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Puerpério Enfermagem em Saúde da Mulher Nathália Bigattão Renata Silva Acadêmicas de Enfermagem - Unicamp Tópicos da aula O que é puerpério? Principais alterações sofridas pela mulher Intervenções de enfermagem Intercorrências puerperais O que é puerpério? É o período que procede o parto, tendo início de uma a duas horas após a retirada da placenta e sem prazo de término. As alterações locais e sistêmicas sofridas pela mulher durante a gestação estão voltando a situação pré-gravídica (Brasil, 2001; Resende, 2014) Classificação do puerpério Imediato 1° ao 10° dia Tardio 10° ao 45° dia Remoto A partir 45° dia Término Indefinido Enquanto a mulher está amamentando, ela ainda está sofrendo as alterações da gestação (Brasil, 2001; Resende, 2014) Alterações anatômicas e fisiológicas Estado de exaustão e relaxamento; Aumento da temperatura corporal nas primeiras 24h: T° axilar - 36,8 a 37,9 °C; Alterações hormonais Calafrios; Volta dos órgãos ao local pré-gravídico; Recuperação do endométrio a partir do 25° dia; Fechamento do colo uterino a partir do 10° dia; Vagina inicia a recuperação a partir do 25° dia (Brasil, 2001; Resende, 2014) Alterações anatômicas e fisiológicas (Brasil, 2001; Resende, 2014) Manipulação da cavidade abdominal em cesárea; Íleo paralítico Loquiação Lóquios sanguinolento Lóquios serosanguinolentos Lóquios serosos Saída do bebê pelo trato genital pode lesionar a uretra Problemas no sistema urinário Loquiação Alterações anatômicas e fisiológicas Estrogênio e progesterona Prolactina Ansiedade; Falta de sono; Fogachos; Mau humor; Redução do desejo sexual; Perda da lubrificação vaginal. (Siqueira, 2019; Barrios, 2019) Alterações psicológicas, sociais e econômicas Cobranças sociais Novas obrigações Nova rotina Falta de rede de apoio Medo do desconhecido Dificuldades financeiras Solidão (Alves, 2021; Andrade, 2022) Assistência de enfermagem Observar sangramento - risco de hemorragia (Período de Greenberg); Sinais vitais; Avaliar involução uterina. No Centro Obstétrico Assistência de enfermagem Avaliação do estado emocional; Exame físico: deambulação precoce; higiene e curativo; mamas - colostro, mamilos; abdome - involução uterina, ferida cirúrgica, RHA; MMII - risco de TVP Avaliação da mamada. No Alojamento Conjunto Ambulatório de revisão puerperal Avaliar a condição de saúde da mulher e do recém-nascido; Orientar e apoiar a amamentação; Avaliar a interação e vínculo entre mãe e bebê; Orientar o planejamento familiar. Intercorrências puerperais Hemorragia Infecção puerperal Mastite Transtornos psiquiátricos Hemorragia Perda sanguínea maior que 500 mL após o parto vaginal ou 1000 mL no parto cesárea No Brasil, é asegunda maior causade morte maternaAté 24 horas Após 24 horas Atonia uterina; Laceração do trajeto; Retenção de restos placentários. Retenção de restos placentários; Subinvolução uterina - infecção; Deiscência da cicatriz da cesárea. Assistência de enfermagem Massagem uterina para atonia; Administração de ocitocina; Controle de sinais vitais; Conversar com a puérpera para reduzir a ansiedade; Comunicar imediatamente a equipe médica; Curetagem para retenção restos placentários. Infecção puerperal Infecção nos órgãos genitais que ocorre após o parto ou aborto recente. Sintomas Temperatura maior ou igual 38 °C com duração maior que 48 horas, nos primeiros 10 dias, excluindo as primeiras 24 horas; Calafrios; Cefaléia; Loquiação fétida. Manifestações Endometrite / Endomiometrite; Parametrite; Peritonite; Septicemia; Tromboflebite pélvica. Assistência de enfermagem Controle de sinais vitais; Administração de antibioticoterapia, antinflamatórios, analgésicos e antitérmicos; Higiene e limpeza da ferida - em casos de infecção da cicatriz cirúrgica. Mastite Infecção no tecido glandular das mamas. Sintomas Aumento da sensibilidade nas mamas; Calor; Eritema local; Mal estar geral; Calafrios; Prostração; Abscessos; Septicemia. Assistência de enfermagem Massagem seguida de ordenha do leite; Analgésicos, antitérmicos e antibióticos; Drenagem do abscesso quando presente; Orientações sobre amamentação. Depressão pós-parto Quadro depressivo em que a mulher pode apresentar depressão de média a alta intensidade. Os sintomas podem surgir entre a quarta e a sexta semana pós- parto até o fim do puerpério. Sintomas Humor deprimido; Mudanças do apetite; Fadiga; Insônia; Insegurança; Ausência da capacidade de realização das atividades diárias; Sentimento de culpa ou de inutilidade; Pensamentos suicidas. Assistência de enfermagem Estar atento aos sintomas; Sempre conversar com a puérpera; Observar a relação mãe-bebê; Comunicar a equipe médica sempre que necessário. Casos clínicos Caso clínico 1 M.A.J está no 3° dia do pós-parto, em alojamento conjunto (AC), acompanhada pela sua mãe. Se apresenta calma, comunicativa, prestando cuidados ao seu recém-nascido. Queixa-se de cansaço por não ter dormido a noite devido ao bebê e ao barulho no AC. Relata boa aceitação da dieta. Corada, hidratada, afebril (36,5 °C), normotensa (110x80 mmHg), normocárdica (80 bpm) e eupneica (17 rpm). Mama E flácida com colostro presente em pequena quantidade e mamilo E protuso e fissurado (escore de dor 8/10). Mama D tensa, quente, hiperemiada e muito sensível ao toque e mamilo D plano e íntegro. Relata que seu recém-nascido não consegue sugar a mama D e que por isso só amamenta com a mama E. Sua mãe refere que não amamentou nenhum dos filhos porque era muito dolorido e pergunta sobre a introdução de fórmula infantil. Abdome globoso e RHA diminuídos. Loquiação rubra presente e com odor característico. Refere micção presente e evacuação ausente. Caso clínico 1 Quais os tipos de loquiação presente no puerpério? Os lóquios de M.A.J estão adequados para o seu período pós-parto? O que pode estar acontecendo na mama D de M.A.J? O que poderia justificar esses sintomas? Quais as intervenções de enfermagem para o que está acontecendo com a mama D de M.A.J? O que você falaria para M.A.J e sua mãe sobre a dor e fissura na mama E e sobre a introdução da fórmula infantil? Quais os possíveis motivos da M.A.J não conseguir evacuar? Quais as intervenções de enfermagem para isso? Caso clínico 2 A.M, 32 anos, G2P1A0. Atual gestação gemelar após fertilização in vitro. Chegou ao hospital em fase ativa de trabalho de parto, com 35 semanas e 2 dias de idade gestacional e colo com 5 centímetros de dilatação. Paciente foi submetida a uma cesariana sem intercorrências. Após 6 horas, no centro obstétrico, a equipe de enfermagem identificou alteração nos sinais vitais: hipocorada, hipotensa (90x50 mmHg), taquicárdica (126 bpm). Após avaliação médica constatou-se útero palpável acima da cicatriz umbilical, em hipotonia e saída de grande volume sanguíneo pela vagina Caso clínico 2 Qual o quadro da paciente? Qual a possível causa desse quadro? Relacione com a história e exame físico. Quais as intervenções de enfermagem para este caso? Referências Rezende Filho J, Montenegro CA. Rezende Obstetrícia. 13 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2014. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticos de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher/ Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica da Mulher. Brasília: Ministério da Saúde; 2001. Siqueira LKR, Melo MCP de, Morais RJL de. Pós-parto e sexualidade: perspectivas e ajustes maternos. Rev. enferm. UFSM. 15 Jul 2019;9(58):1-18 [citado 21 abr. 2023]. DOI 0.5902/2179769233495. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1024695. Barrios MV, Jimenez DD, Caro AJR. Recuperación de la actividad sexual tras el parto. Sanum. 2019; 3(1):36-42 [citado 21 abr. 2023]. Disponível em: https://www.google.com/url?q=https://revistacientificasanum.com/articulo.php? id%3D52&sa=D&source=docs&ust=1683052427451059&usg=AOvVaw3TREW9E0mJkS3HFRkLD_a2.ANDRADE , G. D.; CATELAN-MAINARDES, S. C. Baby blues: sinais, alertas e fatores de proteção: Baby blues: signs, warnings and protective factors. Brazilian Journal of Development, [S. l.], v. 8, n. 9, p. 61900–61918, 2022. DOI: 10.34117/bjdv8n9-098. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/51914. Acesso em: 13 jan. 2024. Alves, A. C. P., Lovadini, V. L., & Sakamoto, S. R. (2021). Sentimentos vivenciados pela mulher durante o puerpério. Rev Enferm Atual In Derme, 95(33), 1-12. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Depressão Pós-parto. São Paulo: Febrasgo; 2020. (Protocolo Febrasgo de Obstetrícia, nº 3/Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério). https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1024695 https://revistacientificasanum.com/articulo.php?id=52 https://revistacientificasanum.com/articulo.php?id=52 Obrigada nathalia.bigattao@gmail.com (11) 94541-8900