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<p>O uso da cultura maker no ambiente escolar</p><p>Greice Provesi Paes Rodrigues</p><p>Pós-graduada em Inovação na Educação (Unoesc – Câmpus de Videira)</p><p>Milena Palhano</p><p>Pós-graduada em Inovação na Educação (Unoesc – Câmpus de Videira)</p><p>Geraldo Vieceli</p><p>Professor, mestre em Educação (Unoesc - Câmpus de Videira)</p><p>Nas escolas, os alunos devem ser protagonistas do seu próprio aprendizado, utilizando ferramentas digitais com o propósito de ter um rico espaço de</p><p>aprendizagem, capaz de instigar a curiosidade e propiciar momentos de reflexão acerca do mundo em que vivem.</p><p>De acordo com Moran (2010, p. 7), "o intuito é que o ambiente físico da sala de aula também seja interessante para os alunos, possibilitando múltiplas</p><p>interações com o universo midiático e apresentando a tecnologia como instrumento que colabora no processo de aprendizagem". Nesse contexto, a</p><p>escola deve propor espaços para que os educandos construam sua aprendizagem, através do planejamento de aulas, que possibilitem a experimentação,</p><p>explorem a criatividade, o raciocínio e os desafiem a propor soluções para diferentes problemas, enxergando conceitos além do ponto de vista comum.</p><p>Nesse viés, o uso da cultura maker potencializa a prática na qual o educando é protagonista do processo de construção de seus saberes, utilizando-se de</p><p>temas de seu interesse e satisfação, permitindo também a valorização de sua experiência e a oportunidade da aprendizagem significativa a partir de seus</p><p>erros e acertos dentro do processo de aquisição do conhecimento, mesmo ela não sendo pensada para escolas, sua utilização nesse espaço contribui de</p><p>forma significativa e eficaz para o desenvolvimento de nossos educandos.</p><p>Para Papavlasopoulou (2017, p. 57), esse movimento tem atraído cada vez mais a atenção de pesquisadores e profissionais no campo da educação. Nos</p><p>últimos anos, pesquisadores têm procurado entender como o movimento maker pode ser aplicado a serviço da aprendizagem".</p><p>Ao utilizar-se da cultura maker no ambiente educativo o educador também se desafia, considerando que ele deve ser um pesquisador nato, pois, precisa</p><p>ter grande domínio de conhecimentos para gerir aulas nesta proposta de trabalho, deve se desafiar constantemente e também aprender através de seus</p><p>erros e acertos, estar apto a mudar seu ponto de vista, pensar em novas perspectivas, utilizar-se de planejamento flexível e não ter medo de arriscar; deve</p><p>conhecer seus objetivos e almejar patamares maiores que aqueles traçados e alcançados em aulas tradicionais, em que, o educador, era detentor único</p><p>do saber, sua função deve estar bem clara enquanto mediador neste processo, cabe ao educador compreender sua função, para que através dela os</p><p>alunos apreciem o ato de buscar conhecimentos para resolver situações problemas.</p><p>Nesse aspecto, o uso da cultura maker desafia o professor a se reinventar, a não se saciar com os resultados hoje alcançados, mas sim, elaborar</p><p>constantemente estratégias para atingir novos e amplos objetivos, considerando também a necessidade de aos poucos engajar outros educadores para</p><p>vivenciar tais práticas metodológicas. Levar sementes do movimento maker, do construcionismo e da aprendizagem criativa para dentro da escola</p><p>(Raabe, 2016).</p><p>Diante do exposto, o objetivo deste artigo é relatar a experiência obtida em oficinas de capacitação a docentes realizada com professores da rede</p><p>municipal e estadual de Curitibanos/SC, sobre o uso da cultura maker no ambiente escolar.</p><p>Por meio da utilização da cultura maker e suas etapas (introdução, experimentação, prototipagem e feedback), o indivíduo desenvolveu competências,</p><p>utilizando seu conhecimento para resolver a situação problema da qual foram desafiados, tomando decisões, e ao mobilizar esses conhecimentos já</p><p>adquiridos, surgem situações das quais necessitaram buscar novos conhecimentos, o que tornou processo de aprender mais significativo.</p><p>Metodologias ativas</p><p>São notórias as mudanças registradas nas últimas décadas e as instituições de ensino estão em constantes modificações e aperfeiçoamento; nossos</p><p>educandos estão conectados quase que o tempo todo e recebem um grande número de informações a cada momento. Esse movimento dinâmico nos</p><p>faz refletir acerca do papel do educador e do educando nos processos de ensino-aprendizagem, com enfoque na posição de nossos alunos, que passa a</p><p>ser mais central e menos secundária; anteriormente recebia o conhecimento pronto – o que não lhe exigia esforço e reflexão.</p><p>O engajamento do aluno em relação a novas aprendizagens, pela compreensão, pela escolha e pelo interesse, é condição essencial para ampliar suas</p><p>possibilidades de exercitar a liberdade e a autonomia na tomada de decisões em diferentes momentos do processo que vivencia, preparando-se para o</p><p>exercício profissional futuro (Berbel, 2011, p. 29).</p><p>ISSN: 1984-6290</p><p>Qualis B1 - quadriênio 2017-2020 CAPES</p><p>DOI: 10-18264/REP</p><p>02/10/24, 17:43 Revista Educação Pública - O uso da cultura maker no ambiente escolar</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/33/o-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar 1/8</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/</p><p>Ou seja, precisamos pensar em escolas que propiciem aprendizagens significativas em que o educando esteja apto para tomar decisões e enfrentar as</p><p>situações problemas.</p><p>Nessa perspectiva de entendimento, as metodologias ativas determinam a possibilidade de ativar os aprendizados dos educandos, colocando-os no centro</p><p>do processo, e o educador assume à posição de expectador. Divergindo-se do método tradicional, que primeiro apresenta a teoria e dela parte, o método</p><p>ativo busca a prática e dela parte para a teoria (Abreu, 2009, p. 27).</p><p>Dessa forma, o educando assume a corresponsabilidade pelo ato de aprender, interagindo ativamente com o processo, já que nesse processo é exigido</p><p>dele ações e construções mentais amplas, tais como: leitura, pesquisa, comparação de hipóteses, classificação, interpretação, crítica, busca de suposições,</p><p>construção de sínteses e ampliação de fatos e princípios a novas situações, planejamento de projetos, análise, reanálise e tomadas de decisões.</p><p>O engajamento do aluno em relação a novas aprendizagens é subsidio essencial para ampliar suas potencialidades. Assegurar um ambiente dentro do qual</p><p>os alunos possam reconhecer e refletir sobre suas próprias ideias; aceitar que outras pessoas expressem pontos de vista diferentes dos seus, mas</p><p>igualmente válidos e possam avaliar a utilidade dessas ideias em comparação com as teorias apresentadas pelo professor (Jófili, 2002, p. 196).</p><p>É possível inferir que há mudança efetiva nos papéis desempenhados por todos que fazem parte desse processo. Tanto o educador quanto o educando</p><p>concretizam o sentimento de pertença e coparticipação, gerenciando e elucidando o desejo em conhecer o que não se conhece, praticar e teorizar;</p><p>assumem direções distintas e favorecem a busca pelo desejo de conhecer a teoria, o que anteriormente como já descrito era o ponto de partida e gerava</p><p>em muitos casos desinteresse. E quando, no processo que se busca alcançar algo, esse caminho é percorrido com muito mais empolgação, favorecendo a</p><p>aprendizagem significativa.</p><p>No contexto das metodologias ativas, o educador deve assumir uma postura investigativa de sua prática e se necessário promover as mudanças</p><p>necessárias.</p><p>Ele não conhece de antemão a solução dos problemas que surgirão em sua prática; deve construí-la constantemente ao vivo, às vezes, com grande</p><p>estresse, sem dispor de todos os dados de uma decisão mais clara. Isso não pode acontecer sem saberes abrangentes, saberes acadêmicos, saberes</p><p>especializados e saberes oriundos da experiência (Perrenoud, 2002, p. 11).</p><p>Portanto, as metodologias ativas imbuídas de intencionalidade, favorecem a quebra de sequências didáticas mecânicas e recorrentes de explanação</p><p>teórica do educador como único e isolado referencial de compreensão, em que aqueles que devem ser protagonistas permanecem em posição passiva a</p><p>maior parte deste processo.</p><p>Vale salientar que, a escolha por uma ou mais</p><p>metodologias ativas por si só, não são a solução pronta e acabada, posto que, não garantem a eficácia se o</p><p>educador não tiver clareza de seus fundamentos, ou mesmo das implicações que elas podem ter sobre a aprendizagem dos envolvidos. O que denotam</p><p>que quando o educador utiliza o mesmo planejamento e as mesmas estratégias inúmeras vezes, sem refletir, sobre seus resultados e desdobramentos na</p><p>aprendizagem, é possível que sua ação de forma rotineira, automática, não tenha caráter ativo e voltará a produzir o comportamento passivo de seu</p><p>educando.</p><p>Cultura maker e o protagonismo do aluno</p><p>O movimento maker tornou-se popular em 2005 com o lançamento da revista norte-americana maker, esse movimento ganhou força e percorreu o</p><p>mundo, tornando-se um aliado da educação. Na cultura maker, qualquer indivíduo pode construir, produzir e fabricar qualquer objeto e projeto que se</p><p>prontifique a fazer. A cultura do faça você mesmo, aos poucos vem sendo introduzida nas escolas, a fim de desenvolver um ensino onde os alunos sejam</p><p>protagonistas do processo, assim sendo criem significado a suas descobertas.</p><p>O movimento maker está relacionado à prática na qual o aluno é protagonista do processo de construção do seu conhecimento, explorando assuntos de</p><p>seu interesse e satisfação. Nessa prática ocorre a valorização da experiência do educando, permitindo que ele aprenda com seus erros e acertos, com a</p><p>satisfação em compreender assuntos e temas do seu próprio interesse que estão relacionados com seu cotidiano (Blikstein, 2013, p. 19).</p><p>Dessa forma, há diversas iniciativas que motivam alunos de todas as idades a explorar sua criatividade, criar projetos e aprender conceitos e desenvolver</p><p>habilidades significativas, sempre com a famosa 'mão na massa', transformando a imaginação em algo tangível.</p><p>A adoção de atividades maker (ou mão na massa) na Educação tem se tornado uma tendência em diferentes países e também no Brasil. Multiplicam-se</p><p>projetos experimentais para levar atividades de curta ou média duração para escolas. O maker está relacionado a aprendizagem prática, a qual o estudante</p><p>é protagonista do processo de construção do seu conhecimento, sendo o autor da resolução dos problemas encontrados e do próprio contexto de</p><p>aprendizagem (Raabe, 2016, p. 10).</p><p>A formação de educandos protagonistas se constrói a partir do fortalecimento da autoestima, do sentimento de confiança e do desenvolvimento</p><p>intelectual. Aspectos que são claramente atingidos quando utilizamos o movimento maker, por exemplo, que favorece o aprender a aprender,</p><p>desenvolvendo a conexão do aluno como personagem principal.</p><p>Outro aspecto fundamental é que a cultura maker se encontra no ato de experimentar, e quando somos submetidos ao ato, promovemos um trabalho</p><p>coletivo e corroborativo, o que também promove a resolução de problemas de forma mais criativa e empática. Além de proporcionar uma grande</p><p>diversidade de possibilidades de aprendizagens, proporciona também a criação de objetos que poderão ser utilizados pela comunidade escolar e ou</p><p>sociedade em geral. E à medida que esses momentos são inseridos na prática em sala de aula, nossos alunos tornam-se mais fluentes em diferentes</p><p>técnicas construtivas, pois eles são constantemente confrontados (o que vou criar hoje?). E nada poderia protagonizar mais a aprendizagem do que já de</p><p>início escolher a temática.</p><p>Mas em especial, além de todos os benefícios que a aplicabilidade da cultura maker traz, podemos citar também o resgate pelo gosto em aprender e</p><p>estar ali naquele espaço e não em outro é o maior ganho não mensurável que esse movimento tem proporcionado à educação em todo o mundo.</p><p>O movimento maker sinaliza para uma transformação social, cultural e tecnológica que nos convida a participar como produtores e não apenas</p><p>consumidores. Ele está mudando a forma como podemos aprender trabalhar e inovar. É aberto e colaborativo, criativo e incentivador, mão na massa é</p><p>divertido.</p><p>02/10/24, 17:43 Revista Educação Pública - O uso da cultura maker no ambiente escolar</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/33/o-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar 2/8</p><p>O que nos propõe adentrar um mundo de novas possibilidades, fazer acontecer, "pôr a mão na massa" e potencializar, preparando e qualificando nossos</p><p>educandos para que tenham capacidade de realizar seus projetos e usem seu conhecimento para resolver problemas, tenham ousadia, sejam</p><p>questionadores, criativos. Que esses não sejam mais uma engrenagem e sim artistas com capacidades de aprender constantemente, estando pronto para</p><p>as mudanças, isso fará significativa diferença no futuro.</p><p>A implementação da cultura maker</p><p>A implementação da cultura maker na educação tem como objetivo instigar a criatividade, bem como a curiosidade dos educandos na escola. Embora</p><p>ainda não tenha uma ampla visibilidade, aos poucos o seu conceito vem sendo apresentado e adotado no âmbito escolar de várias redes educacionais</p><p>brasileiras. O intuito desta implementação é incentivar o trabalho em equipe das crianças, estimular desde muito cedo o senso crítico de uma forma</p><p>concreta, fazendo o educando colocar a mão na massa a fim de criarem significados a seu conhecimento.</p><p>Ao colocar a instituição no caminho da inovação, da tecnologia e informação, é possível alinhar-se a atual geração, que já vem para a escola com uma</p><p>bagagem imensa, bem como uma facilidade surreal para buscar informações e utilizar aplicativos da internet, desta maneira não se contentam como a</p><p>antiga forma de ensinar e exigem cada vez mais um aperfeiçoamento do ambiente escolar. Sobre a qualificação dos profissionais, podemos afirmar que</p><p>torna-se importante investir na qualificação dos profissionais da educação para que estes, ao invés de inibir o uso das tecnologias por parte da criança, a</p><p>encorajem a utilizá-las de modo construtivo. Portanto, é relevante refletir sobre o que a escola tem feito para estimular as aprendizagens infantis através do</p><p>lúdico e interação com as TIC (Carvalho, 2005, p. 50).</p><p>Faz-se necessário que as instituições de ensino trabalhem com os alunos de uma forma em que eles não sejam apenas usuários das tecnologias e sim</p><p>produtores da mesma, podendo assim transformar o que possuem em mãos e ao mesmo tempo incentivar a buscarem cada vez mais o novo, o diferente,</p><p>saindo da condição de meros consumidores de aplicativos e tornando-se protagonistas de uma nova linguagem tecnológica, deixando de serem reféns</p><p>das já existentes.</p><p>Sendo assim, o ambiente escolar não pode ser apenas um espaço de reprodução de conhecimentos, os quais estão disponíveis para domínio público,</p><p>mas como um ambiente que produz seres criticamente pensantes, buscando soluções com aplicabilidade. Sendo assim, deve</p><p>transformar a escola e para colocá-la a serviço da transformação social não basta alterar os conteúdos nela ensinados. É preciso mudar o</p><p>jeito da escola, suas práticas e sua estrutura de organização e funcionamento, tornando-a coerente com os novos objetivos de formação de</p><p>cidadãos capazes de participar ativamente do processo de construção da nova sociedade (Pistrak, 2000, p. 8).</p><p>Com a pandemia da covid-19, a escola precisou se adequar ao novo formato de ensino, possibilitando aulas remotas e inovar está sendo cada vez mais</p><p>uma corrente educacional. Quebrando o paradigma de escola tradicional e monótona dando espaço os novos formatos de ensino.</p><p>Implantar a cultura maker nas escolas exige uma adaptação de todos. Desta maneira, o processo deve ser gradual, de forma muito bem planejada. É</p><p>necessário que se tenha em mente o objetivo final, como irá ser trabalhado para alcançar tal objetivo, quais serão os envolvidos direta e indiretamente,</p><p>bem como a infraestrutura necessária para essa implementação.</p><p>Um aspecto importante é a escolha do espaço físico no ambiente escolar. O ideal, de acordo com Zylbersztajn (2015), o que deve ser observado em</p><p>primeiro lugar, são os espaços que a escola já tem disponível, criando um ambiente diferenciado das salas de aulas tradicionais. Bem como, propiciar um</p><p>espaço que engloba as</p><p>aprendizagens, equipando com ferramentas maker para potencializar o conhecimento. Porém se isso não for possível, pode-se</p><p>construir um espaço provisório usando recursos oriundos de projetos escolares, ou até mesmo aproveitar a comunidade escolar e produzir um espaço</p><p>utilizando os conhecimentos e habilidades dos próprios pais que integram o âmbito escolar.</p><p>Aproveitar a mão de obra do grupo escolar é uma forma bem concreta de fazer a educação maker, pois, ao colocarem a mão na massa, estarão</p><p>instigando seus pupilos a entenderem por exemplos práticos a cultura maker.</p><p>Ações que envolvam os interessados desenvolvem um senso maior de identidade com o processo de construção, realização e organização e um afeto</p><p>essencial pelo local onde estarão no decorrer do tempo. Também deve ser considerada a mobilidade dos equipamentos e do mobiliário do espaço</p><p>maker. O espaço deve facilitar o trabalho em grupo e ao mesmo tempo propiciar uma fácil circulação, levando em conta a capacidade elétrica, da</p><p>internet, duas coisas essenciais para o trabalho no espaço.</p><p>Quanto ao perfil do profissional que deverá ficar responsável pelo espaço maker, deve-se procurar um profissional que atue de forma a monitorar o</p><p>ambiente, dando suporte tanto aos educandos, quanto aos docentes que venham desenvolver algum projeto.</p><p>O professor não precisa ser um especialista em informática para utilizá-las. Muitas vezes, ele pode pedir ajuda [...] até mesmo aos alunos</p><p>que são nativos digitais e possuem muito mais facilidade em absorver essas novas tecnologias. O docente precisa definir como essas</p><p>ferramentas podem auxiliar positivamente na aprendizagem de seus alunos (Bacich, 2015, p. 135).</p><p>Para tal, não há a necessidade de que o monitor possua formação específica, porém é indispensável que tenha muita vontade de aprender e buscar</p><p>novidades, além de ter habilidade em trabalhar com crianças e jovens, e ser um profissional que esteja disponível sempre que os alunos e professores</p><p>precisarem.</p><p>Metodologia</p><p>O estudo é um relato de experiência do projeto de intervenção sobre o uso da cultura maker nas práxis pedagógicas, desenvolvido em outubro de 2020.</p><p>Trata-se da formação para docentes, tendo como objetivo discutir fundamentos teórico-metodológicos relativos à noção de inovar na educação, e a</p><p>aplicabilidade da cultura maker; a pesquisa de base qualitativa objetivou também conhecer como os educadores utilizam as metodologias ativas em sua</p><p>prática pedagógica e se utilizam ou demonstram interesse em utilizar a cultura maker em sua metodologia.</p><p>Considerando que a abordagem qualitativa, enquanto exercício de pesquisa, não se apresenta como uma proposta rigidamente estruturada, ela permite</p><p>que a imaginação e a criatividade levem os investigadores a propor trabalhos que explorem novos enfoques (Bardin, 1997, p. 70).</p><p>02/10/24, 17:43 Revista Educação Pública - O uso da cultura maker no ambiente escolar</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/33/o-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar 3/8</p><p>Dessa forma, esse projeto de intervenção deu subsídios para observar e propor novas estratégias, bem como, nos aproximou da realidade, fazendo com</p><p>que pudéssemos refletir acerca da aplicabilidade das metodologias ativas nas instituições de ensino. Como mencionam Cervo e Bervian (2002, p. 27), "por</p><p>meio da observação o pesquisador presencia e participa do processo de descoberta de novos conhecimentos".</p><p>Nosso artigo sustenta-se ao relatar a experiência relativa ao conhecimento teórico e experiência prática sobre o uso da cultura maker nas instituições de</p><p>ensino, associado aos movimentos e competências desenvolvidos por alunas do Curso de Pós-Graduação em Inovação na Educação, oferecido pela</p><p>Unoesc, na cidade de Curitibanos/SC. Foram envolvidos neste estudo seis educadores que atuam em diferentes componentes curriculares nas redes</p><p>estadual e municipal daquela cidade.</p><p>Em função das restrições em decorrência da pandemia da covid-19, realizamos a capacitação e troca de vivências pedagógicas através de encontros</p><p>síncronos e assíncronos inicialmente elaboramos e disponibilizamos um formulário Google para que pudéssemos, mesmo que de forma superficial,</p><p>mensurar se os educadores conheciam e se utilizavam o movimento maker em sua prática pedagógica, nosso questionário também tinha como intuito</p><p>engajar os participantes e conhecer seus horários de disponibilidade para participar da formação, para que ela pudesse ocorrer utilizamos a plataforma</p><p>Google Meet.</p><p>Posteriormente a essa etapa, criamos um grupo de WhatsApp, para que pudéssemos compartilhar cronograma, arquivos e links de acesso com nossos</p><p>convidados.</p><p>Na sequência, organizamos encontros com a seguinte dinâmica: o primeiro teve como objetivo apresentar a cultura maker, seus benefícios, sua história</p><p>no Brasil e no mundo, compartilhar experiências que obtiveram resultados positivos, sugestões de como podemos criar espaços makers dentro de nossas</p><p>escolas, inclusive com poucos recursos, orientações de como engajar outros educadores para aderirem à proposta desse movimento e, para finalizar,</p><p>como podemos divulgar os resultados com as famílias/comunidade dos educandos.</p><p>Segundo Lima (2001), a prática sempre esteve presente na formação do professor, seja pela observação, imitação de bons modelos ou participação em</p><p>contextos escolares. Para Lima (2001, p. 47), "a prática pela prática e o emprego de técnicas sem a devida reflexão pode reforçar a ilusão de que há uma</p><p>prática sem teoria". Pensando nesse pressuposto, em todos os momentos oferecíamos exemplificações de metodologias, pautamos também a sua teoria</p><p>associada.</p><p>Nosso segundo encontro, também de forma síncrona, teve como objetivo a realização de oficinas, possibilitando que pudéssemos colocar em pratica o</p><p>que foi estudado.</p><p>Ao abrirmos a segunda webconferência, iniciamos com o estudo da pirâmide da aprendizagem, que mesmo antiga traz uma abordagem relativamente</p><p>atual em relação à aprendizagem e seus processos de aquisição, considerando que cada indivíduo possui formas diferentes de aprender.</p><p>A metodologia de aprendizagem ativa necessita que o discente faça uso do raciocínio da observação, do entendimento, da reflexão, de forma que este seja</p><p>um agente ativo e não passivo. Se o discente ouve, vê, pergunta, discute, realiza e até orienta os demais discentes, está exatamente dentro da proposta do</p><p>termo ativo no universo de aprendizagem". O que nos faz refletir o quanto as metodologias descritas na pirâmide da aprendizagem propiciam diferentes</p><p>formas de avanço na apropriação de novos conhecimentos (Pecotche, 2011, p. 41).</p><p>Não somente falar sobre as diferentes formas de aprender, buscamos proporcionar metodologias diversificadas, para que nossos convidados pudessem</p><p>vivenciar e usufruir dessa diversidade de estratégias.</p><p>Em uma próxima etapa, nossos convidados foram questionados sobre quais seriam os maiores problemas que identificam nas escolas das quais</p><p>lecionam. Esses problemas foram socializados e juntos construímos hipóteses de soluções, baseadas em metodologias da cultura maker.</p><p>Para o momento da realização das oficinas, montamos e entregamos kits de materiais, para que pudessem dispor do que necessitariam para a realização</p><p>das atividades, junto com eles entregamos também um cartão feito à mão. O objetivo desse mimo era engajar e desafiar nossos convidados a fazer parte</p><p>deste rico movimento que é a cultura maker, pois sabemos o quanto essa prática, não somente pedagógica, mas também como uma "adoção de estilo</p><p>de vida", da qual há inúmeros benefícios para as pessoas. Permitindo-nos usufruir de diferentes maneiras de encarar situações adversas do nosso dia-a-</p><p>dia, fomentando o pensamento crítico.</p><p>Como destaca Dias (2010, p. 2) "ao espelhar-se em um modelo maker, a abordagem fazedora na escola caminhará para um objetivo inalcançável: fazer</p><p>coisas cada vez mais gigantescas, brilhantes e notáveis em tamanho, desempenho, visual".</p><p>Na oficina, construímos com nossos convidados, uma mão mecânica e um quadro mágico. E todos os passos do projeto foram realizados</p><p>com momentos</p><p>de socialização de saberes e experiências oriundas de vivencias dos educadores.</p><p>Como último passo, criamos um sway com vídeos e fotos contendo um resumo dos principais aspectos debatidos e apresentados durante a realização</p><p>dessa intervenção.</p><p>O processo foi finalizado com uma reflexão dos educadores sobre a viabilidade da aplicação do movimento maker. Os resultados foram socializados nos</p><p>grupos de WhatsApp, assim como o processo de avaliação das oficinas.</p><p>Apresentação dos dados e análise dos resultados</p><p>Como já mencionado, o projeto de intervenção teve a participação de seis educadores de ambas as redes de ensino; sendo ela municipal e estadual,</p><p>participaram duas professoras da sala de atendimento educacional especializado (AEE), duas educadoras do ensino fundamental, um professor de</p><p>Educação Física e uma gestora escolar.</p><p>Em nosso primeiro contato através do formulário Google, obtivemos um diagnóstico que apontava que os professores não conheciam o termo cultura</p><p>maker, mas realizavam muitas atividades que são consideradas makers. Posteriormente tivemos o primeiro encontro síncrono; em aula expositiva</p><p>apresentamos a cultura maker, suas etapas e formas de implementação, realizamos debate no qual de forma unânime percebemos a demonstração de</p><p>interesse dos educadores para conhecer e aplicar a metodologia.</p><p>02/10/24, 17:43 Revista Educação Pública - O uso da cultura maker no ambiente escolar</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/33/o-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar 4/8</p><p>Para desenvolver o primeiro encontro, iniciamos com uma roda de conversa com os participantes, procuramos evidenciar os benefícios para esclarecer a</p><p>escolha do tema. Abordamos e exemplificamos situações em que o movimento maker auxilia, não somente a prática pedagógica, mas também seus</p><p>benefícios para a vida das pessoas, pois quando gerenciamos nossos problemas com mais coragem, criatividade, autonomia, sem muita pressão com os</p><p>resultados, nos surpreendemos com nossas habilidades e nos tornamos, a cada experiência, mais proativos.</p><p>Como destaca Valente (2017, p. 455), "o método conhecido como cultura maker é um desses exemplos, onde o aluno pode experimentar novos pontos</p><p>de vistas na resolução de um problema, por meio de uma perspectiva prática".</p><p>Nessa etapa também solicitamos aos nossos convidados que descrevessem os maiores problemas que identificavam no processo de aquisição do</p><p>conhecimento por parte dos alunos, nas escolas em que lecionavam. Com essa prática de socialização nosso foco principal foi fazer com que nossos</p><p>convidados observassem e refletissem de maneira atenta o que interfere no processo da aprendizagem.</p><p>Ao desenvolver trabalhos com essa prática metodológica, os alunos ou os participantes são levados a observar a realidade de uma maneira atenta e irão</p><p>identificar aquilo que na realidade está se mostrando carente, inconsciente, preocupante, necessário, enfim problemático (Berbel, 1999, p. 3).</p><p>Logo, o objetivo dessa prática é "claro": quando identificamos os problemas, é mais fácil pensar em soluções. A seguir, faremos a exposição dos</p><p>problemas observados com maior relevância por parte dos educadores. Nessa proposta, cada educador identificou dois problemas.</p><p>Quadro 1: Problemas que interferem na aprendizagem dos educandos</p><p>Observação da realidade</p><p>Participante 1</p><p>(Educadora - Ensino Fundamental I)</p><p>Falta de interesse e compromisso dos alunos;</p><p>Falta de autonomia dos alunos.</p><p>Participante 2</p><p>(Educadora - Sala de Atendimento Educacional Especializado)</p><p>Indisciplina;</p><p>Alunos com dificuldade em aprender.</p><p>Participante 3</p><p>(Educador - Componente Curricular: Educação Física)</p><p>Problemas de relacionamento entre os alunos;</p><p>Desmotivação, por parte dos alunos, em realizar atividades e tarefas.</p><p>Participante 4</p><p>(Gestora escolar)</p><p>Falta de engajamento das famílias dos educandos no processo escolar;</p><p>Evasão escolar.</p><p>Participante 5</p><p>(Educadora - Ensino Fundamental I)</p><p>Alunos com baixo rendimento;</p><p>Alunos pouco criativos.</p><p>Participante 6</p><p>(Educadora - Sala de Atendimento Educacional Especializado)</p><p>Dificuldade que os alunos apresentam em relacionar a teoria com a prática;</p><p>Alunos pouco comunicativos.</p><p>Concluímos que os participantes identificaram problemas semelhantes, aos quais podem ser resolvidos e ou amenizados com a implementação da</p><p>cultura maker.</p><p>Nossa etapa seguinte teve como objetivo contextualizar cada um dos problemas identificados e encontrar em conjunto sugestões dentro do movimento</p><p>maker para obter melhor desempenho dos educandos para cada situação.</p><p>Foram delimitados, a partir desse momento, estratégias para resolver os problemas elencados. A definição do que irá ser estudado, estimula um momento</p><p>de síntese realizada após a análise inicial, definindo o que irá ser estudado sobre o problema, determinando os aspectos que precisam ser melhor</p><p>esclarecidos e compreendidos, buscando uma resposta para a solução do problema (Berbel, 1999, p. 198).</p><p>O quadro a seguir foi elaborado pelos participantes do projeto de intervenção onde formularam estratégias metodológicas com base na cultura maker</p><p>para atender os problemas identificados no contexto escolar.</p><p>Quadro 2: Hipótese de solução – implementação da cultura maker</p><p>Situação-problema Hipótese de solução implementando a cultura maker</p><p>Falta de interesse e compromisso dos alunos Engajar a participação dos alunos através de temáticas de seu interesse, para então associar a</p><p>prática à teoria.</p><p>Falta de autonomia dos educandos Permitir que os alunos criem e testem teorias.</p><p>Indisciplina Estabelecer uma relação de diálogo e empoderar os alunos quanto às suas habilidades e</p><p>potencialidades.</p><p>02/10/24, 17:43 Revista Educação Pública - O uso da cultura maker no ambiente escolar</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/33/o-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar 5/8</p><p>Alunos com dificuldade em aprender Fornecer ao aluno reforço através de mentores, utilizando modelo diferenciado para apresentar</p><p>as informações através de seus pares.</p><p>Problemas de relacionamento entre os alunos Estimular o diálogo e incentivando a empatia.</p><p>Eleger responsáveis pelas mediações.</p><p>Desmotivação por parte dos alunos em realizar</p><p>atividades e tarefas</p><p>Oferecer aos alunos atividades mais desafiadoras, que estimulem a curiosidade, e que serão</p><p>utilizadas para a próxima etapa do trabalho maker.</p><p>Falta de engajamento das famílias dos</p><p>educandos no processo escolar</p><p>Convidar os pais para fazer algo em que seja hábil dentro dos espaços makers de criação</p><p>(como carpintaria, jardinagem, culinária, marcenaria e costura, entre outros).</p><p>Evasão escolar Desenvolver a autoestima dos alunos, fazendo com que eles compreendam que são parte</p><p>importante do processo e que sua ausência será sentida por todos.</p><p>Alunos com baixo rendimento Mudar a visão que o aluno tem dos estudos através dos laboratórios makers de aprendizagem</p><p>(FabLabs).</p><p>Alunos pouco criativos Investir nas oficinas de criação e estimular frequentemente o desenvolvimento de ideias,</p><p>mesmo que pareçam infundadas.</p><p>Dificuldades que os alunos apresentam em</p><p>relacionar a teoria com a prática</p><p>Muitas dessas dificuldades aparecem porque os alunos não praticam as teorias que aprendem;</p><p>ao implantar a cultura maker, a teoria sucede a prática.</p><p>Alunos pouco comunicativos Ser paciente, propor mais atividades em grupo e antecipar as dificuldades dos alunos.</p><p>Todos os participantes do projeto de intervenção, em suas reflexões durante o processo da aprendizagem e enquanto as avaliações coletadas ao final da</p><p>prática, mencionam a viabilidade de aplicar a cultura maker e o desejo para que suas aulas se tornem mais dinâmicas e com uma resposta de apropriação</p><p>do conhecimento de seus educandos, para que os mesmos se sintam parte da resolução dos problemas identificados em sua realidade.</p><p>Frisamos e contextualizamos com os participantes do projeto de intervenção as múltiplas facetas do movimento maker no contexto escolar, as</p><p>possibilidades de adentrar na realidade ao qual está inserido, refletir seus problemas, engajar-se a um projeto e buscar subsídios</p><p>para aprender e</p><p>produzir soluções, divertir-se e deliciar-se com a busca por estratégias, sentir-se peça fundamental dessa construção.</p><p>O movimento maker sinaliza para uma transformação social, cultural e tecnológica que nos convida a participar como produtores e não apenas</p><p>consumidores. Ele está mudando a forma como podemos aprender, trabalhar e inovar. É aberto e colaborativo, criativo e incentivo (Drucker, 2000, p. 4).</p><p>O inovar possibilita que os indivíduos, façam parte do processo de transformação que a cultura maker vem apresentar, os mesmos passam de meros</p><p>espectadores para um ser participante de todo o processo de conhecimento.</p><p>Considerações finais</p><p>A realização deste projeto de pesquisa permitiu conhecermos um pouco mais a realidade das escolas de nossa cidade, suas inquietações e possibilitou</p><p>apresentar uma nova perspectiva de trabalho para os mesmos. A partir deste, foi possível refletir sobre o papel do professor e do aluno na cultura maker.</p><p>Primeiramente, discutimos a ideia do movimento maker e seu início; existe uma grande vertente maker, que aos poucos vem sendo incorporada nas</p><p>escolas brasileiras; deste modo, precisamos ter clareza das concepções desta cultura para que não seja apenas um espaço na escola sem nenhuma</p><p>finalidade.</p><p>É necessário ter clareza de que para a implementação dessa cultura não é necessário ter um laboratório totalmente equipado, ele é importante, mas não</p><p>é a única forma. Aos poucos as escolas podem ir adquirindo materiais através de várias ações. Também é importante considerar que muitos materiais</p><p>podem ser utilizados, reaproveitados, criados ou até oriundos de doações.</p><p>Devemos levar em conta ainda que nesta cultura, o educando é protagonista do conhecimento, o professor é apenas um mediador do processo. Cada</p><p>conhecimento é adquirido conforme surjam às necessidades ao longo do processo, dando um sentido real à aprendizagem. Tal afirmação auxilia na</p><p>resolução dos problemas apontados pelos professores que trabalham em nosso projeto, onde um problema latente é a falta de interesse por parte dos</p><p>alunos nas aulas, sendo que essas ainda partem do sistema tradicional de ensino.</p><p>Diante deste cenário, notou-se por parte dos participantes um real interesse em dinamizar suas aulas, a fim de garantir uma melhoria significativa no</p><p>processo de ensino, tornando o aluno o protagonista e desta forma incentivar e motivar a busca pelo conhecimento, bem como instigar nos educadores</p><p>a buscar novos métodos de ensino e assim dinamizar suas aulas e ampliar seu conhecimento.</p><p>Ao analisar as possibilidades do uso da cultura maker no ambiente escolar, foi-nos permitido fazer uma reflexão aprofundada a respeito de seus</p><p>componentes e o quanto ela permite que o indivíduo se sinta parte da resolução do problema encontrado na realidade em que ele está inserido, fazendo</p><p>com que ele se sinta de fato pertencente a esse contexto, sentindo importante nas decisões que interferem na realidade.</p><p>Outro aspecto importante a ser considerado é que indiscutivelmente a educação busca por metodologias inovadoras e disruptivas. Porém, essas novas</p><p>formas de ensinar e aprender tornam-se desafios e exigem dos professores e profissionais da educação romper resistências consolidadas em práticas</p><p>pedagógicas centradas no professor, como detentor de todo o conhecimento.</p><p>02/10/24, 17:43 Revista Educação Pública - O uso da cultura maker no ambiente escolar</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/33/o-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar 6/8</p><p>Refletir a respeito da prática docente e novas possibilidades no âmbito educacional faz-se necessário para que de fato a aprendizagem torne-se</p><p>significativa. Consolidando a tese de que o aluno precisa sentir-se pertencente, o ensino precisa ser abordado de forma interdisciplinar, não podemos</p><p>mais amarrar os conhecimentos fragmentando "em caixinhas", para que de fato ele aprenda a aprender, aprenda a buscar o conhecimento e de fato se</p><p>aproprie, não sendo esse superficial ou esquecido rapidamente.</p><p>Finalizamos destacando que com a abordagem maker pode instigar os educadores, sendo ela uma forte e poderosa aliada para que tenhamos aulas mais</p><p>inovadoras, desafiadoras, e que permitam a utilização de novas práticas. Educação maker coloca os estudantes como principais agentes de seu</p><p>aprendizado, estimulando a crítica e a reflexão, ficando incumbido ao professor mediar essas ações. Sem contar na possibilidade de engajamento entre</p><p>esse educando e esses educadores, ocorrendo mudanças nas relações, possibilitando uma visão diferente de professor, sendo esse inovador, que não se</p><p>sacia e busca por mudanças, que se envolve em discussões a fim de qualificar seu fazer docente, que interage e aprecia diferentes opiniões, além de</p><p>observar cuidadosamente a realidade e reinventar sua prática todos os dias.</p><p>Nós acreditamos nesse novo formato de escola: escola essa que, acima de tudo, ensina para a vida.</p><p>Referências</p><p>ABREU, José. Contexto atual do ensino: metodologias tradicionais e ativas - necessidades pedagógicas dos professores e da estrutura das escolas. Rio</p><p>Grande do Sul, 2009.</p><p>BACICH, L.; TANZI NETO, A.; TREVISANI, F. de M. (Orgs.). Ensino híbrido: personalização e tecnologia na Educação. Porto Alegre: Penso, 2015.</p><p>BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Editora 70, 1997.</p><p>BERBEL, Neusi Aparecida Navas. As metodologias ativas e a promoção de autonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 32,</p><p>nº 1, p. 25-40, jan./jun. 2011. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0359.</p><p>______. (Org.). Metodologia da problematização: fundamentos e aplicações. Londrina: Uel, 1999.</p><p>BLIKSTEIN, P. Digital fabrication and 'making' in education: the democratization of invention. In: WALTER-HERRMANN, J.; BUCHING, C. (Eds.). FabLabs of</p><p>machines, makers and inventors. Bielefeld: Transcript, 2013. p. 1-22.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2019.</p><p>CARVALHO, A. C.; DEBORTOLI, J. A.; GUIMARÃES, M.; SALES, F. (Orgs.). Brincar(es). Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2015.</p><p>CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.</p><p>DELLORS, Jacques et al. Educação: um tesouro a descobrir - relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. 1999.</p><p>DIAS, Isabel Simões. Competências em Educação: conceito e significado pedagógico. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e</p><p>Educacional, São Paulo, v. 14, nº 1, p. 1-5, jan./jun. 2010.</p><p>DRUCKER, P. A nova sociedade das organizações. In: HOWARD, R. (Org.). Aprendizado organizacional. Rio de Janeiro: Campus, 2000. p. 1-7.</p><p>JÓFILI, Zélia. Um modelo operatório para construção de conhecimento. Pernambuco, v. 50, nº 2, p. 242, 2002.</p><p>LIMA, Maria Socorro Lucena. A hora da prática: reflexões sobre o estágio supervisionado e ação docente. 2ª ed. Fortaleza: Demócrito Rocha, 2001.</p><p>MORAN, José. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. Campinas: Papirus, 2010. Disponível em:</p><p>https://biblio.unoesc.edu.br/pergamum/biblioteca/index.php. Acesso em: 10 abr. 2021.</p><p>PAPAVLASOPOULOU, Esstelle. Estudos empíricos sobre o movimento maker, uma abordagem promissora para a aprendizagem: uma revista da literatura.</p><p>Entretenimento Digital, v. 18, p. 57-78, jan./fev. 2017.</p><p>PECOTCHE, C. B. G. Logosofia: ciência e método. São Paulo: Logosófica, 2011.</p><p>PERRENOUD, Philippe. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização e razão pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002.</p><p>PISTRAK, M. M. Fundamentos da escola do trabalho. São Paulo: Expressão Popular, 2000.</p><p>RAABE, André Luís. Uma estação móvel que possibilita transformar a sala de aula em espaço maker. In: I CONFERÊNCIA FABLEARN BRASIL. 2016.</p><p>Disponível em: http://fablearn.org/wpcontent/uploads/2016/09/FLBrazil_2016_paper_149.pdf. Acesso em: 25 mar. 2021.</p><p>VALENTE, José Armando; ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de; GERALDINI, Alexandra Flogi Serpa. Metodologias ativas: das concepções às práticas</p><p>em distintos níveis de ensino. Revista Diálogo</p><p>Educacional, v. 17, nº 52, p. 455-478, 26 jun. 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.7213/1981-</p><p>416x.17.052.ds07.</p><p>ZYLBERSZTAJN, Moisés. Muito além do maker: esforços contemporâneos de produção de novos e efetivos espaços educativos. In: TEIXEIRA, Clarissa</p><p>Stefani; EHLERS, Ana Cristina da Silva Tavares; SOUZA, Marcio Vieira de (Org.). Educação fora da caixa: tendências para a educação no século XXI.</p><p>Florianópolis: Bookess, 2015, v. 1, p. 189-208.</p><p>Publicado em 31 de agosto de 2021</p><p>Como citar este artigo (ABNT)</p><p>RODRIGUES, Greice Provesi Paes; PALHANO, Milena; VIECELI, Geraldo. O uso da cultura maker no ambiente escolar. Revista Educação Pública, v. 21, nº 33, 31 de agosto</p><p>de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/33/o-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar</p><p>02/10/24, 17:43 Revista Educação Pública - O uso da cultura maker no ambiente escolar</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/33/o-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar 7/8</p><p>http://dx.doi.org/10.5433/1679-0359</p><p>Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0)</p><p> Novidades por e-mail</p><p>Para receber nossas atualizações semanais, basta você se inscrever em nosso mailing</p><p>O que achou deste artigo?</p><p></p><p>Agradável</p><p>2</p><p></p><p>Útil</p><p>13</p><p></p><p>Motivador</p><p>1</p><p></p><p>Inovador</p><p>2</p><p></p><p>Preocupante</p><p>0</p><p>Este artigo ainda não recebeu nenhum comentário</p><p> Deixe seu comentário</p><p>Este artigo e os seus comentários não refletem necessariamente a opinião da revista Educação Pública ou da Fundação Cecierj.</p><p>02/10/24, 17:43 Revista Educação Pública - O uso da cultura maker no ambiente escolar</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/33/o-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar 8/8</p><p>https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/deed.pt_BR</p><p>https://groups.google.com/u/7/a/cecierj.edu.br/g/rep?hl=pt-BR</p><p>https://educacaopublica.cecierj.edu.br/login?voltar_para=artigos%2F21%2F33%2Fo-uso-da-cultura-maker-no-ambiente-escolar%23enviar-comentario</p>