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MOBILIDADEATIVAECIDADESSUSTENTÁVEISUmestudodacidadedeCamboriú

Trabalho acadêmico que analisa a mobilidade ativa (pedestres e ciclistas) em Camboriú e seu impacto na construção de cidades sustentáveis; descreve revisão bibliográfica e um estudo quanti‑qualitativo com contagem volumétrica para avaliar modos de deslocamento, limites e potencialidades.

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MOBILIDADE ATIVA E CIDADES SUSTENTÁVEIS 
Um estudo da cidade de Camboriú 
 
Nicole Lopes Gomes1; Wesley Ricardo Almeida2; Izabelly Mayara de Lins3; Pedro 
dos Santos de Mello 4; Laura Mariah Viganó Thibes5; Roberta Raquel6; Débora Jara7 
 
RESUMO 
 
O presente trabalho é um recorte de uma pesquisa desenvolvida na disciplina de 
Projetos Ambientais - Natureza e Sociedade do curso de segundo ano de Controle 
Ambiental do IFC/Camboriú. O referido estudo objetiva analisar o lugar da mobilidade 
ativa (pedestres e ciclistas) na cidade de Camboriú, bem como o impacto dessa 
perspectiva na construção de uma cidade sustentável. Para isso, realizamos um 
estudo quati-qualitativo com procedimentos metodológicos de estudo de campo – 
contagem volumétrica. 
 
Palavras-chave: Cidade sustentável. Pedestres. Bicicleta. Mobilidade ativa. 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
O atual modelo de mobilidade urbana pautada no transporte motorizado 
tem provocado sérios efeitos colaterais sobre as cidades brasileiras, tanto de ordem 
 
1 Discente do segundo ano do curso médio integrado de Controle Ambiental do Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense – Campus Camboriú . nicolelgomes14@gmail.com 
2 Discente do segundo ano do curso médio integrado de Controle Ambiental do Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense – Campus Camboriú. 
wesleymarques200205@gmail.com 
3 Discente do segundo ano do curso médio integrado de Controle Ambiental do Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense – Campus Camboriú. delinsisabelly24@gmail.com 
4 Discente do segundo ano do curso médio integrado de Controle Ambiental do Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense – Campus Camboriú. pedrosantosmello7@gmail.com 
5 Discente do segundo ano do curso médio integrado de Controle Ambiental do Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense – Campus Camboriú. lauramariahvthibes@gmail.com 
6 Doutora em XXXX pela UFSC?; Docente no curso médio integrado de Controle Ambiental do 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense – Campus Camboriú. Orientadora 
do projeto. roberta.raquel@ifc.edu.br 
7 Doutora em Educação Ambiental pela FURG. Docente no curso médio integrado de Controle 
Ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense – Campus Camboriú. 
Orientadora do projeto. debora.jara@ifc.edu.br. 
 
 
about:blank
mailto:wesleymarques200205@gmail.com
mailto:delinsisabelly24@gmail.com
mailto:lauramariahvthibes@gmail.com
mailto:roberta.raquel@ifc.edu.br
mailto:debora.jara@ifc.edu.br
 
 
 
ambiental quanto social. São inúmeros os problemas – poluição do ar e sonora, 
impermeabilização do solo, congestionamento, acidentes, apropriação do espaço 
público etc. 
A cidade de Camboriú não escapa desse cenário. O município conta 
atualmente com 87.179 habitantes (IBGE, 2021) e possui uma frota de 68.892 
veículos8, média de 1,2 habitantes por veículo motorizado. Além disso, o município se 
caracteriza como cidade-dormitório, tendo um intenso fluxo de deslocamento com as 
cidades vizinhas. Esse quadro corrobora com a urgência em analisar os impactos da 
motorização sobre a referida cidade e, consequentemente, sobre a qualidade da 
mobilidade cotidiana de seus citadinos. 
Em contraposição, a mobilidade ativa tem se apresentado como uma 
solução na perspectiva da construção de cidades mais saudáveis. Entende-se por 
mobilidade ativa ,com base em Ribeiro e Gallo (2022, 100), aquela que “promove 
saúde e qualidade de vida aos indivíduos, sendo o transporte ativo aquele que se 
locomove através da energia humana”. Para Gehl e Svarre (2017) as cidades 
sustentáveis e saudáveis são aquelas onde, do ponto de vista da mobilidade, as 
pessoas se deslocam a pé ou por bicicleta, além de ofertar transporte público seguro 
e confortável. Ou seja, a mobilidade ativa é composta por pedestres e ciclistas. 
Dessa forma, o principal objetivo do trabalho foi analisar o lugar da 
mobilidade ativa na cidade de Camboriú, bem como o impacto dessa perspectiva na 
construção de uma cidade sustentável. Para tanto traçamos os seguintes objetivos 
específicos: compreender o papel da mobilidade ativa para a construção de cidades 
sustentáveis; levantar os modos de transporte utilizados nos deslocamentos 
cotidianos em Camboriú; analisar os limites e potencialidades da mobilidade ativa em 
Camboriú. 
 
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
 
 
8 Os tipos de veículos considerados pelo IBGE podem ser identificados em: 
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pesquisa/22/28120?localidade1=420320 
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pesquisa/22/28120?localidade1=420320
 
 
 
A pesquisa apoia-se numa abordagem quanti-qualitativa (SOUZA, 
KERBAUY, 2017) e propõe uma combinação de métodos. A primeira etapa constituiu 
em uma revisão bibliográfica aprofundada; na segunda realizamos a contagem 
volumétrica classificatória, que consiste em determinar o volume de veículos 
motorizados, bicicletas e pedestres, que utilizam as vias públicas em um determinado 
local. A terceira fase foi a análise de dados - para tanto utilizamos a plataforma do 
Excel para auxiliar a tabulação dos dados e a elaboração dos gráficos. 
A avenida Santa Catarina foi o recorte selecionado para a realização da 
contagem volumétrica, tendo em vista que é uma das principais vias de acesso e 
saída da cidade de Camboriú, portanto de intenso fluxo. Os locais da contagem foram 
os pontos de ônibus próximos da rotatória do IFC. A contagem ocorreu de forma 
manual, com uma equipe de 6 pesquisadores, que ficaram posicionados ao lado da 
via, munidos de pranchetas com planilhas próprias para as anotações dos dados 
coletados em campo. Foram, ao todo, 7 saídas de campo entre os meses de junho 
e julho, sendo 4 dias para a definição do local e da estratégia de contagem, contagem 
teste, observações e anotações no caderno de campo e 3 dias para a coleta de 
dados. Estabeleceu-se um horário padrão que ocorreu sempre das 8h00 até 9h30. 
Foram contabilizados os deslocamentos tanto em direção ao centro de Camboriú 
quanto em direção à cidade de Balneário Camboriú. 
A contagem volumétrica, segundo Cruz e Paulino (2019), é uma 
metodologia amplamente utilizada nos estudos relacionados a melhoria da 
mobilidade urbana, sendo inclusive um potente método de avaliação de impacto de 
intervenções urbanas favoráveis à mobilidade ativa. 
Imagem 1 – Planilha de contagem de pedestres e ciclistas 
 
Fonte: autores (2022) 
 
 
 
Após a coleta de dados, todas as informações foram tabuladas na 
plataforma do Excel, a fim de elaborar os gráficos e realizar as análises. 
 
 
RESULTADOS ESPERADOS OU PARCIAIS 
 
A pesquisa bibliográfica identificou uma série de benefícios da mobilidade 
ativa: baixo impacto ambiental; promoção da saúde individual e coletiva; uso mais 
equitativo do espaço urbano; contribuição para a economia familiar, tendo em vista o 
baixo custo, entre tantos outros. Inclusive, juntamente com o transporte coletivo são 
entendidos pela Política Nacional de Mobilidade Urbana (2012), como modos de 
transporte prioritários nas cidades. Ou seja, são formas de deslocamentos que podem 
contribuir tanto para construção de cidades sustentáveis quanto para garantir a 
segurança e qualidade de mobilidade da sociedade em geral. 
No entanto, a pesquisa demonstrou que Camboriú acompanha as demais 
cidades brasileiras no que diz respeito ao modelo de mobilidade urbana, concedendo 
prioridade ao transporte individual motorizado. 
A contagem volumétrica identificou que a média de deslocamentos de 
transporte individual motorizado (carros e motos) foi de 4.030 veículos, 
correspondente a 92,7% dos deslocamentos nos pontos de coleta, contra 7,7% da 
mobilidade ativa. No primeiro dia de contagem foram levantados 2.695 carros e 1.401 
motos, contra 214 pedestres e 249 ciclistas (IMAGEM 2). 
 
Imagem 1 – Gráfico Total de Modalidades(dia 1) 
 
Fonte: autores (2022) 
 
 
 
Em grande medida a ausência de infraestrutura cicloviária de qualidade e 
segura, assim como a ineficiência do transporte coletivo, contribuem para uma maior 
presença do transporte individual motorizado. Além disso, o próprio desenho das 
cidades está a serviço deste modelo, haja vista o espaço destinado aos automóveis – 
ruas, avenidas, estacionamentos, pontes, viadutos –, e má qualidade das calçadas, 
praticamente ausentes em muitos bairros e, inclusive, na própria avenida Santa 
Catarina, uma das principais vias de acesso a cidade de Camboriú. É importante 
ressaltar que a baixa presença de pedestres nessa localidade pode estar relacionada 
à ausência de uma fachada ativa, ou seja, áreas com uso misto entre residência e 
comércio local, além da qualidade da pavimentação. Ou seja, a avenida Santa 
Catarina não possuir características que promovam a atratividade para os pedestres. 
No entanto, a demanda reprimida de ciclistas mostra uma potencialidade 
para ampliar a mobilidade ativa. Foi possível perceber, comparando um estudo 
realizado em 2014 e coordenado por Raquel (2022), que apesar de aumentar em 
44,84% o uso de automóveis na mesma localidade, o uso da bicicleta aumentou 
131,43%. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Entendemos que o estudo contribui para a compreensão das desigualdades 
urbanas ao abordar um dos seus mais importantes atributos. Apesar da maior parte 
da população não possuir automóvel, a maior parte das políticas públicas privilegiam 
esta modalidade. Com isso, não somente quem necessita ou escolhe fazer uso das 
modalidades sustentáveis é prejudicado, mas também quem se utiliza do automóvel, 
pois fica submetido a extensos e constantes congestionamentos. 
A contagem volumétrica permite quantificar esta disparidade e oferecer dados 
para gestores públicos e para a sociedade em geral, mas também serve de importante 
instrumento para qualificar a compreensão dos jovens estudantes acerca desta 
disparidade que também lhes afeta. Os resultados demonstram que houve um 
aumento do fluxo de veículos motorizados, mas maior ainda do uso da bicicleta, 
demonstrando que esta forma de mobilidade é capaz de prover as necessidades de 
 
 
 
deslocamento de parte da população, mas que poderia ser maior se aos cidadãos e 
cidadãs fossem oferecidas melhores condições de uso do veículo. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
CRUZ, Silvia Stuchi; PAULINO, Sonia Regina. Desafios da mobilidade ativa na 
perspectiva dos serviços públicos: experiências na cidade de São Paulo. urbe. 
Revista Brasileira de Gestão Urbana, v. 11, 2019, e20190026. 
https://doi.org/10.1590/2175-3369.011.e20190026. 
GEHL, Jan; SVARRE, Birgitte Bundesen. A dimensão humana: uma 
abordagem sustentável do planejamento urbano. In: ANDRAVE, Victor; LINKE, 
Clarisse Cunha (org.). Cidades de pedestres : a caminhabilidade no Brasil e 
no mundo. Rio de Janeiro, Rj: Babilonia, 2017. p. 13-19. 
RIBEIRO, Nathalia dos Santos; GALLO, Douglas. Ciclismo urbano: uma cidade 
ativa é uma cidade saudável. in. Cadernos de estudos urbanos [recurso 
eletrônico]. v.3 (2022). São Paulo, 2022. p. 95-109. 
RAQUEL, Roberta. Diagnóstico da conexão ciclística entre Camboriú e 
Balneário Camboriú (relatório final - parte 1). Contagem Volumétrica de 
Modos de Mobilidade Entrevistas de Perfil e Opinião com Ciclistas. 
Camboriú, dezembro, 2014. p. 1-99. Disponível em: 
https://observatoriodabicicleta.org.br/acervo/diagnostico-da-conexao-ciclistica-
entre-camboriu-e-balneario-camboriu/. Acesso em: 09 de agosto de 2022. 
SOUZA, Kellcia Rezende; KERBAUY; Maria Teresa Miceli. Abordagem quanti-
qualitativa: superação da dicotomia quantitativa-qualitativa na pesquisa em 
educação. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 31, n. 61, jan./abr, 2017. p. 
21-44. 
 
 
 
https://doi.org/10.1590/2175-3369.011.e20190026
https://observatoriodabicicleta.org.br/acervo/diagnostico-da-conexao-ciclistica-entre-camboriu-e-balneario-camboriu/
https://observatoriodabicicleta.org.br/acervo/diagnostico-da-conexao-ciclistica-entre-camboriu-e-balneario-camboriu/

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