Prévia do material em texto
2 CENTRO UNIVERSITÁRIO JORGE AMADO CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA DANIELA OLIVEIRA DO NASCIMENTO EJA – EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS SALVADOR 2024 ANALFABETISMO FUNCIONAL Analfabetismo é uma palavra utilizada para definir a situação daqueles que não sabem ler e escrever. O analfabetismo funcional pode ser definido como a incapacidade de utilizar habilidades de leitura, escrita e interpretação de forma eficaz para solucionar problemas do cotidiano. Segundo dados do último Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa, em 2018, cerca de 29% da população brasileira de 15 a 64 anos era considerada analfabeta funcional. Ou seja, quase um terço dos brasileiros nessa faixa etária possuem dificuldades para compreender textos simples e realizar tarefas que envolvem a leitura e a escrita. Uma das principais razões é a falta de acesso à educação de qualidade. Ainda existem regiões do país onde há escassez de escolas, falta de professores capacitados e ausência de infraestrutura adequada. Além disso, a desigualdade social também desempenha um papel importante nesse quadro. Pessoas de baixa renda têm menos oportunidades de ter acesso à educação de qualidade, em muitos casos ainda, sendo obrigadas a abandonar os estudos para poder trabalhar e ajudar financeiramente dentro de casa, o que acaba perpetuando o ciclo de pobreza e analfabetismo funcional. As consequências do analfabetismo funcional são graves e afetam tanto o indivíduo quanto toda a sociedade. Pessoas que não possuem habilidades básicas de leitura enfrentam dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia, como preencher formulários, ler instruções ou entender informações em embalagens de produtos. Além disso, têm dificuldades no acesso à educação e ao mercado de trabalho, o que limita suas oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional. A procura por uma educação de qualidade para todos faz parte da história do Brasil. Ao longo dos anos, diversos avanços foram alcançados, porém, ainda é necessário torná-la acessível para todos os brasileiros independentemente da idade, gênero ou classe social. Nesse sentido, a EJA é um mecanismo importante para que a população que não se adequa à idade escolar ideal consiga acessar o ensino básico e concluir sua formação para também ter acesso ao ensino superior, por exemplo. O analfabetismo funcional atinge ainda uma grande parcela dos universitários brasileiros, a busca pelo diploma de nível superior tendo a expectativa de melhorar a renda e de se chegar à estabilidade não se refletiu em maior preparo dos discentes, ou seja, a expansão do Ensino Superior não tem garantido ensino de qualidade ou profissionais devidamente qualificados. Apesar dos programas de incentivo com financiamento, para a ocupação de vagas em instituições privadas não têm garantido uma formação de qualidade, como mostram os dados do Inaf. Essas ações para expandir o Ensino Superior apenas acarretou o aumento desalinhado de faculdades comprometidas em atrair alunos pela possibilidade de subir socialmente através do diploma superior do que em proporcionar a eles uma boa preparação. Com isso é possível notar o resultado: a intensa alienação do Ensino Superior brasileiro e a qualificação insuficiente dos profissionais. Para combater esse problema, é necessário investir em políticas públicas que garantam o acesso à educação de qualidade, a valorização do profissional professor, o incentivo a qualificação continuada, incentivos e investimentos na educação de jovens e adultos (EJA), a valorização da leitura e a escrita e que as famílias tenham uma participação maior na vida escolar dos filhos. Somente assim será possível reduzir o índice de analfabetismo funcional e promover o desenvolvimento pleno dos indivíduos. É fundamental que o governo, as instituições educacionais e a sociedade como um todo se mobilizem para enfrentar essa questão de forma efetiva e garantir que todos os brasileiros tenham oportunidades iguais de educação e desenvolvimento. REFERÊNCIAS ANDRADE, L. M. F. Analfabetismo funcional: conceito, etiologia e subníveis. In: Anais do Congresso Internacional de Educação Inclusiva e Tecnologias Assistivas. Florianópolis, 2019. BARRETO, I. C. Santana. ANALFABETISMO FUNCIONAL NO BRASIL. Ciências Sociais, Volume 27 – Edição 129/DEZ 2023 / 05/12/2023. Disponível em: . Acesso em: 20 ago. 2024. GUSMAO, Silvia. Analfabetismo funcional atinge ensino superior. Trajeto consultoria, 2013. Disponível em . Acesso em: 19 ago. 2024. OLIVEIRA, Ana Paula Santos de; PEREIRA, Márcia Aparecida. A importância das políticas públicas para o combate ao analfabetismo funcional no Brasil. Revista Educação e Contemporaneidade, v. 12, n. 24, p. 101-118, 2020. image2.png