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<p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Tecido Muscular</p><p>1. Introdução</p><p>O tecido muscular é um dos mais</p><p>importantes do organismo, pois está</p><p>relacionado com diversos processos</p><p>fisiológicos (como a movimentação corporal</p><p>e os batimentos cardíacos). Além disso, é</p><p>caracterizado pela plasticidade e</p><p>adaptabilidade. Ele é constituído por células</p><p>alongadas, que contêm grande quantidade</p><p>de filamentos citoplasmáticos (miofibrilas)</p><p>compostos de proteínas cujo arranjo torna</p><p>possível a transformação de energia química</p><p>em mecânica. Estas proteínas produzem a</p><p>força necessária para a contração da célula</p><p>e do tecido muscular, utilizando a energia</p><p>armazenada em moléculas de trifosfato de</p><p>adenosina (ATP).</p><p>As células musculares (também</p><p>chamadas de fibras) têm origem</p><p>mesodérmica e, durante a sua diferenciação,</p><p>há síntese de proteínas filamentosas</p><p>concomitantemente ao alongamento das</p><p>células. De acordo com suas características</p><p>morfológicas e funcionais, distinguem-se</p><p>três tipos de tecido muscular: o músculo</p><p>estriado esquelético, o músculo estriado</p><p>cardíaco e o músculo liso.</p><p> Músculo estriado esquelético: formado</p><p>por feixes de células cilíndricas</p><p>multinucleadas e muito longas, com</p><p>estriações transversais. Essas células, ou</p><p>fibras, têm contração rápida e vigorosa e</p><p>estão sujeitas ao controle voluntário;</p><p>Esquema de cortes longitudinais e transversais do</p><p>músculo esquelético. Note que as fibras são</p><p>multinucleadas e os núcleos concentram-se na</p><p>periferia.</p><p> Músculo estriado cardíaco: suas células</p><p>também apresentam estrias transversais.</p><p>É formado por células alongadas, porém</p><p>muito mais curtas que as do esquelético.</p><p>Suas fibras são ramificadas e se unem por</p><p>meio de estruturas chamadas discos</p><p>intercalares, encontradas exclusivamente</p><p>no músculo cardíaco. A contração das</p><p>células musculares cardíacas é</p><p>involuntária, vigorosa e rítmica;</p><p>Note que as células do músculo cardíaco são curtas e</p><p>unidas por discos intercalares. Nesse caso, cada</p><p>célula tem apenas 1 ou 2 núcleos, localizados no</p><p>centro.</p><p> Músculo liso: é formado por células</p><p>fusiformes que não têm estrias</p><p>transversais. Nele, o processo de</p><p>contração é involuntário e lento.</p><p>O músculo liso é um agregado de células fusiformes</p><p>cujos núcleos encontram-se na porção mais dilatada</p><p>da célula.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Determinados componentes das células</p><p>musculares recebem nomes especiais. A</p><p>membrana celular é chamada de sarcolema;</p><p>o citosol de sarcoplasma; e o retículo liso de</p><p>retículo sarcoplasmático.</p><p>2. Músculo Esquelético</p><p>O tecido muscular esquelético é formado</p><p>por feixes de células muito longas,</p><p>cilíndricas, multinucleadas e com inúmeros</p><p>filamentos cilíndricos chamados de</p><p>miofibrilas. Essas fibras se originam no</p><p>embrião pela fusão de células alongadas, os</p><p>mioblastos. Nas fibras musculares</p><p>esqueléticas, os numerosos núcleos</p><p>elípticos localizam-se na periferia, logo</p><p>abaixo do sarcolema. Essa localização</p><p>nuclear característica ajuda a distinguir o</p><p>músculo esquelético do músculo cardíaco,</p><p>ambos com estriações transversais, uma vez</p><p>que, no músculo cardíaco, os núcleos são</p><p>centrais.</p><p>Conceitos Importantes</p><p>o Hipertrofia: aumento do diâmetro das</p><p>fibras musculares, ou seja, aumento</p><p>de volume das células. Geralmente</p><p>decorre da prática de exercícios</p><p>físicos;</p><p>o Hiperplasia: crescimento decorrente</p><p>da proliferação de células e não do</p><p>aumento de volume. É comum no</p><p>músculo liso, mas não nos músculos</p><p>esquelético e cardíaco.</p><p>Organização do Músculo Esquelético</p><p>Os músculos são formados por milhares</p><p>de fibras musculares organizadas em</p><p>conjuntos de feixes. Entre as fibras</p><p>musculares há o endomísio. É a camada</p><p>mais interna e delicada, formada por tecido</p><p>conjuntivo, com uma rede extensa de</p><p>capilares sanguíneos. Os feixes de fibras, por</p><p>sua vez, são envolvidos pelo perimísio, que é</p><p>caracterizado por finos septos de tecido</p><p>conjuntivo que se dirigem para o interior do</p><p>músculo, separando os feixes.</p><p>Posteriormente, há o epimísio, que recobre</p><p>os feixes de fibras com uma camada de</p><p>tecido conjuntivo, ou seja, recobre o músculo</p><p>inteiro.</p><p>Vale destacar ainda que cada célula</p><p>muscular esquelética é envolvida por uma</p><p>lâmina basal. O tecido conjuntivo do</p><p>músculo contém ainda vasos linfáticos e</p><p>nervos.</p><p>Uma função importante do tecido</p><p>conjuntivo é manter unidas as fibras</p><p>musculares de um músculo, além de agir na</p><p>transmissão das forças produzidas pelo</p><p>músculo durante a sua contração.</p><p>Alguns músculos de afilam nas</p><p>extremidades, observando-se uma transição</p><p>gradual de músculo para tendão (estruturas</p><p>que ligam o músculo ao osso). Nessa região</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>de transição, as fibras de colágeno do tendão</p><p>inserem-se em dobras complexas do</p><p>sarcolema.</p><p>Estrutura da Fibra Muscular Esquelética</p><p>Os aspectos mais marcantes das fibras</p><p>musculares estriadas esqueléticas são um</p><p>arranjo ordenado de miofilamentos</p><p>contráteis em miofibrilas e um característico</p><p>padrão de estriações. Cada miofibrila possui</p><p>faixas claras (bandas I, isotrópicas) e faixas</p><p>escuras (bandas A, anisotrópicas)</p><p>alternadas ao longo de seu comprimento.</p><p>Dois conjuntos de miofilamentos, delgados e</p><p>espessos, que constituem cada miofibrila,</p><p>estão organizados em unidades de</p><p>contração repetidas, conhecidas como</p><p>sarcômeros. Discos escuros transversais</p><p>(“discos Z” ou “linhas Z”) definem as</p><p>extremidades de cada sarcômero e ancoram</p><p>os filamentos delgados e espessos. O centro</p><p>de um sarcômero contém a banda A,</p><p>composta de miofilamentos espessos (de</p><p>miosina) intercalados com miofilamentos</p><p>delgados (que contêm principalmente</p><p>actina); as extremidades do sarcômero</p><p>exibem meias-bandas I, formadas apenas</p><p>por miofilamentos delgados.</p><p>Obs – Para lembrar:</p><p>-Banda A (centro do sarcômero):</p><p>filamentos de miosina;</p><p>-Meias-bandas I (extremidade do</p><p>sarcômero): filamentos de actina.</p><p>Os sarcômeros das inúmeras miofibrilas</p><p>de cada fibra muscular estriada dispõem-se</p><p>“em registro”, isto é, as diversas faixas de</p><p>uma miofibrila estão alinhadas com as</p><p>faixas correspondentes das miofibrilas</p><p>adjacentes. Por esse motivo, quando se</p><p>observa uma fibra muscular seccionada em</p><p>corte longitudinal, as bandas aparentam</p><p>percorrer a fibra em toda a sua espessura.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>A microscopia eletrônica revelou que as</p><p>miofibrilas são constituídas por longos</p><p>filamentos altamente organizados dispostos</p><p>longitudinalmente e, portanto, paralelamente</p><p>ao eixo das células.</p><p>Esses filamentos, chamados</p><p>miofilamentos, são de dois tipos: finos e</p><p>grossos. As miofibrilas e seus filamentos e</p><p>discos Z são constituídos de centenas de</p><p>diferentes tipos de moléculas proteicas. Nos</p><p>filamentos finos predominam moléculas de</p><p>actina, tropomiosina e troponina e nos</p><p>filamentos grossos predominam moléculas</p><p>de miosina II.</p><p>Actina:</p><p> Molécula globular (monômero de</p><p>actina G);</p><p> Monômeros se combinam formando</p><p>polímeros filamentosos (actina F);</p><p> Associada a tropomiosina e troponina;</p><p> Importante para a dinâmica de</p><p>contração.</p><p>Miosina:</p><p> Bastão em α-hélice;</p><p> Cabeça: ligada com actina, atividade de</p><p>ATPase;</p><p> Filamento intermediário, “filamentos</p><p>grossos”;</p><p> Organizadas no interior do sarcômero.</p><p>Tropomiosina:</p><p> Molécula acessória, longa e fina;</p><p> Associada à actina F;</p><p> Microfilamento, “filamentos finos”.</p><p>Troponina:</p><p> Molécula acessória;</p><p> TnT: ligação à tropomiosina;</p><p> TnC: sítio de ligação ao Ca+;</p><p> Tnl: inibidora, recobre sítio de ligação</p><p>actina/miosina.</p><p>A miosina e</p><p>osteoclastos</p><p>proliferem e se diferenciem. O próprio</p><p>paratormônio atua sobre os precursores dos</p><p>osteoclastos estimulando a sua</p><p>diferenciação e fusão. Os osteoclastos</p><p>reabsorvem a matriz óssea liberando o</p><p>cálcio para o sangue.</p><p>Ademais, cabe mencionar que os</p><p>osteoclastos contêm receptores para a</p><p>calcitonina, secretada pelas células</p><p>parafoliculares da tireoide quando os níveis</p><p>séricos de cálcio estão elevados. A</p><p>calcitonina estimula a atividade da adenilato-</p><p>ciclase, a qual gera um acúmulo de AMPc</p><p>que resulta na imobilização dos</p><p>osteoclastos e na sua contração para longe</p><p>da superfície do osso, assim não ocorre a</p><p>reabsorção óssea. Esse hormônio também</p><p>inibe a formação dos osteoclastos.</p><p>Importante</p><p>O hormônio do crescimento (GH), ou</p><p>somatotrofina, secretado por células do lobo</p><p>anterior da glândula hipófise</p><p>(adenohipófise), influencia o</p><p>desenvolvimento ósseo através das</p><p>somatomedinas (fatores de crescimento</p><p>semelhantes à insulina), estimulando</p><p>especialmente o crescimento dos discos</p><p>epifisários. Crianças com deficiência deste</p><p>hormônio são portadoras de nanismo,</p><p>enquanto as pessoas com excesso de</p><p>somatotrofina durante os anos de</p><p>crescimento apresentam gigantismo</p><p>hipofisário.</p><p>Outros Fatores Envolvidos no Metabolismo</p><p>Ósseo</p><p>Interleucina-1</p><p>Liberada por</p><p>osteoblastos, ativa</p><p>a proliferação de</p><p>precursores de</p><p>osteoclastos: ela</p><p>também tem um</p><p>papel indireto na</p><p>estimulação dos</p><p>osteoclastos</p><p>Fator de necrose</p><p>tumoral</p><p>Liberado por</p><p>macrófagos</p><p>ativados, age de</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>modo semelhante à</p><p>interleucina-1</p><p>Fator estimulante</p><p>de colônias-1</p><p>Liberados por</p><p>células do estroma</p><p>da medula óssea,</p><p>induz a formação</p><p>de osteoclastos</p><p>OGP</p><p>Inibe a</p><p>diferenciação dos</p><p>osteoclastos</p><p>Interleucina-6</p><p>Liberada por várias</p><p>células ósseas,</p><p>especialmente</p><p>osteoclastos,</p><p>estimula a</p><p>formação de outros</p><p>osteoclastos</p><p>Interferon-y</p><p>Liberado por</p><p>linfócitos-T, inibe a</p><p>diferenciação de</p><p>precursores de</p><p>osteoclastos em</p><p>osteoclastos</p><p>Fator de</p><p>crescimento</p><p>transformante β</p><p>Liberado da matriz</p><p>óssea durante a</p><p>osteoclasia, induz</p><p>os osteoblastos a</p><p>fabricarem mais</p><p>matriz óssea e</p><p>reforça o processo</p><p>de mineralização da</p><p>matriz; ele também</p><p>inibe a proliferação</p><p>de precursores de</p><p>osteoclastos e sua</p><p>diferenciação em</p><p>osteoclastos</p><p>maduros.</p><p>Correlações Clínicas</p><p>Osteoporose</p><p>A osteoporose é caracterizada por</p><p>expressivo decréscimo da massa óssea, o</p><p>que se intensifica após a menopausa, uma</p><p>vez que a secreção de estrogênio cai</p><p>consideravelmente. A ligação do estrogênio</p><p>com receptores específicos dos</p><p>osteoblastos ativa estas células a</p><p>produzirem e secretarem matriz óssea. Com</p><p>a diminuição da secreção de estrogênio, a</p><p>atividade osteoclástica torna-se maior do</p><p>que a deposição de tecido ósseo, reduzindo</p><p>potencialmente a massa óssea até o ponto</p><p>em que o osso não consegue resistir a forças</p><p>e se quebra com facilidade.</p><p>Influência dos Hormônios</p><p>A maturação do esqueleto também é</p><p>influenciada por hormônios produzidos</p><p>pelas gônadas masculinas e femininas.</p><p>Normalmente, o fechamento dos discos</p><p>epifisários é bastante estável e constante, e</p><p>está relacionado à maturação sexual. A</p><p>maturação sexual precoce interrompe o</p><p>crescimento do esqueleto porque os discos</p><p>epifisários são estimulados a se fecharem</p><p>cedo demais. Em pessoas cuja maturação</p><p>sexual está retardada, o crescimento do</p><p>esqueleto continua além dos limites normais</p><p>porque os discos epifisários não se fecham.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Raquitismo Adulto</p><p>A osteomalácia, ou raquitismo do adulto,</p><p>é o resultado de uma deficiência prolongada</p><p>de vitamina D. Quando isso ocorre, o tecido</p><p>ósseo recém-formado no processo da</p><p>remodelação óssea não se calcifica de</p><p>modo adequado. Esta doença pode tornar-se</p><p>grave durante a gravidez, porque o feto</p><p>requer cálcio, que precisa ser suprido pela</p><p>mãe.</p><p>Raquitismo Infantil</p><p>Entre as crianças, o raquitismo atinge</p><p>aquelas com deficiência de vitamina D. Sem</p><p>a vitamina D, a mucosa intestinal não</p><p>consegue absorver cálcio, mesmo havendo</p><p>a ingestão de uma dieta adequada. Isto leva</p><p>a distúrbios da ossificação das cartilagens</p><p>dos discos epifisários e desorientação das</p><p>células da metáfise, com formação de uma</p><p>matriz óssea pouco calcificada. Crianças</p><p>com raquitismo apresentam ossos</p><p>deformados, particularmente das pernas,</p><p>simplesmente porque os ossos não resistem</p><p>ao próprio peso.</p><p>Escorbuto</p><p>O escorbuto é uma condição resultante da</p><p>deficiência de vitamina C. Um de seus</p><p>efeitos é uma produção deficiente de</p><p>colágeno, causando uma redução na</p><p>formação da matriz óssea e do</p><p>desenvolvimento ósseo. Processos de</p><p>cicatrização também se tornam demorados.</p><p>Acromegalia</p><p>A acromegalia ocorre em adultos que</p><p>produzem um excesso de somatotrofina,</p><p>causando um aumento anormal da</p><p>deposição óssea sem a reabsorção normal</p><p>de tecido ósseo. Esta doença produz o</p><p>espessamento dos ossos, especialmente os</p><p>da face, além de desfigurar os tecidos moles.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Efeitos Nutricionais</p><p>Conforme já destacado, existe uma</p><p>sensível interferência de vários fatores</p><p>nutricionais sobre o crescimento normal do</p><p>osso. Se você considerar a natureza dos</p><p>componentes essenciais do tecido ósseo,</p><p>fica fácil entender que a manutenção deles</p><p>em proporções adequadas estabelece uma</p><p>relação importante com a nossa nutrição.</p><p>Assim, na eventualidade de baixa ingestão</p><p>de proteínas, minerais e vitaminas, haverá</p><p>falta dos aminoácidos essenciais para a</p><p>síntese do colágeno pelos osteoblastos e</p><p>redução da formação do colágeno. Uma</p><p>ingestão insuficiente de cálcio e fósforo leva</p><p>a ossos pouco mineralizados, tornando-os</p><p>suscetíveis a fraturas. Uma deficiência de</p><p>vitamina D impede a absorção de cálcio pelo</p><p>intestino, causando raquitismo em crianças.</p><p>As vitaminas A e C também são necessárias</p><p>para o desenvolvimento adequado do</p><p>esqueleto.</p><p>9. Articulações</p><p>As articulações constituem-se em uniões</p><p>ou junções entre dois ou mais ossos ou</p><p>partes rígidas do esqueleto. Aquelas que</p><p>possibilitam movimentos mais amplos são</p><p>classificadas como diartroses, enquanto que</p><p>aquelas nas quais não ocorrem movimentos</p><p>ou, quando ocorrem, são muito limitados,</p><p>denominamos sinartroses. Conforme o</p><p>tecido interposto que une as peças ósseas,</p><p>distinguem-se três tipos de sinartroses: as</p><p>sinostoses, as sincondroses e as</p><p>sindesmoses.</p><p>Correlação Clínica - Artroscopia</p><p>A cavidade de uma articulação sinovial</p><p>pode ser examinada por meio da introdução</p><p>de uma cânula e um artroscópio (um</p><p>pequeno telescópio) em seu interior. Esse</p><p>procedimento cirúrgico — artroscopia —</p><p>permite que os cirurgiões ortopédicos</p><p>examinem anormalidades articulares, como</p><p>a ruptura de meniscos (discos articulares</p><p>parciais do joelho). Durante a artroscopia</p><p>também podem ser realizadas algumas</p><p>intervenções cirúrgicas (p. ex., mediante</p><p>introdução de instrumentos através de</p><p>incisões perfurantes). Como a abertura na</p><p>cápsula articular necessária para a</p><p>introdução do artroscópio é pequena, a</p><p>cicatrização após esse procedimento é mais</p><p>rápida do que após a cirurgia articular</p><p>tradicional.</p><p>Tipos de Articulações</p><p>De acordo com suas características, as</p><p>articulações podem ser divididas em três</p><p>tipos:</p><p> Sinostoses: Há pouco ou nenhum</p><p>movimento e o tecido ósseo é o tecido</p><p>interposto (ex: ossos do crânio do</p><p>adulto);</p><p> Sincondroses: Há pouco movimento e</p><p>a cartilagem hialina é o tecido</p><p>interposto (ex: articulação da primeira</p><p>costela com o esterno);</p><p> Sindesmoses: Há pouco movimento e</p><p>o tecido interposto é o tecido</p><p>conjuntivo denso (ex: sindesmose</p><p>tibiofibular).</p><p>A maioria das articulações das</p><p>extremidades é de diartroses. Os ossos que</p><p>constituem estas articulações são</p><p>recobertos por cartilagem hialina</p><p>persistente, ou cartilagem articular.</p><p>Usualmente, ligamentos mantêm contato</p><p>entre os ossos da articulação, a qual é</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>vedada pela cápsula articular. Esta cápsula é</p><p>composta por uma camada fibrosa externa</p><p>de tecido conjuntivo denso, que é contínua</p><p>com o periósteo dos ossos, e por uma</p><p>camada celular interna, a camada sinovial,</p><p>que cobre todas as superfícies não-</p><p>articulares. Alguns preferem denominá-la de</p><p>membrana sinovial.</p><p>Dois tipos de células estão presentes na</p><p>camada sinovial:</p><p>1. Células do tipo A: são macrófagos</p><p>que possuem um aparelho de Golgi</p><p>bem desenvolvido e muitos</p><p>lisossomos, mas somente uma</p><p>pequena quantidade de REG. Estas</p><p>células fagocitárias são responsáveis</p><p>pela remoção de resíduos na</p><p>cavidade articular;</p><p>2. Células do tipo B: assemelham-se aos</p><p>fibroblastos, possuindo um REG bem</p><p>desenvolvido; acredita-se que estas</p><p>células secretem o líquido sinovial.</p><p>Discos Intervertebrais</p><p>Localizado entre os corpos das vértebras</p><p>e unido a elas por ligamentos, cada disco</p><p>intervertebral é formado por dois</p><p>componentes: o anel fibroso e uma parte</p><p>central, derivada da notocorda do embrião, o</p><p>núcleo pulposo. O anel fibroso contém uma</p><p>porção periférica de tecido conjuntivo denso,</p><p>porém em sua maior extensão é constituído</p><p>por fibrocartilagem, cujos feixes colágenos</p><p>formam camadas concêntricas.</p><p>Na parte central do anel fibroso existe um</p><p>tecido formado por células arredondadas,</p><p>dispersas em um líquido viscoso rico em</p><p>ácido hialurônico e contendo pequena</p><p>quantidade de colágeno tipo II. Esse tecido</p><p>constitui o núcleo pulposo.</p><p>No jovem, o núcleo pulposo é</p><p>relativamente maior, sendo gradual e</p><p>parcialmente substituído por fibrocartilagem</p><p>com o avançar da idade. Os discos</p><p>intervertebrais funcionam como coxins</p><p>lubrificados que previnem o desgaste do</p><p>osso das vértebras durante os movimentos</p><p>da coluna espinal. O núcleo pulposo, rico em</p><p>ácido hialurônico, é muito hidratado e</p><p>absorve as pressões como se fosse uma</p><p>almofada, protegendo as vértebras contra</p><p>impactos.</p><p>Correlações Clínicas</p><p>Ruptura do Anel Fibroso</p><p>A ruptura do anel fibroso, mais frequente</p><p>na sua parte posterior, na qual os feixes</p><p>colágenos são menos densos, resulta na</p><p>expulsão do núcleo pulposo e no</p><p>achatamento concomitante do disco.</p><p>Frequentemente este se desloca de sua</p><p>posição normal entre os corpos vertebrais.</p><p>Quando o disco se movimenta na direção da</p><p>medula espinal, pode comprimir nervos,</p><p>provocando fortes dores e distúrbios</p><p>neurológicos. Na maioria dos casos a dor se</p><p>estende pela parte inferior da região lombar.</p><p>Artrite Reumatoide</p><p>Artrite reumatoide é uma doença crônica</p><p>autoimune, caracterizada por um processo</p><p>inflamatório iniciado na membrana sinovial,</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>resultando em deformidade e destruição das</p><p>estruturas articulares (cartilagens e ossos</p><p>subjacentes) além de tendões e ligamentos</p><p>justapostos à articulação. Em geral, acomete</p><p>pequenas e grandes articulações em</p><p>associação a manifestações sistêmicas</p><p>como rigidez matinal, fadiga e perda de</p><p>peso. Quando envolve outros órgãos</p><p>(coração, pulmões, rins etc.), a morbidade é</p><p>maior. Acomete mais as mulheres do que os</p><p>homens, e sua incidência aumenta com a</p><p>idade. Com a progressão da doença, os</p><p>pacientes podem desenvolver incapacidade</p><p>de executar atividades diárias e</p><p>profissionais, sendo assim o diagnóstico</p><p>precoce e o início imediato do tratamento</p><p>são fundamentais para prevenir ou impedir</p><p>uma lesão articular permanente e</p><p>irreversível.</p><p>Anotações Aula Prática</p><p>A figura acima mostra um osso compacto</p><p>(que também pode ser chamado de cortical,</p><p>no caso de peças ósseas longas) em azul e</p><p>um osso esponjoso em amarelo. Ambos</p><p>apresentam a mesma composição</p><p>histológica básica, a diferença entre eles é</p><p>que o compacto é uma massa sólida,</p><p>enquanto o esponjoso possui estruturas</p><p>como feixes, denominadas espículas e</p><p>trabéculas.</p><p>Nesses dois cortes transversais da figura</p><p>acima podemos observar diferentes tipos de</p><p>ossos. Em 1 há um tecido ósseo secundário,</p><p>com uma estrutura lamelar organizada. Já</p><p>em 2, há um tecido ósseo primário, que</p><p>apresenta menor quantidade de minerais e</p><p>uma maior proporção de osteócitos.</p><p>Na figura anterior, podemos visualizar um</p><p>ósteon, localizado no tecido ósseo</p><p>secundário ou lamelar, em que é possível</p><p>ver, em alguns casos, uma lâmina basófila</p><p>fina denominada substância cimentante.</p><p>Quando analisamos um osso compacto</p><p>podemos ver o sistema haversiano ou</p><p>ósteons (imagem da esquerda) bem</p><p>estruturado. Além disso, ao aproximar mais,</p><p>é possível ver linhas delgadas (imagem da</p><p>direita, destaque em amarelo), que</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>correspondem aos canalículos, locais de</p><p>entrada e saída de nutrientes, gases e</p><p>metabólitos para os osteócitos do sistema.</p><p>Sobre o desenvolvimento ósseo, é</p><p>possível fazer as seguintes afirmações:</p><p> Os tipos de ossificação são:</p><p>endocondral e intramembranosa;</p><p> A ossificação endocondral de ossos</p><p>longos apresenta 2 sítios distintos de</p><p>ossificação;</p><p> A placa epifisária é formada por</p><p>cartilagem hialina;</p><p> A morte de condrócitos é seguida pela</p><p>migração de osteoblastos.</p><p>Essa última figura representa uma zona</p><p>específica da ossificação endocondral: a</p><p>zona de ossificação.</p><p>Resumo das funções das células:</p><p>Os osteoblastos são as células que</p><p>sintetizam a parte orgânica da matriz óssea</p><p>(colágeno tipo I, proteoglicanos e</p><p>glicoproteínas) e fatores que influenciam a</p><p>função de outras células ósseas. Após</p><p>sintetizar MEC, o osteoblasto é aprisionado</p><p>pela matriz orgânica recém-sintetizada e</p><p>passa a ser chamado de osteócito.</p><p>Vale destacar que a grande importância</p><p>dos osteócitos é manter a matriz óssea</p><p>estável. Isto é, embora eles tenham uma</p><p>atividade secretora diminuída em relação</p><p>aos osteoblastos, eles ainda são</p><p>importantes para a manutenção da</p><p>densidade das peças ósseas. Se não</p><p>houvesse osteócitos nas lacunas, o</p><p>organismo liberaria sinais químicos para</p><p>promover a reabsorção óssea, o que</p><p>resultaria no enfraquecimento do osso.</p><p>O osteoclasto, por sua vez, é um tipo de</p><p>macrófago que reside no tecido ósseo,</p><p>sendo responsável pela reabsorção óssea,</p><p>por meio da liberação de ácidos que</p><p>dissolvem os sais de fosfato de cálcio. A</p><p>ação dessa célula é regulada, dentre outros</p><p>fatores, pelo par de hormônios antagônicos</p><p>calcitonina e paratormônio.</p><p>Na imagem acima, podemos observar</p><p>algumas células do tecido ósseo:</p><p> I: Osteoclasto</p><p> II: Osteoblasto</p><p> III: Osteócito</p><p>O processo de cicatrização das fraturas</p><p>ósseas é denominado consolidação. Nesse</p><p>processo, costuma acontecer a formação de</p><p>um calo cartilaginoso na região da fratura (o</p><p>que é comandado pelos condrócitos) e,</p><p>posteriormente, a substituição por um calo</p><p>de tecido ósseo (por meio dos osteoblastos)</p><p>e a sua “moldagem” no formato anatômico</p><p>(ação promovida pelos osteoclastos).</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Tecido Cartilaginoso</p><p>1. Introdução</p><p>O tecido cartilaginoso é um tipo</p><p>especializado de tecido conjuntivo cuja</p><p>consistência é rígida. Suas principais</p><p>funções são:</p><p>o Fornecer suporte aos tecidos moles</p><p>(isto é, tudo que não é mineralizado:</p><p>músculos, órgãos etc.);</p><p>o Revestir superfícies articulares;</p><p>o Absorver choques mecânicos;</p><p>o Diminuir o atrito, facilitando, assim, o</p><p>deslizamento dos ossos nas</p><p>articulações.</p><p>Como os demais tipos de tecido</p><p>conjuntivo, o cartilaginoso contém células</p><p>(chamadas condrócitos) e abundante</p><p>material extracelular, que constitui a matriz</p><p>extracelular cartilaginosa. Os condrócitos</p><p>alojam-se em pequenas cavidades da matriz,</p><p>chamadas lacunas. Uma lacuna pode conter</p><p>um ou mais condrócitos.</p><p>As funções desempenhadas pelo tecido</p><p>cartilaginoso dependem principalmente da</p><p>estrutura da matriz, que é constituída por</p><p>colágeno ou colágeno e elastina. Além disso,</p><p>há grande quantidade de macromoléculas de</p><p>proteoglicanos (proteínas +</p><p>glicosaminoglicanos), ácido hialurônico e</p><p>diversas glicoproteínas associadas às fibras</p><p>de colágeno e elásticas).</p><p>As cartilagens (exceto as articulares e a</p><p>do tipo fibroso) são envolvidas por uma</p><p>bainha conjuntiva que recebe o nome de</p><p>pericôndrio (é semelhante ao periósteo do</p><p>tecido ósseo), a qual é inervada e</p><p>vascularizada. No entanto, o tecido</p><p>cartilaginoso propriamente é desprovido de</p><p>vasos sanguíneos, linfáticos e de nervos,</p><p>sendo nutrido pelos capilares do pericôndrio.</p><p>As cartilagens que revestem a superfície</p><p>dos ossos nas articulações móveis não têm</p><p>pericôndrio e recebem nutrientes do líquido</p><p>sinovial presente nas cavidades articulares.</p><p>As cartilagens do tipo fibroso também não</p><p>têm pericôndrio. Em alguns casos, vasos</p><p>sanguíneos atravessam as cartilagens,</p><p>nutrindo outros tecidos.</p><p>Há três tipos de cartilagens no corpo</p><p>humano:</p><p>o Cartilagem hialina: é a mais comum,</p><p>contém delicadas fibrilas constituídas</p><p>principalmente de colágeno tipo II;</p><p>o Cartilagem elástica: contém menos</p><p>fibrilas de colágeno tipo II e</p><p>abundantes fibras elásticas;</p><p>o Cartilagem fibrosa: apresenta matriz</p><p>constituída preponderantemente por</p><p>fibras de colágeno tipo I.</p><p>2. Cartilagem Hialina</p><p>É o tipo mais frequentemente encontrado</p><p>no corpo. A fresco, a cartilagem hialina é</p><p>branco-azulada e translúcida.</p><p>Observe que os condrócitos estão envolvidos por</p><p>uma matriz extracelular basófila azulada. A</p><p>cartilagem é delimitada externamente pelo</p><p>pericôndrio, estrutura acidófila corada em rosa</p><p>devido à grande quantidade de colágeno tipo I.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>No adulto, a cartilagem hialina é</p><p>encontrada principalmente na parede das</p><p>fossas nasais, na traqueia e nos brônquios,</p><p>na extremidade ventral das costelas e</p><p>recobrindo as superfícies articulares dos</p><p>ossos longos (articulações com grande</p><p>mobilidade).</p><p>Esse tipo de cartilagem constitui o</p><p>primeiro esqueleto do embrião, que</p><p>posteriormente é substituído por um</p><p>esqueleto ósseo.</p><p>Entre a diáfise e a epífise dos ossos</p><p>longos em crescimento, observa-se o disco</p><p>epifisário, formado por cartilagem hialina,</p><p>que é responsável pelo crescimento do osso</p><p>em extensão durante a vida intrauterina e</p><p>após o nascimento até o fim do crescimento</p><p>corporal.</p><p>Matriz Cartilaginosa</p><p>A cartilagem hialina é formada por fibrilas</p><p>de colágeno tipo II associadas a ácido</p><p>hialurônico e a outros glicosaminoglicanos,</p><p>proteoglicanos muito hidratados e</p><p>glicoproteínas.</p><p>Dentre as proteínas, um componente</p><p>importante da matriz da cartilagem hialina é</p><p>a glicoproteína estrutural condronectina,</p><p>uma macromolécula com regiões de ligação</p><p>para condrócitos, fibrilas colágenas tipo II e</p><p>glicosaminoglicanos. Assim, a</p><p>condronectina participa da associação do</p><p>arcabouço macromolecular da matriz com</p><p>os condrócitos.</p><p>Além do colágeno e de glicoproteínas</p><p>multiadesivas, uma grande parte da matriz é</p><p>ocupada por glicosaminoglicanos</p><p>combinados covalentemente com proteínas,</p><p>formando proteoglicanos.</p><p>Glicosaminoglicanos + proteínas =</p><p>proteoglicanos</p><p>Cada molécula de proteoglicano consiste</p><p>em um eixo central proteico ao qual se ligam</p><p>numerosas moléculas não ramificadas e</p><p>relativamente curtas de glicosaminoglicanos</p><p>sulfatados.</p><p>A parte central dos proteoglicanos</p><p>corresponde à proteína e as moléculas de</p><p>glicosaminoglicanos correspondem à</p><p>porção periférica. No tecido conjuntivo</p><p>propriamente dito, e especialmente na</p><p>cartilagem hialina, inúmeros proteoglicanos</p><p>podem estabelecer ligações não covalentes</p><p>com uma única molécula de ácido</p><p>hialurônico, produzindo enormes agregados</p><p>moleculares muito importantes para manter</p><p>a rigidez da matriz cartilaginosa.</p><p>Organização molecular da matriz da cartilagem</p><p>hialina. As proteínas de ligação unem, por covalência,</p><p>a proteína que forma o eixo central dos</p><p>proteoglicanos às longas moléculas do ácido</p><p>hialurônico. As cadeias laterais de condroitim sulfato</p><p>dos glicosaminoglicanos do proteoglicano</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>estabelecem ligações eletrostáticas com as fibrilas</p><p>colágenas, contribuindo para a rigidez da matriz.</p><p>Esses agregados de proteoglicanos</p><p>ligam-se às fibrilas colágenas, formando o</p><p>arcabouço macromolecular da matriz. Um</p><p>dos agregados moleculares mais comuns na</p><p>cartilagem hialina é o agrecan, proteoglicano</p><p>formado por associação de proteína com</p><p>condroitim sulfato.</p><p>Como o colágeno e a elastina são</p><p>flexíveis, a consistência firme das</p><p>cartilagens deve-se, sobretudo, a dois</p><p>motivos:</p><p>o Ligações eletrostáticas entre os</p><p>glicosaminoglicanos sulfatados e o</p><p>colágeno;</p><p>o Grande quantidade de moléculas de</p><p>água presas a esses</p><p>glicosaminoglicanos (água de</p><p>solvatação), o que confere turgidez à</p><p>matriz.</p><p>O alto conteúdo de água de solvatação</p><p>das moléculas de glicosaminoglicanos atua</p><p>como um sistema de absorção de choques</p><p>mecânicos, ou mola biomecânica, de grande</p><p>importância funcional, principalmente nas</p><p>cartilagens articulares.</p><p>Em torno dos condrócitos existem regiões</p><p>mais ricas em proteoglicanos e pobres em</p><p>colágeno, que apresentam basofilia,</p><p>metacromasia e reação ácido periódico-</p><p>Schiff mais intensas do que o resto da</p><p>matriz. São chamadas de matriz territorial.</p><p>Em regiões da matriz mais afastadas dos</p><p>condrócitos, chamadas de matriz</p><p>interterritorial, a concentração de moléculas</p><p>é menor e a coloração é menos intensa.</p><p>Pericôndrio</p><p>Todas as cartilagens hialinas, exceto as</p><p>articulares, são envolvidas por uma camada</p><p>de tecido conjuntivo denso denominada</p><p>pericôndrio. Esse pericôndrio desempenha</p><p>diversas funções, tais como:</p><p>o Ser fonte de novos condrócitos para o</p><p>crescimento;</p><p>o Nutrição;</p><p>o Oxigenação;</p><p>o Eliminação dos refugos metabólicos</p><p>da cartilagem.</p><p>Tudo isso é possível porque nele estão</p><p>localizados vasos sanguíneos e linfáticos,</p><p>inexistentes no interior do tecido</p><p>cartilaginoso.</p><p>O pericôndrio é formado por um tecido</p><p>conjuntivo que possui muitas fibras de</p><p>colágeno tipo I e poucas células na sua</p><p>região mais externa. Porém, torna-se</p><p>gradativamente mais celularizado na região</p><p>adjacente à cartilagem.</p><p>Morfologicamente, as células do</p><p>pericôndrio assemelham-se aos</p><p>fibroblastos, mas as situadas próximo à</p><p>cartilagem podem facilmente multiplicar-se</p><p>por mitose e originar condrócitos,</p><p>caracterizando-se funcionalmente como</p><p>condroblastos.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Organização das células e da matriz da cartilagem</p><p>hialina. Muitos condrócitos formam grupos isógenos</p><p>derivados da divisão de um condrócito. Um grupo</p><p>isógeno está indicado por uma barra vertical. Na</p><p>MEC, observam-se regiões mais coradas em torno</p><p>dos condrócitos – matriz territorial – e regiões</p><p>menos coradas afastadas dos condrócitos – matriz</p><p>interterritorial.</p><p>Condrócitos</p><p>Na periferia da cartilagem hialina, os</p><p>condrócitos apresentam forma alongada,</p><p>com o eixo maior paralelo à superfície. Mais</p><p>internamente, são arredondados e</p><p>frequentemente aparecem em grupos de até</p><p>oito células, chamados grupos isógenos,</p><p>porque suas células são pequenos clones</p><p>originados por divisão de um único</p><p>condroblasto.</p><p>Transição entre o pericôndrio e a cartilagem hialina.</p><p>As células alongadas do pericôndrio, à medida que</p><p>se diferenciam em condrócitos, tornam-se</p><p>globulosas e sua superfície torna-se irregular. A</p><p>matriz da cartilagem contém fibrilas colágenas muito</p><p>finas de colágeno tipo II, exceto em volta dos</p><p>condrócitos, onde a matriz consiste principalmente</p><p>em proteoglicanos; essa região na periferia dos</p><p>condrócitos é chamada de matriz capsular.</p><p>Nos tecidos vivos e nos cortes</p><p>cuidadosamente preparados, os condrócitos</p><p>ocupam totalmente as lacunas. Sua</p><p>superfície parece regular ao microscópio</p><p>óptico, entretanto, o microscópio eletrônico</p><p>mostra reentrâncias e saliências maiores e</p><p>mais frequentes nos condrócitos jovens.</p><p>Essa disposição aumenta sua superfície,</p><p>facilitando as trocas com o meio</p><p>extracelular, o que é importante para a</p><p>nutrição das células, tão afastadas da</p><p>corrente sanguínea.</p><p>Os condrócitos são também células</p><p>secretoras de colágeno, principalmente do</p><p>tipo II, proteoglicanos e glicoproteínas,</p><p>como a condronectina.</p><p>Micrografia eletrônica de corte da cartilagem fibrosa</p><p>de um animal jovem, mostrando três condrócitos em</p><p>suas lacunas. Note a abundância de retículo</p><p>endoplasmático granuloso (REG) no citoplasma dos</p><p>condrócitos. Essas células estão sintetizando as</p><p>moléculas da matriz, onde existe grande quantidade</p><p>de fibrilas colágenas.</p><p>Uma vez que as cartilagens são</p><p>desprovidas de capilares sanguíneos, a</p><p>oxigenação dos condrócitos é deficiente,</p><p>fazendo com que essas células vivam sob</p><p>baixas tensões de oxigênio. A cartilagem</p><p>hialina degrada glicose principalmente por</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>mecanismo anaeróbio, com formação de</p><p>ácido lático como produto.</p><p>Os nutrientes transportados pelo sangue</p><p>chegam pelo pericôndrio, atravessam a</p><p>membrana da cartilagem por difusão e</p><p>alcançam os condrócitos mais internos. Os</p><p>mecanismos dessa movimentação de</p><p>moléculas são principalmente a difusão</p><p>através da água de solvatação das</p><p>macromoléculas e o bombeamento</p><p>promovido pelas forças de compressão e</p><p>descompressão exercidas sobre as</p><p>cartilagens. A falta de capilares sanguíneos</p><p>limita a espessura máxima das peças</p><p>cartilaginosas.</p><p>Atividade Funcional dos Condrócitos:</p><p>O funcionamento dos condrócitos</p><p>depende de um balanço hormonal adequado.</p><p>A síntese de proteoglicanos é acelerada por</p><p>tiroxina e testosterona, e diminuída por</p><p>cortisona, hidrocortisona e estradiol. O</p><p>hormônio de crescimento, produzido pela</p><p>hipófise, promove a síntese de</p><p>somatomedina C pelo fígado, a qual</p><p>aumenta a capacidade sintética e a</p><p>multiplicação dos condroblastos,</p><p>estimulando o crescimento das cartilagens.</p><p>Histogênese</p><p>No embrião, os esboços das cartilagens</p><p>surgem no mesênquima. A primeira</p><p>modificação observada durante a</p><p>histogênese da cartilagem consiste no</p><p>arredondamento das células</p><p>mesenquimatosas, que retraem seus</p><p>prolongamentos e, multiplicando-se</p><p>rapidamente, formam aglomerados. As</p><p>células assim formadas recebem o nome de</p><p>condroblastos. Em seguida, inicia-se a</p><p>síntese de matriz extracelular, que afasta os</p><p>condroblastos uns dos outros.</p><p>A diferenciação das cartilagens ocorre do</p><p>centro para a periferia, de modo que as</p><p>células mais centrais já apresentam as</p><p>características de condrócitos, enquanto as</p><p>mais periféricas ainda são condroblastos</p><p>típicos. O mesênquima da superfície de cada</p><p>peça de cartilagem forma o pericôndrio.</p><p>Crescimento</p><p>O crescimento da cartilagem ocorre por</p><p>dois processos:</p><p>o Intersticial: por divisão mitótica dos</p><p>condrócitos preexistentes. É menos</p><p>importante, já que ocorre somente</p><p>nas primeiras fases da vida da</p><p>cartilagem;</p><p>o Aposicional: a partir das células do</p><p>pericôndrio. As células da parte</p><p>profunda do pericôndrio multiplicam-</p><p>se e diferenciam-se em condrócitos,</p><p>que são adicionados à cartilagem.</p><p>Nos dois casos, os novos condrócitos</p><p>formados logo produzem fibrilas colágenas,</p><p>proteoglicanos e glicoproteínas, de modo</p><p>que o crescimento real é muito maior do que</p><p>o produzido pelo aumento do número de</p><p>células.</p><p>Histogênese da cartilagem hialina. No mesênquima</p><p>(A), após a divisão mitótica (M) das células</p><p>mesenquimatosas, forma-se um tecido muito</p><p>celularizado (B). Em seguida, pela secreção da</p><p>matriz extracelular, os condroblastos se afastam (C).</p><p>Finalmente, a multiplicação mitótica dessas células</p><p>dá origem aos grupos isógenos de condrócitos (D).</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Histologia Aplicada:</p><p>Alterações Degenerativas</p><p>Em comparação com os outros tecidos, a</p><p>cartilagem hialina é sujeita, com relativa</p><p>frequência, a processos degenerativos. O</p><p>mais comum é a calcificação da matriz, que</p><p>consiste na deposição de fosfato de cálcio</p><p>sob a forma de cristais de hidroxiapatita,</p><p>precedida por aumento de volume e morte</p><p>das células.</p><p>Cartilagens não se Regeneram Bem</p><p>A cartilagem que sofre lesão regenera-se</p><p>com dificuldade e, frequentemente, de modo</p><p>incompleto, salvo em crianças de pouca</p><p>idade. No adulto, a regeneração ocorre pela</p><p>atividade do pericôndrio. Quando há lesão de</p><p>uma cartilagem, células derivadas do</p><p>pericôndrio invadem a área destruída e dão</p><p>origem a tecido cartilaginoso que repara a</p><p>lesão. Quando a área destruída é extensa, ou</p><p>mesmo, algumas vezes, pequena, o</p><p>pericôndrio forma uma cicatriz de tecido</p><p>conjuntivo denso, em vez de formar novo</p><p>tecido cartilaginoso.</p><p>3. Cartilagem Elástica</p><p>A cartilagem elástica é encontrada no</p><p>pavilhão auditivo, no conduto auditivo</p><p>externo, na tuba auditiva, na epiglote e na</p><p>cartilagem cuneiforme da laringe.</p><p>Basicamente, é semelhante à cartilagem</p><p>hialina, mas inclui, além das fibrilas de</p><p>colágeno (principalmente do tipo II), uma</p><p>abundante rede de fibras elásticas contínuas</p><p>com as do pericôndrio. A elastina confere a</p><p>esse tipo de cartilagem uma cor amarelada</p><p>quando examinada a fresco.</p><p>Assim como a cartilagem hialina, a</p><p>elástica apresenta pericôndrio e cresce</p><p>principalmente por aposição. Contudo, ela é</p><p>menos sujeita a processos degenerativos</p><p>patológicos do que a hialina.</p><p>Cartilagem elástica observada após coloração</p><p>especial para fibras elásticas. Há grande quantidade</p><p>de fibras elásticas na matriz extracelular. O</p><p>citoplasma dos condrócitos está fracamente corado,</p><p>mas alguns núcleos podem ser observados.</p><p>4. Cartilagem Fibrosa</p><p>A cartilagem fibrosa (ou fibrocartilagem) é</p><p>um tecido com características</p><p>intermediárias entre o tecido conjuntivo</p><p>denso modelado e a cartilagem hialina. É</p><p>encontrada nos discos intervertebrais, nos</p><p>pontos em que alguns tendões e ligamentos</p><p>se inserem aos ossos, e na sínfise pubiana.</p><p>A fibrocartilagem está sempre associada</p><p>ao tecido conjuntivo denso, e os limites entre</p><p>os dois são imprecisos.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Fibrocartilagem. Neste tipo de cartilagem há grande</p><p>quantidade de colágeno tipo I; por essa razão a</p><p>matriz extracelular é acidófila. Os condrócitos</p><p>frequentemente se organizam em fileiras separadas</p><p>por espessas fibras colágenas.</p><p>A matriz da fibrocartilagem é acidófila por</p><p>conter grande quantidade de fibras</p><p>colágenas formadas por colágeno tipo I,</p><p>além de colágeno tipo II. Sob esse aspecto,</p><p>é bastante diferente da matriz basófila da</p><p>cartilagem hialina.</p><p>A substância fundamental (ácido</p><p>hialurônico, proteoglicanos e glicoproteínas)</p><p>é escassa e limitada à proximidade das</p><p>lacunas que contêm os condrócitos, região</p><p>em que forma cápsulas basófilas,</p><p>metacromáticas e PAS-positivas.</p><p>Na cartilagem fibrosa, as numerosas</p><p>fibras colágenas de colágeno tipo I</p><p>constituem feixes que seguem uma</p><p>orientação aparentemente irregular entre os</p><p>condrócitos</p><p>ou um arranjo paralelo ao longo</p><p>dos condrócitos situados em fileiras entre as</p><p>fibras. Por fim, vale ressaltar que na</p><p>fibrocartilagem não existe pericôndrio.</p><p>5. Discos Intervertebrais</p><p>Localizados entre os corpos das vértebras</p><p>e unidos a elas por ligamentos, cada disco</p><p>intervertebral é formado por dois</p><p>componentes: o anel fibroso e o núcleo</p><p>pulposo, que é a parte central derivada da</p><p>notocorda do embrião.</p><p>O anel fibroso contém uma porção</p><p>periférica de tecido conjuntivo denso; porém,</p><p>em sua maior extensão, é constituído por</p><p>fibrocartilagem, cujos feixes colágenos</p><p>formam camadas concêntricas.</p><p>Na parte central do anel fibroso, existe um</p><p>tecido chamado de núcleo pulposo. Ele é</p><p>formado por células arredondadas,</p><p>dispersas em um líquido viscoso rico em</p><p>ácido hialurônico e contendo pequena</p><p>quantidade de colágeno tipo II.</p><p>No jovem, esse núcleo pulposo é</p><p>relativamente maior, sendo gradual e</p><p>parcialmente substituído por fibrocartilagem</p><p>com o avançar da idade.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Os discos intervertebrais funcionam como</p><p>coxins lubrificados que previnem o desgaste</p><p>do osso das vértebras durante os</p><p>movimentos da coluna espinal. O núcleo</p><p>pulposo, rico em ácido hialurônico, é muito</p><p>hidratado e absorve as pressões como se</p><p>fosse uma almofada, protegendo as</p><p>vértebras contra impactos.</p><p>Anotações Aula Prática</p><p>A figura acima apresenta uma lâmina de</p><p>microscopia óptica de uma cartilagem</p><p>hialina. As regiões destacadas em I, II e III</p><p>são:</p><p> I: Camada fibrosa (mais externa do</p><p>pericôndrio), rica em colágeno do tipo</p><p>1 e muitos fibroblastos;</p><p> II: Camada condrogênica (interna do</p><p>pericôndrio), com alguns fibroblastos</p><p>originando condroblastos;</p><p> III: Cartilagem hialina, caracterizada</p><p>pela basofilia devido aos</p><p>proteoglicanos e algumas fibras de</p><p>colágeno tipo 2, além da presença de</p><p>condrócitos.</p><p>Algumas observações sobre o tecido</p><p>cartilaginoso:</p><p> Ele não é vascularizado;</p><p> A cartilagem fibrosa apresenta matriz</p><p>constituída principalmente por fibras</p><p>de colágeno tipo I;</p><p> A cartilagem elástica é constituída por</p><p>colágeno tipo II e abundante fibras</p><p>elásticas;</p><p> Como os demais tipos de tecido</p><p>conjuntivo, o tecido cartilaginoso</p><p>contém células, os condrócitos, e</p><p>abundante MEC;</p><p> A cartilagem hialina é composta</p><p>principalmente por fibras de colágeno</p><p>tipo II (rico em glicosaminoglicanos e,</p><p>portanto, basofílico) associadas a</p><p>ácido hialurônico, proteoglicanos</p><p>hidratados e glicoproteínas;</p><p> A cartilagem elástica, além de</p><p>apresentar poucas fibras de colágeno</p><p>tipo II, apresenta uma rede de fibras</p><p>elásticas contínua com a do</p><p>pericôndrio;</p><p> A matriz da fibrocartilagem é</p><p>acidófila, por conter grande</p><p>quantidade de fibras colágenas,</p><p>principalmente tipo I. A substância</p><p>fundamental (ácido hialurônico,</p><p>proteoglicanos e glicoproteínas) é</p><p>escassa e limitada à proximidade das</p><p>lacunas que contêm os condrócitos,</p><p>região em que forma cápsulas</p><p>basófilas.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>A figura acima representa uma seção de</p><p>um corte histológico de um disco</p><p>intervertebral (material de tecido conjuntivo</p><p>que amortece o impacto entre as vértebras).</p><p>Os quadros em verde escuro e verde claro</p><p>sinalizam, respectivamente, fibroblastos e</p><p>condrócitos.</p><p>Essa figura é de uma microscopia</p><p>eletrônica de um anel cartilaginoso da</p><p>traqueia. A estrutura em cinza representa o</p><p>pericôndrio, a parte em azul corresponde à</p><p>matriz extracelular e a parte em roxo os</p><p>condrócitos (condroblastos após a</p><p>diferenciação).</p><p>Sobre o pericôndrio, podemos fazer as</p><p>seguintes afirmações:</p><p> É fonte de condrócitos para o</p><p>crescimento da cartilagem;</p><p> É responsável pela nutrição,</p><p>oxigenação e eliminação dos refugos</p><p>metabólicos da cartilagem;</p><p> Não está presente na fibrocartilagem;</p><p> Suas células são semelhantes aos</p><p>fibroblastos;</p><p> É um tecido conjuntivo com vasos</p><p>sanguíneos, vasos linfáticos e</p><p>nervos.</p><p>Considerando as características normais</p><p>do tecido cartilaginoso, o que está diferente</p><p>nessa última lâmina é a formação de vasos</p><p>sanguíneos.</p><p>a actina, juntas, representam</p><p>55% do total das proteínas do músculo</p><p>estriado.</p><p>Na porção superior da figura há a distribuição dos</p><p>miofilamentos em um sarcômero. A porção inferior</p><p>mostra como os miofilamentos seriam observados em</p><p>secções transversais de diferentes locais do</p><p>sarcômero, indicados pelas linhas tracejadas.</p><p>Esquema simplificado das proteínas dos</p><p>miofilamentos finos (actina, tropomiosina e</p><p>troponina).</p><p>A parte central do sarcômero, que</p><p>corresponde à banda H, é uma região da</p><p>miosina constituída exclusivamente do</p><p>segmento em bastão das moléculas. No</p><p>centro da banda H encontra-se a linha M,</p><p>formada por ligações laterais entre</p><p>filamentos grossos adjacentes, que são</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>importantes para a manutenção correta do</p><p>filamento no sarcômero. Há várias proteínas</p><p>que constituem a linha M, entre as quais se</p><p>destaca a miomesina.</p><p>Muitas outras proteínas fazem parte do</p><p>sarcômero. A titina é formada por uma</p><p>enorme cadeia que percorre quase a metade</p><p>do comprimento do sarcômero, a partir do</p><p>disco Z até a linha M. A nebulina também</p><p>tem uma longa cadeia, e acredita-se que</p><p>proporcione, junto com a titina, estabilidade</p><p>para o sarcômero.</p><p>A precisa organização dos filamentos no</p><p>interior das miofibrilas é mantida por</p><p>diversas proteínas, como, por exemplo, os</p><p>filamentos intermediários de desmina, que</p><p>ligam as miofibrilas umas às outras.</p><p>Proteínas presentes no disco Z também são</p><p>importantes para a manutenção da estrutura</p><p>da miofibrila, pois os filamentos finos se</p><p>ancoram nesse disco. O conjunto de</p><p>miofibrilas de cada célula, por sua vez, é</p><p>ancorado à membrana plasmática da célula</p><p>muscular por meio de diversas proteínas que</p><p>têm afinidade tanto pelos miofilamentos</p><p>como por proteínas da membrana</p><p>plasmática. Uma dessas proteínas, chamada</p><p>distrofina, liga os filamentos de actina a</p><p>proteínas do sarcolema.</p><p>Histologia Aplicada</p><p>A distrofia muscular de Duchenne é uma</p><p>miopatia hereditária, ligada ao cromossomo</p><p>X. Causa lesões progressivas das fibras</p><p>musculares e, frequentemente, leva à morte</p><p>prematura. No músculo esquelético desses</p><p>doentes, nota-se que a distrofina é</p><p>inexistente ou sua molécula é defeituosa.</p><p>Inervação e Junção Mioneural</p><p>A contração das fibras musculares</p><p>esqueléticas é comandada por nervos</p><p>motores que se ramificam no tecido</p><p>conjuntivo do perimísio, originando</p><p>numerosos ramos. No local de contato com</p><p>a célula muscular, os ramos perdem a bainha</p><p>de mielina e passam a ser revestidos apenas</p><p>por uma camada de citoplasma das células</p><p>de Schwann.</p><p>Um conjunto de terminações axonais se</p><p>aproximam do sarcolema (membrana</p><p>plasmática) e constituem uma placa motora,</p><p>na qual cada uma das dilatações dos</p><p>axônios constitui estruturas semelhantes a</p><p>sinapses, chamadas junções mioneurais.</p><p>Nesses locais, as membranas do axônio e</p><p>da célula muscular são separadas por um</p><p>espaço muito delgado. As dilatações dos</p><p>terminais axonais têm numerosas</p><p>mitocôndrias e vesículas sinápticas que</p><p>contêm o neurotransmissor acetilcolina.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>No local da junção, o sarcolema da célula</p><p>muscular forma muitas invaginações</p><p>chamadas pregas ou dobras juncionais,</p><p>aumentando a superfície da região. Além</p><p>disso, ele conta com milhares de receptores</p><p>para a acetilcolina, do tipo nicotínico, os</p><p>quais abrem-se apenas quando reconhecem</p><p>a acetilcolina.</p><p>Quando um potencial de ação chega ao</p><p>terminal axônico, há liberação de</p><p>acetilcolina para a fenda existente entre a</p><p>membrana do axônio e da célula muscular.</p><p>A acetilcolina liga-se aos seus receptores e</p><p>permite a entrada súbita de íons sódio</p><p>através do sarcolema no local da junção,</p><p>resultando na despolarização local do</p><p>sarcolema.</p><p>O excesso de acetilcolina é hidrolisado</p><p>pela colinesterase encontrada na fenda</p><p>sináptica. A destruição da acetilcolina é</p><p>necessária para evitar o contato prolongado</p><p>do neurotransmissor com os receptores do</p><p>sarcolema. A despolarização iniciada na</p><p>placa motora devido à entrada de íons sódio</p><p>propaga-se ao longo da membrana da fibra</p><p>muscular.</p><p>Retículo Sarcoplasmático e Sistema de</p><p>Túbulos Transversais</p><p>O retículo sarcoplasmático armazena os</p><p>íons cálcio, fundamentais para o processo</p><p>de contração e relaxamento do músculo.</p><p>Esse retículo é uma rede de cisternas do</p><p>retículo endoplasmático liso, que envolve</p><p>grupos de miofilamentos, separando-os em</p><p>feixes cilíndricos.</p><p>Quando a membrana do retículo</p><p>sarcoplasmático é despolarizada pelo</p><p>estímulo nervoso, os canais de cálcio se</p><p>abrem, e esses íons, depositados nas</p><p>cisternas, difundem-se passivamente,</p><p>atuando na troponina para permitir a</p><p>interação entre actina e a miosina. Quando</p><p>cessa a despolarização, os íons cálcio são</p><p>bombeados de volta para o retículo</p><p>sarcoplasmático pela ação bomba de Ca++</p><p>da membrana, onde permanecem</p><p>armazenados até que o novo potencial de</p><p>ação muscular se inicie; essa remoção dos</p><p>íons cálcio das miofibrilas faz com que</p><p>contração muscular cesse.</p><p>Os túbulos T são numerosos túbulos</p><p>transversais formados por invaginações do</p><p>sarcolema para o interior da fibra muscular</p><p>esquelética. Eles passam transversalmente</p><p>pela fibra e se dispõem no plano de junção</p><p>das bandas A e I. Estes túbulos se ramificam</p><p>e se anastomosam, mas normalmente</p><p>permanecem em um plano único; por isso,</p><p>cada sarcômero possui dois conjuntos de</p><p>túbulos T, um em cada interface das bandas</p><p>A e I. Deste modo, os túbulos T se estendem</p><p>profundamente pelo interior da fibra e</p><p>facilitam a condução de ondas de</p><p>despolarização ao longo do sarcolema.</p><p>Em cada lado de cada túbulo T existe uma</p><p>expansão ou cisterna terminal do retículo</p><p>sarcoplasmático. Esse complexo formado</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>por um túbulo T e duas expansões do</p><p>retículo sarcoplasmático é conhecido como</p><p>tríade. Na tríade, a despolarização dos</p><p>túbulos T, derivados do sarcolema, é</p><p>transmitida ao retículo sarcoplasmático.</p><p>Desse modo, a despolarização que</p><p>promove a liberação dos íons cálcio (e o</p><p>processo de contração) inicia na placa</p><p>motora (junção do músculo com o nervo) e é</p><p>transmitida à membrana do retículo</p><p>sarcoplasmático por meio dos túbulos T.</p><p>Nesse sentido, o sistema de túbulos T é</p><p>responsável pela condução uniforme de</p><p>cada fibra muscular esquelética.</p><p>Mecanismo de Contração Muscular</p><p>Conforme já descrito, o sarcômero</p><p>consiste em filamentos finos e grossos que</p><p>se sobrepõem parcialmente. A contração</p><p>resulta do deslizamento dos filamentos</p><p>finos em relação aos espessos (actina</p><p>desliza sob a miosina). Durante a contração,</p><p>os filamentos interagem, e, devido à</p><p>atividade da miosina (que se comporta como</p><p>proteína motora) as cabeças das moléculas</p><p>de miosina tracionam os filamentos de</p><p>actina para o centro do sarcômero. Estes</p><p>penetram mais profundamente nos</p><p>sarcômeros, arrastando consigo os discos Z,</p><p>nos quais estão ancorados – é o chamado</p><p>modelo de filamentos deslizantes. Durante o</p><p>ciclo de contração, os dois tipos de</p><p>filamentos conservam seus comprimentos</p><p>originais; no entanto, trechos cada vez</p><p>maiores se sobrepõem, diminuindo, em</p><p>consequência, o tamanho dos sarcômeros</p><p>das miofibrilas de cada célula.</p><p>O processo de contração, normalmente</p><p>iniciado por impulsos nervosos, obedece à</p><p>lei de tudo ou nada, na qual uma única fibra</p><p>muscular ou se contrai em resposta a um</p><p>estímulo, ou não responde de forma alguma.</p><p>A força de contração de um músculo ocorre</p><p>em função do número de fibras musculares</p><p>que se contraem.</p><p>No músculo em repouso, as cabeças de</p><p>miosina são impedidas de ligar-se às</p><p>moléculas de actina pela tropomiosina, que</p><p>recobre os sítios de ligação da miosina nas</p><p>moléculas de</p><p>actina. A contração das fibras</p><p>musculares esqueléticas ocorre com base</p><p>nos seguintes eventos:</p><p> Um impulso gerado ao longo do</p><p>sarcolema é transmitido ao interior</p><p>das fibras através dos túbulos T e, em</p><p>seguida, alcança as cisternas do</p><p>retículo sarcoplasmático;</p><p> Há a liberação de cálcio para o</p><p>sarcoplasma pelos canais voltagem-</p><p>dependentes localizados nas</p><p>cisternas;</p><p> Os íons de cálcio se ligam à</p><p>subunidade TnC da troponina,</p><p>alterando sua conformação;</p><p> Essa mudança conformacional altera</p><p>a posição da tropomiosina para um</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>local mais profundo no sulco da</p><p>actina F, revelando o sítio ativo de</p><p>ligação da miosina na molécula de</p><p>actina, ocorrendo a interação das</p><p>cabeças da miosina com a actina;</p><p> A combinação dos íons Ca2+ com a</p><p>subunidade TnC corresponde à fase</p><p>em que o complexo miosina-ATP é</p><p>ativado;</p><p> Como resultado da ponte entre a</p><p>cabeça da miosina e a subunidade de</p><p>actina, o ATP (presente na cabeça da</p><p>miosina) libera ADP, fosfato</p><p>inorgânico e energia;</p><p> Ocorre uma deformação da cabeça e</p><p>parte do bastão das moléculas de</p><p>miosina, aumentando a curvatura da</p><p>cabeça;</p><p> Como a actina está combinada com a</p><p>miosina, a energia liberada é utilizada</p><p>para realizar o movimento das</p><p>cabeças da miosina, que tracionam o</p><p>filamento da actina, promovendo seu</p><p>deslizamento sobre o filamento de</p><p>miosina. A contração muscular</p><p>consiste em inúmeros ciclos de</p><p>deslizamento da actina sobre a</p><p>miosina, e cada um diminui em alguns</p><p>nanômetros a distância entre os</p><p>discos Z do sarcômero e, portanto, o</p><p>seu comprimento.</p><p>Ciclo de ligação cruzada da actina com a miosina.</p><p>Embora o filamento grosso tenha um</p><p>elevado número de cabeças de miosina, em</p><p>cada momento da contração apenas</p><p>determinado número de cabeças está</p><p>alinhado com os locais de combinação da</p><p>actina. À medida que as cabeças de miosina</p><p>movimentam a actina, novos locais para</p><p>formação de pontes actina-miosina</p><p>aparecem. As pontes antigas somente se</p><p>desfazem depois que a miosina se une à</p><p>nova molécula de ATP; essa ação determina</p><p>também a volta da cabeça de miosina para</p><p>sua posição primitiva, preparando-se para</p><p>um novo ciclo. Não existindo ATP, o</p><p>complexo actina-miosina torna-se estável, o</p><p>que explica a rigidez muscular que ocorre</p><p>logo após a morte.</p><p>Uma contração muscular é o resultado de</p><p>milhares de ciclos de formação e separação</p><p>de pontes de actina-miosina e tração de</p><p>filamentos finos para o interior de cada</p><p>sarcômero. A atividade contrátil continua até</p><p>que os íons Ca2+ sejam removidos, quando</p><p>se encerra o estímulo nervoso.</p><p>Histologia Aplicada</p><p>Miastenia</p><p>A myasthenia gravis (miastenia), uma</p><p>doença autoimune caracterizada por</p><p>fraqueza muscular progressiva, deve-se à</p><p>redução da quantidade e, sobretudo, da</p><p>eficiência dos receptores para acetilcolina</p><p>localizados no sarcoplasma das junções</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>mioneurais (placas motoras). A ineficiência</p><p>dos receptores para acetilcolina é causada</p><p>por anticorpos circulantes no sangue que se</p><p>ligam a esses receptores, dificultando a</p><p>comunicação entre o nervo e a fibra</p><p>muscular. As fibras musculares fagocitam e</p><p>digerem nos lisossomos os receptores</p><p>defeituosos bloqueados pelo anticorpo e</p><p>produzem novos receptores para substituir</p><p>os inativados. No entanto, os novos</p><p>receptores logo são também inativados pelo</p><p>anticorpo circulante no sangue. Por isso, a</p><p>doença geralmente é progressiva (embora</p><p>tenha uma evolução lenta).</p><p>A pálpebra caída é uma das manifestações da</p><p>miastenia.</p><p>Botulismo</p><p>Normalmente causado pela ingestão de</p><p>comidas enlatadas que não foram</p><p>preservadas adequadamente, a toxina</p><p>botulínica causa paralisia muscular. Para tal,</p><p>atua especificamente inativando uma</p><p>proteína que é fundamental (SNAP 25) para</p><p>a fusão de vesículas contendo</p><p>neurotransmissores com a membrana</p><p>plasmática do terminal axônico.</p><p>Botox</p><p>Utilizada em tratamentos estéticos, essa</p><p>substância atua inativando placas motoras</p><p>para reduzir a tensão muscular e evitar a</p><p>formação das rugas em determinadas</p><p>regiões da expressão facial.</p><p>3. Músculo Cardíaco</p><p>O músculo estriado cardíaco é um tecido</p><p>muscular involuntário limitado ao coração e</p><p>às porções proximais das veias pulmonares</p><p>e das veias cavas superior e inferior, onde</p><p>estas se unem ao coração. É constituído por</p><p>células alongadas e estriadas com</p><p>ramificações e anastomoses irregulares,</p><p>unidas por junções intercelulares complexas,</p><p>além de um grande núcleo localizado no</p><p>centro da célula (algumas células podem</p><p>apresentar dois núcleos). Seu citoplasma é</p><p>preenchido em aproximadamente 40% por</p><p>mitocôndrias, fator que contribui para a</p><p>acidofilia dessas células, bem como as</p><p>miofibrilas.</p><p>Outra característica exclusiva do músculo</p><p>cardíaco são as linhas transversais</p><p>fortemente coradas que aparecem em</p><p>intervalos irregulares ao longo da célula, os</p><p>chamados discos intercalares. Esse discos</p><p>são complexos juncionais encontrados na</p><p>interface de células musculares adjacentes</p><p>que aparecem como linhas retas ou exibem</p><p>um aspecto em escada. Nas partes em</p><p>escada, distinguem-se duas regiões: a parte</p><p>transversal, que cruza a fibra em ângulo reto,</p><p>e a parte lateral, que caminha paralelamente</p><p>aos miofilamentos. Nos discos intercalares,</p><p>encontram-se principalmente três</p><p>especializações juncionais:</p><p> Zônulas de adesão: servem para</p><p>ancorar os filamentos de actina nos</p><p>sarcômeros terminais;</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p> Desmossomos: impedem que as</p><p>células musculares cardíacas se</p><p>separem durante a atividade contrátil;</p><p> Junções comunicantes: responsáveis</p><p>pela continuidade iônica entre células</p><p>musculares adjacentes, permitindo</p><p>que as cadeias de células se</p><p>comportem como um sincício.</p><p>A parede do coração é dividida em três</p><p>partes: epicárdio (composto por tecido</p><p>conjuntivo fibroelástico, vasos, nervos,</p><p>adipócitos e mesotélio), miocárdio (onde se</p><p>concentram as fibras musculares) e</p><p>endocárdio (composto por endotélio e tecido</p><p>conjuntivo). A espessura do miocárdio varia</p><p>de acordo com as câmaras cardíacas – os</p><p>ventrículos, sobretudo o esquerdo,</p><p>apresentam parede mais espessa do que os</p><p>átrios.</p><p>No miocárdio, encontramos uma rede</p><p>anastomosada de células musculares</p><p>cardíacas ramificadas, organizadas em</p><p>lâminas. As lâminas são separadas umas</p><p>das outras por delicadas bainhas de tecido</p><p>conjuntivo que veiculam vasos sanguíneos,</p><p>nervos e o sistema autogerador do impulso</p><p>cardíaco. Nesse contexto, o tecido muscular</p><p>estriado cardíaco difere dos tecidos</p><p>musculares estriado esquelético e liso por</p><p>possuir um ritmo próprio, assim como a</p><p>habilidade de contrair espontaneamente.</p><p>Organização da Fibra Muscular Cardíaca</p><p>As estriações das fibras musculares</p><p>estriadas cardíacas são organizadas da</p><p>mesma forma que as esqueléticas, incluindo</p><p>a alternância entre as bandas I e A. Cada</p><p>sarcômero possui a mesma estrutura básica,</p><p>de modo que o mecanismo de contração</p><p>muscular ocorra da mesma forma. Todavia,</p><p>no músculo cardíaco o sistema de túbulos T</p><p>e o retículo sarcoplasmático não são tão</p><p>organizados como no músculo esquelético.</p><p>Os túbulos T cardíacos se localizam na</p><p>altura da banda Z e não na junção das</p><p>bandas A e I. As tríades não são frequentes</p><p>nas células cardíacas, pois os túbulos T</p><p>geralmente se associam apenas a uma</p><p>expansão do retículo sarcoplasmático. Por</p><p>isso, uma das características dos músculos</p><p>cardíacos é a presença de díades,</p><p>constituídas por um túbulo T e uma cisterna</p><p>do retículo sarcoplasmático. Os túbulos T</p><p>são maiores e mais numerosos no músculo</p><p>atrial cardíaco.</p><p>O músculo cardíaco possui intenso</p><p>metabolismo aeróbico e, por</p><p>causa disso,</p><p>possui numerosas mitocôndrias, que</p><p>ocupam aproximadamente 40% do volume</p><p>citoplasmático.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>As células musculares cardíacas podem</p><p>apresentar grânulos de lipofucsina,</p><p>localizados principalmente próximo às</p><p>extremidades dos núcleos celulares.</p><p>As fibras cardíacas apresentam grânulos</p><p>secretores, recobertos por membrana,</p><p>localizados próximos aos núcleos celulares,</p><p>na região do aparelho de Golgi. Esses</p><p>grânulos são mais abundantes nas células</p><p>musculares do átrio esquerdo, mas também</p><p>são encontrados no átrio direito e nos</p><p>ventrículos e apresentam a molécula</p><p>precursora do hormônio ou peptídeo atrial</p><p>natriurético. Este hormônio atua nos rins,</p><p>aumentando a eliminação de sódio e água</p><p>pela urina para a redução da pressão arterial.</p><p>O músculo cardíaco armazena ácidos</p><p>graxos sob a forma de triglicerídios</p><p>encontrados nas gotículas lipídicas do</p><p>citoplasma de suas células. Ademais, existe</p><p>uma pequena quantidade de glicogênio, que</p><p>fornece glicose quando há necessidade.</p><p>4. Músculo Liso</p><p>O tecido muscular liso é caracterizado por</p><p>feixes ou folhetos de células fusiformes</p><p>alongadas com extremidades afiladas.</p><p>Também denominadas fibras musculares</p><p>lisas, essas células não apresentam o</p><p>padrão estriado encontrado no músculo</p><p>esquelético e cardíaco, bem como não</p><p>possuem um sistema de túbulos T.</p><p>O tecido muscular liso é encontrado na</p><p>parede de vísceras ocas, nas paredes dos</p><p>vasos sanguíneos, nos ductos maiores de</p><p>glândulas compostas, nas vias respiratórias,</p><p>e em pequenos feixes no interior da derme</p><p>da pele. O músculo liso é regulado pelo</p><p>sistema nervoso autônomo, por meio de</p><p>hormônios e de condições fisiológicas</p><p>locais, sendo também referido como</p><p>músculo involuntário.</p><p>As células musculares lisas são</p><p>revestidas por lâmina basal e mantidas</p><p>unidas por uma rede muito delicada de fibras</p><p>reticulares. Essas fibras amarram as células</p><p>musculares lisas umas às outras, de tal</p><p>maneira que a contração simultânea de</p><p>apenas algumas ou de muitas células se</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>transforma na contração do músculo inteiro.</p><p>Além disso, as células musculares lisas</p><p>estão interconectadas por junções</p><p>comunicantes.</p><p>O citoplasma das células musculares lisas</p><p>cora-se de modo bastante uniforme e</p><p>acidófilo, devido às concentrações de actina</p><p>e miosina que essas células contêm. Os</p><p>núcleos dessas células estão localizados na</p><p>porção central e, com frequência, exibem</p><p>aparência de saca – rolhas em corte</p><p>longitudinal – por conta da contração da</p><p>célula durante o processo de fixação (etapa</p><p>do processamento histológico).</p><p>Na célula não contraída, o núcleo é visto</p><p>como uma estrutura alongada com</p><p>extremidade afiladas, localizado no eixo</p><p>central da célula. A maioria das organelas</p><p>citoplasmáticas está concentrada em cada</p><p>extremidade do núcleo. Incluem numerosas</p><p>mitocôndrias, algumas cisternas do retículo</p><p>endoplasmático rugoso, ribossomos livres,</p><p>grânulos de glicogênio e um pequeno</p><p>complexo de Golgi.</p><p>O sarcolema dessas células apresenta</p><p>grande quantidade de depressões com o</p><p>aspecto e as dimensões das vesículas de</p><p>pinocitose, denominadas cavéolas. As</p><p>cavéolas contêm íons Ca2+ que serão</p><p>utilizados para iniciar o processo de</p><p>contração.</p><p>As células musculares lisas apresentam</p><p>os corpos densos. Os corpos densos se</p><p>localizam principalmente na membrana</p><p>dessas células, porém existem também no</p><p>citoplasma, e apresentam papel importante</p><p>na contração das células musculares lisas.</p><p>Organização da Fibra Muscular Lisa</p><p>O sarcoplasma das células musculares</p><p>lisas é preenchido por filamentos de actina</p><p>estabilizados pela combinação com</p><p>tropomiosina, caldesmona e calponina,</p><p>porém não existem sarcômeros e nem</p><p>troponina. Os filamentos de miosina só se</p><p>formam no momento da contração e</p><p>apresentam estrutura diferente da</p><p>encontrada no músculo esquelético. As</p><p>moléculas de miosina II estão orientadas em</p><p>uma direção em um dos lados do filamento</p><p>espesso e na direção oposta no outro lado e</p><p>não há uma zona central sem cabeças</p><p>globulares. Isso possibilita que os</p><p>filamentos finos sejam tracionados por toda</p><p>a extensão dos filamentos espessos.</p><p>A disposição dos feixes de filamentos</p><p>contráteis em diferentes planos faz com que</p><p>as células não apresentem estriações e, por</p><p>isso, a denominação de músculo liso.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Os corpos densos contêm uma variedade</p><p>de proteínas, incluindo a α-actinina, que</p><p>ancora (direta ou indiretamente) ao</p><p>sarcolema tanto os filamentos finos quanto</p><p>os filamentos intermediários. São</p><p>fundamentais na transmissão das forças</p><p>contráteis geradas no interior da célula para</p><p>a superfície celular, alterando o formato da</p><p>célula.</p><p>Mecanismo de Contração do Músculo Liso</p><p>Para a contração das fibras musculares</p><p>lisas a elevação dos níveis intracelulares de</p><p>íons cálcio é obtida pela despolarização da</p><p>membrana celular, com ativação</p><p>subsequente dos canais de Ca2+ voltagem –</p><p>dependentes, ou pela ativação direta dos</p><p>canais de liberação de Ca2+ no retículo</p><p>endoplasmático liso. Em seguida, os íons</p><p>Ca2+ combinam-se com as moléculas de</p><p>calmodulina, alterando sua conformação. O</p><p>complexo Ca2+ calmodulina une-se à</p><p>caldesmona, resultando na liberação do sítio</p><p>ativo para a actina F e na ativação da quinase</p><p>de cadeia leve da miosina.</p><p>A fosforilação realizada pela quinase</p><p>provoca uma mudança na conformação da</p><p>miosina e permite que ela se ligue à actina.</p><p>Essa combinação libera energia do ATP, que</p><p>promove a deformação da cabeça da</p><p>molécula de miosina II e o deslizamento dos</p><p>filamentos de actina e de miosina uns sobre</p><p>os outros. Estas proteínas motoras (actina e</p><p>miosina II) estão ligadas a filamentos</p><p>intermediários de desmina e de vimentina</p><p>que, por sua vez, prendem-se aos corpos</p><p>densos da membrana da célula. Assim, é</p><p>realizada a contração do músculo como um</p><p>todo.</p><p>Devido ao fato de que tanto a fosforilação</p><p>como os processos de formação e</p><p>dissociação das pontes cruzadas de miosina</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>ocorrerem lentamente, o processo de</p><p>contração das células musculares lisas leva</p><p>mais tempo do que a contração das</p><p>musculaturas esquelética e cardíaca. Com</p><p>isso, as cabeças da miosina permanecem</p><p>unidas ao filamento fino por mais tempo, o</p><p>que exige menos energia.</p><p>A redução nos níveis de cálcio no</p><p>sarcoplasma resulta na dissociação do</p><p>complexo Ca2+ - calmodulina, causando a</p><p>inativação da quinase de cadeia leve da</p><p>miosina. A desfosforilação da cadeia leve da</p><p>miosina, catalisada pela enzima miosina</p><p>fosfatase, faz com que o sítio de ligação da</p><p>miosina com a actina volte a estar</p><p>escondido. Consequentemente, ocorre o</p><p>relaxamento da fibra muscular.</p><p>Anotações Aula Prática</p><p>o Células satélites = células tronco</p><p>relacionadas à regeneração;</p><p>o Relembrando: fibra muscular = célula</p><p>muscular.</p><p>Na imagem acima podemos observar dois</p><p>tipos de células/fibras musculares:</p><p>o 1: fibra do tipo II, de contração rápida;</p><p>o 2: fibra do tipo I, de contração lenta.</p><p>O que define se uma pessoa terá mais</p><p>fibras do tipo I ou fibras do tipo II é o próprio</p><p>padrão de estímulo, relacionado à inervação.</p><p>o Maratonista: mais fibras do tipo I;</p><p>o Corredores de curta distância: mais</p><p>fibras de tipo II.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>No corte da figura acima (do tecido</p><p>muscular esquelético), em visão longitudinal,</p><p>o componente</p><p>histológico apontado pela</p><p>seta na região mais clara é a célula satélite.</p><p>Como já dito, elas são células tronco</p><p>(indiferenciadas) que podem sofrer</p><p>diferenciação, ou seja, estão relacionadas</p><p>com a regeneração, repondo as fibras</p><p>quando necessário.</p><p>Nessa imagem, o componente que está</p><p>em foco é o capilar sanguíneo, que contêm</p><p>glóbulos vermelhos em seu interior.</p><p>Na figura acima podemos visualizar os</p><p>revestimentos do tecido muscular. Os</p><p>revestimentos são três: endomísio, perimísio</p><p>e epimísio, sendo que todos eles são</p><p>constituídos por tecido conjuntivo e contêm</p><p>vasos e nervos. As setas estão indicando o</p><p>perimísio.</p><p>A imagem acima representa um</p><p>sarcômero. Aspectos importantes para se</p><p>lembrar sobre essa estrutura:</p><p>o I contêm miofilamentos e</p><p>corresponde à banda A, que não se</p><p>encurta;</p><p>o IV contêm actina e corresponde a uma</p><p>banda que se encurta;</p><p>o II delimita o sarcômero e corresponde</p><p>às linhas Z, que se aproximam;</p><p>o III contêm miosina e corresponde à</p><p>banda H, que se estreita.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>A figura acima representa segmentos do</p><p>músculo liso. O que é importante observar é</p><p>que em B o músculo está relaxado, com</p><p>núcleos arredondados nas extremidades,</p><p>enquanto em A o músculo está contraído,</p><p>com núcleos em espiral.</p><p>Nessa lâmina de microscopia eletrônica, é</p><p>possível ver estruturas mais escuras que</p><p>servem como âncoras para filamentos finos</p><p>e intermediários no músculo liso. Esses</p><p>componentes histológicos são chamados de</p><p>corpos densos.</p><p>A figura anterior evidencia estruturas das</p><p>células musculares lisas que são chamadas</p><p>de cavéolas. As cavéolas se apresentam</p><p>como pequenas invaginações do sarcolema,</p><p>as quais estão envolvidas no transporte de</p><p>líquidos e de eletrólitos como íons Ca2+ (que</p><p>é essencial para a contração).</p><p>Sobre o tecido muscular cardíaco, é</p><p>importante ressaltar que suas fibras são</p><p>estriadas, uma vez que isso facilita as</p><p>contrações rápidas. Além disso, as</p><p>ramificações no músculo estriado cardíaco</p><p>servem para formar os discos intercalares,</p><p>que são complexos juncionais encontrados</p><p>na interface de células musculares</p><p>adjacentes. Ou seja, têm o intuito de manter</p><p>as células unidas durante a contração.</p><p>A figura acima é uma lâmina de um</p><p>músculo cardíaco, o qual é rico em junções</p><p>intercelulares, representadas no disco</p><p>intercalar. O componente transversal</p><p>(laranja) é rico em desmossomos e os</p><p>componentes laterais (em azul) é rico em</p><p>junções GAP (comunicantes).</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>No caso do músculo esquelético, os</p><p>mioblastos (origem mesodérmica) se</p><p>fundem na fase embrionária para formar as</p><p>fibras musculares. Porém, alguns não se</p><p>fundem (permanecem indiferenciados),</p><p>como as células satélites, que ficam</p><p>disponíveis para reparar possíveis lesões</p><p>que as células musculares sofram.</p><p>Tecido Ósseo</p><p>1. Introdução</p><p>O tecido ósseo é o componente principal</p><p>do esqueleto, serve de suporte para os</p><p>tecidos moles e protege os órgãos vitais,</p><p>como os contidos nas caixas cranianas e</p><p>torácica, bem como no canal raquidiano. Ele</p><p>também aloja e protege a medula óssea,</p><p>formadora das células do sangue;</p><p>proporciona apoio aos músculos</p><p>esqueléticos, transformando suas</p><p>contrações em movimentos úteis; e constitui</p><p>um sistema de alavancas que amplia as</p><p>forças originadas na contração muscular.</p><p>Ademais, os ossos funcionam como</p><p>depósitos de diversos íons, como cálcio e</p><p>fosfato, liberando-os de maneira controlada</p><p>conforme a necessidade. São capazes ainda</p><p>de absorver toxinas e metais pesados,</p><p>minimizando, assim, seus efeitos adversos</p><p>em outros tecidos.</p><p>Vale ressaltar que o tecido ósseo é um</p><p>tipo especializado de tecido conjuntivo,</p><p>formado por células + MEC calcificada</p><p>(matriz óssea).</p><p>As células do tecido ósseo pertencem a</p><p>duas linhagens diferentes:</p><p> Linhagem osteoblástica:</p><p>-Formada pelos osteoblastos e</p><p>osteócitos</p><p> Linhagem osteoclástica:</p><p>-Formada pelos osteoclastos</p><p>Os osteócitos são responsáveis por</p><p>manter a MEC e situam-se no interior de</p><p>peças ósseas. Os osteoblastos sintetizam a</p><p>parte orgânica da MEC e localizam-se</p><p>sempre na superfície de peças ósseas. Já os</p><p>osteoclastos são células gigantes, móveis e</p><p>multinucleadas que reabsorvem o tecido</p><p>ósseo, participando dos processos de</p><p>remodelação dos ossos.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Vale destacar que todos os ossos são</p><p>revestidos em suas superfícies externas e</p><p>internas por membranas conjuntivas,</p><p>denominadas, respectivamente, periósteo e</p><p>endósteo.</p><p>2. Células e Estrutura Geral</p><p>Osteócitos</p><p>A mesma célula mesenquimal que pode</p><p>dar origem aos fibroblastos (no tecido</p><p>conjuntivo) e aos condroblastos (no tecido</p><p>cartilaginoso) origina os osteoblastos, os</p><p>quais formam, posteriormente, os</p><p>osteócitos.</p><p>Os osteócitos são células achatadas</p><p>encontradas no interior da matriz óssea e</p><p>ocupam espaços denominados lacunas.</p><p>Cada lacuna contém apenas um osteócito.</p><p>Das lacunas partem vários canalículos</p><p>que contêm prolongamentos dos osteócitos,</p><p>os quais fazem contato com</p><p>prolongamentos de células adjacentes. Não</p><p>existe difusão de substâncias através da</p><p>matriz calcificada do osso, pois esta é</p><p>impermeável. Por esse motivo, a nutrição</p><p>dos osteócitos depende dos canalículos, em</p><p>cujo interior circulam substâncias que</p><p>possibilitam as trocas das moléculas, íons e</p><p>gases entre os capilares sanguíneos e os</p><p>osteócitos.</p><p>A observação de osteócitos por</p><p>microscopia eletrônica de transmissão</p><p>mostra que essas células exibem pequena</p><p>quantidade de retículo endoplasmático</p><p>granuloso, complexo de Golgi pouco</p><p>desenvolvido e núcleo com cromatina</p><p>condensada. Embora essas características</p><p>ultraestruturais indiquem pequena atividade</p><p>sintética, eles são essenciais para a</p><p>manutenção da matriz óssea. Sua morte é</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>seguida por reabsorção da matriz ao seu</p><p>redor.</p><p>Osteoblastos</p><p>Dispõem-se sempre nas superfícies</p><p>ósseas, lado a lado, em um arranjo que</p><p>lembra um epitélio simples. Quando em</p><p>intensa atividade sintética, os osteoblastos</p><p>são cuboides, com citoplasma muito</p><p>basófilo. Em contrapartida, em estado pouco</p><p>ativo, tornam-se achatados, e a sua basofilia</p><p>citoplasmática é pouco intensa.</p><p>Os osteoblastos são as células que</p><p>sintetizam a parte orgânica da matriz óssea</p><p>(colágeno tipo I, proteoglicanos e</p><p>glicoproteínas) e fatores que influenciam a</p><p>função de outras células ósseas. Após</p><p>sintetizar MEC, o osteoblasto é aprisionado</p><p>pela matriz orgânica recém-sintetizada e</p><p>passa a ser chamado de osteócito. A matriz,</p><p>então, deposita-se ao redor do corpo da</p><p>célula e de seus prolongamentos e passa por</p><p>deposição de cálcio, formando as lacunas</p><p>que contêm os osteócitos e os canalículos –</p><p>túneis compostos pelos prolongamentos</p><p>celulares dos osteócitos.</p><p>Os osteoblastos em fase de síntese</p><p>mostram as características ultraestruturais</p><p>das células produtoras de proteínas. A</p><p>matriz óssea recém-formada, adjacente aos</p><p>osteoblastos ativos e ainda não calcificada,</p><p>recebe o nome de osteoide.</p><p>P – Osteócito com seus prolongamentos</p><p>circundados por matriz óssea; C – citoplasma; N –</p><p>núcleo</p><p>Histologia Aplicada</p><p>A tetraciclina deposita-se com grande</p><p>afinidade sobre a matriz óssea recém-</p><p>formada. Esse antibiótico é fluorescente, o</p><p>que possibilita a realização de uma técnica</p><p>para avaliar a velocidade de formação óssea,</p><p>um parâmetro importante para o estudo do</p><p>crescimento ósseo e para o diagnóstico de</p><p>determinadas doenças ósseas. O método</p><p>consiste em duas injeções de</p><p>tetraciclina</p><p>com intervalo de 5 dias. Em seguida, é feita</p><p>uma biopsia óssea, e os cortes são</p><p>examinados ao microscópio de</p><p>fluorescência. A distância entre as duas</p><p>faixas fluorescentes é proporcional à</p><p>velocidade de aposição (crescimento)</p><p>óssea. Esse procedimento de biopsia tem</p><p>utilidade no diagnóstico de certas doenças,</p><p>como a osteomalácia, na qual a</p><p>mineralização está prejudicada, e a osteíte</p><p>fibrosa cística, quando ocorre aumento na</p><p>atividade dos osteoclastos, resultando em</p><p>maior remoção de matriz óssea.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Osteoclastos</p><p>Os osteoclastos convivem com os</p><p>osteócitos e osteoblastos, mas pertencem a</p><p>uma linhagem celular bastante diferente.</p><p>Eles são derivados de monócitos (origem</p><p>medular) que, no interior do tecido ósseo,</p><p>fundem-se para formar os osteoclastos</p><p>multinucleados.</p><p>São células móveis, de tamanho muito</p><p>grande e multinucleadas, responsáveis pela</p><p>reabsorção do tecido ósseo. Têm citoplasma</p><p>de aspecto granuloso (algumas vezes</p><p>contendo vacúolos), fracamente basófilo</p><p>nos osteoclastos jovens e muito acidófilo</p><p>nos maduros.</p><p>Situam-se na superfície do tecido ósseo</p><p>ou em túneis no interior das peças ósseas.</p><p>Nas áreas de reabsorção de tecido ósseo, os</p><p>osteoclastos são encontrados</p><p>frequentemente ocupando pequenas</p><p>depressões da matriz escavadas pela</p><p>atividade dessas células e conhecidas como</p><p>lacunas de Howship.</p><p>Atividade Funcional dos Osteoclastos:</p><p>A superfície ativa dos osteoclastos está</p><p>voltada para a superfície óssea. Ela</p><p>apresenta inúmeros prolongamentos</p><p>irregulares que se ramificam. Em torno</p><p>dessa área com prolongamentos há uma</p><p>região do citoplasma pobre em organelas e</p><p>rica em filamentos de actina, a zona clara. A</p><p>zona clara é o local de adesão do</p><p>osteoclasto à matriz óssea e cria um</p><p>microambiente fechado entre a superfície</p><p>ativa da célula e a superfície óssea, no qual</p><p>ocorre a reabsorção.</p><p>Os osteoclastos atuam secretando ácido</p><p>para o interior desse microambiente sob a</p><p>forma de íons de hidrogênio (H+), além de</p><p>enzimas como a colagenase e outras</p><p>hidrolases que atuam localmente, tanto</p><p>digerindo a matriz orgânica como</p><p>dissolvendo os cristais de sais de cálcio.</p><p>Após ser removida, a matriz é capturada pelo</p><p>citoplasma dos osteoclastos, onde a</p><p>digestão continua e seus produtos são</p><p>transferidos para o exterior do osteoclasto.</p><p>A atividade dos osteoclastos é</p><p>coordenada por citocinas (pequenas</p><p>proteínas sinalizadoras que atuam</p><p>localmente) e por hormônios, como a</p><p>calcitonina, produzida pela glândula tireoide,</p><p>e o paratormônio, secretado pelas glândulas</p><p>paratireoides. Algumas dessas ações não</p><p>são diretas sobre os osteoclastos, mas são</p><p>desencadeadas por meio de osteócitos.</p><p>3. Matriz Óssea</p><p>Conforme já mencionado, a matriz óssea</p><p>é constituída por uma parte orgânica e por</p><p>uma parte inorgânica.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Cerca de 95% da parte orgânica é</p><p>constituída por colágeno do tipo I, e o</p><p>restante, por proteoglicanos e</p><p>glicoproteínas.</p><p>A parte inorgânica representa cerca de</p><p>50% do peso da matriz óssea. Os íons mais</p><p>encontrados são o fosfato e o cálcio. Porém,</p><p>outros também estão presentes em</p><p>pequenas quantidades: bicarbonato,</p><p>magnésio, potássio, sódio e citrato.</p><p>Estudos de difração de raios X mostraram</p><p>que os cristais que se formam pelo cálcio e</p><p>pelo fosfato têm a estrutura do mineral</p><p>hidroxiapatita. No entanto, os cristais de</p><p>matriz óssea mostram imperfeições e não</p><p>são idênticos à hidroxiapatita encontrada em</p><p>rochas.</p><p>A associação de cristais de hidroxiapatita</p><p>à superfície das fibras colágenas é</p><p>responsável pela rigidez e pela resistência</p><p>mecânica do tecido ósseo. Após a remoção</p><p>do cálcio, os ossos mantêm sua forma</p><p>intacta e tornam-se tão flexíveis quanto os</p><p>tendões. Por outro lado, a destruição da</p><p>parte orgânica (composta principalmente</p><p>por colágeno) também deixa o osso com sua</p><p>forma intacta, porém tão quebradiço que</p><p>dificilmente pode ser manipulado sem se</p><p>partir.</p><p>Não existe ainda uma explicação</p><p>totalmente aceita para o mecanismo de</p><p>calcificação ou mineralização do osso. Sabe-</p><p>se que a calcificação começa pela</p><p>deposição de sais de cálcio sobre as fibrilas</p><p>colágenas, um processo que parece ser</p><p>induzido por proteoglicanos e glicoproteínas</p><p>da matriz.</p><p>A deposição dos sais de cálcio também é</p><p>influenciada pela concentração desses</p><p>minerais em vesículas (vesículas da matriz)</p><p>que brotam do citoplasma dos osteoblastos</p><p>e são expelidas para a matriz. Além disso,</p><p>existe ainda a possível participação da</p><p>enzima fosfatase alcalina, sintetizada pelos</p><p>osteoblastos.</p><p>Para lembrar:</p><p>-Cálcio: confere rigidez e resistência</p><p>mecânica ao osso;</p><p>-Colágeno: reforça e protege a cartilagem</p><p>e os ossos.</p><p>4. Periósteo e Endósteo</p><p>A superfície externa e interna dos ossos é</p><p>recoberta por uma camada composta de</p><p>tecido conjuntivo e de células osteogênicas,</p><p>constituindo, respectivamente, o periósteo e</p><p>o endósteo.</p><p>Periósteo</p><p>A camada mais externa do periósteo</p><p>contém principalmente fibras colágenas e</p><p>fibroblastos. As fibras de Sharpey são feixes</p><p>de fibras colágenas do periósteo que</p><p>penetram o tecido ósseo e prendem</p><p>firmemente o periósteo ao osso.</p><p>Já a camada interna do periósteo é mais</p><p>celularizada e apresenta células</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>osteoprogenitoras, as quais são</p><p>morfologicamente semelhantes aos</p><p>fibroblastos. Essas células se multiplicam</p><p>por mitose e se diferenciam em</p><p>osteoblastos, desempenhando papel</p><p>importante no crescimento dos ossos por</p><p>aposição.</p><p>Endósteo</p><p>O endósteo reveste as superfícies</p><p>internas do osso e geralmente é constituído</p><p>por uma delgada camada de células</p><p>osteogênicas achatadas, que reveste as</p><p>cavidades do osso esponjoso, o canal</p><p>medular, os canais de Havers e os de</p><p>Volkmann.</p><p>Além de fornecer novos osteoblastos para</p><p>o crescimento, a remodelação e a</p><p>recuperação do osso após traumatismos</p><p>mecânicos, o endósteo e, principalmente, o</p><p>periósteo, são importantes para a nutrição</p><p>do tecido ósseo em função da existência de</p><p>vasos sanguíneos em seu interior.</p><p>5. Osso Compacto e Osso Esponjoso</p><p>Corte grosso de um osso seco, que ilustra duas</p><p>conformações de tecido ósseo: o osso compacto,</p><p>em que não se observam cavidades, e o osso</p><p>esponjoso, formado por pequenas pontes ou</p><p>trabéculas.</p><p>Observando-se um osso serrado, verifica-</p><p>se, do ponto de vista anatômico, que sua</p><p>superfície é formada por tecido ósseo sem</p><p>cavidades visíveis (o osso compacto) e,</p><p>interiormente, por uma parte com muitas</p><p>cavidades intercomunicantes (o osso</p><p>esponjoso). No entanto, vale ressaltar que</p><p>essa classificação é macroscópica, pois a</p><p>composição histológica do osso esponjoso</p><p>e do compacto é a mesma.</p><p>Nos ossos longos, as extremidades (ou</p><p>epífises) são formadas por osso esponjoso</p><p>revestido por uma camada de osso</p><p>compacto. O disco epifisário corresponde a</p><p>uma delgada faixa de cartilagem hialina</p><p>situada entre a diáfise e a epífise. A diáfise</p><p>(parte cilíndrica) é quase totalmente</p><p>formada por osso compacto.</p><p>Nos ossos longos, o osso compacto é</p><p>também chamado de osso cortical.</p><p>Nos ossos curtos, pelo contrário, o centro</p><p>é esponjoso e a periferia possui uma camada</p><p>de osso compacto.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Nos ossos chatos que constituem a</p><p>abóbada craniana, existem duas camadas de</p><p>osso compacto (as tábulas interna e</p><p>externa), separadas por osso esponjoso que,</p><p>nessa localização, recebe o nome de díploe.</p><p>As cavidades do osso esponjoso e o canal</p><p>medular dos ossos longos são ocupados</p><p>pela medula óssea.</p><p>6. Tecido Ósseo Lamelar e Não Lamelar</p><p>Do ponto de vista histológico, existem</p><p>dois tipos de tecido ósseo:</p><p>o Imaturo, primário ou não lamelar;</p><p>o Maduro, secundário ou lamelar.</p><p>O primário é sempre o primeiro a ser</p><p>formado, tanto no desenvolvimento</p><p>embrionário como na reparação de fraturas.</p><p>É um tecido temporário, que depois é</p><p>substituído por tecido secundário.</p><p>No tecido ósseo primário, as fibras</p><p>colágenas se dispõem irregularmente, sem</p><p>orientação definida, enquanto no secundário</p><p>ou lamelar essas fibras se organizam em</p><p>lamelas, que se arranjam em uma disposição</p><p>muito ordenada.</p><p>Representação do tecido ósseo não lamelar e</p><p>lamelar</p><p>Tecido Ósseo Não Lamelar</p><p>Em cada osso o primeiro tecido ósseo a</p><p>ser formado é do tipo primário (não lamelar),</p><p>sendo substituído gradativamente por tecido</p><p>ósseo lamelar ou secundário. No adulto é</p><p>muito pouco encontrado, persistindo apenas</p><p>próximo às suturas dos ossos do crânio, nos</p><p>alvéolos dentários e em alguns pontos de</p><p>inserção de tendões.</p><p>O tecido ósseo primário tem fibras</p><p>colágenas dispostas em várias direções sem</p><p>organização definida, tem menor quantidade</p><p>de minerais e maior proporção de osteócitos</p><p>do que o tecido ósseo secundário. Os</p><p>osteócitos do osso primário se dispõem de</p><p>maneira aparentemente desorganizada, e a</p><p>matriz, quando vista em cortes ao</p><p>microscópio, aparece heterogênea, com</p><p>machas mais escuras.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Tecido Ósseo Lamelar</p><p>O tecido ósseo secundário é a variedade</p><p>mais encontrada no adulto. Sua principal</p><p>característica é ser formado por fibras</p><p>colágenas organizadas em lamelas, que são</p><p>planas ou têm forma de anéis. As fibras</p><p>colágenas de cada lamela são paralelas</p><p>entre si; porém, de lamela para lamela as</p><p>fibras têm direções diferentes.</p><p>As lacunas que contêm osteócitos estão</p><p>geralmente situadas entre as lamelas</p><p>ósseas, mas algumas vezes estão dentro</p><p>das lamelas. Devido a essa disposição, no</p><p>osso lamelar os osteócitos se dispõem em</p><p>fileiras, enquanto no não lamelar a</p><p>disposição é sem organização aparente.</p><p>As lamelas ósseas que se reúnem em</p><p>conjuntos de lamelas podem ter dois tipos</p><p>de arranjos espaciais:</p><p>o Lamelas planas: dispõem-se</p><p>paralelamente umas às outras,</p><p>formando pilhas de lamelas de tecido</p><p>ósseo;</p><p>o Lamelas curvas: em forma de anéis,</p><p>dispõem-se em camadas</p><p>concêntricas em torno de um canal</p><p>central.</p><p>Separando conjuntos de lamelas, ocorre</p><p>frequentemente o acúmulo no meio</p><p>extracelular de uma substância cimentante,</p><p>que consiste em matriz mineralizada, porém</p><p>com pouquíssimo colágeno.</p><p>Os conjuntos de lamelas organizadas</p><p>concentricamente formam as estruturas</p><p>denominadas sistemas de Havers ou</p><p>ósteons. Cada um desses sistemas é um</p><p>cilindro longo, às vezes bifurcado, em geral</p><p>paralelo à diáfise e formado por 4 a 20</p><p>lamelas ósseas concêntricas. No centro</p><p>desse cilindro ósseo existe um canal</p><p>revestido do endósteo, o canal de Havers,</p><p>que contém vasos e nervos.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Representação de trecho da diáfise de um osso</p><p>longo. Observe quatro tipos de arranjo de lamelas</p><p>ósseas no osso lamelar da diáfise: os sistemas de</p><p>Havers e os sistemas de lamelas circunferenciais</p><p>externas, internas e intermediárias. Dois sistemas</p><p>de Havers estão apresentados em detalhes: no alto à</p><p>esquerda está mostrada a orientação diversa das</p><p>fibras colágenas em cada lamela; à direita em cima e</p><p>à direita ao lado, há um sistema de Havers formado</p><p>por três lamelas, que mostra um capilar sanguíneo</p><p>central no interior do canal de Havers.</p><p>A diáfise dos ossos é quase toda</p><p>composta de osso lamelar e é um bom</p><p>material para analisar a distribuição e a</p><p>organização das lamelas nesse tipo de osso.</p><p>Os sistemas de Havers são formados por</p><p>lamelas dispostas concentricamente, e os</p><p>outros três são compostos de pilhas de</p><p>lamelas planas ou levemente curvas.</p><p>O tecido ósseo secundário ou lamelar</p><p>formado por sistemas de Havers é</p><p>característico da diáfise dos ossos longos,</p><p>embora sistemas de Havers pequenos sejam</p><p>encontrados no osso compacto de outros</p><p>locais.</p><p>Os sistemas circunferenciais interno e</p><p>externo, constituídos por lamelas ósseas</p><p>paralelas entre si, formam duas faixas: uma</p><p>situada na parte interna do osso, em volta do</p><p>canal medular e em contato com o endósteo,</p><p>e a outra na região mais externa, próxima ao</p><p>periósteo. O sistema circunferencial externo</p><p>é mais espesso do que o interno, e os</p><p>sistemas de Havers ocupam a porção</p><p>intermediária da diáfise entre eles.</p><p>Os sistemas de Havers são constituídos</p><p>por um número variável de lamelas ósseas</p><p>concêntricas. Como os osteócitos se nutrem</p><p>por meio do trânsito de substâncias no</p><p>interior dos canalículos ósseos, a espessura</p><p>da parede de cada sistema de Havers é</p><p>limitada pela distância entre os osteócitos</p><p>mais externos e o canal central do sistema, o</p><p>canal de Havers, por onde circulam vasos</p><p>sanguíneos.</p><p>Os canais de Havers comunicam-se entre</p><p>si, com a cavidade medular e com a</p><p>superfície externa do osso por meio de</p><p>túneis transversais ou oblíquos à diáfise,</p><p>situados no interior do osso, chamados de</p><p>canais de Volkmann. Estes se distinguem</p><p>dos de Havers por não serem envolvidos por</p><p>lamelas ósseas concêntricas. Os canais</p><p>vasculares existentes no tecido ósseo se</p><p>formam pela deposição de matriz óssea ao</p><p>redor de vasos preexistentes.</p><p>Remodelação do Tecido Ósseo na Diáfise</p><p>O diâmetro dos sistemas de Havers é</p><p>muito variável porque o tecido ósseo está em</p><p>remodelação constante. Cada um é</p><p>construído por deposição sucessiva de</p><p>lamelas ósseas a partir da periferia para o</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>interior; os sistemas mais jovens têm canais</p><p>mais amplos do que os antigos, e as lamelas</p><p>mais internas são sempre as mais</p><p>recentemente adicionadas.</p><p>Entre os dois sistemas circunferenciais da</p><p>diáfise, encontram-se inúmeros sistemas de</p><p>Havers e grupos irregulares de curtos</p><p>conjuntos de lamelas paralelas, geralmente</p><p>de contorno triangular, que constituem os</p><p>sistemas intermediários. Esses trechos de</p><p>lamelas ósseas formam-se a partir de restos</p><p>de sistemas de Havers que foram</p><p>reabsorvidos durante o crescimento do</p><p>osso.</p><p>7. Histogênese</p><p>O tecido ósseo é formado por dois</p><p>processos:</p><p> Ossificação intramembranosa: ocorre</p><p>no interior de uma membrana</p><p>conjuntiva;</p><p> Ossificação endocondral: inicia-se</p><p>sobre um molde de cartilagem hialina</p><p>que é gradualmente substituído por</p><p>tecido ósseo.</p><p>Em ambos os tipos, o primeiro tecido</p><p>ósseo formado é o primário, o qual,</p><p>gradativamente, é substituído por tecido</p><p>secundário ou lamelar. Portanto, durante o</p><p>crescimento dos ossos, podem ser vistas</p><p>lado a lado áreas de tecido ósseo primário,</p><p>áreas de reabsorção e áreas de tecido ósseo</p><p>secundário. Uma combinação de formação e</p><p>remoção de tecido ósseo persiste durante o</p><p>crescimento do osso e no adulto, embora em</p><p>ritmo muito mais lento.</p><p>Ossificação Intramembranosa</p><p>A ossificação intramembranosa ocorre</p><p>em meio a uma membrana de tecido</p><p>mesenquimal, sendo a maioria dos ossos</p><p>chatos do crânio formados por ossificação</p><p>dessa natureza. O crescimento dos ossos</p><p>curtos e o aumento da espessura dos ossos</p><p>longos também se processam dessa forma.</p><p>As células mesenquimais se diferenciam</p><p>em osteoblastos, que secretam matriz óssea</p><p>ainda não mineralizada (osteoide), formando</p><p>uma malha de espículas e trabéculas cujas</p><p>superfícies são cobertas por estas células.</p><p>Esta região de osteogênese inicial é</p><p>denominada centro primário de ossificação</p><p>onde verificamos uma confluência das</p><p>traves ósseas formadas, conferindo ao osso</p><p>um aspecto esponjoso.</p><p>As fibras colágenas destas espículas e</p><p>trabéculas</p><p>em formação têm orientação</p><p>aleatória, como se espera da estrutura</p><p>histológica do tecido ósseo primário. A</p><p>calcificação segue-se rapidamente à</p><p>formação do osteoide, e os osteoblastos</p><p>presos em meio à matriz tornam-se</p><p>osteócitos. Os prolongamentos destes</p><p>osteócitos também ficam envolvidos pela</p><p>matriz óssea em formação, estabelecendo</p><p>um sistema de canalículos.</p><p>A contínua atividade mitótica das células</p><p>mesenquimais cria um suprimento de</p><p>células osteoprogenitoras indiferenciadas,</p><p>as quais dão origem a osteoblastos. Com o</p><p>estabelecimento da rede de trabéculas,</p><p>semelhante a uma esponja, o tecido</p><p>conjuntivo vascularizado situado nos</p><p>interstícios transforma-se em medula óssea.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Ossificação Endocondral</p><p>A ossificação endocondral tem início</p><p>sobre uma peça de cartilagem hialina, de</p><p>forma parecida à do osso que se vai formar,</p><p>porém de tamanho menor. Esse tipo de</p><p>ossificação é o principal responsável pela</p><p>formação dos ossos curtos e longos e</p><p>consiste, essencialmente, em dois</p><p>processos.</p><p>No primeiro processo, a cartilagem hialina</p><p>sofre modificações, havendo hipertrofia dos</p><p>condrócitos, redução da matriz cartilaginosa</p><p>a finos tabiques, sua mineralização e a morte</p><p>dos condrócitos por apoptose.</p><p>No segundo, as cavidades previamente</p><p>ocupadas pelos condrócitos são invadidas</p><p>por capilares sanguíneos e células</p><p>osteogênicas vindas do conjuntivo</p><p>adjacente. Essas células diferenciam-se em</p><p>osteoblastos, que depositarão matriz óssea</p><p>sobre os tabiques de cartilagem calcificada.</p><p>Esse tipo de osteogênese pode ser resumido</p><p>nas seguintes etapas:</p><p>o Formação de um molde de cartilagem</p><p>hialina em miniatura, do mesmo</p><p>formato do futuro osso a ser formado;</p><p>o Crescimento contínuo do modelo de</p><p>cartilagem, o qual serve como</p><p>arcabouço estrutural para o</p><p>desenvolvimento do osso;</p><p>o Reabsorção final e substituição da</p><p>cartilagem por tecido ósseo.</p><p>Eventos no Centro Primário de Ossificação</p><p>O crescimento do centro primário de</p><p>ossificação é rápido, em sentido longitudinal</p><p>e ocupa toda a diáfise, constituindo, assim, a</p><p>sua formação óssea. O desenvolvimento</p><p>desse centro primário é acompanhado pelo</p><p>crescimento do cilindro ósseo que se formou</p><p>a partir do pericôndrio e que cresce também</p><p>na direção das epífises. Desde o início da</p><p>formação do centro primário surgem</p><p>osteoclastos e ocorre absorção do tecido</p><p>ósseo formado no centro da cartilagem,</p><p>aparecendo, assim, o canal medular, o qual</p><p>também cresce longitudinalmente à medida</p><p>que a ossificação progride.</p><p>Eventos Centro Secundário de Ossificação</p><p>Os centros secundários de ossificação</p><p>começam a se formar nas epífises em</p><p>ambas as extremidades do osso em</p><p>formação através de um processo</p><p>semelhante ao da diáfise sem que, no</p><p>entanto, ocorra a formação de um colar</p><p>ósseo. As células osteoprogenitoras</p><p>invadem a cartilagem e começam a secretar</p><p>matriz óssea sobre o arcabouço</p><p>cartilaginoso. Enfim, a cartilagem da epífise</p><p>é substituída por tecido ósseo, exceto na</p><p>superfície articular e no disco epifisário ou</p><p>cartilagem de conjugação.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Crescimento dos Ossos em Comprimento</p><p>O alongamento contínuo está</p><p>subordinado aos discos epifisários</p><p>(cartilagem de conjugação). Os condrócitos</p><p>do disco epifisário proliferam e participam</p><p>do processo de ossificação endocondral.</p><p>A proliferação ocorre no lado epifisário,</p><p>enquanto a substituição por tecido ósseo se</p><p>dá no lado diafisário do disco.</p><p>Histologicamente, o disco epifisário é</p><p>dividido em cinco zonas distintas. Essas</p><p>zonas, que começam pelo lado epifisário,</p><p>são as seguintes:</p><p> Zona da cartilagem de reserva: os</p><p>condrócitos distribuídos aleatoriamente</p><p>pela matriz são mitoticamente ativos;</p><p> Zona de proliferação: condrócitos em</p><p>proliferação rápida formam fileiras de</p><p>células (grupos isógenos axiais)</p><p>paralelas à direção do crescimento do</p><p>osso;</p><p> Zona de maturação e hipertrofia: os</p><p>condrócitos amadurecem, hipertrofiam,</p><p>iniciam a mineralização da matriz</p><p>cartilaginosa e acumulam glicogênio no</p><p>citoplasma. A matriz entre as lacunas</p><p>fica mais estreita com o crescimento</p><p>correspondente das próprias lacunas, e</p><p>começa a ser mineralizada;</p><p> Zona de calcificação: as lacunas</p><p>tornam-se confluentes, os condrócitos</p><p>hipertrofiados morrem e a matriz</p><p>cartilaginosa, agora, apresenta-se</p><p>calcificada, sob a forma de finíssimos</p><p>tabiques ou traves;</p><p> Zona de ossificação: células</p><p>osteoprogenitoras invadem a zona de</p><p>cartilagem calcificada e diferenciam-se</p><p>em osteoblastos, os quais produzem</p><p>matriz óssea que se calcifica na</p><p>superfície da cartilagem calcificada. Em</p><p>seguida, há reabsorção do complexo</p><p>cartilagem calcificada/tecido ósseo</p><p>calcificado.</p><p>Crescimento dos Ossos em Largura</p><p>O crescimento da diáfise em largura</p><p>ocorre por crescimento aposicional. As</p><p>células osteoprogenitoras da camada</p><p>osteogênica do periósteo proliferam e se</p><p>diferenciam em osteoblastos, que começam</p><p>a depositar matriz óssea sobre a superfície</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>subperiosteal do osso. Este processo ocorre</p><p>continuamente durante todo o período de</p><p>crescimento e desenvolvimento do osso, de</p><p>modo que, em um osso longo maduro, a</p><p>diáfise é construída através da ossificação</p><p>intramembranosa subperiosteal. A</p><p>deposição de tecido ósseo vai sendo</p><p>acompanhada por reabsorção a exemplo do</p><p>que pode ser visto na porção externa da</p><p>diáfise onde a atividade osteoclástica vai se</p><p>processando internamente, de modo que o</p><p>espaço da medula óssea possa ser</p><p>aumentado.</p><p>Calcificação do Osso</p><p>A calcificação começa quando há</p><p>deposição de fosfato de cálcio sobre as</p><p>fibrilas colágenas da matriz óssea. Sabe-se</p><p>que esse processo é estimulado por alguns</p><p>proteoglicanos e pela osteonectina, uma</p><p>glicoproteína ligante de Ca2+, assim como</p><p>pela sialoproteína óssea. A teoria da</p><p>nucleação heterogênea preconiza que as</p><p>fibrilas colágenas da matriz óssea</p><p>constituem os locais de nucleação da</p><p>solução metastável de cálcio e fosfato, e que</p><p>esta solução começa a cristalizar-se na</p><p>região lacunar das fibrilas colágenas. Uma</p><p>vez que esta região tenha sido “nucleada”, a</p><p>calcificação ocorre. A teoria mais aceita da</p><p>calcificação defende que os osteoblastos</p><p>liberam pequenas vesículas da matriz a</p><p>partir de sua membrana plasmática. A</p><p>membrana das vesículas da matriz possui</p><p>numerosas bombas de cálcio, que</p><p>transportam íons Ca2+ para dentro dela. Com</p><p>o aumento da concentração de íons Ca2+</p><p>dentro da vesícula, ocorre cristalização e o</p><p>cristal de hidroxiapatita em crescimento</p><p>rompe a membrana, estourando a vesícula</p><p>da matriz, liberando seu conteúdo. Os</p><p>cristais de hidroxiapatita de cálcio liberados</p><p>das vesículas da matriz agem como ninhos</p><p>de cristalização. A alta concentração de íons</p><p>em sua vizinhança, juntamente com a</p><p>presença de fatores de calcificação e</p><p>proteínas ligantes de cálcio, promove a</p><p>calcificação da matriz. A mineralização</p><p>ocorre em torno de numerosos ninhos de</p><p>cristalização dispostos muito próximos uns</p><p>aos outros. À medida que a cristalização</p><p>avança, estes centros crescem e fundem-se</p><p>uns aos outros. Desta maneira, uma região</p><p>cada vez maior da matriz torna-se</p><p>desidratada e calcificada.</p><p>Remodelação Óssea</p><p>A conformação arquitetônica geral dos</p><p>ossos é, em grande parte, preservada desde</p><p>a sua formação até o término do</p><p>crescimento no adulto devido à remodelação</p><p>da superfície a qual depende de um sutil</p><p>equilíbrio entre a deposição de tecido ósseo</p><p>em algumas regiões e a reabsorção</p><p>concomitante em outras.</p><p>Sendo assim, a remodelação óssea pode</p><p>ser definida como um processo de aposição</p><p>no qual há remoção localizada do osso</p><p>antigo (reabsorção)</p><p>e substituição por osso</p><p>recentemente formado. Esse evento se</p><p>verifica no tecido ósseo por toda a vida</p><p>adulta do indivíduo, promovendo a</p><p>manutenção da integridade anatômica do</p><p>osso e a renovação do esqueleto, sendo</p><p>regulada por diversos fatores, como</p><p>mecanismos regulatórios intracelulares,</p><p>influência hormonal, fatores locais e</p><p>externos. Vale ressaltar que o tecido ósseo</p><p>cortical (compacto) e o tecido ósseo</p><p>esponjoso não são remodelados da mesma</p><p>maneira, provavelmente porque os</p><p>osteoblastos e as células osteoprogenitoras</p><p>do tecido ósseo esponjoso estão contidos</p><p>dentro dos limites da medula óssea e, por</p><p>isso, estão sob a influência parácrina direta</p><p>das células da medula óssea próxima.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Reparo Ósseo</p><p>O reparo ósseo envolve eventos tanto de</p><p>ossificação intramembranosa como de</p><p>ossificação endocondral. Os danos</p><p>decorrentes de uma fratura envolvem</p><p>destruição da matriz óssea, morte de células,</p><p>rompimento do periósteo e do endósteo, e</p><p>um possível deslocamento das</p><p>extremidades quebradas do osso</p><p>(fragmentos). Vasos sanguíneos são</p><p>rompidos perto da lesão e uma hemorragia</p><p>localizada preenche a zona da fratura a qual</p><p>será invadida por pequenos capilares e por</p><p>fibroblastos provenientes do tecido</p><p>conjuntivo circundante, havendo formação</p><p>de tecido de granulação.</p><p>A falta de um leito capilar abundante</p><p>resulta em baixa tensão de oxigênio e as</p><p>células osteoprogenitoras tornam-se células</p><p>condrogênicas, originando condroblastos,</p><p>que formam cartilagem hialina nas partes</p><p>externas do colar.</p><p>A camada mais profunda das células</p><p>osteoprogenitoras em proliferação do</p><p>periósteo se diferencia em osteoblastos e</p><p>começa a produzir um colar ósseo,</p><p>cimentando-o ao tecido ósseo morto em</p><p>volta do local da lesão. Esse colar ósseo é</p><p>formado por três zonas que se fundem (uma</p><p>camada de novo tecido ósseo cimentado ao</p><p>tecido ósseo do fragmento, uma camada</p><p>intermediária de cartilagem e uma camada</p><p>superficial osteogênica em proliferação),</p><p>formando um só colar, denominado calo</p><p>externo, levando à união destes fragmentos.</p><p>O crescimento continuado do colar</p><p>externo deriva principalmente da</p><p>proliferação de células osteoprogenitoras e,</p><p>em certo grau, do crescimento intersticial da</p><p>cartilagem da zona intermediária. Os colares</p><p>formados sobre as extremidades de cada</p><p>fragmento se fundem à matriz da cartilagem</p><p>adjacente ao novo tecido ósseo formado na</p><p>região mais profunda do colar, torna-se</p><p>calcificada e acaba sendo substituída por</p><p>tecido ósseo esponjoso.</p><p>Finalmente, toda a cartilagem acaba</p><p>sendo substituída por tecido ósseo primário</p><p>formado por ossificação endocondral.</p><p>Subsequentemente, será necessário</p><p>remodelar o local da lesão pela substituição</p><p>do tecido ósseo primário por tecido ósseo</p><p>secundário e reabsorver o calo. Parece que o</p><p>processo de cicatrização e de</p><p>remodelamento do local da fratura são uma</p><p>resposta direta às tensões aplicadas sobre</p><p>ele. Finalmente, a região da fratura que</p><p>sofreu reparo retoma sua forma e força</p><p>originais. É interessante observar que o</p><p>reparo ósseo envolve a formação de</p><p>cartilagem e os processos de ossificação</p><p>intramembranosa e endocondral.</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>Desenhos esquemáticos mostram o processo de</p><p>reparação da fratura por formação de novo tecido</p><p>ósseo a partir do endósteo e do periósteo.</p><p>8. Histofisiologia do Tecido Ósseo</p><p>Manutenção dos Níveis de Cálcio no Sangue</p><p>Sabemos que o cálcio exerce um papel</p><p>fundamental no desenvolvimento de reações</p><p>metabólicas essenciais para a preservação</p><p>da homeostase, viabilizando, por exemplo, a</p><p>atividade de diversas enzimas, além de</p><p>participar de modo significativo na</p><p>permeabilidade das membranas biológicas.</p><p>O cálcio ainda atua na adesão celular, na</p><p>coagulação do sangue, na transmissão do</p><p>impulso nervoso e na contração muscular.</p><p>Considerando, portanto, a importância</p><p>atribuída a ele, justifica-se que o organismo</p><p>tenha desenvolvido estratégias que</p><p>assegurassem a manutenção de níveis</p><p>adequados de cálcio para atender ao nosso</p><p>padrão funcional. Para tanto, é necessário</p><p>manter rigidamente controlada a</p><p>concentração de cálcio do plasma</p><p>sanguíneo entre 9 e 11 mg/dL.</p><p>Lembre-se de que os ossos são um</p><p>importante reservatório de cálcio e, assim</p><p>sendo, uma contínua troca entre os ossos e</p><p>o sangue deverá ser efetuada a fim de que a</p><p>homeostasia seja mantida. Os íons cálcio</p><p>removidos do tecido ósseo para a</p><p>manutenção dos níveis de cálcio do sangue</p><p>provêm de ósteons novos e jovens, nos</p><p>quais a mineralização é incompleta. Como a</p><p>remodelação óssea é constante, novos</p><p>ósteons estão sempre se formando, nos</p><p>quais íons cálcio lábeis estão disponíveis</p><p>para esta finalidade. Parece que os ósteons</p><p>mais velhos estão mineralizados de modo</p><p>mais intenso e, por causa disso, seus íons</p><p>cálcio são menos disponíveis.</p><p>Correlação Clínica</p><p>Os enxertos ósseos constituem uma</p><p>estratégia importante quando a reparação se</p><p>torna impossibilitada por perda de</p><p>segmentos ósseos ou lesões muito severas.</p><p>Tal estratégia pode se apresentar em</p><p>algumas modalidades, tais como os</p><p>autoenxertos (enxertos autólogos) que são</p><p>os mais bem-sucedidos porque o receptor do</p><p>transplante também é o seu doador, os</p><p>homoenxertos, os quais envolvem indivíduos</p><p>diferentes da mesma espécie e que são</p><p>passíveis de rejeição por causa da resposta</p><p>imunológica, além dos heteroenxertos, que</p><p>empregam enxertos de espécies diferentes,</p><p>são os menos bem-sucedidos, apesar de ter</p><p>sido demonstrado que ossos de bezerros</p><p>perdem parte de sua antigenicidade depois</p><p>de terem sido refrigerados, tornando-se um</p><p>enxerto ósseo valioso, quando outras</p><p>modalidades, por alguma razão, não são</p><p>possíveis.</p><p>Efeitos Hormonais</p><p>Como acabamos de ver, as concentrações</p><p>séricas de cálcio dependem de uma</p><p>dinâmica que orienta continuamente o seu</p><p>trânsito entre os depósitos formados no</p><p>tecido ósseo e o sangue, de tal modo que aos</p><p>osteoclastos é atribuída a tarefa de</p><p>assegurar a manutenção de um suprimento</p><p>constante de íons cálcio para o corpo.</p><p>As células parenquimatosas da glândula</p><p>paratireoide – células principais – são</p><p>sensíveis aos níveis de cálcio do sangue.</p><p>Assim, quando estes caem abaixo do normal,</p><p>o paratormônio (PTH) é secretado. Esse</p><p>hormônio ativa receptores dos osteoblastos,</p><p>SOI – MÓDULO 3 REBECA TORRES (T4)</p><p>suprimindo a formação de matriz e iniciando</p><p>a produção e secreção do ligante de</p><p>osteoprotegerina (OPGL), do RANKL e do</p><p>fator estimulante de osteoclastos pelos</p><p>osteoblastos. Estes fatores induzem a</p><p>formação de osteoclastos e estimulam</p><p>osteoclastos quiescentes a se tornarem</p><p>ativos, levando à reabsorção óssea e à</p><p>liberação de íons cálcio.</p><p>A contraparte endócrina promotora do</p><p>antagonismo necessário para a</p><p>homeostasia do cálcio é representada pelas</p><p>células parafoliculares (ou células C) da</p><p>glândula tireoide às quais também</p><p>monitoram os níveis de íons cálcio no</p><p>plasma. Quando esses níveis se tornam</p><p>elevados, estas células secretam</p><p>calcitonina, um hormônio polipeptídico que</p><p>ativa receptores nos osteoclastos, inibindo-</p><p>os a reabsorver tecido ósseo.</p><p>Adicionalmente, os osteoblastos são</p><p>estimulados a aumentar a síntese de</p><p>osteoide, e, assim, a deposição de cálcio é</p><p>aumentada.</p><p>Atenção</p><p>A membrana celular dos osteoblastos</p><p>contém receptores para o paratormônio</p><p>(PTH), o qual é secretado pelas paratireoides</p><p>quando os níveis de cálcio no sangue caem.</p><p>Com a ligação desse hormônio, os</p><p>osteoblastos deixam de produzir a matriz</p><p>óssea e sintetizam fatores, como o M-CSF,</p><p>interleucinas (IL-1, IL-6 e IL-11) e o ligante da</p><p>osteoprotegerina (OPGL), que fazem com</p><p>que os precursores dos</p>

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