferir a propriedade do bem de uma pessoa – incluído o próprio Estado – para o Poder Público mediante prévia indenização, como regra. Excepcionalmente, a indenização poderá ser em dinheiro, como na desapropriação sancionatória ou, ainda, sequer existir (CRFB/1988, Art. 243);</p><p>2) Sujeito ativo: o Poder Público ou seus delegados – o particular não pode</p><p>desapropriar;</p><p>3) Sujeito passivo: proprietário do bem que, em regra, será o particular;</p><p>4) Objeto: a perda de um bem;</p><p>5) Pressupostos: pública, utilidade pública ou interesse social – se exige o detalhamento de tais conceitos jurídicos indeterminados pela lei infraconstitucional;</p><p>6) Requisito constitucional: justa e prévia indenização.</p><p>Conforme já visto e segundo lição de CARVALHO FILHO, a desapropriação consiste em modalidade de intervenção supressiva, em razão da transferência da propriedade para o Poder Público; as formas restritivas, por sua vez, não geram a perda do bem e afetam algumas das características essenciais.</p><p>2. NATUREZA JURÍDICA DA DESAPROPRIAÇÃO</p><p>Fala-se da desapropriação como forma originária de aquisição da propriedade, por não ser vinculada a nenhum título anterior. Por essa razão, o DL n. 3.365/1941, que trata da desapropriação ordinária para fins de utilidade e necessidade pública dispõe que todos os ônus ou direitos que recaiam sobre o bem expropriado serão extintos e ficarão sub-rogados no preço (Art. 31).</p><p>DL n. 3.365/1941 – Art. 31. Ficam sub-rogados no preço quaisquer ônus ou direitos que recaiam sobre o bem expropriado.</p><p>Por exemplo, alguém que possui direito real de garantia sobre um bem imóvel, como uma casa ou um apartamento, perderá esse direito quando o Poder Público realizar a desapropriação. A Caixa Econômica, que tinha direito sobre esse bem, irá se sub-rogar no preço e a indenização será paga ao proprietário. Se a indenização for fixada no valor de R$ 100.000,00 e o direito real de garantia tiver o valor de R$ 80.000,00, este valor será pago à Caixa no momento de pagar o preço e os R$ 20.000,00 ficarão para o expropriado. Não remanesce nenhum tipo de direito ou ônus sobre o bem desapropriado.</p><p>Entende-se que as obrigações de ordem pessoal também serão afetadas pela desapropriação, como eventual contrato de locação vigente, caso em que o locatário não poderá pleitear a manutenção do contrato até o termo final a partir de quando o locador perder o bem para o Poder Público. DI PIETRO aponta que, justamente por essa natureza, se o Poder Público pagar a indenização de maneira equivocada a terceiro, ainda assim não haverá nulidade na desapropriação (DL n. 3.365/1941, Art. 35).</p><p>Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos.</p><p>Não incide ITBI na desapropriação. CARVALHO FILHO e o STJ entendem que os débitos anteriores à imissão na posse deverão ser cobrados do expropriado e não do expropriante:</p><p>“(...) o ente desapropriante não responde por tributos incidentes sobre o imóvel desapropriado nas hipóteses em que o período de ocorrência dos fatos geradores é anterior ao ato de aquisição originária da propriedade.” (REsp 1.668.058-ES, j. em 8.6.2017 – Informativo 606)4</p><p>Haverá responsabilidade do ato de aquisição originária em diante, pois a partir dali os tributos sobre o imóvel são do Poder Público e não do expropriante. Do momento da desapropriação para trás, responde o expropriado.</p><p>3. PRESSUPOSTOS</p><p>Conforme previsão do Art. 5º, inciso XXIV, da Constituição Federal, são três os pressupostos para a desapropriação:</p><p>1) Necessidade pública: a necessidade pública envolverá emergência – naquele momento o Poder Público precisa da transferência imediata do bem;</p><p>2) Utilidade pública: a transferência do bem é conveniente para o Estado. O DL n. 3.365/1941 incluiu na utilidade pública as hipóteses de necessidade e utilidade públicas (DI PIETRO) – o que é necessário acaba por também ser útil;</p><p>3) Interesse social: tem o objetivo de promover a justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem-estar social (Art. 1º, Lei n. 4.132/1962).</p><p>Lei n. 4.132/1962 - Art. 1º A desapropriação por interesse social será decretada para promover a justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem-estar social, na forma do art. 147 da Constituição Federal.</p><p>Não se poderá promover a desapropriação sobre a alcunha de “necessidade pública”, “utilidade pública” ou “interesse social” que não esteja prevista na lei. Dentre os casos de utilidade pública previstos no Art. 5º do DL n. 3.365/1941 destacam-se: “a) a segurança nacional; b) a defesa do Estado; c) o socorro público em caso de calamidade; (...) i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a execução de planos de urbanização; o parcelamento</p><p>do solo, com ou sem edificação, para sua melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a construção ou ampliação de distritos industriais; j) o funcionamento dos meios de transporte coletivo; (...) n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de pouso para aeronaves”.</p><p>Questão: a declaração de utilidade pública impede que o proprietário aliene o bem objeto da declaração – ERRADO.</p><p>Questão: quando nos referimos à utilidade pública, devemos entender que está incluída no conceito de necessidade – ERRADO, tais conceitos não se confundem.</p><p>Questão: a ação de desapropriação é uma ação especial, cujo objeto diz respeito a todos os possíveis aspectos da decisão administrativa de desapropriar – ERRADO, a ação de desapropriação tem como objetivo discutir o valor da indenização devida ao proprietário do bem, caso não exista acordo sobre este valor entre este e o poder público. A ação, portanto, não discute todos os aspectos da decisão administrativa de desapropriar.</p><p>Já o interesse social, ligado ao bem-estar social e melhores condições de vida dos segmentos mais carentes da sociedade, é fundamento da desapropriação, prevista na Lei</p><p>n. 4.132/1962, da desapropriação sancionatória por descumprimento da função social da propriedade rural (para fins de reforma agrária), prevista na LC n. 76/93, e da desapropriação sancionatória por descumprimento da função social da propriedade urbana, prevista na Lei n. 10.257/01.</p><p>Questão: os pressupostos da utilidade pública, incluída a necessidade, e do interesse social estão usualmente presentes, mas não são essenciais, e é possível desistir da desapropriação antes do pagamento do preço - ERRADO</p><p>4. MODALIDADES</p><p>Duas são as grandes modalidades de desapropriação:</p><p>1) Desapropriação ordinária: há justa e prévia indenização em dinheiro e poderá ser realizada por qualquer ente federativo (competência comum), na forma do Art. 5º, inciso XXIV, da Constituição Federal. Não tem caráter sancionatório. Possui previsão no DL n. 3.365/1941 (casos de “utilidade pública”) e na Lei n. 4.132/1962 (casos de “interesse social”);</p><p>2) Desapropriação extraordinária: possui caráter sancionatório – são três modalidades, conforme a Constituição Federal:</p><p>2.1 Desapropriação por descumprimento da função social da propriedade urbana (CRFB/1988, Art. 182, § 4º, inciso III e Estatuto da Cidade)</p><p>CRFB/1988 – Art. 182 § 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: I -	parcelamento ou edificação compulsórios; II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo; III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.</p><p>É de competência exclusiva dos Municípios e aplica-se somente naqueles que possuam plano diretor aprovado por lei. É medida subsidiária que só incide após as duas medidas coercitivas anteriores – o parcelamento ou edificação compulsórios e o IPTU progressivo no tempo.</p><p>Algumas regras são trazidas pelo Estatuto da Cidade, que inclui a notificação do proprietário, pelo Poder Executivo municipal, para cumprimento da obrigação de parcelamento ou edificação compulsórios e deverá a notificação ser averbada no cartório de registro de imóveis (Art. 5º, § 2º); a partir da notificação, haverá o prazo de um ano para protocolar o projeto no órgão municipal competente para que se dê o adequado aproveitamento à propriedade urbana e em dois anos, a contar da aprovação do projeto, para iniciar as obras (Art. 5º, § 4º). Se isso não for feito, o Município irá aplicar o IPTU progressivo no tempo, pela majoração da alíquota pelo prazo de cinco anos consecutivos (Art. 7º) – a cada ano, o Município aumentará o valor do IPTU. Decorridos cinco anos dessa cobrança sem que a obrigação seja cumprida pelo proprietário, o Município poderá proceder à desapropriação do imóvel, com pagamento em títulos da dívida pública (Art. 8º, caput e § 1º). O procedimento da desapropriação, na falta de outras normas, seguirá o previsto pelo DL n. 3.365/1941 – a “lei geral da desapropriação”.</p><p>2.2 Desapropriação por descumprimento da função social da propriedade rural (CRFB/1988, Art. 184 e LC n. 76/1993)</p><p>CRFB/1988 – Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.</p><p>Aquele que não cumprir a função social da propriedade rural perderá sua propriedade para a reforma agrária. Embora o pagamento se dê em títulos da dívida agrária, as benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro (CRFB/1988, Art. 184,</p><p>§ 1º). A lei complementar é a espécie normativa adequada para estabelecer o procedimento, em rito sumário, da desapropriação em tais casos, o qual é regulamentado pela LC n. 76/1993 (Art. 184, § 2º). São isentas de impostos de toda a ordem – federais, estaduais e municipais – as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária (Art. 184, § 5º).</p><p>Questão: A desapropriação para fins de reforma agrária: se destina aos imóveis urbanos ou rurais que não estejam cumprindo com a sua função social – ERRADO, destina-se apenas a imóveis RURAIS.</p><p>Info 1106: São constitucionais os artigos 6º e 9º da Lei 8.629/1993, que exigem a presença simultânea do caráter produtivo da propriedade e da função social como requisitos para que determinada propriedade seja insuscetível de desapropriação para fins de reforma agrária. Com base nesses entendimentos, o Plenário, por unanimidade, julgou improcedente a ação, para assentar a constitucionalidade das expressões “explorada econômica e racionalmente”, “simultaneamente” e “utilização da terra e”, constantes do art. 6º; e da expressão “e de eficiência na exploração”, contida no § 1º do art. 9º, ambos da Lei 8.629/1993</p><p>Art. 6º Considera-se propriedade produtiva aquela que, explorada econômica e racionalmente, atinge, simultaneamente, graus de utilização da terra e de eficiência na exploração, segundo índices fixados pelo órgão federal competente.</p><p>A função social da propriedade rural será cumprida quando atendidos simultaneamente os requisitos constitucionais (CRFB/1988, Art. 186). Além disso, não poderão ser desapropriadas, para fins de reforma agrária, a pequena e a média propriedade rural, desde que seu proprietário não possua outra e; a propriedade produtiva (Art. 185).</p><p>Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I - aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV - exploração que favoreça o bem- estar dos proprietários e dos trabalhadores.</p><p>É de competência exclusiva da União para fins de reforma agrária (LC n. 76/1993, Art. 2º) - diferentemente, a desapropriação de imóvel rural por interesse social é ordinária e poderá ser promovida por todos os entes federados, incluídos o Estado e o Município (Lei n. 4.123/1962).</p><p>LC n. 76/1993 – Art. 2º A desapropriação de que trata esta lei Complementar é de competência privativa da União e será precedida de decreto declarando o imóvel de interesse social, para fins de reforma agrária.</p><p>Info 626: Nas ações de desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária descabe a restituição, pelo expropriado sucumbente de honorários periciais aos assistentes</p><p>técnicos do INCRA e do MPF. STJ. 1ª Turma. REsp 1.306.051-MA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 08/05/2018. Os assistentes técnicos do INCRA e do MPF são servidores de carreira das instituições. Não foram, portanto, contratados de maneira particular para a realização do acompanhamento deste trabalho pericial. Logo, o expropriado não deverá pagar qualquer valor a este título.</p><p>LC 76/93, Art. 19. As despesas judiciais e os honorários do advogado e do perito constituem encargos do sucumbente, assim entendido o expropriado, se o valor da indenização for igual ou inferior ao preço oferecido, ou o expropriante, na hipótese de valor superior ao preço oferecido. §1º Os honorários do advogado do expropriado serão fixados em até vinte por cento sobre a diferença entre o preço oferecido e o valor da indenização. §2º Os honorários periciais serão pagos em valor fixo, estabelecido pelo juiz, atendida à complexidade do trabalho desenvolvido.</p><p>(...) 4. Para a exclusão das áreas de preservação permanente ou de reserva legal, estas devem estar devidamente averbadas no respectivo registro do imóvel. Não se encontrando individualizada na averbação, a reserva florestal não poderá ser excluída da área total do imóvel desapropriando para efeito de cálculo da produtividade. (...) (STF. Plenário. MS 24.924/DF, Rel. p/ Acórdão Min. Joaquim Barbosa, julgado em 24/2/2011)</p><p>Info 539: De acordo com jurisprudência deste Superior Tribunal, a Área de Reserva Legal não averbada no fólio imobiliário deve ser considerada no cômputo da produtividade do imóvel. STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1505446/GO, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 15/03/2021</p><p>2.3 Desapropriação confiscatória /expropriação constitucional (CRFB/1988, Art. 243)</p><p>CRFB/1988 - Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º.</p><p>Por acarretar a perda da propriedade e diante da gravidade dos casos, essa modalidade de desapropriação não dá ensejo a indenização. Por essa razão, a doutrina aponta que não se trata de autêntica desapropriação, mas de confisco autorizado constitucionalmente (MEIRELLES). O STF já decidiu que se trata de uma sanção assim caracterizada:</p><p>“(...) penalidade análoga àquela sanção acessória de que trata o artigo 91, II do Código Penal, que estabelece o perdimento de bens em favor da União, no que diz respeito aos instrumentos e aos produtos que se originam da prática criminosa.” (RE 543.974/MG,</p><p>j. 26.3.2009 – voto do Min. Lewandowski)</p><p>No mesmo julgado, o STF interpretou o Art. 243 da Constituição Federal da seguinte forma: inclui-se na expropriação toda a área e não apenas aquela efetivamente cultivada</p><p>· por exemplo, se para o cultivo da droga for utilizado 1/3 da área, a propriedade será perdida na sua integralidade.</p><p>Em julgado mais recente, a Corte mencionou hipótese em que a expropriação poderá ser afastada caso o proprietário comprove, por exemplo, que não foi ele quem realizou o cultivo ou promoveu o trabalho escravo:</p><p>(...) a expropriação prevista no art. 243 da CF pode ser afastada, desde que o proprietário comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo.” (RE 635.336, j. 14-12-2016 – Tema 399 RG)</p><p>Tal hipótese é de difícil comprovação. Haverá culpa in vigilando se o proprietário não tiver fiscalizado; haverá culpa in eligendo se o proprietário tiver escolhido mal a pessoa que deveria vigiar a propriedade – o proprietário perderá a propriedade em ambos os casos e deverá comprovar não ter incorrido em nenhum tipo de culpa – a exemplo de ter sido a propriedade invadida.</p><p>Questão: João é proprietário de imóvel rural que engloba grande área na cidade Alfa, interior do Estado. O imóvel de João, sem seu conhecimento, foi invadido por terceiras pessoas que passaram a cultivar plantas psicotrópicas (maconha) de forma ilícita. O Município Alfa ajuizou ação perante a Justiça Estadual visando à desapropriação confisco do imóvel de João. No caso em tela, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, a expropriação prevista no Art. 243 da Constituição da República de 1988: pode ser afastada, desde que o proprietário João comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo, pois possui responsabilidade subjetiva, com inversão do ônus da prova, mas o Juízo deve extinguir o processo sem resolução do mérito pela ilegitimidade ativa do Município Alfa, pois a ação deve ser proposta pela União, na Justiça Federal;</p><p>Questão: Após ampla investigação conduzida pelas autoridades competentes, foi descoberta a cultura ilegal de plantas psicotrópicas em pequena área territorial na extremidade de um latifúndio privado, separada da sede por uma área de preservação ambiental. Em situações como essa, à luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que: a íntegra da propriedade em que se encontra a cultura ilegal deve ser desapropriada, na forma da lei, sem o pagamento de indenização, podendo o proprietário comprovar que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo;</p><p>A Corte fixou tese no sentido de não ser necessária a comprovação da habitualidade da prática criminosa ou qualquer outro requisito além do previsto na Constituição Federal:</p><p>“(...) Impõe-se o empréstimo de eficácia suspensiva ativa a agravo, suspendendo-se acórdão impugnado mediante extraordinário a que visa imprimir trânsito, quando o pronunciamento judicial revele distinção, não contemplada na Constituição Federal, consubstanciada na exigência de utilização constante e habitual de bem em tráfico de droga, para chegar-se à apreensão e confisco - artigo 243, parágrafo único, da Constituição Federal. (AC 82-MC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 3-2-2004, Primeira Turma, DJ de 28-5-2004). 8. A habitualidade do uso do bem na prática criminosa ou sua adulteração para dificultar a descoberta do local de acondicionamento, in casu, da droga, não é pressuposto para o confisco de bens, nos termos do art. 243, parágrafo único, da Constituição Federal. 9. Tese: É possível o confisco de todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico de drogas, sem a necessidade de se perquirir a habitualidade, reiteração do uso do bem para tal finalidade, a sua modificação para dificultar a descoberta do local do acondicionamento da droga ou qualquer outro requisito além daqueles previstos expressamente no artigo 243, parágrafo único, da Constituição Federal.” (RE 638491, j. 17.5.2017 – Tema 647 RG)</p><p>Por preponderar o caráter confiscatório, e não desapropriatório, o STF decidiu que não se mostra cabível o confisco de bem de um ente federativo por outro (ACO 967/PE, j. 27.4.2020 – Informativo 977). Assim, a União não pode expropriar bem público estadual com fulcro no Art. 243 da CF, embora possa seja possível a desapropriação por outros fundamentos.</p><p>A Lei n. 8.257/1991 regulamenta o tema. Caberá ao órgão competente do Ministério da Saúde a autorização para a cultura de plantas psicotrópicas, para finalidades exclusivamente terapêuticas e científicas (Art. 2º, parágrafo único) – fora dessas hipóteses, caberá a desapropriação pelo rito do Art. 6º e seguintes.</p><p>Questão: Toda desapropriação de propriedade nociva à coletividade prescindirá de prévia e justa indenização – ERRADO, apenas na hipótese de plantação de plantas psicotrópicas e trabalho escravo – a desapropriação prescinde de indenização. Na desapropriação de bens utilizados para outras atividades, ainda que estas sejam nocivas à coletividade, a desapropriação dependerá sempre de prévia e justa indenização. Logo, nem toda desapropriação de bem utilizado com fins nocivos à sociedade prescinde de prévia e justa indenização.</p><p>5. OBJETO DA DESAPROPRIAÇÃO</p><p>a) Bens desapropriáveis</p><p>Extrai-se do Art. 2º, DL n. 3.365/1941</p>

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