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W BA 06 52 _V 2. 0 COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS 2 Luiza Cristina de Azevedo Ricotta Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2023 COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS 1ª edição 3 2023 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR Homepage: https://www.cogna.com.br/ Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Coordenador Ana Carolina Gulelmo Staut Revisor Juliana Zantut Nutti Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Ricotta, Luiza Cristina de Azevedo Competências socioemocionais/ Luiza Cristina de Azevedo Ricotta, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2023. 32 p. ISBN 978-65-5903-465-9 1. Competências socioemocionais. 2. Soft skills. 3.Mindset. I. Título. CDD 646.7 _____________________________________________________________________________ Raquel Torres – CRB 8/10534 R541c © 2023 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. https://www.cogna.com.br/ 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 O que são habilidades e competências socioemocionais? ___ 07 O aprimoramento das atitudes pela mudança de mindset e vantagem competitiva _______________________________________ 18 A importância das softs skills enquanto marca do potencial humano _____________________________________________________ 29 Alcance de melhor performance e elevação do potencial ____ 40 COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS 5 Apresentação da disciplina As competências socioemocionais têm sido valorizadas como ferramentas pessoais estratégicas, que direcionam pessoas ao aumento do seu potencial, o que podemos entender como ‘força pessoal’, no sentido da experiência psicológica de quem as cultiva e que formam as chamadas subjetividades – a capacidade de abstrair toda e qualquer vivência e transformá-las em acervo e registros de vida. Elas possibilitam negociar, mediar, refletir, agir da melhor forma e conduzir-se pelos seus valores pessoais e sociais – o que grandemente expressa sua personalidade –, em que a reunião dessas competências se caracteriza pelo senso de coerência, algo fundamental em um mundo contrastante, com necessidades de desenvolver a tolerância, o respeito entre pessoas, aceitação, a capacidade do diálogo e a gestão das emoções e dos sentimentos. Toda vivência de aprendizado nos ensina algo, seja no plano do trabalho, dos negócios, da vida pessoal e familiar, como na aquisição de conhecimentos e no próprio desenvolvimento intelectual. O ato de aprender é multidisciplinar, sendo aplicável nas mais variadas dimensões da vida. As habilidades podem ser desenvolvidas e mais exploradas à medida em que se tem a necessidade do elemento humano, mais presente na composição da sociedade tecnológica; onde o desenvolvimento de lideranças se tornou primordial, haja vista que o homem está predisposto a atuar em áreas de maior complexidade. A ambientação apropriada para o desenvolvimento humano carece de atitudes significativas que criem perspectivas de vantagem competitiva por meio do autoconhecimento, do desenvolvimento das soft skills, do 6 aprimoramento pessoal pelo autoconhecimento e despertar do potencial humano – tão necessário em nossa sociedade moderna hiperconectada. O desenvolvimento dessas competências dá suporte ao indivíduo na gestão das habilidades e das atitudes frente ao bom direcionamento de emoções, sentimentos em vista de uma melhor performance e resultados em qualquer área de atividade. Nesta disciplina, abordaremos sobre os seguintes temas: 1. O que são competências socioemocionais? 2. O aprimoramento das atitudes pela mudança de mindset e vantagem competitiva. 3. A importância das softs skills como marca do potencial humano. 4. Alcance de melhor performance e elevação do potencial. Sendo assim, oferecemos a você a possibilidade de ter contato com essas temáticas para desenvolver insights transformadores na importância de incorporar tais competências e desenvolver habilidades que não tenha que lhes ofereça recursos no campo das atitudes. Bons estudos! 7 O que são habilidades e competências socioemocionais? Autoria: Luiza Cristina de Azevedo Ricotta Leitura crítica: Juliana Zantut Nutti Objetivos • Identificar o que são competências socioemocionais. • Apontar como as habilidades podem ser aprendidas. • Apresentar o campo das atitudes como resultado do pensar. 8 1. Distinção entre habilidades e competências e o campo das atitudes A riqueza do entendimento das competências é que elas oferecem recursos, ferramentas, para que as pessoas possam ter um desempenho diante de situações variadas. E ainda que não saiba evoluir em determinado contexto ou situação, há recursos e ferramentas que auxiliarão o desenvolvimento de uma nova trilha: um novo aprendizado. As competências sempre estão relacionadas às aptidões que nós, pessoas humanas, desenvolvemos. Isso somente acontece dada à nossa inteligência, ao desenvolvimento cognitivo, à capacidade de pensar e produzir ações que interferem diretamente na realidade da situação, tarefa ou desafio. Podemos chamar de desafio tudo aquilo que para o ser humano é uma vivência ou experiência em que tenha que aprender algo novo – e isso acontece a todo instante ou quase o tempo todo. Também acontece de estarmos em situações conhecidas, rotineiras e, a partir delas, criarmos estratégias que nos possibilitam pensar em novas formas que criem alternativas melhores na execução ou na obtenção de algum novo resultado, além do esperado. Nesse sentido, inovamos guiados pela motivação e pela curiosidade que nos inspira a alguma mudança ou necessidade de ampliar o alcance da ação. Por sua vez, isso também é considerado competência: ir além da capacidade de chegar ao resultado proposto e seguir no alcance de novos, ampliando assim o potencial humano. De acordo com Cavalcanti (2023, p. 18): [...] as competências socioemocionais abarcam conhecimentos (o que sei), práticas e habilidades (o que sei fazer) e atitudes (o que quero fazer). Abrangem aspectos afetivo-emocionais (como o autoconhecimento, autoconceito e autocontrole), comportamentais (como condutas pró-sociais e escolhas responsáveis) e cognitivos (como a empatia e criatividade). 9 Figura 1 – Dimensões das Competências Socioemocionais Fonte: adaptada de Cavalcanti (2023). Certamente, algumas pessoas são mais curiosas do que outras, desejosas do saber que o conhecimento proporciona. Ainda que algumas pessoas se contentem em aprender e desenvolver a capacidade de resolver as situações que encontram em seu dia a dia pessoal, familiar, social, profissional; outras seguem para além, aplicando suas competências em todos os contextos que a sua realidade se apresenta. Basta ampliar o conhecimento aprendido para outras situações – chamamos isso de transposição de conhecimento. O que foi aprendido pode ser aplicado em outros contextos, se o indivíduo for “competente”, ou seja, hábil em explorar suas “competências”, expandindo sempre em vez de somente aplicar no aprendizado inicial. Ele aceita os desafiose não se reduz na expressão da sua competência, ao contrário, a potencializa. O estabelecimento de rotinas nos propicia conforto mental e atribuições em que dominamos a execução, trata-se das acomodações que nós, humanos, necessitamos para viver. Se tudo fosse instabilidade, desafio constante, não poderíamos inclusive expandir como explicado anteriormente. É pela existência de trilhas de aprendizagem, que se tornam hábitos, é que desenvolvemos as habilidades necessárias para 10 cada atividade: o fato de estarmos sempre executando as mesmas tarefas e atribuições, possibilita sermos “hábeis” em todo o percurso do seu desenvolvimento e isso é extremamente relevante, pois precisamos de segurança e autoconfiança para desempenhar, pela certeza de que encontraremos os resultados esperados. Por meio do desenvolvimento das habilidades no decorrer das experiências rotineiras, que nos dão corpo e sustentação diária, é que podemos observar o campo das atitudes que passamos a atuar. Elas são criadas a partir do desenvolvimento cognitivo que se fez aprendido e se expressam no campo das ações decorrentes da forma de pensar a atividade, a vida, o contexto e a circunstância que temos por viver. As atitudes são reflexos da forma de pensar e demonstram o nível de execução e competência da pessoa. Se apresentar competente para algo representa ter desenvolvido e aprimorado habilidades diversas, que em conjunto tornam o indivíduo potencialmente capaz em desempenhar o que for de seu interesse e necessidade. 2. Competências socioemocionais: sustentação do indivíduo Um dos primeiros estudos sobre a aprendizagem socioemocional foi realizado pelo americano James Heckman, na década de 1960, no Estado de Michigan (EUA). Em 2000, Heckman foi laureado com o Prêmio Nobel de Economia (Cavalcanti, 2023). O aprimoramento dessas competências se reverte em benefícios globais ao aprendiz, conforme Cavalcanti (2023, p. 95): “quando a aprendizagem socioemocional é vista e abordada como um elemento fundamental 11 a ser trabalhado em aulas, cursos e programas de instituições educacionais ou organizações; seu resultado é potencializado”. O objetivo com a aprendizagem socioemocional é desenvolver nas pessoas a capacidade de manejar suas emoções, construir e manter relações saudáveis nos âmbitos pessoais e profissionais, lidar com situações complexas e conflituosas de forma equilibrada e preocupar- se com as necessidades de outros de forma empática e altruísta. É por meio dela que as pessoas desenvolvem competências socioemocionais e comportamentos pró-sociais que envolvem a consciência social e de cidadania. (Cavalcanti, 2023, p. 18) Figura 2 – Diversas competências em um único indivíduo Fonte: Shutterstock.com. Não há tempo certo para desenvolver as habilidades e as competências socioemocionais. Dessa forma, elas são possíveis de ocorrer no decorrer de uma vida inteira, acompanhando o processo evolutivo da pessoa; tornando-a habilidosa, talentosa e capaz, o que gera eficiência e excelência – fazendo a manutenção de um patamar de qualidade nas suas ações e atividades, comportamentos que são sempre ajustados para o aperfeiçoamento. 12 Proporcionar experiências ao aprendiz é um desafio interessante para estimular a descoberta pelo fazer ou como podemos incentivar o valor da experiência de forma consciente, estimulando a reflexão e promovendo mudanças de condutas e atitudes. O fato é que a experiência bem-sucedida visa um sentido e significado que dará corpo e materialidade ao conhecimento adquirido, pois, sem isso nenhuma aprendizagem teria algum valor. Portanto, as competências emocionais são capazes de, por meio das emoções e dos sentimentos, tornar possível identificar em si as próprias subjetividades, os pensamentos que são despertados e os insights que resultam da experiência do aprender, assim como a vida de forma ampla nos revela. Viver é em si uma experiência única e intransferível, o que envolve aprendizagem, produção de conhecimento e a capacidade de torná-lo ainda mais capaz e apto para novos desafios. É por meio dessa rede que produzimos tecnologia: pelo estudo constante e pelo aprendizado que o conhecimento nos propicia. A todo instante estamos envolvidos pela aquisição de algo e potencializando a nossa capacidade de contribuir, cooperar por meio de ações e atitudes a nossa participação no contexto social, podendo então fazer parte do grupo que pertencemos, da sociedade. E para cada grupo que fazemos parte mais informações geramos e novas experiencias que ampliam o seu repertório de respostas diante das situações. Isso é o que podemos entender como expansão pessoal, ou seja, a capacidade de tornar potente as suas possibilidades diante da realidade existente, seja ela professional, em algum contexto ou situação da vida, ou em determinada instituição, grupo familiar. Por sua vez, as competências sociais ampliam a noção de realidade e expandem a visão de mundo desse indivíduo em seu ambiente, o tornando capaz de modificar situações por meio das suas atitudes, que são geradoras de informações. Assim, podemos extrair o valor 13 de “pertencer”, que é resultante das condições que tornam possível engajarmos em projetos, ideias, afirmações, decisões e escolhas. Tudo é experiência e resulta em uma aquisição que venha agregar valor à pessoa, ao entendimento, ao pertencimento do que a situação lhe direciona, se for à sua família, organização, clube, colégio etc. O pertencimento é resultado das competências socioemocionais bem- sucedidas que tornaram possível essa compreensão de que você, assim como demais pessoas aprendizes, faça parte de um mesmo agrupamento social, pelo conjunto de habilidades que são ali reunidas e pelas atitudes que cada um em si contribui para a estabilização e equilíbrio. Para Dewey, a articulação entre experiência e aprendizagem está embasada em conhecimentos capazes de ampliar a nossa visão sobre perspectivas antes desconhecidas e, com isso, promover mudanças de atitudes e desenvolvimento de competências. De fato, os resultados das pesquisas e práticas adotadas pelo autor fundamentam e justificam o uso de metodologias ativas para a criação de experiências de aprendizagem relevantes. (Cavalcanti, 2023, p. 95) 3. Gestão de emoções e sentimentos A gestão de sentimentos e emoções contribuem para uma afetividade saudável e equilibrada, que requer o sentido de estar sendo aplicada na dosagem e nas intensidades adequadas. Como elas traduzem muito a identidade de uma pessoa, a forma inclusive como é vista pelas demais pessoas; a boa gestão desses “ingredientes” pessoais se revela no bom desempenho social, na educação, nos valores pessoais e sociais que ele adota para viver consigo mesmo, junto das pessoas mais íntimas de sua vida e das de âmbito social externo, como o ambiente profissional e coletivo na sociedade. Tal habilidade é conhecida como inteligência emocional. 14 Para Goleman, a inteligência emocional é a capacidade que uma pessoa tem de reconhecer e gerir suas emoções e seus sentimentos, bem como de identificar os sentimentos de outras pessoas e de construir e manter bons relacionamentos (Cavalcanti, 2023, p. 21). A aprendizagem socioemocional abarca aspectos vinculados à afetividade, emoções e sentimentos de uma pessoa e abrange o desenvolvimento de competências vinculadas às dimensões socioemocionais e pró- sociais. Pode ocorrer em qualquer idade. Dessa forma, não é só na infância que podemos desenvolver a capacidade de nos conhecer melhor (identidade, emoções, sonhos, valores, talentos etc.), de construir e manter relacionamentos saudáveis (pautados no respeito, colaboração, valorização do outro etc.) e que podemos agir em prol de outras pessoas (pela prática da empatia, compaixão etc.). (Cavalcanti, 2023, p. 18) As competências socioemocionais são elementos de referência do autoconhecimento sobre nossa pessoa, que nos conduz na identificação de sentimentos e emoções, presentesnas experiências em todas as áreas da vida. Toda vivência nos remete à conexão emocional e à interação social, formando as nossas subjetividades – o modo de pensar e conceber a vida, as crenças que adotamos, as emoções que costumamos sentir, os sentimentos que cultivamos e, até mesmo, aqueles que recuamos e fugimos, nos defendendo de vivenciar novas situações por medo, alguma dificuldade relacional e falta de repertório. As subjetividades nos dão o tom de sucesso e insucesso diante das realidades que nos conectam ao ambiente social, pois as competências pessoais são expressas por meio do conhecimento adquirido e das habilidades que desenvolvemos nas situações que experienciamos e aprendemos a agir. Já o impacto dessa ação sempre está direcionado para um ambiente social específico marcado pela circunstância e pelo contexto, por isso concebemos que a aprendizagem significativa é aquela que considera o contexto e a circunstância onde ela é aplicada, do contrário promoveria uma desconexão, um desalinho. Por esse motivo, o social é extremamente importante no que concerne à 15 aplicação da resposta, pois ela impacta diretamente na obtenção de resultados, com determinadas finalidades e propósitos. 4. Diferenciação pela qualidade humana De acordo com Cavalcanti (2023), as pessoas com competências socioemocionais e condutas pró-sociais mais desenvolvidas encaram a vida de forma mais positiva em relação a si mesmas. Em outras palavras, elas apresentam maior persistência, autoestima, comprometimento com outras pessoas. A longo prazo, apresentam maior nível educacional (como realização de cursos superiores e pós-graduações), maior sucesso profissional, relações familiares e de trabalho mais positivas, melhores índices de saúde mental, reduzida psicopatologia e menores níveis de problemas de conduta.2 Por isso, a importância de, na condição de educadores, abrirmos espaços nos currículos de escolas, programas de educação superior e corporativa para que a aprendizagem socioemocional de estudantes e profissionais. (Cavalcanti, 2023, p. 18) Como as situações de aprendizagem são únicas, diferentes de pessoa para pessoa, elas carregam o valor da aquisição de algo que irá repercutir como acréscimo em sua vida; indo além do conhecimento para a obtenção de um estágio pessoal, que em Psicologia chamamos de se tornar uma melhor pessoa. Essa tem sido uma das metas que as pessoas que se valem do valor da experiência com consciência ampliada, pois seu objetivo está relacionado ao propósito de vida e da felicidade que advém disso. De se sentir bem em ser quem se é. E esse é o ponto fundamental das competências socioemocionais: nos torna sensíveis ao aspecto humano que é presente no aprender, na execução, na produção de pensamentos e consequentes ações. Tais habilidades desenvolvidas determinam a evolução pessoal e, então, entendemos que a aprendizagem cumpre o seu ciclo, chegando a alguma satisfação 16 pelo trabalho concluído, pelas ideias que se estimula a pensar, pelas conexões familiares que exercita e pela intensidade de sentimentos que nem sempre são positivos e que nos ensinam a ser resilientes, perspicazes em achar novas alternativas. A ideia de que somos todos pessoas aprendizes na vida, no trabalho e na convivência, havendo sempre algo novo a adquirir. É claro que quem fecha a porta para o conhecimento, reduz em muito esse processo quase alquímico da evolução pessoal – o que torna uma pessoa bem-preparada para o enfrentamento de situações ainda que não saiba o desafio que viverá no próximo momento. A partir disso, podemos compreender que as competências socioemocionais componham a capacidade do indivíduo em melhor explorar suas habilidades, dando respostas qualitativamente ampliadas – que seguiram para além do previsto, dirigindo-o para uma satisfação e gratificação pessoal. Esse aspecto é diferente da motivação que também nos mobiliza para ações que procuramos ter diante de curiosidades e necessidades. Por sua vez, a gratificação pessoal tem a ver com a completude que o bem-estar nos propicia, com isso, reforça-se a ideia de que nosso trabalho precisa representar para além da execução, um meio de nos engrandecer aos sermos competentes em cumpri-lo. Concluímos que as competências socioemocionais são o que tornam significativas as experiências para a própria pessoa, de forma singular e tornando-as capazes de responder às situações de acordo com o sentido e modo com que captam da realidade que vivem. Isso potencializa e torna elas eficiente, capaz e com recursos que a fazem compreender o aprendizado. [...] a abordagem do desenvolvimento de Bruner para a aprendizagem e a solução de problemas está baseada na pressuposição de que o valor do que é aprendido pode ser medido por quão bem ele permite ao aprendiz ir além da informação dada. Esta concepção marcou a revolução cognitiva, apontando que a percepção é capaz de categorizar o que é generalista e associar uma à outra. (Lefrançois, 2016, p. 400) 17 Portanto, elas são imprescindíveis para incrementar as próprias experiências, ainda que o mesmo estímulo seja dado às mesmas pessoas. Isso nos permite refletir sobre a rica oportunidade que cada ser humano tem de gerar o seu potencial advindo das experiências que vive, propiciando a si e ao ambiente a capacidade de aprender e ser capaz de ir além do que foi aprendido, podendo prever, antecipar-se, inovar, criar e estabelecer novas relações que antes não foram feitas. Referências CAVALCANTI, Carolina C. Aprendizagem socioemocional com metodologias ativas: um guia para educadores. São Paulo: Saraiva, 2023. CODA, Roberto. Competências comportamentais. São Paulo: Grupo GEN, 2016. LEFRANÇOIS, Guy R. Teorias da aprendizagem: o que o professor disse. São Paulo: Cengage Learning, 2016. 18 O aprimoramento das atitudes pela mudança de mindset e vantagem competitiva Autoria: Luiza Cristina de Azevedo Ricotta Leitura crítica: Juliana Zantut Nutti Objetivos • Apontar que o aprimoramento das atitudes é resultado de mudanças do pensamento. • Identificar a oportunidade para a vantagem competitiva no mindset de crescimento. • Apresentar aspectos do ambiente profissional que é marcado por mudanças de paradigma. 19 1. A reforma do pensamento para novas atitudes O autoconhecimento tem sido uma ferramenta pessoal importante na avaliação dos próprios recursos frente às situações adversas ou não, na percepção de melhorias que são necessárias, no desenvolvimento das suas potencialidades, habilidades e competências. Podemos considerar, então, que esse aspecto seja um medidor capaz de oferecer elementos acerca da sua autocrítica, com relação ao modo de pensar, conduzir, realizar e produzir. Enfim, agir. Ser competente significa, então, ter conhecimentos, habilidades e atitudes que permitam ao sujeito desempenhar com eficácia qualquer tarefa ou atividade profissional. Conhecimentos referem-se ao que sabemos, habilidades é algo que demonstramos saber e atitudes são características pessoais que acompanham o agir do sujeito. (Carbone et al., 2006 apud Souza, 2015, p. 71) No entanto, as ações, quando recorrentes, tendem a se tornar hábitos que são automaticamente reproduzidos. Por isso, temos a necessidade de produzirmos a flexibilidade necessária para aceitar e lidar com resistências às mudanças; pois, elas são imprescindíveis para a retirada do automatismo, da robotização que muitas vezes nós, seres humanos, nos tornamos face a prática de não mais elaborar, pensar e reformá- los para que haja novos pensares diante da realidade. É com base nisso que muitos mindsets, chamados fixos, lutam para manter e estabilizar o que entende por crença. Acredita-se que determinada forma de agir é a que deve ser feita. Portanto, quando há crença, nada mais há para ser pensado, tratando-se de uma verdade estabelecida. No âmbito das práticas, aquilo que é parte da rotina, do que já foi aprendido, tende a ser repetido pela trilharegistrada. Isso faz com que não precisemos novamente pensar, apenas agir. Contudo, o campo das atitudes também envolve o que vamos chamar de inovação, de criatividade – muito necessárias para as mudanças de paradigmas –, ou seja, um novo olhar 20 diante de uma realidade conhecida e que carece de transformação para ser percebida na sua inteireza e completude. O que a torna passível de ser vista através de outros ângulos e, consequentemente, indo ao encontro de novas possibilidades. Nesse contexto, a Psicologia Positiva tem sido uma perspectiva na atualidade que aborda essas questões. Figura 1 – Pessoas pensando Fonte: Shutterstock.com Com o reforço ao surgimento das novas ideias, podemos mudar a forma de pensar já explorada e conhecida pela ação habitual e, também, podemos fazer novas incursões na transformação delas em novas atitudes. Para Claro (2016, p. 43): […] forma de executar as atividades se tornou mais importante que a ideia, ou seja, a forma de realizar o trabalho é o que vai diferenciar os profissionais uns dos outros, já que o conhecimento de cada um e a tecnologia são equiparáveis. Nessa dimensão, as atitudes com flexibilidade, ética e conhecimento científico tendem a manter a sustentabilidade de todo o processo. As decisões, por sua vez, pedem mais agilidade em função de que não há tempo a ser postergado, pois as mudanças são frequentes e constantes. Para acompanhá-las, é preciso desenvolver novas atitudes, se dispondo a novos aprendizados que o levarão a novas descobertas na maneira 21 de ser e fazer. Nesse processo de aquisição, sabe-se o quanto é difícil admitir seus pontos fracos e aspectos que precisam ser aprimorados e desenvolvidos a fim de se obter os objetivos propostos. Para tanto, é preciso ter uma meta, proposta ou, como afirmado anteriormente, saber o que se quer, para onde está seguindo. Há de ter direção. Como trilhar para o futuro não nos apresenta os contornos definidos, passamos a caminhar nas incertezas de quem conhece o caminho ao percorrê-lo. Ao fazer o trajeto. É um processo de aprendizagem por descoberta, em um desvendar constante, em que a cada instante posso observar e assimilar aspectos que antes não eram identificados e as decisões de antes nos levam a momentos novos, às mudanças que foram sendo feitas e uma nova realidade sendo decifrada. Mas todo esse processo nos propicia chegar aos melhores resultados. Para mudarmos a nossa cabeça (mente), devemos desenvolver e aperfeiçoar novas atitudes. Nesse contexto, Claro (2016, p. 55) aponta seis atitudes que levam à transformação pessoal e profissional: Figura 2 – As seis atitudes Fonte: adaptada de Claro (2016). 22 2. Mudança de mindset acompanhando o desenvolvimento tecnológico Para estimular a criatividade no ambiente empresarial é fundamental criar uma cultura favorável à mudança, em que esta não represente perda das referências e das bases pelas quais se desenvolve e produz resultados. As organizações entenderam bem a importância de uma missão e dos valores que ela se empenha em entregar, seja ao fornecedor, ao cliente, ao prestador ou ao usuário. Logo, tornou-se uma questão de alinhamento apontar que as pessoas que compõem o cenário e o ambiente organizacional possam estar envolvidas pelos meus valores, os quais a empresa tem como fator de entrega. Se uma organização não é propícia a mudanças, dificilmente o uso de técnicas que incentivem a criatividade terão bons impactos. As novas ideias são bem-vindas, desde que possam estar abertos a isso. Para Dualibi e Simonsen (1990 apud Kuazaki, 2006, p. 109): “[...] estimular a criatividade dentro da empresa significa encontrar soluções para problemas e inventar novos problemas, sempre visando a otimização dos lucros”. Dessa forma, será possível resolver questões de formas diferentes do que adotava antes. A geração de novas ideias são promotoras de indagações pertinentes à observação que se tem da situação, seja ela um negócio, que também é um processo de aprendizagem, de execução para algo que deva ser concluído. Nesse processo, podemos fazer uso de ferramentas que propiciem um novo pensar sobre a mesma realidade, a fim de promover uma entrega. E alterar a forma de responder, modifica totalmente a sua compreensão e amplia a realidade. Algumas das ferramentas que podemos mencionar é o brainstorming, formar grupos de trabalho, criar comitês ou núcleos criativos; essas 23 ferramentas representarão vantagem competitiva para a empresa e farão com que o conhecimento seja compartilhado e a busca de alternativas seja estimulada. A percepção é uma importante ferramenta para leituras da realidade em que você se encontra, por meio do que é entendido como autopercepção, autoconscientização e autoconhecimento. Com esses aspectos bem desenvolvidos, há uma predisposição maior para desenvolver a boa percepção do outro. Isso implica em estabelecer leituras da realidade e das relações que estabelece por meio de uma análise do contexto e das pessoas envolvidas. O que, por sua vez, auxilia diretamente a lidar melhor com as situações em que interage com demais pessoas. Além disso, a habilidade de poder identificar vários ângulos da mesma situação é fundamental como ampliação do ponto de observação, buscando na atitude de maleabilidade considerar pontos diferentes da mesma realidade. Para isso, é necessário ter distanciamento da situação e poder identificar a situação de forma sistêmica e não em um ponto específico. A percepção é uma habilidade que pode ser desenvolvida, como estratégia de leitura de uma situação específica. Essa leitura implica não simplesmente em uma decodificação, embora isso faça parte do processo comunicativo que envolve as relações entre pessoas, mas também na compreensão de implícitos verbais e não verbais. Ou seja, é preciso compreender questões contextuais que envolvem atribuição de sentido ao que é dito e também ao que não é dito, questões ideológicas, de posicionamentos, entre tantos outros aspectos que envolvem as relações interpessoais. (Souza, 2015, p. 68) 3. O profissional do presente e do futuro Segundo Claro (2016, p. 43), “a forma de fazer o trabalho são fundamentais para os profissionais do século 21” e, ainda, a autora aborda a importância da meritocracia nos tempos atuais: 24 Meritocracia está diretamente ligada à execução, isto é, a capacidade de realizar o que foi imaginado, planejado ou arquitetado. Diz respeito à questão de alcançar resultados dentro de parâmetros éticos.Termos como compliance (estar em conformidade com regras, normativas e boas práticas) e accountability (prestar contas do que se faz, porque se faz e como se faz) também eram desconhecidos até há pouco tempo. Hoje são atividades estruturadas dentro das organizações e ambas fazem parte de preceitos éticos necessários à boa governança. (Claro, 2016, p. 43-44) Veja a seguir, alguns fatores inibem a criatividade nas empresas de acordo com Pedrebon (2005 apud Kuazaki et al., 2006, p.108-109): Figura 3 – Fatores que inibem a criatividade Fonte: adaptada de Pedrebon (2005 apud Kuazaki et al., 2006). 25 Figura 4 – O percurso do profissional atual a caminho do futuro Fonte: Shutterstock.com O profissional do futuro, que já chegou e faz parte da nossa atualidade, lida constantemente com a noção de atualização das suas capacidades. O conhecimento é extremamente valorizado e a ciência acompanha todo os processos de trabalho e aprendizado, tornando as pessoas potencialmente mais capazes. Desse modo, não há condições para o amadorismo e sim para o profissionalismo que é exigido. Por isso, despertar lideranças tem se tornado efetivo no processo inovador que ambientou a perspectiva profissional. A inovação juntamente com a ação empreendedora, a busca pelo conhecimento constante da postura de quem vivencia o aprendizado continuamente, é uma forma criativa de se colocar diante das incertezas que o mundo atingiu com a transformação digital. Pois nadaé estático, tudo vem se modificando pela celeridade com que as mudanças são absorvidas, sem esquecermos de que a inovação no contexto do trabalho prima por sujeitos criativos, empreendedores, com geração de ideias e disposição para viver o novo. Sem esquecermos da relevância 26 social, que atualmente é uma tônica no tocante à responsabilidade e à sustentabilidade de todos os processos de produção. Não somente a organização ganha, e sim o reconhecimento do valor humano que vem sendo uma prioridade para que o indivíduo continue fazendo parte desse processo. Sem isso, observou-se nas práticas do passado um distanciamento da humanização. Que os serviços que atendam as necessidades do homem e de sua vida tragam soluções tanto para si como para o contexto social. Essa marca nos delimita no antes e no depois, apontando historicamente, juntamente com outros fatores, o profissional que já fomos no passado, que foi possível ser, com aquele que é pedido atualmente. Ela envolve a inovação do pensar, podendo perceber o mundo de forma diferente, seja da sua pessoa como da sua contribuição, quebrando paradigmas entre antes e depois, movimentando a tomada de decisões, as transformações, as adaptações necessárias e as mudanças que são operadas para se chegar ao contexto atual, no profissional do futuro – onde contamos com o desaparecimento de algumas funções e a geração de outras novas. Com isso, temos a necessidade de se fazer o upgrade, de seguir para um nível acima para estimular seu mindset para uma mudança em vista das transformações atuais. No passado, existiam as tomadas de decisão baseadas nas teorias organizacionais no modelo de economia racional clássico. No entanto, foi com a percepção da concorrência entre os segmentos que a complexidade foi se elevando, exigindo qualidade e inovações nos produtos, serviços e atendimentos; bem como os serviços especializados e a criação de áreas e segmentos específicos da empresa. Assim, observou-se a necessidade de existir uma integração entre todos os segmentos especializados, para tornar a empresa competitiva frente às demais e à sua sobrevivência. E todos esses processos envolveram um aprender diferente. 27 Desde 1960, conforme Kuazaki (2006) menciona, a ideia da complexidade com que as empresas e as organizações que se expandiram estariam sendo envolvidas vem sendo resolvidas com a tomada de decisões constantes na integração de todos os subsistemas que compõem a empresa. E conforme Hatch (1997 apud Kuazaki, 2006, p. 112): “[...] que organizações instaladas em ambientes simples e estáveis precisam de pequena quantidade de decisões e que, normalmente, são pouco complicadas”. O profissional do século 21 precisa aprender a utilizar novas tecnologias, adotar novas formas de comunicação e desenvolver uma mentalidade positiva, que o faça se sentir integrado ao propósito do bem comum. É necessário deixar as velhas diferenças de lado e olhar para o futuro com entusiasmo e esperança [...]. (Claro, 2016, p. 44) Dessa forma, é possível entender que a tomada de decisões em sistemas de trabalho complexos depende de profissionais com elevada capacidade de perceber o sistema produtivo como um todo, visando a sustentabilidade entre uma organização humanizada, produtiva, com agilidade para decidir e que estuda o tempo todo os meios que a manterão em vantagem competitiva no mercado. Se a concorrência for elevada, há ainda mais a necessidade de se diferenciar. Concluímos que essa visão não decorre de ser aplicada tão somente em períodos de crise e, sim, precisamos cada vez mais adotar práticas sustentáveis, éticas, que garantam uma resposta de qualidade na vida pessoal e profissional. O valor da agilidade nos processos de mudanças em vista da permanência da qualidade e o uso da tecnologia a favor dessas melhorias, sem se esquecer da geração de ambientes profissionais cada vez mais humanizados, assim como uma vida pessoa plena em qualidade de vida e bem-estar. Sendo assim, contamos com recursos para o futuro. 28 Referências CLARO, Marcela. Atitudes para alcançar o êxito profissional em tempos de crise. São Paulo: Trevisan, 2016. CODA, Roberto. Competências comportamentais. São Paulo: Grupo GEN, 2016. KUAZAKI, Edmir. Liderança e criatividade em negócios. São Paulo: Thomson Learning, 2006. SOUZA, Renato Antonio de. Processos de aprendizagem e desenvolvimento de competência. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. 29 A importância das softs skills enquanto marca do potencial humano Autoria: Luiza Cristina de Azevedo Ricotta Leitura crítica: Juliana Zantut Nutti Objetivos • Apontar a distinção entre soft skills e hard skills como fator de sucesso. • Identificar a representatividade dos valores humanos. • Apresentar aspectos da personalidade significativos para o desenvolvimento profissional. 30 1. A importância das soft skills enquanto marca do potencial humano Neste momento, identificaremos as soft skills como um conjunto de competências relacionadas à capacidade pessoal de se desenvolver por meio de suas próprias habilidades e aptidões que o qualificam e diferenciam na sua qualificação humana, de expressão, de pensamentos e ideias, de sentimentos e emoções, bem como da qualificação do seu comportamento consigo e com demais pessoas; ou seja, são reveladoras do que o move, sensibiliza e gera sentido e significado para você. Elas são como um reforço para a expressão de seu potencial humano somadas às competências técnicas que busca na formação acadêmica, nos estudos, nos cursos e nos aprimoramentos. As soft skills dizem muito a respeito da pessoa você é no tocante aos seus valores pessoais, podendo incluir as competências interpessoais, do modo como estabelece relacionamentos entre as pessoas nas mais variadas situações. Isso poderá revelar muito do seu potencial comunicador, por exemplo, de empatia e convencimento; por exemplo, de uma pessoa equilibrada que busca no respeito ao outro até as soluções viáveis para um grupo manter-se coeso. Aquela pessoa que procura ter uma visão ampla e se inspira com a capacidade criativa, que visa cooperar, colaborar e contribuir. Assim, as soft skills dão o toque personalizado e aumentam o conjunto das competências de um indivíduo, o que podemos chamar de seu potencial; e tais competências são aquelas que vão lhe caracterizar melhor. Como você pode ver, as softs skills dizem muito da própria pessoa, das suas atitudes e da sua forma de se conduzir. A competência interpessoal é uma das habilidades do ser humano que permite lidar de forma eficaz com as relações entre outras pessoas, de forma que atenda às necessidades individuais dos sujeitos envolvidos em determinada situação, assim como também atenda às exigências da própria situação. (Moscovia, 1981 apud Souza, 2015, p. 68). 31 Trata-se de habilidades que se desenvolvem e se aprimoram no convívio mais íntimo, que forma e modela seu caráter, sua família, o ambiente e os contextos de experiências que vivenciamos. Souza (2015, p. 68-69) aponta que “se o sujeito possui uma percepção mais apurada de si mesmo, é também capaz de ter essa percepção sobre as relações interpessoais”. E esse processo parte do desenvolvimento da autopercepção, autoconscientização e autoaceitação. São aqueles aspectos intrínsecos do sujeito, bem como sua habilidade de comunicação, motivação, flexibilidade cognitiva e perceptiva que o norteia a uma conduta pessoal: Outro componente da competência interpessoal refere-se ao próprio relacionamento e sua dimensão emocional-afetiva (Moscovia, 1981), haja vista que as relações interpessoais são motivadas por questões cognitivas e também afetivas e o equilíbrio entre esses dois componentes permitirá que as relações entre sujeitos não sofram danos. (Souza, 2015, p. 70) Em contraposição, a competência técnica é “todo o conhecimento que um sujeito mobiliza para a realização de uma atividade profissional, inclusive o domíniode conhecimentos específicos relacionados à determinada área do conhecimento” (Souza, 2015, p. 70). Nessa ótica da qualidade da dimensão humana é que vamos entender quão importante é a valorização desses atributos e que vão incrementar o campo de suas ações, desempenho e performance (desempenho voltado para resultados) nas funções que desempenhar. 32 Figura 1 – Eu consigo Fonte: Shutterstock.com. A capacidade de um indivíduo se desafiar é a de saltar de uma situação conhecida para uma outra em que não tenha necessariamente as coordenadas, mas que confia na sua capacidade de identificar os meios, acreditando no seu potencial que tão somente se amplia à medida em que atribui às suas qualificações o emprego de uma potência que somente pode extrair de si mesmo. Nesse contexto, Coda (2016, p. 2) aborda que: “[as] competências individuais – aquelas que indivíduos precisam aplicar em seu trabalho para que objetivos sejam atingidos –, ou seja, como precisam agir para que as atividades sejam concretizadas da melhor maneira possível”. 2. As soft skills e hard skills Ambas as competências compõem o perfil pessoal e profissional, diferenciando-se cada uma delas em suas destinações: as soft skills 33 como habilidades humanizantes e as hard skills como habilidades técnicas, de aquisição do patrimônio intelectual, em que ambas vão resultar em expressões distintas de comportamento e caracterizar um determinado perfil. De acordo com Coda (2016, p. 118), “[o] perfil comportamental como um conjunto de ações preferenciais ou naturais para um indivíduo, similares e convergentes, associado a um ou mais tipos de competências comportamentais”. Diferentemente dos traços de personalidade que são atribuídas à pessoa nas condições de sua formação pessoal, de acordo com Coda (2016, p. 118), “as características comportamentais, embora também apresentem componentes inatos, são em sua grande maioria passíveis de aprendizado e de desenvolvimento [...]”. Enquanto uma diz muito a respeito das habilidades que envolvem as próprias subjetividades, personalidade e estrutura de caráter; a outra dimensão se envolve por habilidades técnicas que dão reforço e estrutura ao conhecimento especializado e genérico que lhe dá competências para atuar. Nesse contexto, ressalta-se que tais dimensões se complementam e os indivíduos com bom índice de soft skills tendem a uma rota promissora de sucesso. Comportamentos se configuram através de ações. Mesmo que determinados comportamentos não sejam absolutamente naturais para um indivíduo, caso ele se empenhe em praticá-los, principalmente por perceber que em dadas situações esses outros comportamentos poderiam se traduzir em maior sucesso ou atendimento mais eficaz dos desafios envolvidos [...]. (Coda, 2016, p. 118) 34 Assim, quanto maiores as competências comportamentais, mais o potencial se amplia, oferecendo condições de seguir para além do que é esperado, envolvendo o talento da pessoa na função que exerce. De acordo com Coda (2016, p. 30): o “talento é percebido não somente em função de conhecimentos e habilidades, mas principalmente em função dos comportamentos que o colaborador exibe em seu trabalho”. Isto é, aquela pessoa se destaca pelo que excede ao que é esperado, pois aplica suas condições pessoais, revertendo em benefícios e ganhos para a empresa ou serviços que contam a sua participação. Esse é um diferencial competitivo, pois seu talento é visível e demonstra essa capacidade pelo quão imprescindível é fazendo o que faz, passando por um processo de lapidação para exercer determinada ação ou atividade. Coda (2016, p. 30) aborda a respeito de que “talento é muito mais do que conhecimento, competência e desempenho juntos”, e que manifestá-lo “está vinculado à capacidade da organização em alavancar conhecimentos em seu interior, objetivando o aprimoramento de seus produtos e serviços”. Considera-se que profissionais de talento são funcionários que, por meio de suas opiniões e, principalmente, por suas ações, impulsionam a empresa para o topo e para frente. Talento também pode ser visto como o conjunto de dons, habilidades, conhecimentos, atitudes e capacidade de aprendizado e desenvolvimento de uma pessoa. (Michaels; Handfield; Axelrod, 2002 apud Coda, 2016, p. 31) Ainda, nesse contexto, o autor apresenta como habilidades de pessoas com talento propostas por Salibi Neto (2001 apud Coda, 2016). 35 Figura 2 – Habilidades de pessoas com talento Fonte: adaptada de Coda (2016, p. 32). 3. Valores humanos e personalidade Os valores humanos são universais e nos qualificam dentro de habilidades que temos como princípio em pautar a nossa vida. Alguns exemplos de valores pessoais admiráveis são: generosidade, gentileza, afetividade, respeito, conhecimento, disciplina, ordem, atenção dirigida e concentrada. E o ponto em questão é que tais valores pessoais são os mesmos em qualquer parte do mundo, o que também nos qualifica em nossa humanidade. Valores são determinados princípios que norteiam a vida das pessoas, dando-lhes direção e orientação de como Ser, comportar-se, relacionar- se e expressar as habilidades e potenciais em vista da concretização dos projetos e ideias. É o que nos apontará a coerência entre o pensar e agir. (Ricotta, 2006, p. 99) 36 Enquanto princípio, eles direcionam nossa vida como uma bússola – dando-nos direção de como ser, existir, pensar, atuar e se comportar. E como cada pessoa cultiva um rol de valores, isso significa que ela é de algum modo configurada por uma identidade específica, que lhe caracteriza como a pessoa que é. Por isso, esses valores estão intimamente relacionados à formação da personalidade de um indivíduo. E por meio do autoconhecimento, a pessoa tem clareza de que princípios são esses e o que é representativo para si. Valores são ideias acerca do sentido de Ser: formas de relacionamento que tem origem no comportamento e tem potencial de orientar condutas, por tornarem-se elementos referenciais da identidade de uma pessoa. (Ricotta, 2006, p. 99) Por isso, certas pessoas têm conflitos com outras, em parte, por serem constituídas de valores distintos. Naturalmente, as pessoas compõem grupos com mais facilidades com outras que comungam dos mesmos valores, assim como é fundamental alinhar-se com os valores da organização, empresa ou instituição ao qual atua. Na atualidade, até mesmo os ambientes profissionais têm por certo a necessidade de ser ter o conhecimento sobre sua missão e dos valores que norteiam os rumos daquele ambiente organizacional. Isso nos dá condições de alinhar a cultura às pessoas que compõem os times de trabalho, o que é fundamental também para a identificação do professional com o local onde trabalha. Isso vai de encontro com a ideia de que nós fazemos algo que vai para além do fazer, buscamos sentido e significado nas nossas práticas e cuidamos da forma de pensar, de explorar nossa mente, a fim de que possamos ter experiências condizentes com o nosso filtro pessoal, com o que temos identidade e rechaçar o que não faz sentido, como não pertencente à sua vida. Tudo isso está em torno das suas decisões e escolha de caminhos diante de seus interesses e do desenvolvimento de habilidades. 37 Nesse contexto, é interessante demarcar que existem dois tipos de valores que dão reforço à identidade do indivíduo: a. Valores pessoais: aprendidos na família e vão configurar a personalidade da pessoa; b. Valores sociais: exercício prático dos valores pessoais, sendo expresso na vida coletiva e na interação com demais pessoas. Denota o caráter da pessoa que convive e suas ações falam mais que palavras. Tais valores nos dão competência para a vida, em nossas escolhas pessoais, bem como para a convivência em sociedade; a de pertencer a determinados grupos. Esse sentimento de pertencimento, por sua vez, é fundamental para a estrutura de vida do ser humano, compondo e fazendo parte dealgo que lhe identifica, que diz muito da pessoa que é, pelos seus gostos, interesses, motivações. Portanto, são aspectos que dão reforço às competências socioemocionais do indivíduo – a sustentação básica da formação de seu caráter. E tudo isso envolve a sua identidade pessoal e conduta frente à postura coletiva, ao ser cidadão, ao conviver em grupo com demais pessoas no seu bairro, nas ruas, cidades, clubes, condomínios; como menciona Ricotta (2006, p. 99): “[…] são ideias internalizadas. ou seja, fazem parte do referencial interior, de como a pessoa se sente em relação à vida, à sociedade e à natureza […].”. São elementos que dão representatividade ao seu modo de atuar, diferenciando uma pessoa da outra pelo modo como direciona sua forma de pensar e, consequentemente, sua conduta. Cada pessoa é resultado de um aprendizado, cuja base de referência pessoal está no modo como assimila e percebe a realidade. 38 Figura 2 – Valores humanos universais Fonte: Shutterstock.com. Concluímos que a legítima associação entre as competências comportamentais, os valores humanos e a identidade pessoal são imprescindíveis ao significado que nossas ações têm para nós. Elas são registros importantes que nos definem pelo modo como vivenciamos toda e qualquer atividade. Diante do quão somos capazes pela força do talento, da ética e da ação eficiente, nos tornamos potencialmente mais fortes, e isso afeta o sucesso do resultado, do empenho, da qualidade empregada que se inicia pelo aperfeiçoamento do caráter, pela capacidade de se sentir representado por ações que falam por si só. Sendo assim, podemos entender que há uma extensão clara e nítida da qualidade humana nas suas potencialidades e da personalização das ações. Referências CODA, Roberto. Competências comportamentais. São Paulo: Grupo GEN, 2016. DRUMMOND, Virgínia S. Confiança e liderança nas organizações. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2012. 39 RICOTTA, Luiza C. de Azevedo. Valores do educador: uma ponte para a sociedade do future. São Paulo: Ágora, 2006. SOUZA, Renato Antonio de. Processos de aprendizagem e desenvolvimento de competência. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. 40 Alcance de melhor performance e elevação do potencial Autoria: Luiza Cristina de Azevedo Ricotta Leitura crítica: Juliana Zantut Nutti Objetivos • Apontar a relevância do aprimoramento socioemocional como elevação de performance e potencial. • Identificar ações de aprimoramento socioemocional em modelos pedagógicos. • Identificar ações de aprimoramento socioemocional em modelos de negócios. 41 1. Alcance de melhor performance e elevação do potencial A alta performance é uma escalada rumo a atingir o máximo de desempenho cujo rendimento seja global, mas não somente em uma área específica e sim envolvida na totalidade da pessoa. Ela ocorre quando somos capazes de extrair o melhor de nós na aplicação de competências, equilíbrio emocional, ritmo, disciplina, criatividade, condições físicas apropriadas, entre outras. Assim, devemos considerar que a competência não é um atributo estático, mas algo em movimento, que cria, desvenda e aprimora no decorrer do percurso, onde seus resultados vão evoluindo. À medida em que passa de um estágio a outro, observa-se um ritmo em direção a esse objetivo. Dessa forma, quando dizemos que determinado profissional é competente, trata-se de perceber que sua performance se mantém no decorrer do tempo, ou seja, ela é dinâmica, está em movimento; criando sinergia em torno de si, onde tudo o que advém de suas ações, reverte-se em prol de si mesmo, dando continuidade no seu ritmo sem grandes variações, pois estão suportadas em uma atmosfera saudável, promissora. A alta performance é a junção de pequenos resultados que juntos formam algo maior – na capacidade treinada e, com isso, o potencial se torna revelado. A sinergia decorre da junção entre ritmo, a ação propriamente e o empenho que se aprimora. O ritmo é a cadência necessária que coloca você em contato com a necessidade de repetir o movimento, pois nenhuma ação em si é por si só acabada, ela está em movimento contínuo. O potencial, por sua vez, é algo que qualifica o sujeito, fazendo-o compreender a proporção das suas capacidades, a junção de toda essa força que o torna potente e capaz para se desenvolver. Como é possível existir o potencial se o indivíduo não reconhecer suas habilidades? 42 Nesse sentido, notamos que ter a noção clara e apropriar-se de suas habilidades é uma condição importante para o indivíduo, pois assim ele se dá conta do próprio perfil pessoal, suas características, seu estilo e das facilidades que possui, assim como tem conhecimento das aéreas que precisa se desenvolver melhor. Logo, o indivíduo competente nem sempre é aquele que tem a resposta pronta para tudo, mas aquele que além de indagar, se dispõe a um caminho de descobertas e, nesse processo, cria estratégias e encontra soluções. Por isso, cada um tem um nível de performance que lhe é natural e atingível. Quando se ultrapassa os limites naturais de suas competências, o indivíduo entra em crise, em sofrimento psíquico por não ter aliado aos seus desafios o entendimento socioemocional que precisa ser aplicado em sua realidade – é como radiografar uma situação e encontrar os meios necessários para manter o ritmo, a potência diante dessas incertezas que são os desafios. Figura 1 – Análise do aumento de performance Fonte: Shutterstock.com 43 Nesse contexto, Locke (1976 apud Coda, 2016, p. 78) apresenta o conceito de “satisfação no trabalho” como algo que predispõe o sujeito à realização e ao aprendizado deste, como: [...] um conjunto de sentimentos favoráveis que caracterizam um estado de prazer emocional resultante da avaliação que um profissional faz sobre até que ponto seu trabalho apresenta a capacidade de facilitar ou permitir o atendimento de seus objetivos e valores. Para isso, o colaborador se vale da percepção de aspectos que lhe são importantes para atender suas expectativas e que venham, de algum modo, a expressar o seu esforço na execução de suas atividades. Locke (1976 apud Coda, 2016), ainda, menciona que a satisfação no trabalho é um conceito que envolve aspectos emocionais, associados a sentimentos e não a determinado tipo ou padrão de comportamento. Já Organ e Hammer (1982 apud Coda, 2016) consideram a satisfação no trabalho uma atitude positiva ou negativa do colaborador em relação a seu trabalho, reunindo subjetividades em torno de um conjunto de percepções, emoções e sentimentos que estarão relacionados às suas tendências comportamentais. Reforçando que, para isso, ele precisa estar satisfeito em relação ao seu próprio trabalho, função ou missão. Como seria caso não gostasse ou não se identificasse com esse propósito? 2. Ação nos modelos pedagógicos – relacionadas ao aprender As ações que envolvem os recursos da aprendizagem são aquelas que investem no cognitivo, na retenção, no armazenamento e na utilização das informações, quando necessário. Pressupõe o aprendizado. 44 Segundo Cavalcanti (2023, p. 17): “é possível aprender a lidar melhor com as nossas emoções e nos relacionar de forma mais saudável e construtiva com outras pessoas”. Ao aprendermos, temos o compromisso de favorecer ao(s) outro(s) nesse aprendizado. Aqui, falamos de transferência de conhecimentos relacionados às competências socioemocionais que se inicia pelo autoconhecimento, sabendo a pessoa que se é. O aprendizado para a vida é uma das razões pelas quais nos dispomos a isso, de tornarmo-nos melhores pessoas, capazes de evoluir, absorver, transformar realidades para novas possibilidades. O objetivo com a aprendizagem socioemocional é desenvolver nas pessoas a capacidade de manejar suas emoções, construir e manter relações saudáveis nos âmbitos pessoais e profissionais, lidar com situações complexas e conflituosas de forma equilibrada e preocupar- se com as necessidades deoutros de forma empática e altruísta. É por meio dela que as pessoas desenvolvem competências socioemocionais e comportamentos pró-sociais que envolvem a consciência social e de cidadania. (Cavalcanti, 2023, p. 18) Conforme a autora, o aprendizado das competências socioemocionais e de condutas pró-sociais favorecem uma visão mais positiva da vida, de si e do mundo, pois passam a considerar valores como autoestima, o comprometimento com pessoas e com tarefas, bem como no desempenho escolar, que exponencialmente se eleva (Cavalcanti, 2023). Por outro lado, a longo prazo, o fazem buscar novos cursos e uma maior dedicação frente ao conhecimento, assim como uma melhor predisposição à saúde mental, psicológica e emocional; e uma menor incidência às práticas violentas de toda ordem. Podemos, portanto, compreender a sua importância no potencial humano de forma global. Para tanto, Cavalcanti (2023) defende a importância de abrirmos espaços nos currículos de escolas, programas de educação superior e corporativa 45 para que a aprendizagem socioemocional de estudantes e profissionais possa ocorrer frequentemente. 3. Ação nos modelos de negócios – relacionados ao trabalho, sua execução, a empreender, desenvolver ideias, agregar valor As ações voltadas aos modelos de negócio envolvem o que os profissionais de Recursos Humanos chamam de capacitação. De acordo com Ulrich, Younger e Brockbank (2013), criar capacitações organizacionais é uma das três principais prioridades para suas empresas e isso pode ser medido por meio de pesquisas, que o mundo organizacional sempre está criando para desenvolver as pessoas. Alguns dos recursos são a pesquisa de clima e satisfação dos colaboradores, pesquisa da cultura organizacional e de avaliação de desempenho, além dos demais indicadores de KPIs – Indicador-chave de desempenho. As empresas podem ganhar uma vantagem competitiva ao criar capacitações fundamentais. As empresas precisam pensar mais para entender quais as habilidades que impactam verdadeiramente o desempenho do negócio. (McKinsey Quarterly apud Ulrich, Younger, Brockbank, 2013, p. 104) Segundo Ulrich, Younger e Brockbank (2013, p. 104-105), a perspectiva da capacitação foi introduzida nos anos 1990 e desde então progrediu para tornar-se uma prioridade para os profissionais de RH e os líderes de negócio. Algumas delas, que foram criadas e mais empregadas no ambiente corporativo são: • Execução estratégica. • Gestão da inovação e da mudança. 46 • Atração, retenção e motivação dos talentos. • Alavancagem de uma cultura produtiva. • Administração da rentabilidade e agregação de valor. • Desenvolvimento de futuros líderes. • Governança. Note como o desenvolvimento das habilidades para o fortalecimento do potencial humano nas organizações conta muito com as competências socioemocionais para abordar temas como liderança, mudança, motivação, cultura, positividade, agregação de valor e gestão. Todas elas contam com os recursos da pessoa que ocupa a função, de suas capacidades individuais que vão propiciar a interação necessária para que os processos dentro do trabalho possam ocorrer pelo potencial humano, partindo de suas competências. Para Coda (2016), a utilidade do mapeamento de competências comportamentais é que elas fornecem um embasamento para a avaliação das competências profissionais. Além disso, ele também aponta que a identificação de competências comportamentais direciona ao potencial, orientando e dando foco ao desenvolvimento profissional do colaborador. Ele aborda que é positivo encaminhar o progresso de um professional nas competências que precisa desenvolver, na melhoria de outras, sejam elas comportamentais ou profissionais, tais como o uso do feedback de maneira construtiva. O trabalho de Cappelli (2008) também apresenta um resultado importante e que oferece perspectivas adicionais sobre o uso do conceito de competências comportamentais no contexto de trabalho. Ao rever estudos tratando da relação entre personalidade e desempenho, esse autor descobriu que o tipo de personalidade como fator preditivo do desempenho no cargo é um fator ainda mais poderoso do que antes 47 considerado. Autoconhecimento dos pontos fortes e conscientização sobre o trabalho – que pode ser compreendida como a vontade de realizar – foram os traços comportamentais mais consistentemente relacionados ao desempenho eficaz, produtividade e promoção, fato que não se verificou em relação a outros traços tais como adaptação, conformidade social e perseverança. (Coda, 2016, p. 28) Figura 2 – O potencial como chave do sucesso Fonte: Shutterstock.com Concluímos que as competências comportamentais são imprescindíveis para a evolução do indivíduo/profissional, contando com recursos emocionais a fim de potencializar seus alcances; administrando no seu percurso de constante aprendizado situações de predisposição ao medo de fracassar, assim como para o sucesso das suas ações. Por sua vez, esse aprimoramento das competências faz com que elas sejam tão representativas, tornando possível ao indivíduo valer-se de atributos pessoais para desenvolver melhor suas atividades; dá sua capacidade em estabelecer relações, promover interações positivas e manter um 48 equilíbrio emocional razoável, adaptável, que reflete e administra bem as situações diante de si mesmo e de outras pessoas. Sem o aprimoramento socioemocional como elevação do potencial humano, não haveria dedicação, persistência e sentimento de pertencimento, aspectos tão necessário para que possamos nos manter envolvidos em nossas ações. A comparação entre pessoas inexiste e por isso não podemos dizer que determinada pessoa chega ao sucesso e outra não, tornando isso como deficiência. O que temos são indivíduos que não se predispuseram e não se permitiram ao aprendizado de competências socioemocionais, pois elas são favoráveis ao crescimento exponencial das potencialidades. Referências BARBIERI, Ugo F. Gestão de pessoas nas organizações: a aprendizagem da liderança e da inovação. São Paulo: Grupo GEN, 2013. CAVALCANTI, Carolina C. Aprendizagem socioemocional com metodologias ativas: um guia para educadores. São Paulo: Saraiva, 2023. CODA, Roberto. Competências comportamentais. São Paulo: Grupo GEN, 2016. ULRICH, Dave; YOUNGER, Jon; BROCKBANK, Wayne et al. RH de dentro para fora. Porto Alegre: Grupo A, 2013. E-book. 49 Sumário O que são habilidades e competências socioemocionais? Objetivos 1. Distinção entre habilidades e competências e o campo das atitudes 2. Competências socioemocionais: sustentação do indivíduo 3. Gestão de emoções e sentimentos 4. Diferenciação pela qualidade humana Referências O aprimoramento das atitudes pela mudança de mindset e vantagem competitiva Objetivos 1. A reforma do pensamento para novas atitudes 2. Mudança de mindset acompanhando o desenvolvimento tecnológico 3. O profissional do presente e do futuro Referências A importância das softs skills enquanto marca do potencial humano Objetivos 1. A importância das soft skills enquanto marca do potencial humano 2. As soft skills e hard skills 3. Valores humanos e personalidade Referências Alcance de melhor performance e elevação do potencial Objetivos 1. Alcance de melhor performance e elevação do potencial 2. Ação nos modelos pedagógicos - relacionadas ao aprender 3. Ação nos modelos de negócios - relacionados ao trabalho, sua execução, a empreender, desenvolver Referências