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GRUPO EDUCACIONAL FAVENI RENATA FERREIRA PIMENTEL GOMES DEPRESSÃO EM IDOSOS: SAÚDE MENTAL E O PAPEL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL São Gonçalo 2024 RENATA FERREIRA PIMENTEL GOMES GRUPO EDUCACIONAL FAVENI DEPRESSÃO EM IDOSOS: SAÚDE MENTAL E O PAPEL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL SÃO GONÇALO 2024 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Futura – Grupo Educacional Faveni, como requisito parcial para obtenção do título de SAÚDE MENTAL Orientador: Prof. DsC. Ana Paula Rodrigues DEPRESSÃO EM IDOSOS: SAÚDE MENTAL E O PAPEL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL Renata Ferreira Pimentel Gomes1 Declaro que sou autor¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso . Declaro também que o mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para f ins de produção deste trabalho. Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se conf igure o crime de plágio ou violação aos direitos autorais. RESUMO Este estudo teve por intuito discutir o papel da assistência social na saúde mental com idosos com depressão. Hoje tem aumentado os casos de depressão em idosos no Brasil e partindo do contexto social, a depressão em idosos traz um impacto social na saúde, especialmente o efeito das relações sociais. A deterioração da saúde mental, como a depressão na velhice, está relacionada ao risco geral de vida, e a urgência da intervenção é enfatizada. Assim, o estudo tem por objetivo investigar os quadros depressivos em idosos e sua saúde mental e o papel da assistência social. Para isso, foi utilizada como metodologia a revisão bibliográf ica em livros e artigos científ icos. Conclui -se que a depressão em idosos é um fator de saúde importante que requer intervenção na forma de recursos de apoio social PALAVRAS-CHAVE: Qualidade de vida. Depressão. Assistência Social. Saúde mental. 1 Assistente Social, Faculdade Futura, E-mail: renataferreirapimentel@gmail.com 4 1 INTRODUÇÃO A depressão, em sua definição apresentada pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) destaca no F32 em diante, os tipos de depressão, em geral “um condição em que o indivíduo apresenta um rebaixamento de humor, diminuição da atividade e rebaixamento de energia” podendo ser de leve a grave. E segundo o CID, transtornos de humor (afetivos) são caracterizados por manifestações afetivas consideradas inadequadas em termos de intensidade, frequência e duração. Dessas manifestações, a mais comum é chamada genericamente de depressão e envolve uma intensa sintomatologia, que pode incluir: Sentimentos de tristeza, angústia e desesperança; baixa autoestima; incapacidade de sentir prazer; ideias de culpa, ruína e desvalia; visões pessimistas do futuro e pensamentos recorrentes sobre morte, acompanhados de alterações somáticas abrangendo sono, apetite, atividade psicomotora e função sexual. A depressão apresenta etiologia biopsicossocial, pois de acordo com fatores biológicos, genéticos, e neuroquímicos são identificados nos diversos quadros depressivos. Ou seja, sua causa é de ordem multifatorial o que pode dificultar seu diagnóstico (Dalgalarrondo, 2000). De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2019 no Brasil, havia cerca de 13,2 % da população idosa tinha depressão, sendo a faixa etária mais afetada. Outro estudo em 2024 destacou que os idosos estão mais suscetíveis a doenças como demência, ansiedade, quadro psicóticos e depressão e que o número subiu pra 17,4%, podendo chegar ao dobro até 2050 (CNN, 2024). A depressão é considerada uma questão de saúde pública, pois se trata de um transtorno que mais afeta todas as áreas do indivíduo, inclusive sua qualidade de vida. Partindo ainda em como afeta a questão psicossocial, e é a “primeira causa de incapacidade entre todos os problemas de saúde (Dalgalarrondo, 2000). Demandando a continuidade de pesquisas e de capacitação de profissionais de saúde. Dessa forma, urge a importância da atenção da assistência social aos idosos com depressão. Assim, é objetivo do estudo investigar os quadros depressivos em idosos e sua saúde mental e o papel da assistência social. Para isso, foi utilizada como metodologia a revisão bibliográfica em livros e artigos científicos. 5 2 DESENVOLVIMENTO DEPRESSÃO EM IDOSOS Segundo o Estatuto do Idoso, é considerado idoso a pessoa acima de 60 anos de idade. O Envelhecimento faz parte do processo de vida das pessoas e segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil , no último Censo de 2022 cerca de 20 milhões de idosos, ou seja, população acima de 60. A velhice é geralmente discutida em conexão com os diferentes tipos de problemas encontrados pelos idosos e as medidas de bem-estar associadas a proporcionar-lhes uma melhor qualidade de vida. Foi observado que doenças físicas, doenças psicológicas e problemas de adaptação são bastante comuns durante esta fase da vida. As pessoas em geral são receptivas e falam sobre as dificuldades que enfrentam durante o fim de suas vidas. Em idosos, as mudanças físicas incluem enrugamento da pele, postura parada, flacidez dos músculos, diminuição da visão e audição, diminuição da eficiência do sistema cardiovascular. Nesse período, é possível perceber perda, que pode ser identificada como perda de habilidades físicas, perda de processos intelectuais, perda de papel de trabalho e identificação ocupacional (aposentadoria), perda de laços íntimos, como morte do cônjuge, amigos e outros conhecidos (Jardim et al., 2019). Cardão (2009) enfatiza que o envelhecimento é muito doloroso para muitos idosos e, com frequência, o isolamento, a falta de apoio da família ou social e dificuldade para lidar com o próprio processo de envelhecer, podem desencadear em doenças físicas e psicológicas. O próprio remodelamento das famílias e arranjos familiares, números de separações, avanços tecnológicos, domínio científico e tecnológico pelos mais jovens podem contribuir para a falta de apoio aos idosos. A depressão é uma das doenças mais debilitantes que assola a vida de muitos, com idosos particularmente em risco. De acordo com a Organização Mundial da Saúde OMS, 2021), cerca de 15% dos adultos com 60 anos ou mais sofrem de transtornos mentais em todo o mundo, sendo a depressão um dos transtornos mais comuns. Embora a depressão tenha consequências prejudiciais para a saúde física e mental de indivíduos de todas as idades, ela é particularmente grave para os idosos. Eles não são apenas mais vulneráveis à depressão biologicamente, os idosos também 6 são desfavorecidos socialmente; eles são mais propensos a se sentirem isolados à medida que suas redes sociais diminuem com a idade, o que tem efeitos negativos na saúde mental (Choi, et al, 2021). Há de se ressaltar que a depressão não é apenas uma tristeza, pois a tristeza e um sentimento normal a todos e que passa depois de um tempo, a depressão é muito confundida por ter aspectos parecidos e que insolvência a tristeza, como perda de sono ou aumento do tempo de sono, perda de apetite ou aumento em alguns casos, infelicidade, sofrimento, desânimo generalizado, à depressão é um transtorno altamente heterogêneo, inclui uma mistura de sintomas, considerando isto dois sintomas são considerados cruciais para a hipótese de depressão, o primeiro humor- deprimido ou hipotímico e/ou tristeza, o segundo e perda de, ouredução na habilidade de sentir prazer (Beck, 2013). Esses dois sintomas se fazem importantes para perceber a crescente em sentimentos e emoções negativos, e por sua vez a diminuição dos pensamentos, sentimentos e emoções positivos. Fazendo com que a depressão seja tão insuportável em se conviver. Conforme as especificações dos manuais de doenças podemos verificar algumas semelhanças e suas particularidades. (Beck, 2013). Dentre a queixa como os sintomas físicos da depressão, como fadiga, cansaço, perda de sono, ou sono em demasia, perda de apetite. Nos idosos, a depressão afeta principalmente aqueles com doenças médicas crônicas e deficiência cognitiva, causa sofrimento, ruptura familiar e incapacidade, piora os resultados de muitas doenças médicas e aumenta a mortalidade. Processos relacionados ao envelhecimento e a doenças, incluindo arteriosclerose e alterações inflamatórias, endócrinas e imunológicas, comprometem a integridade das vias frontoestriatais, da amígdala e do hipocampo, e aumentam a vulnerabilidade à depressão. Além disso, fatores de hereditariedade também podem desempenhar um papel. As adversidades psicossociais, empobrecimento económico, incapacidade, isolamento, relocalização, prestação de cuidados e luto – contribuem para alterações fisiológicas, aumentando ainda mais a suscetibilidade à depressão ou desencadeando depressão em idosos já vulneráveis (Guimarães, 2019). 7 A ASSISTÊNCIA SOCIAL NA SAÚDE MENTAL DO IDOSO COM DEPRESSÃO As associações negativas relacionadas à velhice atravessaram os séculos e, mesmo hoje com tantos recursos a fim de prevenir doenças e o envelhecimento precoce, muitas pessoas veem a velhice como uma etapa detestável. A vivência ruim nessa fase de muitas pessoas coloca a velhice como uma experiência negativa, e que fica enraizada na sociedade em que vive. Dessa forma, pode-se concluir que não importa a quantidade de anos que o indivíduo tem, mas sim, o que ele fez com os anos vividos, e como a sociedade trata alguém com aquela idade que realmente importa (Didonet et al., 2020). Assim, os idosos por conta de associações negativas se afastam mais cedo do mercado de trabalho, e a inabilidade levando a outras limitações como na área de saúde mental. Além disso, o afastamento de suas famílias, ou mesmo colocação em instituições asilares podem promover doenças mentais. Destaca-se que, hoje as famílias, juntamente como seus remodelamentos, ao passo que a sociedade vive num sistema capitalista, onde a necessidade de trabalho e a escassez de tempo leva muitos a se distanciarem. Famílias que mora debaixo do mesmo teto não tem tempo de se verem, de estarem juntos, de conversarem e de participarem da vida um dos outros. Esse individualismo surreal visto hoje, atrelado ao fator financeiro é de fato um motivacional para que muitos idosos estejam sendo colocados em instituições asilares, visto que, a família não tem tempo para cuidar e dependendo do grau de incapacidade do idoso, isso contribui para que esse seja levado a essas instituições. Assim, baseado no entendimento de a promoção da saúde nos equipamentos e rede de assistência social em saúde para a atenção à saúde mental do idoso são direcionadas em geral pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), considera-se como .o usuário como protagonista do processo saúde-doença, o acolhimento como porta de entrada do serviço de saúde e atenção social e a integralidade das práticas e a equipe multiprofissional. No ano de 2024, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto PL 127/24 que que prevê programa de saúde mental específico para pessoas idosas. A proposta é baseada justamente no número expressivo de idosos com transtornos mentias como depressão. 8 Fukumitsu, Cavalcante e Borges (2009, p. 174) entendem que o “cuidado significa também compreender o outro como um ser humano em busca de conhecimento de seus processos, que muitas vezes transcendem o próprio sintoma que ele expressa”. Deste modo, cuidar demanda entrega e liberdade para se relacionar. O cuidado abrange a relação humana e a maneira como o cliente experiencia, de modo particular, seu ser-no-mundo e o lugar que se estabelece para o contato com a sua situação. O trabalho da assistência social na saúde mental é encorajado pela ressonância de sua identidade profissional com abordagens de política global. A promoção do trabalho social em saúde mental, se dá por meio do desenvolvimento de conexões e redes compartilhadas centradas em torno do conhecimento e valores que o trabalho social traz para os serviços de saúde mental, representando um componente necessário de uma profissão empoderada e eficaz. Assim, compreende-se que a participação social é uma das medidas mais importantes para dar suporte à população que envelhece rapidamente e pode reduzir o risco de depressão em idosos. Nos equipamentos de saúde mental há a possibilidade de projetos e programas em grupo que estimulam a comunicação e interação, ocupando o idoso e assim, sanando e prevenindo os transtornos mentais. (Barros, Moura, Nogueira, 2021). Tão importante quanto o tipo de atividades é a amplitude da participação em várias atividades sociais. Um mecanismo crítico através do qual a participação social pode exercer efeitos protetores contra a depressão é o fornecimento de apoio social através de grupos. Muitos equipamentos de saúde mental como CAPS promovem Terapia Comunitária (TC), enquanto estratégia de promoção da saúde mental em idosos. Além disso, há outros projetos como de atividade física, pintura, e todas podem ser contributivas para a prevenção da depressão. A Terapia comunitária, consiste em: A TC caracteriza-se como uma estratégia de valorizar e respeitar as vivências de cada idoso na construção de saberes (científ ico/popular), desenvolvendo ações terapêuticas que proporcionam o equilíbrio f ísico e mental nos usuários da AB fortalecendo assim sua identidade e cidadania. Nesse sentido, a AB, por meio do Programa de Saúde da Família (PSF), pode utilizar esse recurso como ferramenta em suas ações de saúde (Barros, Moura, Nogueira, 2021). 9 Como visto acima, esse tipo de terapia, pode ser realizado tanto no CAPS com no PSF. Envolver-se em atividades diversas pode oferecer aos idosos oportunidades de formar relacionamentos sociais e trocar intimidade emocional, resultando em níveis mais altos de conexão percebida e níveis mais baixos de solidão. O apoio social emocional percebido, em particular, é bem documentado como um amortecedor eficaz contra a depressão e, pode ser superior ao apoio instrumental (ou seja, ajuda com tarefas diárias em casa), o que pode violar a autonomia de alguém e causar sentimentos de desamparo (Vieira, Okuno, 2023). . 3 CONCLUSÃO Em conclusão, a psicoterapia tem um papel relevante a desempenhar no cuidado de idosos com depressão e também de suas famílias. À medida que o número de idosos diagnosticados com depressão continua a aumentar, também aumentando a demanda por psicoterapeutas que compreendam a importância da atenção psicossocial com essa população. Esta demanda, no entanto, reitera a necessidade de preparação dos assistentes sociais e dos equipamentos para enfrentamento a esse tipo de problema com o idoso e sua família. Parece-nos que ele próprio precisa estar atento ao seu envelhecer, ao seu adoecer e às relações que ele próprio, enquanto atenção ao ser humano, estabelece com essas situações da existência. As ações da assistência social precisam promover qualidade de vida e suporte social, inserindo o idoso nas mais diversas atividades que possam promover o resgate de sua identidade. 4 REFERÊNCIAS BARROS, CS; MOURA, WL; NOGUEIRA, AMT. Proposta de intervenção e prevenção da depressão em idosos na unidade básica de saúde vinagre na zona urbana no município Viana-MA. Artigo de conclusão de curso. a UniversidadeFederal de Pernambuco, Maranhão, 2021. BECK, J.S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e Prática. 2. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. 10 CÂMARA DOS DEPUTADOS. Comissão aprova projeto que prevê programa de saúde mental específico para pessoas idosas. Maio 2024. Disponível em: