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Documentoscopia e Escrita

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Questões resolvidas

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Documentoscopia e escrita
Apresentação da Documentoscopia e do papel de suas práticas em investigações da justiça.
Prof. Marcelo Siqueira
1. Itens iniciais
Propósito
Introduzir a temática da Documentoscopia, explicitando seu papel no processo de investigação como um
componente importante da formação e atuação do perito forense.
Objetivos
Reconhecer o papel da Documentoscopia.
Identificar as práticas históricas relativas à escrita e à necessidade de verificar fraudes.
Exemplificar conceitos e formulações necessárias à perícia e à investigação de documentos.
Introdução
A investigação de documentos como prova, seja pela identificação das letras, pelos tipos de papel, pela
modelagem de seus aspectos formais, é um tema clássico. Aparece em filmes, em telenovelas e rende
diversos vídeos em todas as plataformas digitais. 
O estudo desse assunto visa introduzir os discentes a um mundo complexo e importante da história, tribunais,
fóruns, arquivos e governos. Tratamos da documentoscopia, uma área singular do conhecimento, com
profissionais especializados e que tem o perfil transdisciplinar. Ao final deste conteúdo, você deverá
reconhecer suas práticas, aprender sobre caminhos que podem ser assumidos, e enriquecer sua relação com
futuras atuações profissionais, reconhecendo quando são necessárias e que tipo de desenvolvimento é feito
diante de demandas que envolvam a Documentoscopia. 
• 
• 
• 
1. Conceito de Documentoscopia
Definição de Documentoscopia
É comum um interesse por parte das pessoas em compreender o que é a Documentoscopia e como ela pode
ser aplicada na prevenção, na identificação, na análise e no combate à fraude documental.
A Documentoscopia é a ciência que averigua, por meio de investigação técnica e científica, a
identificação da autenticidade dos documentos para fins judiciais, sobretudo os criminais, estando,
por este motivo, ligada à criminalística. 
Antes de tudo, é preciso entender que a documentoscopia é uma ciência forense e, para compreender o que
isso significa, precisamos lembrar o que cada um desses termos representa: 
Ciência
Uma atividade racional constituída por conceitos e princípios específicos, objetos delineados e
realizada por meio de uma metodologia definida e divulgada, com o intuito de se produzir, verificar,
testar e/ou comprovar um determinado conhecimento que possua uma validação geral.
Forense
Algo relativo ao foro (tribunal), estando associado a questões jurídicas. 
Ou seja, a Documentoscopia é uma atividade de metodologia própria que está inserida no universo judicial,
pois tem como objetivo atestar se determinado documento é verdadeiro, falso ou falsificado, por meio da
análise de elementos inerentes a ele, como a tipologia documental, tipos de suporte, tinta, letra, traçado,
assinaturas e estudo de sinais, selos, brasões etc.
Tipologia documental
Divisão de espécie documental que reúne documentos por suas características diplomáticas comuns,
natureza de conteúdo ou técnica de registro. 
A Documentoscopia, portanto, faz parte do processo analítico da perícia documental, em que são
empreendidos estudos técnicos e análises comparativas, com base no conhecimento especializado de
profissional qualificado e do emprego de equipamentos específicos, para que a autenticidade de um
documento seja comprovada e atestada para fins jurídicos. 
Perícia documental
Processo empreendido por perito especializado, cujo objeto é o documento, independentemente de seu
gênero, forma ou suporte, com o objetivo de definir se ele é verdadeiro, falso ou falsificado, ou
estabelecer origem, autoria e datação.
O profissional de Documentoscopia
O profissional documentoscopista pode trabalhar na perícia de diversos documentos, utilizando técnicas
específicas, como:
Grafotecnia
Para a análise de escrita manuscrita.
Mecanografia
Para a análise da escrita mecânica.
É notório que, com o avanço tecnológico, muitas formas de defraudações foram aperfeiçoadas, sobretudo
com o advento das ferramentas digitais compartilhadas e obtidas via rede mundial de computadores ou
através de softwares e equipamentos eletrônicos. Entretanto, as fraudes oriundas de processos manuais e
mecânicos ainda são inúmeras e constantes, principalmente no que diz respeito aos documentos contendo
informações manuscritas e assinaturas. Esse fato nos faz refletir sobre a temporalidade da Documentoscopia,
que muitos julgam como uma ciência contemporânea, mas que, na verdade, é quase tão antiga quanto a
própria noção de documento. 
O conhecimento sobre a história da área não serve apenas para quem deseja dar aulas ou para
quem tem curiosidade sobre seus aspectos. Serve para, sobretudo, quem deseja ser um perito
diferenciado, qualificado, para além de questões técnicas. 
Saiba mais
Perito diferenciado:Profissional com formação específica, qualificado e capacitado para desenvolver
relatórios técnicos que atestem procedimentos, características e elementos de algo que esteja sob
contestação. 
Compreender os motivos pelos quais a documentoscopia foi criada, como está se desenvolvendo, se
transformando e se adequando ao longo do tempo, permite ao profissional distinguir os conceitos, utilizar a
terminologia correta, aplicar a metodologia mais apropriada e interagir melhor com outros profissionais que
também têm o documento como objeto, como os arquivistas, diplomatistas, cientistas da informação, entre
outros. 
Departamento de Grafotecnia da Polícia Nacional do Peru. Identificação de
documentos falsificados ou adulterados.
Assim, com esse intuito, iremos apresentar alguns conceitos centrais que permeiam a documentoscopia,
explicar sua origem e evolução, traçar suas relações interdisciplinares e apresentar seu campo de atuação.
Lembre-se, quanto melhor for sua capacitação, maior será sua inserção profissional e suas possibilidades de
atuação.
Fraudes bancárias: um estudo de caso
Você já assistiu ao filme Prenda-me se for capaz?
Tipologia documental
Divisão de espécie documental que reúne documentos por suas características diplomáticas comuns,
natureza de conteúdo ou técnica de registro. 
A história, baseada em fatos reais, aborda a
questão da fraude bancária nos Estados Unidos
– e no mundo – durante a primeira era dos
cheques, período em que esses documentos
passaram a estar relacionados a instituições
financeiras, que guardavam voluptuosas somas,
e passaram a surgir pequenas fraudes, como
pagamento de cheques com assinaturas
controversas. Cheques trocados por
instituições financeiras, o processo de
fabricação de papeis específicos, séries
numeradas e forma de burlarem estes
documentos foram organizados.
No filme, o genial jovem Frank Abgnail Jr.
(interpretado por Leonardo DiCaprio), quando foge de casa, observa como funciona o sistema bancário e
passa a explorar suas falhas de segurança. Assim, ele começa sua “carreira” vinculado a uma empresa aérea e
termina seus dias de crime com falsificações em larga escala.
O ator Leonardo DiCaprio e o verdadeiro Frank Abgnail
Jr.
A história é fantástica, pois o jovem existe no mundo real e,
depois de preso, será um dos impulsionadores de novas
técnicas de segurança e consultoria do FBI, e mais tarde, se
torna consultor de segurança. Boa parte do que é retratado
no filme é baseada em análise de documentos e
cruzamento de informações.
Existe, claro, na obra artística, um forte grau de criação,
mas, ao mesmo tempo, há elementos importantes do que
está sendo rediscutido na contemporaneidade.
Fraudes bancárias e uma introdução
Vamos assistir ao professor Rodrigo Rainha em um react
sobre a Documentoscopia e seu papel.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Demonstração
Temos um processo na justiça sobre a propriedade de uma fazenda. A questão versa sobre um documento em
que uma das partes apresenta a indicação de que a fazenda pertenceria a uma família, dada a venda original,
que teria acontecido ainda no tempo do Império. A outra parte nega a venda, afirma que o documento é uma
fraude e que nenhum dos atosiconográficos, documentos textuais.
 
Vamos ver um laudo? Assista ao vídeo Conhecendo um laudo.
Chave de resposta
Assista:
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Existem diversas metodologias de falsificação de assinatura. Das que estão citadas, classifique-as em
verdadeiras V e falsas F:
 
( ) Cópia
( ) Memorização
( ) Duplicação
( ) Decalque
( ) Holotécnica
 
A relação correta é:
A
V, F, V, V e V
B
F, F, F, F e F
C
V, F, V, F e V
D
V, V, V, F e F
E
• 
• 
V, V, V, V e F
A alternativa E está correta.
Holotécnica é uma prática do mundo digital e não está apresentada ao longo de nossos debates (apesar de
ser possível entender pelo léxico), as demais são as metodologias de falsificação apresentadas no
conteúdo.
Questão 2
A documentoscopia tem uma relação direta com uma área e reconhecê-la faz parte de nossos debates. Então,
o que é a Criminalística?
A
É o estudo sistematizado das tipologias constantes no Código Penal.
B
É a disciplina que abrange um conjunto de procedimentos científicos que objetiva o reconhecimento e a
interpretação de indícios, provas que servem para desvendar crimes e assuntos de aspectos legais.
C
Constitui-se na investigação produzida pelo aparato policial no combate ao crime organizado e nas formas
utilizadas para sua ampliação.
D
É a disciplina que se originou da Diplomática e que tem como objeto de estudo a tipificação de documentos
judiciais.
E
É o nome dado à Documentoscopia quando ela investiga um crime a pedido de um juiz.
A alternativa B está correta.
A questão da Criminalística, como área vinculada ao processo jurídico, é um reconhecimento fundamental à
introdução da Documentoscopia.
4. Conclusão
Considerações finais
A Documentoscopia é uma prática científica que está diretamente vinculada com os processos relacionados
ao campo da Criminalística. Nesse sentido, é, geralmente, acionada a partir de determinações legais e
realizada por profissionais habilitados, de maneira específica. 
A prática de investigação tem um olhar multidisciplinar, partindo de estudos da Arquivologia, Linguística,
Grafologia entre outros. Devemos sublinhar, no entanto, que tem na sua prática cotidiana uma série de
elementos próprios e singulares que foram expostos a partir de seus conceitos.
A prática documentoscópica passa por identificar os documentos falsos, verdadeiros ou que tiveram em seu
cerne algum tipo de fraude. As técnicas grafotécnicas são as mais reconhecidas, mas não configuram o
movimento único de investigação. São também analisadas formas e elementos comparativos em relação ao
que é o documento idealizado e correto, cruzamentos dos materiais disponíveis e utilizados na construção
desses documentos.
Apesar de uma larga raiz histórica, a documentoscopia contemporânea é fundamental para profissionais que
necessitam identificar processos diversos, que podem ser demandados no campo da perícia e da
investigação. A leitura deste material tem por objetivo fundamentar o entendimento e as possíveis práticas
relativas às demandas documentais ciclópicas no cotidiano da perícia e da investigação.
Podcast
Neste podcast, o professor resume os principais pontos do conteúdo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Para se aprofundar sobre os tópicos tratados neste conteúdo, sugerimos as seguintes obras:
 
LE GOFF, J. Enciclopédia Einaudi: Memória – História. v. 1. Lisboa: Imprensa Nacional, 1984.
 
TOGNOLI, N. B. A construção teórica da diplomática. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014.
 
TERRERO, Á. R. Introducción a la paleografia y la diplomática general. Madrid: Editorial Sintesis, 2004.
 
Também recomendamos assistir aos seguintes filmes:
 
O mago das mentiras (2017), dirigido por Barry Levinson.
 
A fraude (1999), dirigido por James Dearden.
Referências
BERWANGER, A. R.; LEAL, J. E. F. Noções de paleografia e de diplomática. Santa Maria: UFSM, 2015.
 
COSTA, I. M. Kr. Questões em documentoscopia: uma abordagem atualizada. São Paulo: s/e, 1995.
 
DEL PICCHIA FILHO, J.; DEL PICCHIA, C. M. R.; DEL PICCHIA, A. M. G. Tratado de documentoscopia: “da
falsidade documental”. 2. ed. São Paulo: Pilares, 2005.
 
FALAT, L. R. F.; REBELLO FILHO, H. M. Entendendo o laudo pericial grafotécnico e a grafoscopia. Curitiba:
Juruá, 2021.
 
FEUERHARMEL. S. Análise grafoscópica de assinaturas. Campinas: Millennium, 2017.
 
MONTEIRO, A. L. P. A Grafoscopia a serviço da perícia judicial. Curitiba: Juruá, 2008.
 
SIQUEIRA, M. N. de. Ser paleógrafo. Revista Labor Histórico. v. 8, 2022, Rio de Janeiro: Universidade Federal
do Rio de Janeiro, 2022.
	Documentoscopia e escrita
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Conceito de Documentoscopia
	Definição de Documentoscopia
	Ciência
	Forense
	O profissional de Documentoscopia
	Grafotecnia
	Mecanografia
	Saiba mais
	Fraudes bancárias: um estudo de caso
	Fraudes bancárias e uma introdução
	Conteúdo interativo
	Demonstração
	Mão na massa
	Vamos refletir sobre as questões
	Conteúdo interativo
	Teoria na prática
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. História da Documentoscopia
	Escrita e autenticidade: antecedentes históricos
	Uma breve história da investigação da escrita
	Conteúdo interativo
	Resumindo
	Escrita e lei
	Curiosidade
	Falsários, falsificações e seus algozes
	Licet ad Regimen (editada em 1198)
	Pride ad Bulae (editada em 1201)
	Paleografia e Diplomática
	Comentário
	Cronologia
	Numismática
	Antroponímia
	Epigrafia
	Heráldica
	Sigilografia
	Caligrafia
	Século XIX
	Final do século XIX
	Século XX
	Estudo de caso – o caso Mark Hofmann
	Demonstração
	Solucionando casos reais
	Conteúdo interativo
	Mão na massa
	Vamos refletir sobre as questões
	Conteúdo interativo
	Teoria na prática
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Perícia e grafologia
	Documentoscopia e Criminalística
	Relembrando
	Atenção
	Saiba mais
	Judicial
	Extrajudicial
	Perícia grafotécnica
	Comentário
	Ângulo de ataque
	Calibre
	Evolução
	Ângulo de saída
	Ductus
	Sem imitação
	Utilização de cópia
	Decalque ou duplicação
	Memorização
	Autofalsificação
	Demonstração
	Estudo de caso – preso é solto por perícia grafotécnica
	Perícia, investigação e desafios
	Conteúdo interativo
	Mão na massa
	Vamos refletir sobre as questões
	Conteúdo interativo
	Teoria na prática
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasali decorrentes poderia ser considerado correto.
Independentemente de outros aspectos jurídicos, se fosse pleiteada a necessidade de uma
avaliação para verificação da autenticidade do documento, o que deveria ser feito?
As partes poderiam solicitar a devida perícia do documental como etapa da investigação do processo.
Lembrando que, ainda que os responsáveis pela falsificação já não pudessem ser punidos, o efeito das
análises realizadas poderia gerar compreensões diferentes do caso para a esfera jurídica.
Mão na massa
Questão 1
Vamos praticar? Analise os casos a seguir e indique os que necessitam da atuação de um profissional de
documentoscopia.
 
Chega ao fórum o caso de uma família defendendo sua origem nobre e, por isso, quer o reconhecimento de
posse de todas as terras do antigo barão do mesmo nome. Este caso necessita da atuação de um profissional
de documentoscopia?
A
Não.
B
Parcialmente.
C
Depende da interpretação do magistrado.
D
Depende se as provas são genéticas ou em papel.
E
Sim.
A alternativa A está correta.
Não, este caso não depende de uma análise no escopo de definição do que é a documentoscopia, afinal,
não discute autenticidade ou fraude sobre uma documentação.
Questão 2
Chega ao fórum o caso de um filho que deseja o reconhecimento do pai. Leva uma carta de amor, escrita pelo
pretenso pai, pouco antes dos nove meses, falando do amor dele para com a mãe. Este é um caso que pode
envolver documentoscopia?
A
Sim.
B
Não.
C
Parcialmente.
D
Depende da interpretação do magistrado.
E
Depende se as provas são genéticas ou em papel.
A alternativa B está correta.
Não, este tipo de documento não constitui fraude ou uma prova direta sobre as formas, a maneira como ele
poderia ser exposto. Somente seria uma possibilidade se o debate fosse sobre a assinatura, e de forma
muito circunstancial, mas nada disso está caracterizado.
Questão 3
Um documento é encontrado em uma biblioteca e é datado da Idade Média. A dúvida é sobre período em que
ele teria sido escrito e sua função naquela sociedade. A análise deste documento estaria sob o escopo da
Documentoscopia?
A
Sim.
B
Não.
C
Parcialmente.
D
Depende da interpretação da polícia.
E
Depende se as provas são genéticas ou em papel.
A alternativa B está correta.
Não, esta análise deve ser feita peleográfica ou histórica. Assim, não está no campo da criminalística.
Questão 4
Uma família está em litígio pela morte de seu patriarca. Acontece que um dos herdeiros alega que o falecido
havia vendido o carro para ele, inclusive assinando os documentos, mas não deu tempo de registrar no órgão
específico. Outro herdeiro alega que o documento foi falsificado (letra e assinatura) e que o familiar está
tentando tomar vantagem. Este é um caso em que a documentoscopia pode ser acionada?
A
Sim.
B
Não.
C
Parcialmente.
D
Depende da interpretação do magistrado.
E
Depende se as provas são genéticas ou em papel.
A alternativa A está correta.
Pode configurar um caso de fraude documental, que pode ser cruzada e verificada por meio de análises
grafológicas, tinta, papel. Então, é possível ser acionado um documentoscopista.
Questão 5
Um funcionário de uma empresa de transportes é acusado por seu supervisor de falsificar um atestado
médico da rede municipal de saúde, alterando de 1 para 4 dias de repouso absoluto. O caso é levado até uma
delegacia da Polícia Civil. Este caso necessita da atuação de um profissional de documentoscopia?
A
Parcialmente.
B
Não.
C
Sim.
D
Depende da interpretação da Polícia Civil.
E
Depende se as provas são genéticas ou em papel.
A alternativa C está correta.
O caso exige uma perícia e é possível ser acionado um documentoscopista.
Questão 6
Uma senhora de 73 anos vai até uma agência bancária para questionar o débito automático de 45 parcelas de
um empréstimo consignado que desconhece, mas o banco afirma que ela assinou a contratação do
empréstimo. Com a ajuda do seu advogado, ela recorre à justiça. Este caso necessita da atuação de um
profissional de documentoscopia?
A
Sim.
B
Não.
C
Parcialmente.
D
Depende da interpretação do magistrado.
E
Depende se as provas são genéticas ou em papel.
A alternativa A está correta.
Como a assinatura no contrato de empréstimo foi falsificada, pode configurar um caso de fraude
documental, podendo ser cruzada e verificada por meio de análises grafológicas, tinta, papel. Então, é
possível ser acionado um documentoscopista.
Vamos refletir sobre as questões
Neste vídeo, a professora Suelen de Souza explica as questões do mão na massa.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Teoria na prática
O caso da demanda de Documentoscopia em juízo
 
Vamos ver como eles aparecem na prática, alguns temos que você precisa conhecer no contexto da
Documentoscopia e que são parte dos casos apresentados nesta seção. Esses termos você precisa ser
acostumar a reconhece-los no cotidiano da justiça. Consegue elaborar uma situação em que estes seriam
pedidos em juízo, ou ainda, quem poderia solicitar?
 
Completude – Qualidade de um documento arquivístico referente à presença de todos os elementos
intrínsecos e extrínsecos, administrativos e legais, exigidos pelo produtor e pelo sistema jurídico ao
qual está inserido.
Confiabilidade – Característica do documento arquivístico que, a partir de sua completeza, possui a
capacidade de garantir que o documento é o que diz ser.
Documento – Informação registrada em um suporte, independente da informação e do suporte.
Documento autêntico – Documento original e que permanece tal qual seu autor o concluiu.
Documento copiado – Documento elaborado ou derivado de um original.
 
Agora vamos observar como eles aparecem de forma prática?
Chave de resposta
O professor e procurador Marco Antônio Rodrigues explica como este requerimento é feito no cotidiano da
justiça. Vamos ouvir?
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Quais características são inerentes à área da Documentoscopia?
A
Análise forense e identificação histórica.
B
Perícia documental e ligação à biblioteconomia.
C
• 
• 
• 
• 
• 
Ciência medieval e laudo psicotécnico.
D
Criminalística e análise forense.
E
Combate à fraude e âmbito exclusivamente pessoal.
A alternativa D está correta.
A Documentoscopia, apesar de histórica como área, hoje remete-se centralmente a aspectos da
criminalística, análise forense, combate a fraudes e perícia criminal.
Questão 2
O profissional de documentoscopia tem uma atuação ampla e uma formação necessariamente multidisciplinar.
Sua principal atuação corresponde à análise de
A
validação de assinatura.
B
datação de documentos.
C
atendimento ao plantão judiciário.
D
investigação de crimes contra pessoa.
E
investigação de fraude documental.
A alternativa E está correta.
A relação da Documentoscopia com a criminalística a aproxima frontalmente dos processos relativos à
fraude documental e seus desenvolvimentos, podendo ainda atuar na identificação e colaboração para
crimes e afins, quando demandado.
Pintura rupestre no Parque Nacional da Serra da
Capivara.
2. História da Documentoscopia
Escrita e autenticidade: antecedentes históricos
Uma breve história da investigação da escrita
Neste vídeo, a professora Suelen de Souza faz uma breve introdução à temática.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Para entendermos exatamente sobre o que estamos falando e, a partir daí, compreendermos a
Documentoscopia em sua maior abrangência, torna-se fundamental o conhecimento histórico do
desenvolvimento da área, sobretudo, por meio da contextualização da necessidade que a humanidade sempre
teve em distinguir e atestar a veracidade documental. 
É a partir dessa necessidade que, em cada época da nossa história, foi se moldando a evolução das
sociedades, e foram empreendidas inúmeras práticas, desenvolvidas técnicas, elaborados tratados, criadas
instituições e estabelecidasciências.
O marco que separa a Pré-História da História é a invenção da escrita, pois ela representou o desenvolvimento
econômico e social das civilizações que estavam se consolidando. Isso se deu por volta do ano 3.000 antes da
Era Cristã, na Mesopotâmia, região onde hoje se situa o Iraque. 
Antes da escrita, as formas de registro da interação
informacional eram feitas por meio de desenhos, símbolos e
cores. Foi a partir da invenção desse sistema codificado,
que atribuía para cada ideia, ou som, um símbolo específico
(ideogramas, signos ou letras), que a civilização humana
iniciou seu desenvolvimento mais estruturante.
Assim, a escrita passou a representar uma forma mais
precisa de se registrar e comunicar informações, tornando-
se elemento basilar para a compreensão da sociedade. Por
esse motivo, seu surgimento é tido como marco zero da
História.
Pedra Roseta.
Há um fato, entretanto, pouco percebido nessa explicação. Se a escrita é a materialização da voz, de uma
ideia, de um pensamento ou de uma atividade, ela só consegue se expressar quando está na forma de
registro, ou seja, quando ela é documento. Muita gente confunde a palavra documento com a ideia de que ele
representa um registro oficial e de grande importância, sobretudo probatória. Porém, o conceito de
documento é mais abrangente, pois significa: 
Qualquer informação registrada em um suporte material.
O Conselho Internacional de Arquivos define documento como “a informação registrada, independentemente
do tipo de suporte ou de suas características”. Já o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa o define como a
“declaração escrita que se reconhece oficialmente como prova de um estado, condição, habilitação, fato ou
acontecimento”, e também pode ser um “texto ou qualquer objeto que se colige como prova de autenticidade
de um fato e que constituiu elemento de informação”.
Arquivos
Arquivologia é a ciência que estuda os arquivos em sua integralidade, ou seja, sua natureza, funções,
teorias, métodos, técnicas e aplicações a serem observadas em sua formação, constituições, produção,
organização, guarda, processamento técnico, preservação, utilização e difusão.
Livro dos Mortos, primeiro livro egípcio em papiro. Tinha como objetivo registrar
rituais de passagem das almas durante sua viagem para o Além (região dos mortos).
Cerca de 2.000 a.C.
Podemos perceber que a ideia de documento está associada ao registro de uma informação que se pressupõe
ser importante, constituindo-se como prova de algo e que, portanto, possui autenticidade. A origem
etimológica da palavra documento também revela sua importância. Documento é oriundo do termo latino 
documentum que, por sua vez, é derivado de docere, cujo significado é ensinar (docere deu origem aos
termos docência, referente ao magistério e a docente, o mesmo que professor). 
Resumindo
O documento é algo que prova, mas que também ensina, ou que ensina com o intuito de provar. 
Escrita e lei
O sentido jurídico probatório do documento exigia, porém, a confirmação de sua veracidade. A chancela de
que aquele registro, produzido pela materialização da escrita e que continha informação relevante para a
prova de uma ação, direito, posse ou atividade, deveria ser aceita e reconhecida pela coletividade na forma de
distinguir o que era verdadeiro do que não era. Mas como atestar a autenticidade de um documento? Se hoje
há muitas formas de falsificá-los, como garantiam a veracidade documental no passado?
Para além dos documentos administrativos da burocracia cotidiana, havia os documentos fundadores, os
preceitos religiosos, as normas dinásticas e os documentos que atribuíam o poder. Esses documentos eram
percebidos como advindos do poder divino, emanados pelos deuses ou por seus representantes na Terra,
como os reis, faraós, líderes religiosos etc. 
A autenticidade, portanto, era uma atribuição divina.
A forma como a autenticidade era atribuída precisou ser ampliada, revista e melhorada, devido a fatores como:
 
As mudanças políticas.
O aumento da produção documental.
A necessidade da garantia de veracidade de outros documentos.
• 
• 
• 
São Gregório e Rei Chilperico I – ilustração em , século
XIV.
Para tal, foram criados os arquivos, lugares institucionais que por sua importância ficavam localizados nos
palácios reais e templos religiosos. Tanto na Antiguidade ocidental como na oriental, a autenticidade passou a
ser uma característica atribuída ao documento em virtude do local em que ele era depositado e guardado para
preservação: o arquivo. Portanto, quando havia a necessidade de legitimar os documentos, no intuito de
atestar direitos e deveres, ele deveria ser depositado nos arquivos situados nos templos, palácios ou nos
prédios públicos destinados a este fim, garantido fé pública por serem considerados, a partir deste ato,
“monumentos incorruptíveis”. 
Assim, a autenticidade do documento passou a ser atribuída pelo lugar, pelo arquivo.
Com a ascensão do Império Romano, o ato escrito ganhou muita importância, devido à gigantesca estrutura
administrativa necessária para controlar os vastos territórios que compunham o império. 
Curiosidade
O Direito Romano desenvolveu-se e, ainda hoje, serve de base para as legislações ocidentais, mesmo
com o colapso do império, no século V. 
No Império Bizantino, sucessor da parte oriental do Império Romano, houve a percepção de que uma
expressiva quantidade de documentos falsos estava sendo depositada nos arquivos, com o intuito de validá-
los. Em relação a essa e outras situações de caráter administrativo, o Imperador Justiniano I editou um código
jurídico contendo inúmeros dispositivos legais, dentre eles o Redactio in Mundum, diretriz que estabelecia a
forma com a qual o documento jurídico deveria ser redigido para garantir seu valor legal e probatório.
Nessa mesma época, no século VI, um bispo
católico francês chamado Gregório de Tours
(que se tornaria, anos depois, santo) promoveu
uma ampla investigação sobre as assinaturas, a
caligrafia e outros aspectos gráficos e materiais
de documentos referentes ao rei merovíngio
Chilberto II, concluindo por sua falsidade.
Esse trabalho é tido como a primeira análise
sistematizada de perícia documental e
inaugurou aquilo que os historiadores chamam
de crítica documental, ou seja, a averiguação
consistente de que um determinado documento
possui as qualidades que atestam sua
veracidade.
Com o advento do feudalismo na Idade Média e a pulverização política-administrativa na Europa,
a autenticidade do documento passou a ser atribuída pela autoridade local e não mais pelo local
onde ele era depositado. 
Para tanto, uma série de elementos de validação começaram a ser exigidos, como o aporte de selos,
assinaturas desenvolvidas e rebuscadas e a presença de funcionários públicos ou religiosos no ato de
confirmação do ato de feitura ou conclusão do documento. 
Falsários, falsificações e seus algozes
Entretanto, as falsificações continuaram frequentes, cada vez mais elaboradas e praticadas entre os
poderosos, como ordens religiosas, membros da Igreja, senhores feudais e até mesmo reis e imperadores, que
tinham como objetivos o maior enriquecimento, prestígios diversos e o aumento do poder por meio da
aquisição fraudulenta de terras e títulos de nobreza, por documentos falsos e falsificados, como testamentos
e certidões.
A Igreja Católica era extremamente importante na Europa medieval e detinha enorme poder. Na passagem do
século XII para o XIII, o Papa Inocêncio III editou duas bulas (documento emitido pelo Papa) que visavam ao
combate ao crescimento da adulteração de documentos da Igreja. 
1198
Licet ad Regimen (editada em 1198)
Discorria sobre os métodos utilizados pelos falsificadores para produzir documentos falsos ou
adulterar documentos autênticos, dando-lhes novos significados.
1201
Pride ad Bulae (editada em 1201)
Discorria sobre a técnica para distinguir documentos verdadeiros dos falsos, estabelecendo penas
para quem praticava a adulteração ou se valia da mesma. O Papa InocêncioIII é tido como precursor
das ciências documentais e suas bulas como precursoras da sistematização de técnicas periciais
documentais.
Na Idade Moderna, as disputas em torno da autenticidade de documentos eclesiásticos atingiram um nível tão
elevado que as ordens religiosas mais importantes, como a dos jesuítas e a dos beneditinos, passaram a
promover estudos aprofundados, em que defendiam a autenticidade dos documentos em sua posse e, ao
mesmo tempo, questionavam a veracidade dos documentos das outras ordens. 
Esses documentos eram, em sua maioria, referentes à história dos santos católicos e sua importância estava
relacionada à sua relevância. 
Quanto mais relevante era o santo e os registros atribuídos a ele, maior era o prestígio da ordem na
qual ele era vinculado, o que resultava em maiores doações e devoções.
Em 1643, o jesuíta belga Jean Bolland publicou os Acta Sanctorum, um vasto conjunto de livros sobre os
santos da Igreja Católica, cujo objetivo era separar os fatos reais das lendas que os cercavam. 
Para isso, Bolland e sua equipe promoveram um amplo
estudo documental em bibliotecas e arquivos religiosos. Seu
sucessor foi o padre belga, e também jesuíta, Daniel van
Papenbroeck, que fazia parte da equipe de Bolland e
publicou, em 1675, o segundo volume dos Acta Sanctorum.
A introdução desse segundo volume, assinada por
Papenbroeck, trazia uma relação com oitos princípios
básicos sobre a autenticidade de documentos antigos em
pergaminho. Tais princípios, que haviam sido aplicados nos
documentos utilizados no segundo volume dos Acta
Sanctorum, levaram Papenbroeck a declarar como falso um
importante documento atribuído ao rei francês Dagoberto I,
gerando desconfiança sobre a autenticidade de inúmeros
documentos merovíngios e da Ordem Beneditina na França.
O estudo de Papenbroeck foi considerado uma afronta pelos beneditinos e acirrou os ânimos entre as ordens
religiosas, iniciando o período conhecido como Bella Diplomatica, termo em latim que significa a Guerra da
Ciência dos Diplomas, ou “guerra documental”.
Diplomatica
Ciência que estuda a gênese, forma e transmissão de documentos, analógicos e digitais, e sua relação
com os fatos representados e com seu autor, objetivando identificar, avaliar e comunicar sua natureza,
bem como atestar se estes são verdadeiros, falsos ou falsificados. Trata da estrutura formal dos
documentos, determinando sua autenticidade e tipologia.
Como resposta ao que estava escrito na introdução dos Acta Sanctorum, o monge francês beneditino Jean
Mabillon empreendeu o maior estudo realizado até então sobre os documentos, investigando suas formas,
tipologias, origens e maneiras de validação, e analisando, detalhadamente, como se deveria observar os
elementos extrínsecos e intrínsecos do documento, para atestar sua veracidade. Esse estudo foi publicado em
1681, em seis volumes, nominado de De Re Diplomatica, que significa algo próximo de “sobre os documentos”.
Paleografia e Diplomática
O primeiro volume de De Re Diplomatica
apresentou a metodologia empreendida para
crítica documental. Utilizando diferentes tipos
de documentos como exemplo, Mabillon
analisou a linguagem empregada em cada um
deles, bem como o tipo de escrita e as tintas
utilizadas, o uso e as formas de abreviaturas e
símbolos, a aplicação de selos e as formas de
datação, entre outros aspectos. Os quatro
volumes seguintes propunham a criação dos
princípios diplomáticos e a forma como seriam
aplicados. Por fim, no último volume, o autor
apresentou uma série de exemplos, com cerca
de 200 itens, em que apontava como a
autenticidade do documento poderia ser
realmente aferida.
A obra de Mabillon, que tinha como intuito provar a autenticidade dos documentos beneditinos, por meio de
um amplo e definitivo estudo sobre a gênese e a tramitação dos documentos, teve forte impacto não só na
comunidade eclesiástica, mas em todo universo documental e arquivístico. A publicação de De Re Diplomatica
é considerada ainda hoje como o evento que demarcou as origens das duas ciências que passaram a
sistematizar o estudo documental: 
É interessante destacar que o termo “paleografia” não aparece em nenhum dos seis volumes da obra de
Mabillon, mas o autor ressalta a importância do estudo, da compreensão e da análise da escrita como forma
de promover o entendimento correto da informação contida no documento e de se atestar a veracidade por
meio de aspectos comparativos e de características específicas da caligrafia do pretenso autor. Ou seja,
embora a termo não tenha surgido nesse momento, sua metodologia foi apresentada e introduzida no âmbito
da análise documental.
Diplomática 
Estuda a veracidade e a tipologia dos
documentos.
Paleografia 
Estuda escrita e caligrafia com intuito
de promover a leitura, a transcrição e a
interpretação dos documentos.
Paleografia
A análise paleográfica é o estudo de um manuscrito sob todos os ângulos pertinentes à Paleografia,
sejam eles aspectos caligráficos, grafismos, características materiais ou complementares e contextos
administrativos e históricos.
Em 1708, outro intelectual religioso francês, Bernard de Montfaucon, publicou um livro intitulado Paleographia
Graeca, em que sistematizava técnicas conhecidas de análise de textos, tipos de escritas e caligrafias, para
identificar, ler, transcrever e interpretar documentos gregos ou escritos naquela língua. Vale ressaltar que a
maior parte dos documentos antigos da Igreja era escrita em grego, bem como muitas de suas falsificações. É
na obra de Montfaucon que se estabeleceram as primeiras normas de leitura e transcrição, criando uma
metodologia que servirá de base para o desenvolvimento da área paleográfica.
Paleographia Graeca.
A Paleografia constitui-se na disciplina que estudava as formas de escrita (cursiva, gótica, carolina, processual
etc.), o suporte em que a informação estava registrada (papiro, pergaminho, papel etc.), os materiais e
instrumentos para a escrita (pincel, pena, lápis, caneta etc.), as tintas utilizadas, a evolução das letras e dos
números, os tipos de caligrafia, as assinaturas e rubricas, os traços de validação, as abreviaturas utilizadas, os
símbolos, o vocabulário, e tudo que possa contribuir para o esclarecimento da história dos documentos, do
contexto histórico (temporal, espacial e cultural) em que foram produzidos, objetivando a perfeita leitura e a
correta transcrição para posterior interpretação e análise.
Comentário
Existe, porém, um equívoco em afirmar que a Diplomática e a Paleografia foram criadas do zero, a partir
das obras de Mabillon e Montfaucon, pois o que houve, na verdade, foi a sistematização do
conhecimento técnico já existente por meio de legislações canônicas, procedimentos legais tratados de
sigilografia (estudo dos selos e sinetes usados para identificação e validação de documentos) e
pesquisas diversas. 
Contudo, torna-se inegável que as obras mencionadas são de extrema importância para as ciências
documentais e para a análise pericial dos documentos.
Já nessa época, a utilização de outras disciplinas e técnicas correlatas na análise pericial foi fundamental para
que a crítica à sinceridade dos atos e à autenticidade dos registros fosse realizada corretamente. Isso fez com
que o estudo empreendido fosse mais amplo, profundo e preciso. Dentre essas disciplinas, destacam-se: 
Cronologia
Estudo das formas de medição do tempo e suas divisões.
Numismática
Estudo de moedas, cédulas medalhas.
Antroponímia
Estudo da etimologia dos nomes próprios.
Epigrafia
Estudo de inscrições lapidares.
Heráldica
Estudo de emblemas e brasões.
Sigilografia
Estudo de selos e sinetes.
Caligrafia
Estudo da forma pessoal como cada indivíduo imprime ao escrever. 
Além disso, a contextualização histórica era empreendida para que houvesse uma relação lógica entre o
registro e o fato mencionado.
Para os beneditinos do início século XVIII, o objetivo da Diplomática era o julgamento da veracidade dos
antigos documentos contidos nos arquivos, pois ela estava intimamente ligada às questõessobre
autenticidade. Contudo, no decorrer das décadas seguintes, ela foi sendo estruturada, sobretudo pelas
instituições germânicas, como instrumento jurídico para a feitura e validação de novos documentos. 
Cortile del Belvedere – Escola de Paleografia,
Diplomacia e Arquivos do Vaticano.
Em diversos países europeus, principalmente
na Itália, começaram a surgir escolas superiores
de Diplomática e Paleografia, de cunho erudito,
voltado ao estudo e à prática do pensar e fazer
arquivístico, que colaboraram para a criação
dos Arquivos Nacionais e para a formação dos
arquivistas, a partir da consolidação do Estado
Moderno, no final do século XVIII, e das
independências das ex-colônias europeias nas
Américas, incluindo o Brasil.
No século XIX, a Diplomática, a Paleografia e as
demais ciências documentais perderam
autonomia e importância, a partir de sua
introdução nas universidades de Direito e,
sobretudo, de História, além do advento da História Positivista (em que é fundamental o documento escrito,
para a história das nações e da construção de uma identidade nacional), pois passaram a se desenvolver
como ciências auxiliares do historiador. Veja uma breve cronologia:
Século XIX
As ciências documentais (Diplomática e Paleografia, entre outras) perdem seu status de imporância e
autonomia.
Final do século XIX
Por meio de tratados e obras referências, que tinham por base a Diplomática e a Paleografia, surgiu a
Arquivologia como área voltada aos arquivos.
Século XX
A Diplomática e a Paleografia perderam prestígio face às novas demandas, principalmente a gestão
documental, área contemplada pela Arquivologia e pela Administração.
Com o surgimento das novas tecnologias de informação e comunicação, sobretudo as oriundas do universo
digital, novas discussões sobre as questões ligadas à autenticidade e à confiabilidade dos documentos
digitais surgiram. A partir desse debate, empreendido por arquivistas, cientistas da informação,
administradores e informatas, os estudos conceituais e a aplicabilidade das teorias da Diplomática foram
renovados e seus princípios novamente utilizados.
Estudo de caso – o caso Mark Hofmann
A venda e circulação de documentação são acompanhadas por uma série de medidas que buscam legitimar
sua origem e coibir possíveis falsificações. Entretanto, por vezes, esse mercado é ponto de encontro de uma
série de crimes e investigações. Alguns casos ficam famosos por seu impacto no mundo das artes ou em
fraudes fiscais, mas outros ganham maior destaque por mexer com a crença das pessoas. 
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida pela expressão Mórmon, remete suas
origens ao relato de Joseph Smith Jr. que afirma ter tido uma visão, em 1820, ao se encontrar com um anjo e,
posteriormente, receber placas de ouro com inscrições que, segundo o dogma religioso, foram copiadas e se
tornaram o livro dos mórmons. Durante a segunda metade do século XX, havia um importante mercado de
especialistas e missionários incumbidos de localizar documentos históricos. A circulação desses documentos
religiosos se dava por compra e venda de dignitários mórmons e também para o arquivo e biblioteca que a
igreja mantém. 
Policiais revistando o carro de Mark Hofmann.
Dignitários
Pessoas que ocupavam altos cargos civis ou religiosos. 
Neste contexto de mercado de documentos
históricos mórmon, o negociador de
documentos Mark Hofmann ficou conhecido,
durante a década de 1980, pela descoberta do
que chamou de "Carta da Salamandra". A venda
do documento à Igreja dos Santos dos Últimos
Dias foi intermediada por dignitários mórmons e
colocou Hofmann como expoente do mercado
de compra e vendas de documentos religiosos
mórmons. Até 1985, Hofmann comercializaria
documentos para a Igreja e outros
colecionadores com certa tranquilidade.
Entretanto, a “descoberta” da "Coleção
McLellin", que contaria com capítulos
esquecidos dos livros dos mórmons, causou
grande debate na teologia da igreja, bem como na vida da comunidade.
Em 1985, uma série de três explosões e homicídios atingiu membros do mercado de compra e vendas desse
tipo de documento. Tendo sido vítima de uma dessas explosões, Mark Hofmann e a sua propensão a
descobertas de novos documentos virou ponto central das investigações. 
A investigação das explosões e homicídios levou à
descoberta de um esquema de fraudes e falsificações,
marcado pela sofisticada técnica de Hofmann para forjar a
tinta usada para a escrita dos autógrafos falsos, o uso de
papéis do século XIX e processos de aceleração de
envelhecimento.
Os peritos ligados à promotoria apontaram a falsificação da
“Carta de Salamandra” por meio de diferentes técnicas,
como a aceleração do envelhecimento da tinta, a fórmula da
tinta usada no séc. XIX nos EUA e Reino Unido, utilização de
papel do séc. XIX, entre outros. 
Demonstração
Será que este tipo de relato fica restrito ao cinema? Não, longe disso. Um caso real será apresentado no vídeo
a seguir.
Solucionando casos reais
Neste vídeo, o caso será detalhado.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Mão na massa
Questão 1
A investigação da falsificação de documentos deve levar em conta múltiplos aspectos da produção e da
circulação de um documento. Sobre a história do falsificador Mark Hofmann, assinale a assertiva correta à luz
da noção de autenticidade: 
A
A exploração de um mercado de compra e vendas de documentos específico possibilitou o desenvolvimento
de técnicas que dificultaram as investigações.
B
Mark Hofmann atuou na falsificação de diversos documentos de épocas diferentes, pois conhecia o padrão
universal das documentações.
C
A falsificação é um crime em si, e não cabe ao documentocopista observar o contexto em que o crime está
envolvido.
D
A falsificação, neste caso, foi uma exceção, não devendo ser um caso típico por se afastar da criminalística.
E
A falsificação religiosa é um fundamento da investigação, sendo seu principal campo de desenvolvimento.
A alternativa A está correta.
A investigação da falsificação de documentos deve levar em conta aspectos múltiplos da produção e
circulação de um documento. 
Questão 2
Sobre a história do falsificador Mark Hofmann, à luz da noção de autenticidade, assinale a assertiva correta:
A
A compra e a venda de documentos falsificados estavam relacionadas a um mercado de documentos
históricos já estabelecidos.
B
Os tipos de crimes relacionados à documentação são recorrentes e sempre iguais, como o caso revela.
C
O caso demonstra que a falsificação de documentos é sempre uma ação pessoal e centralizada.
D
A compra de falsificação demonstra que somente grupos ultra especializados fazem fraudes e sempre por
coisas grandiosas.
E
A compra e a venda de documentos é algo raro, comparado a imagens ou roubo de dados, que são muito mais
ricos e importantes.
A alternativa A está correta.
O caso de Mark Hofmann aponta que a falsificação desses documentos estava relacionada a um
efervescente mercado de documentos históricos vinculados aos primeiros fiéis e origens da igreja. Esse
mercado estava relacionado a dignitários mórmons e à biblioteca que a igreja mantém. 
Questão 3
O caso de Hofmann é conhecido pelo desenvolvimento de diferentes técnicas na produção do documento por
parte do falsário. A variação de técnicas adotadas mostra que:
A
O foco da veracidade reside no que está escrito.
B
O foco está no tipo de material.
C
O foco está no tipo de tinta.
D
O foco está no tipo de grafia.
E
O foco está em associar materiais diversos para encontrar as informações.
A alternativa E está correta.
Destacamos a aceleração do envelhecimento da tinta, a fórmula da tinta usada no séc. XIX nos EUA e Reino
Unido, utilização de papel do séc. XIX, entre outros. 
Questão 4
O campo de estudo da falsificação de documentos deve ser pensado como algo:
A
Da Antiguidade.
B
Do Medieval.
C
Da Era Moderna.
D
Da contemporaneidade.
E
De espaços e tempos diversos, desde que nos organizamos em sociedade.
A alternativa E estácorreta.
A passagem do tempo sempre viu o processo de falsificação, mas as ciências e a leitura sobre o que isso
significa mudam ao longo do tempo.
Questão 5
O caso de Hofmann e o mercado de documentos mórmons é resultado também do conhecimento do campo
de estudo de investigação da falsificação. Que técnica deste campo o falsário usou a seu favor?
A
Grafotécnica da Carta de Salamandra
B
Perícia da Carta de Salamandra
C
Comparação com a Carta de Salamandra
D
Paleografia da Carta de Salamandra
E
Documentoscopia da Carta de Salamandra
A alternativa C está correta.
Ao conseguir a legitimação do documento conhecido como Carta de Salamandra, Hofmann usou a técnica
da comparação de documentos a seu favor, uma vez que estabeleceu um documento falso como margem
de análise. 
Questão 6
O trabalho desenvolvido por um ou mais especialistas, com o objetivo de fornecer elementos técnicos que
permitam a tomada de decisão quanto a um fato, ação ou objeto, e é utilizado em processos judiciais quando
há dúvidas ou questionamentos de partes interessadas é chamado de:
A
Paleografia
B
Criminalística
C
Perícia
D
Método comparativo
E
Modelo de confronto
A alternativa C está correta.
A perícia é um trabalho de análise técnica que tem por objetivo fornecer elementos técnicos para uma
decisão em um processo judicial. 
Vamos refletir sobre as questões
Neste vídeo, a professora Suelen de Souza explica as questões do Mão na massa.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Teoria na prática
Vamos ver alguns conceitos importantes e, depois, o relato para compreender as relações estabelecidas.
 
Documento diplomático – Documento legitimado do ato e do fato administrativo ou jurídico.• 
Documento eletrônico – Documento composto por informação registrada, codificada em forma
analógica ou em dígitos binários, e acessível, interpretável por meio de equipamento eletrônico.
Documento falso – Documento aparentemente revertido de requisitos e formalidades externas e, às
vezes, internas, próprias de documento original autêntico. Objetiva passar-se por verdadeiro, mas foi
criado com má-fé no intuito de ludibriar.
Documento falsificado – Documento que era originalmente verdadeiro, mas a partir de alguma
adulteração feita por má-fé, mudou seu objetivo ou alterou informação relevante.
Documento original – Documento feito por vontade expressa de seu autor, mantido no suporte e
formato em que foi produzido.
Documento pós-original – Cópias que representam um documento formalmente idêntico a um original.
Documento pré-original – Texto anterior ao documento original, como o rascunho ou minuta.
Documento verdadeiro – O mesmo que documento autêntico.
Original – Forma sob a qual um documento é mantido no suporte e formato em que foi produzido pela
primeira vez. Documento, texto ou livro que, uma vez concluído e revertido das formalidades e
requisitos de garantia, se mantém e chega à posteridade, sem qualquer transformação ou manipulação
em seu suporte, tinta, letra, assinatura, selos e conteúdo informacional.
Original múltiplo – Documento que reúne os requisitos peculiares do original, mas em vez de haver sido
elaborado e emitido em único exemplar, por razões diversas, emitiram-se vários idênticos, na matéria e
na forma, com valor de original. Costumam existir quando são vários os destinatários ou interessados.
Paleografia – Estudo técnico de textos manuscritos, sobretudo antigos, na sua forma exterior,
compreendendo o conhecimento dos materiais e instrumentos para escrever, a história da escrita e a
evolução de letras e números, símbolos e abreviaturas, objetivando sua leitura, transcrição e
interpretação.
Peça – Documento a ser periciado.
Perícia – Trabalho desenvolvido por um ou mais especialistas, com o objetivo de fornecer elementos
técnicos que permitam a tomada de decisão quanto a um fato, ação ou objeto. Muito utilizada em
processos judiciais, quando há dúvidas ou questionamentos de partes interessadas.
 
Quando você observa esse glossário precisa notar que são definições úteis para compreensão da
documentoscopia e da escrita. Sendo assim, estudar sobre como isso passa pelos aspectos decisórios é
fundamental. Vamos pensar sobre isso? Como esses termos e técnicas poderiam te ajudar a tomar uma
decisão?
 
Vamos assistir agora ao vídeo Quem tem razão: estudo de um caso real.
Chave de resposta
Neste vídeo o professor Rodrigo Rainha explora aspectos humanos do processo de perícia e investigação
utilizando a documentoscopia. Como evitar injustiças e fragilidades da investigação. Vamos então ver
como isso pode aparecer em casos reais.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
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Questão 1
As obras referenciais das ciências documentais, Acta Santorum, De Re Diplomatica, e Paelographia Graeca
foram escritas, respectivamente, por:
A
Jean Bolland, Jean Mabillon e Bernard de Montfaucon.
B
Daniel van Papenbroeck, Bernard de Montfaucon e Gregório de Tours.
C
Papa Inocêncio III, Jean Mabillon e Gregório de Tours.
D
Gregório de Tours, Jean Bolland e Jean Mabillon.
E
Bernard de Montfaucon, Papa Inocêncio III e Daniel van Papenbroeck.
A alternativa A está correta.
Na busca de evitar os documentos falsos e criar mecanismo de validação, Jeanl Bolland, Jean Mabillon e
Bernard de Montfaucon permitiram o desenvolvimento dessas práticas marcantes ao longo da história.
Questão 2
O trabalho desenvolvido por um ou mais especialistas, com o objetivo de fornecer elementos técnicos que
permitam a tomada de decisão quanto a um fato, ação ou objeto e é utilizada em processos judiciais, quando
há dúvidas ou questionamentos de partes interessadas é chamada de:
A
Paleografia
B
Criminalística
C
Perícia
D
Método comparativo
E
Modelo de confronto
A alternativa C está correta.
A lógica pericial passa a ser uma ação direta na busca da veracidade dos documentos, constituindo uma
ação fundamental ao longo do tempo.
3. Perícia e grafologia
Documentoscopia e Criminalística
A Documentoscopia surge no século XX, dentro do ambiente jurídico criminal, se estabelecendo inicialmente
como uma técnica pericial voltada para a verificação da autenticidade documental neste âmbito. Diferente da
Diplomática, da Paleografia e das outras ciências documentais, ela traz consigo uma identidade forense,
oriunda da necessidade jurídica de criar elementos que possam balizar uma decisão judicial em relação à uma
prova documental. 
Relembrando
A garantia da autenticidade documental sempre foi uma necessidade administrativa e jurídica, e com o
tempo, uma ferramenta na crítica histórica. 
Entretanto, as falsificações, que sempre existiram,
passaram a exigir cada vez mais um estudo aprofundado
para sua identificação. Técnicas e métodos foram
desenvolvidos por inúmeras áreas, para que as fraudes
fossem descobertas e coibidas. Essas ações passaram a
fazer parte não só do âmbito jurídico, mas também criminal
e policial.
Em todo o mundo, a esfera criminal, inserida no sistema
jurídico, necessitava de amparo pericial para que
determinadas provas passassem pela análise forense, com
a coleta de provas e evidências que pudessem balizar a decisão judicial. É neste âmbito que surge a 
Criminalística como a disciplina que: 
Abrange um conjunto de procedimentos científicos, com o objetivo de identificar, reconhecer e
interpretar os indícios, as provas e as evidências, que servem para averiguação de um delito e para
desvendar crimes e assuntos de aspectos legais. 
A Criminalística é multidisciplinar por natureza, pois trabalha e necessita de diversas ciências, como a Física, a
Química, a Biologia e, também, as ciências documentais.
Inserida na Criminalística, a Documentoscopia busca atestar a autenticidade ou falsidade do documento, seja
ele qual for, a partir de conhecimento específico, metodologia própria e instrumental adequado que irá
determinar se o documento é verdadeiro, se não houve alterações,acréscimos ou adulterações, se ele é
integralmente falso, e determinar sua autoria ou origem, caso seja necessário. 
Instituto Geral de Perícia – Polícia Científica de Santa
Catarina.
Atenção
A principal característica que difere a Documentoscopia das outras ciências documentais é que ela
possui um cunho policial, criminalístico e investigativo, pois além de buscar atestar a autenticidade, ela
também procura determinar os meios empregados para a fraude, quem os produziu e de que maneira. 
Inicialmente, no Brasil e em muitos outros países, a análise pericial de documentos era feita pela polícia ou por
tabeliães e notários que, por trabalharem com documentos jurídicos e comerciais de valor econômico (por isso
sempre os mais falsificados), eram acionados para darem suas opiniões e, caso necessário, fazerem laudos
sobre os documentos, caligrafias e assinaturas, pois trabalhavam diariamente com esses elementos. Na
ausência de legislação pertinente quanto à perícia documental e de cursos de formação na área, os
profissionais mais qualificados eram aqueles que tinham aptidão e que buscavam no conhecimento empírico a
identificação de evidências que comprovariam a fraude, normalmente por meio de estudos comprovativos.
Em relação à formação profissional, alguns
cursos foram sendo oferecidos ao longo do
tempo pela própria polícia civil e algumas
delegacias foram criadas para combater as
mais variadas formas de fraude. Somente nas
décadas finais do século XX surgiram cursos
específicos, embora poucos e esporádicos,
para formação de peritos criminais.
Saiba mais
Em 2009, por meio da Lei 12.030, de 17 de setembro, são estabelecidas as disposições sobre as perícias
oficiais. Segundo seu artigo 1º, a lei “estabelece normas gerais para as perícias oficiais de natureza
criminal”, e em seu artigo 2º determina que “no exercício da atividade de perícia oficial de natureza
criminal, é assegurado autonomia técnica, científica e funcional, exigido concurso público com formação
acadêmica específica, para o provimento do cargo de perito oficial.” 
Entretanto, alguns serviços periciais são realizados por profissionais autônomos, como os peritos
grafotécnicos, aqueles que analisam a escrita e a assinatura do documento para atestar sua autenticidade.
Esses serviços podem ser solicitados tanto por esferas judiciais, como por empresas privadas. Embora não
seja uma profissão regulamentada, o perito grafotécnico requer conhecimento específico, prática e,
sobretudo, capacitação na área.
Departamento de Criminalística do Rio Grande do Sul.
O perito versado em Documentoscopia pode atuar em
diversas frentes de trabalho, elaborando laudos periciais,
que vão desde obras de arte a documentos eletrônicos.
Mas o campo de trabalho em que ele é mais requisitado é
na Grafotecnia, o ramo que estuda, investiga e analisa os
documentos manuscritos.
Em todos os casos, porém, o documentoscopista precisa ter
um conhecimento amplo e generalista em várias áreas, ou
estar inserido em uma equipe que possa auxiliá-lo, pois,
dependendo do objeto periciado, o profissional poderá
utilizar a Química, a Eletrônica, a Informática, a Física, a
História, o Direito, a Diplomática, a Arquivística e outras
áreas que se fizerem necessárias. O trabalho pericial do documentoscopista se divide em dois âmbitos: 
Judicial
Quando o perito é nomeado por um juiz.
Extrajudicial
Quando ele é contratado de forma particular
por um cliente para periciar um documento ou
uma assinatura para outros fins, sem ser
especificamente para a esfera jurídica.
Os peritos particulares contratados por uma das partes de um processo judicial podem contrariar a perícia
judicial e, até mesmo, fazer a perícia da perícia por meio de um parecer técnico. O laudo pericial feito de forma
correta irá atestar se o documento foi realmente produzido ou emitido pelo seu produtor, seja ele pessoa física
ou jurídica, se foi adulterado, ou se foi criado de forma fraudulenta.
Laudo pericial
Produto de uma perícia, na forma de relatório, que contenha detalhes do que foi periciado e respostas
que possam balizar uma decisão judicial.
Perícia grafotécnica
A Grafotecnia ou Grafotécnica é uma área relacionada à Documentoscopia, sendo uma de suas principais
vertentes. Ela é o estudo e análise da escrita, caligrafia, assinaturas e rubricas, com vistas ao atestado de
autoria e validação de sua autenticidade, por meio de técnicas específicas e análises comparativas. Também é
conhecida como Grafoscopia ou Grafística. O profissional da área é conhecido como perito grafotécnico.
A Grafotecnia se difere da Grafologia, que também estuda a escrita e a caligrafia de um indivíduo, mas cujo
objetivo é a análise da personalidade, da índole e do caráter de uma pessoa por meio de aspectos individuais
de sua letra, traçado, espaço utilizado e outras características gráficas. O profissional da área é conhecido
como grafólogo. 
Comentário
Nada impede que um mesmo profissional seja versado em ambas as áreas, já que elas são intimamente
próximas e com muitos campos interrelacionados, mas o trabalho de um não pode ser confundido com o
do outro. 
Aqui, iremos detalhar o trabalho do grafotécnico e como o laudo pericial deve ser realizado.
Para se tornar um perito grafotécnico, exige-se um elevado nível de conhecimento interdisciplinar técnico e
científico, equipamentos específicos e um trabalho acurado e paciente a ser empreendido na análise de cada
peça a ser periciada.
A perícia grafotécnica normalmente é solicitada por juízes, promotores, advogados e demais partes
interessadas, para o esclarecimento de dúvidas referentes à autoria e autenticidade de documentos com
informação escrita e/ou os que contenham assinaturas. 
Tal perícia deve ser elaborada de forma criteriosa, com extremo rigor científico, sendo objetiva,
imparcial e conclusiva.
Para a realização da perícia grafotécnica, o profissional deve ter amplo domínio da metodologia comparativa a
ser utilizada na análise da escrita e da caligrafia empregada. Nessa metodologia, o estudo comparativo é o
mais indicado, pois, para saber se o texto ou a assinatura é de quem se diz ser, torna-se necessária a
comparação entre o documento periciado (chamado comumente de peça) e outros documentos em que se
tenha certeza da autenticidade e da autoria e que, a princípio, sejam da mesma pessoa do documento
periciado. Esses outros documentos são chamados de modelos de confronto, pois são a partir deles que a
caligrafia, os traços, os ductos, a inclinação, a ortografia e demais características da escrita, serão
comparadas e confrontadas para se atestar a veracidade da peça. O perito também pode coletar outros
padrões de escrita e assinatura exclusivamente para fins periciais comparativos.
Instituto Geral de Perícias – Departamento de Criminalística do Rio Grande do Sul.
Considerado o pai da Grafotecnia, Edmond Solange Pellat escreveu, em 1927, o livro Les lois de l’escriture, em
que estabeleceu as quatro leis do grafismo, que logo se tornaram os princípios fundamentais da Grafoscopia.
As leis partiam da premissa que todo grafismo é único, individual e inconfundível. São elas:
 
O gesto gráfico está sob influência imediata do cérebro. A sua forma não é modificada se o órgão que
aciona o instrumento escritor se encontra suficientemente adaptado à sua função.
1. 
Quando alguém escreve, o seu “Eu” está em ação, mas o sentimento quase inconsciente dessa ação
passa por alternativas contínuas de intensidade, entre o máximo, onde existe um esforço a fazer, e o
mínimo, quando esse esforço segue o impulso adquirido.
O grafismo natural não pode ser modificado voluntariamente se não pela introdução do traçado de
características do esforço despendido.
Quando, por qualquer circunstância, o ato de escrever se torna particularmente difícil, o escritor
instintivamente dá às letras formas que lhe são mais familiares e mais simples, esquematizando-as, de
modo que lhe seja mais fácil executar.
Segundo Pellat, o cérebro humano armazena a forma como indivíduo escreve e a repeteinstintivamente,
produzindo um gesto gráfico único, como uma impressão digital. O indivíduo não consegue alterar sua forma
de escrita natural, mesmo quando muda de letra, pois irá manter a velocidade, o traçado e a fluidez de sua
escrita. Portanto, quando há tremulações, exageros, vacilações e pausas no meio do texto ou assinatura, isso
denota uma alteração, que pode indicar uma falsificação. Contudo, alterações nesse padrão podem acontecer
quando o indivíduo está sob forte estresse, sob uso de drogas ou em virtude de doenças ou acidentes. 
Cada indivíduo possui uma caligrafia única, com traços e características peculiares. 
Portanto, o gesto gráfico é, e sempre será, uma forma particular da escrita, pois mesmo com caligrafias
semelhantes, haverá um traçado ou uma letra diferente que irá variar de pessoa para pessoa. Além disso,
ainda há a disposição espacial em que a escrita é disposta no papel. Devemos considerar as seguintes
questões:
 
O autor utiliza toda a margem?
Sua letra é cursiva ou bastão?
Suas letras são arredondadas ou disformes?
Há erros frequentes na ortografia ou no uso de vocabulário?
As palavras possuem todas as letras ligadas ou algumas são separadas?
As linhas da escrita se mantêm retas ou são ascendentes ou decrescentes?
Como ele desenha e onde coloca o til? Como são as letras maiúsculas que o autor utiliza?
Como se dão os traços, os pingos e as voltas? A caligrafia é firme e decidida ou trêmula, infantil ou
insegura?
A pressão exercida pela caneta é forte, mediana ou fraca? A inclinação da letra se dá para a esquerda,
para direita ou é centralizada?
Todas essas perguntas e muitas outras devem ser levadas em conta na hora de periciar um texto manuscrito.
Por isso, os modelos de confronto são importantes no estudo comparativo.
Em relação à análise da assinatura, outros elementos devem ser investigados, sempre com o uso de modelos
de confronto. Todo falsário deixa pistas e são elas que devemos procurar nos mínimos detalhes. As
assinaturas são muito falsificadas, pois são elas que confirmam o ato escrito do documento, e também dão
valor legal à transação que se exprime no documento. A assinatura é a validação, a confirmação de que o
documento pode tramitar e cumprir sua razão de ser, por isso que as assinaturas fraudulentas são
encontradas em cheques, cartas, escrituras, testamentos, relatórios, obras de arte e até mesmo em
autógrafos de pessoas renomadas.
A identificação de uma assinatura falsa passa por uma análise parecida do exame pericial de um texto, mas
possui alguns elementos distintos, pois a assinatura possui uma forma única. Sabemos que não há uma
caligrafia idêntica à outra, da mesma forma que não há uma assinatura idêntica à outra. Elas devem ser
parecidas e possuírem o mesmo:
2. 
3. 
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Ângulo de ataque
Entrada da caneta no papel.
Calibre
Força da caneta no papel.
Evolução
Disposição do traçado que liga as letras.
Ângulo de saída
Saída da caneta do papel.
Ductus
Baixo relevo deixado pelo calibre da escrita.
Além disso, devem ter uma disposição espacial e um formato semelhante entre elas, com o uso do mesmo tipo
de maiúsculas, minúsculas, ponto, traços e sinais.
A falsificação de assinatura se dá por inúmeras formas:
Sem imitação
É a falsificação mais simples. Se dá quando o falsário desconhece a assinatura verdadeira e inventa
uma qualquer na tentativa de conseguir algum lucro imediato. Esse tipo de falsificação é muito
utilizado em cheques furtados. 
Utilização de cópia
Os métodos mais utilizados são os que utilizam a cópia: o falsário, de posse de uma assinatura
original (ou reprodução dela), imita o traçado, as letras, o tamanho e a forma da assinatura. Esse
método é o mais fácil de se perceber, pois geralmente o gesto caligráfico é frágil e inconstante,
comprometendo, assim, os ângulos de ataque e saída, o calibre, o ductus e a própria evolução da
assinatura. 
Decalque ou duplicação
Esse método consiste na coleta da assinatura verdadeira por meio de uma cópia em papel vegetal
sobreposta no documento original ou por meio da captura da assinatura por meios eletrônicos ou
fotocópia. Depois, o falsário sobrepõe o documento a ser falsificado sobre a cópia da assinatura
capturada ou projeta sua imagem, por espelho, projetor ou outro dispositivo, no local onde a
assinatura falsa será aplicada. 
Memorização
Nesse caso, o falsário profissional, de posse de uma ou mais assinaturas verdadeiras de uma pessoa,
estuda, pratica e aprimora a assinatura a ser falsificada, percebendo suas nuances e calibrando a
força a ser empregada. Com isso, o gesto caligráfico fica natural e adequado aos padrões de
assinatura que o verdadeiro autor utiliza. 
Instituto Geral de Perícias – Departamento de
Criminalística do Rio Grande do Sul.
Autofalsificação
É quando a pessoa falsifica sua própria assinatura no intuito de pedir o ressarcimento de algo que ele
diz não ser de sua responsabilidade. 
Em todos esses casos, o laudo pericial deve apontar as inconsistências de forma minuciosa e conclusiva por
meio de estudos comparativos referenciados pela literatura forense. A tecnologia é grande serventia para a
identificação dessas inconsistências, sobretudo na digitalização em alta resolução da peça a ser periciada.
Por isso, o perito grafotécnico deve ter acesso a scanners e máquinas fotográficas de alta resolução e, em
alguns casos, de microscópios específicos, sem contar com os tradicionais equipamentos como luvas, lupas e
luzes profissionais. 
Caso o documento periciado seja muito antigo, o trabalho paleográfico poderá ser exigido e, se o perito não
dominar a técnica da Paleografia, deve contatar um profissional qualificado. Além disso, torna-se necessário o
uso de glossários de abreviaturas e dicionários de português arcaico.
Um laudo pericial bem-feito deve descrever
toda peça examinada, enumerando as
principais características e apontando os
pontos de análise. Em seguida, o perito deve
comparar a peça com os modelos de confronto,
demonstrando em seu laudo as inconsistências
encontradas e explicando a metodologia
adotada e os termos utilizados. O uso de
imagens na análise comparativa é
recomendado.
Demonstração
Estudo de caso – preso é
solto por perícia grafotécnica
Uma notícia, publicada em 2022, conta a história de um homem que foi preso em São Paulo acusado de
roubos em Itabuna/Bahia e condenado a 12 anos de prisão. Rogerio de Paula, que afirma nunca ter ido à Bahia,
ficou preso por 3 meses, até a defensoria pública conseguir provar, por meio de uma perícia grafotécnica, que
os documentos eram falsificados e utilizavam de forma criminal os dados do mecânico. 
Perícia, investigação e desafios
Neste vídeo, o professor Rodrigo Rainha faz a relação entre o caso e o conteúdo.
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Mão na massa
Questão 1
A perícia é um trabalho desenvolvido por um ou mais especialistas com o objetivo de fornecer elementos
técnicos que permitam a tomada de decisão quanto a um fato, ação ou objeto. No caso da perícia
grafotécnica, ela analisa a escrita, caligrafia, assinaturas e rubricas, a fim de verificar sua autenticidade, por
meio de técnicas específicas e análises comparativas. Avalie as assertivas sobre o impacto da perícia
grafotécnica na investigação de Rogerio de Paula.
 
I. A perícia grafotécnica mostrou que a assinatura poderia ser de outra pessoa, por isso Rogerio foi liberado
em função da ausência de provas.
II. A perícia grafotécnica como análise especulativa possibilitou o argumento da não certeza sobre a
assinatura do documento.
III. A perícia grafotécnica elucidou o caso por meio da avaliação e confirmação do documento fraudulento.
 
Marque a alternativa correta:
A
Somente I está correta.
B
Somente II está correta.
C
Somente III está correta.
D
I e II estão corretas.
E
I e III estão corretas.
A alternativa C está correta.
A perícia grafotécnica analisa a escrita, caligrafia, assinaturas e rubricas, a fim de verificar suaautenticidade de dado documento. No caso de Rogerio de Paula, a grafotécnica demostrou, por meio de
seus métodos, que o documento apresentado pelo criminoso era fraudulento. Neste sentido, a perícia
grafotécnica é útil na elucidação de todo crime que envolve escrita, pois permite a confrontação de
escritas.
Questão 2
Em 1927, o pensador francês Edmond Solange Pellat escreveu as quatro leis do grafismo, que logo se
tornaram os princípios fundamentais da Grafoscopia. As leis partiam de uma determinada premissa. Marque a
alternativa correta:
A
Todo grafismo é único, individual e inconfundível.
B
O grafismo busca a autenticidade do documento.
C
A Grafoscopia é o reflexo do pensamento inconsciente humano.
D
Para a correta leitura, é necessária a transcrição e interpretação do texto.
E
O grafismo é a base da perícia criminal.
A alternativa A está correta.
Neste caso, o domínio de informações relacionado à técnica permite investigações e observações que
geram mudanças da própria resposta do caso.
Questão 3
Qual das assertivas a seguir é correta em relação à Grafotécnica e à Grafologia:
A
Somente a Grafologia estuda e analisa a escrita e a caligrafia de um indivíduo.
B
A primeira busca a autenticidade do documento e a segunda a identificação de traços de personalidade do
autor.
C
O mesmo profissional não pode atender à Grafotécnica e à Grafologia.
D
As duas têm caráter pericial.
E
Os dois termos são sinônimos.
A alternativa B está correta.
O aluno precisa saber que os termos não são pegadinhas e, por isso, aparecem no caso dependendo da
escolha de quem faz o texto, não devendo ser retirado do contexto de que significam no limite o mesmo.
Questão 4
A Lei 12.030, de 17 de setembro de 2009, dispõe sobre as perícias oficiais. De que trata o artigo 1º da referida
lei: 
A
Cria a obrigatoriedade da contratação de perito criminal em casos previstos em lei.
B
Estabelece normas gerais para as perícias oficiais de natureza criminal.
C
Regula a prática da documentoscopia e grafotecnia.
D
Regulamenta a profissão de perito grafotécnico e dá outras providências.
E
Estipula pena pecuniária para o exercício ilegal da profissão.
A alternativa B está correta.
O caso deve seguir as regras atuais previstas e, por isso, faz parte da observação e desenvolvimento do
material e da defesa.
Questão 5
Quais são as possibilidades de atuação da pessoa que trabalha com a Documentoscopia?
A
A Documentoscopia só possibilita o trabalho em perícias criminais.
B
A pessoa que atua com a Documentoscopia atua, exclusivamente, com a grafotecnia.
C
A Documentoscopia oferece a possibilidade de atuar apenas com a mecanografia.
D
A Documentoscopia não atua em obras de arte.
E
A pessoa pode trabalhar em diferentes frentes, como obras de arte e documentos eletrônicos.
A alternativa E está correta.
Pode atuar em diversas frentes de trabalho, elaborando laudos periciais que vão desde obras de arte a
documentos eletrônicos, mas o campo onde mais atua é o ramo que estuda, investiga e analisa os
documentos manuscritos.
Questão 6
Existe um tipo de falsificação em que o falsário profissional estuda e pratica a cópia a partir de vários
documentos com a assinatura verdadeira, aprendendo as nuances da assinatura verdadeira. Indique o nome
da técnica utilizada.
A
Duplicação.
B
Autofalsificação.
C
Cópia.
D
Decalque.
E
Memorização.
A alternativa E está correta.
A prática da memorização de assinaturas e estilo gráfico da escrita de uma pessoa é comum entre os
falsários. Ela consiste no estudo e prática de repetição a partir de outros documentos com a assinatura
verdadeira. 
Vamos refletir sobre as questões
Neste vídeo, a professora Suelen de Souza explica as questões do Mão na massa.
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Teoria na prática
Vamos entender alguns conceitos vitais para o cotidiano da prática grafotécnica?
 
Ângulo da escrita – Ângulo formado pelo instrumento de escrever em relação à linha do escrito. É
considerado um fator importante na determinação da característica gráfica, tanto que sua variação,
causada pela posição diversa da mão e da superfície da escrita, pode provocar importante modificação
no traçado dos escritos.
Apócrifo – Documento, obra ou fato sem autenticidade comprovada.
Assinatura – Nome escrito com traçado próprio e único de seu dono. Também conhecida como firma.
Assinatura a rogo – Aquela em que uma pessoa utiliza outra para assinar por si, seja por enfermidade,
analfabetismo ou ausência. Costuma constar no documento o pedido ou motivo do rogo.
Assinatura digital – Assinatura em meio eletrônico, que permite verificar a origem e integridade do
documento.
Assinatura eletrônica – Símbolo ou conjunto de símbolos executados, adotados ou autorizados por um
indivíduo e gerado por computador, que se equivale à assinatura manual do indivíduo.
Autenticidade – Característica do documento arquivístico quando este não sofreu adulteração ou
corrupção em sua tramitação ou guarda.
Autógrafo – Documento totalmente escrito, texto e assinatura, pelo seu autor, sem intervenção de
terceiro.
Caligrafia – Estilo ou maneira própria e peculiar de se escrever à mão.
Certificação – Afirmação ou atestação de um fato em razão de ofício.
Certificação digital – Atividade de reconhecimento em meio eletrônico de chave de criptografia e
inserido em um certificado digital por uma autoridade certificadora.
Ducto – Designa o traçado da letra e se refere inclusive ao seu tempo de execução, que pode ser mais
lento, mais acurado ou cursivo. O traçado, o aspecto de uma escrita.
Elemento extrínseco – Característica externa do documento arquivístico, como gênero documental,
assinatura digital, tipos de letras etc.
Elemento intrínseco – Característica interna do documento arquivístico, como autor, assunto,
destinatário, data, local etc.
Espécie documental – Divisão de gênero documental que reúne tipos documentais por seu formato.
Exemplos: ata, carta, fotografia, memorando, planta.
Grafologia – Estudo da escrita, sobretudo no que tange à caligrafia, cujo objetivo é a análise da
personalidade, da índole e do caráter de uma pessoa, por meio de aspectos individuais de sua letra,
traçado, espaço utilizado e outras características gráficas. O profissional da área é conhecido como
grafólogo.
Grafotecnia – Estudo e análise da escrita, caligrafia, assinaturas e rubricas com vistas ao atestado de
autoria e validação de sua autenticidade, por meio de técnicas específicas e análises comparativas.
Entende-se como uma área relacionada à documentoscopia. Também é conhecida como grafoscopia
ou grafística. O profissional da área é conhecido como perito grafotécnico.
Integridade documental – Característica que estabelece que o documento se encontra completo e não
sofreu alteração indevida ou não documentada.
Metadados – Informações descritivas sobre a estrutura dos dados e de sua relação com outras dados.
Rubrica – Firma ou assinatura abreviada reconhecida como autêntica.
Suporte – Material no qual são registradas as informações.
Unicidade – Qualidade atribuída ao documento arquivístico que consiste na premissa que todo
documento é único em seu contexto, ou seja, pode haver mais de uma cópia de documento de igual
teor, mas que, inseridos em conjuntos documentais diversos, ganham o estatuto de serem únicos, por
estarem relacionados a outros documentos e, assim, se constituírem em um conjunto específico. Por
exemplo: a emissão de mais de uma via de um mesmo documento, em que cada uma delas irá
desempenhar um papel diferente e será acumulado por um setor diferente.
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Grafoscopia – Análise que objetiva o reconhecimento de grafias a partir de estudos comparativos.
Gênero documental – Reunião de espécies documentais que se assemelham por suas características
essenciais, particularmente, o suporte e o formato. Exemplos: documentos audiovisuais, documentos
bibliográficos, documentos

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