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Artigo 168 A Conceito O art. 168-A do Código Penal, introduzido pela Lei n° 9.983/2000, tipifica a conduta de não repassar à previdência social as contribuições recolhidas. O delito ocorre em várias situações, como: I. Deixar de repassar contribuições descontadas de segurados ou arrecadadas do público dentro do prazo legal. II. Recolher contribuições que já foram incluídas em despesas contábeis ou custos de produtos/serviços. III. Não pagar benefícios devidos a segurados, mesmo após reembolso da previdência à empresa. Embora tenha corrigido falhas do art. 95 da Lei n° 8.212/1991, o termo "apropriação indébita previdenciária" é considerado inadequado, pois os novos tipos penais não exigem a posse anterior do bem e não necessitam que o autor se locuplete com os valores, apenas que as contribuições não sejam repassadas aos cofres públicos.O texto analisa as mudanças na Lei n° 8.212, de 24-7-1991, em relação à apropriação indébita previdenciária. A nova redação clarifica o tipo penal, especificando que o delito ocorre quando as contribuições são destinadas à Previdência Social, não mais à Seguridade Social. Destaca-se a responsabilidade dos agentes que realizam despesas contábeis e que, ao não recolher as contribuições, cometem crime próprio. Também é abordado o pagamento de benefícios a segurados que já foram reembolsados pela Previdência, eliminando a lista de benefícios anteriormente mencionada. Em resumo, a nova legislação busca maior precisão e clareza nos delitos relacionados à previdência. Sujeito Ativo - Não é qualquer pessoa que pode praticar esse crime somente o substituto tributário ou até mesmo um gestor de empresa. Sujeito Passivo - O estado na figura do Instituto Nacional de Seguridade Social. Objeto jurídico - Patrimônio Objeto material - As condutas sobressai nas contribuições que não são repassadas à previdência social. Tipo de crime - Próprio exige qualidade específica do agente para os fins de praticar. Crime Formal - Entende se que você recolhe e não repassa independentemente de causar efetivo ou prejuízo a previdência o crime já estará consumado . Forma livre - A lei não impõe a matéria com que você deve praticar esse delito você pode praticar de qualquer maneira. Omissivo - Deixar de cumprir a obrigação de repassar. Instantâneo - Visto que o momento que se pratica o delito seus efeitos não se perduram diferentemente de crime permanente. Unissubjetivo - Não necessita praticar por uma única pessoa, ter um concurso de pessoa para os fins de praticar. Unissubsistente - Um crime que não admite o fracionamento do iter criminis e por essa razão não admite tentativa. ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO O elemento subjetivo que caracteriza o tipo penal é o dolo, que se refere à vontade livre e consciente do agente em realizar as condutas que são consideradas ilícitas. As definições penais em questão não requerem a presença de um fim especial, ou seja, o crime em análise não necessita de qualquer elemento subjetivo adicional além do dolo. Isso se distingue da apropriação indébita comum, que exige, para sua configuração subjetiva, a intenção de apropriar-se da coisa alheia, conhecida como animus rem sibi habendi. É importante ressaltar que não existe uma modalidade culposa para este tipo penal. CONSUMAÇÃO E TENTATIVA A consumação do delito previsto no art. 168-A se dá no momento em que se encerra o prazo legal ou convencional estabelecido para o repasse ou recolhimento das contribuições devidas, assim como para o pagamento do benefício que já foi reembolsado ao segurado ou ao estabelecimento pela Previdência Social. É fundamental mencionar que a tentativa deste crime não é admitida. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE Conforme o § 2.º do art. 168-A do Código Penal, há uma previsão para a extinção da punibilidade, estabelecendo que extinção do agente, de maneira espontânea para que o contribuinte obtenha o benefício de extinção da punibilidade, devem estar presentes simultaneamente os seguintes elementos: Pessoalidade, Espontaneidade nas condutas de declaração e confissão, Realização do pagamento das contribuições, Prestação das informações devidas à Previdência Social, conforme a legislação aplicável; Ação realizada antes do início da ação fiscal, que se dá com a notificação do contribuinte. PERDÃO JUDICIAL E CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA O § 3.º do art. 168-A do Código Penal prevê perdão judicial e a possibilidade de aplicar apenas multa, se o agente for primário e tiver bons antecedentes, desde que: Efetue o pagamento da contribuição previdenciária, incluindo acessórios, após o início da ação fiscal e antes da denúncia; O valor das contribuições seja igual ou inferior ao mínimo estabelecido pela Previdência para execuções fiscais. A jurisprudência indica que esse limite mínimo é de R$ 1.000,00, considerando o princípio da insignificância PARCELAMENTO DO DÉBITO PREVIDENCIÁRIO O art. 83, § 1.º da Lei n.° 9.430/1996, modificado pela Lei n.° 12.382/2011, determina que a representação fiscal para fins penais só será enviada ao Ministério Público após a exclusão do parcelamento. Enquanto a pessoa estiver no parcelamento, a pretensão punitiva do Estado fica suspensa, desde que o pedido tenha sido feito antes da denúncia. A prescrição da punibilidade também é suspensa, e o pagamento integral dos débitos extingue a punibilidade. PENAS E AÇÃO PENAL As penas para apropriação indébita previdenciária são reclusão de dois a cinco anos e multa. O § 1.º menciona condutas equiparadas, o § 2.º prevê a extinção da punibilidade e o § 3.º trata do perdão judicial e diminuição de pena. A ação penal é pública e incondicionada. VACATIO LEGIS A Lei n.° 9.983/2000, publicada em 17-7-2000, introduziu a vacatio legis, entrando em vigor noventa dias após a publicação, em 15-10-2000. Tipos assemelhados a apropriação indébita Apropriação de Coisa Havida por Erro, Caso Fortuito ou Força da Natureza O artigo 169 do Código Penal define a apropriação de bens alheios que chegam ao poder do agente por erro, caso fortuito ou força da natureza. O crime protege o direito patrimonial e qualquer pessoa pode ser autora, enquanto o proprietário da coisa é o sujeito passivo. O erro pode ocorrer sobre a pessoa (por exemplo, entrega errada a um homônimo) ou sobre a coisa (como vender um livro que contém dinheiro). É essencial que o erro não tenha sido induzido pelo agente; caso contrário, caracteriza-se estelionato. Além disso, a apropriação pode ocorrer por caso fortuito (como animais que fogem) ou por força da natureza (como roupas levadas por um vendaval). O elemento subjetivo é o dolo, relacionado à intenção de se apropriar do bem alheio. O dolo deve estar presente na apropriação; se o agente já age com intenção de dano, comete estelionato. A apropriação pode ser: Apropriação propriamente dita o agente age como se fosse o dono, como na venda do bem. Negativa de restituição o agente se recusa a devolver o bem. O crime admite forma privilegiada se o agente for primário e a coisa de pequeno valor, resultando na diminuição da pena de um a dois terços. A pena varia de um mês a um ano de detenção, além de multa. A ação penal é pública incondicionada. Além disso, o artigo 169, parágrafo único, I, define como crime apropriar-se de tesouro encontrado em propriedade alheia, onde o agente deve restituir ao proprietário a parte correspondente.O achado de um tesouro em prédio alheio deve ser dividido igualmente entre o proprietário e quem o encontrou, a menos que o inventor seja o dono do terreno ou um funcionário seu, caso em que o tesouro pertence inteiramente ao proprietário. Se encontrado em terreno aforado, o tesouro também é dividido ou pertence integralmente ao enfiteuta se ele for o inventor. O tesouro deixa de ser considerado se alguém provar que lhe pertence.No contexto penal, o Código Penal protege a inviolabilidade do patrimônio, e o sujeito ativo é quem se apropria da parte do proprietário do terreno, enquanto o sujeito passivo é o proprietário. A apropriação de tesouro só é crime se o encontro for casual; do contrário, configura furto.A conduta ilícita é a apropriação posterior, e a pena varia de um mês a um ano de detenção, com a possibilidade de privilégio similar ao furto. A apropriação de coisa achada é crime se o agente se apropria de coisa alheia perdida, sem restituí-la ao proprietário ou entregá-la à autoridade em 15 dias, sendo a ação penal pública incondicionada. O Código Penal também protege a inviolabilidade patrimonial nesse caso.