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<p>2</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>SUMÁRIO</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: Prática de Tutoria ................................................................. 3</p><p>A EAD no contexto mundial e no Brasil ............................................................................... 5</p><p>Educação a Distância............................................................................................................ 12</p><p>Conceitos e características .................................................................................................. 12</p><p>Componentes da organização do sistema em EAD ........................................................ 16</p><p>Estrutura e Organização de cursos em EAD .................................................................... 19</p><p>Definição dos cursos ............................................................................................................. 19</p><p>A - “Clientela” ..........................................................................................................................</p><p>19</p><p>B - Viabilidade econômica e significância social .............................................................. 20</p><p>C - Perfil dos candidatos...................................................................................................... 20</p><p>D - Princípios de abordagem ............................................................................................... 20</p><p>E - Indicação de elementos curriculares ............................................................................</p><p>21</p><p>Desenvolvimento do curso ................................................................................................... 21</p><p>Processo de Aprendizagem ................................................................................................. 23</p><p>Organização............................................................................................................................ 23</p><p>Centro de EAD ....................................................................................................................... 23</p><p>Equipe de professores-especialistas .................................................................................. 24</p><p>Meios Técnicos ...................................................................................................................... 25</p><p>A - Quanto à produção do material didático ...................................................................... 25</p><p>B - Quanto ao meios de comunicação ............................................................................... 27</p><p>Equipe Pedagógica e Administrativa .................................................................................. 28</p><p>Alunos ...................................................................................................................................... 28</p><p>A tutoria ................................................................................................................................... 28</p><p>Os processos avaliativos ...................................................................................................... 33</p><p>Os custos ................................................................................................................................ 34</p><p>GUIA PARA ELABORAÇÃO DE UMA PROPOSTA DE CURSO ATRAVÉS DA EAD</p><p>.................................................................................................................................................. 35</p><p>GUIA PARA ELABORAÇÃO DE UMA PROPOSTA DE CURSO ATRAVÉS DA EAD</p><p>.................................................................................................................................................. 38</p><p>ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO DE UM CURSO ..................................................... 39</p><p>REFERÊNCIAS ...................................................................................................................... 41</p><p>EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: Prática de Tutoria</p><p>3</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>As transformações produzidas durante estes últimos anos no Brasil são o</p><p>reflexo da aceleração no ritmo das mudanças que vêm ocorrendo, sobretudo a partir</p><p>da década de 50, nos países do chamado primeiro mundo, e que estão gerando um</p><p>modelo de sociedade em que a formação é posta como fator estratégico do</p><p>desenvolvimento, da produtividade e da competitividade. Assim, para os governos e</p><p>agentes sociais, as políticas relacionadas com a qualificação dos recursos humanos</p><p>merecem o máximo de interesse e prioridade e os processos formativos devem</p><p>caracterizar-se por sua continuidade, permanente atualização e renovação em seus</p><p>conteúdos. E isso deve atingir o maior número possível de pessoas adultas e ao longo</p><p>de toda sua vida.</p><p>Por outro lado, existe uma crescente demanda social de formação, devido às</p><p>exigências de níveis mais elevados de formação, aos avanços tecnológicos, à</p><p>insuficiência de qualificação e às novas tendências demográficas. A diminuição da</p><p>natalidade, constatada também no Brasil nesta última década (IBGE, 1991), a entrada</p><p>4</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>cada vez mais significativa de mulheres no mundo do trabalho, o intenso processo</p><p>migratório de mão-de-obra do campo em direção aos grandes núcleos urbanos e de</p><p>regiões menos desenvolvidas para as mais industrializadas, a aposentadoria de uma</p><p>parcela qualificada da mão-de-obra, especialmente em alguns setores como o da</p><p>educação, diante das mudanças nas regras da aposentadoria, vêm modificando o</p><p>mercado de trabalho. Torna-se cada vez mais urgente e necessário proporcionar</p><p>formação a esses novos grupos para que tenham acesso às qualificações e</p><p>conhecimentos requeridos.</p><p>As mudanças tecnológicas da informação também fazem com que grande parte</p><p>das qualificações fiquem defasadas, a um ritmo cada vez mais rápido, diante dos</p><p>aparatos de informação que operam em tempo real. Por outro lado, existe uma</p><p>interdependência maior entre os conhecimentos e a vida econômica.</p><p>Estudos recentes têm comprovado que o crescimento econômico e a</p><p>competitividade das economias mais avançadas dependem primordialmente da</p><p>capacidade para inovar nos produtos e nos processos, e que esta capacidade está</p><p>baseada num elevado nível de conhecimentos profissionais dos trabalhadores</p><p>(MEC/CIDEAD, 1995:10).</p><p>Na atualidade, existe um nível de desemprego e uma insuficiência de</p><p>qualificações. Há uma divergência entre as capacidades exigidas nos novos trabalhos</p><p>e os conhecimentos que dispõe o conjunto dos trabalhadores. Por isso, torna-se</p><p>imperativo aumentar o nível de formação dos jovens que chegam ao mercado do</p><p>trabalho e, ao mesmo tempo, atualizar e melhorar as qualificações da mão-de-obra</p><p>existente mediante uma educação e uma formação contínua e permanente.</p><p>Em 1972, a UNESCO, ao traçar algumas diretrizes para o ensino, afirmava que</p><p>“a educação deve ter por finalidade não apenas formar as pessoas visando uma</p><p>profissão determinada, mas sobretudo colocá-las em condições de se adaptar a</p><p>diferentes tarefas e de se aperfeiçoar continuamente, uma vez que as formas de</p><p>produção e as condições de trabalho evoluem: ela deve tender, assim, a facilitar as</p><p>reconversões profissionais” (UNESCO, 1972)</p><p>Portanto, a crescente demanda por educação, devida não somente à expansão</p><p>populacional como sobretudo às lutas das classes trabalhadoras por acesso à</p><p>educação, ao saber socialmente produzido, concomitantemente com a evolução dos</p><p>5</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>conhecimentos científicos e tecnológicos está exigindo mudanças a nível da função e</p><p>da estrutura da escola e da universidade.</p><p>Os atuais sistemas educativos formais, porém, têm-se apresentados incapazes</p><p>maioria dos cursos em EAD.</p><p>Fica claro então que a rentabilidade de um curso em EAD está associado ao</p><p>número de alunos matriculados. Há um investimento inicial na formação de recursos</p><p>humanos que atuarão no Centro e na montagem da estrutura de apoio ao estudante</p><p>(computadores, fax, telefone, soft, produção de material didático), mas que se tornará</p><p>36</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>rentável à medida em que os cursos vão se expandindo, com o aumento de matrículas</p><p>e novos cursos vão sendo oferecidos.</p><p>GUIA PARA ELABORAÇÃO DE UMA PROPOSTA DE CURSO ATRAVÉS DA</p><p>EAD</p><p>A - INFORMAÇÕES GERAIS</p><p>1.0 - Identificação do curso</p><p>1.1- Título</p><p>37</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>- Departamento ofertante</p><p>- Natureza do curso</p><p>- Pré-requisitos exigidos - Clientela</p><p>1.2</p><p>1.3</p><p>1.4</p><p>1.5</p><p>1.6 - Particularidades para inscrição</p><p>1.7 - Carga horária</p><p>1.8 - Duração do curso</p><p>2.0 - Resumo da proposta</p><p>2.1 - Principais características pedagógicas e de suporte tecnológico e</p><p>mediatizado;</p><p>2.2 - Resumo orçamentário dos custos diretos para seu desenvolvimento.</p><p>B - AP RESENTAÇÃO DO CURSO</p><p>3.0 - Histórico E contexto</p><p>( apresentar os motivos e a importância do curso dentro do panorama da</p><p>realidade social e educacional do estado ou do país. Importância de se realizar um</p><p>diagnóstico e fazer uma projeção)</p><p>38</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>4.0 - Fim e objetivos gerais</p><p>5.0 - Clientela</p><p>(colocar informações quantitativas e qualitativas: clientela potencial a ser</p><p>atendida, pertenças a que tipo de grupo social e profissional, necessidades individuais</p><p>ou coletivas a que o curso poderá responder)</p><p>Descrição do conteúdo</p><p>Apresentação</p><p>(indicar as disciplinas e temas a serem contemplados, a abordagem ou</p><p>orientação teórica);</p><p>Plano de curso</p><p>(apresentar a estrutura curricular e as ementas de cada uma das disciplinas</p><p>do curso);</p><p>Bibliografia básica a ser utilizada pelos alunos</p><p>Apoio logístico</p><p>7.0 - Percurso ensino-aprendizagem</p><p>(indicar a natureza da aprendizagem visada e os meios que se pretende</p><p>utilizar);</p><p>7.1 - Modelo de apoio / fórmula de enquadramento (especificar como se dará a</p><p>intervenção junto aos alunos no sentido de apoiá-los em seu processo de</p><p>aprendizagem: a natureza, os meios, a frequência, o momento);</p><p>7.2 - Perfil dos tutores ou de quem irá prestar este apoio e suas tarefas;</p><p>• perfil: nível de formação, área de formação, experiência profissional,</p><p>tarefas particulares, lugar de trabalho, exigências ou aptidões particulares;</p><p>39</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>• tarefas: número de horas de trabalho, correção ou não das avaliações,</p><p>animação (de que tipo: oficina, por telefone, seminário, grupos de trabalho, etc.),</p><p>explicitação dos conteúdos a dominar;</p><p>7.4 - Escolha dos meios técnicos e descrição do material pedagógico</p><p>• Estabelecer uma lista dos elementos que compõem o material do curso,</p><p>indicando a natureza e amplitude (ver quadro 01);</p><p>• Para manuais de base, documentos audiovisuais e informáticos,</p><p>justificar seja a produção original como a utlização de material já escrito;</p><p>7.5 - Percurso do estudante</p><p>Definir as etapas do percurso do estudante;</p><p>7.6 - Avaliação do estudante</p><p>Indicar a natureza dos instrumentos e critérios de avaliação. Mostrar como a</p><p>escolha dos instrumentos está em função dos objetivos e do conteúdo. Se houver</p><p>trabalhos em equipe caracterizar sua natureza e limitações.</p><p>8.0 - Avaliação do material do curso</p><p>Especificar quais os procedimentos a serem seguidos para avaliar o material</p><p>antes de ser utilizado no curso e durante o mesmo.</p><p>9.0 - Plano de execução</p><p>9.1 - Recursos humanos internos (Identificar estes recursos, suas tarefas, o</p><p>tempo exigido)</p><p>9.2 - Recursos humanos externos ( Identificar quais seriam, suas funções, suas</p><p>tarefas, tempo e competências exigidas.</p><p>9.3 - Calendário de execução (Incluir as etapas de aprovação do dossier às</p><p>diferentes estâncias de análise e aprovação, de concepção e produção do material.</p><p>9.4 - Orçamento</p><p>40</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>GUIA PARA ELABORAÇÃO DE UMA PROPOSTA DE CURSO ATRAVÉS DA</p><p>EAD</p><p>(resumido)</p><p>1. 0 - Diagnóstico</p><p>2.0 - Definição do curso</p><p>• para que</p><p>• para quando</p><p>3.0 - Descrição do perfil profissional</p><p>• entrada (de Alunos e dos professores que irão atuar no curso)</p><p>• saída (conhecimentos, interesses, necessidades tanto a nível</p><p>pessoal como para atender à demanda do mercado de trabalho)</p><p>4.0 - População/Clientela</p><p>41</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO DE UM CURSO</p><p>1. Dossiê preliminar</p><p>2. Dossiê de apresentação</p><p>3. Objetivos pedagógicos - Plano de curso</p><p>4. Concepção do material</p><p>5. Revisão linguística</p><p>6. Formação dos Tutores</p><p>7. Pré-teste</p><p>8. Revisão e correção</p><p>9. Concepção gráfica</p><p>10. Produção</p><p>11. Difusão</p><p>• características sociais, econômicas, geográficas</p><p>• para que atingi - la</p><p>5.0 - Elementos Curriculares</p><p>• Curso orientado ( conteúdos teóricos e práticos, metodologias)</p><p>• Meios técnicos e econômicos</p><p>6.0 - Tutoria</p><p>7.0 - Organização</p><p>• tomada de decisões</p><p>• distribuição do trabalho</p><p>• programa de trabalho</p><p>• Sistema de comunicação</p><p>8.0 - Cronograma</p><p>9.0 - Orçamento</p><p>42</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>12.</p><p>13.</p><p>Implementação</p><p>Avaliação</p><p>43</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALONSO, K. Morosov; NEDER, Maria L. Cavalli e PRETI, Oreste. Licenciatura Plena</p><p>em Educação Básica: 1ª a 4ª séries do 1º grau, através da modalidade de Educação</p><p>a Distância. Cuiabá: IE/UFMT, 1993.</p><p>ARRUDA, Maricília C. C. de e PRETI, Oreste. Proposta de Política em Educação a</p><p>Distância. Cáceres - MT, Iº Congresso da UNEMAT, abril de 1996.</p><p>BRULOTTE, R. Aspectos económicos de la Formación a Distancia. Formación a</p><p>Distancia - 2e Cycle - Documento de Referencia. Sainte-Foy: Télé-université du</p><p>Québec, s/n.</p><p>MAROTO, Maria Lutgarda Mata. Educação a Distância: aspectos conceituais. CEAD,</p><p>ano 2, nº 08 - jul/set. 1995. SENAI-DR/Rio de Janeiro.</p><p>MARTINS, Onilza B. A Educação Superior a Distância e a democratização do saber.</p><p>Petrópolis: Vozes,1991.</p><p>PRETI, Oreste e ARRUDA, Maricília C. C. de. Licenciatura Plena em Educação</p><p>Básica: 1ª a 4ª séries do 1º grau, através da modalidade de Educação a Distância:</p><p>uma alternativa social e pedagógica. Cuiabá: NEA/UFMT, 1995 (mimeo).</p><p>PRETI, Oreste e SATO, Michéle. Educação Ambiental a Distância. Cuiabá: UFMT,</p><p>1996 (Documento base para o Workshop “Saúde e Ambiente no Contexto da</p><p>Educação a Distância - Projeto EISA).</p><p>SENASTIÁN RAMOS, Araceli. Las funciones docentes del profesor de la UNED:</p><p>programación y evaluación. Madrid: ICE/UNED, 1990.</p><p>SERRANO, Gloria Pérez. El profesor-tutor. Perspectiva humana de la Educación a</p><p>Distancia. Revista Iberoamericana de Educación Superior a Distancia, VI (2), feb.</p><p>1994:67-95.</p><p>de atender às necessidades massivas, diversificadas e dinâmicas de educação e</p><p>formação de adultos. Por outro lado, o aumento de atendimento instrucional e as</p><p>mudanças nos aspectos pedagógicos e tecnológicos implicariam o consequente</p><p>aumento de custos, sobretudo nos níveis médio e superior.</p><p>Como atender às demandas crescentes por formação e atualização de</p><p>conhecimentos e práticas profissionais, diante da situação de crise financeira que</p><p>atravessam os países em desenvolvimento, como o nosso, com reflexo imediato nas</p><p>instituições de ensino superior?</p><p>O século XX encontrou na Educação a Distância /EAD uma alternativa, uma</p><p>opção às exigências sociais e pedagógicas, contando com o apoio dos avanços das</p><p>novas tecnologias da informação e da comunicação. A EAD passou a ocupar uma</p><p>posição instrumental estratégica para satisfazer as amplas e diversificadas</p><p>necessidades de qualificação das pessoas adultas.</p><p>A EAD no contexto mundial e no Brasil</p><p>Experiências educativas as distâncias já</p><p>existiram no final do século XVIIIº, se</p><p>desenvolveram com êxito a partir da segunda</p><p>metade do séc. XIX, para qualificação e</p><p>especialização de mão-de-obra face às novas</p><p>demandas da nascente industrialização, da</p><p>mecanização e divisão dos processos de</p><p>trabalho. Alcançaram uma rápida expansão no</p><p>séc. XX, sobretudo a nível de estudos</p><p>superiores. Porém, é a partir da década de 60 e 70, “num momento de expansão</p><p>econômica e de entusiasmo dos governos em relação à educação” (MEDIANO,</p><p>1988:46) e devido aos graves problemas enfrentados pelo sistema formal de educação</p><p>(monopolista, fechado, ritualista, expulsador e de exclusão), ao processo de</p><p>democratização da sociedade e ao desenvolvimento das técnicas de comunicação,</p><p>6</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>que se vem caminhando, de maneira mais rápida e expansiva, para novas formas,</p><p>abertas, de educação:</p><p>“Em mais de 80 países do mundo o ensino a distância vem sendo empregado</p><p>em todos os níveis educativos, desde o primeiro grau até a pós-graduação, assim</p><p>como também na educação permanente” (LISSEANU, 1988: 70).</p><p>Na Europa, são oferecidos mais de 700 programas de diferentes níveis, nos</p><p>mais variados campos do saber. Segundo o Conselho Internacional de Ensino a</p><p>Distância /CIED, em 1988, mais de 10 milhões de estudantes acompanhavam seus</p><p>cursos a Distância (apud KAYE, 1988:57) e, em nível superior e de pós-graduação,</p><p>essa formação é reconhecida legal e socialmente (IBAÑEZ, 1989). A universidade de</p><p>Hagen (Alemanha) e a Open University são reconhecidas internacionalmente e</p><p>caracterizadas pela excelência de seus cursos. Nos países socialistas do Leste</p><p>europeu desenvolveu-se uma política coerente para assegurar a formação dos</p><p>trabalhadores. Somente na Rússia, 2.500.000 estudantes (mais da metade dos</p><p>inscritos nas universidades) estudavam a distância antes da ruptura do bloco</p><p>socialista.</p><p>O Parlamento Europeu reconheceu a importância da EAD para a Comunidade</p><p>Europeia ao adotar uma Resolução sobre as Universidades Abertas (10/07/87) e ao</p><p>desenvolver diversos programas comunitários, a partir de 1991, utilizando a</p><p>modalidade da EAD. É o caso dos programas Sócrates, Leonardo da Vinci e ADAPT</p><p>(do Fundo Social Europeu).</p><p>Na China, a televisão cultural universitária, desde 1977, oferece cursos a</p><p>distância, enquanto na África os programas educativos a distância ainda são</p><p>incipientes, face às limitações de recursos econômicos. A Austrália, por outro lado, é</p><p>o país que mais desenvolve programas a distância integrados com as universidades</p><p>presenciais.</p><p>Na América Latina há países tomando a iniciativa de consolidação e</p><p>institucionalização de programas de EAD, como a Universidad Nacional Abierta de</p><p>Venezuela, a Universidad Estatal a Distância de Costa Rica e o Sistema de Educación</p><p>Abierto y a Distância de Colombia. No Brasil, a EAD começa a ser posta como uma</p><p>alternativa já “possível e viável” para solucionar a “falta” de instrução e educação da</p><p>maioria da população adulta e trabalhadora.</p><p>7</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Porém, a expansão quantitativa (mais alunos e mais instituições) foi sempre</p><p>acompanhada pela busca do incremento qualitativo. Existe toda uma gama variada de</p><p>estudos e pesquisas sobre as experiências de EAD no mundo que vêm apontando ser</p><p>esta uma modalidade de educação eficaz para atender não somente à população que,</p><p>embora não o seja legalmente, na prática é excluída do ensino presencial, como</p><p>também a todos os cidadãos que em algum momento de sua vida ativa necessitam de</p><p>formações distintas ou pretendem ter acesso a uma educação continuada e</p><p>permanente. A EAD, pois, oferece serviços educativos aos quais não tiveram acesso</p><p>diversos setores ou grupos da população, por inúmeros motivos, tais como:</p><p>localização geográfica ou situação social, falta de oferta de determinados níveis ou</p><p>cursos na região onde moram ou ainda questões pessoais familiares ou econômicas,</p><p>que impossibilitavam o acesso ou continuidade do processo educativo.</p><p>A educação a distância é, pois, uma modalidade não-tradicional, típica da era</p><p>industrial e tecnológica, cobrindo distintas formas de ensino-aprendizagem, dispondo</p><p>de métodos, técnicas e recursos, postos à disposição da sociedade. A maioria de seus</p><p>alunos apresenta características particulares, tais como: são adultos inseridos no</p><p>mercado de trabalho, residem em locais distantes dos núcleos de ensino, não</p><p>conseguiram aprovação em cursos regulares, são bastante heterogêneos e com</p><p>pouco tempo para estudar no ensino presencial. Esses estudantes buscam essa</p><p>modalidade porque nela encontram facilidade para planejar seus programas de estudo</p><p>e avaliar o progresso realizado, e até mesmo porque preferem estudar a sós do que</p><p>em classes numerosas.</p><p>A eficácia da Educação a Distância está, hoje, inegavelmente comprovada, o</p><p>que não significa falta de questionamentos e estudos contínuos sobre essa</p><p>modalidade. Há uma significativa produção internacional que aponta aspectos</p><p>positivos e negativos referentes ao sistema. O importante é que se conceba a</p><p>Educação a Distância como um sistema que pode possibilitar atendimento de</p><p>qualidade, acesso ao ensino de 3o grau, além de se constituir em forma de</p><p>democratização do saber.</p><p>Em muitos países já ganhou seu espaço de atuação, reconhecida pela sua</p><p>qualidade e inovações metodológicas e considerada como a educação do futuro, da</p><p>sociedade mediatizada pelos processos informativos.</p><p>8</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>No Brasil, com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923,</p><p>por um grupo de membros da Academia Brasileira de Ciências, doada posteriormente,</p><p>em 1936, ao Ministério da Educação e Saúde, BORDENAVE (1987) localiza as raízes</p><p>da Educação a Distância, da Teleducação. Porém, será somente na década de 60 que</p><p>ela tomará vulto e expressão significativa, visto que em 1965 começou a funcionar</p><p>uma Comissão para Estudos e Planejamento da Radiodifusão Educativa que acabou</p><p>criando, em 1972, o Programa Nacional de Teleducação (PRONTEL), com o objetivo</p><p>de integrar todas as atividades educativas dos meios de comunicação com a Política</p><p>Nacional de Educação. Posteriormente, em 1972, o governo federal criaria a</p><p>Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa que, em 1981, passaria a se</p><p>denominar FUNTEVE e que viria fortalecer o Sistema Nacional de Radiodifusão</p><p>Educativa (SINREAD) colocando no ar programas educativos, em parceria com</p><p>diversas rádio educativas e canais de Televisão. Paralelamente ao caminho</p><p>percorrido pelo governo federal, encontramos instituições privadas ou governos</p><p>estaduais ousando projetos educativos próprios, utilizando-se da modalidade de</p><p>Educação a Distância. Vejamos alguns, que tiveram significado</p><p>histórico particular</p><p>quanto à modalidade.</p><p>• Em 1956, a diocese de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, tendo</p><p>como referência a experiência da Rádio Sutalenza (Colômbia) iniciou o Movimento de</p><p>Educação de Base (MEB), "o maior sistema de educação a distância não formal até</p><p>agora desenvolvido no Brasil" (BORDENAVE, 1987:57).</p><p>• Em 1967, o governo do Estado do Maranhão, na tentativa de resolver os</p><p>graves problemas educacionais diagnosticados, decidiu utilizar a TV Educativa e</p><p>através do Centro Educativo do Maranhão, em 1969, começou a emitir programas, em</p><p>circuito fechado, para alunos das 5ª a 8º séries.</p><p>• A TVE do Ceará, nesta mesma época, também desenvolveria o</p><p>programa TV Escolar, para atender a alunos da 5ª a 6ª séries das regiões mais</p><p>interioranas, onde estas séries terminais do 1º grau inexistiam.</p><p>• O Estado da Bahia, em 1969, negando-se a participar do projeto nacional</p><p>MINERVA, fundou o Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia (IRDEB), que</p><p>passaria a oferecer, até 1977, uma variedade de programas (pré-escolar, 1º e 2º graus</p><p>e formação de professores), aproveitando-se da experiência dos MEBs.</p><p>9</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>• A Fundação Brasileira de Educação (FUBRAE), em acordo com o MEC,</p><p>criou, em 1965, o Centro de Ensino Técnico de Brasília (CETEB), com a finalidade de</p><p>formar e treinar recursos humanos. Mas somente a partir de 1973 é que passaria</p><p>oferecer seus cursos utilizando-se da modalidade a Distância.</p><p>• A FUBRAE também criou o Centro Educacional de Niterói (CEN), que</p><p>atuaria mais no Estado do Rio de Janeiro, oferecendo cursos a nível de 1º e 2º graus</p><p>a alunos fora da faixa etária regular para frequentar tais cursos.</p><p>• A Fundação Padre Anchieta, uma organização criada em 1967 e mantida</p><p>pelo Governo do Estado de S. Paulo, deu início, em 1969, a atividades educativas e</p><p>culturais junto a populações faveladas e a diversos tipos de coletividades organizadas</p><p>e, ainda, a secretarias municipais de educação, utilizando-se de repetidoras para</p><p>atingir milhões de habitantes.</p><p>• Em 1967, a Fundação Educacional Padre Landall de Moura, uma</p><p>instituição privada instalada na cidade de Porto Alegre, também iniciou programas de</p><p>educação de adultos, através de teleducação multimeios. Destacou-se o Programa de</p><p>Teleextensão Rural, desenvolvido na Amazônia, em parceria com a EMATER.</p><p>• Em 1978, a Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) e a Fundação</p><p>Roberto Marinho (TV Globo) lançaram o Telecurso de 2º Grau, combinando</p><p>programas televisivos com material impresso vendido nas bancas de jornais.</p><p>• A Associação Brasileira de Tecnologia Educacional, fundada em 1971</p><p>com o nome de Associação Brasileira de Teleducação, também vem dando sua</p><p>contribuição na difusão do significado e da importância da Educação a Distância no</p><p>país, organizando Seminários Brasileiros e publicando a revista Tecnologia</p><p>Educacional.</p><p>Durante a ditadura militar o Governo Federal iria implementar programas, a</p><p>nível nacional, para atender a demandas emergenciais. Vejamos sumariamente:</p><p>• O Projeto Minerva, composto por diversos cursos (Capacitação Ginasial,</p><p>Madureza Ginasial, Curso Supletivo de Iº Grau) transmitidos, desde 1970, em cadeia</p><p>nacional por emissoras de rádio.</p><p>• O Curso João da Silva, com formato de telenovela, voltado para o ensino</p><p>das quatro primeiras séries e que se desdobraria no Projeto Conquista, também com</p><p>10</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>formato de telenovela, voltado para as últimas séries do 1º grau. Foi uma inovação</p><p>pioneira no Brasil e no mundo. (BORDENAVE, 1987:64)</p><p>• O Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) também acabou</p><p>utilizando, em caráter experimental, a partir de 1979, os recursos da TVE para emitir</p><p>60 programas em forma de teleaula dramatizada, com duração de 20 minutos cada</p><p>um e eram apoiados por material impresso.</p><p>• O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em 1973, iniciou,</p><p>em caráter experimental no estado do Rio Grande do Norte, o Projeto SACI (Sistema</p><p>Avançado de Comunicações Interdisciplinares) com o objetivo de estabelecer um</p><p>sistema nacional de teleducação via satélite. Voltado para as primeiras três séries do</p><p>1º grau foi, porém, logo abandonado.</p><p>• O Programa LOGOS que, em 13 anos de existência (1977 a 1991),</p><p>atendeu a cerca de 50.000 professores, qualificando aproximadamente 35.000 em 17</p><p>estados brasileiros. Em 1990 foi desativado e substituído pelo Programa de</p><p>Valorização do Magistério que começou a funcionar somente em 1992, seguindo o</p><p>mesmo formato do Logos e atendendo a professores desde sua formação para as</p><p>séries iniciais até à formação específica para o Magistério.</p><p>• POSGRAD (Pós-graduação Tutorial a Distância), implantado em caráter</p><p>experimental (1979-83) pela Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino</p><p>Superior (CAPES-MEC), mas administrado pela Associação Brasileira de Tecnologia</p><p>Educacional (ABT). Seus resultados foram positivos, mas o MEC, sem explicações</p><p>plausíveis, não daria continuidade.</p><p>• A Universidade de Brasília, através de seu Centro de Educação a</p><p>Distância (CEAD), vem desde 1980 oferecendo cursos de educação continuada.</p><p>• Mais recentemente os Programas Um Salto para o Futuro, uma iniciativa</p><p>do governo federal em parceria com a Fundação Roquette Pinto (1991) e o Telecurso</p><p>2000, em parceria com a Fundação Roberto Marinho (1995).</p><p>A ideia de institucionalização das estruturas organizacionais vem se fazendo</p><p>presente nas discussões sobre a EAD no país. Em 1986 houve a iniciativa de se criar</p><p>uma comissão de especialistas do MEC e Conselho Federal de Educação, para a</p><p>viabilização de propostas em torno da Universidade Aberta. Esta comissão foi</p><p>coordenada pelo conselheiro Arnaldo Niskier e produziu um documento denominado</p><p>11</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Ensino a Distância uma opção - proposta do Conselho Federal de Educação, onde a</p><p>modalidade é tida como uma alternativa viável à democratização das oportunidades</p><p>educacionais no país, compreendendo a democratização como acesso, permanência</p><p>e qualidade de ensino.</p><p>Apesar de resultados quantitativos “aparentemente” positivos de muitos</p><p>programas implementados nestes últimos 20 anos, a maioria deles foi desativada com</p><p>as mudanças de governos que não deram continuidade e estabilidade aos programas</p><p>iniciados. Sua ineficácia, porém, se deveu muito à desatualização dos materiais</p><p>didáticos, à falta de um atendimento sistematizado aos alunos, ao não</p><p>desenvolvimento de sistemas de avaliação da formação oferecida e à não</p><p>consideração das diferenças regionais, por serem, quase sempre, impostos de cima</p><p>para baixo.</p><p>Existe também uma não credibilidade quanto ao produto desta modalidade,</p><p>quanto a sua seriedade, a sua eficiência e eficácia, diante do entendimento de que</p><p>nos países do terceiro mundo não existe uma “cultura de autodidatismo”. Há um certo</p><p>"pré-conceito" difuso em relação a EAD. Resistências e não compreensão clara e</p><p>exata do que seja Educação a Distância são encontradas no seio das próprias</p><p>universidades.</p><p>O que se percebe é uma grande diversidade de propostas, cujo sentido é de</p><p>responder a problemas específicos. Esta forma de se pensar a EAD tem excluído</p><p>sistematicamente a ideia de criação de sistemas de EAD em caráter permanente que</p><p>pudessem atender a projetos e programas diferenciados. Ou seja, para cada um dos</p><p>projetos e programas são criadas "estruturas" organizacionais que não subsistem à</p><p>revisão ou à finalização das propostas de formação. Este é um problema que poderá</p><p>ser "solucionado" à medida em que instituições "assumam" a coordenação e o</p><p>desenvolvimento de propostas.</p><p>Neste momento existem duas</p><p>propostas concretas quanto a utilização da EAD</p><p>no âmbito das Universidades. A primeira se refere à nova Lei de Diretrizes e Bases</p><p>que incentiva a criação de sistemas cuja base seja o ensino individualizado. A segunda</p><p>proposta diz respeito ao Consórcio Interuniversitário de Educação Continuada e a</p><p>Distância / BRASILEAD, que vem se consolidando, desde novembro de 1993, quando</p><p>da assinatura do Convênio entre o MEC e as Universidades Públicas Brasileiras, com</p><p>o objetivo de implantar um sistema público de EAD.</p><p>12</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Há hoje consenso entre as universidades brasileiras quanto à necessidade de</p><p>criação de alternativas de atendimento a um contingente expressivo da população que</p><p>ainda não tem acesso ao ensino de 3º grau. Novas formas devem ser pensadas e</p><p>implementadas urgentemente, conforme as possibilidades e demandas regionais,</p><p>expandindo sua ação e buscando uma maior atuação sem que isto acarrete perda de</p><p>qualidade.</p><p>Conceitos e características</p><p>Diversas são as denominações e as conceptualizações que encontramos</p><p>relacionadas com essa modalidade. Fala-se, frequentemente, em Ensino a Distância</p><p>e Educação a Distância como se fossem sinônimos, expressando um processo de</p><p>ensino aprendizagem. Ensino representa instrução, socialização de informação,</p><p>aprendizagem, etc., enquanto Educação é “estratégia básica de formação humana,</p><p>aprender a aprender, saber pensar, criar, inovar, construir conhecimento, participar,</p><p>Educação a Distância</p><p>Mas o que é Educação a Distância? O que caracteriza e diferencia esta</p><p>modalidade de outras? Como ela se estrutura e funciona?</p><p>13</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>etc.” (MAROTO, 1995). É nesta segunda acepção que pretendemos discutir o</p><p>significado e as dimensões que abarcam a EAD.</p><p>A situação sócio-econômico-cultural dos países da América Latina, marcada</p><p>pelas desigualdades sociais, contrasta com as mudanças tecnológicas e as exigências</p><p>de qualificação no mundo de trabalho. Por exemplo, frente ao aumento de usuários</p><p>dos meios de comunicação cresce, paradoxalmente, o número de analfabetos,</p><p>acentua-se a “desigualdade” entre os que têm formação muito especializada e os que</p><p>se encontram cada vez mais desqualificados para atender às exigências da sociedade</p><p>atual.</p><p>A EAD, enquanto prática educativa, deve considerar esta realidade e</p><p>comprometer-se com os processos de libertação do homem em direção a uma</p><p>sociedade mais justa, solidária e igualitária. Enquanto prática mediatizada, deve</p><p>fazer recurso à tecnologia, entendida como “um processo lógico de planejamento,</p><p>como um modo de pensar os currículos, os métodos, os procedimentos, a avaliação,</p><p>os meios, na busca de tornar possível o ato educativo” (MAROTO, 1995). Exige-se,</p><p>pois, uma organização de apoio institucional e uma mediação pedagógica que</p><p>garantam as condições necessárias à efetivação do ato educativo.</p><p>Para Lorenzo GARCÍA ARETIO (1995), a EAD distingue-se da modalidade de</p><p>ensino presencial por ser “um sistema tecnológico de comunicação bidirecional que</p><p>pode ser massivo e que substitue a interação pessoal na sala de aula entre professor</p><p>e aluno como meio preferencial de ensino pela ação sistemática e conjunta de diversos</p><p>recursos didáticos e o apoio de uma organização e tutoria que propiciam uma</p><p>aprendizagem independente e flexível”.</p><p>São, pois, elementos constitutivos da Educação a Distância:</p><p>* a “distância” física professor-aluno: a presença física do professor ou do</p><p>autor, isto é do interlocutor, da pessoa com quem o estudante vai dialogar não é</p><p>necessária e indispensável para que se dê a aprendizagem. Ela se dá de outra</p><p>maneira, “virtualmente”;</p><p>* de estudo individualizado e independente: reconhece-se a capacidade</p><p>do estudante de construir seu caminho, seu conhecimento por ele mesmo, de se tornar</p><p>autodidata, ator e autor de suas práticas e reflexões;</p><p>14</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>* um processo de ensino-aprendizagem mediatizado: a EAD deve</p><p>oferecer suportes e estruturar um sistema que viabilizem e incentivem a autônomia</p><p>dos estudantes nos processos de aprendizagem. E isso acontece</p><p>“predominantemente através do tratamento dado aos conteúdos e formas de</p><p>expressão mediatizados pelos materiais didáticos, meios tecnológicos, sistema de</p><p>tutoria e de avaliação” (MAROTO, 1995);</p><p>* o uso de tecnologias: os recursos técnicos de comunicação, que hoje</p><p>têm alcançado um avanço espetacular (correio, rádio, TV, audiocassette, hipermídia</p><p>interativa, Internet), permitem romper com as barreiras das distâncias, das</p><p>dificuldades de acesso à educação e dos problemas de aprendizagem por parte dos</p><p>alunos que estudam individualmente, mas não isolados e sozinhos. Oferecem</p><p>possibilidades de se estimular e motivar o estudante, de armazenamento e divulgação</p><p>de dados, de acesso às informações mais distantes e com uma rapidez incrível;</p><p>* a comunicação bidirecional: o estudante não é mero receptor de</p><p>informações, de mensagens; apesar da distância, busca-se estabelecer relações</p><p>dialogais, criativas, críticas e participativas.</p><p>A essência, pois, da EAD é a relação educativa entre o estudante e o professor</p><p>que não é direta, mas “mediada e mediata” (SEBASTIÁN RAMOS, 1990:22), pois se</p><p>vale de meios diversos e diferentes da explicação e a relação cara a cara, que se</p><p>realiza em momentos e lugares diferentes da presencial, fazendo uso de uma</p><p>organização de apoio.</p><p>São suas características:</p><p>* a abertura: uma diversidade e amplitude de oferta de cursos, com a</p><p>eliminação do maior número de barreira e requisitos de acesso, atendendo a uma</p><p>população numerosa e dispersa, com níveis e estilos de aprendizagem diferenciados,</p><p>para atender à complexidade da sociedade moderna;</p><p>* a flexibilidade: de espaço, de assistência e tempo, de ritmos de</p><p>aprendizagem, com distintos itinerários formativos que permitam diferentes entradas</p><p>e saídas e a combinação trabalho/estudo/família, favorecendo, assim, a permanência</p><p>em seu entorno familiar e laboral;</p><p>15</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>* a adaptação: atendendo às características psicopedagógicas de alunos</p><p>que são adultos; * a eficácia: o estudante, estimulado a se tornar sujeito de sua</p><p>aprendizagem, a aplicar o que está apreendendo e a se autoavaliar, recebe um</p><p>suporte pedagógico, administrativo, cognitivo e afetivo, através da integração dos</p><p>meios e uma comunicação bidirecional;</p><p>* a formação permanente: há uma grande demanda, no campo</p><p>profissional e pessoal, para dar continuidade à formação recebida “formalmente” e</p><p>adquirir novas atitudes, valores, interesses, etc.</p><p>* a economia: evita o deslocamento, o abandono do local de trabalho, a</p><p>formação de pequenas turmas e permite uma economia de escala.</p><p>A EAD é, pois, uma alternativa pedagógica de grande alcance e que deve</p><p>utilizar e incorporar as novas tecnologias como meio para alcançar os objetivos das</p><p>práticas educativas implementadas, tendo sempre em vista as concepções de homem</p><p>e sociedade assumidas e considerando as necessidades das populações a que se</p><p>pretende servir.</p><p>A EAD coloca-se, então, como um conjunto de métodos, técnicas e recursos,</p><p>postos à disposição de populações estudantis dotadas de um mínimo de maturidade</p><p>e de motivação suficiente, para que, em regime de auto-aprendizagem, possam</p><p>adquirir conhecimentos ou qualificações a qualquer nível. A EAD cobre distintas</p><p>formas de ensino aprendizagem em todos os níveis que não tenha a continua</p><p>supervisão imediata de professores presentes com seus alunos na sala de aula, mas</p><p>que, no entanto, se beneficiam do planejamento, guia, acompanhamento</p><p>e avaliação</p><p>de uma organização educacional.</p><p>A Educação a Distância, porém, não deve ser simplesmente confundida com o</p><p>instrumental, com as tecnologias a que recorre. Deve ser compreendida como uma</p><p>prática educativa situada e mediatizada, uma modalidade de se fazer educação,</p><p>de se democratizar o conhecimento. É, portanto, uma alternativa pedagógica que</p><p>se coloca hoje ao educador que tem uma prática fundamentada em uma racionalidade</p><p>ética, solidária e compromissada com as mudanças sociais.</p><p>16</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Componentes da organização do sistema em EAD</p><p>Pensar na formação do profissional, do trabalhador para atender às novas</p><p>formas de organização do trabalho no atual processo de globalização da economia,</p><p>pensar fazê-la recorrendo a uma nova modalidade de educação é pensar também em</p><p>novo tipo de educador que vai atuar a distância. Formados em sistemas educativos</p><p>convencionais, devemos ser preparados para desempenhar funções outras dentro do</p><p>sistema de EAD.</p><p>“/ / espera-se do professor uma atuação técnica, ligada ao desenho dos cursos</p><p>e a sua avaliação; uma atividade orientadora, capaz de estimular, motivar e ajudar o</p><p>aluno, além de estimulá-lo à responsabilidade e à autonomia; um comportamento</p><p>facilitador do êxito e não meramente controlador e sancionador da aprendizagem</p><p>alcançada, e a utilização eficaz de todos os meios para a informação e o ensino”</p><p>(SEBASTIÁN RAMOS, 1990:31).</p><p>Para tal, este “novo educador” deverá conhecer as características,</p><p>necessidades e demandas do alunado, formar-se nas técnicas específicas do modelo</p><p>a distância, desenvolver atitudes orientadoras e de respeito à personalidade dos</p><p>estudantes e dar-se conta de que sua função é formar alunos adultos para uma</p><p>realidade cultural e técnica em constante transformação. E isso só será possível se</p><p>toda a equipe envolvida no processo de EAD reconhecer suas limitações, estiver</p><p>aberta ao diálogo e disposta a construir caminhos, reconhecendo falhas e desvios. O</p><p>17</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>trabalho cooperativo, portanto, será a base da construção deste novo educador e da</p><p>consolidação dos trabalhos e experiências em EAD. Mas, a partir dos caminhos</p><p>percorridos por instituições, que há décadas vêm desenvolvendo programas a</p><p>distância, pontos de referências e parâmetros podem ser extraídos e utilizados por</p><p>quem vai “ousar” nesta modalidade.</p><p>A EAD, pois, faz recurso a suportes administrativo, pedagógico, cognitivo, meta</p><p>cognitivo, afetivo e motivacional que propiciam um clima de auto-aprendizagem</p><p>(aliás, ninguém aprende por nós!) e oferecem um ensino de qualidade. São suportes</p><p>que interagem, se influenciam reciprocamente e se completam, dando ao processo</p><p>ensino aprendizagem o senso e a direção na formação do cursista como cidadão que</p><p>atua nos mais diferentes campos onde se situa (profissional, familiar, social, religioso,</p><p>etc.).</p><p>Para que uma universidade ofereça um saber atualizado (filtrando o mais válido</p><p>das recentes produções científicas), dando prioridade aos conhecimentos</p><p>instrumentais (“aprender a aprender”), visando uma educação permanente do cidadão</p><p>e estando compromissada com o meio circundante, torna-se necessária uma</p><p>organização, em EAD, que atente e atenda a todos os componentes:</p><p>O aluno: que é um adulto que irá aprender a distância;</p><p>Os professores especialistas: cada um responsável por seu curso ou</p><p>disciplina, à disposição de alunos e tutores;</p><p>Os tutores: que poderão ser ou não especialistas daquela disciplina ou</p><p>área de conhecimento, com a função de acompanhar e apoiar os</p><p>estudantes em sua caminhada; O material didático: o elo de diálogo do</p><p>estudante com o autor, com o professor , com suas experiências, com</p><p>sua vida mediando seu processo de aprendizagem;</p><p>O Centro de Educação a Distância \ CEAD: composto por uma equipe</p><p>de especialistas em EAD, Tecnologia Educacional, Comunicação e</p><p>Multimídia, para oferecer todos os suportes necessários ao</p><p>funcionamento do sistema de EAD.</p><p>Para tal, teve estar presente constantemente:</p><p>18</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>A comunicação: que deverá ser bidirecional, com diferentes modalidades e vias</p><p>de acesso. A comunicação multimídia, com diversos meio e linguagens, exige, como</p><p>qualquer aprendizagem, uma implicação consciente do aluno, uma intencionalidade,</p><p>uma atitude adequada, as destrezas e conhecimentos prévios necessários, etc. Os</p><p>materiais utilizados também devem estar adequados aos interesses, necessidades e</p><p>nível dos alunos. Esta capacidade de adaptação aos interesses dos alunos é uma das</p><p>caracterísitcas dos recursos multimeios interativos bem desenhados. Ainda que a</p><p>comunicação multimídia favoreça a aprendizagem, ela não a garante. A comunicação</p><p>multimídia se produz entre o mediador (professor, orientador acadêmico, tutor, autor)</p><p>e o aluno com a ajuda dos diversos meios e diversas linguagens, embora seu principal</p><p>meio seja ainda a escrita. É necessário que o mediador conheça as novas tecnologias</p><p>para direcionar sua utilização e aplicabilidade em seu trabalho diário, junto aos seus</p><p>alunos.</p><p>A estrutura organizativa, composta por: concepção e produção de materiais</p><p>didáticos, distribuição dos mesmos, direção da comunicação, condução do processo</p><p>de aprendizagem e de avaliação, centros ou unidades de apoio.</p><p>A organização de um sistema de Educação à Distância é mais complexa, às</p><p>vezes, que um sistema tradicional presencial, visto que exige não só a preparação de</p><p>material didático específico, mas também a integração de "multi-meios" e a presença</p><p>de especialistas nesta modalidade. O sistema de acompanhamento e avaliação do</p><p>aluno requer, também, um tratamento especial. Isso significa um atendimento de</p><p>expressiva qualidade. Apesar das dificuldades na organização desse sistema, os</p><p>resultados já conhecidos de experiências realizadas incentivam aqueles, que ainda</p><p>não o desenvolvem, a fazê-lo.</p><p>Através da figura nº 1, talvez, seja mais fácil visualizar como esses</p><p>componentes se a EAD, portanto, como modalidade, pressupõe a otimização e</p><p>intensificação não só do atendimento aos alunos, mas também dos recursos</p><p>disponíveis para ampliação de ofertas de vagas, sem que isto represente a instalação</p><p>de grandes estruturas físicas e organizacionais. Esta otimização de recursos</p><p>humanos e financeiros, com a consequente relação baixa de custos-benefícios, talvez</p><p>19</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>seja o aspecto que mais interessa a administradores e governantes e faça com que</p><p>apoiem experiências em Educação a Distância.</p><p>No entanto, não deverá ser pensada como algo à parte da organização de</p><p>ensino, é necessário que se compreenda que Educação a Distância é educação</p><p>permanente, contínua e que, dada a sua característica, se faz imprescindível a</p><p>organização de um sistema que ofereça ao aluno as condições para que o mesmo</p><p>efetue sua formação.</p><p>Estrutura e Organização de cursos em EAD</p><p>Os cursos, tanto a nível de graduação, pós-graduação lato sensu e/ou stricto</p><p>sensu como cursos de aperfeiçoamento, reciclagem, etc. podem ser oferecidos à</p><p>comunidade utilizando-se a modalidade de EAD.</p><p>Como fazer isto? Que critérios utilizar e quais os passos a serem seguidos?</p><p>Definição dos cursos</p><p>Inicialmente, a instituição, através de seus departamentos, centros, faculdades</p><p>ou institutos tem que se colocar algumas questões básicas: quais são as reais</p><p>necessidades sentidas na região ou no estado no sentido de formação de profissionais</p><p>em diferentes áreas? Para que oferecer cursos formativos /profissionais? Qual a</p><p>função da instituição junto ao</p><p>seu entorno?</p><p>Esta problematização deverá ser posta a nível da direção da instituição e das</p><p>diferentes equipes que coordenam cursos de graduação e pós-graduação. Uma</p><p>comissão composta por representantes destes setores, a partir de pesquisas de</p><p>mercado, de diagnóstico e de solicitações advindas externamente, analisará e decidirá</p><p>que cursos oferecer.</p><p>Mencionaremos aqui, alguns aspectos a serem considerados neste processo</p><p>de definições.</p><p>A - “Clientela”</p><p>20</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Através de um diagnóstico junto a empresas, a entidades de classes</p><p>organizadas, a centros educativos, a secretarias e órgãos públicos e à comunidade</p><p>poderão ser detectadas áreas onde urge uma atuação da instituição a distância no</p><p>sentido de qualificar profissionalmente contingentes expressivos de trabalhadores que</p><p>atuam sem a devida preparação ou com uma qualificação deficiente.</p><p>B - Viabilidade econômica e significância social</p><p>Para que esta modalidade se viabilize economicamente e faça sentido</p><p>socialmente é importante oferecer cursos em áreas onde há potencialmente uma</p><p>grande demanda e uma aceitação expressiva. Que sejam, portanto, cursos com uma</p><p>certa significância e viabilidade.</p><p>C - Perfil dos candidatos</p><p>O diagnóstico permitirá, além de identificar qual a “clientela” a ser atingida,</p><p>definir o perfil profissional de referência do candidato, para que este possa ter,</p><p>posteriormente, uma ação e intervenção em seu respectivo campo de trabalho que</p><p>atenda tanto a seus interesses particulares como aos de sua instituição ou empresa e</p><p>às necessidades sociais do seu entorno.</p><p>D - Princípios de abordagem</p><p>Os cursos a serem propostos para desenvolvimento do formação do</p><p>profissional terão que considerar duas dimensões:</p><p>- Dimensão epistemológica: relativa ao desenvolvimento do pensamento</p><p>científico, para que o profissional possa lançar mão de um “esquema conceitual”</p><p>(paradigmático), entendido como uma lógica reconstituída ou maneira de ver, decifrar</p><p>e analisar a realidade na qual está inserido e sobre a qual sua ação interfere;</p><p>- Dimensão profissionalizante: relativa à compreensão de sua ação</p><p>educativa no seio da comunidade onde atua, estabelecendo relações e interrelações</p><p>21</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>entre os diferentes campos do saber-fazer, desenvolvendo nele habilidades para o</p><p>desempenho de sua prática.</p><p>Os cursos deverão, pois, primar por oferecer uma formação téorica e prática</p><p>sólida, no sentido de colocar no mercado especialistas preparados, cuja atuação seja</p><p>percebida e reconhecida.</p><p>E - Indicação de elementos curriculares</p><p>Os cursos desenvolverão conteúdos ligados às respectivas áreas de formação,</p><p>mas tendo como como pressuposto a indissociabilidade da relação teoria-prática dos</p><p>fundamentos, princípios e pressupostos epistemológicos, educativos e ético-políticos</p><p>implicados em seu campo de trabalho profissional.</p><p>Quanto aos aspectos formais na proposição de cada curso indicamos, em</p><p>anexo, um esquema apontando quais os elementos a serem contemplados e</p><p>trabalhados na montagem de cursos. Caberá, porém, a cada departamento definir a</p><p>estrutura curricular dos mesmos.</p><p>Desenvolvimento do curso</p><p>Aqui se coloca o desafio de conduzirmos os cursos tendo presente que se darão</p><p>dentro da modalidade de Educação a Distância e contando com uma equipe que</p><p>também estará sendo introduzida nesta nova modalidade, passando por um processo</p><p>de auto formação em Educação a Distância.</p><p>É importante que todos os passos e etapas dos cursos oferecidos sejam</p><p>planejados pela equipe de coordenação com antecedência e que os alunos sejam</p><p>informados desde o início de seu percurso (Fig. 02). Por isso, ao matricular-se, o</p><p>cursista receberá o material didático da primeira disciplina e o Manual do Estudante,</p><p>contendo todas as informações referentes ao curso e à modalidade. Cada disciplina</p><p>terá um primeiro momento a Distância, em que o cursista terá que ler o material</p><p>específico acompanhado por um Guia Didático e apresentar uma síntese ou</p><p>desenvolver uma atividade que evidencie a compreensão dos conteúdos e aplicação</p><p>em seu campo de atuação.</p><p>22</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Num segundo momento, presencial, discutirá o material produzido com os</p><p>colegas, sob a animação do tutor, e apontará dificuldades e/ou sugestões quanto à</p><p>disciplina e ao sistema adotado, que serão valiosas para “redimensionar” o processo</p><p>do próprio curso e fornecerão subsídios úteis à equipe pedagógica encarregada.</p><p>O cursista, durante o momento a distância, poderá entrar em contato com o</p><p>tutor utilizando o sistema de correio, fax, telefone ou Internet obedecendo um</p><p>cronograma de atendimento definido pelo próprio tutor em acordo com a coordenação</p><p>do Centro de EAD.</p><p>Caso o trabalho apresentado ou a avaliação escrita realizada presencialmente</p><p>pelo cursista não atender aos requisitos mínimos exigidos, o tutor, assessorado pelo</p><p>professor especialista, indicará ao aluno uma literatura complementar que o auxilie a</p><p>completar sua compreensão sobre o tema em estudo. Será definida outra data para</p><p>uma segunda avaliação ou, caso o cursista prefira, terá oportunidade até o final do</p><p>semestre ou do curso, para reapresentar seu trabalho, atendendo às reformulações</p><p>solicitadas, ou submeter-se a uma outra avaliação presencial. Por isso, sugere-se que</p><p>haja um espaço mínimo de 3 semanas entre o oferecimento de uma disciplina e a</p><p>seguinte para possibilitar a este cursista uma “recuperação” rápida neste espaço de</p><p>tempo, evitando assim acumular “dependências” de disciplinas ao longo do curso.</p><p>Ao final de cada disciplina, o tutor encaminhará ao professor-especialista os</p><p>resultados da avaliação e uma apreciação pessoal quanto ao material didático que</p><p>auxiliarão na revisão do mesmo. Ao final do curso, será organizado um Seminário para</p><p>uma avaliação do mesmo em todos os seus aspectos, contando com a presença do</p><p>professor-especialista.</p><p>ALUNO</p><p>• Matrícula</p><p>• Orientação inicial (manual do estudante / contato com o tutor /</p><p>Seminário)</p><p>• Aquisição do material didático</p><p>23</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Processo de Aprendizagem</p><p>Organização</p><p>As coordenações dos respectivos cursos ou institutos, contando com orientação</p><p>do Centro de EAD, desenvolverão atividades de diagnóstico das necessidades e</p><p>demandas reais existentes na região, para propor a implantação de cursos, utilizando</p><p>a modalidade de EAD. Toda a discussão referente a concepção curricular dos mesmos</p><p>se dará, porém, nos respectivos Departamentos, em consonância com as políticas e</p><p>diretrizes da Instituição.</p><p>Para a implementação e implantação desses cursos, os Departamentos</p><p>recorrerão à assessoria do Centro para discussão de sua viabilidade e a forma como</p><p>serão oferecidos. O Centro dará todo o suporte típico do sistema em EAD que se</p><p>compõe de diferentes subsistemas intercalados: a concepção, a produção e a</p><p>avaliação.</p><p>Centro de EAD</p><p>O Centro de EAD, numa instituição que atua presencialmente, poderá estar</p><p>ligado a este ou aquele órgão da instituição e, à medida que for consolidando sua</p><p>atuação e se expandindo, vir a ser um Instituto ou uma Fundação. O importante é que</p><p>goze de autonomia administrativa e financeira para poder implementar uma política de</p><p>EAD e consolidar seus projetos, sem atrelamentos a interesses particulares.</p><p>É interessante contar com uma organização administrativa, constituída por</p><p>equipes de: Coordenação Geral, Administrativa, Pedagógica, de</p><p>Professores/Especialistas e Secretaria (Fig.</p><p>03):</p><p>Coordenação Geral - responsável por integrar as diversas atividades internas</p><p>e externas, no sentido de articular e viabilizar uma política institucional em EAD e</p><p>definir operações e tomada de decisões para alcançar os objetivos fundamentais dos</p><p>24</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>cursos. Também deverá estabelecer contatos com profissionais e instituições que</p><p>atuam com EAD no Brasil e exterior, divulgar junto aos meios de comunicação cursos</p><p>e eventos relacionados com EAD na sua região como promover e organizar eventos</p><p>em EAD no Estado.</p><p>Coordenação Administrativa - responsável pelas atividades estratégicas e</p><p>operacionais, transformando planos gerais em procedimentos e métodos de trabalho,</p><p>alocando recursos disponíveis para o desenvolvimento e funcionamento dos cursos.</p><p>Será também responsável pela impressão e distribuição do material didático e de</p><p>todos os aspectos burocráticos relacionados ao percurso acadêmico dos cursistas.</p><p>Equipe Pedagógica - composta, inicialmente, por especialistas em Educação</p><p>a Distância, Tecnologia Educacional, Comunicação e Multimídia, para:</p><p>• coordenar os subsistemas de concepção, produção e avaliação dos</p><p>cursos nos processos de ensino-aprendizagem como desenvolver pesquisas que</p><p>permitam um conhecimento da realidade dos cursos e que auxiliem na</p><p>retroalimentação dos mesmos;</p><p>• junto aos demais setores da Instituição relacionados com o sistema de</p><p>EAD e autores dos materiais didáticos, promover discussões pedagógicas para que</p><p>em todas as ações a serem desenvolvidas se tenha presente a função educativa dos</p><p>cursos oferecidos;</p><p>• responsabilizar-se pela formação e acompanhamento dos Tutores;</p><p>• propiciar e dinamizar uma comunicação interativa do Centro de EAD com</p><p>os tutores, os professores-especialistas e os cursistas;</p><p>• cuidar da produção de software que dê suporte eficiente aos cursos,</p><p>possibilitando criar banco de dados;</p><p>• assessorar os professores-especialistas na escolha do material didático</p><p>ou aos autores na produção ou compilação de materiais didáticos para os cursos.</p><p>Equipe de professores-especialistas</p><p>Ao propor um curso, o departamento responsável pelo oferecimento do mesmo</p><p>formará uma equipe de Especialistas na área de conhecimento, composta por um</p><p>25</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>professor de cada uma das disciplinas do curso e que terão a responsabilidade da</p><p>escolha ou produção do material didático.</p><p>O professor-especialista receberá assessoria da Equipe Pedagógica no</p><p>processo de concepção e produção do material didático. Caberá ao especialista da</p><p>disciplina assessorar e acompanhar o trabalho dos tutores, quando do oferecimento</p><p>da mesma, e avaliar o processo ensino-aprendizagem dos alunos em parceria com os</p><p>tutores. Designados pelos respectivos departamentos, de acordo com sua</p><p>disponibilidade e suas competências, ou contratados exclusivamente para elaboração</p><p>do material didático e acompanhamento de sua disciplina no curso, os professores</p><p>especialistas ficarão ligados diretamente ao Centro de EAD, durante o oferecimento</p><p>de sua disciplina, para que este viabilize um trabalho integrado com uma base</p><p>epistemológica comum. Para tal será fundamental criar uma rede interativa para que</p><p>a Coordenação do Centro possa, a distância, manter contatos frequentes com os</p><p>especialistas e promover debates entre eles.</p><p>Secretaria - responsável por desempenhar as funções relativas ao recebimento</p><p>expedição e arquivo de correspondências relativos ao curso, organizar e manter</p><p>atualizado o arquivo relativo ao curso, executar todos os trabalhos de datilografia e</p><p>digitação necessários ao curso.</p><p>Meios Técnicos</p><p>Um dos problemas que a Educação a Distância enfrenta é o isolamento físico</p><p>e geográfico do aluno e do tutor. Para estabelecer um contato mais próximo, facilitando</p><p>o processo ensino-aprendizagem e viabilizando uma prática educativa situada e</p><p>mediatizada, recorre-se a vários meios: material didático e as mais diferentes</p><p>tecnologias de comunicação.</p><p>A - Quanto à produção do material didático</p><p>Segundo IBAÑEZ</p><p>(1990) e SEBASTIÁN RAMOS (1990), apesar da tecnologia de comunicações</p><p>26</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>à disposição hoje no mundo, a maior parte dos cursos de Educação a Distância</p><p>utiliza o material impresso como principal via de comunicação e de estudo em</p><p>seus cursos, pois é a ele que o aluno dedica mais tempo e o material escrito ainda</p><p>supera em muito os demais meios na Educação a Distância. Por isso, na fase inicial</p><p>de um curso, poderá ser privilegiado o material escrito como recurso didático.</p><p>Em parceria com os respectivos departamentos, a que os cursos</p><p>epistemologicamente estão ligados, serão programados encontros para uma</p><p>discussão preliminar sobre os conteúdos a serem trabalhados no curso, no sentido de</p><p>se dar sequência, unidade e bases conceptuais comuns, definindo a direção</p><p>teóricometodológica do curso e estabelecer parâmetros de acompanhamento e</p><p>avaliação.</p><p>A Coordenação do Centro, em seguida, discutirá com os</p><p>professoresespecialistas o material didático a ser utilizado nas respectivas disciplinas.</p><p>Porém, passará a estimulá-los a produzirem material didático específico para o curso</p><p>e para a modalidade. Serão dadas, então, orientações técnicas quanto à produção do</p><p>material para que atenda às peculiaridades do aluno adulto que estuda sem a</p><p>presença física do professor.</p><p>Os professores-especialistas poderão escrever, na sua disciplina, um texto (de</p><p>no máximo 80 páginas) onde sejam apresentados os conteúdos mais significativos e</p><p>relacionados com a prática dos cursistas e sejam propostas atividades a serem</p><p>desenvolvidas no sentido dos cursistas se auto-avaliarem na compreensão dos</p><p>conhecimentos aí apresentados e refletirem sobre suas ações nas respectivas</p><p>instituições e/ou comunidades. Este material impresso ou não deverá ser adequado à</p><p>EAD do ponto de vista dos conteúdos, da linguagem, da estrutura do texto, da</p><p>formatação, etc., viabilizando uma relação bidirecional, um diálogo entre o cursista e</p><p>o sistema organizado para atendê-lo.</p><p>Outra alternativa, muito utilizada em universidades a Distância, como a</p><p>Téléuniversité du Québéc, no Canadá, é escolher uma obra já publicada que, no</p><p>entender do especialista, dá conta, perfeitamente, dos conteúdos e da linha teórica</p><p>definidos para aquela disciplina. Caberá, então, ao professor-especialista, elaborar um</p><p>Guia Didático, que servirá para orientar o cursista sobre o uso da obra escolhida</p><p>27</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Figura - Materiais Didáticos</p><p>PRETI e SATO, 1996</p><p>Na figura, são apontadas as diferentes e variadas possibilidades que o</p><p>professor especialista poderá utilizar na produção do material didático em EAD.</p><p>B - Quanto ao meios de comunicação</p><p>A EAD é uma alternativa pedagógica de grande alcance e que deve utilizar e</p><p>incorporar as novas tecnologias como meio para alcançar os objetivos das práticas</p><p>educativas implementadas, tendo sempre em vista as concepções de homem e</p><p>sociedade assumidas e considerando as necessidades das populações a que se</p><p>pretende servir.</p><p>e seu percurso, propondo - lhe momentos de reflexão, de auto - avaliação e atividades</p><p>práticas.</p><p>MATERIAL DIDÁTICO</p><p>Material</p><p>Impresso ou</p><p>arquivo PDF</p><p>Material</p><p>Audio - visual</p><p>Fascículo</p><p>Guia Didático</p><p>Áudio</p><p>Vídeo</p><p>. Um/disciplina</p><p>. Auto - avaliação</p><p>. Atividades</p><p>. Livro texto adotado</p><p>. Guia do aluno</p><p>. Já existente, com</p><p>Guia de orientação</p><p>. Produzido pelos</p><p>Professores</p><p>28</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Equipe Pedagógica e Administrativa</p><p>Alunos</p><p>A EAD caracteriza-se pela utilização simultânea de meios. A entrega do</p><p>material relativa ao curso será realizada via correio, diretamente ao cursista. Este</p><p>poderá também utilizar este meio para se comunicar com seu tutor ou com o professor-</p><p>especialista. Porém, o trabalho de tutoria a distância será realizado,</p><p>preferencialmente, utilizando-se o telefone, o fax , o correio ou o correio eletrônico. O</p><p>computador poderá ser utilizado também para intercâmbio entre o Centro e os tutores</p><p>quer do ponto de vista pedagógico quer do ponto de vista administrativo. Os dados</p><p>relativos ao percurso do cursista, bem como das informações de adequações do</p><p>material, das atividades de tutoria, das avaliações, etc. serão todos “armazenados”,</p><p>através de um soft específico, criando-se, assim um Banco de Dados muito útil para</p><p>funções informativas, de análise e de investigação científica.</p><p>O fundamental, porém, não é estar usando este ou aquele meio de</p><p>comunicação, mas que seja estabelecida, efetivada e dinamizada uma rede interativa</p><p>constante e contínua que viabilize o diálogo entre todos os componentes envolvidos</p><p>no processo .</p><p>A tutoria</p><p>No sistema de EAD, o tutor tem um papel fundamental, pois, é através dele que</p><p>se garante a interrelação personalizada e contínua do cursista no sistema e se</p><p>viabiliza uma articulação entre os elementos do processo, necessária à consecução</p><p>dos objetivos propostos. Por isso, cada instituição busca construir seu modelo tutorial</p><p>que atenda às especificidades regionais e aos programas e cursos propostos,</p><p>incorporando as novas tecnologias. Mas, o que caracteriza e diferencia a figura do</p><p>tutor nas universidades a distância é fundamentalmente a concepção manifestada</p><p>quanto à sua função dentro do sistema de EAD. Nas práticas implementadas</p><p>aparentemente não são percebidas grandes diferenças, pois, na estrutura do sistema,</p><p>a tutoria é posta nas instâncias de mediação entre o estudante, o material didático e</p><p>29</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>o professor, na busca de uma comunicação cada vez mais ativa e personalizada,</p><p>respeitando-se a autonomia da aprendizagem.</p><p>O sub-sistema de tutoria, muito mais que uma fórmula de enquadramento e de</p><p>assistência ao estudante, deve ser visto como educação individualizada, cooperativa</p><p>e “uma abordagem pedagógica centrada sobre o ato de aprender que põe à</p><p>disposição do estudante-adulto recursos que lhe permitem alcançar os objetivos do</p><p>curso totalmente desenvolvendo a autonomia em sua caminhada de aprendizagem”</p><p>(DESLISE e outros, 1985).</p><p>A autonomia é algo que se adquire gradualmente, nos diferentes níveis de</p><p>desenvolvimento. O tutor, respeitando a autonomia da aprendizagem de cada cursista,</p><p>estará constantemente orientando, dirigindo e supervisionando o processo de ensino</p><p>aprendizagem dos cursistas. É através dele, também, que se garantirá a efetivação</p><p>da avaliação do curso em todos os níveis.</p><p>“Tendo um conhecimento de base do conteúdo, é um facilitador que ajuda o</p><p>estudante a compreender os objetivos do curso, um observador que reflete e um</p><p>conselheiro sobre os métodos de trabalho, um psicólogo que é capaz de compreender</p><p>as questões e as dificuldades do aprendiz e de ajudá-lo a responder de maneira</p><p>adequada e, finalmente, um especialista em avaliação formativa” (DION, 1985).</p><p>E a essas podemos ainda acrescentar algumas tarefas administrativas que a</p><p>instituição exige dele.</p><p>Para preencher adequadamente seu papel, portanto, o tutor deve possuir</p><p>previamente um certo número de qualidades, de capacidades ou aptidões. Isso devido</p><p>à importância e à posição que ocupa dentro de um sistema que compreende a EAD</p><p>como sendo uma prática educativa, situada e mediatizada.</p><p>A participação do tutor no curso se dará em três momentos:</p><p>A- na fase de planejamento: o tutor participa e discute com o</p><p>professorespecialista os conteúdos a serem trabalhados no curso, o material didático</p><p>a ser utilizado e o sistema de acompanhamento e avaliação dos alunos. Junto à</p><p>30</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>equipe pedagógica do Centro receberá uma formação específica sobre a modalidade</p><p>de EAD e conhecerá em detalhes todo o sistema que dará suporte ao cursista e serão</p><p>definidas suas funções e competências;</p><p>B- na fase de desenvolvimento do curso: o tutor tem a função primordial de</p><p>estimular, motivar e orientar o cursista em acreditar em sua capacidade de organizar</p><p>sua atividade acadêmica e de auto-aprendizagem (funções orientadora e motivadora).</p><p>O tutor, pois, deverá dar-lhe os suportes meta cognitivo, afetivo e motivacional</p><p>necessários para superar os problemas que o aluno for encontrando ligados à sua</p><p>compreensão e adaptação a esta modalidade de ensino para que não desanime e</p><p>abandone o curso.</p><p>Deverá também estar à disposição dos cursistas para tirar dúvidas quanto ao</p><p>conteúdo da disciplina (função didática). Por isso um dos critérios de seleção será</p><p>sua qualificação e competência profissional naquela área do conhecimento.</p><p>Nesta fase a tutoria pode se dar de duas formas (Fig. 06):</p><p>- a distância: o cursista, individualmente, entrará em contato com o tutor,</p><p>através de meios de comunicação estabelecidos, nos horários definidos</p><p>anteriormente; ou em pequenos grupos de estudo, poderá formular algumas questões</p><p>ou dúvidas e solicitar ao tutor que os esclareça utilizando-se de um sistema interativo</p><p>de comunicação;</p><p>- presencialmente: o cursista, individualmente ou em pequenos grupos, se</p><p>encontrará no Centro com o seu tutor muito mais para discutir e avaliar seu processo</p><p>de aprendizagem, apresentar os resultados de suas leituras, atividades e trabalhos</p><p>propostos nos materiais didáticos do que somente para tirar dúvidas.</p><p>31</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>É importante que se estimule e fomente a organização dos estudantes em</p><p>O trabalho cooperativo, portanto, permite uma interação maior entre os próprios</p><p>pequenos grupos para estudarem e desenvolverem as atividades solicitadas. Isso</p><p>motiva muito mais o estudante, facilita a compreensão dos conteúdos ao discuti - los</p><p>com os colegas, contri buem na superação de dificuldades e faz com que vença melhor</p><p>os momentos de desânimo.</p><p>estudantes e com o tutor, fazendo com que avancem e cheguem mais longe do que</p><p>sozinhos, evitando também criar uma certa “dependência” do tutor. É um momento</p><p>onde exercitam a ex posição, a verbalização, a organização de seus pensamentos e</p><p>TUTORIA</p><p>Presencial A Distância</p><p>Individual Coletiva Telefone</p><p>FAX,</p><p>Correspondência Telemática</p><p>32</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>aprendem a trabalhar coletivamente. O que é de suma importância para uma prática</p><p>educativa no contexto onde atuam.</p><p>Ao final do curso, poderá promover seminários onde os alunos poderão expor</p><p>seus trabalhos ou discutir temas educativos de atualidade relacionados com seu</p><p>trabalho docente, convidando os professores/ especialista do curso a participarem. O</p><p>contato direto com os professores, com os autores dos materiais didáticos tem-se</p><p>evidenciado motivador para o estudante continuar no curso.</p><p>Caberá também ao tutor avaliar o estudante e informar ao</p><p>professor/especialista sobre a necessidade de textos complementares de apoio, não</p><p>previstos pelo material didático, quando detectadas dificuldades de aprendizagem.</p><p>C - na fase posterior ao desenvolvimento</p><p>do curso: o tutor fará um breve relato,</p><p>avaliando a disciplina (quanto ao material escrito, à modalidade, à participação do</p><p>professor/especialista, ao tipo de avaliações realizadas, etc.) bem como o sistema</p><p>posto à disposição para dar suporte ao processo de ensino-aprendizagem.</p><p>Contratado em regime parcial de trabalho ou de dedicação exclusiva,</p><p>juntamente com a coordenação do Centro, definirá seu horário de atendimento.</p><p>Poderá ser à noite ou em fins de semana, cumprindo a carga horária estabelecida e</p><p>não tendo mais do que 30 alunos sob sua orientação. O tempo de contratação variará</p><p>de acordo com as necessidades impostas pelas disciplinas, visando o atendimento</p><p>aos alunos.</p><p>O tutor, em síntese, constitui um elemento dinâmico e essencial no processo</p><p>ensino aprendizagem, oferecendo aos estudantes os suportes cognitivos, meta</p><p>cognitivo, motivacional, afetivo e social para que estes apresentem um desempenho</p><p>satisfatório ao longo do curso. Deverá, pois, ter participação ativa em todo o processo.</p><p>Por isso, é importante que se estabeleça uma vinculação dialogal e um trabalho de</p><p>parceria entre o tutor, o professor/especialista e a equipe pedagógica. Isso valorizará</p><p>a figura do tutor, garantirá a qualidade do ensino oferecido e servirá de “exemplo” aos</p><p>alunos ao ver ser posto em prática o processo pedagógico e educativo</p><p>“intencionalmente” proposto no desenho curricular do curso.</p><p>O tutor vem se revelando, na experiência do Núcleo de Educação Aberta e a</p><p>Distância da UFMT, como sendo a figura chave, “a vertente humana da Educação a</p><p>33</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Distância” e “o lado humano do processo de ensino-aprendizagem” (SERRANO,</p><p>1994:68,95), não simplesmente porque facilita a a compreensão do aluno em relação</p><p>ao material didático tornando mais acessível o processo ensino-aprendizagem, mas</p><p>porque, ao promover a comunicação e o diálogo, supera as limitações da ausência do</p><p>professor educador, rompe com o possível isolamento do estudante e introduz a</p><p>“perspectiva humanizadora” num processo mediado pelo meios tecnológicos.</p><p>A formação do tutor, portanto, nos aspectos acadêmico e profissional, é uma</p><p>das tarefas mais importantes e que tem que receber uma atenção e carinho especial</p><p>por parte da equipe pedagógica na consolidação de qualquer proposta educativa</p><p>através da modalidade de EAD.</p><p>Os processos avaliativos</p><p>Um dos pontos de maior relevância e de maiores cuidados na EAD é o que diz</p><p>respeito aos processos avaliativos, pois é a partir deles que será possível se fazer as</p><p>devidas adequações tanto nos processos de ensino-aprendizagem quanto no sistema</p><p>e na modalidade. Permitirão um constante “feedback” dos encaminhamentos dados</p><p>antes de iniciado o curso e das decisões tomadas ao longo do mesmo, viabilizando,</p><p>assim, uma adequação constante de possíveis pontos percebidos como</p><p>“problemáticos”.</p><p>A avaliação poderá dar-se em diferentes níveis:</p><p>a - Avaliação da aprendizagem: o cursista será avaliado quanto ao seu</p><p>desempenho ao longo de cada disciplina e do curso como um todo. O tutor, através</p><p>de uma ficha individual, acompanhará o desempenho de cada cursista colocado sob</p><p>sua orientação, verificando o nível de dificuldades, sua participação nas entrevistas</p><p>individuais e nos encontros grupais, a apresentação das atividades previstas ou</p><p>sugeridas no material didático. Outro indicador que comporá essa avaliação será</p><p>fornecido pela avaliação escrita presencial ou pelo trabalho conclusivo da disciplina</p><p>que poderá ser solicitado ao cursista como síntese dos conteúdos trabalhados</p><p>naquela disciplina e fazendo a ponte com sua prática profissional e com a realidade</p><p>em que está inserido. Este trabalho será julgado pelo tutor e o professor especialista.</p><p>As formas avaliativas dos processos de aprendizagem deverão ser definidas nas</p><p>34</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>propostas curriculares dos cursos, atendendo às especificidades de cada disciplina e</p><p>da modalidade de EAD.</p><p>b - Avaliação do material didático: o tutor irá armazenando informações</p><p>sobre os tipos e níveis de dificuldades que os cursistas irão apresentar ao</p><p>manusearem o material escrito e ao utilizarem o complementar. O próprio aluno, ao</p><p>final da disciplina, avaliará o material, através de um questionário. Essas informações</p><p>fornecerão ao professor-especialista um mapeamento dos aspectos problemáticos</p><p>existentes no material que o ajudarão a adequá-lo melhor ao tipo de aluno matriculado</p><p>no curso e poder, assim, oferecer um atendimento cada vez mais eficiente àqueles</p><p>alunos que apresentarem maiores problemas no acompanhamento da disciplina.</p><p>c - Avaliação da modalidade: tanto o tutor como o cursista irão fornecendo</p><p>dados, ao longo do curso, (informalmente ou quando da aplicação de instrumentos a</p><p>serem elaborados pela Equipe Pedagógica) que auxiliarão a rever constantemente o</p><p>sistema de EAD proposto em seus subsistemas: administrativo e pedagógico.</p><p>d - Avaliação da tutoria: ao final de cada disciplina, quando da avaliação</p><p>da mesma, o cursista fará, no mesmo questionário, uma avaliação do sistema de</p><p>tutorização adotado. Uma outra fonte que fornecerá à coordenação do Centro</p><p>elementos de avaliação de cada tutor é o próprio percurso do cursista, na ficha</p><p>individual, que apontará as dificuldades manifestadas e como foram atendidas pelo</p><p>tutor.</p><p>e - Avaliação do curso: as avaliações anteriores estabelecerão uma “rede”</p><p>de informações suficientes e úteis à avaliação processual do curso. Porém, o que</p><p>deve ser enfatizado e avaliado é em que sentido o curso está modificando a prática</p><p>dos alunos em seus respectivos campos de atuação e qual o impacto ou reflexos disso</p><p>nas suas instituições, empresas e locais de trabalho. Pois, o objetivo principal do curso</p><p>é provocar mudanças (cognitivas e da práxis).</p><p>35</p><p>www.soeducador.com.br</p><p>Tutoria</p><p>Os custos</p><p>O estabelecimento de Formação a Distância tem uma estrutura de custos muito</p><p>diferente dos estabelecimentos educativos tradicionais. Pois nestes, a atividade de</p><p>ensino propriamente dita se apoia geralmente somente no professor e se desenvolve</p><p>em dois momentos: a preparação do curso e a sala de aula. E é a remuneração do</p><p>pessoal docente que constitui o principal componente dos custos de ensino. A massa</p><p>salarial do pessoal docente depende do número de docentes e de suas características</p><p>(formação e tempo de serviço).</p><p>Num sistema de EAD, a atividade de educar implica a produção e difusão dos</p><p>instrumentos didáticos. Isto é, a atividade do professor deve ser “materializada”. Por</p><p>isso, os custos relativos à produção de material didático e de apoio são consideráveis.</p><p>Porém, a diferença nos custos variáveis e fixos é sentida à medida que</p><p>aumenta o número de estudantes no curso (economia de escala). Na EAD há uma</p><p>amortização dos custos fixos e, por conseguinte, a busca de um “ponto umbral” de</p><p>rentabilidade é alcançado maximizando-se o “custo-eficiência” das funções</p><p>pedagógicas de concepção e produção do material didático.</p><p>Os custos variáveis provêm de gastos relativos às funções de apoio</p><p>pedagógico aos estudantes e de tutoria, assim como à gestão logística de atividades</p><p>de aprendizagem (admissão, contrato dos tutores, divulgação do material, etc.).</p><p>Dificilmente os custos variáveis em EAD alcançam o mesmo nível que os do ensino</p><p>tradicional.</p><p>A maior parte dos custos fixos depende em grande medida das somas</p><p>destinadas à concepção e produção de documentos mediatizados, assim como ao</p><p>estabelecimento da infra-estrutura destinada à sua difusão. Por outro lado, os custos</p><p>variáveis - que evoluem em função do número de estudantes - são relativamente</p><p>mínimos para a grande</p>