Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>Fisiologia do treinamento</p><p>intervalado</p><p>Apresentação</p><p>A modernidade e todo o processo de conhecimento científico-tecnológico proporcionam,</p><p>frequentemente, facilidades para a vida humana que interferem na sua relação com as condições de</p><p>saúde e de atividade física, por exemplo. Se, por um lado, os avanços nos propõem rapidez na</p><p>comunicação, facilidades em interagir com pessoas mesmo sem estar com elas, automatização dos</p><p>eletrodomésticos e, até mesmo, atividade laboral em casa (home office), por outro lado, pode ser</p><p>visto um aumento expressivo no sedentarismo e nas condições relacionadas com as doenças</p><p>crônicas, isto é, aquelas que não têm cura, como obesidade, hipertensão, dislipidemia, entre outras.</p><p>Nesse sentido, os profissionais de Educação Física têm papel fundamental para mudar esse</p><p>paradigma, pois representam não somente um dos poucos profissionais da saúde que têm</p><p>ferramentas para ajudar o indivíduo nas mudanças comportamentais necessárias ao combate do</p><p>sedentarismo e das condições relacionadas com as doenças, como também são capazes de</p><p>interferir diretamente nos parâmetros fisiológicos do indivíduo, promovendo essa mudança de fato.</p><p>Outro importante aspecto da vida moderna que tais treinadores conseguem lidar está relacionado</p><p>com o tempo livre/disponível para a prática do exercício físico. A vida cotidiana atual é</p><p>representada por uma corrida contra o relógio em busca da finalização de diversas tarefas que</p><p>aumentam ainda mais algumas condições de saúde, como o diestresse (estresse ruim).</p><p>Assim, ao elaborar uma periodização de treinamento físico, o educador físico deve levar em</p><p>consideração os seguintes aspectos em relação ao seu aluno: quem é esse indivíduo? Como é sua</p><p>saúde? Como são seus comportamentos de saúde diários? Qual é seu tempo disponível?</p><p>Mediante todas as informações coletadas, ocorre a capacidade de examinar quais são suas</p><p>principais necessidades e seus objetivos. A partir de então, há a prescrição e o acompanhamento,</p><p>com maestria, de atividades e exercícios que proporcionam alterações orgânicas que impactarão a</p><p>vida desse indivíduo.</p><p>Por isso, é de suma importância o entendimento profundo sobre a periodização e os diferentes</p><p>sistemas de treinamento, pois isso será o ponto-chave para que todas essas alterações aconteçam</p><p>na vida do praticante.</p><p>Diante disso, destaca-se o treinamento intervalado como uma possibilidade dentro da periodização</p><p>em treinamento físico, além de sua relação especial com o tempo de execução de treinamento e os</p><p>consequentes benefícios da sua prática para a saúde e performance humana.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Descrever os diferentes tipos de treinamento intervalado.•</p><p>Identificar respostas fisiológicas e integração metabólica durante o exercício físico.•</p><p>Avaliar o efeito da fadiga nas respostas respiratórias, neuromusculares e fisiológicas em</p><p>exercícios intervalados.</p><p>•</p><p>Infográfico</p><p>Apesar da alta popularidade que o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (Hiit) tem ganhado</p><p>nos últimos anos, tanto entre os praticantes quanto com os treinadores, ele é um sistema de</p><p>treinamento complexo e exige um controle muito rígido dos parâmetros que o regem e o</p><p>caracterizam.</p><p>Além disso, como o próprio nome diz, trata-se de um treinamento realizado em alta intensidade e,</p><p>portanto, devem ser assegurados os mecanismos de segurança, como o nível e a capacidade</p><p>física/orgânica para a realização desse método de treinamento, e a presença de um treinador</p><p>experiente para garantir, também, a eficácia e a possibilidade de adaptações para o praticante.</p><p>Assim, ao prescrevê-lo, o treinador deve ter em mente as características gerais de cada tipo desse</p><p>treinamento, respeitando suas delimitações.</p><p>Neste Infográfico, confira um resumo sobre a definição de cada tipo de Hiit para facilitar sua</p><p>fixação sobre o assunto.</p><p>Aponte a câmera para o</p><p>código e acesse o link do</p><p>conteúdo ou clique no</p><p>código para acessar.</p><p>Conteúdo do livro</p><p>A periodização de um treinamento físico é uma tarefa complexa, pois consiste em sistematizar,</p><p>controlar e relacionar diversas variavéis do treinamento com características individuais dos</p><p>praticantes, incluindo seus hábitos, seus comportamentos e sua fisiologia.</p><p>Nesse contexto, o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (Hiit) tem se destacado entre os</p><p>diversos métodos de treinamento, pois permite, de maneira muito prática e individualizada, uma</p><p>prescrição ajustada às diversas condições de saúde e necessidades individuais com muita eficiência.</p><p>No capítulo Fisiologia do treinamento intervalado, da obra Fisiologia da performance humana, base</p><p>teórica desta Unidade de Aprendizagem, você verá como estruturar diferentes tipos de Hiit,</p><p>identificando as principais demandas e respostas fisiológicas decorrentes desse treinamento.</p><p>Boa leitura.</p><p>FISIOLOGIA DA</p><p>PERFORMANCE</p><p>HUMANA</p><p>Salma Hernandez</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>> Descrever os diferentes tipos de treinamento intervalado.</p><p>> Identificar as respostas fisiológicas e a integração metabólica durante o</p><p>exercício físico.</p><p>> Avaliar o efeito da fadiga nas respostas respiratórias, neuromusculares e</p><p>fisiológicas em exercícios intervalados.</p><p>Introdução</p><p>Na prescrição de treinamento físico, um dos parâmetros de maior impacto é</p><p>a periodização, que permite relacionar diversas variáveis do treinamento com</p><p>características individuais dos praticantes, incluindo seus hábitos, seus compor-</p><p>tamentos e sua fisiologia. Nos últimos tempos, os treinamentos intervalados de</p><p>alta intensidade (high-intensity interval training — HIIT) vêm ganhando destaque,</p><p>pois permitem uma prescrição ágil e individualizada, que leva em consideração</p><p>condições de saúde e necessidades individuais com muita eficiência.</p><p>Neste capítulo, você identificará diferentes tipos de treinamento interva-</p><p>lado e suas principais características de periodização. Além disso, estudará os</p><p>mecanismos fisiológicos que fundamentam esse tipo de treinamento, incluindo</p><p>o aporte energético muscular e as respostas orgânicas resultantes do estímulo</p><p>durante o treinamento.</p><p>Fisiologia do</p><p>treinamento</p><p>intervalado</p><p>A estruturação do treinamento intervalado</p><p>Ao elaborar um treinamento físico, diversas variáveis devem ser consideradas</p><p>e manipuladas a fim de promover aprimoramento desportivo, saúde ou lazer.</p><p>Há basicamente duas correntes teóricas que fundamentam os métodos de</p><p>periodização: os métodos contínuos e os métodos fracionados de treinamento.</p><p>Como o próprio nome já indica, os métodos contínuos se caracterizam por</p><p>estímulos continuados, com predominância de volume sobre intensidade e</p><p>com respostas fisiológicas relacionadas preponderantemente com a resis-</p><p>tência aeróbica, geralmente prescritos abaixo do limiar anaeróbico (DANTAS,</p><p>1985; PLATONOV, 2008).</p><p>Já os métodos fracionados são caracterizados pela utilização de estímulos</p><p>intercalados por períodos de recuperação ou descanso com intensidade e</p><p>duração controlados. Tais métodos podem ser intervalados ou repetitivos.</p><p>Os métodos intervalados têm como principal característica intervalos incom-</p><p>pletos de recuperação, repercutindo em maior intensidade, enquanto os trei-</p><p>namentos repetitivos são realizados em intensidade máxima ou submáxima,</p><p>exigindo uma recuperação quase completa antes do estímulo subsequente.</p><p>Tanto no treinamento intervalado quanto no repetitivo, poderá ser adotada</p><p>uma recuperação ativa ou passiva (DANTAS, 1985; PLATONOV, 2008).</p><p>Ainda na perspectiva da metodologia fracionada de treinamento, destaca-</p><p>-se sua realização em alta intensidade. O HIIT não é novo, pois suas primeiras</p><p>proposições permeiam os anos 1920. No entanto, nunca esteve tão em alta,</p><p>seja no meio teórico científico, seja entre os praticantes, atletas ou não. A</p><p>modalidade tem ganhado notoriedade, visto sua relação concorrente com</p><p>as respostas fisiológicas até então muito preconizadas apenas em treina-</p><p>mento do tipo contínuo. Assim, quando bem prescrito e realizado, o HIIT</p><p>tem</p><p>demonstrado efeitos muito similares aos treinamentos contínuos nos</p><p>quesitos cardiorrespiratórios e também nos quesitos neuromusculares, com</p><p>uma grande vantagem: em menor tempo de execução (BUCHHEIT; LAURSEN,</p><p>2013a; DANTAS, 1985; PLATONOV, 2008).</p><p>Diante disso, vamos analisar como estruturar diferentes tipos de treina-</p><p>mento intervalado de alta intensidade considerando:</p><p>� HIIT com intervalos longos (HIIT longo);</p><p>� HIIT com intervalos curtos (HIIT curto);</p><p>� treinamento de sprints repetidos (TSR);</p><p>� treinamentos de sprints intervalados (TSI).</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado2</p><p>Por se tratarem de métodos fracionados de treinamento, todas essas</p><p>possibilidades terão como estrutura básica o controle bem definido e in-</p><p>tercalado entre intervalo/tempo de estímulos e intervalo de recuperação.</p><p>Geralmente, são tidos em modalidades esportivas cíclicas como corrida,</p><p>ciclismo, remo e natação, mas também podem ser aplicados em exercícios</p><p>comumente realizados em academias, como subir escadas, pular corda,</p><p>corda naval, esqui, elíptico, etc. Assim, enquanto o HIIT longo se caracteriza</p><p>pela aplicação de intervalos de estímulos submáximos com duração de 2</p><p>a 4 minutos, o HIIT curto se caracteriza por estímulos submáximos curtos</p><p>geralmente inferiores a 45 segundos, podendo variar entre 10 segundos a 1</p><p>minuto (BUCHHEIT; LAURSEN, 2013a).</p><p>Não há uma determinação fixa ou obrigatória relacionada com o</p><p>intervalo de estímulo e descanso. O objetivo é atingir uma alta in-</p><p>tensidade de esforço físico/orgânico seguida de um intervalo de recuperação</p><p>desse esforço e processo de restauração da homeostase orgânica. Uma aplicação</p><p>do HIIT pode se dar, por exemplo, pelo protocolo de Gibala (LITTLE et al., 2010,</p><p>GIBALA et al., 2012; GIBALA; MCGEE, 2008). Esse HIIT consiste em realizar entre</p><p>8 e 12 ciclos de esforço máximo durante 60 segundos, com intervalos de 75</p><p>segundos de recuperação. Trata-se, portanto, de um HIIT curto.</p><p>Já o protocolo de Wisløff (WISLØFF et al., 2007) consiste em realizar 4 séries</p><p>com 4 minutos de estímulo, em intensidade de 90 a 95% da frequência cardíaca</p><p>máxima, e 3 minutos de intervalo para recuperação, caracterizado como um</p><p>HIIT longo.</p><p>O TSR representa uma forma de aplicação do HIIT caracterizada pela reali-</p><p>zação de sprints máximos de duração média entre 3 e 7 segundos, seguidos de</p><p>um intervalo de recuperação inferior a 60 segundos. Já o TSI é caracterizado</p><p>pela realização de sprints máximos de duração média de 20 a 30 segundos,</p><p>intercalados com um período de recuperação entre 2 e 4 minutos, realizados</p><p>geralmente de forma passiva (BISHOP; GIRARD; MENDEZ-VILLANUEVA, 2011;</p><p>IAIA; BANGSBO, 2010). Nesse sentido, cabe destacar que, proporcionalmente,</p><p>quanto maior for o intervalo de recuperação, maior será a possibilidade de</p><p>aplicação, em termos de intensidade, do estímulo subsequente. Essas carac-</p><p>terísticas serão fundamentais para as demandas metabólicas e respostas</p><p>fisiológicas provenientes desse treinamento, como veremos no próximo</p><p>tópico (BUCHHEIT; LAURSEN, 2013b).</p><p>Tradicionalmente, as periodizações que envolvem o HIIT com sprints têm</p><p>sido prescritas para corredores. Nesse tipo de prescrição, os treinadores</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado 3</p><p>utilizam a velocidade da corrida parametrizada em distâncias que podem</p><p>variar de 800 m à 5.000 m, mas sem aplicar parâmetros fisiológicos como</p><p>velocidades relacionadas ao VO2max ou limiares ventilatório e de lactato.</p><p>Esse tipo de emprego do HIIT limita sua aplicação no que tange os efeitos</p><p>fisiológicos agudos e crônicos do treinamento, além de restringi-lo a uma</p><p>parcela de treinadores e praticantes muito experiente (BILLAT, 2001). Assim,</p><p>destaca-se a necessidade de avançar para o racional fisiológico nos diferentes</p><p>tipos de HIIT, a fim de aplicá-lo de forma mais eficiente e consciente possível,</p><p>sobretudo no que diz respeito a atletas cujo o rigor de acompanhamento das</p><p>respostas orgânicas deve ser minucioso.</p><p>A aplicação do HIIT com sprints pode levar em consideração a pro-</p><p>porcionalidade entre intervalo de estímulo e a velocidade de corrida</p><p>pela distância determinada. Dessa maneira, enquanto estímulos curtos (10 a</p><p>60 segundos) se referem, proporcionalmente, ao tempo de manutenção da</p><p>velocidade em uma distância entre 100 a 400m, os sprints mais longos (2–4 a</p><p>6–8 minutos) são prescritos para aqueles indivíduos que mantêm a velocidade</p><p>em distâncias que ficam acima dos 800 a 3.000 m.</p><p>Agora que determinamos as características gerais dos quatro tipos</p><p>de HIIT, vamos avançar para os parâmetros de suas aplicações. Para</p><p>isso, ao definir o tipo de HIIT, considerando o tempo de estímulo e de</p><p>intervalo, é preciso aproximar ao máximo a estruturação do treinamento</p><p>HIIT da performance esperada pelo indivíduo segundo o princípio da</p><p>especificidade do treinamento. Um praticante de corridas, por exemplo,</p><p>deve aplicar o HIIT preferencialmente por meio da própria da corrida,</p><p>ao passo que um nadador deve aplicar essa estruturação de estímulo</p><p>e intervalo de recuperação à natação, preferencialmente ao estilo de</p><p>nado que pratica. Por outro lado, aqueles que buscam uma prática do</p><p>condicionamento f ísico e/ou saúde podem obter uma variação grande de</p><p>estímulos, tornando a prática agradável e estimulante — outra grande</p><p>vantagem desse tipo de treinamento. Dessa maneira, destaca-se que</p><p>a escolha da modalidade de execução também é uma variável a ser</p><p>manipulada dentro da elaboração do HIIT (BUCHHEIT; LAURSEN, 2013a;</p><p>DANTAS, 1985; PLATONOV, 2008).</p><p>Em seguida, a intensidade do estímulo e a intensidade do intervalo de</p><p>recuperação também devem estar voltadas para a finalidade da performance</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado4</p><p>(modalidade). Um corredor de provas curtas ou de meio fundo colherá mais</p><p>frutos de um treinamento HIIT que proporcione as mesmas demandas meta-</p><p>bólicas e respostas fisiológicas tanto imediatas quanto tardias relacionadas</p><p>à performance de sua prova, isto é, estímulos mais curtos para corredores</p><p>de provas curtas e estímulos mais longos para corredores de provas de</p><p>fundo. De modo similar, o intervalo aplicado deve proporcionar a realização</p><p>desses estímulos promovendo recuperação da demanda energética local</p><p>para realização do próximo estímulo (LAURSEN, 2012).</p><p>Levando em consideração as requisições metabólicas exigidas para a</p><p>realização do esforço, a intensidade poderá ser mensurada de diferentes</p><p>maneiras, quer diretas ou indiretas. As medidas diretas são comumente</p><p>aplicadas aos atletas, pois dependem de estruturas e de equipamentos</p><p>específicos, nem sempre acessíveis aos não atletas. Por outro lado, as</p><p>medidas indiretas, além de serem mais acessíveis, também apresentam</p><p>parâmetros mais simples de controle, facilitando sua interpretação tanto</p><p>para os treinadores quanto para os praticantes. Ao se utilizar, por exem-</p><p>plo, uma escala de percepção subjetiva de esforço, além do indicador/</p><p>escala analógico (entre 0 a 10), o treinador deve se atentar aos parâmetros</p><p>fisiológicos mais comuns de esforço físico, como aumento da frequência</p><p>respiratória, suor e rubor. Ao mesmo tempo, para os praticantes também</p><p>fica mais visível identificar em uma escala de 0 a 10 a sua própria percepção</p><p>de esforço do que parâmetros fisiológicos muito específicos, nem sempre</p><p>de conhecimento do indivíduo.</p><p>De maneira geral, o HIIT tem sido prescrito em valores relativos ao VO2max</p><p>(capacidade máxima de consumo do oxigênio durante o exercício), velocidade</p><p>pico (identificada em um teste intermitente), limiar do lactato (acúmulo de</p><p>lactato sanguíneo) e frequência cardíaca, mas também mediante escalas de</p><p>percepção subjetiva de esforço, velocidade de corrida, rotações por minuto</p><p>(cicloergômetros) e até mesmo pace na corrida ao ar livre (BUCHHEIT; LAURSEN,</p><p>2013a; DANTAS, 1985; PLATONOV, 2008). Frequentemente, os esforços relativos</p><p>a 90% do VO2max devem ser considerados para esse tipo de protocolo, bem</p><p>como aqueles tidos acima dos 85% da frequência cardíaca ou até mesmo</p><p>aqueles que pontuarem 7 ou mais em uma</p><p>escala subjetiva de percepção de</p><p>esforço de 0 a 10 pontos.</p><p>Um exemplo é a escala de percepção de esforço de Borg adaptada, uma</p><p>ferramenta de monitoração da intensidade de esforço físico relacionada</p><p>às variáveis fisiológicas. Sua pontuação pode variar entre 0 e 10 pontos,</p><p>indicando: 0 — repouso; 1 a 3 — muito leve; 4 a 5 — leve; 6 a 7 — moderado;</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado 5</p><p>8 a 9 — intenso; e 10 — exaustivo (BORG, 2000). A intensidade do intervalo</p><p>de recuperação é igualmente monitorada e determinada em uma faixa de</p><p>frequência cardíaca, por exemplo. Além disso, pode ser observado de forma</p><p>passiva ou ativa, interferindo na modulação de intensidade de recuperação</p><p>(BUCHHEIT; LAURSEN, 2013a; DANTAS, 1985; PLATONOV, 2008).</p><p>Outros parâmetros como o tempo (duração), tanto de esforço quanto</p><p>de recuperação, também determinarão a intensidade, tendo em vista sua</p><p>relação com o ciclo da demanda energética muscular e sua restauração.</p><p>Assim, de maneira mais abrangente, os esforços com duração mais longa</p><p>proporcionarão melhores parâmetros cardiovasculares como VO2max e</p><p>potência aeróbica.</p><p>Outros fatores importantes são o número total de repetições, a quan-</p><p>tidade de séries, o intervalo de recuperação entre as séries e sessões de</p><p>treinamento, em concordância com outras variáveis, como o período de</p><p>treinamento ou temporada, capacidade individual e coletiva de seus pra-</p><p>ticantes, condições locais e climáticas, entre outras que possam interferir</p><p>na implementação e progressão desse treinamento. Geralmente, o volume</p><p>total da sessão delimita o número de séries e repetições. Em geral, um</p><p>volume alto terá aproximadamente 16 minutos de trabalho (contabiliza-se</p><p>o tempo de estímulo), enquanto um volume baixo terá aproximadamente 4</p><p>minutos de trabalho. A periodização total ainda pode variar até 12 semanas</p><p>(periodização a curto prazo) ou acima de 12 semanas (periodização a longo</p><p>prazo) (BATACAN JR et al., 2017).</p><p>Não existem fórmulas prontas para a estruturação do HIIT. O que</p><p>existem são parâmetros gerais que devem ser respeitados a fim</p><p>de manter a estrutura de cada um dos tipos de HIIT, sendo que o HIIT curto e</p><p>o HIIT longo permitem uma variedade de movimentos/exercícios, enquanto</p><p>o TSR e o TSI costumam ser constituídos de tiros de corrida. Além disso, é</p><p>preciso diferenciá-los quanto ao intervalo de estímulo e recuperação e quanto</p><p>à intensidade.</p><p>Nesse âmbito, uma boa dica de consulta é o modelo Thibault (2003), uma</p><p>ferramenta empírica que os profissionais podem usar como referência para</p><p>programar sessões HIIT. Esse modelo descreve o número apropriado de repe-</p><p>tições e séries que alcançam classificações semelhantes de esforço subjetivo</p><p>percebido.</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado6</p><p>Respostas metabólicas e fisiológicas ao HIIT</p><p>Agora que analisamos a estrutura do HIIT e suas aplicações, vamos avan-</p><p>çar para as respostas metabólicas e fisiológicas que esse método de</p><p>treinamento promove em nosso organismo, segundo a caracterização de</p><p>cada tipo de HIIT.</p><p>Para tanto, vamos recapitular rapidamente os mecanismos de produção</p><p>de energia muscular. Existem três fontes para a produção da energia mus-</p><p>cular (adenosina trifosfato — ATP) utilizada em esforço: uma fonte imediata</p><p>via sistemas de fosfagênios (ATP-CP), uma intermediária por meio da vias</p><p>glicolíticas (degradação do glicogênio) e uma tardia por meio da fosforilação</p><p>oxidativa (degradação dos ácidos graxos), sendo as duas primeiras formas</p><p>classificadas como anaeróbicas e a terceira como aeróbica. As vias anaeró-</p><p>bicas ainda poderão ocorrer mediante a produção do substrato lactato (via</p><p>anaeróbica lática) ou não (via anaeróbica alática) (DANTAS, 1985; PLATONOV,</p><p>2008; FLECK; KRAEMER, 2017).</p><p>Do ponto de vista metabólico, os métodos intervalados podem ser classi-</p><p>ficados como mistos, pois utilizam vias aeróbicas e anaeróbicas. Tais métodos</p><p>impõem ao praticante uma intensidade muito maior do que aquela observada</p><p>no treinamento de natureza contínua, potencializando as adaptações fisio-</p><p>lógicas dos sistemas orgânicos relacionados ao VO2max. Consequentemente,</p><p>favorece a recuperação incompleta das vias anaeróbicas, proporcionando</p><p>também adaptações nesses sistemas de geração de energia/movimento</p><p>e conformidades de resistência local (muscular) (DANTAS, 1985; PLATONOV,</p><p>2008; FLECK; KRAEMER, 2017).</p><p>Nesse sentido, a via anaeróbica glicolítica de energia é uma variável</p><p>dependente relacionada ao tipo de HIIT, estando o TSR e o TSI associados</p><p>a uma taxa elevada do acúmulo de lactato sanguíneo. Enquanto os sprints</p><p>repetitivos com duração maior que 4 segundos e descanso entre 20 e 60</p><p>segundos levam a um grande acúmulo de lactato, os sprints intervalados</p><p>requerem um intervalo maior, geralmente acima de 4 minutos, e maximizam</p><p>a contribuição anaeróbica glicolítica de obtenção de energia muscular. De</p><p>maneira geral, os intervalos maiores permitem maior recuperação e menor</p><p>acúmulo de lactato sanguíneo. Quanto ao tipo de HIIT selecionado para</p><p>uma periodização, cabe ainda destacar que a via anaeróbica glicolítica</p><p>também estará ativada em protocolos de HIIT baseados em modalidades</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado 7</p><p>esportivas, que poderão ser manipulados por mudança de regras e/ou</p><p>número de jogadores e redução da dimensão da quadra, por exemplo</p><p>(BUCHHEIT et al., 2010; BUCHHEIT; LAURSEN, 2013a).</p><p>Indubitavelmente, uma das principais características do treinamento in-</p><p>tervalado está na sua capacidade de gerar respostas relacionadas ao sistema</p><p>cardiorrespiratório, traduzidas pela maximização do consumo e tempo de</p><p>consumo em VO2max ou próximo a ele durante uma sessão de treinamento</p><p>em comparação aos métodos contínuos de treinamento, embora essas res-</p><p>postas possam ser bastantes variáveis, sobretudo pelo condicionamento</p><p>físico individual/experiência.</p><p>Essas respostas cardiorrespiratórias poderão ser atingidas próximo</p><p>aos valores relativos a 90% do VO2max, isto é, em níveis submáximos e</p><p>máximos, mas provavelmente não logo no primeiro intervalo de estímulo/</p><p>descanso, e sim durante a sequência de intervalos da sessão (ÅSTRAND</p><p>et al., 1960). Assim, tanto a intensidade quanto a duração do intervalo de</p><p>estímulo devem propiciar esse aumento e manutenção do consumo de O2,</p><p>enquanto os intervalos de recuperação devem ser considerados à luz de</p><p>maximizar a capacidade de trabalho nos estímulos subsequentes, propi-</p><p>ciando a recuperação metabólica muscular como ressíntese de creatina</p><p>fosfato (CP), oxidação do lactato muscular, entre outras reações para o</p><p>restabelecimento homeostático local.</p><p>Dentre as respostas fisiológicas obtidas por cada um dos diferentes</p><p>HIITs, destaca-se que os HIIT longos e curtos parecem favorecer melhor</p><p>essa relação do tempo em consumo do VO2max, em comparação ao TSR</p><p>e ao TSI, embora mais investigações devam ser consideradas. Isso se</p><p>deve principalmente à preponderância do quesito condicionamento</p><p>individual e execução do TSR e do TSI, evidenciando uma relação in-</p><p>versa entre condicionamento e alcance dos parâmetros relacionados</p><p>ao VO2max. Assim, quanto mais condicionado for o indivíduo, menos</p><p>ele atingirá o pico de consumo de O2 rapidamente mediante sprints</p><p>(BUCHHEIT; LAURSEN, 2013a).</p><p>O Quadro 1 resume as recomendações para uma prescrição do treinamento</p><p>intervalado com foco na otimização do consumo de O2.</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado8</p><p>Ti</p><p>po</p><p>/f</p><p>or</p><p>m</p><p>at</p><p>o</p><p>Du</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o</p><p>do</p><p>es</p><p>tím</p><p>ul</p><p>o</p><p>In</p><p>te</p><p>ns</p><p>id</p><p>ad</p><p>e</p><p>do</p><p>e</p><p>st</p><p>ím</p><p>ul</p><p>o</p><p>Du</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o</p><p>do</p><p>de</p><p>sc</p><p>an</p><p>so</p><p>In</p><p>te</p><p>ns</p><p>id</p><p>ad</p><p>e</p><p>do</p><p>d</p><p>es</p><p>ca</p><p>ns</p><p>o</p><p>Re</p><p>pe</p><p>ti</p><p>çõ</p><p>es</p><p>e</p><p>sé</p><p>ri</p><p>es</p><p>Re</p><p>cu</p><p>pe</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o</p><p>en</p><p>tr</p><p>e</p><p>sé</p><p>ri</p><p>es</p><p>In</p><p>te</p><p>ns</p><p>id</p><p>ad</p><p>e</p><p>T@</p><p>V</p><p>O 2m</p><p>ax</p><p>es</p><p>pe</p><p>ra</p><p>do</p><p>HI</p><p>IT</p><p>lo</p><p>ng</p><p>o</p><p>></p><p>2–</p><p>3</p><p>m</p><p>in</p><p>≥</p><p>95</p><p>%</p><p>v</p><p>VO</p><p>2m</p><p>ax</p><p>≤</p><p>2</p><p>m</p><p>in</p><p>Pa</p><p>ss</p><p>iv</p><p>o</p><p>6–</p><p>10</p><p>×</p><p>2</p><p>m</p><p>in</p><p>–</p><p>–</p><p>></p><p>10</p><p>m</p><p>in</p><p>HI</p><p>IT</p><p>c</p><p>ur</p><p>to</p><p>≥</p><p>15</p><p>s</p><p>10</p><p>0–</p><p>12</p><p>0%</p><p>vV</p><p>O 2m</p><p>ax</p><p>(8</p><p>5–</p><p>10</p><p>5%</p><p>V</p><p>IF</p><p>T)</p><p>≥</p><p>4–</p><p>5</p><p>m</p><p>in</p><p>≤</p><p>60</p><p>–7</p><p>0%</p><p>vV</p><p>O 2m</p><p>ax</p><p>5–</p><p>8</p><p>×</p><p>3</p><p>m</p><p>in</p><p>;</p><p>4–</p><p>6</p><p>×</p><p>4</p><p>m</p><p>in</p><p>></p><p>10</p><p>m</p><p>in</p><p>m</p><p>in</p><p>≥</p><p>4–</p><p>5</p><p>m</p><p>in</p><p>≤</p><p>60</p><p>–7</p><p>0</p><p>%</p><p>vV</p><p>O</p><p>2m</p><p>ax</p><p>≥1</p><p>5s</p><p>≤6</p><p>0-</p><p>70</p><p>%</p><p>v</p><p>VO</p><p>2m</p><p>ax</p><p>(4</p><p>5-</p><p>55</p><p>%</p><p>V</p><p>IF</p><p>T)</p><p>TS</p><p>R</p><p>></p><p>4</p><p>s</p><p>(></p><p>3</p><p>0</p><p>m</p><p>ou</p><p>2</p><p>×</p><p>1</p><p>5m</p><p>)</p><p>M</p><p>áx</p><p>im</p><p>o</p><p>6</p><p>sp</p><p>ri</p><p>nt</p><p>s)</p><p>≥</p><p>6</p><p>m</p><p>in</p><p>≤</p><p>60</p><p>-7</p><p>0%</p><p>vV</p><p>O</p><p>2m</p><p>ax</p><p>0–</p><p>3</p><p>m</p><p>in</p><p>TS</p><p>I</p><p>></p><p>20</p><p>s</p><p>M</p><p>áx</p><p>im</p><p>o</p><p>≥</p><p>2</p><p>m</p><p>in</p><p>Pa</p><p>ss</p><p>iv</p><p>o</p><p>6–</p><p>10</p><p>–</p><p>0–</p><p>1</p><p>m</p><p>in</p><p>Tr</p><p>ei</p><p>na</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>b</p><p>as</p><p>ea</p><p>do</p><p>em</p><p>m</p><p>od</p><p>al</p><p>id</p><p>ad</p><p>e</p><p>de</p><p>sp</p><p>or</p><p>tiv</p><p>a</p><p>co</p><p>le</p><p>tiv</p><p>a</p><p>></p><p>2–</p><p>3m</p><p>in</p><p>PS</p><p>E</p><p>></p><p>7</p><p>≤</p><p>2</p><p>m</p><p>in</p><p>Pa</p><p>ss</p><p>iv</p><p>o</p><p>6–</p><p>10</p><p>×</p><p>2</p><p>m</p><p>in</p><p>5–</p><p>8</p><p>×</p><p>3</p><p>m</p><p>in</p><p>4–</p><p>6</p><p>×</p><p>4</p><p>m</p><p>in</p><p>–</p><p>></p><p>8</p><p>m</p><p>in</p><p>Le</p><p>ge</p><p>nd</p><p>a:</p><p>T@</p><p>VO</p><p>2m</p><p>ax</p><p>—</p><p>te</p><p>m</p><p>po</p><p>e</p><p>m</p><p>o</p><p>u</p><p>pe</p><p>rt</p><p>o</p><p>do</p><p>V</p><p>O</p><p>2m</p><p>ax</p><p>;</p><p>vV</p><p>O</p><p>2m</p><p>ax</p><p>—</p><p>m</p><p>en</p><p>or</p><p>v</p><p>el</p><p>oc</p><p>id</p><p>ad</p><p>e</p><p>re</p><p>la</p><p>ci</p><p>on</p><p>ad</p><p>a</p><p>ao</p><p>c</p><p>on</p><p>su</p><p>m</p><p>o</p><p>m</p><p>áx</p><p>im</p><p>o</p><p>de</p><p>o</p><p>xi</p><p>gê</p><p>ni</p><p>o;</p><p>VI</p><p>FT</p><p>—</p><p>v</p><p>el</p><p>oc</p><p>id</p><p>ad</p><p>e</p><p>de</p><p>p</p><p>ic</p><p>o</p><p>al</p><p>ca</p><p>nç</p><p>ad</p><p>a</p><p>no</p><p>te</p><p>st</p><p>e</p><p>de</p><p>a</p><p>pt</p><p>id</p><p>ão</p><p>in</p><p>te</p><p>rm</p><p>it</p><p>en</p><p>te</p><p>3</p><p>0–</p><p>15</p><p>;</p><p>PS</p><p>E</p><p>—</p><p>e</p><p>sc</p><p>al</p><p>a</p><p>de</p><p>p</p><p>er</p><p>ce</p><p>pç</p><p>ão</p><p>d</p><p>e</p><p>es</p><p>fo</p><p>rç</p><p>o</p><p>su</p><p>bj</p><p>et</p><p>iv</p><p>o.</p><p>Qu</p><p>ad</p><p>ro</p><p>1.</p><p>R</p><p>ec</p><p>om</p><p>en</p><p>da</p><p>çõ</p><p>es</p><p>p</p><p>ar</p><p>a</p><p>pr</p><p>ot</p><p>oc</p><p>ol</p><p>os</p><p>d</p><p>e</p><p>HI</p><p>IT</p><p>co</p><p>m</p><p>b</p><p>as</p><p>e</p><p>em</p><p>co</p><p>rr</p><p>id</p><p>a</p><p>pa</p><p>ra</p><p>o</p><p>tim</p><p>iz</p><p>ar</p><p>o</p><p>te</p><p>m</p><p>po</p><p>d</p><p>e</p><p>co</p><p>ns</p><p>um</p><p>o</p><p>m</p><p>áx</p><p>im</p><p>o</p><p>de</p><p>o</p><p>xi</p><p>gê</p><p>ni</p><p>o</p><p>Fo</p><p>nt</p><p>e:</p><p>A</p><p>da</p><p>pt</p><p>ad</p><p>o</p><p>de</p><p>B</p><p>uc</p><p>hh</p><p>ei</p><p>t e</p><p>L</p><p>au</p><p>rs</p><p>en</p><p>(2</p><p>01</p><p>3b</p><p>).</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado 9</p><p>Após as intensas demandas metabólicas provenientes da prática do HIIT,</p><p>o organismo buscará novamente a homeostase reequilibrando hormônios,</p><p>reabastecendo os estoques musculares energéticos e reparando de células</p><p>e tecidos musculares danificados. Cabe destacar que as fontes de energia</p><p>anaeróbica são reestabelecidas pelo sistema de energia aeróbico. A elevada</p><p>frequência respiratória ao final do HIIT proporciona um consumo de O2 acima</p><p>dos valores de repouso, fenômeno denominado consumo excessivo de oxi-</p><p>gênio pós-exercício (EPOC). O oxigênio captado acima dos valores normais</p><p>de consumo em repouso é usado na produção aeróbica de ATP a mais em</p><p>relação ao necessário em repouso (FLECK; KRAEMER, 2017)</p><p>Em qual situação o EPOC é maior: exercícios contínuos moderados</p><p>ou intensos intervalados? Um estudo conduzido por Ahlert et al.</p><p>(2019) comparou o EPOC e o gasto energético na recuperação entre o exercício</p><p>aeróbico intervalado de alta intensidade e o aeróbico contínuo em corredores</p><p>amadores adultos. Os autores propuseram um protocolo de exercício aeróbico</p><p>contínuo de 20 minutos de corrida com intensidade de 70–75% da frequência</p><p>cardíaca máxima e outro protocolo de HIIT composto por dois ciclos de 8 sprints</p><p>de corrida na maior velocidade possível, com duração de 20 segundos por 10</p><p>segundos de descanso, e três minutos de intervalo entre os ciclos. Todos os</p><p>participantes (10 corredores) realizaram os dois protocolos com no mínimo 48</p><p>horas e no máximo uma semana de intervalo. Após o cumprimento dos protocolos</p><p>de intervenção, o EPOC foi aferido por meio da ergoespirometria, analisando-se</p><p>o consumo médio entre 25 e 30 minutos após o exercício.</p><p>Os autores encontraram um consumo de oxigênio de 0,57 ± 0,29 L/(kg.min) e</p><p>um gasto energético de 2,84 ± 1,44 kcal/min para o exercício aeróbico contínuo,</p><p>enquanto para o HIIT, 0,61 ± 0,62 L/(kg.min) e 3,06 ± 1,10 kcal/min, respectiva-</p><p>mente, mas a diferença não foi estatisticamente significativa. Assim, ou autores</p><p>concluíram que não há uma diferença significativa entre esses dois protocolos</p><p>em termos de EPOC e gasto energético. No entanto, destacaram que a realização</p><p>do HIIT aumentou o metabolismo dos lipídeos para a recuperação do exercício,</p><p>podendo favorecer o processo de emagrecimento, além de constituir um pro-</p><p>tocolo de exercícios de rápida execução.</p><p>A quantificação da carga neuromuscular no HIIT também constitui uma</p><p>importante variável a ser manipulada, pois se relaciona com o desempenho</p><p>entre os estímulos e consequentemente com o tempo máximo em VO2max ou</p><p>perto dele. Além disso, a carga neuromuscular também modula as adaptações</p><p>a longo prazo, estando relacionada com as sessões de treinos subsequentes</p><p>e possibilidades/riscos de lesões (BUCHHEIT; LAURSEN, 2013b).</p><p>As evidências teóricas ainda não estão sólidas quanto à contribuição dos</p><p>diferentes formatos de HIIT para carga neuromuscular e musculoesquelética,</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado10</p><p>especialmente nos aspectos crônicos, incluindo a hipertrofia. No entanto,</p><p>há relação entre a intensidade de um protocolo de HIIT e o desempenho</p><p>neuromuscular agudo. Intensidades próximas a 85% do vVO2max requerem</p><p>recrutamento das fibras de contração rápida e implicam em potenciação pós-</p><p>-ativação, o que possivelmente repercute em adaptações a longo prazo, como</p><p>maior resistência à fadiga em execuções de alta velocidade de movimento.</p><p>Por outro lado, protocolos de intensidade supramáxima e máxima (isto é,</p><p>igual ou acima de 120% do vVO2max) podem ser associados a deficiências</p><p>agudas no desempenho muscular, implicando em maior chance de lesão e/</p><p>ou queda na performance (BUCHHEIT; LAURSEN, 2013b).</p><p>O desenvolvimento da potência neuromuscular depende da relação</p><p>entre o trabalho realizado pelas fibras musculares e a velocidade com</p><p>que essas fibras conseguem contrair (tempo sob tensão). Como nossa fisiologia</p><p>muscular é composta por fibras musculares de três tipos distintos — as oxidativas</p><p>lentas (tipo I), as oxidativas rápidas (tipo IIa) e as oxidativas glicolíticas (tipo</p><p>IIx) —, haverá relação dessas com os diferentes tipos de HIIT. Assim, as fibras de</p><p>contração lenta estão relacionadas com HIITs longos e as fibras de contração</p><p>rápida e glicolíticas com os HIITs curtos e de sprints, embora comparações</p><p>específicas entre os tipos de HIIT ainda não tenham sido estabelecidas.</p><p>Enquanto a maioria das fibras musculares podem ser recrutadas em interva-</p><p>los longos (considerando um limite mínimo de recrutamento por volta de 75–85%</p><p>do vVO2max para ambos tipos de fibras musculares, I e II), a taxa de disparo e</p><p>o desenvolvimento de força relativa por fibra são provavelmente maiores em</p><p>intervalos curtos. Além disso, os intervalos curtos exigem acelerações, desa-</p><p>celerações e reacelerações, aumentando tanto a demanda metabólica quanto</p><p>a força muscular durante as diferentes fases de aceleração. Assim, a escolha</p><p>de uma sessão de HIIT adequada para um dado ciclo de treinamento não é uma</p><p>tarefa simples e deve levar em consideração ao menos dois aspectos principais:</p><p>as respostas agudas, tanto metabólicas quanto neuromusculares, visando as</p><p>adaptações tardias, e o tempo necessário para recuperação pós-sessão.</p><p>Assim, a contribuição metabólica e neuromuscular deve ser considerada</p><p>na periodização do HIIT tendo em vista sua relação com a conformidade</p><p>local/muscular energética e performance. Desse modo, o volume total do</p><p>treinamento e/ou sessão se relacionará com o potencial neuromuscular e</p><p>com suas consequências, como dor e risco de lesão. Sendo assim, estratégias</p><p>de diminuição do impacto articular e muscular são convenientes, como a</p><p>preferência por superfícies macias (grama, quadra sintética, etc.).</p><p>No Quadro 2, estão evidenciadas as principais recomendações para uma</p><p>prescrição de HIIT com ênfase na performance aguda neuromuscular.</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado 11</p><p>Quadro 2. Recomendações para protocolos de HIIT com base em corrida</p><p>com referência na performance neuromuscular aguda</p><p>Tipo/</p><p>formato</p><p>Duração do</p><p>estímulo</p><p>Intensidade</p><p>do estímulo</p><p>Duração do</p><p>descanso</p><p>Intensidade</p><p>do descanso</p><p>Performance</p><p>muscular</p><p>aguda</p><p>HIIT longo > 2–3 min ≥ 95%vVO2max 2 min Passivo Melhora ++</p><p>Piora ++</p><p>> 2–3 min ≥ 95% vVO2max 4–5min 60–70% vVO2max</p><p>(45–55% VIFT)</p><p>Melhora +</p><p>Piora +</p><p>> 2–3 min ≥ 85% vVO2max 2 min Passivo Melhora +</p><p>Piora +</p><p>HIIT curto 15 s 90% VIFT)</p><p>≤ 20 s Passivo Melhora +</p><p>Piora ++</p><p>≤ 20 s 90% VIFT)</p><p>≤ 20 s Passivo Melhora</p><p>+</p><p>Piora ++</p><p>≤ 20 s 90% VIFT)</p><p>≤20s Passivo Melhora –</p><p>Piora +++</p><p>TSR ≤ 5 s Máxima ≤ 25 s Passivo Piora – até ++</p><p>> 3 s Máxima ≤ 30s ≈ 55%</p><p>vVO2max/40%</p><p>VIFT</p><p>Piora + até +++</p><p>≤ 3 s Máxima ≤ 35 s ≈ 55%</p><p>vVO2max/40%VIFT</p><p>Piora ++ até</p><p>++++</p><p>TSI > 20 s Máxima > 2 min Passiva Piora ++ até</p><p>++++</p><p>Treinamento</p><p>baseado em</p><p>modalidade</p><p>desportiva</p><p>coletiva</p><p>2–3min Percepção</p><p>subjetiva</p><p>esforço >7</p><p>≤ 2 min Passivo 55%</p><p>vVO2max (40%</p><p>VIFT)</p><p>Dependente</p><p>das</p><p>requisições/</p><p>habilidades</p><p>da</p><p>modalidade</p><p>Legenda:</p><p>MD — estímulos com mudanças de direção;</p><p>Sinais + e – representam a magnitude da mudança na performance muscular esperada e no risco</p><p>de lesão aguda.</p><p>Fonte: Adaptado de Buchheit e Laursen (2013b).</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado12</p><p>Fadiga e exaustão no treinamento</p><p>intervalado</p><p>Ao confluir todas as requisições metabólicas e fisiológicas que os treinamentos</p><p>do tipo HIIT permitem, fica fácil entender porque esse método tem se popu-</p><p>larizado tanto nos últimos anos. Afinal, constituem uma forma relativamente</p><p>simples e rápida de atingir parâmetros cardiovasculares e neuromusculares</p><p>de forma bastante eficiente. Além disso, são altamente adaptáveis a diversos</p><p>parâmetros de condicionamento de seus praticantes, sendo preconizados junto</p><p>a populações com diversas condições de saúde, como diabetes, hipertensão e</p><p>doenças coronárias (LIU et al., 2019; COSTA et al., 2018; GOMES NETO et al., 2018).</p><p>Um estudo bastante amplo sobre a mitigação de riscos cardiovasculares</p><p>e eventos cardíacos como o infarto acompanhou mais de 4 mil praticantes</p><p>de exercícios e comparou o HIIT com o treinamento aeróbico convencional</p><p>(ROGNMO et al., 2012). Ao longo de 7 anos, esses praticantes foram acompa-</p><p>nhados, gerando resultados sólidos sobre a segurança da aplicabilidade do</p><p>treinamento HIIT nesse contexto. Durante o período do estudo não houve</p><p>ocorrências de morte e pouquíssimos eventos cardiovasculares não graves.</p><p>Os autores concluíram que o treinamento HIIT é seguro se aplicado por pro-</p><p>fissionais capacitados na sua prescrição e monitoramento de acordo com o</p><p>praticante, incluindo aqueles com doenças coronárias.</p><p>Outro estudo (LIU et al., 2019) avaliou os efeitos do HIIT em indivíduos com</p><p>diabetes tipo 2 e encontrou resultados iguais ou superiores ao método tradicional</p><p>(aeróbico contínuo moderado) para os parâmetros de controles glicêmico e car-</p><p>diorrespiratório. Além disso, observou-se melhoria nos índices de massa corporal,</p><p>ampliando a eficácia desse treinamento também para as populações diabéticas.</p><p>No quesito pressão arterial, esse método de treinamento também tem</p><p>demostrado bons resultados. Após o treinamento HIIT, indivíduos com hiper-</p><p>tensão e em estágio pré-hipertenso demostraram uma redução da pressão</p><p>arterial de repouso, indicando o método como uma abordagem não farma-</p><p>cológica de enfrentamento dessas condições de saúde (COSTA et al., 2018).</p><p>Por outro lado, a alta intensidade de execução combinada com a potência</p><p>muscular exigida para exercícios em velocidade aumenta a chance e/ou risco</p><p>de lesão, sobretudo em indivíduos com baixo nível de experiência em ativi-</p><p>dade física sistematizada. Também destaca-se o volume total de trabalho</p><p>como uma importante variável a ser conduzida, visto que os altos volumes se</p><p>relacionam com maior risco de lesão em atletas, como reportado por Billat et</p><p>al. (1999). Os autores concluíram que, mesmo atletas de endurance treinados</p><p>que realizaram três sessões de HIIT por semana durante quatro semanas,</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado 13</p><p>mostraram sinais precoces de overtraining, com aumento da percepção</p><p>subjetiva de fadiga e dor muscular e pior qualidade de sono.</p><p>Nesse sentido, os intervalos de recuperação são fundamentais. Durante o</p><p>desempenho, a recuperação ativa entre os estímulos é muito atraente para atingir</p><p>os parâmetros relacionados ao VO2max e consequente contribuição do metabo-</p><p>lismo aeróbico para o turnover de energia total. Porém, a compreensão atual é</p><p>de que a recuperação ativa pode diminuir a oxigenação muscular, prejudicar a</p><p>ressíntese de CP e gerar consequente prejuízo para o esforço subsequente. No</p><p>contexto do HIIT longo, o intervalo de recuperação tende a ser passivo, sendo</p><p>recomendado um tempo entre 2 e 3 minutos para alívio. Quando selecionada a</p><p>recuperação ativa, sugere-se ao menos intervalos de 3–4 minutos em intensidade</p><p>submáxima (DI PRAMPERO et al., 2005; MOUROT et al., 2004; HAUTALA et al., 2001).</p><p>Além disso, os intervalos entre as sessões também devem ser controlados.</p><p>De maneira geral, preconiza-se um intervalo de 48 horas entre as sessões.</p><p>Essa premissa é apoiada em pesquisas com corredores que não respeitaram</p><p>ao menos dois dias de intervalo entre sessões e apresentaram sobrecarga</p><p>progressiva com possibilidade de overuse (BILLAT et al., 1999).</p><p>Poucos estudos buscaram avaliar e acompanhar especificamente os pa-</p><p>râmetros relacionado à produção de fadiga e exaustão. No entanto, parece</p><p>haver um consenso quanto à relação da fadiga e depleção dos substratos</p><p>energéticos (Figura 1) com o volume, a intensidade, o tipo de exercício e a</p><p>complexidade da tarefa (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2011).</p><p>Figura 1. Depleção da CP versus velocidade de corrida na prova de 100 m. Observe como a</p><p>curva de depleção da CP acompanha a diminuição da velocidade.</p><p>Fonte: Adaptada de Marques Junior (2016).</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado14</p><p>Outra importante relação no processo de instalação da fadiga se dá</p><p>pela depleção dos substratos energéticos por tipo de fibra muscular. Tesch,</p><p>Thorsson e Fujitsuka (1989) realizaram um estudo com 20 voluntários, que</p><p>realizaram 30 repetições unilaterais de extensão de joelho a 180°, a um ritmo</p><p>angular de 3,12 radianos por segundos, com 1,2 segundo de intervalo entre</p><p>cada repetição. A Figura 2 evidencia a variação de CP em diferentes momentos</p><p>para cada tipo de fibra muscular.</p><p>Figura 2. Nível de CP conforme o tipo de fibra muscular. Observe a variação na concentração de</p><p>CP nos diferentes tipos de fibra muscular, em diferentes momento da realização do movimento.</p><p>Fonte: Adaptada de Marques Junior (2015).</p><p>Estudos que rastrearam níveis de força e ajustes neuromusculares durante a</p><p>realização de um HIIT curto evidenciam que esse treinamento tende apresentar</p><p>parâmetros de fadiga periférica, isto é, alterações na excitabilidade muscular e</p><p>acoplamento excitação–contração, repercutindo em perturbação intramuscular</p><p>e acúmulo de concentração de potássio e subprodutos metabólicos (PERREY</p><p>et al., 2010; GIRARD; MENDEZ-VILLANUEVA; BISHOP, 2011). Nas atividades de alta</p><p>intensidade e curta duração, em que há predomínio do metabolismo anaeró-</p><p>bico lático, ocorre acúmulo de íons de hidrogênio (H+) e formação de lactato,</p><p>em decorrência da quebra do glicogênio muscular e de uma série de reações</p><p>químicas no sarcoplasma muscular. Porém, quando a quantidade de H+ excede</p><p>a produção de lactato, a capacidade de tamponamento e a remoção ocasiona</p><p>uma redução no pH intramuscular para menos de 7,4, ocasionando interferência</p><p>na contração muscular e desencadeando a fadiga (BERTUZZI et al., 2009). Essa</p><p>redução do pH infere também no acúmulo de fosfato inorgânico (Pi), o que pre-</p><p>judica a contração muscular e diminui a força (Figura 3) (AMENT; VERKERKE, 2009)</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado 15</p><p>Figura 3. Decréscimo da força e sua relação com o H+ e o Pi. Observe como a manifestação</p><p>da força diminui ao longo das séries em relação inversa com o aumento do Pi e de íons de</p><p>hidrogênio (H+).</p><p>Fonte: Adaptada de Marques Junior (2015).</p><p>Já os HIITs longos tendem a apresentar essencialmente parâmetros rela-</p><p>cionados à fadiga central, além dos parâmetros periféricos (FERNANDEZ DEL</p><p>OLMO et al., 2013). A fadiga central pode ter relação com neurotransmissores</p><p>e mecanismos de feedback na modulação neuromuscular, repercutindo em</p><p>impulsos nervosos e elétricos no músculo, na coordenação motora, na mo-</p><p>tivação e em aumento da temperatura cerebral. De maneira geral, podemos</p><p>entender os mecanismos fisiológicos</p><p>da fadiga pela depleção dos substratos</p><p>energéticos relacionados com a contração muscular e pelo acúmulo de sub-</p><p>produtos das reações decorrentes dessa depleção, mas também por falha</p><p>ou perda da capacidade de traduzir corretamente os impulsos nervosos e</p><p>neuroquímicos na junção neuromuscular. Todos esses eventos estão rela-</p><p>cionados com uma capacidade reduzida de recrutamento das fibras e feixes</p><p>musculares, diminuindo a taxa de contração muscular e consequentemente a</p><p>capacidade de imprimir força e sustentar o movimento (BERTUZZI; FRANCHINI;</p><p>KISS, 2004; SHEI; MICKLEBOROUGH, 2013).</p><p>Enquanto os mecanismos de regulação de recuperação e suas consequên-</p><p>cias para a diminuição do risco de lesão ainda permanecem sob investigação</p><p>científica (incluindo sua relação com variáveis como nível de experiência e</p><p>individualidade biológica), cabe destacar que variáveis como técnica gestual,</p><p>modalidade esportiva, superfície do solo e dados do terreno (como declive</p><p>ou aclive) também influenciam o risco de lesão..</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado16</p><p>O Quadro 3 apresenta dados relacionados com os diferentes tipos de HIIT,</p><p>variáveis intervenientes e análise da magnitude do risco de lesão.</p><p>Quadro 3. Recomendações para protocolos de HIIT com base em corrida</p><p>com referência em risco de lesão</p><p>Tipo/</p><p>formato</p><p>Duração do</p><p>estímulo</p><p>Duração do</p><p>descanso Modalidade Tipo de piso Risco de lesão</p><p>HIIT longo > 2–3 min 2 min Linha reta Grama ou</p><p>esteira</p><p>Traumática –</p><p>Overuse +</p><p>> 2–3 min 4–5 min Linha reta Pista Traumática</p><p>(tendões) ++</p><p>Overuse +++</p><p>>2–3 min 2 min Ladeira Estrada Traumática</p><p>(ladeira abaixo =</p><p>colisões) –</p><p>Overuse ++</p><p>HIIT curto 15 s 3 s ≤ 30 s Linha reta</p><p>>20m</p><p>Específico do</p><p>esporte</p><p>Traumática ++</p><p>≤ 3 s ≤ 35 s Linha reta</p><p>20 s > 2 min Linha reta Específico do</p><p>esporte</p><p>Traumática ++++</p><p>isquiotibiais</p><p>Treinamento</p><p>baseado em</p><p>modalidade</p><p>desportiva</p><p>coletiva</p><p>2–3min ≤ 2 min Específica do</p><p>esporte</p><p>Específico do</p><p>esporte</p><p>Traumática</p><p>(contato, entorse</p><p>de articulações) ++</p><p>Overuse +</p><p>Legenda: sinais + e – representam a magnitude do risco de lesão aguda.</p><p>Fonte: Adaptado de Buchheit e Laursen (2013b).</p><p>Em suma, conclui-se que o método de treinamento intervalado, sobretudo</p><p>quando realizado em alta intensidade, tem boa relação com parâmetros re-</p><p>lacionados com o VO2max e com o desempenho neuromuscular, constituindo</p><p>uma alternativa adaptável e efetiva para mobilização energética pós-exercício.</p><p>Contudo, deve ser prescrito e praticado com bastante consciência, a fim de</p><p>direcionar exatamente os estímulos e intervalos de recuperação para a zona</p><p>de resultados esperados. Caso contrário, desequilíbrios no sistema estí-</p><p>mulo–recuperação poderão gerar processos de fadiga e até mesmo exaustão,</p><p>aumentando os riscos de lesão, afastamento e/ou incapacidade.</p><p>Referências</p><p>AHLERT, M. et al. Comparison of epoc and recovery energy expenditure between hiit</p><p>and continuous aerobic exercise training. Revista Brasileira de Medicina do Esporte,</p><p>v. 25, n. 1, p. 20–23, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbme/v25n1/1806-</p><p>9940-rbme-25-01-0020.pdf. Acesso em: 22 set. 2020.</p><p>AMENT, W.; VERKERKE, G. Exercise and fatigue. Sports Medicine, v. 39, n. 5, p. 389–422,</p><p>2009. DOI: 10.2165/00007256-200939050-00005.</p><p>ÅSTRAND, I. et al. Intermittent muscular work. Acta Physiologica Scandinavica, v. 48,</p><p>p. 448–453, 1960.</p><p>BATACAN JR, R. B. et al. Effects of high-intensity interval training on cardiometabolic</p><p>health: a systematic review and meta-analysis of intervention studies. British Journal</p><p>of Sports Medicine, v. 51, n. 6, p. 494–503, 2017. Disponível em: https://bjsm.bmj.com/</p><p>content/51/6/494. Acesso em: 22 set. 2020.</p><p>(Continuação)</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado18</p><p>BERTUZZI, R. et al. Metabolismo do lactato: uma revisão sobre a bioenergética e a</p><p>fadiga muscular. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano,</p><p>v. 11, n. 2, p. 226–234, 2009. Disponível em: https://bjsm.bmj.com/content/51/6/494.</p><p>Acesso em: 22 set. 2020.</p><p>BERTUZZI, R.; FRANCHINI, E.; KISS, M. Fadiga muscular aguda: uma breve revisão dos sis-</p><p>temas fisiológicos e suas possíveis relações. Motriz, v. 10, n. 1, p. 45–54, 2004. Disponível</p><p>em: http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/10n1/13RMB.pdf. Acesso em: 22 set. 2020.</p><p>BILLAT, V. L. et al. Interval training at VO2max: effects on aerobic performance and</p><p>overtraining markers. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 31, n. 1, p. 156–163, 1999.</p><p>BILLAT, L. V. Interval training for performance: a scientific and empirical practice: special</p><p>recommendations for middle- and long-distance running. Part I: aerobic interval trai-</p><p>ning. Sports Medicine, v. 31, n. 1, p. 13–31, 2001. DOI: 10.2165/00007256-200131010-00002.</p><p>BISHOP, D.; GIRARD, O.; MENDEZ-VILLANUEVA, A. Repeated-sprint ability: part</p><p>II: recommendations for training. Sports Medicine, v. 41, n. 9, p. 741–756, 2011. DOI:</p><p>10.2165/11590560-000000000-00000.</p><p>BORG, G. Escalas de Borg para a dor e o esforço percebido. Barueri, SP: Manole, 2000.</p><p>BUCHHEIT, M.; LAURSEN, P. B. High-intensity interval training, solutions to the program-</p><p>ming puzzle: Part I: cardiopulmonary emphasis. Sports Medicine, v. 43, n. 5, p. 313–338,</p><p>2013a. DOI: 10.1007/s40279-013-0029-x.</p><p>BUCHHEIT, M.; LAURSEN, P. B. High-intensity interval training, solutions to the program-</p><p>ming puzzle. Part II: anaerobic energy, neuromuscular load and practical applications.</p><p>Sports Medicine, v. 43, n. 5, p. 927–954, 2013b. DOI: 10.1007/s40279-013-0066-5.</p><p>BUCHHEIT, M. et al. Match running performance and fitness in youth soccer. International</p><p>Journal of Sports and Medicine, v. 31, p. 818–825, 2010. DOI: 10.1055/s-0030-1262838.</p><p>COSTA, E. C. et al. Effects of high-intensity interval training versus moderate-intensity</p><p>continuous training on blood pressure in adults with pre- to established hypertension:</p><p>a systematic review and meta-analysis of randomized trials. Sports Medicine, v. 48, n.</p><p>9, p. 2127–2142, 2018. DOI: 10.1007/s40279-018-0944-y.</p><p>DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. Rio de Janeiro: Sprint, 1985.</p><p>DI PRAMPERO, P. E. et al. Sprint running: a new energetic approach. Journal of Experi-</p><p>mental Biology, v. 208, pt. 14, p. 2809–2816, 2005.</p><p>FERNANDEZ-DEL-OLMO, M. et al. Isometric knee extensor fatigue following a Wingate</p><p>test: peripheral and central mechanisms. Scandinavian Journal of Medicine Science in</p><p>Sports, v. 23, n. 1, p. 57–65, 2013.</p><p>FLECK, S. J.; KRAEMER, W. J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 4. ed. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2017.</p><p>GIBALA, M. J.; MCGEE, S. L. Metabolic adaptations to short-term high-intensity interval</p><p>training: a little pain for a lot of gain?. Exercise and Sport Sciences Reviews, v. 36, n. 2,</p><p>p. 58–63, 2008. DOI: 10.1097/JES.0b013e318168ec1f.</p><p>GIBALA, M. J. et al. Physiological adaptations to low volume, high intensity interval</p><p>training in health and disease. The Journal of Physiology, v. 590, pt. 5, p. 1077–1084, 2012.</p><p>GIRARD, O.; MENDEZ-VILLANUEVA, A.; BISHOP, D. Repeated-sprint ability: part</p><p>I: factors contributing to fatigue. Sports Medicine, v. 41, p. 673–694, 2011. DOI:</p><p>10.2165/11590550-000000000-00000.</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado 19</p><p>GOMES NETO, M. et al. High intensity interval training versus moderate intensity con-</p><p>tinuous training on exercise</p><p>capacity and quality of life in patients with heart failure</p><p>with reduced ejection fraction: a systematic review and meta-analysis. International</p><p>Journal of Cardiology, v. 261, p. 134–141, 2018. DOI: 10.1016/j.ijcard.2018.02.076.</p><p>HAUTALA, A. J. et al. Changes in cardiac autonomic regulation after prolonged maximal</p><p>exercise. Clinical Physiology, v. 21, n. 2, p. 238–245, 2001.</p><p>IAIA, F. M.; BANGSBO, J. Speed endurance training is a powerful stimulus for physiological</p><p>adaptations and performance improvements of athletes. Scandinavian Journal of Medi-</p><p>cine & Science in Sports, v. 20, supl. 2, p. 11–23, 2010. DOI: 10.1111/j.1600-0838.2010.01193.x.</p><p>LAURSEN, P. B. Interval training for endurance. In: MUJIKA, I. (ed.). Endurance training:</p><p>science and practice. Vitoria-Gasteiz: Iñigo Mujika, 2012. p. 41–50.</p><p>LITTLE, J. P. et al. A practical model of low-volume high-intensity interval training</p><p>induces mitochondrial biogenesis in human skeletal muscle: potential mechanisms.</p><p>Journal of Physiology, v. 588, pt. 6, p. 1011–1022, 2010.</p><p>LIU, J. X. et al. Effectiveness of high-intensity interval training on glycemic control and</p><p>cardiorespiratory fitness in patients with type 2 diabetes: a systematic review and</p><p>meta-analysis. Aging Clinical and Experimental Research, v. 31, n. 5, p. 575–593, 2019.</p><p>Marques Junior, N. K. Mecanismos fisiológicos da fadiga. Revista Brasileira de Prescrição</p><p>e Fisiologia do Exercício, v. 9, n. 56, 671–720, 2016.</p><p>MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: nutrição, energia e</p><p>desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.</p><p>MOUROT, L. et al. Decrease in heart rate variability with overtraining: assessment by</p><p>the Poincare plot analysis. Clinical Physiology and Functional Imaging, v. 24, n. 1, p.</p><p>10–18, 2004.</p><p>PERREY, S. et al. Neural and muscular adjustments following repeated running sprints.</p><p>European Journal of Applied Physiology, v. 109, p. 1027–1036, 2010.</p><p>PLATONOV, V. N. Tratado geral de treinamento desportivo. São Paulo: Phorte, 2008.</p><p>ROGNMO, Ø. et al. Risk of high- versus moderate-intensity exercise. Circulation, v. 126,</p><p>p. 1436–1440, 2012. DOI: 10.1161/CIRCULATIONAHA.112.123117.</p><p>SHEI, R.-J.; MICKLEBOROUGH, T. Relative contributions of central and peripheral factors</p><p>in human muscle fatigue during exercise: a brief review. JEPonline, v. 16, n. 6, p. 1–17, 2013.</p><p>TESCH, P.; THORSSON, A.; FUJITSUKA, N. Creatine phosphate in fiber types of skeletal</p><p>muscle before and after exhaustive exercise. Journal Applied Physiology, v. 66, n. 4,</p><p>p. 1756–1759, 1989.</p><p>THIBAULT, G. A graphical model for interval training. IAAF New Studies in Athletics, v.</p><p>18, p. 49–55, 2003.</p><p>WISLØFF, U. et al. Superior cardiovascular effect of aerobic interval training versus</p><p>moderate continuous training in heart failure patients: a randomized study. Circulation,</p><p>v. 115, n. 24, p. 3086–3094, 2007.</p><p>Leitura recomendada</p><p>FRANCHINI, E. (org.). Fisiologia do exercício intermitente de alta intensidade. São Paulo:</p><p>Phorte, 2015.</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado20</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos</p><p>testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da</p><p>publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas</p><p>páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores</p><p>declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou</p><p>integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Fisiologia do treinamento intervalado 21</p><p>Dica do professor</p><p>Os parâmetros de intensidade, duração dos períodos de estímulo e intervalo de recuperação são</p><p>fundamentais para o sucesso na implementação do treinamento do tipo Hiit. Se, por um lado, a</p><p>duração dos estímulos é muito prática de se elaborar, a intensidade pode ser difícil para muitos</p><p>profissionais.</p><p>Nesta Dica do Professor, avalie formas práticas de determinar e acompanhar a intensidade do Hiit.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Na prática</p><p>A aplicação do treinamento do tipo Hiit é muito evidente para as periodizações individuais e para as</p><p>modalidades esportivas cíclicas, como a corrida, o ciclismo, etc. No entanto, trata-se de um modelo</p><p>de treinamento muito versátil, que pode ser adaptado para diversas situações e modalidades</p><p>desportivas, desde que seus fundamentos se mantenham caracterizados.</p><p>Na Prática a seguir, veja como o Hiit pode contribuir para uma modalidade esportiva coletiva e com</p><p>incentivo de gestual mais próximo da modalidade em questão, por meio de um time amador de</p><p>Vôlei que se aproxima de um campeonato.</p><p>Aponte a câmera para o</p><p>código e acesse o link do</p><p>conteúdo ou clique no</p><p>código para acessar.</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja as sugestões do professor:</p><p>Como prescrever o Hiit pelo limiar anaeróbico?</p><p>Veja, de forma prática, como o treinamento do tipo Hiit pode ser empregado pelos limiares</p><p>aeróbios e anaeróbios.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Os efeitos do Treinamento Intervalado de Alta Intensidade</p><p>(Hiit) nos processos deletérios do envelhecimento: uma revisão</p><p>sistemática</p><p>Leia dados que trazem a prática do Hiit e sua contribuição para parâmetros relacionados com o</p><p>envelhecimento, como função cognitiva, aptidão aeróbia, pressão arterial, funcionalidade, entre</p><p>outros.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Treino Intervalado de Alta Intensidade (Hiit)</p><p>É seguro e efetivo o Hiit para crianças e adolescentes? Acompanhe os efeitos desse treinamento</p><p>para o público jovem obeso, considerando seus parâmetros de segurança e sua efetividade.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Hiit - parte 2</p><p>Esta é a segunda parte do vídeo anterior (Treino Intervalado de Alta Intensidade - Hiit).</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p>

Mais conteúdos dessa disciplina