Prévia do material em texto
CONTROLE NEUROMUSCULAR, PROPRIOCEPÇÃO
E EQUILÍBRIO
SISTEMA NEUROMUSCULAR
- É responsável pela atividade muscular
coordenada, que fornece estabilidade articular
dinâmica, ajuda no controle postural e produz
padrões de movimentos ideais.
- É um sistema dependente de interações complexas
entre órgãos sensoriais (e.g., mecanorreceptores, o
sistema nervoso central [SNC], periférico [SNP] e
musculoesquelético para produzir as atividades
muscular coordenadas).
- As interações complexas entre os
mecanorreceptores e os SNC, SNP e
musculoesquelético permitem completarmos
efetivamente as tarefas que escolhemos.
- Passível de disfunções em algum componente do
sistema neuromuscular que também pode ser referido
como diminuição ou alteração no controle
neuromuscular.
Diminuição no controle neuromuscular
- Deficiências no controle neuromuscular podem
modificar os padrões de movimento e aumentar os
riscos de lesões (e.g., valgo dinâmico de joelho).
Alteração no controle neuromuscular
- Aqui, as lesões musculoesqueléticas podem ser
uma causa do controle neuromuscular alterado (e.g.,
entorse de tornozelo).
MECANORRECEPTORES
- Os mecanorreceptores são os receptores sensoriais
no sistema neuromuscular.
- São sensíveis a várias formas de deformação, como
por exemplo a tensão, compressão e o movimento.
- Os mecanorreceptores estão localizados nos
tecidos moles, articulações, e unidades
musculotendinosas.
- Embora os receptores cutâneos contribuam para
as informações que o SN processa, não há
evidências de que eles contribuam para a
estabilidade dinâmica articular.
- A informação sensorial (ou aferente) captada
pelos mecanorreceptores é enviada para a medula
espinal por vias aferentes, para processar e
finalmente resultar na regulação de reflexos e
atividade muscular.
- A propriocepção e o controle postural são
componentes do controle neuromuscular que
dependem da informação aferente. A
propriocepção é um produto da aferência captada
pelos mecanorreceptores.
PROPRIOCEPÇÃO
- É o sentido de movimento articular e o sentido de
posição. O sistema proprioceptivo é caracterizado
pela complexa interação entre as vias sensoriais e
a via motora.
- A coordenação ótima da atividade motora pelo
SNC depende de um suprimento constante de
feedback sensorial durante o movimento.
- Os proprioceptores têm um papel fundamental no
planejamento do movimento e podem gerar
respostas adaptativas rápidas para promover
mudanças no desempenho motor durante a
execução de tarefas.
- Também são fundamentais para a manutenção do
equilíbrio, estabilidade articular, movimentos
controlados e coordenados para prevenir lesões.
PROPRIOCEPTORES ARTICULARES
- Atuam juntos para proporcionar um meio
consciente de reconhecimento da orientação de
suas partes, bem como um feedback sobre os
movimentos dos membros.
- Controlam adequadamente os movimentos a partir
da recepção de um feedback sensorial contínuo por
parte dos músculos que estão contraindo para o SN.
Esse feedback sensorial inclui:
1) Informação sobre a tensão desenvolvida por um
músculo
2) Comprimento muscular
FUSO MUSCULAR
- Fuso muscular (detector de comprimento):
composto de várias fibras intrafusais (IF) estão
centralmente localizadas na musculatura e seguem
as mesmas direções das fibras musculares.
- IF ≠ fibras musculares (extrafusais; EF)
- IF são inervadas por motoneurônios gama (30%
das fibras eferentes): estimulam as fibras
intrafusais a se contraírem simultaneamente ao
longo das fibras EF.
- EF (fibras musculares): inervadas por
motoneurônios alfa (70% das fibras eferentes)
- A partir do momento em que o músculo é
alongado, ocorre uma descarga nas fibras
intrafusais e elas sinalizam ao SN que está
ocorrendo um alongamento e qual a sua
intensidade para o sistema conseguir reagir.
- Existe um mecanismo de proteção que é um
mecanismo rápido de resposta e ocorre a nível
medular, conhecido como reflexo de estiramento.
Basicamente envolve a aferência do fuso que
passa pela medula e responde estimulando os
motoneuronios alfa e responderão rapidamente
para que realize uma contração daquela
musculatura.
ÓRGÃO TENDINOSO DE GOLGI (OTG)
- Situado na junção musculotendínea e se
dispões em séries com as fibras musculares (EF).
- Atuam também como mecanismos protetores,
prevenindo forças excessivas durante a
contração muscular (tensão).
- Quando ativados, os OTG enviam informação à
medula espinal quando perceberem que uma
contração (contrário de alongamento) for mantida
por um longo período ou muito intensa a ponto de
ser lesiva.
- Então ao invés de inputs excitatórios, eles
enviam inputs inibitórios (e.g., relaxamento
muscular) a fim de prevenir a lesão.
- O reflexo inibitório evita que os neurônios motores
continuem disparando, diminuindo a produção de
força muscular.
- Os OTG também são responsáveis por um reflexo
conhecido como reflexo de estiramento inverso
- Esse reflexo é o oposto do reflexo de estiramento,
e resulta em uma tensão muscular diminuída pela
inibição OTG-mediada dos neurônios motores
localizados na medula espinal que suprem o
músculo.
PROPRIOCEPÇÃO
- O encurtamento ativo do músculo (contração)
provoca a descarga do OTG, ao passo que o fuso
muscular descarrega somente quando o músculo é
alongado.
- A diferença funcional fundamental entre o fuso
muscular e o OTG é que o primeiro facilita a
contração, ao passo que o segundo inibe a
contração, não apenas no músculo de origem, mas
também no grupo muscular funcional inteiro.
DANOS PROPRIOCEPTIVOS
- Inflamação articular, aderências em um local de
incisão (cicatriz) e atrofia muscular podem ter
efeitos primários e direto sobre os diferentes tipos
de trabalho desses mecanorreceptores na
resposta aferente, e cada um pode afetar
negativamente a propriocepção.
- Isso deve ser considerado cuidadosamente no
processo de reabilitação, pois deficiências em
qualquer um deles podem ter um impacto
significativo sobre a função sensório-motora.
- Cenários clínicos onde há perda de
propriocepção, há perda de controle do movimento
(controle neuromuscular):
(1) Déficits na detecção da posição e movimento
das articulações;
(2) Déficits na sensação de força e contração;
(3) Déficits na sensação de orientação de
segmentos corporais bem como o corpo como um
todo.
- Portanto, onde há déficits proprioceptivos, há
dificuldade de aprender novos movimentos, de
melhorar a qualidade do movimento porque há
ausência de feedback de mecanorreceptores
para realizar adaptações e refinar as habilidades.
- Onde há déficits proprioceptivos, habilidades
básicas como manter o controle postural em pé
(ou sentado) ou se locomover são afetadas e
outros sentidos ficam “sobrecarregados” (ex.,
atividade visual e vestibular). Há sim disfunção de
movimento.
EQUILÍBRIO
- Equilíbrio, ou estabilidade (controle postural), é
um termo genérico utilizado para descrever o
processo pelo qual o nosso corpo mantém a sua
posição estabilizada.
- Equilíbrio significa que o corpo está em repouso
(equilíbrio estático) ou estabilizado em
movimento (equilíbrio dinâmico).
- O equilíbrio é maior quando o centro de massa
(CM) ou o centro de gravidade (CG) do corpo é
mantido sobre sua base de apoio (BA).
> Centro de massa: ponto correspondente ao
centro da massa corporal total e é onde o nosso
corpo se encontra em perfeito equilíbrio.
> Centro de gravidade: refere-se à projeção
vertical do centro de massa até o solo. Está
localizado um pouco à frente da 2a vértebra
sacral.
> Base de apoio: o perímetro da área de contato
entre o corpo e uma superfície de apoio. O
posicionamento dos pés altera a BA. Enquanto se
mantém o CG dentro da BA, não caímos.
- O sistema nervoso usa três fontes de informação
sensorialna manutenção da estabilidade postural
(a habilidade de manter o centro de massa
corporal dentro dos limites de estabilidade que
previnem uma queda):
1) Feedback somatossensorial
2) Feedback vestibular
3) Feedback visual
SISTEMAS SENSORIAIS E EQUILÍBRIO
> Visual:
- Fornece informações relativas à posição da
cabeça com respeito ao ambiente, à orientação da
cabeça para manter os olhos nivelados; e à direção
e à velocidade dos movimentos da cabeça.
> Somatossensorial:
- Fornece informações proprioceptivas.
Informações sobre orientação, posicionamento e
movimento do corpo ou membros; senso de
posição articular.
> Vestibular:
- O aparelho vestibular, um órgão localizado na
orelha interna (ou labirinto), é responsável pela
manutenção geral do equilíbrio.
- Os receptores contidos no aparelho vestibular são
sensíveis a qualquer tipo de mudança na direção
do movimento ou posição da cabeça.
- Os receptores fornecem informação sobre
acelerações linear (ex., sensação de aceleração ou
desaceleração correndo ou andando de carro) e
angular (ex., ajuda manter o equilíbrio ao virarmos
ou rotacionarmos a cabeça).
ESTRATÉGIAS MOTORAS PARA CONTROLE
DO EQUILÍBRIO
Diferentes estratégias de controle são utilizadas
com diferentes intensidades de perturbação:
- Músculos em torno dessa articulação são
utilizados para proporcionar estabilidade postural
- Músculos da coxa, quadril e tronco são
recrutados para proporcionar estabilidade
postura.
- Passo deve ser dado para manter o controle
postural
TIPOS DE CONTROLE DO EQUILÍBRIO
> Controle de equilíbrio estático: Mantém uma
posição antigravitacional estável enquanto se
está em repouso, como ao ficar em pé ou
sentado.
> Controle do equilíbrio dinâmico: Estabiliza o
corpo quando a superfície de apoio está em
movimento.
> Reações posturais automáticas: Mantém o
equilíbrio em resposta às perturbações
inesperadas.
CONTROLE NEUROMUSCULAR
- Controle motor: é a habilidade de regular ou
direcionar os mecanismos essenciais do
movimento. Aborda algumas questões como:
- Há um número infinito de estratégias disponíveis
para executar as tarefas mais simples.
- O sistema neuromuscular deve escolher a
estratégia mais apropriada, baseado tanto no
movimento eficiente como na realização bem-
sucedida da tarefa.
POR QUÊ OS FISIOTERAPEUTAS DEVEM
ESTUDAR O CONTROLE MOTOR?
PARA QUÊ ESTUDAR O CONTROLE MOTOR?
- Passamos um tempo considerável reabilitando
pacientes com disfunções no controle motor.
- A intervenção terapêutica frequentemente é
direcionada a modificação do movimento ou o
aumento da capacidade de se mover.
- Estratégias terapêuticas são desenvolvidas para
aprimorar a qualidade e a quantidade de posturas
e movimentos para a função.
- Temos que constantemente nos atualizar para
oferecer as melhores intervenções baseadas nas
evidências mais recentes.
MOVIMENTO: INTERAÇÃO DE TRÊS FATORES
- O movimento emerge da interação de três fatores:
(1) indivíduo; (2) tarefa e (3) ambiente.
- O movimento é organizado a partir das exigências
da tarefa (2) como do ambiente (3). O indivíduo
gera o movimento para cumprir as exigências da
tarefa que está sendo realizada em um ambiente
específico.
- A capacidade do indivíduo alcançar as
exig~encias interativas da tarefa e do ambiente
determinará sua capacidade funcional.
FATORES DO INDIVÍDUO QUE RESTRINGEM O
MOVIMENTO
- O movimento emerge pelo esforço cooperativo
das diversas estruturas e processos cerebrais.
- Cuidado com o termo "controle motor" , pois o
movimento surge de uma interação de múltiplos
processos, incluindo a percepção, cognição e
ação.
MOVIMENTO E A AÇÃO
- Todo movimento é descrito dentro de um contexto
específico de uma certa ação.
- Compreender o controle das ações implica na
compreensão do output motor (eferência motora)
do SN para os sistemas efetores do nosso corpo
(e.g., músculos).
- Os componentes dos sistemas efetores
(articulações, músculos) devem ser controlados
durante a execução de um movimento de maneira
coordenada e funcional.
- O estudo do controle motor inclui o estudo dos
sistemas que controlam a ação.
MOVIMENTO E A PERCEPÇÃO
- A percepção é a integração das impressões
sensoriais às informações psicologicamente
significativas. Inclui os mecanismos sensoriais
periféricos e os processamentos mais elevados
que agregam a interpretação e o significado à nova
informação aferente.
- Os sistemas sensorial/perceptual fornecem
informações sobre o estado do corpo (e.g., posição
do nosso corpo no espaço) e destacam-se dentro
do ambiente crítico para a regulação do
movimento.
- A informação sensorial é absolutamente
fundamental para a habilidade de agir de forma
efetiva dentro de um ambiente.
MOVIMENTO E A COGNIÇÃO
- Todos os movimentos ocorrem a partir de uma
intenção. Alcançar objetos, alimentos, locomoção.
- O controle motor inclui os sistemas de percepção
e ação que se organizam para alcançar objetivos e
intenções específicas.
- Logo, ao estudar o controle motor, devemos
incluir o estudo dos processos cognitivos, uma vez
que eles se relacionam à percepção e à ação.
RESTRIÇÕES DA TAREFA NO MOVIMENTO
- As próprias tarefas podem impor restrições na
organização neural do movimento.
- A natureza da tarefa realizada determina, em
parte, o tipo de movimento necessário. Para
entender melhor o controle motor é necessário
saber como as tarefas regulam os mecanismos
neurais que controlam os movimentos.
- A importância de conhecermos os aspectos de
movimento durante uma tarefa que são mais
difíceis para os pacientes realizarem, pode
refletir em intervenções direcionadas a esses
déficits, e consequentemente, resultar numa
melhora da qualidade do movimento e numa
maior autoconfiança do próprio paciente.
- Para recuperar a função após uma lesão do SNC,
o paciente pode desenvolver padrões de
movimento que cumpram as exigências das tarefas
funcionais diante de seus déficits
sensorial/perceptual, motor e cognitivo.
- Portanto, é necessário que nós possamos traçar
estratégias terapêuticas que auxiliem o paciente a
(re)aprender a realizar as tarefas funcionais,
levando em consideração as deficiências de base.
- A compreensão das atribuições das tarefas pode
fornecer um modelo para a estruturação das
tarefas, as quais podem ser sequenciadas das
mais fáceis às mais difíceis.
ATENÇÃO!
AGRUPANDO AS TAREFAS FUNCIONAIS
- As tarefas são rotineiramente agrupadas em
categorias funcionais:
> Tarefas de mobilidade: Mover-se da posição de
decúbito para a sedestação (sentado), mover-se
para a beira da cama e para trás, mudanças na
posição da cama.
> Tarefas de transferência: mover-se de sentado
para em pé e retornar, transferir-se da cadeira para
a cama e retornar, transferir-se para o vaso
sanitário e retornar.
> Atividades da vida diária (AVD): Vestir-se,
fazer a higiene pessoal, arrumar-se, locomover-se
e alimentar-se
- Uma alternativa para classificar as tarefas
funcionalmente é categorizá-las de acordo com as
contribuições essenciais para regular os
mecanismos de controle neural. Por exemplo, as
tarefas também podem ser classificadas como
discretas ou contínuas.
> Tarefas discretas: São tarefas que tem um
início e fim identificável (e.g., chutar uma bola)
> Tarefas contínuas: O ponto final da tarefa não
é uma característica inerente da tarefa, mas é
decidido arbirtrariamente por que a executa (e.g.,
andar e correr).
- As tarefas também podem ser classificadas de
acordo com a base de sustentação móvel ou
imóvel:
> Tarefas de estabilidade: São realizadas em
uma base de sustentação imóvel (e.g., sentar ou
permanecer em pé).
> Tarefas de mobilidade: São realizadas em uma
base de sustentação móvel (e.g., sentar e
permaencer em pé).
- Na clínica, tarefas queenvolvem uma base de
sustentação imóvel (e.g., sentar e permanecer em
pé) são praticadas frequentemente antes das
tarefas de mobilidade (e.g., andar) supondo que
os pré requisitos para estabilidade são menos
exigentes nas tarefas que têm uma base de
sustentação imóvel.
- Pesquisas demonstram que a ordenação de
tarefas posturais possui uma relação com os
recursos da atenção voltada à tarefa:
- A atenção aumenta à medida que aumentam as
exigências da estabilidade.
- Tarefas que têm exigência mais baixa de atenção
são tarefas primariamente posturais estáticas (e.g.,
sentar e permanecer em pé); a exigência de
atenção aumenta nas tarefas de mobilidade como
andar e ultrapassar obstáculos.
COMPONENTE DE MANIPULAÇÃO
- O componente de manipulação de algum objeto
também tem sido utilizado para classificar tarefas.
- A inclusão de uma tarefa de manipulação
aumenta a exigência de estabilidade daquela
exigida para a mesma tarefa sem o componente de
manipulação.
- Portanto, as tarefas podem ser sequenciadas de
acordo com a hierarquia das exigências de
estabilidade (e.g., permanecer em pé, permanecer
em pé levantando um peso leve e permanecer em
pé levantando um peso maior).
VARIABILIDADE DO MOVIMENTO
- As tarefas também pode ser classificadas de
acordo com a variabilidade do movimento.
> Tarefas em cadeia aberta: Exigem que o
executante adapte seu comportamento dentro
de um ambiente que muda o tempo todo e é
quase imprevisível (e.g., jogar futebol, tênis e
principalmente queimada!)
> Tarefas em cadeia fechada: São relativamente
estereotipadas, com pouca variação, e são
executadas em ambiente relativamente fixo ou
previsível. O treinamento para tarefas de cadeia
fechada é executado antes do treinamento de
cadeia aberta, as quais necessitam de
movimentos adaptativos para as características
mutáveis ambientais.
- Compreender os atributos importantes das
tarefas permite ao fisioterapeuta desenvolver um
programa de reabilitação específico às
dificuldades de seus pacientes.
ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO DAS
HABILIDADES MOTORAS
- Estágio cognitivo: fase inicial, uma nova tarefa
requer grande concentração, e o desempenho é
variável e cheio de erros.
- Estágio associativo: menos tempo é gasto
pensando sobre cada detalhe; entretanto, os
movimentos ainda não são automáticos. Esse
estágio começa quando o indivíduo determina a
forma mais efetiva de realizar uma tarefa.
- Estágio autônomo: quando o movimento torna-
se mais automático e eficiente ("a prática leva ao
estágio autônomo")
RESTRIÇÕES AMBIENTAIS NO MOVIMENTO
- Uma vez que as tarefas são executadas numa
grande variedade de ambientes, o movimento
também é restringido pelas características do
ambiente.
- A fim de ser funcional, o nosso SNC leva em
consideração os atributos (características) do
ambiente quando planeja um movimento
específico.
Características reguladoras:
Especificam aspectos do ambiente que moldam o
movimento em si. Tarefas de movimentos
específicos devem adaptar- se às características
reguladoras do ambiente.
Características não reguladoras:
As características não reguladoras podem afetar o
desempenho, mas o movimento não precisa se
adaptar a essas características.
As características do ambiente podem permitir
ou debilitar o desempenho
- Compreender as características do ambiente que
regulam e afetam o desempenho das tarefas de
movimento é essencial para planejar uma
intervenção efetiva.
- Preparar os nossos pacientes para uma
variedade de ambientes requer o conhecimento
das características do ambiente que irão afetar o
desempenho do movimento para que os pacientes
estejam aptos a cumprir as exigências nos
diferentes tipos de ambientes.
NATUREZA DO MOVIMENTO
- INDIVÍDUO TAREFA AMBIENTE
- O movimento que observamos em nossos
pacientes é realizado não só pelas características
do próprio indivíduo, como as dificuldades
sensoriais, motoras e cognitivas, mas também
pelas características da tarefa executada e pelo
ambiente no qual o indivíduo está inserido.
DISFUNÇÃO NO SISTEMA NEUROMUSCULAR
- A disfunção no sistema neuromuscular pode ser
referida também, como uma diminuição no
controle neuromuscular, ou uma alteração.
Diminuição no controle neuromuscular
- Deficiências no controle neuromuscular podem
modificar os padrões de movimento e aumentar
os riscos de lesões (e.g., valgo dinâmico de
joelho).
Alteração no controle neuromuscular
- Aqui, as lesões musculoesqueléticas podem ser
uma causa do controle neuromuscular alterado
(e.g., entorse de tornozelo).
- Entendendo esses detalhes, conseguimos
entender o uso de técnicas específicas para a
reabilitação de pacientes que apresentam ambos
os tipos de disfunção no sistema neuromuscular.
CONTEXTO DA REABILITAÇÃO
- Os esforços da reabilitação devem, portanto,
ser direcionados para a criação de um ambiente
que promova a recuperação e o
desenvolvimento das respostas motoras e da
propriocepção, na presença de informação
sensorial alterada.
- Recuperar a função após uma lesão inclui
trabalhar os déficits no controle neuromuscular,
a fim de recuperar a habilidade de cumprir os
objetivos da tarefa utilizando meios efetivos e
eficientes.
FATORES QUE INFLUENCIAM O
DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES
MOTORAS
Princípio da especificidade na cabeça
> Condições de prática: As condições do contexto
visual, ambiental e pessoal devem ser levadas em
consideração. De forma similar, devemos seguir as
demandas físicas, mentais e emocionais.
Meios de trabalhar as habilidades motoras
> Sessões práticas bloqueadas: Trabalhar
sequencialmente a habilidade desejada (e.g.,
primeiro o chute, depois o drible e vice- versa) até
que o seu paciente consiga se desenvolver.
> Sessões práticas randomizadas: Trabalhar as
habilidades desejadas diversas vezes numa
mesma sessão de maneira alternada.
QUAL DAS DUAS ABORDAGENS É A MAIS
RECOMENDADA PARA DESENVOLVER AS
HABILIDADES MOTORAS?
SESSÕES DE PRÁTICA BLOQUEADA
- A prática bloqueada é mais indicada durante os
estágios iniciais de aprendizagem motora de uma
nova habilidade, porque ela tem demonstrado
promover melhor desempenho inicial.
- Outra particularidade que devemos levar em
consideração: - Uma habilidade em particular deve
ser praticada sob diferentes formas. > Prática
constante: É quando a prática ocorre
repetidamente, sem nenhuma modificação (e.g.,
sempre arremessar da mesma distância). > Prática
variada:
Ocorre quando algum parâmetro é modificado
durante a sessão de treinamento (e.g., mudar a
distância de arremesso)
CONCLUINDO:
- Uma combinação de prática randomizada e
variada, com características similares ao
contexto alvo é, portanto, ideal para a
aprendizagem motora.
- A prática randomizada permite que uma
memória de uma habilidade específica seja
formada, e a prática variada promove o
desenvolvimento de variações de movimentos
que podem reportar a tarefas não realizadas
previamente.
- Emular as características inerentes ao contexto
alvo melhora a transferência de desempenho da
prática para esse contexto.
> Feedback externo: O feedback a partir de fontes
fora do corpo (e.g., instrução do fisioterapeuta) é
denominado feedback externo ou aumentado.
Diferentes aspectos do feedback externo podem
influenciar na velocidade e qualidade da
aprendizagem motora.
- Pode ser dado tanto sobre o sucesso em
desempenhar uma habilidade motora quanto sobre
a qualidade do movimento.
- Deve ser fornecido usando as vias sensoriais: (1)
verbal, (2) visual e (3) auditivo.
- (1) inclui informações sobre erros no desempenho
- (2) filmagens do desempenho, curva-
desempenho
- (3) requer som durante o desempenho
- O feedback externo deve ser monitorado para que
não cause dependência.
MÉTODOS DE TREINAMENTOTREINAMENTO DE EQUILÍBRIO
- Os exercícios de equilíbrio são usados para
facilitar o componente proprioceptivo do controle
postural, e assim reduzir a oscilação postural.
- Podem ser realizados no chão ou em algum tipo
de equipamento (e.g., tábua oscilante ou tábua de
balanço).
- Variações na superfície (e.g., lisa ou irregular) e
na base de suporte (e.g., maior ou menor) são
usadas para alterar a dificuldade de atividades de
equilíbrio.
- Superfícies estáveis oferecem menor desafio ao
equilíbrio comparado a superfícies instáveis (e.g.,
tatames complacentes, tábuas oscilantes).
TREINAMENTO DE PERTURBAÇÃO
- O treinamento de perturbação também envolve
componentes proprioceptivos, porém com a adição
de uma força que é aplicada (e.g., força
perturbadora).
- A dificuldade nesse tipo de treinamento é relativo
às diferenças de perturbação aplicada, presença
de atividades simultâneas e alterações na base de
suporte.
- Exemplos: perturbações previsíveis são menos
desafiadoras; perturbações com a adição de
atividades específicas são mais difíceis (e.g.,
chutar ou atirar uma bola); quanto mais
perturbações em diferentes direções, mais difícil.
- A força aplicada pode ser direcionada para a
pessoa ou para a superfície na qual a pessoa está
posicionada. O intuito aqui é melhorar a resposta
motora reativa, particularmente útil na melhora da
estabilidade articular dinâmica
EXERCÍCIO PLIOMÉTRICO
O exercício pliométrico é também conhecido como
um treinamento de salto ou exercício de
treinamento neuromuscular reativo.
- Comumente utilizado em programas de
prevenção de lesões ou em fases avançadas da
reabilitação para indivíduos que estão retornando
ao esporte.
- Foca na técnica apropriada e na biomecânica
para reduzir sérias lesões ligamentares e induzir
adaptações para corrigir desequilíbrios
neuromusculares.
- A demanda é menor em atividades de duplo apoio
e quando a amplitude de movimento é reduzida
(e.g., saltar de alturas menores)
- O componente pliométrico exercita o sistema
neuromuscular para executar o ciclo-alongamento
encurtamento de forma efetiva.
TREINAMENTO DE TÉCNICA
- Envolve o desempenho de movimentos
específicos com ênfase na técnica apropriada. O
movimento escolhido pode ser aquele que
apresenta maior incidência de lesões (e.g.,
aterrissar de um salto ou manobra de corte), ou
pode ser um movimento que está deficiente após
uma lesão.
- É importante oferecer feedbacks verbais e visuais
durante e após o treinamento.
- No treinamento de técnicas, os pacientes são
encorajados a realizarem os movimentos até a
fadiga ou até eles não conseguirem executar o
movimento com a biomecânica correta.
TREINAMENTO MULTIFACETADO
- Lança mão de diversos tipos de componentes de
treinamento neuromuscular para a reabilitação e
prevenção de lesões.
- É uma combinação de treino de equilíbrio, força,
pliometria, agilidade, movimentos/ exercícios
específicos do esporte ou funcionais focados para
a disfunção que foi identificada na avaliação.
- Protocolos que incorporam os múltiplos
componentes tendem a serem mais efetivos.
- Sempre observe e reconheça a fadiga em seu
paciente, pois a execução de habilidades motoras
durante um treinamento neuromuscular pode
estimular a execução errada durante o
desempenho.
TREINAMENTO DE EQUILÍBRIO - CONTROLE
ESTÁTICO
- Atividades para promover o controle do equilíbrio
estático incluem fazer o paciente permanecer nas
posturas sentada e em pé sobre uma superfície
estável.
- Para promover o foco externo de atenção, pode-
se pedir ao paciente que segure uma barra com o
braço estendido, instruindo-o a manter a barra em
uma posição horizontal.
- Atividades mais desafiadoras incluem praticar o
apoio com um pé à frente do outro e sobre uma
perna só, avanços e posições agachadas
(aumentar profundidade do agachamento).
- Deve-se progredir essas atividades trabalhando
em cima de superfícies macias (como espuma,
areia, grama), tornando mais estreita a base de
apoio, movendo os braços ou fechando os olhos.
- Fornecer resistência por meio de pesos de mão
ou resistência elástica.
- Acrescentar uma tarefa secundária (como
apanhar uma bola ou fazer cálculos mentais) para
aumentar ainda mais o nível de dificuldade.
REINAMENTO DE EQUILÍBRIO - CONTROLE
DINÂMICO
-Atividades para promover o controle do equilíbrio
dinâmico podem envolver:
- Pedir ao paciente para praticar controle do
equilíbrio estando sobre superfícies que se
movem, como sentado sobre uma bola terapêutica,
em pé sobre tábuas proprioceptivas ou pulando em
uma cama elástica.
- Progredir as atividades sobrepondo movimentos
como transferir o peso corporal, rodar o tronco,
mover a cabeça ou os membros superiores
- Variar a posição dos braços de abertos ao lado
do corpo para acima da cabeça
- Praticar exercícios de degraus começando com
alturas pequenas, depois “mini-avanços” até
avanços completos.
- Progredir o programa de exercícios para incluir
pular, saltar objetos, pular corda e saltar de um
banco pequeno mantendo o equilíbrio.
TREINAMENTO DE EQUILÍBRIO
> Controle antecipatório do equilíbrio:
- Estender o braço em todas as direções para
tocar ou pegar objetos, apanhar ou chutar uma
bola.
- Usar diferentes posturas para variar (p. ex.,
sentado, em pé, ajoelhado) e arremessar ou rolar
uma bola com diferentes velocidades e alturas.
- Usar tarefas funcionais que envolvam múltiplas
partes do corpo para aumentar o desafio do
controle postural antecipatório, fazendo o
paciente levantar objetos de pesos variados em
diferentes posturas com velocidades variadas,
abrir e fechar portas com maçanetas e pesos
diferentes ou manobrar por um trajeto com
obstáculos.
> Organização sensorial: - Para reduzir ou
desestabilizar os impulsos visuais, deve-se fazer o
paciente fechar os olhos. Somatossensorial:
reduzir base de apoio, incluir superfícies instáveis.
> Equilíbrio durante atividades funcionais:
- Se houver limitações para estender os braços, o
paciente deve trabalhar em atividades como tentar
pegar um copo sobre uma prateleira, alcançar
atrás de si (como para posicionar o braço dentro da
manga da camisa) ou pegar uma bola em
diferentes direções.
- Fazer o paciente realizar duas ou mais tarefas
simultaneamente aumenta o nível de
complexidade da tarefa.
- Praticar atividades recreativas que o paciente
gosta, como golfe, aumenta a motivação para a
prática ao mesmo tempo em que desafia o controle
do equilíbrio
TAKE HOME MESSAGE
- A propriocepção e o controle postural são dois
componentes do controle neuromuscular que
dependem da informação aferente; - O controle
postural (ou equilíbrio) resulta da integração das
informações de entrada visuais, vestibulares e
proprioceptivas. Dessa forma, qualquer disfunção
nos outputs aferentes dos mecanorreceptores, que
afeta a propriocepção, afeta negativamente a
postura.
- Em resumo, embora os conceitos dessa aula não
se enquadrem em uma mesma definição, o
controle neuromuscular, a propriocepção e o
equilíbrio estão interligados entre sim.
- A aplicação isolada ou conjunta desses
componentes do controle neuromuscular na
terapia dependerá dos seus objetivos.