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<p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>PEIM</p><p>Procedimento Estético Injetável para Microvasos</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>2</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>Dra. Thuanny Farina</p><p>@drathuannyfarina</p><p>• Graduada em Biomedicina em 2008 pela Faculdades Metropolitanas Unidas – UniFMU</p><p>• Habilitada em Análises Clínicas, Biologia Molecular, Microbiologia de Alimentos e</p><p>Estética</p><p>• Pós graduada em Estética e Cosmetologia</p><p>• Professora de cursos de aperfeiçoamento estético em escolas de São Paulo, Bahia e</p><p>Fortaleza</p><p>• Docente de pós graduação em estética (biomedicina estética, farmácia estética,</p><p>enfermagem estética e estética) Famesp (SP), Inaesp (SP), Biocursos (AM, RR, PA) e</p><p>Univic (BA).</p><p>• Speaker da empresa i-Thread de Fios de PDO</p><p>• Speaker Galderma e Rennova</p><p>• Doutoranda em Ciências Biomédicas (Argentina/Brasil)</p><p>• Graduanda em Medicina</p><p>• CEO da Cursos em Estética</p><p>• Palestrante em Congressos nacionais e internacionais na área de saúde e Estética.</p><p>• Especializações e atualizações em procedimentos estéticos minimamente invasivos no</p><p>Brasil e exterior.</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>3</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>Sumário</p><p>1 - Introdução ..................................................................................................................................... 4</p><p>2 – Anatomia do Sistema Cardiovascular ......................................................................................... 5</p><p>3 – Sistema Cardiovascular e Microvasos......................................................................................... 6</p><p>4 – Fisiopatologia dos Microvasos .................................................................................................... 7</p><p>5. Procedimento Estético Injetável para Microvasos ...................................................................... 9</p><p>6 – Métodos de Anestesia ................................................................................................................ 12</p><p>7 – Avaliação Clínica ......................................................................................................................... 14</p><p>8 – Complicações e Recomendações ............................................................................................... 16</p><p>9 – Contraindicações ........................................................................................................................ 17</p><p>10 – Terapias Associadas e Tratamento das Intercorrências ....................................................... 17</p><p>11 – Referências Bibliográficas ....................................................................................................... 19</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>4</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>1 - Introdução</p><p>As varizes constituem uma das doenças mais antigas de que se tem relato e,</p><p>atualmente, estão presentes, em média, em torno de 30 a 40% da população brasileira. Alguns</p><p>fatores de riscos são considerados, tais como ocupação, gravidez, dieta, obesidade,</p><p>hereditariedade e etnia, sendo as mulheres as mais afetadas, numa razão de 4 mulheres para</p><p>1 homem afetado. Acredita-se que 70% das mulheres com idade acima de 40 anos</p><p>apresentem veias varicosas.</p><p>Existem dois tipos de varizes:</p><p>- Primárias: que aparecem influenciadas pela tendência hereditária, são as responsáveis</p><p>pelas antiestéticas linhas vermelhas e azuis, de diversos tamanhos, que aparecem</p><p>especialmente nas pernas das mulheres e também pelas varizes de maior calibre, que são as</p><p>mais frequentes.</p><p>- Secundárias: que aparecem por doenças adquiridas no decorrer da vida, sendo de</p><p>tratamento mais difícil, são causadas por uma doença pré-existente, como fístulas</p><p>arteriovenosas (congênitas ou adquiridas), traumas, angiodisplasias, síndrome pós-flebítica,</p><p>compressões extrínsecas, entre outras.</p><p>Existe uma tendência hereditária para as pessoas apresentarem varizes e também</p><p>alguns fatores podem desencadear o aparecimento ou a piora do quadro de varizes. Um dos</p><p>principais é a gravidez. Outro muito importante é o uso de anticoncepcionais. Ficar muito</p><p>tempo na posição em pé ou sentada também provoca varizes. Portanto, pessoas que ficam em</p><p>pé paradas, ou sentadas durante muito tempo, usam anticoncepcional ou tem várias gestações</p><p>e que apresentam a tendência hereditária, têm uma forte possibilidade de desenvolver o</p><p>problema.</p><p>A questão hereditária favorecendo as varizes atinge homens e mulheres igualmente,</p><p>mas existe uma proporção muito maior de mulheres com varizes do que homens, por causa</p><p>do efeito do hormônio feminino em agravar o problema.</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>5</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>2 – Anatomia do Sistema Cardiovascular</p><p>A função principal do sistema cardiovascular é abastecer de sangue os tecidos,</p><p>proporcionar os nutrientes essenciais das células para o metabolismo e eliminar os produtos</p><p>de dejeto das células. O coração atua como uma bomba, de modo que, ao se contrair, gera uma</p><p>pressão que impulsiona o sangue através de uma série de vasos sanguíneos.</p><p>Os vasos que transportam o sangue do coração até os tecidos são as artérias, que estão</p><p>submetidas a uma pressão elevada e que contém uma porcentagem relativamente pequena do</p><p>volume sanguíneo. As veias, que transportam o sangue de retorno dos tecidos para o coração,</p><p>são vasos de baixa pressão e contém porcentagem mais elevada de volume sanguíneo.</p><p>No interior dos tecidos há uma série de vasos sanguíneos de parede fina, denominados</p><p>capilares que se interpõe entre as artérias e veias. Através das paredes dos capilares é feito o</p><p>intercâmbio de nutrientes, de produtos de dejeto e líquidos.</p><p>As principais teorias sobre etiologia das varizes primárias ou essenciais dos membros</p><p>inferiores estão relacionadas com alterações na parede da veia, com modificação na estrutura</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>6</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>do colágeno e/ou elastina, aumentando a presença de material elástico com o espessamento</p><p>do vaso, incompetência valvar localizada ou segmentar e presença de fístulas arteriovenosas</p><p>no nível da microcirculação. As varizes secundárias estão relacionadas com a síndrome pós-</p><p>flebítica, gravidez, fístulas arteriovenosas traumáticas, angiodisplasias e compressões</p><p>extrínsecas.</p><p>3 – Sistema Cardiovascular e Microvasos</p><p>Existe comunicação entre as varizes, microvarizes e microvasos, tudo ocorre como se</p><p>fosse uma rede, que transmite a pressão do volume de sangue.</p><p>Quem dilata primeiro é que recebe maior volume de sangue no sentido errado (de cima</p><p>para baixo e de dentro para fora, o inverso do normal, de baixo para cima e de fora para</p><p>dentro), ou onde o sangue fica mais represado. A veia da pele gera o microvasinho.</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>7</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>Quando se dilatam as microveias, aparecem as microvarizes e quando se dilatam as</p><p>veias superficiais maiores levam ao aparecimento das varizes. Se o refluxo (caminho inverso</p><p>do sangue) ou o acúmulo de sangue atinge só uma parte das veias, só estas se dilatarão, se</p><p>atinge todas, todas dilatarão. Se o refluxo ocorre só na pele, teremos os vasinhos, então para</p><p>tratar, basta cuidar destes pequenos vasos. Mas se uma veia provoca refluxo para a pele, esta</p><p>cria os microvasinhos para acomodar o sangue.</p><p>4 – Fisiopatologia dos Microvasos</p><p>O defeito nas veias das pessoas que têm varizes está nas válvulas e nas paredes das</p><p>veias. Existem dois</p><p>tipos de veias nos membros inferiores, as veias superficiais que ficam sob</p><p>a pele, na camada de gordura e que podem ser visíveis e existem as veias profundas que ficam</p><p>no meio da musculatura da perna e não são visíveis, e existem ainda as veias comunicantes,</p><p>que ligam as veias superficiais e profundas. As válvulas orientam o sangue nas veias dos</p><p>membros, sempre da veia superficial para a profunda, através da veia comunicante, e</p><p>impedem que o sangue faça o caminho errado, descendo pelas veias, quando a pessoa está de</p><p>pé ou sentada.</p><p>As artérias levam o sangue do coração para todo o corpo. O sangue então, depois de</p><p>oxigenar e alimentar as células retorna para o coração através das veias. Quando a pessoa está</p><p>em pé ou sentada, o sangue vai para o pé com facilidade, porque o coração impulsiona e, além</p><p>disso, para baixo é mais fácil. Quando se está em pé parado ou sentado, existe mesmo uma</p><p>certa dificuldade para o sangue voltar para o coração. Nas pessoas em que as veias têm</p><p>válvulas e paredes normais o sangue aguarda a oportunidade de voltar, sem causar nenhuma</p><p>alteração. Nas pessoas em que as válvulas estão doentes acontece, então, uma inversão no</p><p>caminho do sangue, que passa a ir de cima para baixo e da veia profunda para a superficial.</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>8</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>Este fato provoca um aumento do volume sanguíneo dentro da veia superficial, ocorrendo o</p><p>processo de dilatação e aparecimento das varizes.</p><p>O sangue volta para o coração através do coração periférico, que na verdade, existe. É a</p><p>musculatura da panturrilha (batata da perna). Mas este coração só funciona quando nos</p><p>movimentamos, contraindo e relaxando o músculo da perna. Quando os músculos se</p><p>contraem, impulsionam o sangue para cima realizando a circulação.</p><p>As varizes têm vários graus de comprometimento da saúde, mas existem também</p><p>questões estéticas envolvidas. Dentre os tipos de varizes temos:</p><p>- Tipo 1: são varizes leves que não expõem os seus portadores a risco de complicações</p><p>imediatas, embora possam provocar manchas e sangramentos no futuro e são as de interesse</p><p>maior estético.</p><p>- Tipo 2: são varizes estéticas e funcionais.</p><p>- Tipo 3: são varizes funcionais, podem ser leves ou graves dependendo do grau de</p><p>acometimento. Mas mesmo que estejam entre as leves, à doença já está presente,</p><p>prenunciando problemas para o futuro, e assim devem ser tratadas, sempre que possível. -</p><p>Tipo 4: são as varizes graves, são as que podem provocar sérias complicações, como,</p><p>tromboflebite, embolias, edemas, eczema, úlceras (feridas) e hemorragia. São um sério</p><p>problema, que, às vezes não se manifesta por muitos anos. O aparecimento das complicações</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>9</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>leva o paciente a incapacidades e até mesmo, quando ocorrem tromboflebites e embolias, ao</p><p>risco de vida.</p><p>O tratamento das varizes leves quando realizado, apesar de não ser imediatamente</p><p>necessário do ponto de vista de saúde, não é inútil, porque estas varizes que agora configuram</p><p>um problema que atinge mais a autoestima do paciente serão doença no futuro, e além do que</p><p>embora raramente, podem apresentar complicações. Então o tratamento estético de varizes,</p><p>é, além de um cuidado com a aparência, um tratamento de uma doença. Tratar as varizes</p><p>estéticas é unir o útil ao agradável. Agradável é melhorar a aparência e a autoestima, útil é</p><p>controlar uma doença que pode causar complicações no futuro.</p><p>5. Procedimento Estético Injetável para Microvasos</p><p>A utilização da sigla PEIM deve ser utilizada por profissionais da área da saúde habilitados</p><p>pelo seu conselho a realizar o procedimento, pois escleroterapia ou como popularmente</p><p>chamada “secagem de vasinhos”, é um procedimento de exclusividade médica.</p><p>O termo esclerose é originário do grego skleros que significa duro. A prática da</p><p>escleroterapia química para o tratamento das varizes dos membros inferiores remonta à</p><p>metade do século XIX, com a utilização de álcool absoluto, aparentemente trazendo bons</p><p>resultados, mas com alto índice de complicações e mortalidade por sepse e fenômenos</p><p>embólicos.</p><p>O PEIM é um tratamento destinado à eliminação das telangiectasias (microvasos) e veias</p><p>reticulares, utilizando um líquido muito concentrado, chamado esclerosante, é injetado</p><p>através de microagulhas, que são extremamente finas, dentro do vasinho.</p><p>A finalidade do tratamento é a oclusão do tronco varicoso em questão. A idéia é introduzir</p><p>na veia uma substância irritante, que induza um processo inflamatório, levando à fibrose,</p><p>fazendo com que o vaso perca seu caráter cilíndrico e excluindo-o do caminho da circulação.</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>10</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>Quando o líquido continua na circulação e atinge os vasos maiores é diluído pelo sangue e</p><p>perde a concentração e, portanto, o efeito. Este tratamento é indicado apenas para os</p><p>vasinhos, porque se o líquido for aplicado em vasos maiores podem provocar manchas e</p><p>sérias complicações. Existem muitas substâncias que podem ser usadas e uma das mais</p><p>empregadas é a glicose, por causa da grande tolerabilidade do paciente e por não causar</p><p>alergia. Para evitar complicações, não é conveniente aplicar grandes volumes de esclerosante</p><p>de uma só vez, por isso o tratamento deve ser feito por sessões, onde em cada uma é aplicado</p><p>um volume de esclerosante que seja bem aceito pelos pacientes. Os tratamentos de aplicação</p><p>que prometem corrigir tudo em um só dia, não são indicados, porque aumentam o risco de</p><p>complicações e não devem ser aplicadas em veias de maior calibre.</p><p>Dentre os tipos de esclerosantes temos:</p><p>- Agentes osmóticos: produzem destruição endotelial por gradiente osmótico. Exemplo:</p><p>Glicose (Solução 50% e 75%).</p><p>- Agentes detergentes: produzem lesão endotelial por ação nos lipídios da membrana</p><p>celular. Exemplo: Polidocanol.</p><p>- Agentes irritantes: promovem lesão tóxica na célula endotelial. Exemplo: Glicerina</p><p>Cromada 72%.</p><p>O tipo de esclerosantes que os profissionais da saúde (não médicos) podem utilizar é a</p><p>glicose 75% que atua promovendo a desidratação das células da camada endotelial e,</p><p>consequentemente, acarreta a destruição e desintegração dessa porção da parede venosa. Sua</p><p>ação lenta gasta de 30 minutos a 4 dias, sendo considerada mais suave e menos capaz de</p><p>produzir grandes descamações quando comparada aos agentes detergentes.</p><p>A vantagem do tratamento com PEIM é que pode ser feito em sessões na clínica e o</p><p>paciente pode exercer suas atividades normais em poucos dias, sendo que este não afasta da</p><p>rotina (não requer afastamento do trabalho, por exemplo).</p><p>Realização do Método de Aplicação:</p><p>1. Lavar bem as mãos, fazendo assepsia com álcool a 70% ou sabonete anti-séptico e calçar as</p><p>luvas de procedimento;</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>11</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>2. Utilizar frascos ou ampolas (mesclas) de enzimas liberadas pela Anvisa e estéreis: retire a</p><p>tampa superior do frasco ou quebre cuidadosamente a ampola para abri-la; utilizar agulha</p><p>0,70X30mm (22G1¼) ou 1,20X40mm (18G1¼) para aspirar; trocar agulha, colocando agulha</p><p>de aplicação 0,45X13mm (26G½) ou 0,30X13mm (30G⅟2);</p><p>3. Com a mão dominante, proceder à antissepsia do local. Depois, manter a gaze entre o dedo</p><p>mínimo e anular da mesma mão;</p><p>4. Ainda com a mão dominante, esticar a pele segurando firmemente a pele;</p><p>5. Para a aplicação em microvasos, deve-se introduzir cuidadosamente a agulha com o bisel</p><p>(ponta) para cima na luz do vaso.</p><p>6. A injeção deve ser feita lentamente com o mínimo de pressão no êmbolo, com agulha</p><p>angulada em ± 60º, para facilitar o acesso ao vaso;</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>12</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>7. Terminada a aplicação, retirar rapidamente a agulha e fazer uma ligeira pressão com a gaze</p><p>(para evitar refluxo);</p><p>8. Ao término de cada punção, para evitar refluxo, uma bolinha de algodão presa a uma fita</p><p>adesiva, ou blood stop ou micropore deve ser colocada sobre o ponto de perfuração, podendo</p><p>ser removidos 1 a 2 horas após a sessão;</p><p>9. Providenciar a limpeza e o descarte do material em local apropriado (lixo descartável),</p><p>onde haja recolhimento de lixo hospitalar;</p><p>10. Retirar e descartar as luvas de procedimento e lavar as mãos.</p><p>Importante: Quantidades Aplicadas</p><p>- PEIM: a escleroterapia química convencional realizada com solução de glicose hipertônica a</p><p>75% promove uma elevação significativa nos níveis de glicemia (pesquisa realizada com</p><p>aplicações de 10 ml em pacientes não diabéticos, apresentou variação na glicemia de 49%),</p><p>sendo assim o valor limite estabelecido para aplicação por sessão é de 3 a 5 ml da solução,</p><p>evitando assim hiperglicemia e suas consequências em certas pacientes com predisposição</p><p>genético-familiar confirmada para o diabetes (pré-diabéticas) ou em pacientes diabéticas</p><p>compensadas. As sessões devem ser realizadas a cada 15 dias (mesma região). A glicose 75%</p><p>é mais utilizada por causa da grande tolerabilidade do paciente e por não causar alergia,</p><p>lembrando que a técnica não deve ser aplicada em vasos de calibre grandes (somente</p><p>telangectasias e microvasos).</p><p>6 – Métodos de Anestesia</p><p>Para um melhor conforto e menos dor durante a sessão, também é sugerido o uso de</p><p>anestésicos, que podem ser de uso tópico, gelo e outros.</p><p>- Lidocaína: (2 – (dietilamino) – N – (2,6-dimetilfenil) acetamida) é o anestésico local mais</p><p>estável entre todos os conhecidos, sendo extremamente mais resistente à hidrólise. Apresenta</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>13</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>um período de latência menor do que a procaína e sua ação, além de mais intensa, é também</p><p>mais prolongada, durando de 60 a 75 minutos. Os anestésicos locais, em geral, atravessam a</p><p>bainha do nervo na forma não ionizada, porém, interagem com os aceptores situados na</p><p>membrana neural, na forma ionizada, estabilizando o potencial da referida membrana,</p><p>bloqueando a condução nervosa. Esta despolarização talvez se dê por interferência com o</p><p>fluxo de íons Na+ e K+ através da membrana. A lidocaína, assim como os outros anestésicos</p><p>locais, pode ser ineficaz em áreas inflamadas, pois nestas, o pH, por ser mais baixo, facilita a</p><p>ionização das moléculas da lidocaína, dificultando sua penetração nas fibras nervosas.</p><p>Precauções: não aplicar em pacientes com histórico alérgico à lidocaína, síndrome de Stokes-</p><p>Adams, segundo ou terceiro grau de parada cardíaca ou em caso de antecedentes epiléticos.</p><p>Os anestésicos tópicos possuem o mesmo mecanismo de ação dos injetáveis, com o</p><p>bloqueio de nervos sensoriais pela inibição do impulso neuronal, e reduzem o desconforto</p><p>associado com a inserção da agulha. Para a aplicação do anestésico tópico, deve-se limpar a</p><p>pele com álcool para retirar a oleosidade e aumentar a penetração do anestésico, realizar a</p><p>aplicação com luva ou com aplicador com ponta de algodão e esfregar suavemente a região</p><p>para aumentar a penetração. Pode-se também ocluir o anestésico tópico com película de filme</p><p>plástico para aumentar a absorção. Remover o anestésico com álcool após 15 a 30 minutos,</p><p>dependendo do anestésico utilizado.</p><p>Dentre os anestésicos temos:</p><p>- Lidocaína a 4 – 5%: produto disponível comercialmente (vendido em farmácias); preferir</p><p>as formulações em creme dermatológico, pois tem absorção mais rápida. A dose máxima da</p><p>lidocaína é de 500mg/dose. Reações alérgicas: pode acontecer prurido e pápulas localizadas e</p><p>a possibilidade (raramente) de urticária, angioedema e anafilaxia. Toxicidade: ao nível de</p><p>sistema nervoso central pode apresentar tontura, dormência na língua, zumbido, diplopia,</p><p>nistagmo, fala enrolada, desmaios, problemas respiratórios; a nível de sistema cardiovascular</p><p>pode apresentar arritmias, hipotensão, problemas cardíacos. Pode provocar metemoglobinemia</p><p>(cianose e acidose).</p><p>O gelo e alguns equipamentos resfriadores são também boas opções anestésicas que</p><p>podem ser utilizadas junto com outras opções de anestesia.</p><p>- Bolsas de gelo ou resfriador (tipo Skin Cooler): pode ser aplicado na pele no momento</p><p>anterior à aplicação, aproximadamente 1 a 2 minutos até que a pele fique com aspecto</p><p>eritematoso, porém, não esbranquiçada. Preparar a pele com álcool.</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>14</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>- Aparelhos de resfriamento por contato: podem substituir o gelo. Aplica-se o aparelho de</p><p>resfriamento por contato no momento anterior à aplicação, aproximadamente 1 a 2 minutos</p><p>até que a pele fique com aspecto eritematoso, porém, não esbranquiçada, obtendo assim</p><p>efeito anestésico.</p><p>Para ambas as técnicas de resfriamento, a temperatura por contato deve ser de</p><p>aproximadamente 5°C, pois o resfriamento excessivo (pele esbranquiçada) pode resultar em</p><p>comprometimento epidérmico.</p><p>7 – Avaliação Clínica</p><p>Na primeira consulta da paciente, é importante preencher a ficha de anamnese, solicitando</p><p>para que a paciente informe o mais real (e que tenha conhecimento) do seu estado de saúde,</p><p>além de informar também se está fazendo uso de algum medicamento (ou se toma com</p><p>frequência, como anticoncepcionais, anti-hipertensivos, reposição hormonal, entre outros)</p><p>inclusive suplementações (produtos naturais ou industrializados, utilizados na academia ou</p><p>para finalidade estética).</p><p>Deve ser realizada a inspeção visual minuciosa para identificar o tipo de varizes:</p><p>- Varizes Complexas (VC): estão relacionadas a problemas funcionais. Apresentam-se como</p><p>veias superficiais, dilatadas e tortuosas, com refluxo venoso consequente a disfunções das</p><p>safenas e/ou perfurantes, podendo ou não estar associadas a sintomas (edema, peso, cansaço</p><p>e queimação).</p><p>- Varizes simples (VS): são as varizes que, apesar de visíveis, não estão associadas a refluxos</p><p>nas safenas e/ou perfurantes. Geralmente, estão dissociadas de queixas outras que não as</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>15</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>puramente estéticas têm calibres variados, desde pequenos segmentos de veias mais</p><p>calibrosas até veias reticulares, que possuem um calibre menor e são de localização dérmica.</p><p>- Telangectasias combinadas (TC): geralmente, apresentam-se como aglomerados, sob a</p><p>forma de veias dérmicas e de fino calibre associadas a veias nutrícias, que formam vias de</p><p>drenagem incompetentes para o sistema superficial e/ou profundo, aumentando a pressão</p><p>das telangectasias e dificultando o tratamento.</p><p>- Telangectasias simples (TS): apresentam-se isoladas ou agrupadas em diversos formatos,</p><p>com localização dérmica e de fino calibre, sem associação a uma veia nutrícia, há autores que</p><p>as classificam de acordo o formato: linear, arborizada, aracniforme ou popular.</p><p>O que os profissionais da área da saúde (não médicos) podem realizar procedimentos</p><p>são as telangectasias e veias reticulares (microvasos). As varizes devem ser tratadas por</p><p>médicos vasculares.</p><p>As telangectasias são as pequenas veias da pele (vasinhos), da espessura de um fio de</p><p>cabelo, avermelhadas ou um pouco maiores, azuladas, mas que estão na intimidade da pele.</p><p>Apresentam vários formatos, desde pequenos riscos, até grandes arborizações. Pode estar</p><p>presente em todos os locais dos membros, atingindo, a coxa, a perna, o glúteo e em alguns</p><p>casos até a região das costas.</p><p>As veias reticulares (microvasos) são maiores, e se apresentam como trajetos longos,</p><p>azulados, e estão sob a pele, mas a ela intimamente relacionadas. Estão frequentemente</p><p>ligadas as telangectasias, É muito frequente a associação de telangectasias</p><p>da face lateral da</p><p>coxa, com estas veias reticulares que se estendem para a região lateral do joelho e atinge até a</p><p>perna. Apesar de ser um problema de saúde, uma doença, estas pequenas veias não causam</p><p>riscos imediatos, sendo um problema que atinge mais a estética do paciente e sua autoestima.</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>16</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>Temos também as telangectasias e/ou microvarizes faciais que são dilatações de</p><p>capilares, artérias ou veias menores do que 2 mm de calibre, têm disposição linear e sinuosa</p><p>podendo formar emaranhados ou ter aspecto aracneiforme ou retiformes (em forma de rede).</p><p>Eventualmente apresentam-se como dilatações puntiformes. As telangectasias podem</p><p>aparecer isoladamente ou em grande quantidade, como na rosácea.</p><p>8 – Complicações e Recomendações</p><p>As complicações geralmente são:</p><p>- Dor no local da aplicação</p><p>- Eritema (vermelhidão consequente à vasodilatação que deve logo desaparecer)</p><p>- Rubor (eritema rubro consequente a vasocongestão ativa ou arterial, com aumento da</p><p>temperatura)</p><p>- Edema (inchaço no local da aplicação)</p><p>- Equimose ou Hematoma (proveniente da ruptura de algum microvasinho)</p><p>- Urticária</p><p>- Hiperpigmentações</p><p>- Necroses cutâneas</p><p>As principais recomendações são:</p><p>- Não tomar sol por cerca de 10 dias</p><p>- Não realizar esforço físico (na academia) por 24 horas</p><p>- Não fazer repouso, ideal é caminhar, sem fazer grandes esforços</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>17</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>- As aplicações devem ser realizadas com cuidado para que se injete na luz do vaso, evitando</p><p>necroses cutâneas.</p><p>- Indicar o uso de meias de compressão e calçados adequados.</p><p>9 – Contraindicações</p><p>- Alergia a algum ativo da solução injetável</p><p>- Infecção no local a ser tratado ou sistêmica</p><p>- Doença sistêmica sem controle (Lupus, diabetes, hipertensos)</p><p>- Doença das artérias (arteriopatias isquêmicas)</p><p>- Diabetes descompensado</p><p>- Insuficiências renal, cardíaca e hepática (incluindo hepatopatias)</p><p>- Insuficiência circulatória envolvendo circulação arterial</p><p>- Antecedentes de trombose venosa profunda e trombofilias</p><p>- Gravidez e amamentando</p><p>- Patologia oncológica ativa (câncer)</p><p>- Em caso de cirurgia recente ou estar passando por tratamento médico, somente realizar o</p><p>procedimento com a liberação do médico responsável pela paciente.</p><p>10 – Terapias Associadas e Tratamento das Intercorrências</p><p>Dentre as terapias que podemos associar aos procedimentos para microvasos,</p><p>podemos citar as drenagens linfáticas manuais, principalmente se associadas com uso de</p><p>creme ou loções com ativos próprios para atuar como coadjuvante no tratamento das</p><p>microvarizes, amenizando ainda a sensação de dores e cansaço nas pernas.</p><p>Os peelings químicos são bons aliados para as correções de complicações da técnica de</p><p>PEIM, quando ocorre hiperpigmentação (manchas por hemossiderina), sendo indicado fazer</p><p>sessões de peeling de ácido glicólico a 10% na região.</p><p>Uma excelente associação que é recomendada para complementar qualquer</p><p>tratamento de microvasos é o uso de meias elásticas de compressão:</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>18</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>- Meias elásticas: são o principal meio preventivo. Elas agem desviando, através das veias</p><p>comunicantes, o sangue das veias superficiais, onde as varizes se formam, para as veias</p><p>profundas, onde não existem varizes. As pessoas com tendência hereditária importante e as</p><p>que por motivos profissionais ficam muito tempo em pé ou sentadas devem usar este tipo de</p><p>meia. Estas meias medicinais, de indicação aparentemente simples, devem, no entanto,</p><p>ser receitadas por um especialista.</p><p>Outros fatores importantes e que também devem ser levados em conta são:</p><p>- Evitar o sol e o calor: o sol, sauna, banhos muito quentes e demorados provocam o</p><p>aquecimento da pele e a passagem de uma maior quantidade de sangue pelos vasos da pele.</p><p>Se uma maior quantidade de sangue passa pelos vasos superficiais eles se acomodam a essa</p><p>situação e se dilatam sendo um fator que favorece o aparecimento de vasinhos nas pessoas</p><p>que são predispostas. Evitar sauna, evitar banhos muito quentes e demorados, evitar</p><p>exposição ao sol da praia são medidas úteis. Quando estiver exposto ao calor da praia ou da</p><p>piscina deve-se ter o cuidado de entrar na água a cada 15 ou 20 minutos para evitar que a</p><p>perna fique muito quente. Deve-se evitar banho de sol e nunca passar das 10 horas da manhã,</p><p>horário em que os raios térmicos prejudiciais passam a ser mais frequentes.</p><p>- Evitar o excesso de peso: O excesso de peso sobrecarrega a circulação e provoca o</p><p>aparecimento de varizes. Ter bons hábitos alimentares é saudável para todo o corpo. O</p><p>excesso de peso também provoca celulite que está associada às microvarizes e telangectasias</p><p>(vasinhos).</p><p>- Fazer exercícios: Os exercícios melhoram a força muscular da perna e, portanto melhoram</p><p>a circulação de retorno. Os melhores são andar, correr e nadar.</p><p>- Evitar o uso de anticoncepcionais hormonais: Os hormônios femininos (pílulas,</p><p>tratamento de menopausa, reposição hormonal) retêm líquidos e aumentam a pressão dentro</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>19</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>das veias, também amolecem as paredes dos vasos e são uns dos principais fatores</p><p>desencadeantes de varizes.</p><p>- Evitar ficar sentado ou em pé por muito tempo: as varizes surgem quando se está em pé</p><p>ou sentado e não aparecem quando se está deitado ou em movimento. Quando por motivos</p><p>profissionais ou sociais for necessário ficar muito tempo parado, sentado ou em pé (no</p><p>trabalho, em festas, em viagens longas), devemos movimentar os pés, como se estivéssemos</p><p>acelerando um carro. Este movimento do tornozelo, chamado de dorso-flexão, faz a</p><p>musculatura da panturrilha se contrair ritmicamente, colocando em ação o "coração</p><p>periférico", o que faz a circulação funcionar e evita varizes. O uso de calçados apropriados</p><p>também faz diferença, pois quanto mais alto for o salto do calçado, principalmente quando</p><p>utilizado por longos períodos, maior o volume residual venoso nas pernas, ou seja, maior o</p><p>volume de sangue que não é bombeado pelas panturrilhas e não retorna ao tórax.</p><p>11 – Referências Bibliográficas</p><p>FONSECA, A.; SOUZA, M. E. Dermatologia clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1984.</p><p>JUNQUEIRA, C. L.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 9.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>1999.</p><p>Cláudia Ferreira Santos Bueno Pena</p><p>claudia_buenopena@hotmail.com</p><p>20</p><p>www.cursosemestetica.com.br</p><p>MAIO, M. Tratado de medicina estética. São Paulo: Roca, 2004.</p><p>ROSS, M. H.; REITH, E. J.; ROMRELL, L. J. Histologia: Texto e Atlas. 2.ed. São Paulo:</p><p>Panamericana, 1993.</p><p>Pinto-Ribeiro A. Escleroterapia de varizes In: Maffei FHA. Doenças Vasculares Periféricas.</p><p>Rio de Janeiro: Medsi; 1989.</p><p>YAMAGUCHI, C. Procedimentos estéticos minimamente invasivos. ed. Santos, 2005.</p><p>Azizi MAA. Morfometria das fibras elásticas em colaterais varicosas do sistema de veias</p><p>safenas [dissertação]. Rio de Janeiro: UERJ; 2005.</p><p>Correia, M.E., Oliveira A.P. Complicações em escleroterapia. In: Pitta, G.B.B, Castro A.A.,</p><p>Burihan, E. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ ECMAL; 2003.</p><p>PIMENTEL, A.S. Medicina e Cirurgia Estética no Consultório. volume 1. São Paulo: Ed. LMP,</p><p>2007.</p><p>LÓPEZ, M.; LAURENTYS-MEDEIROS, J. Semiologia médica: as bases do diagnóstico clínico. 5</p><p>ed.</p><p>Acompanhe todas as novidades do mercado da estética! 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