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<p>EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA</p><p>COMARCA DE SANTO ANDRÉ - ESTADO DE SÃO PAULO</p><p>DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO, considerando o disposto</p><p>nos artigos 129, §1° e 225, ambos da CRFB/88, no artigo 1°, inciso I e artigo 5°, inciso II</p><p>da Lei n° 7.347/1985 e, também, no artigo 4°, inciso VII da Lei Complementar n°</p><p>80/1994, vem à presença de Vossa Excelência, propor:</p><p>AÇÃO CIVIL PÚBLICA, COM PEDIDO DE LIMINAR</p><p>Em face do ESTADO DE SÃO PAULO, pessoa jurídica de direito público interno, com</p><p>sede na cidade de São Paulo, estado de São Paulo, que deverá ser citado na pessoa do</p><p>PROCURADOR-GERAL DO ESTADO, com endereço profissional à completo),</p><p>cidade de São Paulo, estado de São Paulo, pelas razões de fato e de direito que passa a</p><p>expor:</p><p>I - DOS FATOS</p><p>Em 23/04/2009 foi instaurado o procedimento administrativo n° 031/09 no Núcleo</p><p>Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São</p><p>Paulo, por provocação da Associação Amigos do Parque Central da cidade de Santo</p><p>André/SP. O citado procedimento, após analisado, foi distribuído para a Comissão</p><p>Temática de Meio Ambiente e Consumidor. Resumidamente, todos os fatos abordados na</p><p>representação referem-se à Chácara Baronesa e são os seguintes: transformação em</p><p>Bairro Ecológico; omissão estatal na conservação de área de proteção ambiental; ausência</p><p>de Conselho Gestor de APA; e redefinição de tombamento ambiental.</p><p>É importante salientar que a Chácara Baronesa possui grande relevância ambiental,</p><p>reconhecida tanto pelo estado, quanto pelo próprio município de Santo André. Tal</p><p>afirmação é chancelada por dois diplomas legais. O primeiro é a Lei Estadual n° 5.745, de</p><p>10/07/1987, que a define como Area de Proteção Ambiental. Já o segundo é a Lei</p><p>Municipal n° 8.696, de 17/12/2004 que a considera como Zona Especial de Interesse</p><p>Ambiental dentro do Plano Diretor de Santo André.</p><p>Inúmeras diligências foram realizadas, bem como diversos ofícios foram expedidos</p><p>solicitando informações por parte das autoridades da Administração Pública, acerca dos</p><p>fatos constantes do procedimento administrativo.</p><p>Com relação à ausência do Conselho gestor da Chácara Baronesa, é importante trazer</p><p>parte do ofício (DP/EJN/ n° 054/09, de 16/07/2009) encaminhado ao Secretário Estadual</p><p>de Meio Ambiente.</p><p>Considerando o fato de que a Lei Estadual n° 5.745/87 declarou a referida área como</p><p>APP, bem como o contido no artigo 15, § 5°, Lei Federal n° 9.985/00, como está</p><p>estruturado o Conselho da referida APP.</p><p>II- DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS</p><p>A proteção do meio ambiente é amplamente discutida na CRFB/98.Esse tópico não</p><p>passa despercebido quando analisamos o artigo, 225, caput, do texto legal, que impôs a</p><p>todos o dever fundamental de defender e preservar o bem em questão.Segundo o que</p><p>leciona Édis Milaré, é fundamental o envolvimento de todos os cidadãos no que</p><p>tange as políticas ambientais. Não exaustivamente ainda fala: “dado que o sucesso</p><p>desta supõe que todas as categorias de população e todas as forças s ociais,</p><p>conscientes de suas responsabilidades, contribuem à proteção e melhoria do</p><p>ambiente, que, afinal, é bem e direito de todos (...) No Brasil, o princípio</p><p>[da participação comunitária] vem contemplado no artigo 225, ‘caput’, da</p><p>Constituição Federal, quando ali se prescreve ao Poder Público e à</p><p>coletividade odever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras</p><p>gerações 1”.Neste sentido, a previsão legal nesse que não se esgota no Princípio10 da</p><p>Declaração da ECO 92, que foi transcrita na epígrafe desta inicial, uma vez</p><p>que aLei nº 9.985/00 possui dispositivo expresso, categórico e irrefutável nesse</p><p>sentido, inverbis:</p><p>Art. 5º. O SNUC será regido por diretrizes que:(...)II –</p><p>assegurem os mecanismo e procedimentos necessários</p><p>aoenvolvimento da sociedade no estabelecimento e na</p><p>revisão da políticanacional de unidades de conservação;III –</p><p>assegurem a participação efetiva das popul ações locais na</p><p>criação,implantação e gestão das unidades de conservação;(...)V</p><p>– incentivem as populações locais e as organizações</p><p>privadas aestabelecerem e administrarem unidade de</p><p>conservação dentro dosistema nacional.”</p><p>Neste sentido, o réu ignorou os preceitos legais e vedou, antes suaomissão,</p><p>o acesso do verdadeiro soberano, o povo, na gestão da Chácara Baronesa.</p><p>Nãohavendo mais espaço para impedir a responsabilização do Estado pela sua</p><p>inação.Podemos ainda trazer em cheque o artigo 37, §6º da CRFB/98,</p><p>c/ccom o princípio hermenêutico da máxima efetividade dos direitos</p><p>fundamentais,assinala o fundamento maior da atribuição da responsabilidade ao</p><p>integrante do polo passivo.</p><p>Ainda dentro das considerações, o artigo 461 do Código deProcesso Civil,</p><p>conclui- se que somente com a concessão da tutela específica deobrigação de</p><p>fazer, qual seja, a efetivação da democracia participativa na gestão daChácara</p><p>Baronesa será possível superar a atual quadra.Exposto esses fundamentos, pugna a parte</p><p>autora pela concessão detutela específica de obrigação de fazer, no sentido de</p><p>obrigar o Estado-réu ainstitucionalizar a gestão da Chácara Baronesa por meio</p><p>de instrumentos da democraciaparticipativa, o que permitirá a participação</p><p>também da população local naadministração de área tida como relevante pelo</p><p>aspecto ambiental</p><p>III- DO PEDIDO DA LIMINAR</p><p>Diante dos fatos, por tudo que fora explanado, não restam dúvidas de que a concessão de</p><p>tutela antecipada é medida extremamente necessária, como forma de evitar que a</p><p>impetrante continue a suportar os vários danos decorrentes da conduta impetrada.</p><p>Conforme entendimento predominante, a ação civil pública com a finalidade de</p><p>recuperação de dano ambiental pode ser ajuizada contra o responsável direto ou indireto,</p><p>contra ambos.</p><p>É expressamente prevista na Lei n° 7.347/85 que regula a matéria procedimental da ação</p><p>civil pública em seu artigo 12 há a proposição da medida liminar: A tutela de urgência</p><p>prevista no artigo 305 do CPC requer além das condições comuns da ação, condições</p><p>específicas, ou seja, a presença da fumus boni juris e do periculum in mora.</p><p>IV - DA COMPETÊNCIA</p><p>Ainda podemos destacar o perigo na demora para que seja dada tutela jurisdicional, uma</p><p>vez que há 09 (nove) anos a população dessa comarca encontra-se sem poder exercer seu</p><p>direito fidedigno em razão da omissão estatal. O Atoem objeto deu-se na comarca</p><p>de competência desse r. juízo, só podendo este conhecer, processar e julgar a</p><p>presente ação civil pública. Em se tratando do exame de competência das ações</p><p>civis públicas, imperioso se faz observar o regramento contido no artigo 2º,</p><p>caput, Lei Federal nº7.347/85, in verbis:</p><p>“Art. 2º. As ações previstas nesta Lei serão propostas no for o do local</p><p>onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e</p><p>julgar a causa.”</p><p>V - DA LEGITIMIDADE ATIVA DA DEFENSORIA PÚBLICA</p><p>A Lei Federal nº 7.347/85 é categórica em conferir a legitimidade ativa da</p><p>Defensoria Pública para o ajuizamento de ações civis públicas, conforme se</p><p>depreende da leitura do seu artigo 5º, inciso II. Assim como, a Lei</p><p>Complementar Federal nº 132/09, que veio a alterar a LC 80/94 não deixou</p><p>de ratificar a possibilidade de manejo da ação civil pública pela Defensoria Pública.</p><p>Além disso, a legislação prevê como função institucional da Defensoria Pública a defesa</p><p>do meio ambiente em prol dos necessitados. Diz o inciso X, do art. 4° da Lei</p><p>80/94: “Art. 4º - São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre</p><p>outras: X - promover a mais ampla defesa dos direitos fundamentais dos</p><p>necessitados, abrangendo</p><p>seus direitos individuais, coletivos, sociais, econômicos,</p><p>culturais e ambientais, sendo admissíveis todas as espécies de ações capazes de</p><p>propiciar sua adequada e efetiva tutela". É de suma relevância destacar que não</p><p>só o Direito Positivo contempla a legitimidade ativa da Defensoria Pública,</p><p>pois há na jurisprudência viva reconhecimento do tema na seara jurisprudencial,</p><p>ipis verbis:</p><p>"AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL IRREGULARIDADE</p><p>NAIMPLANTAÇÃO DE CEMITÉRIO - SENTENÇA QUE I NDEFERIU</p><p>APETIÇÃO INICIAL - LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICAPARA</p><p>PROPOR AÇÃO CIVIL PÚBLICA - INEXISTÊNCIA DERESTRIÇÃO À</p><p>LEGITIMIDADE OUTORGADA À DEFENSORIAPÚBLICA NO TOCANTE</p><p>ÀS AÇÕES COLETIVAS, LEI 7.347/1985, COMAS ALTERAÇÕES</p><p>INTRODUZIDAS PELA LEI 11.448/2007 –ADIN PROPOSTA PERANTE O</p><p>E. STF QUE NÃO ENFRENTOUMÉRITO DA QUESTÃO – RECURSO</p><p>PROVIDO.”2 “Ação civil pública. Responsabilidade civil objetiva do município do Rio</p><p>de Janeiro. Projeto Rio Emprega 2002. Garanti aos aprovados classificados em</p><p>curso para auxiliar técnico em telecomunicações de emprego em concessionária</p><p>de telefonia, empresa com a qual teria a municipalidade celebrado convênio.</p><p>Ação afirmativa que visa implementar direito social ao trabalho, na forma do</p><p>art. 6º da CF/88.Inexistência de relação de consumo a contrário senso do</p><p>§2º do art. 3ºda Lei nº 8.078/90. Inteligência do art. 203, III da CF/88.</p><p>Legitimidade da Defensoria Pública para a ação de que se trata que pretende garantir</p><p>interesse individual homogêneo, espécie de direito coletivo, com fulcro no art.</p><p>21 da Lei 7347/85, com a redação do art. 117 da Lei 8078/90 e conforme</p><p>especificamente disposto no art. 2º da Lei 11448/07.Propositura da ação pelo</p><p>NUDECON que não conduz à ilegitimidade ativa, haja vista que a legitimação é da</p><p>Defensoria Pública, entidade una e indivisível, que administrativamente descentraliza</p><p>seus serviços. Instituição que tem como múnus constitucional a defesa dos</p><p>hipossuficientes na forma do art. 134 caput c/c 5º LXXIV CF/88. Causa</p><p>madura. Decisão de mérito com base no parágrafo 3º do art. 515 do CPC.</p><p>Promessa enganosa do município que provocou a perda da chance de emprego e</p><p>melhoria social. Aplicação do artigo 37 §6º da CF/88.Risco administrativo.</p><p>Atuar contrário à boa-fé administrativa que traz frustração e desengano ao</p><p>candidato classificado. Princípios da moralidade administrativa e da eficiência do</p><p>serviço público. Conteúdos normativos que importam em conduta obrigatória do</p><p>administrador público conforme art. 37 caput CF/88. Dano moral de cada</p><p>candidato classificado entre os 3.000 primeiros que se configura. Ausência do dano moral</p><p>genérico em razão da possibilidade de identificação de cada lesado (direito</p><p>individual homogêneo). Verba indenizatória a se fixar com razoabilidade. Juros</p><p>de mora a partir da citação (súmula 54, STJ). Correção monetária cujo termo</p><p>a quo, na forma da súmula 97 TJRJ é a data da decisão que fixa o valor da</p><p>indenização. Provim ento do recurso para reconhecer a legitimidade da</p><p>Defensoria Pública e, no mérito, julgar procedente o pedido.”3</p><p>VI - DOS PEDIDOS</p><p>Diante do exposto e fundamentado, impetrante requer:</p><p>• Citação da parte ré para, querendo, apresentar as respostas entendidas como</p><p>cabíveis, sendo que a ausência de contestação implicará na incidência dos efeitos</p><p>da revelia.</p><p>• Ratificação da medida liminar, que importará o início do processo</p><p>eleitoral para a formação do Conselho Gestor da Chácara Baronesa em</p><p>30 (trinta) dias, a contar da decisão concessiva, sob pena de incidir</p><p>multa diária de R$ 1.000,00 caso ocorra o descumprimento da medida.</p><p>• Procedência total do pedido, no sentido de impor ao Estado de São</p><p>Paulo a obrigação de fazer, no sentido de, enfim, constituir uma gestão da</p><p>Chácara Baronesa que atente para a democracia participativa, sendo certo</p><p>que a instituição de Conselhos seria um exemplo do que se requer; e,</p><p>• A intimação do representante do Procurador-Geral do Estado, para apresentar</p><p>parecer, em lei</p><p>• Honorárias sucumbências, na forma do artigo 4º, XXI, da Lei Complementar</p><p>Federal nº 80/94</p><p>Provará todo o alegado por todos os meios de prova admitidos, requerendo, desde já, a</p><p>admissão da prova documental que acompanha esta inicial.</p><p>Dá-se a causa o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).</p><p>Nestes termos,</p><p>pede-se deferimento.</p><p>Local e data</p><p>Advogado</p><p>OAB/UF XXX</p><p>EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE SANTO ANDRÉ - ESTADO DE SÃO PAULO</p><p>AÇÃO CIVIL PÚBLICA, COM PEDIDO DE LIMINAR</p><p>I - DOS FATOS</p><p>II- DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS</p><p>III- DO PEDIDO DA LIMINAR</p><p>IV - DA COMPETÊNCIA</p><p>V - DA LEGITIMIDADE ATIVA DA DEFENSORIA PÚBLICA</p><p>VI - DOS PEDIDOS</p>

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