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06/09/2024 1 Patologias das glândulas anexas: fígado, vesícula biliar e pâncreas Profa. Dra. Eryka Alves Sistema digestório e órgãos anexos O pâncreas, o fígado e a vesícula biliar facilitam os processos digestivos e absortivos do intestino delgado. 1 2 06/09/2024 2 Fígado O fígado O fígado é considerado o órgão central do metabolismo. Pesando entre 1.200 e 1.500 g O fígado exerce funções metabólicas importantes do organismo humano, sendo responsável por mais de 500 reações de síntese e degradação de moléculas. 3 4 06/09/2024 3 É perfundido com sangue venoso proveniente da circulação portal, rico em nutrientes, e também com sangue proporcionalmente rico em oxigênio, proveniente da artéria hepática. Essa dupla irrigação confere ao órgão heterogeneidade funcional e grande capacidade metabólica. O fígado O lóbulo hepático é considerado unidade funcional do fígado. Possui formato cilíndrico e é formado por lâminas hepatocelulares dispostas em torno da veia central. Os hepatócitos possuem forma poligonal e são ricos em organelas como mitocôndrias, dispostos em coluna única. São os principais constituintes funcionais dos lóbulos hepáticos. O fígado 5 6 06/09/2024 4 O Sistema Macrofágico Hepático Cumpre uma Função de Depuração do Sangue Ação das células de Kupffer Digerida FagocitadaBactéria Menos de 1% das bactérias que entram no sangue porta, vindo dos intestinos, consegue passar através do fígado para a circulação sistêmica. FARIA et al., 2009 CARBOIDRATOS • Armazenar glicogênio; • Gliconeogênse; • Produz Glicose (galactose- frutose) LIPÍDIOS • Oxidação dos Ác. Graxos; • Síntese de colesterol; • Síntese de gordura (CHO) PROTEÍNAS • Desaminação dos aa; • Formação de uréia; • Formação de ptn; GUYTON & HALL, 2011 Formação da bile Armazena Fe Forma substâncias da coagulação Remove fármacos Funções metabólicas do fígado 7 8 06/09/2024 5 As doenças hepáticas crônicas (DHC) podem cursar com anormalidades metabólicas e nutricionais, as quais repercutem negativamente sobre a morbidade e mortalidade dos pacientes O fígado EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIA Doenças hepáticas agudas e DHC podem ser consequentes a lesões no parênquima hepático provocadas por agentes químicos, virais, farmacológicos ou outros componentes tóxicos, que alteram a estrutura morfológica e a capacidade funcional dos hepatócitos. 9 10 06/09/2024 6 Patogênese das doenças hepáticas crônicas O termo doença hepática crônica (DHC) compreende: hepatite viral, alcoólica ou autoimune, doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) (doença hepática gordurosa não-alcoólica), cirrose hepática, carcinoma hepatocelular e insuficiência hepática. Independentemente do agente etiológico, as DHC podem ser caracterizadas por agressão e necrose celular, resposta imunológica e regeneração nodular que comprometem a estrutura hepática e a capacidade funcional dos hepatócitos. No entanto, pela enorme reserva e capacidade regenerativa do fígado, as manifestações clínicas tendem a surgir tardiamente, com lesões sérias e muitas vezes irreversíveis. Doenças hepáticas crônicas ➢Seis meses de hepatite ou biópsia confirmando inflamação hepática não resolvida; ➢Causas: autoimune, viram (B e C), drogas, esteatose alcoólica e não alcoólica e doenças metabólicas; ➢Fadiga, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e dor no quadrante superior direito; ➢Doença avançada pode levar à icterícia, perda muscular, ascite, edema, encefalopatia hepática e sangramento do TGI. 11 12 06/09/2024 7 DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA Esteatose Hepática A esteatose macrovesicular é em geral resultante de alterações fisiopatológicas crônicas, envolvendo aumento da síntese hepática, oxidação deficiente e redução da secreção hepática de lipídios; É comum na obesidade, DHA, caquexia, distúrbios metabólicos, hepatite C, resistência à insulina e diabete; Quando ocorre esteatose simples em pacientes não alcoólicos, sem inflamação ou fibrose, a evolução clínica é benigna. Esteatose hepática ➢ É a infiltração gordurosa nos hepatócitos; ➢ Doença hepática gordurosa não alcoólica → Ocorre acúmulo de gordura no citoplasma dos hepatócitos; ➢ Doença hepática alcoólica → Ocorre em 80% dos casos que há o consumo excesso de álcool, ocorrendo um acúmulo de triglicerídeos 13 14 06/09/2024 8 ➢Caracteriza-se pelo acúmulo de triglicérides no citoplasma celular, geralmente com manutenção da função hepática e reversão total do quadro após abstinência alcoólica ➢Alguns indivíduos são mais sensíveis aos efeitos do etanol em relação a outros, assim a quantidade dessa substância capaz de ocasionar dano hepático é bastante variável; ➢ O efeito tóxico do etanol provavelmente está relacionado ao genótipo individual. Doença hepática alcoólica 15 16 06/09/2024 9 A DHGNA é um termo genérico para designar várias anormalidades hepáticas relacionadas com depósito de lipídios no citoplasma dos hepatócitos em pacientes sem consumo excessivo de etanol. Inclui desde a esteatose hepática benigna até a esteato-hepatite não alcoólica (NASH – nonalcoholic steatohepatitis). A DHGNA está associada com desordens metabólicas, incluindo obesidade central, desequilíbrio no metabolismo da insulina, dislipidemia, hipertensão, hiperglicemia e síndrome metabólica. No entanto, indivíduos com peso adequado, mas cursando com resistência à insulina, também são mais suscetíveis a DHGNA. Caso não haja tratamento adequado, com adoção de medidas clínicas, mudança no estilo de vida e seguimento de alimentação saudável, a NASH pode evoluir para cirrose e insuficiência hepática. Doença hepática gordurosa não alcoólica 17 18 06/09/2024 10 Os mecanismos envolvidos na patogênese da NASH são complexos, multifatoriais e instalam-se em consequência da redução de oxidação mitocondrial de triglicérides, da baixa exportação hepática de ácidos graxos e lipídios, da maior síntese hepática de fosfolípides, ésteres de colesterol. Os sistemas antioxidantes enzimáticos e não enzimáticos não são capazes de evitar o dano hepático decorrente da lipotoxicidade, e a perda do equilíbrio oxidante/antioxidante dá início à cascata inflamatória envolvendo citocinas. Consequentemente, as células estreladas hepáticas são ativadas e sintetizam tecido conjuntivo inativo que dá origem à fibrose. A NASH é caracterizada por infiltração gordurosa difusa no fígado e inflamação nos hepatócitos. 19 20 06/09/2024 11 Constitui a forma mais grave do dano hepático, sendo ocasionada principalmente por infecção pelos vírus da hepatite B e C, pela ingestão excessiva de etanol, de fármacos e doença autoimune; Cirrose Aproximadamente 40% dos pacientes com cirrose são assintomáticos, contudo na presença da doença descompensada, com quadro clínico característico, o prognóstico é grave. A cirrose, doença difusa do fígado, é considerada estágio próprio da evolução de diversas doenças hepáticas crônicas e pode evoluir para insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular. A cirrose resulta da inter-relação entre diversos fatores etiológicos, como necrose, regeneração celular e fibrose. 21 22 06/09/2024 12 • A EH é uma das manifestações clínicas da insuficiência hepática aguda ou crônica. • A causa da EH é multifatorial e depende da ruptura da barreira hematoencefálica, junções rígidas entre as células endoteliais que compõem os capilares cerebrais. Tais junções podem sofrer ações de substâncias tóxicas do sangue para o cérebro ou deste para o sangue. • Apesar de a patogênese da EH ainda não estar completamente elucidada, atualmente se sabe que o excesso de amônia (NH3 ) exerce papel fundamental na ocorrência dos distúrbios associados com essa complicação. Encefalopatia hepática 23 24 06/09/2024 13 É realizada considerando o grau de comprometimento da função hepática, além da duração, característica do distúrbio neurológico e a presença de fatores desencadeantes. , quando suagênese está associada a fatores desencadeantes; , na ausência de tais fatores; , quando os episódios se repetem pelo menos 2x/ano. caracterizada pela presença ininterrupta de sinais e sintomas neuropsiquiátricos não apresentam anormalidades neurológicas evidentes, porém apresentam déficits em testes neuropsicológicos e neurofisiológicos. Classificação da encefalopatia hepática 25 26 06/09/2024 14 27 28 06/09/2024 15 ➢ Favorecer a aceitação da dieta e melhorar o aproveitamento dos nutrientes administrados; ➢ Suprir substratos energéticos suficientes para atender às necessidades orgânicas e favorecer ganho de peso; ➢ Prover substratos energéticos e proteicos suficientes para controlar o catabolismo proteico muscular e visceral; ➢ Garantir o quantitativo de aminoácidos adequados para manter o balanço nitrogenado e a síntese de proteínas de fase aguda ➢ Suprir o organismo com o quantitativo de aminoácidos adequado para normalização da função e regeneração hepática sem precipitar a encefalopatia Terapia nutricional 29 30 06/09/2024 16 A terapia nutricional consiste em instrumento importante no tratamento das DHC porque melhora a qualidade de vida, reduz o tempo de permanência hospitalar e eleva a sobrevida dos pacientes com lesão hepática; É necessário introduzir novo padrão alimentar para esses pacientes, incluindo maior fracionamento de cardápio (5 a 6 refeições/dia), evitar longos períodos em jejum, utilizar alimentos de fácil digestibilidade e alta densidade calórica, administrar no período noturno suplementos energéticos e usar dietas quimicamente definidas. Tais medidas são eficazes para prevenção da hipoglicemia, reversão da oxidação excessiva de substratos e prevenção da perda de peso, comprovadas por medidas de balanço nitrogenado e calorimetria indireta. Alterações no padrão alimentar 25 a 40 kcal/kg de peso corporal/dia de acordo com o objetivo de manter ou restaurar o estado nutricional do paciente. Para esse cálculo, aconselha-se utilizar o peso corporal atual ou, na presença de edema periférico e ascite, o peso adequado para o paciente. Cuppari,2014 A utilização de fórmulas como a clássica Harris e Benedict para estimar o GER não é recomendada, em razão das alterações metabólicas e da grande variabilidade dos valores individuais do GER observadas nos pacientes com DHC. Tais fatores induzem a elevada margem de erro na estimativa do GER. Necessidades energéticas 31 32 06/09/2024 17 O valor energético total (VET) deve ser distribuído normalmente entre os macronutrientes: Recomenda-se que os lipídios não sejam ofertados acima de 30% do VET, para evitar desconforto abdominal, retardo no esvaziamento gástrico e hiperlipidemias. Os carboidratos podem compor 50 a 60% do VET, dando-se preferência aos açúcares complexos. Os carboidratos simples podem ser usados normalmente, desde que a glicemia esteja controlada e que se considere a resistência à insulina e a intolerância à glicose, comuns nos pacientes com cirrose. Para pacientes com doença hepática compensada, a proteína pode ser ofertada em quantidades similares às sugeridas à população saudável, ou seja, cerca de 0,8 a 1 g/kg de peso atual ou ideal/dia, para manter ou promover balanço nitrogenado positivo (BN+). No entanto, para melhorar a retenção nitrogenada, é necessário administrar valores de proteína em torno de 1,2 a 1,8 g/kg de peso/dia. Atualmente, não se indica restrição proteica como profilaxia da EH, pois a maioria dos pacientes com DHC tolera bem a proteína dietética até valores próximos de 1,75 g/ kg de peso/dia. Quando for constatada intolerância proteica, pode-se substituir a proteína animal por vegetal e as fórmulas-padrão por fórmulas suplementadas com AACR. Cuppari,2014 Necessidades energéticas Vesícula biliar 33 34 06/09/2024 18 Vesícula biliar Concentra, armazena e excreta a bile; Seus constituintes são: colesterol, sais biliares, bilirrubina conjugada, fosfolipídeos; Ducto cístico + ducto hepático → ducto biliar comum; Conteúdo dos cálculos: 80% contem primariamente colesterol 20% contém sais de cálcio e bilirrubina Vesícula biliar 35 36 06/09/2024 19 Colelitíase versus Coledocolitíase ➢ Quadro clínico: ➢MAIORIA: ASSINTOMÁTICOS!! ➢ Dor aguda contínua. Maior intensidade no início e melhora gradual em 24 hrs. ➢ Náuseas e vômitos ➢ Episódios esporádicos e associados a alimentação rica de gorduras. Exame físico: - sem grandes achados, apenas dor abdominal à palpação. Diagnóstico - US abdominal Colelitíase: pedra na vesícula 37 38 06/09/2024 20 Colelitíase e tipos de cálculos • 4 F’s: • Fertily (estrogênio e progesterona) • Female • Fat (hipersecreção de colesterol) • Forty ✓ Rápida perda de peso: aumenta o depósito biliar , faciltando a formação do cálculo biliar; ✓ Histórico familiar. Colelitíase: Fatores de risco 39 40 06/09/2024 21 Primária: formação de cálculos no próprio colédoco. Resulta da estase e infecção biliar secundária. Cálculos pigmentados castanhos Secundária: formado na vesícula e impacta no colédoco (90 a 95% dos casos). Cálculos de colesterol ou pigmentados pretos. Coledocolitíase: cálculos no colédoco Quadro clínico: • Dor contínua; • Icterícia, colúria e acolia fecal. Laboratório – bilirrubina (predomínio de BD) - FA e GGT( enzimas caniculares) Coledocolitíase: cálculos no colédoco 41 42 06/09/2024 22 • Tratamento: • CPRE(colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) e provavelmente a Colecistectomia videolaparoscópica Coledocolitíase: cálculos no colédoco Evitar: • Frituras e alimentos gordurosos: carnes com gordura aparente, empanados, maionese, salgadinhos, alimentos gratinados ou à milanesa e margarina; • Alimentos fermentáveis; • Leite integral, iogurte integral, queijos gordos (prato, muçarela, cheddar, suíço, provolone, requeijão, cream cheese) e creme de leite; • Chocolates, achocolatados, leite condensado, biscoitos industrializados; • Embutidos: salsicha, salame, presunto, linguiça, peito de peru, blanquet, apresuntado, mortadela, bacon; • Produtos industrializados, inclusive molhos prontos, sopas instantâneas e produtos enlatados, sucos concentrados ou de caixinha, refrigerantes, temperos prontos; • Dieta rica em açúcares simples, gorduras saturadas e baixa em vegetais - aumenta risco! Recomendações nutricionais 43 44 06/09/2024 23 • Ingestão elevada de gordura por longo período: estímulo constante de produção de colesterol para ressíntese de bile aumentar a predisposição à formação de mais cálculos; Dieta deve incluir pouca quantidade de gordura para a manutenção de contrações vesiculares e assim evitar estase; Perda de peso gradual e em longo tempo Dieta rica em fibras e pobre em calorias Recomendações nutricionais • Vitamina C – atua na quebra de colesterol: pode reduzir incidência; • Fibras solúveis papel protetor: reduzem [colesterol] na bile; Preferir: Carnes magras (bovina e suína), frango sem pele, peixes e ovos; Preparações cozidas, grelhadas ou assadas, reduzindo ao máximo a gordura de adição; Leite e derivados desnatados, queijos pobres em gordura, como ricota, cottage e queijo Minas frescal; Frutas e vegetais crus e cozidos; Alimentos ricos em fibras, vitaminas e minerais, como aveia, linhaça, chia, quinoa, etc.; Usar temperos naturais como açafrão, cheiro verde, salsa, louro, orégano, tomate, limão, entre outros; Prefira o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados! Recomendações nutricionais 45 46 06/09/2024 24 Cirúrgico: Colecistectomia videolaparoscópica • Reduzir no início a quantidade de alimentos ricos em gordura(carnes com gordura aparente, maionese), leite e seus derivados integrais; • Fracionamento das refeições! • Preferir Leite e derivados desnatados; Carnes magras (bovina e suína), frango sem pele, peixes e ovos; e cuidados de uma alimentação saudável. • Após retornar a alimentação habitual normolipídica; • Respeitar a tolerância INDIVIDUAL! Adaptação do corpo Colelitíase:cuidados nutricionais pós-cirurgia Pâncreas 47 48 06/09/2024 25 • Pancreatite é um termo genérico que engloba uma série de condições com variações na etiologia, no curso clínico e no tratamento. • A pancreatite é uma doença inflamatória, causada por ativação, liberação intersticial e autodigestão do pâncreas pelas suas próprias enzimas. Pancreatite • Os principais fatores etiológicos da pancreatite são: ➢ os cálculos biliares e o consumo de álcool; ➢ o cigarro, o diabetes do tipo II, alguns medicamentos ou doenças genéticas, bem como procedimentos como a colangiopancreotografia podem também aumentar a frequência desta condição. A pancreatite se manifesta de duas formas uma aguda e outra crônica. As causas da pancreatite aguda são variadas, englobando desde a ingestão de álcool, doenças do trato biliar, hipertrigliceridemia, traumas abdominais, pós-operatórios de cirurgias abdominais, até causas infecciosas (p.ex., virais) e medicamentosas (p.ex., corticosteroides). Esta condição é caracterizada pela ativação de enzimas digestivas na célula acinar, provocando lesão. Ocorre a liberação de mediadores inflamatórios (citocinas), com o desenvolvimento do processo inflamatório. Pancreatite aguda 49 50 06/09/2024 26 • A forma leve está associada com edema discreto, elevações do nível sérico das enzimas (amilase), com quadro de dor abdominal e vômitos. O tratamento em geral consiste no jejum alimentar por 2 a 5 dias, com hidratação e analgesia até o alívio dos sintomas. Geralmente é o suficiente para que haja resolução da dor abdominal e diminuição das enzimas pancreáticas (amilase e lipase), critérios comumente utilizados para o início da dieta oral. A partir daí, deve-se proceder com a introdução de dieta líquida hipolipídica, com progressiva evolução da consistência. (alguns estudos têm mostrado que a utilização de dieta oral desde o princípio do quadro não altera a evolução do processo) Pancreatite aguda • Cerca de 10% dos pacientes desenvolvem a forma necrótica e hemorrágica, quando além dos sintomas iniciais pode apresentar distúrbios gerais graves com insuficiência de órgãos, com quadro de síndrome da resposta inflamatória sistêmica, sendo associada à alta mortalidade. • Esses pacientes são hipermetabólicos. São propostos critérios para avaliação da gravidade da pancreatite, apoiados em dados clínicos e laboratoriais (p.ex., critérios de Ranson). Pancreatite aguda 51 52 06/09/2024 27 Terapia nutricional na pancreatite aguda grave • O objetivo principal é manter o repouso pancreático, com o jejum via oral (evitar a fase gástrica da estimulação pancreática), e, em decorrência do hipermetabolismo, procurar preservar o estado nutricional. A terapia nutricional deve ter início o mais breve possível (24 a 48 horas após as medidas iniciais do tratamento médico). A via enteral é indicada, sempre que tolerada, com fórmula oligomérica, iniciando com uma velocidade bem baixa, com progressão de volume o tipo de fórmula (polimérica), conforme a tolerância digestiva. Vale ressaltar que, se a fórmula polimérica é tolerada, ela pode ser utilizada desde o início, mas é importante que a fonte lipídica seja de triglicerídeos de cadeia média, com o mínimo de triglicerídeos de cadeia longa. 53 54 06/09/2024 28 • Cada vez que a nutrição enteral é adotada na pancreatite aguda grave, deve-se levar em conta que o acesso enteral deve estar locado em posição além do ângulo de Treitz, para não estimular a atividade exócrina pancreática. • A nutrição parenteral é indicada para complementar a oferta via enteral ou quando essa via não é tolerada. O ângulo formado ao nível da junção duodenojejunal (junção que é responsável por fixar o intestino). Ele possui a função de limitar o trato gastrointestinal superior. Terapia nutricional na pancreatite aguda grave O objetivo primário da TN é minimizar a perda de massa magra e, ao mesmo tempo, fornecer energia para o organismo, evitando assim a instalação da desnutrição proteica energética ou o seu agravo. Terapia nutricional na pancreatite aguda grave 55 56 06/09/2024 29 Terapia nutricional na pancreatite aguda grave • Apesar de recentes avanços nos cuidados nutricionais e metabólicos, ainda existem controvérsias sobre a melhor abordagem nos doentes com pancreatite aguda. • A avaliação da gravidade da pancreatite aguda, assim como a avaliação do estado nutricional, é importante na escolha da terapia nutricional. • O melhor método de terapia nutricional para pacientes com pancreatite moderada a grave ainda precisa ser definido mediante avaliações prospectivas da evolução da doença. É decorrente da inflamação persistente do pâncreas, que leva a uma deficiência funcional, com comprometimento da absorção e, por vezes, com desenvolvimento de diabete por insuficiência na produção de insulina. Em geral, está associada ao consumo de bebidas alcoólicas. Geralmente, os sintomas incluem dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarreia (sobretudo esteatorreia) e desnutrição progressiva O alcoolismo crônico é responsável pela maioria dos casos de pancreatite crônica (PC), entretanto, alguns casos são devidos a cálculos biliares por hipercalcemia, hiperlipidemia ou predisposição herdada. A maioria dos portadores de pancreatite crônica possui algum grau de desnutrição. Pancreatite crônica 57 58 06/09/2024 30 Cerca de 50% dos pacientes com PC são desnutridos. • O paciente com PC apresenta riscos ao estado nutricional por várias razões: • Primeiramente, a pancreatite aumenta o requerimento nutricional devido ao processo inflamatório crônico que leva ao hipermetabolismo e ao hipercatabolismo; • Segundo, a ingestão persistente alcoólica por si já é um fator independente que leva à desnutrição (a ingestão crônica de álcool é o fator etiológico em 60-70% dos casos de PC). A PC evolui lenta e progressivamente, causando um dano estrutural e funcional ao pâncreas; • Terceiro ponto é a presença de dor, que é o sintoma mais marcante, presente em 80% dos casos, que impede a ingestão oral de nutrientes; • Por último, durante o curso da doença, ocorre gradualmente uma redução da secreção de enzimas digestivas, presente em 25 a 45% dos casos, resultando em má digestão e absorção. Pancreatite crônica Pancreatite crônica Resultados do processo crônico de pancreatite: • a secreção enzimática é gradualmente diminuída, resultando em má digestão e esteatorreia; • também pode ocorrer diabete, quando as células beta produtoras de insulina são afetadas. • Em um estágio inicial da doença, a digestão de lipídios é mais afetada que a de proteínas e carboidratos e resulta em esteatorreia. • Com a progressão da doença, também pode ocorrer azotorreia (aumento da quantidade de matéria nitrogenosa na urina ou nas fezes). • Por causa da esteatorreia, a deficiência de vitaminas lipossolúveis é comum. • Outro achado comum é a deficiência de tiamina, cálcio, magnésio e zinco, sendo importante acompanhar os níveis séricos 59 60 06/09/2024 31 ➢ Na pancreatite crônica, mais de 80% dos pacientes podem ser tratados adequadamente com suplementação medicamentosa de enzimas pancreáticas e alimentação por via oral; ➢ Um dos pontos principais é observar a tolerância aos lipídios, uma vez que as gorduras precisam das enzimas pancreáticas para digestão e absorção; ➢ A glicemia deve ser acompanhada, e, na presença de hiperglicemia persistente, as recomendações para diabete devem ser adotadas; ➢ Pode haver deficiência de várias vitaminas, sendo necessária a suplementação; ➢Também pode haver deficiência de minerais: cálcio, magnésio e zinco. Especialmente no caso de etilismo crônico, a suplementação com ácido fólico pode ser indicada, assim como de vitamina C, riboflavina, tiamina e ácido nicotínico, sendo recomendada a reposição. Terapia nutricional na pancreatite crônica • O aconselhamento nutricional com dieta normal associada à enzima pancreática(as enzimas pancreáticas são compostas de concentrações variadasde lípase, amilase e proteases) é eficaz e capaz de melhorar as condições clínicas e nutricionais de mais de 80% dos pacientes com PC. • É recomendada suplementação via oral com proteína hidrolisada, rica em vitaminas lipossolúveis, micronutrientes com ou sem TCM, quando necessária. • A prescrição de analgésicos antes das refeições melhora a dor e, consequentemente, o estado nutricional do paciente. • A nutrição enteral está indicada para os pacientes que estão em uma fase mais grave e tardia da lesão pancreática, cuja TN oral não está sendo satisfatória. • A NP está indicada em pacientes com obstrução gástrica secundária à estenose duodenal e em casos de fístulas pancreáticas. Terapia nutricional na pancreatite crônica 61 62 06/09/2024 32 Terapia nutricional na pancreatite crônica Obrigada!!! 63 64 Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4: O fígado Slide 5: O fígado Slide 6: O fígado Slide 7: O Sistema Macrofágico Hepático Cumpre uma Função de Depuração do Sangue Slide 8: Funções metabólicas do fígado Slide 9: O fígado Slide 10: EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIA Slide 11: Patogênese das doenças hepáticas crônicas Slide 12: Doenças hepáticas crônicas Slide 13: DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA Esteatose Hepática Slide 14: Esteatose hepática Slide 15: Doença hepática alcoólica Slide 16 Slide 17 Slide 18: Doença hepática gordurosa não alcoólica Slide 19 Slide 20 Slide 21: Cirrose Slide 22 Slide 23: Encefalopatia hepática Slide 24 Slide 25: Classificação da encefalopatia hepática Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29: Terapia nutricional Slide 30 Slide 31: Alterações no padrão alimentar Slide 32: Necessidades energéticas Slide 33: Necessidades energéticas Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54: Terapia nutricional na pancreatite aguda grave Slide 55: Terapia nutricional na pancreatite aguda grave Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60: Pancreatite crônica Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64