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Soluções anestésicas locais para odontologia 
 Bases anestésicas 
 1. Ésteres: Procaína, propoxicaína e benzocaína. Metabolismo plasmático, ou seja, são 
 metabolizadas até no local de injeção — ação muito curta mesmo com uso de vasoconstritor. 
 Não são mais usados clinicamente porque, além disso, não têm a mesma eficácia das amidas e 
 são muito alergizantes. Muito mais baratos. 
 2. Amidas: Lidocaína, prilocaína, mepivacaína, bupivacaína e articaína. Metabolismo hepático. 
 Praticamente não produzem alergia. 
 A. Lidocaína: Anestésico mais usado. Metabolismo hepático e excreção renal (10% 
 inalterada) — metabolismo muito mais difícil que os dos ésteres. Contraindicada em 
 caso de hepatopatias médias e graves. Mais potente, portanto, mais tóxico, mas 
 existem dosagens seguras para uso clínico. 
 Início da ação rápido (2 a 3 minutos). 
 Duração do efeito em minutos (lidocaína) 
 Pulpar Tecidos moles 
 Sem vasoconstritor 10 a 20 60 a 20 
 Adrenalina 1:100.000 60 180 a 300 
 60 minutos é suficiente para praticamente todos os procedimentos em odontologia, 
 enquanto 10 a 20 não é suficiente para praticamente nada. A anestesia nos tecidos 
 moles, quando dura por muito tempo depois da cirurgia, pode ser muito incômoda 
 para o paciente. 
 Associações comerciais desaconselháveis 
 ➔ Xylestesin: Lidocaína a 2% com norepinefrina a 1:25.000 (a norepinefrina 
 não deve ser utilizada). Muito usada em postos de saúde. 
 ➔ Xilocaína: Lidocaína a 2% sem vasoconstritor . Não usar com nenhum 
 paciente. 
 ➔ Lidostesim: Lidocaína a 2% com norepinefrina a 1:50.000. 
 Observação: 2% é a dose máxima segura e a dose mínima para anestesia 
 satisfatória. 
 ➔ Lidostesim: Lidocaína a 3% com norepinefrina a 1:50.000. 
 ➔ Lidocaína Harvey: Lidocaína a 2% com norepinefrina a 1:50.000. 
 Associações comerciais boas 
 ➔ Novocol: Lidocaína a 2% com fenilefrina a 1:2.500. 
 ➔ Alphacaine:: Lidocaína a 2% com adrenalina a 1:100.00. Melhor em cirurgias 
 — adrenalina é um vasoconstritor mais eficiente que a fenilefrina. 
 B. Mepivacaína: Derivada da lidocaína (muito semelhante à lidocaína em tudo). O anel 
 piridínico da sua molécula a transforma na base menos vasodilatadora — menor 
 absorção, ou seja, supostamente maior tempo de ação. A menor vasodilatação não é 
 importante o suficiente para que seja seguro usá-la sem vasoconstritor. 
 Alguns autores sugerem sua utilização sem vasoconstritor, o que é totalmente 
 contraindicado, principalmente em crianças, devido ao maior risco de toxicidade. O 
 vasoconstritor faz com que a ação seja local/impede a disseminação do anestésico 
 pelo corpo. 
 Similar à lidocaína, mas de metabolismo mais complexo. Uso contraindicado em 
 grávidas e crianças. Mais tóxico e mais caro que a lidocaína (não é melhor que a 
 lidocaína em nada). 
 Associações comerciais 
 ➔ Scandicaína: Mepivacaína a 2% com adrenalina a 1:100.00. 
 ➔ Mepiadre: Mepivacaína a 2% com adrenalina a 1:100.00. 
 ➔ Mepi Levo: Mepivacaína a 2% com levonordefrin 1:20.000. 
 Observação: Os outros presentes no comércio não são indicados — ou são a 
 3% ou têm norepinefrina. 
 C. Prilocaína: Anestesia menos potente e menos profunda, suficiente para trabalhos 
 restauradores menos invasivos. 
 O metabólito ortotoluidina produz meta-hemoglobinemia, por isso é contraindicada 
 para gestantes (pode ser letal para o feto), portadores de hemoglobinopatias e deve ser 
 evitada em crianças abaixo de 5 anos. 
 Observação: Hemoglobulina transporta oxigênio no sangue. A 
 meta-hemoglobinemia leva à produção de hemoglobina incapaz de transportar 
 oxigênio. Extremamente danoso em indivíduos sem o sistema hematopoiético 
 devidamente maturado (crianças pequenas ou pessoas com determinados 
 comprometimentos sistêmicos). 
 A própria associação com a felipressina contraindica seus preparados comerciais para 
 uso em gestantes, pois esse vasoconstritor pode induzir contrações uterinas. 
 Associações comerciais 
 ➔ Biopressin: Prilocaína 3% com felipressina a 0,03UI. 
 ➔ Citanest: Prilocaína 3% com felipressina a 0,03UI. 
 ➔ Citocaína: Prilocaína 3% com felipressina a 0,03UI. 
 ➔ Prilonest: Prilocaína 3% com felipressina a 0,03UI. 
 Observação: 3% é a dose mínima anestésica. 
 D. Bupivacaína: Concentração eficaz a 0,5%. Contraindicada para menores de 12 anos, 
 gestante e idosos acima de 70 anos, hepatopatas e nefropatas, pois o metabolismo é 
 complexo e a ação é prolongada (8 horas). Mais tóxico e de metabolismo hepático 
 mais difícil. 
 Bem indicada para procedimentos invasivos e emergências. Proporciona excelente 
 hemostasia transcirúrgica (associação com adrenalina), tranquilidade transoperatória e 
 analgesia pós-operatória (vantagem). 
 Duração do efeito em horas (bupivacaína) 
 Pulpar Tecidos moles 
 Adrenalina 1:100.000 3 a 5 8 a 12 
 As primeiras 8 a 12 horas após a cirurgia são o período de mais dor (a vantagem da 
 bupivacaína é ser um anestésico que age durante este período). Seu efeito prolongado 
 pode ser explicado por sua lipossolubilidade e taxa de ligação às proteínas 
 plasmáticas. 
 Uso de uma dose de AINEs antes do procedimento, seguido de aplicação do 
 anestésico de escolha para o caso. Depois, administração de bupivacaína 
 imediatamente antes da alta do paciente. 
 E. Articaína: Quando a lidocaína não é suficiente, devido a variações anatômicas ou 
 patologias do paciente. Menos tóxica. Maior toxicidade relativa (maior 
 concentração). 
 Única base que tem um anel tiopental ou tiofênico. Isso aumenta seu grau de difusão 
 tecidual. Inclusive, possibilita extrações no arco superior apenas por injeção 
 vestibular. Duração de ação pulpar de cerca de 90 minutos. Eficaz a 4%. 
 Contraindicada em gravidez, anemia (meta-hemoglobinemia), devendo haver muita 
 cautela em crianças abaixo dos 5 anos. Contraindicada em caso de alergia a 
 medicamentos que contém enxofre (sulfa, por exemplo), devido ao anel tiopental. 
 Dosagem máxima dos anestésicos locais 
 Lidocaína a 2% significa que existem 20mg de 
 lidocaína em cada 1mL de solução. Cada tubete 
 de solução contém 1,8mL. Se existem 20mg/mL 
 e o tubete tem 1,8mL, este contém 36mg de 
 lidocaína. 
 Pela tabela do slide anterior, vimos que a dose 
 máxima de segurança da lidocaína é de 
 4,4mg/kg. Logo, se um paciente pesa 30kg, 
 podemos administrar um máximo de 132mg. Ou 
 seja, o número máximo de tubetes será 132 
 dividido com 36 (3,6 tubetes) 
 A toxicidade da articaína é baixa, no entanto, devido à sua maior concentração, a base apresenta maior 
 toxicidade relativa.

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