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<p>See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/282183828</p><p>Pavimentos Aligeirados de Vigotas Pré-esforçadas</p><p>Technical Report · June 2003</p><p>DOI: 10.13140/RG.2.1.2131.5041</p><p>CITATIONS</p><p>3</p><p>READS</p><p>6,577</p><p>1 author:</p><p>Some of the authors of this publication are also working on these related projects:</p><p>Use of solid waste in eco-friendly building materials. View project</p><p>3rd Int'l Conf on Innovative Technologies for Clean and Sustainable Development View project</p><p>Jorge de Brito</p><p>University of Lisbon</p><p>1,446 PUBLICATIONS 16,712 CITATIONS</p><p>SEE PROFILE</p><p>All content following this page was uploaded by Jorge de Brito on 26 September 2015.</p><p>The user has requested enhancement of the downloaded file.</p><p>https://www.researchgate.net/publication/282183828_Pavimentos_Aligeirados_de_Vigotas_Pre-esforcadas?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_2&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/publication/282183828_Pavimentos_Aligeirados_de_Vigotas_Pre-esforcadas?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_3&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/project/Use-of-solid-waste-in-eco-friendly-building-materials?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_9&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/project/3rd-Intl-Conf-on-Innovative-Technologies-for-Clean-and-Sustainable-Development?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_9&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_1&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/profile/Jorge_Brito5?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_4&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/profile/Jorge_Brito5?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_5&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/institution/University_of_Lisbon?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_6&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/profile/Jorge_Brito5?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_7&_esc=publicationCoverPdf</p><p>https://www.researchgate.net/profile/Jorge_Brito5?enrichId=rgreq-a572ce96b2db5efabeb486c50868394d-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI4MjE4MzgyODtBUzoyNzc4OTUxNjQ1MTQzMDVAMTQ0MzI2Njc3ODI2MA%3D%3D&el=1_x_10&_esc=publicationCoverPdf</p><p>INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO</p><p>MESTRADO AVANÇADO EM CONSTRUÇÃO E</p><p>REABILITAÇÃO</p><p>CADEIRA DE CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS</p><p>PAVIMENTOS ALIGEIRADOS DE VIGOTAS PRÉ-</p><p>ESFORÇADAS</p><p>Jorge de Brito</p><p>Junho de 2003</p><p>ÍNDICE</p><p>1. Introdução 1</p><p>2. Soluções tradicionais de pavimentos 4</p><p>2.1. Soluções tradicionais 4</p><p>2.2. Soluções não tradicionais em betão 6</p><p>3. Pavimentos de vigotas de betão pré-esforçado 14</p><p>3.1. Elementos constituintes 14</p><p>3.2. Campo de aplicação 16</p><p>3.3. Vantagens e desvantagens 16</p><p>4. Processo de fabrico 18</p><p>4.1. Armazenamento e dosagem dos agregados 18</p><p>4.2. Limpeza das pistas 18</p><p>4.3. Colocação dos fios de aço 19</p><p>4.4. Aplicação do pré-esforço 21</p><p>4.5. Moldagem 22</p><p>4.6. Cura 23</p><p>4.7. Transmissão do pré-esforço dos fios para o betão 24</p><p>4.8. Corte das vigotas 25</p><p>4.9. Levantamento, transporte e armazenamento das vigotas 26</p><p>4.10. Fabrico dos blocos de cofragem de betão 27</p><p>4.11. Patologia na fase de fabrico 28</p><p>4.11.1. Resistência do betão à compressão 28</p><p>4.11.2. Pré-esforço nas vigotas 29</p><p>4.11.3. Posicionamento das armaduras 30</p><p>4.11.4. Outras falhas 31</p><p>4.11.5. Reutilização de vigotas defeituosas 31</p><p>5. Controlo de qualidade no fabrico 33</p><p>5.1. Exigências que os elementos constituintes dos pavimentos devem satisfazer 34</p><p>5.1.1. Vigotas 34</p><p>5.1.2. Blocos de cofragem 35</p><p>5.1.3. Betão complementar 36</p><p>5.1.4. Armadura de distribuição 36</p><p>5.1.5. Recepção em obra dos elementos prefabricados 37</p><p>5.2. Exigências funcionais 37</p><p>5.2.1. Segurança estrutural 37</p><p>5.2.2. Durabilidade 38</p><p>5.2.3. Resistência ao fogo 38</p><p>5.2.4. Isolamento térmico 39</p><p>5.2.5. Estanqueidade 40</p><p>5.2.6. Isolamento acústico 41</p><p>5.2.7. Regras complementares 42</p><p>5.3. Ensaios laboratoriais 43</p><p>5.3.1. Ensaios de flexão 44</p><p>5.3.2. Ensaios de penetração 46</p><p>5.3.3. Ensaios de solidarização 46</p><p>5.3.4. Ensaios de choque 47</p><p>6. Montagem em obra 48</p><p>7. Disposições construtivas e de projecto 53</p><p>7.1. Armadura de distribuição 53</p><p>7.2. Tarugos 53</p><p>7.3. Apoios com continuidade estrutural 53</p><p>7.4. Apoios sem continuidade estrutural (simples) 54</p><p>7.5. Paredes divisórias 55</p><p>7.6. Cargas suspensas 56</p><p>7.7. Aberturas 56</p><p>7.8. Consolas 56</p><p>7.9. Apoios em suspensão 58</p><p>8. Dimensionamento de pavimentos não tradicionais 59</p><p>8.1. Introdução breve sobre acções e combinações de cálculo 59</p><p>8.2. Cálculo de lajes aligeiradas de vigotas pré-esforçadas 61</p><p>9. Bibliografia 67</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>PAVIMENTOS ALIGEIRADOS DE VIGOTAS PRÉ-ESFORÇADAS</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>A pré-fabricação, total ou parcial, segundo métodos industriais de fabrico em série, surgiu</p><p>como alternativa às soluções betonadas in-situ, trazendo vantagens na redução dos tempos de</p><p>execução, nos custos de mão-de-obra, na qualidade final dos elementos e no aligeiramento</p><p>estrutural (Fig. 1). No entanto, requer, para ser viável e efectiva, dois factores importantes:</p><p>uma perfeita coordenação modular entre os diversos elementos e uma produção</p><p>suficientemente grande que permita a amortização das instalações dispendiosas, necessárias</p><p>para o fabrico dos vários elementos.</p><p>Fig. 1 - Construção modulada (à esquerda) e montagem de elementos pré-fabricados para</p><p>execução de paredes exteriores (ao centro e à direita)</p><p>Pode-se dizer que o conceito de “pré-fabricação” já vem do tempo dos egípcios e dos</p><p>romanos (Fig. 2, à esquerda), pois estes construíam com elementos previamente executados e</p><p>depois montados em obra. Hoje em dia, a indústria de elementos pré-fabricados para</p><p>pavimentos e coberturas de edifícios de habitação de pequena a média escala, iniciada em</p><p>Portugal nos anos 40, sem sido dominada pela produção de vigotas pré-esforçadas (Fig. 2, à</p><p>direita) e abobadilhas cerâmicas ou de betão. Contudo, existem outras tipologias de elementos</p><p>pré-fabricados, tais como as vigotas de betão armado, as pranchas de betão armado e de betão</p><p>pré-esforçado, e as pré-lajes vazadas e de betão armado. Relativamente aos materiais</p><p>utilizados em elementos de aligeiramento, tem-se as abobadilhas de barro vermelho, os blocos</p><p>1</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>de betão leca (argila expandida) e, mais raramente, os blocos de betão normal ou de betão</p><p>celular autoclavado.</p><p>Fig. 2 - Exemplo arcaico de pré-fabricação (à esquerda) e vigotas de betão pré-esforçado (à</p><p>direita)</p><p>Este documento pretende servir de apoio aos alunos do Mestrado Avançado em Construção e</p><p>Reabilitação do Instituto Superior Técnico na Cadeira de Construção de Edifícios. Foca</p><p>um bom critério pois permite corrigir erros e apurar resultados. No caso dos</p><p>43</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>pavimentos pré-fabricados, os ensaios são realizados sobre protótipos do pavimento com</p><p>revestimento de acabamento da face inferior. São utilizados 4 protótipos do pavimento, cada</p><p>um com vão teórico de 4.2 m e largura mínima de 1.2 m, contendo, no mínimo, 3 ou 5</p><p>vigotas.</p><p>O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) efectua os ensaios com o objectivo de</p><p>aferir as qualidades das vigotas de betão pré-esforçado. Realizam-se ensaios ao pavimento de</p><p>flexão, solidarização, choque, penetração, comportamento sob a acção do fogo, higrotérmico,</p><p>acústico e de durabilidade e pode submeter-se ainda os elementos individualmente a ensaios</p><p>(Figs. 45 e 46): as vigotas a ensaios de flexão, de fragilidade de determinação do pré-esforço</p><p>das armaduras e de verificação das suas características geométricas (Figs. 47 e 48) e físicas;</p><p>os blocos de cofragem à verificação da sua resistência mecânica e das suas características</p><p>geométricas (Fig. 49) e físicas. Finalmente, podem-se ainda verificar as características dos</p><p>materiais empregues (aço e betão).</p><p>Fig. 45 - Sequência da determinação do pré-esforço numa vigota: execução de dois roços no</p><p>betão, colocando a armadura a descoberto; marcação de um ponto de referência em cada roço</p><p>e medição da distância entre os 2 pontos com um alongâmetro; remoção do betão envolvente</p><p>e corte das armaduras incluindo o provete resultante o troço compreendido entre os 2 pontos;</p><p>carregamento monotónico do provete à tracção, fazendo aumentar a distância entre os dois</p><p>pontos; o pré-esforço corresponde à força medida quando a distância entre os 2 pontos for</p><p>igual à registada quando a armadura se encontrava envolvida pelo betão</p><p>44</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 46 - Sequência do ensaio à flexão de uma vigota: a vigota, apoiada em 2 apoios, deve ter</p><p>no mínimo 4 m de comprimento; as forças são incrementadas monotonicamente até à rotura; a</p><p>máxima força registada corresponde à carga de rotura</p><p>5.3.1. Ensaios de flexão</p><p>Os pavimentos de ensaio, apoiados livremente nas duas extremidades, são submetidos à</p><p>flexão produzida por duas cargas aplicadas a uma distância dos apoios igual a ¼ do vão e</p><p>distribuídas por toda a largura dos pavimentos. As cargas são aplicadas em ciclos de carga e</p><p>descarga, aumentando em cada ciclo a carga máxima de ¼ da carga de serviço, sem esquecer</p><p>que já se encontram aplicadas as cargas resultantes do peso próprio do pavimento e do</p><p>revestimento do tecto.</p><p>Fig. 47 - Verificação das características geométricas das vigotas</p><p>Fig. 48 - Verificação do posicionamento dos fios de pré-esforço</p><p>45</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 49 - Verificação das características geométricas dos blocos de cofragem</p><p>Durante os ensaios, medem-se as flechas máximas e residuais a meio vão. Os ensaios são</p><p>levados até à rotura, verificando-se a carga correspondente ao início da fissuração e</p><p>registando e m -se a carga de</p><p>tura, considerando como equivalente à rotura uma flecha de 1/10 do vão.</p><p>O ensaio abrange, no mínimo 2 protótipos de pavimento, dos quais um já deverá ter sido su-</p><p>bmetido ao ensaio de choque. Nos casos em que se preveja a actuação de esforços transversos</p><p>importantes, deverá ser ensaiado m ais</p><p>o dos apoios. Isto permite a predominância do esforço transverso nessa zona.</p><p>a carga aumentando cada vez de 100 kgf e indo até 500 kgf em</p><p>enos três ensaios.</p><p>ação</p><p>ento que sofre a aplicação de uma carga, na vigota central,</p><p>a da carga de cálculo equivalente a um troço entre eixos de vigotas e uma</p><p>edindo a abertura das fissuras em cada patamar de carga. Anota</p><p>ro</p><p>ais um protótipo sob a acção de um sistema de cargas m</p><p>próxim</p><p>5.3.2. Ensaios de penetração</p><p>Este ensaio consiste na aplicação, em pontos do pavimento onde se julgue que a resistência à</p><p>penetração é pior, de um</p><p>sucessivos ciclos de carga e descarga. Esta carga é aplicada por meio de um cilindro de aço</p><p>com 2.5 cm de diâmetro.</p><p>Durante o ensaio, medem-se as penetrações permanentes do cilindro. O ensaio é considerado</p><p>satisfatório se não houver rotura. São efectuados pelo m</p><p>5.3.3. Ensaios de solidariz</p><p>Sempre que esteja prevista a actuação de cargas localizadas (concentradas ou distribuídas</p><p>linearmente), dever-se-á realizar um ensaio de solidarização. Este tipo de ensaio é realizado</p><p>sobre um protótipo do pavim</p><p>equivalente à som</p><p>46</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>sobrecarga convencional de 300 kgf por metro linear de vigota. Esta carga é reproduzia por 2</p><p>cargas concentradas, cada uma com o valor de metade da carga total, a actuar a uma distância</p><p>os apoios igual a ¼ do vão.</p><p>ão efectuados ensaios de carga e descarga do mesmo modo que no ensaio de flexão. Durante</p><p>a flecha a meio vão da vigota central não ultrapassa 1/400 do vão para a carga de serviço;</p><p>do pela queda a meio vão e meia largura de</p><p>crementos de 30</p><p>m a partir da altura inicial que é de 30 cm. O saco é cilíndrico, com um diâmetro de 25 cm.</p><p>urante os ensaios, medem-se, a meio vão do pavimento, a flecha máxima no momento do</p><p>ente. O ensaio realiza-se sobre dois protótipos. Depois do ensaio ao</p><p>hoque, um dos protótipos sofre um ensaio de flexão ao passo que o outro é submetido ao</p><p>d</p><p>S</p><p>os ensaios, que são levados até à rotura, medem-se as flechas máximas e residuais a meio vão,</p><p>da vigota central, das vigotas vizinhas e das vigotas extremas. Verifica-se ainda a carga</p><p>correspondente ao início da fissuração e mede-se a largura das fissuras existentes em cada</p><p>patamar de carga. Anota-se a carga de rotura.</p><p>O ensaio é considerado satisfatório quando se verifiquem as condições seguintes:</p><p></p><p> a largura das fissuras não ultrapassa 0.2 mm;</p><p> o coeficiente de segurança em relação à rotura tem o valor mínimo de 2.</p><p>O ensaio de solidarização é realizado com um protótipo previamente submetido ao ensaio de</p><p>choque.</p><p>5.3.4. Ensaio de choque</p><p>Os protótipos de pavimentos a ensaiar, apoiados como para os ensaios de flexão e</p><p>solidarização, são submetidos ao choque produzi</p><p>um saco de lona cheio de areia, pesando 30 kgf. As alturas de queda têm in</p><p>c</p><p>Os ensaios são conduzidos até uma altura de queda de 3 m.</p><p>D</p><p>choque e a flecha perman</p><p>c</p><p>ensaio de solidarização.</p><p>47</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>48</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>6. MONTAGEM EM OBRA</p><p>A montagem em obra destes pavimentos aligeirados (Fig. 50, à esquerda) passa por uma</p><p>sequência de operações:</p><p> transporte para a obra das vigotas (Fig. 50, ao centro) e blocos de cofragem e respectivo</p><p>armazenamento no local (Fig. 51);</p><p> nivelamento dos apoios para o assentamento das vigotas (as vigotas poderão ser apoiadas</p><p>na cofragem das vigas ou cintas);</p><p> montagem de escoramento provisório, para o apoio intermédio das vigotas (Fig. 50, à</p><p>direita); este escoramento tem de ser disposto de modo a evitar esforços de flexão,</p><p>capazes de provocar fendilhação das vigotas, na sua face inferior e superior; os intervalos</p><p>entre escoras, recomendados pelos fornecedores, variam entre 1.5 e 2.5 m;</p><p>Fig. 50 - Aspecto geral da montagem de um pavimento de vigotas (à esquerda), transporte das vi-</p><p>gotas para obra (ao centro) e escoramento</p><p>provisório das vigotas (à direita, vigotas com</p><p>treliças)</p><p>Fig. 51 - Armazenamento em obra das vigotas e blocos de cofragem cerâmicos</p><p>49</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p> montagem das cofragens junto aos apoios dos pavimentos (maciçamento mínimo</p><p>aconselhado para cada lado: 40 cm; em apoios com continuidade, este comprimento</p><p>poderá aumentar significativamente), para moldagem das vigas principais (Fig. 52, à</p><p>esquerda) e ao longo das nervuras transversais, para moldagem dos tarugos (Fig. 52, 2º a</p><p>partir da esquerda); adjacentemente a um vão em balanço, a laje deve ser maciçada (e logo</p><p>cofrada) num comprimento igual ao do vão da consola (independentemente de as vigotas</p><p>estarem orientadas segundo o vão da consola ou perpendicularmente a este);</p><p> colocação das vigotas, paralelamente entre si (Fig. 52, à direita), evitando o seu transporte</p><p>numa posição invertida em relação à final; o acerto do seu afastamento é feito por meio de</p><p>blocos de cofragem junto aos apoios (Fig. 52, 2º a contar da direita) e de forma a não</p><p>interferir com a armadura das vigas; pode haver necessidade de se fazer um acerto</p><p>geométrico, por modificação da largura dos blocos de cofragem, introdução de vigotas</p><p>lado a lado, maciçamento ou outro meio que se julgue conveniente; a entrega das vigotas</p><p>nos apoios deve ser de pelo menos 10 cm (Fig. 52, 2º a contar da direita); vigotas com</p><p>curvatura excessiva devem ser rejeitadas; sob paredes divisórias particularmente pesadas,</p><p>devem-se colocar 2 vigotas encostadas, a fim de conferir maior resistência;</p><p>50</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 52 - Da esquerda para a direita, cofragem das vigas principais e zonas de apoio, cofragem</p><p>e escoramento dos tarugos, acerto do afastamento das vigotas nos apoios com os blocos de</p><p>cofragem e vigotas paralelas entre si</p><p> colocação dos blocos entre vigotas (Fig. 53, à esquerda), apoiados nos banzos (ressaltos)</p><p>ao aparecimento de fissuras, convém que o</p><p>número de blocos colocados seja alternado de intervalo para intervalo; os blocos podem</p><p>ser inseridos a partir do piso inferior, anteriormente terminado, aproveitando o espaço</p><p>deixado livre entre vigotas; os últimos blocos do painel, junto aos apoios, podem ser</p><p>inseridos por cima;</p><p> disposição da armadura de distribuição prevista no documento de homologação na</p><p>camada de betão complementar (Fig. 53, à direita), directamente sobre os blocos de</p><p>cofragem e as vigotas; colocação da armadura das ner uras (tarugos) transversais e das</p><p>destas, com eliminação das filas de blocos correspondentes às faixas maciças do pavimen-</p><p>to (Fig. 53, ao centro); também aqui poderá haver necessidade de um acerto geométrico;</p><p>na zona dos apoios, para evitar um alinhamento recto na ligação da faixa maciça à zona</p><p>aligeirada do pavimento, mais propício</p><p>v</p><p>armaduras dos apoios, quando previstas;</p><p>Fig. 53 - Da esquerda para a direita, colocação dos blocos de cofragem, espaço entre os</p><p>blocos para um tarugo e colocação da armadura de distribuição</p><p> instalação de passadiços para trânsito de pessoal e transporte de betão (pranchas de</p><p>madeira), a fim de evitar a circulação sobre os blocos de cofragem (Fig. 55, à esquerda),</p><p>cuja resistência nominal a meio vão é apenas de 0.5 kN);</p><p> rega abundante das vigotas e dos blocos de cofragem (Fig. 54), precedendo a betonagem,</p><p>com vista a evitar a dessecação e melhorar a aderência do betão complementar;</p><p>51</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p> preparação do betão em obra (Fig. 55, ao centro) ou recurso a betão pronto (Fig. 55, à</p><p>direita);</p><p> lançamento (Fig. 56, à esquerda), espalhamento (Fig. 56, ao centro), compactação /</p><p>vibração (Fig. 56, à direita) e regularização (Fig. 57, à esquerda) do betão complementar,</p><p>tendo o cuidado de assegurar a sua perfeita aderência às faces expostas das vigotas e a</p><p>manutenção da espessura prevista da cam dos blocos (nem demais nem</p><p>de meno execução,</p><p>estará restringido o uso de meios de compactação (limitados a vibradores e réguas</p><p>vibradoras de pequena potência), o que exige especial cuidado na condução da betonagem</p><p>(Fig. 57, ao centro e à direita);</p><p>ada de betão acima</p><p>s); devido à natural fragilidade da estrutura, durante a sua fase de</p><p>Fig. 54 - Rega das vigotas e blocos de cofragem antes da betonagem</p><p>Fig. 55 - Operário apoiado directamente sobre os blocos de cofragem (à esquerda), betão</p><p>amassado em obra (ao centro) e camião com unidade de bombagem de betão (à direita)</p><p> manutenção da humidade do betão em obra, durante os primeiros dias do endurecimento,</p><p>por meio de rega (Fig. 58) ou de recobrimento, conservado humedecido, da superfície</p><p>betonada; a extensão e duração destes cuidados dependerão naturalmente das condições</p><p>de temperatura e humidade ambientes;</p><p> após o betão complementar ter adquirido a resistência suficiente, podem ser retiradas as</p><p>cofragens e escoramentos da laje (Fig. 59).</p><p>52</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 56 - Lançamento (à esquerda), espalhamento (ao centro) e vibração (à direita) do betão</p><p>complementar</p><p>Fig. 57 - Regularização do betão compleme</p><p>junto aos apoio (ao centro) com</p><p>ntar (à esquerda) e zonas recém betonadas, tanto</p><p>o sobre as vigotas (à direita)</p><p>Fig. 58 - Cura do betão complementar por rega</p><p>Fig. 59 - Laje descofrada e sem escoramento, pronta a ser carregada (à esquerda) e já em fase</p><p>de acabamentos pela face inferior (à direita)</p><p>53</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>54</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>7. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS E DE PROJECTO</p><p>7.1. ARMADURA DE DISTRIBUIÇÃO</p><p>Nestes pavimentos, deve-se dispor de uma armadura de distribuição (Fig. 60, à esquerda),</p><p>constituída por varões dispostos nas duas direcções, integrada na camada de betão</p><p>complementar. Na direcção perpendicular à das vigotas, as secções mínimas da armadura de</p><p>com espaçamento máximo de 250 mm, enquanto que, na direcção</p><p>ento pode ser maior, mas não excedendo os 350 mm. Esta armadura</p><p>distribuição deverão ter um</p><p>das vigotas, o espaçam</p><p>deve ser prolongada até às cintas ou vigas de solidarização e apoio das vigotas.</p><p>7.2. TARUGOS</p><p>A armadura dos tarugos (Fig. 60, ao centro) ou nervuras transversais deverá ser constituída,</p><p>no mínimo, por dois varões colocados imediatamente acima das vigotas (Fig. 60, a direita).</p><p>Fig. 60 - Armadura de distribuição (à esquerda), tarugo (ao centro) e respectiva</p><p>pormenorização (à direita)</p><p>7.3. APOIOS COM CONTINUIDADE ESTRUTURAL</p><p>Deverão ser considerados maciçamentos junto aos apoios de continuidade (numa extensão</p><p>superior àquela que, de acordo com o dimensionamento, ocorrem momentos negativos) e</p><p>armadura principal sobre e perpendicularmente aos mesmos para conferir resistência a esses</p><p>mesmos momentos (Fig. 61). A betonagem dessas faixas faz-se nos intervalos entre vigotas</p><p>deixados livres pela não colocação de fiadas de blocos de cofragem.</p><p>55</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 61 - Apoio de continuidade em viga</p><p>7.4. APOIOS SEM CONTINUIDADE ESTRUTURAL (SIMPLES)</p><p>Mesmo nos apoios que, para efeito de cálculo, não conferem qualquer encastramento à laje,</p><p>deverá ser colocada uma armadura superior para controlo de</p><p>fendilhação (a armadura de dis-</p><p>tribuição é em geral suficiente para este efeito), resultante dos esforços de tracção que sempre</p><p>se verificam em condições norm</p><p>maciçamento de cerca de 40 cm para cada um dos lados das faces da viga</p><p>ais de serviço devido à restrição à rotação nos apoios, e ser</p><p>considerado um</p><p>(Fig. 62). Embora menos aconselhável, a opção de não maciçar é muito corrente (Fig. 63).</p><p>Fig. 62 - Apoios simples com maciçamento</p><p>56</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 63 - Apoios simples sem maciçamento</p><p>A armadura deverá ser constituída por varões dispostos na direcção das vigotas com um</p><p>comprimento mínimo, a partir da face do apoio, igual a 1/10 do vão livre do pavimento e com</p><p>secção, por metro de largura, não inferior à da armadura de distribuição recomendada. Os</p><p>varões integrados na camada de betão complementar deverão ser convenientemente</p><p>amarrados nas cintas ou nas vigas em que as vigotas se apoiam.</p><p>7.5. PAREDES DIVISÓRIAS</p><p>Estes pavimentos podem ser considerados com condições estruturais que permitam ter em</p><p>conta as acções resultantes de paredes divisórias, desde que essas acções sejam consideradas</p><p>actuando nas suas condições reais, o que implica, na zona das divisórias, um reforço da</p><p>armadura de distribuição. No entanto, sempre que as paredes divisórias se encontrem na</p><p>dire a</p><p>colocação de vigotas suplementares vistas para o pavimento (Fig. 64, à</p><p>squerda).</p><p>cção das vigotas, o reforço da armadura de distribuição ser complementado com</p><p>dispostas a par das pre</p><p>e</p><p>57</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>7.6. CARGAS SUSPENSAS</p><p>Os blocos de cofragem não possuem resistência suficiente para suportar eventuais acções</p><p>resultantes de equipamentos ou instalações pesados a suspender dos tectos. Essa suspensão</p><p>m de ser assegurada por peças apropriadas incluídas no pavimento durante a sua execução.</p><p>Para tal, poderão ser usadas pequenas lajetas de betão armado apoiadas em duas vigotas</p><p>contíguas e substituindo blocos de cofragem, às quais se en dos ganchos de</p><p>suspensão dos equipamentos a fixar na parte inferior dos pavimentos.</p><p>7.7. ABERTURAS</p><p>A execução de aberturas (Fig. 64, à direita) com interrupção de vigotas é possível, desde que</p><p>se adoptem disposições construtivas especiais (Fig. 65), como por exemplo, nervuras</p><p>transversais devidamente dimensionadas onde as vigotas interrompidas possam ser</p><p>devidamente apoiadas. A adopção destas disposições deve ser convenientemente justificada.</p><p>A execução de aberturas conseguidas pela eliminação de um ou mais blocos de cofragem</p><p>en a</p><p>omplementar, a menos que essas aberturas possam condicionar a capacidade resistente do</p><p>pavimento.</p><p>te</p><p>contram liga</p><p>tre duas vigotas consecutivas não necessita, em geral, de verificação de seguranç</p><p>c</p><p>Fig. 64 - Vigotas a par sob futura parede divisória pesada (à esquerda) e abertura num</p><p>pavimento (à direita)</p><p>7.8. CONSOLAS</p><p>58</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>O</p><p>possam resistir a momentos negativ ue sejam maciçados. No entanto, é</p><p>ossível estabelecer a sua ligação a consolas maciças, onde esses momentos ocorrem, desde</p><p>onstrutivas adequadas (Fig. 66).</p><p>facto de estes pavimentos terem aligeiramentos na sua face inferior, implica que estes não</p><p>os elevados, a não ser q</p><p>p</p><p>que adoptem as disposições c</p><p>CORTE B-B</p><p>CORTE A-A</p><p>Fig. 65 - Disposições construtivas adequadas numa abertura com interrupção de vigota(s)</p><p>Armadura principal superior (prolongada</p><p>para o interior do pavimento de um com-</p><p>primento idêntico ao do vão da consola)</p><p>Deve ser maciçada para</p><p>o interior do pavimento</p><p>uma largura idêntica ao</p><p>vão da consola</p><p>59</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 66 - Disposições construtivas adequadas na ligação de uma consola a um pavimento de</p><p>vigotas pré-esforçadas</p><p>7.9. APOIOS EM SUSPENSÃO</p><p>Quando os pavimentos apoiam em viga invertida, é necessário garantir o apoio das vigotas na</p><p>fase construtiva: nos varões longitudinais inferiores da viga (Fig. 67, à esquerda) ou na</p><p>cofragem inferior da viga (Fig. 67, à direita).</p><p>Fig. 67 - Disposições construtivas adequadas para apoios em suspensão</p><p>60</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>8 O E D VIMENTOS NÃO TRADICIONAIS . DIMENSI NAM NTO E PA</p><p>dime s respe-</p><p>tivos cume a-</p><p>ente estruturadas para o efeito. De acordo com o REBAP e o RSA., o dimensionamento</p><p>dos limite, últimos e de utilização. De entre estes, salientam-</p><p>e em especial o estado limite de flexão e esforço transverso e os estados limite de</p><p>eform ento de</p><p>escom requisito, o que</p><p>ionamento dos</p><p>.1. INT ODUÇ O BRE E SOB E ACÇ ES E C MBIN</p><p>o sentido de clarificar a apresentação feita mais nto</p><p>as lajes de vigotas pré-esforçadas, apresenta-se de seguida e de uma forma muito resumida</p><p>ma in oduçã ncontra expressa no</p><p>SA.</p><p>Definição das acções (verticais) nas lajes:</p><p>- Ca</p><p>/ pré-lajes 25 kN/m3 x espessura total;</p><p>vigotas valor tabelado (válido para as</p><p>s não maciçadas)</p><p>ista para o compartimento</p><p>2</p><p>m2</p><p>terraços: 2.0 a 2.5 kN/m2</p><p>laje de esteira: 0.5 kN/m2</p><p>O nsionamento de pavimentos não tradicionais é baseado fundamentalmente no</p><p>c do ntos de homologação do LNEC, onde se encontram tabelas de cálculo devid</p><p>m</p><p>deve ter em conta os vários esta</p><p>s</p><p>d ação e fendilhação. Em princípio, dever-se-ia ter em conta o mom</p><p>d pressão da estrutura, mas nos últimos anos o LNEC tem omitido este</p><p>indica que talvez as outras exigências sejam mais condicionantes no dimens</p><p>pavimentos.</p><p>8 R Ã V R Õ O AÇÕES DE CÁLCULO</p><p>N adiante do processo de dimensioname</p><p>d</p><p>u tr o sobre acções e combinações de cálculo, tal como se e</p><p>R</p><p>-</p><p>rgas Permanentes (G):</p><p>- p.p. das lajes: maciças</p><p>zona</p><p>- revestimentos: função da utilização prev</p><p>valores correntes habitação: 1.5 a 2.0 kN/m</p><p>escritórios: 1.0 a 1.5 kN/</p><p>61</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>cobertura aligeirada (+ muretes): 1.0 a 2.5 kN/m2</p><p>- paredes divisórias interiores: função da espessura média das paredes</p><p>lores correntes: 1.5 a 2.5 kN/m2 (habitação)</p><p>ação do compartimento</p><p>.0 kN/m2</p><p>escritórios: 3.0 kN/m2</p><p>entos: 3.0 a 5.0 kN/m2</p><p>escadas: 3.0 ou 5.0 kN/m2</p><p>terraços acessíveis: 2.0 kN/m2</p><p>coberturas em telhado: 0.3 kN/m2</p><p>so a caso</p><p>Definição das com naçõe</p><p>resistência):</p><p>uante</p><p>SG - esforço devido às cargas permanentes</p><p>g = normalmente 1.5 (art.º 9 do RSA)</p><p>(art.º 15 do RSA) va</p><p>- Cargas Variáveis (Q):</p><p>- sobrecargas de utilização função da utiliz</p><p>(art.º 35 do RSA) valores correntes: habitação: 2</p><p>lojas: 4.0 kN/m2</p><p>estacionam</p><p>- equipamento fixo de grande porte a definir ca</p><p>- bi s de acções:</p><p>- 1) Combinações fundamentais (Estados limite últimos associados normalmente à</p><p>garantia da</p><p>Sd = g x SG + q x SQ</p><p>Sd - valor de cálculo do esforço act</p><p>SQ - esforço devido às cargas variáveis</p><p>q = normalmente 1.5 (art.º 9 do RSA)</p><p>62</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>- 2) Combinações quase-permanentes (Estados limite de utilização associados</p><p>normalmente à garantia da sco ressão em peças pré-esforçadas):</p><p>escritórios</p><p>e lojas: 0.4</p><p>terraços e coberturas em telhado: 0.0</p><p>lor frequente do esforço actuante</p><p>1 = habitação: 0.3 (art.º 35 do RSA)</p><p>escritórios e lojas: 0.6</p><p>terraços e coberturas em telhado: 0.0</p><p>Sr = 1.0 x SG + 1.0 x SQ</p><p>S - valor raro do esforço actuante</p><p>verificação aos estados limite últimos é feita comparando os valores de cálculo resistentes</p><p>não de mp</p><p>Sqp = 1.0 x SG + 2 x SQ</p><p>Sqp - valor quase-permanente do esforço actuante</p><p>2 = habitação: 0.2 (art.º 35 do RSA)</p><p>- 3) Combinações frequentes (Estados limite de utilização associados normalmente à</p><p>limitação de fendilhação e deformação):</p><p>Sf = 1.0 x SG + 1 x SQ</p><p>Sf - va</p><p>- 4) Combinações raras (Estados limite de utilização em circunstâncias menos</p><p>correntes):</p><p>r</p><p>8.2. CÁLCULO DE LAJES ALIGEIRADAS DE VIGOTAS PRÉ-ESFORÇADAS</p><p>A</p><p>com os valores de cálculo actuantes devidos às combinações fundamentais de acções (art. 9º</p><p>do RSA), em termos de momentos flectores e esforço transverso:</p><p>63</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>RdSd MM RdSd VV </p><p>A condição de verificação ao estado limite de fendilhação (E.L.F.) é efectuada comparando o</p><p>alor do momento resistente, Mfctk (fornecido nas tabelas), com o momento actuante devido à</p><p>omolo</p><p>e formação de fendas.</p><p>estado limite de deformação (E.L.D.) é verificado comparando os valores da flecha devido</p><p>(ar</p><p>co ia de uma secção de largura</p><p>nitária, tendo em consideração o efeito de fendilhação e do betão entre fendas. A flecha</p><p>ide</p><p>v</p><p>combinação de acções definidas de acordo com o art.º 12 do RSA. Nos documentos de</p><p>h gação, considerou-se conveniente substituir no E.L.F. a largura de fendas pelo limite</p><p>d</p><p>O</p><p>à combinação frequente de acções (G + 1.q) com o limite máximo estabelecido no REBAP</p><p>t.º 72). Utiliza-se ainda o factor de rigidez em flexão para verificação do E.L.D.,</p><p>rrespondendo ao produto do módulo de elasticidade pela inérc</p><p>u</p><p>instantânea, a0, é assim calculada através da expressão (com k = 5/384 e as restantes variáveis</p><p>ntificadas mais adiante):</p><p>4000 EI</p><p>4</p><p>llp</p><p>ka f </p><p></p><p></p><p>flecha a longo prazo, ac, obtém-se multiplicando a flecha instantânea pelo seguinte factor</p><p>e):</p><p>A</p><p>(cujas variáveis se encontram identificadas mais adiant</p><p> G</p><p>M</p><p>M</p><p>1</p><p>f</p><p>das cargas permanentes na deformação do</p><p>avimento. O coeficiente de fluência toma o valor de 2.0 (valor baixo), devido ao facto do</p><p>As</p><p>mente concebidas para a resistência a momentos flectores positivos, o que indica que o</p><p>Esta expressão é o resultado da importância</p><p>p</p><p>peso próprio da laje de vigotas ser relativamente baixo em relação a outras lajes.</p><p>lajes de vigotas funcionam sempre como armadas numa só direcção, estando essencial-</p><p>64</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>me</p><p>de</p><p>Assim sendo, é a seguinte a sequência de cálculo de uma laje de vigotas pré-esforçadas:</p><p>1) Pré-dimensionamento (semelhante ao de lajes m o):</p><p>h = l / 25 a 30 em que h é a espessura total da laje e l o seu vão (distância entre apoios)</p><p>2) Selecção do tipo de lajes de vigotas a utilizar (documento de homologação - Fig. 68)</p><p>3) Idealização da orientação das lajes (normalmente segundo o menor vão, mas tendo em</p><p>conta a necessidade de garantir um diafragma rígido minimamente eficaz em ambas as</p><p>direcções); o modelo deve ser o de laje simplesmente apoiada</p><p>4) Definição das acções (é preciso fixar uma espessura da laje - Fig. 68; a determinação do</p><p>peso próprio pode ser um processo iterativo)</p><p>5) Determinação dos esforços devidos a cada acção (cargas permanentes e variáveis)</p><p>- laje simplesmente apoiada: M+</p><p>máx. = pl2 / 8; Vmáx. = pl / 2</p><p>- laje em consola M-</p><p>máx. = pl2 / 2; Vmáx. = pl</p><p>6) Determinação dos seguintes esforços combinados:</p><p>- momentos flectores (máximo positivo):</p><p>- combinação fundamental: MSd</p><p>- combinação frequente: Mf</p><p>- esforços transversos (junto aos apoios):</p><p>- combinação fundamental: VSd</p><p>7) Selecção da laje de vigotas a utilizar (é preciso alguma experiência - Fig. 68); nesta</p><p>selecção, o que é preciso é combinar os três seguintes elementos: a vigota (cujas</p><p>lhor modelo é à partida o de viga simplesmente apoiada, que implica o momento máximo</p><p>pl2/8.</p><p>aciças vigadas armadas numa só direcçã</p><p>dimensões e armadura variam), a abobadilha cerâmica ou não (cujas dimensões variam,</p><p>65</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>influenciando o espaçamento entre vigotas) e o betão complementar (cuja espessura</p><p>respecti mologação)</p><p>mínima também pode variar)</p><p>Fig. 68 - Exemplo de tabela de cálculo de pavimento de vigotas pré-esforçadas (extraído do</p><p>vo documento de ho</p><p>tipo de</p><p>tipo de bloco</p><p>espessura total máxima</p><p>e mínima [cm]</p><p>66</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>8) Verificação dos seguintes estados limite nas diversas secções condicionantes:</p><p>- MSd MRd (valor tabelado - Fig. 68)</p><p>g. 68)</p><p> - coeficiente de fluência (adoptar 2.0)</p><p>evida à carga frequente pf</p><p>- laje simplesmente apoiada: a0 = 5/384 x pf x l4 / E I (valor tabelado - Fig.</p><p>- VSd VRd (valor tabelado - Fig. 68)</p><p>- Mf Mfctk (valor tabelado - Fi</p><p>- a0 x (1+ MG / Mf x ) l / 400</p><p>em que MG - momento devido às cargas permanentes</p><p>l - vão de cálculo</p><p>a0 - flecha instantânea d</p><p>68)</p><p>NOTA: Se algum estado limite não for cumprido, volta-se ao passo 7 para outra laje de</p><p>vigotas; caso contrário, resta adoptar uma armadura superior (em toda a extensão do</p><p>pavimento) perpendicular às vigotas (geralmente uma malha electrossoldada) de acordo com</p><p>prescrito nas tabelas de dimensionamento (em que é designada de armadura “de</p><p>cd - valor de cálculo da tensão de rotura do betão à compressão</p><p>que - percentagem mecânica da armadura</p><p>o</p><p>distribuição”); paralelamente às vigotas, os varões (ou fios) podem ser mais espaçados.</p><p>9) Determinação da armadura superior nas consolas (cálculo de uma secção de betão armado</p><p>normal):</p><p>- = |MSd| / d2 x fcd</p><p>em que - momento flector reduzido</p><p>d - altura útil da armadura superior h - 0.025 m</p><p>f</p><p>(13.3 MPa para o B25 e 16.7 MPa para o B30)</p><p>- x (1 + ) (as tabelas fornecem um valor mais exacto)</p><p>em</p><p>- As = x d x fcd / fsyd</p><p>em que As - área da armadura superior principal</p><p>67</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>fsyd - valor de cálculo da tensão de rotura do aço à tracção (348</p><p>MPa para o A400)</p><p>- Adis 0.20 As</p><p>em que Adis - área da armadura superior de distribuição</p><p>10) Determinação da armadura de distribuição do betão complementar:</p><p>- As,dis 0.2 Asp.vigotas fspyd / fsyd</p><p>em que As,dis - área da armadura superior de distribuição</p><p>Asp.vigotas - área de armadura de pré-esforço, por metro de</p><p>largura</p><p>fspyd - valor de cálculo da tensão de rotura do aço de pré-esforço</p><p>- em alternativa, ver valor tabelado (Fig. 68)</p><p>Apesar de a sequência de cálculo apresentada acima apontar apenas para a consideração do</p><p>modelo de laje simplesmente apoiada em ambos os apoios, é possível calcular lajes de vigotas</p><p>pré-esforçadas tendo em conta de forma explícita algum grau de encastramento nos apoios</p><p>(apoios de continuidade). Para que isso seja possível, é necessário verificar as seguintes</p><p>condições:</p><p> nos apoios em que se pretende ter em conta alguma capacidade resistente a momentos</p><p>negativos, é necessário maciçar, para ambos os lados, um comprimento de laje igual à</p><p>zona em que, de acordo com o cálculo, poderão ocorrer</p><p>momentos negativos acrescido do</p><p>valor de translação e do comprimento de amarração previstos no REBAP (art.º 92º e art.º</p><p>81º, respectivamente);</p><p> nesta zona é necessário colocar uma armadura superior que garanta a resistência a</p><p>momentos negativos de que se pretende tirar partido, assim como a respectiva armadura</p><p>de distribuição;</p><p> tanto de um lado como do outro do apoio, as vigotas deverão estar orientadas segundo a</p><p>direcção correspondente aos momentos negativos considerados.</p><p>Neste caso, e através de uma redistribuição de esforços, é possível determinar o máximo mo-</p><p>mento flector positivo na zona do vão, assim como os esforços transversos nos apoios,</p><p>68</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>compatíveis e equilibrados com os momentos negativos considerados nos apoios. Isto permite</p><p>lguma economia ao nível do pavimento a utilizar, mas é sobretudo em termos do estado</p><p>te ãos</p><p>tagens</p><p>ignificativas.</p><p>a</p><p>limi de deformação, particularmente condicionante neste tipo de pavimentos para v</p><p>superiores a 4.5 / 5 m num modelo simplesmente apoiado, que se consegue van</p><p>s</p><p>69</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>70</p><p>9. 9BBIBLIOGRAFIA</p><p>[1] Brito, Jorge de, “Pavimentos Aligeirados de Pranchas Vazadas”, IST, Lisboa, 2003.</p><p>[2] Brito, Jorge de, “Pavimentos Pré-fabricados com Pré-Lajes”, IST, Lisboa, 2003.</p><p>View publication statsView publication stats</p><p>https://www.researchgate.net/publication/282183828</p><p>Jorge de Brito</p><p>Junho de 2003</p><p>ÍNDICE</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>2. SOLUÇÕES NÃO TRADICIONAIS DE PAVIMENTOS</p><p>3. PAVIMENTOS DE VIGOTAS DE BETÃO PRÉ-ESFORÇADO</p><p>4. PROCESSO DE FABRICO</p><p>5. CONTROLO DE QUALIDADE NO FABRICO</p><p>6. MONTAGEM EM OBRA</p><p>Fig. 52 - Da esquerda para a direita, cofragem das vigas principais e zonas de apoio, cofragem e escoramento dos tarugos, acerto do afastamento das vigotas nos apoios com os blocos de cofragem e vigotas paralelas entre si</p><p>Fig. 53 - Da esquerda para a direita, colocação dos blocos de cofragem, espaço entre os blocos para um tarugo e colocação da armadura de distribuição</p><p>Fig. 55 - Operário apoiado directamente sobre os blocos de cofragem (à esquerda), betão amassado em obra (ao centro) e camião com unidade de bombagem de betão (à direita)</p><p>7. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS E DE PROJECTO</p><p>8. DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTOS NÃO TRADICIONAIS</p><p>9. BIBLIOGRAFIA</p><p>parte</p><p>do capítulo dessa mesma cadeira dedicado às soluções não tradicionais de pavimentos e</p><p>escadas que, tal como toda a restante matéria, se restringe fundamentalmente aos edifícios</p><p>correntes. Dentro deste capítulo, insere-se nos pavimentos pré-fabricados aligeirados à base</p><p>de vigotas de betão pré-esforçado (e, com menor ênfase, armado) e elementos de</p><p>aligeiramento cerâmicos ou de betão. De fora ficam outras soluções de pavimentos não</p><p>tradicionais total ou parcialmente pré-fabricadas, como as pranchas vazadas e as pré-lajes,</p><p>tratadas em documentos independentes, respectivamente [1] e [2].</p><p>A elaboração deste documento não resultou de investigação específica sobre o tema efectuada</p><p>pelo seu Autor mas sim de alguma pesquisa bibliográfica, da consulta dos profissionais do</p><p>sector e de monografias escritas realizadas por alunos do Instituto Superior Técnico, na</p><p>Licenciatura em Engenharia Civil e no Mestrado em Construção. Assim, muita da informação</p><p>nele contida poderá também ser encontrada nos seguintes textos, que não serão citados ao</p><p>longo do texto:</p><p> Filipe Lopes, “Estruturas de Edifícios Prefabricados. Soluções Não Tradicionais. Vigotas</p><p>2</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Pré-Esforçadas”, Monografia apresentada no 12º Mestrado em Construção, Instituto</p><p>Superior Técnico, 2003, Lisboa;</p><p> António Hipólito, Nuno Chang Ho, Ricardo Luís e Rui Godinho, “Pavimentos Não</p><p>Tradicionais: Soluções à Base de Vigotas de Betão Armado e de Betão Pré-Esforçado”,</p><p>Monografia apresentada na Licenciatura de Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico,</p><p>1998, Lisboa;</p><p> Inês Pinto, Pedro Gama, Rui Dias e Helena Correia, “Soluções Não Tradicionais de</p><p>Pavimentos à Base de Vigotas de Betão Armado e Pré-Esforçado”, Monografia</p><p>apresentada na Licenciatura de Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, 2000,</p><p>Lisboa;</p><p> Jorge Marques, José Rino, Nuno Sousa e Rodolfo Serrano, “Pavimentos Não Tradicionais</p><p>de Vigotas Armadas e Pré-Esforçadas”, Monografia apresentada na Licenciatura de</p><p>Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, 2000, Lisboa;</p><p> António Quintão, Isabel Correia e Teresa Santo, “Pavimentos Não Tradicionais: Soluções</p><p>à Base de Vigotas de Betão Armado e Pré-Esforçado”, Monografia apresentada na</p><p>Licenciatura de Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, 2001, Lisboa;</p><p> Filipe Maurício, João Fonseca e Luís Godinho, “Pavimentos Não Tradicionais de Vigotas</p><p>Armadas e Pré-Esforçadas”, Monografia apresentada na Licenciatura de Engenharia Civil,</p><p>Instituto Superior Técnico, 2002, Lisboa.</p><p>3</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>2. SOLUÇÕES NÃO TRADICIONAIS DE PAVIMENTOS</p><p>2.1. SOLUÇÕES TRADICIONAIS</p><p>As soluções tradicionais de pavimentos (betonadas in-situ) são fundamentalmente de dois</p><p>tipos: as lajes vigadas maciças (Fig. 3) e as lajes fungiformes (Fig. 4).</p><p>Fig. 3 - Laje maciça vigada corrente (em cima) e laje maciça nervurada (em baixo)</p><p> 0.15 m</p><p> 0.225 m</p><p>Fig. 4 - Lajes fungiformes: maciças (em cima), aligeiradas com moldes recuperáveis (ao</p><p>meio) e recuperáveis com moldes perdidos (em baixo)</p><p>4</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>As lajes vigadas maciças tradicionais são elementos resistentes horizontais ou quase, sem ali-</p><p>geiramento, apoiados em vigas ou paredes e betonados in-situ, em que uma das dimensões, a</p><p>espessura normalmente constante, é muito inferior às restantes. Do seu campo de aplicação</p><p>constam: os vãos pequenos a médios; os pavimentos em que existem cargas concentradas não</p><p>negligenciáveis aplicadas no pavimento; as configurações irregulares em planta; os pavimen-</p><p>tos em regiões sísmicas e edifícios de médio a grande porte. Sobretudo em pontes e viadutos,</p><p>corre-se bastante a lajes maciças nervuradas, em que as nervuras funcionam como vigas.</p><p>ais não alinhados ou se pretende maior</p><p>berdade de colocação de divisórias ou tectos planos.</p><p>o leve, podendo também ser vazados (as soluções de moldes de</p><p>artão são inadequadas).</p><p>ico recorrer a lajes fungiformes de betão armado: 8 m para maciças e 12 m para aligeiradas.</p><p>re</p><p>As lajes fungiformes são elementos resistentes horizontais, apoiados directamente em pilares</p><p>ou paredes, em que uma das dimensões, a espessura que é constante, é muito inferior às</p><p>restantes. São solução de pavimento para vãos médios a grandes (escritórios, comércio,</p><p>armazéns), quando existem elementos resistentes vertic</p><p>li</p><p>Podem ser maciças ou aligeiradas e, dentro destas, de moldes recuperáveis ou perdidos. As</p><p>primeiras são uma solução económica para vãos de 5 a 7 m, podendo, com pré-esforço,</p><p>chegar a vãos superiores a 12 m. O comportamento é menos bom às acções sísmicas</p><p>(necessidade de recorrer a paredes resistentes). As segundas e terceiras são uma solução</p><p>económica para vãos de 6 a 10 m, podendo, com pré-esforço, atingir mais de 20 m. O</p><p>comportamento é menos bom às acções sísmicas ainda que um pouco melhor que o das lajes</p><p>fungiformes maciças. Os moldes recuperáveis são geralmente plásticos. Os moldes perdidos</p><p>são normalmente de betã</p><p>c</p><p>O problema do punçoamento pode ser resolvido recorrendo a lajes de espessura não constante</p><p>seja através de um capitel (Fig. 5, à esquerda) ou de um espessamento localizado (Fig. 5, à</p><p>direita). O recurso a estas soluções permite aumentar os máximos vãos para os quais é econó-</p><p>m</p><p>Os principais problemas das lajes fungiformes estão associados às dimensões reduzidas dos a-</p><p>poios (pilares) em relação aos vãos das lajes. Daí advém uma concentração de esforços e</p><p>armaduras junto aos pilares, o perigo do punçoamento das lajes, uma deformabilidade muito</p><p>5</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>acentuada das lajes para acções gravíticas e o seu comportamento menos bom às acções</p><p>ísmicas.</p><p>Fig. 5 - Capitel (à esquerda) ou espessamento (à direita) de laje fungiforme junto a pilar</p><p>.2. SOLUÇÕES NÃO TRADICIONAIS EM BETÃO</p><p>vãos pequenos a médios e configurações regulares em planta de edifícios</p><p>e pequeno porte.</p><p>s soluções não tradicionais de pavimentos em betão compreendem:</p><p>çado (Fig. 6):</p><p>ig. 7, ao centro);</p><p>ometria idêntica às de betão pré-esforçado ou como na Fig. 9) de</p><p>sidade normal;</p><p>e;</p><p> com blocos vazados cerâmicos;</p><p>s</p><p>2</p><p>As lajes vigadas não tradicionais são elementos resistentes horizontais ou quase, normalmente</p><p>aligeirados, apoiados em vigas ou paredes e parcial ou totalmente pré-fabricados, em que uma</p><p>das dimensões, a espessura que é constante, é muito inferior às restantes. Do seu campo de</p><p>aplicação constam:</p><p>d</p><p>A</p><p>a) à base de vigotas (Fig. 7, à esquerda) de betão pré-esfor</p><p> com blocos vazados de betão de densidade normal;</p><p> com blocos vazados de betão leve (F</p><p> com blocos maciços de betão leve;</p><p> com blocos vazados cerâmicos (Fig. 7, à direita);</p><p>b) à base de vigotas (de ge</p><p>betão armado (Fig. 8):</p><p> com blocos vazados de betão de den</p><p> com blocos vazados de betão leve;</p><p> com blocos maciços de betão lev</p><p>6</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Betão complementar (colocado in-</p><p>situ)</p><p>Vigota pré-esforçada</p><p>Abobadilha cerâmica</p><p>Fig. 6 - Laje de vigotas de betão pré-esforçado</p><p>Superfície rugosa para</p><p>facilitar a aderência 1 Ø</p><p>3 Ø</p><p>Fig. 7 - À esquerda, vigota de betão pré-esforçado, ao centro, blocos vazados de betão leve e,</p><p>à direita, bloco vazado cerâmico</p><p>Fig. 8 - Pavimento à base de vigotas de betão armado com treliças (“treillis”) metálicas e</p><p>abobadilhas de betão normal</p><p>7</p><p>Instituto Superior</p><p>Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 9 - Vigota-tipo com treliças metálicas (à esquerda) e pormenor da treliça (à direita)</p><p>c) à base de pranchas cerâmicas (Fig. 11) pré-esforçadas (Fig. 10):</p><p> com blocos vazados cerâmicos;</p><p>Fig. 10 - Pavimento à base de pranchas cerâmicas pré-esforçadas com abobadilhas cerâmicas</p><p>Fig. 11 - Pranchas cerâmicas tipo</p><p>8</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>d) utilizando pranchas vazadas (Fig. 13) de betão pré-esforçado (Fig. 12);</p><p>e) utilizando pranchas vazadas (Fig. 15) de betão armado (Fig. 14);</p><p>Fig. 12 - Pavimento à base de pranchas vazadas de betão pré-esforçado</p><p>Fig. 13 - Pranchas-tipo de betão pré-esforçado</p><p>9</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 14 - Pavimento à base de pranchas vazadas de betão armado</p><p>Fig. 15 - Pranchas-tipo de betão armado</p><p>f) utilizando pré-lajes (Fig. 17, à esquerda), armadas ou pré-esforçadas:</p><p> maciças (Fig. 16);</p><p> aligeiradas: com blocos vazados de betão</p><p>com blocos vazados de betão leve;</p><p>com blocos maciços de betão leve;</p><p>com blocos vazados cerâmicos (Fig. 17, à direita);</p><p>10</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>com blocos vazados de cartão;</p><p>com blocos vazados de materiais sintéticos (“esferovite”).</p><p>Treliça</p><p>Betão complementar</p><p>(colocado in-situ)</p><p>Pré-laje</p><p>Fig. 16 - Pré-laje maciça</p><p>Fig. 17 - À esquerda, pré-laje e, à direita, bloco vazado cerâmico</p><p>A abobadilha cerâmica (solução mais tradicional em Portugal) diminui o peso específico das</p><p>lajes aligeiradas, funcionando também como cofragem perdida. Pode ser substituída por blo-</p><p>cos vazados de betão normal ou leve (celular autoclavado tipo Ytong ou com argila expandida</p><p>tipo Leca) ou por blocos maciços de betão leve, tanto nas soluções à base de vigotas de betão</p><p>armado e pré-esforçado como nas com pranchas cerâmicas pré-esforçadas (nas pré-lajes</p><p>aligeiradas, os blocos de aligeiramento têm uma geometria ligeiramente diferente). O betão</p><p>complementar forma uma lâmina de compressão e é armado com uma rede electrossoldada.</p><p>11</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Por sua vez, as vigotas pré-esforçadas podem ser substituídas por pranchas cerâmicas pré-</p><p>esforçadas (Fig. 11), vigotas de betão armado idênticas às pré-esforçadas ou com treliças</p><p>metálicas (Fig. 9), pranchas vazadas (também designadas por lajes alveolares) de betão</p><p>armado (Fig. 15) ou pré-esforçado (Fig. 13), sendo que nestas duas últimas soluções não há</p><p>blocos de cofragem.</p><p>Na solução de pré-laje, a armadura principal (ordinária ou de pré-esforço) vem já incorporada</p><p>na pré-laje tendo a treliça (Fig. 16) essencialmente uma função de solidarização com o betão</p><p>complementar.</p><p>A competitividade de todas estas soluções não tradicionais está associada à repetitividade,</p><p>rapidez e diminuição da mão-de-obra. Por outro lado, em termos apenas de materiais</p><p>empregues, são geralmente mais caras.</p><p>Em termos puramente estruturais, todas estes soluções não tradicionais correspondem a</p><p>modelos de cálculo unidimensionais (lajes “armadas numa só direcção”, a dos elementos pré-</p><p>fabricados) e não garantem (à excepção das pré-lajes) de forma efectiva a continuidade sobre</p><p>os apoios. Por essas razões, correspondem a peças muito deformáveis que têm problemas logo</p><p>para vãos médios. Do ponto de vista sísmico, não são geralmente a melhor escolha.</p><p>Finalmente, a possível existência de juntas de betonagem menos bem executadas é uma</p><p>origem de problemas em termos de durabilidade, funcionalidade e conforto.</p><p>Por razões económicas, de estandardização e de nível de desempenho, as soluções à base de</p><p>vigotas de betão armado, pranchas cerâmicas pré-esforçadas, pranchas vazadas de betão</p><p>armado e pré-lajes com treliças metálicas estão hoje em desuso ou a caminho de o estar.</p><p>Deve ainda acrescentar-se uma outra utilização muito corrente das vigotas (geralmente as pré-</p><p>esforçadas): como madres, varas, ripas ou contra-ripas em coberturas de elementos</p><p>descontínuos, tanto apoiadas em asnas no sistema clássico (Fig. 18) como em muretes de</p><p>alvenaria de tijolo sobre lajes de esteira em desvãos não habitados (Fig. 19).</p><p>12</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Madres (vigotas</p><p>pré-esforçadas)</p><p>Asnas</p><p>Fig. 18 - Estrutura secundária de vigotas em cobertura clássica</p><p>Ripas de betão armado</p><p>Madres (vigotas pré-esforçadas)</p><p>Muretes de alvenaria de tijolo</p><p>Laje de esteira</p><p>Fig. 19 - Sistema de apoio de telhas com recurso a vigotas em desvão não habitado</p><p>13</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>3. PAVIMENTOS DE VIGOTAS DE BETÃO PRÉ-ESFORÇADO</p><p>Estes pavimentos são, como se referiu atrás, constituídos por vigotas pré-fabricadas de betão</p><p>pré-esforçado, onde assentam os blocos de cofragem, permitindo o aligeiramento do pavimen-</p><p>to. Após a colocação destes elementos em obra, é aplicado uma armadura de distribuição e</p><p>uma camada de betão complementar, com função resistente e de solidarização do conjunto.</p><p>O seu funcionamento estrutural é comparável ao de uma laje maciça tradicional com</p><p>armadura resistente unidireccional, sendo indispensável a necessária aderência entre o betão</p><p>complementar e as vigotas.</p><p>3.1. ELEMENTOS CONSTITUINTES</p><p>São os seguintes os elementos constituintes de um pavimento de vigotas de betão pré-</p><p>esforçado:</p><p> vigotas (Fig. 20, à esquerda);</p><p> fios de aço (Fig. 20, ao centro);</p><p> abobadilhas / blocos de cofragem (Fig. 20, à direita);</p><p> armadura de distribuição (Fig. 21, à esquerda);</p><p> betão complementar (Fig. 21, à direita).</p><p>Fig. 20 - À esquerda, vigotas pré-esforçadas, ao centro, fios de aço de pré-esforço e, à direita,</p><p>bloco de cofragem cerâmico</p><p>14</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 21 - À esquerda, armadura de distribuição e, à direita, betão complementar</p><p>As vigotas são pré-fabricadas, de betão pré-esforçado por fios de aço aderentes. O betão é</p><p>cimento portland normal, com características de resistência elevadas (da classe B45 ou</p><p>próxima). Os agregados podem ser calcários, basaltos, calhaus rolados, granitos e areias.</p><p>Os fios de aço utilizados no pré-esforço pertencem às classes Rm 1670 e Rm 1770, com</p><p>diâmetros de 3.2, 4 e 5 mm (consoante o fabricante e o tipo de vigota; à semelhança do</p><p>número e posicionamento dos fios na vigota - Fig. 22). O aço de pré-esforço, homologado</p><p>pelo LNEC, satisfaz à classe 1770 de baixa relaxação, de acordo com a ENV 138/79.</p><p>Fig. 22 - Diferentes tipos de vigota para um mesmo fabricante</p><p>As abobadilhas ou blocos de cofragem utilizados são geralmente vazados (a excepção são os</p><p>em betão autoclavado) e têm formas de extradorso curvas ou poligonais, e ressaltos laterais</p><p>para apoio nos banzos das vigotas. Os materiais mais utilizados são as abobadilhas de barro</p><p>vermelho, os blocos de betão leve (Leça - argila expandida) e, menos comuns, os blocos de</p><p>betão normal ou de betão celular autoclavado.</p><p>O betão complementar é aplicado em camada contínua de espessura variável, mas nunca</p><p>inferior a 30 mm, incorporando uma armadura de distribuição, normalmente uma rede</p><p>15</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos</p><p>aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>electrossoldada (malhasol). O betão complementar é de cimento portland normal com uma</p><p>dosagem mínima de 300 kg de cimento por m3 de betão e com características de classe não</p><p>inferior a C20/25 ou B25. A dimensão máxima dos agregados deve permitir o preenchimento</p><p>fácil e completo dos espaços entre as vigotas e os blocos de cofragem.</p><p>3.2. CAMPO DE APLICAÇÃO</p><p>A aplicação dos pavimentos de vigotas pré-esforçadas é essencialmente em edifícios de</p><p>pequeno a médio porte, nomeadamente em altura (Fig. 23, à esquerda), geralmente de</p><p>habitação (Fig. 23, ao centro) ou com ocupação e utilização semelhante, por representarem</p><p>uma enorme economia de tempo de execução e não necessitarem de uma mão-de-obra muito</p><p>especializada. A utilização deste tipo de pavimento é condicionada nos casos em que existam</p><p>cargas concentradas, em zonas sísmicas para edifícios de médio a grande porte ou quando o</p><p>vão é superior a 5 a 6 m devendo ser objecto de estudo adequado.</p><p>Fig. 23 - Edifícios com pavimentos de vigotas pré-esforçadas (à esquerda e ao centro) e</p><p>vigotas pré-esforçadas em cobertura de edifícios (à direita)</p><p>Como referido acima, uma outra aplicação das vigotas pré-esforçadas é na estrutura de</p><p>suporte de revestimentos descontínuos em coberturas de edifícios (Fig. 23, à direita).</p><p>3.3. VANTAGENS E DESVANTAGENS</p><p>O Quadro 1 resume as vantagens e desvantagens dos pavimentos de vigotas de betão pré-</p><p>esforçado relativamente aos pavimentos tradicionais.</p><p>16</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Quadro 1 - Vantagens e desvantagens dos pavimentos de vigotas de betão pré-esforçado</p><p>VANTAGENS DESVANTAGENS</p><p>Quando sujeitos a vãos e sobrecargas</p><p>idênticos, apresentam um peso próprio</p><p>mais baixo, permitindo o aligeiramento da</p><p>superstrutura (vigas, pilares e fundações)</p><p>tanto em termos de acções verticais como</p><p>horizontais (sismo)</p><p>Contraventamento horizontal menor, apesar da camada</p><p>de betão complementar contínua com armadura de</p><p>distribuição e da solidarização por cintas armadas dos</p><p>apoios e bordos laterais dos painéis de pavimento (pelo</p><p>que se desaconselha a sua utilização para edifícios de</p><p>médio a grande porte em zonas fortemente sísmicas)</p><p>Dispensam a quase totalidade da cofragem</p><p>(excepto nas lajes em consola, as quais</p><p>devem ser maciçadas na totalidade</p><p>Heterogeneidade dos pavimentos, que diminui a resis-</p><p>tência global mas que pode ser melhorada tal como</p><p>acima descrito</p><p>da sua extensão, e junto aos apoios nas</p><p>restantes lajes), exigindo apenas a monta-</p><p>gem de escoramento das vigotas</p><p>A descontinuidade do paramento inferior dos</p><p>pavimentos pode dar origem ao aparecimento de</p><p>fendas ao longo das juntas entre vigotas e blocos de</p><p>cofragem; este risco pode ser limitado desde que se</p><p>armem localmente as camadas de argamassa de</p><p>revestimento e acabamento dos tectos com faixas de</p><p>fibras têxteis ou de rede metálica, mas não dispensa o</p><p>recurso a revestimentos inferiores</p><p>Economia em mão-de-obra (na cofragem</p><p>e na pormenorização das armaduras),</p><p>desde que o transporte das vigotas da</p><p>fábrica para o estaleiro não as onere</p><p>excessivamente</p><p>O suporte de eventuais cargas de equipamentos ou de</p><p>instalações a suspender dos tectos, dada a limitada</p><p>resistência dos blocos de cofragem, tem de ser</p><p>assegurado por peças apropriadas incluídas no</p><p>pavimento durante a sua execução</p><p>Montagem simples (o peso máximo a ma-</p><p>nusear ainda permite que a totalidade das</p><p>operações seja manual) e rápida</p><p>A relativa leveza dos pavimentos aligeirados contraria</p><p>a capacidade de isolamento à transmissão de ruídos</p><p>aéreos entre andares</p><p>Dada a existência de elementos vazados</p><p>na sua constituição, proporcionam um me-</p><p>Difícil adaptação a pavimentos que não sejam</p><p>rectangulares em planta</p><p>lhor isolamento térmico entre andares Para que estes pavimentos sejam competitivos, não</p><p>convém que existam vãos muito diferentes no edifício</p><p>Por serem simplesmente apoiados em ambos os</p><p>bordos, estes pavimentos têm flechas a longo prazo</p><p>muito condicionantes (ver item seguinte)</p><p>Não resistem a momentos flectores negativos, podendo</p><p>no entanto conferir-se essa resistência através da</p><p>execução de faixas maciças de betão armado que</p><p>envolvam as vigotas, nas zonas sujeitas às acções</p><p>desses momentos, com a espessura do pavimento e</p><p>com a armadura superior adequada</p><p>Os pavimentos aligeirados e pré-esforçados têm pior</p><p>comportamento face a incêndios (devido à sua menor</p><p>massa específica e a os fios pré-esforçados não</p><p>recuperarem as suas características após o aquecimento</p><p>a temperaturas elevadas)</p><p>Em terraços e telhados, estes pavimentos exigem um</p><p>sistema de impermeabilização de elevada qualidade e</p><p>durabilidade porque permitem a circulação de água no</p><p>seu interior</p><p>17</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>4. PROCESSO DE FABRICO</p><p>As vigotas são fabricadas por um sistema mecanizado, sendo a sua moldagem feita, sem</p><p>moldes fixos, sobre uma plataforma de betão, ao longo da qual se descola um dispositivo</p><p>mecânico de distribuição, moldagem lateral e compactação do betão por vibração.</p><p>4.1. ARMAZENAMENTO E DOSAGEM DOS AGREGADOS</p><p>Os agregados são colocados, separadamente, em “silos” consoante a sua calibragem (Fig. 24,</p><p>à esquerda). Através de tapetes rolantes (Fig. 24, 2º a partir da esquerda), os agregados</p><p>doseados e o cimento, também armazenado em silos (Fig. 25, à esquerda), são transportados</p><p>para uma betoneira (Fig. 24, 2º a partir da direita) para a execução do betão, controlada</p><p>através de um sistema centralizado (Fig. 25, ao centro). Já na fase de moldagem, o betão é</p><p>enviado através de baldes (Fig. 25, à direita) que se deslocam suspensos de pontes rolantes até</p><p>à máquina de moldagem das vigotas.</p><p>Fig. 24 - Da esquerda para a direita, silos de agregados, tapetes rolantes para transporte de</p><p>agregados, betoneira e limpeza manual das pistas</p><p>4.2. LIMPEZA DAS PISTAS</p><p>O tratamento das superfícies das pistas ou mesas tem por objectivo evitar que as bases das</p><p>vigotas adiram às pistas. Esta limpeza, antigamente feita por métodos manuais (Fig. 24, à</p><p>direita), é hoje feita através de uma máquina (Fig. 27, à esquerda) que possui um par de</p><p>escovas rotativas cilíndricas, eliminando qualquer tipo de detritos.</p><p>18</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 25 - À esquerda, silos de armazenamento de cimento, ao centro, central de comando da</p><p>execução do betão e, à direita, baldes para transporte do betão para a máquina de moldagem</p><p>das vigotas</p><p>As superfícies não revestidas são tratadas com produtos sólidos, como pó de pedra calcária,</p><p>pó ou granulado fino de tijolo e cal apagada, em pó ou em leite. Depois, ou no caso das</p><p>superfícies revestidas, o produto líquido utilizado é o óleo de descofragem misturado com</p><p>água (Fig. 26). Este será aplicado nas mesas através de um regador, pulverizador, ou</p><p>dispositivo espalhador colocado na frente da máquina, numa quantidade suficiente e tendo o</p><p>cuidado do excesso, pois irá prejudicar a aderência aço-betão no pré-esforço.</p><p>Fig. 26 - Aplicação do óleo descofrante na pista</p><p>4.3. COLOCAÇÃO DOS FIOS DE AÇO</p><p>Os fios encontram-se enrolados em bobines especiais (Fig. 27, ao centro) junto às mesas de</p><p>moldagem (Fig. 27, à direita), sendo estendidos ao longo das mesas por processos manuais ou</p><p>mecânicos (Fig. 28, à esquerda), até à extremidade oposta onde são fixados nas cabeças de</p><p>19</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>fixação (maciços de amarração), com a forma da vigota (Fig. 28, ao centro). Neste processo,</p><p>deve-se evitar</p><p>a lubrificação acidental dos fios com o óleo de descofragem. Na extremidade</p><p>onde se encontram as bobines (Fig. 28, à direita), a fixação é feita nos macacos hidráulicos,</p><p>ue irão aplicar o pré-esforço nos fios.</p><p>q</p><p>Fig. 27 - Máquina pa o dos fios de aço (ao</p><p>centro) e mesas / pistas de montagem (à direita)</p><p>ra limpeza das pistas (à esquerda), armazenament</p><p>Fig. 28 - Máquina para puxar os fios de pré-esforço (à esquerda), cabeças de fixação dos fios</p><p>de aço (ao centro) e extremidade a partir da qual os fios são esticados (à direita)</p><p>, à direita). Este sistema permite a comunicação gradual do pré-</p><p>sforço dos fios às vigotas.</p><p>Geralmente, a fixação é feita individualmente para cada fio através de cunhas cónicas de aço</p><p>de alta resistência (Fig. 28, à direita), com superfície estriada, as quais actuam dentro de um</p><p>pequeno cilindro de aço formando um conjunto, previamente enfiado nos fios e que encostam</p><p>aos dispositivos de apoio, ligados à plataforma das mesas de moldagem. Estes dispositivos</p><p>podem ser vigas Grey ou perfis I, solidamente apoiados em troços de viga do mesmo tipo que,</p><p>por sua vez, estão fixos às plataformas das mesas de moldagem através de parafusos e porcas</p><p>de grande diâmetro (Fig. 28</p><p>e</p><p>20</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>4.4. APLICAÇÃO DO PRÉ-ESFORÇO</p><p>a dois fios simétricos, a todos os fios de uma</p><p>igota ou a todos de uma mesa de moldagem.</p><p>tes que levem à quebra de um ou mais cabos, que</p><p>rovocam o seu movimento descontrolado.</p><p>elasticidade do aço e erros na</p><p>edição do alongamento ou do comprimento inicial dos fios).</p><p>O pré-esforço é aplicado com recurso a um macaco hidráulico (Fig. 29, à esquerda),</p><p>accionado electricamente, no qual se pode medir o alongamento dos fios e controlar, por</p><p>manómetro, a força a aplicar de acordo com a tensão de pré-esforço prevista. O pré-esforço</p><p>pode ser aplicado individualmente a cada fio,</p><p>v</p><p>No processo de aplicação do pré-esforço nos fios, coloca-se, antes do início da mesa de mol-</p><p>dagem, um painel metálico (Fig. 29, ao centro) com o objectivo de proteger os operários que</p><p>executam o pré-esforço. Esta protecção justifica-se pelo facto de, aquando da execução do</p><p>pré-esforço dos fios, poderem ocorrer aciden</p><p>p</p><p>A verificação da força a aplicar é feita por leitura da pressão indicada no manómetro do</p><p>macaco hidráulico. Para tal, os macacos possuem uma tabela que permite saber a força</p><p>aplicada em função da pressão indicada no manómetro. Podem, no entanto, ocorrer erros</p><p>devidos a má calibração do aparelho, a fugas de óleo por envelhecimento ou desgaste dos</p><p>retentores do êmbolo dos macacos ou ainda por atrito dos fios. Em alguns casos, os macacos</p><p>possuem um sistema automático que cessa a aplicação da força assim que seja atingido o</p><p>valor pretendido. Em alternativa, pode-se medir o alongamento sofrido pelos fios, mas este</p><p>método também está sujeito a erros (variações no módulo de</p><p>m</p><p>Fig. 29 - À esquerda, macaco hidráulico para aplicação do pré-esforço, ao centro, painel</p><p>metálico de protecção e, à direita, máquina de moldagem e deposição do betão na mesma</p><p>21</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>4.5. MOLDAGEM</p><p>uso pelo seu baixo</p><p>ndimento, que eram metálicos e constituídos por troços desmontáveis).</p><p>ação das hastes verticais permite fixar os fios às cotas</p><p>revistas e evitar erros de fabrico.</p><p>A moldagem é realizada através de uma máquina, que se desloca sobre carris paralelos às</p><p>mesas de montagem, constituída por um corpo principal (Fig. 29, à direita), na base do qual se</p><p>encontram incorporados os moldes das vigotas (Fig. 30, à esquerda). Superiormente, a</p><p>máquina possui uma tremonha para armazenamento do betão, que para lá é transportado por</p><p>baldes suspensos de pontes rolantes e é enviado posteriormente para os moldes situados</p><p>inferiormente (Fig. 30, 2º a contar da esquerda). A tremonha possui um conjunto de pás</p><p>rotativas que permitem o remeximento do betão com o objectivo de evitar a segregação do</p><p>mesmo, causada pelas operações de lançamento do betão da betoneira para o balde, transporte</p><p>por ponte rolante e descarga do balde para a tremonha de alimentação da máquina. O betão</p><p>tem de ter uma consistência tal que se aguente na forma que o processo de extrusão lhe dá,</p><p>sem necessidade de confinamento lateral (moldes, hoje caídos em des</p><p>re</p><p>Instalado na parte da frente da máquina, encontra-se um chassis que contém os guia-fios (Fig.</p><p>30, 2º a contar da direita). Os guia-fios são em geral constituídos por hastes verticais dispondo</p><p>de parafusos de fixação, nas quais existem pequenas hastes transversais onde são suspensos</p><p>os fios de pré-esforço. A desloc</p><p>p</p><p>Fig. 30 - Da esquerda para a direita, moldes das vigotas na base da máquina de moldagem, apli-</p><p>cação do betão na base da tremonha da máquina de moldagem, guia-fios e cabo e tambor rotativo</p><p>22</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>A deslocação da máquina de moldagem processa-se por meio de um cabo que está fixo no</p><p>topo da mesa de moldagem e num tambor rotativo acoplado à máquina (Fig. 30, à direita). O</p><p>fio, ao ser enrolado no tambor provoca o movimento da máquina. O processo de moldagem</p><p>as vigotas, em grupos de 10, numa pista com 120 m, demora cerca de 1 h e 45 mins.</p><p>.6. CURA</p><p>para acelerar a presa não é aconselhável por conduzir a betões de menor</p><p>sistência.</p><p>8 h, por aumentar o efeito de presa. Os procedimentos para este tratamento são os seguintes:</p><p>s em cavaletes metálicos, para</p><p>loca-se uma superfície</p><p>a 4 h e controlada por termómetros</p><p>a de vapor e o arrefecimento até à temperatura inicial; este</p><p>betão, o tempo de cura pode ser</p><p>d</p><p>4</p><p>Depois de moldadas, as vigotas permanecem nas mesas de fabrico onde sofrem um processo</p><p>de cura, que tanto pode ser natural (Fig. 31, à esquerda) como acelerado, até que o betão</p><p>atinja as resistências mínimas exigidas para que possa suportar a transmissão do pré-esforço</p><p>dos fios. Se a cura for natural, as mesas são regadas abundantemente durante 4 a 7 dias,</p><p>dependendo da temperatura e do grau de humidade atmosférica, podendo no Verão colocar-se</p><p>uma cobertura plástica que impeça a evaporação da água. O recurso a água aquecida antes da</p><p>betonagem</p><p>re</p><p>Quando a cura é feita através de tratamento a vapor aquecido, o tempo de cura baixa para 24 a</p><p>4</p><p> após a moldagem das vigotas, são colocados tubos montado</p><p>canalização do vapor de água, ao longo de todas as mesas;</p><p> sobre a tubagem e cobrindo totalmente as mesas de moldagem, co</p><p>vedante e termicamente isolante, em geral constituída por oleados;</p><p> proveniente de uma caldeira aquecida a temperatura conveniente, o vapor de água é</p><p>introduzido no interior das tendas à pressão de 2.9 MPa, através da tubagem de admissão;</p><p> o aquecimento processa-se de forma gradual durante cerca de 5 h até atingir a temperatura</p><p>máxima de 60 / 70 ºC, a qual é mantida cerca de 2</p><p>colocados a intervalos regulares ao longo das mesas;</p><p> segue-se a suspensão da entrad</p><p>processo demora cerca de 9 h;</p><p> se forem adicionados aditivos próprios à amassadura do</p><p>reduzido mais ainda, obtendo-se um rendimento maior.</p><p>23</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>4.7. TRANSMISSÃO DO PRÉ-ESFORÇO DOS FIOS PARA O BETÃO</p><p>ssa transmissão,</p><p>unca de modo brusco ou descuidado, pode ser efectuada por dois processos:</p><p>equeno deslocamento inicial após o que o processo é</p><p>Fig. 32, ao centro) ainda que também possa ser feito</p><p>manualmente (Fig. 32, à direita).</p><p>Depois de o betão atingir a resistência mecânica necessária regulamentarmente, cerca dos 20</p><p>MPa, procede-se à transmissão do pré-esforço dos fios ao betão das vigotas. E</p><p>n</p><p>1. por libertação (afrouxamento) gradual do pré-esforço dos fios de aço (Fig. 31, ao centro);</p><p>para tal e com recurso a uma chave especial (Fig. 32, à esquerda), vão sendo</p><p>desapertados os parafusos, em que se apoiam as vigas metálicas de fixação dos fios,</p><p>existentes no topo da mesa, do lado da aplicação do pré-esforço; existe também a</p><p>hipótese de realizar esta operação com um mecanismo hidráulico, em que o quadro</p><p>metálico a que estão fixos os fios é deslocado gradualmente do lado contrário ao da</p><p>aplicação do pré-esforço (Fig. 31, à direita); aquando da libertação das cavilhas que</p><p>prendem o quadro, observa-se um p</p><p>controlado pelo macaco hidráulico;</p><p>2. por corte das vigotas ou dos fios, utilizando, geralmente, uma serra de disco com ponta</p><p>de diamante, arrefecida a água (</p><p>Fig. 31 - Cura natural das vigotas (à esquerda) e transmissão do pré-esforço para as vigotas</p><p>por afrouxamento dos fios do lado de aplicação do pré-esforço (ao centro) ou do lado oposto</p><p>(à direita)</p><p>Após a transmissão do pré-esforço às vigotas, o valor a utilizar nas aplicações será sempre</p><p>inferior ao inicialmente transmitido devido às perdas que ocorrem sempre no processo. As</p><p>perdas de pré-esforço podem ser devidas ao escorregamento dos fios nos dispositivos de</p><p>24</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>fixação ou por lubrificação acidental dos fios (que deslizam no interior do betão das vigotas)</p><p>quando da sua colocação sobre a mesa.</p><p>a</p><p>e para afrouxamento (à esquerda), máquina de corte das vigoFig. 32 - Chav tas e fios (ao</p><p>centro) e corte manual dos fios nas extremidades (à direita)</p><p>.8. CORTE DAS VIGOTAS</p><p>ig. 33,</p><p>direita), utiliza-se como ferramenta de corte ferramentas manuais (Fig. 32, à direita).</p><p>4</p><p>Após a transmissão do pré-esforço, as vigotas são cortadas com os comprimentos correspon-</p><p>dentes às encomendas (marcados manual - Fig. 33, à esquerda - ou automaticamente - Fig. 33,</p><p>à direita), com o auxílio de maçaricos oxiacetilénicos ou de uma serra de disco de pontas de</p><p>diamante, existente numa máquina de corte (Fig. 34, à esquerda). Esta desliza ao longo da</p><p>pista, dispõe de um leitor laser com um erro máximo de 3 mm e de um enrolador para</p><p>alimentação de água, cortando um conjunto de vigotas em comprimentos previamente</p><p>definidos. Nos casos que se tenha removido o betão enquanto fresco na zona de corte (F</p><p>à</p><p>da) e automática (à Fig. 33 - Marcação manual (à esquer direita) do comprimento das vigotas</p><p>antes do seu corte</p><p>25</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>rda, máquina de corte de vigotas, ao centro, vigotas separaFig. 34 - À esque das fisicamente</p><p>por remoção de betão fresco e, à direita, vigotas cortadas</p><p>.9. LEVANTAMENTO, TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO DAS VIGOTAS</p><p>ixação em</p><p>istanciados mais do que 5 m e os extremos em “consola” devem ter, no</p><p>áximo, 50 cm.</p><p>4</p><p>Após o corte (Fig. 34, à direita), as vigotas são levantadas em grupos das mesas de moldagem</p><p>por meio de um quadro suspenso numa ponte rolante (Fig. 35), ou individualmente através de</p><p>travessas metálicas de secção I, munidas de pendurais com pinças nas suas extremidades, ou</p><p>mesmo manualmente (hoje em desuso). Os quadros utilizados possuem pinças de f</p><p>número igual ao de fiadas de vigotas em cada mesa que permitem o seu transporte.</p><p>Posteriormente, as vigotas são transportadas para a zona de armazenamento (Fig. 36, à</p><p>esquerda), através de empilhadoras (Fig. 36, ao centro). São catalogadas e dispostas em</p><p>grupos, consoante o comprimento e a forma (Fig. 36, à direita). Devem ser colocadas umas</p><p>por cima das outras, separadas por ripas de madeira, colocados transversalmente. Estes apoios</p><p>não devem ser d</p><p>m</p><p>Fig. 35 - Fases do levantamento e transporte das vigotas das mesas de montagem</p><p>26</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Zona de armazenamento das vigotas (à esquerda), empilhadora para transpFig. 36 - orte das</p><p>vigotas (ao centro) e vigotas armazenadas umas sobre as outras (à direita)</p><p>e contra-flecha; caso contrário,</p><p>s vigotas podem ficar danificadas ou até mesmo partirem-se.</p><p>.10 FABRICO DOS BLOCOS DE COFRAGEM DE BETÃO</p><p>um conjunto de máquinas fixas (Fig. 37, ao</p><p>entro) que trabalham dentro de um pavilhão.</p><p>Durante o transporte e armazenamento, as peças deverão ser mantidas na posição de</p><p>moldagem (“T” invertido) de modo a ser aproveitado o efeito d</p><p>a</p><p>4</p><p>Tal como nas vigotas, a limpeza das pranchas é efectuada de maneira a evitar que as bases</p><p>dos blocos a elas adiram e é aplicado um óleo descofrante emulsionado. Existem dois</p><p>processos de fabrico: um é feito através de uma máquina móvel que funciona autonomamente</p><p>no exterior (Fig. 37, à esquerda) e o outro é</p><p>c</p><p>abrico dos moldes de betão por processos alternativos (máquina móvel, àFig. 37 - F direita, e</p><p>fixa, ao centro, com respectiva central de controlo e comando, à direita)</p><p>27</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Normalmente, o fabrico inicia-se com a colocação dos moldes nas respectivas pranchas, onde</p><p>irão ser executados os blocos (Fig. 38, à esquerda e ao centro). De seguida, procede-se à</p><p>colocação do betão, preparado em central própria, nos moldes e à vibração dos blocos. Todo o</p><p>processo funciona autonomamente em ciclo fechado, apenas com um controlador, através de</p><p>ma central (Fig. 37, à direita).</p><p>r até fazerem presa e atingirem a sua resistência</p><p>ormal, normalmente cerca de 24 a 48 h.</p><p>estaleiro onde irão aguardar em stock (Fig. 39, à direita) até serem transportados para</p><p>bra.</p><p>u</p><p>Depois de betonados e vibrados, os blocos são inspeccionados, excluindo-se aqueles que</p><p>apresentam fendas ou deformados. Esta inspecção é feita por um operário especializado (Fig.</p><p>39, à esquerda). Todo o bloco com defeito é retirado imediatamente, de modo a garantir a</p><p>qualidade do produto. Após a inspecção, os moldes são envolvidos em materiais herméticos,</p><p>de modo a preservar a humidade e temperatura. De seguida, são transportados (Fig. 38, à</p><p>direita) para lugar próprio para repousa</p><p>n</p><p>Quando os blocos atingem a sua resistência normal são descobertos e empilhados, para serem</p><p>envolvidos por plástico, de modo a garantir a sua estabilidade na palete. Finalmente, seguem</p><p>para o</p><p>o</p><p>de betão Fig. 38 - Fases do fabrico dos blocos de cofragem</p><p>.11. PATOLOGIA NA FASE DE FABRICO</p><p>.11.1. Resistência do betão à compressão</p><p>4</p><p>4</p><p>28</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Um dos principais problemas na produção de vigotas está no emprego de betões de elevada</p><p>resistência, geralmente de classes elevadas (B45 ou similar). Existe, sobretudo, a dificuldade</p><p>de garantir um adequado controlo de qualidade. Este problema está relacionado com a falta de</p><p>produção nacional de cimentos apropriados as estas classes de betão e ainda com a</p><p>dificuldade dos produtores em adquirir agregados com características convenientes. Por este</p><p>facto, existe uma variação ligeira do betão das vigotas, não correspondendo a uma</p><p>ignificativa diminuição da capacidade de resistência dos pavimentos.</p><p>s</p><p>Fig. 39 - Inspecção (à esquerda) e armazenamento (à direita) dos blocos de cofragem de betão</p><p>a transmissão do</p><p>ré-esforço. A qualidade do betão tem influência nas perdas de pré-esforço.</p><p>.11.2. Pré-esforço nas vigotas</p><p>é-esforço às</p><p>igotas. Quanto às perdas excessivas de pré-esforço, são devidas a várias razões:</p><p> deficiências</p><p>nos sistemas de ancoragem;</p><p>A utilização de betões de classe de resistência mais elevada permite maior rendimento no</p><p>fabrico de vigotas, porque reduz o intervalo de tempo entre a moldagem e</p><p>p</p><p>4</p><p>As deficiências de pré-esforço devem-se a duas causas: aplicação incorrecta do pré-esforço ou</p><p>perdas excessivas de pré-esforço. A primeira resulta da existência de deficiências nos</p><p>sistemas de aplicação de pré-esforço aos fios ou da necessidade de reduzir as tensões iniciais,</p><p>tendo em conta as fracas resistências dos betões na altura de transmissão do pr</p><p>v</p><p> fraca qualidade do betão;</p><p>29</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p> existência de escorregamentos dos fios na altura da transmissão do pré-esforço ao betão</p><p>das vigotas.</p><p>Um deficiente pré-esforço instalado nas vigotas conduz a uma redução das tensões de com-</p><p>pressão das vigotas, em relação às previstas. Esta situação regista-se com maior incidência</p><p>nas zonas superiores e, em casos extremos, podem inclusivamente verificar-se tensões de</p><p>tracção nessas zonas. Devido a este aspecto, durante as operações de manuseamento,</p><p>transporte e montagem em obra, poderão aparecer vigotas fissuradas ou mesmo partidas, pelo</p><p>facto de nas referidas operações elas serem submetidas a acções que geram tensões de tracção</p><p>não compensadas pelas fracas tensões de compressão devidas ao pré-esforço deficiente.</p><p>O pré-esforço em excesso apresenta implicações maiores na fase de fabrico das vigotas. Em</p><p>situações extremas, poderão ocorrer dois tipos de rotura:</p><p> a rotura dos fios na altura de aplicação do pré-esforço, se as tensões de tracção aplicadas</p><p>ultrapassarem as tensões de rotura dos aços;</p><p> a rotura do betão, em especial nas vigotas mais pré-esforçadas e de menor secção, sempre</p><p>que as tensões iniciais sejam superiores às de rotura do betão das vigotas na altura da</p><p>transmissão do pré-esforço.</p><p>Podem ainda ocorrer desequilíbrios entre o pré-esforço efectivamente aplicado nos fios</p><p>inferiores e entre os inferiores e os superiores.</p><p>4.11.3. Posicionamento das armaduras</p><p>O posicionamento deficiente dos fios pré-esforçados pode dar origem a vigotas com</p><p>características inadequadas. As consequências do mau posicionamento são:</p><p> ausência ou redução do recobrimento das armaduras;</p><p> descida dos fios que se traduz num aumento de contra-flechas e na redução das tensões de</p><p>compressão nas zonas superiores das vigotas;</p><p> subida dos fios que leva à redução de contra-flecha ou mesmo à sua anulação;</p><p>30</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p> existência de desvios de fios na horizontal que provoca desalinhamento nas vigotas o que</p><p>conduz a dificuldades durante a montagem em obra dos elementos prefabricados.</p><p>4.11.4. Outras falhas</p><p>Em fábrica, são possíveis outras falhas em vigotas resultantes do seu processo de fabrico:</p><p> pisar-se a vigota, quando esta ainda não tem consistência suficiente (Fig. 40, à esquerda);</p><p> fracturar-se a vigota ao pegar o conjunto das vigotas com a empilhadora (Fig. 40, à</p><p>direita);</p><p> falhas na moldagem (Fig. 41, à esquerda);</p><p> rega com demasiada pressão para o betão fresco (Fig. 41, à direita);</p><p> deixar-se cair a vigota;</p><p> faltar betão ou este demorar muito tempo a chegar à máquina;</p><p> entre outras (Fig. 42, à esquerda).</p><p>Fig. 40 - Defeitos de fabrico em vigotas</p><p>Fig. 41 - Defeitos de fabrico em vigotas</p><p>4.11.5. Reutilização de vigotas defeituosas</p><p>31</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>As vigotas defeituosas poderão ser utilizadas para postes de vedação, bem como, depois de</p><p>cortadas em troços de pequena dimensão (Fig. 42, à direita), em enchimentos inferiores às</p><p>fundações, em substituição das pedras de grande porte.</p><p>Fig. 42 - Vigotas com defeitos (à esquerda) e reaproveitamento de vigotas defeituosas (à</p><p>direita)</p><p>32</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>5. CONTROLO DE QUALIDADE NO FABRICO</p><p>Em Portugal, a garantia de qualidade dos pavimentos executados com vigotas pré-fabricadas,</p><p>é assegurada pelo LNEC, através de estudos e revisões periódicas das homologações. Os</p><p>Documentos de Homologação definem as características e estabelecem as condições de</p><p>execução e de emprego dos pavimentos aligeirados de vigotas prefabricadas de betão pré-</p><p>esforçado, blocos de cofragem e betão complementar moldado em obra. Não pretendem ser</p><p>um certificado de garantia de qualidade dos pavimentos a que se referem. Têm como</p><p>finalidade a correcção dos erros de concepção dos pavimentos e a uniformização das bases de</p><p>dimensionamento estrutural, assim como a verificação da capacidade de produção, por parte</p><p>dos fabricantes. São os seguintes os aspectos analisados:</p><p> execução do pavimento, incluindo a verificação das características dimensionais e de</p><p>conformação e natureza dos respectivos materiais;</p><p> verificação analítica da capacidade resistente dos pavimentos;</p><p> condições de fabrico, incluindo a verificação experimental das características mecânicas</p><p>dos elementos constituintes dos pavimentos e dos materiais empregues.</p><p>Assim sendo, o documento de homologação deve englobar os seguintes aspectos:</p><p> designação comercial e fabricante;</p><p> descrição sumária do pavimento ou dos pavimentos;</p><p> tipo estrutural;</p><p> materiais e elementos constituintes;</p><p> representação gráfica do conjunto e dos detalhes;</p><p> dimensões gerais e dos elementos constituintes;</p><p> quantidade dos materiais e peso;</p><p> recomendações de execução;</p><p> conclusão do exame das condições de fabrico e de aplicação em obra;</p><p> resumo e interpretação dos resultados dos ensaios realizados;</p><p> definição dos dados e das regras de cálculo para o dimensionamento;</p><p> compilação, em tabelas ou ábacos, dos resultados do dimensionamento;</p><p>33</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p> indicação das condições ou das reservas de aplicação e de emprego recomendadas;</p><p> regras e ensaios de recepção;</p><p> decisão de homologação.</p><p>5.1. EXIGÊNCIAS QUE OS ELEMENTOS CONSTITUINTES DOS PAVIMENTOS DEVEM SATISFAZER</p><p>5.1.1. Vigotas</p><p>As vigotas de betão pré-esforçado deverão estar isentas de defeitos aparentes tais como fendas</p><p>ou chocos de betonagem. A sua superfície deverá ter rugosidade suficiente para garantir uma</p><p>boa ligação ao betão complementar do pavimento.</p><p>No comprimento das vigotas, é admitido um desvio de 2 cm em relação ao inicialmente</p><p>estipulado (tolerância), por excesso ou por defeito. As dimensões transversais das vigotas não</p><p>devem ter variações superiores a 5 mm em relação às dimensões previstas. Os fios da</p><p>armadura de pré-esforço não devem apresentar, relativamente à localização prevista, desvios</p><p>verticais superiores a 3 mm e horizontais que excedam 5 mm.</p><p>A curvatura lateral das vigotas não deve exceder 1/500 do comprimento nem 10 mm. As</p><p>vigotas, em condições normais de apoio e sob a acção apenas do seu peso próprio, devem</p><p>apresentar contra-flecha de valor não superior a 1/300 do vão.</p><p>Todas as vigotas que não satisfaçam alguma das condições atrás referidas, deverão ser</p><p>consideradas defeituosas e, como tal, recusadas.</p><p>Nos casos em que se encomende elevada quantidade de vigotas, é conveniente a realização</p><p>dos seguintes ensaios, de acordo com as directivas comuns UEATc:</p><p> determinação da tensão de pré-esforço efectiva, num mínimo de três vigotas, de modo a</p><p>verificar-se se estão conforme os valores previamente fixados;</p><p> determinação das características mecânicas do aço empregue, que</p><p>devem satisfazer os</p><p>valores mínimos previamente fixados, sendo dispensada no caso de aços homologados;</p><p>34</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p> ensaios de fragilidade realizados sobre duas vigotas, uma das quais na sua posição normal</p><p>de uso e outra rodada de 90º em relação a essa posição;</p><p> determinação, por amostragem, do peso das vigotas por metro linear.</p><p>No Quadro 2, são listados os ensaios susceptíveis de serem efectuados ao betão e agregados</p><p>(Fig. 43) das vigotas.</p><p>Quadro 2 - Ensaios dos materiais das vigotas</p><p>BETÃO AGREGADOS</p><p>TRABALHABILIDADE</p><p>(SLUMP)</p><p>TEOR DE ÁGUA SUPERIOR E TOTAL (NP-956/957)</p><p>TEMPERATURA ANÁLISES GRANULOMÉTRICAS (NP-1379)</p><p>RAZÃO ÁGUA / CIMENTO MASSA VOLÚMICA E ABSORÇÃO DE ÁGUA EM BRITAS (NP-581)</p><p>COMPRESSÃO CUBOS (15 x 15) BARIDADES (NP-955)</p><p>ABSORÇÃO DE ÁGUA EM AREIAS (NP-954)</p><p>MASSA VOLUMÉTRICA DE AREIAS - F. CHAPMAN</p><p>MATÉRIA ORGÂNICA (NP-85)</p><p>PARTÍCULAS MUITO FINAS E MATÉRIAS SOLÚVEIS (NP-86)</p><p>Fig. 43 - Máquina de ensaio de cubos à compressão (à esquerda), laboratório de ensaio dos</p><p>agregados (ao centro) e cubos imersos em água (à direita)</p><p>5.1.2. Blocos de cofragem</p><p>Em pavimentos de espessura muito elevada, usam-se em alguns casos blocos cerâmicos de 25</p><p>e 32 cm complementados com tijolos furados de alvenaria, assentes sobre blocos de</p><p>35</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>cofragem. Estes blocos desempenham função de cofragem perdida mas têm de satisfazer</p><p>determinadas exigências dimensionais e serem compatíveis com as cargas que actuam no</p><p>pavimento.</p><p>Os desvios máximos entre as dimensões dos blocos e os respectivos valores nominais deverão</p><p>ser de 3%, com o mínimo de 5 mm e o máximo de 10 mm. A largura do ressalto para apoio</p><p>nas vigotas não deverá diferir mais de 2 mm do respectivo valor nominal. Os blocos devem</p><p>ser isentos de fendas ou fracturas. Deve-se determinar, por amostragem, o peso dos blocos.</p><p>No que se refere à resistência dos blocos, estes devem satisfazer, em condições normais de</p><p>colocação em obra, cargas concentradas mínimas cujos valores são:</p><p> 490 N quando não se prevê circulação sobre os blocos;</p><p> 2450 N reproduzindo o apoio duma prancha para o transporte do betão, quando se pode</p><p>circular sobre os blocos.</p><p>As citadas cargas de ensaio são aplicadas sobre o meio do bloco quando este não possui septo</p><p>central. No caso contrário, a carga é aplicada a meio da distância entre este e o septo vizinho.</p><p>5.1.3. Betão complementar</p><p>O betão complementar deverá ter as características indicadas em 3.1.</p><p>5.1.4. Armadura de distribuição</p><p>Os pavimentos devem comportar uma armadura de distribuição constituída por varões</p><p>dispostos nas direcções longitudinal e transversal, distanciados no máximo de 25 cm na</p><p>direcção transversal às vigotas e 35 cm na direcção das vigotas.</p><p>Os pavimentos de vão superior a 4 m devem possuir, para além da armadura de distribuição,</p><p>nervuras transversais contínuas de betão armado (normalmente designadas por tarugos)</p><p>espaçadas de 2 m. A largura destas nervuras deverá ser no mínimo de 10 cm e a sua armadura</p><p>36</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>deverá ser constituída, no mínimo, por dois varões colocados imediatamente acima das</p><p>vigotas, com secção por metro de largura, pelo menos igual à metade da secção da armadura</p><p>mínima exigida para a armadura de distribuição. As nervuras têm a função de aumentar a</p><p>rigidez do pavimento na direcção perpendicular à das vigotas.</p><p>5.1.5. Recepção em obra dos elementos prefabricados</p><p>Por vezes, a fiscalização de obras decide pela realização de ensaios de recepção sobre os</p><p>elementos prefabricados constituintes dos pavimentos, que devem chegar à obra claramente</p><p>identificados. Os ensaios a realizar serão para:</p><p> verificar as dimensões das vigotas e o posicionamento dos fios;</p><p> verificar a tensão de pré-esforço instalada nos fios;</p><p> verificar as características mecânicas do aço empregue;</p><p> verificar as dimensões e a massa dos blocos de cofragem;</p><p> verificar a capacidade resistente dos blocos.</p><p>5.2. EXIGÊNCIAS FUNCIONAIS</p><p>5.2.1. Segurança estrutural</p><p>Os pavimentos no conjunto, ou qualquer dos seus elementos constituintes, devem poder</p><p>suportar com suficiente segurança, em relação à rotura, à fissuração e deformações</p><p>excessivas, todas as cargas de peso próprio e dos elementos de construção que neles se</p><p>apoiem, e todas as sobrecargas distribuídas ou concentradas resultantes da sua ocupação</p><p>normal. Em geral, esta segurança encontra-se verificada se forem seguidos e respeitados todos</p><p>os critérios, recomendações e normas produzidas pelos organismos internacionais e pelos</p><p>regulamentos nacionais.</p><p>Os pavimentos deverão ser constituídos de modo a garantirem uma boa solidarização</p><p>transversal para repartir as cargas concentradas e evitar fissurações no sentido do vão.</p><p>Deverão também suportar, sem qualquer inconveniente, as tensões interiores provocadas por</p><p>37</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>dilatação e contracção dos elementos constituintes sob a acção das variações higrotérmicas.</p><p>As ligações entre os diferentes elementos constituintes do pavimento não deverão ser</p><p>afectadas pelas variações higrotérmicas.</p><p>Os pavimentos pré-fabricados de vigotas pré-esforçadas não devem ser utilizados em zonas</p><p>de alta sismicidade, porque são pouco resistentes na direcção perpendicular à das vigotas pré-</p><p>esforçadas não contribuindo, portanto, para a estrutura resistente do edifício no caso de um</p><p>sismo a actuar preferencialmente nessa direcção. Os pavimentos, sendo elementos</p><p>constituintes dos edifícios, devem respeitar as regras do Regulamento de Segurança e Acções</p><p>para Estruturas de Edifícios e Pontes.</p><p>5.2.2. Durabilidade</p><p>Os pavimentos que tenham utilização e conservação normais devem satisfazer todas as regras</p><p>de qualidade atrás referidas, durante um período não inferior a 50 anos.</p><p>Os trabalhos de conservação e reparação de pavimentos não devem ser nem demasiado caros</p><p>nem excessivamente demorados. Os trabalhos de reparação não poderão admitir-se senão para</p><p>elementos secundários do pavimento ou para os seus acabamentos. Não serão permitidos</p><p>reparações de elementos estruturais dos pavimentos.</p><p>5.2.3. Resistência ao fogo</p><p>As exigências a satisfazer constam no Regulamento de Segurança Contra Incêndios em Edi-</p><p>fícios de Habitação. Os pavimentos, incluindo os seus revestimentos de piso e de tecto, devem</p><p>ter uma resistência ao fogo de acordo com as normas relativas ao assunto, nomeadamente no</p><p>que diz respeito à rapidez do desenvolvimento do sinistro e à estabilidade da obra. Além</p><p>disso, os pavimentos devem comportar-se de modo a permitir a fuga dos ocupantes e a</p><p>evacuação dos doentes e/ou inválidos sem risco de acidentes devido ao desabamento do</p><p>pavimento ou dos seus materiais constituintes, ou à projecção dos seus materiais.</p><p>Se não existirem outras regras a esse respeito, os pavimentos devem resistir à acção do fogo</p><p>38</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>durante os prazos seguintes (retirados de UEATc):</p><p> 15 mins em habitações individuais isoladas ou geminadas;</p><p> 30 mins em habitações individuais em banda e habitações de 2 andares acima do piso</p><p>térreo;</p><p> 60 mins nos edifícios de habitação ou com ocupação semelhante com mais de 2 andares,</p><p>nos quais o nível do último andar habitado esteja situado a menos de 28 m do terreno</p><p>acessível às escadas de bombeiros;</p><p> 90 mins</p><p>para os outros casos.</p><p>No caso específico de pavimentos de vigotas de betão pré-esforçado e blocos de cofragem, os</p><p>elementos constituintes são da classe de reacção ao fogo M0 (não combustíveis).</p><p>No que se refere à resistência ao fogo, estes pavimentos poderão ser classificados nas classes:</p><p> CF 30 desde que apresentem um revestimento na face inferior de 15 mm de espessura</p><p>mínima de argamassa de cimento e areia ou de cimento cal e areia;</p><p> CF 60 desde que apresentem um revestimento na face inferior com uma espessura mínima</p><p>de 15 mm de argamassa de cimento e inertes leves (vermiculite, perlite ou fibras</p><p>minerais).</p><p>Estes valores de resistência ao fogo só poderão ser utilizados se se garantir um momento</p><p>negativo resistente nos apoios não inferior a 15% do momento resistente último de cálculo.</p><p>De referir que os bordos de pavimentos que confinam com fachadas cortina possuem um junta</p><p>aberta que deve ser correctamente vedada para evitar a propagação de incêndios entre</p><p>andares.</p><p>5.2.4. Isolamento térmico</p><p>Um pavimento prefabricado garantir termicamente:</p><p>39</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p> um isolamento suficiente relativamente ao meio exterior, quando os pavimentos são</p><p>utilizados em terraços ou sobre passagens abertas e varandas envidraçadas;</p><p> um isolamento térmico suficiente relativamente à caixa-de-ar quando, nos andares térreos</p><p>dos edifícios, os pavimentos limitam um espaço inferior ventilado;</p><p> um razoável isolamento térmico para reduzir as trocas de calor entre locais com e sem</p><p>instalação de aquecimento ou de condicionamento de ar.</p><p>Os valores de isolamento térmico a exigir são fixados pelo Regulamento das Características</p><p>de Comportamento Térmico dos Edifícios.</p><p>Nos pavimentos de vigotas pré-esforçadas usam-se, por ordem decrescente de importância,</p><p>blocos de cofragem de cerâmica de barro vermelho, de betão de inertes leves, de betão normal</p><p>ou de betão autoclavado. As vigotas são de vários tamanhos, sendo os mais usados aqueles</p><p>cuja largura varia entre 110 e 120 mm.</p><p>Um estudo que o LNEC levou a cabo sobre caracterização térmica de pavimentos pré-</p><p>fabricados permitiu chegar às seguintes conclusões:</p><p> para uma dada geometria dos blocos de cofragem, as variações devidas ao aumento da</p><p>espessura da camada de betão de 3 para 5 cm são irrelevantes do ponto de vista de</p><p>isolamento térmico;</p><p> para uma de altura de pavimento e desde que se mantenha o número de fiadas de furos dos</p><p>respectivos blocos segundo a direcção do fluxo térmico, as variações devidas ao aumento</p><p>da largura da base dos blocos levam ao aumento da resistência térmica dos pavimentos;</p><p> desde que se mantenha o número de fiadas de furos dos blocos segundo a direcção do</p><p>fluxo, o aumento de altura do pavimento leva a um aumento de resistência térmica do</p><p>mesmo;</p><p> para a mesma altura de pavimento, se se aumentar o número de fiadas de furos dos blocos,</p><p>observa-se um aumento da resistência térmica do pavimento.</p><p>5.2.5. Estanqueidade</p><p>40</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Os pavimentos pré-fabricados entre andares, devem ter acabamentos apropriados conforme as</p><p>suas utilizações, possuindo suficiente estanqueidade às águas de lavagem ou aos derramamen-</p><p>tos acidentais de curta duração. Um terraço deverá ter estanqueidade suficiente de modo a</p><p>proteger os locais cobertos das águas pluviais, da neve, do vento, das poeiras e dos insectos.</p><p>Uma passagem aberta ou varanda envidraçada, uma vez devidamente acabada, deverá ser</p><p>estanque às águas de lavagem, aos derramamentos acidentais de curta duração e à penetração</p><p>do vento, dos insectos e das poeiras.</p><p>Os pavimentos devem ter estanqueidade suficiente de modo a não danificarem as ligações</p><p>entre elementos constituintes. Esses danos poderão ser dos mais variados, desde a corrosão</p><p>das armaduras até à fissuração do pavimento.</p><p>5.2.6. Isolamento acústico</p><p>O principal problema que se põe relativamente ao isolamento sonoro de pavimentos diz</p><p>respeito à transmissão de ruídos de percussão, não podendo esquecer-se o aspecto da</p><p>transmissão de ruídos aéreos.</p><p>A “lei das massas” (Fig. 44) quantifica o isolamento sonoro a sons aéreos. Os pavimentos pré-</p><p>fabricados de vigotas pré-esforçadas são bastante mais leves, pelo que têm um pior</p><p>isolamento acústico comparado com o dos pavimentos tradicionais. No entanto, deve ter-se em</p><p>conta que a “lei das massas” se aplica a meios homogéneos. No caso de pavimentos de</p><p>vigotas, a existência de blocos de aligeiramento conduz a que se possam verificar ligeiras</p><p>reduções dos valores de Ia que serão tanto maiores quanto maiores forem os blocos de</p><p>aligeiramento utilizados.</p><p>41</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>Fig. 44 - Expressão gráfica da “lei das massas”</p><p>Os pavimentos devem:</p><p> garantir, pelo seu próprio peso ou por uma constituição especial, um isolamento acústico,</p><p>à transmissão de ruídos aéreos, suficiente para impedir o incómodo dos ocupantes, em</p><p>condições normais de utilização dos locais habitados (Quadro 3);</p><p> evitar, através da natureza e/ou da disposição dos revestimentos de piso, a propagação dos</p><p>ruídos de percussão que possam incomodar os ocupantes, em condições normais de</p><p>utilização dos locais habitados (Quadro 3);</p><p> ter uma constituição, de modo a que não se crie nenhum ruído, no próprio pavimento, em</p><p>consequência da utilização normal.</p><p>Quadro 3 - Isolamento acústico conferido pelos pavimentos</p><p>TIPO DE PAVIMENTO Ia - Ip</p><p>(Ia, dB)</p><p>(Ip, dB pit.)</p><p>Laje de betão não revestida (espessuras correntes) 135</p><p>Laje de betão revestida com tacos de madeira 120</p><p>Laje de betão com lajeta flutuante revestida com tacos de madeira 115</p><p>Pavimento de vigotas pré-esforçadas com blocos de cofragem e</p><p>betão complementar</p><p>125</p><p>Laje de betão com piso flutuante de madeira 117</p><p>42</p><p>Instituto Superior Técnico Cadeira de Construção de Edifícios</p><p>Pavimentos aligeirados de vigotas pré-esforçadas por Jorge de Brito</p><p>5.2.7. Regras complementares</p><p>O processo de fabrico dos elementos constituintes dos pavimentos não deve encerrar riscos</p><p>incomportáveis com as regras de segurança correntes. Os elementos devem ser fabricados de</p><p>modo a apresentarem características e qualidade com uniformidade satisfatória. Deve-se ter</p><p>em especial atenção:</p><p> a qualidade dos betões;</p><p> as características dos aços;</p><p> as tolerâncias aceitáveis na moldagem dos elementos;</p><p> as condições de endurecimento dos betões.</p><p>O processo de montagem dos pavimentos não deve oferecer riscos para os operários. Todos</p><p>os elementos constituintes do pavimento devem suportar as acções decorrentes do processo de</p><p>montagem sem se danificarem. Os sistemas de elevação e de colocação dos elementos devem</p><p>ser tais que não apresentem riscos de queda dos elementos durante a montagem.</p><p>Os sistemas de escoramento provisório do pavimento e de circulação para montagem devem</p><p>ser concebidos de modo a preservarem a segurança dos operários e o bom estado dos</p><p>elementos. Os pavimentos devem ser executados sem dificuldades excepcionais, de tal modo</p><p>que a sua qualidade seja independente de condições especiais quer de situações dos estaleiros</p><p>quer de especialização particular dos operários.</p><p>Os pavimentos devem ser executados de modo lógico com uma utilização racional dos</p><p>elementos constituintes. Não devem existir desperdícios inúteis nem dificuldades</p><p>excepcionais de execução.</p><p>5.3. ENSAIOS LABORATORIAIS</p><p>Os ensaios laboratoriais permitem a verificação do dimensionamento analítico e a validade</p><p>das hipóteses de cálculo. A verificação experimental de resultados obtidos por via analítica é</p><p>sempre</p>