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Dos crimes contra a vida
Direito Penal. (Universidade do Oeste de Santa Catarina)
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A Studocu não é patrocinada ou endossada por nenhuma faculdade ou universidade
Dos crimes contra a vida
Direito Penal. (Universidade do Oeste de Santa Catarina)
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Baixado por Fabiola Castorino Pinheiro (fabiolacaspinheiro@gmail.com)
lOMoARcPSD|41047921
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DOS CRIMES CONTRA A VIDA
Excluindo o homicídio culposo, todos os crimes contra a vida são dolosos e,
portanto, julgados pelo Tribunal do Júri.
HOMICÍDIO - ART. 121 DO CÓDIGO PENAL 
São quatro os tipos (espécies): 
 Homicídio simples;
 Homicídio privilegiado (causa de aumento de pena);
 Homicídio qualificado.
 Homicídio culposo
Homicídio Simples 
Eliminação da vida humana extra-uterina, provocado por outra pessoa.
Objeto jurídico (bem jurídico tutelado)
Vida humana. É um crime simples, pois tem apenas um bem jurídico tutelado. 
Sujeito ativo
Qualquer pessoa (crime comum). 
Sujeito passivo
Qualquer ser humano após seu nascimento e desde que esteja vivo.
Tipo objetivo: 
Art. 121. Matar alguém
Tipo subjetivo
Dolo direto: quando a pessoa quer o resultado.
Dolo eventual: não quer, mas assume o risco de produzir o resultado.
Baixado por Fabiola Castorino Pinheiro (fabiolacaspinheiro@gmail.com)
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Início da proteção penal do homicídio:
Uma interpretação sistemática do artigo 123, do Código Penal serve para identificar
o início da proteção penal do homicídio.
Assim se expressa: “Matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho,
durante o parto ou logo após: pena – detenção, de 2 (dois) a 6 (seis) anos”.
O dispositivo é curialmente salutar. Observe-se que durante o parto, por
consequência, a partir do início do parto efetivado com a dilatação do colo uterino, a
eliminação do nascente não constitui mais delito de aborto. Assim sendo, nesse período de
transição entre a vida intra-uterina e a vida extra-uterina, desencadeado com o início do
parto, antes mesmo da expulsão do feto do útero materno, admissível é a prática do delito
de infanticídio e, por identidade de razões, a do homicídio. 
Consumação
Dá-se no momento da morte (crime material). A morte ocorre quando cessa a
atividade encefálica (Lei da Doação de Órgãos). A prova da materialidade se faz por meio
do laudo de exame necroscópico assinado por dois legistas, que devem atestar a ocorrência
da morte e se possível as suas causas.
Tentativa
Por ser um crime material, é perfeitamente possível a tentativa.
HOMICÍDIO PRIVILEGIADO - ART. 121, § 1.º, DO CÓDIGO PENAL
Natureza Jurídica 
Causa de diminuição de pena (redução de 1/6 a 1/3, em todas as hipóteses).
Apesar de o parágrafo trazer a expressão “pode”, trata-se de uma obrigatoriedade,
para não ferir a soberania dos veredictos. O privilégio é votado pelos jurados e, se
reconhecido o privilégio, a redução da pena é obrigatória, pois do contrário estaria sendo
ferido o princípio da soberania dos veredictos. Trata-se, portanto, de um direito subjetivo do
réu.
As hipóteses são de natureza subjetiva porque estão ligadas aos motivos do crime:
Baixado por Fabiola Castorino Pinheiro (fabiolacaspinheiro@gmail.com)
lOMoARcPSD|41047921
 Motivo de relevante valor moral (nobre): diz respeito a sentimentos do
agente que demonstre que houve uma motivação ligada a uma compaixão ou
algum outro sentimento nobre. É o caso da eutanásia.
 Motivo de relevante valor social: diz respeito ao sentimento da coletividade.
Exemplo: matar o traidor da Pátria.
OBS: Não basta, porém, para o reconhecimento do privilégio, o valor social ou
moral do motivo, mister se faz a sua relevância. A análise da relevância do valor
social ou moral do motivo é aferida em função da sensibilidade do homo medius da
sociedade e não conforme a subjetiva valoração do agente. 
 Sob domínio de violenta emoção, logo em seguida à injusta provocação da
vítima. Requisitos:
 Existência de uma injusta provocação (não é injusta agressão, senão seria
legítima defesa). Ex.: adultério, xingamento, traição, estuprar a filha do
homicida, etc. Não é necessário que a vítima tenha tido a intenção específica
de provocar, bastando que o agente se sinta provocado.
 Que, em razão da provocação, o agente fique tomado por uma emoção
extremamente forte.
 Reação imediata (logo em seguida...): não pode ficar evidenciada uma
patente interrupção entre a provocação e a morte. Leva-se em conta o
momento em que o sujeito ficou sabendo da provocação.
Qual a diferença entre o privilégio da violenta emoção com a atenuante genérica do
art. 65, III, alínea “a”, do CP?
No privilégio, a lei exige que o sujeito esteja sob o domínio de violenta emoção,
enquanto na atenuante, basta que o sujeito esteja sob a influência da violenta emoção. O
privilégio exige reação imediata, já a atenuante não.
HOMICÍDIO QUALIFICADO - ART. 121, § 2.º, DO CÓDIGO PENAL
Pena: reclusão de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
Baixado por Fabiola Castorino Pinheiro (fabiolacaspinheiro@gmail.com)
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Classificação
Quanto aos motivos: incs. I e II.
 Quanto ao meio empregado: inc. III (aquilo que causou a morte).
 Quanto ao modo de execução: inc. IV.
 Por conexão: inc. V.
Inciso I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe.
Na paga ou promessa de recompensa, há a figura do mandante e do executor, sendo
que apenas o executor (não obstante entendimentos no sentido de que ambos respondem)
responde pela forma qualificada. Também chamado de homicídio mercenário.
A paga é prévia em relação à execução. Na promessa de recompensa, o pagamento é
posterior à execução. Mesmo se o mandante não a cumprir, existirá a qualificadora.
Motivo torpe: É o motivo vil, repugnante. Ex.: matar o pai para ficar com herança;
matar a esposa porque ela não quer manter relação sexual. O ciúme não é considerado
motivo torpe. A vingança será considerada, ou não, motivo torpe ou fútil dependendo do
que a tenha originado.
Para a doutrina, como o inciso I é uma circunstancia de caráter pessoal, só se aplica ao
executor e não ao mandante. OBS.: HC 71582 do STF – posição antiga do STF – tal
qualificadora se aplica tanto ao mandante como ao executor – deve-se tomar cuidado com
talcaso.
Contudo, como o dolo é de perigo, presume-se que o agente não tenha querido
transmitir a moléstia. Assim, no máximo, poderia responder pelo crime de lesões
corporais culposas, que, no entanto, ficaria igualmente afastada em razão de sua
sanção ser menor que a do crime de perigo. E, se houver a intenção de contagiar a
vítima, o tipo será a figura qualificada do § 1º do art. 130, cuja sanção já é
devidamente agravada, sendo que nesse caso, por haver o dolo no contágio, caso a
vítima reste lesionada levemente, a lesão corporal será absorvida pelo crime de
perigo, porquanto a pena deste (1 a 4 anos de reclusão, e multa) é maior que a
tipificada para a lesão corporal leve. Por outro lado se a vítima restar lesionada
gravemente, ou da lesão resultar a sua morte, o sujeito ativo responderá por lesão
corporal grave ou seguida de morte, sendo o crime de perigo absorvido. 
 Mas o crime de perigo de contágio venéreo poderá apresentar-se sob a forma
de concurso formal com os crimes contra os costumes (estupro, atentado violento ao
pudor, atentado ao pudor mediante fraude, corrupção etc.), quando o autor desses
crimes souber ou puder saber que está contaminado por moléstia venérea. E ainda,
na prática de qualquer dos crimes sexuais (contra os costumes), com a intenção de
transmitir a moléstia, continuará configurando concurso formal, mas, nesse caso, o
concurso será formal impróprio, somando-se as penas como no concurso material,
por se tratar de desígnios autônomos. 
Tentativa: teoricamente é possível. 
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Ação Penal: pública condicionada à representação.
Perigo de contágio de moléstia grave
Art. 131 - Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está
contaminado, ato capaz de produzir o contágio:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Bem jurídico tutelado: é a incolumidade física e a saúde da pessoa.
Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa, homem ou mulher, desde que sejam portadores de
moléstia grave e contagiosa. 
Sujeito passivo: também qualquer pessoa, desde que não esteja contaminada por igual
moléstia.
Tipo objetivo: a ação típica é praticar, isto é, realizar ato capaz de transmitir moléstia
grave. O perigo deve ser direto e iminente, isto é, concreto, demonstrado e não presumido.
Meio de exposição: a transmissão pode ocorrer por meio de qualquer ato (inclusive
libidinoso, desde que a moléstia grave não seja venérea), desde que capaz de produzir o
contágio. O ato praticado precisa ter idoneidade para a transmissão, e a moléstia, além de
grave, deve ser contagiosa.
Moléstia grave: ante a omissão do texto legal, a definição de moléstia grave compete à
medicina. 
Tipo subjetivo: estamos diante de um crime de perigo com dolo de dano, que só se
caracteriza quando o agente pratica a ação e quer transmitir a moléstia. Em outros termos, o
tipo subjetivo do crime de perigo de contágio de moléstia grave compõe-se do dolo direto –
que é o elemento subjetivo geral do tipo – e do elemento subjetivo especial – representado
pelo especial fim de agir – que é a intenção de transmitir a moléstia grave.
Consumação: com a prática do ato idôneo para transmitir a moléstia, sendo indiferente a 
ocorrência efetiva da transmissão, que poderá ou não ocorrer. Se sobreviver a morte da 
vítima, com efeito, em razão da contaminação, o agente responderá por lesão 
corporal seguida de morte (art. 129, § 3º). Se a intenção for matar a vítima, poderá 
Baixado por Fabiola Castorino Pinheiro (fabiolacaspinheiro@gmail.com)
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configurar homicídio doloso (tentado ou consumado). Se o sujeito ativo agir com 
dolo eventual, ou seja, assumir o risco de produzir o contágio da moléstia grave, não
responderá pelo crime, que exige dolo direto. Contudo, se produzir lesão corporal 
responderá por ela. Se, no entanto, agir com culpa na transmissão de moléstia grave, 
responderá por lesão corporal culposa ou homicídio culposo, de acordo com o 
resultado que produzir. Por fim, se da exposição resultar a vítima lesionada 
levemente, esta ficará absorvida pelo crime de perigo, em razão da pena da lesão 
corporal ser menor.
Tentativa: teoricamente é possível. 
Ação Penal: pública incondicionada.
Perigo Para a Saúde ou Vida de Outrem – Art. 132 do Código Penal
Bem jurídico tutelado: é a incolumidade física e a saúde da pessoa.
Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa. 
Sujeito passivo: também qualquer pessoa. Entretanto, determinadas pessoas, no 
exercício de determinadas atividades, funções ou profissões, não podem, em tese, 
apresentar-se como sujeito passivo do crime descritivo no art. 132. Com acerto, 
nesse sentido, Nélson Hungria destacava que: “deixa de haver o crime quando o 
periclitante tem o dever legal de afrontar ou suportar o perigo, como no caso dos 
bombeiros, dos policias etc. Igualmente inexistente o crime quando se trata de 
perigo inerente a certas profissões ou atividades, como a dos enfermeiros, a dos 
amansadores de animais, a dos toureiros, a dos corredores automobilísticos, a dos 
operários em fábrica de explosivos, fogos de artifício ou outros produtos químicos 
etc.”.
Tipo Objetivo 
Expor alguém a perigo significa criar ou colocar a vítima em uma situação de perigo
de dano. Trata-se de crime de ação livre, que admite qualquer forma de execução: “fechar”
veículo, abalroar o veículo da vítima, desferir golpe com instrumento contundente próximo
à vítima etc. 
Baixado por Fabiola Castorino Pinheiro (fabiolacaspinheiro@gmail.com)
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O crime em análise pode também ser cometido por omissões como, por exemplo, o
caso de patrão que não fornece aparelhos de proteção a seus funcionários, desde que disso
resulte situação concreta de perigo, já que o não cumprimento das normas de segurança,
visto por si só, caracteriza contravenção penal do art. 19 da Lei n. 8.213/91 (legislação
referente a benefícios previdenciários e acidentários). 
É necessário, ainda, que o perigo seja:
 Direto: aquele que atinge pessoa(s) certa(s) e determinada(s). Trata-se, pois, de
crime de perigo concreto, uma vez que exige prova de que o agente objetivava
efetuar a conduta contra uma ou mais pessoas determinadas. Se o agente visa
número indeterminado de pessoas, haverá crime de perigo comum previsto nos
arts. 250 e ss. do Código Penal.
 Iminente: aquele que pode provocar imediatamente o dano; é o perigo imediato. 
Elemento Subjetivo
É o dolo de perigo em relação à pessoa(s) determinada(s). Não admite modalidade
culposa. Havendo dolo de dano, o agente responderá por outro crime. 
Consumação: no momento da prática do ato que resulta em perigo concreto. 
Tentativa: teoricamente possível, apesar da dificuldade em demonstrar a sua ocorrência.
Pena: Ao tratar da pena desse delito, o legislador estabeleceu uma hipótese de
subsidiariedade expressa, porque a lei diz que o agente somente responderá pelo art. 132 do
Código Penal “se o fato não constitui crime mais grave”. 
É evidente também que, qualquer que seja o modo de execução, deixa de haver o
crime de “perigo para a vida ou saúde de outrem” quando a vítima é atingida e sofre lesões
graves ou morre. Nesses casos, o agente responderá por lesões corporais ou homicídio,
doloso (dolo eventual) ou culposo, dependendo da hipótese. 
Causa de Aumento 
A Lei n. 9.777/98 acrescentou um parágrafo único ao art. 132, estabelecendo uma
Baixado por Fabiola Castorino Pinheiro (fabiolacaspinheiro@gmail.com)
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causa de aumento de pena, de um 1/6 a um 1/3,se a exposição da vida ou da saúde de
outrem decorrer do transporte da pessoa para a prestação de serviços em estabelecimento de
qualquer natureza, em desacordo com as normas legais.
É inegável que a finalidade do dispositivo é apenar mais gravemente os
responsáveis pelo transporte de trabalhadores rurais (boias-frias) que o fazem sem os
cuidados necessários para evitar acidentes com vítimas. Pelo texto da lei, somente haverá
aumento de pena se houver desrespeito às normas legais destinadas a garantir a segurança.
Essas normas estão descritas no Código de Trânsito Brasileiro. O aumento da pena
pressupõe também a ocorrência de perigo concreto. 
Concurso 
Por se tratar de crime subsidiário, entende-se aplicável o concurso formal. Assim,
ainda que com uma só conduta o agente exponha várias pessoas a uma situação de risco,
haverá crime único. 
Ação Penal 
Pública incondicionada. 
Perigo para a vida ou a saúde de outrem
Art. 132 – Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto ou iminente:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, se o fato não constitui crime
mais grave.
Parágrafo único – A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço) se a
exposição da via ou saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas
para a prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em
desacordo com as normas legais.
Bem jurídico tutelado: tutela-se a saúde e a vida das pessoas humanas. 
Sujeito passivo: Qualquer pessoa, apenas se exige que o sujeito passivo seja determinado,
pois o crime ora em estudo é pacificamente havido como de perigo individual.
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Sujeito ativo: Trata-se de crime comum. Qualquer pessoa pode praticar o delito em estudo.
Tipo objetivo: É o verbo expor, que significa colocar em perigo a vida ou a saúde de
outrem. Trata-se de crime de forma livre, podendo a exposição ser realizada mediante uma
conduta comissiva, ou omissiva, por exemplo, familiares que não autorizam a urgente
transfusão de sangue, por motivos religiosos, em favor de paciente anêmica. Se patrão se
omitir no fornecimento dos equipamentos de segurança aos seus funcionários, e, disso
advier perigo concreto aos funcionários, a omissão será enquadrada na norma aqui em
estudo.
O perigo deve ser direto, isto é, deve ocorrer em relação de pessoa determinada.
Desta forma, exige-se a prova da existência de perigo concreto contra uma ou determinadas
pessoas. Deve também o perigo ser iminente, ou seja, imediato, aquele prestes a se convolar
em dano. A possibilidade futura de ocorrência de perigo descaracteriza o delito em tela.
Tipo subjetivo: É o dolo de perigo, consistente na consciência e vontade de expor a perigo.
Pode ser direto, em que a vontade do agente se redirecione no sentido de criar a situação de
perigo, ou eventual, em que, embora não queira diretamente essa situação, assume o risco
do evento perigoso.
O delito em questão, portanto, não é informado pelo animus necandi nem pelo
laedendi, de forma que se o agente o praticar com a intenção de causar dano à pessoa (dolo
de dano), o crime será outro (tentativa de homicídio ou lesão corporal dolosa).
O fato não é punível a título de culpa.
Consumação: A consumação do crime em estudo dá-se com a produção efetiva do perigo. 
Trata-se de crime de perigo concreto, ou seja, o perigo que deve ser demonstrado caso a 
caso.
Tentativa: Teoricamente possível, mas de difícil configuração.
Causa de aumento de pena: Sabidamente, com este dispositivo, a lei tem em vista, sem 
exclusividade, mas com absoluta prioridade, o transporte de trabalhadores rurais (boias-
frias), que são transportados em caminhões e outros veículos, inclusive tratores, da cidade 
para as fazendas e vice-versa, sem os cuidados indispensáveis para a evitação de acidentes.
Importa destacar que a majorante em estudo exige que o transporte seja realizado 
“em desacordo com as normas legais”. Tais normas são as constantes no Código de Trânsito
Brasileiro e legislação complementar. Se o transporte for realizado de acordo com as 
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normas legais, não há que se falar em fato típico. 
Como o referido parágrafo fala de prestação de serviços em estabelecimentos de 
qualquer natureza, o transporte de pessoas pode ser destinado também a estabelecimentos 
comerciais, industriais ou similares, públicos ou privados. Todavia, se o transporte irregular
pé feito com outra destinação, com objetivos políticos, esportivos, culturais etc. a 
circunstância qualificadora não se caracteriza por faltar-lhe adequação típica. E mais, que a 
simples desobediência às normas sujeitas a sanções administrativas, como as constantes da 
legislação de trânsito, não são suficientes para a caracterização do perigo a que se refere a 
lei penal, exigindo esta um efetivo perigo, isto é, um perigo concreto para a vida ou saúde 
de outrem. 
Concurso de crime: Impossível o concurso de crimes, por força da subsidiariedade do 
delito em exame (se o fato não constituir crime mais grave). Assim, se a vítima vem a 
morrer em razão da conduta descrita no art. 132, haverá homicídio culposo. O art. 132 
constitui, portanto, verdadeiro soldado de reserva, só aplicável quando não ocorrer evento 
mais grave.
Ação penal: A ação penal é pública incondicionada. 
Abandono de incapaz
Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou 
autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos 
resultantes do abandono:
Pena - detenção, de seis meses a três anos.
§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Aumento de pena
§ 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:
I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
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II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador 
da vítima.
III - se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos 
Bem jurídico tutelado: Protege-se a vida e saúde da pessoa, cuidando-se especificamente 
pela segurança daquela que mais dificuldade tem em defender-se.
Sujeito ativo: Trata-se de crime próprio, em que se exige uma relação de dependência entre
os sujeitos ativo e passivo. O dever de assistência pode decorrer de lei, de um contrato, ou 
de um fato (lícito ou mesmo ilícito). Cuidado é a assistência eventual. Ex: o enfermeiro que
cuida de pessoa portadora de doença grave. Guarda é a assistência duradoura. Ex: menores 
sob a guarda dos pais. Vigilância é assistência acauteladora. Ex: guia alpino em relação ao 
turista. Autoridade é o poder de uma pessoa sobre a outra, podendo ser de direto público ou
de direito privado. Se inexiste o dever de assistência, ou seja, se a vítima não se encontrava 
sob o cuidado, guarda, vigilância ou autoridade do agente, não há que se falar no crime de 
abandono de incapaz, podendo o agente responder por outro delito, como, por exemplo, 
omissão de socorro (CP, art. 135). 
Sujeito passivo: Qualquer pessoa que se encontre sob o cuidado, guarda, vigilância ou 
autoridade do sujeito ativo e por qualquer motivo seja incapaz de defender-se dos riscos 
advindos do abandono. 
Tipo objetivo: Abandonar significa deixar a vítima sem assistência, ao desamparo. O crime
pode realizar-se mediante uma conduta comissiva, por exemplo, conduzir um incapaz até 
uma floresta, abandonando-o;como também por uma conduta omissiva, por exemplo, babá 
que abandona o emprego, deixando as crianças, que estavam sob a sua assistência, à própria
sorte. Não basta para a configuração do crime o simples abandono do incapaz; o abandono 
deve criar uma situação de perigo concreto para a vítima, incumbindo ao juiz analisar em 
cada caso a efetiva situação de perigo. Portanto, inexiste o crime na hipótese em que o 
agente fique na espreita, vigiando a vítima, aguardando que terceiros a recolham. Observe-
se que no caso nem mesmo há dolo de expor o incapaz a uma situação de perigo para a sua 
vida ou saúde. Também não constitui abandono a hipótese em que o próprio assistido se 
furta aos cuidados daquele que tem o dever de prestar assistência. 
Baixado por Fabiola Castorino Pinheiro (fabiolacaspinheiro@gmail.com)
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Tipo subjetivo: É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de abandonar a vítima, 
de modo a expor a perigo a sua vida ou a saúde. 
Consumação: Consuma-se o delito com o abandono do incapaz, desde que haja perigo 
concreto para a vida ou a saúde da vítima.
Tentativa: É admissível. 
FORMAS:
Simples: é a figura descrita no caput.
Qualificada: 
a) Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave (pena – reclusão, de 1 a
5 anos);
b) Se do abandono resulta morte (pena – reclusão de 4 a 12 anos).
Ambas são formas preterdolosas. O resultado agravador não é querido pelo agente, 
nem mesmo eventualmente, mas lhe é imputado a título de culpa, se previsível. A 
falta de previsibilidade quanto ao resultado danoso exclui a qualificadora. 
Causa de aumento de pena
O § 3º prevê três circunstâncias que agravam a pena (aumento de 1/3)
a) Se abandono ocorre em lugar ermo (inciso I): é aquele que não é frequentado,
é solitário, isolado, o que representa um perigo maior para o incapaz que é 
nessas circunstâncias abandonado, ante a maior dificuldade de ser socorrido. 
Para a incidência dessa causa de aumento de pena a doutrina exige que o lugar 
seja habitualmente, e não acidentalmente, solitário.
b) Se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador 
da vítima (inciso II).
c) Se a vítima é maior de 60 anos 
Ação Penal: Trata-se de crime de ação penal pública incondicionada.
Exposição ou abandono de recém-nascido
Art. 134 - Expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra própria:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
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Pena - detenção, de um a três anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Bem jurídico tutelado: Protege-se a vida e saúde do recém nascido, cuidando-se 
especificamente pela segurança daquela que mais dificuldade tem em defender-se.
Sujeito ativo: Trata-se de crime próprio. O sujeito ativo é a mãe, solteira, adúltera, viúva, 
que concebeu fora do matrimônio. A doutrina admite que o pai que abandone recém-
nascido para ocultar incesto ou relação adulterina possa ser sujeito ativo do delito em tela. 
Sujeito passivo: É o recém nascido, ao contrário do art. 133, que pode ser qualquer 
incapaz. Diverge-se, entretanto, na doutrina acerca do exato limite de tempo em que o 
sujeito passivo se considera recém nascido:
a) Recém nascido é aquele considerado até a queda do cordão umbilical (Damásio de 
Jesus, Mirabete);
b) É o que nasceu a poucos dias (Magalhães Noronha);
c) “O limite de tempo da noção de recém-nascido é o momento em que a délivrance se
torna conhecida de outrem, fora do círculo da família, pois desde então, já não há 
mais ocultar desonra” (Nélson Hungria);
d) Recém-nascido é aquele que nasceu a poucos dias, não ultrapassando um mês e 
desde que não se tenha tornado de conhecimento público (César Roberto Bitencourt 
e Heleno Fragoso).
Tipo objetivo: São ações nucleares os verbos expor ou abandonar. Ambos significam 
deixar o recém-nascido sem assistência, ao desamparo. O primeiro verbo exprime uma 
conduta ativa, o recém nascido é removido do local onde lhe é prestada a assistência para 
outro diverso, em que esta inexiste; ao passo que o segundo exprime uma conduta 
omissiva: o sujeito ativo, sem remover a vítima para outro local, deixa de prestar-lhe a 
devida assistência.
A exposição ou abandono deve criar uma situação de perigo concreto, a qual deve 
ser comprovada.
Tipo subjetivo: É o dolo direto de perigo, consistente na vontade e consciência de expor ou
abandonar o recém nascido, acrescido do fim especial do agente, de “ocultar desonra 
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própria”. Não se admite o dolo eventual por ser incompatível com o especial fim de agir 
exigido pelo tipo penal. Se o motivo do abando for outro que não ocultar desonra própria, 
ocorrerá abandono de incapaz. 
Consumação: Consuma-se o delito com o abandono do recém-nascido, desde que haja 
perigo concreto para a vida ou a saúde da vítima.
Tentativa: É admissível. 
FORMAS:
Simples: é a figura descrita no caput.
Qualificada: 
a) Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave (pena – detenção, de 1 a 3 
anos);
b) Se resulta morte (pena – detenção de 2 a 6 anos).
Ambas são formas preterdolosas. O resultado agravador não é querido pelo 
agente, nem mesmo eventualmente, mas lhe é imputado a título de culpa, se 
previsível. A falta de previsibilidade quanto ao resultado danoso exclui a 
qualificadora. 
 Omissão de socorro; 
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco 
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao
desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro
da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão 
corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
Bem jurídico tutelado: A tutela recai na preservação da vida e da saúde da pessoa e o
fundamento da punição nós encontramos no desrespeito a esse dever de solidariedade
humana convertido em dever jurídico de extremado valor.
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Sujeito ativo: O sujeito ativo deste crime pode ser qualquer pessoa, independentemente de
vinculação especial com o sujeito passivo.
Sujeito passivo: Sujeitos passivos são os expressamente elencados no tipo: a) Criança
abandonada: é aquela que foi objeto de abandono por quem devia exercer vigilância. b)
Criança extraviada: é a criança perdida, que não sabe retornar a sua residência. c) Pessoa
inválida: é aquela que por alguma circunstância não tem condições de se defender sozinha,
necessitando de amparo, podendo decorrer de velhice, doença etc. d) Pessoa ferida: é a que
teve lesões em sua integridade corporal. e) Pessoa em grave e iminente perigo: é qualquer
pessoa que esteja nessa situação, não necessitando ser inválida ou ferida. O perigo deve ser
grave, ou seja, de grande vulto; deve também ser iminente, prestes a desencadear o evento
danoso. 
Tipo objetivo: O crime omissivo não se caracteriza pelo simples não fazer ou fazer coisa
diversa, mas pelo não fazer o que a norma jurídica determina. A omissão de socorro,
segundo a dicção do texto legal, pode ser praticada de duas formas, direta ou imediata e
indireta ou mediata, ou seja, o art. 135 contém duas figuras típicas:
a) Deixar de prestar assistência: Que se depara com a vítima, nas circunstâncias
descritas no tipo penal, não podedeixar de prestar-lhe imediata assistência;
somente se não puder prestá-la sem risco pessoal deve pedir socorro à
autoridade. Se a prestação de socorro expuser a risco terceira pessoa, a omissão
não excluirá a tipicidade, mas, certamente, não constituirá fato ilícito, pois
caracterizará estado de necessidade de terceiro.
b) Não pedir socorro à autoridade pública: O pedido deve ser imediato e
necessário, pois eventual atraso significará o descumprimento do dever de
“pedir socorro”. O pedido pode ser executado de qualquer forma, desde que
idônea para o fim a que se destina e que chegue o mais rápido possível à
autoridade competente.
A alternativa de prestar pessoalmente o socorro ou “pedir” à autoridade
pública que o faça não depende, exclusivamente, do livre-arbítrio do sujeito
ativo, caso contrário facilmente se poderia frustrar a proteção legal. Se, por
exemplo, a situação concreta exige a assistência imediata, o aviso à autoridade
será inócuo e a abstenção da assistência pessoal constitui crime. Na verdade, a
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solicitação de socorro à autoridade pública somente exclui o crime quando a
assistência dessa autoridade possa, tempestivamente, afastar o perigo.
Quando, no entanto, o perigo puder ser afastado tanto pela ação direta do
agente quanto pela ação da autoridade, aquele, o agente, tem a faculdade de
eleger a alternativa que lhe pareça melhor. 
Autoridade pública referida no texto legal é aquela que tem atribuição para
intervir no caso, como, por exemplo, policial, bombeiro, comissário de menores,
Ministério Público etc. 
Tipo subjetivo: O elemento subjetivo desse crime é o dolo (de perigo),
representado pela vontade de omitir com a consciência da concreta situação de
perigo em que a vítima se encontra.
Consumação: Consuma-se a omissão de socorro no lugar e no momento em que a
atividade devida tinha de ser realizada, isto é, onde e quando o sujeito ativo deveria
agir e não o fez.
Tentativa: A omissão de socorro, crime omissivo próprio ou puro, não admite a
tentativa.
Causa de aumento de pena: Está descrita no parágrafo único: “a pena é aumentada
de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se
resulta morte”. Trata-se de crime preterdoloso. A omissão de socorro deve ser
atribuída ao agente a título de dolo e o resultado agravador, a título de culpa. 
Nexo de causalidade: Indaga-se: se a morte do periclitante for inevitável,
responderá o agente pela omissão do comportamento devido, apesar de este não ter
a capacidade de evitar o resultado danoso? Não, na medida em que a atuação do
omitente não evitaria a produção do evento letal. Exige-se para a incidência dessa
majorante que se prove no caso concreto que a conduta omitida seria capaz de
impedir o resultado mais gravoso. Segundo Damásio de Jesus, “se, em consequência
da omissão de socorro, a vítima sofre lesão corporal de natureza leve, o sujeito não
responde por dois delitos. Neste caso, a lesão fica absorvida”. 
Condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial (Incluído pela
Lei nº 12.653, de 2012).
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12653.htm#art1
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Art. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o
preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento
médico-hospitalar emergencial: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. 
Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento resulta
lesão corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte. 
Ação penal: É pública incondicionada.
Maus-tratos
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade,
guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia,
quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a
a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou
disciplina:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
§ 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa 
menor de 14 (catorze) anos. 
Bem jurídico tutelado
 Os bens jurídicos protegidos, a exemplo do art. 132, são a vida e a saúde da pessoa
humana, ou seja, a integridade fisiopsíquica do ser humano, especialmente daqueles
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submetidos à autoridade, guarda ou vigilância para fins de educação, ensino, tratamento ou
custodia.
Sujeito ativo e passivo:
 Sujeito ativo é somente quem se encontre na condição especial de exercer a
autoridade, guarda ou vigilância, para fins de educação (atividade destinada a aperfeiçoar a
capacidade individual), ensino ministrar conhecimentos visando a formação básica atual),
tratamento (cura e subsistência) ou custódia (detenção de uma pessoa para fim autorizado
em lei). Trata-se, por conseguinte, de crime próprio, que não pode ser praticado por quem
não reúna essa circunstância especial.
 Não é qualquer pessoa, igualmente, que pode ser sujeito passivo do crime de maus-
tratos, mas somente pessoa que se encontre subordinada para fins de educação, ensino,
tratamento ou custódia. Qualquer outra subordinação ou submissão, para qualquer outra
finalidade, além dessas relacionadas no tipo, não configurara o crime de maus-tratos.
Tipo objetivo: 
 
 Várias condutas são tipificadas: a) privar de alimentação; b) privar de cuidados
indispensáveis; c) sujeitar a trabalho excessivo ou inadequado; d) abusar de meios
corretivos ou disciplinares. Nas três primeiras modalidades o crime é permanente; na última
é instantâneo. Vejamos cada uma delas.
a) privar de alimentação – para caracterizar os maus-tratos é suficiente a privação relativa
de alimentos, pois a privação total pode constituir meio de execução do crime de homicídio
(tentado ou consumado). Logicamente que o crime pode ser perpetrado por meio de
supressão absoluta da alimentação, desde que seja por um período razoável e depois volte a
ser ministrada normalmente ou mesmo em quantidade reduzida; b) privar de cuidados
indispensáveis - significa privar dos cuidados mínimos necessários à preservação da vida
ou saúde da pessoa de que se trata. Esses cuidados podem ser materiais, afetivos ou morais,
dependendo da idade, estado de saúde, condições de tempo e local, entre outros.
Importante, concretamente, os riscos que a ausência de tais cuidados pode acarretar, como,
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por exemplo, privar o menor de higiene, atendimento médico, agasalho no inverno etc.; c)
sujeitar a trabalho excessivo ou inadequado – será excessivo o trabalho que ultrapassar o
limite das forças ou das capacidades da vitima ou que lhe causar cansaço além do
suportável. Será inadequado o trabalho que não for compatível com as condições físico-
orgânicas da vitima ou com suas aptidões pessoais e profissionais, de acordo com idade,
sexo, compleição física etc. O referencial para o exame da naturezaexcessiva e imprópria
do trabalho, segundo afirma, com propriedade, Flávio Augusto Monteiro de Barros, é a
própria vitima, levando-se em consideração condicionamento físico, mental, força
muscular, idade e sexo. Enfim, análise casuística será fundamental; d) abusar de meios
corretivos ou disciplinares – significa aplicar “castigos” excessivos que coloquem em risco
a vida ou a saúde da vitima.
 Não se veda o direito de corrigir, como pode parecer, mas tão-somente se proíbe o
seu exercício abusivo. A ação inicialmente é licita; o seu exercício abusivo é que vincula o
sujeito passivo ao sujeito ativo pode decorrer do direito público, privado ou mesmo
administrativo. A inexistência dessa relação vinculativa ou da finalidade prescrita no tipo
exclui esse crime.
Tipo subjetivo: 
 
O elemento subjetivo desse tipo penal, como crime de perigo, limita-se a
consciência e vontade de expor a vítima a grave e iminente perigo, estando absolutamente
excluído o dolo de dano, ou seja, eventual animus necandi ou animus laedendi caracterizará
outro tipo penal e não este.
Consumação e tentativa
 
Consuma-se o crime de perigo para a vida ou a saúde de outrem com a exposição da
vitima a perigo efetivo. Logo, é suficiente a probabilidade de dano, sendo absolutamente
desnecessária a ocorrência de qualquer resultado material. No entanto, trata-se de crime de
perigo concreto, cuja ocorrência deve ser comprovada, sendo inadmissível mera presunção.
A conduta descrita no art. 136 do CP pretende punir quem coloca em risco a vida ou a
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saúde de alguém subordinado nas condições ali especificadas para uma daquelas
finalidades. Simples empurrão ou mero tapa, por mais antipedagógico que seja, à primeira
vista, não configura o crime.
 Embora a dificuldade para demonstrar a sua ocorrência, é possível, teoricamente, a
tentativa, desde que o eventus periculli não ocorra por circunstancias estranhas à vontade
do agente. Quando o fato for suscetível de fracionamento, isto é, quando apresentar um iter
criminis, será perfeitamente possível a tentativa. Contudo, ela será impossível nas
modalidades de privação de alimentos ou privação de cuidados indispensáveis, que, a nosso
juízo, exigem habitualidade; no entanto, naquelas modalidades em que o ato isolado é
suficiente para consumar-se, a sua repetição caracteriza crime continuado.
 
 Formas Qualificadas 
 
 São previstas duas formas qualificadas: quando da exposição resulta a) lesão
corporal de natureza grave, ou b) resulta morte. Como crime qualificado pelo resultado, o
evento mais grave deve ser previsível (art. 19).
 Sobrevindo lesão corporal leve, o agente não responderá pela modalidade culposa,
cuja sanção penal é inferior (somente detenção), desde que tenha sido demonstrada a
existência do dolo de perigo.
 
FIGURA MAJORADA
 
 O estatuto da criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/90) acrescentou o 3º, prevendo
a elevação de um terço da pena em razão da menoridade da vitima. É necessário que o
sujeito ativo saiba que a vitima é menor de quatorze anos. Como o texto legal fala em
“menor de quatorze anos”, se o fato ocorrer na data em que este completa essa idade, a
majorante não será aplicável.
DA RIXA
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Art. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os contendores:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo
fato da participação na rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.
Bem jurídico tutelado
 Assim, embora descrição típica não se refira expressamente a vida ou a saúde do
agente, sua preocupação com esses bens jurídicos está exatamente na punição da simples
participação na rixa, pois o legislador reconhece que esta possibilita, em tese, a produção de
maiores danos à integridade fisíopsiquica do individuo. E a própria posição geográfica
desse tipo penal, a exemplo dos antecessores, admite a afirmação de que a objetividade
jurídica é efetivamente a incolumidade da pessoa humana. Na verdade, embora a rixa seja
um crime de perigo para a integridade físico-psíquica, a grande preocupação está no dano
que dela pode resultar.
 
Sujeitos ativo e passivo
Os participantes da rixa são ao mesmo tempo sujeitos ativos e passivos, uns em
relação aos outros: rixa é crime plurissubjetivo, recíproco, que exige participação de, no
mínimo, três contendores, no Direito pátrio, ainda que alguns sejam menores. No entanto,
ninguém pode ser, ao mesmo tempo, sujeito ativo ou passivo do crime de sua própria
conduta. Na realidade, o rixoso é sujeito ativo da conduta que pratica em relação aos
demais e sujeito passivo das condutas praticadas pelos demais rixosos. Os rixosos agem uns
contra os outros; por isso, esse misto de sujeito ativo-passivo do mesmo crime.
Participantes da rixa
 A rixa, como crime de concurso necessário, caracteriza-se pela pluralidade de
participantes, que nunca poderá ser inferior a três. Participante, como regra, será todo
aquele que estiver presente no lugar e no momento da rixa e entrar diretamente no conflito
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ou auxiliando qualquer dos contendores. O fato de tratar-se de um crime de concurso
necessário não impede, por si só, a possibilidade de existir a participação em sentido estrito,
uma vez que o participe, em nossa definição, não intervém diretamente no fato material,
“não pratica a conduta descrita pelo preceito primário da norma penal, mas realiza uma
atividade secundaria que contribui, estimula ou favorece a execução da conduta proibida”.
 Quem intervém para separar os rixosos não infringe o tipo penal, pois lhe falta o
elemento subjetivo, qual seja, a vontade consciente de participar do conflito. No entanto, se
o “pacificador” exceder-se do intuito de apartar, transforma-se participante, deverá
responder pelo crime de rixa.
Tipo objetivo:
Rixa é a briga entre mais de duas pessoas, acompanhada de vias de fato ou violência
recíprocas. Para caracteriza-la é insuficiente a participação de dois contendores, pois aquela
se caracteriza exatamente por certa confusão na participação dos contendores, dificultando,
em princípio, a identificação da atividade de cada um. Os rixosos agem individualmente,
agredindo-se reciprocamente. 
 A conduta tipificada é participar de rixa, que se caracteriza pela existência de
agressões recíprocas generalizadas. Essa participação pode ocorrer desde o inicio do
conflito ou integrar-se durante a sua realização, desde que ocorra antes de cessada a luta.
Estando definida a posição dos contendores, não haverá rixa. È indispensável que haja
violência material, produzindo lesões corporais ou, pelo menos, vias de fato, constituída de
empurrões, socos, pontapés, puxões de cabelos etc. Embora o conflito se apresente,
geralmente, num “corpo-a-corpo”, poderá configurar-se, a distância, através de tiros,
arremesso de pedras, porretes e quaisquer outros objetos, pois não é indispensável o contato
físico entre os rixosos. A simples altercação, troca de palavras ofensivas, não a
caracterizam, ou não expressão de Hungria: “É preciso que os contendores venham às
mãos, formando-se o entrevero, ou que, embora sem o contato dos brigadores, estes se
acometam reciprocamente, por exemplo, com pedradas ou disparos de arma de fogo”.
Tratando-se de disparo de arma de fogo, convém, no entanto, ter cautela, pois poderáconstituir, em si mesmo, crime, como, por exemplo, tentativa de homicídio, perigo para a
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vida ou a saúde de outrem (art.132), e, especialmente, agora com a “Lei de Porte de Armas”
(Lei n. 10.826), que criminalizou o disparo de arma de fogo em local habilitado ou em via
pública.
 A rixa simulada não constitui crime, ainda que, eventualmente, resulte alguma lesão.
Nessa hipótese, quem produziu a lesão ou concorreu para ela devera responder a título de
culpa, não havendo qualquer outra responsabilidade.
 
Tipo subjetivo: 
 O elemento subjetivo desse crime é o dolo, representado pela vontade e consciência
de participar da rixa, isto é, consiste no conhecimento de que se trata de uma rixa e na
verdade consciente de participar dela.
Consumação e tentativa
 Consuma-se o crime de rixa com a eclosão das agressões recíprocas, isto é, quando
os contendores iniciam o conflito. Consuma-se no instante em que o participante entra na
rixa para tomar parte dela voluntariamente.
 Enfim, na rixa ex-improviso é impossível a tentativa. No entanto, na rixa ex-
propósito, naquela que a é previamente combinada, em tese, até se pode admitir a tentativa,
aliás, repita-se, de difícil configuração.
Figuradas Qualificadas
As formas qualificadas suscitam alguma divergência doutrinária, conforme veremos
a seguir:
 A ocorrência de lesão corporal de natureza grave ou morte qualificam a rixa, respondendo
por ela inclusive a vitima de lesão grave. Mesmo que a lesão ou a morte atinja estranho não
participante da rixa, alguém que passava no local, por exemplo, ainda assim se configura a
qualificadora. Quando não é identificado o autor da lesão grave ou homicídio, todos os
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participantes respondem por rixa qualificada, e o autor responderá pelo crime que cometeu
em concurso material com a rixa qualificada.
 A morte e as lesões graves devem ocorrer durante a rixa ou em consequência dela; não
podem ser nem antes nem depois. Assim, se ocorrerem antes não qualificam, simplesmente
porque não foram sua consequência, mas sua causa. É indispensável a relação de
causalidade, isto é, que a rixa seja a causa do resultado, isto é, da lesão ou da morte. A
ocorrência de mais de uma morte ou lesão grave não altera a unidade da rixa qualificada,
que continua sendo crime único, embora devam ser consideradas na dosimetria penal as
“consequências do crime”.
 O resultado agravado recairá sobre todos os que dela tomaram parte, inclusive sobre
eventuais desistentes. O participante que sofrer lesão corporal grave também incorrerá na
pena da rixa agravada em razão do ferimento que ele próprio recebeu. Não é punição pelo
mal sofrido, mas pela participação na rixa, cuja gravidade é representada exatamente pela
lesão que o atingiu. Todos respondem pelo mesmo crime, e, como este resultou agravado
pela lesão, acabam respondendo pela gravidade de sua própria lesão. A vitima do ferimento
grave foi ela, como poderia ser qualquer outra. No sentido do texto Cezar Roberto
Bitencourt. 
Para outra parte da doutrina, capitaneada por Rogério Greco e José Henrique
Pierangeli, o parágrafo único é inconstitucional, porquanto fere os princípios da
responsabilidade penal subjetiva e do ne bis in idem. Por ambos Pierangeli: “O dispositivo
ora em estudo constitui um claro exemplo de responsabilidade meramente objetiva, que o
Código de 1940 teria procurado evitar, sem o conseguir”. Em doutrina denomina-se crime
qualificado pelo resultado, pois, sem a mudança do nomem juris do crime básico, comina-
se pena autônoma e muito mais severa. O evento morte ou lesão grave que resultam da rixa
tornam esta qualificada, incorrendo em penas mais gravosas todos os co-rixosos, mesmo
aqueles que não quiseram nem concorreram diretamente para o resultado mais grave.
O problema, porém, não se encontra só nesse ponto. Indaga-se, agora, se também o
autor da morte ou da lesão grave responderá por rixa qualificada. A exposição de motivos
informa que, uma vez identificado o autor do resultado qualificador, também este responde
por rixa qualificada, em concurso material com o homicídio ou lesão grave. E assim,
também se decidiu (RT 550/354). Parece-nos não ser esta a melhor solução, pois aqui se
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apresenta, nitidamente, uma afronta ao princípio ne bis in idem, uma dupla punição por um
único fato. A solução que preconizamos é também defendida por Euclides Custódio da
Silveira e por Paulo José da Costa Junior, e encontra guarida na lição de Ottorino Vannini,
vazada nos seguintes termos: “é evidente que o co-rixoso responde pelo delito de rixa em
concurso com os delitos que haja cometido na ocasião ou em consequência dela; mas ao co-
rixoso autor e responsável pelo homicídio ou lesão corporal grave não se pode aplicar a
pena da rixa agravada, por força do princípio do ne bis in idem”. Salientamos que esta
questão continua controvertida, mas a solução preconizada pelo Código é,
induvidosamente, a menos racional e de duvidosa constitucionalidade. 
CRIMES CONTRA HONRA
Introdução
Os crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) estão previstos no Código
Penal e em leis especiais (Código Eleitoral, Código Militar, Lei de Segurança Nacional). Se
não for caso de aplicação de lei especial, aplicam-se os dispositivos do Código Penal.
No caso de ofensa com objetivo eleitoral ou de propaganda eleitoral, devem ser
aplicados os artigos 324 a 326 do Código Eleitoral (Lei n. 4.737/65).
Conceito de Honra
Honra é o conjunto de atributos morais, físicos e intelectuais que tornam uma
pessoa merecedora de apreço no convívio social e que promovem sua auto-estima.
Espécies de Honra
Honra objetiva e subjetiva
 Honra objetiva: é o conceito que o meio social tem acerca dos atributos de
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alguém. A calúnia e a difamação atingem a honra objetiva. Por isso, esses dois
crimes se consumam quando terceira pessoa toma conhecimento da ofensa.
 Honra subjetiva: é o conceito que cada um tem acerca de si mesmo (amor próprio,
auto-estima). Somente a injúria atinge a honra subjetiva. Por isso, a injúria se
consuma quando a própria vítima toma conhecimento da ofensa.·.
Honra dignidade e decoro
 Honra dignidade: é o sentimento de uma pessoa a respeito de seus atributos
morais, de honestidade e de bons costumes.
 Honra decoro: é o sentimento da pessoa acerca de seus dotes físicos e intelectuais.
Calúnia - artigo 138 do Código Penal
“Artigo 138”. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como
crime:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.”
Conceito
Atribuição a alguém da prática de um fato definido como crime, sendo falsa esta
atribuição.
A imputação deve ser falsa e pode se referir:
 À própria existência do crime imputado (atribuir a alguém fato que não ocorreu);
 À autoria (atribuir fato verdadeiro a alguém que não seja seu autor).
Observação: A imputação de fato contravencional poderá configurar o crime de
difamação. Atenção: cuidado com o porte de arma, que deixou de ser contravenção e
passou a ser tratado como crime pela Lei n. 9.437/97, revogada pela lei 10.826/03, mas que
continuou considerando crime o porte ilegal de arma.
Sujeito ativo e passivo
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a) Sujeito ativo
Em regra, qualquer pessoa. Porém, certas pessoas gozam de imunidade e, portanto,
não praticam crime contra a honra:
 Artigo 53 da Constituição Federal: imunidade material dos deputados e
senadores, que são invioláveis por suas palavras, votos e opiniões. Não vale
só dentro do Congresso Nacional, mas deve ser relacionada com as funções
parlamentares;
 Artigo 29, inciso VIII, da Constituição Federal: os vereadores também
possuem essa imunidade, desde que exista um nexo entre a ofensa e sua
função e que o fato ocorra no Município em que o vereador exerce seu
mandato;
 A imunidade dos advogados diz respeito à injúria e à difamação (artigo 133
da Constituição Federal de 1988 c/c artigo 7.º, § 2.º, da Lei n. 8.906/94 –
Estatuto da OAB).
b) Sujeito passivo
Qualquer pessoa, até mesmo o desonrado, pode ser sujeito passivo nos crimes
contra a honra, pois não se pode conceber a existência de uma pessoa integralmente
desonrada.
O § 2º do artigo 138 dispõe que é punível a calúnia contra os mortos. Apesar do
texto da lei, são vítimas o cônjuge, o ascendente, o descendente e o irmão do falecido. 
Menores e loucos (doentes mentais) podem ser vítimas de calúnia, pois podem
praticar fatos definidos como crime. 
Calúnia contra o Presidente da República, os Presidentes do Senado Federal, da
Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal, poderá, dependendo da intenção do
agente, constituir delito contra a Segurança Nacional (Lei n. 7.170/83).
Pergunta: A pessoa jurídica pode ser caluniada?
Resposta: Predominava o entendimento de que não podia ser caluniada, pois não
praticava fato definido como crime, mas com o advento da Lei n. 9.605/98, que prevê os
crimes contra o meio ambiente, passou a ser possível caluniar a pessoa jurídica, imputando-
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lhe falsamente a prática de crime ambiental.
Elemento subjetivo
É o dolo. Deve haver vontade livre e consciente de ofender (animus caluniandi).
Não há crime se estiver presente o animus jocandi, animus narrandi, etc.
A figura da calúnia, prevista no artigo 138, caput, do Código Penal, pune o primeiro
caluniador ou caluniador originário, quer tenha ele agido com dolo direto em relação à
falsidade, quer tenha agido com dolo eventual.
Por outro lado, aquele que ouve a calúnia e, sabendo que se trata de afirmação falsa,
a propala ou divulga, incide no subtipo da calúnia, previsto no § 1.º do artigo 138 do
Código Penal, que tem a mesma pena do caput. Essa figura não admite o dolo eventual, em
razão da exigência que o tipo faz de que o sujeito saiba da falsidade.
Propalar significa relatar verbalmente, e divulgar significa relatar por qualquer outro
meio.
Aquele que toma conhecimento de uma difamação e a espalha comete nova
difamação, porque não há um subtipo semelhante ao da calúnia. 
Consumação e tentativa
Consuma-se quando terceira pessoa toma conhecimento da ofensa. A tentativa é
possível no caso de carta interceptada pelo próprio ofendido.
Diferença entre calúnia e a denunciação caluniosa (artigo 339 do Código Penal)
A calúnia é um crime contra a honra que se configura quando o agente afirma a
terceiros que alguém cometeu um crime. A denunciação caluniosa é um crime contra a
administração da justiça, no qual o agente dá causa ao início de uma investigação policial
ou de um processo penal contra alguém, imputando-lhe crime ou contravenção do qual é
inocente.
Exceção da verdade
Na calúnia, a imputação deve ser falsa e, por isso, o artigo 138, § 3.º, do Código
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Penal permite que o querelado, no mesmo processo, prove que a imputação por ele feita era
verdadeira. Caso consiga fazê-lo, será absolvido por atipicidade de conduta (porque a
falsidade integra a descrição do tipo); se o crime for de ação penal pública e não estiver
prescrito, serão remetidas cópias ao Ministério Público para que tome as providências
pertinentes.
A exceção da verdade é uma questão incidental, seu procedimento está previsto no
Código de Processo Penal, artigos 519 a 523.
No crime de calúnia, em regra, cabe exceção da verdade. Mas a lei prevê casos em
que ela não é cabível. Nos três incisos do § 3.º estão as hipóteses em que não cabe exceção
da verdade: 
 Se o crime imputado for de ação privada e o ofendido não foi condenado por
sentença com trânsito em julgado;
 Se a ofensa for contra o Presidente da República ou contra chefe de governo
estrangeiro;
 Se, do crime imputado, ainda que de ação pública, já foi o ofendido
absolvido por sentença transitada em julgado – essa vedação existe ainda
que o querelado alegue possuir novas provas e que a absolvição tenha
ocorrido por insuficiência probatória.
Alguns autores entendem que essas vedações ferem o princípio constitucional da
ampla defesa. Por todos, César Roberto Bitencourt: “Questão que, a nosso juízo, exige uma
ampla revisão conceitual refere-se à (im)possibilidade de configurar-se o crime de calúnia
quando for verdadeira a imputação de fato definido como crime”. Segundo orientação
maciça da doutrina brasileira, não sendo admitida a exceção da verdade, no caso previsto
no inciso II do § 3º do art. 138 do CP, a falsidade da imputação é presumida; nesses casos,
mesmo sendo verdadeira a imputação, segundo sustenta, configura-se o crime de calúnia.
Ignora que o Direito penal da culpabilidade é incompatível com presunções irracionais e
iníquas, que apenas procuram mascarar uma responsabilidade penal objetiva, proscrita do
Direito Penal moderno. Na verdade, a proibição da utilização do instituto da “exceção da
verdade”, representa, por razões de política-criminal, somente uma limitação aos meios de
prova permitidos nos crimes de calúnia e difamação, quando o sujeito passivo for o
Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro, permanecendo a necessidade de o
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Ministério Público demonstrar, no processo criminal próprio, que o sujeito ativo praticou
um fato “típico”, antijurídico e culpável, isto é, que imputou, falsamente, um fato definido
como crime: a elementar “falsamente” continua a integrar a descrição típica; apenas o
sujeito ativo não dispõe do procedimento especial – exceção da verdade – para demonstrar
que sua acusação não é falsa; deverá fazê-lo na ação penal, isto é, no processo de
conhecimento, normalmente. 
Exceção de notoriedade: A finalidade da exceção de notoriedade, prevista no art. 523, do
Código de Processo penal, mas sem previsão no Código Penal, é demonstrar que, para o
agente, o fato que atribuía a vítima era verdadeiro, segundo foi induzido a crer. Atua,
portanto, em erro de tipo, afastando-se o dolo e, consequentemente, eliminando a infração
penal. Parte da doutrina não a aceita, porquanto não está prevista no Código Penal. Para a
doutrina majoritária, entretanto, ela é aceita, sendo que o STF já se manifestou
favoravelmente ao seu reconhecimento. 
Difamação – artigo 139 do Código Penal
Artigo 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
Conceito
Imputar a alguém prática de fato desonroso, não criminoso, verdadeiro ou falso. O
fato deve ser ofensivo à reputação da vítima, ou seja, deve ter potencialde diminuir o
conceito que uma pessoa goze perante a coletividade. A imputação não precisa ser falsa,
como na calúnia, podendo ser verdadeira.
Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Aqui, cabem as mesmas observações feitas no crime de
calúnia quanto às pessoas que gozam imunidade e, portanto, não praticam crime contra a
honra.
Sujeito passivo: Qualquer pessoa, até mesmo o desonrado.
O morto não pode ser vítima de difamação, por ausência de previsão legal. 
Menores e loucos (doentes mentais) podem ser vítimas de difamação. 
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Pergunta: A pessoa jurídica pode ser difamada?
Resposta: Há duas posições na doutrina:
1ª) Não, pois a pessoa jurídica é uma ficção (não tem existência real), não tem
reputação a ser preservada. 
2ª) Sim, com base na teoria organicista da pessoa jurídica, segundo a qual a pessoa
jurídica é uma realidade viva, ou seja, é sujeito de direitos e obrigações independentemente
das pessoas físicas que a integram. Além disso, no artigo 23, inciso III, da Lei de Imprensa,
o legislador admitiu a hipótese de crime contra “órgão”. Vale lembrar o entendimento do
Superior Tribunal de Justiça consubstanciado na súmula n. 227: “A pessoa jurídica pode
sofrer dano moral”. Esta posição tende a predominar.
Elemento subjetivo
É o dolo, vontade livre e consciente de ofender. É o animus diffamandi. Não há
crime se estiver presente o animus jocandi, animus narrandi, etc.
Aquele que toma conhecimento de uma difamação e a espalha comete nova
difamação, porque não há um subtipo semelhante ao da calúnia. 
Consumação e tentativa
 Entendendo-se a honra objetiva como o bem juridicamente protegido pelo delito de
difamação, consequentemente, tem-se por consumada a infração penal quando terceiro, que
não a vítima, toma conhecimento dos fatos ofensivos reputação desta última.
 Às vezes nos soa um pouco ilógico entender que a consumação se dá quando terceiro
toma conhecimento dos fatos ofensivos à reputação da vítima, mas exigimos, em geral, que
esses mesmos fatos cheguem ao conhecimento dela para que, se for da sua vontade, possa
ser proposta ação penal contra o agente difamador, no prazo de 6 (seis) meses, sob pena de
ocorrer a decadência do seu direito de ação.
 Deve ser frisado, por oportuno, que, embora o prazo decadencial de 6 (seis) meses
seja contado do dia em que a vítima vem a saber quem é o autor do crime, conforme
determina o art. 38 do código de processo penal, exemplo a contagem do prazo
prescricional.
 Assim, o art.. 111 do Código Penal assevera:
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Art. 111. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a o correr:
I – do dia em quem o crime se consumou; [...].
 
Dessa forma, no caso dos crimes de calúnia e difamação, em que se protege a honra
objetiva da vítima, teremos contagens de prazos diferentes. A primeira destinada ao
reconhecimento da prescrição, ou pelo menos a fim de indicar o primeiro marco para sua
contagem, vale dizer, a data em que o crime se consumou, isto é, quando terceiro, que não a
vítima, tomou conhecimento do fato, com características que lhe são peculiares na calúnia e
na difamação; a segunda, quando a vítima deles toma conhecimento, tem por finalidade o
início da contagem do prazo decadencial, quando já se conhece sua autoria, destinado, por
exemplo, ao oferecimento da queixa-crime. 
A tentativa é possível no caso de carta interceptada pelo próprio ofendido.
Exceção da verdade
Como existe difamação mesmo que a imputação seja verdadeira, a lei não prevê a
exceção da verdade nesse crime. Essa é a regra.
Há, porém, uma hipótese admitida no parágrafo único do artigo 139 do Código
Penal: quando a difamação for contra funcionário público em razão de suas funções.
Admite-se a exceção nesse caso, pois o Estado tem interesse de preservar a função pública.
Injúria – artigo 140 do Código Penal
“Artigo 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.”
Conceito
Ofender a dignidade ou decoro de alguém. 
 Honra dignidade: é o sentimento de uma pessoa a respeito de seus atributos
morais, de honestidade e de bons costumes.
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 Honra decoro: é o sentimento da pessoa acerca de seus dotes físicos e intelectuais.
Bem jurídico tutelado: É a honra subjetiva
No crime de injúria, não há imputação de fato, mas uma adjetivação pejorativa
ofensiva. 
Exemplo de ofensa à dignidade (atributos morais): chamar alguém de ladrão,
vagabundo, safado etc.
Exemplo de ofensa ao decoro (atributos intelectuais e físicos): chamar alguém de
burro, ignorante, monstro etc.
Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Aqui cabe as mesmas observações feitas no crime de
calúnia e difamação quanto às pessoas que gozam imunidade e, portanto, não praticam
crime contra a honra.
Sujeito passivo: Qualquer pessoa, até mesmo o desonrado.
O morto não pode ser vítima de injúria. 
A vítima deve ter a capacidade de entender o que é dignidade e decoro, pois o crime
ofende a honra subjetiva. Uma criança de dois anos, por exemplo, não pode ser vítima de
injúria. 
Pergunta: A pessoa jurídica pode ser vítima de injúria?
Resposta: Não, pois pessoa jurídica não tem honra subjetiva.
Elemento subjetivo: É o dolo, vontade livre e consciente de ofender. É o animus injuriandi.
Consumação e tentativa
Consuma-se quando a vítima toma conhecimento da ofensa. 
A tentativa é possível quando a ofensa não chega ao conhecimento do ofendido. 
Exceção da verdade: Não se admite, pois não há imputação de fato.
Considerações Gerais
a) Injúria real
Quando a injúria é cometida com violência ou vias de fato, que por sua natureza ou
meio empregado é considerada aviltante (humilhante, apta a envergonhar, ofender), estará
configurado o crime de injúria real (forma qualificada de injúria).
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O artigo 140, § 2.º, do Código Penal trata da pena, dizendo que, se da violência
resultar lesão, ainda que de natureza leve, haverá a soma das penas. A soma decorre de
regra explícita da parte especial, pois nesse caso há concurso formal, sendo aplicada a regra
do concurso material.
b) Injúria qualificada - § 3.º do artigo 140
O artigo 140, § 3.º, do Código Penal (introduzido pela Lei n. 9.459, de 13.5.1997)
pune com reclusão, de 1 a 3 anos, e multa, a ofensa (injúria) referente à raça, cor, origem,
religião, etnia ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.
A Lei n. 7.716/89 estabelece crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. 
Ofensas referentes à raça ou cor da vítima tipificam o crime de injúria qualificada. A
Lei do Racismo pressupõe uma espécie de segregação em função da raça ou da cor da
pessoa. Exemplos: proibir alguém de frequentar um clube, não permitir a entrada em
estabelecimento etc.
c) Diferença entre injúria e desacato (artigo 331)
A injúria é uma ofensa contra qualquer pessoa (inclusive contra funcionário
público), enquanto o desacato é uma ofensa contra funcionário público no exercício de suas
funções ou em razão dela, desde que a ofensa ocorra em sua presença.
Pergunta: Existe injúria contra funcionário público?
Resposta: Sim. O artigo 141, inciso II, do Código Penal prevê aumento da pena de
1/3 (um terço) quando a ofensa é contra funcionário público e refere-se ao desempenho de
suasfunções.
Pergunta: Qual a diferença entre desacato e injúria contra funcionário público em
razão de suas funções?
Resposta: O desacato pressupõe ofensa na presença do funcionário público, e a
injúria contra funcionário público só pode ser praticada em sua ausência. A injúria pode ser
praticada na presença ou ausência da vítima, porém a injúria contra funcionário público só
pode ser praticada na sua ausência, já que, na sua presença, configura o crime de desacato.
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d)Perdão judicial nos crimes contra a honra
É cabível na injúria, nos termos do artigo 140, § 1.º, do Código Penal. Esse
benefício só é possível no caso de injúria simples, nas seguintes hipóteses:
 Quando o ofendido, de forma reprovável e direta, provocou diretamente a
ofensa;
 No caso de retorsão imediata, consistente em outra injúria (revide).
Disposições Gerais dos Crimes Contra a Honra
Causas de aumento de pena – artigo 141
O artigo 141 do Código Penal determina o acréscimo de 1/3 (um terço) da pena de
todos os crimes contra a honra:
 Se a ofensa for contra o Presidente da República ou contra chefe de governo
estrangeiro (trata-se de ofensa pessoal – se verificada motivação política, haverá
crime contra a Segurança Nacional - Lei n. 7.170/83);
 Se a ofensa for contra funcionário público em razão de sua função (não
precisa estar no exercício das funções). Ainda que o funcionário esteja de folga,
se a ofensa se referir às funções que exerce, haverá o aumento da pena – o
aumento não incide quando a vítima não é mais funcionário público. (Exemplo:
aposentado).
 Quando a ofensa é feita na presença de várias pessoas (no mínimo três – pois
quando a lei quer se referir a duas ou quatro pessoas o faz expressamente.
Exemplo: artigo 157, § 2.º, inciso II e artigo 288 do CP). Nesse número não se
incluem os autores do crime, nem a vítima e nem aqueles que não podem
entender o significado do que foi falado. 
 Se o agente usa qualquer meio que facilite a divulgação. Exemplos: cartazes,
panfletos, alto-falante etc. 
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Se a ofensa é contra pessoa maior de 60 anos ou portadora de deficiência, exceto no
caso de injúria. Para que a pena seja majorada, é preciso que o agente conheça a idade da
vítima, bem como a deficiência de que é portadora, pois, caso contrário, poderá ser alegado
o erro de tipo.
 O fato de a vítima ser portadora de deficiência também permite a majoração da
pena. O decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, regulamentando a Lei nº 7.853, de
24 de outubro de 1989, que dispôs sobre o apoio à pessoa portadora de deficiência, definiu
o conceito de deficiência dizendo, no inciso I do seu art. 3º:
 
Art. 3º. Para os efeitos deste decreto, considera-se: 1 – deficiência –
toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica,
fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho
de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano
[...].
Assim qualquer pessoa que amolde à definição contida no mencionado decreto
presidencial será considerada portadora de deficiência, para fins de aplicação da causa de
aumento de pena prevista pelo inciso IV do art. 141 do código penal.
 Tal como a idade, o agente deverá conhecer a deficiência da vítima, sob pena de ser
arguido o erro de tipo.
 
 A pena será aplicada em dobro se a ofensa for praticada mediante paga ou promessa de
recompensa. Para Rogério Greco, tal como o inciso I do § 2º do art. 121 do código
penal, a majorante da paga e da promessa de recompensa somente se aplica ao executor
mercenário. Pode, até mesmo, aquele que o contratou ter atuado impelido por um
motivo de relevante valor social, sendo-lhe aplicada a circunstância atenuante prevista
na alínea a do inciso III do art. 65 do código penal
Hipóteses de exclusão de ilicitude – artigo 142 do Código Penal
Há três hipóteses de exclusão da ilicitude aplicáveis somente para a injúria e a
difamação:
I – a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu
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procurador.
Em juízo significa qualquer juízo (trabalhista, civil, penal etc.), não se aplicando ao
inquérito policial, à CPI, ao inquérito civil etc.
Na discussão da causa implica a existência de um nexo de causalidade entre a
ofensa feita e o ponto tratado nos autos. Exclui-se a ilicitude da conduta,
independentemente da pessoa ofendida, até mesmo o juiz. Há, entretanto, opinião
divergente no sentido de que a ofensa contra o juiz caracteriza o crime, por ser necessário
respeito à pessoa que preside o processo de forma imparcial.
Pela parte ou pelo procurador trata da possibilidade da exclusão da ilicitude do ato
praticado por terceiro interveniente, pois a palavra “parte” é usada em sentido amplo.
O artigo 7.º, § 2.º, do Estatuto da OAB traz norma mais abrangente para os
advogados, estabelecendo que não cometem injúria ou difamação (ficou de fora a calúnia)
em juízo ou fora dele, quando no exercício regular de suas atividades. Amplia a exclusão da
ilicitude para as hipóteses de inquérito policial, inquérito civil, CPI etc.
II – a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando
inequívoca a intenção de injuriar ou difamar.
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou
informação que preste no cumprimento de dever do ofício.
Ver conceito de funcionário público no artigo 327 do Código Penal.
O parágrafo único do artigo 142 dispõe que nas hipóteses dos incisos I e III
responde pelo crime quem dá publicidade ao fato.
Retratação – artigo 143 do Código Penal
Trata-se de causa extintiva da punibilidade, prevista no artigo 107, inciso VI, do
Código Penal. Só é possível na calúnia e na difamação. A retratação na injúria não gera
nenhum efeito.
Retratar significa retirar o que foi dito. A retratação não precisa ser aceita para gerar
efeitos, basta que seja completa e incondicional.
Se há dois ofensores e apenas um se retrata, por ser circunstância de caráter
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subjetivo, não haverá comunicação, ou seja, não aproveitará ao outro. 
A retratação, para gerar efeito, deve ocorrer até a sentença de primeiro grau. Após,
será inócua.
A retratação, nos crimes contra a honra, só é possível nos crimes de ação privada,
pois o artigo se refere ao “querelado”. 
Pedido de explicações – artigo 144 do Código Penal
Quando uma ofensa não mostrar explicitamente a intenção de caluniar, difamar ou
injuriar, deixando dúvida quanto à sua significação, é permitido àquele que se julgar
ofendido pedir explicações em juízo. É uma medida preliminar, porém, não obrigatória para
propositura da ação penal. Recebido o pedido, o juiz designará audiência para que o ofensor
esclareça suas afirmações.
O pedido de explicações se equipara a uma notificação judicial – não há julgamento,
porque não comporta juízo de valor. Oferecida a resposta ou mesmo sem essa, o juiz
entregará os autos ao requerente para que tome as providências que entender pertinentes.
A interposição desse pedido não interrompe o prazo decadencial (prazo decadencial
nunca se interrompe).
O pedido de explicações torna o juízo prevento para eventual propositura da queixa-
crime.
O artigo 144, segunda parte,do Código Penal estabelece que o ofensor que não
oferece resposta ou, a critério do juiz, não as dá de forma satisfatória, responde pela ofensa
(não há qualquer juízo condenatório, até porque não houve nenhum processo visando à
apuração de crime contra a honra).
Ação penal nos crimes contra a honra – artigo 145 do Código Penal
A regra é a ação penal privada.
Exceções:
 Se a ofensa for contra o Presidente da República ou contra chefe de governo
estrangeiro, a ação é pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça.
 Se a ofensa for contra funcionário público em razão de suas funções, a ação penal é
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pública condicionada à representação. O STF, no entanto, admite a ação penal
privada, fundamentando que a ação penal pública condicionada é um benefício
trazido pela lei ao funcionário ofendido em razão de suas funções, para que não
tivesse gastos com o processo, podendo aquele abdicar desse direito e propor a
queixa-crime.
 No crime de injúria real, se a vítima sofrer lesões, o agente responderá pelos dois
crimes (injúria e lesões), ainda que as lesões sejam leves. A ação penal é pública
incondicionada. Atente-se que a Lei n. 9.099/95 transformou a lesão leve em crime
de ação penal pública condicionada. Então, se na injúria real houver lesões leves, a
ação penal passa a ser pública condicionada. Se ocorrer vias de fato, a ação penal
será privada, seguindo a regra do caput do artigo 145 do Código Penal.
Pergunta: Qual o efeito do perdão do ofendido, funcionário público, injuriado em
razão de sua função?
Resposta: Nenhum, pois a ação em andamento é pública (vítima é o funcionário
público) e o perdão gera efeito somente na ação penal privada.
Formas de ofensa (calúnia, difamação e injúria).
 Ofensa explícita ou inequívoca: é a direta, que não deixa margem de dúvida
quanto ao seu significado e seu teor ofensivo.
 Implícita ou equívoca: aquela que não deixa claro o significado e o seu teor
ofensivo. Nessa cabe o pedido de explicação.
 Reflexa: ocorre quando uma pessoa quer ofender alguém, mas, na narrativa,
acaba atingindo outra pessoa.
Diferenças entre Calúnia, Difamação e Injúria.
Calúnia Difamação Injúria
Imputa-se um fato definido
como crime
Imputa-se um fato ofensivo não
criminoso (pode ser
contravenção)
Não há imputação de fato.
Atribui-se uma qualidade
negativa.
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A imputação deve ser falsa A imputação pode ser falsa ou
verdadeira.
Não há imputação de fato.
Atinge a honra objetiva Atinge a honra objetiva Atinge a honra subjetiva
Consuma-se quando terceira
pessoa toma conhecimento da
imputação
Consuma-se quando terceira
pessoa toma conhecimento da
imputação
Consuma-se quando o próprio
ofendido toma conhecimento da
ofensa
CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL 
Constrangimento Ilegal – Artigo 146 do Código Penal
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois
de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a
não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a
execução do crime, se reúnem mais de três pessoas, ou há emprego de armas.
§ 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência.
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de
seu representante legal, se justificada por iminente perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio.
Bem Jurídico Tutelado: o bem jurídico protegido é a liberdade individual ou pessoal de
autodeterminação, ou seja, a liberdade do indivíduo de fazer ou não fazer o que lhe prouver,
dentro dos limites da ordem jurídica. 
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Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo: pode ser qualquer pessoa, desde que capaz de sentir a violência e motivar-
se com ela; em outros termos, é necessária a capacidade de autodeterminação. Assim, estão
excluídos os enfermos mentais, as crianças, os loucos de todo o gênero etc. 
Tipo objetivo: Trata-se de tipo subsidiário que se configura se não for verificado crime
mais grave. Ex.: artigos 158; 161, inciso II; 213; 214 e 219, todos do Código Penal.
Art. 5º, da Constituição Federal: Todos são iguais perante a lei, sem distinção
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes; [...].
E no inciso II do mencionado art. 5º ficou consignado que:
 
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude da lei; [...].
 
O tipo penal, outrossim, composto pelo núcleo, que tem o sentido de impedir,
limitar ou mesmo dificultar a liberdade de alguém.
 Para tanto, o agente atua com violência ou grave ameaça. A violência de que cuida o
texto é a chamada vis corporalis, ou seja, aquela empreendida contra o próprio corpo da
vítima; ao contrário, a grave ameaça se consubstancia na vis compulsiva, exercendo
influência precipuamente sobre o espírito da vítima, impedindo-a de atuar segundo a sua
vontade.
 Também prevê o art. 146 uma violência entendida como imprópria, vale dizer,
quando o agente, por qualquer outro meio que não a violência ou a grave ameaça, reduz a
capacidade de resistência da vítima. Lembrando que tais meios devem ser empregados sub-
reptícia ou fraudulentamente. 
O uso de sonífero e hipnose, pode ser considerado exemplos de recursos utilizados
pelo agente para constranger a vítima. 
A pena é detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa. 
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Tipo subjetivo: é o dolo, representado pela vontade e consciência de constranger a vítima,
através de violência ou grave ameaça, a fazer o que a lei não determina ou a não fazer o que
ela manda (elemento subjetivo especial do tipo). A conduta do agente deve ser dirigida
finalisticamente a constranger a vítima a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela
não manda, identificando, aí, segundo a doutrina dominante, aquilo que chamamos de
especial fim de agir.
 Não há previsão legal para a modalidade culposa.
Aumento da pena
O § 1.º do artigo 146 dispõe que as penas serão aplicadas cumulativamente e em
dobro nas seguintes hipóteses:
 
 Se para a execução do crime reúnem-se mais de 3 pessoas (devem estar
presentes no mínimo 04 pessoas na fase de execução do crime). Para Fernando
Capez, o aumento de pena abrange também a participação, não exigindo a
presença na fase de execução, ao passo que, para César Roberto Bitencourt
somente configurará o aumento, se houver coautoria, ou seja, participação de no
mínimo 04 pessoas no momento e local do cometimento do crime;
 Se há emprego de armas; não se exige mais de uma arma, porque a lei faz
menção ao gênero e não ao número (para a maioria da doutrina abrange tanto as
armas próprias, quanto as impróprias). Devendo ser efetivamente empregadas,
não bastando o uso.
Primeiramente, devemos dizer o que significa aplicar cumulativamente, para depois
saber quais serão as penas que deverão ser duplicadas.
 A palavra cumulativamente quer traduzirposição, pois, tal julgado é muito antigo. Talvez nem seja mais a posição do STF.
Inciso II - motivo fútil
Matar por motivo de pequena importância, insignificante. Exemplo: matar por causa
de uma fechada no trânsito. 
A ausência de prova, referente aos motivos do crime, não permite o reconhecimento
dessa qualificadora. Ciúme não caracteriza motivo fútil. A existência de uma discussão
“forte”, precedente ao crime, afasta o motivo fútil, ainda que a discussão tenha se iniciado
por motivo de pequena importância, pois se entende que a causa do homicídio foi a
discussão e não o motivo anterior que a havia originado. Para a maioria da doutrina a
ausência de motivo também qualifica o crime.
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Inciso III - emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso
ou cruel, ou que possa representar perigo comum.
a) Emprego de veneno
É necessário que seja inoculado de forma que a vítima não perceba. Se o veneno for
introduzido com violência ou grave ameaça, será aplicada a qualificadora do meio cruel.
Emprego de fogo
Temos como exemplo o caso do índio pataxó.
c) Emprego de explosivo
Exemplo de bombas caseiras em torcidas de futebol. Eventual dano ao patrimônio
alheio ficará absorvido pelo homicídio qualificado pelo fogo ou explosivo.
d) Emprego de asfixia
Causa o impedimento da função respiratória. Formas de asfixia: 
 Asfixia mecânica
 Esganadura: apertar o pescoço da vítima.
 Estrangulamento: passar fio, arame etc. no pescoço da vítima
causando a morte. É a própria força do agente atuando, mas não com as
mãos.
 Enforcamento: há emprego de fio também, porém é a força da
gravidade que faz com que o peso da vítima cause sua morte.
 Sufocação: é a utilização de algum objeto que impeça a entrada de ar
nos pulmões da vítima. (ex.: introduzir algodão na garganta da vítima).
 Afogamento: imersão em água.
 Soterramento: enterrar vivo.
 Imprensamento ou sufocação indireta: impedir o movimento
respiratório colocando, por exemplo, um peso sobre o tórax da vítima.
 Asfixia tóxica: 
 Uso de gás asfixiante: monóxido de carbono, por exemplo.
 Confinamento: trancar alguém em lugar fechado de forma a impedir a
troca de ar (ex.: enterrar alguém vivo dentro de caixão).
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e) Emprego de tortura ou qualquer meio insidioso ou cruel
Deve ser a causa direta da morte. Trata-se de meios que causam na vítima intenso
sofrimento físico ou mental. A reiteração de golpes, dependendo da forma como ela é
utilizada, pode ou não caracterizar a qualificadora de meio cruel (ex.: apedrejamento,
paulada, espancamento, etc.). 
Eventual mutilação praticada após a morte caracteriza crime autônomo de
destruição de cadáver (art. 211, do CP).
Crime de tortura com resultado morte (pena: de 8 a 16 anos). A diferença entre
homicídio qualificado pela tortura e o crime de tortura qualificado pelo resultado morte,
está no elemento subjetivo (dolo). No homicídio qualificado, há dolo na morte e, no crime
tortura, esta é culposa: o agente quer apenas torturar, mas culposamente provoca a morte.
Trata-se de crime preterdoloso (dolo no antecedente e culpa no consequente – art. 1.º, § 3.º,
da Lei n. 9.455/97).
Meio insidioso: uso de fraude, armadilha, parecendo não ter havido infração penal,
e sim um acidente, como no caso de sabotagem nos freios do automóvel. 
f) Emprego de qualquer meio do qual possa resultar perigo comum
Gera perigo a um número indeterminado de pessoas. Não é necessário que o caso
concreto demonstre o perigo comum, basta que se comprove que o meio usado poderia
causar dano a várias pessoas. Ainda que não haja uma situação de risco específico.
O que ocorre, todavia, se no caso concreto o agente, além de matar a vítima,
efetivamente expõe outras pessoas a perigo? 
A doutrina entende que há homicídio qualificado em concurso formal com o
crime de perigo comum (art. 250 e ss. do CP). Mas há entendimento divergente no
sentido de ocorrer bis in idem. Até porque o dolo é diferente, se o agente atua com o
dolo de dano, não pode agir com dolo de perigo. 
Inciso IV – à traição, de emboscada ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido
Refere-se à maneira que o sujeito usou para aproximar-se da vítima.
a) Traição
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A doutrina propõe a existência de duas espécies de traição:
a) a traição material ou física, que é aquela informada pelo ataque brusco, de
inopino, sem discussão, colhendo a vítima muitas vezes pelas costas.
b) a traição moral, em que existe quebra de confiança entre os sujeitos, como no
caso do agente que atrai a vítima, que, confiante de que não corre nenhum risco, a local
onde existe um poço.
b) Emboscada ou tocaia
Aguardar escondido a passagem da vítima por um determinado local para matá-la. 
c) Dissimulação
Uso de artifício para se aproximar da vítima. Pode ser:
 Material: dá-se com o uso de disfarce, fantasia ou métodos análogos
para se aproximar.
 Moral: a pessoa usa a palavra. Sujeito dá falsas provas de amizade ou
de apreço para poder se aproximar.
d) Qualquer outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima 
Quando uma pessoa armada mata outra desarmada, a jurisprudência não configura a
qualificadora por razão de política criminal. (exemplos que dificultam a defesa: surpresa,
disparo pelas costas, vítima desacordada ou alcoolizada).
Inciso V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime. 
O inciso refere-se às qualificadoras por conexão, que podem ser:
a) Teleológica
Quando a morte visa assegurar a execução de outro crime (ex.: matar o segurança
para sequestrar o empresário). Haverá concurso material entre o homicídio qualificado e o
outro delito, salvo se houver crime específico no CP para esta situação (ex.: latrocínio,
matar para roubar).
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b) Consequencial
Ocorre quando a morte visa garantir:
 Ocultação de outro crime;
 Impunidade: evitar que alguém seja penalizado (ex. matar testemunha);
 Vantagem (ex.: ladrões de banco – um mata o outro).
Na conexão teleológica, primeiro o agente mata e depois comete o outro crime. Na
consequencial, primeiro comete o outro crime, depois mata.
Se o agente visa a garantia da execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de
uma contravenção, será aplicada a qualificadora do motivo torpe ou fútil, conforme o caso.
Não incide o inciso V, pois, esse se refere expressamente a outro crime.
Feminicídio 
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função
ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro
grau, em razão dessa condição: 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: 
I - violência doméstica e familiar; 
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
Questões: 
 Premeditação não é qualificadora.
 Homicídio de pessoa da mesma família não gera qualificadora, apenas agravante
genérica do art. 61, II, “e”.
 Parricídio: matar qualquero fato de que, havendo a reunião de mais
de três pessoas, ou seja, no mínimo quatro, para a prática do constrangimento, ou a
utilização do emprego de armas, as penas que, inicialmente, eram alternativas, passam a ser
cumulativas, quer dizer, privação de liberdade mais a pena pecuniária. Além disso, as
pernas respectivas serão dobradas, aplicando-se essa causa especial de aumento somente no
terceiro momento do critério trifásico de aplicação da pena.
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O § 2.º do artigo 146 traz uma hipótese de concurso material– se da violência
resultarem lesões corporais – em que o agente responderá pelos dois crimes.
Na realidade, há concurso formal, mas a lei manda somar as penas. Neste sentido
Rogério Greco: “O § 2º do art. 146 não criou uma espécie sui generis de concurso material,
mas adotou tão-somente o sistema do cúmulo material concurso formal impróprio (art. 70,
2ª parte). Assim, quando a violência empregada na prática do crime de constrangimento
ilegal constituir em si mesma outro crime, havendo unidade de ação e pluralidade de
crimes, estaremos diante do concurso formal de crimes. Aplica-se, nesse caso, por expressa
determinação legal, o sistema de aplicação de pena do cúmulo material, independentemente
da existência ou não de ‘desígnios autônomos’. A aplicação cumulativa de penas, mesmo
sem a presença de ‘desígnios autônomos’, constitui uma exceção da aplicação de penas
prevista para o concurso formal impróprio.”.
Causas especiais de exclusão da tipicidade 
O § 3.º do artigo 146 diz que não haverá crime:
 Na realização de intervenção médica ou cirúrgica, ainda que contra a vontade do
paciente ou seu representante, se justificada por iminente risco de vida; 
 Na coação empregada para impedir suicídio. 
Questões:
Vítima que é constrangida a praticar uma infração penal: Pergunta-se: O agente que
obrigou o coato a matar outra pessoa deverá responder pelo constrangimento ilegal?
 Primeiramente, devemos destacar o fato de que o código penal, em seu art. 22, sob a
rubrica da coação irresistível e obediência hierárquica, determina:
“Art. 22. Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a
ordem, não manifestamente ilegal, se superior hierárquico, só é punível o autor
da coação ou da ordem”.
 Assim somente o coator, no exemplo fornecido, é quem deveria responder pelo
delito de homicídio. O coato, na verdade, não passa de mero instrumento nas mãos do
coator, tratando-se, portanto, se situação que traduz a hipótese da chamada autoria mediata.
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 A pergunta que devemos responder agora é a seguinte: O coator, ou seja, aquele que
constrangeu alguém a matar a vítima, além do delito de homicídio, também deverá ser
responsabilizado pelo constrangimento ilegal? A doutrina se posiciona nesse sentido,
conforme lições de Aníbal Bruno: “Se a força é irresistível e o resultado obtido constitui
crime, por ele responde não o coagido, a quem falta, na ação, vontade juridicamente válida
e, portanto, culpabilidade, mas o coator, que sofrerá a agravação da pena e responderá
concorrentemente pelo constrangimento ilegal.”.
 A alínea b do inciso I do art. 1º da Lei nº 9.455, de 7 de abril de 1997, que definiu
os crimes de tortura, diz o seguinte:
Art. 1º Constitui crime de tortura:
I – constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-
lhe sofrimento físico ou mental:
a) [...];
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
 [...].
 Existe, na mencionada lei, um constrangimento ilegal específico, destinado a causar
um sofrimento físico ou mental, a fim de que a vítima pratique uma ação ou omissão de
natureza criminosa.
 Nesse caso, pergunta-se: Caso aquele que foi torturado venha, efetivamente, a
praticar uma ação ou omissão de natureza criminosa, o agente torturador deverá responder
pelas duas infrações penais, ou seja, pelo delito de tortura, além do fato definido como
crime praticado pelo torturador?
 Da mesma forma que no delito de constrangimento ilegal, entende-se pelo concurso
material de crimes, devendo responder por ambas as infrações penais.
 Vale o registro, entretanto, do alerta levado a efeito por Fernando Capez, quando
diz:
 “Compartilhamos também desse posicionamento, contudo, levando em conta que
nem toda violência ou grave ameaça é apta a causar intenso sofrimento físico ou mental,
importa distinguir as seguintes situações: a) se o emprego de violência ou grave ameaça
causar intenso sofrimento físico ou mental, o coator responderá pelo crime de tortura em
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concurso material com a ação, e o coagido não responderá por crime algum; b) se o
emprego de violência ou grave ameaça não causar intenso sofrimento físico ou mental,
restando à vítima liberdade de escolha, responderá o coator pelo crime de constrangimento
ilegal em concurso material com o crime praticado pelo coagido. É que, ausente o intenso
sofrimento físico ou mental, o crime de tortura não se configura, restando à aplicação
subsidiária do crime de constrangimento ilegal. O coagido também responderá pelo crime
praticado, com incidência da atenuante prevista no art. 65, III, c, do código penal.”
Consentimento para satisfazer uma pretensão legítima:
Pode ocorrer o caso, e não incomum, em que determina pessoa se sinta injustiçada
ou mesmo traída por promessas que, efetivamente, não se cumpriram. Depositaram sua
confiança em certos profissionais que, ao final, as decepcionaram.
 Imagine-se, portanto, a hipótese daquele que, irritado com o descumprimento do
contrato, necessitando que o serviço de marcenaria ficasse pronto, uma vez que já deveria
ter sido entregue há dois anos, revoltado, procura o marceneiro contratado e, com uma arma
em punho, obriga a deixar de lado todos os outros serviços e, agora sob a mira do revólver,
determina-lhe que faça a entrega de seus produtos imediatamente.
 Aquele que obrigou o mercenário, sob a mira de uma arma, a entregar o serviço
contratado e não cumprido poderá ser responsabilizado pelo delito de constrangimento
ilegal? A resposta, aqui, só pode ser negativa, uma vez que o fato se amolda ao delito
tipificado no art. 345 do Código Pena, que prevê o exercício arbitrário das próprias razões,
assim redigido:
Art. 345. Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora
legítima, salvo quando a lei o permite:
Pena – detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa, além da pena
correspondente à violência.
 
Embora tendo havido um constrangimento para que a vítima, no exemplo fornecido,
cumprisse o contrato, como a pretensão do agente era censurável do que nas hipóteses
previstas pelo art. 146 do código penal, razão pela qual as penas cominadas ao delito de
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exercício arbitrário das próprias razões são bem menores do que as previstas para o crime
de constrangimento ilegal.
Crimes mais graves que absorvem o constrangimento ilegal
 Roubo e extorsão.
A extorsão difere do constrangimento ilegal porque pressupõe intenção de lucro
indevido.
 Estupro e atentado violento ao pudor.
Quando a mulher obriga o homem a ter com ela conjunção carnal, pratica
constrangimento ilegal, porque o sujeito ativo do crime de estupro é somente o homem. 
Consumação: consuma-se ocrime, quando o ofendido faz ou deixa de fazer aquilo a que
foi constrangido.
Tentativa: quando por circunstâncias alheias a vontade do agente, o ofendido não faz ou
deixa de fazer aquilo a que foi constrangido.
Ameaça – Artigo 147 do Código Penal
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro
meio, de causar-lhe mal injusto e grave.
Pena: detenção de 1 a 6 meses ou multa”.
Bem Jurídico Tutelado: o bem jurídico protegido é a liberdade individual ou pessoal de
autodeterminação, ou seja, a liberdade psíquica indivíduo que será abalada pelo temor
infundido pela ameaça. 
Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo: pode ser qualquer pessoa, desde que capaz de sentir a idoneidade da
ameaça. 
Tipo objetivo: O crime de ameaça pode ser praticado por palavra, escrito, gesto ou
qualquer outro meio simbólico. O mal a ser provocado tem de ser injusto, grave e
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verossímil. Mal grave é aquele que atinge um bem jurídico relevante. Ex.: ameaça de
morte, de agressão, de demissão, de colocar fogo na casa. O mal injusto configura elemento
normativo, dependendo da análise do juiz, caso a caso. Verossímil é a promessa de mal
capaz de ser cumprida. 
Não é necessário que o agente queira concretizar o mal prometido à vítima,
porque a intenção é de amedrontá-la; no entanto, deve ser possível cumprir a ameaça, caso
contrário, ela deixa de ser verossímil. 
O mal deve ser futuro? Para Rogério Greco, sim: “A ameaça constante do mencionado art.
147 deve ser cuidada de forma distinta daquele que é prevista como elemento de diversos
tipos penais, a exemplo do constrangimento ilegal e do roubo”. Nesses crimes, o mal
prometido poderá ser imediato. Assim, aquele que determina que alguém “cale a boca”, sob
a pena de ser agredido, em tese, pratica o delito de constrangimento ilegal. A promessa do
mal injusto e grave foi feita de modo a acontecer imediatamente. A vítima foi impedida, em
razão de ameaça sofrida, de fazer aquilo que a lei permite, devendo o agente, portanto, ser
responsabilizado criminalmente por ter cometido o delito de constrangimento ilegal. Da
mesma forma, se o agente, armado com uma pistola, aponta a arma para a cabeça da vítima
dizendo-lhe para passar todo o dinheiro senão irá morrer, também está utilizando a ameaça
para que possa ter sucesso na subtração.
 Entretanto, as duas hipóteses mencionadas devem ser cuidadas diferentemente
daquela prevista especificamente para o delito de ameaça.
 Isso porque, como dissemos, a ameaça tem como bem juridicamente protegido, a
liberdade psíquica da vítima e, em algumas situações, a sua própria liberdade física, que
fica inibida quando a parte psicológica é cumprimento da promessa do mal injusto e grave.
Deve ter tido tempo suficiente para buscar socorro junto às autoridades competentes, se for
do seu interesse, uma vez que também a instauração de inquérito policial ou mesmo do
termo circunstanciado, próprio dos juizados especiais criminais, estará a ela subordinado.
 Em sentido contrário, afirma Damásio: “A figura típica do art. 147 do CP não
exige que o mal seja futuro. Além disso, ‘futuro’é tudo aquilo que ainda não aconteceu,
referindo-se ao fato que irá ocorrer em instantes ou depois de algum tempo.”.
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Questões:
P.: Se o agente estiver embriagado ou tomado por ira, há crime? 
R.: Existem duas correntes: 
 Não há crime, pois a ameaça deve causar fundado temor à vítima, além do
que o tipo exige o dolo de ameaça, que nesse estado não se configura;
 Há crime, pois o artigo 28 do Código Penal estabelece que a embriaguez e a
emoção não excluem o crime. A posição majoritária é a primeira, que
entende que não há crime. 
Obs.: A mesma polêmica é encontrada na ameaça em estado de ira.
 
Trata-se de tipo subsidiário – fica sempre absorvido quando o fato constituir crime mais
grave. 
Ação Penal: é crime de ação penal pública condicionada à representação.
Sequestro ou Cárcere Privado – Artigo 148 do Código Penal
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade mediante sequestro ou cárcere
privado.
Pena: reclusão de 1 a 3 anos.
Bem Jurídico Tutelado: o bem jurídico protegido é a liberdade individual especialmente a
liberdade de locomoção, isto é, a liberdade de movimento, do direito de ir e vir e ficar:
liberdade de escolher o local em que deseja permanecer.
Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo: pode ser qualquer pessoa, independentemente da capacidade de conhecer e
de autodeterminar-se de acordo com esse conhecimento, incluindo-se, portanto, as crianças
os enfermos mentais, os loucos de todo o gênero etc. 
Tipo objetivo: Nosso Código Penal não define o que deva ser entendido por cárcere
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privado e, da mesma forma, não define sequestro, limitando-se a puni-los igualmente;
utiliza a expressão sequestro ou cárcere privado com sentidos semelhantes, embora,
estritamente, se possa dizer que no cárcere privado há confinamento ou clausura, enquanto,
no sequestro, a supressão da liberdade não precisa ser confinada em limites tão estreitos.
Assim, pode-se encarcerar alguém em um quarto, em uma sala, em uma casa etc; e pode-se
sequestrar retirando-o de determinado lugar levando-o para outro, como para uma ilha, um
sítio etc. 
A conduta tipificada, com efeito, é privar alguém de liberdade, sendo indiferente o
meio escolhido pelo agente, que poderá ser o mais diverso: violência física ou moral, fraude
etc. Os elementos constitutivos do crime de sequestro ou cárcere privado são: a detenção
ou retenção de alguém em determinado lugar, dissentimento, explícito ou implícito, do
sujeito passivo e a ilegitimidade da retenção ou detenção, além, é claro, do dolo, como
elemento subjetivo.
O tipo exige que a privação de liberdade tenha certa duração. Uma privação rápida
configuraria tentativa ou constrangimento ilegal. Configura-se o crime ainda que reste
alguma liberdade de locomover-se, dentro de certos limites. Embora a ilegitimidade não
constitua expressamente elemento normativo do tipo, se a privação da liberdade for
legítima, não se pode falar em crime, como por exemplo, alguém prende um delinquente
em flagrante e o retém até a chegada da autoridade pública.
Configurará, igualmente, o crime quando, após privação legítima da liberdade,
cessada a legitimidade, prolongue-se, indevidamente, a privação de liberdade; ou quando,
por exemplo, o paciente recebe alta, mas é retido pela administração por falta de
pagamento. 
Trata-se de tipo subsidiário, será aplicado sempre que a infração não constituir
crime mais grave. Importa na privação da liberdade de ir e vir de alguém. Difere da
extorsão mediante sequestro porque, nessa, a privação da liberdade tem como finalidade a
obtenção de uma vantagem econômica, não prevista no delito do artigo 148 do Código
Penal. 
O delito descrito no artigo 148 do Código Penal é crime permanente, o que
possibilita a prisão em flagrante a qualquer momento. 
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Tipo subjetivo: é o dolo, que consiste na vontade livre e consciente de privar alguém de
sua liberdade, desde que tenha conhecimento da sua ilegitimidade, e que praticado tanto
mediantesequestro como mediante cárcere privado. Não foi prevista a modalidade culposa
para o crime de sequestro e cárcere privado. Portanto, aquele que, encarregado de fechar as
portas do escritório, por ser o último a sair, se esquece de que, naquele dia
excepcionalmente, alguém está fazendo hora extra, negligentemente, deixa de verificar se
todas as pessoas já haviam saído e tranca a porta, impedindo a saída de alguém, não
responde por delito algum.
Consumação: a consumação ocorre com a privação da liberdade da vítima, por tempo
juridicamente relevante. Não é requisito que a vítima seja levada a um local; pode não
haver deslocamento, mas mera retenção.
Tentativa: a tentativa é possível, desde que o sujeito não consiga privar a vítima da
liberdade, como, por exemplo, quando o sujeito ativo está encerrando a vítima em um
depósito é surpreendido e impedido de consumar seu intento. 
Qualificadoras
O § 1.º do artigo 148 dispõe que a pena é de 2 a 5 anos de reclusão se:
 o agente é cônjuge, ascendente, descendente ou companheiro da vítima, ou
se esta é maior de 60 anos; 
 o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou
hospital, podendo ser cometido por qualquer pessoa, inclusive o médico;
 a privação da liberdade dura mais de 15 dias;
 se o crime é praticado contra menor de 18 anos;
 se o crime é praticado com fins libidinosos: Assim, o que importará, na
verdade, será a finalidade especial com que atua o agente. O delito será qualificado pelo
inciso V ainda que o agente não pratique qualquer ato de natureza libidinosa com a vitima. 
Pelo § 2.º do artigo em exame, a pena será de reclusão de 2 a 8 anos se:
 resultar à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave
sofrimento físico ou moral. Exemplo: ficar privada de comida, água (maus-tratos),
condições mínimas de higiene etc (natureza da detenção).
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Ab initio, merece destaque o fato de que se, por exemplo, estivermos diante de uma
situação que, aparentemente, se amolde a ambos os parágrafos deverá ter aplicação tão-
somente um deles, vale dizer, o que tiver a maior pena cominada. Assim, se alguém comete
um crime de sequestro contra seu próprio cônjuge, causando-lhe grave sofrimento físico em
razão da detenção, a pena a ser aplicada será a do § 2º do art. 148 do Código Penal,
havendo, portanto, um conflito aparente de normas a ser resolvido.
OBS: se a vítima sofrer lesão grave ou morrer em razão dos maus-tratos, o agente
responderá por lesão corporal grave ou homicídio em concurso material com o crime de
sequestro (simples). Serão aplicadas as penas dos dois crimes autônomos, mas sem a
qualificadora do parágrafo em questão para não haver bis in idem.
Ação Penal; pública incondicionada
Redução à condição análoga à de escravo
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o
a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições
degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção
em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à
violência. 
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem: 
I - cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com
o fim de retê-lo no local de trabalho; 
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II - mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de
documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de
trabalho. 
§ 2o A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido: 
I - contra criança ou adolescente; 
II - por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. 
Bem Jurídico Tutelado: o bem jurídico protegido é a liberdade individual especialmente a
liberdade sob o aspecto ético-social, a própria dignidade do indivíduo, também elevada ao
nível de dogma constitucional.
Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo: pode ser qualquer pessoa, independentemente de idade, raça, sexo,
origem, condição cultural etc.
Tipo objetivo: reduzir significa sujeitar uma pessoa a outra, em condições semelhantes à
de escravo, isto é, a condição deprimente e indigna. Consiste em submeter alguém a um
estado de servidão, de submissão absoluta, semelhante, comparável à de escravo. É, em
termos bem esquemáticos, a submissão total de alguém ao domínio do sujeito ativo,
reduzindo-o à condição de coisa. 
Os meios ou modos para a prática do crime são os mais variados possíveis, não
havendo qualquer limitação legal nesse sentido; o agente poderá praticá-lo, por exemplo,
retendo os salários, pagando-os de forma irrisória, mediante fraude, fazendo descontos de
alimentação e de habitação desproporcionais aos ganhos, com violência ou grave ameaça
etc. Quase sempre a finalidade da conduta delitiva é a prestação de serviços em condições
desumanas, indignas ou sem remuneração adequada.
Tipo subjetivo: é o dolo, no sentido de subjugar determinada pessoa, suprimindo-lhe a
liberdade, embora esta remanesça, de direito.
Consumação: no momento em que a vítima torna-se totalmente submissa ao poder de
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outrem. 
Tentativa: por ser um crime material, admite a tentativa.
Ação Penal: pública incondicionada
 Tráfico de Pessoas (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) 
 Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa,
mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de: 
I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo; 
II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo; 
III - submetê-la a qualquer tipo de servidão; 
IV - adoção ilegal; 
V - exploração sexual. 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. 
§ 1o A pena é aumentada de um terço até a metade se: 
I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de 
exercê-las; 
II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com 
deficiência; 
III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de 
hospitalidade, de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente 
ao exercício de emprego, cargo ou função; ou 
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional. 
§ 2o A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário e não integrar 
organização criminosa. 
CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO
Violação de Domicílio – Artigo 150 do Código Penal
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13344.htm#art13
Bem Jurídico Tutelado: trata-se de mais uma espécie do gênero “crimes contra a liberdade
individual”. A lei tutela a inviolabilidade da casa do indivíduo, segundo preceito da
Constituição Federal (artigo 5.º, inciso XI). Na verdade, o Código Penal aqui não protege a
“posse, detenção ou propriedade”, mas a privacidade doméstica, caso contrário teria de
criminalizar também a violação de casa desabitada.Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa, inclusive o proprietário do imóvel.
Sujeito passivo: a conduta deve ser realizada contra a vontade expressa ou tácita de quem
de direito. Para que seja melhor entendida a expressão de quem de direito, utilizada pelo
art. 150 do código penal, é preciso esclarecer que existem dois regimes que devem ser
observados, para fins de identificação daquele que detém o poder de permitir ou negar o
ingresso de alguém em sua casa, vale dizer: a) regime de subordinação; b) regime de
igualdade.
 O regime de subordinação é caracterizado pela relação de hierarquia existente entre
os diversos moradores. Assim, por exemplo, os pais ocupam uma posição hierárquica
superior em relação aos filhos que são dependentes deles e que ainda vivem sustentados por
eles sob o mesmo teto. Em escolas, estabelecimentos comerciais, etc., devemos apontar
aquele que, hierarquicamente, possui autoridade para permitir ou impedir o acesso de
pessoas á aqueles locais. Ao contrário, quando estaremos diante de um regime de igualdade,
compete a todos os moradores, igualmente, o poder de permitir ou impedir o ingresso de
pessoas no local onde elas se encontram. Como bem observado pó Luiz Regis Prado: “sob
o regime de igualdade, pertence a todos os moradores o direito de inclusão/exclusão.
Assim, quando se trata de habitação contendo vários cômodos independentes (v.g.,
república estudantil), pode nele admitir quem quer seja. Nos espaços comuns (v.g.,
corredores, saguões, escadas etc.) a autorização para entrada ou permanência pode provir
de qualquer um dos moradores. Havendo conflito de vontades, predomina a vontade da
maioria ou, em caso de empate, a negativa (melhor est conditio prohibentis)”. Via de regra,
esse direito cabe aos cônjuges e na falta desses aos ascendentes, descendentes, primos, tios,
sobrinhos, empregados ou alguém que os represente. 
Tipo objetivo: Trata-se de crime de ação múltipla:
 entrar: ingressar efetivamente no domicílio;
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 permanecer: pressupõe que o agente já se encontre no interior do domicílio com
permissão legal ou do dono da habitação, e no momento em que sua
permanência passe a ser indesejada, o agente se recuse a sair.
Se o agente entrar clandestinamente e, ao ser descoberto, insistir em
permanecer na habitação, haverá crime único.
Elementos normativos do tipo 
A entrada ou permanência pode ser:
 clandestina: quando realizada sem conhecimento do morador;
 astuciosa: quando o agente emprega artifício, fraude ou ardil para obter o
consentimento do morador (disfarce, por exemplo);
 ostensiva: quando realizada contra a vontade expressa ou tácita de quem de
direito (por meio de violência, por exemplo).
Objeto material 
O § 4.º do artigo 150 esclarece o que se entende por “casa”:
 qualquer compartimento habitado: não é necessário que seja fixa ou afixada em
determinado local, pode ser móvel, flutuante, “errante”, como por exemplo:
barco, trailer, cabina de um trem velho ou de caminhão, barraca etc.;
 aposento ocupado de habitação coletiva: cortiços, quarto de hotéis e
pensionatos etc.;
 compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou
atividade: consultórios médicos, escritórios de advocacia, de contabilidade etc.;
 dependência da casa: quintal, jardim, garagem etc.;
Nos termos do § 5.º, não se compreendem na expressão “casa”:
 hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta,
salvo a restrição do n. II do parágrafo anterior: sala de espera de um hotel, por
exemplo;
 taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero: locais públicos tais como
bares, restaurantes, lanchonetes etc.
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Tipo subjetivo: É o dolo, que consiste na vontade livre e consciente de entrar ou
permanecer em casa alheia ou em suas dependências, sem o consentimento de quem de
direito.
Consumação e tentativa 
Trata-se de crime de mera conduta. Na conduta entrar é crime instantâneo e na
conduta permanecer é crime permanente. 
A tentativa é admissível em tese, embora seja difícil sua configuração.
Formas 
a) simples 
É a forma dolosa do caput do artigo 150 do Código Penal, que prevê pena de
detenção de um a três meses, ou multa. 
b) qualificada
Está prevista no § 1.º. A pena é a de detenção, de seis meses a dois anos, além
da pena correspondente à violência, se o crime é cometido:
Durante a noite: A primeira indagação que se deve fazer diz respeito ao conceito de
noite. Na verdade, devemos entender que os motivos pelos quais a lei penal qualificou a
violação de domicilio quando praticada à noite foi pela maior facilidade para a prática do
delito, bem como pela maior intensidade da tranquilidade doméstica, quando estivermos
numa situação de ausência de luz. Assim, para que possa ser considerada a qualificadora,
independentemente no horário em que se realize o ingresso não consentindo em casa alheia
ou em suas dependências, o fato deverá ocorrer depois do pôr-do-sol, até a aurora, ou seja,
quando o sol começar a nascer no horizonte.
Em lugar ermo: habitualmente (quer de dia, quer de noite) despovoado,
deserto.
Com o emprego de violência: contra a pessoa ou contra a coisa (corrente
majoritária). Em sentido contrário Rogério Greco, apoiado em Guilherme Souza Nucci:
“Apesar da posição adotada pela corrente majoritária, entendemos, permissa vênia, ser
melhor o entendimento no sentido de não qualificar a violação de domicílio a violência
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dirigida contra a coisa, por dois argumentos: primeiramente, seria ofensivo ao princípio da
proporcionalidade, pois que apenas um vidro quebrado pelo agente, para fins de ingresso
em casa alheia, faria com que sua pena fosse aumentada em mais de seis vezes; em segundo
lugar, de acordo com a interpretação de Guilherme de Souza Nucci, “a figura qualificada
mencionada, em dupla, o emprego de violência ou arma, demonstrando uma referência à
pessoa, e não à coisa, pois a arma, no contexto da coisa, não teria sentido”. A grave ameaça
não autoriza o aumento de pena.
Com o emprego de arma: arma de fogo, punhal etc (armas próprias ou
impróprias). 
 Por duas ou mais pessoas: duas pessoas (no mínimo) devem praticar a conduta
de entrar ou permanecer, logo, não se admite a participação. 
Causa de aumento de pena
O § 2.º prevê aumento da pena de um terço se o fato é cometido por funcionário
público, fora dos casos legais, ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei,
ou com abuso de poder. Ressalte-se que a Lei n. 4.898/65, no artigo 3.º, alínea “b”,
considera abuso de autoridade qualquer atentado à inviolabilidade domiciliar. Assim,
tratando-se o agente de autoridade de que trata a lei, responderá nos termos da referida lei
em face do princípio da especialidade. 
Causas de exclusão da ilicitude 
Estão previstas no § 3.º. O fato será típico, mas não será ilícito se a entrada ou
permanência em casa alheia ou em suas dependências ocorrer:
a) Durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar
prisão ou outra diligência:
b) A qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali
praticado ou na iminência de o ser.
O artigo 5.º, inciso XI, da Constituição Federal, prevê outras causas
excludentes: em casode desastre e para prestar socorro.
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Concursos de crimes
A violação de domicílio é um crime subsidiário. Se a violação for meio para
executar crime mais grave (furto, roubo, estupro, por exemplo), o crime-meio será
absorvido pelo crime-fim. O mesmo não ocorre se o ingresso for realizado com a
finalidade de praticar crime menos grave ou contravenção.
MÓDULO XVI
DIREITO PENAL
Crimes Contra o Patrimônio
 Antes de iniciarmos o estudo dos crimes patrimoniais, penso ser importante
transcrever as considerações feitas por Rogério Greco em sua obra Curso de Direito Penal,
vol. III.
“De todos os Títulos constantes da parte Especial do Código Penal, o Titulo II é
um dos que mais se destacam nas estatísticas judiciárias e policias”. Os crimes contra o
patrimônio figuram na lista daquelas infrações penais mais cometidas em nossa sociedade.
A pergunta que devemos nos fazer nesse momento é: Por que isso acontece?
 Estudos criminológicos já demonstraram que as infrações patrimoniais são
praticadas em decorrência da ausência do Estado, melhor dizendo, da má administração da
coisa pública, que gera a desigualdade social, criando bolsões de miséria, separando, cada
vez mais, as classes sociais existentes.
 A situação de miserabilidade gera revolta, indignação, desconfiança dos poderes
públicos e cria um clima de tensão. De um lado, a mídia bombardeando nossa mente, nos
forçando a “entrar na moda”, nos obrigando a todo tipo de compras inúteis de
desnecessárias; do outro, pessoas desempregadas ou, mesmo, empregadas, recebendo
importâncias irrisórias, que mal atendem às suas necessidades básicas de subsistência,
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sofrem a consequência de pressão social, que as discriminam pela maneira de se vestir,
falar, por não terem casa própria, veículos etc.
 Com isso, queremos afirmar, em poucas linhas, que a ausência do estado social é
fator preponderante para a prática dos crimes patrimoniais. Talvez o leitor nunca tenha se
perguntado por que razão no Japão o índice de crimes patrimoniais é tão baixo. Será porque
os tipos penais japoneses são mais bem redigidos do que os nossos e, com isso, a
mensagem punitiva do Estado chega melhor ao conhecimento de todos, ou será porque o
Japão cumpre com suas funções sociais, proporcionando a quase todos uma vida digna?
 Obviamente que o cumprimento das funções sociais pelo Estado inibe essa
espécie de criminalidade. Aqueles que possuem uma condição financeira razoável, que lhes
permite a satisfação de alguns desejos (pois satisfazer a todos seria impossível, pelo menos
para a maioria absoluta da população), não estarão propensos a praticar quaisquer dos
crimes, previstos no titulo II da Parte Especial do Código Penal. Você imaginaria, por
exemplo, alguém com uma renda superior a 20 salários mínimos roubando um turista em
plena luz do dia, arrancando-lhe das mãos a sua câmera fotográfica ou, mesmo,
sequestrando alguém com fim de obter um resgate? Isso aconteceria somente com exceção,
justificando a regra geral.
 Dessa forma, podemos concluir que os crimes patrimoniais previstos no titulo em
estudo, originam-se, basicamente, da ausência do Estado Social, que cria, dada a sua má
administração, um abismo entre as classes sociais, gerando, consequentemente, um clima
de tensão, altamente propício ao desenvolvimento de uma mentalidade voltada à prática
dessas infrações penais.
 O legislador, mesmo sabendo que o Estado é o responsável pelo índice assustador
de crimes patrimoniais, parece fazer parte do “jogo” da administração: pune mais
severamente aqueles que se veem compelidos a praticar infrações penais patrimoniais,
muitas vezes considerados também vítimas do sistema, do que os verdadeiros responsáveis
por essa situação de calamidade, que praticam, com seus “colarinhos brancos”, as piores e
mais hediondas infrações penais.
 Como os criminosos de “colarinho branco” não sujam as mãos em suas infrações
penais, bem como pelo fato de que, nos comportamentos deles, como regra, não
conseguimos enxergar o filete de sangue na calçada, para a população, parece que seus
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crimes não são tão importantes assim. Muito pelo contrário, são verdadeiros genocidas que
exterminam a sociedade, matando milhares ao mesmo tempo, com suas subtrações.
 No titulo correspondente aos crimes contra o patrimônio, será fundamental ao
exegeta utilizar a interpretação denominada sistêmica ou sistemática para que se tenha
melhor compreensão dos tipos penais. Imagine-se, por exemplo, a hipótese do art. 159
encontra-se inserido no título correspondente aos crimes contra o patrimônio, sendo este,
portanto, o bem jurídico precipuamente protegido.
 Da mesma forma seria o raciocínio relativo ao crime do latrocínio. Suponha-se
que o agente, dolosamente, cause a morte da vítima, com a finalidade de subtrair-lhe o
relógio. Teria, de acordo com o seu elemento subjetivo, cometido o delito de latrocínio.
Neste caso, pergunta-se: como a morte foi dolosa, mesmo tendo o agente a finalidade de
subtrair os bens da vítima, o fato deveria ser levado a julgamento pelo júri, conforme
determina o inciso XXXVIII do art. 5º da Constituição Federal? Não, uma vez que delito de
latrocínio encontra-se no titulo II da parte especial do Código Penal, que diz respeito aos
crimes contra ao patrimônio, razão pela qual, mesmo tendo o agente causado dolosamente a
morte da vítima, a finalidade de subtração patrimonial fará com que o seu julgamento seja
realizado pelo juízo monocrático, e não pelo júri.
 Merece destaque, ainda, o fato de que em muitas infrações penais contidas neste
título, embora o patrimônio seja o bem precipuamente protegido, isso não afasta a
possibilidade de, com ele, serem tutelados bens de outra natureza, a exemplo do citado
crime de latrocínio. “Nele, além do patrimônio, protege-se a vida, tratando-se, pois, de um
delito pluriofensivo, razão pela qual a pena correspondente ao latrocínio (reclusão, de 20 a
30 anos) é superior à do homicídio, mesmo que qualificado (reclusão, de 12 a 30 anos).”
FURTO – ART. 155 DO CÓDIGO PENAL
Furto Simples
Caput: “Subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel: 
Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
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Bem Jurídico tutelado: É o patrimônio, sendo que para a maioria da doutrina compreende
a posse e a propriedade da coisa alheia móvel.
Sujeito ativo:
Pode ser qualquer pessoa, exceto o dono, porque o tipo exige que a coisa seja
alheia.
Subtrair coisa própria, que se encontra em poder de terceiro, em razão de contrato
(mútuo pignoratício) ou de ordem judicial (objeto penhorado), acarreta o crime do art. 346
do Código Penal (tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder
de terceiro por determinação judicial ou convenção). Este crime não tem nome; é um
subtipo do exercício arbitrário das próprias razões. 
O credor que subtrair bem do devedor, para se auto ressarcir de dívida já vencida e
não paga, pratica o crime de exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 do CP). Não
responde por furto porque não agiu com intenção de causar prejuízo.
Se alguém, por erro, pegar um objeto alheiopensando que lhe pertence, não
responderá por furto em razão da incidência do erro de tipo. 
Sujeito passivo:
É sempre o dono e, eventualmente, o possuidor ou detentor que sofre algum
prejuízo.
O agente que furta um bem que já fora anteriormente furtado responde pelo delito,
que terá como vítima o dono da coisa.
Pessoas jurídicas podem ser vítimas de furto, porque o seu patrimônio é autônomo
do patrimônio dos sócios. 
Tipo objetivo:
Subtrair: tirar algo de alguém, desapossar
Pode ocorrer em dois casos:
 Tirar algo de alguém;
 Receber uma posse vigiada e sem autorização levar o bem, retirando-o da esfera
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de vigilância da vítima.
Conclui-se que a expressão engloba tanto a hipótese em que o bem é tirado da
vítima quanto aquela em que a coisa é entregue voluntariamente ao agente e este a leva
consigo.
Essa modalidade difere da apropriação indébita porque nesta a posse é desvigiada.
Ex.: caixa de supermercado, tem a posse vigiada, se pegar dinheiro praticará furto. 
Objeto material: Coisa alheia móvel 
 Coisa móvel: aquela que pode ser transportada de um local para outro, sem
separação destrutiva do solo. O Código Civil considera como imóvel alguns
bens móveis, como aviões, embarcações, o que para fins penais é irrelevante.
Os semoventes também podem ser objeto de furto, como, por exemplo, o abigeato,
ou seja, o furto de gado.
Areia, terra (retirados sem autorização) e árvores (quando arrancadas do solo)
podem ser objeto de furto, desde que não configure crime contra o meio ambiente.
A coisa deve ser alheia (elemento normativo do furto). 
O furto é um tipo anormal porque contém elemento normativo que exige juízo de
valor. Coisa alheia é aquela que tem dono; dessa forma, não constituem objeto de furto a
res nullius (coisa de ninguém, que nunca teve dono) e a res derelicta (coisa abandonada).
Nessas hipóteses, o fato será atípico porque a coisa não é alheia.
A coisa perdida (res desperdicta) tem dono, mas não pode ser objeto de furto porque
falta o requisito da subtração; quem a encontra e não a devolve não está subtraindo -
responderá por apropriação de coisa achada, tipificada no art. 169, § único, inc. II, do
Código Penal. 
A coisa só é considerada perdida quando está em local público ou aberto ao público.
Coisa perdida, por exemplo, dentro de casa, dentro do carro, se achada e não restituída ao
proprietário, caracterizará crime de furto. 
 Coisa de uso comum: (água dos mares, ar atmosférico etc.) não pode
ser objeto de furto, exceto se estiver destacada de seu meio natural e for
explorada por alguém. Ex.: água da Sabesp.
Não confundir com furto de coisa comum, art. 156 do Código Penal, que ocorre
quando o objeto pertence a duas ou mais pessoas nas hipóteses de sociedade, condomínio
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de coisa móvel e co-herança. 
Ser humano não pode ser objeto de furto, pois não é coisa.
A subtração de cadáver ou parte dele tipifica o delito específico do art. 211 do
Código Penal (destruição, subtração ou ocultação de cadáver). O cadáver só pode ser objeto
de furto quando pertence a uma instituição e está sendo utilizado para uma finalidade
específica. Ex.: faculdade de medicina, institutos de pesquisa.
A subtração de órgão de pessoa viva ou de cadáver, para fins de transplante,
caracteriza crime da Lei n. 9.434/97.
Cortar o cabelo de alguém para vender, não configura furto, mas sim, lesão corporal.
No caso de alguém retirar dente de ouro ou paletó do cadáver, há dois
entendimentos:
Esses bens possuem dono, que são os sucessores do falecido, por isso tratam-se de
coisa alheia que pode ser furtada, caracterizando o crime de furto que terá como sujeito
passivo os familiares do de cujus.
Os bens equivalem à coisa abandonada, por não haver interesse por parte dos
sucessores em recuperá-los. Assim, o crime não é o de furto, mas o de violação de sepultura
– art. 210 do Código Penal.
Tipo subjetivo: “dolo”, não admite a modalidade culposa.
Elemento subjetivo do tipo: Ânimo de assenhoramento definitivo do bem, para si ou para
outrem (animus rem sibi habendi). 
Trata-se do elemento subjetivo específico do tipo. Não basta apenas a vontade de
subtrair (dolo geral): a norma exige a intenção específica de ter a coisa, para si ou para
outrem, de forma definitiva.
É esse elemento que distingue o crime de furto e o furto de uso (fato atípico). Para a
sua caracterização é necessário que o agente tenha intenção de uso momentâneo e que
restitua a coisa imediata e integralmente à vítima.
Requisitos para o furto de uso:
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 Intenção, desde o início, de uso momentâneo da coisa subtraída;
 Coisa não consumível;
 Sua restituição imediata e integral à vítima
OBS.: O apoderamento momentâneo de veículo configura furto de uso? Para alguns sim,
pois apesar de coisa não consumível, tem-se o problema da gasolina (que é um bem
consumível). Nesse sentido, HUNGRIA - 
 “assim, se a coisa transitoriamente usada é um automóvel suprido de gasolina e óleo e se
tais substâncias são total ou parcialmente consumidas, já então se apresenta um furtum rei,
isto é, um autêntico furto em relação à gasolina e ao óleo”. A doutrina moderna, no entanto,
vem ensinando a necessidade, para caracterizar o crime quando do simples uso, um
desfalque juridicamente apreciável no patrimônio da vítima, o que não se dá com o mero
gasto dos pneus ou desfalque de um tanque de gasolina. Aliás, parece evidente que, quem
usa um carro não quer se apoderar da gasolina, mas é forçado, obrigado e compelido a
despender esse combustível, pois do contrário o veículo não anda, principalmente em se
tratando de uma coisa móvel por excelência. A se punir alguém por furto do combustível,
pelo uso do passageiro de um veículo motorizado, por que não punir-se, pelo gasto dos
pneus (ou da borrachinha do breque), aquele que se utiliza de uma bicicleta? 
Consumação: Em relação à consumação, existem quatro correntes, a saber:
1ª corrente – teoria da contrectatio – a consumação ocorre pelo simples contato com o
agente e a coisa alheia (corrente muito minoritária); 
2ª corrente – teoria da apprehensio – teoria da amotio – consuma-se o delito quando a
coisa passa para o poder do agente, dispensando-se posse mansa e pacífica. Majoritária
nos tribunais superiores (STJ RESP 931733); 
3ª corrente – teoria da ablatio – consuma-se o delito quando a coisa, além de apreendida,
entra na posse mansa e pacífica do agente, ainda que por curto espaço de tempo.
Majoritária na doutrina; 
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4ª corrente – teoria da ilatio – exige para a consumação que a coisa seja levada ao local
desejado pelo agente. 
Se, na fuga, o agente se desfaz ou perde o objeto, que não venha a ser recuperado
pela vítima, consuma-se o delito, pois a vítima sofreu efetivo prejuízo. É exceção à
exigência de que o agente tenha posse tranquila do bem.
Quando há concurso de agentes, se o crime está consumado para um, está também
consumado para todos – adoção da teoria unitária. Ex.: dois ladrões furtam uma carteira,
um foge com o bem e o outro é preso no local: o crime está consumado para ambos. 
Tentativa
É possível, até mesmo na forma qualificada, com exceção do § 5.o do art. 155 do
Código Penal.
O fato de terhavido prisão em flagrante não implica, necessariamente, que o furto
seja tentado, como, por exemplo, o caso do flagrante ficto (art. 302, IV, do CPP), que
permite a prisão do agente encontrado, algum tempo depois da prática do crime com papéis,
instrumentos, armas ou objetos que façam presumir ser ele o autor do crime.
Concurso de delitos
A violação de domicílio fica absorvida pelo furto praticado em residência por ser
crime meio (princípio da consunção).
Se o agente, após a subtração, danifica o bem subtraído, responde apenas pelo furto,
sendo o dano um post factum impunível, pois a segunda conduta delituosa não traz novo
prejuízo à vítima.
Se a pessoa furta um bem, e depois o aliena a um terceiro de boa-fé, a jurisprudência
majoritária vem entendo haver um post factum impunível.
OBS.1: Se o agente é surpreendido no interior de um supermercado, ocultando objetos,
trata-se de atos preparatórios, enquanto não passar pelo caixa. Os atos preparatórios não são
puníveis, salvo se houver figura típica específica. Em relação à execução, adota-se a teoria
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objetiva formal – o agente ingressa na fase executória quando dá início à prática do verbo
núcleo do tipo. 
OBS.2: Após entrar numa residência, o agente é surpreendido antes de se apoderar de
qualquer objeto – responderá por violação de domicílio. Por mais que tenha entrado na
residência, pela teoria objetivo formal, deveria praticar o verbo núcleo do tipo. 
OBS.3: Subtração com destruição – sujeito vai a uma fazenda, mata uma vaca e começa a
cortá-la, mas não leva a carne embora, por ex., - quando houver a destruição ou perda do
bem subtraído, o delito de furto estará consumado. Quando alguém consome o objeto
dentro do mercado – aplica-se a mesma regra, mas deve-se atentar se o sujeito pagará o
valor do objeto no caixa. 
Crime impossível:
Pessoa que entra num estabelecimento vigiado e leva um objeto que lá é vendido,
se está sendo vigiada desde o início do ato, sendo presa em flagrante no estacionamento,
por ex, - para a doutrina majoritária, trata-se de crime impossível. Para a jurisprudência
majoritária, a utilização de dispositivos de segurança não caracteriza crime impossível,
pois a ineficácia do meio seria apenas relativa. Ex. do punguista (ladrão habilidoso):
ladrão tenta assaltar a vítima, mas esta não tem valores nem objetos de valores na sua
posse, trata-se de crime impossível por absoluta impropriedade do objeto. Se o agente
enfia a mão no bolso errado do cidadão, trata-se de circunstância acidental, respondendo
então por tentativa de furto (BITENCOURT e ROGÉRIO GRECO). 
Furto Noturno - Art. 155, § 1.o, do Código Penal
“A pena aumenta-se de 1/3, se o crime é praticado durante o repouso noturno.”
Trata-se de causa de aumento de pena que tem por finalidade garantir a proteção em
relação ao patrimônio durante o repouso do proprietário, uma vez que neste período há
menor vigilância de seus pertences. 
O furto noturno não se aplica ao furto qualificado. Só vale para o furto simples:
 Pela posição do parágrafo (o § 1.º só vale para o que vem antes);
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 No furto qualificado já há previsão de pena maior.
A jurisprudência dominante traça algumas considerações:
 Só se aplica quando o fato ocorre em residência (definida pelo art. 150, § 4.o, do
Código Penal como sendo qualquer compartimento habitado, ou o aposento de
habitação coletiva, ou compartimento não aberto ao público, onde alguém
exerce profissão ou atividade) ou em qualquer de seus compartimentos, desde
que haja morador dormindo;
 O aumento não se aplica se a casa estiver desabitada ou se seus moradores
estiverem viajando;
 Não se aplica o aumento no caso de furto praticado na rua ou em comércio;
 O repouso noturno não se confunde com a noite e sim com o tempo em que a
cidade ou local repousa. 
OBS: Para o STJ, é irrelevante o fato de se tratar de estabelecimento comercial ou de
residência, habitada ou desabitada, bem como o fato de a vítima estar ou não efetivamente
repousando (STJ HC 29153). 
1.3. Furto Privilegiado - Art. 155, § 2.o, do Código Penal
1.3.1. Requisitos
 Que o agente seja primário (todo aquele que não é reincidente). Se o réu for
primário e tiver maus antecedentes, fará jus ao privilégio, porque a lei não exige
bons antecedentes. 
 Que a coisa subtraída seja de pequeno valor. A jurisprudência adotou o critério
objetivo para conceituar pequeno valor, considerando aquilo que não excede a
um salário mínimo. Na tentativa leva-se em conta o valor do bem que se
pretendia subtrair. 
Deve ser examinado o valor do bem no momento da subtração e não o prejuízo
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suportado pela vítima. Ex.: no furto de um carro, que é recuperado depois, o prejuízo pode
ter sido pequeno, mas será levado em conta o valor do objeto furtado. 
Não confundir privilégio com furto de bagatela; pelo princípio da
insignificância, o crime de furto de bagatela é atípico porque a lesão ao bem jurídico
tutelado é ínfima, irrisória. No furto privilegiado, ao contrário, o fato é considerado crime,
mas haverá um benefício.
1.3.2. Consequências
Na aplicação da pena no furto privilegiado “... o juiz pode converter a reclusão em
detenção, podendo reduzir uma ou outra de um a dois terços, ou aplicar somente a multa. O
que não pode é reduzir a privativa e a multa” (JTACrimSP 76/363).
Apesar do § 2.º trazer a expressão “pode”, presentes os requisitos legais, o juiz
”deve” aplicar o privilégio, porque não há faculdade, e sim, direito público subjetivo do
réu.
P.: O privilégio pode ser aplicado ao furto qualificado? 
R.: A doutrina diverge a respeito: uma corrente afirma que sim, pois não há vedação
legal; a outra, majoritária, não admite a aplicação e fundamenta que o privilégio encontra-
se no § 2.o, e, portanto, não poderia ser aplicado aos §§ 4.o e 5.o; ademais, a gravidade do
furto qualificado é incompatível com as consequências brandas (de redução da pena) do
privilégio. 
Para a jurisprudência:
É possível? Ex.: duas pessoas subtraíram 125 reais. Por qual crime elas respondem? R.:
Para o STF, é possível o furto qualificado-privilegiado (STF HC 96843 – decisão de 2009)
(STJ HC 96140). Antigamente o STF entendia que tal combinação não era possível
Ementa 
DIREITO PENAL. HABEAS CORPUS. FURTO QUALIFICADO. RÉU PRIMÁRIO.
RES FURTIVA DE PEQUENO VALOR. POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DO
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PRIVILÉGIO PREVISTO NO PARÁGRAFO 2º DO ART. 155 DO CP. ORDEM
CONCEDIDA. 1. A questão tratada no presente writ diz respeito à possibilidade de
aplicação do privilégio previsto no parágrafo 2º do art. 155 do Código Penal ao crime de
furto qualificado. 2. Considero que o critério norteador, deve ser o da verificação da
compatibilidade entre as qualificadoras (CP, art. 155, § 4°) e o privilégio (CP, art. 155,
§ 2°). E, a esse respeito, no segmento do crime de furto, não há incompatibilidade
entre as regras constantes dos dois parágrafos referidos. 3. No caso em tela, entendo
possível a incidência do privilégio previsto no parágrafo 2º do art. 155 do Código
Penal, visto que, apesar do crime ter sido cometido em concurso de pessoas, o paciente
é primário e a coisa furtada de pequeno valor. 4. Ante o exposto, concedo a ordem de
habeas corpus.
STJ - PRIVILÉGIO. CRIMECONTRA O PATRIMÔNIO PRATICADO MEDIANTE O
CONCURSO DE DUAS PESSOAS. APLICAÇÃO DO PRIVILEGIUM DESCRITO NO §
2º DO ART. 155 DO CP. COMPATIBILIDADE COM A MODALIDADE
QUALIFICADA. PRIMARIEDADE E RES FURTIVA DE PEQUENO VALOR.
REQUISITOS LEGAIS DEVIDAMENTE PREENCHIDOS. RECONHECIMENTO DA
BENESSE QUE SE IMPÕE.
ROGÉRIO GRECO – quando se analisa a causa especial de aumento de pena relativa ao
repouso noturno, concluímos que ela não se aplicava às modalidades qualificadas em razão
da sua situação topográfica, ou seja, pelo fato de se encontrar anteriormente às
qualificadoras, somente poderia ser aplicada ao caput do art. 155 do CP, de acordo com
regras de hermenêutica. Agora temos outro parágrafo que também antecede a previsão das
modalidades qualificadas. Entretanto, ao contrário do repouso noturno, o parágrafo 2º do
art. 155 do CP beneficia o agente. Ao contrário do raciocínio anterior (furto praticado
durante o repouso noturno), a aplicação do parágrafo 2º beneficia o agente, razão pela qual,
por questões de boa política criminal, faz-se mister a sua aplicação. 
Furto por equiparação - Art. 155, § 3.o, do Código Penal
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O art. 155, § 3.o, do Código Penal trata do furto de energia. Equipara-se à coisa
móvel a energia elétrica, bem como qualquer outra forma de energia com valor econômico.
Esse dispositivo é uma norma penal explicativa ou complementar (esclarece outras normas;
na hipótese, define como objeto material do furto, a energia).
Sinal de TV a cabo: Apesar de alguns julgados no sentido de equiparar a subtração
de sinal de TV a cabo ao furto de energia, importante assinalara o posicionamento de
Rogério Greco, in verbis: “A pergunta que devemos nos fazer, agora, é a seguinte: Podemos
entender como contida na expressão utilizada pelo mencionado § 3º os sinais
correspondentes à transmissão de TV por assinatura?
 Entendemos que não, pois, caso contrário, estaríamos adotando o recurso à analogia
in malam partem para que pudéssemos preencher a lacuna existente.
 Estamos com Cezar Roberto Bitencourt quando assevera:
 “O art. 155, §, equipara à coisa móvel ‘a energia elétrica ou qualquer outra que tenha
valor econômico’. Certamente, ‘ sinal de TV a cabo’ não é energia elétrica; deve-se
examinar, por conseguinte seu enquadramento na expressão genérica ‘qualquer outra’
refere-se, por certo, a ‘energia’ que, apenas por razões linguísticas, ficou implícita na
redação do texto legal; mas, apesar de sua multiplicidade, energia solar, térmica, luminosa,
sonora, mecânica, atômica, genética, entre outras, inegavelmente ‘sinal de TV’ não é nem
se equipara a ‘energia’, seja de que natureza for. Na verdade, energia se consome, se esgota,
diminui, e pode, inclusive, terminar, ao passo que ‘sinal de televisão’ não se gasta, não
diminui; mesmo que metade do País acesse o sinal ao mesmo tempo, ele não diminui, ao
passo que, se fosse a energia elétrica, entraria em colapso”.
Jurisprudência – sinal de TV a cabo é equiparado à coisa móvel, podendo ser objeto
material de furto – crime permanente (STJ HC 17867). NUCCI também entende desta
forma.
1.4. Furto Qualificado - Art. 155, §§ 4.º e 5.º, do Código Penal
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Quando o juiz reconhecer mais de uma qualificadora, utilizará a segunda como
circunstância judicial na primeira fase da fixação da pena.
1.4.1. Art. 155, § 4.º, do Código Penal
A pena é de reclusão de 2 a 8 anos, e multa, se o crime é cometido:
Discussão acerca do ferimento aos princípios da proporcionalidade e isonomia:
OBS.1: Art. 155 – pena: 1 a 4 anos; art. 155, parágrafo 4º - pena: 2 a 8 anos; art. 157 –
pena: 4 a 10 anos; art. 157, parágrafo 2º - majorante de 1/3 até 1/2. No furto, a pena do
furto qualificado é dobrada; a pena do roubo majorado é apenas aumentada de 1/3 a ½.
Pode-se usar este aumento de pena do roubo para o furto qualificado? R.: A título de
princípio da proporcionalidade e da isonomia, não pode o Poder Judiciário exercer juízo
de valor sobre o quantum da sanção penal estipulada pelo legislador, sob pena de
violação ao princípio da separação dos poderes (STF RE 358315). 
OBS.2: Art. 180 do CP – crime de receptação – no caput, exige-se o dolo direto (“coisa
que sabe ser produto de crime”) para caracterizar o crime, com pena de 1 a 4 anos; no
parágrafo primeiro, exige-se o dolo eventual (“coisa que deve saber ser produto de
crime”) para caracterizar o crime, com pena de 3 a 8 anos. Há violação nítida ao princípio
da proporcionalidade. Para o STJ, deve-se aplicar ao crime de receptação qualificada a
pena prevista no art. 180, caput, do CP (STJ HC 101531). 
***OBS.: Inovação jurisprudencial – STF (2ª turma) – informativo 546: O art. 180, § 1º,
do CP NÃO ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.
Fundamentos: 1º) a conduta descrita no § 1º do art. 180 do CP é mais gravosa do que
aquela do caput, porquanto voltada para a prática delituosa pelo comerciante ou industrial,
que, em virtude da própria atividade profissional, possui maior facilidade para agir como
receptador de mercadoria ilícita. 2º) apesar da falta de técnica na redação do aludido
preceito, a modalidade qualificada do § 1º abrangeria tanto o dolo direto quanto o
eventual, ou seja, abarcaria a conduta de quem “sabe” e de quem “deve saber” ser a coisa
produto de crime. (02/06/2009).
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Com rompimento ou destruição de obstáculo
Pressupõe uma agressão que danifique o objeto, destruindo-o (destruição total) ou
rompendo-o (destruição parcial). O art. 171 do Código de Processo Penal exige perícia.
O obstáculo pode ser passivo (porta, janela, corrente, cadeado etc.) ou ativo (alarme,
armadilha).
A simples remoção do obstáculo não caracteriza a qualificadora, que exige o
rompimento ou destruição.
 Desligar o alarme não danifica o objeto, não fazendo incidir a qualificadora.
O cão não é considerado obstáculo. 
 O crime de dano fica absorvido pelo furto qualificado quando é meio para a
subtração, por ser uma qualificadora específica.
A qualificadora só é aplicada quando o obstáculo atingido não é parte integrante
do bem a ser subtraído. Ex.: arrombar o portão para furtar o carro – aplica-se a
qualificadora; quebrar o vidro do carro para subtrair o automóvel – furto simples; quebrar o
vidro do carro para subtrair uma bolsa que está dentro – furto qualificado. A divergência
surge quanto ao furto de toca-fitas ou CD. Para uns, incide a qualificadora; para outros, o
furto é simples porque o referido aparelho é parte integrante do carro. Ainda para parcela
considerável da doutrina por uma questão de equidade e proporcionalidade, quando o vidro
do carro ou o quebra-vento é quebrado, tal qualificadora não incide quando for subtraído
um objeto que se encontra dentro do veículo (pois, quando o carro que é furtado, a
qualificadora já não seria aplicada). Para a jurisprudência, a subtração de objetos que se
encontram no interior do veículo, mediante rompimento de obstáculo, faz incidir a
qualificadora do inciso I (STJ RESP 983291; STF HC 77675). 
 Ligação direta do veículo (ligamento de fios para ao carro funcionar) – 1ª corrente –
não incide nenhuma qualificadora; 2ª corrente – ROGÉRIO GRECO – há um rompimento de
obstáculo à subtração da coisa, pois não se usa a chave.
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https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=dos-crimes-contra-a-vida A destruição ou rompimento deve se dar antes ou após a subtração da coisa? R.:
NORONHA – deve a destruição ou rompimento se dar apenas antes da subtração para
qualificar o furto, pois deve ela ser empregada para a subtração. Se o legislador quisesse
referia o delito todo, bastaria dizer ‘...se o crime é cometido com destruição ou rompimento
de obstáculo’. HUNGRIA, ROGÉRIO GRECO, ROGÉRIO SANCHES – a destruição ou o
rompimento pode ocorrer antes, ou mesmo depois da apreensão da res. Enquanto o furto
não está consumado, ou ainda se acha em fase de execução, a violência contra o obstáculo é
qualificativa. 
b) Com abuso de confiança, mediante fraude, escalada ou destreza.
Com abuso de confiança – requisitos:
 Que a vítima, por algum motivo, deposite uma especial confiança em alguém:
amizade, namoro, relação de emprego etc. Saliente-se que a relação de emprego
deve ser analisada no caso concreto, pois, em determinados empregos, patrão e
empregado não possuem qualquer contato, inclusive para os empregados
domésticos a jurisprudência exige a demonstração da confiança.
 Que a subtração tenha sido praticada pelo agente, aproveitando-se de alguma
facilidade decorrente da relação de confiança (nexo de causalidade).
Emprego de fraude: significa usar de artifícios para enganar alguém, possibilitando a
execução do furto.
O furto mediante fraude distingue-se do estelionato porque neste a fraude é utilizada
para convencer a vítima a entregar o bem ao agente e naquele, a fraude serve para distrair a
vítima para que o bem seja subtraído.
No furto, a fraude é qualificadora; no estelionato é elementar do tipo.
A jurisprudência entende que a entrega do veículo a alguém que pede para testá-lo,
demonstrando interesse na sua compra, caracteriza o crime de furto qualificado pela fraude
(para possibilitar a indenização por parte do seguro, que cobre apenas furto e não
estelionato, crime que realmente ocorreu porque houve entrega). 
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 Fraudes por meio da internet – a vítima lê o artigo na internet e ela mesma se
interessa pelo o anúncio, depositando o valor na conta do agente  delito de
estelionato. Todavia, programas de vírus que captam a senha da vítima, e
começam a efetuar saques  trata-se de furto mediante fraude. Entende, neste
caso, a jurisprudência que o sujeito passivo é a instituição bancária, que tem o seu
sistema de segurança burlado pelo o agente; logo, a justiça competente pode ser a
Justiça Federal, se tratar-se de empresa pública federal. O delito de furto consuma-
se no local em que a coisa é retirada da esfera de disponibilidade da vítima, leia-
se, onde está localizada a conta corrente (STJ, CC 86862). 
ROGÉRIO SANCHES elenca hipóteses trazidas pelos Tribunais, caracterizadoras de furto
qualificado pela fraude:
 Agente que, a pretexto de auxiliar a vítima a operar caixa eletrônico,
apossa-se de seu cartão magnético, trocando-o por outro; 
 Agente que simula interesse na compra de motocicleta, com pretexto de
testá-la, bem como de ir buscar dinheiro em outro lugar, para em seguida
dela se apossar;
 Agente que, como empregado da empresa-vítima, coloca aparelho de
maior valor em caixa de aparelho de menor quantia, destinando-se a
fraudar a vigilância do ofendido sobre o bem, de modo a impedir que
tenha este conhecimento de que a res está saindo de seu patrimônio.
Escalada: é o acesso por via anormal ao local da subtração. Ex.: entrada pelo telhado, pela
tubulação do ar-condicionado, pela janela, escavação de um túnel e outros.
Para configuração da escalada tem-se exigido que o agente dispense um esforço
razoável para ter acesso ao local: entrar por uma janela que se encontra no andar térreo,
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saltar um muro baixo, por exemplo, não qualificam o furto.
O art. 171 do Código de Processo Penal exige a perícia do local.
Destreza: habilidade do agente que permite a prática do furto sem que a vítima
perceba.
A vítima deve estar ao lado ou com o objeto para que a destreza tenha relevância
(uma bolsa, um colar etc.).
Se a vítima está dormindo ou em avançado estado de embriaguez não se aplica a
qualificadora, pois não há necessidade de habilidade para tal subtração.
Se a vítima percebe a conduta do agente, não se aplica a qualificadora.
Se a vítima não perceber a conduta do agente, mas for vista por terceiro, subsiste a
qualificadora.
c) Com emprego de chave falsa
Considera-se chave falsa:
 Cópia feita sem autorização;
 Qualquer objeto capaz de abrir uma fechadura. Ex.: grampo, chave mixa, gazua
etc.
A chave falsa deve ser submetida à perícia para constatação de sua eficácia.
A utilização da chave verdadeira encontrada ou subtraída pelo agente não configura
a qualificadora; o furto será simples. Se subtraída mediante fraude, haverá furto qualificado
mediante fraude.
ROGÉRIO SANCHES – A chamada ligação direta para movimentação de veículo a motor
não foi prevista em lei como qualificadora, não se podendo, assim, equipará-la à chave
falsa ou ao rompimento de obstáculo à subtração da coisa. 
OBS: O art. 25 da Lei das Contravenções Penais tipifica a posse não justificada de
instrumentos de emprego usual na prática de furto. 
d) Mediante o concurso de duas ou mais pessoas
A aplicação da qualificadora dispensa a identificação de todos os indivíduos e é
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cabível ainda que um dos envolvidos seja menor.
P.: Exige-se que as duas pessoas pratiquem os atos de execução do furto?
R.: Para Nelson Hungria, Celso Delmanto, José Henrique Pierangeli, Cezar Roberto
Bitencourt, Rogério Greco e Weber Martins, etc, a qualificadora será aplicada quando pelo
menos duas pessoas executarem a subtração, pois o crime seria cometido com maior
facilidade, dificultando a defesa da vítima.
Para Damásio de Jesus, Heleno Fragoso e Fernando Capez, a qualificadora existirá
ainda que uma só pessoa tenha praticado os atos executórios, porque a lei exige o “concurso
de duas ou mais pessoas”, não distinguindo coautoria de participação, sendo que nessa o
agente não pratica atos executórios. Demonstram ainda que a lei, quando exige a execução
por todos os envolvidos, expressa-se nesse sentido, citando como exemplo o art. 146 do
Código Penal que impõe “para execução do crime” a reunião de mais de três pessoas.
Para Damásio, Pierangeli e Rogério Greco, reconhecida a existência do crime de
quadrilha ou bando (art. 288 do CPP), o juiz não poderá aplicar a qualificadora do furto
mediante concurso de duas ou mais pessoas porque constituiria bis in idem. Já para
Fernando Capez, não constitui “bis in iden”, uma vez que os crimes de bando e quadrilha, e
furto tutelam bens jurídicos diversos, não havendo que se falar em dupla punição pelo
mesmo fato. 
Algumas considerações: 
a) O auxílio deve ser anterior o concomitante à subtração, do contrário haverá
outro crime (Ex. Favorecimento real e pessoal);
b) Absolvição do outro consorte: exclui a qualificadora;
c) Identificação do outro consorte: é irrelevante, desde que haja provas de que o
crime foi cometido por duas pessoas ou mais;
d) Participação de inimputável: é válida para efeito de configurar a qualificadora;
Comunicabilidade entre co-autores e partícipes:
Com exceção da qualificadora referente ao abuso de confiança e a destreza
(possuem caráter pessoal), as demais por serem circunstâncias objetivas comunicam-se aos
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Art. 155, § 5.º, do Código Penal – Inserido pela Lei n. 9.426/96.
A pena passa a ser de reclusão de 3 a 8 anos, se a subtração é de veículo automotor
“que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior”. A definição de veículo
automotor encontra-se no Anexo I do CTB.
O § 5.º absorve as qualificadoras do § 4.º, que só poderão ser utilizadas como
circunstâncias judiciais, já que as penas previstas em abstrato são diversas.
Não basta a intenção do agente de transportar o veículo para outro Estado ou para o
exterior; deve ocorrer o efetivo transpasse da fronteira ou divisa para incidência da
qualificadora.
Se o agente for detido antes de cruzar a divisa, haverá o crime de furto simples
consumado e a qualificadora não será aplicada.
A tentativa dessa modalidade de furto qualificado será possível quando o agente
tentar transpor a barreira da divisa e for detido.
ROUBO – ART. 157 DO CÓDIGO PENAL
Enquanto o furto é a subtração pura e simples de coisa alheia móvel, para si ou para
outrem (art. 155 do CP), o roubo é a subtração de coisa móvel alheia, para si ou para
outrem, mediante violência, grave ameaça ou qualquer outro recurso que reduza a
possibilidade de resistência da vítima.
O caput do artigo citado trata do roubo próprio, e o seu § 1.º descreve o que a
doutrina chama roubo impróprio. A diferença reside no preciso instante em que a violência
ou a grave ameaça contra a pessoa são empregadas. Quando o agente pratica a violência ou
grave ameaça, antes ou durante a subtração, responde por roubo próprio; quando pratica
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esses recursos depois de apanhada a coisa, para assegurar a impunidade do crime ou a
detenção do objeto material, responde por roubo impróprio.
A pena para ambos (violência e/ou grave ameaça) é de reclusão, de 4 (quatro) a 10
(dez) anos, e multa. 
Bem Jurídico tutelado: A lei pretende assegurar o patrimônio e a integridade física ou
liberdade individual.
Sujeito Ativo: Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.
Sujeito Passivo: Sujeito passivo pode ser qualquer pessoa que sofra diminuição (perda)
patrimonial (proprietário ou possuidor) ou que seja atingida pela violência ou grave
ameaça. 
 
Tipo objetivo:
Subtrair e coisa alheia móvel já foram objeto de análise quando do estudo
relativo ao crime de furto. 
 Violência: considera-se apenas a violência real; a violência presumida
trazida pelo art. 224 do Código Penal é excluída.
BITENCOURT – Para caracterizar essa violência do tipo básico de roubo é
suficiente que ocorra lesão corporal leve ou simples vias de fato, na medida em
que lesão grave ou morte qualifica o crime. 
 Grave ameaça: é a promessa de um mal grave e iminente (exs.: anúncio de
morte, lesão, sequestro). Em relação ao que se deve levar em consideração para
a configuração da grave ameaça, a doutrina diverge:
1º Posicionamento: para a doutrina clássica, deve ser levado em consideração o
chamado homem médio, ou seja, a ameaça deve causar temor a uma pessoa
de consciência mediana.
2º Posicionamento: para averiguar se a ameaça é grave, devemos levar em
consideração o temor que ela provoca na vítima, no caso em concreto. É o
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que prevalece.
 Qualquer outro meio: chamado violência imprópria, pode ser revelado, por
exemplo, pelo uso de sonífero, da hipnose etc. A simulação de arma e o uso de
arma de brinquedo configuram a grave ameaça.
A “trombada”, dependendo da intensidade, poderá ser considerada como violência
se for meio utilizado pelo agente para reduzir a vítima à impossibilidade de resistência,
caracterizando o roubo e não o furto. O mesmo acontece com o arrebatamento (retirada da
coisa de forma violenta. Ex. arrancar um colar da vítima de modo a lhe causar algum
ferimento).
Concurso de Crimes:
O número de vítimas não guarda equivalência com o número de delitos. Este último
será relacionado com base no número de resultados (lesão patrimonial), que o agente sabia
estar realizando no caso concreto. 
É possível que um só roubo tenha duas vítimas, pois a vítima do roubo é tanto quem
sofre a lesão patrimonial, como quem sofre a violência ou grave ameaça. Ex.: emprestar o
carro a alguém que venha a ser assaltado (tanto o proprietário quanto o possuidor são
vítimas).
Da mesma forma, havendo grave ameaça contra duas pessoas, mas lesado o
patrimônio de apenas uma, haverá crime único, porém, com duas vítimas.
Empregada grave ameaça contra cinco pessoas e lesado o patrimônio de três, por
exemplo, há três crimes de roubo em concurso formal.
A solução, na hipótese de grave ameaça contra uma pessoa lesando bens de duas,
dá-se da seguinte maneira: se o agente não sabe que está lesando dois patrimônios, há crime
único, evitando-se a responsabilidade penal objetiva; se o agente sabe que está lesando dois
patrimônios (pega o relógio do cobrador e o dinheiro do caixa, por exemplo), há dois
crimes de roubo em concurso formal.
É possível a existência de crime continuado, se preenchidos os requisitos do art. 71
do Código Penal. Ex.: indivíduo rouba uma pessoa em um ônibus, sai dele, entra em outro e
rouba outra pessoa. 
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Tipo subjetivo: “dolo”, não admite a modalidade culposa.
Elemento subjetivo do tipo: Ânimo de assenhoramento definitivo do bem, para si ou para
outrem (animus rem sibi habendi). 
Trata-se do elemento subjetivo específico do tipo. Não basta apenas a vontade de
subtrair (dolo geral): a norma exige a intenção específica de ter a coisa, para si ou para
outrem, de forma definitiva.
Consumação do Roubo: Há certa divergência quanto ao momento consumativo do
roubo próprio. 
Para alguns doutrinadores, o roubo consuma-se da mesma maneira que o furto –
quando o agente consegue a posse tranquila do objeto, fora da esfera de vigilância da vítima
(entendimento majoritário para a doutrina).
Existem julgados do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça no
sentido de que o roubo se consuma com a simples retirada do bem da vítima, após o
emprego da violência ou grave ameaça, ainda que não consiga a posse tranquila. 
Tentativa: A tentativa é possível e será verificada quando, iniciada a execução do tipo,
mediante violência ou grave ameaça, o agente não consegue efetivar a subtração; não se
exige o início da execução do núcleo “subtrair”, e sim da prática da violência, desde que a
intenção do agente seja a subtração.
Quando o agente é preso em flagrante com o objeto do roubo, após perseguição,
responde por crime tentado (para aqueles que exigem a posse tranquila da coisa para
consumação) e por crime consumado para aqueles que dispensam o requisito da posse
tranquila da coisa para consumação do roubo).
Roubo Impróprio – Art. 157, § 1.º, do Código Penal 
“Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência
contra a pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção
da coisa para si ou para terceiro.”
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Diferenças entre roubo próprio e roubo impróprio:
No roubo próprio a violência ou grave ameaça ocorre antes da subtração; no roubo
impróprio depois. 
No roubo próprio, a violência ou grave ameaça constituem meio para a subtração,
enquanto no roubo impróprio, o agente, inicialmente,ascendente, não gera a qualificadora.
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http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
As qualificadoras podem ser de duas espécies: 
 Subjetivas: referem-se aos motivos do crime (inc. I II e V);
 Objetivas: referem-se aos meios e modos de execução (inc. III e IV).
As qualificadoras se estendem aos coautores ou partícipes?
Somente as objetivas se comunicam, desde que tenham ingressado na esfera de
conhecimento do coautor ou partícipe. As de caráter subjetivo são incomunicáveis,
conforme dispõe o art. 30 do Código Penal.
O delito disposto no art. 121 do Código Penal pode ser qualificado e
privilegiado ao mesmo tempo? Dois posicionamentos:
a) Sim, desde que as qualificadoras sejam objetivas, pois as hipóteses que
tratam do privilégio são todas de natureza subjetiva – tornando-se
inconciliáveis com as qualificadoras subjetivas.
b) Não, porque o privilégio não se aplica ao tipo penal qualificado,
porquanto na lição de James Tubenchlak: “Como se sabe, na ordem dos
quesitos formulados pelo juiz e votados pelo júri, os privilégios situam-se
antes das qualificadoras (art. 484, III, do CPP), Por assim ser, quando
reconhecido um privilégio, o entendimento jurisprudencial dominante é no
sentido de ficar prejudicada a votação do quesito versante sobre a
qualificadora. E outra não poderia ser a solução, Tomando-se em conta a
própria sistematização do artigo 121 do CP, que enuncia as causas de
diminuição de pena no § 1º e as de aumento no §2º, de sorte que as
primeiras dizem respeito, exclusivamente, ao tipo básico ou fundamental
do homicídio. Exegese em contrário, convenhamos, viria a acarretar
gravames irremediáveis ao acusado”. 
Crime hediondo: atualmente, o homicídio qualificado é crime hediondo.
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O homicídio privilegiado-qualificado é considerado crime hediondo?
Existem duas correntes:
 DAMÁSIO: quando há agravante e atenuante genérica, deve se dar
preponderância à circunstância de caráter subjetivo. Por analogia, concorrendo
privilégio e qualificadora, prevalece o privilégio, já que, no caso, a
qualificadora será obrigatoriamente objetiva. Como corolário, o crime não é
hediondo. Junto com Damásio estão Fernando Capez, Guilherme Souza Nucci e
Rogério Greco. É o entendimento majoritário. 
 Aceita pela jurisprudência: inaplicável a analogia ao art. 67, porque
qualificadora e privilégio são elementos que não se equivalem. Ao contrário do
que ocorre com as agravantes e atenuantes genéricas. A qualificadora deve
preponderar, porque modifica a própria estrutura típica do delito, alternando a
pena in abstrato, enquanto que o privilégio é apenas causa de diminuição de
pena. 
OBS: Importante acentuar que no rol de crimes elencados na lei 8072/90 (lei dos
crimes hediondos), não consta a figura do homicídio qualificado/privilegiado, mas
somente a do homicídio qualificado.
§ 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado: 
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; 
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência; 
III - na presença de descendente ou de ascendente da vítima. 
HOMICÍDIO CULPOSO - ART. 121, § 3.º, DO CÓDIGO PENAL.
Pena: detenção de 1 (um) a 3 (três) anos.
A morte decorre em razão de uma inobservância do dever objetivo de cuidado. 
 Imprudência: consiste numa ação, conduta perigosa.
 Negligência: é uma omissão quando se deveria ter tomado certo
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cuidado.
 Imperícia: ocorre quando uma pessoa não possui aptidão técnica para
a realização de certa conduta e mesmo assim a realiza, dando causa a morte.
AUMENTO DE PENA ART. 121, § 4.º, DO CÓDIGO PENAL
No Homicídio Culposo
A pena será aumentada de 1/3 (um terço):
a) Se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima
Só se aplica a quem agiu com culpa e não socorreu. Não se aplica o aumento:
 Se a vítima está evidentemente morta;
 Se a vítima foi socorrida de imediato por terceiro;
 Quando o socorro não era possível por questões materiais, ameaça de
agressão, etc.
b) Se o agente foge para evitar o flagrante
c) Se o agente não procurar diminuir as consequências de seu ato.
d) Se o crime resulta da inobservância de regra técnica de arte, profissão ou
ofício. 
Como diferenciá-la da imperícia? A diferença é que na imperícia o agente não
possui aptidão técnica para a conduta, enquanto na causa de aumento o agente conhece a
técnica, mas por descaso, desleixo, não a observa, provocando assim a morte.
No Homicídio Doloso
A pena será aumentada de 1/3, se a vítima for menor de 14, ou maior de 60 anos e
de 1/3 até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação
de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
PERDÃO JUDICIAL - ART. 121, § 5.º, DO CÓDIGO PENAL
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O Juiz poderá conceder o perdão judicial, deixando de aplicar a pena, quando as
consequências do crime atingirem o próprio agente de forma tão grave que a imposição da
mesma se torne desnecessária. Só na sentença é que poderá ser concedido o perdão judicial.
A maioria da doutrina entende tratar-se de um direito público subjetivo do réu. Portanto,
presentes os requisitos legais, o juiz “deve” concede-lo.
Natureza Jurídica do Perdão Judicial
Causa extintiva de punibilidade (art. 107, IX, do CP).
Natureza Jurídica da Sentença que Concede o Perdão Judicial
Tem natureza declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo seus efeitos.
Atualmente, a divergência que antes existia foi pacificada pela edição da Súmula n.
18 do Superior Tribunal de Justiça, que diz que a sentença é declaratória da extinção da
punibilidade, não subsistindo qualquer dos seus efeitos. Havendo dois réus, o juiz poderá
conceder o perdão a apenas um deles.
OBS.: Cabe analogia no perdão judicial? R: Não cabe. A própria lei já disse: só cabe
perdão judicial “nos casos previstos em lei.”. No CTB não está previsto expressamente a
figura no perdão judicial. No projeto de lei havia a previsão de tal instituto, mas foi vetado
sob fundamento de que já existia do CP. Assim, de acordo com a jurisprudência
majoritária, perdão judicial também se aplica ao homicídio culposo do CTB. 
INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO SUICÍDIO – ART. 122 DO
CÓDIGO PENAL
Crime de participação em suicídio.
Suicídio: é a supressão voluntária e consciente da própria vida. Havendo violência ou grave
ameaça, o crime será de homicídio. A violência ou grave ameaça exclui a voluntariedade e,
por consequência, o suicídio. O autor da coação responderá por homicídio. A fraude exclui
a consciência quanto ao suicídio, portanto ocorrerá homicídio, respondendo o autor da
fraude por esse delito.
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Sujeito Ativo
Qualquer pessoa.
Sujeito Passivo 
Qualquer pessoa que tenha alguma capacidade de discernimento e resistência. Quem
não pode ser vítima: criança e pessoas com desenvolvimento mental retardado. Esses casos
caracterizarão homicídio.
Tipo objetivoquer apenas furtar e, depois de já se
haver apoderado de bens da vítima, emprega violência ou grave ameaça para garantir a sua
impunidade ou a detenção do bem.
No roubo próprio, a lei menciona três meios de execução, que são a violência, a
grave ameaça ou qualquer outro recurso que dificulte a defesa da vítima. No roubo
impróprio, a lei menciona apenas dois, que são a grave ameaça e a violência, incabível o
emprego de sonífero ou hipnose (violência imprópria). 
Requisitos do roubo impróprio:
 Que o agente tenha se apoderado do bem que pretendia furtar. Se o agente
ainda não tinha a posse do bem, não se pode cogitar de roubo impróprio,
nem de tentativa. Ex.: o agente está tentando arrombar a porta de uma casa,
quando alguém chega ao local e é agredido pelo agente, que visa garantir sua
impunidade e fugir sem nada levar. Haverá tentativa de furto qualificado em
concurso material com o crime de lesões corporais.
 Que a violência ou grave ameaça tenham sido empregadas logo após o
apoderamento do objeto material.
 O "logo depois" está presente enquanto o agente não tiver consumado o furto no
caso concreto. Após a consumação do furto, o emprego de violência ou de grave ameaça
não pode caracterizar o roubo impróprio. Haverá um furto consumado e uma lesão
corporal, grave ameaça, resistência etc.
A violência ou grave ameaça pode ser contra o próprio dono do bem ou contra um
terceiro qualquer, até mesmo um policial. 
Para a jurisprudência, se a violência contra policial serviu para transformar o furto
em roubo impróprio, não se pode aplicar em concurso o crime de resistência, porque seria
bis in idem. 
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 Que a violência ou grave ameaça tenham por finalidade garantir a detenção
do bem ou assegurar a impunidade do agente. 
Consumação no roubo impróprio: três posições
1ª Posição: a consumação ocorre no instante em que o sujeito emprega violência contra a 
pessoa ou grave ameaça à pessoa para assegurar a impunidade do crime ou a posse da coisa
subtraída;
2ª Posição: O roubo impróprio está consumado com o emprego da violência ou grave 
ameaça + o apoderamento da res furtiva, dispensando a posse mansa e pacífica; 
3ª Posição: O roubo impróprio está consumado com o emprego da violência ou grave 
ameaça + o apoderamento da res furtiva, tendo o agente ativo a posse mansa e pacífica, 
mesmo que por curto espaço de tempo (Greco).
Posição dominante: a 2ª posição. Também é a posição do STF.
Se eventualmente a pessoa, ao executar o furto, vê frustrada a subtração, exercendo
a violência ou grave ameaça para fugir, a solução jurídica será a tentativa de furto e crime
contra a pessoa, em concurso material. 
O golpe desferido que não atinge a vítima é considerado violência empregada;
portanto, roubo impróprio consumado. 
Tentativa:
A tentativa não é admissível, pois ou o agente emprega a violência ou a grave
ameaça e o crime está consumado, ou não as emprega e o crime é o de furto
(Posicionamento majoritário).
Outros admitem a tentativa quando o agente quer empregar a violência, mas é
impedido, ou não consegue realizar a subtração.
Interessante ainda é a afirmação de Weber Martins Batista, citado por Rogério
Greco, quando afirma: “Não se pode falar em consumação antes que o poder de disposição
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da coisa se perca para o dono e passe para o agente. E isso acontece no momento que se
estabelece um estado tranquilo, embora transitório, de detenção da coisa”. E segue Greco:
Tratando-se de crime material, é perfeitamente admissível a tentativa de roubo, sendo que,
para nós, ocorrerá quando o agente não conseguir, mesmo que por curto espaço de tempo, a
posse tranquila da res furtiva; para a corrente que entende não ser necessária a posse
tranquila ainda assim será possível a tentativa, a partir do instante em que, iniciada a
execução, não conseguir retirar o bem da esfera de disponibilidade da vítima, por
circunstâncias alheias à sua vontade. 
Causas de Aumento da Pena – Art. 157, § 2.º, do Código Penal (Roubo
Circunstanciado).
Se o juiz reconhecer a existência de duas ou mais causas de aumento da pena poderá
aplicar somente uma, de acordo com o parágrafo único do art. 68 do Código Penal. 
As causa de aumento da pena incidem apenas para o roubo simples (próprio ou
impróprio), e não se aplicam ao roubo qualificado (lesão grave ou morte). 
Emprego de arma (revogado pela lei n. 13.654 de 2018):
É chamado de roubo qualificado pelo emprego de arma; porém, o correto é nomear
de causa de aumento do roubo (de 1/3 até 1/2). 
Em relação ao conceito de arma para efeitos da causa de aumento de pena, há
divergência, sendo que para a corrente majoritária, arma é qualquer instrumento que tenha
poder vulnerante; pode ser própria ou imprópria (qualquer objeto que possa matar ou ferir,
mas que não possui esta finalidade específica, como, por exemplo, faca, tesoura, espeto
etc.), ao passo que para a corrente minoritária, somente a arma própria (criada com a
finalidade de ataque ou defesa) é que tem o condão de ensejar o aumento.
Divergência também existe em relação à necessidade do efetivo manejo da arma,
sendo que para a maioria da doutrina, há necessidade de que a arma seja empregada. Assim,
não basta para a configuração da causa de aumento que o sujeito esteja armado, devendo
efetivamente emprega-la causando um maior perigo para a vítima. A simples simulação de
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arma também não faz incidir o aumento da pena. Por outro lado, para a doutrina
minoritária, basta apenas o seu porte ostensivo, para configurar o aumento.
Parte da jurisprudência entende que a arma de brinquedo gera o aumento da pena,
desde que tenha causado temor à vítima. Assim, o agente teria atingido sua finalidade de
evitar eventuais reações e, portanto, facilitado o roubo. 
Outra parte da jurisprudência (majoritária na doutrina) entende que não se aplica o
aumento da pena: primeiro porque não é arma; depois porque se a arma é de brinquedo, o
potencial lesivo da conduta do agente é menor.
A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no REsp n. 213.054, de São
Paulo, em 24.10.2001, relator o Ministro José Arnaldo da Fonseca, decidiu cancelar a
Súmula n. 174 (“No crime de roubo, a intimidação feita com arma de brinquedo autoriza o
aumento da pena.”), considerando que o emprego de arma de brinquedo, embora não
descaracterize o crime, não agrava o roubo, uma vez que não apresenta real potencial
ofensivo. Ficou assentado que a incidência da referida circunstância de exasperação da
pena:
 Fere o princípio constitucional da reserva legal (princípio da tipicidade);
 Configura bis in idem;
 Deve ser apreciada na sentença final como critério diretivo de dosagem da
pena (circunstância judicial do art. 59 do CP);
 Lesa o princípio da proporcionalidade.
Arma quebrada, obsoleta ou desmuniciada, há duas posições:
1ª) se até arma de brinquedo autoriza o aumento da pena, arma quebrada ou
desmuniciada também tem o mesmo efeito;
2ª) não tem potencial ofensivo, por isso não se aplica o aumento. Posicionamento
majoritário na doutrina e no STJ: O emprego de arma, ineficaz, com defeito
fundamental, e não meramente acidental, carece de força para fazer incidir a
majorante do inciso I o art. 157, § 2º, do Código Penal. A total inocorrência de
perigo real para a integridade física da vítima, em virtude do uso da arma, como tal,é incontornável. O uso de arma, intimidando o ofendido, configura o roubo, mas
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não possibilita a incidência de circunstância legal específica de aumento de pena )
precedentes do pretório Excelso e do STJ). Recurso desprovido. (STJ – Eesp nº
2004.01171284 – (665.386-SP) – 5ª T. – Rel. Min. Felix Fischer – DJU 13/02/2006
– p. 00841) 
Arma de fogo – caso ela não foi apreendida – ***STF – não é necessária a
apreensão e realização de perícia da arma de fogo, desde que por outros meios de
prova reste demonstrado o seu potencial lesivo (STF HC 96009) – se a testemunha
disser que usou, incidirá a causa. STJ – é indispensável a apreensão da arma de
fogo para que possa incidir a majorante. Nos casos em que não há apreensão, mas
a vítima e demais testemunhas afirmam de forma coerente que houve disparo com a
arma de fogo, não é necessária a apreensão para constatar-se que a arma possuía
potencialidade lesiva (HC 99762 e 89518).
Concurso de duas ou mais pessoas
As anotações feitas a respeito do concurso de pessoas no furto (art. 155 do CP)
aplicam-se ao roubo; a distinção é quanto à natureza jurídica: naquele é qualificadora; neste
é causa de aumento.
Serviço de transporte de valores
Aplicável apenas se a vítima está trabalhando (“em serviço”) com o transporte de
valores (ex.: assalto de office-boy de empresa de transporte, de carro-forte etc.).
O sujeito passivo desta causa de aumento de pena não pode ser o proprietário dos
valores transportados (se o sujeito passivo é o dono destes valores, ele não está em
serviço).
Se o ladrão assaltar o motorista do carro-forte, levando somente o seu relógio, não
há qualificadora. 
Exige-se que o agente conheça a circunstância do transporte de valor
(dolo direto), não se admitindo dolo eventual. Assim, se o agente rouba uma mala em
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que se transportam joias, pensando somente conter roupas, não sofrerá o aumento de pena.
Deve ter ciência de que a vítima está transportando valores. 
Obs.: não existe qualificadora semelhante no crime de furto. 
Veículo automotor que venha a ser transportado para outro estado ou país
Ver anotações sobre furto.
Se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
A doutrina tem visualizado duas situações que permitiriam a incidência da causa de
aumento de pena em questão, a saber: a) quando a privação da liberdade da vítima for um
meio de execução do roubo; b) quando essa mesma privação de liberdade for uma garantia,
em benefício do agente, contra a ação policial.
Assim, quando durante a execução do roubo houver a restrição da liberdade da
vítima, três hipóteses poderão surgir:
a) A privação da liberdade da vítima for pelo tempo necessário para a execução do
roubo:
Nesse caso teremos apenas o roubo, já que a restrição da liberdade foi o meio
necessário para a execução do crime, aplicando-se o princípio da consunção:
crime meio “restrição da liberdade” será absorvido pelo crime fim que é o
roubo.
b) A privação da liberdade da vítima for um meio de execução do roubo, ou
quando essa mesma privação de liberdade for uma garantia, em benefício do
agente, contra a ação policial (incide a causa de aumento de pena).
c) Entretanto, quando eventual ‘sequestro’ for praticado depois da consumação do
roubo, não guardando nenhuma conexão com sua execução ou garantia de fuga,
não se estará diante da majorante especial, mas se tratará de concurso de crimes.
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou 
isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. 
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 § 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): 
 I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; 
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de 
artefato análogo que cause perigo comum. 
Roubo Qualificado – Art. 157, § 3.º, do Código Penal 
Há duas formas de roubo qualificado, aplicáveis tanto ao roubo próprio quanto ao
impróprio.
De acordo com a primeira parte do dispositivo: “se da violência resulta lesão
corporal de natureza grave, a pena é de reclusão, de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, além de
multa”.
Houve alteração da pena mínima, para tornar pacífico o entendimento de que as
causas de aumento da pena do § 2.º não se aplicam às qualificadoras do § 3.º. Se a lesão é
leve, esta fica absorvida.
A parte final dispõe que “se resulta morte, a reclusão é de 20 (vinte) a 30 (trinta)
anos, sem prejuízo da multa”. É o denominado latrocínio (crime hediondo). 
 Não confundir tentativa de latrocínio com roubo qualificado pela lesão grave. O
que distingue é o dolo (vontade de matar ou vontade de lesar). 
O roubo será qualificado se a morte ou a lesão corporal grave resultarem da
“violência”; o tipo não menciona a grave ameaça. Nos termos do art. 19 do Código Penal,
via de regra, o crime qualificado pelo resultado é preterdoloso (há dolo na conduta
antecedente e culpa na consequente). No crime de latrocínio, excepcionalmente, a morte
pode decorrer de culpa ou dolo, respeitando-se o Princípio da Proporcionalidade das Penas
(roubo simples + homicídio doloso = 4 +12 = 16, a pena seria inferior à pena prevista para
hipótese de resultar morte culposa no crime de roubo).
Súmula n. 603 do STF: "ainda que a morte seja dolosa, por haver latrocínio (crime
contra o patrimônio), a competência é do juízo singular".
Tem-se, como regra, que a morte ou lesão corporal grave, resultando de violência,
pode ser de qualquer pessoa. A exceção encontra-se na morte ou lesão corporal grave de co-
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autor ou partícipe.
Consumação e tentativa:
Por se tratar de crime complexo tem-se o seguinte:
 Subtração consumada + morte consumada = latrocínio consumado.
 Subtração tentada + morte tentada = latrocínio tentado.
 Subtração consumada + morte tentada = latrocínio tentado: dois
posicionamentos: 
1ª corrente – trata-se de crime de tentativa de latrocínio (crime complexo) – é a
corrente majoritária. 
2ª corrente – há tentativa de homicídio qualificado.
 Subtração tentada + morte consumada: Nesse caso cinco posicionamentos
poderão surgir, a saber:
1º - homicídio qualificado – era a posição de fragoso e Hungria;
2º - latrocínio tentado – é a posição de Rogério Greco e Weber Martins, Paulo José
da Costa Junior e outros, além dos seguintes julgados: RT n. 452/345, n. 515/424;
RJTJERGS n. 171/137;
3º - homicídio qualificado em concurso com roubo tentado (julgado isolado e
amplamente minoritário);
4º - tentativa de furto em concurso formal com homicídio qualificado – era a
posição de Magalhães Noronha;
5º - latrocínio consumado – posição majoritária na jurisprudência, consagrada pela
Súmula n. 610 do STF: “Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma,
ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”. Em sentido
contrário Rogério Greco assim se manifesta: “Dessa forma, aposição assumida pelo
Supremo Tribunal Federal que se contenta com a morte da vítima, mesmo que não
realize o agente a subtração de seus bens, para efeitos de reconhecimento do
latrocínio consumado, é completamente contra legem, ofendendodeterminação
contida no mencionado art. 14, I, do Código Penal. Por isso, quando algum dos
elementos que se configuram como infrações penais autônomas, que formam o
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crime de latrocínio, não estiver presente (seja a subtração dos bens ou a morte da
vítima), a conclusão deverá ser, fatalmente, pela tentativa.” 
 
Caracteriza-se a violência quando empregada em razão do roubo (nexo causal)
e durante o cometimento do delito (no mesmo contexto fático). 
O nexo causal estará presente quando a violência constituir meio para a
subtração (ex.: roubo próprio qualificado pela morte) ou quando for empregada para
garantir a detenção do bem ou a impunidade do agente (ex.: roubo impróprio). 
Faltando um desses requisitos, haverá roubo em concurso material com
homicídio doloso ou delito de lesão corporal dolosa. 
Ex.1: João rouba alguém hoje; semanas depois, para garantir a impunidade,
mata a vítima. Responderá por roubo em concurso material com homicídio. 
Ex.2: ladrão mata um desafeto seu, que passa pelo local durante o roubo. Foi durante o
roubo, mas não em razão dele. 
Importante: Por fim, deve ser lembrado que as circunstâncias majorantes do
parágrafo 2º têm exclusiva aplicação aos crimes de roubo próprio (caput) e
impróprio (parágrafo 1º), não as de latrocínio ou lesão grave tratados no
parágrafo 3º, seja por uma questão topográfica onde não se aplica preceito
antecedente ao subsequente, salvo expressa disposição a respeito, seja porque tal
majoração não corresponde ao real anseio do legislador na repressão do delito em
questão, posto que já tratado com toda severidade. 
EXTORSÃO – ART. 158 DO CÓDIGO PENAL
A extorsão consiste em empregar violência ou grave ameaça com a intenção ou de
obter indevida vantagem econômica, ou para obrigar a vítima a fazer, deixar de fazer ou
tolerar que se faça algo. 
 A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa (é a mesma pena do
roubo).
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Bem Jurídico Tutelado: A principal é a inviolabilidade do patrimônio. A secundária é a
proteção à vida, integridade física, liberdade pessoal e tranquilidade do espírito.
Diferença entre Extorsão e Exercício Arbitrário das Próprias Razões
Na extorsão o agente visa a uma vantagem patrimonial indevida, enquanto no
exercício arbitrário das próprias razões a vantagem é devida (art. 345 do CP).
Diferença entre Roubo e Extorsão (Três posicionamentos)
a) Para Nelson Hungria, no roubo o bem é tirado da vítima, e na extorsão a vítima
entrega o bem;
b) Pra Magalhães Noronha, enquanto no roubo a ação e o resultado são
concomitantes, na extorsão o mal prometido e a vantagem são futuros.
c) Para a maioria da doutrina e a jurisprudência, entretanto, quando a vítima é
obrigada a entregar o objeto sem ter qualquer opção (ex.: arma de fogo apontada
para ela), o crime será o de roubo. Para que o crime seja de extorsão é
necessário, portanto, que, após o emprego da violência ou grave ameaça, a
vítima tenha alguma opção de escolha, sendo sua colaboração “imprescindível”
para que o agente obtenha a vantagem visada. Questão polêmica é a que diz
respeito ao constrangimento da vítima para sacar dinheiro em caixa eletrônico.
Para a jurisprudência, o delito é de extorsão (art. 158 do CP) e não de roubo
(art.157, § 2.º, inc.V, do CP), com fundamento no princípio da dispensabilidade
ou indispensabilidade da conduta da vítima.
Diferença entre Extorsão e Estelionato
Para se saber se o crime é o de extorsão, deve-se verificar se a entrega do objeto
material foi espontânea (voluntária) ou não. No estelionato, a entrega é espontânea porque a
vítima está sendo enganada; na extorsão, esta entrega a coisa contra a sua vontade para
evitar um mal maior. No estelionato, a vítima não sabe que está havendo um crime.
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Quando o agente emprega fraude e violência ou grave ameaça para obter a coisa, o
delito é de extorsão, pois a entrega ocorre não em razão da fraude, mas sim da violência ou
grave ameaça. 
Extorsão e Constrangimento Ilegal
Tanto na extorsão quanto no constrangimento ilegal, o agente emprega violência ou
grave ameaça contra a vítima, no sentido de que faça ou deixe de fazer alguma coisa.
A diferença entre extorsão e constrangimento ilegal está na finalidade: no
constrangimento ilegal, o sujeito ativo deseja que a vítima se comporte de determinada
maneira, para obter qualquer tipo de vantagem. Na extorsão, o constrangimento é realizado
com o objetivo expresso no tipo de obter “indevida vantagem econômica”.
Consumação e Tentativa
O crime é formal ou material? (dois posicionamentos)
a) O crime é material: para a consumação do crime não basta o constrangimento,
sendo necessária a obtenção da vantagem indevida. Assim, caso não seja obtida
a vantagem indevida, restará apenas a tentativa;
b) O crime é formal: para a consumação basta que a vítima se sinta constrangida,
não se fazendo necessário o recebimento da indevida vantagem econômica.
Assim, haverá tentativa quando a vítima mesmo constrangida, não se submete
ao pedido do autor. 
Súmula n. 96 do STJ: “O crime de extorsão consuma-se independentemente da
obtenção da vantagem indevida”. É a posição majoritária.
Causas de Aumento da Pena:
O § 1.º do art. 158 do Código Penal dispõe que a pena é aumentada de um terço a
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metade (1/3 a 1/2) se o crime é cometido por duas ou mais pessoas ou com o emprego de
arma.
Em relação à primeira modalidade, o entendimento majoritário, ao contrário do que
ocorre nos crimes de furto e roubo, é no sentido de que as duas ou mais pessoas estejam no
local executando o crime. Nesse sentido Farnando Capez: “Aqui a lei fala em cometimento,
não em concurso, sendo indispensável, pois, que os co-agentes pratiquem atos executórios
do crime, ou seja, constranjam a vítima, mediante o emprego de violência ou grave
ameaça. Desse modo, não se configurará essa majorante se um dos agentes limitar-se a
realizar a vigília para que o seu comparsa realize a extorsão. Exige-se, portanto, a co-
autoria e não a mera participação”. 
Com relação à segunda, ver comentários no crime de roubo.
Extorsão Qualificada:
Segundo o § 2.º do mesmo dispositivo deve-se aplicar à extorsão as regras e penas
do roubo qualificado pela lesão grave ou morte.
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa
condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão,
de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte,
aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente.
EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO – ART. 159 DO CÓDIGO PENAL
Trata-se de crime hediondo em todas as modalidades (forma simples ou
qualificada).
As penas foram alteradas pela Lei n. 8.072/90, que aumentou a pena privativa de
liberdade de 6 (seis) a 12 (doze) anos para 8 (oito) a 15 (quinze) anos, eliminando a multa. 
O caput do art. 159 do Código Penal trata da forma simples da extorsão mediante
sequestro: “sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer
vantagem, como condição ou preço do resgate”.
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Bem jurídico tutelado: a principal é a inviolabilidade do patrimônio. A secundária é a
tutela da liberdade de locomoção. Trata-se de crime complexo.
Sujeito Ativo: 
Sujeito ativo é qualquer pessoa.
Sujeito Passivo
Sujeito Passivo é qualquer pessoa. Admite-se a pluralidade de sujeitos passivos –
um que é sequestrado e o outro a quem se dirige a finalidade do agente de obter a
vantagem.
Tipo objetivo:
O tipo traz a expressão “qualquer vantagem”.
P.: Qual o seu alcance?
R.: Damásio de Jesus e Cézar Roberto Bitencourt entendem que, para configuração
da extorsão mediante sequestro, a vantagem visada pode ser devida ou indevida, econômica
ou não econômica, uma vez que o Código Penal não especifica.
Entretanto, a maioria da doutrina entende que se a vantagem visada for devida
haverá concurso entre os crimes de sequestro (art. 148) e exercício arbitrário das próprias
razões (art. 345). Só existe extorsão mediante sequestro se a vantagem for indevida e
necessariamente patrimonial.
Consumação
O crime se consuma no momento do sequestro, com a privação da liberdade de
locomoção da vítima, desde que inequívoca a intenção de solicitar uma vantagem
econômica como condição ou preço do resgate. Trata-se, portanto, de crime formal, já que
não exige o pagamento do resgate – considerado simples exaurimento. É delito permanente.
Tentativa
A tentativa é possível quando, iniciado o ato de “sequestrar”, os agentes não tiverem
êxito na captura da vítima. 
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Extorsão Mediante Sequestro e Sequestro e Cárcere Privado
O sequestro do art. 148 do Código Penal é crime subsidiário. É a privação da
liberdade de alguém mediante violência ou grave ameaça, desde que o fato não constitua
crime mais grave.
Animal capturado para exigência de resgate não caracteriza o art. 159 do Código
Penal, que exige como vítima “pessoa”, caracterizando apenas crime de extorsão. 
Formas Qualificadas
 Art. 159, § 1.º, do Código Penal
A pena é de reclusão de 12 (doze) a 20 (vinte) anos, se:
 O sequestro dura mais de 24 horas;
 A vítima tem menos de 18 ou é maior de 60 anos;
 O crime é praticado por bando ou quadrilha.
Se a vítima é menor de 14 anos, não se aplica a qualificadora prevista nesse
parágrafo, mas sim o art. 9.º da Lei n. 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos), que manda
acrescer a pena de metade, respeitando o limite máximo de 30 anos de reclusão.
Se o crime for cometido por quadrilha ou bando, aplica-se a qualificadora do
parágrafo em análise, ficando absorvido o delito de quadrilha ou bando previsto no art. 288
do Código Penal, que, segundo o Prof. Victor Gonçalves, “apesar de ser delito formal e
normalmente autônomo em relação às infrações perpetradas pelos quadrilheiros, nesta
hipótese constituiria inegável bis in idem”. Para o Julio Fabbrini Mirabete e Fernando
Capez, existe concurso material com o delito de quadrilha ou bando com a pena agravada
(de três a seis anos) pela Lei n. 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos).
 Art. 159, §§ 2.º e 3.º, do Código Penal
A pena é de reclusão de 16 (dezesseis) a 24 (vinte e quatro) anos, se resulta em lesão
grave. E de 24 (vinte e quatro) a 30 (trinta) anos, se resulta em morte.
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Essas duas qualificadoras só se aplicam quando o resultado recair sobre a pessoa da
vítima (sequestrado), havendo, entretanto, entendimento no sentido de que pode o resultado
pode recair sobre outra pessoa, desde que esteja inserida no contexto fático do delito aqui
estudado (Ex. Rogério Sanches). A morte de outras pessoas constitui crime de homicídio
autônomo em concurso com o crime do art. 159 do Código Penal.
As qualificadoras se aplicam tanto ao resultado doloso quanto ao resultado culposo.
Só não será aplicada se o resultado for consequência de caso fortuito.
O reconhecimento de uma qualificadora mais grave afasta o reconhecimento de uma
qualificadora menos grave.
O art. 9.º da Lei dos Crimes Hediondos dispõe aumentar da metade a pena na
extorsão mediante sequestro em três hipóteses:
 Vítima com idade não superior a 14 anos;
 Se a vítima é doente mental e os sequestradores sabem dessa condição;
 Se a vítima não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência.
Se a vítima tem menos de 14 anos, só se aplica o art. 9.º da Lei dos Crimes
Hediondos. A qualificadora prevista no art. 159, § 1.º, do Código Penal é afastada.
Delação Eficaz – Art. 159, § 4.º, do Código Penal
Se o crime for praticado em concurso (duas ou mais pessoas), o concorrente
(coautores e partícipes) que denunciar o fato à autoridade, facilitando a libertação da
vítima, terá sua pena reduzida de 1/3 a 2/3 (um a dois terços). 
O parágrafo foi inserido pela Lei dos Crimes Hediondos, alterada pela Lei n.
9.269/90. Trata-se de causa de diminuição de pena.
Haverá a diminuição da pena se a delação efetivamente facilitar a libertação da
vítima. Quanto maior a colaboração, maior será a redução da pena.
DANO – ART. 163 DO CÓDIGO PENAL
Dano é um crime contra o patrimônio no qual o agente não visa necessariamente à
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obtenção de lucro.
O tipo descreve no caput: “Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia”.
Pena: detenção de 1 a 6 meses, ou multa”.
Trata-se de crime da competência do Juizado Especial. A reparação do dano ou a
simples composição em relação ao prejuízo, desde que homologado pelo juiz em audiência
preliminar, gera a extinção da punibilidade do agente nos termos do art. 74, par. ún., da Lei
n. 9.099/95.
Objeto Material: Objeto material é a coisa alheia (móvel ou imóvel).
Sujeito Ativo: Sujeito ativo é qualquer pessoa, menos o proprietário.
Responde pelo crime do art. 346 do Código Penal quem destrói coisa própria que se
encontra em poder de terceiro em razão de contrato (ex.: aluguel, penhor etc.) ou de ordem
judicial (ex.: juiz determina a penhora de um bem entregue ao depositário que não o
devedor).
Se houver condômino da coisa e o bem for infungível, há crime; se o bem for
fungível, só haverá crime se a conduta do agente superar sua cota-parte, pois só assim
causará prejuízo ao outro.
Sujeito Passivo: Sujeito passivo é o titular do direito de propriedade.
Tipo subjetivo: è o dolo, não há crime de dano culposo previsto pela legislação comum. No
Código Penal Militar existe, por exemplo, policial desidioso que danifica sua arma.
Elementos Objetivos do Tipo
 Destruir: a coisa deixa de existir em sua individualidade; demolir, desfazer o
objeto.
 Inutilizar: fazer com que o bem se torne inútil para as funções originárias.
 Deteriorar: qualquer outra forma de dano que não seja destruir ou inutilizar;
estragar; causar modificação para pior.
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A conduta de pichar caracteriza o crime do art. 65 do Código Ambiental (Lei n.
9.605/98), desde que atinja edificação ou monumento público.
Na conduta de fazer desaparecer o objeto alheio, o fato é atípico. Trata-se de uma
lacuna das normas penais incriminadoras, pois não há adequação ao tipo do art. 163 do
Código Penal.
A destruição do objeto material furtado é um post factum impunível.
Consumação
A consumação tem lugarcom o efetivo dano ao objeto material, total ou parcial.
É indispensável a prova pericial no crime de dano.
Tentativa
A tentativa é admissível.
Dano Qualificado – Art. 163, par. ún., do Código Penal
A pena é de detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa, além da pena
correspondente à violência.
Emprego de violência contra a pessoa ou grave ameaça
 A qualificadora incide sobre o meio de execução. Se a violência ou grave ameaça é
posterior ao dano, não se tem a qualificadora. Haverá concurso material se da violência
resultar lesões, ainda que leves.
Uso de explosivo ou substância inflamável, salvo se o fato constituir crime mais grave.
O tipo traz uma subsidiariedade expressa; o crime de dano ficará absorvido se o fato
constituir delito mais grave, como, por exemplo, crime de incêndio (art. 250 do CP), ou de
explosão (art. 251 do CP).
 
Contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de
autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou
empresa concessionária de serviços públicos.
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Se o bem é particular e está locado ao Poder Público, o dano é simples, pois o
patrimônio, no caso, é particular. 
O preso que danifica a cela para fugir, para alguns doutrinadores, não comete
crime de dano, pois este exige intenção específica de causar prejuízo à vítima. Para
outros, há crime de dano, pois, para sua existência, basta que o agente tenha ciência
de que causará prejuízo com sua conduta. 
Motivo egoístico ou se resulta prejuízo considerável à vítima
A intensidade do prejuízo será analisada de acordo com o patrimônio da vítima.
Ação Penal – Art. 167 do Código Penal
No dano simples e no dano qualificado do inciso IV a ação penal é privada.
Nas demais formas de dano qualificado a ação penal é pública incondicionada.
Se o promotor denunciar por dano qualificado pelos incisos I, II ou III, e, no curso
do processo, o juiz desclassificar o dano para simples, o processo deve ser anulado por
ilegitimidade de parte.
APROPRIAÇÃO INDÉBITA - ART. 168 do CP 
“Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou detenção”.
Pena - reclusão de 1 a 4 anos, e multa.”
Trata-se de crime que se caracteriza pela quebra da confiança, porque a vítima
entrega ao agente a posse desvigiada, acreditando que aquele lhe restituirá o bem quando
pedido.
Requisitos 
 Que a vítima, por algum motivo, entregue ao agente um objeto, fazendo-o de
forma livre, espontânea e consciente.
Difere da extorsão, em que a entrega é feita em razão de violência ou grave ameaça,
e do estelionato, caracterizado pela entrega de forma consciente, mas fruto de uma fraude
(vítima mantida em erro). Na apropriação indébita, o agente recebe a posse lícita.
 Que o agente tenha a posse ou detenção desvigiada; se a posse for vigiada, o
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crime será o de furto. Posse vigiada é aquela em que não há autorização para a
retirada do objeto da esfera de vigilância da vítima.
 Que o agente, ao receber o bem, esteja de boa-fé (não ter dolo de se apoderar do
bem naquele momento). Porque, se há dolo antes do recebimento do bem, o
crime é de estelionato.
Na dúvida, denuncia-se por apropriação indébita, pois, a boa-fé é presumida.
 Que, após estar na posse do bem, o agente inverta o seu ânimo em relação ao
objeto, passando a se considerar e a se portar como se fosse dono.
O comportamento de dono pode se dar com o assenhoramento definitivo
(apropriação indébita com a negativa de restituição) ou quando o agente dispõe do bem,
vendendo-o, alugando-o (apropriação indébita propriamente dita).
Observações Gerais
O funcionário público que se apropria de coisa pública, ou de coisa particular que se
encontra sob a guarda da Administração, pratica o crime de Peculato (peculato-apropriação
– art. 312 do CP).
A posse do todo (continente) entregue trancado não implica a posse do conteúdo.
Ex.: alguém recebe um cofre trancado para transportá-lo e o arromba para se apropriar dos
valores nele contidos. O agente pratica furto qualificado pelo rompimento de obstáculo. 
A apropriação de uso não constitui crime pela ausência de ânimo de assenhoramento
definitivo.
É possível a apropriação indébita de coisa fungível. Há, entretanto, duas exceções,
quando o bem é recebido em razão de contrato de mútuo ou de depósito, porque os arts.
1.257 e 1.280 do CC estabelecem que nesses contratos a tradição transfere a propriedade e,
assim, o sujeito não recebe a “posse de coisa alheia” – recebe na posição de dono e não de
possuidor de coisa alheia.
A demora na restituição em que não se estipula prazo não configura o delito. Se
houver prazo para a restituição, o delito configura-se após seu decurso.
Tem-se reconhecido crime único nas condutas de quem:
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- estando obrigado a uma prestação conjunta, em várias ocasiões apropria-se do
numerário de terceiro;
- Sendo empregado, recebe dinheiro de várias pessoas e não o entrega ao patrão.
Causas de Aumento de Pena - Art. 168, § 1.º, do CP 
A razão de ser do aumento é o motivo pelo qual a pessoa recebe a posse. Aumenta-
se a pena em 1/3, quando:
 Se o bem é recebido em razão de depósito necessário (art. 647 I e II do CC): 
 Legal: decorre de lei. Se o funcionário público recebe um bem em depósito
necessário e dele se apropria, comete peculato, art. 312 do CP.
 Miserável: feito em razão de situações de calamidades como enchentes,
desabamentos etc.
 Por equiparação: refere-se aos valores bagagens dos hóspedes em hotéis,
pensões ou estabelecimentos congêneres.
 Se o agente recebe o objeto na qualidade de: tutor, curador, síndico,
inventariante, testamenteiro, liquidatário (figura que não existe mais em nosso
sistema) ou depositário judicial.
 Se o agente recebe o objeto no desempenho de sua profissão, emprego ou
ofício.
ESTELIONATO – ART. 171 do CP
“Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo
ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
fraudulento”.
Pena: reclusão de 1 a 5 anos, e multa.
Bem Jurídico Tutelado: 
A tutela jurídica recai sobre a inviolabilidade patrimonial, com especial referência às
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condutas praticadas com engano e fraude. Por conseguinte, a objetividade jurídica é a
proteção de um bem privado, conquanto possa se apresentar um interesse social. 
Sujeito Ativo
Qualquer pessoa.
Admite-se o concurso de pessoas em coautoria quando um emprega a fraude e o
outro obtém a indevida vantagem patrimonial.
Sujeito Passivo
Qualquer pessoa, desde que “determinada” ou “determinadas”. Não se pode
denunciar por estelionato quando as vítimas são indeterminadas. Em casos tais, pode se
caracterizar crime contra a economia popular (art. 2º, da Lei 1.521/51). Ex.: adulteração de
balança. 
A vítima é a pessoa enganada que sofre o prejuízo material. Pode haver mais de uma
(a que é enganada e a que sofre o prejuízo).
Tipo Objetivo: 
Dois são os verbos com os quais foi construído o tipo penal: induzir e manter.
Induzir significa incutir, causar, inspirar, etc. No texto legal, denota claramente, incutir,
inspirar, persuadir, arrastar alguém em erro. Manter é permanecer, sustentar, conservar.
Assim, no texto em estudo, manter significa conservar a vítima em erro,fazer com que ela
permaneça em situação equivocada. 
Artifício é a utilização de algum aparato material para enganar (cheque, bilhete
etc.). Ardil é a conversa enganosa. Pode ser citado, como exemplo de qualquer outra
fraude, o silêncio.
Para a adequação do fato ao tipo fundamental do crime de estelionato é necessário:
a) Emprego de fraude (artifício, ardil ou outro meio fraudulento): é a
utilização de meio enganoso na execução do delito. Enganar é o mesmo que
falsear a verdade no que se diz ou no que se faz, suficiente para induzir ou
manter a vítima em erro, engano esse que a leva ao dano patrimonial. Portanto, o
meio empregado dever ser deve ser suficiente para levar o ofendido ao erro e à
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disposição da coisa.
b) Induzimento ou manutenção da vítima em situação enganosa (em erro, diz
a lei): Erro é a falsa representação ou desconhecimento da realidade, ou, em
outras palavras, erro é a exteriorização viciada da vontade. Com ela ocorre um
descompasso entre a representação e a vontade, restando essa viciada como
efeito do meio fraudulento empregado pelo agente. Por conseguinte, no
estelionato o erro é, a um só tempo, causa e efeito, isto é, efeito do meio
fraudulento empregado e causa da vantagem ilícita buscada. No estelionato o
erro é provocado e é exatamente esse erro que induz ou mantém a vítima a atuar
de conformidade com os desígnios do sujeito ativo, isto é, entrega-lhe a coisa, e
é dessa entrega que decorre a vantagem ilícita para ele ou para outrem.
c) Locupletamento ilícito: Evidente que o crime de estelionato se consuma com o
locupletamento ilícito. Isto é, quando a vantagem corresponde subjetiva e
objetivamente aos anseios do agente em detrimento da vítima. Também é
verdadeiro que se o locupletamento for lícito, inexistirá o delito. Por vantagem
ilícita ou injusta, uma parte da doutrina inclina-se por uma interpretação mais
abrangente, incluindo como vantagem qualquer utilidade “que deve ser
proporcionada pela obtenção de uma coisa, pelo uso ou gozo, ou pela execução
de um ato, resultando proveito para o agente” (Noronha). Para outra facção
(majoritária), a vantagem deve ser sempre econômica, embora não o diga a lei,
porque o dano efetivo deve ser patrimonial. “Não havendo vantagem econômica
a ser obtida pela fraude, não se configura o crime de estelionato” (Mirabete). 
d) Obtenção de vantagem patrimonial em prejuízo alheio: Evidente que este
módulo liga-se ao anterior, posto que a vantagem do agente corresponde a um
prejuízo para a vítima, isto é, tanto a vantagem como o prejuízo devem ocorrer
no âmbito de um patrimônio que se valora em dinheiro. O efetivo prejuízo e a
real vantagem só podem se realizar com a consumação do delito, ou seja,
quando ocorrerem vantagem para o meliante e o efetivo prejuízo para vítima.
Fora disso, pode se dar uma tentativa. O dano patrimonial, contudo, pode ser
total ou parcial e o delito, em ambas as situações, estará consumado.
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Objetivo da fraude
Provocar o equívoco da vítima (induzir em erro) ou manter o erro em que já incorre
a vítima, independentemente de prévia conduta do agente. O emprego da fraude deve ser
anterior à obtenção da vantagem ilícita.
Consumação
O estelionato tem duplo resultado (prejuízo para a vítima e obtenção de vantagem
pelo agente). 
O crime é material, só se consuma com a efetiva obtenção da vantagem ilícita (não
há a expressão “com o fim de”, típica dos crimes formais).
Se a vítima sofre o prejuízo, mas o agente não obtém a vantagem, o crime é tentado.
Tentativa
É possível. Mas, se a fraude é meio inidôneo para enganar a vítima, o crime é
impossível (por absoluta ineficácia do meio). A inidoneidade do meio deve ser analisada de
acordo com as circunstâncias pessoais da vítima. Se o meio é idôneo, mas, acidentalmente,
se mostrou ineficaz, há tentativa.
Questões:
Fraude bilateral: há fraude bilateral quando a vítima também age de má-fé.
P.: No caso de fraude bilateral existe estelionato por parte de quem ficou com o
lucro?
R.: A doutrina se divide:
 Segundo Nelson Hungria não há crime, pois:
 A lei não pode amparar a má-fé da vítima.
 Se no cível a pessoa não pode pedir a reparação do dano, então também
não há ilícito penal.
 Na visão da maioria da doutrina e jurisprudência existe estelionato, pois:
 A lei não pode ignorar a má-fé do agente com a qual obteve uma vantagem
ilegal (a boa-fé da vítima não é elementar do tipo).
 O Direito Penal visa tutelar o interesse de toda a coletividade e não apenas
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o interesse particular da vítima.
Distinção entre crimes
O delito de estelionato guarda grande similitude com outros crimes, exatamente
aqueles que tem a fraude como elementar. Assim, o furto mediante fraude sugere uma
grande proximidade, mas neste ocorre uma subtração, enquanto no estelionato se dá uma
entrega espontânea da coisa, ainda que esta decorra de vício ou engano. Além disso, no
furto a fraude dirige-se para o amortecimento da vigilância sobre a res, e não para enganar
o sujeito passivo, como acontece no estelionato. 
Também se estabelece uma diferença entre o estelionato e a apropriação indébita.
Na apropriação indébita existe uma dolus sobsequens (dolo subsequente), que se manifesta
após o recebimento da coisa, enquanto no estelionato se apresenta um dolus ab initio (desde
o início), que acontece antes da sua entrega. Por conseguinte, no estelionato a malícia do
agente se apresenta desde logo, antes da entrega da coisa, enquanto na apropriação o dolo
ocorre depois. Além disso, na apropriação indevida, a posse é inicialmente lícita, enquanto
no estelionato ela é, desde o início, ilegal e fraudulenta.
A diferença entre a extorsão e o estelionato está não só no estado anímico do agente,
mas principalmente na sua maneira de atuar. Em ambos os delitos, ocorre a entrega da
coisa, mas, enquanto no estelionato a dispensa da posse decorre do engano, na extorsão
advém do constrangimento a que a vítima é submetida. 
Privilégio – Art. 171, § 1.º, do CP
Requisitos
As mesmas razões de política criminal que orientam o º§ 2º do art. 155, aqui se
apresentam, mas agora não se fala em coisa de pequeno valor, mas de pequeno prejuízo,
isto é, de um pequeno desfalque patrimonial que a vítima pode facilmente suportar. A
jurisprudência fixou o quantum desse prejuízo em um salário mínimo vigente à época do
fato. O prejuízo, portanto, deve ser calculado com base no salário mínimo que vigora no
momento da consumação do delito (RTJ 102/1.162; RT 442/490 e 547/355). Mas já se
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decidiu não ser o salário mínimo um teto fatal e intransponível do montante do prejuízo
(JUTACRIM 70/232). Na verdade, tratando-se de estelionato privilegiado, o salário mínimo
não passa de um valor-referência.
As mesmas dúvidas que assaltam o privilégio no furto mínimo aqui se apresentam:
o juiz deve, ou o juiz pode, reconhecer o privilégio? Uma facção jurisprudencial entende
que se trata de faculdade concedida ao juiz objetivando uma melhor individualização da
pena (RT 554/377, 571/353, 445/460; JUTACRIM 55/318, 62/228), enquanto outra
preconiza a obrigatoriedade da redução, quando o agente reúne as condições legais,
entendendo haver um direitopúblico subjetivo do réu (RT 571/353, 62/320; JUTACRIM
77/32, 80/245). 
As consequências são as mesmas do furto privilegiado, art. 155, § 2.º, do CP.
Aplica-se às figuras do caput e do § 2.º, que não são qualificadoras.
Disposição de Coisa Alheia Como Própria – Art. 171, § 2.º, I, do CP
Qualquer pessoa pode praticar esta forma equiparada do crime de estelionato. Sujeito
passivo será tanto o adquirente de boa-fé quanto o real proprietário da coisa – crime de
dupla subjetividade passiva. 
O rol previsto neste inciso, taxativo, não prevê o mero compromisso de compra e
venda. Todavia, a depender do modus operandi do agente, sua conduta, nessa hipótese,
poderá se subsumir a previsão do caput. 
O objeto material é a coisa alheia. 
Quanto ai tipo subjetivo, o dolo do agente deve abranger a consciência de que não há o
poder de disponibilidade sobre o bem. 
De resultado duplo, o crime se consuma com o locupletamento do agente, causador de
prejuízo econômico, dispensando-se a tradição (no caso de coisa móvel), ou o
registro (coisa imóvel). Possível se mostra a tentativa (delito plurissubistente). 
OBS: Se o autor do furto vender a coisa como se própria fosse pratica quais crimes?
R.: Prevalece o entendimento de que haverá apenas furto, constituindo o estelionato
post factum impunível. 
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Efetivada a alienação, ainda que o agente regularize o posteriormente o domínio, o
crime permanecerá.
Alienação ou Oneração Fraudulenta de Coisa Própria – Art. 171, § 2.º, II, do CP
A coisa é gravada de ônus que a torna inalienável.
Sujeito ativo: crime próprio, o proprietário.
Vítima: o adquirente de boa-fé.
Trata-se de negociar coisa que é do agente, mas que o agente não poderia negociar. A
FRAUDE está em SILENCIAR, ou seja, a fraude não está em negociar coisa própria
que não podia ser negociada; a fraude está em negociar coisa própria que não podia ser
negociada, e silenciar sobre essa circunstância.
Punido a título de dolo, devendo ao agente ter conhecido do encargo que recai sobre a
coisa.
Consuma-se com obtenção de vantagem e prejuízo alheio (duplo resultado).
Defraudação de Penhor – Art. 171, § 2.º, III, do CP
É pressuposto de crime um contrato pignoratício, que é direito real de garantia (art. 1.431,
CC). No contrato pignoratício, em regra, a coisa fica com o credor. Mas, aqui no crime
a coisa está com o devedor.
O devedor que fica, excepcionalmente, fica na posse da coisa empenhada. Sujeito ativo:
devedor que está na posse da coisa empenhada. Sujeito passivo: credor que vê sua
garantia ser defraudada.
Conduta: mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo (ex.
destruindo a coisa).
Crime material de duplo resultado. Mas, há jurisprudência dizendo que é formal,
dispensando a vantagem e o prejuízo.
Consumação: quando o devedor defrauda a coisa, alienando-a sem o consentimento do
credor.
Objeto material: coisa empenhada (penhor) e não penhorada (garantia em execução), a
coisa penhorada não faz parte desse crime. Penhora é garantia à execução. Quem está
com coisa penhorada e aliena, em princípio, é fato atípico, estará sujeito somente a
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sanções civis = prisão civil por ser depositário infiel. Mas será típico se ao vender a
coisa penhorada, o devedor se colocou em situação de insolvência o crime será o do
artigo 179, CP.
Fraude na Entrega de Coisa
Sujeito ativo: qualquer pessoa obrigada a entregar algo a alguém
Vítima: pessoa prejudicada com a entrega da coisa defraudada.
Substância – essência da coisa. Ex. substitui diamante por vidro.
Qualidade – o atributo da coisa. Ex. entregar arroz de 2ª no lugar de arroz de 1ª.
Quantidade – ex. falsear peso.
Ex. levar uma TV para o conserto. O consertador retira as peças originais e substitui
por peças recondicionadas.
O art. 171, § 2º, IV relação não comercial ou consumerista;
Se for relação consumerista, pode configurar art. 175, Lei nº 8.078/90 ou ainda Lei nº
8.137/90 (isso porque o CDC cede lugar à Lei nº 8.137/90).
Fraude para Recebimento de Indenização ou Valor de Seguro – Art. 171, § 2.º, V, do
CP
O sujeito ativo é o segurado, o sujeito passivo, o segurador.
Trata-se de crime próprio.
Nada impede que terceiro intervenha no comportamento típico, respondendo
também pelo crime. Na hipótese de lesão causada no segurado, o terceiro responde por dois
crimes: estelionato e lesão corporal.
É crime formal, basta que se realize a conduta, independentemente da obtenção da
vantagem indevida.
Não é necessário que o autor do fato seja o beneficiário do contrato de seguro, pode
ser que terceiro venha a receber o valor da indenização.
Admite-se a tentativa.
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Fraude no Pagamento por Meio de Cheque – Art. 171, § 2.º, VI, do CP
“VI – emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe
frustra o pagamento”
Emitir é preencher, assinar e colocar em circulação (entregar a alguém).
Súmula n. 521 do STF: “O foro competente para o processo e o julgamento dos
crimes de estelionato, sob a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de
fundos, é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado.”
Súmula n. 48 do STJ: “Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita
processar e julgar o crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque”.
Súmula n. 246 do STF: “Comprovado não ter havido fraude, não se configura o
crime de emissão de cheques sem fundos”.
Trata-se de crime doloso, não admite a modalidade culposa.
No caso de o agente emitir dolosamente um cheque sem fundos, mas, antes da
consumação, se arrepender e depositar o valor, ocorre o arrependimento eficaz que exclui o
crime. 
O pagamento com cheque roubado caracteriza estelionato simples (caput).
O desconto do cheque fora do prazo para apresentação descaracteriza o delito,
subsistindo a figura do caput, caso comprovado o dolo no momento da emissão do cheque.
Se, após a consumação do delito e antes do recebimento da denúncia, o agente pagar
o valor do cheque, incide o art. 16 do CP, que estabelece redução de pena de 1 a 2/3 –
revogando a Súmula n. 554 do STF: “O pagamento de cheque emitido sem provisão de
fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal.”
O entendimento era no seguinte sentido: se o pagamento efetuado após a denúncia
não obstava a ação penal, o pagamento efetuado antes da denúncia, impedia a ação penal.
Com a reforma penal de 1984, surgiu o instituto do arrependimento posterior (art.
16 do CP), que impõe a redução da pena para a hipótese.
Na prática, porém, por questão de política criminal, a súmula continua sendo
aplicada. 
A reparação do dano feita após o recebimento da denúncia é mera atenuante
genérica.
Frustrar o pagamento do cheque é o segundo núcleo do crime. Caracteriza-se pela
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existência de fundos no momento da emissão e o posterior impedimento do recebimento do
valor, p. ex., sustação de cheque, saque da garantia antes da apresentação do cheque etc.
Consumação
Quando o banco sacado se recusa a efetuar o pagamento – basta uma única recusa.
Tentativa
A tentativa existe nas duas modalidades. Ex.: o agente atua com dolo, mas esquece
que tem dinheiro na conta e o banco paga o cheque. O agente quis o estelionato, mas por
circunstâncias alheiasà sua vontade o crime não se consumou.
Observação
O delito em estudo pressupõe que a emissão do cheque sem fundos tenha sido a
fraude empregada pelo agente para induzir a vítima em erro e convencê-la a entregar o
objeto. Não há crime quando o prejuízo preexiste em relação à emissão do cheque (ex.:
empréstimo e posterior pagamento com cheque sem fundos).
Pela mesma razão, não há crime quando o cheque é entregue em substituição a outro
título de crédito anteriormente emitido.
Se o agente encerra sua conta corrente, mas continua emitindo cheques que manteve
em seu poder, configura o crime (art. 171, caput, do CP). É o estelionato do caput porque a
fraude preexiste em relação à emissão do cheque.
Inexiste crime quando o cheque é emitido para pagamento de dívida de conduta
ilícita (jogo, p. ex.).
No caso de cheque especial, só há crime se o cheque emitido superar o limite que o
banco oferece ao correntista.
A natureza jurídica do cheque é de ordem de pagamento a vista. Qualquer atitude
que desconfigure essa natureza afasta o delito em análise. Ex.: cheque pré-datado, cheque
dado como garantia etc.
Art. 171, § 3.º, do CP – Causa de aumento de pena
Aumenta-se a pena em 1/3: 
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 Se o estelionato é praticado contra entidade de direito público. A Súmula n. 24
do STF estipula: “Aplica-se ao crime de estelionato, em que figure como vítima entidade
autárquica da Previdência Social, a qualificadora do § 3.º do art. 171 do Código Penal”.
 Se é praticado contra entidade assistencial, beneficente ou contra instituto de
economia popular. Porque o prejuízo não atinge apenas as entidades, mas todos os seus
beneficiários.
Estelionato contra idoso
 § 4o Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso. 
RECEPTAÇÃO – ART. 180 do CP
Trata-se de crime acessório, cuja existência exige a prática de um delito
antecedente. O tipo menciona “produto de crime” para a caracterização da receptação,
portanto, aquele que tem sua conduta ligada a uma contravenção anterior não comete
receptação.
A receptação é crime contra o patrimônio, porém, o crime antecedente não precisa
estar previsto no título dos crimes contra o patrimônio, mas é necessário que cause prejuízo
a alguém (ex.: receber coisa produto de peculato).
A receptação é crime de ação pública incondicionada, independente da espécie de
ação do crime anterior.
Existe receptação de receptação, “e respondem pelo crime todos aqueles que, nas
sucessivas negociações envolvendo o objeto, tenham ciência da origem espúria do bem.
Desse modo, ainda que tenha ocorrido uma quebra na sequência, haverá receptação; por
ex.: o receptador A vende o objeto para B, que não sabe da origem ilícita e, por sua vez,
vende-o a C, que tem ciência da origem espúria do objeto. É óbvio que nesse caso A e C
respondem pela receptação, pois o objeto não deixa de ser produto de furto apenas porque
B não sabia da sua procedência” (Victor Gonçalves).
Art. 180, § 4.º, do CP
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Trata-se de norma penal explicativa que impõe a autonomia da receptação, traçando
duas regras: a receptação é punível ainda que desconhecido o autor do crime antecedente,
ou isento o mesmo de pena.
São causas de isenção de pena que não atingem o delito de receptação:
 Excludentes de culpabilidade (p. ex.: inimputabilidade);
 Escusas absolutórias (art. 181 do CP).
Comete crime de receptação quem adquire objeto furtado por alienado mental, ou
por alguém que subtraiu do ascendente, p. ex.
De acordo com o disposto no art. 108 do CP, a extinção da punibilidade do crime
anterior não atinge o delito que dele dependa, salvo duas exceções, abolitio criminis e
anistia.
Sujeito Ativo
Pode ser praticado por qualquer pessoa, desde que não seja o autor, coautor ou
partícipe do delito antecedente.
Sujeito Passivo
É a mesma vítima do crime antecedente. 
O tipo não exige que a coisa seja alheia, no entanto o proprietário do objeto não
comete receptação quando adquire o bem que lhe havia sido subtraído – porque não se pode
ser sujeito ativo e passivo de um mesmo crime.
Tem-se como exceção o mútuo pignoratício – alguém toma um empréstimo e
deixa com o credor uma garantia. Terceiro furta o objeto, sem qualquer participação do
proprietário, e oferece a esse, que adquire com o intuito de favorecer-se. Há receptação
porque o patrimônio do credor foi lesado com a perda da garantia.
Objeto Material
A coisa deve ser produto de crime ainda que tenha sido modificado; p. ex.:furto de
automóvel – há receptação mesmo que sejam adquiridas apenas algumas peças.
O instrumento do crime (arma, chave falsa etc.) não constitui objeto do crime de
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receptação, pois não é produto de crime.
P.:Imóvel pode ser objeto de receptação?
R.: A doutrina não é pacífica:
 Como a lei não exige que a coisa seja móvel, tal como faz em alguns delitos (p.
ex.: art. 155 do CP), Mirabete e Fragoso entendem que pode ser objeto de
receptação.
 Na opinião de Damásio de Jesus, Nelson Hungria e Magalhães Noronha, a
palavra receptação pressupõe o deslocamento do objeto, tornando prescindível
que o tipo especifique “coisa móvel; dessa forma, excluem a possibilidade de
um imóvel ser objeto de receptação”. É a posição do STF e a que prevalece.
Receptação Dolosa Simples – art. 180, caput, do CP
Receptação própria – art.180, caput, 1.ª parte, do CP
São cinco as condutas típicas:
 Adquirir: obter a propriedade a título oneroso ou gratuito.
 Receber: obter a posse (emprestar).
 Ocultar: esconder.
 Conduzir: estar na direção, no comando do veículo.
 Transportar: levar de um lugar para outro.
As duas últimas figuras foram introduzidas no CP pela Lei n. 9.426/96.
A receptação distingue-se do favorecimento real (art. 349 do CP) porque nesse o
agente oculta o objeto material do crime pretendendo auxiliar o infrator; naquela, o fato é
praticado em proveito próprio ou alheio, há intenção de lucro e não de favorecer o sujeito
ativo do delito anterior.
À receptação dolosa aplica-se o privilégio previsto no § 2.º do art. 155 do CP, como
dispõe a 2.ª parte do § 5.º do art. 180 do CP.
 
Consumação
É delito material, consuma-se quando o agente adquire, recebe, oculta, conduz ou
transporta, sendo que os três últimos núcleos tratam de crime permanente cuja consumação
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protrai-se no tempo, permitindo o flagrante a qualquer momento. 
Tentativa
É possível.
Elemento subjetivo
É o dolo direto, o agente deve ter efetivo conhecimento da origem ilícita do objeto,
não basta a dúvida (o dolo eventual).
O dolo subsequente não configura o delito, como no caso de o agente vir a descobrir
posteriormente que a coisa por ele adquirida é produto de crime.
Receptação imprópria – art. 180, caput, 2.ª parte, do CP
A receptação imprópria consiste em influir para que terceiro, de boa-fé, adquira,
receba ou oculte objeto produto de crime.
Influir significa persuadir, convencer etc.
A pessoa que influi chama-se intermediário, não pode ser o autor do delito
antecedente e necessariamente tem de conhecer a origem espúria do bem, enquanto o
terceiro (adquirente) deve desconhecer o fato.
Quem convence um terceiro de má-fé é partícipe da receptação desse.
Consumação e tentativa:
Para a maioria da doutrina e jurisprudência, ocorre no exato instante em que o
agentemantém contato com o terceiro de boa-fé, ainda que não o convença a adquirir,
receber ou ocultar – crime formal. Assim, não se admite tentativa, pois ou o agente manteve
contato com o terceiro configurando-se o crime ou não, tornando-se fato atípico.
Causa de Aumento – Art. 180, § 6.º, do CP
É o antigo § 4.º, que cuidava de qualificadora, tendo sua natureza jurídica
modificada pela Lei n. 9.426/96, tratando-se agora de causa de aumento.
Se o objeto é produto de crime contra a União, Estado, Município, concessionária
de serviço público ou sociedade de economia mista, a pena aplica-se em dobro. 
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O agente deve saber que o produto do crime atingiu uma das entidades
mencionadas. Se assim não fosse, haveria responsabilidade objetiva.
A figura do § 6.º só se aplica à receptação dolosa do caput.
Receptação Qualificada – art. 180, § 1.º, CP
A pena é de reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa se o crime é praticado por
comerciante ou industrial no exercício de suas atividades, que deve saber da origem
criminosa do bem.
O nomem juris do delito está incorreto, pois se trata de um tipo autônomo e próprio,
já que só pode ser cometido por comerciante ou industrial.
Interpretação da expressão deve saber:
 Trata-se de dolo eventual (Celso Delmanto, Paulo José da Costa Júnior e
Damásio de Jesus).
 Significa culpa (Nélson Hungria e Magalhães Noronha).
P.:Como punir o comerciante que sabe da procedência ilícita (dolo direto)?
R.: A questão não é pacífica:
 Alguns entendem que também incide a forma qualificada, uma vez que é
conduta mais grave.
 Damásio de Jesus defende a necessidade de aplicar o princípio da tipicidade
plena, por isso o comerciante que “sabe” (dolo direto) só pode ser punido pela
figura simples do caput Enquanto o comerciante que “deve saber” responde
pela forma qualificada do § 1º. Por essa interpretação a condenação torna-se
injusta, pois a conduta mais grave terá pena menor.
 Outros afirmam que o “deve saber” é usado como elemento normativo do tipo;
o juiz deve analisar, pelo ramo do comércio, se o comerciante tinha ou não a
obrigação de saber da origem ilícita do bem.
Art. 180, § 2.º, do CP
Para fins penais, considera-se comerciante aquele que exerce sua atividade de forma
irregular ou clandestina, mesmo que em residência.
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É uma norma de extensão, pois explica o que se deve entender por “atividade
comercial”.
Receptação Culposa – Art. 180, § 3.º, do CP
Adquirir ou receber são os verbos do tipo, que excluiu a conduta “ocultar” por se
tratar de hipótese reveladora de dolo. 
Os crimes culposos, em geral, têm o tipo aberto, a lei não descreve as condutas,
cabendo ao juiz a análise do caso concreto. A receptação culposa é exceção, pois a lei
descreve os parâmetros ensejadores da culpa:
 Desproporção entre o valor de mercado e o preço pago: deve haver uma
desproporção considerável, que faça surgir no homem médio uma desconfiança.
 Natureza do objeto: certos objetos exigem maiores cuidados quando de sua
aquisição. Ex.: armas de fogo– deve-se exigir o registro.
 Condição do ofertante: quando é pessoa desconhecida ou que não tem condições
de possuir o objeto, como no caso do mendigo que oferece um relógio de ouro.
O tipo abrange o dolo eventual, mesmo tratando-se de modalidade culposa. Entende
a doutrina e a jurisprudência que o dolo eventual não se adapta à hipótese do caput do art.
180 do CP, que pune apenas o dolo direto, enquadrando-se na receptação culposa prevista
no § 3.º do artigo.
Consumação
Quando a compra ou o recebimento se efetivam.
Não cabe tentativa, porque não se admite tentativa de crime culposo.
Art. 180, § 5.º, do CP
O parágrafo prevê o perdão judicial (na primeira parte) e a aplicação do § 2.º do art.
155 do CP – privilégio (na 2.ª parte).
O perdão judicial somente é aplicado à receptação culposa, exigindo que:
 O agente seja primário;
 O juiz considere as circunstâncias.
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Trata-se de direito subjetivo do réu e não faculdade do juiz em aplicá-lo – não
obstante a expressão pode.
 § 6o Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de
Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de
economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a
pena prevista no caput deste artigo. 
Receptação de animal
Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito ou
vender, com a finalidade de produção ou de comercialização, semovente domesticável
de produção, ainda que abatido ou dividido em partes, que deve saber ser produto de
crime: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
 
CAPÍTULO VIII
DISPOSIÇÕES GERAIS: Válidas para todos os crimes contra o patrimônio.
Imunidades Absolutas – Art. 181 do CP
A consequência é a isenção de pena. Tem natureza jurídica de escusa absolutória;
significa que subsiste o crime com todos os seus requisitos, excluindo-se apenas a
punibilidade.
Em razão disso, a autoridade policial está impedida de instaurar inquérito policial. 
Hipóteses legais 
 Se o crime é praticado em prejuízo do cônjuge na constância da sociedade
conjugal.
Pouco importa o regime de bens do casamento. Leva-se em conta a data do fato, que
deve ocorrer na constância do casamento. Se o fato delituoso ocorre antes do casamento
não persiste o benefício. A separação de fato não exclui a imunidade.
A imunidade alcança ao concubino, se o fato ocorre durante a vida em comum
(analogia in bonam partem).
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Não alcança os noivos, mesmo que venham a se casar.
 Se o crime é praticado em prejuízo de ascendente ou de descendente.
Atinge qualquer grau de parentesco na linha reta. Não abrange o parentesco por
afinidade.
A enumeração legal é taxativa.
A obrigação de reparação do dano não é excluída.
Imunidades Relativas – Art. 182 do CP
Transformam o crime contra o patrimônio de ação penal pública incondicionada em
condicionada à representação.
Hipóteses legais
Se o crime é cometido em prejuízo:
 Do cônjuge desquitado ou judicialmente separado.
 Se o fato ocorre após o divórcio não há qualquer imunidade.
 De irmão, sejam germanos ou unilaterais.
 De tio ou sobrinho, com quem o agente coabita – deve ser na mesma residência
e de forma não transitória.
Art. 183 do CP
Prevê três hipóteses em que fica vedada a aplicação das imunidades (absoluta e
relativa):
 Nos crimes de roubo e de extorsão, ou, em geral, quando há emprego de
violência ou grave ameaça (p. ex., esbulho possessório e dano qualificado pela
violência ou grave ameaça).
 Ao terceiro que toma parte do crime.
 Se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60
(sessenta) anos. 
OBS: O presente material é uma compilação de forma resumida, das obras dos
autores Damásio de Jesus, Mirabete, Magalhães Noronha, César Roberto Bitencourt,
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José Henrique Pierangeli, Rogério Greco, Fernando Capez, Guilherme Souza Nucci,
Alberto Silva Franco, Rogério Sanches, Francisco Dirceu Barros, dentre outros. 
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	Dolo direto: quando a pessoa quer o resultado.
	Dolo eventual: não quer, mas assume o risco de produzir o resultado.
	Tentativa
	Quanto aos motivos: incs. I e II.
	Emprego de fogo
	Temos como exemplo o caso do índio pataxó.
	Questões:
	As qualificadoras se estendem aos coautores ou partícipes?
	INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO SUICÍDIO – ART. 122 DO CÓDIGO PENAL
	Sujeito Passivo
	Consumação
	Elementares do Crime
	ABORTO – ARTS. 124 A 128 DO CÓDIGO PENAL
	Consumação: o aborto consuma-se com a morte do feto.
	Tentativa: é possível.
	Elemento subjetivo: só existe na forma dolosa. Não existe crime autônomo de aborto culposo.
	Se a gravidez era de gêmeos e a pessoa que praticou o aborto não sabia, há crime único para evitar a responsabilidade objetiva. Se sabia que eram gêmeos, responde pelos dois crimes de aborto (concurso formal impróprio ou imperfeito: uma ação, dois resultados, cuja consequência é a soma de penas).
	3.3. Aborto Legal – Art. 128 do Código Penal
	Sujeito Ativo: qualquer pessoa.
	Sujeito Passivo: qualquer pessoa, salvo no caso de autolesão – que a lei não pune, já que a figura típica é ofender a outrem. A autolesão pode, entretanto, constituir crime de outra natureza – autolesão para receber seguro (art. 171, § 2.º, inc. V, do CP), ou criação de incapacidade para frustrar a incorporação militar (art. 184 do COM).
	Consumação
	Tentativa
	Ação penal
	Lesão Grave – Art. 129, § 1.º, do Código Penal.
	Bem jurídico tutelado
	Tipo objetivo:
	Consumação e tentativa
	Formas Qualificadas
	FIGURA MAJORADA
	DA RIXA
	Bem jurídico tutelado
	Sujeitos ativo e passivo
	Participantes da rixa
	Consumação e tentativa
	Figuradas Qualificadas
	Difamação – artigo 139 do Código Penal
	MÓDULO XVI
	DIREITO PENAL
	Furto Simples
	P.: O privilégio pode ser aplicado ao furto qualificado?
	R.: A doutrina diverge a respeito: uma corrente afirma que sim, pois não há vedação legal; a outra, majoritária, não admite a aplicação e fundamenta que o privilégio encontra-se no § 2.o, e, portanto, não poderia ser aplicado aos §§ 4.o e 5.o; ademais, a gravidade do furto qualificado é incompatível com as consequências brandas (de redução da pena) do privilégio.
	
	Com rompimento ou destruição de obstáculo
	Com abuso de confiança – requisitos:
	Emprego de fraude: significa usar de artifícios para enganar alguém, possibilitando a execução do furto.
	Escalada: é o acesso por via anormal ao local da subtração. Ex.: entrada pelo telhado, pela tubulação do ar-condicionado, pela janela, escavação de um túnel e outros.
	Destreza: habilidade do agente que permite a prática do furto sem que a vítima perceba.
	ROUBO – ART. 157 do CÓDIGO PENAL
	Bem Jurídico tutelado: A lei pretende assegurar o patrimônio e a integridade física ou liberdade individual.
	Concurso de Crimes:
	Consumação do Roubo: Há certa divergência quanto ao momento consumativo do roubo próprio.
	Roubo Impróprio – Art. 157, § 1.º, do Código Penal
	
	Consumação no roubo impróprio: três posições
	Emprego de arma (revogado pela lei n. 13.654 de 2018):
	Roubo Qualificado – Art. 157, § 3.º, do Código Penal
	Caracteriza-se a violência quando empregada em razão do roubo (nexo causal) e durante o cometimento do delito (no mesmo contexto fático).
	EXTORSÃO – ART. 158 do CÓDIGO PENAL
	Diferença entre Roubo e Extorsão (Três posicionamentos)
	Diferença entre Extorsão e Estelionato
	Extorsão e Constrangimento Ilegal
	Causas de Aumento da Pena:
	Com relação à segunda, ver comentários no crime de roubo.
	Extorsão Qualificada:
	§ 3o  Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente.
	EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO – ART. 159 do CÓDIGO PENAL
	Bem jurídico tutelado: a principal é a inviolabilidade do patrimônio. A secundária é a tutela da liberdade de locomoção. Trata-se de crime complexo.
	Sujeito Ativo:
	Sujeito Passivo
	P.: Qual o seu alcance?
	Consumação
	Tentativa
	Extorsão Mediante Sequestro e Sequestro e Cárcere Privado
	DANO – ART. 163 DO CÓDIGO PENAL
	Objeto Material: Objeto material é a coisa alheia (móvel ou imóvel).
	Sujeito Ativo: Sujeito ativo é qualquer pessoa, menos o proprietário.
	Consumação
	Tentativa
	Dano Qualificado – Art. 163, par. ún., do Código Penal
	A pena é de detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
	O preso que danifica a cela para fugir, para alguns doutrinadores, não comete crime de dano, pois este exige intenção específica de causar prejuízo à vítima. Para outros, há crime de dano, pois, para sua existência, basta que o agente tenha ciência de que causará prejuízo com sua conduta.
	Ação Penal – Art. 167 do Código Penal
	APROPRIAÇÃO INDÉBITA - ART. 168 do CP
	Observações Gerais
	ESTELIONATO – ART. 171 do CP
	“Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.
	Sujeito Ativo
	P.: No caso de fraude bilateral existe estelionato por parte de quem ficou com o lucro?
	Disposição de Coisa Alheia Como Própria – Art. 171, § 2.º, I, do CP
	Alienação ou Oneração Fraudulenta de Coisa Própria – Art. 171, § 2.º, II, do CP
	Defraudação de Penhor – Art. 171, § 2.º, III, do CP
	Consumação
	Tentativa
	RECEPTAÇÃO – ART. 180 do CP
	Sujeito Ativo
	Sujeito Passivo
	P.:Imóvel pode ser objeto de receptação?
	Tentativa
	Elemento subjetivo
	Receptação imprópria – art. 180, caput, 2.ª parte, do CP
	Interpretação da expressão deve saber:
	P.:Como punir o comerciante que sabe da procedência ilícita (dolo direto)?
	DISPOSIÇÕES GERAIS: Válidas para todos os crimes contra o patrimônio.Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o
faça.
 Induzir: dar a ideia a alguém que ainda não tinha pensado em suicídio, ou seja,
criar a ideia de suicídio na cabeça da vítima.
 Instigar: reforçar a ideia suicida preexistente.
 Auxiliar: participação material, já que o agente colabora com a própria prática
do suicídio. Ex.: emprestar corda, arma, veneno etc. O auxílio deve ser
acessório, ou seja, não poderá ser a causa direta da morte, pois, se for, o crime
será de homicídio.
O induzimento e a instigação são formas de participação moral, enquanto o auxílio é
forma de participação material.
Induzir, instigar e prestar auxílio à mesma vítima: o crime será único quando o
agente realizar mais de uma conduta, pois se trata de crime de ação múltipla ou de conteúdo
variado, ou ainda, tipo misto alternativo.
P: Pode ser praticado por omissão?
R: Em regra, não. Dependendo do caso, poderá ocorrer omissão de socorro.
Mas para quem tem o dever jurídico de evitar o resultado e pode evitá-lo, há duas
correntes: 
 MIRABETE e MAGALHÃES NORONHA entendem que haverá o crime do
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art. 122 do Código Penal com fundamento no art. 13, § 2.º, do mesmo diploma;
 DAMÁSIO DE JESUS, FRAGOSO e FREDERICO MARQUES, JOSÉ
HENRIQUE PIARANGELI entendem que o art. 13, § 2.o, do Código Penal não
pode ser aplicado, porque os verbos do art. 122 do Código Penal são
incompatíveis com a figura omissiva. De acordo com essa visão, portanto,
quem tem o dever jurídico de agir responderá por omissão de socorro, que será
qualificada, pois houve morte. (majoritária) 
Tipo Subjetivo
Dolo direto ou eventual. O exemplo de dolo eventual verifica-se no caso da pessoa
que estimula outra a praticar roleta russa. Se várias pessoas praticam roleta russa, uns
estimulando os outros, haverá crime se alguém morrer. Deve haver seriedade na conduta.
Se alguém, por brincadeira, diz para outrem se matar, e ele se mata, não há dolo. Não há
previsão legal de forma culposa no tipo do art. 122 do Código Penal. Livros ou músicas que
possam estimular o suicídio não geram a responsabilidade de seus autores por ausência de
dolo em relação a uma pessoa ou a pessoas determinadas.
Deve haver nexo causal (relação de causa e efeito) entre o auxílio prestado e o modo
pelo qual a vítima se matou. Ex.: no caso de emprestar uma corda e a vítima se matar com
um tiro, não há nexo, assim, aquele que emprestou a corda não responderá por auxílio ao
suicídio.
Pena
No caso de morte, a pena será de dois a seis anos de reclusão; se a vítima sofrer
lesão grave, de um a três anos de reclusão. Concluiu-se que o legislador não quis punir as
outras hipóteses, como a lesão leve e a forma culposa.
Consumação
Ocorre quando a vítima morre ou sofre lesões graves. Consideram-se a lesão grave
ou a morte elementares do crime (estas geralmente se encontram no tipo, mas, no crime do
art. 122 do Código Penal, constam na pena).
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Tentativa
Para a maioria da doutrina, não cabe tentativa, uma vez que na hipótese em que a
vítima sofre lesão grave, o crime se considera consumado, pois, como há pena autônoma,
na parte especial não se utiliza o art. 14, inc. II, do Código Penal (tentativa).
Ocorrendo lesão leve, o fato será atípico.
Aumento de Pena – Art. 122, par. ún., do Código Penal
A pena será duplicada:
 Quando praticado o crime por motivo egoístico;
 1.ª parte: se a vítima for menor (18 anos – menoridade penal). Se a vítima,
entretanto, em face da menoridade, não tiver qualquer capacidade para o
entendimento, o crime será de homicídio. 
P: Qual o critério para essa distinção? 
R: Primeira corrente: a prova deve ser feita caso a caso. Segunda corrente: critério
objetivo, ou seja, basta que a vítima tenha menos de 14 anos para ser considerado
homicídio (por analogia ao art. 224 do Código Penal – analogia in malan partem, o que não
se admite em Direito Penal);
 2a. parte: se a vítima, por qualquer causa, tiver diminuída sua capacidade de
resistência. Atente-se à expressão “diminuída”, pois, se a capacidade da vítima
for nula, haverá homicídio.
PACTO DE MORTE
A e B estão num quarto hermeticamente fechado. Lá, há uma torneira de gás. 1ª
possibilidade – B abre a torneira e morre => A responde pelo o art. 122 do CP; 2ª
possibilidade – B abre a torneira e o A morre => B responde por homicídio (ele praticou ato
executório); 3ª possibilidade – B abre a torneira => R abre a sala e salva os dois => B
responde por tentativa de homicídio; A não responde por nada, pois não resultou morte para
o B, nem lesão corporal grave (figura atípica – ver 2ª corrente sobre consumação e
tentativa).
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INFANTICÍDIO – ART. 123 DO CÓDIGO PENAL
Bem jurídico tutelado: vida
Sujeito ativo
Por tratar-se de um crime próprio, em que se exige uma qualidade específica do
sujeito, somente a mãe, desde que esteja sob influência do estado puerperal, é que pode ser
sujeito ativo do crime de infanticídio. 
Sujeito passivo
É o próprio filho nascente ou recém nascido. 
Tipo objetivo
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o
parto ou logo após. 
Pena: detenção de dois a seis anos.
Elementares do Crime
 Matar: aplicam-se as regras do homicídio quanto a esse verbo (consumação,
tentativa etc.).
 Estado puerperal: alteração psíquica que acontece em grande número de
mulheres em razão de alterações orgânicas decorrentes do fenômeno do parto.
Pode apresentar quatro hipóteses, a saber: a) o puerpério não produz nenhuma
alteração na mulher; b) acarreta-lhe perturbações psicossomáticas que são a
causa da violência contra o próprio filho; c) provoca-lhe doença mental; d)
produz-lhe perturbação da saúde mental diminuindo-lhe a capacidade de
entendimento ou de determinação. Na primeira hipótese, haverá homicídio; na
segunda, infanticídio; na terceira, a parturiente é isenta de pena em razão de
sua inimputabilidade (art. 26, caput, do CP); na quarta, terá uma redução de
pena, em razão de sua semi-imputabilidade. 
Deve ser provado o estado puerperal ou ele se presume? 
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Tem de ser provado por perícia médica, mas, se os médicos ficarem em dúvida
sobre sua existência e o laudo for inconclusivo, será presumido o estado puerperal,
aplicando-se o in dubio pro reo.
Não são aplicadas as agravantes genéricas de crime contra descendente e de crime
contra criança por constituírem elementos essenciais do crime.
 Durante ou logo após o parto: este é o elemento temporal, ou seja, o crime só
poderá ser praticado em um determinado momento.
Considera-se início do parto a dilatação do colo do útero, e fim do parto, o
nascimento.
A expressão “logo após” variará conforme o caso concreto, pois a duração do estado
puerperal difere de uma mulher para outra.
É possível concurso de pessoas? 
Sim, incide o art. 30 do Código Penal (não se comunicam as circunstâncias e as
condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime). O estado puerperal é
uma circunstância de caráter pessoal, porém é elementar do crime de infanticídio, portanto
alcança os participantes, que responderão pelo delito. 
Há uma corrente que afirma ser o estado puerperal uma condiçãopersonalíssima,
incomunicável. Mas a lei não fala em condição de caráter personalíssimo. Prevalece,
todavia, a doutrina oposta, infanticídio para a mãe e para terceiro.
O infanticídio não possui forma culposa. Assim, se a morte da criança resulta de
culpa da mãe, mesmo que esta esteja sob a influência do estado puerperal, o crime será de
homicídio culposo (HUNGRIA, CÉSAR R. BITENCOURT e MIRABETE). Para uma
segunda corrente (DAMÁSIO DE JESUS e REDERICO MARQUES), estando a mulher
sob a influência do estado puerperal, não se pode exigir dela uma conduta de cuidado
(cuidado do homem comum) e prudência, sendo, portanto, atípico o fato (incompatibilidade
entre a conduta culposa e o estado puerperal).
Diferentes, porém, poderão ser as consequências, conforme o terceiro seja
autor, coautor ou partícipe. Há três situações possíveis:
1ª) Mãe que mata o próprio filho, contando com o auxílio de terceiro: a mãe é
autora de infanticídio e as elementares desse crime comunicam-se ao partícipe, que, assim,
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responde pelo infanticídio;
2ª O terceiro mata o recém-nascido, contando com a participação da mãe: o
terceiro realiza a conduta principal, ou seja, “mata alguém”. Como tal comportamento se
subsumi no art. 121 do CP, ele será autor de homicídio. A mãe, que praticou uma conduta
acessória, é partícipe do mesmo crime, pois o acessório segue o principal. No entanto,
embora esta seja a solução apontada pela boa técnica jurídica e a prevista no art. 29, caput,
do CP, não pode, aqui, ser adotada, pois levaria ao seguinte contra-senso: se a mãe mata a
criança, responde por infanticídio, mas como apenas ajudou a matar, responde por
homicídio. Não seria lógico. Portanto, nesta segunda hipótese, a mãe responde por
infanticídio.
3ª) Mãe e terceiro executam em coautoria a conduta principal, matando a
vítima: a mãe será autora do infanticídio e o terceiro, por força da teoria unitária ou
monista, responderá pelo mesmo crime, nos expressos termos do art. 29, caput, do CP.
Ação Penal: pública incondicionada
ABORTO – ARTS. 124 A 128 DO CÓDIGO PENAL
Conceito
É a interrupção da gravidez com a consequente morte do feto. O aborto pode ser
natural, acidental ou provocado (ele é criminoso ou é legal).
Bem jurídico tutelado: a vida
Sujeito ativo: no auto-aborto e no aborto consentido (art. 124) é a própria mulher gestante.
No aborto provocado por terceiro, com ou sem o consentimento da gestante, sujeito ativo
pode ser qualquer pessoa, independentemente de qualidade ou condição especial.
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Sujeito passivo: no auto-aborto e no aborto consentido (art. 124), é o feto, ou,
genericamente falando, o produto da concepção, que engloba o ovo, embrião e feto. A
gestante é sujeito passivo no aborto provocado por terceiro sem o seu consentimento. Nessa
espécie de aborto, há dupla subjetividade passiva: o feto e a gestante.
4.1) TEORIAS SOBRE O CONCURSO DE PESSOAS
São 3 teorias apontadas pela doutrina: 
 Teoria pluralística – existem tantos crimes quanto forem os autores ou partícipes.
 Teoria dualística/dualista – há 2 crimes: 1 crime para coautores e 1 crime para os
partícipes. 
 Teoria monística/monista – independentemente do número de coautores ou partícipes, o
delito permanece único e indivisível. Ex.: 20 pessoas, em conjunto, praticando um
homicídio, haverá apenas 1 homicídio, mas a pena de cada um variará de acordo com a
sua culpabilidade (juízo de reprovação) – teoria adotada pelo CP – art. 29 do CP.
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de
sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
OBS.: Alguns doutrinadores dizem que existe uma teoria monística temperada, pois não
seria aplicada de maneira absoluta. 
Exceções à teoria monística: aborto - uma delas é a do art. 124 e 126 do CP – a mulher
que paga o médico responde pelo o art. 124 e o médico que realiza o aborto responde pelo
o art. 126 do CP; corrupção – corrupção passiva do funcionário e corrupção ativa do
particular; falso testemunho e corrupção ativa de testemunha – a testemunha responde
por um artigo e aquele que pede para que minta em audiência, responde pelo o outro;
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art29
https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=dos-crimes-contra-a-vida
bigamia – art. 235 do CP. Quem é casado responde pelo caput, quem não é, responde pelo
o parágrafo primeiro; art. 33/36 da Lei 11343/2006 e art. 33/37 da Lei 11343/2006. 
Espécies de aborto criminoso:
 
 Art. 124 do Código Penal (aborto provocado pela gestante ou com o seu consentimento) 
Traz duas figuras que punem a mulher grávida. São dois casos de crime próprio,
sendo o sujeito passivo sempre o feto.
 Auto-aborto: praticar aborto em si mesma.
 Aborto consentido: consentir que terceiro provoque aborto. O terceiro
responderá pelo art. 126, que contém pena maior. Esta é uma exceção à regra
de que todos que colaboram para um crime respondem nos mesmos termos de
seu autor principal (exceção à teoria monista ou unitária. É uma exceção
expressa).
Trata-se nas duas modalidades, de crime de mão própria, isto é, que somente a
gestante pode realizar. Mas, como qualquer crime de mão própria, admite a participação,
como atividade acessória, quando o partícipe se limita a instigar, induzir ou auxiliar a
gestante tanto a praticar o auto-aborto como a consentir que terceiro lhe provoque.
Contudo, se o terceiro for além dessa mera atividade acessório, intervindo na realização
propriamente dos atos executórios, responderá não como coautor, que a natureza do crime
não permite, mas como autor do crime do art. 126.
Aborto provocado sem consentimento da gestante (art. 125, CP).
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.
 
O aborto sem consentimento da gestante, recebe punição mais grave e pode assumir
duas formas: sem consentimento real ou ausência de consentimento presumido (não maior
de 14 anos, alienada ou débil mental). Nessa modalidade de aborto, a ausência de
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consentimento constitui elementar negativa do tipo. Logo, se houver consentimento da
gestante, afastará essa adequação típica. Logicamente que, em se tratando de aborto, o
eventual consentimento não elimina simplesmente a tipicidade, mas apenas a desloca para
outro dispositivo legal, pelas peculiaridades do próprio crime de aborto, que pode ser com
ou sem consentimento. 
Para provocar aborto sem consentimento da gestante não é necessário que seja
mediante violência, fraude ou grave ameaça; basta a simulação ou mesmo dissimulação,
ardil ou qualquer outra forma de burlar a atenção ou vigilância da gestante. Em outros
termos, é suficiente que a gestante desconheça que nela está sendo praticado o aborto. Essas
são formas de ausência de consentimento real, que também pode ser presumida, quando
estiverem presentes aquelas condições elencadas no at. 224. 
Aborto provocado com o consentimento da gestante (art. 126, do CP)
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de
quatorze anos,ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante
fraude, grave ameaça ou violência.
Aborto com consentimento, ou aborto consensual, constitui exceção à teoria
monística adotada pelo nosso CP. Quem provoca aborto com consentimento da gestante não
será coautor do crime capitulado no art. 124, a despeito do preceito do art. 29, do CP, mas
responderá pelo delito previsto no art. 126.
Essa exceção à teoria monística, fundamenta-se no desnível do grau de
reprovabilidade que a conduta da gestante que consente no aborto apresenta em relação à
daquele que efetivamente pratica o aborto consentido.
Convém destacar que o aborto consentido (art. 124, 2ª figura) e o aborto consensual
(art. 126) são crimes de concurso necessário, pois exigem a participação de duas pessoas, a
gestante e o terceiro realizador do aborto, e, a despeito da necessária participação de duas
pessoas, cada um responde, excepcionalmente, por um crime distinto. 
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A pena para quem provoca aborto com o consentimento da gestante é de um a
quatro anos. Se ocorrer a morte da gestante, de dois a oito anos. O aumento é aplicável na
hipótese de morte culposa (crime preterdoloso), porque, se o agente tinha dolo em relação
ao aborto e em relação à morte, haverá dois crimes autônomos (aborto e homicídio). O
crime do art. 126 do Código Penal pressupõe que a autorização da mulher dure até a
consumação do aborto.
P: É possível que terceiro responda pela prática de aborto sem o consentimento
da gestante quando o consentimento foi dado e durou até a consumação? 
R: Sim, nas cinco hipóteses do art. 126, par. ún., do Código Penal, que determinam
que o consentimento deve ser desconsiderado: quando houver violência, grave ameaça ou
fraude na obtenção do consentimento (vontade viciada); se a gestante for menor de 14 anos
ou doente mental (ausência de capacidade de entendimento do ato).
Consumação: o aborto consuma-se com a morte do feto.
Tentativa: é possível.
Elemento subjetivo: só existe na forma dolosa. Não existe crime autônomo de
aborto culposo. 
Quem, por imprudência, dá causa a um aborto responde por crime de lesão corporal
culposa, sendo vítima a mulher (gestante). Porém, se foi a própria gestante que, por
imprudência, deu causa ao aborto, o fato será atípico, já que não se pune o aborto culposo.
O aborto é um crime de ação livre (pode ser praticado por qualquer meio), mas
desde que seja um meio apto a provocar a morte do feto, caso contrário, haverá crime
impossível.
Gravidez de gêmeos:
Se a gravidez era de gêmeos e a pessoa que praticou o aborto não sabia, há crime
único para evitar a responsabilidade objetiva. Se sabia que eram gêmeos, responde pelos
dois crimes de aborto (concurso formal impróprio ou imperfeito: uma ação, dois resultados,
cuja consequência é a soma de penas).
3.2.2. Art. 127 do Código Penal – Causa de aumento de pena
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Se a gestante sofre lesão grave, a pena é aumentada em um terço.
Se a gestante morre, a pena é aumentada em dobro. Só vale para o aborto praticado
por terceiro, consentido ou não pela gestante (arts. 125 e 126).
O aumento de pena não é aplicado ao art. 124 por expressa disposição.
O art. 127 prevê duas causas especiais de aumento de pena, que impropriamente
recebem a rubrica “forma qualificada”. Segundo a dicção do referido dispositivo, somente a
lesão corporal de natureza grave ou morte da gestante “qualificam” o crime de aborto. As
ditas “qualificadoras” aplicam-se ao aborto praticado por terceiro (arts. 125 e 126) e não ao
aborto praticado pela própria gestante (art. 124). Aliás, nem teria sentido, pois não se pune
a autolesão nem o ato de matar-se. É indiferente que o resultado “qualificador” – morte ou
lesão – decorra do próprio aborto ou das manobras abortivas. Significa dizer que a
majoração da pena pode ocorrer quando o aborto não se consume, sendo suficiente que o
resultado majorado decorra das manobras abortivas.
Se em decorrência do aborto a vítima sofre lesões corporais leves, o agente responde
somente pelo crime de aborto, sem a aplicação da majorante constante do art. 127, pois essa
lesão integra o resultado natural da prática abortiva. 
Para que se configure o crime “qualificado pelo resultado”, é indispensável que o
evento morte ou lesão grave decorra, pelo menos, de culpa (art. 19 do CP). No entanto, se o
dolo do agente abranger os resultados lesão grave ou morte da gestante, excluirá a
aplicação do art. 127. Nesse caso, o agente responderá pelos dois crimes, em concurso
formal – aborto e homicídio doloso ou aborto e lesão corporal grave.
 
É possível tentativa de aborto na forma majorada? Ex.: o médico, responsável pela
prática do aborto, não consegue interromper a gravidez, mas a mulher acaba falecendo. O
dolo do agente era em relação ao aborto, mas restou tentado. O resultado morte da gestante
é dado a título culposo (o que realmente aconteceu) – há duas correntes: 1ª corrente – este
médico responde pelo o aborto com a causa de aumento da pena, em sua modalidade
consumado (FERNANDO CAPEZ). 2ª corrente – este crime é o do art. 126 com o
resultado morte c.c art. 127 do CP, na modalidade tentada – (Luiz Flávio Gomes). Seria
possível a tentativa em crimes preterdolosos? R: Não se admite tentativa em crime
preterdoloso quando o que ficar frustrado for o resultado, atribuído ao agente a título de
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culpa. Porém, quando o que ficar frustrado for a conduta do agente, praticada a título
doloso, será permitido a tentativa em crime preterdoloso.
3.3. Aborto Legal – Art. 128 do Código Penal 
Prevê duas hipóteses em que a provocação do aborto é permitida.
 Natureza jurídica: causa de exclusão de ilicitude.
 Inc. I: aborto necessário. Requisitos:
 Que seja feito por médico;
 Que não haja outro meio para salvar a vida da gestante.
Não se exige risco atual, como no estado de necessidade. Ante a simples constatação
de que no futuro haverá perigo, poderá o aborto ser realizado desde logo. Havendo perigo
atual, o aborto pode ser praticado por qualquer pessoa, aplicando-se nesse caso o estado de
necessidade.
 Inc. II: aborto sentimental. Requisitos:
 Que seja feito por médico;
 Que a gravidez tenha resultado de estupro;
 Que haja o consentimento da gestante ou, se incapaz, de seu
representante legal.
- É desnecessária autorização judicial, sentença condenatória ou mesmo
processo criminal contra o autor do crime sexual. Entretanto, o médico deve
procurar certificar-se da autenticidade da afirmação da paciente.
Acautelando-se sobre a veracidade da alegação, somente a gestante
responderá criminalmente se for provada a falsidade da afirmação.
Aborto eugênico/eugenésico:
É o caso do feto anencefálico/sem atividade cerebral. Não faz parte do rol dos
abortos permitidos no art. 128 do CP, todavia, há projeto de lei permitindo este aborto. O
nosso Estatuto Penal, na sua Exposição de Motivos, foi claro ao incriminar o abortamento
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eugenésico (praticado em face dos comprovados riscos de que o feto nasça com graves
anomalias psíquicas ou físicas). 
Para a doutrina, o fato seria típico e ilícito, mas não seria culpável, em virtude da
presença de uma causa excludente de culpabilidade (inexigibilidadede conduta diversa) –
O STF no julgamento da ADPF n. 54, de 12/04/2012, decidiu, por maioria de votos,
julgar procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade da interpretação
segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo é conduta tipificada como
crime de aborto. A doutrina embasa-se na Lei 9434/97, que determina o momento da
morte com a cessação da atividade encefálica. Ora, se a cessação da atividade cerebral é
caso de morte (não vida), feto anencefálico não tem vida intra-uterina, logo, não morre
juridicamente (não se mata aquilo que jamais viveu para o direito). 
Aborto miserável/econômico ou social:
Ele se dá em razões de dificuldades financeiras – configura crime. 
Aborto honoris causa
Realizado para interromper gravidez extra matrimonium (advinda de relações
extra-matrimoniais) – configura crime.
Questão:
O namorado induz a namorada a praticar o aborto: é partícipe do art. 124;
Namorado convence a namorada e paga o 3º provocador para realizar o abortamento:
a jurisprudência coloca o namorado como partícipe do art.126.
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
LESÕES CORPORAIS – ART. 129, DO CÓDIGO PENAL
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Art. 129, caput, do Código Penal: “ofender a integridade corporal ou a saúde
de outrem”.
Bem Jurídico Tutelado: O bem jurídico penalmente protegido é a integridade corporal e a
saúde da pessoa humana, isto é, a incolumidade do indivíduo. A proteção legal abrange não
só a integridade anatômica como a normalidade fisiológica e psíquica. 
Sujeito Ativo: qualquer pessoa.
Sujeito Passivo: qualquer pessoa, salvo no caso de autolesão – que a lei não pune, já que a
figura típica é ofender a outrem. A autolesão pode, entretanto, constituir crime de
outra natureza – autolesão para receber seguro (art. 171, § 2.º, inc. V, do CP), ou
criação de incapacidade para frustrar a incorporação militar (art. 184 do COM). 
Tipo objetivo: a conduta típica do crime de lesão corporal consiste em ofender, isto é,
lesar, ferir a integridade corporal ou a saúde de outrem. Ofensa à integridade corporal
compreende a alteração, anatômica ou funcional, interna ou externa, do corpo humano,
como, por exemplo, equimoses, luxações, mutilações, fraturas, queimaduras, etc. 
Ofensa à saúde compreende a alteração de funções fisiológicas do organismo ou
perturbação psíquica. A simples perturbação de ânimo ou aflição não é suficiente para
caracterizar o crime de lesão corporal por ofensa à saúde. Mas configurará o crime qualquer
alteração ao normal funcionamento do psiquismo, mesmo que seja de duração passageira.
Podem caracterizar essa ofensa à saúde os distúrbios de memória, e não apenas os
distúrbios de ordem intelectiva ou volitiva. 
A simples dor física ou crise nervosa, sem dano anatômico ou funcional, não
configuram lesão corporal, embora seja necessária violência física para produzi-la. 
Observações:
 Equimose: constitui lesão. É a roxidão que fica na pele (rompimento dos vasos
sanguíneos sob a pele).
 Hematoma: equimose onde houve um extravasamento de sangue maior,
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ocorrendo um inchaço. Caracteriza a lesão.
 Eritema: vermelhidão passageira na pele, não constitui lesão.
 A provocação de mais de uma lesão em um mesmo contexto caracteriza crime
único.
Tipo subjetivo: é representado pelo dolo (animus laedendi), que consiste na vontade livre e
consciente de ofender a integridade física ou a saúde de outrem. O que distingue o crime de
lesão corporal da tentativa de homicídio cruenta é exatamente o elemento subjetivo: neste
há o dolo de matar; naquela, tão-somente o de lesar o corpo ou a saúde.
 
Consumação
No momento em que a vítima é lesionada.
Tentativa
É possível. Difere da contravenção de vias de fato (art. 21 da LCP), pois, na
tentativa, o agente quer lesionar a vítima, mas não consegue, ao passo que as vias de fato se
caracterizam por serem uma agressão na qual não resulta lesão, pois o agente não tinha essa
intenção.
Se o agente agride sem a intenção de lesionar, mas lesiona, ocorre a lesão corporal
culposa, que afasta as vias de fato.
FORMAS: 
Lesão Leve
 Por exclusão, é toda lesão que não for grave e nem gravíssima. Pena: detenção de 3
(três) meses a 1 (um) ano.
Ação penal
Art. 129, caput – lesão corporal leve – quando ela não for grave nem gravíssima. Por conta
do art. 88 da Lei 9099/95, ter-se-á um crime com ação penal pública condicionada à
representação. OBS.: lesão corporal leve nos casos de violência doméstica e familiar – de
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acordo com o art. 41 da Lei Maria da Penha (11340/2006), aos crimes praticados com
violência doméstica e familiar, não se aplica a Lei 9099/95; logo, a ação penal será
pública incondicionada (é a atual posição do STF). A jurisprudência e a doutrina
estenderam a exigência da representação para as vias de fato.
Lesão Grave – Art. 129, § 1.º, do Código Penal.
Pena: de 1 (um) a 5 (cinco) anos de reclusão.
Inciso I – se resulta incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias
Entende-se por ocupação habitual, qualquer atividade corporal costumeira,
tradicional, não necessariamente ligada a trabalho ou ocupação lucrativa, devendo ser lícita,
não importando se moral ou imoral. Desse modo, mesmo um bebê pode ser sujeito passivo
desta espécie de lesão, vez que tem de estar confortável para dormir, mamar, tomar banho,
ter suas vezes trocadas etc. DAMÁSIO DE JESUS – a relutância, por vergonha, de praticar
as ocupações habituais não agrava o crime. Ex.: o ofendido deixa de trabalhar por mais de
30 dias em face de apresentar ferimentos no rosto. 
Não estão abrangidas as atividades ilícitas, como por ex: ladrão que não consegue
mais roubar. OBS.: prostituta está garantida por tal inciso.
Deve ser comprovado por exame complementar (de diagnóstico). Tal prazo de
30 dias é prazo penal. O exame deve ser realizado após 30 dias, não tendo problema se for
realizado 35 dias depois do acidente, por ex. Não sendo feito o exame complementar, o
agente pode ainda ser condenado – nada impede que testemunhas deponham que o sujeito
não pode trabalhar durante tal tempo. 
Inciso II – se resulta perigo de vida
É uma hipótese preterdolosa, o sujeito não quer a morte. O perito deve dizer
claramente em que consistiu o perigo de vida, portanto, o perigo deve ser concreto, e o
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Promotor de Justiça deve transcrever na denúncia.
MAGALHÃES NORONHA – não basta a idoneidade da lesão para criar a
situação de perigo: é mister que esta se tenha realmente manifestado. Assim, por exemplo,
um ferimento no pulmão é geralmente perigoso; todavia, pode, no caso concreto, a
constituição excepcional do ofendido, a natureza do instrumento ou qualquer outra
circunstância impedir que se verifique esse risco. A lesão grave só existe, portanto, se, em
um dado momento, a vida do sujeito passivo está efetivamente em perigo. Compete ao
perito médico-legal essa verificação. 
Inciso III – se resulta debilidade permanente de membro, sentido ou função.
Membros são os apêndices do corpo (braços e pernas). Exemplo: cortar o tendão do
braço, causando perda parcial do membro. 
Os sentidos são o tato, o olfato, a visão, o paladar e a audição. Exemplo: diminuição
da capacidade de enxergar, ouvir etc.
A funçãoconsiste no funcionamento de órgãos ou aparelhos do corpo humano. 
A debilidade é o enfraquecimento, a diminuição, a redução; deve ser permanente
(não é a mesma coisa que perpétua), ou seja, é a lesão de recuperação incerta e improvável
e cuja cessação eventual ocorrerá em data incalculável.
Inciso IV–- aceleração do parto 
Caracteriza-se pela antecipação da data do nascimento. Pressupõe o nascimento com
vida. Para evitar a responsabilidade objetiva, é necessário que o agente saiba que a mulher
está grávida. 
BITENCOURT – todas as “qualificadoras” contidas no parágrafo 1º são de natureza
objetiva. Significa dizer que, em havendo concurso de pessoas, elas se comunicam,
desde que, logicamente, tenham sido abrangidas pelo dolo do participante. 
Lesão Gravíssima – Art. 129, § 2.º, do Código Penal.
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Pena: reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos.
1.7.1. Inciso I – se resulta incapacidade permanente para o trabalho
Prevalece na doutrina que deve se presumir que tal perda deve ser para qualquer
atividade laborativa. Ficando a vítima incapacitada apenas para a atividade específica que
estava exercendo, mas puder exercer outra, não se configura a lesão gravíssima.
Inciso II – se resulta moléstia incurável
Entende-se esta como sendo a alteração permanente da saúde em geral por
processo patológico, ou seja, a transmissão intencional de uma doença para a qual não
existe cura no estágio atual da medicina. A doutrina também considera incurável a
enfermidade se o restabelecimento da saúde depender de intervenções cirúrgicas arriscadas
ou tratamentos incertos, não estando a vítima obrigada a aventurar-se por caminhos para os
quais a própria medicina ainda não reconhece sucesso – DAMÁSIO. Para uma corrente, a
transmissão intencional de AIDS tipifica a tentativa de homicídio. Para outra, caracteriza
lesão gravíssima, pela transmissão de moléstia incurável.
Inciso III – se resulta perda ou inutilização de membro, sentido ou função.
 Por mutilação: ocorre pela própria ação lesiva, é o corte de uma parte do corpo
da vítima;
 Por amputação: feita pelo médico, posteriormente à ação, para salvar a vida da
vítima.
Na inutilização, o membro permanece ligado ao corpo da vítima, ainda que
parcialmente, mas totalmente inapto para a realização de sua atividade própria.
Observações:
 Com relação aos membros: o decepamento de um dedo ou a perda parcial dos
movimentos do braço constitui lesão grave, ou seja, mera debilidade. Havendo
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paralisia total, ainda que seja de um só braço, ou se houver mutilação da mão, a
lesão é gravíssima pela inutilização de membro.
 Com relação aos sentidos: há alguns sentidos que se perfazem por órgãos
duplos (visão e audição). A provocação de cegueira, ainda que completa, em um
só olho constitui apenas debilidade permanente. O mesmo ocorre com a
audição.
 Com relação à função: temos como exemplo a perda da função reprodutora.
Inciso IV – se resulta deformidade permanente
Está ligado ao dano estético. Exemplo: queimadura por fogo, ácido (vitriolagem),
ou cicatriz. Requisitos: 
 Que o dano estético seja razoável, ou seja, de certa monta. 
 Deve ser permanente, isto é, não se reverte com o passar do tempo. Se a vítima
se submeter a uma cirurgia plástica e houver a correção, desclassifica-se o delito.
Se a cirurgia plástica for possível, mas a vítima não a fizer, persiste o crime, pois
a vítima não está obrigada a fazer a cirurgia. Se a deformidade surgiu de um erro
médico, têm-se dois crimes (lesão dolosa em relação ao primeiro e lesão culposa
em relação ao médico).
 Que a lesão seja visível.
 Que seja capaz de provocar impressão vexatória. A deformidade estética deve
ser algo que reduza a beleza física da vítima.
Inciso V – se resulta aborto.
Hipótese exclusivamente preterdolosa. Há dolo na conduta de agredir e culpa em
relação ao aborto. Porque, se houver dolo em relação ao aborto, o agente responde por lesão
em concurso com aborto. É necessário que o agente saiba que a mulher está grávida. Isso
para evitar a chamada responsabilidade objetiva.
Lesão Corporal Seguida de Morte (Homicídio preterdoloso)– Art. 129, § 3.º, do
Código Penal.
Pena: reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
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É também um crime preterdoloso no qual há dolo (na lesão) e culpa (no resultado
morte).
Se não houver dolo na agressão (lesão), trata-se de homicídio culposo.
Caracterizará progressão criminosa se houver dolo inicial de lesão e, durante a
execução, o agente resolver matar a vítima. Nesse caso, responderá pelo homicídio doloso
(crime mais grave). Se o antecedente doloso consiste num simples gesto de ameaça (art.
147) ou em meras vias de fato (contravenção penal), o evento “morte” só pode ser
imputado ao agente a título de homicídio culposo, que absorve a ameaça ou a contravenção
penal. 
Lesão Corporal Privilegiada – Art. 129, § 4.º, do Código Penal.
As hipóteses de privilégio das lesões corporais são as mesmas do homicídio
privilegiado. O privilégio só se aplica nas lesões dolosas, e é uma causa de redução de pena
de 1/6 a 1/3.
Substituição da Pena - Art. 129, § 5.º do Código Penal.
“O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de
multa”, nas seguintes hipóteses:
 Quando as lesões forem leves;
 Quando estiver presente uma das causas de privilégio;
 Quando as lesões forem leves e recíprocas e nenhum dos envolvidos tenha
atuado em legítima defesa, pois, se essa for verificada, haverá absolvição.
1.11. Lesão Corporal Culposa – Art. 129, § 6.º, do Código Penal. 
Aplicam-se todos os institutos do homicídio culposo, inclusive os que se referem às
causas de aumento de pena e também às regras referentes ao perdão judicial (§§ 7.º e 8.º do
art. 129 do CP). 
A pena para lesão culposa é de 2 (dois) meses a 1 (um) ano de detenção.
No Código de Trânsito Brasileiro (art. 303), porém, a lesão corporal culposa, com o
agente na direção de veículo automotor, recebe pena de detenção de 6 (seis) meses a 2
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(dois) anos e suspensão da habilitação.
A composição quanto aos danos civis extingue a punibilidade, tanto da lesão
culposa do Código Penal quanto do Código de Trânsito Brasileiro. Exige-se representação,
porque a ação penal é pública condicionada. Na lesão culposa, não há figura autônoma
decorrente da gravidade da lesão cujo grau (leve, grave ou gravíssimo) é irrelevante para
caracterizar lesão corporal culposa, afetando apenas a tipificação da pena em concreto.
Aumento de pena
§ 7º - Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, §
4º. 
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121
Violência Doméstica 
§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou
companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o
agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as
indicadas no § 9o deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). 
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime
for cometidocontra pessoa portadora de deficiência.
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da
Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública,
no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois
terços. 
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http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
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DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE DE OUTREM 
Perigo de contágio venéreo
Art. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a
contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
§ 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 2º - Somente se procede mediante representação.
Bem jurídico tutelado: é a incolumidade física e a saúde da pessoa.
Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa, homem ou mulher, desde que sejam portadores de
moléstia venérea. 
Sujeito passivo: também qualquer pessoa, desde que não sejam portadores de moléstia
venérea.
Tipo objetivo: a ação consiste em expor (colocar em perigo) a contágio de moléstia
venérea de que sabe (dolo direto) ou devia saber (a maioria da doutrina entende representar
o dolo eventual) ser portador. Discordando do posicionamento majoritário, Cesar Roberto
Bitencourt afirma: Deixamos claro, desde logo, que não concordamos com a doutrina
tradicional, para a qual referidas elementares referem-se às espécies de dolo (direto e
eventual). Estender-nos-emos um pouco nesta análise, em razão de sua
complexidade, mas o seu conteúdo servirá para todos os tipos que contiveram as
mesmas expressões, dispensando seu reexame.
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 Examinando essas mesmas expressões, utilizadas pela Lei n. 9.426/96 na nova
tipificação do crime de receptação (art. 180 do CP), afirmamos o seguinte: “O
legislador brasileiro contemporâneo ao definir as condutas típicas continua
empregando as mesmas técnicas que eram adotadas na primeira metade deste século,
ignorando a extraordinária evolução da Teoria Geral do Delito”. Continua utilizando
expressões, como ‘sabe’ ou ‘deve saber’, que, outrora, eram adotadas para
identificar a natureza ou espécie de dolo. O emprego dessa técnica superada
constitui uma demonstração evidente do desconhecimento do atual estágio da
evolução do dolo e da culpabilidade. Ignora nosso legislador que a consciência da
ilicitude não é mais elemento do dolo, mas da culpabilidade e que tal consciência,
por construção dogmática, não precisa mais ser atual, bastando que seja potencial,
independente de determinação legal. A atualidade ou simples possibilidade de
consciência da ilicitude servirá, apenas, para definir o grau de censura, a ser
analisado na dosagem de pena, sem qualquer influência na configuração da infração
penal.
 No entanto, essa interpretação indicadora do dolo, por meio do “sabe” ou “deve
saber”, justificava-se quando vigia, incontestavelmente, a teoria psicológico-
normativa da culpabilidade, que mantinha o dolo como elemento da culpabilidade,
situando a consciência da ilicitude no próprio dolo. Contudo, a sistemática hoje é
outra: a elementar “sabe” que está contaminando significa ter consciência do que é
um agente transmissor, isto é, ter consciência de um elemento do tipo, e a elementar
“deve saber”, por sua vez, significa a possibilidade de ter essa consciência.
 A consciência do dolo, seu elemento intelectual, além de não de limitar a
determinadas elementares do tipo, como “sabe” ou “deve saber”, não se refere a
ilicitude do fato, mas a sua configuração típica, devendo abranger todos os
elementos objetivos, descritivos e normativos da figura típica, e não simplesmente
um elemento normativo, “está contaminado”. Ademais, o conhecimento dos
elementos objetivos do tipo, ao contrário da consciência da ilicitude, tem de ser
atual, sendo insuficiente que seja potencial – deve saber -, sob pena de destruir a
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linha divisória entre dolo e culpa, como referia Wenzel. Em sentido semelhante
manifesta-se Muños Conde, afirmando que: “O conhecimento que exige o dolo é o
conhecimento atual, não bastando um meramente potencial. Quer dizer, o sujeito
deve saber o que faz, e não, haver devido ou podido saber”.
 Na verdade, a admissão da elementar “deve saber” como identificadora do dolo
eventual impede que se demonstre in concreto a impossibilidade de o agente ter ou
adquirir o conhecimento do seu estado de contagiado, na medida em que tal
conhecimento é presumido. E essa presunção legal não é outra coisa que autêntica
responsabilidade objetiva: presumir o dolo onde este não existe!
 Por derradeiro, constar de texto legal a atualidade ou potencialidade da consciência
de elementares, normalmente representadas pelas expressões “sabe” ou “deve
saber”, é uma erronia intolerável, já que a ciência penal encarregou-se de sua
elaboração interpretativo-dogmática. A mera possibilidade de conhecimento de
qualquer elemento do tipo é insuficiente para configurar o dolo, direto ou eventual.
 Concluindo, a previsão, isto é, o conhecimento, deve abranger todos os elementos
objetivos e normativos da descrição típica. E esse conhecimento deve ser atual, real,
concreto e não meramente presumido. Agora, a consciência do ilícito, esta sim pode
ser potencial, mas será objeto de análise somente no exame da culpabilidade, que
também é predicado do crime. 
 Enfim, ignoramos completamente a existência das elementares “sabe” e “deve
saber”, para efeitos da classificação das espécies de dolo, possíveis no crime de
perigo de contágio venéreo, até porque o dolo eventual não se compõe da simples
possibilidade de consciência (deve saber), como sustentava a teoria da
probabilidade.
 O perigo deve ser direto e iminente, isto é, concreto, demonstrado e não presumido.
 Meio de exposição: é somente através de relações sexuais ou qualquer outro ato
libidinoso. Não se poderá falar em crime de perigo de contágio venéreo se o perigo
provier de qualquer outra ação física, como, por exemplo, ingestão de alimentos,
aperto de mão, amamentação, uso de utensílios domésticos etc.
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 Moléstia Venérea: ante a omissão do texto legal, a definição de moléstia venérea
compete à medicina, tratando-se de uma norma penal em branco heterogênea. 
 Tipo subjetivo: É o dolo de perigo, vontade direcionada a expor o parceiro a
contaminação, sem, no entanto quere-la, uma vez que se desejar a contaminação
haverá outro crime. Não admite a modalidade culposa.
Consumação: com a exposição, não sendo necessária a contaminação. Caso ocorra a
efetiva contaminação do ofendido, esta constituirá simples exaurimento do crime de
perigo do contágio venéreo, que, para alguns, tipificaria um crime de dano, que
poderia ser, eventualmente, lesão corporal dolosa ou culposa, conforme o

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