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<p>ANATOMOFISIOLOGIA E</p><p>PATOLOGIA DO SISTEMA</p><p>URINÁRIO</p><p>Aula 1</p><p>VISÃO GERAL DO SISTEMA</p><p>URINÁRIO</p><p>Visão geral do sistema urinário</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá conhecer o sistema urinário. Você</p><p>irá explorar as principais características anatômicas, histológicas e funcionais</p><p>desse sistema. Você será capaz de compreender a estrutura macroscópica e</p><p>microscópica das estruturas desse sistema tão fundamentais para a</p><p>manutenção da homeostase corporal. Prepare-se para essa jornada</p><p>fantástica pelo sistema renal! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Nesta aula, você, estudante, irá conhecer o sistema urinário, que atua</p><p>principalmente por meio dos rins promovendo a homeostasia dos líquidos</p><p>corporais, assim como participa de outras funções importantes que auxiliam</p><p>na manutenção da homeostase corporal. Você será capaz de conhecer as</p><p>diferentes estruturas que fazem parte do sistema urinário, suas</p><p>características morfológicas, anatômicas e funcionais, que implicam</p><p>diretamente na manutenção da homeostasia corporal. Assim, você será</p><p>capaz de reconhecer como todas essas características possibilitam a</p><p>compreensão e aplicação desses conhecimentos no seu dia a dia</p><p>profissional. Prepare-se para essa nova jornada de conhecimento! Vamos lá!</p><p>A partir de agora, você irá acompanhar a rotina de Daniel, um aluno de</p><p>graduação na área da saúde, que realiza seu estágio junto à equipe do</p><p>Programa de Atenção Integral à Saúde de sua Universidade. Nesse</p><p>momento, Daniel está acompanhando as discussões de casos clínicos de</p><p>alguns atendimentos realizados por uma Unidade Básica de Saúde (UBS)</p><p>parceira do Programa. Durante a discussão, foi abordado o caso clínico da</p><p>paciente T.M.S, 24 anos, que compareceu à consulta queixando-se de dor e</p><p>ardência ao urinar há três dias, além de vontade de urinar com maior</p><p>frequência nas últimas 24 horas. Segundo a paciente, a urina estava com</p><p>coloração mais escura, mas sem alteração de cheiro. A paciente não</p><p>apresentava febre e negou a presença de outras comorbidades. Como no</p><p>exame clínico não foram observadas anormalidades, foi solicitado exame de</p><p>urina. O resultado do exame mostrou bacteriúria, piúria e hematúria. Diante</p><p>do quadro clínico apresentado e dos resultados do exame, foi diagnosticada</p><p>com cistite. A paciente foi medicada com antibiótico e, ao fim do tratamento,</p><p>compareceu em consulta de retorno, apresentando-se assintomática,</p><p>recebendo alta ambulatorial. Ainda durante a discussão desse caso clínico, o</p><p>supervisor do Programa aproveitou para instigar Daniel a relembrar alguns</p><p>conceitos importantes a respeito das características anatômicas e funcionais</p><p>do sistema urinário. Ele fez os seguintes questionamentos a Daniel: “o que é</p><p>a cistite? Você saberia explicar quais estruturas são acometidas na cistite?</p><p>Qual é a importância dessas estruturas para o funcionamento do nosso</p><p>organismo?”</p><p>Como você, no lugar de Daniel, responderia a todos esses</p><p>questionamentos?</p><p>Vamos Começar!</p><p>O sistema urinário é formado pelos rins, ureteres, bexiga urinária e uretra. A</p><p>principal função desse sistema é a excreção de substâncias do corpo. Essa</p><p>função tão importante é realizada pelos rins, enquanto as demais estruturas</p><p>desse sistema atuam como vias de passagem e locais de armazenamento.</p><p>Figura 1 | Órgãos do sistema urinário e anatomia interna do rim. Fonte: adaptada de Freepik; Wikimedia</p><p>Commons.</p><p>Dentre as funções dos rins, podemos destacar:</p><p>Regulação da composição iônica do sangue: ajudam a regular a</p><p>concentração de íons como Na+, Cl-, K+, Ca+2, HCO3</p><p>-, HPO4</p><p>-2, entre</p><p>outros.</p><p>Regulação do pH sanguíneo: por meio do controle da quantidade de</p><p>H+ excretados na urina e pela preservação de HCO3</p><p>-, essenciais para</p><p>atuação do tampão H+ no sangue e, consequentemente, para a</p><p>manutenção do pH sanguíneo.</p><p>Regulação do volume sanguíneo: realizando ajustes no volume</p><p>sanguíneo por meio de alterações no volume de água eliminada por</p><p>meio da urina.</p><p>Regulação da pressão arterial: realizado pelos ajustes no volume de</p><p>água eliminado e pela secreção de renina, uma enzima que ativa o</p><p>sistema renina-angiotensina-aldosterona;</p><p>Gliconeogênese: no jejum prolongado, os rins podem sintetizar glicose</p><p>a partir de aminoácidos e outros precursores, liberando-a no sangue e,</p><p>dessa forma, auxiliando na manutenção da glicemia.</p><p>Produção dos hormônios eritropoetina e calcitriol: a eritropoetina</p><p>controla a síntese de hemácias na medula óssea vermelha, enquanto o</p><p>calcitriol (1,25-di-hidroxivitamina D) atua na regulação da homeostasia</p><p>do cálcio no organismo.</p><p>Excreção: os rins são responsáveis pela excreção de produtos da</p><p>degradação metabólica como a ureia (proveniente do catabolismo das</p><p>proteínas), o ácido úrico (oriundo do catabolismo de ácidos nucleicos), a</p><p>creatinina (formada pela quebra do fosfato de creatina nas fibras</p><p>musculares), entre outras substâncias. Substâncias estranhas como</p><p>fármacos, toxinas, pesticidas e aditivos alimentares também são</p><p>eliminados pelos rins por meio da urina.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Rim</p><p>Os rins são órgãos em forma de feijão, com tamanho aproximado de um</p><p>punho fechado. Estão localizados na parte posterior da parede abdominal,</p><p>atrás do peritônio parietal, sendo por esse motivo denominados estruturas</p><p>retroperitoneais. Cada rim é circundado por uma camada de tecido</p><p>conjuntivo fibroso denominada cápsula renal. Envolvendo a cápsula renal</p><p>encontramos a cápsula adiposa renal, formada de tecido adiposo, que</p><p>protege os rins de traumatismos, amortecendo choques mecânicos. Ainda,</p><p>envolvendo a cápsula adiposa renal está a fáscia renal, uma camada fina de</p><p>tecido conjuntivo que auxilia na fixação dos rins ao peritônio e parede</p><p>abdominal. No lado medial, côncavo, do rim encontramos o hilo renal, local</p><p>de entrada para artéria renal e os nervos e de saída para a veia renal e</p><p>ureter.</p><p>Cada rim é formado por duas regiões distintas: córtex renal, mais externo e</p><p>em contato com a cápsula renal, e medula renal, mais localizada mais</p><p>internamente. A medula renal é constituída por estruturas em forma de cone</p><p>chamadas pirâmides renais, entre as quais porções do córtex renal se</p><p>estendem formando as colunas renais. Os ápices das pirâmides renais são</p><p>denominados papilas renais e encontram-se direcionadas para a região</p><p>interna do rim. Cada papila renal se projeta para uma depressão pequena</p><p>chamada cálice menor. Os cálices menores de diferentes pirâmides se unem</p><p>formando cálices maiores e, estes, por sua vez, se unem formando uma</p><p>câmara alargada chamada pelve renal. A função da pelve renal é coletar a</p><p>urina dos cálices e transportar para o ureter.</p><p>O córtex renal, juntamente com as pirâmides renais, forma o parênquima, a</p><p>porção funcional do rim. Dentro do parênquima, encontramos as unidades</p><p>funcionais dos rins, responsáveis pela formação da urina, denominadas</p><p>néfrons. Cada néfron é formado por um corpúsculo renal e um túbulo renal.</p><p>O corpúsculo renal é composto pelo glomérulo e cápsula de Bowman,</p><p>enquanto o túbulo renal apresenta três partes principais, túbulo contorcido</p><p>proximal, alça de Henle e túbulo contorcido distal. Os túbulos contorcidos</p><p>distais de vários néfrons drenam para um único ducto coletor. Assim, os</p><p>néfrons são estruturas microscópicas, sendo encontradas mais de um milhão</p><p>delas em cada rim, envoltas por pequenos vasos sanguíneos. O líquido</p><p>filtrado a partir do capilar sanguíneo e que entra no néfron é chamado de</p><p>filtrado. Este é modificado à medida que percorre as estruturas do néfron,</p><p>por meio de diferentes processos de transporte. Assim, o filtrado formado no</p><p>néfron drena para os ductos coletores e, destes, para os cálices renais</p><p>menores e maiores. A partir do momento que o filtrado chega nos cálices,</p><p>passa a ser chamado de urina, uma vez que a partir dessa estrutura não</p><p>ocorre mais alterações nesse líquido, por processos como reabsorção e</p><p>secreção. Dos cálices, a urina drena para a pelve renal e, daí, para o ureter</p><p>e, posteriormente, para a bexiga urinária.</p><p>O rim é uma estrutura extremamente vascularizada, o que torna suas</p><p>funções bastante efetivas. O sangue arterial entra no rim por meio da artéria</p><p>renal, localizada</p><p>a</p><p>reabsorção de NaCl, por promover inibição da atividade do cotransportador</p><p>1Na+-1K+-2Cl-, localizado na membrana apical das células epiteliais do ramo</p><p>ascendente espesso da alça de Henle, sem que haja aumento simultâneo na</p><p>secreção de K+. Devido ao quadro de hiperaldosteronismo, a paciente</p><p>apresenta diminuição das concentrações plasmáticas de potássio</p><p>(hipocalemia). Essa redução da concentração de K+ extracelular diminui a</p><p>excitabilidade dos neurônios, das células cardíacas e células musculares e,</p><p>se a hipocalemia for grave, pode acarretar paralisia, arritmias cardíacas e</p><p>morte. Na situação-problema, a paciente apresenta hipocalemia decorrente</p><p>da ação realizada pela aldosterona. Nos rins, a ação da aldosterona envolve</p><p>a estimulação da expressão gênica de proteínas responsáveis por aumentar</p><p>a atividade ou número dos canais do tipo ENac, na membrana apical das</p><p>células epiteliais do túbulo distal convoluto e ducto coletor, e das bombas</p><p>Na+-K+-ATPase na membrana basolateral das dessas células, o que</p><p>promove aumento da reabsorção de Na+ e da secreção de K+. Assim, a</p><p>espironolactona, um diurético poupador de potássio que atua inibindo a</p><p>aldosterona no ducto coletor cortical, foi indicado no tratamento da paciente,</p><p>uma vez que promove simultaneamente a redução da reabsorção de Na+ e</p><p>da secreção de K+ no ducto coletor cortical e, consequentemente, aumento</p><p>das concentrações plasmáticas de potássio e diminuição da de sódio,</p><p>auxiliando na manutenção da pressão arterial e revertendo o quadro de</p><p>hipocalemia.</p><p>Saiba Mais</p><p>Conceito de hipertensão arterial</p><p>A hipertensão arterial é uma elevação prolongada da pressão arterial, que</p><p>pode trazer várias consequências graves para o organismo, como danos ao</p><p>tecido endotelial dos vasos sanguíneos, risco aumentado de doença vascular</p><p>aterosclerótica e ruptura vascular. Além disso, a pressão arterial alta pode</p><p>ocasionar danos graves também aos órgãos perfundidos, evidenciando a</p><p>importância da manutenção da pressão arterial dentro de limites</p><p>considerados adequados para o corpo.</p><p>Para explorar mais sobre a etiologia, patogênese e consequências da</p><p>hipertensão arterial, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual:</p><p>MEFFORD, L. C. Distúrbios do fluxo sanguíneo e regulação da pressão</p><p>arterial. In: NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan. 2021. cap. 26, p. 741-745.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:43</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:43</p><p>Sistema renina-angiotensina-aldosterona</p><p>Você já se perguntou como nosso corpo regula a pressão arterial a longo</p><p>prazo para manter a homeostase corporal? Uma das respostas está no</p><p>fascinante sistema renina-angiotensina-aldosterona. Este sistema</p><p>desempenha um papel fundamental no controle da pressão arterial a longo</p><p>prazo e atua promovendo vasoconstrição, reabsorção de água e sódio e</p><p>estimulando a produção de aldosterona. Entender como esse sistema</p><p>funciona é essencial para profissionais da saúde, pois fornece informações</p><p>valiosas sobre os mecanismos fisiológicos por trás da hipertensão arterial e</p><p>outras condições relacionadas.</p><p>Para saber mais sobre o sistema renina-angiotensina-aldosterona, acesse a</p><p>seguinte obra:</p><p>Visão geral do sistema SRAA – células e hormônios. Khan Academy.</p><p>Diuréticos de alça, diuréticos tiazídicos e</p><p>diuréticos poupadores de potássio</p><p>O manitol é um tipo de diurético que só pode ser utilizado por profissionais</p><p>da saúde em ambiente hospitalar e com indicação médica. É classificado</p><p>como um diurético osmótico, atuando no túbulo proximal e alça de Henle.</p><p>Você sabe qual o mecanismo de ação do manitol nesses segmentos</p><p>tubulares? Quais seriam as indicações clínicas desse diurético?</p><p>Para saber mais sobre esse assunto, leia:</p><p>KATZUNG, B. G.; VANDERAH, T. W. Farmacologia básica e clínica.</p><p>15 ed. Porto Alegre: AMGH, 2023. cap. 15, p. 275.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>CURI, R.; PROCÓPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2017.</p><p>https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/circulatory-system/blood-pressure-control/v/general-overview-of-the-raas-system-cells-and-hormones</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040194/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcapa.xhtml]!/4/2/4/2%4051:79</p><p>KATZUNG, B. G.; VANDERAH, T. W. Farmacologia básica e clínica. 15. ed.</p><p>Porto Alegre: AMGH, 2023.</p><p>NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2021.</p><p>SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2017.</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia.</p><p>16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.</p><p>Aula 4</p><p>PATOLOGIAS ASSOCIADAS AO</p><p>SISTEMA URINÁRIO</p><p>Patologias associadas ao sistema</p><p>urinário</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá conhecer as principais patologias</p><p>associadas ao sistema urinário. Você irá explorar etiologia, patogênese,</p><p>sinais e sintomas, bem como o tratamento dessas patologias. Você será</p><p>capaz de compreender como a saúde desse sistema pode ser alterada,</p><p>comprometendo a homeostasia corporal. Assista à videoaula agora mesmo e</p><p>embarque nessa jornada de aprendizado e descobertas!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Nesta aula, você, estudante, conhecerá algumas patologias associadas ao</p><p>sistema urinário. Você conhecerá a etiologia, a patogênese, sinais, sintomas</p><p>e tratamento das principais doenças que acometem o sistema urinário. Além</p><p>disso, você compreenderá como essas patologias alteram o funcionamento</p><p>adequado do sistema urinário, podendo levar ao comprometimento da</p><p>homeostase corporal. Prepare-se para mais uma oportunidade de</p><p>aprendizado e descubra como aplicar esses conhecimentos no seu cotidiano</p><p>profissional! Vamos lá!</p><p>A partir de agora, você acompanhará um grupo de alunos de um curso da</p><p>área da saúde. Nessa semana, como parte de suas atividades práticas, esse</p><p>grupo de alunos irá acompanhar a rotina do Setor de Hemodiálise do</p><p>Hospital de sua Universidade. Assim, durante esse período, os alunos</p><p>poderão acompanhar o atendimento a pacientes renais crônicos e agudos</p><p>realizado pela equipe multidisciplinar. No primeiro dia de atividades no Setor</p><p>de Hemodiálise, o diretor responsável pelo setor recebeu os alunos para</p><p>uma conversa a respeito do tipo de atendimento realizado por eles. Nessa</p><p>conversa, foi mencionado que além da hemodiálise, esses pacientes</p><p>também recebiam orientações nutricionais, de higienização,</p><p>acompanhamento psicológico, além da realização de exercícios físicos</p><p>acompanhados e individualizados visando sua reabilitação. Assim, segundo</p><p>o diretor, o setor atuava não somente na realização da hemodiálise, mas</p><p>também em ações para ajudar os pacientes no enfrentamento da pesada</p><p>rotina de tratamento, buscando auxiliar na melhora da qualidade de vida</p><p>dessas pessoas, bem como no tratamento de outras patologias decorrentes</p><p>da doença renal. Ainda, segundo ele, o setor contava com 20 equipamentos</p><p>de hemodiálise para atender pacientes internados no Hospital Universitário</p><p>ou emergências encaminhadas pelo Pronto Socorro, além de pacientes</p><p>externos que apresentavam comprometimento renal e necessitavam de</p><p>diálise. Como primeira atividade do grupo de alunos, o diretor sugeriu que</p><p>eles continuassem o bate-papo discutindo alguns conceitos importantes para</p><p>o melhor entendimento do tipo de tratamento realizado no setor de</p><p>hemodiálise. Nesse momento, o diretor levantou os seguintes</p><p>questionamentos para que os alunos pudessem discutir: “vocês saberiam</p><p>explicar o que é a hemodiálise? Qual a importância desse procedimento para</p><p>o bom funcionamento do nosso organismo?</p><p>Como você, no lugar desses alunos, responderia a esses questionamentos?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Os rins, mais especificamente os néfrons, são cruciais para a manutenção</p><p>da homeostase corporal. Alterações nos processos básicos realizados pelos</p><p>rins (filtração, reabsorção e secreção) resultam em comprometimento de</p><p>praticamente</p><p>todos os órgãos e sistemas corporais. Embora algumas</p><p>doenças renais tenham sua origem nos rins, distúrbios secundários como</p><p>diabetes mellitus, hipertensão, obesidade e lúpus eritematoso sistêmico</p><p>também podem levar ao aparecimento de problemas renais.</p><p>Cálculo renal</p><p>A litíase urinária ou cálculo renal é uma patologia associada ao sistema</p><p>urinário bastante prevalente. É uma condição bastante comum das vias</p><p>urinárias, caracterizada pela formação de agregados de cristais de sais</p><p>presentes na urina e que, ocasionalmente, podem se precipitar, solidificar,</p><p>tornando-se insolúveis e alojando-se nas diferentes regiões do sistema</p><p>urinário. São geralmente unilaterais, podendo ser únicos ou múltiplos.</p><p>Existem quatro tipos principais de cálculos renais: os de sais de cálcio</p><p>(oxalato de cálcio e fosfato de cálcio), os de ácido úrico, de cistina e os</p><p>formados por fosfato de amônio e magnésio. Contudo, os cálculos formados</p><p>de sais de cálcio são os mais comuns na prática clínica. Alguns fatores estão</p><p>envolvidos na formação dos cálculos renais, como: (1) aumento da</p><p>concentração sanguínea e urinária dos componentes que constituem os</p><p>cálculos, como resultado de ingestão excessiva de cálcio ou associados a</p><p>quadros de hipercalcemia e/ou hipercalciúria (ocasionados por ingestão</p><p>excessiva de cálcio, distúrbios na absorção tubular de cálcio, acidose tubular,</p><p>hiperatividade das glândulas paratireoides, bem como presença de alguns</p><p>tipos de tumor e metástase), dieta rica em purinas ou alterações na absorção</p><p>tubular de aminoácidos (cálculos de cistina) e doenças como gota</p><p>(apresentam concentrações altas de ácido úrico na urina); (2) anormalidades</p><p>anatômicas das estruturas do sistema urinário; (3) presença de infecção no</p><p>trato urinário (ocasionado por bactérias que decompõem a ureia); e (4)</p><p>volume urinário baixo (baixo consumo de água). As manifestações clínicas</p><p>do cálculo renal dependem do seu tamanho, formato e localização. Os</p><p>cálculos grandes são geralmente assintomáticos, a não ser que estejam</p><p>associados a obstrução do fluxo urinário e infecções. Cálculos com tamanho</p><p>variando entre 1 e 5 mm provocam dor de intensidade variável, intermitente,</p><p>sendo frequentemente acompanhada por náuseas e vômitos. A presença de</p><p>hematúria é bastante comum, ocasionada pelo traumatismo e ulcerações</p><p>provocadas pela presença do cálculo renal ou seu deslocamento. Os</p><p>cálculos podem permanecer ao longo do trajeto do ureter e causar obstrução</p><p>desse canal e, consequentemente, do fluxo urinário, assim como podem</p><p>alcançar a bexiga, favorecendo o aparecimento de infecções. Raramente os</p><p>cálculos se alojam na uretra. A obstrução prolongada das vias urinárias pode</p><p>acarretar hidronefrose, isquemia, necrose, além de úlceras por compressão</p><p>exercida pela presença do cálculo renal. O tratamento consiste em</p><p>analgesia, medicamentos para facilitar a eliminação do cálculo, como</p><p>bloqueadores de alfa-receptores (p. ex., tansulosina) e, para cálculos</p><p>persistentes ou que causam infecções, recomenda-se a remoção completa</p><p>por meio do uso de diferentes técnicas, como a remoção ureteroscópica e a</p><p>litotripsia extracorpórea por ondas de choque.</p><p>Infecção do trato urinário (ITU)</p><p>Uma outra patologia bastante prevalente e relacionada ao sistema urinário é</p><p>a infecção do trato urinário (ITU), considerada uma das causas mais comuns</p><p>de infecção na população geral. As ITUs podem ser classificadas de acordo</p><p>com o local node ocorrem no trato urinário. Assim, as ITUs podem ser: 1)</p><p>inferiores ou baixas, como as infecções na bexiga (cistite), uretra (uretrite) e</p><p>próstata (prostatite); e 2) superiores ou altas, como as infecções renais</p><p>(pielonefrites). Devido à possibilidade de ocasionar lesão renal, as ITUs altas</p><p>são consideradas mais graves. A maior parte dos casos de ITUs é</p><p>ocasionada por bacilos gram-negativos que residem normalmente no trato</p><p>intestinal, sendo a mais comum a Escherichia coli. Outros patógenos como</p><p>Klebsiella pneumoniae, Enterococcus faecalis, Enterobacter spp., Proteus</p><p>mirabilis e Pseudomonas aeruginosa também podem causar ITUs baixas e</p><p>altas. As ITUs também podem ser causadas por micobactérias e fungos. E,</p><p>em indivíduos imunocomprometidos, os vírus também podem ocasionar</p><p>infecção renal. As ITUs podem ocorrer tanto em crianças como em adultos e</p><p>a grande maioria é causada por bactérias que entram pela uretra. Embora as</p><p>bactérias que penetram no trato urinário sejam geralmente expulsas por</p><p>meio da ação de limpeza da bexiga ao se esvaziar, algumas bactérias</p><p>podem acabar colonizando a uretra, desencadeando o início de uma ITU. A</p><p>infecção pode subir da uretra para a bexiga e, algumas vezes, para os rins,</p><p>ou ambos, agravando o quadro de infecção. Alguns fatores podem influenciar</p><p>a colonização da uretra, como: infecção urinária prévia, atividade sexual com</p><p>um novo parceiro e alterações no pH da flora vaginal. Algumas condições</p><p>podem aumentar o risco de desenvolvimento de uma ITU: obstrução e</p><p>refluxo urinários, doenças neurogênicas que dificultem o esvaziamento da</p><p>bexiga, mulheres sexualmente ativas e pós-menopausa, homens com</p><p>doença prostática e idosos. Procedimentos como cauterização e</p><p>instrumentação das vias urinarias são fatores que predispõem à ITUs</p><p>hospitalares. Além da invasão por patógenos pela uretra, os microrganismos</p><p>podem invadir o organismo pela corrente sanguínea (via hematogênica).</p><p>Essa via é menos comum e é consequência de semeadura dos rins por</p><p>bactérias oriunda de focos distantes no curso de septicemia ou infecções</p><p>localizadas. Geralmente ocorre em indivíduos imunossuprimidos ou recém-</p><p>nascidos. Os sinais e sintomas clássicos das ITUs incluem disúria,</p><p>polaciúria, urgência urinária, hematúria e dor pélvica. No entanto, em</p><p>pacientes idosos ou imunocomprometidos, os sintomas podem ser atípicos,</p><p>dificultando o diagnóstico preciso e oportuno. O tratamento da ITU depende</p><p>do patógeno causador, da presença de fatores contribuintes relacionados ao</p><p>agente etiológico e ao hospedeiro (diabetes, doença autoimune) e se a</p><p>infecção é aguda ou crônica. Geralmente, o tratamento envolve o uso de</p><p>antibiótico e ingestão forçada de líquidos.</p><p>A insuficiência renal um distúrbio no qual ocorre a perda da função renal, ou</p><p>seja, os rins perdem a capacidade de filtrar de forma adequada os resíduos</p><p>metabólicos do sangue, assim como de controlar o conteúdo corporal de</p><p>água (equilíbrio hídrico) e eletrólitos (sódio, potássio, magnésio, cálcio,</p><p>fosfato) e pH sanguíneo. A causa da insuficiência renal é bastante variada,</p><p>podendo envolver doença renal, alterações sistêmicas (como diabetes e</p><p>pressão alta) ou anormalidades urológicas que não afetam diretamente os</p><p>rins. Existem dois tipos de insuficiência renal: aguda e crônica.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Lesão renal aguda</p><p>A lesão renal aguda (LRA), antes chamada insuficiência renal aguda, é a</p><p>perda rápida da função renal, levando ao acúmulo de escórias nitrogenadas</p><p>no sangue (azotemia) e desenvolvimento de distúrbios hidroeletrolíticos. A</p><p>LRA geralmente é reversível, desde que haja o diagnóstico precoce da lesão,</p><p>bem como um tratamento adequado. Os tipos de LRA são:</p><p>LRA pré-renal: ocasionada por fatores extrarrenais que levam à</p><p>diminuição do fluxo sanguíneo renal. Pode ser causada principalmente</p><p>por perda de volume do líquido extracelular (decorrente de ingestão</p><p>inadequada de líquidos, hemorragias, diarreia, sepse, entre outros) e</p><p>diminuição da perfusão renal decorrente de doenças cardiovasculares</p><p>como insuficiência cardíaca e choque cardiogênico. Observa-se oligúria</p><p>e aumento das concentrações de ureia no sangue. Em geral, é</p><p>reversível quando eliminada a causa.</p><p>LRA intrarrenal: ocasionada por distúrbios que levam à lesão de</p><p>estruturas presentes nos rins. Os distúrbios podem envolver vasos</p><p>sanguíneos, glomérulos, túbulos renais ou interstício. As principais</p><p>causas da LRA envolvem: manutenção prolongada de causas pré-</p><p>renais, ação de nefrotoxinas diretamente sobre os rins (fármacos e</p><p>contrastes radiográficos) e doenças primárias do parênquima renal,</p><p>como glomerulonefrites, necrose tubular aguda, nefroesclerose maligna,</p><p>entre outros).</p><p>LRA pós-renal: resulta da obstrução da drenagem da urina produzida</p><p>nos rins, podendo ocorrer nos túbulos coletores (hidronefrose</p><p>intraparenquimatosa), no ureter (cálculos e estenoses), na bexiga</p><p>(tumores) ou na uretra (hiperplasia prostática).</p><p>O tratamento da LRA é baseado na definição e remoção da causa da lesão.</p><p>Porém, quando não é possível a manutenção sob controle das escórias</p><p>nitrogenadas e do equilíbrio hidroeletrolítico, geralmente, torna-se necessária</p><p>a realização de hemodiálise.</p><p>Insuficiência renal crônica (IRC)</p><p>É a perda da função renal de modo lento e gradativo, resultando em perda</p><p>irreversível dos néfrons e consequente diminuição progressiva da filtração</p><p>glomerular, da capacidade de reabsorção tubular e das funções endócrinas</p><p>dos rins, podendo evoluir para a insuficiência renal. Inicialmente, a IRC é</p><p>assintomática. Nessa fase há destruição de cerca de 75% dos néfrons</p><p>funcionantes, porém, os sinais e sintomas não costumam aparecer, pois os</p><p>néfrons funcionantes remanescentes sofrem hipertrofia e passam a realizar</p><p>uma hiperfiltração compensatória, o que contribui ainda mais para</p><p>sobrecarga e lesão renal. Com o aumento progressivo da destruição dos</p><p>néfrons, instala-se de fato a insuficiência renal. Os rins perdem a capacidade</p><p>de manter o equilíbrio hidroeletrolítico, há uma redução precoce da</p><p>capacidade de concentrar a urina e eliminar ureia e creatinina (azotemia),</p><p>seguida de uremia, retenção da água e sódio, hiperpotassemia,</p><p>hiperfosfatemia, hipocalcemia, acidose metabólica e anemia. Também</p><p>podem ocorrer alterações fisiológicas secundárias como hipertensão arterial,</p><p>insuficiência cardíaca congestiva e edema pulmonar. Assim, inicialmente, na</p><p>IRC observa-se presença de fadiga, lentidão, anorexia e diminuição da</p><p>acuidade mental. Mas na IRC mais grave, são observados sintomas</p><p>adicionais como aumento da pressão arterial, manifestações</p><p>neuromusculares, hálito urêmico, sedimento urêmico na pele, desnutrição e</p><p>dispneia. Quando aproximadamente 90% dos néfrons estão perdidos, inicia-</p><p>se uma fase terminal da doença, denominada doença renal em estágio</p><p>terminal, que se caracteriza por oligúria e concentrações plasmáticas de</p><p>escórias nitrogenadas e creatinina ainda mais altas. A IRC pode ser causada</p><p>por uma variedade de distúrbios que apresentem potencial para ocasionar</p><p>lesão renal, como a glomerulonefrite crônica, doença renal policística,</p><p>pielonefrite, hipertensão e diabetes. O tratamento da IRC inclui controle das</p><p>doenças secundárias e outras complicações, suplementação de bicarbonato</p><p>de sódio, possível necessidade de restrição de proteína, fosfato, potássio e</p><p>sal na dieta, bem como na ingestão de água. Dependendo do estágio da IRC</p><p>são indicados tratamentos como hemodiálise e transplante renal.</p><p>Hemodiálise</p><p>A hemodiálise consiste em um processo que remove (filtra) resíduos, toxinas</p><p>e excesso de líquido do sangue em pacientes com insuficiência renal aguda</p><p>ou crônica, restaurando o equilíbrio eletrolítico, uma vez que nesses casos</p><p>os rins não conseguem mais desempenhar essas funções com eficiência.</p><p>Dessa forma, esse procedimento auxilia mantendo a homeostasia corporal.</p><p>Na hemodiálise, o sangue do paciente é retirado de uma artéria por meio de</p><p>um acesso vascular, como um cateter ou uma fístula arteriovenosa, e é</p><p>então conduzido por um tubo até um dialisador, também conhecido como</p><p>filtro. O dialisador apresenta dois compartimentos, um para o sangue e outro</p><p>para o dialisado (composto por água e eletrólitos), separados por uma</p><p>membrana semipermeável. No dialisador, o sangue entra em contato com a</p><p>membrana semipermeável que permite a passagem de pequenas moléculas,</p><p>como ureia e creatinina, mas retém células sanguíneas e proteínas. Assim,</p><p>enquanto o sangue circula pelo dialisador, o dialisado é introduzido para</p><p>remover os resíduos e o excesso de fluidos do sangue e, após passar pelo</p><p>dialisador, o sangue limpo é devolvido ao corpo do paciente por meio de uma</p><p>outra via vascular.</p><p>Agora que você conheceu as principais patologias associadas ao sistema</p><p>urinário, você é capaz de compreender a importância do conhecimento</p><p>desse tema para uma atuação profissional adequada e segura, visando o</p><p>bem-estar e promoção da saúde.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Agora que você conheceu e aprendeu a respeito de algumas das principais</p><p>patologias que acometem o sistema urinário, vamos retomar a situação-</p><p>problema. A partir de agora, vamos considerar que você faça parte do grupo</p><p>de alunos de um curso da área da saúde que, nessa semana, irá vivenciar a</p><p>rotina do atendimento a pacientes renais crônicos e agudos realizado pela</p><p>equipe multidisciplinar do Hospital de sua Universidade. No primeiro dia de</p><p>atividades no Setor de Hemodiálise, o diretor responsável pelo setor recebeu</p><p>o seu grupo para uma conversa a respeito do tipo de atendimento realizado</p><p>no local. Nessa conversa, foi mencionado que além da hemodiálise, esses</p><p>pacientes também recebiam orientações nutricionais, de higienização,</p><p>acompanhamento psicológico, além da realização de exercícios físicos</p><p>acompanhados e individualizados para visando sua reabilitação. O diretor</p><p>também comentou que o setor também realizava ações para ajudar os</p><p>pacientes no enfrentamento da pesada rotina de tratamento, buscando</p><p>auxiliar na melhora da qualidade de vida desses pacientes, bem como no</p><p>tratamento de outras patologias decorrentes da doença renal. Ainda,</p><p>segundo o diretor, o setor contava com 20 equipamentos de hemodiálise</p><p>para atender pacientes internados no Hospital Universitário ou emergências</p><p>encaminhadas pelo Pronto Socorro, além de pacientes externos que</p><p>apresentavam comprometimento renal e necessitavam de diálise. Como</p><p>primeira atividade do seu grupo, o diretor sugeriu que vocês discutissem</p><p>sobre alguns conceitos importantes para o melhor entendimento do tipo de</p><p>tratamento realizado no setor de hemodiálise. Nesse momento, o diretor</p><p>levantou os seguintes questionamentos a vocês: “Vocês saberiam explicar o</p><p>que é a hemodiálise? Qual é a importância desse procedimento para o bom</p><p>funcionamento do nosso organismo?</p><p>Agora você é capaz de responder a todos esses questionamentos. Vamos lá!</p><p>Primeiramente, é importante lembrar que os processos de filtração,</p><p>reabsorção e secreção renal são responsáveis pela eliminação de produtos</p><p>metabólicos e substâncias nocivas ao organismo, bem como ao retorno à</p><p>circulação sistêmica de substâncias fundamentais ao bom funcionamento</p><p>dos sistemas corporais, como glicose, água e vários íons. Alterações nesses</p><p>processos podem resultar em diferentes efeitos fisiológicos que podem ser</p><p>prejudiciais ao nosso organismo. Doenças ou lesões renais podem alterar</p><p>esses processos e, nesse caso, as funções renais precisam ser</p><p>suplementadas ou substituídas por um processo artificial chamado diálise.</p><p>Esse método se baseia na difusão de solutos através de uma membrana</p><p>seletivamente permeável. Um dos métodos de diálise é a hemodiálise,</p><p>procedimento no qual o sangue do braço é direcionado para uma membrana</p><p>de diálise, que apresenta poros que permitem a passagem de pequenos</p><p>solutos, localizada dentro de um aparelho chamado dialisador. Ao redor</p><p>dessa membrana é bombeado um líquido, denominado dialisado, que</p><p>mantém um gradiente de difusão e, dessa forma, o sangue do indivíduo que</p><p>flui através dessa membrana é filtrado e as escórias metabólicas e os</p><p>eletrólitos e líquidos em excesso são removidos, bem como substâncias</p><p>necessárias ao organismo são adicionadas a ele. Também é adicionado um</p><p>anticoagulante para evitar que haja a coagulação do sangue que está sendo</p><p>depurado dentro do dialisador. Após passar pela membrana semipermeável,</p><p>o sangue depurado flui através de um detector de êmbolos de ar, para a</p><p>remoção de ar que possa estar presente nesse sangue e, em seguida, o</p><p>sangue retorna ao corpo do indivíduo. Todo esse processo pode durar de 3 a</p><p>5 horas e, dependendo do caso, deve ser feito três vezes por semana.</p><p>Saiba Mais</p><p>Infecções do trato urinário</p><p>A infecção urinária é uma condição comum que afeta milhões de pessoas em</p><p>todo o mundo. É essencial reconhecer a importância</p><p>do seu diagnóstico</p><p>precoce, uma vez que, se não tratada adequadamente, pode levar a</p><p>complicações graves, como pielonefrite e sepse, podendo levar o indivíduo</p><p>ao óbito. A prevalência da infecção urinária na população é significativa,</p><p>principalmente em mulheres, devido principalmente à anatomia feminina.</p><p>Contudo, outros fatores podem estar associados à ocorrência de infecção</p><p>urinária na população. Portanto, compreender os sinais e sintomas, bem</p><p>como buscar tratamento adequado, é crucial para garantir o bem-estar e a</p><p>saúde do paciente.</p><p>Para saber mais sobre as infecções urinárias, leia a seguinte obra disponível</p><p>na Biblioteca Virtual:</p><p>UMBERGER, R. A.; MEFFORD, L. C. Distúrbios da função renal. In:</p><p>NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2021. cap. 33, p. 991-995.</p><p>Cálculos renais</p><p>Vários fatores estão envolvidos na formação dos cálculos renais, como baixa</p><p>ingestão de água, histórico familiar, distúrbios metabólicos (excesso de ácido</p><p>úrico ou de cálcio) e até mesmo alguns tipos de alimentos. Você sabia que a</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:43</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:43</p><p>restrição dietética pode auxiliar na prevenção de formação de cálculo renais?</p><p>Que alimentos devem ser evitados?</p><p>Para saber mais sobre a etiopatogenia e manifestações clínicas dos cálculos</p><p>renais, leia:</p><p>UMBERGER, R. A.; MEFFORD, L. C. Distúrbios da função renal. In:</p><p>NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2021. cap. 33, p. 988-990.</p><p>Insuficiência renal e hemodiálise</p><p>A hemodiálise é um procedimento fundamental para pacientes com</p><p>insuficiência renal crônica, pois substitui a função dos rins, filtrando resíduos</p><p>e fluidos indesejados do sangue. Dependendo da gravidade da doença renal,</p><p>as sessões de hemodiálise podem ser realizadas três a quatro vezes por</p><p>semana. Embora seja essencial para a sobrevivência do portador de doença</p><p>renal grave, a hemodiálise pode causar efeitos colaterais, como hipotensão e</p><p>fadiga. Contudo, apesar dos desafios, é uma intervenção essencial para</p><p>controlar a pressão arterial, equilibrar eletrólitos e prevenir complicações</p><p>graves associadas à insuficiência renal. Com avanços tecnológicos, os</p><p>cuidados com hemodiálise continuam sendo aprimorados, oferecendo</p><p>esperança e qualidade de vida aos pacientes.</p><p>Para saber mais sobre a hemodiálise, leia a seguinte obra:</p><p>Hemodiálise. Sociedade Brasileira de Nefrologia.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins & Cotran: patologia:</p><p>bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>2023.</p><p>NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2021.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:43</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:43</p><p>https://sbn.org.br/publico/tratamentos/hemodialise/</p><p>SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2017.</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia.</p><p>16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.</p><p>Encerramento da Unidade</p><p>ANATOMOFISIOLOGIA E</p><p>PATOLOGIA DO SISTEMA</p><p>URINÁRIO</p><p>Videoaula de Encerramento</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá continuar a jornada fascinante pelo</p><p>sistema urinário, explorando conceitos essenciais que são fundamentais</p><p>para a sua prática profissional. Você já desvendou vários mistérios que</p><p>envolvem esse sistema, seus componentes e seu funcionamento, e</p><p>mergulhou no estudo das patologias que podem acometer esse sistema.</p><p>Agora convido você a continuar nessa jornada! Assista à videoaula e</p><p>descubra como o conhecimento sobre o sistema urinário pode enriquecer e</p><p>transformar a sua prática profissional. Não perca!</p><p>Ponto de Chegada</p><p>Para desenvolver a competência desta unidade, que é “ilustrar conhecimento</p><p>da anatomia e fisiologia do sistema urinário, identificando como funcionam os</p><p>mecanismos de eliminação e reabsorção de compostos pelo néfron.</p><p>Conhecer como agem as principais famílias de fármacos diuréticos utilizadas</p><p>no mercado e doenças associadas ao sistema urinário”, você primeiramente</p><p>conheceu os conceitos fundamentais sobre a estrutura e o funcionamento</p><p>dos rins e vias urinárias. Compreendeu como cada estrutura contribui para o</p><p>funcionamento adequado do sistema urinário e como as características</p><p>histológicas influenciam nas suas funções. Além disso, você explorou os</p><p>processos de filtração, reabsorção e secreção nos néfrons, bem como a</p><p>regulação da excreção de substâncias pelo sistema urinário. Você também</p><p>conheceu as principais famílias de fármacos diuréticos, compreendendo</p><p>seus mecanismos de ação. Por fim, você relacionou todos esses</p><p>conhecimentos com as principais patologias associadas ao sistema urinário,</p><p>como infecções do trato urinário, cálculos renais e insuficiência renal. Assim,</p><p>a abordagem desses assuntos ao longo da unidade permitiu consolidar seu</p><p>entendimento a respeito do tema e o incentivou a refletir sobre os assuntos</p><p>abordados e como aplicar esses conhecimentos em contextos práticos.</p><p>É Hora de Praticar!</p><p>Nesse momento, você irá acompanhar a rotina de um aluno de graduação na</p><p>área da saúde, que realiza seu estágio junto à equipe do Programa de</p><p>Atenção Integral à Saúde de sua Universidade. O Programa conta com uma</p><p>equipe multidisciplinar e, nessa etapa do estágio, o aluno de graduação</p><p>continua acompanhando as discussões de casos clínicos de alguns</p><p>atendimentos realizados no Pronto Socorro do Hospital de sua Universidade.</p><p>Durante uma das reuniões realizadas pela equipe, foi discutido o caso clínico</p><p>do paciente W. T. S., 41 anos, que procurou o serviço de emergência do</p><p>Hospital com dor forte no flanco direito que irradia para a região inguinal</p><p>direita, acompanhada de náusea e vômito. Segundo o paciente, a dor era</p><p>constante e aumentava em ondas. Ele também se queixou da presença de</p><p>sangue na urina, sem febre. Paciente enquadra-se no perfil de síndrome</p><p>metabólica, apresentando obesidade, hipertensão, hiperlipidemia e</p><p>resistência à insulina. Devido à obesidade, ele evita carboidratos e consome</p><p>grande quantidade de carne e frutos do mar. Raramente consome frutas e</p><p>vegetais. Não tem hábito de ingerir líquidos, exceto durante as refeições. O</p><p>exame de urina mostrou hematúria microscópica, presença de cristais, baixo</p><p>pH e hiperuricosúria. A ultrassonografia abdominal constatou a presença de</p><p>cálculo renal localizado no ureter direito. O paciente recebeu quantidade</p><p>grande de líquidos por via endovenosa, para auxiliar na eliminação do</p><p>cálculo, e anti-inflamatório não esteroide (AINEs) para alívio da dor. Após a</p><p>Reflita</p><p>Como ocorre a filtração glomerular e qual é sua importância para a</p><p>função renal?</p><p>Quais são os principais mecanismos de ação dos diuréticos e como</p><p>eles são classificados?</p><p>Quais são os sinais e sintomas característicos de uma infecção do</p><p>trato urinário e como ela pode ser diagnosticada e tratada?</p><p>eliminação do cálculo, foi realizada análise laboratorial, confirmando que se</p><p>tratava de um cálculo renal de ácido úrico. Ainda durante a discussão desse</p><p>caso clínico, o supervisor do Programa aproveitou para instigar o estagiário a</p><p>relembrar alguns conceitos importantes a respeito da fisiopatologia do</p><p>cálculo renal e fatores de risco associados. Ele fez os seguintes</p><p>questionamentos ao estagiário: “você saberia explicar o que predispõe o</p><p>desenvolvimento do cálculo renal? Qual é a relação dos achados</p><p>laboratoriais e a formação do cálculo renal na paciente? Existe relação entre</p><p>a síndrome metabólica e a formação de cálculo de ácido úrico?”</p><p>Reflita</p><p>Como você, no lugar do estagiário, responderia a todos esses</p><p>questionamentos?</p><p>Resolução do estudo de caso</p><p>Primeiramente, é importante lembrar que os rins são essenciais para a</p><p>manutenção da</p><p>homeostase corporal e que alterações na sua atividade</p><p>podem acarretar o aparecimento de disfunções não somente em sua própria</p><p>estrutura, mas também em outros sistemas corporais, comprometendo o</p><p>funcionamento normal do organismo. Algumas patologias podem estar</p><p>associadas ao sistema urinário, como os cálculos renais, os quais são</p><p>agregados policristalinos que se formam a partir de substâncias</p><p>normalmente excretadas pelos rins, mas que se tornam supersaturadas</p><p>nesse fluido. Além disso, outros fatores como presença de infecção, pH e</p><p>estase influenciam no desenvolvimento de cálculos renais. Alguns fatores de</p><p>risco também podem estar associados e favorecer a formação desses</p><p>cálculos, como: baixa ingestão hídrica, dieta, anormalidades anatômicas do</p><p>sistema urinário, distúrbios metabólicos, história familiar e medicações. No</p><p>caso da paciente citada, existem vários fatores que favorecem a formação do</p><p>cálculo de ácido úrico. A paciente apresenta algumas condições (obesidade,</p><p>hipertensão, resistência à insulina e hiperlipidemia) que a enquadram em um</p><p>perfil de pessoa com síndrome metabólica. A obesidade, particularmente</p><p>associada à síndrome metabólica, tem sido associada à redução do pH</p><p>urinário. Nesses pacientes, ocorre uma diminuição da excreção dos íons</p><p>amônio na urina e consequente redução do tamponamento de H+,</p><p>diminuindo o pH urinário. A dieta rica em proteínas de origem animal também</p><p>contribui para a redução do pH da urina, devido à geração de prótons</p><p>durante a oxidação de radicais sulfurados presentes na proteína animal,</p><p>principalmente na carne vermelha. Além disso, carnes e frutos do mar são</p><p>alimentos ricos em purinas, precursoras do ácido úrico. Desse modo, a dieta</p><p>rica em proteína animal contribui para um aumento da concentração de ácido</p><p>úrico na urina. O pH ácido da urina contribui para a formação de cálculos de</p><p>ácido úrico, pois aumenta a conversão de urato a ácido úrico. Assim, a</p><p>grande produção metabólica de ácido úrico observada na paciente associada</p><p>ao pH baixo urinário, que também favorece a formação dessa substância,</p><p>resulta em uma urina com grandes quantidades de ácido úrico, que é</p><p>insolúvel e, portanto, forma o cálculo. Ainda, uma ingestão baixa de líquidos,</p><p>resultando em volume urinário baixo, acaba promovendo o aumento da</p><p>saturação de solutos como o ácido úrico, cálcio, fosfato e oxalato na urina,</p><p>sendo mais um fator que contribui para a formação do cálculo renal. A</p><p>hematúria está associada à migração do cálculo pelo ureter. Já as náuseas e</p><p>vômitos estão associados à intensidade da dor.</p><p>Dê o play!</p><p>Assimile</p><p>Você está convidado a embarcar a partir de agora na jornada fascinante pelo</p><p>sistema urinário, explorando as informações ricas e instigantes presentes</p><p>nesta animação. Aprecie e aproveite as informações sobre os processos de</p><p>reabsorção e secreção de algumas substâncias no néfron e locais de ação</p><p>dos diuréticos nessa estrutura! Vamos lá?!</p><p>Referências</p><p>CURI, R.; PROCÓPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2017.</p><p>JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14.</p><p>ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.</p><p>SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2017.</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia.</p><p>16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.</p><p>no hilo, que se ramifica em artérias segmentares que, por</p><p>sua vez, se divide em artérias interlobares. Estas passam entre as pirâmides</p><p>renais através das colunas renais em direção ao córtex e se ramificam em</p><p>artérias arqueadas. Cada artéria arqueada origina várias artérias</p><p>interlobulares, que se projetam no interior do córtex renal. Cada artéria</p><p>interlobular origina várias arteríolas glomerulares aferentes, que suprem</p><p>individualmente os néfrons, mais especificamente os glomérulos. O sangue</p><p>que não é filtrado no glomérulo deixa essa estrutura a partir das arteríolas</p><p>glomerulares eferentes, seguindo para os capilares intertubulares (que</p><p>envolvem os túbulos contorcidos dos néfrons) ou para as arteríolas retas</p><p>(envolvem os túbulos ascendentes e descendentes dos néfrons). A partir</p><p>desses capilares, o sangue é drenado do rim para as veias interlobulares,</p><p>veias arqueadas e veias interlobares. Estas últimas passam pelas pirâmides</p><p>renais e formam a veia renal, que deixa o rim através do hilo e desemboca</p><p>na veia cava inferior.</p><p>Processos básicos dos néfrons</p><p>Nos néfrons ocorrem três processos básicos cujo resultado é a produção da</p><p>urina. Os processos são:</p><p>Filtração: é caracterizada pela passagem de líquido e grande parte dos</p><p>solutos do sangue para o néfron. Esse processo ocorre no corpúsculo</p><p>renal, onde a água e solutos atravessam inicialmente as paredes dos</p><p>capilares glomerulares e, depois, a cápsula de Bowman, dirigindo-se</p><p>para os túbulos renais. O fluido que atravessa essas estruturas passa a</p><p>ser chamado de filtrado.</p><p>Reabsorção: à medida que o filtrado flui através dos túbulos renais e</p><p>ductos coletores, a água e os solutos úteis são reabsorvidos do lúmen</p><p>tubular de volta para o sangue, através dos capilares peritubulares.</p><p>Secreção: à medida que o filtrado flui através dos túbulos renais e</p><p>ductos coletores, substâncias são seletivamente secretadas para o</p><p>lúmen tubular. Dessa forma, substâncias como resíduos metabólicos,</p><p>excesso de íons e fármacos são removidos do sangue para o lúmen</p><p>tubular, sendo excretados pela urina.</p><p>Ureteres</p><p>Os ureteres constituem um par de tubos que se iniciam como uma</p><p>continuação da pelve renal, seguindo inferiormente até a bexiga urinária. Os</p><p>ureteres penetram através da parede posterior da bexiga urinária formando o</p><p>óstio do ureter. A função dos ureteres é transportar a urina dos rins para a</p><p>bexiga urinária. A parede do ureter é formada por três camadas ou túnicas:</p><p>1) camada mucosa: é a camada mais profunda, consistindo em um epitélio</p><p>de transição e uma lâmina própria. Células caliciformes presentes nessa</p><p>camada secretam muco que recobre a parede do ureter, impedindo que as</p><p>células entrem em contato com a urina; 2) camada muscular: camada</p><p>intermediária constituída por uma camada longitudinal interna e uma camada</p><p>circular externa de músculo liso. No terço distal dos ureteres, há também</p><p>uma camada externa à camada circular composta de fibras musculares</p><p>longitudinais. A principal função da camada muscular é o peristaltismo,</p><p>permitindo o movimento da urina através dos ureteres em direção à bexiga</p><p>urinária; e, 3) camada adventícia: camada mais externa do ureter, sendo</p><p>constituída de tecido conjuntivo. Mantém os ureteres em posição.</p><p>Bexiga</p><p>Outra estrutura que faz parte do sistema urinário é a bexiga urinária, um</p><p>órgão muscular oco, distensível, localizado na cavidade pélvica posterior à</p><p>sínfise púbica. A função da bexiga urinária é armazenamento temporário da</p><p>urina. Nas mulheres, a bexiga urinária encontra-se posterior à vagina e</p><p>inferior ao útero, enquanto, nos homens, está anterior ao reto. O formato da</p><p>bexiga pode variar de acordo com o volume de urina armazenado no seu</p><p>interior. Seu formato é esférico, tornando-se achatada quando vazia; porém,</p><p>conforme vai enchendo de urina, a bexiga urinária torna-se piriforme,</p><p>ascendendo para a cavidade abdominal. No assoalho da bexiga urinaria,</p><p>encontramos uma área triangular chamada trígono da bexiga. Essa área é</p><p>delimitada pelos óstios dos ureteres e pelo óstio interno da uretra e atua</p><p>como um funil, direcionando a urina para a uretra quando a bexiga urinária</p><p>se contrai. A parede da bexiga urinária é formada por três camadas, sendo a</p><p>mais profunda, a túnica mucosa, constituída por epitélio de transição e</p><p>lâmina própria, bem semelhante ao observado nos ureteres. A presença</p><p>desse epitélio de transição permite o estiramento da parede da bexiga, assim</p><p>como a presença das pregas de mucosa. A camada intermediária, chamada</p><p>túnica muscular ou músculo detrusor da bexiga, composta por três camadas</p><p>de músculo liso: duas longitudinais (interna e externa) e uma circular que se</p><p>encontra disposta entre elas. A contração do músculo detrusor da bexiga é</p><p>responsável por expelir a urina para o interior da uretra. Ao redor da abertura</p><p>da uretra, as fibras musculares circulares formam o esfíncter interno da</p><p>uretra, responsável pelo controle involuntário da bexiga sobre a eliminação</p><p>da urina. A camada mais externa da bexiga urinária é a adventícia, presente</p><p>somente na face posterior e inferior da bexiga, formada por tecido conjuntivo.</p><p>Revestindo externamente a porção superior da bexiga, encontramos a túnica</p><p>serosa, formada por uma camada de peritônio.</p><p>Figura 2 | Estrutura da bexiga urinária. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.</p><p>Uretra</p><p>Ainda, no sistema urinário, encontramos a uretra, um órgão tubular pequeno</p><p>que se estende do óstio interno da uretra, no assoalho da bexiga, até o óstio</p><p>externo da uretra no limite com a região externa do corpo. Sua função é</p><p>conduzir a urina da bexiga urinária até o meio externo. Existem algumas</p><p>diferenças anatômicas e funcionais entre a uretra masculina e feminina. Nas</p><p>mulheres, a uretra é mais curta (cerca de 4 cm de comprimento), se</p><p>estendendo da bexiga até o óstio externo da uretra, localizado no vestíbulo</p><p>da vagina, entre o clitóris e a abertura vaginal. Sua parede é constituída de</p><p>uma camada mucosa profunda e uma camada muscular superficial. A</p><p>camada mucosa é formada por epitélio e uma lâmina própria. Nas</p><p>proximidades do assoalho da bexiga, encontramos epitélio de transição e</p><p>nas proximidades do óstio externo da uretra, epitélio estratificado</p><p>pavimentoso não queratinizado. Entre essas duas regiões a camada mucosa</p><p>é formada por epitélio estratificado colunar ou pseudoestratificado colunar. A</p><p>camada muscular é formada por fibras musculares dispostas de forma</p><p>circular e em continuidade com a bexiga urinária. Nas mulheres, a uretra</p><p>apresenta somente função de transporte da urina da bexiga para o meio</p><p>externo. Nos homens, a uretra é mais longa (cerca de 20 cm de</p><p>comprimento), se estendendo do assoalho da bexiga até o óstio externo da</p><p>uretra, localizado na extremidade do pênis. Dessa forma, a uretra masculina</p><p>faz parte tanto do sistema urinário, conduzindo a urina da bexiga para o meio</p><p>externo, como do sistema reprodutor masculino, sendo via de passagem</p><p>para a liberação do sêmen para o meio externo. A uretra masculina pode ser</p><p>dividida em três regiões anatômicas: 1) parte prostática, que atravessa a</p><p>próstata e recebe drenagem dos ductos da próstata e dos ductos</p><p>ejaculatórios do sistema reprodutor; 2) parte membranácea, um segmento</p><p>curto que atravessa o diafragma urogenital, constituído pelo músculo</p><p>transverso profundo do períneo; e 3) parte esponjosa, que atravessa o pênis</p><p>e na qual encontramos a abertura das glândulas bulbouretrais. A parede da</p><p>uretra masculina também é constituída de uma camada mucosa profunda e</p><p>uma camada muscular superficial. Na parte prostática, a camada mucosa é</p><p>formada por epitélio de transição, mas que mais distalmente se torna epitélio</p><p>estratificado colunar ou pseudoestratificado colunar. A camada muscular é</p><p>formada por fibras musculares dispostas de forma circular, que colaboram</p><p>para a formação do esfíncter interno da uretra. A parte membranácea</p><p>apresenta epitélio estratificado colunar ou pseudoestratificado colunar e</p><p>camada muscular composta por fibras musculares esqueléticas dispostas de</p><p>forma circular, oriundas do músculo transverso profundo do períneo, que</p><p>colaboram para a formação</p><p>do esfíncter externo da uretra. A camada mucosa</p><p>da parte esponjosa também é formada por epitélio estratificado colunar ou</p><p>pseudoestratificado colunar, com exceção da região do óstio externo da</p><p>uretra, formada por epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado.</p><p>Agora, que você conheceu as principais características estruturais e</p><p>funcionais do sistema urinário, você é capaz de compreender a importância</p><p>do conhecimento desse tema para uma atuação profissional adequada e</p><p>segura, visando o bem-estar e promoção da saúde.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Agora que você conheceu as estruturas do sistema urinário, bem como suas</p><p>funções, vamos retomar a situação-problema. A partir de agora, vamos</p><p>considerar que você seja o Daniel, um estagiário da área da saúde na</p><p>Universidade de sua cidade. Nessa etapa do seu estágio, você acompanhará</p><p>a equipe multidisciplinar responsável por um Programa de Atenção Integral à</p><p>Saúde na sua Instituição. Neste primeiro momento, você está</p><p>acompanhando a análise e discussão de diferentes casos clínicos de</p><p>pacientes atendidos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) parceira do</p><p>Programa. Durante uma das reuniões, foi discutido o caso de uma paciente</p><p>que apresentava os seguintes achados clínicos: dor e ardência ao urinar há</p><p>três dias, vontade de urinar com maior frequência nas últimas 24 horas, urina</p><p>com coloração mais escura, mas sem alteração de cheiro, sem presença de</p><p>febre e outras comorbidades. O exame de urina da paciente mostrou</p><p>bacteriúria, piúria e hematúria. Assim, diante de todos os achados, a</p><p>paciente acabou sendo diagnosticada com cistite. Aproveitando o quadro</p><p>clínico apresentado, seu supervisor do estágio aproveitou para fazer os</p><p>seguintes questionamentos: “O que é a cistite? Você saberia explicar quais</p><p>estruturas são acometidas na cistite? Qual a importância dessas estruturas</p><p>para o funcionamento do nosso organismo?”. Agora, você já é capaz de</p><p>responder seu supervisor. Vamos lá?</p><p>Primeiramente, é importante lembrar que o sistema urinário é composto de</p><p>rins, ureteres, bexiga urinária e uretra. As funções desse sistema são</p><p>realizadas principalmente pelos rins. Desse modo, os rins apresentam um</p><p>papel importante na manutenção do meio interno do organismo, atuando na</p><p>regulação do volume e da composição do líquido extracelular, regulação do</p><p>pH do meio interno, excreção de resíduos metabólicos e produtos tóxicos e</p><p>produção de hormônios (eritropoetina e calcitriol). Assim, alterações na</p><p>atividade desse sistema podem acarretar o aparecimento disfunções em</p><p>outros sistemas corporais, comprometendo o funcionamento normal do</p><p>organismo. Algumas patologias podem estar associadas ao sistema urinário,</p><p>como as infecções do trato urinário (ITU), caracterizadas por formação de</p><p>colônias de bactérias, principalmente a Escherichia coli, ou fungos no</p><p>sistema urinário. As mulheres são mais susceptíveis a esse tipo de infecção</p><p>devido à proximidade entre o óstio externo da uretra e o ânus. Além disso, a</p><p>uretra feminina é curta, o que possibilita que bactérias atinjam a bexiga</p><p>urinária mais facilmente. Os sinais e sintomas dessas infecções incluem</p><p>disúria, a bexiga torna-se sensível à pressão, urgência urinária, necessidade</p><p>de urinar com maior frequência (polaciúria), lombalgia e enurese noturna. O</p><p>exame de urina é geralmente solicitado quando há suspeita de ITU e para</p><p>indivíduos que apresentam a infecção os achados são bacteriúria, piúria e</p><p>hematúria. Quando a inflamação acomete a parede da uretra, temos um</p><p>quadro de uretrite. Porém, se a inflamação atingir a bexiga urinária, temos</p><p>uma cistite, mas muitas vezes as infecções acabam acometendo as duas</p><p>regiões (uretra e bexiga). Para o tratamento de uma ITU utiliza-se a</p><p>terapêutica antibiótica. Caso a infecção não seja tratada, as bactérias podem</p><p>avançar ascendendo pelo ureter e atingir a pelve renal. Nesse caso, a</p><p>inflamação é denominada pielite. Havendo o avanço da infecção até o córtex</p><p>e medula renal, o quadro é chamado de pielonefrite e o indivíduo pode</p><p>apresentar febre alta, dor intensa do lado envolvido, vômitos e diarreia.</p><p>Saiba Mais</p><p>Funções do sistema urinário</p><p>O sistema urinário desempenha funções que são vitais para o nosso</p><p>organismo, incluindo a regulação do equilíbrio hídrico, eletrolítico e ácido-</p><p>base, a remoção de resíduos metabólicos e toxinas, e a regulação da</p><p>pressão arterial. Além disso, esse sistema contribui para a regulação da</p><p>osmolaridade e volume sanguíneo. Assim, o sistema urinário exerce funções</p><p>importantes no nosso organismo, permitindo a manutenção da homeostase</p><p>corporal e prevenção de doenças renais, garantindo um funcionamento</p><p>adequado de todo o organismo.</p><p>Para saber mais sobre as funções do sistema urinário e a sua importância</p><p>para o funcionamento do nosso organismo, acesse a seguinte obra:</p><p>O sistema urinário: estruturas e funções. Khan Academy.</p><p>Características anatômicas e histológicas do trato</p><p>urinário</p><p>https://pt.khanacademy.org/science/5-ano/vida-e-evolucao-5-ano/sistema-urinario/v/o-sistema-urinrio-estruturas-e-funes</p><p>A histologia dos rins, ureteres, bexiga e uretra fornece conhecimentos</p><p>fundamentais para o entendimento a respeito da estrutura e funções desses</p><p>órgãos, que incluem filtração e excreção de resíduos metabólicos, regulação</p><p>do equilíbrio hidroeletrolítico e controle da pressão arterial. Compreender a</p><p>histologia do sistema urinário é fundamental para auxiliar no diagnóstico e</p><p>tratamento de distúrbios renais, infecções do trato urinário, cálculos renais e</p><p>outras condições relacionadas, permitindo um cuidado eficaz e abrangente</p><p>aos pacientes.</p><p>Para saber mais sobre a histologia do sistema urinário, leia a seguinte obra</p><p>disponível na Biblioteca Virtual:</p><p>ABRAHAMSOHM, P. Sistema urinário. In: JUNQUEIRA, L. C. U.;</p><p>CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2023. cap. 20, p. 403-418.</p><p>Processos renais básicos: filtração, reabsorção e</p><p>secreção</p><p>Os três processos básicos que ocorrem nos néfrons são a filtração, a</p><p>reabsorção e a secreção. Esses processos garantem a remoção eficaz de</p><p>resíduos metabólicos e toxinas, a retenção de substâncias essenciais e a</p><p>regulação da composição química do sangue, contribuindo para a</p><p>homeostase e saúde geral do organismo.</p><p>Para explorar mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na</p><p>Biblioteca Virtual:</p><p>SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada.</p><p>7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. cap. 19, p. 594-612.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>CURI, R.; PROCÓPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2017.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739283/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:79</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739283/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:79</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/0</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/0</p><p>JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14.</p><p>ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.</p><p>SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2017.</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia.</p><p>16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.</p><p>Aula 2</p><p>FUNÇÃO RENAL</p><p>Função renal</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá conhecer os néfrons, unidades</p><p>estruturais e funcionais dos rins. Você irá explorar as principais</p><p>características anatômicas e funcionais dos néfrons, compreendendo sua</p><p>participação na regulação do equilíbrio hidroeletrolítico do nosso organismo.</p><p>Você será capaz de compreender processos de formação da urina e</p><p>depuração renal, entendendo como os rins filtram o sangue, reabsorvem</p><p>substâncias essenciais e eliminam resíduos metabólicos. Prepare-se para</p><p>explorar todos os aspectos dos rins e da formação da urina! Aproveite e</p><p>assista a videoaula agora mesmo!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Nesta aula, você, estudante, irá conhecer a estrutura anatômica do néfron, e</p><p>como o seu funcionamento auxilia</p><p>na manutenção da homeostase corporal.</p><p>Você conhecerá os diferentes segmentos do néfron, quais processos renais</p><p>básicos ocorrem em cada um desses segmentos e como resultam na</p><p>formação da urina. Além disso, você compreenderá como ocorre o reflexo da</p><p>micção e como esse reflexo pode ser controlado consciente e</p><p>inconscientemente. Assim, você será capaz de reconhecer todas essas</p><p>características, tornando possível a compreensão e aplicação desses</p><p>conhecimentos no seu dia a dia profissional. Dessa forma, a partir dos</p><p>conceitos abordados na seção, você será capaz de identificar as</p><p>características estruturais do néfron, unidade funcional dos rins,</p><p>relacionando-as com suas funções e como essas características podem</p><p>influenciar e contribuir para o bom funcionamento do nosso organismo,</p><p>sempre fazendo a relação desses conceitos com o seu contexto profissional.</p><p>Prepare-se para mais essa jornada de conhecimentos! Vamos lá!</p><p>A partir de agora, você continuará a acompanhar a rotina de Daniel, um</p><p>aluno de graduação na área da saúde, que realiza seu estágio junto à equipe</p><p>do Programa de Atenção Integral à Saúde de sua Universidade. Nessa etapa</p><p>do estágio, Daniel está acompanhando as discussões de casos clínicos de</p><p>alguns atendimentos realizados por uma Unidade Básica de Saúde (UBS)</p><p>parceira do Programa. Durante a discussão dos casos, realizada pela</p><p>equipe, foi mencionado o caso clínico do paciente J. W. R., sexo masculino,</p><p>11 anos. Inicialmente, o menino compareceu, junto de sua responsável, ao</p><p>Ambulatório da UBS apresentando edema facial, com início há 7 dias,</p><p>edema nos membros inferiores e aumento do volume abdominal. A</p><p>responsável relatou que a criança apresentou dor de garganta e febre</p><p>moderada há três semanas, com melhora sem tratamento medicamentoso.</p><p>Também referiu que a urina da criança estava “marrom-enferrujada” e</p><p>“espumosa”. O exame físico mostrou dor à palpação de flancos direito e</p><p>esquerdo. O exame de urina mostrou hematúria, proteinúria e oligúria.</p><p>Ultrassom de rins e vias urinárias sem alterações. Diante do quadro clínico</p><p>apresentado e dos resultados dos exames, a hipótese diagnóstica aventada</p><p>para o paciente foi de glomerulonefrite pós-estreptocócica. O paciente foi</p><p>medicado com antibiótico e, ao fim do tratamento, compareceu em consulta</p><p>de retorno, apresentando-se assintomático e com regressão do edema,</p><p>recebendo alta ambulatorial. Ainda durante a discussão desse caso clínico, o</p><p>supervisor do Programa aproveitou para incentivar Daniel a relembrar alguns</p><p>conceitos importantes a respeito das características anatômicas e funcionais</p><p>dos diferentes componentes do néfron. Ele fez os seguintes</p><p>questionamentos a ele: “você saberia explicar o que é uma glomerulonefrite?</p><p>Que componente estrutural do néfron é acometido nessa patologia? Qual é a</p><p>importância dessa estrutura para o funcionamento do nosso organismo?”</p><p>Como você, no lugar de Daniel, responderia a todos esses</p><p>questionamentos?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Os rins são responsáveis pela formação da urina, sendo suas camadas</p><p>formadas por túbulos microscópicos denominados néfrons. Em cada rim,</p><p>podemos encontrar cerca de um milhão de néfrons, considerados suas</p><p>unidades funcionais. Aproximadamente 80% dos néfrons estão localizados</p><p>quase completamente dentro do córtex renal, sendo chamados de néfrons</p><p>corticais. Os outros 20% penetram na região medular do rim e, por isso, são</p><p>chamados de néfrons justamedulares. Cada néfron é formado pelo</p><p>corpúsculo renal e uma estrutura tubular. Esta última é formada por quatro</p><p>porções denominadas túbulo proximal, alça de Henle, túbulo distal e ducto</p><p>coletor.</p><p>O corpúsculo renal faz parte do néfron, sendo que cada um dos corpúsculos</p><p>é formado por uma rede de capilares glomerulares chamado glomérulo.</p><p>Envolvendo o glomérulo encontramos a cápsula de Bowman, uma câmara</p><p>de parede dupla, com espaço no seu interior (espaço de Bowman)</p><p>preenchida com líquido (filtrado glomerular). A função do corpúsculo renal é</p><p>promover a filtração do plasma para dentro dos túbulos renais, a primeira</p><p>etapa da formação da urina. A partir do momento que o plasma é filtrado</p><p>para dentro da cápsula de Bowman passa a ser chamado de filtrado</p><p>glomerular, sendo composto principalmente de água e solutos dissolvidos. O</p><p>sangue chega em cada glomérulo pela arteríola aferente e, ao fluir pelo</p><p>glomérulo, parte do plasma acaba sendo filtrado para a cápsula de Bowman.</p><p>Aproximadamente 20% do plasma que flui ao longo dos rins é filtrado para</p><p>dentro do néfron, o restante, juntamente com as células sanguíneas e maior</p><p>parte das proteínas plasmáticas, acaba não sendo filtrado, sendo drenado do</p><p>glomérulo pela arteríola eferente. A essa porcentagem de volume total do</p><p>plasma filtrado inicialmente para a cápsula de Bowman e, depois, para o</p><p>interior dos túbulos renais é dado o nome de fração de filtração.</p><p>Para que a filtração ocorra, o plasma precisa atravessar a membrana de</p><p>filtração do rim antes de alcançar o lúmen tubular. Essa membrana é</p><p>formada por três barreiras de filtração: o endotélio do capilar glomerular, uma</p><p>lâmina basal e o endotélio da cápsula de Bowman. Os capilares</p><p>glomerulares são capilares fenestrados, portanto, apresentam poros grandes</p><p>entre as células endoteliais que permitem a passagem da maior parte dos</p><p>componentes do plasma, exceto a passagem de células sanguíneas e</p><p>proteínas plasmáticas carregadas negativamente. A lâmina basal, segunda</p><p>barreira de filtração, é uma camada acelular de matriz extracelular, formada</p><p>por glicoproteínas carregadas negativamente, colágeno e proteoglicanos,</p><p>localizada entre o endotélio do capilar glomerular e o endotélio da cápsula de</p><p>Bowman. A lâmina basal impede a passagem da maioria das proteínas</p><p>plasmáticas. Ainda fazendo parte da membrana de filtração, há o endotélio</p><p>da cápsula de Bowman. Este envolve cada capilar glomerular, sendo</p><p>formado por células epiteliais especializadas, denominadas podócitos. Os</p><p>podócitos apresentam extensões citoplasmáticas chamadas pedicelos, que</p><p>envolvem os capilares glomerulares e se entrelaçam entre si, formando</p><p>lacunas, chamadas de fendas de filtração e que impedem a passagem de</p><p>proteínas e macromoléculas. Após passar pela membrana de filtração, o</p><p>filtrado glomerular desemboca no espaço de Bowman e, depois, passa para</p><p>o lúmen do túbulo proximal. Ainda, ao redor e entre os capilares</p><p>glomerulares, podemos encontrar as células mesangiais. Essas células</p><p>apresentam elementos contráteis e, dessa forma, participam da regulação do</p><p>fluxo sanguíneo pelos capilares. Após o filtrado glomerular deixar a cápsula</p><p>de Bowman, ele flui para o sistema de túbulos renais, sendo modificado ao</p><p>longo desses túbulos, pelos processos de reabsorção e secreção tubular,</p><p>para formar a urina. Assim, inicialmente, o filtrado drena da cápsula de</p><p>Bowman para o primeiro segmento tubular, denominado túbulo proximal,</p><p>passando a ser chamado de fluido tubular ou urina.</p><p>A filtração glomerular é determinada por um gradiente de pressão no</p><p>corpúsculo renal, denominada pressão efetiva de filtração (PEF). Esta</p><p>depende da combinação de três pressões: (1) pressão hidrostática do</p><p>capilar glomerular (PCG, em média, de 55 mmHg): força o movimento do</p><p>fluido do capilar glomerular para o espaço de Bowman; (2) pressão</p><p>oncótica do capilar glomerular (πCG, em média, de 30 mmHg): gerada</p><p>devido à presença de proteínas no plasma. Essa pressão é maior dentro dos</p><p>capilares glomerulares do que no fluido presente na cápsula de Bowman,</p><p>favorecendo o movimento do fluido de volta para os capilares. Portanto, é</p><p>uma força que se opõe à filtração; e (3) pressão hidrostática do fluido na</p><p>cápsula de Bowman (PCB, em média, de 15 mmHg): o fluido presente no</p><p>interior da cápsula (espaço de Bowman) gera uma pressão hidrostática</p><p>desse fluido, que se opõe ao movimento do fluido dos capilares para dentro</p><p>da cápsula e, portanto, à filtração. A pressão oncótica no interior da cápsula</p><p>de Bowman é considerada nula, uma vez que a filtração de proteínas é</p><p>extremamente baixa. Desse modo, a PEF é de, em média, 10 mmHg, do</p><p>capilar glomerular para o interior da cápsula</p><p>de Bowman, direção que</p><p>favorece a filtração. Contudo, conforme o sangue flui ao longo do capilar, a</p><p>PCG diminui. Isso ocorre devido à resistência ao fluxo, causada pelo</p><p>comprimento do capilar. Por outro lado, conforme o líquido vai sendo filtrado,</p><p>a concentração de proteínas aumenta no capilar glomerular, promovendo um</p><p>aumento da πCG ao longo desse capilar. Mas, mesmo com a diminuição da</p><p>PCG ao longo do capilar glomerular, esta ainda permanece maior do que as</p><p>pressões que se opõem a ela, permitindo a filtração ao longo de</p><p>praticamente todo o comprimento dos capilares glomerulares. O volume de</p><p>fluido filtrado para o interior da cápsula de Bowman por unidade de tempo é</p><p>denominado taxa de filtração glomerular. Em um indivíduo adulto, a taxa</p><p>de filtração glomerular (TFG) é, em média, de 125 mL/min. Considerando o</p><p>volume plasmático total de cerca de 3 litros, a TFG indica que os rins filtram</p><p>todo o volume plasmático do nosso corpo aproximadamente 60 vezes por</p><p>dia. Alguns fatores, como o fluxo sanguíneo renal e a pressão arterial, podem</p><p>influenciar na TFG. Contudo, embora haja flutuações nesses fatores, a TFG</p><p>permanece relativamente constante, devido a um controle local exercido</p><p>pelos rins e que envolve diferentes mecanismos.</p><p>A partir de agora, seguiremos o trajeto desse fluido através dos diferentes</p><p>segmentos tubulares. O próximo segmento do néfron é o túbulo proximal,</p><p>que apresenta duas porções: uma inicial mais tortuosa, denominada porção</p><p>convoluta ou contorcida, e uma porção reta, localizada mais no final desse</p><p>segmento tubular. O túbulo proximal é revestido por epitélio cúbico simples,</p><p>no qual as células apresentam duas membranas: uma apical ou luminal,</p><p>voltada para o lúmen tubular e com presença de uma borda em escova com</p><p>microvilosidades; e uma basolateral, que constitui o limite entre a célula e o</p><p>interstício e capilares peritubulares. No túbulo proximal, ocorre a maior parte</p><p>do processo de reabsorção renal, sendo reabsorvidos nutrientes orgânicos,</p><p>íons e água. A reabsorção da maioria dos solutos nesse segmento está</p><p>associada a um gradiente de concentração de Na+ entre o filtrado glomerular</p><p>e o citoplasma das células tubulares dos néfrons. A concentração de Na+ no</p><p>filtrado que entra pelo túbulo proximal é similar à composição iônica</p><p>plasmática, uma vez que quase todos os solutos são filtrados do plasma</p><p>(com exceção das proteínas plasmáticas maiores) para a cápsula de</p><p>Bowman na mesma proporção que a água. Porém, o filtrado que chega ao</p><p>túbulo proximal apresenta uma concentração maior de Na+ do que no interior</p><p>das células tubulares. Assim, a favor do gradiente eletroquímico, o Na+ entra</p><p>passivamente na célula tubular, via canais de vazamento abertos ou</p><p>utilizando proteínas transportadoras. Dentro das células tubulares, o Na+ é</p><p>transportado ativamente através da membrana basolateral pela bomba Na+-</p><p>K+-ATPase, o que acarreta o movimento do Na+ para o líquido intersticial</p><p>(LIT) e capilares peritubulares (reabsorção) e entrada de K+ na célula</p><p>tubular. Como mencionado, o Na+ pode atravessar a membrana apical</p><p>utilizando proteína transportadora por cotransporte com outras substâncias</p><p>como glicose, aminoácidos e íons (K+, Ca2+, Cl–, HCO3</p><p>–, HPO4</p><p>2–). A saída</p><p>de Na+ e outros solutos do lúmen tubular para o LIT promove uma diluição</p><p>do fluido tubular e aumento da concentração do LIT, criando um gradiente</p><p>osmótico que favorece o movimento da água do lúmen tubular em direção ao</p><p>interstício. Além disso, esse transporte de água gera um gradiente favorável</p><p>ao transporte de ureia. A saída da água do lúmen tubular resulta em aumento</p><p>da concentração de ureia no fluido tubular, gerando um gradiente de</p><p>concentração para o movimento dela do lúmen tubular para o LIT. E,</p><p>finalmente, no túbulo proximal, acontece a reabsorção da maior parte das</p><p>proteínas e peptídeos pequenos filtrados através da membrana de filtração.</p><p>A reabsorção dessas substâncias ocorre geralmente por pinocitose. Assim,</p><p>aproximadamente 70% da água e solutos filtrados, assim como praticamente</p><p>toda a glicose e os aminoácidos e frações significativas de íons importantes,</p><p>acabam sendo reabsorvidos no túbulo proximal. Uma vez no interstício, a</p><p>água e os solutos se movem para os capilares peritubulares, retornando à</p><p>circulação sistêmica. Além da reabsorção, no túbulo proximal, também</p><p>ocorre o processo de secreção. Nesse segmento, substâncias como H+,</p><p>amônia e vários compostos orgânicos são secretados no lúmen tubular.</p><p>Esses compostos incluem produtos de degradação metabólica (creatinina e</p><p>ácido úrico) ou provenientes do meio externo, como os fármacos</p><p>(anestésicos, antibióticos, morfina, entre outros) e toxinas. Dessa forma, pelo</p><p>processo da secreção tubular renal, muitas substâncias nocivas acabam</p><p>sendo eliminadas do corpo. Ao sair do túbulo proximal, o fluido tubular</p><p>apresenta a mesma concentração do filtrado glomerular e do plasma, uma</p><p>vez que os solutos e a água são reabsorvidos nas mesmas proporções</p><p>(processo de reabsorção isosmótica) nesse segmento. Desse local, o fluido</p><p>tubular segue e adentra a alça de Henle. Esta é um segmento tubular que</p><p>desce até a medula e, depois, retorna para o córtex, sendo formada por três</p><p>ramos: descendente fino, ascendente fino e ascendente grosso.</p><p>A alça de Henle é responsável pela reabsorção de cerca de 25% de Na+ e</p><p>Cl- filtrados e 15% de água filtrada. O ramo descendente fino, o primeiro</p><p>dessa estrutura, é altamente permeável à água. Nesse ramo, a água é</p><p>reabsorvida por osmose, a favor de um gradiente de concentração gerado</p><p>pelo interstício circundante hiperosmótico em relação ao fluido tubular. A</p><p>reabsorção da água ocorre através de canais de água, chamados</p><p>aquaporinas-1 (AQP1), os mesmos presentes no túbulo proximal e que</p><p>permitem a reabsorção de água naquele local. No entanto, no ramo fino</p><p>descendente, não ocorre reabsorção de Na+ e Cl-. Assim, o fluido tubular, ao</p><p>sair desse ramo, apresenta maior concentração de Na+ e Cl-, devido à</p><p>reabsorção de água. Nos ramos ascendentes fino e grosso da alça de Henle,</p><p>não há reabsorção de água, pois esses segmentos não apresentam</p><p>aquaporinas (AQP), sendo, portanto, impermeáveis à água. Por outro lado,</p><p>nesses segmentos ocorre a reabsorção de Na+ e Cl-. No ramo ascendente</p><p>fino, a reabsorção de Na+ e Cl- é passiva, a favor de um gradiente de</p><p>concentração, uma vez que a chegada do fluido tubular concentrado em</p><p>solutos, (Na+ e Cl-), oriundo do ramo descendente fino, acaba favorecendo a</p><p>difusão desses solutos do fluido tubular em direção ao LIT. Além do processo</p><p>de reabsorção de Na+ e Cl-, no ramo ascendente fino, também se observa a</p><p>secreção passiva de ureia para o fluido tubular. No ramo ascendente grosso,</p><p>a reabsorção de Na+ e Cl- é favorecida pela atividade da bomba Na+-K+-</p><p>ATPase na membrana basolateral das células tubulares, que mantém baixa</p><p>a concentração de Na+ dentro da célula tubular, gerando um gradiente de</p><p>concentração que favorece o movimento desse íon do fluido tubular para</p><p>dentro da célula. O transporte do Na+ e Cl- através da membrana apical da</p><p>célula para o seu interior ocorre via proteínas transportadoras por</p><p>cotransporte de 1Na+-1K+-2Cl-, movendo o Na+, Cl- e K+ para dentro da</p><p>célula. Os K+ acabam sendo reciclados, retornando para o fluido tubular</p><p>através de canais de potássio presentes na membrana apical. O transporte</p><p>de Na+ na membrana apical também pode ser realizado por proteínas</p><p>transportadoras por contratransporte de 1Na+-1H+, movendo Na+ para</p><p>dentro da célula e H+ para o fluido tubular. Dessa forma, além da reabsorção</p><p>de Na+ nesse segmento, ocorre também a secreção de H+. Assim, o</p><p>resultado dos processos que ocorrem nos ramos ascendentes da alça de</p><p>Henle é um fluido tubular mais diluído em relação ao plasma e ao interstício</p><p>que envolve esse segmento. Isso acontece porque na alça de Henle ocorre</p><p>reabsorção de maior quantidade de NaCl do que de água, tornando esse</p><p>fluido tubular hiposmótico em relação ao plasma e interstício circundante.</p><p>Como a reabsorção de NaCl acaba sendo o responsável por esse fluido mais</p><p>diluído</p><p>e essa reabsorção ocorre no ramo ascendente da alça de Henle, este</p><p>ramo é então chamado de “segmento diluidor”.</p><p>O fluido tubular deixa a alça de Henle e entra no túbulo distal, que pode ser</p><p>dividido em um segmento inicial, denominado túbulo distal convoluto, e um</p><p>segmento final, chamado túbulo distal final. O túbulo distal se inicia logo após</p><p>a mácula densa (um curto segmento do ramo ascendente espesso da alça</p><p>de Henle formado quando o néfron passa entre as arteríolas aferente e</p><p>eferente que o suprem), se estendendo até o local em que muitos néfrons se</p><p>unem e formam um único ducto coletor cortical, o qual penetra na medula</p><p>renal, originando o ducto coletor medular. Com relação aos processos</p><p>básicos renais, no túbulo distal convoluto não há reabsorção de água, pois</p><p>esse segmento é impermeável à água. Contudo, o túbulo distal convoluto</p><p>reabsorve Na+, Cl- e Ca2+, além de secretar H+ e amônia. Nesse segmento,</p><p>o transporte de Na+ e Cl- na membrana apical em direção ao interior da</p><p>célula tubular ocorre por meio de proteínas transportadoras por cotransporte</p><p>Na+-Cl-. Por ação da bomba Na+-K+-ATPase na membrana basolateral das</p><p>células tubulares, o Na+ deixa o meio intracelular, movendo-se em direção</p><p>ao LIT. Já o Cl-, é movido do interior da célula tubular para o LIT por difusão</p><p>via canais de Cl-. Dessa forma, nesse segmento, o fluido tubular perde</p><p>solutos sem reabsorção de água, diluindo ainda mais.</p><p>Do túbulo distal convoluto, o fluido tubular entra no túbulo distal final e depois</p><p>nos ductos coletores. Esses dois últimos segmentos do túbulo renal</p><p>apresentam dois tipos celulares: células principais e células intercaladas. As</p><p>células principais são responsáveis pela reabsorção de Na+, Cl- e água e</p><p>também pela secreção de K+. Já as células intercaladas reabsorvem K+ e</p><p>secretam H+. Nas células principais, a reabsorção de Na+ e a secreção de</p><p>K+ envolve a atividade da bomba Na+-K+-ATPase, presente na membrana</p><p>basolateral. Essa bomba promove a captação de K+ a partir do LIT para a</p><p>célula e movimento do Na+ da célula para o LIT. Com isso, a concentração</p><p>de Na+ intracelular diminui, gerando um gradiente químico que favorece o</p><p>movimento do Na+ do fluido tubular para o interior da célula, via difusão por</p><p>canais seletivos ao Na+, canais do tipo ENac, presentes na membrana apical</p><p>das células tubulares. A secreção de K+ ocorre por canais específicos para</p><p>esse íon presentes na membrana apical. Com a saída de Na+ do líquido</p><p>tubular, este torna-se com voltagem mais negativa, o que favorece a</p><p>reabsorção passiva de Cl- por via paracelular (entre as células). A quantidade</p><p>de água reabsorvida nos túbulos distais finais e ductos coletores é variável e</p><p>dependente da presença de hormônio antidiurético (ADH), que regula a</p><p>permeabilidade à água nesses segmentos tubulares. O ADH estimula a</p><p>migração de vesículas presentes no citoplasma das células tubulares dos</p><p>túbulos distal e ductos coletores em direção à membrana apical e, sua</p><p>posterior incorporação a essa membrana. As membranas dessas vesículas</p><p>apresentam agregados de canais de água que são sensíveis ao ADH,</p><p>chamados aquaporinas 2 (AQP2). Quando as concentrações plasmáticas de</p><p>ADH estão baixas, as AQP2 são retiradas da membrana apical por</p><p>endocitose, resultando em pouquíssima reabsorção de água nesses</p><p>segmentos tubulares e, consequentemente, em um fluido tubular com grande</p><p>volume e hiposmótico (diurese hídrica). Porém, se as concentrações</p><p>plasmáticas de ADH estão aumentadas, acaba determinando a incorporação</p><p>de AQP2 na membrana apical e, consequentemente, maior reabsorção de</p><p>água nesses segmentos, tornando o fluido tubular hiperosmótico e com</p><p>menor volume. Dessa forma, a alteração na quantidade de AQP2</p><p>incorporada na membrana apical constitui um mecanismo rápido de controle</p><p>da permeabilidade da membrana à água. Diferentemente, a membrana</p><p>basolateral desses segmentos não depende da ação do ADH, sendo</p><p>livremente permeáveis à água. Esta, deixa a célula tubular em direção ao</p><p>interstício hipertônico por canais de água, chamados AQP3 e AQP4,</p><p>presentes na membrana basolateral. A secreção de K+ pelas células</p><p>principais para o fluido tubular é mediada pela atividade da bomba Na+-K+-</p><p>ATPase na membrana basolateral, que capta o K+ do LIT para o interior da</p><p>célula. Posteriormente, o K+ deixa a célula em direção ao fluido luminal por</p><p>difusão via canais de K+ presentes na membrana apical.</p><p>Nas células intercaladas, a reabsorção de K+ e secreção de H+ são</p><p>mediadas pela ação da bomba H+-K+-ATPase, localizada na membrana</p><p>apical, que movimenta K+ para dentro da célula e H+ para o fluido tubular. A</p><p>seguir, o K+ se difunde da célula para o LIT via canais de K+ presentes na</p><p>membrana basolateral. Assim, resumidamente, os túbulos distais e ductos</p><p>coletores são responsáveis pela reabsorção de aproximadamente 8% de</p><p>Na+ e Cl- e de uma quantidade variável de água (8 a 17%), além da</p><p>secreção de quantidades variáveis de K+ e H+. Nesses segmentos, o ADH</p><p>desempenha um importante papel na quantidade de água presente na urina</p><p>final. Ao deixar os ductos coletores, o fluido tubular (urina) percorre</p><p>sequencialmente os cálices renais, pelve renal, ureteres, bexiga urinária,</p><p>uretra, até alcançar o meio externo.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Depuração plasmática ou clearance renal</p><p>É o volume de plasma a partir do qual uma substância específica é</p><p>totalmente removida por minuto e excretada na urina. A depuração</p><p>plasmática pode ser utilizada para medir a TFG e, portanto, como um</p><p>indicativo da função renal. Dessa forma, uma TFG reduzida indicaria um</p><p>declínio da função renal. A depuração plasmática (D) pode ser calculada pela</p><p>fórmula:</p><p>D (mL/min )=</p><p>Concentração da substância na urina (mg/mL )</p><p>Concentração da substância no plasma (mg/mL )</p><p>× Fluxo urinário (mL/min )</p><p>Assim, quando uma substância é livremente filtrada no corpúsculo renal, não</p><p>sendo secretada e nem reabsorvida pelo néfron, sua depuração plasmática</p><p>será igual à sua TFG, pois a quantidade de substância filtrada é igual à</p><p>quantidade da substância excretada. Um exemplo seria a inulina, um</p><p>polissacarídeo não fisiológico. Contudo, embora a inulina seja ideal para a</p><p>avaliação da TFG, sua utilização é tecnicamente difícil e pouco prática, o que</p><p>a torna pouco adequada para uso rotineiro na prática clínica. Clinicamente, a</p><p>substância utilizada para a medida da TFG é a creatinina, produto do</p><p>metabolismo da creatina nos músculos esqueléticos, sendo liberada no</p><p>sangue em um ritmo constante. A creatinina é livremente filtrada nos</p><p>corpúsculos renais e não é reabsorvida pelos túbulos renais. Entretanto,</p><p>essa substância é secretada pelo túbulo proximal, de modo que cerca de</p><p>10% da creatinina acaba sendo excretada pela urina, o que levaria a uma</p><p>superestimação da TFG. Mas, devido a um erro de igual magnitude do</p><p>ensaio realizado em laboratório, o valor da TFG acaba sendo compensado,</p><p>validando a sua utilização na prática clínica.</p><p>Micção</p><p>É a eliminação de urina armazenada na bexiga. Esse processo é um arco</p><p>reflexo simples sujeito ao controle voluntário e involuntário exercido por</p><p>centros superiores do encéfalo. Conforme a urina começa a ser armazenada</p><p>na bexiga, suas paredes se distendem, ativando receptores de estiramento</p><p>presentes nesse local e que produzem potenciais de ação que são</p><p>conduzidos por neurônios sensoriais, que fazem parte dos nervos pélvicos, e</p><p>enviados à região sacral da medula espinal. Nesse local, a informação é</p><p>integrada, resultando em uma resposta que envolve duas ações. A primeira,</p><p>é a ativação de neurônios parassimpáticos que inervam a musculatura lisa</p><p>da parede da bexiga urinária (músculo detrusor), promovendo a contração</p><p>dessa musculatura. Ao mesmo tempo, os neurônios motores somáticos que</p><p>inervam o esfíncter externo da uretra são inibidos, promovendo o</p><p>relaxamento desse esfíncter. A contração da bexiga empurra a urina em</p><p>direção à uretra, exercendo uma pressão sobre o esfíncter interno da uretra,</p><p>forçando a abertura desse esfíncter. Conjuntamente, o esfíncter externo da</p><p>uretra relaxa e se abre, permitindo a passagem</p><p>da urina para a uretra e, em</p><p>seguida, para o meio externo. Esse arco reflexo simples é observado</p><p>principalmente em crianças com idade inferior a 2-3 anos, que ainda não</p><p>aprenderam a exercer o controle voluntário dos esfíncteres. A partir dessa</p><p>idade, o indivíduo aprende a controlar a atividade dos esfíncteres (reflexo</p><p>aprendido), mantendo a micção inibida até que haja o desejo consciente de</p><p>urinar. Para isso, fibras sensoriais oriundas da parede da bexiga urinária,</p><p>ativadas pelo enchimento dessa estrutura, enviam potenciais de ação por</p><p>vias ascendentes espinais a centros presentes no tronco encefálico e córtex</p><p>cerebral, aumentando o desejo consciente de urinar. Como resposta, por</p><p>meio de vias descendentes, são enviados potenciais de ação para a região</p><p>sacral da medula espinal, inibindo o reflexo da micção, ou seja, inibindo as</p><p>fibras parassimpáticas que inervam a parede da bexiga urinária e</p><p>aumentando a contração do esfíncter externo da uretra pela ativação dos</p><p>neurônios motores somáticos que o inervam. Quando o indivíduo decide que</p><p>é o momento apropriado para urinar (vontade consciente), esses mesmos</p><p>centros do tronco encefálico e córtex cerebral retiram essa inibição,</p><p>facilitando o reflexo de micção.</p><p>Agora que você conheceu as principais características estruturais e</p><p>funcionais do néfron e aprendeu sobre o reflexo de micção, você é capaz de</p><p>compreender a importância do conhecimento e como pode impactar para</p><p>uma atuação profissional adequada e segura.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Agora que você conheceu e aprendeu sobre as principais características</p><p>anatômicas e funcionais dos componentes do néfron e como acontece o</p><p>reflexo da micção, vamos retomar a situação-problema. A partir de agora,</p><p>vamos considerar que você seja o Daniel, estagiário da área da saúde na</p><p>Universidade de sua cidade. Nessa etapa do seu estágio, você acompanhará</p><p>a equipe multidisciplinar responsável por um Programa de Atenção Integral à</p><p>Saúde na sua Instituição. Neste primeiro momento, você está</p><p>acompanhando a análise e discussão de diferentes casos clínicos de</p><p>pacientes atendidos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) parceira do</p><p>Programa. Durante a discussão dos casos clínicos, foi abordado o caso de</p><p>um paciente que apresentava os seguintes achados clínicos: edema facial e</p><p>nos membros inferiores, aumento de volume abdominal, dor à palpação dos</p><p>flancos direito e esquerdo, hematúria, proteinúria, oligúria e ultrassom dos</p><p>rins e vias urinárias sem alterações. Foi referida dor de garganta e febre</p><p>moderada três semanas antes, que regrediu sem tratamento</p><p>medicamentoso. Assim, diante de todos os achados, o paciente acabou</p><p>sendo diagnosticado com glomerulonefrite pós-estreptocócica. Aproveitando</p><p>o quadro clínico apresentado, o supervisor do estágio aproveitou para te</p><p>fazer os seguintes questionamentos: “você saberia explicar o que é uma</p><p>glomerulonefrite? Que componente estrutural do néfron é acometido nessa</p><p>patologia? Qual é a importância dessa estrutura para o funcionamento do</p><p>nosso organismo?”</p><p>Agora, você já é capaz de responder o seu supervisor. Vamos lá?</p><p>Primeiramente, é importante lembrar que o néfron é a unidade funcional dos</p><p>rins, sendo cada néfron formado pelo corpúsculo renal e um sistema de</p><p>túbulos. O corpúsculo renal é formado pelo glomérulo e cápsula de Bowman,</p><p>enquanto o sistema tubular é composto por quatro porções denominadas</p><p>túbulo proximal, alça de Henle, túbulo distal e ducto coletor. No corpúsculo</p><p>renal ocorre o processo de filtração e no sistema de túbulos ao longo do qual</p><p>o fluido filtrado sofre os processos de reabsorção e secreção, que variam de</p><p>acordo com a porção desse sistema. A glomerulonefrite é uma inflamação</p><p>que envolve os glomérulos e pode apresentar diferentes causas, como</p><p>infecções bacterianas, virais e parasitárias. Um dos tipos de glomerulonefrite</p><p>é a glomerulonefrite pós-estreptocócica, mais comum em crianças, surgindo</p><p>entre 7 dias e 12 semanas após uma faringite ou infecção da pele</p><p>ocasionadas por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A. Neste caso, os</p><p>glomérulos inflamados tornam-se tumefeitos e ingurgitados, comprometendo</p><p>a função da membrana de filtração, permitindo a passagem de quantidades</p><p>maiores do que o normal de proteínas plasmáticas (principalmente albumina)</p><p>e células sanguíneas para o filtrado. Como consequência, observa-se a</p><p>presença de hemácias (hematúria) e proteínas plasmáticas (proteinúria) na</p><p>urina. A coloração da urina torna-se “marrom-enferrujada”, devido à presença</p><p>de hemácias intactas e hemoglobina liberada pelas células hemolisadas, e</p><p>“espumosa”, por conta da presença de proteínas na urina. Em alguns casos,</p><p>pode haver retenção de sódio e água, que leva ao edema, explicando o</p><p>aparecimento de edema facial e de membros inferiores, assim como o</p><p>aumento da pressão arterial. Geralmente, a patologia não necessita de</p><p>nenhum tratamento específico, havendo o retorno da função renal ao normal</p><p>em poucas semanas.</p><p>Saiba Mais</p><p>Néfrons: estrutura e função</p><p>O néfron é a unidade funcional básica dos rins, responsável pela filtração do</p><p>sangue e pela produção de urina. Consiste em uma série complexa de</p><p>estruturas, incluindo o corpúsculo renal (glomérulo e cápsula de Bowman) e</p><p>os túbulos renais (túbulo proximal, alça de Henle e túbulo distal). Sua</p><p>importância reside na regulação do equilíbrio hídrico e eletrolítico do corpo,</p><p>na eliminação de resíduos metabólicos e toxinas, na regulação da pressão</p><p>arterial e na manutenção da homeostase geral. Reforçando a importância do</p><p>seu funcionamento adequado para a manutenção e sobrevivência do</p><p>organismo.</p><p>Para saber mais sobre a estrutura e funções do néfron, leia a seguinte obra</p><p>disponível na Biblioteca Virtual:</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e</p><p>fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap. 26, p.</p><p>1046-1051.</p><p>Processos de formação da urina e depuração</p><p>renal</p><p>A taxa de filtração glomerular (TFG) está sob regulação local nos rins,</p><p>conhecida como autorregulação da TFG. Esse processo é importante, pois</p><p>mantem a TFG relativamente constante. O mecanismo exato responsável</p><p>por essa autorregulação ainda não está totalmente identificado. Porém,</p><p>parece envolver os seguintes mecanismos: resposta miogênica e</p><p>retroalimentação ou balanço tubuloglomerular. Você sabe como esses dois</p><p>mecanismos atuam para manter a TFG quase constante frente a alterações</p><p>que ocorrem na pressão arterial renal?</p><p>Para saber mais sobre esse assunto, leia a seguinte obra disponível na</p><p>Biblioteca Virtual:</p><p>AIRES, M. M. Fisiologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>2018. cap. 50, p. 743-749.</p><p>Micção</p><p>O reflexo da micção, ou o ato de urinar, é um processo fisiológico complexo</p><p>e essencial para o funcionamento saudável do organismo. Esse reflexo é</p><p>controlado principalmente pelo sistema nervoso autônomo e envolve a</p><p>coordenação entre o cérebro, a medula espinhal e os músculos do trato</p><p>urinário. Sua importância reside na eliminação de resíduos metabólicos e</p><p>toxinas do corpo, mantendo o equilíbrio eletrolítico e hídrico, além de</p><p>contribuir para a regulação da pressão arterial. Dessa forma, esse reflexo</p><p>contribui para o bom funcionamento e manutenção do nosso organismo.</p><p>Para explorar mais sobre o reflexo da micção, leia a seguinte obra disponível</p><p>na Biblioteca Virtual:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:40</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:40</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734028/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:42</p><p>SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada.</p><p>7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017, cap. 19, p. 613.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>CURI, R.; PROCÓPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2017.</p><p>JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14.</p><p>ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.</p><p>SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2017.</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia.</p><p>16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.</p><p>Aula 3</p><p>PAPEL DOS RINS NO</p><p>CONTROLE DA PRESSÃO</p><p>ARTERIAL E AÇÃO DOS</p><p>DIURÉTICOS</p><p>Papel dos rins no controle da pressão</p><p>arterial e ação dos diuréticos</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/0</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/0</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você conhecerá o papel dos rins no</p><p>controle a longo prazo da pressão arterial. Você irá explorar os principais</p><p>mecanismos envolvidos nessa regulação exercida pelos rins,</p><p>compreendendo o seu papel crucial na manutenção da pressão arterial. Você</p><p>será capaz de compreender o funcionamento do sistema renina-</p><p>angiotensina-aldosterona, entendendo como esse sistema auxilia no controle</p><p>da pressão arterial a longo prazo. Não perca essa oportunidade de aprimorar</p><p>seus conhecimentos e assista à videoaula agora mesmo!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Nesta aula, você, estudante, irá conhecer o papel dos rins no controle a</p><p>longo prazo da pressão arterial. Você conhecerá o funcionamento do sistema</p><p>renina-angiotensina-aldosterona e compreenderá como esse sistema auxilia</p><p>na regulação da pressão sanguínea a longo prazo. Além disso, você</p><p>compreenderá como atuam os diferentes tipos de diuréticos, como cada um</p><p>interfere diretamente na pressão arterial, podendo ser utilizados no</p><p>tratamento da hipertensão arterial. Prepare-se para mais essa jornada de</p><p>aprendizado e descobertas! Vamos lá!</p><p>A partir de agora, você irá acompanhar um grupo de alunos de um curso da</p><p>área da saúde. Nessa semana, como parte das atividades práticas do curso,</p><p>eles irão vivenciar a rotina do Ambulatório do Hospital de sua Universidade.</p><p>Assim, durante esse período, os alunos poderão acompanhar o atendimento</p><p>a pacientes da comunidade realizado pela equipe multidisciplinar do</p><p>Hospital. No primeiro dia de atividades no Ambulatório, os alunos</p><p>acompanharam o caso da paciente V. S. N., 59 anos. Ela era hipertensa e</p><p>fazia seu acompanhamento há dez anos nesse local. Segundo a paciente,</p><p>seus medicamentos estavam sendo efetivos no controle da pressão arterial.</p><p>Porém, nas últimas semanas, ela começou a se sentir cansada, com</p><p>fraqueza e câimbras musculares. No exame clínico, observou-se uma</p><p>pressão arterial de 140 mmHg/102mmHg. A avaliação laboratorial mostrou</p><p>concentração plasmática normal de sódio e baixa de potássio, levando à</p><p>suspeita de uma disfunção da secreção de aldosterona. Assim foram</p><p>realizados novos exames que mostraram um aumento da concentração</p><p>plasmática de aldosterona e baixa de renina. Diante dos achados, a paciente</p><p>foi diagnosticada com hiperaldosteronismo primário. A paciente já utilizava</p><p>um bloqueador do receptor de angiotensina e o diurético furosemida, sendo</p><p>indicada a associação da espironolactona para o tratamento inicial, até que</p><p>se achasse a causa do hiperaldosteronismo primário. Em conversa com o</p><p>grupo de alunos e a equipe, o supervisor do Ambulatório sugeriu que a</p><p>hipertensão arterial refratária na paciente parecia ser uma consequência do</p><p>aumento da secreção de aldosterona. Para incentivar as discussões a</p><p>respeito do caso apresentado, o supervisor levantou os seguintes</p><p>questionamentos aos alunos de graduação: “vocês saberiam explicar qual a</p><p>relação da aldosterona e a hipertensão arterial? Qual a participação dos rins</p><p>nesse processo? Por que foi associada a espironolactona ao tratamento da</p><p>paciente? Qual a ação desse fármaco?</p><p>Como você, no lugar desses alunos, responderia a todos esses</p><p>questionamentos?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Os rins, mais especificamente os néfrons, são cruciais para a manutenção</p><p>da homeostase corporal. Alterações nos processos básicos realizados pelos</p><p>rins (filtração, reabsorção e secreção) resultam em comprometimento de</p><p>praticamente todos os órgãos e sistemas corporais. Embora algumas</p><p>doenças renais tenham sua origem nos rins, distúrbios secundários como</p><p>diabetes mellitus, hipertensão, obesidade e lúpus eritematoso sistêmico</p><p>também podem levar ao aparecimento de problemas renais.</p><p>Hipertensão arterial</p><p>É uma condição caracterizada pela elevação sustentada da pressão arterial</p><p>(PA), ou seja, PA sistólica maior ou igual a 140 mmHg e/ou PA diastólica</p><p>maior ou igual a 90 mmHg. A hipertensão arterial é uma doença crônica,</p><p>multifatorial e, geralmente, assintomática. Contudo, a doença pode evoluir</p><p>ocasionando alterações estruturais e funcionais em diferentes órgãos e</p><p>tecidos do nosso corpo, tornando-se um fator de risco para doenças</p><p>cardiovasculares, doenças renais crônicas e mortes prematuras. Assim, para</p><p>garantir um fluxo sanguíneo adequado aos diferentes órgãos e tecidos do</p><p>corpo, bem como evitar danos a essas estruturas com consequente</p><p>instalação e desenvolvimento de patologias, a PA precisa ser mantida dentro</p><p>de valores considerados normais.</p><p>A hipertensão arterial é classificada, de acordo com suas causas, em:</p><p>hipertensão primária ou hipertensão secundária. A hipertensão primária,</p><p>também chamada hipertensão essencial não apresenta uma causa</p><p>específica. Porém, alguns fatores podem contribuir para o seu</p><p>desenvolvimento, como: idade (mais comum em adultos do que em</p><p>crianças), sexo e raça (mais prevalente em afrodescendentes), histórico</p><p>familiar, dieta, níveis plasmáticos de lipídios, tabagismo, etilismo,</p><p>sedentarismo e obesidade. Já a hipertensão secundária é a elevação</p><p>sustentada da PA como resultado da presença de outra patologia. Como os</p><p>rins apresentam um papel predominante no controle da pressão arterial, por</p><p>meio da regulação do volume dos líquidos corporais, a causa mais comum</p><p>de hipertensão secundária envolve a diminuição do fluxo sanguíneo renal.</p><p>Nesse caso, a hipertensão secundária é denominada hipertensão</p><p>renovascular. A redução do fluxo sanguíneo renal ativa o sistema renina-</p><p>angiotensina-aldosterona. Como isso acontece nos rins? Para entendermos,</p><p>precisamos inicialmente conhecer as características anatômicas e funcionais</p><p>do aparelho justaglomerular. Então, vamos lá!</p><p>Nos néfrons, o túbulo distal contorcido encontra-se em contato com o seu</p><p>respectivo glomérulo e suas arteríolas aferente e eferente correspondentes.</p><p>Essa unidade, formada por vasos e túbulo, é chamada de aparelho</p><p>justaglomerular. Na parede do túbulo distal contorcido, parte do aparelho</p><p>justaglomerular, encontramos as células da mácula densa, que detectam</p><p>tanto variação de volume do líquido tubular como na sua composição. Já na</p><p>camada média da arteríola aferente, no lugar do músculo liso, nota-se a</p><p>presença de células epiteliais chamadas células justaglomerulares ou</p><p>granulares. No citoplasma das células justaglomerulares, encontramos</p><p>grânulos contendo a enzima renina, que faz parte do sistema renina-</p><p>angiotensina-aldosterona.</p><p>Figura 1 | Componentes do aparelho justaglomerular. Fonte: adaptada de</p><p>Wikimedia Commons.</p><p>Na hipertensão renovascular, a diminuição do fluxo sanguíneo renal é</p><p>detectada pelas células da mácula densa, que enviam essa informação para</p><p>as células justaglomerulares, estimulando a secreção de renina por essas</p><p>células. A renina converte o angiotensinogênio plasmático, produzido no</p><p>fígado, em angiotensina I, que por ação da enzima conversora de</p><p>angiotensina (ECA), é convertido em angiotensina II. As células</p><p>justaglomerulares, por sua vez, também são receptores sensíveis ao</p><p>estiramento (também chamados de barorreceptores intrarrenais) e detectam</p><p>a redução do estiramento da parede vascular, ocasionada pela diminuição do</p><p>volume circulatório local. Essa diminuição do estiramento estimula a</p><p>liberação de renina por essas células e, portanto, a produção de ANG II.</p><p>Uma das ações exercidas pela ANG II é promover uma forte vasoconstrição</p><p>que aumenta a resistência periférica total e, consequentemente, a pressão</p><p>arterial. Outra ação da ANG II é ocasionar o aumento do volume do líquido</p><p>extracelular, promovendo a retenção de sódio e água pelos rins. A ANG II</p><p>aumenta a reabsorção de Na+ no túbulo proximal, por estimular o</p><p>transportador apical Na+- H+. A reabsorção de</p><p>Na+ no túbulo proximal é</p><p>seguida pela reabsorção isosmótica de água. A ANG II atua diretamente nas</p><p>glândulas adrenais, estimulando a síntese e liberação de aldosterona, que</p><p>aumenta a reabsorção de Na+ no túbulo distal e ducto coletor. E, ainda no</p><p>ducto coletor, a ANG II estimula os canais de Na+ do tipo ENaC. A ANG II</p><p>também atua no hipotálamo, estimulando a sede e a secreção de ADH,</p><p>resultando em aumento da retenção de água, aumento do volume do líquido</p><p>extracelular e consequente aumento da PA. Assim, diante do exposto,</p><p>podemos inferir que falhas nos mecanismos de controle da PA, ou seja, na</p><p>homeostasia, podem acabar levando ao aparecimento da hipertensão</p><p>arterial.</p><p>Figura 2 | Sistema renina-angiotensina-aldosterona. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Diuréticos e suas ações</p><p>Os diuréticos são fármacos que atuam sobre os túbulos renais aumentando</p><p>o volume de urina excretada. A maioria desses fármacos atua inibindo a</p><p>reabsorção de Na+ e do ânion que o acompanha (principalmente Cl-),</p><p>promovendo, dessa forma, um aumento da excreção desses íons e,</p><p>consequentemente, de água. Visto que a reabsorção de água é dependente</p><p>da reabsorção de solutos, principalmente de Na+. Por suas ações, os</p><p>diuréticos acabam sendo utilizados para reduzir o volume do líquido</p><p>extracelular via redução de NaCl corporal. Existem diferentes tipos de</p><p>diuréticos, classificados de acordo com seus efeitos nos túbulos renais,</p><p>como:</p><p>Diuréticos de alça: atuam no ramo ascendente espesso da alça de</p><p>Henle, inibindo a reabsorção de NaCl, mais especificamente, inibindo a</p><p>atividade do cotransportador 1Na+-1K+-2Cl- presente na membrana</p><p>apical das células epiteliais desse segmento. A inibição da reabsorção</p><p>de NaCl resulta em diminuição do potencial positivo do lúmen tubular,</p><p>comprometendo a reabsorção de cátions divalentes, como Mg+2 e</p><p>Ca+2, uma vez que o potencial positivo do lúmen é responsável pela</p><p>reabsorção desses cátions. Como resultado, há o aumento de excreção</p><p>de Mg+2 e Ca+2. São os agentes diuréticos mais potentes disponíveis,</p><p>sendo os principais representantes desse grupo de fármacos a</p><p>furosemida, bumetanida e ácido etacrínico. São indicados</p><p>principalmente para o tratamento de edema pulmonar agudo, edema</p><p>periférico e hipercalcemia aguda.</p><p>Diuréticos tiazídicos: atuam no túbulo distal convoluto (contorcido),</p><p>inibindo a atividade do cotransportador Na+-Cl- na membrana apical das</p><p>células epiteliais desse segmento e, assim, acarretando diminuição da</p><p>reabsorção de NaCl. Os diuréticos desse grupo também atuam</p><p>aumentando a reabsorção de Ca+2. São exemplos de diuréticos</p><p>tiazídicos a hidroclorotiazida, clorotiazida, metolazona e clortalidona.</p><p>São utilizados no tratamento da hipertensão, insuficiência cardíaca leve,</p><p>nefrolitíase ocasionada por hipercalciúria idiopática e diabetes insípido</p><p>nefrogênico.</p><p>Diuréticos poupadores de potássio: promovem simultaneamente a</p><p>redução da reabsorção de Na+ e da secreção de K+ no ducto coletor</p><p>cortical. Para tais efeitos, esses diuréticos atuam inibindo a ação da</p><p>aldosterona no ducto coletor cortical, como a espironolactona e a</p><p>eplerenona, ou podem bloquear os canais seletivos ao Na+, canais do</p><p>tipo ENac, presentes na membrana apical das células tubulares desse</p><p>local, como a amilorida e o triantereno. A espironolactona é utilizada no</p><p>tratamento de aldosteronismo, hipopotassemia induzida por outros</p><p>diuréticos e pós-infarto do miocárdio. Já a amilorida e triantereno são</p><p>utilizados no tratamento de hipopotassemia induzida por outros</p><p>diuréticos e síndrome de Liddle.</p><p>Agora, que você conheceu o papel dos rins no controle a longo prazo da</p><p>pressão arterial e como os diuréticos agem para auxiliar nesse controle, você</p><p>é capaz de compreender a importância do conhecimento desses temas para</p><p>uma boa atuação profissional.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Agora que você conheceu e aprendeu a respeito do papel dos rins no</p><p>controle a longo prazo da pressão arterial, vamos retomar a situação-</p><p>problema. A partir de agora, vamos considerar que você faça parte do grupo</p><p>de alunos de um curso da área da saúde que, nessa semana, irá vivenciar a</p><p>rotina do Ambulatório do Hospital de sua Universidade, como parte das</p><p>atividades práticas do curso. No primeiro dia de atividades no Ambulatório,</p><p>vocês acompanharam o caso da paciente V. S. N., 59 anos. Ela era</p><p>hipertensa e fazia seu acompanhamento há dez anos nesse local. Segundo</p><p>a paciente, seus medicamentos estavam sendo efetivos no controle da</p><p>pressão arterial. Porém, nas últimas semanas ela começou a se sentir</p><p>cansada, com fraqueza e câimbras musculares. No exame clínico, observou-</p><p>se uma pressão arterial de 140 mmHg/102mmHg. A avaliação laboratorial</p><p>mostrou concentração plasmática normal de sódio e baixa de potássio,</p><p>levando à suspeita de uma disfunção da secreção de aldosterona. Assim</p><p>foram realizados novos exames que mostraram um aumento da</p><p>concentração plasmática de aldosterona e baixa de renina. Diante dos</p><p>achados, a paciente foi diagnosticada com hiperaldosteronismo primário. A</p><p>paciente já utilizava um bloqueador do receptor de angiotensina e o diurético</p><p>furosemida, sendo indicada a associação da espironolactona para o</p><p>tratamento inicial, até que se achasse a causa do hiperaldosteronismo</p><p>primário. Em conversa com vocês e com a equipe, o supervisor do</p><p>Ambulatório sugeriu que a hipertensão arterial refratária na paciente parecia</p><p>ser uma consequência do aumento da secreção de aldosterona. Para</p><p>incentivar as discussões a respeito do caso apresentado, o supervisor</p><p>levantou os seguintes questionamentos: “vocês saberiam explicar qual a</p><p>relação da aldosterona e a hipertensão arterial? Qual a participação dos rins</p><p>nesse processo? Por que foi associada a espironolactona ao tratamento da</p><p>paciente? Qual a ação desse fármaco?</p><p>Agora, você é capaz de responder a todos esses questionamentos. Vamos</p><p>lá!</p><p>Primeiramente, é importante lembrar que os néfrons são responsáveis pela</p><p>manutenção do meio interno e que alterações no seu funcionamento</p><p>resultam em diferentes efeitos fisiológicos que podem ser prejudiciais ao</p><p>nosso organismo, acarretando o aparecimento de patologias. Você já sabe</p><p>que alguns fármacos agem nos diferentes segmentos dos néfrons atenuando</p><p>ou revertendo alterações no volume dos líquidos e eletrólitos corporais, como</p><p>os diuréticos. Na situação-problema, a paciente apresentava uma</p><p>hipertensão refratária, ocasionada por um aumento na produção de</p><p>aldosterona, resultado do hiperaldosteronismo primário. De fato, a</p><p>aldosterona é um mineralocorticoide produzido e secretado principalmente</p><p>pela zona glomerulosa do córtex da glândula adrenal. Esse</p><p>mineralocorticoide atua na regulação do volume corporal, equilíbrio</p><p>eletrolítico, pressão arterial e do pH dos líquidos corporais. É interessante</p><p>notar que essas funções da aldosterona estão relacionadas ao seu efeito</p><p>estimulatório exercido sobretudo sobre as células principais do túbulo distal</p><p>convoluto e ducto coletor renal, promovendo um aumento na reabsorção de</p><p>sódio e na secreção de potássio e hidrogênio nesse local. O principal fator</p><p>fisiológico estimulatório para a secreção de aldosterona é a angiotensina II</p><p>(ANG II). Assim, baixas quantidades de Na+ que chegam no aparelho</p><p>justaglomerular estimulam a secreção de renina e, consequentemente, ANG</p><p>II. Esta atua nas adrenais promovendo a secreção de aldosterona e, dessa</p><p>forma, completa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que participa da</p><p>regulação do volume corporal por controlar a retenção renal de Na+. Como</p><p>consequência, a aldosterona acarreta o aumento do volume do líquido</p><p>extracelular e da pressão sanguínea. No caso do hiperaldosteronismo</p><p>primário apresentado pela paciente, mesmo com baixa concentração</p><p>plasmática de renina, há o aumento da secreção de aldosterona, indicando</p><p>que esse aumento de secreção não parece estar envolvido com a ação da</p><p>ANG II, o que também é reforçado pela ausência de correção na</p><p>concentração de aldosterona quando utilizado o bloqueador do receptor de</p><p>angiotensina. A furosemida, utilizada no tratamento da paciente, diminui</p>