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RECREAÇÃO! Professor Mestre André Matos Apresentação Especialista em Educação Física escolar e Fitness; Mestre em Saúde e Sociedade pela UERN; Instrutor da Atividade Fitness (2 anos); Professor substituto do IFRN – Ipanguaçu; Professor substituto do IFRN – Mossoró; Professor na UNIP desde 2018.1. EDUCAÇÃO FÍSICA , LAZER E RECREAÇÃO Promoção da Saúde e bem-estar físico e mental. Promoção de atividades de lazer e qualidade de vida. Meios (elementos da Educação Física): ginástica; dança; esporte (luta). Jogo ( atividade lúdica, Recreação): educação para o lazer; educação pelo lazer. O LAZER E A HISTÓRIA Antes da Industrialização, no meio rural: O trabalho era longo e cansativo e respeitava-se os ritmos naturais. A lida iniciava ao alvorecer e terminava quando a luz do dia faltava, mas havia as pausas: Pelo cansaço; Aos domingos e feriados religiosos; Das entressafras; A chuva era uma pausa forçada. O LAZER E A HISTÓRIA Depois da industrialização: O trabalho industrial preservava uma única característica do trabalho rural: a longa jornada de trabalho dos picos de safra. Mas, sem contato com a natureza, com os animais, com a família. O trabalho industrial não podia ser permeado pelo lúdico, como no campo, onde as necessidades eram satisfeitas até mesmo no ritmo do próprio trabalho. TEMPOS MODERNOS INSTITUCIONALIZAÇÃO DO LAZER A racionalização do tempo, instituída pelo capitalismo industrial, não previa o tempo de Lazer. A saída dos trabalhadores foi a luta pela redução da jornada de trabalho. ( + Lazer ) . Principais conquistas: Salário mínimo, regulamentação das férias e da aposentadoria; Legalização da jornada de oito horas: 8 horas de sono, 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer; Lazer = tempo livre para escolher o que fazer, de forma voluntária e prazerosa. "O primeiro princípio de toda ação é o ócio. Ambos (ação e ócio) são necessários, mas o ócio é melhor do que a ocupação e é o fim em razão do qual esta existe.” TEMPO LIVRE E LAZER Toda pessoa tem o tempo total de seus dias dividido entre obrigações fisiológicas, primárias, secundárias e tempo livre. Com isso temos o cálculo de Tempo Livre onde: TL=TT-TO Então, o que significa LAZER? Segundo Dumazedier: “o lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.” FUNÇÕES DO LAZER Para que serve o lazer? Dumazedier (1972) identifica três funções principais do lazer, sendo: Função de Repouso - Permite a libertação da fadiga. Esta função atribui ao lazer um carácter reparador da exaustão física dos indivíduos, causada pelo trabalho. Função de Divertimento - Permite uma fuga aos automatismos e ritmos do trabalho dos indivíduos, baseando-se em atividades mais lúdicas. Função de Desenvolvimento - Esta função oferece uma maior possibilidade de integração na vida da sociedade. Estas funções do lazer, podem ocorrer, em simultâneo, com maior ou menor frequência de indivíduo para indivíduo. LAZER CONTEMPORÂNEO “Lazer é o tempo livre das obrigações profissionais, afazeres domésticos, obrigações religiosas e necessidades fisiológicas.” (Lefebvre, 1980) O “tempo imposto”, aquele que é gasto com tarefas não planejadas, mas necessárias para atender ao estilo de vida de cada um, como: filas de banco, transporte, etc. A CARTA DO LAZER Principais pontos: Lazer é um direito básico do ser humano. Recreação é um serviço social tão importante quanto Saúde e Educação. Em princípio, o próprio indivíduo é a sua melhor fonte de Recreação e Lazer. As oportunidades de Recreação e Lazer devem enfatizar a satisfação pessoal, o desenvolvimento das relações interpessoais, a integração familiar e social, o entendimento e a cooperação internacionais, além do fortalecimento das identidades culturais. Ênfase especial deve ser dada à manutenção da qualidade do meio ambiente e à preservação desse potencial para a recreação. A CARTA DO LAZER Principais pontos: A formação de líderes, animadores de Recreação e Lazer, incluindo experiências pessoais e coletivas, deve ser assegurada onde for possível. A grande variedade de fenômenos de Recreação e Lazer, incluindo experiências pessoais e coletivas, devem ser objetos de pesquisa sistemática e investigações acadêmicas. PROMOÇÃO DA RECREAÇÃO NA COMUNIDADE Para que a recreação possa proporcionar benefícios à saúde e à qualidade de vida as atividades devem ser significativas àqueles que a praticam e devem proporcionar o bem estar. Essa recreação é promovida por diversos agentes: Pelo Poder Público – Prefeituras e Governo Estadual. Voluntários – pessoas afim. Entidades Fechadas – clubes recreativos privados. Empresas – associações classistas. Recreação Comercializada – parques, buffets, cinemas, privados. Família e a Escola – casa e escola. O profissional de Educação Física atua em todas as formas de promoção da Recreação na Comunidade. ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DA RECREAÇÃO NA COMUNIDADE Características dos equipamentos: Específicos: Especializados; Academia de ginástica; Cinema. Polivalentes: Parques, centros culturais; Shoppings, clubes. Turismo: Hotéis, resorts Não específicos: Casa; Escola; Rua; Trabalho; Transporte. ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DA RECREAÇÃO NA COMUNIDADE Os equipamentos de recreação e lazer classificam-se segundo: Características físicas de construção: Aspectos estéticos e dimensões proporcionais aos locais geográficos; Aceitação daqueles que os utilizam, inspirando confiança. Existe a necessidade de democratizar o lazer, o que implica em democratizar o espaço. O investimento no lazer é insuficiente e precário; A população não faz uso adequado desses espaços ou dá preferência ao lazer pago. REFLEXÃO Como ativar os equipamentos de lazer? Como aprimorá-lo e transformá-los em espaços de encontros, diversão e troca de experiência? O que faz as pessoas buscarem um lazer pago? HOMO LUDENS Homo sapiens: capacidade de raciocinar. Homo faber: capacidade de construir, fabricar. Homo ludens: capacidade de se dedicar ao jogo, à atividade lúdica. ATIVIDADE LÚDICA E LAZER O brincar do animal é puro prazer, enquanto para o ser humano é também uma forma de conhecer, aprender e desenvolver-se. Quando a criança brinca, ela aprende, e esse aprendizado se torna útil na evolução do seu pensamento. A criança cria novas versões do brincar, ampliando o seu repertório de brincadeiras e desenvolvendo sua criatividade. É parte integrante da vida em geral. Função vital para o indivíduo, não só para distensão e descarga de energia, mas principalmente como forma de assimilação da realidade. É culturalmente útil para a sociedade como expressão de ideais comunitários. ATIVIDADE LÚDICA E LAZER Então por qual motivo nós adultos não o fazemos? Para a sociedade existe um limiar de até onde podemos continuar brincando e inventando novas brincadeiras. As características definidas colocadas por Huizinga são: O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente da vida cotidiana. O BRINCAR O elo entre as atividades lúdicas são a liberdade de escolha e a satisfação pessoal. Recreação está intimamente relacionado com o lúdico e o jogo. Muitas vezes, não sobra tempo de encontrarmos o espaço para o divertimento. A recreação nada mais é do que a atividade lúdica na prática. Seja ela com o objetivo de renovação das energias para o trabalho ou então na forma de tornar mais leve e divertida a habilidade a ser apreendida. O BRINCAR É tudo quanto diverte e entretém o ser humano e que envolve ativa participação. Emprego de energiaque emana de impulso interno, mas também condicionado a estímulo externo [...] A atividade recreativa, força propulsora do desenvolvimento da personalidade, tem grande influência sobre a saúde física mental do ser humano [...] (GOUVÊA, 1963, p. 19). Grande parte da população brasileira, não busca rendimento e nem profissionalismo, mas uma forma de se exercitar no tempo de lazer. Questões surgem como indagações para a Educação Física, área articuladora dos elementos jogo, esporte, dança e ginástica. Tais elementos trabalhados pela Educação Física vão receber o perfil de recreação, de atividade lúdica. O BRINCAR As atividades recreativas, segundo Fritzen, servem para: Integrar a pessoa no meio social. Desenvolver o conhecimento mútuo e a participação grupal. A busca da convivência com colegas da mesma idade. Desenvolver ocupação para o tempo ocioso. Adquirir hábitos de relações interpessoais. Desinibir e desbloquear. Desenvolver a comunicação verbal e não verbal. Descobrir habilidades lúdicas. Desenvolver adaptação emocional. Descobrir sistemas de valores. Dar evasão ao excesso de energia e aumentar a capacidade mental O BRINCAR Podemos dizer que o brincar é um alimento para a criança, sem ele o seu desenvolvimento fica comprometido. O ato de brincar faz com que a criança se expresse de forma espontânea. Ao observarmos uma criança brincando, podemos colher informações elementares a respeito da criança, como: de que forma se relaciona com os amigos, suas emoções; suas capacidades e habilidades motoras; seu estágio de desenvolvimento; seu nível de comunicação; sua formação moral quanto aos valores humanos. O TEMPO E O ESPAÇO DO BRINCAR O tempo e o espaço são elementos que se apresentam como parte de um conjunto de regras, que são estabelecidas e, sem estas, não podemos nos referir ao jogo o qual estamos tratando. Cumprir regras também faz parte da vida em sociedade, portanto, esse elemento nos mostra a importância do jogo em um contexto social. O BRINCAR - TEMPO Realidade atual: o tempo está ficando cada vez mais escasso. Na escola: pouco tempo para o recreio, para as brincadeiras. No período fora da escola: compromissos e contratempos As crianças têm um elenco de ofertas de jogos eletrônicos que também invadem o tempo da brincadeira compartilhada, provocando um isolamento, podendo prejudicar o desenvolvimento infantil. Cabe ao adulto saber dosar o tempo das atividades infantis e estimular a criança nas atividades lúdicas espontâneas e compartilhadas. O BRINCAR - ESPAÇO Onde brincar? Nos grandes centros urbanos, as crianças enfrentam muito mais dificuldade se compararmos às crianças que moram nas periferias, em relação aos espaços do brincar. O local de jogo, aquele que deve ser respeitado pelos jogadores e que sem ele não é possível a sua realização. O BRINCAR – COMO MEIO E FIM O brincar é um meio quando se torna um instrumento de aprendizado. Isto é, ele está sendo usado como ferramenta que motiva o aprendizado. O brincar é um fim sempre que se brinca só por diversão, entretenimento, passatempo. O BRINCAR A brincadeira deve fazer parte do universo da criança, do jovem e do adulto também, pois a forma lúdica pode ser um meio de se alcançar objetivos e, portanto, pode ser usada desde que seja compatível com os objetivos a serem alcançados. Porque brincar? Quando? Onde? Para quê? O brincar precisa de um parceiro? Brincar com quem? De quê? Sim, o brincar sugere um parceiro, mas este não precisa ser sempre alguém, pois podemos brincar com o próprio corpo, com sons, objetos, com o imaginário. MOTIVAÇÕES PARA A DIVERSÃO Magill (1984) se refere à motivação como causa de um comportamento, e ainda define motivação como alguma força interior, impulso ou uma intenção que leva uma pessoa a fazer algo ou agir de certa forma. Fantasia: criação do universo imaginário. A fantasia faz parte dos relacionamentos sociais quando buscamos a diversão. Ao nos sentirmos motivados a ir a uma festa, estaremos entrando no mundo da fantasia e nos alimentaremos dos pensamentos imaginários que vão compor o estado de espírito para a preparação do tão esperado momento de diversão. Pensamentos como: qual a melhor vestimenta? Quem eu encontrarei lá? O que faremos de bom? VAMOS PRATICAR A IMAGINAÇÃO O ponto Imagine um pontinho na palma de sua mão. Jogue o pontinho para cima e pegue-o novamente. Agora faça com que o pontinho passe por seu corpo: braços, pernas, cabeça. Jogue-o contra parede e pegue-o novamente. Faça a troca dos pontinhos imaginários, passando-o para o outro. Imagine que o ponto cresceu e que agora você tem uma bola nas mãos, jogue a bola para cima e pegue-a novamente. Agora faça com que a bola passe por seu corpo: braços, pernas, cabeça. Faça a troca das bolas imaginárias. MOTIVAÇÕES PARA A DIVERSÃO Vertigem: capacidade de se deixar levar, de perder o controle, de correr riscos com segurança. Aventura: Busca pelo novo, o desconhecido. “A experiência lúdica da aventura tem por base a curiosidade, sendo, pois, uma fonte de motivação para o desenvolvimento da inteligência abstrata e da inteligência prática” (CAMARGO, 1998, p. 35). O que seria da ciência se não fossem os curiosos? Competição: superação. “Para a criança, a motivação de participar de uma brincadeira só é menor do que a motivação de ser o primeiro a participar” (CAMARGO, 1998, p. 36). INTERESSES CULTURAIS Intelectuais – leitura, pesquisa, informação, filosofia. Manuais – lavar o carro, pequenos consertos, artesanato. Artísticos – música, expressão corporal, teatro, exposições. Sociais – encontros, festas, bailes. Turísticos – lugares novos. Físicos - esportes, jogos, danças, ginásticas, lutas. DOMÍNIOS DO DESENVOLVIMENTO Ao analisarmos uma criança em situação de jogo, podemos extrair diversos benefícios para o seu desenvolvimento. As atividades recreativas podem servir como um meio de fixação de conteúdos multidisciplinares. Quando a criança brinca de amarelinha, por exemplo, ela está se desenvolvendo de forma global, ou seja, está estimulando os três domínios do desenvolvimento. domínio físico-motor; domínio cognitivo; domínio socioafetivo. DOMÍNIOS DO DESENVOLVIMENTO Domínio físico-motor: Inclui tanto a estimulação e desenvolvimento das capacidades físicas (força muscular, resistência muscular, resistência cardiorrespiratória e flexibilidade) e condição motora (velocidade, coordenação, agilidade, potência e equilíbrio), como a aprendizagem das habilidades motoras que diz respeito ao agrupamento das categorias de movimento (locomoção, manipulação e estabilização), por meio de selecionadas experiências de movimento que devem ser oferecidas nos primeiros anos de vida. DOMÍNIOS DO DESENVOLVIMENTO Domínio cognitivo. Refere-se à capacidade de noções e percepções: corpo, espaço, direção, orientação espaço-tempo. A aprendizagem, ou habilidades acadêmicas: conceitos, posições, dimensões, formas, relações. Domínio socioafetivo. Envolve sentimentos e emoções que são aplicados à própria pessoa ou nas relações com os outros. O comportamento socioafetivo é um conjunto do autoconceito (sentimento pessoal, autovalor) e das relações pessoais (agir, reagir, interagir). media1.mkv image2.png image1.png