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<p>TOXICOLOGIA</p><p>W</p><p>B</p><p>A</p><p>00</p><p>25</p><p>_v</p><p>3.</p><p>0</p><p>2</p><p>Camilla Gomes Colasso</p><p>Londrina</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>2020</p><p>TOXICOLOGIA</p><p>1ª edição</p><p>3</p><p>2020</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza</p><p>CEP: 86041-100 — Londrina — PR</p><p>e-mail: editora.educacional@kroton.com.br</p><p>Homepage: http://www.kroton.com.br/</p><p>Presidente</p><p>Rodrigo Galindo</p><p>Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada</p><p>Paulo de Tarso Pires de Moraes</p><p>Conselho Acadêmico</p><p>Carlos Roberto Pagani Junior</p><p>Camila Braga de Oliveira Higa</p><p>Carolina Yaly</p><p>Giani Vendramel de Oliveira</p><p>Henrique Salustiano Silva</p><p>Mariana Gerardi Mello</p><p>Nirse Ruscheinsky Breternitz</p><p>Priscila Pereira Silva</p><p>Tayra Carolina Nascimento Aleixo</p><p>Coordenador</p><p>Camila Braga de Oliveira Higa</p><p>Revisor</p><p>Fernando Nunes Alves</p><p>Editorial</p><p>Alessandra Cristina Fahl</p><p>Beatriz Meloni Montefusco</p><p>Gilvânia Honório dos Santos</p><p>Mariana de Campos Barro v so</p><p>Paola Andressa Machado Leal</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)__________________________________________________________________________________________</p><p>Colasso, Camilla Gomes</p><p>C719t Toxicologia/ Camilla Gomes Colasso, – Londrina:</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.</p><p>43 p.</p><p>ISBN 978-65-5903-073-6</p><p>1. Conceitos. 2. Princípios. 3. Parâmetros toxicológicos.</p><p>I. Título.</p><p>CDD 616</p><p>____________________________________________________________________________________________</p><p>Raquel Torres – CRB 6/2786</p><p>© 2020 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser</p><p>reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio,</p><p>eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de</p><p>sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização,</p><p>por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>4</p><p>SUMÁRIO</p><p>Histórico e introdução às bases toxicológicas _______________________ 05</p><p>Parâmetros toxicológicos - Fase de exposição, toxicocinética,</p><p>toxicodinâmica e clínica ____________________________________________ 21</p><p>Efeitos específicos e áreas da Toxicologia __________________________ 37</p><p>Monitorização Biológica a agentes químicos e Programas de Prevenção</p><p>ocupacional ________________________________________________________ 52</p><p>TOXICOLOGIA</p><p>5</p><p>Histórico e introdução às bases</p><p>toxicológicas</p><p>Autoria: Camilla Colasso</p><p>Leitura crítica: Fernando Nunes</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer o histórico dessa ciência e como a</p><p>Toxicologia foi empregada durante a história da</p><p>humanidade.</p><p>• Conhecer os casos de envenenamentos provocados</p><p>pelo uso do conhecimento toxicológico.</p><p>• Compreender a interação entre as substâncias</p><p>químicas e o organismo vivo sob condições</p><p>específicas de exposição.</p><p>6</p><p>1. Introdução à Toxicologia</p><p>1.1 O que é Toxicologia?</p><p>É uma ciência que determina o que a interação entre agentes</p><p>potencialmente tóxicos com os organismos pode causar, considerando</p><p>as características da exposição. Além disso, a toxicologia também</p><p>descreve quais são os possíveis efeitos tóxicos que essa interação causa.</p><p>Por exemplo, a ingestão crônica de etanol em bebidas alcoólicas pode</p><p>provocar o desenvolvimento de câncer, o manuseio inadequado de</p><p>produtos corrosivos provocará descrição do tecido cutâneo e ocular.</p><p>Neste tema, abordaremos o histórico do emprego da Toxicologia, os</p><p>casos de envenenamento, bem como conheceremos os conceitos e</p><p>princípios gerais da Toxicologia e a avaliação toxicológica.</p><p>1.2 Histórico da Toxicologia</p><p>Desde a pré-história, os homens buscavam encontrar compostos que</p><p>pudessem ser extraídos de animais (venenosos) e de plantas com a</p><p>finalidade de caçar, pois era a forma de se alimentar, guerrear (a luta por</p><p>territórios) e também assassinar, ou seja, conhecer os efeitos tóxicos dos</p><p>compostos para matar.</p><p>1.3 Breve histórico da Toxicologia</p><p>• China antiga: Shen Nong é conhecido como o pai da medicina</p><p>fitoterápica chinesa. Em 2.000 a. C., conseguiu poupar a vida dos</p><p>seus súditos, pois ele experimentava diversas plantas alimentícias</p><p>para verificar quais poderiam conter venenos, o que fazia com</p><p>que Nong adoecesse bastante. Shen Nong é considerado o autor</p><p>do primeiro compêndio farmacológico, Divine Farmer’s Classic of</p><p>7</p><p>Materia Medica, que acabou sendo publicado somente no século III</p><p>d.C. Em chinês, veneno é conhecido como Du e, na China antiga, a</p><p>planta acônito era amplamente empregada. Mesmo apresentando</p><p>elevada toxicidade, foi empregada por quase dois mil anos pelos</p><p>chineses, segundo Klaasen (2019).</p><p>• Antigo Egito:</p><p>• 1.500 a. C.–Papiro de Ebers – Descrição de aproximadamente</p><p>oitocentos ingredientes, dentre eles, chumbo, cobre, veneno</p><p>de animais e vegetais. É considerada a primeira classificação</p><p>de venenos.</p><p>• 600 a. C.–525 a. C.–Papiro de Brooklyn – Descrição de</p><p>diversos venenos, principalmente de cobras, bem como</p><p>a descrição dos sinais e sintomas, e tratamento para as</p><p>picadas de cobras conhecidas como não letais. Exemplo de</p><p>tratamento: cebola finamente moída na cerveja e vômito.</p><p>• 120 a. C. a 63 a. C.–Rei Mitrídates IV (Rei do Ponto – atualmente</p><p>Turquia): conhecido por sua resistência aos venenos.</p><p>• Grécia Antiga:</p><p>• Nicandro de Cólofon (130 a. C.), autor das obras Theriaca,</p><p>veneno de animais, e Alex Pharmaka, descrição de venenos</p><p>vegetais.</p><p>• Alexandre, o Grande (356 a.C.) – suspeita-se que o</p><p>Imperador foi morto envenenado, por meio da ingestão de</p><p>grandes quantidades de vinho contendo veneno.</p><p>• Na Grécia Antiga, o conhecido filósofo Sócrates foi</p><p>envenenado com cicuta (Cicuta ssp.), pertencente à família</p><p>Apiaceae. Existem quatro tipos de cicuta e todas são tóxicas.</p><p>Após a ingestão, em torno de quinze minutos, iniciam-se os</p><p>8</p><p>sintomas de intoxicação, como: náusea, dores abdominais,</p><p>vômito, tremores, confusão, sonolência e tonturas. Em casos</p><p>mais graves, ocorrem convulsões e pode ocorrer a morte</p><p>por insuficiência respiratória.</p><p>• Roma antiga:</p><p>• Venenum – palavra latina que significa veneno ou remédio,</p><p>sofria alteração do significado, a depender de seu emprego</p><p>(bonum venenum ou malum venenum).</p><p>• Dioscórides (40 a. C.) foi um médico que viajou pela Roma</p><p>Antiga junto com o exército romano do Imperador Nero.</p><p>Ele coletava diversas amostras de plantas que eram</p><p>empregadas como medicinais. No século I d. C. foi publicada</p><p>uma enciclopédia referente à Medicina fitoterápica e à</p><p>classificação de venenos extraídos de animais, plantas e</p><p>minerais.</p><p>• Dioscórides descreveu o emprego de arsênio como um</p><p>composto que apresenta as propriedades ideais para</p><p>envenenar, devido suas características, tais como ser</p><p>incolor, inodoro, se misturado em alimentos e bebidas, não</p><p>apresenta sabor e é facilmente disponível.</p><p>Paracelso (1493-1541), pseudônimo de Philippus Aureolus Theophrastus</p><p>Bombastus von Hohenheim, conhecido pela grande contribuição à</p><p>Toxicologia, foi médico, alquimista, físico, astrólogo e ocultista suíço-</p><p>alemão. Foi dele a frase: todas as substâncias são venenos, não existe</p><p>nada que não seja veneno. Somente a dose correta diferencia o veneno</p><p>do remédio. Com sua visão, Paracelso conseguia estimar as doses de</p><p>medicamentos necessárias para curar diversas doenças.</p><p>Em 1556, George Bauer relatou o desenvolvimento de asma em</p><p>mineradores, devido a exposição a sílica, no livro De re Metallica.</p><p>9</p><p>Outro importante médico que contribuiu para o desenvolvimento da</p><p>toxicologia foi Bernardino Ramazzini, responsável pela publicação</p><p>do livro que descrevia diversas doenças associadas às atividades</p><p>profissionais, em 1700.</p><p>Foi descrito, em 1755, o desenvolvimento de câncer no escroto em</p><p>limpadores de chaminés, devido à exposição à fuligem.</p><p>Mateo José Buenaventura Orfila Rotger (também chamado de Mathieu</p><p>Orfila, 1787–1853) é conhecido como o pai da Toxicologia. Nasceu na</p><p>Espanha, se formou médico e químico. Orfila teve um papel importante</p><p>na história da Toxicologia. Durante a Idade Média, ocorriam</p><p>assim como o cumprimento das legislações</p><p>vigentes.</p><p>No total, são trinta e sete normas regulamentadoras de segurança do</p><p>trabalho, que reúnem 6,8 mil regras distintas. As legislações estabelecem</p><p>as regras para a proteção da saúde dos trabalhadores, como a Norma</p><p>Regulamentadora n. 1 (NR-1), por exemplo.</p><p>4.4. Entendendo melhor a NR-1 e o Programa de</p><p>Gerenciamento de Riscos</p><p>Essa norma é formada pelas disposições gerais e pelo Gerenciamento</p><p>de Riscos Ocupacionais (GRO), foi revisada em março de 2020, e</p><p>entrará em vigor a parti de março de 2021. Estabelece que as empresas</p><p>devem atender a essa norma, os objetivos, os direitos e deveres</p><p>de empregadores e empregados, os treinamentos obrigatórios aos</p><p>64</p><p>funcionários, o direito de interrupção de atividades em caso de risco</p><p>grave, entre outros itens.</p><p>Quanto ao Programa de Gerenciamento de Riscos, a NR-1 define o que é</p><p>o programa, a sua estrutura, a periodicidade, quem pode desenvolver e</p><p>como deve ser atualizado.</p><p>Nesse sentido, o PGR aborda todos os riscos envolvidos nas atividades</p><p>laborais, como riscos físicos, químicos, biológicos, de acidentes e</p><p>ergonômicos. Assim, o programa deve conter basicamente dois</p><p>documentos: o inventário de riscos e o plano de ação.</p><p>O Inventário de Riscos deve analisar as atividades e os locais de</p><p>trabalho, os perigos relacionados, as possíveis lesões ou agravos à</p><p>saúde dos trabalhadores, bem como monitorar as exposições a agentes</p><p>físicos, químicos e biológicos. O Plano de Ação, por sua vez, aborda as</p><p>medidas de prevenção necessárias para o controle dos riscos listados</p><p>anteriormente.</p><p>Toda essa avaliação de riscos deve ser revisada a cada dois anos. Caso a</p><p>empresa tenha um sistema de gestão de riscos, a periodicidade passa a</p><p>ser de três anos.</p><p>Contudo, todo esse programa e as medidas da NR-1 são apenas</p><p>uma parte do GRO. No gerenciamento de riscos ocupacionais, as</p><p>organizações de diferentes portes e segmentos devem respeitar</p><p>também as demais normas regulamentadoras.</p><p>Entre as mais importantes e que passaram por um processo de</p><p>atualização recentemente, e entraram em vigor após um ano de sua</p><p>publicação, estão: estão a NR-7 (Programa de Controle Médico de</p><p>Saúde Ocupacional) e a NR-9 (Avaliação e Controle das Exposições</p><p>Ocupacionais a Agentes Físicos, Químicos e Biológicos).</p><p>65</p><p>4.5. Do que se trata a NR-9 e a Avaliação e Controle das</p><p>Exposições Ocupacionais?</p><p>Essa norma envolve a higiene ocupacional e fornece toda a base para a</p><p>elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos, pois estabelece</p><p>os requisitos para a avaliação das exposições ocupacionais a agentes</p><p>físicos, químicos e biológicos.</p><p>Com isso, os resultados dessas avaliações devem ser incorporados ao</p><p>inventário de riscos do PGR, previsto na NR-1.</p><p>A NR-9 também abarca todos os parâmetros para a realização das</p><p>avaliações quantitativas e qualitativas dos agentes químicos, físicos e</p><p>biológicos.</p><p>Ao mesmo tempo, essa norma não predispõe de todos os parâmetros</p><p>para o limite de exposição ocupacional. Então, neste caso, ainda</p><p>devem ser usados os limites de tolerância da NR-15 e seus anexos, que</p><p>tratam das atividades e operações insalubres para fins de medidas</p><p>de prevenção. Como nível de ação para agentes químicos, deve ser</p><p>considerada a metade dos limites de tolerância e, para o agente físico de</p><p>ruído, a metade da dose.</p><p>Na ausência de limites de tolerância na NR-15, devem ser utilizados</p><p>como referência aqueles previstos pela Conferência Americana de</p><p>Higienistas Industriais Governamentais (ACGIH).</p><p>4.6. Do que se trata a NR-7 e o Programa de Controle</p><p>Médico de Saúde Ocupacional?</p><p>O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) deve</p><p>estar integrado ao Programa de Gerenciamento de Riscos e abrange a</p><p>saúde dos trabalhadores e seu histórico médico desde a admissão.</p><p>66</p><p>O PCMSO deve contemplar um relatório analítico detalhado, englobando</p><p>diversos fatores, como:</p><p>• Os exames clínicos realizados.</p><p>• A quantidade e tipos de exames complementares.</p><p>• Estatística de resultados anormais dos exames complementares.</p><p>• Incidência e prevalência de doenças relacionadas ao trabalho.</p><p>• Informações sobre o número, o tipo de eventos e as doenças</p><p>informadas nas comunicações de acidentes de trabalho.</p><p>• Análise comparativa em relação ao relatório anterior.</p><p>Esse relatório deve ser atualizado anualmente, embora não se tenha a</p><p>mesma necessidade para o programa.</p><p>Neste tema, você pode compreender como os conhecimentos de</p><p>Toxicologia são fundamentais para a implementação de programas</p><p>de prevenção a doenças ocupacionais devido a exposição de agentes</p><p>químicos.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>AMERICAN CONFERENCE OF GOVERNMENTAL INDUSTRIALS HYGIENISTS (ACGIH).</p><p>TLVs and BEIs: Based on the Documentation of the Threshold Limit Values (TLVs)</p><p>for Chemical Substances and Physical Agents & Biological Exposure Indices (BEIs).</p><p>Cincinnati-USA, 2019. Disponível em: https://www.acgih.org/. Acesso em: 4 nov.</p><p>2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Economia. Escola Nacional de Inspeção do Trabalho (ENIT).</p><p>Norma Regulamentadora (NR) n. 7: programa de controle médico de saúde</p><p>ocupacional. Brasília, 2020. Disponível em: https://enit.trabalho.gov.br/portal/</p><p>images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-07.pdf. Acesso em: 4 nov. 2020.</p><p>https://www.acgih.org/</p><p>https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-07.pdf</p><p>https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-07.pdf</p><p>67</p><p>BRASIL. Ministério da Economia. Escola Nacional de Inspeção do Trabalho (ENIT).</p><p>Norma Regulamentadora (NR) n.15: atividades e operações insalubres. Brasília,</p><p>DF. Jun. 1978. Disponível em: https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_</p><p>SST/SST_NR/NR-15-atualizada-2019.pdf. Acesso em: 4 nov. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Economia. Escola Nacional de Inspeção do Trabalho (ENIT).</p><p>Inspeção do Trabalho. Norma Regulamentadora (NR) n. 26: sinalização de</p><p>segurança. Brasília, 1978. Disponível em: https://sit.trabalho.gov.br/portal/index.</p><p>php/ctpp-nrs/nr-26?view=default. Acesso em: 4 nov. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Economia. Escola Nacional de Inspeção do Trabalho (ENIT).</p><p>Secretaria Especial de Previdência do trabalho. Portaria n. 6735, de 10 de março</p><p>de 2020. Norma Regulamentadora (NR) n. 9: avaliação e controle das exposições</p><p>ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos. Brasília, 2020. Disponível</p><p>em: https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_Legislacao/SST_</p><p>Legislacao_Portarias_2020/Portaria-SEPRT-n.-6.735-Altera-a-NR-09.pdf. Acesso em: 4</p><p>nov. 2020.</p><p>OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BOTISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de Toxicologia. 4.</p><p>ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2014.</p><p>https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-15-atualizada-2019.pdf</p><p>https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-15-atualizada-2019.pdf</p><p>https://sit.trabalho.gov.br/portal/index.php/ctpp-nrs/nr-26?view=default</p><p>https://sit.trabalho.gov.br/portal/index.php/ctpp-nrs/nr-26?view=default</p><p>https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_Legislacao/SST_Legislacao_Portarias_2020/Portaria-SEPRT-n.-6.735-Altera-a-NR-09.pdf</p><p>https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_Legislacao/SST_Legislacao_Portarias_2020/Portaria-SEPRT-n.-6.735-Altera-a-NR-09.pdf</p><p>68</p><p>Bons estudos!</p><p>Sumário</p><p>Histórico e introdução às bases toxicológicas</p><p>Objetivos</p><p>1. Introdução à Toxicologia</p><p>2. Conceitos importantes em Toxicologia</p><p>3. Campos de atuação da Toxicologia</p><p>4. Avaliação toxicológica</p><p>5. Relação dose-efeito e dose-resposta</p><p>6. Avaliação toxicológica</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>Parâmetros toxicológicos-Fase de exposição, toxicocinética, toxicodinâmica e clínica</p><p>Objetivos</p><p>1. Introdução</p><p>2. Fase de exposição</p><p>3. Fase toxicocinética</p><p>4. Distribuição</p><p>5. Biotransformação</p><p>6. Excreção</p><p>7. Toxicodinâmica</p><p>8. Fase clínica</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>Efeitos específicos e áreas da Toxicologia</p><p>Objetivos</p><p>1. Introdução</p><p>2. Efeitos tóxicos específicos</p><p>3. Toxicologia social</p><p>4. Toxicologia dos alimentos</p><p>5. Toxicologia dos praguicidas</p><p>6.</p><p>Toxicologia ocupacional</p><p>7. Toxicologia dos produtos corrosivos</p><p>8. Toxicologia dos hidrocarbonetos</p><p>9. Toxicologia dos gases irritantes</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>Monitorização Biológica a agentes químicos e Programas de Prevenção ocupacional</p><p>Objetivos</p><p>1. Introdução</p><p>1. O que é uma FISPQ?</p><p>2. O que é monitorização ambiental?</p><p>3. O que é monitorização biológica?</p><p>4. Programas de prevenção médico ocupacional</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>diversas</p><p>mortes por envenenamento e uma grande dificuldade de realizar as</p><p>investigações e determinar quais os venenos estavam envolvidos nessas</p><p>mortes. Orfila conseguiu determinar uma das mortes em um julgamento</p><p>no tribunal e publicou o reconhecido Traité de Toxicologie.</p><p>Figura 1 – Paracelso</p><p>Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Paracelso#/media/Ficheiro:Paracelsus.jpg.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2020.</p><p>10</p><p>Figura 2 – Orfila o pai da Toxicologia</p><p>Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Mathieu_Orfila#/media/File:Mathieu_Joseph_</p><p>Bonaventure_Orfila.jpg. Acesso em: 3 nov. 2020.</p><p>2. Conceitos importantes em Toxicologia</p><p>Toxicologia é a ciência que estuda os efeitos nocivos provocados pela</p><p>interação das substâncias químicas biológicas ou agentes físicos, ao</p><p>interagiram com os organismos vivos, sob condições específicas de</p><p>exposição, segundo Klaasen (2019).</p><p>11</p><p>Figura 3 – O que é a Toxicologia</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Esses compostos tóxicos podem ser encontrados na natureza e são</p><p>conhecidos como toxinas, como, por exemplo, o veneno extraído de</p><p>uma planta aconitina e por meio de compostos chamados xenobióticos,</p><p>como o benzeno.</p><p>Vamos conhecer alguns conceitos importantes no campo da</p><p>Toxicologia:*</p><p>• Agente tóxico, toxicante ou xenobiótico: substância química de</p><p>estrutura química definida, que tem a capacidade de provocar</p><p>efeito nocivo, efeito tóxico ou efeito adverso, por meio de sua</p><p>interação com um organismo vivo.</p><p>• Toxicidade: capacidade inerente de um composto em provocar</p><p>efeito tóxico após o contato com organismo.</p><p>• Droga: qualquer agente capaz de provocar uma modificação</p><p>fisiológica ou patológica, que pode ser empregado com ou sem a</p><p>intenção de beneficiar o organismo que foi exposto.</p><p>12</p><p>• Fármaco: toda substância que apresenta uma estrutura química</p><p>definida, com capacidade de modificar ou explorar o sistema</p><p>fisiológico ou estado patológico, em benefício do organismo que a</p><p>recebe.</p><p>• Intoxicação: é o conjunto de evidências, chamado de sinais e</p><p>sintomas tóxicos, que ocorrem após o contato do agente tóxico e</p><p>do organismo.</p><p>• Antídoto: é um agente químico que tem a capacidade de</p><p>antagonizar os efeitos noviços provocados por determinados</p><p>agentes tóxicos.</p><p>• Ação tóxica: é o modo pelo qual um agente tóxico atua no</p><p>organismo e em suas estruturas e provoca sua atividade tóxica</p><p>(OGA et. al., 2014; KLAASEN, 2019).</p><p>3. Campos de atuação da Toxicologia</p><p>Figura 4 – Campos de atuação da Toxicologia</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>13</p><p>4. Avaliação toxicológica</p><p>De acordo com Oga (2014), o efeito adverso, efeito tóxico ou efeito</p><p>nocivo, é a ocorrência de alguma alteração indesejável que ocorrerá</p><p>após a exposição a compostos nocivos ou tóxicos.</p><p>A avaliação toxicológica compreende a análise de dados toxicológicos de</p><p>uma substância ou um composto químico, com o objetivo de classificá-lo</p><p>toxicologicamente e, ao mesmo tempo, fornecer informação a respeito</p><p>da forma concreta de seu emprego, bem como medidas para prevenção</p><p>e também a forma de tratamento adequado em caso de uso incorreto.</p><p>O objetivo da avaliação toxicológica é estabelecer o emprego seguro</p><p>dos diversos compostos químicos, a dose/ concentração adequada,</p><p>quais as formas de prevenção e, em caso de uso inadequado, quais os</p><p>tratamentos recomendados.</p><p>Nesse cenário, na avaliação toxicológica, estabelecemos quais os</p><p>potenciais perigos da exposição aos diversos compostos químicos,</p><p>por meio da caracterização deste perigo, por meio das seguintes</p><p>informações:</p><p>• Os tipos de perigos.</p><p>• As propriedades físicas e químicas dos compostos.</p><p>• As vias de exposição.</p><p>• Determinar qual a toxicocinética dos compostos.</p><p>• As vias de administração.</p><p>• A frequência e a duração da exposição aos compostos.</p><p>14</p><p>Como são avaliados os potenciais perigos desses compostos?</p><p>A análise é feita por meio da realização de testes experimentais, com</p><p>animais de laboratório, estudos epidemiológicos, estudo in sílico, entre</p><p>outros.</p><p>Entre os fatores que influenciam na toxicidade dos compostos, estão:</p><p>• Características do agente tóxico, tais como o tamanho do</p><p>particulado, em qual estado físico se apresenta o agente (sólido,</p><p>líquido, gás, vapor), a solubilidade, demais propriedades físicas e</p><p>químicas, dentre outros.</p><p>• Características referentes a exposição ao agente tóxico, como a</p><p>dose ou a concentração desse agente, qual a via de exposição</p><p>(oral, dérmica, inalação), qual a duração da exposição (aguda,</p><p>crônica), outras.</p><p>• Características ambientais, como, por exemplo, a temperatura do</p><p>ambiente, ruído no local, umidade, outras.</p><p>• Características individuais, como, por exemplo, qual o sexo do</p><p>indivíduo, a faixa etária, patologias existentes, características</p><p>nutricionais, outros.</p><p>Quando estamos expostos a compostos químicos, pode ocorrer</p><p>interação entre eles, tais como:</p><p>• Efeito aditivo: o efeito combinado de duas substâncias é igual à</p><p>soma do efeito de cada agente tóxico isoladamente.</p><p>• Efeito sinérgico: o efeito combinado de duas substâncias é muito</p><p>maior que a soma do efeito de cada agente tóxico isoladamente.</p><p>• Potencialização: um dos agentes não possui efeito adverso sobre</p><p>determinado órgão ou tecido, porém, quando combinado com</p><p>15</p><p>outra substância que possui efeito tóxico, este efeito indesejável é</p><p>maior.</p><p>• Antagonismo: duas substâncias, quando administradas juntas,</p><p>fazem com que o efeito do agente tóxico seja menor do que seria</p><p>isoladamente.</p><p>Quando realizamos uma avaliação toxicológica, temos que verificar</p><p>como será a resposta à dose que foi administrada e isso dependerá de</p><p>alguns fatores, tais como as propriedades físicas e químicas do agente</p><p>tóxico.</p><p>5. Relação dose-efeito e dose-resposta</p><p>Dose: especifica a quantidade de uma substância química administrada,</p><p>que pode não ser idêntica à dose absorvida.</p><p>Efeito e resposta: denomina uma alteração biológica num indivíduo ou</p><p>numa população em relação a uma exposição ou dose.</p><p>Termo efeito serve para denominar uma alteração biológica e o termo</p><p>resposta para indicar a proporção de uma população que manifesta um</p><p>efeito definido.</p><p>Relação dose/ efeito:</p><p>A relação da dose e o efeito é evidenciada quando ocorre um aumento</p><p>da administração da dose e, consequentemente, será observado um</p><p>aumento no efeito apresentado, o que identificará uma alteração no</p><p>organismo do indivíduo exposto. A resposta é a taxa de incidência de um</p><p>efeito.</p><p>Relação dose/ resposta:</p><p>16</p><p>Já a relação da dose e a resposta é a resposta ao efeito tóxico que os</p><p>indivíduos da população apresentaram.</p><p>6. Avaliação toxicológica</p><p>6.1 Avaliação da exposição</p><p>As principais vias de exposição de compostos nocivos e tóxicos no</p><p>organismo são por meio de:</p><p>• Inalação (gases, vapores, aerossóis líquidos, aerossóis particulados,</p><p>fumos etc.).</p><p>• Absorção dérmica (materiais suspensos no ar, respingos de</p><p>líquidos na pele, imersão e/ou manuseio de material).</p><p>• Ingestão (hábitos incorretos no local de trabalho, como comer,</p><p>fumar, levar a mão ou algum material à boca).</p><p>Além dessas, podemos destacar outras vias de exposição, como</p><p>intravenosa, amamentação, entre outras.</p><p>6.2 Duração e frequência da exposição</p><p>A duração e a frequência da exposição dos animais de experimentação</p><p>aos compostos químicos são classificadas como: aguda, subaguda,</p><p>subcrônica e crônica.</p><p>17</p><p>Figura 5 – Gráfico de tempo de exposição para os ensaios de</p><p>toxicidade para os agentes químicos</p><p>Fonte: adaptado de Klaasen (2019).</p><p>6.3 Testes toxicológicos</p><p>Os testes descritos abaixo são os mais comuns realizados</p><p>mundialmente, porém, podem ocorrer variações entre os países:</p><p>1. Informações preliminares:</p><p>• Caracterização química da substância.</p><p>• Grau de impureza.</p><p>• Determinação das propriedades físico-químicas da substância.</p><p>2. Toxicidade aguda:</p><p>São os efeitos que ocorrem dentro de um período curto de exposição,</p><p>após a administração de uma dose única ou doses múltiplas durante o</p><p>período de vinte e quatro horas.</p><p>18</p><p>O parâmetro avaliado para determinar a toxicidade aguda de um</p><p>composto é chamado de Dose Letal 50%,</p><p>para exposição por via oral ou</p><p>dérmica, e Concentração Letal 50% para exposição via inalatória.</p><p>DL50: oral ou dermal (dose letal com capacidade de matar 50% dos</p><p>animais submetidos a uma dose X da substância-teste) (OECD 401 e 423;</p><p>OECD 402).</p><p>CL50: inalatória (concentração letal com capacidade de matar 50% dos</p><p>animais submetidos a uma concentração X da substância-teste) (OECD</p><p>403).</p><p>OECD: Organisation for Economic Co-operation and Development.</p><p>Exemplo:</p><p>Figura 6 – Tabela de valores de DL50 para algumas substâncias</p><p>potencialmente tóxicas</p><p>Substância DL50 oral em ratos machos (mg/kg)</p><p>Etanol. 7000 mg/kg.</p><p>Cloreto de sódio. 3000 mg/kg.</p><p>Sulfato de sódio. 1500 mg/kg.</p><p>DDT. 100 mg/kg.</p><p>Nicotina. 60 mg/kg.</p><p>Tetrodotoxina. 0,02 mg/kg.</p><p>Dioxina. 0,02 mg/kg.</p><p>Fonte: https://cetesb.sp.gov.br/emergencias-quimicas/aspectos-gerais/toxicologia/</p><p>conceitos-basicos-de-toxicologia/. Acesso em: 3 nov. 2020.</p><p>3. Toxicidade subcrônica:</p><p>São realizados estudos de exposições repetidas, em torno de 21 a 90</p><p>dias. Também é avaliada a dose de não efeito observável, além da</p><p>https://cetesb.sp.gov.br/emergencias-quimicas/aspectos-gerais/toxicologia/conceitos-basicos-de-toxicologia/</p><p>https://cetesb.sp.gov.br/emergencias-quimicas/aspectos-gerais/toxicologia/conceitos-basicos-de-toxicologia/</p><p>19</p><p>identificação e caracterização dos órgãos afetados após os estudos das</p><p>exposições repetidas (fígado, rins, outros), avaliação da reversão do</p><p>efeito e avaliação dos animais de experimentação. É importante avaliar</p><p>quais foram as modificações que ocorreram nesses animais, tanto as</p><p>de comportamento como as fisiológicas, a realização das avaliações</p><p>bioquímicas, hematológicas e as anatômicas patológicas, comparando-</p><p>se com o grupo controle.</p><p>4. Toxicidade crônica:</p><p>São realizados estudos para avaliar se os efeitos tóxicos são decorrentes</p><p>de exposições repetidas e prolongadas. Pode ser por acumulação ou</p><p>somatória dos efeitos produzidos. São estudos in vivo, com protocolos</p><p>de exposição à substância-teste e duração variando de um mês a dois</p><p>anos. São avaliados parâmetros bioquímicos e histopatológicos dos</p><p>órgãos e funções, principalmente, renal e hepático.</p><p>5. Mutagenicidade e carcinogenicidade.</p><p>6. Toxicidade à reprodução e teratogenicidade.</p><p>7. Toxicocinética.</p><p>8. Efeitos locais (pele e aos olhos).</p><p>9. Sensibilização à pele.</p><p>10. Ecotoxicidade.</p><p>A compreensão do potencial tóxico de diversos agentes é de grande</p><p>importância para a sociedade. Nesse sentido, é uma ciência necessária</p><p>para que possamos utilizar diversos produtos, tais como medicamentos,</p><p>produtos químicos industriais, cosméticos, alimentos, e demais produtos</p><p>de forma segura e sem oferecer riscos à saúde humana e ao meio</p><p>ambiente.</p><p>Neste tema, você conheceu mais detalhadamente o que é a Toxicologia,</p><p>como o conhecimento dessa ciência pode ser utilizado para predizer a</p><p>toxicidade de um composto e propor as medidas necessárias para o uso</p><p>20</p><p>seguro, bem como o conhecimento da toxicologia empregado durante a</p><p>história da humanidade para envenenamento.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>KLAASEN, C. D. et al. Casarett and Doull’s Toxicology–The basic science of</p><p>poisons. 9. ed. New York: McGraw Hill, 2019.</p><p>OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BOTISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de Toxicologia. 4.</p><p>ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2014.</p><p>21</p><p>Parâmetros toxicológicos–Fase</p><p>de exposição, toxicocinética,</p><p>toxicodinâmica e clínica</p><p>Autoria: Camilla Colasso</p><p>Leitura crítica: Fernando Nunes</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer como os agentes tóxicos podem entrar em</p><p>contato com o nosso organismo e como provocará</p><p>o efeito tóxico, ou seja, sinais e sintomas de uma</p><p>intoxicação.</p><p>• Compreender os processos da toxicocinética e a</p><p>toxicodinâmica para que possamos entender como</p><p>os agentes tóxicos entrarão em contato com o</p><p>organismo e, a depender de sua característica física</p><p>e química, como será absorvido e distribuído pelo</p><p>organismo, e como sofrerá reações químicas, aqui</p><p>chamadas de biotransformação, e depois eliminadas</p><p>do organismo.</p><p>• Entender como o agente tóxico se liga e atua nos</p><p>tecidos e órgãos, provocando os sinais e sintomas</p><p>observados no processo de intoxicação.</p><p>22</p><p>1. Introdução</p><p>No curso de Enfermagem do trabalho, será de grande importância para</p><p>você, aluno (a), conhecer o processo de intoxicação, principalmente para</p><p>as possíveis exposições no âmbito ocupacional.</p><p>Nesse processo, detalharemos como um agente tóxico poderá penetrar</p><p>nos organismos vivos e que caminho esse agente percorrerá até</p><p>provocar os efeitos tóxicos e ser eliminado.</p><p>Para facilitar a compreensão, o processo de intoxicação é para fins</p><p>didáticos, dividido em quatro fases, mas lembre-se de que esse processo</p><p>ocorre simultaneamente. As fases da intoxicação são: fase de exposição,</p><p>toxicocinética, toxicodinâmica e a fase clínica.</p><p>2. Fase de exposição</p><p>A fase de exposição nada mais é do que o contato do agente tóxico com</p><p>os organismos vivos. Nessa fase, será de grande importância conhecer</p><p>qual a via de exposição, por exemplo, se o agente tóxico foi inalado,</p><p>ingerido ou penetrou pela pele. Para a toxicologia ocupacional, as vias</p><p>dérmica e inalatória são as mais relevantes, pois os trabalhadores se</p><p>expõem aos compostos químicos por meio do manuseio e da inalação</p><p>desses compostos.</p><p>Outro fator relevante para a exposição é conhecer qual a forma</p><p>física desse agente, pois os gases apresentam características muito</p><p>diferentes de um líquido e esse aspecto também influenciará na entrada</p><p>desse agente no organismo. A frequência da exposição e a duração</p><p>da exposição ao agente tóxico (exposição aguda, subaguda, crônica</p><p>e subcrônica) também são fatores importantes a serem avaliados.</p><p>23</p><p>Conhecer a dose ou a concentração do agente tóxico é outro fator</p><p>relevante para o nosso estudo.</p><p>3. Fase toxicocinética</p><p>Após a exposição a um agente tóxico, temos que mapear qual caminho</p><p>esse agente fará em nosso organismo, compreender a relação da</p><p>quantidade do agente tóxico que atuará nos organismos vivos e qual</p><p>concentração esse agente terá no plasma, bem como descrever como</p><p>esse agente será absorvido, distribuído e eliminado do corpo, e qual o</p><p>tempo desse processo.</p><p>Existe, normalmente, uma proporção entre a concentração do agente</p><p>tóxico no local de ação, denominado de órgão ou tecido-alvo, pois,</p><p>assim, será possível determinar o efeito tóxico provocado.</p><p>Após a exposição aos agentes tóxicos, é estabelecido o processo de</p><p>absorção, que se refere à passagem do agente tóxico no local em que</p><p>ocorreu o contato para o sangue. Por exemplo, o derramamento de</p><p>um produto corrosivo nas mãos durante o manuseio e, como o líquido</p><p>corrosivo que está nas mãos, chegou ao sangue.</p><p>Para que esse processo ocorra, o agente tóxico tem que atravessar</p><p>algumas barreiras celulares, chamadas de membranas plasmáticas.</p><p>Os processos de toxicocinética são: absorção, distribuição,</p><p>biotransformação e eliminação.</p><p>a. Absorção</p><p>Os agentes tóxicos têm alguns mecanismos para conseguir atravessar</p><p>as barreiras (membranas corporais) e atingir a corrente sanguínea. Tais</p><p>mecanismos dependem de suas propriedades físicas e químicas.</p><p>24</p><p>Vamos conhecer alguns mecanismos:</p><p>Transporte passivo: dependerá do gradiente de concentração,</p><p>segundo a Lei de Fick. O processo de filtração nada mais é do que a</p><p>passagem de moléculas polares, que apresentam afinidade com a água</p><p>(hidrossolúveis), e moléculas menores. Assim, o agente tóxico conseguirá</p><p>atravessar essa barreira através de poros existentes na membrana, em</p><p>sua maioria, por difusão simples. Já o processo de difusão lipídica refere-</p><p>se à passagem de compostos chamados de hidrofóbicos (afinidade</p><p>por gordura) e moléculas maiores. Assim, por difusão, atravessarão as</p><p>membranas.</p><p>Os compostos ácidos e básicos apresentam íons e baixa afinidade pelos</p><p>lipídios, o que não permite que esses compostos ionizados atravessem</p><p>as membranas por difusão lipídica.</p><p>Nesse sentido, somente as formas não ionizadas conseguem atravessar</p><p>as membranas celulares. Isso significa que os compostos ácidos serão</p><p>melhor absorvidos</p><p>quando estiverem em meio ácido, pois diminuirão</p><p>sua forma ionizada e o mesmo acontecerá com os produtos básicos, que</p><p>serão melhor absorvidos quando estiverem em meio básico.</p><p>Transporte ativo: esse mecanismo envolve gasto de energia e</p><p>movimentação dos compostos contra o gradiente de concentração. Para</p><p>que esse processo ocorra, será necessária a participação de proteínas</p><p>chamadas carregadoras.</p><p>Pinocitose e fagocitose: é o transporte no qual a célula irá ingerir</p><p>líquidos (pinocitose) e sólidos (fagocitose) através da membrana</p><p>plasmática, na forma de uma invaginação.</p><p>Difusão facilitada: para que o agente tóxico seja absorvido, terá que</p><p>ser realizado um transporte pela ação de um carregador a favor do</p><p>gradiente de concentração.</p><p>25</p><p>b. Absorção de agentes tóxicos pelas mucosas e pela pele</p><p>A pele é impermeável para alguns tipos de agentes tóxicos,</p><p>principalmente para a maioria dos íons, e permeável para vários agentes</p><p>líquidos, para agentes na forma de gases e também sólidos.</p><p>Existem agentes tóxicos que, em contato com a pele, provocarão a</p><p>destruição do tecido da pele e de mucosas, como, por exemplo, os</p><p>ácidos e as bases fortes (ácido sulfúrico, hidróxido de sódio, ácido</p><p>fluorídrico, outros), assim como os agentes oxidantes.</p><p>Existem agentes tóxicos que, após contato com a pele e mucosas, são</p><p>absorvidos, distribuídos e provocam efeitos sistêmicos. Os agentes</p><p>tóxicos, que apresentam coeficiente de partição octanol/água elevado,</p><p>ou seja, maior afinidade por octanol (óleo), apresentam maior facilidade</p><p>para absorção pelo processo de difusão lipídica.</p><p>Por exemplo: os medicamentos à base de corticoides são lipolíticos e</p><p>rapidamente absorvidos pela pele.</p><p>c. Absorção pela via respiratória</p><p>O sistema respiratório apresenta uma extensa área para absorção</p><p>de agentes tóxicos através da inalação de gases, névoas, pós, fumos,</p><p>vapores, entre outros.</p><p>• Para agentes tóxicos sólidos:</p><p>O tamanho da partícula do agente tóxico irá interferir no local de</p><p>absorção. As partículas, em torno de 2 até 5 µm, ficarão depositadas na</p><p>região traqueobronquial. As partículas maiores do que 5 µm, por sua</p><p>vez, ficarão na região nasofaríngea e serão removidas por meio dos</p><p>processos de limpeza nasal e espirros. As partículas menores do que</p><p>1 µm poderão chegar aos alvéolos pulmonares e serem absorvidas.</p><p>26</p><p>Figura 1 – Tamanho das partículas sólidas e os locais de absorção</p><p>Tamanho Órgão atingido</p><p>< 1 µm</p><p>Alvéolos pulmonares.</p><p>Sangue: fagocitose.</p><p>Linfa.</p><p>2 a 5 µm</p><p>Região traqueobronquial.</p><p>Faringe.</p><p>> 5 µm Região nasofaríngea.</p><p>Fonte: adaptado OGA et. al. (2014).</p><p>• Para os agentes na forma de gases e compostos voláteis:</p><p>Quando ocorre a exposição a agentes tóxicos na forma de vapores e</p><p>gases, deve ser considerada qual a solubilidade deste agente tóxico, pois</p><p>essa característica interferirá no processo de absorção.</p><p>Quando inalamos vapores e gases tóxicos que são solúveis, inicialmente,</p><p>são retidos na nossa mucosa nasal, ao passo que essas moléculas</p><p>chegam aos alvéolos pulmonares, serão dissolvidas no sangue e</p><p>distribuídas para órgãos e tecidos. Após um determinado tempo,</p><p>ocorrerá o chamado equilíbrio dinâmico entre as moléculas do agente</p><p>tóxico presentes no ar inspirado e as moléculas tóxicas que estão</p><p>presentes no sangue.</p><p>Para as substâncias pouco solúveis, esse equilíbrio é rapidamente</p><p>estabelecido. Já para as moléculas muito solúveis, esse equilíbrio</p><p>demora para ser atingido.</p><p>Um fator importante a ser considerado, quando ocorre a exposição a</p><p>gases e vapores, é conhecer sua solubilidade. Chamamos a relação entre</p><p>27</p><p>a solubilidade em dois meios (sangue/ ar) de coeficiente de partição</p><p>sangue/ ar e este indicador é constante para cada gás.</p><p>Por exemplo: o clorofórmio apresenta elevado coeficiente de partição</p><p>sangue/ ar, ou seja, demora mais de 60 minutos para atingir o equilíbrio.</p><p>Já o etileno, apresenta um baixo coeficiente de partição sangue/ ar e</p><p>possui um curto período para atingir o equilíbrio.</p><p>d. Absorção pelo trato gastrointestinal</p><p>A via oral é a via de menor relevância para o âmbito ocupacional, mas,</p><p>ainda assim, é considerada, pois pode ocorrer uma ingestão acidental de</p><p>agentes tóxicos (toxicantes ambientais presentes na cadeia alimentar) e</p><p>também a ingestão voluntária e suicida.</p><p>O nosso sistema digestivo apresenta uma grande área para a</p><p>absorção dos compostos tóxicos, principalmente para os compostos</p><p>que apresentam elevada lipossolubilidade, devido à extensão</p><p>das membranas celulares do sistema digestivo, transportando as</p><p>membranas por difusão passiva.</p><p>Alguns fatores são relevantes para a absorção dos agentes tóxicos, como</p><p>pH, pKa, a presença de alimentos e motilidade intestinal.</p><p>Dentre os aspectos que podem interferir nesse processo de absorção,</p><p>estão o conteúdo contido no estômago (mais absorvido quando o</p><p>estômago está vazio pelo maior contato com as células estomacais), a</p><p>presença de microrganismos e a acidez do estômago que compõem</p><p>a secreção gastrointestinal, a motilidade intestinal (quanto maior o</p><p>movimento peristáltico do intestino, menor será a absorção, pois os</p><p>movimentos diminuirão o contato do agente tóxico com a mucosa</p><p>intestinal), dentre outros.</p><p>28</p><p>4. Distribuição</p><p>Após a exposição a um agente tóxico e este ser absorvido, precisamos</p><p>compreender como este agente será distribuído pelo organismo. Nesse</p><p>processo, o agente tóxico será transportado pelo sangue e um dos</p><p>fatores mais importantes é o fluxo sanguíneo nos órgãos e tecidos.</p><p>Existem órgãos e tecidos mais irrigados, como fígado, músculos, rins,</p><p>cérebro e coração, e existem órgãos menos irrigados, como, por</p><p>exemplo, os ossos, dentes, as unhas e outros.</p><p>Quando o agente tóxico penetra na corrente sanguínea, este agente</p><p>estará disponível para que seja distribuído pelo corpo.</p><p>Vimos que alguns agentes tóxicos são absorvidos mais facilmente do</p><p>que outros. Assim, esse processo influenciará na distribuição, pois</p><p>os agentes químicos que mais facilmente atravessam as membranas</p><p>celulares se distribuirão mais facilmente pelo organismo.</p><p>Como o sangue percorre todo nosso corpo, o agente tóxico presente</p><p>no sangue também percorrerá o organismo e atingirá seu órgão-alvo</p><p>ou seu tecido-alvo, provocando sua ação tóxica, se ligando a outros</p><p>componentes do organismo e se concentrando em alguns órgãos ou</p><p>tecidos do organismo.</p><p>Nesse caso, existe um equilíbrio que será atingido entre a quantidade do</p><p>agente tóxico no sangue e a quantidade do agente tóxico presente nos</p><p>órgãos e tecidos. Assim, a concentração plasmática será um parâmetro</p><p>importante para a avaliação da ação tóxica do agente e a presença das</p><p>proteínas plasmáticas também, uma vez que diversos agentes tóxicos se</p><p>ligam às proteínas plasmáticas e interferem neste processo.</p><p>Fatores que influenciam a distribuição do agente tóxico:</p><p>29</p><p>a. Fluxo sanguíneo através dos tecidos de um dado órgão: órgãos</p><p>mais ou menos irrigados. Por exemplo, o fígado é um órgão</p><p>muito irrigado, recebe grande quantidade de sangue e, assim,</p><p>atinge rapidamente o equilíbrio de distribuição. Já os órgãos</p><p>menos irrigados, como os ossos, recebem baixo fluxo sanguíneo e</p><p>demoram para atingir o equilíbrio de distribuição.</p><p>b. Facilidade com que o agente tóxico atravessa membranas</p><p>celulares e penetra em células e tecidos: as membranas são</p><p>barreiras que os agentes tóxicos tem que transpor. Nesse cenário,</p><p>a barreira hematoencefálica e a placentária apresentam grande</p><p>importância. Essas barreiras apresentam uma maior seletividade</p><p>devido à sua capacidade anatômica.</p><p>c. Proporção de ligação às proteínas plasmáticas: os agentes tóxicos</p><p>podem se complexar com as proteínas plasmáticas, tais como:</p><p>albumina, lipoproteína e outras. Quando o agente tóxico está</p><p>complexado a essas proteínas e enquanto estão complexados</p><p>com as proteínas, esses agentes tóxicos estão inativos, pois não</p><p>podem atravessar as membranas celulares. Quando estão livres,</p><p>podem atravessar livremente para atingir órgãos e tecidos.</p><p>5. Biotransformação</p><p>Após a exposição a um agente</p><p>tóxico e absorção, o agente é distribuído</p><p>pelo organismo e, posteriormente, terá que ser eliminado do nosso</p><p>organismo. Porém, diversos agentes tóxicos não são facilmente</p><p>eliminados do nosso organismo. Para que esse processo ocorra, é</p><p>necessário que alguns mecanismos bioquímicos sejam realizados para</p><p>que as moléculas químicas sofram alterações químicas e seja possível</p><p>realizar a eliminação desse agente químico.</p><p>Nesse processo, é importante compreender a estrutura química do</p><p>agente tóxico, sua solubilidade, as propriedades físicas e químicas.</p><p>30</p><p>Quando falamos dos tipos de absorção dos agentes tóxicos, vimos que</p><p>os compostos que apresentam maior afinidade por lipídios, apresentam</p><p>uma maior facilidade de absorção. Entretanto, essas moléculas possuem</p><p>maior dificuldade para serem eliminadas, pois a lipossolubilidade faz</p><p>com que os agentes possam se acumular em alguns órgãos e tecidos</p><p>e, nesses casos, será necessário que modificações e reações químicas</p><p>ocorram nas moléculas para que estas se tornem mais hidrofílicas e</p><p>possam ser eliminadas do organismo. Também vimos que os compostos</p><p>mais hidrossolúveis apresentam uma menor absorção, porém,</p><p>apresentam uma maior facilidade para serem eliminados do organismo.</p><p>Conceitualmente, a biotransformação é toda modificação que possa</p><p>ocorrer na estrutura química dos agentes tóxicos no organismo.</p><p>Esse processo pode gerar produtos da reação, que são chamados de</p><p>metabólitos. Fazem parte desse processo um complexo de enzimas</p><p>que auxiliarão o sistema biológico a realizar as reações e modificações</p><p>químicas no agente tóxico.</p><p>Um ponto importante é que nem sempre o processo de</p><p>biotransformação irá gerar compostos não tóxicos. Muitas vezes, o</p><p>processo de biotransformação de agentes tóxicos pode gerar produtos</p><p>tóxicos, mais tóxicos ou menos tóxico do que o agente inicial.</p><p>Alguns compostos tornam-se tóxicos após o processo de</p><p>biotransformação devido à atividade das enzimas que realizam a</p><p>biotransformação do agente tóxico.</p><p>Quais são os tipos de reações de biotransformação?</p><p>As reações de biotransformação acontecem de forma sucessivas e com</p><p>a participação de uma série de enzimas. Para facilitar o aprendizado, as</p><p>reações de biotransformação são divididas em duas fases.</p><p>Primeira fase: reações de oxidação, hidrólise e redução.</p><p>31</p><p>Segunda fase: reações de conjugação ou síntese.</p><p>• Reações hepáticas:</p><p>Existe um sistema de enzimas responsáveis pela biotransformação de</p><p>uma série de agentes tóxicos. O fígado é o local que mais apresenta</p><p>enzimas de biotransformação e é o órgão fundamental para o processo</p><p>de biotransformação. Além disso, há enzimas presentes nos pulmões,</p><p>rins, mucosa gastrointestinal, entre outros.</p><p>O sistema citocromo P450 é um conjunto de enzimas que realiza o</p><p>processo de biotransformação de fase I, de agentes lipofílicos, e está</p><p>presente no fígado.</p><p>Veja a atuação de algumas enzimas do fígado:</p><p>Esterases e amidases: os agentes tóxicos a base de ésteres e</p><p>amidas são biotransformados pelas esterases e, posteriormente,</p><p>pelas amidases.</p><p>Glicuroniltransferase: é uma enzima que realiza a conjugação</p><p>mais comum em mamíferos e adiciona no processo uma</p><p>molécula de ácido glicurônico.</p><p>Sulfotransferases: é uma enzima responsável pela reação que</p><p>conjuga o agente tóxico com o ácido sulfúrico, uma reação</p><p>importantíssima. Esse processo é realizado no fígado, rins,</p><p>pulmões e outros órgãos.</p><p>Metilação: o processo de metilação é feito pelas enzimas</p><p>metiltransferases, que realizam a metabolização de compostos</p><p>endógenos.</p><p>• Reações extra-hepáticas:</p><p>32</p><p>Além do fígado, o intestino, os rins e pulmões também realizam o</p><p>processo de biotransformação de agentes tóxicos. Entre os elementos</p><p>mais importantes, estão as microbiotas intestinais, que apresentam mais</p><p>de quatrocentas espécies de bactérias que biotransformam os agentes</p><p>tóxicos.</p><p>Confira os fatores que interferem no processo de biotransformação:</p><p>a. Internos:</p><p>• Espécie, raça e influência na presença ou ausência das enzimas.</p><p>• Fatores genéticos: esse fator é específico de indivíduo para</p><p>indivíduo.</p><p>• Sexo: o processo de biotransformação é influenciado pelo sexo.</p><p>A depender do sexo, um agente tóxico pode ser rapidamente ou</p><p>lentamente biotransformado.</p><p>• Idade: os recém-nascidos praticamente não apresentam sistema</p><p>de biotransformação.</p><p>• Estado nutricional: a desnutrição altera o processo de</p><p>biotransformação.</p><p>• Estado patológico: algumas doenças podem alterar o processo de</p><p>biotransformação, principalmente, em casos de doenças hepáticas.</p><p>b. Externos:</p><p>• Indução enzimática: alguns agentes tóxicos podem estimular o</p><p>sistema enzimático e acelerar o processo de biotransformação.</p><p>• Inibição enzimática: alguns agentes químicos podem reduzir o</p><p>processo de biotransformação.</p><p>33</p><p>6. Excreção</p><p>É o processo para que o agente tóxico e/ou seu produto de</p><p>biotransformação sejam removidos do organismo. Os agentes tóxicos</p><p>podem ser removidos do nosso organismo por diferentes vias.</p><p>Entretanto, a maioria dos agentes são excretados na forma de agentes</p><p>mais hidrossolúveis.</p><p>As principais vias de excreção são: renal, fecal e pulmonar.</p><p>Excreção renal: o rim é responsável pelo processo de eliminação</p><p>dos agentes tóxicos com característica mais polar e hidrossolúvel. O</p><p>processo de excreção renal envolve a filtração glomerular, reabsorção</p><p>tubular e secreção tubular. Exemplo: tolueno (solvente) passa pelo</p><p>processo de biotransformação e seus metabólitos são excretados na</p><p>urina, como o ácido hipúrico. Excreção pelo trato digestivo: o intestino</p><p>é o responsável pelo processo de excreção por meio das fezes. Exemplo:</p><p>paraquat, que é um inseticida, não tem absorção pelo nosso trato</p><p>gastrointestinal, e será eliminado nas fezes.</p><p>Excreção pulmonar: os agentes tóxicos voláteis ou na forma de gás são</p><p>excretados pelo pulmão. Exemplo: etileno, etanol (teste do bafômetro).</p><p>Outras vias de excreção: suor, saliva, lágrimas e leite.</p><p>7. Toxicodinâmica</p><p>Já vimos como um agente químico penetra em nosso organismo e como</p><p>é o processo de transposição das membranas para que esse agente seja</p><p>absorvido. Depois de absorvido, também vimos como é o processo de</p><p>biotransformação. Agora, veremos como esse agente interage em nosso</p><p>34</p><p>organismo, e poderemos compreender seu mecanismo de ação sob o</p><p>ponto de vista molecular e bioquímico.</p><p>Para avaliar como funciona o mecanismo de ação tóxico, dos agentes</p><p>nos organismos, são realizados testes experimentais, que são</p><p>conduzidos com animais, com órgãos e tecidos, e também testes</p><p>computacionais por meio da avaliação da estrutura-atividade.</p><p>São diversos os agentes tóxicos, tais como: praguicidas, medicamentos,</p><p>alimentos, metais, produtos químicos, drogas de abuso etc. Estes podem</p><p>entrar em contato com os organismos e provocam diversos efeitos</p><p>tóxicos.</p><p>Exemplos de mecanismos de ação tóxica:</p><p>a. Pode provocar modificações na permeabilidade das membranas</p><p>plasmáticas (alguns agentes podem alterar a permeabilidade da</p><p>membrana. Isso afeta os constituintes que entram e saem da</p><p>célula). Exemplo: toxina batrocotoxina (encontrada em veneno</p><p>da espécie de sapo – Phyllobates aurotaenia), que provoca um</p><p>aumento na permeabilidade das membranas para os íons sódio.</p><p>b. Pode provocar alteração na atividade das enzimas (por</p><p>exemplo, provoca o bloqueio de algumas enzimas, como</p><p>os organofosforados, inibindo a atividade da enzima</p><p>acetilcolinesterase).</p><p>c. Pode se complexar com biomoléculas (alguns compostos tóxicos</p><p>podem formar complexos com enzimas e com algumas proteínas.</p><p>Por exemplo, o monóxido de carbono se liga ao ferro que está</p><p>presente na hemoglobina e, assim, o ferro perde sua capacidade</p><p>de se ligar ao oxigênio, diminuindo o transporte do oxigênio para</p><p>os órgão e tecidos).</p><p>d. Pode ocorrer interações com receptores (alguns agentes tóxicos</p><p>atuam diretamente nos receptores celulares e alteram o processo</p><p>bioquímico. Por exemplo, a curare atua nos receptores nicotínicos</p><p>35</p><p>presentes nas células do músculo estriado e essa ação provoca</p><p>uma paralisia muscular).</p><p>e. Pode inibir a fosforilação oxidativa. Alguns agentes tóxicos alteram</p><p>o processo de respiração celular e produção de energia celular, ou</p><p>seja, produção de adenisona trifosfato (ATP), e realizam o bloqueio</p><p>desta cadeia. Isso provocará escassez de oxigenação para os</p><p>órgãos. Exemplo: cianeto.</p><p>8. Fase clínica</p><p>É a fase na qual serão observados os sinais e sintomas de intoxicação.</p><p>Será a observação do efeito tóxico, ou seja, a observação da alteração</p><p>biológica provocada pelo agente tóxico.</p><p>Poderá ser um efeito local, ou seja, o dano ocorrerá no local de contato</p><p>do agente tóxico com o organismo.</p><p>Poderá ser um efeito tóxico sistêmico, no qual o agente tóxico será</p><p>absorvido, distribuído e provocará um dano tóxico em um sítio de ação</p><p>distante da via inicial de penetração, produzindo o seu efeito tóxico.</p><p>Os efeitos tóxicos podem ser reversíveis ou irreversíveis, e dependerá</p><p>de outros fatores, tais como a via de exposição, a dose/concentração da</p><p>exposição, o tempo de exposição (agudo ou crônico), e a capacidade do</p><p>organismo em responder ao agente tóxico.</p><p>Neste tema, você pode compreender como os agentes tóxicos provocam</p><p>os danos e efeitos tóxicos nos organismos. Estamos expostos a uma</p><p>grande quantidade de produtos que podem provocar efeitos nocivos</p><p>aos organismos vivos e você, que atuará na enfermagem do trabalho,</p><p>necessitará compreender detalhadamente esses processos para poder</p><p>auxiliar os colaboradores expostos aos produtos químicos, seja na</p><p>prevenção ou no atendimento a possíveis intoxicações.</p><p>36</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BUSCHINELLI, J. T. P. Toxicologia ocupacional. 1 ed. São Paulo: Fundacentro, 2020.</p><p>KLAASEN, C. D. et al. Casarett and Doull’s Toxicology–The basic science of</p><p>poisons. 9. ed. New York: McGraw Hill, 2019.</p><p>OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BOTISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de Toxicologia. 4.</p><p>ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2014.</p><p>37</p><p>Efeitos específicos e áreas da</p><p>Toxicologia</p><p>Autoria: Camilla Colasso</p><p>Leitura crítica: Fernando Nunes</p><p>Objetivos</p><p>• Compreender quais são os efeitos tóxicos</p><p>específicos provocados por alguns agentes químicos,</p><p>tais como: carcinogenicidade, mutagenicidade,</p><p>toxicidade à reprodução.</p><p>• Compreender a toxicologia social e quais as classes</p><p>de drogas de abuso.</p><p>• Compreender quais os agentes tóxicos presentes</p><p>nos alimentos.</p><p>• Compreender a toxicologia dos praguicidas e quais</p><p>as principais classes de praguicidas utilizados.</p><p>• Conhecer mais detalhadamente a toxicologia</p><p>ocupacional e a toxicidade de alguns produtos</p><p>químicos relevantes no local de trabalho.</p><p>38</p><p>1. Introdução</p><p>Neste tema, aprofundaremos nosso conhecimento nos efeitos</p><p>específicos que esses agentes tóxicos podem provocar, como,</p><p>por exemplo, como alguns produtos químicos podem causar o</p><p>desenvolvimento de câncer, defeitos no DNA das células e também</p><p>serem tóxicos para a reprodução.</p><p>2. Efeitos tóxicos específicos</p><p>2.1 Mutagenicidade e carcinogenicidade</p><p>De acordo com Oga (2014), a mutação é conceituada como qualquer</p><p>alteração que possa ocorrer no material genético que é transmitido aos</p><p>seus descendentes. As mutações podem ocorrer em células chamadas</p><p>de germinativas, que são as células responsáveis pela produção dos</p><p>gametas como os óvulos e os espermatozoides nos seres humanos,</p><p>e nas células somáticas, que são as células que originam os tecidos e</p><p>demais órgãos.</p><p>Existem alguns agentes tóxicos que têm o potencial de provocar o</p><p>desenvolvimento de uma mutação genética, ou seja, o agente tóxico</p><p>provocará uma alteração no material genético da célula.</p><p>A mutação pode ser causada por agentes físicos, químicos e biológicos.</p><p>Alguns casos que provocam o desenvolvimento de uma mutação:</p><p>• Erros na replicação do DNA – fase S do ciclo celular.</p><p>• Agentes mutagênicos.</p><p>39</p><p>• Erros nos sistemas de reparo do DNA.</p><p>Exemplo de agente mutagênico:</p><p>a. Mostarda de nitrogênio (arma química): provoca a adição de</p><p>radicais nos grupos laterais nas bases. É chamado de agente</p><p>alquilante.</p><p>b. Luz solar e a lâmpada UV: provoca a formação de dímeros de</p><p>pirimidina em uma mesma fita de DNA.</p><p>Existem os testes de mutagenicidade em vitro (avaliação do potencial</p><p>mutagênico em bactérias), chamado de teste de Ames; e os testes de</p><p>mutagenicidade in vivo, em que é avaliado o potencial mutagênico em</p><p>células de animais de experimentação, sendo comum em células de</p><p>hamster.</p><p>Carcinogenicidade: a palavra câncer tem origem do latim e significa</p><p>caranguejo, devido à doença ter a capacidade de se irradiar para vários</p><p>tecidos e órgãos do organismo.</p><p>De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer é definido</p><p>como um conjunto de mais de cem doenças, que apresentam uma</p><p>característica de crescimento celular desorganizado, células malignas,</p><p>que têm a capacidade de se multiplicar em excesso e invadir tecidos e</p><p>outros órgãos, por meio do processo denominado de metástase. Isso</p><p>significa que carcinogenicidade é a capacidade que alguns agentes</p><p>tóxicos têm de induzir a diversas alterações moleculares no organismo e,</p><p>como consequência desse processo, ocorre uma produção/ crescimento</p><p>desordenado de células diferenciadas (lesões neoplásicas).</p><p>A exposição a agentes tóxicos que apresentam algum potencial</p><p>carcinogênico poderá ser responsável pelo desenvolvimento de um</p><p>tumor maligno, devido à sua capacidade de provocar alterações no</p><p>material genético celular (DNA), também chamado de genotoxicidade,</p><p>40</p><p>favorecendo a formação de células cancerígenas (neoplásicas). A</p><p>avaliação do potencial carcinogênico é feita por estudos epidemiológicos</p><p>(humanos) e experimentais (animais de experimentação e estudos in</p><p>sílico).</p><p>Exemplos de agentes carcinogênicos: benzeno (solvente orgânico), que</p><p>provoca leucemia mieloblástica aguda, bebida alcoólica (etanol), que</p><p>provoca câncer hepático, formaldeído, que provoca câncer nasofaríngeo,</p><p>entre outros.</p><p>2.2 Toxicidade à reprodução</p><p>É a capacidade de alguns agentes tóxicos tem em provocar alterações no</p><p>processo reprodutivo. Podem atuar de duas formas:</p><p>• Agentes tóxicos que causam uma interferência no</p><p>desenvolvimento da prole, provocando efeitos ao desenvolvimento</p><p>intrauterino.</p><p>• Agentes tóxicos que provocarão uma alteração/ comprometimento</p><p>na capacidade reprodutiva dos indivíduos (sejam machos e/ou</p><p>fêmeas).</p><p>Exemplos: talidomida é um agente que interfere no desenvolvimento</p><p>fetal. Misoprostol é um agente que interfere no desenvolvimento fetal e</p><p>pode provocar aborto.</p><p>3. Toxicologia social</p><p>Essa área da Toxicologia avalia quais são os efeitos tóxicos provocados</p><p>por compostos que são empregados intencionalmente. Isso significa</p><p>que se trata do uso de drogas de abuso e/ou medicamentos com a</p><p>finalidade de provocar efeitos que não sejam os efeitos médicos. Por</p><p>41</p><p>exemplo, um indivíduo utiliza a morfina (medicamento usado para tratar</p><p>dores intensas, como em alguns casos de câncer) para obter um efeito</p><p>prazeroso.</p><p>Existem diversos compostos chamados de drogas de abuso, como,</p><p>por exemplo, a cocaína, o LSD, o ecstasy, a heroína e outros. Existem</p><p>também medicamentos que são empregados como drogas. Seu uso não</p><p>tem a finalidade medicamentosa e sim de abuso e prazer, geralmente,</p><p>porque são compostos que atuam no cérebro, mais especificamente nos</p><p>centros de recompensa cerebral e, como resposta, geram recompensa</p><p>o prazer. O emprego desses agentes promove graves danos e efeitos</p><p>para a saúde dos indivíduos, como também provoca graves impactos à</p><p>sociedade.</p><p>Falando em drogas de abuso, o Brasil perdeu apenas para os Estados</p><p>Unidos em número de usuários de cocaína no mundo, com 2,8 milhões</p><p>de consumidores, contra 4,1 milhões do país norte-americano, segundo</p><p>a pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do</p><p>Álcool e Outras Drogas (Inpad), da Universidade Federal de São Paulo</p><p>(Unifesp). Já, no caso do crack, o Brasil é o maior mercado mundial, com</p><p>um milhão de adultos usuários e dezoito mil adolescentes.</p><p>Em 2017, estima-se que 271 milhões de pessoas, ou 5,5% da população</p><p>mundial entre 15 e 64 anos, usaram drogas. Em torno</p><p>de 35 milhões</p><p>de pessoas sofrem de transtornos decorrentes do uso de drogas e</p><p>necessitam de tratamento, de acordo com o Relatório Mundial sobre</p><p>Drogas, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e</p><p>Crime (UNODC).</p><p>O crack ainda constitui um grave problema para a sociedade, como, por</p><p>exemplo, o centro da cidade de São Paulo, chamado de cracolândia.</p><p>42</p><p>O uso dessas drogas ocorre por diversas razões, como para provocar</p><p>euforia, gratificação, aliviar o stress, a dor, a ansiedade, a tristeza, por</p><p>curiosidade, dentre outros motivos.</p><p>Podemos classificar as drogas nas seguintes classes:</p><p>• Alucinógenos.</p><p>• Etanol.</p><p>• Depressoras do sistema nervoso central.</p><p>• Estimulantes.</p><p>• Opiáceos.</p><p>• Tabaco.</p><p>• Cannabis.</p><p>• Inalantes.</p><p>Alguns conceitos importantes para a Toxicologia social:</p><p>• Farmacodependência: é caracterizado por um comportamento</p><p>ativo e frequente na busca pela droga.</p><p>• Síndrome de abstinência: é caracterizado pelo aparecimento de</p><p>sinais e sintomas, geralmente, desagradáveis, quando o indivíduo</p><p>interrompe o uso da droga.</p><p>Algumas drogas de abuso e medicamentos podem provocar o que</p><p>chamamos de recompensa, sendo que muitos deles provocam uma</p><p>recompensa positiva e outros, uma recompensa negativa. Por conta</p><p>dessa recompensa, diversas drogas podem atuar como reforçadoras</p><p>por si só e, pela sensação que provocam, motivam o comportamento</p><p>43</p><p>repetitivo de autoadministração. Assim, o reforço é caracterizado pela</p><p>probabilidade de ocorrer uma ação repetida. Esse reforço pode ser</p><p>positivo, isto é, o corpo produzirá reações no sistema de recompensa</p><p>e provocará uma sensação de prazer ao indivíduo, por exemplo, a</p><p>cocaína e a metanfetamina provocam esse tipo de reforço. Há também</p><p>o reforço negativo, no qual se produz reações para evitar uma sensação</p><p>desagradável ou de dor.</p><p>Qual o potencial de reforço de drogas de abuso? Dependerá da</p><p>capacidade que essa droga de abuso ou medicamento terá em provocar</p><p>uma autoadministração de forma repetida, sem que haja qualquer</p><p>necessidade de outros processos externos envolvidos. Quanto mais</p><p>rapidamente essa droga gerar efeitos reforçadores, mais fácil será da</p><p>droga ser usada de forma repetida. A heroína tem esse potencial e gera</p><p>uma dependência grande.</p><p>É também importante conhecer o potencial de abuso de drogas e</p><p>medicamentos, no qual é considerado o reforço que essa droga provoca,</p><p>bem como os fatores individuais, os fatores ambientais e sociais, além</p><p>de outros fatores, tais como: neuroadaptação, tolerância metabólica, a</p><p>taquifilaxia e a preferência condicionada por lugar.</p><p>4. Toxicologia dos alimentos</p><p>Os alimentos podem conter agentes tóxicos classificados como:</p><p>a. Presentes naturalmente nos alimentos.</p><p>b. Agentes tóxicos que contaminam diretamente os alimentos</p><p>(micotoxinas, compostos n-nitrosos e os metais).</p><p>c. Agentes tóxicos contaminantes indiretos de alimentos (aditivos</p><p>não-intencionais e contaminantes não-intencionais).</p><p>44</p><p>Alguns alimentos apresentam, naturalmente, em sua composição</p><p>alguns agentes tóxicos, como, por exemplo, os chamados glicosídeos</p><p>cianogênicos, que são compostos orgânicos formados por moléculas</p><p>de açúcar e uma porção chamada de aglicona, que pode conter em</p><p>sua composição um grupo cianidrina. Essa cianidrina sofre hidrólise e</p><p>degradação, liberando o ácido cianídrico, que é um composto tóxico.</p><p>Geralmente, as folhas e raízes apresentam maiores concentrações</p><p>desses compostos. São exemplos de alimentos nessas situações:</p><p>amêndoas amargas, mandioca brava, cerejas, entre outras. Geralmente,</p><p>o processo de cozimento e/ou de fritura desses alimentos reduz a</p><p>toxicidade.</p><p>Existem também alimentos que são contaminados de forma direta</p><p>por agentes tóxicos, como, por exemplo, a presença de micotoxinas,</p><p>compostos n-nitrosos e os metais.</p><p>As micotoxinas são produzidas por alguns tipos de fungos durante</p><p>seu metabolismo e podem contaminar alimentos, como, por exemplo,</p><p>grãos e rações de animais, podendo provocar efeitos a curto prazo</p><p>(agudo) e também efeitos tóxicos a longo prazo, como, por exemplo, o</p><p>desenvolvimento de câncer.</p><p>Os principais fungos que produzem micotoxinas são: Aspergillus,</p><p>Fusarium e Penicillium.</p><p>Em quais alimentos podemos encontrar essas micotoxinas? Arroz, milho,</p><p>feijão, trigo, cevada, soja, castanha do Pará, amendoim, mandioca, café,</p><p>maçã, presunto, queijos, leite e outros.</p><p>Exemplos de micotoxinas produzidas: Aflatoxinas; Zearalenona;</p><p>Ocratoxina A; Citrina; ácido penicílico e outras.</p><p>A aflatoxina é uma das mais conhecidas e a legislação estabelece limites</p><p>máximos permitidos nos alimentos.</p><p>45</p><p>Os compostos n-nitrosos apresentam duas classes importantes, as</p><p>nitrosaminas e as nitrosamidas. Esses compostos são formados quando</p><p>existe alguns alimentos conservados em nitritos e submetidos a</p><p>elevadas temperaturas, como, por exemplo, os peixes.</p><p>Esses compostos podem estar presentes nos alimentos como aditivo</p><p>intencional, com a finalidade de conservar os alimentos (nitritos), ou</p><p>como adjuvante durante o processamento de alguns alimentos, como</p><p>nitratos e nitritos empregados em embutidos, como salsicha, salame e</p><p>presunto.</p><p>Alguns alimentos apresentam, naturalmente, os nitratos em sua</p><p>composição, como o espinafre, berinjela e beterraba.</p><p>É importante saber que a adição de nitritos e nitratos serve para evitar</p><p>a proliferação de Clostridium botulinum em alimentos embutidos e</p><p>enlatados. Esses compostos podem provocar efeitos tóxicos à saúde</p><p>humana e há legislação que estabelece o limite máximo permitido nos</p><p>alimentos.</p><p>Há também a presença de metais nos alimentos de forma natural e os</p><p>metais de grande preocupação para a alimentação são: chumbo (latas e</p><p>praguicidas), arsênico (frutos do mar), cádmio (frutos do mar e peixes) e</p><p>mercúrio. Esses metais pesados provocam graves efeitos tóxicos à saúde</p><p>humana por exposição aguda e crônica.</p><p>Os agentes tóxicos contaminantes indiretos de alimentos são os</p><p>chamados de promotores do crescimento animal e são descritos como</p><p>agente químico empregado para promover o crescimento e engorda</p><p>rápida dos animais utilizados como produtos de alimentos, tais como</p><p>hormônios anabolizantes, seja com atividade androgênica, estrogênica</p><p>ou progestogênica.</p><p>46</p><p>5. Toxicologia dos praguicidas</p><p>De acordo com a Lei Federal n. 7.802 (11/07/1989), os praguicidas</p><p>(chamados também de agrotóxicos) são:</p><p>a. Os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou</p><p>biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no</p><p>armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas</p><p>pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de</p><p>outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos</p><p>e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora</p><p>ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos</p><p>considerados nocivos.</p><p>b. Substâncias e produtos, empregados como desfolhantes,</p><p>dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento.</p><p>Os componentes dos praguicidas são os princípios ativos, os produtos</p><p>técnicos, suas matérias-primas, os ingredientes inertes e aditivos usados</p><p>na fabricação de agrotóxicos e afins.</p><p>A classificação mais comum para essa classe de compostos é por</p><p>meio do uso e do tipo de praga que o agente destruirá ou controlará:</p><p>inseticidas (carbamatos, organofosforados, organoclorados, piretróides),</p><p>herbicidas (bipiridílicos), fungicidas (pentaclorofenol) e raticidas</p><p>(anticoagulantes e fluoroacetato de sódio).</p><p>A toxicologia dos praguicidas é de grande relevância para o âmbito</p><p>ocupacional, afinal, existem diversos agentes empregados como</p><p>praguicidas. Neste tema, detalharemos um dos grupos mais utilizados,</p><p>os compostos organofosforados.</p><p>Os inseticidas organofosforados formam ligações irreversíveis com</p><p>as enzimas acetilcolinesterase e provocam sua inibição. Nesse caso, a</p><p>enzima acetilcolinesterase não consegue se ligar ao neurotransmissor</p><p>47</p><p>acetilcolina e, assim, ocorre o acúmulo da acetilcolina nas fendas</p><p>sinápticas, o que provoca um quadro clínico de intoxicação.</p><p>O quadro clínico</p><p>pode contar com fasciculação muscular, taquicardia,</p><p>sudorese, diarreia, ansiedade, tontura, confusão, lacrimejamento,</p><p>salivação, contração da pupila, a depender da dose ou concentração da</p><p>exposição, assim como pode ocorrer perda de consciência, convulsão,</p><p>depressão do centro respiratório e morte.</p><p>6. Toxicologia ocupacional</p><p>Na Toxicologia ocupacional, os objetos de estudo são os agentes/</p><p>compostos e produtos químicos usados no local de trabalho. O</p><p>conhecimento dos efeitos tóxicos desses compostos aos trabalhadores</p><p>será de grande importância para a prevenção do aparecimento de</p><p>efeitos nocivos, bem como o possível desenvolvimento de doenças</p><p>ocupacionais.</p><p>É aplicada ao estudo dos mecanismos de ação e efeitos nocivos</p><p>produzidos pelos contaminantes, presentes nos ambientes de trabalho,</p><p>sobre a saúde dos trabalhadores, visando o controle ambiental desses</p><p>contaminantes, a vigilância da saúde dos trabalhadores, por meio de</p><p>controle às exposições, além de avaliação de tratamentos feitos em</p><p>trabalhadores doentes.</p><p>Além disso, é possível prevenir o surgimento de efeitos adversos à saúde</p><p>dos trabalhadores, seja a curto ou a longo prazo, devido à exposição aos</p><p>compostos químicos, físicos e biológicos no local de trabalho, bem como</p><p>conhecer as possíveis interações entre esses compostos no ambiente</p><p>de trabalho, orientar e propor medidas de proteção, com o objetivo de</p><p>prevenir que os trabalhadores adoeçam, tenham acidentes.</p><p>Como o conhecimento da Toxicologia ocupacional é utilizado?</p><p>48</p><p>• Estabelecer os perigos químicos por meio da avaliação da</p><p>toxicidade.</p><p>• Estabelecer a projeção da exposição no local de trabalho.</p><p>• Monitorar os níveis ambientais e biológicos de substâncias às quais</p><p>os trabalhadores estão expostos.</p><p>• Estabelecer os níveis de exposição humana aceitáveis para as</p><p>substâncias.</p><p>• Determinação da melhor matriz biológica (sangue, urina, ar</p><p>exalado) a ser analisada e métodos para análise da substância ou</p><p>seu (s) metabólito (s).</p><p>• Determinação de biomarcadores de exposição e efeito.</p><p>6.1 Como a Toxicologia ocupacional está presente nas</p><p>empresas?</p><p>A partir das informações da Toxicologia ocupacional, é possível avaliar</p><p>o risco do trabalho realizado com os agentes químicos e, nesse cenário,</p><p>estabelecer a exposição dos profissionais em cada atividade, avaliar e</p><p>monitorar as exposições por meio dos índices estabelecidos, e propor as</p><p>medidas necessárias para a mitigação dos riscos.</p><p>7. Toxicologia dos produtos corrosivos</p><p>Os corrosivos englobam os ácidos, bases, oxidantes e fósforo branco</p><p>e podem provocar queimaduras químicas, devido sua capacidade de</p><p>danificação e destruição tecidual. Os tipos de exposição são: inalação de</p><p>poeira, névoas ou fumos, contato com a pele e membranas mucosas, e</p><p>ingestão.</p><p>49</p><p>Os principais sintomas envolvem queimaduras químicas na pele,</p><p>mucosas e nos olhos, causando até a perda da visão, além de irritação</p><p>e queimaduras nas vias aéreas, tosse, ardor e dificuldade em respirar.</p><p>Também pode provocar laringoespasmo, broncoespasmo e até edema</p><p>das vias aéreas. No sistema cardiovascular, gera hipovolemia e afeta</p><p>o coração, pois gera hipoxemia e hipovolemia. Já, no sistema nervoso,</p><p>causa ansiedade, confusão, agitação, convulsões, diminuição do nível de</p><p>consciência, coma e morte.</p><p>Em contaminações, a remoção rápida de roupas é o passo mais</p><p>importante e pode remover 80% a 90% do agente. Em seguida, deve-</p><p>se remover o agente da pele por meio de lavagem ou banho, além de</p><p>fornecer ventilação e oxigenação. Não há antídotos específicos para</p><p>as queimaduras químicas, mas podem ser empregados corticoides,</p><p>antibióticos e analgésicos.</p><p>8. Toxicologia dos hidrocarbonetos</p><p>Os hidrocarbonetos podem causar graves efeitos à saúde humana. Os</p><p>estados físicos incluem gases, líquidos e sólidos. As principais fontes</p><p>para obtenção dos compostos são gás natural, petróleo e destilação de</p><p>pinheiros.</p><p>Muitos dos hidrocarbonetos são inflamáveis e seus vapores podem</p><p>formar misturas explosivas no ar. Tal inflamabilidade e explosividade</p><p>são, geralmente, os maiores riscos, podendo resultar em queimaduras</p><p>térmicas e ferimentos por explosão.</p><p>As vias de exposição são inalação, pele e mucosas e ingestão. Os</p><p>principais efeitos são: asfixias simples; redução do limiar do coração</p><p>e disritmias ventriculares; irritação na pele e mucosas, causando</p><p>dermatite; efeito anestésico, causando sedação, depressão respiratória e</p><p>50</p><p>coma. Vários hidrocarbonetos são classificados como provavelmente ou</p><p>possivelmente cancerígenos para seres humanos.</p><p>9. Toxicologia dos gases irritantes</p><p>A maioria dos gases irritantes apresenta elevado nível de toxicidade. As</p><p>vias de exposição são: inalatória, pele e membranas mucosas. Todos</p><p>os gases irritantes apresentam potencial de corrosão, causando efeitos</p><p>locais e lesão à pele e aos olhos. Em geral, os danos provocados atingem</p><p>superfícies úmidas que tiveram contato com o gás.</p><p>A depender da concentração, solubilidade e duração da exposição, pode</p><p>causar irritação nos olhos, dispneia, estalidos durante a auscultação</p><p>pulmonar, hipoxemia, pneumonite, broncoespasmo, edema pulmonar</p><p>e até a morte. O tratamento depende de cada gás a que a pessoa</p><p>estiver exposta, como, por exemplo, administração de esteroides para</p><p>intoxicação por fosgênio.</p><p>A principal ação para proteção é a utilização de detectores de gases ou</p><p>vapores fixos, que são instalados em pontos estratégicos nos ambientes</p><p>de trabalho e, ao identificar qualquer tipo de ameaça ou vazamento,</p><p>podem soltar um alarme e emitir notificações.</p><p>Para garantir a segurança dos trabalhadores frente a todos os riscos,</p><p>o local de trabalho precisa contar com a sinalização de produtos</p><p>químicos (inflamáveis, tóxicos, corrosivos, oxidantes, nocivos, irritantes</p><p>e explosivos), os equipamentos, tubulações ou saídas de emergência</p><p>devem permanecer desobstruídos constantemente, os profissionais</p><p>devem usar equipamentos de proteção individual (EPIs), como</p><p>respiradores, óculos, capacete, luvas e botas. Também é importante</p><p>a realização de treinamentos e palestras para conscientizar os</p><p>51</p><p>funcionários sobre os riscos dos agentes químicos e biológicos a que</p><p>estão expostos e as formas de prevenção existentes.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Disponível em: https://www.inca.gov.br/o-</p><p>que-e-cancer. Acesso em: 4 nov. 2020.</p><p>KLAASEN, C. D. et al. Casarett and Doull’s Toxicology–The basic science of</p><p>poisons. 9. ed. New York: McGraw Hill, 2019.</p><p>OGA, S.; CAMARGO, M. M. A.; BOTISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de Toxicologia. 4.</p><p>ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2014.</p><p>UNITED NATIONS OFFICE ON DRUGS AND CRIME (UNODC). Relatório Mundial</p><p>sobre Drogas 2019: 35 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de</p><p>transtornos por uso de drogas, enquanto apenas uma em cada sete pessoas recebe</p><p>tratamento. Disponível em: https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2019/06/</p><p>relatrio-mundial-sobre-drogas-2019_-35-milhes-de-pessoas-em-todo-o-mundo-</p><p>sofrem-de-transtornos-por-uso-de-drogas—enquanto-apenas-1-em-cada-7-</p><p>pessoas-recebe-tratamento.html. Acesso em: 4 nov. 2020.</p><p>UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES). Centro de Estudos e</p><p>Pesquisa sobre Álcool e outras Drogas (CEPAD). Disponível em: http://cepad.ufes.</p><p>br/content/brasil-perde-apenas-para-os-eua-no-uso-de-coca%C3%ADna-e-de-crack.</p><p>Acesso em: 4 nov. 2020.</p><p>52</p><p>Monitorização Biológica a</p><p>agentes químicos e Programas de</p><p>Prevenção ocupacional</p><p>Autoria: Camilla Colasso</p><p>Leitura crítica: Fernando Nunes</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer os indicadores de exposição ocupacional</p><p>para o ambiente de trabalho e os indicadores</p><p>biológicos.</p><p>• Conhecer o processo de monitorização ambiental e</p><p>biológico.</p><p>• Conhecer os programas de prevenção médico</p><p>ocupacional para os agentes químicos no local de</p><p>trabalho.</p><p>53</p><p>1. Introdução</p><p>Vamos relembrar: perigo é a capacidade intrínseca de provocar danos</p><p>tóxicos ao organismo vivo, que alguns agentes químicos apresentam.</p><p>Risco é a probabilidade que esses danos tóxicos ocorram. Assim, a</p><p>aplicação desses</p><p>conceitos é extremamente importante para avaliar qual</p><p>será o risco que o manuseio de agentes químicos provocará à saúde dos</p><p>trabalhadores.</p><p>Sabemos que existem diversos agentes químicos utilizados no local</p><p>de trabalho e o conhecimento dos perigos e a avaliação do risco serão</p><p>ferramentas importantíssimas para prevenir potenciais danos à saúde</p><p>dos trabalhadores.</p><p>Para que a equipe de Saúde e Segurança do Trabalho possa atuar e</p><p>prevenir os trabalhadores de possíveis efeitos nocivos que possam</p><p>ocorrer devido à sua atividade de trabalho, precisamos:</p><p>• Conhecer os perigos dos produtos químicos (avaliação da</p><p>toxicidade).</p><p>• Avaliar a exposição (conhecer as atividades, como essas atividades</p><p>são executadas, qual a duração da atividade, quais as condições do</p><p>local de trabalho, dentre outras).</p><p>• Realizar as medições dos agentes químicos no local de trabalho e</p><p>no organismo dos trabalhadores.</p><p>• Confrontar os dados obtidos nas avaliações com os limites de</p><p>exposição ocupacional estabelecidos e os indicadores biológicos</p><p>determinados pelas agências regulamentadoras.</p><p>• Realizar a monitorização desses limites nos locais de trabalho.</p><p>54</p><p>• Propor as medidas de prevenção necessárias para garantir que as</p><p>atividades de trabalho não provoquem efeitos nocivos à saúde dos</p><p>colaboradores.</p><p>Para iniciar esse processo, é necessário conhecer os perigos dos</p><p>produtos químicos. Temos alguns sistemas de classificação de perigo,</p><p>que são exigidos para que os produtos químicos sejam sinalizados</p><p>quanto aos seus perigos.</p><p>No Brasil, a Norma Regulamentadora NR-26 (sinalização de segurança)</p><p>estabelece que os produtos químicos utilizados nos locais de</p><p>trabalho devem ser classificados quanto aos perigos, que devem ser</p><p>comunicados aos trabalhadores. De acordo com a NR-26, o sistema de</p><p>classificação é o GHS, Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação</p><p>e Rotulagem de Produtos Químicos, que se refere à classificação de</p><p>produtos químicos em relação aos perigos físicos, à saúde humana e ao</p><p>meio ambiente, e determina os elementos de comunicação de perigo</p><p>de forma harmonizada, por meio de rótulos e fichas de segurança de</p><p>produtos químicos (FISPQ).</p><p>O objetivo é informar os perigos dos produtos químicos para os</p><p>trabalhadores pela disponibilização desses documentos, a fim de</p><p>aumentar a proteção da saúde humana.</p><p>1. O que é uma FISPQ?</p><p>No Brasil, é obrigatório que todo produto químico tenha uma Ficha</p><p>de Informação de Segurança de Produtos Químicos, pois é direito do</p><p>trabalhador conhecer os possíveis efeitos tóxicos que os produtos</p><p>químicos manuseados no local de trabalho podem causar. Essa ficha</p><p>deve descrever os efeitos tóxicos dos agentes químicos, bem como</p><p>os limites de exposição ocupacional e os indicadores biológicos,</p><p>55</p><p>se estabelecidos. Os rótulos dos produtos químicos também são</p><p>obrigatórios.</p><p>As fichas contêm informações técnicas referentes ao produto químico.</p><p>Assim, os profissionais de saúde e segurança do trabalho devem utilizá-</p><p>las para verificar os perigos, realizar a avaliação do risco e auxiliar na</p><p>implementação de programas de prevenção à saúde dos trabalhadores.</p><p>Após conhecer as FISPQs e os perigos dos produtos químicos, é</p><p>necessário avaliar qual a concentração que esses agentes estão</p><p>presentes no local de trabalho.</p><p>Chamamos essa etapa de avaliação da exposição. Nela, será necessário</p><p>verificar como e qual será a metodologia utilizada para quantificar</p><p>o agente químico no ambiente de trabalho e também se há algum</p><p>indicador biológico para esse agente químico.</p><p>Também será preciso conhecer como as atividades de trabalho são</p><p>realizadas, como é esse local (se tem ventilação, possui sistema de</p><p>exaustão e outros equipamentos de proteção coletiva), qual a duração</p><p>da atividade, como é o processo de manuseio (manual ou automatizado)</p><p>e diversas outras informações.</p><p>2. O que é monitorização ambiental?</p><p>É avaliar qual a concentração do agente químico utilizado no local de</p><p>trabalho está presente, ou seja, é verificar quanto do agente está no ar</p><p>(fora do corpo humano).</p><p>O objetivo dessa monitorização é estipular a exposição do trabalhador</p><p>ao agente químico durante a atividade de trabalho e garantir que essa</p><p>concentração esteja abaixo dos limites de exposição preestabelecidos.</p><p>56</p><p>1.1 Limites de exposição</p><p>Quando realizamos a monitorização ambiental, temos que comparar</p><p>os valores coletados com os chamados limites de exposição. Estes são</p><p>estudos realizados e que determinaram um valor máximo permitido do</p><p>agente químico no local de trabalho, garantindo que o profissional não</p><p>desenvolverá doenças devido à sua atividade de trabalho.</p><p>No Brasil, a NR-15, anexo 11, estabelece os chamados Limites de</p><p>Tolerância (LT). Isso significa que é preciso realizar a avaliação da</p><p>concentração do agente químico no local de trabalho e compará-</p><p>lo ao anexo 11 da NR-15. Se estiver acima do limite estabelecido, o</p><p>trabalhador está em uma condição insalubre e, pela legislação, receberá</p><p>um adicional em seu salário.</p><p>Internacionalmente, podemos encontrar agências regulamentadoras</p><p>que estabelecem limites de exposição ocupacional com foco na proteção</p><p>da saúde do trabalhador, tais como: American Conference of Governmental</p><p>Industrial Hygienists (ACGIH), National Institute for Occupational Safety and</p><p>Health (NIOSH), Occupational Safety and Health Administration (OSHA),</p><p>entre outras.</p><p>A ACGIH é uma das agências mais conceituadas e utilizadas no mundo.</p><p>Os dados são atualizados anualmente e integram os conhecimentos da</p><p>toxicologia ocupacional com a higiene ocupacional, propondo, assim, as</p><p>medidas necessárias para a prevenção à saúde dos colaboradores.</p><p>2.2 ACGIH e seus limites</p><p>Os limites são chamados de Threshold Limit Values (TLV), que, em</p><p>português, significa valor limite e se referem às concentrações dos</p><p>agentes químicos que estão no ambiente de trabalho, admitindo-se que</p><p>a maioria dos trabalhadores estão expostos aos agentes diariamente</p><p>sem que ofereçam risco para a saúde.</p><p>57</p><p>Os estudos da ACGIH são embasados nos perigos dos produtos</p><p>químicos e definem os limites a partir de critérios como: consideração da</p><p>população geral (não levando em conta os indivíduos mais sensíveis ou</p><p>mais resistentes), e consideração dos trabalhadores, isto é, população</p><p>adulta, ativa e com condição saudável, excluindo, assim, os idosos, as</p><p>crianças e os indivíduos com patologias. Não há diferenciação de sexo e</p><p>não são consideradas as trabalhadoras gestantes. Assim, esses limites</p><p>tendem a estabelecer limiares nos quais supostamente quase todos os</p><p>colaboradores estejam protegidos.</p><p>Esses limites estão associados somente aos agentes químicos dispersos</p><p>na atmosfera, não se aplicando aos líquidos e aos sólidos.</p><p>• TLV – TWA (Time Weighted Average): também conhecido como</p><p>média ponderada pelo tempo.</p><p>Esse limite se aplica aos produtos químicos que provocam danos à</p><p>saúde humana, a médio e longo prazo. As exposições são variáveis</p><p>durante a jornada de trabalho. Em alguns momentos, será acima</p><p>do limite e, na maior parte do tempo, será abaixo do limite. Como</p><p>resultado, teremos a média ponderada que deve ficar até o limite</p><p>estabelecido TWA.</p><p>Exemplo: Hidróxido de césio: TWA 2 mg/m³.</p><p>• TLV – STEL (Short Term Exposure Limit): também conhecido</p><p>como limite de exposição para curtos períodos</p><p>É aplicado a concentrações de agentes químicos nas quais o</p><p>colaborador poderá se expor de forma contínua, porém, em um curto</p><p>período de tempo, sem evidenciar irritação, sem evidenciar lesão</p><p>tecidual irreversível ou crônica, e sem ocorrer narcose. O STEL não</p><p>pode ser utilizado como substituto do TWA e seu limite não pode ser</p><p>ultrapassado. Poderá ser atingido esse limite por quinze minutos, até</p><p>quatro vezes ao dia, com intervalos de sessenta minutos.</p><p>58</p><p>Exemplo: óxido de zinco: TWA 2 mg/m³ e STEL 10 mg/m³.</p><p>• TLV – C (Ceiling): teto.</p><p>É empregado nos agentes químicos que apresentam elevada toxicidade</p><p>e que têm a capacidade de provocar efeitos tóxicos a curto prazo. Assim,</p><p>esse limite não poderá ser ultrapassado de</p>Toxicologia ocupacional 
	7. Toxicologia dos produtos corrosivos 
	8. Toxicologia dos hidrocarbonetos 
	9. Toxicologia dos gases irritantes 
	Referências Bibliográficas 
	Monitorização Biológica a agentes químicos e Programas de Prevenção ocupacional
	Objetivos
	1. Introdução
	1. O que é uma FISPQ?
	2. O que é monitorização ambiental?
	3. O que é monitorização biológica?
	4. Programas de prevenção médico ocupacional
	Referências Bibliográficas

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