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<p>Título do Tema</p><p>Sempre Dentro do</p><p>Triângulo Verde</p><p>(máximo 4 linhas)</p><p>Nome do Autor no Triângulo</p><p>PSICOLOGIA DO</p><p>DESENVOLVIMENTO:</p><p>CICLO VITAL</p><p>THIAGO PEREZ BERNARDES DE MORAES</p><p>Psicologia do</p><p>Desenvolvimento: Ciclo</p><p>Vital</p><p>2</p><p>Apresentação</p><p>Ao longo da disciplina Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital,  vamos mergulhar</p><p>no universo do desenvolvimento humano pela ótica da psicologia. Nesse sentido,</p><p>em um primeiro momento, estabelece-se um olhar sobre os estudos acerca do</p><p>desenvolvimento humano, observando, por exemplo, autores como Vygotsky, Freud,</p><p>Piaget, e perspectivas contemporâneas, como a neurociência.</p><p>Em um segundo momento, o foco dá-se no desenvolvimento cerebral e na cultura,</p><p>contemplando as funções superiores da mente, o desenvolvimento da criança em</p><p>diferentes perspectivas. Nesse caminho, descrevem-se as teorias relacionadas ao</p><p>desenvolvimento, contemplando a infância, adolescência e a fase adulta.</p><p>Desnuda-se também em nossa disciplina a relação entre desenvolvimento e</p><p>personalidade ao longo da vida, atirando-se para diferentes elementos em perspectiva</p><p>comparada.</p><p>A partir daqui, o foco se dá, sobretudo, na psicologia do desenvolvimento e, mais</p><p>especialmente, no olhar que ela estabelece em relação aos idosos e ao processo</p><p>de envelhecimento. Contemplam-se aqui as perspectivas históricas sobre o</p><p>desenvolvimento, como também um olhar histórico-cultural sobre esse fenômeno e</p><p>insights da neurociência.</p><p>Psicologia do</p><p>Desenvolvimento: Ciclo</p><p>Vital</p><p>3</p><p>Unidade 1 – O Estudo do</p><p>Desenvolvimento Humano</p><p>ao Longo da História</p><p>3</p><p>Introdução</p><p>Nesta unidade, vamos aferir uma série de nuances acerca dos entendimentos sobre o</p><p>desenvolvimento humano, em especial, aqueles que se relacionam com a psicologia</p><p>e esse campo de especialização específico.</p><p>Dentro dessa conjuntura, o primeiro debate ao qual nos debruçamos se refere ao</p><p>inatismo, ou seja, as características consideradas inatas e que são transmitidas de</p><p>geração em geração, ou seja, a relação de hereditariedade. De outro lado, temos o</p><p>empirismo, que, na figura de autores como John Locke, destaca, principalmente, o</p><p>papel da experiência na constituição e no desenvolvimento dos sujeitos.</p><p>São apresentados ao longo da leitura os principais eixos de especialização da</p><p>psicologia e a forma como cada um deles colabora com os entendimentos acerca do</p><p>desenvolvimento humano.</p><p>Nessa leitura, comparamos o pensamento de Freud, Vygotsky e Piaget acerca do</p><p>desenvolvimento humano enquanto se analisam os elementos da neurociência.</p><p>Por fim, será traçada uma discussão sobre o desenvolvimento da psicologia do</p><p>desenvolvimento no presente e no futuro.</p><p>Objetivos da Aprendizagem</p><p>Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de:</p><p>• Analisar a construção sócio-histórica da categoria de infância e os modos de</p><p>subjetivação na contemporaneidade.</p><p>• A construção sócio-histórica da categoria de infância.</p><p>• A infância na contemporaneidade.</p><p>4</p><p>O inatismo e o empirismo enquanto pressupostos</p><p>do desenvolvimento</p><p>O inatismo foi um dos pressupostos centrais em boa parte da história da ciência, na</p><p>qual tal concepção passa a compreender que o crescimento maturacional e físico são</p><p>determinantes para os processos relacionados ao desenvolvimento humano. Essa</p><p>visão, em seu sentido puro, todavia, no presente, mostra-se desatualizada, afirmam</p><p>Piletti, Rossato e Rossato (2014). Para além do olhar em relação às condições</p><p>biológicas, há que se considerar que, de forma geral, esses fatores são tanto “causa</p><p>como consequência” da interação que se estabelece entre sujeito e ambiente no</p><p>decorrer do tempo. Evidentemente que a inclusão de aspectos sociais e culturais</p><p>não nega os fatores biológicos, mas, antes disso, amplia o leque de discussão.</p><p>Evidentemente que os pais transmitem aos filhos predisposições hereditárias, como</p><p>a forma dos córtices cerebrais, onde a modelagem hereditária é explicativa a cada</p><p>sujeito (PILETTI; ROSSATO; ROSSATO, 2014).</p><p>Cérebro humano</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2022).</p><p>#pratodosverem: representação de uma pessoa de perfil evidenciando-se a</p><p>forma do seu cérebro.</p><p>5</p><p>O empirismo complementa em vez de se opor ao inatismo ao denotar que se, de um</p><p>lado, o ciclo da vida se inicia na fertilização da célula-ovo no útero, de outro lado, o</p><p>meio ambiente e as experiências vão facilitar ou dificultar os processos de maturação</p><p>dentro desse ciclo maior. Nesse sentido, considerando que ao ambiente facilita ou</p><p>dificulta o desenvolvimento, podemos dizer que essa variável é determinante ao</p><p>desenvolvimento, corroborando assim a logicidade da visão empirista, que tem base</p><p>em autores como John Locke, que pontuava que o que iria diferir como dois ou mais</p><p>bebês nascidos iguais seriam na vida adulta e em outras partes da vida seriam as</p><p>experiências vivenciadas por cada um deles (PILETTI; ROSSATO; ROSSATO, 2014).</p><p>O artigo a seguir traz uma interessante discussão acerca do</p><p>inatismo e empirismo. Nele será abordado um interessante debate</p><p>filosófico contemplando as teorias apresentadas, tendo como</p><p>interlocutores os pensadores David Hume e Gottfried Leibniz.</p><p>Para ler o artigo na íntegra clique aqui.</p><p>Saiba mais</p><p>Aspectos do Desenvolvimento Humano: Moral, Social, Afetivo-E-</p><p>mocional, Intelectual</p><p>A Psicologia investiga diferentes escopos do desenvolvimento humano, sejam eles</p><p>sociais, afetivos, intelectuais, emocionais ou mesmo morais. Nesse sentido, ela</p><p>representa uma ciência ligada ao tronco maior das Ciências Humanas e Sociais,</p><p>que tem como objeto central de interesse o próprio ser humano. Para compor suas</p><p>análises sobre temas tão complexos relacionados ao desenvolvimento humano, a</p><p>Psicologia se foca em distintas expressões, como ações, sentimentos, pensamentos,</p><p>linguagem e comportamentos, entre outras, contemplando a relação entre o biológico,</p><p>o indivíduo, o histórico, o ambiental e o social. Compreende-se o ser humano como</p><p>um ser autônomo, multideterminado, concreto, que é influenciado por diferentes</p><p>agentes e elementos constitutivos (PILETTI; ROSSATO; ROSSATO, 2014).</p><p>https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/4468/3281</p><p>6</p><p>Freud, um dos precursores da psicologia.</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2022).</p><p>#pratodosverem: ilustração de Sigmund Freud, vestindo terno, óculos de</p><p>grau com armação redonda, barba e cabelos brancos, calvo, sentado em uma</p><p>poltrona roxa.</p><p>Para compreendermos todas as facetas do desenvolvimento moral, afetivo, intelectual</p><p>e social, há de se observar os comportamentos, as atitudes e a personalidade</p><p>humana a partir da psicologia. Nesse sentido, falamos de uma ciência multifacetada</p><p>com diferentes abordagens e campos de especialização. Para melhor compreensão,</p><p>denota-se na tabela a seguir uma descrição dos principais campos de especialização</p><p>em Psicologia, entre eles a psicologia do desenvolvimento.</p><p>7</p><p>Campos de especialização da psicologia</p><p>Teorias da personalidade Psicologia clínica</p><p>Esse escopo se constituiu a partir de</p><p>diferentes teorias que se consolidaram na</p><p>concepção de pesquisadores que dissertam</p><p>sobre diferenças entre traços. As teorias</p><p>buscam em comum estabelecer explicações</p><p>sobre as reações que levam os sujeitos a</p><p>agirem de forma diferente, mas previsível</p><p>em situações similares, por exemplo,</p><p>por qual razão algumas pessoas ficam</p><p>nervosas enquanto outras tranquilas?</p><p>Preocupa-se com a aplicação da psicologia</p><p>no âmbito clínico, pensando aqui em</p><p>hospitais, consultórios, ambulatórios,</p><p>escolas, centros de saúde e outros eixos.</p><p>Caracteriza-se por diferentes abordagens,</p><p>nas quais busca um repertório de teorias</p><p>que ajudam a estabelecer alicerces de como</p><p>se auxilia os sujeitos a enfrentarem seus</p><p>problemas. Essa área contribuiu para o</p><p>autoconhecimento e para a saúde mental.</p><p>Psicologia social Psicologia organizacional</p><p>O foco aqui se dá em estabelecer</p><p>perspectivas teóricas e teorias de médio</p><p>alcance sobre a maneira como os</p><p>indivíduos se comportam e como eles se</p><p>influenciam. O foco se dá na interação</p><p>humana, assim como nos conflitos, nas</p><p>filiações, nos grupos e nas atitudes.</p><p>O escopo central se dá na gestão de</p><p>pessoas, buscando fornecer contribuições</p><p>para que em uma organização os</p><p>colaboradores estejam, de forma geral,</p><p>satisfeitos e sejam eficientes, trazendo</p><p>resultados. Estuda-se o alinhamento</p><p>entre os objetivos dos trabalhadores e os</p><p>objetivos organizacionais.</p><p>Psicologia do desenvolvimento Psicologia educacional</p><p>A atenção se dá em relação a formação dos</p><p>sujeitos e o desenvolvimento humano, o</p><p>qual se dá em diferentes estágios, ou seja, a</p><p>infância, adolescência, fase adulta e velhice.</p><p>A preocupação se dá com as formas</p><p>de ensino, propondo e testando teorias</p><p>educacionais a fim de delinear novas</p><p>maneiras e formas de aprimorar técnicas e</p><p>estratégias educacionais.</p><p>Fonte: adaptado de Escorsin (2016).</p><p>#pratodosverem: tabela com os seis campos fundamentais de especialização</p><p>da psicologia: clínica, social, organizacional, educacional, desenvolvimento e</p><p>personalidade.</p><p>Quando falamos em desenvolvimento humano, apesar de haver um campo comum</p><p>especializado, todos os outros campos de especialização podem oferecer insights</p><p>importantes. Nesse sentido, a psicologia educacional, por exemplo, fornece insights</p><p>sobre todos os estágios da vida, considerando que o aprendizado se dá na infância,</p><p>na adolescência, na fase adulta e na velhice. A psicologia social segue o mesmo</p><p>caminho se considerarmos que as interações humanas também se dão ao longo de</p><p>toda a vida, o que vale para as teorias da personalidade se levarmos em consideração</p><p>que a constituição da personalidade se dá em uma constante, do nascimento até o</p><p>fim da vida.</p><p>8</p><p>Fases da vida</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2022).</p><p>#pratodosverem: ilustração contando em diferentes quadros as fases da vida.</p><p>A psicologia clínica por sua vez lida com transtornos e diferentes questões que</p><p>também se dão em todas as faixas do desenvolvimento. Em suma, todos os campos</p><p>de especialização da psicologia colaboram diretamente para a constituição da</p><p>psicologia do desenvolvimento.</p><p>9</p><p>1. É preciso destacar que a Psicologia não representa um único</p><p>escopo de ação, seja em pesquisa ou em prática terapêutica, ao</p><p>contrário, é um eixo constituído de diferentes abordagens.</p><p>2. Em comum, as abordagens são ancoradas em ciência e bases</p><p>filosóficas, contudo, elas se diferem em alguma medida entre si,</p><p>havendo, inclusive, dissenso entre os campos.</p><p>3. Não existe, todavia, uma abordagem em psicologia que seja</p><p>considerada como “universalmente melhor”, ou seja, há discussão</p><p>em todos os paradigmas.</p><p>Atenção</p><p>Comparação de Paradigmas no Desenvolvimento Humano: Neu-</p><p>rociência, Processo Dialético (Vygotsky), Psicogênese (Piaget) e</p><p>Psicanálise (Freud)</p><p>Vygotsky acreditava que conhecer a mente humana demandava inteligibilidade no que</p><p>diz respeito à sua própria gênese, por conta disso, em seus estudos se concentrou em</p><p>bebês e crianças pequenas, debruçando-se, por exemplo, na aquisição de linguagem,</p><p>desenvolvimento de conceitos e esquemas (PILETTI; ROSSATO; ROSSATO, 2014).</p><p>Piaget, por sua vez, acabou por provocar em Vygotsky concordância e discordância</p><p>especial no que diz respeito à fala egocêntrica da infância. Apesar das divergências,</p><p>no geral, Vygotsky tinha grande admiração pelo pensamento de Piaget e seus</p><p>axiomas referentes ao raciocínio, a origem social da fala e aos julgamentos morais</p><p>de crianças. Nessa esteira, Freud pontuou que o desenvolvimento da personalidade</p><p>se dá em estágios na infância, indo, respectivamente nas seguintes etapas: (a) oral;</p><p>(b) anal; (c) fálico; (d) latência; e (e) genital (PILETTI; ROSSATO; ROSSATO, 2014).</p><p>Na tabela a seguir, elenca-se um comparativo entre o pensamento de Vygotsky,</p><p>Piaget e Freud.</p><p>10</p><p>Comparação entre o pensamento de Vygotsky, Piaget e Freud sobre desenvolvimento humano</p><p>Vygotsky Piaget Freud</p><p>No pensamento dialético, o</p><p>foco se taxa pela percepção</p><p>de ao menos quatro fases</p><p>de desenvolvimento: (a)</p><p>natural (primitiva) – pré-</p><p>intelectual, coaduna com</p><p>o comportamento pré-</p><p>verbal; (b) psicologia em</p><p>ingenuidade – experiência</p><p>entre a criança, objetos e</p><p>seu próprio corpo. Presença</p><p>de estruturas de linguagem</p><p>e significado lógico; (c) fala</p><p>egocêntrica – emprego</p><p>de elementos externos na</p><p>resolução de problemas</p><p>internos, tendendo a ser</p><p>esotérica e cerceada; e</p><p>(d) crescimento – retorno</p><p>ao interior das operações</p><p>internas, envolvendo a</p><p>“memória lógica”, o “contar</p><p>de cabeça” e, sobretudo, a</p><p>fala interior (sem som). Essa</p><p>fala tende a ganhar forma</p><p>com o passar do tempo.</p><p>Fala-se aqui em quatro</p><p>estágios: (a) sensoriomotor</p><p>– se dá do nascimento até,</p><p>aproximadamente, os dois</p><p>anos, quando as crianças</p><p>demonstram egocentrismo</p><p>não percebendo o ponto de</p><p>vista dos outros; (b) pré-</p><p>operatório – se dá a partir</p><p>do conhecimento da criança</p><p>em relação à fala até os sete</p><p>anos, compreendendo função</p><p>simbólica e pensamento</p><p>intuitivo; (c) operacional</p><p>concreta – possibilidade</p><p>pensamento lógico e de</p><p>conversarem diminuído</p><p>egocentrismo, fase dos</p><p>sete aos 11 anos; e (d)</p><p>operacional formal (11 ou 12</p><p>anos em diante) – fala-se em</p><p>abstração de pensamento,</p><p>logicidade, metacognição,</p><p>resolução de tarefas múltiplas</p><p>e resolução de problemas.</p><p>Parte-se da ideia de que ego</p><p>e superego desenvolvem-</p><p>se para empregar controle</p><p>em canais socialmente</p><p>aceitáveis de gratificação,</p><p>contemplando anterior</p><p>um sistema psicossexual</p><p>marcado por estágios:</p><p>(a) oral – centrada na</p><p>boca, demandas de Id</p><p>relacionadas a boca, como</p><p>amamentação e mordida; (b)</p><p>anal – atividade de defecar</p><p>relacionando-se a ciência</p><p>de si; (c) fálico – percepção</p><p>da zona erógena, complexos</p><p>de Electra e Édipo; (d)</p><p>latência – ocultamento</p><p>do desenvolvimento</p><p>psicossexual dos 6 anos até</p><p>a adolescência; e (e) genital</p><p>– experimentação sexual</p><p>(relação) em revelia do</p><p>autoprazer.</p><p>Fonte: Delval (2013), Piletti, Rossato e Rossato (2014) e Escorsin (2016).</p><p>#pratodosverem: quadro que apresenta uma comparação entre o pensamento</p><p>de Vygotsky, Piaget e Freud sobre desenvolvimento humano</p><p>Nessa esteira, a neurociência avança no sentido de se plasmar como um campo</p><p>interdisciplinar, buscando nas bases cerebrais as nuances e características</p><p>fundantes da mente humana. Um dos pontos fundamentais que a neurociência</p><p>traz para o estudo do desenvolvimento humano reside no reconhecimento quanto</p><p>à neuroplasticidade do cérebro. De forma geral, a neurociência tem algumas</p><p>características: (a) a aproximação em relação ao interesse pelo sistema nervoso,</p><p>seja ele patológico ou normal; (b) interesse pela anatomia e fisiologia dos cérebros</p><p>humanos; (c) transversalização de conhecimentos neurocognitivos com os campos</p><p>da linguística, simpáticas e outros campos relacionados em explicar a aprendizagem,</p><p>a cognição humana e outros processos de tomadas de decisões e comportamentos</p><p>(PILETTI; ROSSATO; ROSSATO, 2014).</p><p>11</p><p>O artigo indicado apresenta uma interessante discussão acerca</p><p>das teorias de aprendizagem, tendo como pano de fundo o</p><p>desenvolvimento do indivíduo, sendo que, nessa discussão,</p><p>elencam-se os contrastes entre as teorias de Freud, Piaget e</p><p>Vygotsky. Para ler o artigo na íntegra clique aqui.</p><p>Saiba mais</p><p>A Psicologia do Desenvolvimento no Presente</p><p>Ana Paula Escorsin (2016) observa que atualmente, o consenso na psicologia</p><p>compreende que o desenvolvimento humano é um processo que se inicia na infância</p><p>e segue até a velhice. Nesse sentido, diferentes profissionais, entre eles psicólogos e</p><p>outros profissionais que se valem de conhecimentos psicológicos, como psiquiatras,</p><p>em cada um dos diferentes ciclos da vida a fim de compreender as nuances de cada</p><p>fase e como se dá o desenvolvimento entre uma e outra fase. O desenvolvimento</p><p>humano, para a psicologia, inicia-se quando o óvulo é facultado, constituindo-se de</p><p>uma única célula que passa a se dividir em um processo consinto que leva a trilhões</p><p>de células que assumem formas e funções especializadas, constituindo cada um dos</p><p>sistemas do corpo (ósseo, nervoso, muscular e circulatório).</p><p>1. Cada vez mais o avanço no conhecimento</p><p>acerca do</p><p>desenvolvimento e suas diferentes etapas tem proporcionado</p><p>métodos e práticas terapêuticas mais personalizadas e eficientes</p><p>para atender as demandas dos sujeitos, seja em psicologia e em</p><p>outros campos relacionados à saúde e ao bem-estar dos sujeitos.</p><p>2. O reconhecimento de que o desenvolvimento do indivíduo se</p><p>dá ainda no útero reforça a necessidade de práticas de pré-natal</p><p>e o avanço em campos do conhecimento como a genética e a</p><p>neurociência.</p><p>Atenção</p><p>Atualmente, o entendimento que se configura como base da psicologia do</p><p>desenvolvimento é que os seres humanos se desenvolvem a partir da interação entre</p><p>sua genética e as influências ambientais. A razão genética e o ambiente afetam o</p><p>https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/8640748.pdf</p><p>12</p><p>indivíduo em diferentes níveis, levando a diferenças individuais de comportamento</p><p>e de personalidade. Quanto ao fator ambiental, merece destaque a família que é o</p><p>primeiro agente de socialização, mediador nessa condição de valores e modelos de</p><p>influência, ou seja, faz a mediação entre sociedade e indivíduo, por conta disso tem</p><p>papel central na aprendizagem, trazendo consigo modelos de identidade coletiva e</p><p>individual (ESCORSIN, 2016).</p><p>Família</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2022).</p><p>#pratodosverem: imagem destacando uma série de famílias.</p><p>No que diz respeito em específico à psicologia do desenvolvimento como se concebe</p><p>nos dias de hoje, é válido elencar alguns insights (PILETTI; ROSSATO; ROSSATO, 2014):</p><p>• Ao longo do desenvolvimento da disciplina psicologia do desenvolvimento,</p><p>uma parte significativa, se não a maior, centrou-se na compreensão do de-</p><p>senvolvimento da criança e do adolescente com menor foco em relação às</p><p>outras fases da vida. Na verdade, o desenvolvimento infantil é uma das mais</p><p>tradicionais e antigas especialidades dentro da Psicologia, pois se preocupa</p><p>em explicar e descrever os aspectos do desenvolvimento do sujeito do nas-</p><p>cimento até a adolescência.</p><p>• O primeiro foco de interesse da psicologia do desenvolvimento foi em relação</p><p>aos hábitos alimentares, aos cuidados, ao sono e à educação, considerando</p><p>a ideia de período peculiar de desenvolvimento. Posteriormente, os estudos</p><p>passaram a mirar outros aspectos da infância, muitos deles com conotações</p><p>abstratas, abordando, por exemplo, o afeto, a linguagem, a motivação e a</p><p>ansiedade.</p><p>13</p><p>• A psicologia do desenvolvimento nos dias de hoje, em contraste com seu</p><p>passado recente, tem se centrado no desenvolvimento de uma linha inter-</p><p>pretativa que corta de forma transversal o sujeito desde seu nascimento até</p><p>a velhice.</p><p>• A falta de conhecimento da população geral sobre os axiomas da psicolo-</p><p>gia do desenvolvimento leva o senso comum a ter visões distorcidas e até</p><p>insalubres em relação às diferentes fases do ciclo de visão. No caso da in-</p><p>fância e adolescência, por exemplo, estabelece-se sempre um comparativo</p><p>com a vida adulta, sendo ambas as fases estigmatizadas como um período</p><p>do “ainda não conseguiu”, enquanto, em outro extremo, a fase da velhice é</p><p>encarada como o período “deixou de conseguir”, novamente, estabelecendo</p><p>como comparativo a vida adulta, sugerindo haver perdas de desenvolvimento</p><p>e atrativos.</p><p>• A psicologia do desenvolvimento rompe com visões de senso comum e es-</p><p>tigmatizadas, trazendo consigo um arcabouço científico lastreado por axio-</p><p>mas acadêmicos que foram constituintes na primeira parte do século XX,</p><p>como o behaviorismo.</p><p>• A partir da década de 1990, o campo de psicologia do desenvolvimento pas-</p><p>sa a ficar mais maduro e plural, abrangendo em seu arcabouço constituinte</p><p>diferentes disciplinas associadas e subcampos da Psicologia. Aqui, criaram-</p><p>-se focos de preocupação em psicologia do desenvolvimento, estimulando</p><p>investigações em diferentes campos, entre eles: (a) capacidades cognitivas</p><p>de crianças; (b) desenvolvimento emocional e moral; (c) bases biológicas</p><p>dos comportamentos (com foco em genética e neurociência); (d) destaque a</p><p>diferentes contextos, tomando como base a ótica sócio-histórico e cultural,</p><p>compreendendo a imersão proposta no cenário de desenvolvimento das re-</p><p>lações sociais.</p><p>• No presente, a psicologia do desenvolvimento, para desnudar todas as dife-</p><p>rentes etapas do ciclo da vida, parte de uma base de métodos que envolvem:</p><p>(a) estudos longitudinais; (b) pesquisas sistêmicas; (c) análises transcultu-</p><p>rais; (d) comparações transgeracionais; e (e) empregos multimetodológicos.</p><p>• A psicologia do desenvolvimento parte da ideia de que os humanos são in-</p><p>fluenciados por diferentes fatias dimensionais de tempo, entre elas: (a) tem-</p><p>po biológico; (b) tempo histórico; (c) tempo social. Cada um desses tipos</p><p>se relaciona aos “efeitos da maturação”, envolvendo corte e/ou geração em</p><p>determinada época e/ou período.</p><p>14</p><p>• A necessidade de se empreender esforços em psicologia do desenvolvimen-</p><p>to para categorizar as idades dos humanos em faixas de desenvolvimento,</p><p>tomando como base as construções culturais e o fato de que elas são, ao</p><p>mesmo tempo, constitutivas e historicamente determinantes em sua conjun-</p><p>tura no que tange às realidades sociais, cortando de forma transversal todo</p><p>o universo dos mundos sociais. A idade e a etapa que o indivíduo ocupa no</p><p>ciclo da vida são constituintes objetivos de deveres e direitos em uma popu-</p><p>lação, o que na prática se converte na posse (ou ausência) de privilégios e</p><p>poder.</p><p>• Nesse sentido, podemos nos referir, por exemplo: (a) a uma idade de fixação</p><p>de maioridade civil; (b) a determinação legal de uma idade de compulsorie-</p><p>dade de entrada na escola; (c) o estabelecimento de uma idade mínima para</p><p>o ingresso no mercado de trabalho; (d) idade para se aposentar; (e) a idade</p><p>que determina a possibilidade de votar de forma facultativa (para adolescen-</p><p>tes e idosos) e obrigatória (aos adultos).</p><p>• Se considerarmos essas variáveis por si só, ou seja, mercado de trabalho,</p><p>escola, política, ou mesmo família, a idade é um fator objetivo, em todos os</p><p>cenários, para a organização da vida dos agentes. Nesse sentido, cada grupo</p><p>etário traz consigo a imposição de um paradigma em relação aos mundos</p><p>sociais, o que por sua vez contribui para o curso das posições dentro de dife-</p><p>rentes espaços sociais distintos, havendo aqui consequências econômicas,</p><p>sociais e psicológicas.</p><p>15</p><p>Conclusão</p><p>O indivíduo é modelado e remodelado desde o momento em que se encontra no útero</p><p>de sua mãe até o final da vida. Esse é um processo mediado de forma complexa por</p><p>variáveis que são endógenas e exógenas ao sujeito social. O desenvolvimento é um</p><p>processo que se dá em etapas, essas que trazem consigo tanto pesos simbólicos</p><p>como legais e biológicos, que se sobrepõem até certo ponto. A compreensão do</p><p>desenvolvimento do sujeito e das diferentes fases de sua vida traz um arcabouço de</p><p>subsídios para lidar com diferentes demandas da nossa sociedade que comumente</p><p>passam pela busca de uma sociedade mais justa, ou seja, próxima da ideia de</p><p>dignidade da pessoa humana e que compreenda todas as nuances e demandas do</p><p>sujeito em suas diferentes fases da vida. Essa é uma compreensão relevante no</p><p>âmbito clínico e em todos os demais escopos da nossa sociedade.</p><p>16</p><p>Referências</p><p>DELVAL, J. O desenvolvimento psicológico humano. Petrópolis: Vozes, 2013.</p><p>ESCORSIN, A. P. Psicologia e desenvolvimento humano. Curitiba: InterSaberes, 2016.</p><p>PILETTI, N.; ROSSATO, S. M.; ROSSATO, G. Psicologia do desenvolvimento. São Paulo:</p><p>Contexto, 2014.</p><p>_gjdgxs</p><p>_30j0zll</p>

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