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Ética e Segurança da Informação D AT A A N A LY SI S A N D H EA LT H IN FO RM AT IC S - H CA 63 0 - 4 .2 Ética e Segurança da Informação • 2/13 Objetivos de Aprendizagem • Compreender a importância da ética e segurança em informática em saúde pública. Ética e Segurança da Informação Conteúdo organizado por Angela Maria Moed Lopes em 2022 do livro Introdução à Informática em Saúde - Fundamentos, Aplicações e Lições Aprendidas com a Informatização do Sistema de Saúde Americano, publicado em 2020 por Tiago Kuse Colicchio, pela editora Artmed. https://player.vimeo.com/video/765706186 Ética e Segurança da Informação • 3/13 Introdução A ética relaciona-se ao conjunto de princípios e valores morais que determinam o comportamento humano dentro de uma sociedade. A adoção de uma conduta ética de acordo com padrões e valores da sociedade e das organizações de saúde é essencial para o alcance da excelência profissional. A ética, no contexto da saúde, corresponde ao conjunto de regras e preceitos morais que devem ser exercidos pelos profissionais que prestam assistência à saúde do paciente. A ética contemporânea foi forjada e sustentada em meio aos desafios dos avanços tecnológicos que afetam muitas vidas. Os desafios relacionados à informática em saúde incluem o desenvolvimento e o uso apropriado dos softwares e o equilíbrio dos direitos de privacidade com as necessidades de saúde pública e da prática clínica. Neste tema abordaremos a importância da ética e da segurança das informações de informática em saúde. Aspectos Éticos e de Segurança do Prontuário Eletrônico do Paciente Os aspectos relacionados à segurança, confidencialidade e privacidade constituem, sem dúvidas, as principais preocupações relacionadas aos prontuários eletrônicos. Em toda relação entre médico e paciente observa-se um contrato implícito de confidencialidade, na qual o médico se compromete a não revelar qualquer informação confidencial que lhe seja revelada. De acordo com o juramento de Hipócrates: “aquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade eu tiver visto ou ouvido e que não seja preciso divulgar eu conservarei inteiramente secreto” (Almeida et al., 2016, p. 524). Segundo Massad (2003, n.p.) “o profissional de saúde que recebe, registra, manipula, digita, armazena e processa dados e informações é responsável pela sua guarda e integridade e deve estar atento para a importância e significado de preservar o sigilo da informação e assegurar a privacidade da pessoa cujos dados estão sendo manuseados”. Ética e Segurança da Informação • 4/13 Todas as informações contidas no Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) são de propriedade do paciente. As instituições de saúde e os profissionais que têm acesso a estas informações são guardas fiéis do prontuário. Estas informações são obtidas durante o atendimento médico ou a partir de procedimentos e exames realizados com finalidades diagnósticas e terapêuticas. Desta forma, a confidencialidade das informações contidas no PEP é um direito de todo indivíduo, respaldado pelo artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal de 1988, que garante a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da imagem e da honra das pessoas. Este dever de preservação de segredo é previsto no Código Penal, artigo 154, bem como na maioria dos códigos de ética profissional em saúde (Salvador & Filho, 2004). Em princípio, somente o consentimento do paciente pode autorizar a revelação do conteúdo do PEP, devido ao princípio da autonomia. Dessa forma, o paciente possui autonomia para decidir quais informações deseja revelar ou manter em sigilo. Entretanto, o Código de Ética Médica, artigo 102, determina que a revelação destes dados pode ser feita por causa justa, dever legal ou autorização expressa do paciente. Além dos médicos, todos os profissionais da saúde, bem como funcionários administrativos que entram em contato com as informações do paciente, possuem autorização para acesso a estas informações apenas em função da necessidade profissional. Desta forma, o dever de segredo não se limita ao médico, mas abrange todos os profissionais que, em exercício de sua função, tenham acesso a estes dados (Salvador & Filho, 2004). Vale ressaltar que os prontuários de papel também apresentam riscos de quebra de privacidade, embora o PEP apresente um potencial mais amplo de acessibilidade, visto que, uma vez que a segurança seja transpassada, um único terminal permite o acesso de todo o banco de informações de uma instituição; a isto se acrescentam todas as possibilidades oriundas da internet, caso os prontuários estejam acessíveis por meio da web. Além disso, o transporte de dados informatizados e a facilidade de acesso podem fazer com que os casos de quebra da confidencialidade atinjam proporções antes não conhecidas com o uso do papel. Apesar das novas possibilidades para quebra de confidencialidade, alguns autores destacam que os computadores também propiciam medidas de proteção indisponíveis ao prontuário de papel, como o controle do acesso por login e senha, certificação digital, biometria, tecnologias de firewall e encriptação dos dados que garantem o acesso somente aos profissionais que possuam a senha e o registro correto (Almeida et al., 2016). Ética e Segurança da Informação • 5/13 • Controle do acesso por login e senha: processo de autenticação que inclui a validação de senha do usuário, proibição de acesso a usuários não autorizados, solicitação de alteração de senha caso esteja expirada, bloqueio de usuários que excedem o número de tentativas de acesso sem sucesso, dentre outros. • Certificação digital: correspondem a documentos eletrônicos que utilizam duas chaves, uma pública e de conhecimento geral, e outra privada, mantida em sigilo pelo titular do certificado. Estas chaves (pública e privada) apresentam funções inversas. Desta forma, o que uma faz, somente a outra pode desfazer. O certificado digital é obtido por meio de uma Autoridade Certificadora e contém informações sobre o nome do titular, número de série, data de validade, chave pública do titular e assinatura eletrônica da Autoridade Certificadora. • Biometria: permite a identificação precisa baseada na avaliação de traços biológicos. Trata-se de um mecanismo de controle de informações e acessos não autorizados. Dentre as características biológicas utilizadas para identificação citam-se o reconhecimento de voz, reconhecimento de íris, verificação de assinatura manuscrita, reconhecimento de impressão digital, reconhecimento de face, dentre outros. • Tecnologia de firewall: é uma ferramenta para controle e segurança constituída por um equipamento de hardware e seu respectivo software. Este equipamento tem como função limitar e controlar o acesso à uma rede local interna (LAN) ligada à uma rede externa (Internet). Desta forma, o firewall permite controlar o que se desejar que saia ou entre numa determinada rede, evitando acessos indevidos, mesmo que estes acessos sejam internos da rede (Salvador & Filho, 2004). Os princípios básicos que norteiam a segurança da informação são: • Integridade: processo de assegurar que recursos ou dados não sejam alterados por entidades não autorizadas; • Confidencialidade: necessidade de proteger informações sensíveis de forma a não serem vistas indiscriminadamente; • Disponibilidade: disponibilidade de acesso ao sistema para usuários autorizados; Ética e Segurança da Informação • 6/13 • Autenticação: processo pelo qual a identidade de uma pessoa possa ser verificada; • Autorização: associar uma identidade a uma lista de direitos, privilégios, ou áreas de acesso; • Legalidade: quando alguém não pode negar a autenticidade de um documento, a sua assinatura ou o seu envio; • Auditoria: processo de assegurar que a atividade de um usuário possa ser devidamente registrada e revista para detectar eventos suspeitos (Salvador & Filho, 2004,n.p.). https://player.vimeo.com/video/765706507 Ética e Segurança da Informação • 7/13 Lei de Portabilidade e Responsabilidade do Seguro de Saúde (HIPAA) As leis de privacidade e segurança estão constantemente sendo revisadas no intuito de ajustarem-se aos novos desafios, novas tecnologias e novas ameaças na era digital. A Lei de Portabilidade e Responsabilidade do Seguro de Saúde (HIPAA, do inglês Health Insurance Portability and Accountability Act) foi proposta no ano de 1996, nos Estados Unidos, para estabelecer os requisitos para o uso, divulgação e proteção de informações de saúde de identificação individual. Este conjunto de leis foi estendido com a aprovação da Lei HITECH (Health Information Technology for Economic and Clinical Health Act) no ano de 2009 (Moore & Frye, 2019). O objetivo principal da Lei HITECH foi apoiar a implementação dos registros eletrônicos de saúde nos EUA, para fornecimento de dados e informações médicas integradas aos provedores e usuários do sistema de saúde. Além de oferecer programas de incentivo para adoção do PEP nos hospitais e provedores de saúde, a HITECH também aumentou as penalidades monetárias para violações da HIPAA. A HIPPA tem por objetivo proteger as informações de saúde dos indivíduos. Qualquer informação que possa ser utilizada para identificar um indivíduo são consideradas Informações de Saúde Protegidas (PHI, do inglês Protected Health Information). Nome, endereço, data de nascimento, número de telefone, CPF, número do prontuário, histórico médico, fotografias, prontuários, números de beneficiários de planos de saúde, números de licenças, veículos identificadores, endereços de protocolo de internet, identificadores biométricos, resultados exames (laboratoriais e radiológicos) e registros de tratamentos são considerados PHI e devem ser protegidos (Moore & Frye, 2019). As PHI podem ser divulgadas, sem a autorização por escrito do paciente, nas seguintes circunstâncias: 1) Para tratamento, pagamento ou operações gerais de saúde: os provedores podem compartilhar determinadas informações com empresas de cobrança para receber o pagamento pelos serviços prestados. Além disso, estas informações podem ser utilizadas para avaliação da qualidade ou conformidade do sistema para elevar o padrão de assistência à saúde. Segundo a HIPAA, somente os registros relacionados ao abuso de substâncias e as notas de psicoterapia não podem ser compartilhadas entre os prestadores de cuidados de saúde sem o consentimento explícito do paciente. Ética e Segurança da Informação • 8/13 2) O paciente pode concordar ou se opor a uma divulgação, no entanto, quando um paciente traz outra pessoa para o quarto com ele, o paciente concorda automaticamente que essa pessoa possa ouvir o PHI. 3) Durante um desastre natural, sob aprovação do presidente dos EUA ou de um funcionário do estado, algumas penalidades podem ser dispensadas. Esta dispensa é concedida somente aos hospitais localizados na área do desastre durante o período identificado na declaração de emergência de saúde pública. 4) Para atividades e propósitos de saúde pública, como prevenir ou controlar a propagação de doenças ou denúncias de abuso ou negligência infantil. 5) Se solicitado por ordem judicial (Moore & Frye, 2019a). As violações das leis contidas na HIPAA, mesmo quando cometidas intencionalmente, implicam em multas que podem chegar a milhões de dólares a cada ano e até resultar em acusações criminais e prisão. A proteção da HIPAA se estende somente às entidades cobertas, como prestadores de serviços de saúde, planos de saúde e parceiros de negócios. Desta forma, os dados gerados por entidades não cobertas não são protegidos pela HIPAA (Moore & Frye, 2019b). Ética e Segurança da Informação • 9/13 Saiba Mais No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei n° 13.709/2018, foi promulgada para proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e a livre formação da personalidade de cada indivíduo. A Lei fala sobre o tratamento de dados pessoais, dispostos em meio físico ou digital, feito por pessoa física ou jurídica de direito público ou privado, englobando um amplo conjunto de operações que podem ocorrer em meios manuais ou digitais. Esta lei estabelece a estrutura legal dos titulares dos dados pessoais, que devem ser garantidos durante a manipulação dos dados pessoais em uma organização. Além disso, a lei também determina a responsabilidade pela reparação do dano patrimonial, moral, individual ou coletivo, causado pela violação à legislação de proteção de dados pessoais. LGPD – A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais compreende a legislação brasileira que regula as atividades e manipulação de dados pessoais. Materiais Complementares: 1. https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/ html/10.1055/s-0040-1701966, acessado em 25 de setembro de 2022. 2. https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/ abstract/10.1055/s-0042-1742503, acessado em 25 de setembro de 2022. https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/html/10.1055/s-0040-1701966 https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/html/10.1055/s-0040-1701966 https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/s-0042-1742503 https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/s-0042-1742503 Ética e Segurança da Informação • 10/13 Em Resumo As mesmas regras éticas que definem o acesso ao prontuário de papel também se aplicam ao prontuário eletrônico e devem ser respeitadas. As questões éticas relacionadas ao PEP devem ser amplamente divulgadas e estudadas pelos profissionais e serviços de saúde a fim de garantir a confidencialidade das informações pessoais dos pacientes. Alguns mecanismos de segurança, como criptografia, biometria, certificação digital, dentre outros, têm sido utilizados com o objetivo de garantir um nível elevado de confiabilidade e privacidade das informações contidas no PEP. Assim, para alcançar todas as vantagens proporcionadas pelo PEP, é necessário solucionar diversos problemas éticos, legais e técnicos relacionados à sua utilização. Ética e Segurança da Informação • 11/13 Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/765706714 Ética e Segurança da Informação • 12/13 Referências Bibliográficas Almeida, M.J.G.G. et al. (2016). Discussão Ética sobre o Prontuário Eletrônico do Paciente. Revista Brasileira de Educação Médica [online], v. 40, n. 3, p. 521-527. Massad, E., Marin, H.F. & Azevedo, R. S. (2003). O Prontuário do Paciente na Assistência, Informação e Conhecimento Médico. São Paulo. USP. Moore, W., & Frye, S. (2019). Review of HIPAA, Part 1: History, Protected Health Information, and Privacy and Security Rules. Journal of nuclear medicine technology, v. 47, n. 4, p. 269–272. Disponível em: https://doi.org/10.2967/jnmt.119.227819. Moore, W., & Frye, S. (2020). Review of HIPAA, Part 2: Limitations, Rights, Violations, and role for the Imaging Technologist. Journal of nuclear medicine technology, v. 48, n. 1, p. 17–23. Disponível em: https://doi.org/10.2967/jnmt.119.227827. Salvador, V.F.M. & Filho, F.G.V.A. (2004). Aspectos éticos e de segurança do prontuário eletrônico do paciente. Anais da II Jornada de Desenvolvimento e Tecnologia, UNIVEM, Marília, SP. https://doi.org/10.2967/jnmt.119.227819 https://doi.org/10.2967/jnmt.119.227827 Ética e Segurança da Informação • 13/13 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Introdução à Informática em Saúde - Fundamentos, Aplicações e Lições Aprendidas com a Informatização do Sistema de Saúde Americano Tiago Kuse Colicchio Artmed, 2020