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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFACVEST
CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA 
MADALENA DA SILVA GOMES DE QUADROS
.
INCLUSÃO DE ALUNOS COM AUTISMO NO ENSINO REGULAR
PORTO ALEGRE, RS
2024
MADALENA DA SILVA GOMES DE QUADROS
INCLUSÃO DE ALUNOS COM AUTISMO NO ENSINO REGULAR
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário UNIFACVEST como parte dos requisitos para a obtenção do grau de 
Licenciada em Pedagogia. 
 
Acadêmica: Madalena da Silva Gomes de Quadros 
Orientadora: Cassiane Pires Lima 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre, RS, __/__/ANO. Nota ________ 
	
 
_______________________________________ 
Orientadora professora mestra Cassiane Pires Lima
_______________________________________ 
Coordenadora professora mestra Arleide Catarina Wolff Camargo 
 
INCLUSÃO DE ALUNOS COM AUTISMO NO ENSINO REGULAR 
 
 
Madalena da Silva Gomes de Quadros [footnoteRef:1] [1: Graduanda do curso de Pedagogia do Centro Universitário Unifacvest. E-mail: ] 
Cassiane Pires Lima [footnoteRef:2] [2: Graduada em Pedagogia, Especialista em Mídias na Educação, em Docência para a Educação Profissional e
Tecnológica, em Tutoria em Educação a Distância e Mestra em Práticas Transculturais, Professora do Centro
Universitário Unifacvest. E-mail: prof.cassiane.lima@unifacvest.edu.br.
CV: http://lattes.cnpq.br/8883192720274678] 
 
RESUMO
A pesquisa tem como objetivo investigar e refletir sobre o processo de inclusão de alunos com o transtorno do espectro autista (TEA) no ensino regular em uma escola pública. A inclusão de estudantes com o espectro autista é um tema importante para garantir a igualdade de oportunidades educacionais e atender as necessidades individuais de cada um. A escola deve criar um ambiente acolhedor, envolvendo professores, gestores e funcionários da escola para que haja inclusão destes alunos no ensino regular. Contudo, é preciso respeitar os limites impostos pelo transtorno fazendo uso de recursos e estratégicas diferenciados, pois cada indivíduo tem necessidades diferentes, assim torna-se essencial oferecer suporte individualizado, compreendendo que a família também representa um aspecto fundamental nesse contexto, fornecendo informações valiosas sobre as preferências e desafios, auxiliando na formulação de estratégias eficazes e de apoio para que a inclusão possa ocorrer. Os resultados apresentam que a escola desempenha um papel central na criação de um ambiente inclusivo e de suporte para as pessoas com o transtorno do espectro autista, garantindo que tenham acesso a uma educação de qualidade e que atenda às suas necessidades individuais.
 
Palavras-chave: Inclusão escolar. Transtorno do Espectro Autista. 
 
ABSTRACT 
The research aims to investigate and reflect on the process of including students with autism spectrum disorder (ASD) in regular education in a public school. The inclusion of students on the autism spectrum is an important topic to ensure equal educational opportunities and meet each person's individual needs. The school must create a welcoming environment, involving teachers, managers and school staff so that these students can be included in regular education. However, it is necessary to respect the limits imposed by the disorder by using different resources and strategies, as each individual has different needs, so it is essential to offer individualized support, understanding that the family also represents a fundamental aspect in this context, providing valuable information about preferences and challenges, helping to formulate effective and supportive strategies so that inclusion can occur. The results show that the school plays a central role in creating an inclusive and supportive environment for people with autism spectrum disorder, ensuring that they have access to quality education that meets their individual needs.
Keywords: School inclusion. Autism Spectrum Disorder.
 
1 INTRODUÇÃO 
A escolha do tema sobre a inclusão de alunos com o transtorno do espectro autista, foi fundamentada na experiência pessoal da pesquisadora em sala de aula e desenvolvida em consonância com a literatura relacionada à área. Trata-se, portanto, de uma pesquisa bibliográfica e apresenta uma visão direta das diferentes necessidades e potencialidades do aluno autista e as barreiras enfrentadas na construção de um ambiente educacional verdadeiramente inclusivo.
Destaca-se, no entanto, que muitas escolas ainda enfrentam desafios significativos quando se trata de implementar praticas inclusivas que sejam verdadeiramente eficazes, de forma a atender as necessidades específicas de cada aluno. Nessa perspectiva, compreende-se que a inclusão não se resume apenas a ter crianças fisicamente presentes na escola, mas sim e principalmente adaptar métodos educacionais para garantir um desenvolvimento social e educacional significativo a todos os alunos.
Dessa forma, este artigo tem por objetivo investigar e refletir sobre o processo de inclusão de alunos com o transtorno do espectro autista (TEA) no ensino regular em uma escola pública. 
Justifica-se a escolha pelo tema em questão pois essa abordagem reflete não apenas uma preocupação com o desenvolvimento educacional das crianças, mas também o compromisso e a necessidade com a construção de uma sociedade, mas inclusiva e igualitária. A pesquisa e a prática nesse campo são essenciais para identificar novas metodologias e formas para incluir o aluno com o transtorno na rede regular de ensino e, principalmente leva a reflexão sobre possíveis caminhos que visem promover mudanças positivas no sistema educacional.
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
2.1 A inclusão do aluno com o transtorno do espectro autista - TEA
 
Conforme a Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional (LDB, Lei 9.394/96), é dever do Estado, garantir gratuitamente a educação básica e uma delas é a educação inclusiva, que deve garantir o ensino para todos, independentemente das limitações pessoais de cada um. 
A lei 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência ou Estatuto da Pessoa com Deficiência considera pessoa com deficiência em seu artigo 2º aquela que: “[...] tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”. (BRASIL, 2015). 
Frente a esse contexto, conforme recomenda o Manual de Diagnósticos e Estatísticos de Transtornos Mentais – DSM – 5 (2014), quanto à classificação internacional de doenças mentais houve uma unificação do transtorno do espectro autista, assim uniram-se os transtornos do espectro em um só diagnóstico. A partir dessa classificação o TEA pode ser caracterizado pela presença ou não de desordem do desenvolvimento intelectual, além do comprometimento da linguagem funcionando leve ou ausente da linguagem funcional prejudicada. 
Ainda de acordo com o Manual de Diagnósticos e Estatísticos de Transtornos Mentais – DSM – 5 (2014, p. 53), as características diagnósticas essenciais do transtorno do espectro autista são:
[...] prejuízo persistente na comunicação social recíproca e na interação social [...] e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades [...]. Esses sintomas estão presentes desde o início da infância e limitam ou prejudicam o funcionamento [...]. O estágio em que o prejuízo funcional fica evidente irá variar de acordo com características do indivíduo e seu ambiente. 
Da mesma forma, os autores Lemos; Salomão; Agripino-Ramos (2014, p.117) apresentam que: “o espectro autista é caracterizado por prejuízos desde os primeiros anos de vida nas áreas de interação social, comunicação e comportamento”. 
Nessa perspectiva, afirma-se que a inclusão no sistema regular de ensino de umestudante com o transtorno do espectro autista assume um papel fundamental nas diversas instâncias sociais, compreendendo a necessidade de que esses indivíduos possam participar e se desenvolver plenamente. Cabe então, possibilitar um novo olhar que deve se estender a todos os envolvidos tais como a família, amigos, membros do processo educativo e sociedade em geral. 
De acordo com Sassaki (1999) a inclusão social pode ser conceituada como sendo o processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir em seus sistemas pessoas com necessidades especiais. Esse autor apresenta que a inclusão social deve ser efetivada em diferentes setores sociais, tais como educação, lazer e transporte. A efetivação desse processo culminaria com a construção da sociedade inclusiva: 
Sendo assim: “Quanto mais sistemas comuns da sociedade adotarem a inclusão, mais cedo se completará a construção de uma verdadeira sociedade para todos – a sociedade inclusiva” (SASSAKI, 1999, p. 42). 
Quando se fala sobre a inclusão de pessoas com o transtorno do espectro autista na escola de ensino regular, Oliveira (2020) afirma também que é preciso pensar além disso, que o professor muitas vezes não está preparado para receber esses alunos. E se o professor é visto como mediador no processo inclusivo deve promover o contato do aluno com a escola e seus recursos, possibilitando meios diversificados para que essas pessoas aprendam e se desenvolvam, apesar de suas particularidades e características. 
É fundamental que o professor compreenda as necessidades apresentadas e suas demandas, pois: 
Destaca-se a importância de se analisar as interações sociais nos contextos escolares, verificando a participação das crianças autistas e considerando a mediação das professoras e das demais crianças. Compreender que os comportamentos das crianças com espectro autista podem ser influenciados considerando os contextos interativos, a mediação do adulto e, sobretudo, as particularidades de cada criança (LEMOS; SALOMÃO; AGRIPINO-RAMOS, 2014, p. 126). 
 
 
No entanto, garantir a inclusão de todos os estudantes é um dos grandes desafios atualmente enfrentado pelas escolas, professores. O papel do educador na inclusão é essencial, pois ele atua como facilitador no aprendizado, promovendo um ambiente acolhedor e respeitoso para todos os alunos. É preciso buscar, promover, criar e propor atividades diversificadas que atendam e incluam esses estudantes considerando as suas habilidades e limitações. 
Destaca-se também que a formação docente para o exercício profissional precisa ser de qualidade, pois está essencialmente relacionada com a formação do cidadão e para exercer essa função com êxito é preciso estar em constante aperfeiçoamento e aprendizagem para que seja possível atender as demandas e complexidades do processo educativo. 
Uma formação de qualidade e realizada de forma contínua contribui para ampliar conhecimentos e, principalmente favorecer o desenvolvimento do educando nos mais variados aspectos, possibilitando ampliar experiências para desenvolver uma educação que atenda também a diversidade, que contribua para a formação de sujeitos mais criativos, responsáveis cooperativos, autônomos e participativos, estendendo-se essas contribuições a sociedade em geral. 
O conhecimento para trabalhar com alunos com deficiência não deve ser dar apenas por parte de alguns profissionais da educação, mas deve abranger toda a equipe escolar. Segundo Martins (2018, p. 130): “Criar um ambiente inclusivo de qualidade exige que toda a equipe escolar tenha conhecimento a respeito dos direitos, da deficiência da criança e suas principais necessidades […]”. 
Essa afirmação é bastante válida para o contexto inclusivo, pois para que o processo seja efetivamente voltado à inclusão é preciso oferecer uma educação que atenda às necessidades individuais, compreendendo as diferenças, oferecendo suporte necessário a todos sem qualquer distinção. 
Sobre isso, Martins (2018, p. 126) destaca: “É relevante lembrar que a formação é um direito do professor, assim como a aprendizagem é um direito do aluno”.
Também caberá a escola trabalhar com as adversidades e os desafios de forma que os estudantes com o transtorno do espectro autista sejam realmente incluídos nesse processo de ensino e aprendizagem, garantindo sua convivência, seu aprendizado, possibilitando a troca, a integração e, principalmente promovendo o respeito pela diversidade no ambiente escolar que se deseja ser inclusivo. 
Precisa ainda oportunizar um ambiente livre de preconceitos e que as características e peculiaridades do aluno com TEA sejam respeitadas e consideradas e, principalmente não representem fatores impeditivos de acesso ao ensino regular para que esse educando possa se desenvolver e transpor suas limitações e dificuldades. 
 
 3 MATERIAL E MÉTODOS 
Para este trabalho foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica e aplicado um questionário usando a ferramenta Google Forms, apresentando dez perguntas que foram destinadas a educadores e professores de uma escola de educação infantil da rede regular de ensino na cidade de Porto Alegre, RS. As perguntas e os resultados obtidos a partir da pesquisa empreendida são apresentados através de gráficos, conforme seguem as imagens e são discutidos no próximo tópico: resultados e discussão. 
Gráfico 1: Idade dos entrevistados 
Gráfico 2: Formação acadêmica 
Gráfico 3: Tempo de atuação na educação infantil 
 
 
Gráfico 4: Faixa etária dos alunos 
Gráfico 5: Já teve ou tem alunos com o transtorno do espectro autista? 
Gráfico 6: você como professor tem dificuldade com o ensino de alunos com o transtorno do espectro autista? 
 
Gráfico 7: O professor ou educador tem algum suporte ou recurso adequado para enfrentar os desafios diários? 
Gráfico 8: Você considera importante que a criança com o transtorno do espectro autista tenha contato com outras crianças? 
Gráfico 9: Você considera importante que os professores tenham formação contínua?
Gráfico 10: Você considera importante trabalhar a diversidade em suas aulas?
Como podemos observar os gráficos, a maioria dos professores ou educadores tem ou já tiveram um aluno com o transtorno do espectro autista. No gráfico 6 e 7 demonstra-se que os professores não têm suporte e não dispõem de recursos necessários que possam ajudá-los a enfrentar os desafios diários, tendo portanto muita dificuldade no ensino desses estudantes. No entanto, verifica-se que no gráfico 8 são apresentadas repostas positivas onde todos afirmam ser importante que a criança com o transtorno do espectro autista tenha contato com outras crianças no ambiente escolar. 
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 
A pesquisa bibliográfica proporcionou uma oportunidade valiosa para explorar e refletir sobre a inclusão de alunos com o transtorno do espectro autista (TEA) no ensino regular. 
Durante a análise dos dados, ficou evidente que, embora as leis garantam o direito à educação gratuita e inclusiva para todos, incluindo pessoas com autismo, muitas escolas enfrentam desafios significativos na implementação dessas políticas.
Os direitos das pessoas com o transtorno do espectro autista são protegidos por legislação específica, que visa garantir seu acesso a uma educação de qualidade em um ambiente inclusivo. No entanto, a falta de preparo e capacitação adequada por parte dos educadores, aliada à escassez de recursos e de apoio especializado, muitas vezes resulta em experiências educacionais inadequadas, contribuindo para ampliar a exclusão desses educandos. 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Considera-se que os resultados da pesquisa demonstraram a importância em tornar acessível a entrada e permanência de alunos com o transtorno do espectro autista em escola de ensino regular, no entanto, sabe-se que apesar do respaldo em lei, essa não é uma tarefa fácil, pois além dos inúmeros desafios, é preciso também pensar no professor que precisa estar preparado para receber esses alunos. 
Importante destacar que a falta de professores especializadose sem suportes necessários que os auxiliem em suas intervenções e práticas pedagógicas, torna ainda mais complexo e difícil de acontecer e praticar a inclusão, conforme se preceitua. 
Baseado na pesquisa, posso afirmar que é importante que a aprendizagem e o desenvolvimento do educando com TEA aconteça a partir da sua inclusão na escola de ensino regular e que o professor possa estar constantemente em formação para melhor atender as demandas desses alunos e suas necessidades individuais.
Portanto, conclui-se que a escola desempenha um papel central na criação de um ambiente inclusivo e de suporte para as pessoas com o transtorno do espectro autista, garantindo que tenham acesso a uma educação de qualidade. 
REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso: jun. 2024. 
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB. 9394/1996. Lei n. 9.424, de 24 de dezembro de 1996.
LEMOS, Emellyne Lima de Medeiros Dias; SALOMÃO, Nádia Maria Ribeiro; AGRIPINO-RAMOS, Cibele Shírley. Inclusão de crianças autistas: um estudo sobre interações sociais no contexto escolar. Relato de Pesquisa. Rev. bras. educ. espec. 20 (1), Mar 2014. Disponível em: 
MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS: DSM-5. American Psychiatric Association. Tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento, et al; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli, et al. 5. Ed. Porto Alegre :Artmed, 2014. Disponível em: https://www.institutopebioetica.com.br/documentos/manual-diagnostico-e-estatistico-de-transtornos-mentais-dsm-5.pdf. Acesso: jul. 2024.
MARTINS, Clarissa de Andrade Fernandes. A inclusão de crianças com deficiência na educação infantil: políticas públicas na visão dos professores / Clarissa de Andrade Fernandes Martins. –Franca : [s.n.], 2018.
OLIVEIRA, Francisco Lindoval. Autismo e inclusão escolar: os desafios da inclusão do aluno autista. Revista Educação Pública, v. 20, nº 34, 8 de setembro de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/34/joseph-autismo-e-inclusao-escolar-os-desafios-da-inclusao-do-aluno-autista. Acesso em: jun. 2024. 
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão. Construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1999.
 
 
 
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