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OPA, BOM TE VER POR AQUI! É muito provável que você já tenha se deparado com um paciente cirrótico ao longo da sua carreira médica. Isso porque a cirrose hepática é muito prevalente, seja em contexto de emergência, ambulatorial ou até mesmo de questões na prova de residência médica! Sabemos que o manejo desses pacientes não é nada fácil, principalmente daqueles que têm todas as complicações possíveis decorrentes da cirrose hepática. Por isso, juntamos as principais informações que você precisa saber na hora de diagnosticar e manejar um paciente hepatopata. Esperamos que aproveite! Boa leitura! Equipe Medway ÍNDICE Introdução.............................................................................................................................................................................................6 Anatomia e histologia do fígado .......................................................................................................................6 Fibrose hepática e hipertensão portal ...........................................................................................................8 Avaliação inicial .........................................................................................................................................................10 Causas de hepatopatia crônica ........................................................................................................................14 Complicações da cirrose hepática ................................................................................................................ 22 Ascite ......................................................................................................................................................................................22 Peritonite bacteriana espontânea .................................................................................................................... 24 Hemorragia digestiva alta varicosa ...................................................................................................................26 Encefalopatia hepática ............................................................................................................................................. 30 Síndrome hepatorrenal ..............................................................................................................................................31 Síndrome hepatopulmonar ...................................................................................................................................32 Insuficiência hepática crônica agudizada ...................................................................................................32 Carcinoma hepatocelular ........................................................................................................................................33 Referências Bibliográficas ................................................................................................................................................... 34 Conclusão ...........................................................................................................................................................................................35 Anexos ........................................................................................................................................................................... 36 Sobre a Medway ............................................................................................................................................................36 Nossos cursos .................................................................................................................................................................. 38 Acesse gratuitamente ...............................................................................................................................................40 Ficou alguma dúvida? ............................................................................................................................................... 42 QUEM SOMOS Boa leitura! Somos um time de médicos formados nas principais instituições de residência do Brasil. Conhecemos bem os obstáculos e as dificuldades que surgem durante a preparação para as provas de residência médica. Justamente por isso, e porque sentimos falta de ter alguém nos orientando lá atrás, tomamos a decisão de criar a Medway. Depois de muito estudo, trabalho duro e dedicação total, desenvolvemos cursos exclusivos e que nos enchem de orgulho. Isso porque, na prática, temos visto esses cursos serem a chave do sucesso na aprovação de milhares de alunos de Medicina em todo o país. Em quatro anos de existência, impactamos 16 mil alunos com uma metodologia diferente da convencional. Leve, objetiva e verdadeira. Sem dúvidas, essa última característica é o nosso maior diferencial. Não te enrolamos e nem falamos o que você quer ouvir. Não generalizamos. Te tratamos com respeito, da forma como gostaríamos de ser tratados. Muitos nos veem como professores ou mentores. Nós gostamos de nos enxergar como aqueles veteranos que você admira pelo conhecimento técnico, mas também pela didática e pelo lado humano. Se você chegou até aqui, saiba que já nos orgulhamos muito de você ter se conectado com a Medway. Estamos e estaremos ao seu lado para sermos parceiros em toda a sua jornada como profissional de Medicina. Até a prova de residência e depois dela. Vamos juntos até o final! https://www.medway.com.br/aprovados/ O QUE NOSSOS ALUNOS ESTÃO FALANDO? 6 Introdução Fala, galera! Animados para entrarmos em um mundo da hepatologia? A cirrose e as complicações relacionadas são situações muito frequentes do dia a dia do médico, seja um generalista atendendo no pronto socorro ou o especialista atendendo no consultório. Calma! Vamos destrinchar ao longo deste material a etiologia, fisiopatologia, diagnóstico e falar do manejo. Temos certeza de que essas informações serão úteis na sua vida como estudante e como profissional. Deixaremos tudo bem prático para você conseguir se lembrar do assunto na prova e, principalmente, quando estiver atendendo um paciente! Anatomia e histologia do fígado O fígado participa na digestão de lipídeos através da bile, regula diferentes vias metabólicas, produz diferentes fatores de coagulação e é responsável pela metabolização de diferentes drogas e toxinas. Pesa entre 1,3 e 3,0 quilogramas e é um órgão macio marrom-rosado. É o segundo maior órgão do corpo e está localizado no lado direito do abdome. É composto por lobos anatômicos (D e E) separados pelo ligamento falciforme. Cirurgicamente, esta divisão é feita ao nível do porta-hepatis. Figura 1. Anatomia Macroscópica do Fígado. Fonte: Netter. Atlas de anatomia humana. 7 A unidade funcional do fígado é o lóbulo hepático. Cada lóbulo é hexagonal e uma tríade portal (ramo da veia porta, ramo da artéria hepática e o ducto biliar) fica em cada canto do hexágono. No espaço entre os hepatócitos é onde a bile produzida é depositada, seguindo na direção contrária ao sangue sinusoidal, ou seja, do centro para a periferia, dos canalículos biliares para os ductos biliares interlobulares até os ductos hepáticos e colédoco. Junto à parede dos sinusóides hepáticos encontramos as células de defesa do fígado, as células de Kupffer (macrófagos sinusoidais) conhecidas também como células estreladas. São estas células que após um estímulo crônico começam a produzir fibrose e “estancar” os buracos dos sinusoides hepáticos, comprometendo as trocas e levando à hipertensão portal. Sinusoide hepático Veia central Canalículo biliar Célula reticuloendotelial Sinusóide hepático Ramo do ducto biliar Ramo da veia porta hepática Ramo da artéria hepática Hepatócito Tríade portal A. Lóbulo hepático B. Hepatócitos e sinusóides Hepatócitos Veia central Canalículo biliarFigura 2. Lóbulo hepático e tríade portal. Fonte: Mescher AL. Junqueira’s basic histology: text and atlas. 2010. É preciso um trabalho em conjunto dos lóbulos hepáticos para que o fígado como um todo consiga realizar suas funções no organismo. Note que os lóbulos hepáticos são interligados, e após cada um fazer o seu trabalho, o sangue agora purificado cai nas veias centrolobulares que são tributárias da veia hepática. O fígado consegue sobreviver com um número muito menor de lóbulos hepáticos, tanto que não é incomum cirurgias para retirada de um grande pedaço do fígado devido a tumor ou cisto. Porém o fígado não consegue exercer sua função quando a comunicação entre os lóbulos hepáticos é prejudicada. E é isso que ocorre na cirrose hepática. Quando vocês lerem o termo cirrose hepática, traduzam mentalmente como fibrose hepática. A cirrose nada mais é que o processo generalizado de fibrose das unidades 8 funcionais do fígado, que ocorre de forma irreversível em resposta a um insulto crônico, gerando inflamação crônica e levando à fibrose dos sinusoides hepáticos. As células estreladas vão responder ao insulto hepático (álcool, outras toxinas, autoimune, gordura), formando fibrose, que irá comprometer a troca nos sinusoides hepáticos, aumentando a pressão do sistema porta. Com a continuação da agressão (quando não cessamos o estímulo lesivo) ocorre fibrose que acomete não só o sentido centro-periferia (veia centrolobular - tríade portal) mas também ocorre fibrose entre as tríades portais (entre os vértices do lóbulo hepático), levando a uma conformação nodular, literalmente isolando os lóbulos hepáticos em pequenas unidades que agora não são mais capazes de realizar as funções esperadas pelo fígado. Neste momento, quando temos diversas ilhotas de lóbulos hepáticos isolados, atingimos os estágios mais avançados da fibrose hepática e o maior comprometimento do fígado, quando temos as maiores chances de complicações da cirrose. Como podemos perceber neste capítulo sobre fisiologia do fígado, em se tratando de cirrose hepática, “a culpa é das estrelas”! Fibrose hepática e hipertensão por- tal A fibrose dos lóbulos hepáticos e o comprometimento dos sinusoides levam a um aumento retrógrado na pressão da veia porta, responsável pela drenagem do sangue proveniente do trato gastrointestinal abaixo do diafragma. Como falado anteriormente, com o processo de fibrose produzidas pelas células estreladas os “buracos”’ dos sinusoides são tapados e o isolamento dos lóbulos hepáticos em pequenas ilhotas (nódulos) dificulta que o sangue que entra no lóbulo pela tríade portal chegue até a veia centrolobular. Isso tudo gera um aumento importante da pressão portal (pois o sangue que chega às vísceras não consegue retornar à veia cava uma vez que há um “congestionamento” no fígado). A pressão normal no sistema porta é de até 5 mmHg. Consideramos hipertensão portal a pressão portal > 5 mmHg, sendo que em pressões maiores que 10 mmHg costumamos observar a formação de varizes esofágicas. Pressões do sistema porta maiores que 12 mmHg sinalizam varizes com grande risco de ruptura. A cirrose é uma das causas de hipertensão portal. De forma didática, costumamos separar a hipertensão porta em causas pré-hepáticas, intra-hepáticas e pós-hepáticas. As causas intra-hepáticas são separadas ainda como causas pré-sinusoidais, sinusoidais e pós-sinusoidais. Parece complicado, mas não é! Veja as principais causas na tabela abaixo. 9 CLASSIFICAÇÃO E CAUSAS DE HIPERTENSÃO PORTAL PRÉ-HEPÁTICA • Trombose de veia porta • Trombose de veia esplênica • Esplenomegalia maciça INTRA- HEPÁTICA PRÉ- SINUSOIDAL • Esquistossomose (principal causa de hipertensão por- tal não cirrótica) • Sarcoidose • Colangite biliar primária • Colangite esclerosante primária SINUSOIDAL • Doença hepática alcoólica • Drogas (amiodarona, metotrexato) • Doença hepática gordurosa não alcóolica PÓS- SINUSOIDAL • Intoxicação por vitamina A • Síndrome de obstrução sinusoidal • Angiossarcoma • Sarcoidose PÓS-HEPÁTICA • Síndrome de Budd-Chiari • Pericardite constritiva • Cardiomiopatia restritiva Tabela 1. Classificação e causas de hipertensão portal. Fonte: Acervo Medway. Mas o que acontece quando um paciente desenvolve hipertensão portal? Se o sangue tem dificuldade de retornar à circulação sistêmica pela veia porta, quais as outras alternativas? Para responder a essa pergunta, temos que relembrar um pouco da drenagem venosa do aparelho digestivo. 10 Figura 3. Drenagem venosa do aparelho digestivo. Fonte: Moore, Anatomia orientada para a clínica, 8 ed. Note que o sistema porta é formado pela união da veia mesentérica superior com a veia esplênica (que recebe a mesentérica inferior). Antes de entrar no fígado a veia porta recebe o sangue proveniente da veia gástrica direita, responsável pela drenagem da região da pequena curvatura gástrica e da transição esofagogástrica, incluindo a porção distal do esôfago. Neste local temos o primeiro shunt portossistêmico, pois corre anastomoses entre a região do terço inferior do esôfago (que drena para a porta) com o terço médio e superior do esôfago que drena para o sistema ázigos e veia cava superior. Nas situações de hipertensão portal ocorre aumento do fluxo de sangue para o terço inferior do esôfago na tentativa de fugir do “congestionamento” da veia porta e desviar para o sistema ázigo terminando na veia cava superior. Com isso, ocorre a formação das temidas varizes esofágicas. Avaliação Inicial Todo paciente recém-diagnosticado com cirrose hepática passará por anamnese detalhada, buscando todos os potenciais fatores de risco (exposição a álcool, dieta, fatores de risco para hepatites virais, história familiar e antecedentes pessoais). Os indivíduos são assintomáticos até desenvolverem cirrose hepática. Caso evoluam com hepatite alcoólica aguda em algum momento, terão quadro clínico de icterícia, 11 aumento de transaminases, alargamento do tempo de protrombina e encefalopatia hepática, como vimos agora há pouco. Ao exame físico, são vistos os estigmas da cirrose, que devem ser buscados ativamente: • Telangiectasias ou spiders • Circulação colateral no abdome (cabeça de medusa) • Contratura palmar de Dupuytren: específica do paciente etilista • Ginecomastia • Sarcopenia e caquexia • Ascite • Eritema palmar • Esplenomegalia • Hepatomegalia, porém nas fases mais avançadas o fígado é reduzido em tamanho • Atrofia testicular • Rarefação de pelos Figura 4. Paciente com ascite volumosa. Fonte: Shutterstock. 12 Figura 5. Contratura Palmar de Dupuytren. Fonte: Bildinhalt: Rechte Männerhand mit Morbus Dupuytren am Ringfinger. Aufnahmeort: Baden-Baden, Deutschlan Além das alterações do exame físico, o paciente pode desenvolver complicações da cirrose, que serão detalhadas adiante. Os exames complementares iniciais incluem avaliação de etiologia: • Sorologias para hepatite B e C • FAN e autoanticorpos para hepatite autoimune e Colangite biliar primária (CBP) • Biópsia hepática em caso de dúvida diagnóstica E também vamos solicitar exames para estratificar o grau de insuficiência hepática do paciente: • Transaminases (TGO e TGP): não avaliam função hepática, mas ajudam a entender a etiologia • Fosfatase alcalina e gama-GT: também não avaliam função hepática, mas podem estar aumentados em síndromes colestáticas e a GGT aumenta no paciente etilista crônico • Bilirrubinas: há aumento de bilirrubina direta com a progressão da insuficiência hepática • Tempo de protrombina (TP): também é marcador de função hepática, pois a deficiência de produção de fatores da coagulação pelo fígado alarga o TP • Albumina: outro marcador de função hepática; é reduzida com o avançar da cirrose 13 • Função renal (Ur e Cr): podem evidenciar complicação da cirrose, a síndrome hepatorrenal • Eletrólitos: o cirrótico pode ter hiponatremia dilucional, secundária à hipervolemia, e distúrbios hidroeletrolíticos secundários à doença renal• Hemograma: a hipertensão portal e o hiperesplenismo acarretam plaquetopenia, em valores que não costumam ser menores que 50.000. Também é comum haver anemia • Endoscopia digestiva alta: faz parte da avaliação inicial de todo cirrótico! Para detectar varizes de esôfago ou gastropatia hipertensiva portal Em posse dos exames, já conhecendo melhor nosso paciente, vamos calcular o Escore de Child-Pugh: ESCORE DE CHILD-PUGH 1 PONTO 2 PONTOS 3 PONTOS Bilirrubinas (mg∕dL) 3 Encefalopatia hepática Ausente Grau I ou II de West-Haven Grau III ou IV de West-Haven Albumina (g∕dL) > 3,5 3-3,5 6 s ou > 2,3 Ascite Ausente Pequeno volume e de fácil controle Grande volume e de difícil controle CHILD A: 5 a 6 pontos CHILD B: 7 a 9 pontos CHILD C: 10 a 15 pontos Tabela 2. Escore de Child-Pugh. Fonte: Acervo Medway. É fácil entender por que quanto maior o Child, maior a mortalidade do paciente! Ele é muito usado na prática clínica para avaliação prognóstica e todo cirrótico deve ter o escore calculado. Algumas bancas ainda gostam de cobrar o cálculo decorado, mas a maioria exige apenas que você saiba quais são os critérios (ainda bem!). Para ajudar, fica o macete: 14 “BEATA” B - Bilirrubina E - Encefalopatia A - Albumina T - TP A - Ascite Outro escore utilizado é o Escore de MELD. É um cálculo logarítmico e nenhuma banca é doida de cobrar a conta. Mas é importante saber que ele é utilizado para listagem para transplante hepático e, quanto maior, mais grave. Utiliza bilirrubina, INR e creatinina. Também tem macete para decorar os critérios: “BIC” B - Bilirrubina I - INR C - Creatinina Causas de hepatopatia crônica CIRROSE DE ETIOLOGIA ALCOÓLICA A prevalência de dependência de álcool no Brasil é alta, chegando a 13,8% no Nordeste! Não admira, portanto, que essa ainda seja uma das principais causas de cirrose no nosso país. O principal fator de risco é o consumo de álcool, especialmente > 30g por álcool por dia. Fisiopatologia O álcool absorvido no organismo é metabolizado no fígado a acetaldeído, pela enzima álcool desidrogenase. Este, por sua vez, é metabolizado pela enzima acetaldeído desidrogenase a acetato. Os produtos do metabolismo do álcool ativam uma cascata inflamatória e de estresse oxidativo, que culmina na inflamação do fígado e, eventualmente, em cirrose. A história natural da lesão hepática secundária ao etilismo começa pela esteatose hepática, que é o acúmulo de gordura no fígado secundário a essa inflamação, sendo tipicamente macrovesicular. Até 90% dos indivíduos que bebem vão ter algum grau de esteatose hepática. Se eles continuarem a beber, até um terço vai evoluir para esteato-hepatite, em 15 que há maior atividade inflamatória, marcada pelo aumento de transaminases. Por fim, toda essa inflamação gera fibrose hepática, que evolui com cirrose e suas complicações. Nesse ponto, não é mais reversível, e há dano à arquitetura do fígado, insuficiência hepática e hipertensão portal. Quadro clínico O quadro clínico é comum às outras etiologias de cirrose hepática, com algumas particularidades. O paciente desenvolve os estigmas de cirrose, descritos anteriormente e as complicações da cirrose hepática, que vamos detalhar adiante. No etilista crônico, são sinais específicos no exame físico a contratura palmar de Dupuytren, um encurtamento da fáscia palmar que costuma afetar o 4º e 5º dedos, e a hipertrofia de parótidas. Exames complementares • Aumento de TGO e TGP com TGO∕TGP > 2 • Gama-GT elevada • Anemia macrocítica (VCM > 100) • Ultrassonografia: aumento da ecogenicidade hepática, fígado irregular e heterogêneo Tratamento O principal é a abstinência alcoólica, podendo ser necessário tratamento medicamentoso para sintomas de abstinência e suporte nutricional. DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCOÓLICA (DHGNA) É considerada uma epidemia mundial, representando a principal causa de doença hepática nos Estados Unidos. No Brasil, é cada vez mais prevalente e mais diagnosticada, visto a intensa relação com dieta industrializada, rica em gordura e carboidratos e o sedentarismo. Fisiopatologia A presença de resistência à insulina é a base do desenvolvimento de toda a doença! Por isso, ela é relacionada à síndrome metabólica: diabetes, hipertensão arterial, hiperlipidemia e obesidade central costumam estar presentes – mas já se sabe que não são obrigatórios, podendo ocorrer em indivíduos magros. Há acúmulo de gordura no fígado, que leva a inflamação, fibrose... e o resto você já sabe! A história natural da doença é bem semelhante à doença hepática alcoólica. De início, há só acúmulo de gordura no fígado, assintomática, a esteatose hepática não alcoólica. Com a evolução, se não houver redução dos fatores agressores, começa a aumentar a inflamação, 16 marcada pelo aumento das transaminases. Por fim, o paciente evolui com cirrose hepática e suas complicações. Quadro clínico O quadro clínico é semelhante (até indistinguível) ao da doença hepática alcoólica. O paciente se apresenta com estigmas de cirrose e evolui com as complicações, seguindo a história natural da doença. Exames complementares • Aumento de transaminases até 5 vezes o limite superior da normalidade (LSN). Lembrando que as transaminases podem estar normais também. • Relação AST∕ALT 1,5 vezes o LSN • Ultrassonografia: aumento da ecogenicidade hepática • NAFLD escore: escore baseado em parâmetros laboratoriais e clínicos para estimar o grau de fibrose • Elastografia hepática: ultrassonografia especial, que consegue também estimar o grau de fibrose hepática de forma não invasiva • Biópsia hepática: reservada para casos em que há dúvida diagnóstica Agora lembrem-se de uma coisa: o diagnóstico de DHGNA na maioria das vezes não é realizado por biópsia e, portanto, costuma ser um diagnóstico de EXCLUSÃO. Apesar da DHGNA ser a causa mais comum de esteatose na população, outras doenças hepáticas podem se apresentar com esteatose (hepatopatia alcoólica, doença de Wilson, esteatose hepática aguda da gravidez, doença hepática por medicamentos - metotrexate, dentre outras). Logo, diante de um paciente com esteatose, é prudente afastarmos o uso nocivo de etanol e outras drogas potencialmente esteatogênicas, hepatites virais e outras doenças que possam causar o quadro. Caso a gente exclua todas e o paciente apresente fatores de risco para DHGNA (diabetes, obesidade, HAS, tabagismo etc.), podemos dar o diagnóstico presuntivo de DHGNA! Tratamento MUDANÇA DE ESTILO DE VIDA! Atividade física e dieta estão indicadas para todos os pacientes. A perda de peso é o principal tratamento, com maior nível de evidência e que tem maior benefício. Perder 5 a 10% do peso corporal já tem impacto na história natural da DHGNA. É importante o controle de comorbidades, como HAS e DM com tratamento específico. A pioglitazona e vitamina E têm aparente benefício e podem ser usadas, especialmente se paciente diabético. 17 HEMOCROMATOSE HEREDITÁRIA (HH) Pessoal, a hemocromatose é uma das doenças de transmissão hereditária mais comuns. Em algumas regiões (especialmente Europa), aparece como a doença autossômica dominante mais frequente. Fisiopatologia É uma doença genética cuja transmissão é autossômica dominante e caracterizada por mutações no gene da hepcidina (proteína envolvida na absorção do ferro no intestino), sendo as mais comuns C282Y, H63D e S65C. A manifestação envolve fatores ambientais, sendo mais comum em homens. As mulheres apresentam maior dificuldade em acumular o ferro, devido à perda menstrual. O acúmulo de ferro nos tecidos é que leva à doença em si, causando fibrose e dano irreversível. Quadro clínico A hemocromatose pode afetar diversos órgãos e sistemas. É conhecida como a doença dos 6Hs: • Hepatopatia crônica • Heart – cardiomiopatia • Hipogonadismo • Hiperglicemia - Diabetes • “H”artrite (essa é ruim, mas aceita que ajuda a gravar) • Hiperpigmentaçãocutânea A doença também é apelidada de “diabetes bronzeado”, por causa da manifestação de hiperglicemia e hiperpigmentação cutânea. Gostou? 18 Diagnóstico A avaliação do perfil de ferro é essencial para o diagnóstico. Vejam como fica: PERFIL DE FERRO NA HEMOCROMATOSE PERFIL DE FERRO Saturação de transferrina > 45% • Teste de escolha para rastreamento Ferritina > 1000 ng/ml • Baixa especificidade • Alto valor preditivo negativo: 40 anos, chegando a uma relação 9:1. É mais comum em descendentes de europeus. Quadro clínico O quadro clássico, inclusive da prova, é a paciente com fadiga, prurido e elevação de 21 fosfatase alcalina. Claro, casos mais graves e avançados vão evoluir para cirrose e suas complicações. Exames complementares • Autoanticorpo: antimitocôndria • Biópsia hepática: reservada para casos de dúvida diagnóstica Tratamento É usado o ácido ursodesoxicólico – o ursacol. A resposta ao tratamento costuma ser boa na maioria dos casos. Pacientes refratários são candidatos a transplante hepático. COLANGITE ESCLEROSANTE PRIMÁRIA (CEP) Doença autoimune que tem maior prevalência em homens. Além disso, tem íntima relação com doença inflamatória intestinal (DII), especialmente a retocolite ulcerativa. Até 85% dos casos de CEP ocorrem em indivíduos com DII. Quadro clínico Os sintomas são de uma síndrome colestática, com fadiga, prurido, icterícia e hepatoesplenomegalias. Todo paciente com DII que apresenta fosfatase alcalina aumentada em exame de rotina deve ser investigado para CEP. A doença é grave e evolui com cirrose hepática na maioria dos casos. Além disso, está associada a maior risco de câncer colorretal e colangiocarcinoma. Diagnóstico Esse tem uma imagem clássica que as bancas adoram! O diagnóstico da CEP é feito por exame de imagem das vias biliares – preferencialmente a colangiorressonância magnética. Você vai ver as vias biliares alternando áreas de estenose e de dilatação, as famosas “contas de rosário”. Tratamento Infelizmente, responde mal ao ursacol. O melhor tratamento é o transplante hepático, com sobrevida média de 10 anos em pacientes que não são transplantados. CIRROSE CRIPTOGÊNICA Pessoal, até 10 a 15% dos casos de cirrose não têm causa bem definida! É quando chamamos 22 de cirrose criptogênica. É importante avaliar a fundo todos os fatores de risco, exposição ao álcool e síndrome metabólica. Complicações da cirrose hepática ASCITE A ascite é uma das complicações mais comuns da cirrose (até 50% dos cirróticos vão desenvolvê-la) e é definida como o acúmulo de líquido intra-abdominal. Diagnóstico • Exame físico: aumento do volume abdominal e macicez à percussão. Algumas manobras e achados do exame físico podem ajudar: • Macicez móvel: com o paciente em decúbito dorsal, vamos percutir o abdome da cicatriz umbilical em direção ao flanco. Você vai observar o ponto em que se inicia a macicez e marcá-lo – é onde está o líquido ascítico. A seguir, vamos virar o paciente para decúbito lateral e percutir novamente. Você vai notar que o ponto em que se inicia a macicez ficou mais medial, pois o líquido se moveu na cavidade abdominal com a mudança de decúbito. • Semicírculo de Skoda: no paciente em decúbito dorsal, o líquido ascítico se concentra nas regiões laterais e inferiores do abdome. Na percussão, você vai notar abdome maciço nessas regiões e timpânico no centro, ao redor da cicatriz umbilical. Figura 7. Manobras semiológicas para avaliação de ascite. Fonte: Semiologia Clínica - HCFMUSP, 1 edição, 2021. A C D B 23 • Ultrassonografia de abdome: pode ajudar na detecção de ascite de pequeno volume, não detectável ao exame físico • Paracentese: a maioria das ascites no pronto socorro deve ser puncionada! Seja porque o paciente ainda não tem o diagnóstico da causa da ascite, seja porque ele está em vigência de descompensação da cirrose e pode ter infecção Para o diagnóstico da causa da ascite, calculamos o Gradiente Albumina Soro Ascite, o GASA. GASA = albumina sérica – albumina líquido ascítico Este exame vai ser importante para o diagnóstico diferencial das causas de ascite. Dessa forma: INTERPRETAÇÃO DO GASA GASA ≥ 1,1 = hipertensão portal Proteína do líquido ascítico ≥ 2,5 = ascite cardiogênica Proteína do líquido ascíticode diuréticos: • Diuréticos de alça: furosemida (40 – 160 mg por dia) • Poupadores de potássio: espironolactona (100 – 400 mg por dia) • Objetivo: perda de 0,5 kg de peso por dia ou 1 kg por dia se edema de membros inferiores associado • Prescrição inicial: espironolactona 100 mg + furosemida 40 mg • Doses máximas: espironolactona 400 mg+ furosemida 160 mg 24 A paracentese de alívio está indicada para pacientes com ascite muito volumosa, causando desconforto respiratório, que são intolerantes à terapia com diuréticos (pode ocorrer piora da função renal) ou refratários a ela. Caso seja retirado > 5L de líquido ascítico, devemos repor 6 a 8g de albumina para cada líquido retirado, para evitar uma piora de função renal. Exemplo: se retirei 10L de líquido ascítico, vou repor 60 a 80g de albumina. PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA (PBE) A PBE é a principal causa de infecção do líquido ascítico em cirróticos, causada pela translocação bacteriana do conteúdo intestinal para o líquido ascítico, clinicamente suspeitada nos pacientes com ascite evoluindo com dor abdominal, por vezes cursando também com febre e encefalopatia hepática secundária ao insulto agudo. Dentre os fatores de risco, destaque para: sangramentos intestinais, cirrose CHILD C, proteína do líquido ascítico 1,0 • Glicose limite superior da normalidade do LDH sérico • Cultura polimicrobiana Em relação ao tratamento, utilizaremos cefalosporinas de 3ª geração, como a ceftriaxona (2 g EV 1x/dia por 5 - 10 dias) ou cefotaxima (2 g 8/8h por 5 - 10 dias). 26 Além disso, atenção! O risco dos cirróticos com PBE desenvolverem síndrome hepatorrenal (SHR) é de cerca de 40%, sendo a principal causa de morte nesse grupo. Veja um resumo dos diagnósticos diferenciais e conduta na ascite. PARACENTESE DIAGNÓSTICA PBE TRATAR > 250 POLIMORFONUCLEARES (NEUTRÓFILOS); CRESCIMENTO MONOBACTERIANO Exame de imagem do abdome + Antibioticoterapia ampliando para anaeróbios 2 DOS SEGUINTES 1) PROTEÍNA TOTAL > 1 g/dl 2) GLICOSE QUE O LDH SÉRICO Pode ser apenas contaminação, então devemos repuncionar e tratar se confirmado na segunda punção Geralmente, a cultura demora mais a ser liberada. CONDUTA Pelo risco de PBE, iniciamos o tratamento ate a cultura ser liberada 250 POLIMORFONUCLEARES CULTURA NEGATIVA ASCITE NEUTROFÍLICA PERITONITE SECUNDÁRIA BACTERASCITE CONDUTA CONDUTA CONDUTA CONDUTA Figura 8: Fluxograma para o diagnóstico e tratamento das infecções do líquido ascítico. Fonte: acervo Medway. HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA VARICOSA (HDA) Galera, as hemorragias digestivas altas (HDA) são uma das complicações com maior mortalidade para os portadores de cirrose tanto pelo sangramento agudo ameaçador à vida quanto pela translocação bacteriana gerada, propiciando PBE, e a hipovolemia levando à injúria renal que pode ser tanto aguda como levar a condições mais graves, como veremos adiante. A mortalidade dos pacientes com tal sangramento gira em torno de 20 a 30% nas 4 a 6 semanas seguintes! 27 A maioria dos sangramentos no hepatopata são de origem varicosa, principalmente varizes esofágicas. Aqui dividiremos nossa abordagem em 2 momentos: o atendimento agudo e as profilaxias, vamos lá! Primeiro, devemos lembrar que a HDA pode ter etiologia não varicosa (sendo a mais comum devido à doença ulcerosa péptica) e varicosa (responsável por pouco menos de 50% dos casos em cirróticos). O quadro clínico é descrito como enterorragia, melena e/ou hematêmese, podendo estar presentes sinais de choque hipovolêmico em sangramentos volumosos por múltiplas varizes ou varizes de grande calibre. Ao exame físico, devemos estar atentos aos sinais de hepatopatia crônica e conduzir nosso paciente de acordo com a estabilidade clínica naquele momento. Nossa prioridade é manter a estabilidade clínica do nosso paciente, realizando a monitorização hemodinâmica, oxigenoterapia se necessário e acessos venosos periféricos calibrosos. Além disso, avaliamos a necessidade de reanimação com solução cristalóide, hemotransfusão com alvo de hemoglobina > 7 g/dL e transfusão de fatores coagulação. Além disso, uma outra prioridade é realizar a endoscopia em até 12 horas do início do sangramento. Aliado a isso, como tentativa de controle do sangramento agudo, podemos fazer vasoconstrictores esplâncnicos como a terlipressina, devendo ser mantida por até 5 dias e temos como opção também o octreotide e a somatostatina. 28 MANEJO DA HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA Estabilização ABC (via aérea, respiração) Estabilização hemodinâmica • Solução cristaloide • Droga vasoativa • Hemoconcentrados Dieta zero Inibidor de bomba de prótons • Omeprazol 40 mg IV 12h/12h (ou 8h/8h) Transfusão de concentrado de hemácias • Se Hb 1,5 Transfusão de plaquetas • Se plaquetasapresentaram HDA Ligadura endoscópica + betabloqueadores não seletivos Se contraindicação de ligadura endoscópica Betabloqueador + nitrato Nova HDA varicosa apesar de medicações + ligadura endoscópica TIPS (derivação portossistêmica transjugular intra-hepática) Tabela 9. Profilaxia secundária HDA varicosa. Fonte: Acervo Medway. ENCEFALOPATIA HEPÁTICA (EH) É a síndrome neuropsiquiátrica associada ao acúmulo de substâncias tóxicas, principalmente a amônia, no cérebro, em razão da insuficiência hepática e da presença de circulação colateral. Em geral, tem algum fator precipitante e é sempre importante buscá-lo na vigência de descompensação. Os mais comuns são: • Constipação intestinal • Infecções: por ordem de prevalência no cirrótico: PBE -> pneumonia -> ITU • Má adesão à dieta • Distúrbios hidroeletrolíticos: hipocalemia e alcalose metabólica • Desidratação • Uso de benzodiazepínicos, sedativos ou opioides Quadro clínico: Ocorrem alterações da consciência. O quadro vai desde alterações subclínicas, percebidas apenas em testes cognitivos, distúrbios da atenção e inversão do ciclo sono-vigília ao coma hepático. Ao exame físico, aparece o flapping ou asterix, um tremor de extremidades anteroposterior. Para caracterizar melhor, é usada a classificação de West-Haven para encefalopatia hepática: 31 CRITÉRIOS DE WEST-HAVEN PARA ENCEFALOPATIA HEPÁTICA GRAU DE ENCEFALOPATIA MANIFESTAÇÃO CLÍNICA Mínima Nível de consciência e comportamento normal. Testes psicométricos prejudicados Grau I Perda de atenção, inversão do ciclo sono vigília Grau II Letargia, desorientação, comportamento inadequado e flap- ping Grau III Sonolência intensa, agitação, hiperreflexia e rigidez muscular Grau IV Coma, pode haver postura de descerebração Tabela 10. Classificação de West-Haven. Fonte: Acervo Medway. Tratamento: O primeiro passo, como mencionado lá em cima, é identificar o fator precipitante. O segundo passo é o paciente evacuar! A droga de escolha é a lactulose, feita via oral, 40 a 60 ml por dia, visando 3 evacuações pastosas por dia. Casos refratários são tratados com neomicina, metronidazol ou rifaximina. Esse último é um antibiótico de ação exclusiva intestinal não disponível ainda no Brasil, mas que já é de escolha em alguns países, com bons resultados. SÍNDROME HEPATORRENAL (SHR) É a disfunção renal associada à cirrose avançada e hipertensão portal grave. Pode ser aguda e de rápida instalação (antes chamada de SHR tipo 1) ou de instalação lenta e progressiva (a SHR tipo 2). Geralmente, tem prognóstico ruim. São usados critérios diagnósticos para a definição de SHR. É um diagnóstico de exclusão e todos os abaixo devem estar presentes: • Presença de cirrose com hipertensão portal e ascite • Aumento de creatinina ≥ 0,3 mg∕dL em 48h ou aumento em ao menos 50% do valor basal em 7 dias • Ausência de drogas nefrotóxicas • Ausência de choque 32 • Ultrassonografia sem sinais de nefropatia parenquimatosa ou obstrução de vias urinárias • Urina 1 com 2 cm na TC ou RM já têm o diagnóstico. Nódulos entre 1 e 2 cm e com AFP > 400 ng∕mL também já têm diagnóstico fechado, não necessitando de biópsia. Figura 9. CHC avançado com aspecto em mosaico em TC dinâmica. A: fase arterial conferindo aspecto em mosaico. B: fase tardia demonstrando cápsula. Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Figura-3-CHC-avancado-com- aspeto-em-mosaico-em-TC-dinamica-A-fase-arterial-conferindo_fig2_322557528 Tratamento: O manejo do hepatocarcinoma depende do tamanho e número de nódulos, classificação de Child e status funcional do paciente. • Até 1 nódulo 3 nódulos, assintomático e Child A ou B = terapias locais de quimioembolização. • Paciente sintomático, metástase extra-hepática e com invasão tumoral vascular, Child A ou B = sorafenibe (antineoplásico inibidor de quinases). A B 34 • Paciente com baixo performance status e Child C = cuidados paliativos. Rastreamento: Todo paciente cirrótico ou portador de vírus da hepatite B (mesmo que não cirrótico) é rastreado para CHC a cada 6 meses com ultrassonografia E AFP. Referências bibliográficas 1. Piettrangelo A. Review Article: Hereditary Hemochromatosis: a New Look at an Old Disease. N Engl J Med. Jun 2004. 2. Radford-Smith DE, Powell EE, Powell LW. Haemochromatosis: a clinical update for the practising physician. Internal Medicine Journal. Nov 2017. 3. Griffiths WJH, et al. Diagnosis and therapy of genetic haemochromatosis (review and 2017 update). British Journal of Haematology. April 2018. 4. Farias AQ, Bittencourt PL, Martinelli ALC. Hemocromatose Hereditária: muito além do HFE. Sociedade Brasileira de Hepatologia – Programa de Educação Continuada. 5. Hoofnagle JH, Bjornsson ES. Drug Induced Liver Injury: Types and Phenotypes. N Engl J Med. 2019 6. Giordano C, Rivas J, Zervos X. Na Update on Treatment of Drug-Induced Liver Injury. J Clin Transl Hepatol. 2014 7. Arroyo V, Moreau R, Jalan R. Acute on Chronic Liver Failure. N Engl J Med. 2020 8. Manual do residente de Clínica Médica. Manole. 2ª edição 9. Medicina de emergência: abordagem prática. Manole. 15ª edição 10. Medicina intensiva: abordagem prática. Manole. 4ª edição 11. Clínica Médica, volume 4. Manole. 2ª edição 35 CONCLUSÃO E aí, gostou deste material? Esperamos que agora você se sinta mais seguro para diagnosticar e manejar um paciente cirrótico com ou sem complicações! Esse é umtema super frequente e importante na prática clínica, bastante frequente nas unidades de emergência e de internação em nosso país. Saber a condução é essencial! Por isso, entender a fisiopatologia da cirrose hepática ajuda na compreensão de suas complicações e na terapêutica necessária para estas. A gente sabe, é muita informação. Mas lembre-se que você pode consultar este material a qualquer momento, como se fosse um guia de bolso, seja num atendimento ambulatorial ou em um pronto socorro! A verdade é que é praticamente impossível esgotar todos os assuntos da medicina e, mais ainda, guardar todos os diagnósticos e condutas dentro da sua cabeça. Por isso, criamos diversos materiais como este para que você possa ter um acesso fácil e rápido a informações confiáveis, direto ao ponto e com o essencial sobre cada tema abordado! Para conferir nossa “biblioteca digital”, é só acessar a Academia Medway e conferir nossa seção de Ebooks Esperamos que tenha gostado! Estamos juntos até o final! Equipe Medway https://www.medway.com.br/academia/ 36 SOBRE A MEDWAY A Medway existe para ser a marca de confiança do Médico. Estamos sempre com você, principalmente durante a jornada de aprovação para a residência médica. Acreditamos que um ensino de qualidade faz toda a diferença na carreira do profissional de medicina e impacta de forma positiva a assistência lá na ponta. Só nos últimos 3 anos, aprovamos 3.600 alunos na residência médica em todo o Brasil, sendo 61% deles no estado de SP. 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Nós adoramos falar com você. Se quiser ou precisar, é só nos chamar no WhatsApp! Lembre-se de seguir a Medway nas redes sociais também! ;) Grande abraço e sucesso na sua jornada! 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