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Habilidades e Atitudes Médicas II Jefferson Caldeira Newton Júnior UNIGRANRIO 2022 Epidemiologia da Parada Cardiorrespiratória A parada cardiorrespiratória (PCR) permanece como uma das emergências cardiovasculares de grande prevalência e com morbidade e mortalidade elevadas... O reconhecimento precoce das causas desencadeantes, orientando a intervenção para cada cenário clínico, com ênfase nos cuidados após o retorno à circulação espontânea, trouxe melhorias nos resultados, contribuído ao prognóstico dos pacientes. O principal ritmo de PCR em ambiente extra-hospitalar é a Fibrilação Ventricular (FV) e a Taquicardia Ventricular (TV), chegando a quase 80% dos eventos, com bom índice de sucesso na reversão, se prontamente tratados. Quando a desfibrilação é realizada precocemente, em até 3 a 5 minutos do início da PCR, a taxa de sobrevida é em torno de 50% a 70%. Em contrapartida, em ambiente intra-hospitalar, o ritmo de PCR mais frequente é Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) ou assistolia, com pior prognóstico e baixas taxas de sobrevida, inferiores a 17%. Suporte Básico de Vida no Adulto • Compressões Torácicas: Os aspectos principais a serem observados nas compressões são: frequência, profundidade, retorno do tórax a cada compressão e interrupção mínima. • Para a oxigenação adequada dos tecidos, é essencial minimizar as interrupções das compressões torácicas e maximizar a quantidade de tempo em que as compressões torácicas geram fluxo de sangue... • Posicione-se ao lado da vítima e mantenha seus joelhos com certa distância um do outro, para que tenha melhor estabilidade. • Afaste ou corte a roupa da vítima, para deixar o tórax desnudo. • Coloque a região hipotenar de uma mão sobre a metade inferior do esterno da vítima e a outra mão sobre a primeira, entrelaçando-a • Estenda os braços e os mantenha cerca de 90º acima da vítima. Comprima na frequência de 100 a 120 compressões/ minuto. Comprima com profundidade de, no mínimo, 5 cm (evitando compressões com profundidade maior que 6 cm). Permita o retorno completo do tórax após cada compressão, evitando apoiar-se no tórax da vítima. Minimize interrupções das compressões, pause no máximo 10 segundos para realização de duas ventilações. Reveze com outro socorrista a cada 2 minutos, para evitar o cansaço e compressões de má qualidade. Ventilações: As ventilações são aplicadas após 30 compressões torácicas durante a RCP, seguindo a sequência C-A-B. A prioridade para as compressões torácicas deve-se ao fato da necessidade em gerar fluxo de sangue e também evitar os atrasos práticos inerentes às tentativas de ventilações adequadas. Além disso, se a vítima possui uma via aérea patente, ocorre a chamada ventilação passiva durante as compressões torácicas. Abertura das Vias Aéreas Independentemente da técnica utilizada para aplicar ventilações, é necessária a abertura de via aérea, que pode ser realizada com a manobra da inclinação da cabeça e elevação do queixo e, se houver suspeita de trauma, a manobra de elevação do ângulo da mandíbula. Realização de Ventilações Devem ser realizadas 30 compressões para duas ventilações, com duração de apenas 1 segundo cada, fornecendo quantidade de ar suficiente para promover a elevação do tórax. A hiperventilação é contraindicada, pois pode aumentar a pressão intra-torácica, diminuindo a pré-carga e o Débito Cardíaco (DC), e comprometendo a sobrevida. Há ainda o risco de hiperinsuflação gástrica, podendo desencadear vômitos, broncoaspiração e limitação da mobilidade do diafragma. Evidências de contaminação com a realização de ventilação boca a boca são mínimas, mas é indicado que o socorrista utilize mecanismos de barreira por exemplo, máscara de bolso (pocket mask) Ventilação com a Máscara de Bolso: a Pocket Mask Ventilação com Bolsa-Válvula-Máscara Ventilação com Via Aérea Avançada • Quando uma via aérea avançada (por exemplo, intubação endotraqueal, Combitube®, Máscara Laríngea) estiver instalada, o primeiro socorrista deve administrar compressões torácicas contínuas e o segundo socorrista, aplicar uma ventilação a cada 6 segundos − cerca de 10 ventilações por minuto. Vítima que não respira ou respira de forma ineficaz (gasping), porém apresenta pulso palpável, encontra-se em parada respiratória. Nesses casos, realize uma ventilação a cada 5 a 6 segundos (aproximadamente 10 a 12 ventilações por minuto) para vítimas adultas. O pulso deve ser checado a cada 2 minutos, com a finalidade de verificar se a parada respiratória progrediu para uma PCR, necessitando de RCP. Ventilação com Vítima em Parada Respiratória Desfribilação Desfibrilação precoce é o tratamento para vítimas em FV e TV sem pulso (TVSP) de curta duração, que apresentaram colapso súbito em ambiente extra-hospitalar. A Desfibrilação pode ser realizada com um equipamento manual ou o DEA. Nos primeiros 3 a 5 minutos de uma PCR em FV, o coração se encontra altamente propício ao choque. Após 5 minutos de PCR, a amplitude da FV diminui devido à depleção do substrato energético miocárdico. Assim, o tempo ideal para a aplicação do primeiro choque compreende os primeiros 3 a 5 minutos da PCR. • O DEA é um equipamento portátil, capaz de interpretar o ritmo cardíaco, selecionar o nível de energia e carregar automaticamente, cabendo ao operador apenas pressionar o botão de choque, quando indicado. Os passos para utilização do DEA 1. Ligue o DEA, apertando o botão on-off 2. Conecte as pás (eletrodos) ao tórax desnudo da vítima 3. Encaixe o conector das pás (eletrodos) ao aparelho. 4. Quando o DEA indicar “analisando o ritmo cardíaco, não toque no paciente”, solicitar para que todos se afastem efetivamente. 5. Se o choque for indicado, o DEA emitirá a frase: “choque recomendado, afaste-se do paciente”. O socorrista que estiver manuseando o DEA deve solicitar para que todos se afastem. 6. Pressionar o botão indicado pelo aparelho para aplicar o choque, o qual produz uma contração repentina dos músculos do paciente. 7. A RCP deve ser iniciada pelas compressões torácicas, imediatamente após o choque. A cada 2 minutos, o DEA analisa o ritmo novamente e pode indicar novo choque, se necessário. Se não indicar choque, deve-se reiniciar a RCP imediatamente, caso a vítima não retome a consciência. Suporte Básico de Vida em Pediatria Apesar dos avanços em RCP, apenas 17% dos adultos e 27% das crianças sobrevivem à alta hospitalar após PCR. as alterações sugeridas para o SBV em pediatria seguem os mesmos princípios do SBV em adultos. Revisão de 2019: Reafirmação da sequência CAB Limite máximo de 6 cm profundidade de compressão em adolescentes 100 a 120 compressões por minuto, semelhantes aos adultos; Definição das Faixas Etárias para o Atendimento nas Emergências Pediátricas O atendimento pediátrico inclui algumas particularidades, dependendo da faixa etária: Lactentes: menores de 1 ano, excluindo os Recém- Nascidos (RN). Crianças: maiores de 1 ano e antes de apresentar sinais de puberdade (aparecimento do broto mamário em meninas e em meninos, pela presença de pelos em região axilar). Adolescentes: apresentam sinais de puberdade. Nesta grupo, aplicam-se as recomendações dos adultos. Sequência Compressão Torácica e Ventilação: C-A-B vs. A-B-C Ambas as sequências C-A-B e A-B-C apresentam argumentos que justificam a sua recomendação. Abordagem C-A-B permite simplificação do ensino de SBV, pois uniformiza a sequência para adultos e crianças. Já a abordagem A-B-C considera a etiologia da asfixia damaioria das PCR em pediatria, valorizando o início precoce das ventilações. Deste modo, a sequência C-A-B é recomendada em pediatria e adultos Recomendação e profundidade A profundidade de compressão do tórax de lactentes deve aproximadamente de 4 cm. Em crianças, a compressão deve ser aproximadamente 5 cm. Sequência do Suporte Básico de Vida em Lactentes e Crianças para um ou mais Profissionais de Saúde Checar respiração e pulso central simultaneamente (braquial em lactentes e carotídeo em crianças) por, no mínimo, 5 e máximo de 10 segundos Se o pulso estiver presente, realize respirações de resgate (12 a 20 respirações por minuto). Reavaliar em 2 minutos; se o pulso estiver ausente ou houver dúvida da presença de pulso após 10 segundos, reiniciar compressões torácicas. A frequência deve ser de 100 a 120 compressões por minuto. A relação compressão/ ventilação é a seguinte: 30 compressões e duas ventilações com um socorrista ou 15 compressões e duas ventilações com dois socorristas. • Obstrução de Vias Aéreas Superiores por Corpo Estranho • A obstrução de vias aéreas superiores ocorre predominantemente em menores de 5 anos, sendo 65% abaixo de 1 ano. Os líquidos são responsáveis pela obstrução na maioria dos casos, porém pequenos objetos, como balões, alimentos (salsichas, castanhas e uvas), podem obstruir a via aérea em crianças. • Reconhecimento da Obstrução de Vias Aéreas Superiores • Devemos suspeitar de Obstrução de Vias Aéreas por corpo estranho (OVACE) quando houver aparecimento abrupto de estridor, tosse, cansaço e broncoespasmo na ausência de febre ou sintomas prodrômicos. • Em geral, os episódios de engasgo ocorrem durante a alimentação ou recreação. • A entrada de um corpo estranho em vias aéreas desencadeia imediatamente o reflexo de tosse na tentativa de expulsá-lo. • Se a tosse é silenciosa e o paciente não consegue chorar ou falar, podem ser indícios de obstrução completa. • Neste momento, estão indicadas as manobras de desobstrução, na tentativa de deslocar o corpo estranho. • Estas manobras dependem do nível de consciência e da faixa etária. • As manobras visam aumentar a pressão intratorácica para expulsar o corpo estranho da via aérea. Devido a maior possibilidade de complicações em lactentes, as manobras de desobstrução são diferentes em lactentes e crianças. A) Paciente Consciente com Obstrução de Vias Aéreas Superiores • Em menores 1 ano, iniciar as manobras com cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas, até que ocorram sinais de desobstrução (choro ou tosse efetiva). • Em maiores de 1 ano, realizar as compressões abdominais (manobra Heimlich) na região entre a cicatriz umbilical e apêndice xifoide. • Em crianças obesas, quando o socorrista não puder abraçar totalmente o abdômen, devem-se realizar as compressões torácicas. • Os braços do socorrista devem ser colocados por baixo das axilas da criança e com as mãos na metade inferior do esterno, realizar as compressões torácicas. Para Obesos B) Paciente Inconsciente com Obstrução de Vias Aéreas Superiores • Quando a vítima estiver inconsciente, iniciar RCP pelas compressões (sem palpação de pulso). Iniciar RCP pelas compressões e, ao abrir a via aérea, inspecioná-la. Caso seja visível, retirar em movimento de pinça sem realizar varredura, pois há risco de mobilizar o objeto. Ao ventilar, verificar se ocorre expansão torácica. Se o tórax não expandir, reposicionar a via aérea e ventilar novamente. É o estado de plena percepção do eu e do meu relacionamento com o meio ambiente. Clinicamente, o nível de consciência de um paciente é definido operacionalmente à beira do leito com as respostas do paciente ao examinador. A determinação do estado de consciência pode ser um exercício tecnicamente desafiante... Definição: Consciência Nível de consciência: definido como o estado de alerta comportamental. “condição em que o indivíduo está desperto e em contato com o ambiente externo” (Stavale, 2003). Conteúdo de consciência: envolve a cognição e a afetividade. “o acesso que temos aos dados armazenados que nos torna capaz de compreender fatos e responder de forma condizente às diversas situações” (Edwards, 2001). Existem dois componentes distintos da consciência: Consciência • Chama-se consciência o conhecimento que temos de nós mesmos e do mundo externo. • O ciclo vigília-sono encerra as variações normais, fisiológicas, da consciência. Assim, dentro desse ciclo, temos os diferentes níveis ou graus de consciência. O nível de consciência refere-se ao estado de alerta e de consciência do indivíduo em relação ao meio ambiente. Nos extremos, apresentam-se os estados de: sono profundo, sem sonho e acordado pleno. Como níveis intermediários, apresentam-se: sono com sonho (quando existe contato com o mundo interior) e sonolência do despertar e do adormecer. • Para se fazer a exploração do nível de consciência, recorre-se aos seguintes objetivos: • expressão fisionômica sonolenta, com tendência a fechar os olhos; • desinteresse frente ao mundo externo; • dificuldade de manter a atenção; • diminuição da capacidade de concentração; • desorientação; • incoerência das ideias; • incapacidade de memorizar; • incapacidade de raciocinar; • pensamento lento. Verificar se o paciente está obnubilado ou torporoso. Obnubilação corresponde a um estado de apatia, estando o paciente com pensamento lento e obscuro; torpor é uma condição em que o paciente apresenta sonolência patológica com prejuízo importante da consciência, mas da qual o paciente pode ser despertado. • Confusão mental ocorre nos quadros de delirium... • além da diminuição do nível de consciência, há alucinações e ilusões... • Misturam-se percepções reais com idéias fantásticas, podendo ser acompanhada de: grande ansiedade desorientação temporoespacial agitação psicomotora, com flutuação ao longo do dia, em geral com piora ao anoitecer. Escala de Coma de Glasgow e Glasgow pupilar A escala de coma de Glasgow (ECG), foi desenvolvida na Universidade de Glasgow em 1974 na Escócia. É um instrumento neurológico utilizado mundialmente para avaliar o nível de consciência !! Em 2018 foi adicionada a reatividade pupilar à avaliação, com o objetivo de inferir o prognóstico no traumatismo cranioencefálico A avaliação da reatividade pupilar ocorre de forma que, a quantidade de pupilas não fotorreagentes é subtraída da pontuação da ECG (ATLS, 2018). Morte Encefálica Perda Completa e irreversível das funções encefálicas, definida pela cessação das atividades corticais e do tronco encefálico. Resol. CFM 2173/2017 Fatores de Confusão: Distúrbios metabólicos Temperatura corporal Drogas Sedativas, hipnóticas, analgésicas e bloqueadores neuromusculares Hemodinâmica Distúrbios metabólicos: Faz-se necessário manter boa Glicemia, eletrólitos, marcadores renais e hepáticos Temperatura corporal: temperaturas entre 28 e 32 graus perde-se o reflexo fotomotor Drogas Sedativas, hipnóticas, analgésicas e bloqueadores neuromusculares: Alguns medicamentos são depressores do sistema nervoso central ( fenobarbital, fenitoina, clonidina, dexmedetomidina e morfina ) Hemodinâmica: hipotensão grave pode induzir COMA. Recomenda-se realizar os exames com PAM60 mmHg Testes Testes devem ser realizados por médicos diferentes Glasgow 3 Ausência dos reflexos de tronco Reflexo pupilar ( ausência de resposta a luz – fotoplegia ) Córneo palpebral ( ausência de fechamento palpebral ao toque com dispositivo não traumático) Óculo encefálico - gire a cabeça para ambos os lados – ausência de movimento dos olhos – fenômeno da boneca Vestíbulo-ocular ( Instilar 50 ml de soro gelado no ouvido e observe movimento dos olhos ou sinal de dor ) Reflexo de tosse ( ausência de tosse durante a estimulação ) Teste de apnéia ( Fio2 100%, PAS > 100 mmHg, normocapnia, coletar gasometria, desconectar do VM, ofertar o2 pelo TOT...observar movimentos respiratórios entre 8 a 10 ipm. interromper o teste em caso de hipotensão com PAS 55 mmHg Exames Complementares Arteriografia cerebral Doppler transcraniano Cintilografia cerebral Eletroencefalograma Angiotomografia cerebral Marcha ou equilíbrio dinâmico Cada pessoa tem um modo próprio de andar, ato extremamente variável, individualizado pelas suas características físicas, mentais e culturais. Observando – se a maneira pela qual o paciente se locomove, é possível, em algumas afecções neurológicas, suspeitar-se ou fazer-se o diagnóstico sindrômico. A todo e qualquer distúrbio da marcha dá-se o nome de disbasia, a qual pode ser uni ou bilateral. Tipos de Marcha Neurológica • Marcha helicópode, ceifante ou hemiplégica: O membro inferior do mesmo lado é espástico, e o joelho não flexiona. Para não arrastar o pé no chão, o paciente realiza um semicírculo quando o paciente troca o passo. • Marcha anserina ou de pato: para caminhar, o paciente acentua a lordose lombar e inclina o tronco ora para a direita ora para a esquerda • Marcha parkinsoniana: o doente anda como um bloco, enrijecido, sem o movimento automático dos braços. A cabeça permanece inclinada para frente e os passos são miúdos e rápidos, Tipos de Marcha Neurológica • Marcha cerebelar ou marcha do ébrio: ao caminhar, o doente ziguezagueia • Marcha tabética: o paciente mantém o olhar fixo no chão; os membros inferiores são levantados abrupta e explosivamente... os calcanhares tocam o solo de modo forte. Com os olhos fechados, a marcha piora. Indica perda da sensibilidade proprioceptiva por lesão do cordão posterior da medula. Um exemplo é a tabes dorsalis. • Marcha de pequenos passos: caracterizada por passos muito curtos, e, ao caminhar, o paciente arrasta os pés como se estivesse “patinando”. Ocorre na paralisia pseudobulbar e em doenças extrapiramidais. Às vezes, o paciente não consegue sair do lugar (“freezing”). “ Parkinson” Tipos de Marcha Neurológica • Marcha vestibular: o paciente com lesão vestibular (labirinto) apresenta lateropulsão quando anda; é como se fosse empurrado para o lado quando tenta se mover em linha reta. • Marcha escarvante: quando o doente tem paralisia do movimento de flexão dorsal do pé, ao tentar caminhar toca com a ponta do pé o solo e tropeça. Para evitar isso, levanta acentuadamente o membro inferior, lembrando o “passo de ganso” dos soldados prussianos Tipos de Marcha Neurológica • Marcha claudicante: ao caminhar, o paciente “manca” para um dos lados. Ocorre na insuficiência arterial periférica e em lesões do aparelho locomotor. • Marcha em tesoura ou espástica: os dois membros inferiores enrijecidos e espásticos permanecem semifletidos, os pés se arrastam, e as pernas se cruzam uma na frente da outra quando o paciente tenta caminhar. O movimento das pernas lembra uma tesoura em ação. “paralisia cerebral” Equilíbrio estático Teste de Romberg: solicita-se ao paciente que fique na posição vertical, com os pés juntos, olhando para a frente por alguns segundos. Em seguida, solicite-o para fechar os olhos... Se há desequilíbrio... Romberg positivo Coordenação: Na execução dos movimentos, entram em jogo mecanismos reguladores de sua direção, velocidade e medidas adequadas de distância... Não basta que exista força suficiente, é necessário que haja coordenação na atividade motora. Coordenação adequada depende do cerebelo (centro coordenador) e da sensibilidade proprioceptiva. À sensibilidade proprioceptiva informa ao centro coordenador as modificações de posição dos vários segmentos corporais. A perda de coordenação é denominada ataxia Cumpre referir que nas lesões da sensibilidade proprioceptiva o paciente utiliza a visão para fiscalizar os movimentos incoordenados... Prova indicador nariz Sentado ou de Pé: com o membro superior estendido lateralmente, o paciente é solicitado a tocar a ponta do nariz com o indicador. Prova calcanhar joelho. DD, o paciente é solicitado a tocar o joelho com o calcanhar do membro a ser examinado. Nos casos de dúvida, “sensibiliza-se” a prova mediante o deslizamento do calcanhar pela crista tibial, após tocar o joelho. A prova deve ser realizada várias vezes, de início com os olhos abertos, depois, fechados. Diz-se que há dismetria (distúrbio na medida do movimento) quando o paciente não consegue alcançar com precisão o alvo, errando para mais ou para menos. Prova dos movimentos alternados. Determina-se ao paciente que realize movimentos rápidos e alternados, tais como abrir e fechar a mão, movimento de supinação e pronação, extensão e flexão dos pés. Denomina-se diadococinesia estes movimentos. A capacidade de realizá-los é chamada eudiadococinesia. Sua dificuldade é designada disdiadococinesia, e a incapacidade de realizá-los recebe o nome de adiadococinesia. O registro das alterações encontradas é feito anotando-se a sede e o grau de ataxia. A velocidade e a coordenação dos movimentos declinam com a idade avançada. Desse modo, atividades da vida diária (vestir-se, levantar-se de uma cadeira), podem requerer 30 a 40% mais tempo em idosos. Motricidade espontânea Solicita-se ao paciente que execute uma série de movimentos: abrir e fechar a mão... estender e fletir o antebraço... abduzir e elevar o braço.. fletir a coxa... fletir e estender a perna e o pé. Durante a execução desses movimentos, observa-se se eles são realizados em toda a sua amplitude... Força muscular Neste exame deve haver teste contra resistência. Rotineiramente, não havendo indícios de doença que justifiquem exame específico de determinados segmentos, este é o realizado de modo global. Nos casos de discreta ou duvidosa deficiência motora dos membros realizam-se as “provas deficitárias”, representadas pelas provas de Barré, Mingazzini e dos braços estendidos. Manobra dos braços estendidos. Manobra de Mingazzini. Convencionalmente: de acordo com a Medical Research Council Scale 5: força normal 4+ : movimento submáximo contra resistência 4: movimento moderado contra resistência 4– : movimento discreto contra resistência 3: movimento contra a gravidade, mas não contra resistência 2: movimento quando a gravidade é eliminada 1: contração muscular sem deslocamento articular 0: sem contração muscular. Tônus muscular É considerado o estado de tensão constante a que estão submetidos os músculos, tanto em repouso (tônus de postura), como em movimento (tônus de ação). Inspeção: verifica-se se há ou não achatamento das massas musculares... ( hipotonia ou hipertonia ) Palpação dos músculos: pesquisa-se a consistência muscular, a qual se mostra aumentada nas lesões motoras centrais e diminuída nas periféricas...Movimentos passivos: imprimem-se movimentos de flexão e extensão nos membros e se observam: • Passividade: se há resistência (tônus aumentado) ou se há relaxamento ao extremo (tônus diminuído) • Extensibilidade: se existe ou não exagero no grau de extensibilidade da fibra muscular. Hipotonia e hipertonia Hipotonia ocorre: • Lesões cerebelares • Lesões nervosas periféricas • Segundo neurônio motor ( corno anterior da medula... ) Hipertonia ocorre: • Lesões das vias motoras piramidal e extrapiramidal. • Primeiro neurônio motor ( SNC ) • A hipertonia piramidal, denominada espasticidade, é observada comumente na hemiplegia... • Plástica: resistência constante à movimentação passiva • Elástica: retorno à posição inicial de um segmento do corpo Outras alterações do tônus muscular • Miotonia é o relaxamento alentecido após contração muscular. • Distonia é a contração simultânea da musculatura agonista e antagonista, o que pode ocasionar posturas anômalas intermitentes ou persistentes. Reflexos Reflexos motores tem sua base anatomofuncional no arco reflexo medular É constituído pelos seguintes elementos: • Via aferente: receptor e fibras sensitivas do nervo • Centro reflexógeno: substância cinzenta do sistema nervoso • Via eferente: fibras motoras do nervo • Órgão efetor: músculo. Classificação dos reflexos Exteroceptivos (superficiais) Receptores localizados na pele e/ou mucosas externas (polissinápticos) Proprioceptivos estímulos atuam ou se originam nos músculos, tendões, labirinto (monossinápticos) Reflexos proprioceptivos Miotáticos (profundos ou osteo tendíneos): estímulo é constituído pela distensão do músculo origem = receptores aferentes de tração dos músculos esqueléticos e órgãos neurotendíneos Reflexos monossinápticos Resposta = contração do músculo estimulado e relaxamento dos músculos antagonistas Pesquisa do reflexo = distensão muscular rápida provocada pela percussão tendínea ou óssea Reflexos Cutâneos • São formados por vias aferentes • Cutâneoabdominal e cremasteriano • Abolição: traduz por lesão em um dos pontos do arco reflexo ( raízes ou nervos periféricos ) • Abolição de mais de um reflexo: lesão piramidal • Reflexos exteroceptivos ou superficiais Nestes reflexos o estímulo é feito na pele ou na mucosa por meio de um estilete... • Reflexo cutâneoplantar: • DD, com os membros inferiores estendidos, o examinador estimula a região plantar, próxima à borda lateral e no sentido póstero anterior, fazendo um leve semicírculo... • Resposta Normal: Flexão dos dedos • Abolição do reflexo: interrupção do arco • Resposta em EXTENSÃO do Hálux e flexão com abertura dos dedos: constitui o sinal de Babinski ( lesão piramidal ou corticoespinhal ) • Reflexos cutaneoabdominais. • DD, deve-se manter a parede abdominal em completo • Relaxamento... • O examinador estimula o abdome no sentido da linha mediana em três níveis: superior, médio e inferior. • Resposta normal: contração dos músculos abdominais, que determina um leve deslocamento da cicatriz umbilical para o lado estimulado. • Podem estar abolidos quando houver interrupção do arco reflexo, na lesão da via piramidal... Reflexos profundos ou miotáticos o estímulo é feito pela percussão com o martelo neurológico no tendão do músculo a ser examinado. • Os reflexos podem estar: normais, abolidos, diminuídos, vivos ou exaltados. Suas alterações podem ser simétricas ou não... • Resultados: • Arreflexia ou reflexo abolido: 0 • Hiporreflexia ou reflexo diminuído: – • Normorreflexia ou reflexo normal: + • Reflexo vivo: ++ • Hiperreflexia ou reflexo exaltado: +++. • arreflexia ou a hiporreflexia são encontradas comumente nas lesões que interrompem o arco reflexo (poliomielite, polineuropatia periférica, miopatia) • Hiperreflexia nas lesões da via piramidal (acidente vascular cerebral, tumor, doença desmielinizante, traumatismo). SENSIBILIDADE Sensibilidade superficial: Sensibilidade Tátil: utiliza-se um pedaço de algodão ou um pequeno pincel macio... Sensibilidade térmica: requer dois tubos de ensaio, um com água gelada e outro com água quente... Sensibilidade dolorosa: é pesquisada com o estilete, capaz de provocar dor sem ferir o paciente. • Sensibilidade profunda. A sensibilidade vibratória (palestesia): é pesquisada com o diapasão de 128 vibrações por segundo, colocado em saliências ósseas. A sensibilidade à pressão (barestesia): é pesquisada mediante compressão digital ou manual em qualquer parte do corpo, especialmente de massas musculares. A cinética postural ou artrocinética (batiestesia): é explorada deslocando-se suavemente qualquer segmento do corpo em várias direções (flexão, extensão). Em dado momento, fixa-se o segmento em uma determinada posição que deverá ser reconhecida pelo paciente. • Estereognosia Significa capacidade de se reconhecer um objeto com a mão sem o auxílio da visão. É função tátil discriminativa ou epicrítica com componente proprioceptivo. Quando se perde esta função, diz-se astereognosia ou agnosia tátil, indicativa de lesão do lobo parietal contralateral. A diminuição da sensibilidade tátil recebe o nome de hipoestesia; sua abolição, anestesia; e seu aumento, hiperestesia. Nervo olfatório (I) • EXAME: empregam-se substâncias com odores: café, canela, cravo, tabaco, álcool, etc. O paciente, de olhos fechados, deve reconhecer o aroma que o examinador coloca diante de cada narina. • Alterações deficitárias: (hiposmia e anosmia) • Cacosmia: é uma sensação olfatória desagradável na ausência de qualquer substância capaz de originar odor. Nervo óptico (II) • As imagens são recolhidas na retina por meio dos cones e bastonetes e conduzidas ao centro da visão no lobo occipital, atravessando o nervo, o quiasma e o trato óptico, o corpo geniculado lateral e as radiações ópticas. • EXAME: Acuidade visual: pede-se ao paciente para dizer o que vê na sala de exame (na parede, na mesa) ou para ler algo. Examina-se cada olho separadamente. Diminuição da acuidade: ambliopia Abolida: amaurose. • Campo visual: sentado, o paciente fixa um ponto na face do examinador, postado à sua frente. O examinador coloca suas mãos na periferia do seu campo visual e as move enquanto pergunta ao paciente se ele está vendo os movimentos. Deve ser realizada em cada olho separadamente e, depois, com os dois olhos abertos simultaneamente. • Esse procedimento se denomina avaliação do campo visual ou campimetria hemianopsia homônima direita: significa perda da metade direita de ambos os campos visuais. • Fundoscopia: com o oftalmoscópio, o fundo de olho torna-se perfeitamente visível. • O neurologista não pode prescindir deste exame... • Podem ser reconhecidos o tecido nervoso (retina e papila óptica) e os vasos (artérias, veias e capilares). Entre as alterações que podem ser encontradas destacam-se: • palidez da papila: que significa atrofia do nervo Óptico o edema uni ou bilateral da papila: que traduz hipertensão intracraniana, e as modificações das arteríolas que surgem na hipertensão arterial Escala de Acuidade Visual - Snellen Posicionar a escala de Snellen em uma parede Paciente a uma distância de 3 metros Ocluir um olho para examinar o outro Apontar o optótipo com uma vara ou lápis repousando abaixo da letra... Iniciando o optotipo do maior para menor até onde a pessoa consiga enxergar sem dificuldades A acuidade visual registrada será o número decimal a esquerda da ultima linha em que a pessoa consiga enxergar mais da metada dos optotipos Nervo oculomotor (III),nervo troclear (IV) e nervo abducente (VI) • Estes três nervos são examinados em conjunto, pois inervam os vários músculos que têm por função a motilidade dos globos oculares. • Músculos inervados pelo Oculomotor: reto medial, reto superior, reto inferior, o oblíquo inferior • Músculo inervado pelo Troclear: oblíquo superior • Músculo inervado pelo Abducente: reto lateral. • O nervo III inerva também a musculatura elevadora da pálpebra. A investigação semiológica destes nervos pode ser sistematizada como descrito a seguir. • Motilidade extrínseca. A posição do globo ocular é dada pelo funcionamento harmônico dos vários músculos. Havendo predomínio de um deles (por paresia ou paralisia de seu antagonista), ocorre o que se chama estrabismo (desvio do olho de seu eixo normal), que pode ser horizontal (convergente ou divergente) ou vertical (superior ou inferior). • Na presença de estrabismo, pelo menos na fase inicial, o paciente reclama de visão em duplicata ou diplopia (Figuras 20.20 e 20.21). • Exame em cada olho separadamente: com a cabeça imóvel, o paciente é solicitado que desloque os olhos nos sentidos horizontal e vertical. No exame simultâneo, acrescenta-se a prova da convergência ocular, que se faz aproximando gradativamente um objeto dos olhos do paciente. A investigação semiológica destes nervos pode ser sistematizada como descrito a seguir. • Motilidade intrínseca. A pupila é normalmente circular, bem centrada e tem diâmetro de 2 a 4 mm. • Ressalte-se que o diâmetro pupilar é o resultado do funcionamento equilibrado entre os dois sistemas autônomos: simpático e parassimpático. • A irregularidade do contorno pupilar é chamada de discoria; quando o diâmetro se acha aumentado, fala-se em midríase; o contrário, miose; a igualdade de diâmetro denomina-se isocoria; e a desigualdade, anisocoria . pupila é examinada por meio de um feixe luminoso (lanterna de bolso) e pela convergência ocular. O examinador incide o feixe de luz em uma pupila e observa a resposta nos dois lados. Chama-se reflexo fotomotor direto a contração da pupila na qual se fez o estímulo, e de reflexo fotomotor consensual a contração da pupila oposta. Em seguida, aproxima-se dos olhos um objeto e as pupilas se contrairão normalmente – é o reflexo da acomodação. Nervo trigêmeo (V) O trigêmeo é nervo misto, sendo constituído pelas raízes motora e sensitivas. • Raiz motora. Representada pelo nervo mastigador, que inerva os músculos destinados à mastigação (temporal, masseter e pterigóideos). • Avalia-se a lesão unilateral da raiz motora pela observação dos seguintes aspectos: ◗ Atrofia das regiões temporais e masseterinas ◗ Desvio da mandíbula para o lado da lesão com a abertura da boca ◗ Debilidade do lado paralisado ao trincar os dentes ◗ Dificuldade do movimento de lateralização da mandíbula. • Raízes sensitivas. Compreendem os nervos oftálmico, maxilar e mandibular • O exame dessas raízes é semelhante ao da sensibilidade superficial ... • cabendo apenas acrescentar a pesquisa da sensibilidade corneana, feita com uma mecha de algodão que toca suavemente a região entre a esclerótica e a córnea. • Resposta normal é a contração do orbicular das pálpebras; daí a denominação de reflexo corneopalpebral. Nervo trigêmeo (V) O trigêmeo é nervo misto, sendo constituído pelas raízes motora e sensitivas. Nervo facial (VII) • Solicita-se ao paciente que faça a mímica facial!! enrugue a testa... franza os supercílios... cerre as pálpebras...mostre os dentes... sorria... Etc • Na paralisia unilateral, observam-se lagoftalmia (o olho permanece sempre aberto), ausência do ato de piscar, epífora (lacrimejamento), desvio da boca para o lado normal – sobretudo quando se pede ao paciente que mostre os dentes ou abra amplamente a boca • A paralisia da face se chama prosopoplegia e, quando bilateral, sugere-se diplegia facial. • Nervo vestibulococlear (VIII) • Este nervo é constituído por duas raízes: a coclear, incumbida da audição, e a vestibular, responsável pelo equilíbrio. • Raiz coclear. ◗ Diminuição gradativa da intensidade da voz natural ◗ Voz cochichada ◗ Atrito suave das polpas digitais próximo ao ouvido ◗ Audiometria ◗ Prova de Rinne: que consiste em aplicar o diapasão na região mastoide. Em condições normais, o paciente acusa a percepção do som (Rinne positivo). Transmissão óssea mais prolongada que a aérea (Rinne negativo) significa deficiência auditiva de condução nervosa • ACUSIA, HIPOACUSIA ou HIPERACUSIA • Nervo vestibulococlear (VIII) • Este nervo é constituído por duas raízes: a coclear, incumbida da audição, e a vestibular, responsável pelo equilíbrio. • Raiz Vestibular O acometimento da raiz vestibular é reconhecível pela anamnese quando as queixas do paciente incluem vertigens, náuseas, vômitos e desequilíbrio. • A investigação da raiz vestibular compreende o reconhecimento de nistagmo, desvio lateral durante a marcha, desvio postural, sinal de Romberg e provas calórica e rotatória vestibulares. Nervo glossofaríngeo (IX) e nervo vago (X) • A lesão unilateral do glossofaríngeo pode exteriorizar-se por distúrbios da gustação do terço posterior da língua (hipogeusia e ageusia) • Pode aparecer disfagia. • A lesão isolada do X nervo e que envolve apenas o ramo laríngeo determina disfonia. A porção autonômica (nervo vago) não é examinada de rotina. Nervo acessório (XI) • Inerva os músculos acessórios da respiração • Inerva a língua • Pode haver disartria e alteração da mobilidade da lingua Nervo hipoglosso (XII) Rigidez de Nuca o examinador coloca uma das mãos na região occipital do paciente em decúbito dorsal e, suavemente, tenta fletir a cabeça dele. Se o movimento for fácil e amplo, não há rigidez nucal, ou seja, a nuca é livre. Caso contrário, fala-se em defesa ou rigidez da nuca, encontrada na meningite e na hemorragia subaracnóidea • Prova de Brudzinski: o examinador repousa uma das mãos sobre o tórax do paciente em decúbito dorsal e membros estendidos e, com a outra, colocada na região occipital, executa uma flexão forçada da cabeça. • A prova é positiva quando o paciente flete os membros inferiores, havendo casos nos quais se observam flexão dos joelhos e expressão fisionômica de sensação dolorosa Provas de estiramento de raiz nervosa: • Prova de Lasègue: Paciente em DD e os MMII estendidos. Faz a elevação de um MI estendido. A prova é positiva quando o paciente reclama de dor na face posterior do membro examinado (cerca de 30° de elevação). • Prova de Kernig: consiste na extensão da perna, estando a coxa fletida em ângulo reto sobre a bacia e a perna sobre a coxa. • A prova será positiva quando o paciente sente dor ao longo do trajeto do nervo ciático e tenta impedir o mov. • Outra manobra de Kernig é elevar ambos os MMII ao mesmo tempo; positiva se ao desencadear dor e flexão nos joelhos.. • A tireoide é uma glândula que regula a função de órgãos importantes como o coração, o cérebro, o fígado e os rins. Ela produz os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Dessa forma, garante o equilíbrio do organismo. • A tireoide atua no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, no peso, na memória, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, na concentração, no humor e no controle emocional. TIREOIDE As afecções tireoidianas podem manifestar-se por sintomas locais (bócio, dor, dispnéia, disfagia e rouquidão) e por sintomas e sinais de hiper ou hipofunção. BócioQuando a glândula tireoide aumenta de volume, tornando-se palpável ou visível, caracteriza-se a presença de bócio. Se o aumento da glândula for global, uniforme, dá-se a denominação de bócio difuso. A presença de nódulos caracteriza o bócio nodular . • Hipertireoidismo • O hipertireoidismo é uma síndrome complexa causada por níveis elevados de hormônios tireoidianos no sangue. • Hipotireoidismo • A deficiência de hormônios tireoidianos produz sinais e sintomas em vários sistemas configurando uma síndrome complexa. • Hipotireoidismo do adulto • Os sintomas mais frequentes são palidez e edema facial (pálpebras empapuçadas), bócio, voz rouca e grossa, pele seca, fria e descamativa, sonolência, hipersensibilidade ao frio, cãibras musculares, parestesias nas extremidades e dificuldade de memória. Exame da tireoide Usam-se duas manobras para a palpação da tireoide: Abordagem posterior: paciente sentado e o examinador de pé atrás dele. As mãos e os dedos rodeiam o pescoço com os polegares fixos na nuca, e as pontas dos indicadores e médios quase a se tocarem na linha mediana. O lobo direito é palpado pelos dedos médio e indicador da mão direita; para o lobo esquerdo, usamos os dedos médio e indicador da mão esquerda . Abordagem anterior: paciente e examinador sentado ou de pé, com o examinador postado à sua frente. O lobo direito é palpado pelos dedos médio e indicador da mão esquerda e o lobo esquerdo é palpado pelos dedos médio e indicador da mão direita. Sempre se solicita ao paciente que faça algumas deglutições enquanto se palpa firmemente a glândula. A tireoide eleva-se durante o ato de deglutir. Com a técnica correta podem ser obtidos dados referentes a: Volume: normal ou aumentado, difuso ou segmentar. Qualquer aumento é designado bócio Consistência: normal, firme, endurecida ou pétrea Mobilidade: normal ou imóvel (aderida aos planos superficiais e profundos) Superfície: lisa, nodular ou irregular Temperatura da pele: normal ou quente Frêmito e sopro: presente(s) ou ausente(s) Sensibilidade: dolorosa ou indolor. As alterações possíveis de serem encontradas indicam a existência de bócio, processo inflamatório e neoplasias. Tireoidites Há quatro tipos de inflamação da tireoide: Tireoidite aguda: é um processo inflamatório decorrente de invasão bacteriana da glândula Tireoidite subaguda: pode ser causada por vírus ou por agressão autoimune Tireoidite de Hashimoto: é uma doença autoimune, decorrente da agressão do tecido tireoidiano por anticorpos. Tireoidite de Riedel: é muito rara e sua fisiopatologia é desconhecida. • O pâncreas é uma glândula responsável pela secreção de suco pancreático ( porção exócrina )... • Que é lançado no intestino delgado, onde participa do processo de digestão de carboidratos, lipídios e proteínas. • O pâncreas também é responsável pela produção de dois hormônios ( porção endócrina ): • Insulina e Glucagon. • Que são lançados diretamente na corrente sanguínea e atuam no metabolismo da glicose, mantendo-a em níveis ideais no sangue. A insulina e o glucagon estão relacionados com o metabolismo da glicose. Enquanto a insulina promove a redução do nível de glicose no sangue, o glucagon atua garantindo seu aumento. Quando o nível de glicose aumenta em nosso sangue acima da faixa normal, a insulina atua promovendo o aumento do transporte de glicose para as células do corpo a fim de que ela possa ser utilizada na realização de diferentes atividades celulares. Avaliação Antropométrica: Existem várias medidas antropométricas de utilidade prática: Altura ou estatura Peso Circunferências Dobras cutâneas Índice de massa corporal (IMC). • Altura/estatura • Posição ortostática, a altura deve ser aferida em balança com estadiômetro ou com fita métrica inextensível com precisão de 0,1 cm. • Para uma medida precisa é importante que cinco pontos anatômicos estejam próximos à parede ou ao estadiômetro: calcanhares, panturrilha, glúteos, escápulas e ombros. • Em crianças até 2 anos de idade, recomenda-se medir a altura (comprimento) com ela deitada, utilizando uma régua antropométrica que possui uma base fixa no zero e um cursor. “mede-se a altura (estatura) da criança em pé, comparando-se a altura obtida com tabelas pediátricas para a idade e sexo” Medida da altura do idoso • Há algumas equações para estimar a altura a partir de medidas de segmentos corporais, tais como altura do joelho, da envergadura ou semi envergadura. Para a envergadura, mede-se toda a extensão de uma ponta a outra da falange distal. A medida da envergadura é similar à altura real. • Índice de massa corporal • O índice de massa corporal (IMC) é amplamente utilizado como indicador do estado nutricional, por ser obtido de forma rápida e de fácil interpretação É expresso pela fórmula: IMC = peso atual (kg)/altura2 (m). Exemplo: se uma pessoa pesa 70Kg e mede 1.60m, seu IMC será: IMC = 70 Kg / (1,60)² = 70 / 2,56 = 27,3. Exames e Testes Ortopédicos - Ossos - Articulações - Amplitude de movimento - Testes - Doenças Luxação congênita do quadril Barlow: adução do quadril e pressão posterior Luxação Ortolani: abdução do quadril e pressão anterior Redução Teste de Thomas: avalia encurtamento da musculatura flexora ou contratura articular do quadril → pode ser capsular... muscular ( psoas / reto femoral)... articular... Teste de Ely: contratura muscular do psoas, Ilíaco ou quadríceps cruzar a perna do paciente no joelho oposto. Estabilizar a espinha ilíaca ântero superior oposta e apertar o joelho para baixo do quadril que está sendo testado: Pesquisa-se: inflação da articulação do quadril, fratura acetabular ou até mesmo sacroileíte Sinal de Trendelemburg: queda da pélvis ao levantar a perna Oposta por fraqueza do glúteo médio... Dor durante a tração significa lesão da capsula ou ligamento Dor durante a compressão significa lesão dos meniscos Teste de McMurray: para avaliar lesões dos meniscos Flexão total de quadril e joelho. Com uma mão segura o joelho e com a outra o tornozelo !! Realiza-se uma rotação externa para avaliar o menisco interno e vice versa. A dor e o estalo sentido e ouvido sugere lesão meniscal Gaveta anterior: sugere lesão do ligamento cruzado anterior A gaveta anterior poderá ser realizada em 90, 60 e 15 graus Gaveta anterior em 15 graus: teste de Lachman Teste dos ligamentos colaterais !!! Estabilizar o tornozelo com uma mão. Com a mão oposta, segurar e pressionar posteriormente a tíbia. A seguir, puxar o pé para frente. Explicação Quando a tíbia é empurrada, indica ruptura do ligamento talofibular anterior. Quando a tíbia é puxada indica ruptura do ligamento talofibular posterior. OMBRO • SÍNDROME DO IMPACTO (SUPRAESPINAL) • Descrição clínica: • A síndrome do impacto é uma entidade diagnóstica que é a compressão do tendão do supraespinal e da bolsa subdeltóidea no espaço subacromial. - Principais testes para síndrome do impacto e lesões tendinosas - Teste de Neer : Abdução passiva do MS em posição neutra. Positivo quando há dor pelo impacto do tubérculo maior contra o acrômio ( lesão do supraespinhal ). - Teste do Impacto de Yocum: Paciente coloca sua mão no ombro oposto e eleva o cotovelo de forma ativa. Positivo se houver dor e é semelhante ao Neer, impacto sobre o supraespinhal. - Teste do Impacto de Hawkins-Kennedy: Abdução ativa do ombro com cotovelo fletido. Avaliador realiza rot. interna do MS. Semelhante ao Neer, impacto sobre o supraespinhal.Movimento de Abdução: Síndrome do impácto Lesão do supraespinhal Movimento de Abdução: Síndrome do impácto Lesão do supraespinhal ( rotação interna passiva ) Movimento de Abdução ativa lesão do supraespinhal - Teste de Jobe: Abdução ativa do ombro em rot. interna com extensão do cotovelo contra resistência até o plano da escápula. Positivo com dor, perda de força ou incapacidade (ruptura total do tendão supraespinhal). - Teste de Patte: Abdução de ombro e cotovelo a 90o solicita-se rot. externa contra resistência. Dor de origem no músculo infraespinhal ( ex. tendinopatia ) - Teste de Gerber: Paciente coloca o dorso da mão na região lombar e solicitamos que afaste a mão do tronco. Positivo se incapaz ou dor. ( Lesão do músculo Subescapular). Teste de Jobe: Isométrico para abdução( lesão do supraespinhal ) Teste de Patte: rotação externa isométrica ( lesão do infraespinhal) Teste de Gerber: ( lesão do músculo subescapular) - Teste de apreensão anterior: Avaliador atrás do paciente faz a abdução do ombro e flexão do cotovelo a 90º forçando rotação externa. Positivo com a sensação de luxação anterior iminente provocando apreensão do paciente. - Teste de apreensão posterior (Fukuda): Avaliador realiza flexão do ombro e cotovelo a 90º gerando rotação interna do braço. Positivo com a sensação de luxação posterior iminente provocando apreensão do paciente. Fukuda - Apreensão anterior - Teste de Gaveta anterior: Avaliador com a mão sobre o ombro pegando escápula e clavícula estabilizando-o. Com a outra mão, estabiliza-se a cabeça umeral deslocando-a anteriormente. Positivo quando translada mais de 50% ou é muito maior comparativamente. - Teste do Sulco: É realizado para avaliar a frouxidão da cápsula e ligamentos do ombro. Braço do paciente em posição neura e cotovelo fletido a 90º. Realiza-se tração caudal sendo positivo ao aparecimento de um sulco de 1 cm ou mais entre o acrômio e cabeça umeral. • - Teste de Speed: MS em extensão e rot. externa paciente faz flexão do cotovelo contra a resistência referindo dor ao nível do sulco intertubercular. ( lesão do bíceps ) COTOVELO - Teste de Hook : Avalia ruptura distal do bíceps braquial. Ombro neutro, cotovelo a 90º, isometria na supinação. Positivo quando o avaliador tenta pinçar com a mão o tendão distal do músculo e não o observa. - Teste de Cozen: Avalia epicondilite lateral e bursite rádioumeral. Positivo se houver dor nesta região quando cotovelo semifletido ou extendido e pronado com a mão em extensão. Avaliador força a flexão da mão. - Teste de Mills (tenista): Ombro flexionado a 90º, cotovelo extendido e pronado, punho flexionado passivamente. Positivo para tendinite com dor associada à compressão do epicôndilo lateral. - Epicondilite medial (golfista): Ombro e cotovelo flexionados a 90º, cotovelo supinado, paciente realiza flexão do punho contra resistência. Dor no epicôndilo medial. - Teste de instabilidade ligamentar : (colateral medial e lateral do cotovelo) – Leve flexão do cotovelo, estabiliza-se o cotovelo e realiza-se estresse valgo e varo. - Síndrome cubital ou ulnar: flexão do cotovelo total por 5 min. Positivo se formigamento ou parestesia no território ulnar do antebraço. PUNHO E MÃO - Teste de Finkelstein: polegar flexionado na palma, avaliador estabiliza o cotovelo e realiza desvio ulnar. Positivo com dor (Tenossinovite de DeQuervain) - Tinel: Percurtir sobre o n. mediano próximo ao túnel do carpo. Positivo se relatar “choque”. - Phalen: Ombro e cotovelos a 90o realiza-se a flexão ativa máxima dos punhos (dorso com dorso das mãos). Positivo se houver parestesia e/ou formigamento. - Phalen invertido: palmas com palmas (também para túnel do carpo). Contratura de Dupuytrenn Dedo em Gatilho Nódulos de Heberden e Bouchar • Habilidades e Atitudes Médicas II • Jefferson Caldeira PALESTRAS • UNIGRANRIO • 2023 Síndrome medular anterior . Compressão anterior . Perda motora variável ( predominante ) . Função sensória pode ser preservada . Tratos ascendentes podem ser poupados Síndrome medular posterior . Compressão medular posterior - hiperextensão . Função motora é menos afetada . Tratos descendentes menos afetados . Função sensória é mais afetada