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PRODUÇÃO DE LEITE FERMENTADO COM ADIÇÃO DE LEITES VEGETAIS DE AMÊNDOAS MARIA CLARA PRIMO DE FARIAS CLÁUDIA NILENE MARIA DE MEDEIROS ALVES RESUMO: O leite por ter se tornado um alimento muito importante nessa nova busca da sociedade por alimentos funcionais e que façam bem à saúde está ganhando muito destaque nas novas dietas, dentre todas as qualidades o seu valor nutricional tem sido a maior delas. Esta pesquisa buscou apresentar o processo da fermentação, mas com foco no leite fermentado com adição de leite vegetal de amêndoas. Sendo um processo comum ao leite, este acontece com auxílio de bactérias lácticas, que trazem características únicas ao produto e diversos benefícios a quem a consome. O objetivo deste trabalho foi a produção de um leite fermentado com a adição de leite vegetal de amêndoas, buscando verificar o potencial gustativo e fermentativo, além do melhoramento nutricional. Pelos resultados apresentados pela experiência descobre-se que a mistura A alcançou bons resultados, contudo a mistura c (que tinha proporções diferentes), foi a que se distanciou mais dos resultados esperados. PALAVRAS-CHAVE: Fermentados lácteos; Amêndoas; Leite vegetal; INTRODUÇÃO Com o crescimento da busca pelo consumo de alimentos mais saudáveis e funcionais que tragam benefícios a alimentação. Temos diversos alimentos que se enquadram assim como o leite, pois é um alimento de rico valor nutricional para a alimentação humana, pelo fato de conter componentes de interesse como proteínas, lactose, gorduras, vitaminas etc (ARTILHA et al, 2019). Segundo a RIISPOA (2008) - Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal-, entende-se por leite o produto obtido da ordenha completa e sem interrupções, de vacas saudáveis, alimentadas e descansadas, em ambientes que apresentem condições higiênico sanitária satisfatório. Uma das importantes qualidades do leite é que ele propicia a própria conservação, pois tem a capacidade de alimentar um grupo específico de microrganismos que transformam o açúcar em ácido o preservando e impedindo que este estrague ou seja transmissor de doenças (MCGEE, 2014). Estes microrganismos alteram o sabor e a textura do leite, que quando ocorre de forma positiva temos a fermentação, que gera produtos como leites fermentados, iogurtes, kefir, creme azedo entre outros. E isto ocorre graças às bactérias do ácido láctico (MCGEE, 2014). Esta pesquisa tem por objetivo a produção de leites fermentados com a adição de leite vegetal de amêndoas, visando analisar seu potencial fermentativo e gustativo, além de agregar mais nutrientes. LEITE FERMENTADO Muitos alimentos fermentados dependem das bactérias lácticas para auxiliar no processo fermentativo. É tido como leite fermentado o produto que tenha ou não adição de elementos que foram obtidos por coagulação e diminuição do pH do leite, ou reconstituído, adicionado ou não de componentes lácteos, por fermentação láctica do cultivo de microrganismos específicos como: Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus casei, Bifidobacterium sp., Streptococcus salivarius subsp. thermophilus e/ou outras bactérias ácido-lácticas, que contribuem para determinar as características do produto final (MAPA, 2007). Além deste, ainda segundo o MAPA (2007), são considerados leites fermentados: iogurte, yogur ou Yoghurt; leite acidófilo ou acidofilado; kefir; kumys e a coalhada ou cuajada. No qual o microrganismo cultivado é quem determina o tipo de produto desejado. Os leites fermentados trazem muitos benefícios aos seus consumidores pois possuem microrganismos probióticos, que conseguem resistir a acidez estomacal e chegam vivos ao intestino, onde conseguem equilibrar e regular a microbiota do trato digestivo. Alguns benefícios do consumo de leites fermentados incluem a diminuição de infecções intestinais e diarréias e a facilitação da digestão da lactose (LEITE et al, 2016). A amêndoas é um alimento bem relevante nutricionalmente, pois são ricas em gorduras boas, proteínas, além de serem fontes de vitamina E, magnésio, manganês, cobre, fósforo, fibras entre outros nutrientes. E assim como a oleaginosa seu leite também apresenta estas propriedades (FASOLI et al, 2011 apud ABATH, 2013). A fermentação láctica é um processo metabólico que vai ser constituído por reações químicas, tal qual outros tipos de fermentação (como por exemplo a alcoólica), ela vai acontecer em duas fases. A primeira é a glicólise, que acontece em dois estágios. O primeiro estágio é preparatório e a glicólise vai ser fosforilada e clivada para gerar duas moléculas de triose fosfato, o segundo estágio essas duas moléculas de triose fosfato serão convertidas em piruvato. A segunda é a fermentação láctica , depois do processo da glicose a redução do piruvato é catalisada pela enzima lactato-desidrogenase. O equilíbrio global dessa reação favorece a formação de lactato (PRADO, 2007). Como resultado da fermentação, os leites fermentados devem apresentar consistência firme, pastosa, semi sólida ou líquida. A coloração deve ser branca, ou ainda, pode apresentar variações de acordo com os elementos de cunho alimentício e/ou corantes adicionados. Seu odor e seu sabor são característicos ou dependem das substâncias alimentícias/aromatizantes/saborizantes adicionadas (BRASIL, 2007). Para a produção de leite fermentado o primeiro passo é a escolha da matéria prima, que neste caso é o leite desnatado para obtenção de um bebida mais fluida, em seguida ocorre o tratamento térmico para criar um ambiente propício para os microorganismos, em seguida ocorre a adição da cultura, após isso tem início a fermentação por meio da incubação, dado o tempo determinado, ocorre a adição de xaropes, saborizante e corantes para seguir para o resfriamento e por fim a embalagem e acondicionamento (CARNEIRO et al, 2012). MATERIAIS E MÉTODOS O material utilizado nesta pesquisa foi o leite desnatado como base e o leite vegetal de amêndoas industrializado obtido no comércio de Recife - PE e região metropolitana. A produção ocorreu na residência de cada pesquisador, de modo a discutir os resultados alcançados. Para o desenvolvimento dos experimentos com o leite vegetal de amêndoas, foram realizados 3 experimentos com diferentes proporções, para os produtos A, B e C. No qual o A, apresenta 125 ml de leite desnatado, 125 ml de leite vegetal e 40 ml de leite fermentado da marca Yakult. No produto B, 200 ml de leite desnatado, 50 ml de leite vegetal e 40ml de leite fermentado da marca Yakult. E no experimento C 50 ml de leite desnatado, 200 ml de leite vegetal e 40ml de leite fermentado da marca Yakult. Que podem ser observados na imagem 1. O leite desnatado foi aquecido em torno de 40ºC, em seguida foi adicionado o leite fermentado Yakult e por fim o leite vegetal. Para a fermentação foram utilizados potes/recipientes de vidro com tampa esterilizados em água quente e panos de prato para manter o ambiente que favoreça a multiplicação das bactérias. A escolha do Yakult se deu pelo fato deste apresentar no rótulo qual cultura está presente na sua composição. O leite ficou fermentando por volta de 12 horas, e por fim foi adicionada uma calda de açúcar feita com 15g de água e 8g de açúcar em cada pote, que foi levada ao fogo apenas para dissolver, a fim de adoçar e facilitar a análise, e adicionada quando fria e misturada balançando o recipiente. Os leites fermentados não devem ser submetidos a qualquer tipo de tratamento térmico após a fermentação, pois é necessário que os microrganismos cultivados permaneçam viáveis, ativos e em proporção igual ou superior à definida pela legislação (CARNEIRO et, 2012). Imagem 1 - Experimento do leite fermentado Fonte: Arquivo do autor RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados observados para o leite fermentado com a adição do leite de amêndoas podem ser observados na imagem 2 abaixo. Logo após a fermentação os experimentos A e C se separaram visualmente e ficaram com aspecto poroso e talhado,já o experimento B se manteve em uma única fase. Este acontecimento é conhecido pelo nome de sinérese ou dessoramento é tido como um defeito na aparência dos leites fermentados ou cultivados, dentre os possíveis motivações temos extrato seco, tratamento térmico insuficiente, homogeneização insuficiente, temperatura de incubação muito alta, baixa atividade da cultura, presença de enzimas proteolíticas, distúrbios na agitação durante a acidificação, oxigênio dissolvido no leite e excesso de fermentação (CARNEIRO et al, 2012). Imagem 2 - Experimento pós fermentação Fonte: Arquivo do autor Em uma análise sensorial realizada com os próprios moradores da casa de uma das pesquisadoras, foi avaliado a cor, o aroma e o sabor das bebidas fermentadas e obtivemos os seguintes resultados. Sobre o teste A que há a proporção igual de leite desnatado para leite vegetal, foi reconhecido um cheiro adocicado semelhante com o cheiro do Yakult, todos apresentavam coloração semelhante a leite comum, o sabor para alguns era vagamente parecido como o Yakult e com uma textura porosa (imagem 3) na boca, enquanto para outros apenas um sabor azedo na boca, e ainda disseram não sentir o doce, ou seja, a quantidade de açúcar para adoçar foi insuficiente. Quanto ao teste B, onde havia a maior quantidade de leite desnatado para leite de amêndoas, o aroma semelhante ao A mas com uma percepção mais azeda, a cor novamente foi dita como a de leite de caixa, mas no sabor o consenso foi um gosto ácido o que para alguns lembrou o sabor de coalhada e ainda com a porosidade (imagem 3) na textura. Em relação ao teste C, possuía a mesma cor dos demais, no entanto foi o teve a menor aceitabilidade, este também era o experimento com a maior proporção de leite vegetal na composição, todos informaram que este entre os 3 foi o que apresentou menos cheiro de leite fermentado quase imperceptível, com relação ao sabor esse teste possuía sabor avinagrado e de presença untuosa na boca e assim como os demais visual e textura porosa. Segundo CARNEIRO et al (2012), esta textura grumosa dentre as amostras pode ter sido causada pela maturação em altas temperaturas, ou pela má agitação dos elementos, ou pela agitação antes do resfriamento, dentre outras causas. Tendo em vista que o resfriamento ocorreu na geladeira de casa, alguém pode ter tirado o experimento do lugar causando agitação. Imagem 3 - Textura visual dos experimentos Fonte: Arquivo do autor CONSIDERAÇÕES FINAIS Os leites fermentados desenvolvidos na presente pesquisa apresentaram características bem semelhantes quanto a sua cor e seu aroma, entretanto no quesito sabor, foi o ponto mais divergente, sendo o experimento C o que teve a menor aceitabilidade. Foi observada que a adição de leite vegetal de amêndoas trouxe resultados adversos ao longo do período de análise, onde dois dos três experimentos ficaram em 2 fases, devido a diferença de proporção de leite desnatado. O leite fermentado de amêndoas A alcançou um resultado bom comparado aos demais, e o C foi o que apresentou pior satisfação, recebendo adjetivos como avinagrado. De modo geral, a adição de leite vegetal de amêndoas trouxe bons resultados em proporções iguais, porém faltou mais dulçor nos experimentos para melhorar a palatabilidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAPA. Instrução Normativa nº 46, de 23 de outubro de 2007. Disponível em: <https://www.abia.org.br/vsn/temp/z201886INMAPA462007.pdf>. Acesso em: 02/02/2022. BESERRA, Y. A. S.; BARROS, R. A.; FLORÊNCIO, I. M.; Florentino, E. R.; SILVA, F. D. M.. Produção de leite fermentado com adição de leite de coco. Anais I ENECT/ UEPB. Campina Grande: Realize Editora, 2012. Disponível em:<https://silo.tips/download/produao-de-leite-fermentado-com-adiao-de-leite-de-co co>. Acesso em: 02/02/2022. https://silo.tips/download/produao-de-leite-fermentado-com-adiao-de-leite-de-coco https://silo.tips/download/produao-de-leite-fermentado-com-adiao-de-leite-de-coco ARTILHA, C. A. F.; SILVA, D. M. B.; TAVONE, L. A. S.; ALVES, E. S.; RASPE, D. T.; SAQUETI, B. H. F. Leites Fermentados - Uma Revisão. Disponível em: <https://rdu.unicesumar.edu.br/bitstream/123456789/3273/1/LUCIANA%20ALVES%2 0DA%20SILVA%20TAVONE.pdf>. Acesso em: 01/02/2022. LEITE, K. F.; POIATTI, M. L.; PRANDINI, M. S.; MENEZES, T. J. Elaboração de leite fermentado a partir dos probióticos Lactobacillus acidophilus e Streptococcus thermophilus adicionado mel de Apis mellifera. 1º Encontro Internacional de Ciências Agrárias e Tecnológicas. Crise: tecnologias para a superação de desafios no setor agrário. 2016. Disponível em:<https://www.dracena.unesp.br/Home/Eventos/imast/034.pdf>. Acesso em: 02/02/2022 BRASIL. Decreto nº 1812, de 08 de fevereiro de 1996. Altera dispositivos do Decreto n° 30.691, de 29 de março de 1952, que aprovou o Regulamento da 51 Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal, alterado pelo Decreto n° 1.255, de 25 de junho de 1962. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, p. 09, jan. 1996. Seção 1. Disponível em: <https://cdn.sertaobras.org.br/wp-content/uploads/2010/11/RIISPOA.pdf>. Acesso em: 02/02/2022. ABATH, Thaís Naves. Substitutos de leite animal para intolerantes à lactose. 2013. 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