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CONTROLE NEUROMUSCULAR, PROPRIOCEPÇÃO 
E EQUILÍBRIO 
SISTEMA NEUROMUSCULAR 
- É responsável pela atividade muscular 
coordenada, que fornece estabilidade articular 
dinâmica, ajuda no controle postural e produz 
padrões de movimentos ideais. 
- É um sistema dependente de interações complexas 
entre órgãos sensoriais (e.g., mecanorreceptores, o 
sistema nervoso central [SNC], periférico [SNP] e 
musculoesquelético para produzir as atividades 
muscular coordenadas). 
- As interações complexas entre os 
mecanorreceptores e os SNC, SNP e 
musculoesquelético permitem completarmos 
efetivamente as tarefas que escolhemos. 
- Passível de disfunções em algum componente do 
sistema neuromuscular que também pode ser referido 
como diminuição ou alteração no controle 
neuromuscular. 
Diminuição no controle neuromuscular 
- Deficiências no controle neuromuscular podem 
modificar os padrões de movimento e aumentar os 
riscos de lesões (e.g., valgo dinâmico de joelho). 
Alteração no controle neuromuscular 
- Aqui, as lesões musculoesqueléticas podem ser 
uma causa do controle neuromuscular alterado (e.g., 
entorse de tornozelo). 
MECANORRECEPTORES 
- Os mecanorreceptores são os receptores sensoriais 
no sistema neuromuscular. 
- São sensíveis a várias formas de deformação, como 
por exemplo a tensão, compressão e o movimento. 
 
- Os mecanorreceptores estão localizados nos 
tecidos moles, articulações, e unidades 
musculotendinosas. 
- Embora os receptores cutâneos contribuam para 
as informações que o SN processa, não há 
evidências de que eles contribuam para a 
estabilidade dinâmica articular. 
 
- A informação sensorial (ou aferente) captada 
pelos mecanorreceptores é enviada para a medula 
espinal por vias aferentes, para processar e 
finalmente resultar na regulação de reflexos e 
atividade muscular. 
- A propriocepção e o controle postural são 
componentes do controle neuromuscular que 
dependem da informação aferente. A 
propriocepção é um produto da aferência captada 
pelos mecanorreceptores. 
PROPRIOCEPÇÃO 
- É o sentido de movimento articular e o sentido de 
posição. O sistema proprioceptivo é caracterizado 
pela complexa interação entre as vias sensoriais e 
a via motora. 
- A coordenação ótima da atividade motora pelo 
SNC depende de um suprimento constante de 
feedback sensorial durante o movimento. 
 
- Os proprioceptores têm um papel fundamental no 
planejamento do movimento e podem gerar 
respostas adaptativas rápidas para promover 
mudanças no desempenho motor durante a 
execução de tarefas. 
- Também são fundamentais para a manutenção do 
equilíbrio, estabilidade articular, movimentos 
controlados e coordenados para prevenir lesões. 
PROPRIOCEPTORES ARTICULARES 
- Atuam juntos para proporcionar um meio 
consciente de reconhecimento da orientação de 
suas partes, bem como um feedback sobre os 
movimentos dos membros. 
 
- Controlam adequadamente os movimentos a partir 
da recepção de um feedback sensorial contínuo por 
parte dos músculos que estão contraindo para o SN. 
Esse feedback sensorial inclui: 
1) Informação sobre a tensão desenvolvida por um 
músculo 
2) Comprimento muscular 
 
FUSO MUSCULAR 
- Fuso muscular (detector de comprimento): 
composto de várias fibras intrafusais (IF) estão 
centralmente localizadas na musculatura e seguem 
as mesmas direções das fibras musculares. 
- IF ≠ fibras musculares (extrafusais; EF) 
 
- IF são inervadas por motoneurônios gama (30% 
das fibras eferentes): estimulam as fibras 
intrafusais a se contraírem simultaneamente ao 
longo das fibras EF. 
- EF (fibras musculares): inervadas por 
motoneurônios alfa (70% das fibras eferentes) 
- A partir do momento em que o músculo é 
alongado, ocorre uma descarga nas fibras 
intrafusais e elas sinalizam ao SN que está 
ocorrendo um alongamento e qual a sua 
intensidade para o sistema conseguir reagir. 
- Existe um mecanismo de proteção que é um 
mecanismo rápido de resposta e ocorre a nível 
medular, conhecido como reflexo de estiramento. 
Basicamente envolve a aferência do fuso que 
passa pela medula e responde estimulando os 
motoneuronios alfa e responderão rapidamente 
para que realize uma contração daquela 
musculatura. 
 
ÓRGÃO TENDINOSO DE GOLGI (OTG) 
- Situado na junção musculotendínea e se 
dispões em séries com as fibras musculares (EF). 
- Atuam também como mecanismos protetores, 
prevenindo forças excessivas durante a 
contração muscular (tensão). 
- Quando ativados, os OTG enviam informação à 
medula espinal quando perceberem que uma 
contração (contrário de alongamento) for mantida 
por um longo período ou muito intensa a ponto de 
ser lesiva. 
- Então ao invés de inputs excitatórios, eles 
enviam inputs inibitórios (e.g., relaxamento 
muscular) a fim de prevenir a lesão. 
 
- O reflexo inibitório evita que os neurônios motores 
continuem disparando, diminuindo a produção de 
força muscular. 
- Os OTG também são responsáveis por um reflexo 
conhecido como reflexo de estiramento inverso 
- Esse reflexo é o oposto do reflexo de estiramento, 
e resulta em uma tensão muscular diminuída pela 
inibição OTG-mediada dos neurônios motores 
localizados na medula espinal que suprem o 
músculo. 
PROPRIOCEPÇÃO 
- O encurtamento ativo do músculo (contração) 
provoca a descarga do OTG, ao passo que o fuso 
muscular descarrega somente quando o músculo é 
alongado. 
- A diferença funcional fundamental entre o fuso 
muscular e o OTG é que o primeiro facilita a 
contração, ao passo que o segundo inibe a 
contração, não apenas no músculo de origem, mas 
também no grupo muscular funcional inteiro. 
DANOS PROPRIOCEPTIVOS 
- Inflamação articular, aderências em um local de 
incisão (cicatriz) e atrofia muscular podem ter 
efeitos primários e direto sobre os diferentes tipos 
de trabalho desses mecanorreceptores na 
resposta aferente, e cada um pode afetar 
negativamente a propriocepção. 
- Isso deve ser considerado cuidadosamente no 
processo de reabilitação, pois deficiências em 
qualquer um deles podem ter um impacto 
significativo sobre a função sensório-motora. 
- Cenários clínicos onde há perda de 
propriocepção, há perda de controle do movimento 
(controle neuromuscular): 
(1) Déficits na detecção da posição e movimento 
das articulações; 
(2) Déficits na sensação de força e contração; 
(3) Déficits na sensação de orientação de 
segmentos corporais bem como o corpo como um 
todo. 
 
- Portanto, onde há déficits proprioceptivos, há 
dificuldade de aprender novos movimentos, de 
melhorar a qualidade do movimento porque há 
ausência de feedback de mecanorreceptores 
para realizar adaptações e refinar as habilidades. 
- Onde há déficits proprioceptivos, habilidades 
básicas como manter o controle postural em pé 
(ou sentado) ou se locomover são afetadas e 
outros sentidos ficam “sobrecarregados” (ex., 
atividade visual e vestibular). Há sim disfunção de 
movimento. 
EQUILÍBRIO 
- Equilíbrio, ou estabilidade (controle postural), é 
um termo genérico utilizado para descrever o 
processo pelo qual o nosso corpo mantém a sua 
posição estabilizada. 
- Equilíbrio significa que o corpo está em repouso 
(equilíbrio estático) ou estabilizado em 
movimento (equilíbrio dinâmico). 
- O equilíbrio é maior quando o centro de massa 
(CM) ou o centro de gravidade (CG) do corpo é 
mantido sobre sua base de apoio (BA). 
> Centro de massa: ponto correspondente ao 
centro da massa corporal total e é onde o nosso 
corpo se encontra em perfeito equilíbrio. 
> Centro de gravidade: refere-se à projeção 
vertical do centro de massa até o solo. Está 
localizado um pouco à frente da 2a vértebra 
sacral. 
> Base de apoio: o perímetro da área de contato 
entre o corpo e uma superfície de apoio. O 
posicionamento dos pés altera a BA. Enquanto se 
mantém o CG dentro da BA, não caímos. 
- O sistema nervoso usa três fontes de informação 
sensorialna manutenção da estabilidade postural 
(a habilidade de manter o centro de massa 
corporal dentro dos limites de estabilidade que 
previnem uma queda): 
1) Feedback somatossensorial 
2) Feedback vestibular 
3) Feedback visual 
 
SISTEMAS SENSORIAIS E EQUILÍBRIO 
> Visual: 
- Fornece informações relativas à posição da 
cabeça com respeito ao ambiente, à orientação da 
cabeça para manter os olhos nivelados; e à direção 
e à velocidade dos movimentos da cabeça. 
> Somatossensorial: 
- Fornece informações proprioceptivas. 
Informações sobre orientação, posicionamento e 
movimento do corpo ou membros; senso de 
posição articular. 
 
> Vestibular: 
- O aparelho vestibular, um órgão localizado na 
orelha interna (ou labirinto), é responsável pela 
manutenção geral do equilíbrio. 
- Os receptores contidos no aparelho vestibular são 
sensíveis a qualquer tipo de mudança na direção 
do movimento ou posição da cabeça. 
- Os receptores fornecem informação sobre 
acelerações linear (ex., sensação de aceleração ou 
desaceleração correndo ou andando de carro) e 
angular (ex., ajuda manter o equilíbrio ao virarmos 
ou rotacionarmos a cabeça). 
ESTRATÉGIAS MOTORAS PARA CONTROLE 
DO EQUILÍBRIO 
 
 
Diferentes estratégias de controle são utilizadas 
com diferentes intensidades de perturbação: 
- Músculos em torno dessa articulação são 
utilizados para proporcionar estabilidade postural 
- Músculos da coxa, quadril e tronco são 
recrutados para proporcionar estabilidade 
postura. 
- Passo deve ser dado para manter o controle 
postural 
 
TIPOS DE CONTROLE DO EQUILÍBRIO 
> Controle de equilíbrio estático: Mantém uma 
posição antigravitacional estável enquanto se 
está em repouso, como ao ficar em pé ou 
sentado. 
> Controle do equilíbrio dinâmico: Estabiliza o 
corpo quando a superfície de apoio está em 
movimento. 
> Reações posturais automáticas: Mantém o 
equilíbrio em resposta às perturbações 
inesperadas. 
CONTROLE NEUROMUSCULAR 
- Controle motor: é a habilidade de regular ou 
direcionar os mecanismos essenciais do 
movimento. Aborda algumas questões como: 
- Há um número infinito de estratégias disponíveis 
para executar as tarefas mais simples. 
- O sistema neuromuscular deve escolher a 
estratégia mais apropriada, baseado tanto no 
movimento eficiente como na realização bem-
sucedida da tarefa. 
POR QUÊ OS FISIOTERAPEUTAS DEVEM 
ESTUDAR O CONTROLE MOTOR? 
PARA QUÊ ESTUDAR O CONTROLE MOTOR? 
- Passamos um tempo considerável reabilitando 
pacientes com disfunções no controle motor. 
- A intervenção terapêutica frequentemente é 
direcionada a modificação do movimento ou o 
aumento da capacidade de se mover. 
- Estratégias terapêuticas são desenvolvidas para 
aprimorar a qualidade e a quantidade de posturas 
e movimentos para a função. 
- Temos que constantemente nos atualizar para 
oferecer as melhores intervenções baseadas nas 
evidências mais recentes. 
MOVIMENTO: INTERAÇÃO DE TRÊS FATORES 
- O movimento emerge da interação de três fatores: 
(1) indivíduo; (2) tarefa e (3) ambiente. 
- O movimento é organizado a partir das exigências 
da tarefa (2) como do ambiente (3). O indivíduo 
gera o movimento para cumprir as exigências da 
tarefa que está sendo realizada em um ambiente 
específico. 
- A capacidade do indivíduo alcançar as 
exig~encias interativas da tarefa e do ambiente 
determinará sua capacidade funcional. 
FATORES DO INDIVÍDUO QUE RESTRINGEM O 
MOVIMENTO 
- O movimento emerge pelo esforço cooperativo 
das diversas estruturas e processos cerebrais. 
- Cuidado com o termo "controle motor" , pois o 
movimento surge de uma interação de múltiplos 
processos, incluindo a percepção, cognição e 
ação. 
MOVIMENTO E A AÇÃO 
- Todo movimento é descrito dentro de um contexto 
específico de uma certa ação. 
- Compreender o controle das ações implica na 
compreensão do output motor (eferência motora) 
do SN para os sistemas efetores do nosso corpo 
(e.g., músculos). 
- Os componentes dos sistemas efetores 
(articulações, músculos) devem ser controlados 
durante a execução de um movimento de maneira 
coordenada e funcional. 
- O estudo do controle motor inclui o estudo dos 
sistemas que controlam a ação. 
MOVIMENTO E A PERCEPÇÃO 
- A percepção é a integração das impressões 
sensoriais às informações psicologicamente 
significativas. Inclui os mecanismos sensoriais 
periféricos e os processamentos mais elevados 
que agregam a interpretação e o significado à nova 
informação aferente. 
- Os sistemas sensorial/perceptual fornecem 
informações sobre o estado do corpo (e.g., posição 
do nosso corpo no espaço) e destacam-se dentro 
do ambiente crítico para a regulação do 
movimento. 
- A informação sensorial é absolutamente 
fundamental para a habilidade de agir de forma 
efetiva dentro de um ambiente. 
MOVIMENTO E A COGNIÇÃO 
- Todos os movimentos ocorrem a partir de uma 
intenção. Alcançar objetos, alimentos, locomoção. 
- O controle motor inclui os sistemas de percepção 
e ação que se organizam para alcançar objetivos e 
intenções específicas. 
- Logo, ao estudar o controle motor, devemos 
incluir o estudo dos processos cognitivos, uma vez 
que eles se relacionam à percepção e à ação. 
RESTRIÇÕES DA TAREFA NO MOVIMENTO 
- As próprias tarefas podem impor restrições na 
organização neural do movimento. 
- A natureza da tarefa realizada determina, em 
parte, o tipo de movimento necessário. Para 
entender melhor o controle motor é necessário 
saber como as tarefas regulam os mecanismos 
neurais que controlam os movimentos. 
- A importância de conhecermos os aspectos de 
movimento durante uma tarefa que são mais 
difíceis para os pacientes realizarem, pode 
refletir em intervenções direcionadas a esses 
déficits, e consequentemente, resultar numa 
 
melhora da qualidade do movimento e numa 
maior autoconfiança do próprio paciente. 
- Para recuperar a função após uma lesão do SNC, 
o paciente pode desenvolver padrões de 
movimento que cumpram as exigências das tarefas 
funcionais diante de seus déficits 
sensorial/perceptual, motor e cognitivo. 
- Portanto, é necessário que nós possamos traçar 
estratégias terapêuticas que auxiliem o paciente a 
(re)aprender a realizar as tarefas funcionais, 
levando em consideração as deficiências de base. 
- A compreensão das atribuições das tarefas pode 
fornecer um modelo para a estruturação das 
tarefas, as quais podem ser sequenciadas das 
mais fáceis às mais difíceis. 
ATENÇÃO! 
AGRUPANDO AS TAREFAS FUNCIONAIS 
- As tarefas são rotineiramente agrupadas em 
categorias funcionais: 
> Tarefas de mobilidade: Mover-se da posição de 
decúbito para a sedestação (sentado), mover-se 
para a beira da cama e para trás, mudanças na 
posição da cama. 
> Tarefas de transferência: mover-se de sentado 
para em pé e retornar, transferir-se da cadeira para 
a cama e retornar, transferir-se para o vaso 
sanitário e retornar. 
> Atividades da vida diária (AVD): Vestir-se, 
fazer a higiene pessoal, arrumar-se, locomover-se 
e alimentar-se 
- Uma alternativa para classificar as tarefas 
funcionalmente é categorizá-las de acordo com as 
contribuições essenciais para regular os 
mecanismos de controle neural. Por exemplo, as 
tarefas também podem ser classificadas como 
discretas ou contínuas. 
> Tarefas discretas: São tarefas que tem um 
início e fim identificável (e.g., chutar uma bola) 
> Tarefas contínuas: O ponto final da tarefa não 
é uma característica inerente da tarefa, mas é 
decidido arbirtrariamente por que a executa (e.g., 
andar e correr). 
- As tarefas também podem ser classificadas de 
acordo com a base de sustentação móvel ou 
imóvel: 
> Tarefas de estabilidade: São realizadas em 
uma base de sustentação imóvel (e.g., sentar ou 
permanecer em pé). 
> Tarefas de mobilidade: São realizadas em uma 
base de sustentação móvel (e.g., sentar e 
permaencer em pé). 
- Na clínica, tarefas queenvolvem uma base de 
sustentação imóvel (e.g., sentar e permanecer em 
pé) são praticadas frequentemente antes das 
tarefas de mobilidade (e.g., andar) supondo que 
os pré requisitos para estabilidade são menos 
exigentes nas tarefas que têm uma base de 
sustentação imóvel. 
- Pesquisas demonstram que a ordenação de 
tarefas posturais possui uma relação com os 
recursos da atenção voltada à tarefa: 
- A atenção aumenta à medida que aumentam as 
exigências da estabilidade. 
- Tarefas que têm exigência mais baixa de atenção 
são tarefas primariamente posturais estáticas (e.g., 
sentar e permanecer em pé); a exigência de 
atenção aumenta nas tarefas de mobilidade como 
andar e ultrapassar obstáculos. 
COMPONENTE DE MANIPULAÇÃO 
- O componente de manipulação de algum objeto 
também tem sido utilizado para classificar tarefas. 
- A inclusão de uma tarefa de manipulação 
aumenta a exigência de estabilidade daquela 
exigida para a mesma tarefa sem o componente de 
manipulação. 
- Portanto, as tarefas podem ser sequenciadas de 
acordo com a hierarquia das exigências de 
estabilidade (e.g., permanecer em pé, permanecer 
em pé levantando um peso leve e permanecer em 
pé levantando um peso maior). 
VARIABILIDADE DO MOVIMENTO 
- As tarefas também pode ser classificadas de 
acordo com a variabilidade do movimento. 
 
> Tarefas em cadeia aberta: Exigem que o 
executante adapte seu comportamento dentro 
de um ambiente que muda o tempo todo e é 
quase imprevisível (e.g., jogar futebol, tênis e 
principalmente queimada!) 
> Tarefas em cadeia fechada: São relativamente 
estereotipadas, com pouca variação, e são 
executadas em ambiente relativamente fixo ou 
previsível. O treinamento para tarefas de cadeia 
fechada é executado antes do treinamento de 
cadeia aberta, as quais necessitam de 
movimentos adaptativos para as características 
mutáveis ambientais. 
- Compreender os atributos importantes das 
tarefas permite ao fisioterapeuta desenvolver um 
programa de reabilitação específico às 
dificuldades de seus pacientes. 
 
ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO DAS 
HABILIDADES MOTORAS 
- Estágio cognitivo: fase inicial, uma nova tarefa 
requer grande concentração, e o desempenho é 
variável e cheio de erros. 
- Estágio associativo: menos tempo é gasto 
pensando sobre cada detalhe; entretanto, os 
movimentos ainda não são automáticos. Esse 
estágio começa quando o indivíduo determina a 
forma mais efetiva de realizar uma tarefa. 
- Estágio autônomo: quando o movimento torna-
se mais automático e eficiente ("a prática leva ao 
estágio autônomo") 
RESTRIÇÕES AMBIENTAIS NO MOVIMENTO 
- Uma vez que as tarefas são executadas numa 
grande variedade de ambientes, o movimento 
também é restringido pelas características do 
ambiente. 
 
 
- A fim de ser funcional, o nosso SNC leva em 
consideração os atributos (características) do 
ambiente quando planeja um movimento 
específico. 
Características reguladoras: 
Especificam aspectos do ambiente que moldam o 
movimento em si. Tarefas de movimentos 
específicos devem adaptar- se às características 
reguladoras do ambiente. 
Características não reguladoras: 
As características não reguladoras podem afetar o 
desempenho, mas o movimento não precisa se 
adaptar a essas características. 
As características do ambiente podem permitir 
ou debilitar o desempenho 
- Compreender as características do ambiente que 
regulam e afetam o desempenho das tarefas de 
movimento é essencial para planejar uma 
intervenção efetiva. 
- Preparar os nossos pacientes para uma 
variedade de ambientes requer o conhecimento 
das características do ambiente que irão afetar o 
desempenho do movimento para que os pacientes 
estejam aptos a cumprir as exigências nos 
diferentes tipos de ambientes. 
NATUREZA DO MOVIMENTO 
- INDIVÍDUO TAREFA AMBIENTE 
- O movimento que observamos em nossos 
pacientes é realizado não só pelas características 
do próprio indivíduo, como as dificuldades 
sensoriais, motoras e cognitivas, mas também 
pelas características da tarefa executada e pelo 
ambiente no qual o indivíduo está inserido. 
 
 
 
DISFUNÇÃO NO SISTEMA NEUROMUSCULAR 
- A disfunção no sistema neuromuscular pode ser 
referida também, como uma diminuição no 
controle neuromuscular, ou uma alteração. 
Diminuição no controle neuromuscular 
- Deficiências no controle neuromuscular podem 
modificar os padrões de movimento e aumentar 
os riscos de lesões (e.g., valgo dinâmico de 
joelho). 
Alteração no controle neuromuscular 
- Aqui, as lesões musculoesqueléticas podem ser 
uma causa do controle neuromuscular alterado 
(e.g., entorse de tornozelo). 
- Entendendo esses detalhes, conseguimos 
entender o uso de técnicas específicas para a 
reabilitação de pacientes que apresentam ambos 
os tipos de disfunção no sistema neuromuscular. 
 
CONTEXTO DA REABILITAÇÃO 
- Os esforços da reabilitação devem, portanto, 
ser direcionados para a criação de um ambiente 
que promova a recuperação e o 
desenvolvimento das respostas motoras e da 
propriocepção, na presença de informação 
sensorial alterada. 
- Recuperar a função após uma lesão inclui 
trabalhar os déficits no controle neuromuscular, 
a fim de recuperar a habilidade de cumprir os 
objetivos da tarefa utilizando meios efetivos e 
eficientes. 
FATORES QUE INFLUENCIAM O 
DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES 
MOTORAS 
Princípio da especificidade na cabeça 
> Condições de prática: As condições do contexto 
visual, ambiental e pessoal devem ser levadas em 
consideração. De forma similar, devemos seguir as 
demandas físicas, mentais e emocionais. 
Meios de trabalhar as habilidades motoras 
> Sessões práticas bloqueadas: Trabalhar 
sequencialmente a habilidade desejada (e.g., 
primeiro o chute, depois o drible e vice- versa) até 
que o seu paciente consiga se desenvolver. 
> Sessões práticas randomizadas: Trabalhar as 
habilidades desejadas diversas vezes numa 
mesma sessão de maneira alternada. 
QUAL DAS DUAS ABORDAGENS É A MAIS 
RECOMENDADA PARA DESENVOLVER AS 
HABILIDADES MOTORAS? 
SESSÕES DE PRÁTICA BLOQUEADA 
- A prática bloqueada é mais indicada durante os 
estágios iniciais de aprendizagem motora de uma 
nova habilidade, porque ela tem demonstrado 
promover melhor desempenho inicial. 
- Outra particularidade que devemos levar em 
consideração: - Uma habilidade em particular deve 
ser praticada sob diferentes formas. > Prática 
constante: É quando a prática ocorre 
repetidamente, sem nenhuma modificação (e.g., 
sempre arremessar da mesma distância). > Prática 
variada: 
Ocorre quando algum parâmetro é modificado 
durante a sessão de treinamento (e.g., mudar a 
distância de arremesso) 
CONCLUINDO: 
 - Uma combinação de prática randomizada e 
variada, com características similares ao 
contexto alvo é, portanto, ideal para a 
aprendizagem motora. 
- A prática randomizada permite que uma 
memória de uma habilidade específica seja 
formada, e a prática variada promove o 
desenvolvimento de variações de movimentos 
que podem reportar a tarefas não realizadas 
previamente. 
 - Emular as características inerentes ao contexto 
alvo melhora a transferência de desempenho da 
prática para esse contexto. 
> Feedback externo: O feedback a partir de fontes 
fora do corpo (e.g., instrução do fisioterapeuta) é 
denominado feedback externo ou aumentado. 
Diferentes aspectos do feedback externo podem 
influenciar na velocidade e qualidade da 
aprendizagem motora. 
- Pode ser dado tanto sobre o sucesso em 
desempenhar uma habilidade motora quanto sobre 
a qualidade do movimento. 
- Deve ser fornecido usando as vias sensoriais: (1) 
verbal, (2) visual e (3) auditivo. 
- (1) inclui informações sobre erros no desempenho 
 - (2) filmagens do desempenho, curva-
desempenho 
- (3) requer som durante o desempenho 
- O feedback externo deve ser monitorado para que 
não cause dependência. 
MÉTODOS DE TREINAMENTOTREINAMENTO DE EQUILÍBRIO 
 - Os exercícios de equilíbrio são usados para 
facilitar o componente proprioceptivo do controle 
postural, e assim reduzir a oscilação postural. 
- Podem ser realizados no chão ou em algum tipo 
de equipamento (e.g., tábua oscilante ou tábua de 
balanço). 
- Variações na superfície (e.g., lisa ou irregular) e 
na base de suporte (e.g., maior ou menor) são 
usadas para alterar a dificuldade de atividades de 
equilíbrio. 
- Superfícies estáveis oferecem menor desafio ao 
equilíbrio comparado a superfícies instáveis (e.g., 
tatames complacentes, tábuas oscilantes). 
TREINAMENTO DE PERTURBAÇÃO 
- O treinamento de perturbação também envolve 
componentes proprioceptivos, porém com a adição 
de uma força que é aplicada (e.g., força 
perturbadora). 
- A dificuldade nesse tipo de treinamento é relativo 
às diferenças de perturbação aplicada, presença 
de atividades simultâneas e alterações na base de 
suporte. 
 - Exemplos: perturbações previsíveis são menos 
desafiadoras; perturbações com a adição de 
atividades específicas são mais difíceis (e.g., 
chutar ou atirar uma bola); quanto mais 
perturbações em diferentes direções, mais difícil. 
- A força aplicada pode ser direcionada para a 
pessoa ou para a superfície na qual a pessoa está 
posicionada. O intuito aqui é melhorar a resposta 
motora reativa, particularmente útil na melhora da 
estabilidade articular dinâmica 
EXERCÍCIO PLIOMÉTRICO 
O exercício pliométrico é também conhecido como 
um treinamento de salto ou exercício de 
treinamento neuromuscular reativo. 
- Comumente utilizado em programas de 
prevenção de lesões ou em fases avançadas da 
reabilitação para indivíduos que estão retornando 
ao esporte. 
- Foca na técnica apropriada e na biomecânica 
para reduzir sérias lesões ligamentares e induzir 
adaptações para corrigir desequilíbrios 
neuromusculares. 
- A demanda é menor em atividades de duplo apoio 
e quando a amplitude de movimento é reduzida 
(e.g., saltar de alturas menores) 
- O componente pliométrico exercita o sistema 
neuromuscular para executar o ciclo-alongamento 
encurtamento de forma efetiva. 
TREINAMENTO DE TÉCNICA 
 - Envolve o desempenho de movimentos 
específicos com ênfase na técnica apropriada. O 
movimento escolhido pode ser aquele que 
apresenta maior incidência de lesões (e.g., 
aterrissar de um salto ou manobra de corte), ou 
pode ser um movimento que está deficiente após 
uma lesão. 
- É importante oferecer feedbacks verbais e visuais 
durante e após o treinamento. 
 - No treinamento de técnicas, os pacientes são 
encorajados a realizarem os movimentos até a 
fadiga ou até eles não conseguirem executar o 
movimento com a biomecânica correta. 
TREINAMENTO MULTIFACETADO 
- Lança mão de diversos tipos de componentes de 
treinamento neuromuscular para a reabilitação e 
prevenção de lesões. 
- É uma combinação de treino de equilíbrio, força, 
pliometria, agilidade, movimentos/ exercícios 
específicos do esporte ou funcionais focados para 
a disfunção que foi identificada na avaliação. 
- Protocolos que incorporam os múltiplos 
componentes tendem a serem mais efetivos. 
- Sempre observe e reconheça a fadiga em seu 
paciente, pois a execução de habilidades motoras 
durante um treinamento neuromuscular pode 
estimular a execução errada durante o 
desempenho. 
TREINAMENTO DE EQUILÍBRIO - CONTROLE 
ESTÁTICO 
- Atividades para promover o controle do equilíbrio 
estático incluem fazer o paciente permanecer nas 
posturas sentada e em pé sobre uma superfície 
estável. 
- Para promover o foco externo de atenção, pode-
se pedir ao paciente que segure uma barra com o 
braço estendido, instruindo-o a manter a barra em 
uma posição horizontal. 
 - Atividades mais desafiadoras incluem praticar o 
apoio com um pé à frente do outro e sobre uma 
perna só, avanços e posições agachadas 
(aumentar profundidade do agachamento). 
 - Deve-se progredir essas atividades trabalhando 
em cima de superfícies macias (como espuma, 
areia, grama), tornando mais estreita a base de 
apoio, movendo os braços ou fechando os olhos. 
 - Fornecer resistência por meio de pesos de mão 
ou resistência elástica. 
- Acrescentar uma tarefa secundária (como 
apanhar uma bola ou fazer cálculos mentais) para 
aumentar ainda mais o nível de dificuldade. 
 
REINAMENTO DE EQUILÍBRIO - CONTROLE 
DINÂMICO 
-Atividades para promover o controle do equilíbrio 
dinâmico podem envolver: 
 - Pedir ao paciente para praticar controle do 
equilíbrio estando sobre superfícies que se 
movem, como sentado sobre uma bola terapêutica, 
em pé sobre tábuas proprioceptivas ou pulando em 
uma cama elástica. 
 - Progredir as atividades sobrepondo movimentos 
como transferir o peso corporal, rodar o tronco, 
mover a cabeça ou os membros superiores 
 - Variar a posição dos braços de abertos ao lado 
do corpo para acima da cabeça 
- Praticar exercícios de degraus começando com 
alturas pequenas, depois “mini-avanços” até 
avanços completos. 
- Progredir o programa de exercícios para incluir 
pular, saltar objetos, pular corda e saltar de um 
banco pequeno mantendo o equilíbrio. 
 
TREINAMENTO DE EQUILÍBRIO 
> Controle antecipatório do equilíbrio: 
- Estender o braço em todas as direções para 
tocar ou pegar objetos, apanhar ou chutar uma 
bola. 
 - Usar diferentes posturas para variar (p. ex., 
sentado, em pé, ajoelhado) e arremessar ou rolar 
uma bola com diferentes velocidades e alturas. 
 
 
 - Usar tarefas funcionais que envolvam múltiplas 
partes do corpo para aumentar o desafio do 
controle postural antecipatório, fazendo o 
paciente levantar objetos de pesos variados em 
diferentes posturas com velocidades variadas, 
abrir e fechar portas com maçanetas e pesos 
diferentes ou manobrar por um trajeto com 
obstáculos. 
 > Organização sensorial: - Para reduzir ou 
desestabilizar os impulsos visuais, deve-se fazer o 
paciente fechar os olhos. Somatossensorial: 
reduzir base de apoio, incluir superfícies instáveis. 
> Equilíbrio durante atividades funcionais: 
- Se houver limitações para estender os braços, o 
paciente deve trabalhar em atividades como tentar 
pegar um copo sobre uma prateleira, alcançar 
atrás de si (como para posicionar o braço dentro da 
manga da camisa) ou pegar uma bola em 
diferentes direções. 
 - Fazer o paciente realizar duas ou mais tarefas 
simultaneamente aumenta o nível de 
complexidade da tarefa. 
 - Praticar atividades recreativas que o paciente 
gosta, como golfe, aumenta a motivação para a 
prática ao mesmo tempo em que desafia o controle 
do equilíbrio 
TAKE HOME MESSAGE 
 - A propriocepção e o controle postural são dois 
componentes do controle neuromuscular que 
dependem da informação aferente; - O controle 
postural (ou equilíbrio) resulta da integração das 
informações de entrada visuais, vestibulares e 
proprioceptivas. Dessa forma, qualquer disfunção 
nos outputs aferentes dos mecanorreceptores, que 
afeta a propriocepção, afeta negativamente a 
postura. 
- Em resumo, embora os conceitos dessa aula não 
se enquadrem em uma mesma definição, o 
controle neuromuscular, a propriocepção e o 
equilíbrio estão interligados entre sim. 
- A aplicação isolada ou conjunta desses 
componentes do controle neuromuscular na 
terapia dependerá dos seus objetivos.

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