Logo Passei Direto
Buscar

Psicossomática: Paradigmas e Conceitos

Texto sobre psicossomática (paradigmas e conceitos) que apresenta introdução e definição das doenças psicossomáticas, origem e causas, dor e neurofisiologia, contribuições da psicanálise, escolas, alexitimia, clínica, concepções de somatização, referências e histórico institucional.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>PSICOSSOMÁTICA: PARADIGMAS E CONCEITOS</p><p>1</p><p>1</p><p>Sumário</p><p>PSICOSSOMÁTICA: PARADIGMAS E CONCEITOS ............................. 0</p><p>NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2</p><p>1. INTRODUÇÃO ................................................................................ 3</p><p>2. O QUE SÃO DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS? ........................... 5</p><p>2.1 Origem das doenças psicossomáticas ........................................... 6</p><p>2.2 Principais causas das doenças psicossomáticas ........................... 8</p><p>3. O PROBLEMA DA DOR ............................................................... 13</p><p>3.1 Neurofisiologia da dor .................................................................. 16</p><p>4. PRECURSORES CONTRIBUIÇÕES DA PSICANÁLISE .......... 18</p><p>5. ALGUMAS ESCOLAS DE PSICOSSOMÁTICA ........................... 19</p><p>4.1 Psicossomática no Brasil ............................................................. 22</p><p>4.2 Psicossomática na Americana ..................................................... 23</p><p>6. ALEXITIMIA E PENSAMENTO OPERATÓRIO: A QUESTÃO DO</p><p>AFETO NA PSICOSSOMÁTICA ...................................................................... 25</p><p>CLÍNICA PSICOSSOMÁTICA ............................................................... 28</p><p>AS CONCEPÇÕES ACERCA DO CONCEITO DE SOMATIZAÇÃO . 30</p><p>REFERÊNCIAS ..................................................................................... 34</p><p>file://///192.168.0.2/f/Grades/SAÚDE%20E%20BEM-ESTAR/NEUROPSICOPEDAGOGIA%20INSTITUCIONAL,%20CLINICA%20E%20HOSPITALAR/PSICOSSOMÁTICA-%20%20PARADIGMAS%20E%20CONCEITOS/PSICOSSOMÁTICA_%20PARADIGMAS%20E%20CONCEITOS.docx%23_Toc117492795</p><p>2</p><p>2</p><p>NOSSA HISTÓRIA</p><p>A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de</p><p>empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de</p><p>Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como</p><p>entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior.</p><p>A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de</p><p>conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a</p><p>participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua</p><p>formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais,</p><p>científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o</p><p>saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação.</p><p>A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma</p><p>confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base</p><p>profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições</p><p>modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,</p><p>excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.</p><p>3</p><p>3</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>O termo psicossomático, como diz Engel, deve ser usado como um</p><p>adjetivo, palavra qualificadora do substantivo, ou seja, designa a interface entre</p><p>os processos somáticos e psicológicos. O termo psicossomático não deve ser</p><p>utilizado, portanto, no sentido de causalidade, mas, sim, de várias relações</p><p>existentes entre a mente e o cérebro, entre fenômeno e processo a ser</p><p>observados tanto em termos psicológicos, como em termos somáticos. Ressalta</p><p>ainda, este autor, que a utilização do termo doença ou desordem psicossomática</p><p>é um engano, pois implica em considerarmos uma especial classe de</p><p>transtornos, que teriam uma etiologia psicogenética, e, por inferência, a ausência</p><p>da interface psicossomática em outras doenças.</p><p>As doenças psicossomáticas são difíceis de ser detectadas, pois causam</p><p>sintomas físicos, porém sem causas orgânicas, se constituindo por causas</p><p>emocionais, onde uma angustia (de base psíquica), por exemplo, geraria um mal</p><p>estar tão grande que o corpo físico "falasse" para o psíquico "vamos dividir essa</p><p>angustia". No entanto, muitos profissionais de saúde descartam a possibilidade</p><p>de uma pessoa estar com uma doença psicossomática, pois acreditam somente</p><p>em doenças que tenham causa orgânica, porém quando pedem para seus</p><p>pacientes realizarem exames clínicos, seus resultados não apresentam</p><p>nenhuma alteração orgânica de base para a patologia.</p><p>O termo psicossomático, após séculos de estruturação, surgiu no século</p><p>passado, através de Heinroth, com a criação das expressões psicossomática</p><p>(1918) e somatopsíquica (1928). (Mello Filho, 1992).</p><p>No entanto, o movimento consolidou-se somente em meados deste</p><p>século, através das contribuições pioneiras de Franz Alexander e da Escola de</p><p>Chicago. Contudo, as dúvidas referentes à relação mente corpo continuam</p><p>expressas na própria denominação “psicossomática” e ainda continua a ser</p><p>usada por muitos estudiosos destes fenômenos.</p><p>4</p><p>4</p><p>Para Alexander, o termo psicossomático “deve ser usado apenas para</p><p>indicar um método de abordagem, tanto em pesquisa quanto em terapia, ou seja,</p><p>o uso simultâneo e coordenado de métodos e conceitos somáticos - de um lado</p><p>e métodos e conceitos psicológicos por outro lado”. (Alexander, 1989, p.42).</p><p>A. Dias (1992, p.31), refletindo a relação entre sujeito e linguagem,</p><p>começa por criticar o termo psicossomático. Afirma que é um termo gasto, pois</p><p>entrou no domínio do psiquiátrico e da medicina com uma tal amplitude que, se</p><p>bem que criando um novo espaço de investigação, também o diluiu noutros</p><p>espaços afins”. Propõe ainda que, “a partir de algumas indicações deixadas por</p><p>Bion”, há necessidade de se interrogar quanto à inespecificidade do termo</p><p>psicossomático e sua pertinência.</p><p>O termo psicossomático, na expressão mais comum, pode reportar-se</p><p>tanto ao quesito da origem psicológica de determinadas doenças orgânicas,</p><p>quanto às “repercussões afetivas do estado de doença física no indivíduo, como</p><p>até confundir-se com simulação e hipocondria, onde toma um sentido negativo”.</p><p>(Cardoso, 1995, p.5).</p><p>A denominação de medicina psicossomática, de acordo com seu campo</p><p>epistemológico, “é um estudo das relações mente corpo com ênfase na</p><p>explicação da patologia somática, uma proposta de assistência integral e uma</p><p>transcrição para a linguagem psicológica dos sintomas corporais”. (Ekstermam,</p><p>1992, p.77).</p><p>Sami-Ali (1992, p.159) ao refletir sobre a ligação entre o orgânico e o</p><p>relacional começa por distinguir medicina psicossomática e psicossomática.</p><p>Assim, a medicina psicossomática é “uma maneira de introduzir variáveis</p><p>psicológicas num domínio que se define como orgânico, adicionando variáveis</p><p>psíquicas às variáveis orgânicas”.</p><p>A Psicossomática proposta por ele, no entanto, é um modelo teórico e</p><p>uma metodologia específica, onde o somático é percebido em sua complexidade</p><p>e não na falha psíquica. Desta forma, Sami-Ali inspira-se na psicanálise, mas a</p><p>utiliza somente como ponto de partida “para a elaboração de outros conceitos”</p><p>(Sami-Ali, loc. cit.), afastando-se, desta forma, dos modelos freudianos.</p><p>5</p><p>5</p><p>O conceito de doença psicossomática, sua classificação e diagnóstico, é</p><p>outra questão polêmica. Halliday (1943,1945,1946,1948, cit. Alexander, 1989,</p><p>p.43) propõe que a úlcera péptica, a artrite reumatoide, a hipertensão, o</p><p>hipertireoidismo essencial e outras estariam inclusos nas doenças</p><p>psicossomáticas. O ponto de partida deste autor firma-se na hipótese de que o</p><p>fator etiológico proeminente nestas doenças é o fator psicológico.</p><p>No entanto, Alexander (1989) diz que, teoricamente, “cada doença é</p><p>psicossomática, uma vez que fatores emocionais influenciam todos os processos</p><p>do corpo, através das vias nervosas humorais e que os fenômenos somáticos e</p><p>psicológicos ocorrem no mesmo organismo e são apenas dois aspectos do</p><p>mesmo processo”.</p><p>Portanto, a</p><p>designação de psicossomática, devido a “seu esforço de</p><p>delimitação e rigor no seu objeto e métodos”, foi distanciando-se cada vez mais</p><p>da Medicina Psicossomática. No entanto, “isso não significa que se caminhe no</p><p>sentido da síntese de um modelo psicossomático”, contudo situa-se numa</p><p>perspectiva específica no modo de encarar os fenômenos de doença”. E</p><p>tampouco significa que se tenha resolvido antigas questões do impasse das</p><p>teorias monistas e dualistas da relação corpo-espírito (Cardoso, 1995, p.5).</p><p>2. O QUE SÃO DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS?</p><p>Também conhecida como somatização ou transtorno somatoforme, as</p><p>doenças psicossomáticas são desordens emocionais ou psiquiátricas que</p><p>afetam também o funcionamento dos órgãos do corpo. Esses desajustes</p><p>provocam múltiplas queixas físicas, e que podem surgir em diferentes partes do</p><p>corpo.</p><p>O surgimento dessas doenças admite certa complexidade, pois elas</p><p>podem desencadear dores generalizadas, diarreia ou constipação, tremores das</p><p>extremidades, manchas na pele e falta de ar. Entretanto, esses sintomas não</p><p>6</p><p>6</p><p>podem ser explicados por nenhuma alteração orgânica, já que nos exames de</p><p>confirmação diagnóstica, não aparece nenhuma doença que cause esses sinais.</p><p>Geralmente, os indivíduos com doenças psicossomáticas estão</p><p>frequentemente em consultas médicas ou prontos-socorros, sem, contudo, obter</p><p>confirmação das causas de seus problemas.</p><p>Devido a essas características típicas, geralmente os médicos têm muita</p><p>dificuldade em diagnosticar a causa dessas desordens. Por isso, na maioria dos</p><p>casos, a orientação é buscar apoio profissional por meio de terapias para</p><p>reabilitação mental a fim de evitar a evolução para quadros mais graves.</p><p>2.1 Origem das doenças psicossomáticas</p><p>As doenças psicossomáticas estão relacionadas ao controle das</p><p>emoções, sentimentos e ao modo de pensar. As emoções incontroladas e os</p><p>pensamentos negativos desencadeiam desequilíbrios mentais que,</p><p>consequentemente, sobrecarregam as funções orgânicas e atrapalham o</p><p>funcionamento do corpo.</p><p>Isso ocorre por diversas questões, especialmente àquelas ligadas a</p><p>experiências ruins e traumas não superados. O estresse gerado por essas</p><p>emoções negativas afeta a capacidade de coordenação cerebral, o que impede</p><p>a liberação das substâncias importantes para ao necessário ajuste da fisiologia</p><p>do organismo.</p><p>A somatização desses fatores — de ordem emocional e física — resulta</p><p>em um ciclo vicioso que se manifesta por meio de dores e de múltiplas doenças</p><p>físicas. Se não adequadamente tratados, essas complicações podem evoluir</p><p>gradativamente e comprometer a saúde do indivíduo de forma cada vez mais</p><p>intensa.</p><p>7</p><p>7</p><p>Percebe-se, então, que ainda que não sejam bem esclarecidas, a origem</p><p>das enfermidades psicossomáticas tem como base as causas emocionais e os</p><p>distúrbios psicológico a elas associado.</p><p>Alguns fatores que exercem influência considerável na origem das</p><p>doenças psicossomáticas.</p><p>► herança familiar;</p><p>► tendência à negatividade e aos distúrbios de personalidade;</p><p>► questões genéticas e fisiológicas, como maior sensibilidade à dor;</p><p>►influência ambiental em relação à visão da vida de forma positiva ou</p><p>negativa;</p><p>► modo de enfrentamento dos problemas, que pode interferir na</p><p>percepção da doença e no limiar dos sintomas físicos;</p><p>► menor controle das emoções ou dificuldade no processamento dos</p><p>problemas psicológicos, o que faz a pessoa supervalorizar a dor física;</p><p>► como evitar atividades excessivas, o que pode aumentar seu nível de</p><p>incapacidade;</p><p>► coexistência de fatores — como depressão, ansiedade patológica e</p><p>estresse excessivo — que facilitam o desenvolvimento da somatização e</p><p>originam as dores;</p><p>► isolamento social, angústia e tristeza por não ter coragem de</p><p>compartilhar ou de conversar sobre os conflitos internos que alimentam as</p><p>emoções negativas;</p><p>► hábito ou desenvolvimento de “comportamentos de dor” em resposta a</p><p>sintomas emocionais, principalmente em relação à insegurança emocional para</p><p>resolver problemas.</p><p>8</p><p>8</p><p>2.2 Principais causas das doenças psicossomáticas</p><p>Doenças são entendidas como manifestações do inconsciente, e que</p><p>necessitam sinalizar questões mal resolvidas que sobrecarregam o interior.</p><p>Quase sempre, o problema está associado à deficiência ou ao excesso de</p><p>emoções mal canalizadas para a solução dos conflitos.</p><p>A postura, as atitudes e a maneira de enfrentar as adversidades ditam as</p><p>reações individuais. Tais fatores podem frear ou extravasar as emoções e os</p><p>sentimentos negativos mediante para determinadas situações.</p><p>Mediante isso, enumeramos algumas questões que podem gerar o</p><p>desequilíbrio emocional. Muitos deles são considerados como gatilhos para o</p><p>desenvolvimento das doenças psicossomáticas.</p><p>Veja quais são!</p><p>Traumas de infância</p><p>Muitas questões ou experiências negativas da infância ficam guardadas</p><p>no subconsciente e vão se manifestar somente na idade adulta. Por isso, os pais,</p><p>professores e responsáveis pela educação das crianças precisam ter o máximo</p><p>cuidado com o modo como se expressam ou se comportam diante dos</p><p>pequenos.</p><p>O fato de vivenciar experiências traumáticas na família ou de sofrer</p><p>situações ultrajantes, como abuso sexual, por exemplo, gera medo, revolta e</p><p>insegurança por toda a vida. Esses sentimentos bloqueiam as substâncias</p><p>cerebrais responsáveis pelas emoções positivas e comprometem o</p><p>desenvolvimento físico e cognitivo da criança.</p><p>Essa situação expõe a criança ao quadro de tristeza durante toda a sua</p><p>infância, e que pode se manifestar como doenças emocionais mais tardiamente.</p><p>Logo, muitos distúrbios mentais que surgem na fase adulta tiveram origem na</p><p>infância.</p><p>9</p><p>9</p><p>Depressão crônica</p><p>Problemas depressivos não tratados e que se prolongam por muito tempo</p><p>influenciam bastante o surgimento das doenças psicossomáticas. A maioria está</p><p>associado ao isolamento familiar ou social, doenças incuráveis ou a desordens</p><p>mentais graves.</p><p>Tais questões são motivos que contribuem para o processamento das</p><p>condições ideais para os desajustes psiquiátricos que causam a somatização.</p><p>Mudança nos padrões de relacionamento</p><p>Na vida contemporânea, as crescentes mudanças nos padrões de</p><p>relacionamento afetam bastante o estilo de vida das pessoas. Entretanto, nem</p><p>todas estão preparadas para essas transformações — sobretudo as que</p><p>resultam das inovações tecnológicas — já que o contato físico e visual, hoje,</p><p>restringe-se aos ambientes meramente virtuais.</p><p>Com isso, surgem várias questões mal resolvidas e que geram</p><p>desconforto no processamento do novo modo de relação afetiva. Entre os</p><p>sintomas resultantes da dificuldade de lidar com essas tendências destacam-se</p><p>a solidão e o isolamento, gatilhos favoráveis ao surgimento dos desajustes</p><p>psicológicos.</p><p>Questões profissionais</p><p>A não realização profissional, o desemprego ou a frustração por não</p><p>alcançar um patamar na hierarquia de uma corporação podem gerar graves</p><p>conflitos internos. São situações muito delicadas e que exigem um suporte</p><p>familiar e de um profissional capacitado para ajudar.</p><p>Questões dessa natureza precisam de atenção especial e da submissão</p><p>ao tratamento especializado para que sejam revertidas. Do contrário, podem</p><p>somatizar com outros problemas pessoais e evoluir para condições mais</p><p>agravantes, ou mesmo irreversíveis.</p><p>Perdas financeiras</p><p>10</p><p>10</p><p>Uma das causas das doenças psicossomáticas são as questões</p><p>financeiras. Indivíduos que não conseguem superar perdas e que resguardam</p><p>mágoas, dores ou traumas por muito tempo compõem o grupo de risco para o</p><p>desenvolvimento desses transtornos.</p><p>A negatividade resultante desses problemas alimenta as emoções — de</p><p>forma muito prejudicial — e geram dores</p><p>físicas sem causa aparente.</p><p>Influência genética</p><p>Um histórico familiar de doença psicossomática acentua</p><p>consideravelmente as chances de desenvolvimento desses males de ordem</p><p>psicológica. O alto grau de complexidade que envolve esse transtorno também</p><p>está relacionado à ação de diversos genes que causam efeitos danosos nas</p><p>células dos portadores dessa doença.</p><p>Luto</p><p>Ainda que a morte seja parte integrante — e inevitável — do ciclo da vida,</p><p>os seres humanos não estão preparados para perder seus entes queridos.</p><p>Assim, muitas doenças psicossomáticas resultam da tristeza em decorrência da</p><p>perda de alguém amado.</p><p>Isso demonstra a importância do cuidado e da adoção de medidas de</p><p>prevenção da saúde mental. Igualmente relevante é buscar formas mais</p><p>positivas de enfrentamento dos problemas a fim de minimizar os efeitos dessas</p><p>questões.</p><p>Essas doenças adquirem um caráter dicotômico: as dores tanto</p><p>surgem sem estar relacionadas a outras enfermidades como podem ter um</p><p>motivo como doenças incuráveis ou perdas muito significativas.</p><p>A manifestação dos sintomas também é complexa, já que variam de</p><p>suaves, moderados ou graves, ao passo que podem ser únicos ou de</p><p>representatividade múltipla.</p><p>Algumas características são mais evidentes e merecem atenção na hora</p><p>de identificar os sinais do transtorno somatoforme.</p><p>11</p><p>11</p><p>► alterações gástricas: enjoo, dores, queimação ou gastrite nervosa;</p><p>► insônia, geralmente com muita dificuldade para relaxar e dormir;</p><p>► manchas roxas ou avermelhadas espalhadas pelo corpo;</p><p>► dores de cabeça constantes e sem motivo aparente;</p><p>► sensação de sufocamento ou de falta de ar;</p><p>► desinteresse pelas atividades de rotina;</p><p>► batimentos cardíacos acelerados;</p><p>►queixas de dores generalizadas;</p><p>► fadiga sem causa aparente;</p><p>► falta de concentração;</p><p>► irritabilidade;</p><p>► sonolência;</p><p>► desânimo;</p><p>► fraqueza.</p><p>Uma das características mais marcantes desse quadro clínico é que o</p><p>indivíduo não consegue conciliar seus pensamentos e ações, que geralmente</p><p>oscilam entre o positivo e o negativo. Por isso, a maioria dos pacientes</p><p>psicossomáticos deixam-se dominar pelas emoções negativas que sustentam a</p><p>falta de motivação para a vida.</p><p>Essa negatividade excessiva que afeta a função dos órgãos — e é</p><p>interpretada como dor — está associada aos seguintes pensamentos ou</p><p>comportamentos:</p><p>► transtorno de ansiedade e depressão crônica;</p><p>► preocupação incomum com possíveis doenças futuras;</p><p>► ausência de resposta aos medicamentos e acentuação dos efeitos</p><p>colaterais;</p><p>12</p><p>12</p><p>► medo descontrolado sobre a gravidade de sintomas que nem</p><p>representam tanto risco;</p><p>► sensação de que a avaliação clínica, diagnóstico ou o tratamento</p><p>médico estão errados inadequados;</p><p>► receio de que os exercícios físicos ou a prática desportiva, mesmo</p><p>leves, podem ser prejudiciais ao seu estado de saúde;</p><p>►tendência a interpretar sensações físicas consideradas normais como</p><p>um provável sinal de doença física grave ou incurável;</p><p>► hábito de manter consultas repetitivas com o mesmo médico ou buscar</p><p>profissionais de diferentes especialidades que julga necessário — e urgente.</p><p>Como as doenças psicossomáticas afetam o organismo humano?</p><p>Devido às diferenças fisiológicas individuais, cada pessoa pode reagir de</p><p>um modo distinto mediante o mesmo estímulo. Com as doenças</p><p>psicossomáticas, não é diferente.</p><p>Desse modo, ainda que esses transtornos sigam um padrão semelhante,</p><p>as manifestações individuais e a expressão dos sintomas podem provocar</p><p>reações diversas. Tais reações são geradas por tensões emocionais que afetam</p><p>as funções dos órgãos e fazem com que simulem características típicas de</p><p>certas doenças.</p><p>Todas essas características decorrem do poder da mente em se apegar</p><p>demasiadamente em pensamentos negativos. Como o cérebro coordena as</p><p>funções orgânicas, as emoções ruins tornam o corpo doente, mesmo que sem</p><p>motivo aparente.</p><p>Listamos alguns órgãos que costumam ser mais afetados por essas</p><p>enfermidades emocionais. Acompanhe:</p><p>►derme: manchas, coceira, irritação, bolhas ou formigamentos;</p><p>► região íntima: coceiras, inflamações, odor fétido, impotência e</p><p>redução do desejo sexual, alterações do ciclo menstrual;</p><p>13</p><p>13</p><p>► aparelho digestório: dor e queimação no esôfago e no estômago,</p><p>ânsia de vômito acompanhada de visão turva, gastrites, úlceras gástricas e</p><p>constipação;</p><p>► garganta: queixas de nó na garganta, irritações, vermelhidão, edema</p><p>e amigdalites frequentes;</p><p>► pulmões: apneia do sono, falta de ar, sensação de sufocamento,</p><p>simulações de graves doenças pulmonares ou cardiovasculares;</p><p>► articulações, músculos e ossos: tensão e dor muscular, contraturas</p><p>e rigidez articulares, dores ósseas generalizadas;</p><p>► coração: fortes dores no peito, acompanhada de angústia e que pode</p><p>ser confundida com quadros de infarto. Palpitações e descontrole da pressão</p><p>arterial;</p><p>► rins e bexiga: dor, queimação ou dificuldade para urinar. Gotejamento</p><p>que pode imitar características de graves doenças urológicas;</p><p>► sistema nervoso central: constantes dores de cabeça, distúrbios</p><p>visuais, alteração no equilíbrio, aumento ou redução da sensibilidade e</p><p>comprometimento da motricidade</p><p>3. O PROBLEMA DA DOR</p><p>Os sinais de dor ultrapassam os limites da história e, segundo Bonica</p><p>(1990), a descoberta de esqueletos humanos pré-históricos revelou em muitos</p><p>deles sinais de enfermidades geradoras de dor.</p><p>Aristóteles, discípulo de Platão e considerado um gênio ainda não</p><p>ultrapassado, considerava a dor e o prazer como paixões da alma, excluindo-a</p><p>dos sentidos. Para ele, o cérebro não tinha função direta no processo sensitivo;</p><p>a localização da percepção sensorial centralizava-se no coração, ou por ele</p><p>chamado sensorium comune, sede também de todas as funções fundamentais</p><p>14</p><p>14</p><p>da vida e ainda lócus da alma (Bonica, 1990). Mas nem todos aceitavam as</p><p>ideias do sábio macedônio quanto à função subalterna do cérebro, como</p><p>Theophrastus (372-287 a.C.); mas Galeno, que viveu entre 131 e 200 d.C., que</p><p>começando o estudo experimental, de visão anatômica direta, mostrou que o</p><p>centro da sensibilidade era o cérebro, ligado ele a diferentes nervos periféricos</p><p>que conduziriam sensações específicas (ibidem).</p><p>Apesar disso, a concepção de Aristóteles – a dor como uma paixão da</p><p>alma – foi aceita por mais de 2000 anos e constituiu um fator de monta no atraso</p><p>das pesquisas fisiológicas e psicológicas sobre a natureza do fenômeno</p><p>doloroso.</p><p>A partir da metade do século XIX, a dor começou a ser investigada por</p><p>fisiologistas e discutida em laboratórios, e os resultados obtidos nesse campo</p><p>levantaram uma celeuma entre fisiologistas, de um lado, e psicólogos e filósofos,</p><p>de outro, cada grupo querendo dar uma explicação única, cabal e definitiva para</p><p>o fenômeno.</p><p>A massa dos trabalhadores de pesquisa favoreceu aos fisiologistas e a</p><p>teoria da dor como sensação foi aceita de maneira geral, inclusive pelos</p><p>psicólogos, no começo do século passado e, dessa forma, a opinião tradicional,</p><p>defendida pelos filósofos, foi posta de lado (Bonica, 1953).</p><p>Cabe registrar, todavia, que René Decartes (1596-1650), autor de L’</p><p>Homme, que pode ser considerado o primeiro manual de fisiologia, descreveu</p><p>a relação entre o cérebro, os nervos periféricos e a captação das sensações,</p><p>inclusive a dor, afastando-se, assim, do sensorium comune aristotélico. Foi,</p><p>como Galeno, um precursor.</p><p>Com o desenvolvimento da neurofisiologia, o componente emocional da</p><p>dor foi deixado de lado. Mas o pêndulo tinha ido longe demais e vários estudos</p><p>no século XX voltaram a considerar o quanto existia de psicológico na sensação</p><p>dolorosa, mantendo- se, porém, a dualidade entre sensação e reação emocional.</p><p>Merskey e Spear num lúcido artigo (1967) analisaram essa</p><p>dicotomia e</p><p>propuseram uma definição mais abrangente da dor que fundamenta o conceito</p><p>15</p><p>15</p><p>estabelecido em 1979 pela Associação Internacional para Estudos da Dor</p><p>(IASP).</p><p>Para a IASP, a dor “é uma experiência desagradável, sensitiva e</p><p>emocional, associada com lesão real ou potencial dos tecidos, ou discreta em</p><p>termos dessa lesão” (Merskey, 1982). Como diz Kanner (1998), essa definição</p><p>pode conter certa circularidade, mas ela coloca explicitamente a importância do</p><p>componente subjetivo da dor, e talvez seja esta sua maior valia. Em outros</p><p>termos: sempre existe dor quando alguém se queixa de dor (com exceção dos</p><p>simuladores), haja ou não um estímulo nociceptivo reconhecido.</p><p>Dentro desse contexto, o que significa dor? O que expressa ela? Como</p><p>diz Andrew Sims (2001), “certamente o significado da dor é mais que a dor por</p><p>si só, e amiúde é razão para a sensação ser interpretada como sofrimento”.</p><p>A dor pode, às vezes, constituir uma solução neurótica para um conflito e,</p><p>como tal, ser assim mantida (Sims, 2001), e cita Trethoven: “tal paciente não</p><p>está sofrendo de dor, ele está sofrendo do sofrimento”.</p><p>Bonica diz, com razão, que como a dor foi sacralizada e considerada como</p><p>“boa para a alma” seja “queima-se o corpo para salvar a alma”, se a retirou das</p><p>pesquisas científicas e qualquer atitude destinada a abolir tal sofrimento era</p><p>desencorajada. Com isso, o entendimento do problema foi retardado. Não foi em</p><p>vão que Dante, no inferno, colocou em cada círculo uma variedade de pecado e</p><p>uma correspondente forma de castigo que implicava uma dor (Loteiko, 1909).</p><p>Mas a dor não apresenta somente aspectos negativos. Como acima visto,</p><p>ela é uma forma de aviso, de alarme para o organismo, uma espécie de “algo</p><p>está errado comigo!”. Segundo Ripley (1953), as crianças têm boa tolerância à</p><p>dor e tal fato é importante, pois os frequentes traumatismos que lhes ocorrem</p><p>são necessários no processo normal de desenvolvimento. Não fosse a dor bem</p><p>tolerada, as crianças ficariam inibidas para a prática de qualquer experiência que</p><p>resultasse em conhecimento novo e, dessa forma, sua maturidade seria</p><p>retardada. Nos raros casos de “analgesia congênita”, por não sentirem dor, ficam</p><p>as crianças expostas à múltiplos traumatismos, às vezes bastante graves</p><p>(Figueiró, 2000).</p><p>16</p><p>16</p><p>Por outra parte, e em termos práticos, a dor é o sintoma mais comum em</p><p>medicina clínica, surgindo em torno de 75 a 80% das pessoas que procuram o</p><p>Sistema de Saúde (Figueiró, 2000). Estima-se que a dor crônica ocorra em 30 a</p><p>40% da população brasileira e que seja a principal causa de falta ao trabalho,</p><p>licença médica, aposentadoria por doença, indenização trabalhista e baixa</p><p>produtividade.</p><p>3.1 Neurofisiologia da dor</p><p>A neurofisiologia tem progredido tanto nas últimas décadas, desde que</p><p>Melzack e Wall desenvolveram, em 1965, a sua célebre “teoria do portão”, e</p><p>Hunghes revelou a importância dos opioides endógenos, em 1975, que se torna</p><p>difícil ao não especialista dominar seus múltiplos aspectos.</p><p>Há, todavia, algumas noções ligadas à neurofisiologia que são pertinentes</p><p>à dor experimental, mas que servem para explicar alguns aspectos da</p><p>experiência dolorosa em nível clínico. São elas: o limiar fisiológico, o limiar de</p><p>tolerância e a resistência à dor.</p><p>O limiar fisiológico, estável de um indivíduo para outro, pode ser definido</p><p>como o ponto ou o momento em que um dado estímulo é sentido como doloroso.</p><p>Quando se usa o calor como fator de estimulação, o limiar doloroso situa-se em</p><p>torno dos 44º (Strain, 1975), não só para o homem como também para diferentes</p><p>mamíferos (símios, ratos).</p><p>Limiar de tolerância é o ponto em que o estímulo atinge tal intensidade</p><p>que não pode mais ser aceitavelmente tolerado (Janowsky, 1976), e na</p><p>experiência acima alcançada os 48º.</p><p>A importância prática do conhecimento do limiar da dor está no fato de</p><p>que ele pode ser elevado (diminuindo a dor) pelo sono, pelo repouso, pela</p><p>simpatia, pela compreensão, pelo carinho, pela distração, pela redução da</p><p>ansiedade e pelo estresse, pela música, etc. Ao contrário, o limiar pode ficar mais</p><p>baixo (aumento da dor) por múltiplos fatores: estresse, desconforto, fadiga,</p><p>17</p><p>17</p><p>ansiedade, medo, raiva, tristeza, solidão, etc. (Pavani, 2000). Resistência à dor</p><p>seria a diferença entre os limites. É também modificada por traços culturais,</p><p>emocionais, e ao sistema límbico cabe a modulação da resposta</p><p>comportamental (Harvey, 1987).</p><p>Outra noção importante é a da expressão da dor, isto é, a forma pela qual</p><p>a dor, experiência que pode ser dividida, é comunicada pelo paciente. A</p><p>comunicação pode ser verbal ou não verbal e incluir gestos, gemidos, atitudes,</p><p>posições analgésicas, etc.</p><p>Um clássico trabalho de Mark Zborowski (1952) mostra o quanto a</p><p>expressão da dor está ligada a fatores culturais. Para esse autor, nas sociedades</p><p>humanas, a dor, como tantos outros fenômenos fisiológicos, adquire um</p><p>significado cultural e social bem específico, e certas reações a ela podem ser</p><p>entendidas à luz desse significado. Assim ele comparou a forma como judeus,</p><p>italianos e americanos, expressavam a dor causada por doenças neurológicas,</p><p>principalmente hérnias discais e outras lesões vertebrais. Os judeus e italianos,</p><p>mais livres na expressão de suas emoções, menos contidos, demonstravam seu</p><p>sofrimento de forma mais veemente que os americanos.</p><p>Naqueles, diferentemente destes últimos, a expressão pública das</p><p>emoções não era tão mal vista como nos americanos, educados dentro de um</p><p>autocontrole que os levava a minimizar a dor, evitar queixas ou despertar</p><p>piedade. Sternbach (1977) pensa que além dos aspectos culturais, traços</p><p>pessoais também influem: os extrovertidos manifestam suas dores de modo mais</p><p>livre e imediato que os introvertidos.</p><p>Os fatos acima expostos mostram que mesmo sendo a dor um fenômeno</p><p>universal, cada um de nós sente e expressa suas dores de forma muito pessoal,</p><p>cremos que sem exagero, se poderia dizer que “nós somos” as nossas dores.</p><p>18</p><p>18</p><p>4. PRECURSORES CONTRIBUIÇÕES DA PSICANÁLISE</p><p>A psicossomática e a psicanálise estão articuladas histórica e</p><p>praticamente, mesmo que Freud, em momento algum, tenha se preocupado em</p><p>criar uma teoria psicossomática. Devido ao fato de seus conceitos fomentarem</p><p>grandes discussões e fundamentarem inúmeros modelos, ele é considerado um</p><p>dos percursores mais influentes nesta área (Dejours et al.., 1980; Dejours, 1988,</p><p>cit. Cardoso, 1995).</p><p>Freud (1895), em seus estudos sobre a histeria, “aborda a componente</p><p>somática do sintoma de um ponto de vista econômico e conceitualiza o</p><p>fenômeno de conexão, a que atribui o sentido de expressão simbólica do</p><p>conflito”. (A. Dias 1976 cit. Cardoso, 1995, op. cit.).</p><p>Diferentemente de Janet que “afirmava um valor negativo, fosse para</p><p>organização mental subjacente (subconsciente) ou para o sistema neurótico</p><p>(astenia)”, Freud propõe um valor positivo à “descompensação neurótica, via o</p><p>estudo do fenômeno histérico” (A. Dias, 1992, op. cit.), delimitando, assim, o</p><p>pensamento psicanalítico do pensamento psicológico da época.</p><p>Freud introduziu a expressão complacência somática para se referir à</p><p>“escolha da neurose histérica e a escolha do órgão ou do aparelho corporal sobre</p><p>o qual se dá a conversão”. (Laplanche e Pontalis, 1995, p.69), onde o corpo ou</p><p>um órgão específico facilitaria a expressão simbólica do conflito inconsciente. Ao</p><p>questionar a determinação do sintoma, no caso Dora, Freud (1905) levanta a</p><p>polêmica questão referente à origem dos sintomas histéricos, ou seja, se seriam</p><p>de origem psíquica ou somática. Para ele, no entanto, a questão da origem dos</p><p>sintomas histéricos, não está em escolher entre a origem psíquica e a somática,</p><p>uma</p><p>vez que “todo sintoma histérico requer a participação de ambos. Não pode</p><p>ocorrer sem a presença de uma certa complacência somática fornecida por</p><p>algum processo normal ou patológico no interior de um órgão do corpo ou com</p><p>ele relacionado”. (Freud, 1905, Vol. VII, p. 47-48). Portanto, para Freud, é esta</p><p>19</p><p>19</p><p>complacência somática que “proporciona aos processos psíquicos inconscientes</p><p>uma saída no corporal” (Freud, 1905, loc. cit.).</p><p>Nas psiconeuroses os sintomas provêm do recalcado num processo de</p><p>insucesso do recalcamento e de retorno do recalcado. Ou seja, o “conflito</p><p>intrapsíquico e as tentativas para sua elaboração tomariam o lugar central, com</p><p>existência de fantasma e neurose de transfert” (Cardoso, 1995, p.9). Enquanto</p><p>que nas neuroses atuais (neurastenia, neurose de angustia e hipocondria) não</p><p>há mediação psíquica e a patologia reflete, diretamente, uma economia sexual</p><p>perturbada, consequência de um excesso ou insuficiência de descarga, “seria a</p><p>realidade a tomar maior importância, ficando o conflito fora do acesso do sujeito”</p><p>(Sami-Ali, cit. Cardoso, 1995, p.9).</p><p>Vemos que, os contributos da psicanálise para a teoria psicossomática</p><p>são valiosos, uma vez que, “qualquer que seja o momento de sua elaboração, a</p><p>teoria psicossomática permanece estreitamente ligada à psicopatologia e mais</p><p>especialmente à noção de psiconeurose, o que continua sendo a norma mesmo</p><p>quando dela nos afastamos deliberadamente” (Sami-Ali, 1993, p.86).</p><p>5. ALGUMAS ESCOLAS DE PSICOSSOMÁTICA</p><p>Para iniciar este capítulo, não poderia deixar de citar alguns conceitos e,</p><p>ao mesmo tempo, dar um passeio rápido tanto pela Psicossomática no mundo</p><p>quanto, e mais especificamente, no Brasil. No Jornal Paulistano de</p><p>Psicossomática, nº 26 – ano 9. Exemplar disponível na Sede da Associação</p><p>Brasileira de Medicina Psicossomática, Regional de São Paulo (ABMP- SP), na</p><p>R. Bahia, 843 - Higienópolis, São Paulo - SP, 01244-000. Fundada em São Paulo</p><p>em 1976, essa associação conta atualmente com mais de 500 sócios de várias</p><p>categorias profissionais da área as saúdes, e tem como objetivo ministrar cursos</p><p>de formação para esses profissionais, através da abordagem psicossomática.</p><p>Também se propõe a atender a demanda social, cuidando da manutenção da</p><p>20</p><p>20</p><p>saúde nas várias abordagens científicas e observando as abordagens</p><p>alternativas de tratamentos do indivíduo.</p><p>Neste exemplar do referido jornal citado acima, podemos ter acesso ao</p><p>interessante conceito de Maria Adélia Jorge Mac Fadden, renomada psicóloga</p><p>da Universidade Unicamp, no qual ela explicita que “o conceito de Medicina</p><p>Psicossomática está associado à patologia geral e à vida psíquica consciente e</p><p>inconsciente, mas que dada a natureza obscura desta interrelação, há</p><p>necessidade de definições precisas para este termo”. Além disso, ela também</p><p>cita as noções mais usuais que foram agrupadas em três categorias.</p><p>A expressão psicossomática é empregada para designar sintomas ou</p><p>síndromes funcionais em que a unidade patológica se constitui da associação</p><p>entre uma expressão fisiológica e uma expressão psicológica manifestante.</p><p>Trata-se de fenômenos físicos expressivos de estados emocionais, como, por</p><p>exemplo, náuseas, vertigens, espasmos etc.</p><p>Esse termo se aplica à descrição de doenças como expressões de um</p><p>perfil particular de personalidade ou de conflitos psicológicos, como asma</p><p>brônquica, hipertensão arterial, colite ulcerativa. É nesta perspectiva que os</p><p>primeiros psicossomatistas conceituavam as clássicas doenças</p><p>psicossomáticas.</p><p>Outro conceito citado pela autora acima, é o que a Medicina</p><p>Psicossomática pode ser entendida como uma manifestação do corpo como um</p><p>todo. Dentro dessa perspectiva, a atitude psicossomática transcende a noção de</p><p>uma etiologia específica e articula-se com todas as dimensões dos seres</p><p>humanos: psicológica, cultural, social, moral, física, entre ouras. Esses diversos</p><p>aspectos aparecem numa interação complementar, de modo que variações em</p><p>um deles repercutem sobre os outros. Assim, as noções de psicogênese e</p><p>somatogênese ficam sem sentido. Esse enfoque propõe mudanças nas</p><p>concepções de etiologia e de descrições das doenças, assim como nas noções</p><p>que orientam a prática médica. O observador, agora, ao fazer a coleta de dados</p><p>relacionados com a história da doença, não pode mais negligenciar as</p><p>informações sobre a família, relações sociais, amorosas, reiterando, assim, a</p><p>21</p><p>21</p><p>doença de uma concepção acidental para compreendê-la em seu novo e</p><p>verdadeiro significado. Dessa forma, é através de seu método que a Medicina</p><p>vai poder assimilar os problemas de doenças atuais, como a noção de crise e de</p><p>limiar, a importância dos fatores de defesa ou de imunidade.</p><p>Ainda explorando o jornal Paulistano de Psicossomática, nº 26, podemos</p><p>fazer uma retrospectiva sobre a Psicossomática no mundo, e fico surpresa de</p><p>ter consciência de que ela não é tão nova como aparenta. Já no ano de 460 a.</p><p>C., Hipócrates dava a ideia da unidade funcional do corpo, segundo a qual a</p><p>psique (alma) exerce uma função reguladora.</p><p>Historicamente, o termo “psicossomática” aparece com J. A. Heinroth,</p><p>psiquiatra alemão, em 1818, quando ele se refere às paixões sexuais na</p><p>evolução da tuberculose, da epilepsia e do câncer, ressaltando a importância da</p><p>integração dos aspectos físicos e anímicos do adoecer. E, em 1828, ele cria o</p><p>termo somatopsíquico. De 1813 a 1878, encontraríamos Claude Bernard, na</p><p>França, dissertando sobre o Princípio da Homeostase, o qual foi defendido por</p><p>Walter Canon entre 1871 e 1945. Em 1913, temos E. Fedem, na Alemanha,</p><p>escrevendo sobre asma rebelde. Leon Alendy e Sacha Nocht, ambos alemães,</p><p>por sua vez, sobre eczema e retocolite hemorrágica, e Smiter E. Jelliffe, nos</p><p>Estados Unidos, narrando um caso de psoríase. Em 1914, há ainda K. Westphal</p><p>anunciando a origem nervosa da úlcera péptica. E, em 1919, Sándor Ferenezi</p><p>aborda a relação entre o pensamento e a motricidade, além de criar o termo</p><p>neurose de órgão, que foi retomado por Franz Alexander.</p><p>Em 1923, Sigmund Freud, na Áustria, escreve sobre as relações entre o</p><p>Psíquico e o Somático. A teoria psicanalítica serviu como referência fundamental</p><p>no desenvolvimento das teorias psicossomáticas realizadas ao longo do século</p><p>XX. Constata-se que a maioria dos pioneiros da psicossomática originou-se do</p><p>movimento psicanalítico. Nesse mesmo ano, Paul Schilder divulga seu estudo</p><p>sobre a imagem corporal, e Georg Groddeck lança seu livro D'Isso. Em 1926,</p><p>Felix Deutsch resgata o termo psicossomática de Heinroth e, no ano de 1929,</p><p>psicanalistas migram para os Estados Unidos, a saber: Felix Deutsch, Franz</p><p>22</p><p>22</p><p>Alexander, Otto Rank, O. Fenichel, W. Reich, E. Fromm, E. Simmel, E. Spitz,</p><p>entre outros.</p><p>Em 1930, o projeto de Franz Alexander cujo objetivo era de ampliar a</p><p>prática psicanalítica para o campo da Medicina cria a escola de psicossomática</p><p>de Chicago. Seus fundadores, Franz Alexander, F. Deutsch, Flanders Dunbar,</p><p>O. English e Ruesch, entre outros, tentaram estabelecer relações entre conflitos</p><p>emocionais específicos e estruturas de personalidade com alguns tipos de</p><p>doenças somáticas, o que exerceu grande influência na maneira de pensar de</p><p>algumas futuras gerações de terapeutas.</p><p>Entre outros conceitos, encontramos no artigo de Rogério Amoretti,</p><p>psicanalista, membro fundador da CORPORE - Associação de Psicanálise e</p><p>Psicossomática, intitulado "Alguns Elementos de Introdução à Psicossomática",</p><p>algumas definições interessantes sobre esse termo, sobre o qual ele afirma que</p><p>muitos autores têm usado a noção de psicossomático de diferentes maneiras,</p><p>ou seja, com sentidos e conotações diversas, o que a torna confusa tanto em</p><p>seu uso médico quanto psicanalítico. E foi</p><p>a partir das ideias de Freud e Ferenczi,</p><p>que, durante todo o desenvolvimento do século XX, aconteceram os principais</p><p>debates e as mais importantes contribuições para o estudo da Psicossomática.</p><p>Em toda sua obra, Freud denota preocupação e grande interesse na</p><p>relação do psíquico com o corporal. Desde os estudos pré-psicanalítico ate seus</p><p>últimos trabalhos, sua atenção não se restringiu somente ao funcionamento do</p><p>psíquico, mas voltou-se também para o corporal e o orgânico.</p><p>4.1 Psicossomática no Brasil</p><p>Podemos encontrar no Jornal Paulistano de Psicossomática (JPP) nº 26,</p><p>p. 3, que o movimento psicossomático surgiu em São Paulo em 1965. Logo em</p><p>seguida, teve abrangência em todo território nacional. Atualmente existem cerca</p><p>de 20 regionais espalhadas pelo Brasil divulgando a Psicossomática, as quais</p><p>23</p><p>23</p><p>estão diretamente ligadas a uma Direção Nacional, cuja sede tem endereço</p><p>itinerante.</p><p>O objetivo da Psicossomática é diferenciar o profissional associado no seu</p><p>atendimento como cuidador. Conhecer, aprimorar, integrar e diferenciar a</p><p>qualidade dos cuidadores que atuam na área da saúde, através do processo</p><p>biopsicossocial, além de promover pesquisas sobre o processo de adoecer.</p><p>4.2 Psicossomática na Americana</p><p>Na América, o interesse pela psicossomática surge por volta dos anos 30,</p><p>consolidando-se em meados deste século com Alexander e Dunbar da Escola</p><p>de Chicago. Estes autores consideram que os transtornos psicossomáticos</p><p>seriam “consequência de estados de tensão crônica, relativa à expressão</p><p>inadequada de determinadas vivências, que seriam derivadas para o corpo”.</p><p>(Cardoso, 1995, p.10). Defendem ainda a questão da especificidade da doença</p><p>psicossomática numa visão psicogenética. De acordo com a hipótese da</p><p>especificidade, “as diferentes doenças psicossomáticas corresponderiam</p><p>diferentes ‘fatores psicológicos’, que para Dunbar seriam os tipos de</p><p>personalidade e para Alexander os conflitos ou ‘situações de vida significantes’”</p><p>(Cardoso, 1995, loc. cit.)</p><p>Alexander (1989, p.37), analisando o conceito Freudiano de histeria</p><p>conversiva em psicossomática faz uma distinção entre sintoma conversivo e</p><p>neurose vegetativa. Para ele, o sintoma conversivo é “uma expressão simbólica</p><p>de um conteúdo psicológico emocionalmente definido”, cuja finalidade é</p><p>“expressar e aliviar tensões emocionais”, através dos sistemas neuromuscular</p><p>voluntário ou perceptivo. Enquanto a neurose vegetativa é uma resposta</p><p>fisiológica dos órgãos vegetativos a estados que podem ser ou não constantes.</p><p>Para este autor, apenas no campo das inervações voluntárias pode haver</p><p>a expressão simbólica do conteúdo psicológico, enquanto que é pouco provável</p><p>que nos órgãos internos haja expressão simbólica. Para explicar este</p><p>24</p><p>24</p><p>funcionamento, Alexander cria a noção de “neurose orgânica”, que abrange</p><p>todos os “distúrbios funcionais” dos órgãos vegetativos, causados por impulsos</p><p>nervosos, originados por processos emocionais “que ocorrem em algum lugar</p><p>nas áreas cortical e subcortical do cérebro” (Alexander, 1989, p.37).</p><p>Portanto, segundo este autor, a tensão emocional proveniente de conflitos</p><p>vivenciados ou afetos específicos reprimidos estimulariam a função de órgãos</p><p>específicos, verificando-se, a partir daí, “uma espécie de ‘estase anormal de</p><p>energia’, pelo aumento ou persistência da produção dos concomitantes</p><p>fisiológicos das emoções, perturbadora do seu funcionamento normal”, isto é, o</p><p>que em um primeiro momento “se traduziria por uma alteração da função”</p><p>posteriormente se constituiria em “uma transformação orgânica”, ou seja,</p><p>“passaria de sintoma funcional a sintoma orgânico” (Cardoso, 1995, p.11).</p><p>Do ponto de vista psicodinâmico, Alexander (1989, p.11), divide os</p><p>distúrbios emocionais das funções vegetativas em duas categorias, sendo que</p><p>correspondem a duas atitudes emocionais específicas. A primeira categoria se</p><p>refere às atitudes emocionais de “preparação para luta ou fuga” e a segunda à</p><p>“retirada da atividade” dirigida para o exterior. E, do ponto de vista fisiológico, as</p><p>atitudes emocionais, da primeira categoria, estão sob o comando do sistema</p><p>nervoso simpático; e, a segunda categoria, sob o sistema nervoso</p><p>parassimpático. Partindo deste princípio, distingue as doenças relacionadas ao</p><p>sistema nervoso simpático como respostas ativas, e as doenças relacionadas ao</p><p>sistema nervoso parassimpático como respostas passivas. “O primeiro grupo</p><p>incluiria doenças como a hipertensão arterial, a diabetes, a epilepsia, etc...</p><p>enquanto do segundo grupo fariam parte afecções como asma, as colites, a</p><p>úlcera duodenal, etc...” (Cardoso, 1995, p.11).</p><p>A teoria da especificidade norteia todos os pontos de vista de Alexander.</p><p>Para ele, a especificidade orgânica seria responsável pela fragilidade de</p><p>determinados órgãos. “Está aliada a constelações emocionais ou</p><p>psicodinâmicas dos sujeitos e que a par de conflitos inconscientes específicos</p><p>organizaria modos de defesa também específicas, poderia levar ao</p><p>25</p><p>25</p><p>aparecimento de determinadas doenças, servindo a situação exterior de</p><p>desencadeante” (Cardoso, 1995, loc. cit.).</p><p>As doenças endócrinas é outro terreno fecundo para a “correlação de</p><p>traços de personalidades com quadros de doença” (Alexander, 1989, p.58). O</p><p>paciente com hipertireoidismo demonstra ser “extremamente tenso, irritável e</p><p>sensível”, (Alexander, 1989, op. cit.), enquanto que o paciente com</p><p>hipotireoidismo demonstra ser uma pessoa “embotada, fleumática e lenta”</p><p>(Alexander, 1989, op. cit.).</p><p>6. ALEXITIMIA E PENSAMENTO OPERATÓRIO: A</p><p>QUESTÃO DO AFETO NA PSICOSSOMÁTICA</p><p>No acompanhamento de pacientes definidos como psicossomáticos,</p><p>autores franceses e americanos encontraram características comuns e</p><p>frequentes que apontam para uma forma peculiar de pensamento e de lidar com</p><p>as emoções. Assim, Marty e Múzan (1983) partindo de estudos sobre a vida</p><p>onírica, feitos por Fain e David, e os estendendo a seus pacientes, encontraram</p><p>uma forma de pensamento que julgaram original ou, quando presente, de pouca</p><p>significação funcional para o equilíbrio psíquico. Ainda que tais características</p><p>não fossem específicas desses pacientes, estes autores postularam a hipótese</p><p>de uma estrutura psíquica, à semelhança das estruturas neurótica, psicótica,</p><p>perversa, etc. Eles chamaram este tipo de estrutura de pensamento operatório.</p><p>Sifneos (1973) assinalou que tais pacientes apresentavam uma característica</p><p>que se traduzia na dificuldade de descrever suas emoções e mesmo de senti-</p><p>las. Este autor criou o termo alexitimia (do grego a, sem; lexis, palavra; thumus,</p><p>ânimo ou afetividade). Significa, pois: “ausência de palavras para nomear as</p><p>emoções”. Os dois termos citados – pensamento operatório e alexitimia – são</p><p>hoje largamente empregados pelos estudiosos do problema. Todavia, referidos</p><p>autores mostram que estas características também são encontradas em outros</p><p>26</p><p>26</p><p>pacientes, mas sua frequência é significativamente maior nos chamados</p><p>psicossomáticos, que demonstram maior “vulnerabilidade psicossomática”.</p><p>Os portadores de pensamento operatório têm um mundo interno pobre e</p><p>investem intensamente na realidade externa, da qual passam a ser</p><p>dependentes. De orientação pragmática, são “tenazmente aderidas ao</p><p>circunstancial”. Quando sofrem problemas existenciais, intensificam o</p><p>investimento no trabalho para que este ocupe o lugar do objeto interno segurador</p><p>(mãe). Kristal (1973) afirma que a dificuldade do psicossomático de cuidar de si</p><p>mesmo decorre do fato de, quando criança, viver como transgressão, e sujeito a</p><p>castigo, o ato de interiorizar o objeto materno com o propósito de adquirir funções</p><p>protetoras e tranquilizadoras. O uso do trabalho é facilitado porque registram</p><p>pouco</p><p>cansaço ou sinais físicos do mesmo. As representações ou percepções</p><p>carregadas de afetos são afastadas da mente e as tensões físicas não</p><p>encontram caminho para o psíquico, permanecendo no campo físico. Neles</p><p>ocorre também que os resíduos diurnos não se articulam com os traços de</p><p>memória, portanto, não se traduzem em elaborações adequadas de sonhos,</p><p>tornando pobre a vida fantasmática e não podendo ser usados adequadamente</p><p>como cenário da pulsão. Segundo Dejours (1988), que defende a ideia de existir</p><p>um inconsciente primitivo que abriga e se constitui na pulsão da Morte, clivado</p><p>defensivamente do Inconsciente Secundário ou Inconsciente Freudiano, onde</p><p>todo o material recalcado aí está, o sonho teria uma função fundamental de</p><p>recolher e recalcar os impulsos destrutivos, violentos, originários da referida</p><p>pulsão, tornando mais efetivos os mecanismos defensivos do ego. Para esse</p><p>autor, o sonho seria um dos elementos estruturantes do aparelho psíquico,</p><p>função esta importantíssima ao lado da conhecida função, que lhe atribuiu Freud,</p><p>da realização de desejos inconscientes. A presença da pulsão de morte nos</p><p>fenômenos psicossomáticos é defendida principalmente por Marty (1983) como</p><p>responsável pelos movimentos de desorganização psíquica e corporal, levando</p><p>a alterações somáticas fisiológicas, patológicas e mesmo mortais.</p><p>Le Shan (1994) em seu longo estudo e acompanhamento de pacientes</p><p>com câncer diz: “Todos os pacientes de câncer que observei em minha vida –</p><p>mais de 500 – pareciam ter mais emoções do que energia para expressá-las.</p><p>27</p><p>27</p><p>Todos davam a impressão de possuir maior energia emocional do que formas</p><p>para manifestá-las... Entretanto, isso não acontecia nos indivíduos do grupo</p><p>controle, que não tinham câncer. Na verdade, entre os pacientes do grupo</p><p>controle, era comum terem mais exigências do que a energia necessária para</p><p>atendê-las. A ausência de formas de expressão para a energia emocional e a</p><p>incapacidade para manifestá-las afetavam os pacientes de câncer de duas</p><p>maneiras. Primeiro, como vimos anteriormente, estes indivíduos eram incapazes</p><p>de dar vazão a seus sentimentos, de deixar que os demais soubessem quando</p><p>estavam magoados, zangados ou hostis... Ficava claro que os pacientes de</p><p>câncer, nas mais variadas situações, sentiam dificuldade para demonstrar raiva</p><p>ou agressividade em defesa própria. Segundo: sempre achavam que o outro é</p><p>que está certo e não protestavam”.</p><p>Dr. David Kissen, citado por Le Shan, estudou mais de 300 pacientes com</p><p>problemas torácicos e observou que metade sofria de câncer de pulmão e a outra</p><p>metade ficou em grupo controle. Aqueles que não possuíam canais suficientes</p><p>para a descarga emocional eram muito mais predispostos a ter câncer. Um</p><p>estudo posterior mostrou que a taxa de mortalidade para câncer de pulmão (em</p><p>100.000 pessoas por ano) era de 270 para os que não possuíam canais</p><p>suficientes e apenas em 59 para aqueles que possuíam canais adequados de</p><p>expressão emocionais. Mais interessante que essa diferença existia</p><p>independentemente do número de cigarros consumidos.</p><p>Como foi dito por Marty, o pensamento operatório está ligado ao</p><p>inconsciente, mas se comporta em relação ao mesmo como “cego de</p><p>nascimento”, isto é, num nível tão baixo que não permite uma elaboração</p><p>integrada da vida pulsional. Por outro lado, também apresenta características do</p><p>processo secundário de pensamento, mas, em sua essência, o pensamento</p><p>operatório traz diferenças significativas, como só tratar o tempo dentro de limites</p><p>precisos e curtos, só se ligar às coisas. Nele a palavra serve para descarregar</p><p>uma tensão, mas não consegue mantê-la em suspenso para articulá-la num</p><p>processo egóico defensivo ou na produção de sonhos ou fantasias.</p><p>28</p><p>28</p><p>CLÍNICA PSICOSSOMÁTICA</p><p>“A psicossomática caracteriza-se como uma atitude na promoção de</p><p>saúde, postulando uma visão integrada, na sua unidade irredutível corpo-mente”,</p><p>com essa definição, Campos e Rodrigues (2005, p. 299) apresentam uma visão</p><p>atual em psicossomática e na maneira de se enxergar o ser humano, visto que</p><p>corpo e mente representam um contínuo e são inseparáveis anatômica e</p><p>funcionalmente.</p><p>Ainda que realmente algumas doenças apresentem correlações com</p><p>aspectos emocionais e situações de vida, as escolas psicossomaticistas não</p><p>mais se referem às expressões “doenças psicossomáticas”, como eram</p><p>encaradas a úlcera péptica, a retocolite ulcerativa, a asma brônquica, a</p><p>hipertensão arterial, entre outras (CAMPOS; RODRIGUES, 2005). Seja qual for</p><p>o fator etiológico (de causa) preponderante na doença, ela acontece em um ser</p><p>humano detentor de vida mental, social e biológica, portanto, passa a ser um</p><p>fenômeno psicossomático, ou seja, segundo a compreensão atual na área, toda</p><p>doença é psicossomática.</p><p>Como apontam Campos e Rodrigues (2005, p. 301):</p><p>Dentro dessa perspectiva, a doença expressa e revela a forma de um</p><p>individuo viver e sua interação com o mundo. Obedece, pois, a uma</p><p>pluricausalidade, ou seja, a fatores bio-físico-quimicos, como agentes</p><p>bacterianos, dietas, clima, genéticos, entre outros, e a fatores de ordem</p><p>psíquica e social, e compromete uma pluridimensionalidade, visto que</p><p>todo ato humano ocorre simultaneamente nos níveis somático, mental e</p><p>social. No máximo, temos a expressão predominante em um dos três</p><p>níveis do existir.</p><p>A Escola de Psicossomática de Paris, que tem como principal autor Pierre</p><p>Marty e tem como base a teoria psicanalítica, entende que os seres humanos se</p><p>confrontam a todo momento com um afluxo de excitações, pensamentos,</p><p>desejos, necessidades e conflitos e que temos a possibilidade de descarregá-los</p><p>por três possíveis vias: a orgânica (somática), a ação (comportamento) e o</p><p>pensamento (psiquismo, representações psíquicas, fantasias etc.) (VOLICH,</p><p>2010).</p><p>29</p><p>29</p><p>Uma pessoa que entra em conflito com outra por alguma desavença, por</p><p>exemplo, pode conseguir lidar emocionalmente com a situação de briga, elaborar</p><p>um diálogo conciliador ou explicar o motivo de estar raivosa (saída pelo</p><p>pensamento), ou então agredir fisicamente o outro (ação), entretanto, a</p><p>experiência de raiva pode propiciar um aumento momentâneo dos batimentos</p><p>cardíacos, da pressão arterial, vermelhidão nas faces, tremor ou até mesmo uma</p><p>dor de cabeça posteriormente (descarga pela via somática).</p><p>A saída mais complexa e adaptada, pela via do pensamento, envolve o</p><p>processo definido como mentalização, explicado por Volich (2010, p. 203) como</p><p>um “conjunto de operações de representação e simbolização por meio das quais</p><p>o aparelho psíquico busca regular as energias instintivas e pulsionais, libidinais</p><p>e agressivas”.</p><p>Entretanto, falhas no desenvolvimento psíquico ou experiências</p><p>perturbadoras (traumáticas) podem comprometer o funcionamento mais</p><p>evoluído, temporária ou cronicamente, e essas descargas restam a ocorrer,</p><p>então, pela via da ação ou por reações orgânicas, incluídas aqui desordens</p><p>funcionais de órgãos, desorganizações psicossomáticas progressivas com</p><p>adoecimentos recorrentes e potencialmente graves ou até mesmo o que se</p><p>compreende pelas reações fisiológicas da ansiedade/pânico. Essa compreensão</p><p>é similar à de McDougall, psicanalista estudiosa do fenômeno psicossomático e</p><p>relações corpo-mente, que entende “a somatização como resposta, tanto aos</p><p>conflitos internos como às catástrofes externas” (MCDOUGALL, 1991, p. 135</p><p>apud CAMPOS; RODRIGUES, 2005).</p><p>O foco da clínica psicossomática recai sobre esses momentos em que o</p><p>sujeito “não encontra palavras” para descrever suas vivências. A não existência</p><p>ou a impossibilidade momentânea de se trabalhar com palavras, componentes</p><p>afetivos, metafóricos acerca do que se está vivendo acaba por comprometer</p><p>esse funcionamento e deixa o sujeito à mercê de descargas pelo comportamento</p><p>ou quadros de somatização. É função do psicólogo “fazer falar” (no sentido de</p><p>propiciar a fala), estimular no individuo qualquer manifestação subjetiva de</p><p>30</p><p>30</p><p>maneira a integrar na sua história – com palavras – o que pode facilmente ser</p><p>vivido como traumático ou intolerável.</p><p>A psicossomática, como um campo de compreensão, busca um</p><p>entendimento na relação mente-corpo e dos processos de adoecimento,</p><p>partindo, principalmente, da observação dos distúrbios físicos nos quais</p><p>processos emocionais desempenham um papel ou de situações observadas nas</p><p>diversas clínicas (hospitalar, psicológica, médica etc.), nas quais uma</p><p>perturbação psicológica (estresse, como comumente apontado) aumenta o risco</p><p>de se desenvolver ou agravar doenças físicas (CAPITÃO; CARVALHO, 2006).</p><p>AS CONCEPÇÕES ACERCA DO CONCEITO DE</p><p>SOMATIZAÇÃO</p><p>A somatização constitui-se não como o único, mas como um dos objetos</p><p>de estudo da Psicossomática, pois as concepções atuais definem essa área de</p><p>conhecimento como o campo de estudo que tem como objeto os mecanismos</p><p>de integração entre as dimensões mental, corporal e social, ou seja, trata da</p><p>integração biopsicossocial (RIECHELMANN, 2009). Nessa perspectiva,</p><p>Rodrigues, Campos e Pardini (2010) afirmam que a Psicossomática diz respeito</p><p>ao:</p><p>(...) estudo sistemático das relações existentes entre os processos</p><p>sociais, psíquicos transtornos de funções orgânicas ou corporais.</p><p>Consiste em um ramo do conhecimento que estuda e trata de questões</p><p>humanas, ou seja, promoções de saúde que pertencem, num só tempo,</p><p>ao orgânico, ao psíquico e ao social (Rodrigues, Campos; Pardini, 2010,</p><p>p. 131).</p><p>A evolução da concepção desse campo deu-se em três fases: a inicial, ou</p><p>psicanalítica, marcada pelos estudos sobre a gênese inconsciente das</p><p>enfermidades, sobre as teorias da regressão e sobre os benefícios secundários</p><p>do adoecer; a intermediária, ou behaviorista, fase em que predominou o estímulo</p><p>à pesquisa em homens e animais, buscando enquadrar os achados aos</p><p>31</p><p>31</p><p>parâmetros das ciências exatas, e dando um grande estímulo aos estudos sobre</p><p>o estresse; a atual ou interdisciplinar, em que se põe em destaque a importância</p><p>do social e da interdisciplinaridade (MELLO-FILHO, 2010).</p><p>A origem do termo somatização, segundo Fortes, Tófoli e Baptista (2010),</p><p>remonta à primeira metade do século passado. Como atestam esses autores, o</p><p>mencionado termo foi cunhado por Stekel e “[...] tem sido usado de forma muito</p><p>variada e imprecisa, um dos principais motivos de existirem tantas formas</p><p>diferentes de entender esse processo” (FORTES; TÓFOLI; BAPTISTA, 2010, p.</p><p>546).</p><p>Em determinados momentos históricos, verifica-se certa ausência de</p><p>delimitação entre os conceitos de somatização e doenças psicossomáticas, já</p><p>que estas eram associadas a sintomas físicos cuja gênese estaria nos fatores</p><p>emocionais, coincidindo, assim, com a ideia que se tinha de somatização.</p><p>Como afirmam Fortes, Tófoli e Baptista (2010, p. 547) “a somatização foi,</p><p>originalmente, e para muitos ainda o é, considerada um mecanismo de</p><p>interferência da mente sobre o corpo [...]”. Desse modo, os conceitos de</p><p>“somatização” e “doenças psicossomáticas” se confundiam. Os atuais estudos</p><p>concernentes aos fenômenos psicossomáticos, segundo Fortes, Tófoli e Baptista</p><p>(2010), construíram um novo modelo de compreensão do processo saúde-</p><p>doença cuidado, superando as teorias etiológicas lineares, unicausais e</p><p>cartesianas.</p><p>Dessa forma, contribuíram para a redefinição do conceito de “doenças</p><p>psicossomáticas” e, consequentemente, do conceito de “somatização”. De</p><p>acordo com esse novo modelo:</p><p>(...) o conceito de doenças psicossomáticas (no sentido daquelas onde</p><p>haveriam um componente emocional na determinação da doença) é</p><p>superado. (...) todas as doenças, em maior ou menor grau, são também</p><p>determinadas pelos aspectos psicológicos e sociais envolvidos na sua</p><p>evolução (Fortes; Tófoli; Baptista, 2010, p. 547).</p><p>Desse modo, os mencionados autores entendem que toda doença é</p><p>psicossomática. Essa visão contribuiu para que se instalassem os modelos</p><p>32</p><p>32</p><p>multicausais e integrais, que imperam na fase atual dos estudos</p><p>psicossomáticos.</p><p>A partir dessa mudança de modelo, “[...] o termo somatização perde seu</p><p>caráter genérico de ‘influência da mente sobre o corpo’, e adquire uma</p><p>especificidade. Passamos então a falar de sintomas físicos onde não se</p><p>verificam mecanismos anatomopatológicos que os justifiquem adequadamente”</p><p>(FORTES; TÓFOLI; BAPTISTA, 2010, p. 547), também chamados de “sintomas</p><p>sem explicação médica (SEM)”. Entretanto, é importante pontuar que esse atual</p><p>conceito de somatização causa controvérsias:</p><p>‘Sintomas médicos inexplicáveis’ talvez seja o nome da moda para</p><p>somatização (...), mas esse conceito serviria como um diagnóstico de</p><p>exclusão, pois pressupõe que nenhum médico conseguiria explica-lo, o</p><p>que não corresponde à realidade, já que a prática psiquiátrica é repleta</p><p>de sintomas perfeitamente explicáveis devido ao sofrimento emocional</p><p>(Coelho; Ávila, 2007, p. 281).</p><p>Considere-se também que a expressão “sem explicação médica” (SEM)</p><p>pode significar um exame mal feito, uma inadequada relação entre médico e</p><p>paciente, ou, ainda, formas patológicas cuja evolução científica ainda não</p><p>permitiu conhecê-las adequadamente (FORTES; TÓFOLI; BAPTISTA, 2010).</p><p>Desse modo, entende-se que o conceito de somatização que tem como</p><p>núcleo central “sintomas sem explicação médica” apenas nega a existência de</p><p>alterações anatômicas que justifiquem adequadamente os sintomas</p><p>apresentados, mas não põe em foco os aspectos psíquicos e sociais implicados</p><p>no processo. Com a ratificação dos autores mencionados anteriormente (idem),</p><p>considera-se que as representações e os significados que o paciente atribui a</p><p>sua sintomatologia somática, bem como suas implicações nos aspectos</p><p>funcionais e sociais deveriam ser reconhecidos como núcleo central do conceito</p><p>de somatização.</p><p>Nesse sentido, a somatização seria entendida como uma forma de illness,</p><p>ou seja, como “[...] experiência subjetiva da doença e suas repercussões nas</p><p>relações sociais” (ibidem, p. 548). Trata-se, pois, do sentir-se doente, do</p><p>acreditar estar doente, aderindo excessivamente ao papel de doente,</p><p>33</p><p>33</p><p>valorizando as sensações somáticas anormais e manifestando excessiva</p><p>preocupação com queixas físicas.</p><p>Desse modo, os supracitados autores afirmam textualmente:</p><p>Considerando que o núcleo central do conceito de somatização</p><p>enquanto fenômeno patológico não está relacionado apenas à presença</p><p>de sintomas físicos medicamente inexplicáveis, mas no (ao) padrão</p><p>explicativo que esses pacientes apresentam para estes sintomas e que</p><p>se relaciona a um padrão de busca de atendimento médico para essas</p><p>queixas, podendo, ou não, evoluir para um comportamento anormal de</p><p>doente (Fortes; Tófoli; Baptista, 2010, p. 550).</p><p>A partir disso, entende-se que a ausência de alterações</p><p>anatomopatológicas consiste numa evidência clínica importante para o</p><p>diagnóstico diferencial da somatização, mas os demais aspectos inerentes a</p><p>esse processo, tais como a excessiva preocupação com os sintomas físicos, a</p><p>busca por cuidados médicos, o padrão de atribuição adotado pelo paciente,</p><p>enfim, a sua experiência subjetiva frente às sensações somáticas são fatores</p><p>fundamentais nesse contexto.</p><p>Dessa forma, “[...] essas queixas somáticas [ditas] inexplicáveis estão</p><p>muito mais relacionadas à forma como o paciente apresenta seu sofrimento para</p><p>o profissional, do que se constituem como doença específica” (FORTES;</p><p>TÓFOLI; BAPTISTA, 2010, p. 548). Assim, pode-se afirmar que o padrão</p><p>explicativo que o paciente adota para apresentar seu sofrimento ao profissional</p><p>é determinante na configuração do quadro</p><p>de somatização.</p><p>34</p><p>34</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>A. Dias C. (1981) Psicossomática E Reumatologia. Separata Do “Jornal</p><p>Do Médico. Cv (1921): 215-221, Fev.</p><p>A. Dias C. (1992). Aventuras De Ali-Babá Nos Túmulos De Ur. Ensaio</p><p>Psicanalítico Sobre Somatopsicose. Fenda Edições Ltda.</p><p>AGUIAR, Alba Et Al. A Formação Em Psicologia Da Saúde. Cientifico. Ano</p><p>Iv. V.I, Salvador, Janeiro-Junho, 2004.</p><p>AGUIAR, R.W.; Caleffi, L. Dor Crônica. In: Kapczinki: Bases biológicas</p><p>dos transtornos psiquiátricos. Porto Alegre: Artmed. 2004: 407-418.</p><p>ALEXANDER F. Medicina psicossomática: seus princípios e aplicações.</p><p>Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.</p><p>Alexander, Franz (1989). Medicina Psicossomática. Artes Médicas. Porto</p><p>Alegre, 1989.</p><p>Angerami-Camon, Valdemar. O Ressignificado Da Prática Clínica E Suas</p><p>Implicações Na Realidade Da Saúde. In Angerami-Camon, Valdemar. Psicologia</p><p>Da Saúde. Um Novo Significado Para A Prática Clínica. São Paulo: Cengage</p><p>Learning, 2009.</p><p>ARTENI, N.S.; Netto, C.A. Neuroplasticidade. In: Kapczinki: Bases</p><p>biológicas dos transtornos psiquiátricos. Porto Alegre: Artmed. 2004: 71-81.</p><p>BÉCACHE, A. Doentes Psicossomáticos. In: Bergeret, J. Psicopatologia:</p><p>Teoria E Clínica. 9. Ed.. Porto Alegre: Artmed, 2006.</p><p>BOKANOWSKI T. Sándor Ferenezi – Psicanalistas de hoje. São Paulo:</p><p>via Lettera, 2000.</p><p>BOND, M.R. Pain. Edinburgh, Churchill, Livingstone, 1984.</p><p>BONICA, J.J. The management of pain. Philadelphia: Lea & Febiger,</p><p>1953.</p><p>CAMPOS, E. M. P.; Rodrigues, A. L. Mecanismo De Formação Dos</p><p>Sintomas Em Psicossomática. Mudanças: Psicologia Da Saúde, São Paulo, V.</p><p>13, N. 2, P. 290-308, 2005.</p><p>CAPITÃO, C. G.; Carvalho, E. B. Psicossomática: Duas Abordagens De</p><p>Um Mesmo Problema. Psic, São Paulo, V. 7, N. 2, P. 21-29, 2006.</p><p>35</p><p>35</p><p>CHIOZZA L. Diálogo psicanalítico sobre psicossomática. Buenos Aires:</p><p>Alianza, 1992.</p><p>Chrousos, G. P. Md E Gold, P. W. Md. (1993) Os Conceitos E Distúrbios</p><p>Do Sistema De Estresse. Suplemento Jama, Jan, Fev, Vol Iii Nº. 1: 479-491.</p><p>COELHO, C. L. S.; Ávila, L. A. Controvérsias Sobre A Somatização, In:</p><p>Revista De Psiquiatria Clínica, Vol. 34, N. 6, São Paulo: 2007, P. 278-279.</p><p>Dejours, Christophe. (1988). O Corpo Entre A Biologia E Psicanálise.</p><p>Artes Médicas. Porto Alegre.</p><p>DUNBAR HF. Physical mental relationships in llness. Am Psychiatry 1934.</p><p>FERREIRA, S.; Martins, M., Et Al. Inventário De Somatização Para</p><p>Crianças. In: Rev. Psicologia, Saúde E Doenças, Vol. 15, N. 3, Lisboa: 2014, P.</p><p>751-767.</p><p>FIGUEIRÓ, J. A. A Dor. São Paulo: Publifolha, 2000.</p><p>FORTE, S. L. C. L.; Tófoli, L. F. F.; Baptista, C. M. A. Somatização Hoje.</p><p>In: Mello Filho, J. De Et Al. Psicossomática Hoje. 2.Ed. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2010.</p><p>FORTES, S.; Baptista, C. M. A. Família E Somatização: Entendendo Suas</p><p>Interações, In: Mello-Filho, J. M.; Burd, M. Et Al. Doença E Família. São Paulo:</p><p>Casa Do Psicólogo, 2004.</p><p>FREUD S. Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1991.</p><p>GALDI, M. B.; Campos, E. B. V. Modelos Teóricos Em Psicossomática</p><p>Psicanalítica: Uma Revisão. In: Trends In Psychology/ Temas Em Psicologia, Vol</p><p>25, N. 1, Ribeirão Preto: março/ 2017, P. 29-40.</p><p>GRUBITS, Sonia; Guimarães, Liliana A.M E Freire, Heloisa B.G.</p><p>Psicologia Da Saúde: Conceitos E Evolução Do Campo. In: Grubits, Sonia,</p><p>Guimarães, L.A.M (Org.). Psicologia Da Saúde. Especificidades E Diálogo</p><p>Interdisciplinar. São Paulo: Vetor, 2007.</p><p>KANNER, R. Segredos em clínica de dor. Porto Alegre: Artmed, 1998.</p><p>KRISTAL, H. Aspects of deffect theory. Bulletin of the Menninger Clinic,</p><p>v.41, n.1, 1973.</p><p>LAPLANCHE, J. E Pontalis, J. B. (1995). Vocabulário Da Psicanálise.</p><p>Martins Fontes. São Paulo.</p><p>36</p><p>36</p><p>LÉON, A. Garcia. (1993) Patrón De Conducta Tipo A: Descripción E</p><p>Intervenciones Terapêuticas. Revista De Psicol. Gral. Y Aplic. 46 (3), 307 - 317.</p><p>LIMA, T. C. S. De.; Mioto, R. C. T. Procedimentos Metodológicos Na</p><p>Construção Do Conhecimento Científico: A Pesquisa Bibliográfica. In: Revista</p><p>Katál, Vol 10, N. Esp., Florianópolis: 2007, P. 40.</p><p>MARTINS, Dinorah Gioia, Rocha Júnior, Armando. Psicologia Da Saúde</p><p>E O Novo Paradigma: Novo Paradigma? 2001. Revista Psicologia - Teoria E</p><p>Prática.</p><p>MARTY P. A psicossomática do adulto. Porto Alegre: Artes Médicas,</p><p>1998.</p><p>MARTY, Pierre E M’Uzan, Michel De (1963). El Pensamiento Operátorio.</p><p>Revista De Psicanalisis. Editada Por La Associacion Psicoanalítica Argentina.</p><p>Tomo Nº. 4: 711-721.</p><p>MC DOUGALL, J. Em defesa de uma certa anormalidade. Artmed, 1983.</p><p>MEDOUGALL J. Teatros do corpo. São Paulo: Martins Fontes, 2000.</p><p>MELLO Filho, J. De. Concepção Psicossomática: Visão Atual. São Paulo:</p><p>Casa Do Psicólogo, 2002.</p><p>MELLO Filho, J. De. Introdução, In: Mello Filho, J. De.; Burd, M. Et Al..</p><p>Psicossomática Hoje. 2.Ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.</p><p>MELLO Filho, Júlio De (1992). Psicossomática Hoje. Artes Médicas. Porto</p><p>Alegre.</p><p>RICHELMANN, J. C. Medicina E Psicologia Da Saúde: Veredas</p><p>Interdisciplinares Em Busca Do “Elo Perdido”, In: Aangerami-Camon, V. A. Et Al..</p><p>Psicologia Da Saúde: Um Novo Significado Para A Prática Clínica. São Paulo:</p><p>Cengage Learning, 2009.</p><p>ROCHA Rocha, Fernando. (1989) Introduzindo O Tema: A Linguagem Do</p><p>Corpo. Reflexões 2. Revista Ide, Nº. 19: 102-108.</p><p>RODRIGUES, A. L.; Campos, E. M. P.; Pardini, F..Mecanismos De</p><p>Formação De Sintomas. In: Spinelli, M. R. Et Al. Introdução À Psicossomática.</p><p>São Paulo: Editora Atheneu, 2010.</p><p>RODRIGUES, L. A.; Gasparini, A. C. L. F. (1992). Uma Perspectiva</p><p>Psicossocial Em Psicossomática: Via Estresse E Trabalho. In: Psicossomática</p><p>Hoje. Mello Filho, J. De (1992). Artes Médicas, Porto Alegre: 93-107.</p><p>37</p><p>37</p><p>SAMI-Ali. (1992) Pensar O Somático. Imaginário E Patologia. Guide-Artes</p><p>Gráficas Ltda.</p><p>SAMI-Ali. (1993) Corpo Real. Corpo Imaginário. Artes Médicas. Porto</p><p>Alegre, 1993.</p><p>SERQUEIRA-Silva, Simone; Dessen, Maria Auxiliadora; Costa Junior,</p><p>Áderson Luiz. As Contribuições Da Ciência Do Desenvolvimento Para A</p><p>Psicologia Da Saúde. Ciênc. Saúde Coletiva, Rio De Janeiro, 2012.</p><p>SILVA, A. F. R. E Caldeira, G. (1992) Alexitimia E Pensamento Operatório.</p><p>A Questão Do Afeto Em Psicossomática. In: Psicossomática Hoje. Melo Filho, J.</p><p>De. Artes Médicas. Porto Alegre: 113-118.</p><p>STEMBACH, R.A. Psychophysiologic Pain syndromes. In: Bonica, J.J.</p><p>Management of pain 1990:287-298.</p><p>STRAUB, Richard O. Psicologia Da Saúde. Porto Alegre: Artmed, 2005.</p><p>TAYLOR, G. J. (1990) La Pensé Opératorie Et Le Concept D’Alexithymie.</p><p>Document. International Universitues Press, Madison, Conencticut, 1988. Rev.</p><p>Franç. Psychanal, 3/1990.</p><p>TEIXEIRA, J. A. C. (1991). Psico-Imunologia: Alguns Pontos De Vista</p><p>Psicológicos E Psicopatológicos. Análise Psicológica, Nº. 2 - 1991.</p><p>VOLICH, R. M. A Revolução Freudiana, In: Volich, R. M. Psicossomática:</p><p>De Hipócrates À Psicanálise. São Paulo: Casa Do Psicólogo, 2000.</p><p>VOLICH, R.M. Psicossomática: De Hipócrates À Psicanálise. São Paulo:</p><p>Casa Do Psicólogo, 2010.</p>

Mais conteúdos dessa disciplina