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UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL CAMPUS - CHAPECÓ CURSO DE GEOGRAFIA PEDRO LEITE RODRIGUES DE SOUZA RELATÓRIO FINAL DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO: PRÁTICA DE ENSINO EM GEOGRAFIA I CHAPECÓ 2019 RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I Pedro Leite Rodrigues de Souza[footnoteRef:1] [1: É acadêmico/a do curso de Graduação em Geografia – Licenciatura. O referido texto é oriundo do Estágio Curricular Supervisionado I, realizado junto à E.E.B Lara Ribas, no segundo semestre de 2019. ] Resumo Este trabalho de conclusão da matéria de Estágio Curricular Supervisionado: prática de ensino em geografia I consiste em apresentar os relatos das observações feitas in-loco, no ano letivo de 2019.2, do Curso de Licenciatura em Geografia da Universidade Federal da Fronteira Sul. Nele foi discutido três questões: a observação e caracterização da Escola de Ensino Básico Coronel Lara Ribas, localizada no município de Chapecó – SC; as descrições das aulas ministradas pela professora responsável e por fim e não menos importante algumas observações embasadas em alguns autores acerca da realidade enfrentada na escola. Palavras-chave: Estágio Supervisionado; Descrição; Realidade da escola. INTRODUÇÃO Toda a teoria deve ser feita para poder ser posta em prática e toda a prática deve obedecer a uma teoria. Só os espíritos superficiais desligam a teoria da prática, não olhando a que a teoria não é senão uma teoria da prática, e a prática não é senão a prática de uma teoria. Na vida superior a teoria e a prática completam-se. Foram feitas uma para a outra. (PESSOA, 1926, s/p) De acordo com as palavras expressas por Pessoa, percebemos que é inquestionável o fato de que teoria e prática são saberes distintos, porém indissociáveis. Portanto faz -se necessário contemplar as duas práticas afim de se construir bases fundamentais e princípios para um futuro de práticas docentes. Princípios estes que são pertinentes para a formação adequada de profissionais da área da educação os quais lidaram com ambientes instáveis e complexos contextos escolares. Com isso o presente relatório tem como finalidade relatar as atividades que foram desenvolvidas no decorrer do “Estágio Curricular Supervisionado: práticas de ensino em geografia I”, ministrado pelo professor Willian Simões, do curso de Licenciatura em Geografia da Universidade Federal da Fronteira Sul. O estágio foi realizado no colégio EEB Cel Lara Ribas, localizado no município de Chapecó – SC, entre os dias 01 de novembro de 2019 e 04 de dezembro do mesmo ano. Durante esse percurso para atingir as diretrizes afim de contemplar as metas do estágio supervisionado se utilizou como metodologia a observação do ambiente escolar e das aulas ministradas em uma determinada turma do ensino fundamental. Possibilitando ao discente vivenciar o que foi estudado na Universidade, bem como aproxima-lo do ambiente escolar e dos alunos, como auxílio para um futuro graduado no curso de licenciatura em Geografia que venha a ser professor. Por mais que a Universidade oferte com qualidade os saberes necessários à docência, as teorias por si só não bastam para formar e preparar estudantes de licenciatura para o exercício de suas funções de modo pleno. Portando faz-se necessário comtemplar a teoria adquirida na universidade junto a prática vivenciada nos ambientes escolares para um preparo mais consciente, aproximando futuros licenciados de seu ambiente de trabalho com o intuito de uma formação e um preparo mais completo e consistente. 1. Sobre o ambiente escolar 1.1 A caracterização da escola ´ Inicialmente fui a campo com o intuito de coletar informações relacionadas a escola e com base nas observações feitas pude então elaborar a caracterização da estrutura física e material da escola. Esses dados correspondem ao mês de Novembro do ano de 2019. A escola E.E.B. Lara Ribas está localizada no bairro Passo dos Fortes do município de Chapecó-SC, contudo recebe alunos de diversas regiões, o que torna o público socioeconomicamente heterogêneo. O E.E.B Lara Ribas oferece os dois níveis de ensino, tanto o Ensino Fundamental que contempla do 1º ao 9º ano, e o Ensino Médio que está divido em 1º, 2º, e 3º anos. A escola por ser muito antiga foi recentemente posta em reforma e atualmente está em dois prédios. O prédio 01, é a ala que não houve alteração estrutural, o prédio 02 é uma área nova, que foi projetada, construída e entregue em julho de 2014. O prédio 01 passou por uma reforma de pintura externa, reforma de forros de PVC, portas novas e os sanitários ganharam novo revestimento em algumas partes. É composta de 14 salas de aula com aparelhos de ar condicionado e armários contendo os livros didáticos, bem como uma sala para atendimento pedagógico, 04 salas de AEE, biblioteca, almoxarifado e sala de informática, todas em bom estado de uso. A nova ala foi projetada com três pavimentos, térreo, 1º piso e 2º piso. Está contemplada no térreo o refeitório, cozinha, área de circulação, sanitários, direção, secretaria e recepção. No 1º pavimento está situado 02 auditórios planos para aproximadamente 60 pessoas cada, 02 salas de aula com 64 m2 cada, sanitários, sala dos professores com copa, sala de estudos e sanitários para professores. No 3º pavimento possui 04 salas de aulas com 64 m2 cada e duas salas para coordenação pedagógica. A escola também possui estacionamento, ginásio de esportes com arquibancada, quadra aberta e um mini parque para crianças até o 4º ano do ensino fundamental e duas hortas. A estrutura da escola em geral é boa, porém sempre é preciso pensar novos espaços e realizar a manutenção dos espaços já existentes. Nisso está incluso também adaptações na estrutura para acessibilidade com elevador de acesso aos andares superiores do prédio, banheiro e bebedouros de água em todos os andares para que os alunos não tenham que se deslocar, cantina e pátios extensos para a socialização dos alunos. e esses somam em um contingente que gira em torno de 1500 bem como cerca de 80 professores. As atividades artísticas desenvolvidas pelos alunos ficam expostas em todo ambiente escolar dentro e fora das salas de aula, trazendo uma sensação de ambiência escolar. A escola foi fundada pelo Coronel Lara Ribas o qual cedeu parte de seu terreno para a construção de uma casinha de madeira, para que a comunidade local não precisasse se deslocar até o centro para ter acesso ao ensino público, isso por conta da inexistência de escolas construídas nesse bairro. Esta unidade de ensino é uma das mais antigas de Chapecó, completando 61 anos de existência. Contudo como dito anteriormente toda a sua estrutura passou por reformas. Elevador de acesso Foto: Pedro Leite Horta Foto: Pedro Leite Entrada da escola Foto: Pedro Leite 1.2 O projeto político pedagógico e o Ensino de Geografia O PPP (Projeto Político Pedagógico) desta escola partiu de uma discussão coletiva entre direção, professores, funcionários e comunidade escolar no ano de 1991. A partir desta data, nos anos subsequentes foram elaboradas novas versões adequando-as a realidade da escola e da legislação vigente a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 e a Lei Complementar Estadual 170/98 em seus artigos 2º e 3º, estabelecem enquanto Princípios e Fins da Educação Nacional que: “Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirado nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. A escola tem como objetivo socializar o conhecimento garantindo aos educandos o pleno desenvolvimento, seu preparo para o exercício consciente da cidadania, a qualificação para o trabalho e a igualdade de acesso e permanência na escola através de políticas públicas específicas considerando a resolução 112/2006/CEE-SC, que fixa normas para a inclusão de alunos com necessidades especiais. A escola através de seu processo pedagógico visa à apropriação de conhecimentos eo desenvolvimento das habilidades de todos os educandos que compõe a diversidade escolar. Para concretizar seus objetivos a escola desenvolve projetos que ampliam o entendimento do conteúdo e do ensino/aprendizagem. Além disso, desenvolve atividades de valorização da vida e de convivência em sociedade. Nesse sentido, podemos contar com a colaboração coletiva de toda a comunidade escolar. O desafio é construir cidadãos interativos, capazes de socializar-se num processo de incorporação da diversidade cultural e do conhecimento integral que é mediada por diferentes atividades. A escola tem ainda como objetivo a prática pedagógica inclusiva mediada pelo núcleo do AEE (Atendimento Educacional Especializado) para alunos com necessidades especiais. Neste contexto busca-se aplicar uma metodologia diversificada de forma coletiva com embasamento teórico/filosófico nos pressupostos que norteia a Proposta Curricular do Estado de Santa Catarina e na Base Nacional Comum Curricular, bem como em outros autores que fundamentam a prática pedagógica. Tendo a compreensão de que a educação é a totalidade do contexto no qual a escola está inserida, a prática pedagógica precisa ser vista como uma relação de busca de autonomia, estabelecendo metas, diretrizes e gerenciamento dos diferentes conceitos de forma interdisciplinar e inclusiva, pois o aluno deve ter liberdade de pensar, de se expressar, de aprender e de valorizar as experiências cotidianas advindas de suas vivências culturais. A partir disso, o coletivo deve ministrar um ensino que leve a: • Apontar caminhos para a superação das dificuldades cotidianas e de conhecimento; • Perceber a democracia como princípio fundamental para a construção de um cidadão mais consciente; • Contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais humana e mais democrática; • Cultivar a ternura, a alegria e a solidariedade, desenvolvendo valores que apontem alternativas que possibilitem melhorar o espaço em que vive e consequentemente a sociedade brasileira. Processo de Avaliação e aprendizagem: O processo de avaliação é baseado nas resoluções Nº 158/08/CEE/SC e Nº 183, de novembro de 2013, alteração da avaliação bimestral para trimestral pela portaria nº 2890 de 29/11/2018, onde deixa claro que o processo de avaliação é contínuo e cumulativo, com prevalência dos processos qualitativos sobre os quantitativos. A avaliação é um processo bastante abrangente onde são levados em consideração diversos aspectos: participação oral (apresentações de trabalhos e seminários e participação em sala de aula), produção escrita (individual ou em grupo), assiduidade, responsabilidade, atitudes, postura e desenvolvimento de atividades promovidas pela escola. A recuperação paralela faz parte do processo da avaliação, é obrigatória para todos os alunos independente dos níveis e oportuniza todos alunos que não atingiram o rendimento esperado. Para construção de um bom relacionamento professor/estudante o mais importante é o respeito mútuo. É necessário que a escola trabalhe com as normas de convivências, estabeleça espaços para promover o diálogo e que promova a valorização do outro e o respeito a diversidade. A escola está atenta aos acontecimentos ao seu redor, logo realiza reuniões pedagógicas para promover estudos, discutir novas formas de ensino e organizar o espaço escolar. Os cursos e seminário são uma continuidade e atualização dos estudos, geralmente são executados em parceria com a CRE, mas também acontecem algumas parcerias com universidades e entidades da nossa sociedade. A escola desenvolve ao longo do ano vários projetos pedagógicos, estes dão movimento à escola, exercitam a cidadania, promovem a aproximação das famílias, incentivam a pesquisa, o desenvolvimento cognitivo, as relações interpessoais e elevam a qualidade de ensino desta instituição. Destacamos alguns projetos que a EEB Coronel Lara Ribas realiza durante o ano letivo: Família na Escola, Festa Junina, Seminário de Práticas Pedagógicas do Mundo do Trabalho, Seminário de Práticas Pedagógicas do Cotidiano Escolar, Semana da Criança, Sete de Setembro, Festa da Primavera, Seminário da Educação Especial, Torneio do dia do Estudante, Projeto da Horta, Projeto Africanidades , Noite Cultural, Projeto de leitura, Projeto do Nepre, Projeto Valores e Cidadania, Oficinas Pedagógicas do Ensino Fundamental I. Quanto as matrículas, são elas que garantem o acesso dos alunos na escola, são realizadas seguindo as recomendações da SED e edital exposto na escola e em alguns pontos comerciais próximo a escola. O período de matrículas geralmente é próximo ao final de cada ano letivo, porém as matrículas podem ser realizadas em qualquer época para alunos novos ou transferidos de outras Unidade Escolar. Em relação à aprovação, reprovação e abandono no ano de 2018, o índice de aprovação nas séries iniciais do Ensino Fundamental I ficou em 99,1%, Ensino Fundamental II ficou em 84%, no Ensino Médio o índice de aprovação ficou em 79%. Em relação ao desempenho dos estudantes em avaliações externas a escola vem cumprindo com as metas de elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), sendo que no Ensino Fundamental I teve avanços significativos acima da média municipal, estadual e nacional. Estamos promovendo um trabalho com os alunos que visa à leitura, interpretação e cálculo para que o desempenho possa ser melhor na próxima etapa. A escola também participa das Olimpíadas Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) e também da Olimpíada Nacional de Ciência (ONC). A escola também participa das feiras de conhecimento regionais promovidos pela Coordenadoria Regional de Educação (CRE). Em relação ao resultado dos estudantes no exame do ENEM a escola não teve resultados muito eficientes para a sua realidade, logo estamos trabalhando com os professores e alunos para que possamos atingir resultados melhores. A escola desenvolve um projeto permanente dentro do Programa do NEPRE – Núcleo de Educação e Prevenção, que se opõe a toda forma de violência dentro e fora da escola. Nesse contesto são trabalhadas temáticas de educação sexual, palestras sobre violência física e moral contra crianças, jovens e adolescentes, também é trabalhado a temática abuso sexual, intolerância de gênero ou qualquer outro tipo de desrespeito ao ser humano. 2. Pontuações sobre a Geografia que se ensina 2.1 Planejamento e atuação docente A professora é formada em geografia já há alguns anos porém no colégio em questão se encontra em atividade há poucos meses exercendo um total de 4 turmas, sendo 2 no matutino e 2 no vespertino em dias espaçados. O planejamento se dá principalmente em acordo com o plano anual do colégio que já vem com os conteúdos pré-estabelecidos usando como base o currículo base da BNCC porém há a flexibilidade de se escolher um assunto ou outro variando sempre que possível para complementar os planos didáticos. Creio que os pontos principais em ser professora em geografia seria o desafio em tentar mediar o conhecimento e aprendizagem em se enxergar o mundo com olhos críticos e analíticos, porém a quantidade de aulas não se faz o suficiente para comtemplar tudo que é necessário ainda mais atualmente que a nova proposta é de diminuir ainda mais a quantidade de aulas. Com isso se torna ainda mais difícil superar os desafios para se tornar um bom professor e ministrar boas aulas em geografia, pois para se ensinar geografia não basta atentar-se apenas aos conceitos, faz-se necessário inovar as aulas visualizando o que há de concreto no espaço ao nosso redor, não se restringindo apenas às aulas dentro de sala de aula mas fazendo o possível para transgredir as paredes e inserir os alunos no espaço vivido e modificado tornando os conteúdos assim pertinentes a vida e o cotidiano dos alunos. 2.2 Um olhar sobre a prática docente Neste momento, o enfoque foi observar na sala de aula as práticas pedagógicas aderidas pela professora e observar o cotidiano e as adversidades que viriam a ocorrer, comatenção a questões acerca de: identificar as táticas de ensino utilizadas pela professora, os recursos de ensino e avaliação como por exemplo o livro didático e as atividades avaliativas aplicadas aos alunos bem como o modo como estes recepcionavam a docente em relação à aula ministrada, como se disciplinavam e demonstravam participação nas aulas numa relação professor-aluno, aluno-professor entre outros. Essas supervisões foram realizadas em uma turma do 6º ano do Ensino Fundamental do matutino por uma professora ACT em geografia. A sala observada contava com 29 alunos na faixa etária entre 11 e 12 anos aproximadamente, com exceção de um repetente com 15 anos que inclusive era bem maior que o restante dos alunos que compunham a classe. A classe é composta de ambos os sexos, sendo a maioria residente dos bairros vizinhos de onde se encontra a escola. Através dessa experiencia de supervisão pude então perceber o grande desafio que é ministrar e mediar o conhecimento não somente para turmas do 6º ano do fundamental mas também para outros níveis escolares. Ao meu ver percebo que os alunos menores geralmente possuem muita energia que precisa ser gasta das formas mais variadas, eles perdem o foco com muita facilidade, conversam com os colegas e brincam a todo o momento. Outra característica importante que vale ser destacada é que eles necessitam de um nível de atenção maior do que os alunos mais avançados, atenção no que diz respeito a falta de autonomia para decidir coisas simples como: usar caneta ou lápis, escrever nome e data entre outros, ou seja, perguntando e perdem permissão para as mais variadas ações o que de certo modo demanda muito mais atenção e paciência da parte do professor. A professora responsável nos dias em que eu estive presente pude perceber que utilizou o livro didático em todas as aulas. Do livro eram lidos textos, resolução de atividades e cópias de mapas referentes ao assunto em questão. O quadro era utilizado apenas como auxílio das aulas expositivas e também para anotações e recados importantes. De certo modo esse método de ensino refletia em uma certa desordem da sala, os alunos se agitavam a todo o momento, levantavam de suas carteiras, conversavam e falavam alto bem como brincavam. A maior parte da sala agia com inquietude com destaque apenas para alguns poucos que permaneciam focados em concluir a atividade. Isso gerava um certo atraso nas aulas pois além da falta de dinâmica e estimulo as aulas eram entediantes. Os alunos concluíam as atividades com uma grande demora. Outro detalhe que pude perceber foi que em todas as vezes os diretores ou a coordenadora entravam na sala de aula para passar algum tipo de recado aos alunos, penso que isso atrapalhar o andamento das aulas quando se interrompe a mesma. 3. Para pensar o ensino de Geografia na Educação Básica: diálogos teóricos a partir da realidade vivenciada A disciplina de estágio proporcionou uma experiência de contato com a realidade da educação na prática o que nos traz inúmeros questionamentos sobre o que é e por que devemos estudar geografia no contexto e momento histórico que vivemos. Em um mundo cada vez mais globalizado onde as relações se complexificam e se tornam cada vez mais caóticas é urgente tentar compreender o espaço que estamos inseridos, de forma que se torne possível, como agentes desse espaço, tentar transformá-lo. E o ensino da geografia é de várias formas útil para esse propósito, pois como nos disse Milton Santos, a história não se escreve fora do espaço e o espaço é, ele mesmo, social. Pensar o ensino da geografia na escola compreende, também, refletir sobre a construção da Geografia como uma ciência. Isso porque sua constituição como uma área do conhecimento científico, com um objeto de estudo específico, tem passado por diversas mudanças ao longo da sua existência. Vemos a passagem de uma geografia que nasce acrítica e que, se a alguém serviu foi, senão, às classes dominantes, assim como para despertar um sentimento nacionalista no momento da criação dos Estados Nacionais, até o momento que vivemos, onde apesar da crise de referências epistemológicas, foram trazidos diversos novos questionamentos e transformações que ampliaram a visão social da disciplina. A geografia consiste no estudo do espaço, mas como se pensou o espaço dentro e fora da sala de aula? E para que e quem serviu esse conhecimento ao longo do tempo? Realizaremos um breve diálogo com os autores Nestor André Kaercher e Maria Inez Carvalho tentando não solucionar, mas analisar questões nesse sentido. A geografia se consolidou como disciplina no século XIX, e assim como as outras áreas que se tornaram ciência nesse momento carrega uma herança positivista de suposta neutralidade e objetividade. Isso refletiu diretamente no ensino, sendo que os primeiros currículos dispunham da visão de uma geografia meramente descritiva, voltada a memorização de dados e informações sobre o espaço, e como afirma Carvalho, os currículos tradicionais descrevem um espaço que é uma abstração, e que, portanto, não retrata a realidade, um espaço que a autora define como apolítico por questões políticas e: Esse espaço que se pretende mostrar em nossa geografia escolar tradicional é homogêneo, não-contraditório, sem crises. Nunca se analisou o espaço, e sim fizeram inventários desse espaço. Inventários esses que atribuem maior peso aos aspectos físicos ficando o homem como se fosse um elemento superficial, de passagem por esse espaço. (Carvalho, 2007, p.30) A geografia desse modelo que chamaremos de “tradicional” é, então, o ensino descritivo do espaço e também aquele que costuma “engavetar” os conteúdos, ou seja, dividi-los por “clima”, “relevo”, “economia”, “etc”. Essa perspectiva de geografia conduziu a uma visão negativa da disciplina como memorização e repetição de conteúdos inócuos que não possuem nenhuma relevância prática na vida dos alunos, já que a falta de relações entre os aspectos ensinados e com a própria realidade do educando nunca torna este conhecimento realmente significativo. O espaço se torna pura abstração, algo fixo e imutável (tal qual uma fotografia), completamente distante e inacessível. Tudo isso solidificou uma imagem da geografia como uma disciplina de menor importância em relação ao currículo escolar ou como “a prima pobre da História”, como comenta Carvalho: Tradicionalmente é a geografia uma disciplina rotulada no rol das matérias decorativas, uma espécie de prima pobre da história. O ensino da geografia sempre foi baseado na memorização de nomes, quer de rios, de montanhas, de cidades, ou de qualquer outro aspecto do espaço, desde o seu surgimento como disciplina escolar. (2007, p.29) Ainda no livro citado acima, Fim de século: A escola e a Geografia, Maria Inez Carvalho discorre sobre a modernidade como a época de pensar as categorias de tempo e espaço como absolutas e na necessidade de desvincularmos dessa ideia. Nesse contexto, vimos diversos autores refletindo sobre essas categorias, porém sempre dando prioridade ao tempo como se nele tudo acontecesse, o lugar da dialética. O espaço, por sua vez, foi visto como o fixo, o plano de fundo do movimento do tempo. Essa prioridade do tempo sobre o espaço que fez com que autores como Foucault, que refletiu sobre o espaço profundamente não se considerar um geógrafo. Carvalho cita uma passagem de Foucault onde descreve esse problema, “O espaço foi tratado como o morto, o fixo, o não dialético, o imóvel. O tempo, ao contrário, era a riqueza, a fecundidade, a vida e a dialética.” E aqui, para refletirmos as fronteiras entre as duas categorias, também cabe a citação de Elisée Reclus de que “a Geografia não é outra coisa que a História no Espaço, assim como a História é a Geografia no Tempo". Entender o espaço é, então, entender o mundo que vivemos, entender a realidade que nos cerca em seus diversos aspectos. É preciso que professores e alunos possam reconstruir o lugar dessas análises realizando conexões entre os espaços que compartilham de forma criativa e questionadora, confrontandosuas ideias e culturas e se tornando de fato agentes do processo de ensino. A Geografia como qualquer área de conhecimento possui uma linguagem específica com conceitos e perspectivas que devem ser compreendidas no processo de ensino-aprendizagem, como afirma Kaercher é preciso “alfabetizar” o aluno em geografia, estimulando-o não a decorar, mas a se apropriar da linguagem geográfica, de forma que crie autonomia para ler esses espaços que observa de forma crítica. Em um mundo onde podemos estar em diversos lugares ao mesmo tempo mas dificilmente olhamos e analisamos o espaço que transformamos ao nosso redor, a Geografia precisa ser ressignificada e, portanto, segundo André Nestor Kaercher: O cerne dessa ciência, contraditoriamente a própria gênese da palavra, não é, no nosso ponto de vista, nem a Terra (= Geo) nem tampouco a descrição (=grafia), mas sim o “espaço geográfico” entendido como aquele espaço fruto do trabalho humano na necessária e perpétua luta dos seres humanos pela sobrevivência. Nessa luta, o homem usa, destrói/constrói/modifica a si e a natureza. ‘O homem faz geografia à medida que se faz humano, ser social’ (Kaercher, 1998, p.11) A ideia, portanto, é pensarmos a geografia e seu objeto de forma mais ampla, a geografia sendo uma construção do dia a dia, pois a todo o momento estamos construindo nosso espaço e nesse sentido podemos dizer que a geografia existiu desde sempre. E o autor complementa: Fica claro que a relação sociedade-natureza é indissociável/eterna (logo não há porque falar em geografia física se contrapondo à geografia humana). A prioridade será dada em entender “como e por que os seres humanos modificam os espaços em que habitam” conforme as relações sociais que estabelecem entre si. Entender a dinâmica social é fundamental, pois é a partir dela que se constroem as paisagens. E não existe relação que se dê fora do espaço, que prescinda da natureza. (Kaercher, 1998, p.11) Não basta, portanto, ensinar conteúdos sem relações e sem partir da própria visão dos alunos, já que a geografia é vivida por eles cotidianamente, é necessário então refletir sobre esse espaço como um lugar onde a vida acontece, onde as transformações sociais acontecem e como essas transformações refletem no espaço. Nessa outra perspectiva de geografia, portanto: [...] o espaço deixa de ser neutro (na verdade nunca foi) e passa a ser político. “A geografia é saber vivido e aprendido pela própria vivência [...] se nisso reside a sua peculiaridade [...] reside nisso igualmente seu amplo significado político.” (Moreira, 1985, p.58). O espaço deixa, assim, de ser homogêneo para evidenciar as diferenças, nos mais diversos matizes, entre os homens que o habitam. (Carvalho, 2007, p.49) Contudo, nem todos os problemas que nos deparamos na realidade da prática escolar incidem em aspectos da disciplina de geografia diretamente, muito do que observamos se dá no contexto da própria educação como uma instituição defasada. A necessidade de mudar nossos paradigmas quanto à educação de forma geral, e ao ensino da geografia mais especificamente vem da urgência de nos atualizarmos enquanto habitantes de um mundo muito mais dinâmico e interligado do que o vivíamos no passado. O modelo de escola também é tradicional em muitos aspectos e considera o professor como a autoridade detentora de conhecimento e o aluno como reprodutor de conteúdos. Esse modelo de escola é um dos motivos da falência da educação e desmotivação de alunos e professores. O que se observa ainda nos alunos do ensino fundamental é certo desinteresse pela disciplina, não necessariamente desmotivados pelo método didático utilizado pelo professor, mas talvez por todo um contexto mais amplo da visão da escola como o local de “memorização de conteúdos”, um lugar pouco atrativo e muitas vezes desestimulante na visão das crianças. A falta de leitura dos alunos se reflete na dificuldade de abstrair conceitos e de pensar criticamente sobre os conteúdos o que se mostra na falta de habilidade com a escrita também. O aluno que já foi acostumado no modelo de escola da memorização como aprendizagem não consegue muitas vezes, compreender qual a contribuição significativa aquele conteúdo pode lhe oferecer para a vida cotidiana. Cabe ao professor, portanto, não que possua responsabilidade exclusiva por essa atividade, o papel de também refletir na sua prática docente, na escolha dos seus métodos, nas relações que pode realizar na sua disciplina, na interdisciplinaridade, em conhecer seus alunos e entender o espaço e tempo que vivem, assim como acompanhar as mudanças que os novos tempos lhe oferecem, tais quais as novas tecnologias, e aprender a partir dessas outras realidades e vivências que são trazidas por cada um dos alunos: Em suas atividades diárias, alunos e professores constroem geografia, pois, ao circularem, brincarem, trabalharem pela cidade e pelos bairros, eles constroem lugares, produzem espaço, delimitam seus territórios. Assim, vão formando espacialidades cotidianas em seu mundo vivido e contribuindo para a produção de espaços geográficos mais amplos. Ao construírem geografia, constroem também conhecimentos sobre o que produzem, conhecimentos que são geográficos. Então, ao lidar com coisas, fatos e processos na prática social cotidiana, os indivíduos vão construindo e reconstruindo geografias (no sentido de espacialidades) e, ao mesmo tempo, conhecimento sobre elas (Cavalcanti, 1998). Quando o ensino não visa à autonomia, ou seja, a construção da própria perspectiva da criança e a condição de compreender o mundo que vive, não se pode também transformá-lo. A geografia, nesse sentido, é uma disciplina essencial no ensino básico e que possui as ferramentas que podem contribuir na construção da cidadania e consciência social. Considerações finais É inquestionável que a disciplina de Estágio Supervisionado é uma atividade indispensável no que diz respeito à construção da identidade técnica e profissional isso uma vez que o discente, enquanto sujeito construtor de sua própria formação, concatena seus saberes apoiados na superação da fragmentação do conhecimento, beneficiando a ótica de um trabalho partilhado nas circunstâncias do âmbito educacional. Em cursos de licenciatura no geral as disciplinas de estágio de supervisão são em grande parte os momentos mais especiais para o aluno. Visto que o estágio é um exercício que traz inúmeros benefícios no que diz respeito a aprendizagem e na busca por melhorias no ensino e principalmente para o estagiário. Essas atividades pelas quais os alunos licenciandos passam são de suma importância, pois é um período de estudos práticos para a preparação que envolve o ato de observar presencialmente as possíveis adversidades e tomadas de decisões a serem tomadas em sala de aula. Isso dará um norte no que se refere à resolução de problemas quando a atuação discente for por parte do estagiário em um futuro próximo bem como o entendimento da grande importância que o educador tem na formação pessoal e profissional de cada aluno. Realizar o Estágio Supervisionado em Geografia me fez compreender a importância e a responsabilidade em ensinar o saber geográfico no que diz respeito a instigar o aluno a enxergar o espaço com os olhos opostos àquela geografia tradicionalista e descritiva. Saber olhar o espaço com olhos de quem a analisa e questiona e não somente a descreve. Portanto podemos então concluir que a prática de estágio supervisionado age como uma forma de incluir-nos nós estudantes universitários, futuros docentes, na realidade e vivência de um ambiente escolar. Visto que essa proximidade é de extrema importância na formação de novos professores qualificados e aptos a exercer as suas funções. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAVALCANTI, L.S. Geografia, escola e construção de conhecimento. Campinas: Papirus, 1998. KAERCHER, N.A. A geografia é o nosso dia a dia. In: CASTROGIOVANNI, A.C. et al. Geografia em sala de aula, práticas e reflexões. Porto Alegre: Associação dos Geógrafos Brasileiros. 1998. Carvalho,Maria Inez. Fim de século: a escola e a geografia. 3 ed. Ijuí. Unijuí, 2007. PLANO de Gestão Escolar. [S. l.], 2018. Disponível em: http://sistemas2.sed.sc.gov.br/webgesc/. Acesso em: 2 dez. 2019. ANEXO 1 Relatório de Avaliação O estágio realizado no período de 01/11/2019 a 04/12/2019 por PEDRO LEITE RODRIGUES DE SOUZA, matrícula 1711711007, foi realizado de maneira satisfatória e com frequência integral, sendo que na condição de Supervisor de suas atividades de estágio saliento que tomei conhecimento do estágio por ele realizado. O estagiário mencionado acima, assina a presente declaração comprovando ter tido vistas ao mesmo. _______________________________________ PEDRO LEITE RODRIGUES DE SOUZA Estagiário Chapecó, 05 de DEZEMBRO de 2019. ____________________________________ MÁRIO AUGUSTO TOLDO CUNHA Supervisor de Estágio ANEXO 2 Ficha de Frequência: Estagiário:___________________________________________ Matricula:_____________________ Supervisor:___________________________________________ Dia Entrada Saída Rubrica Dia Entrada Saída Rubrica Observações: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ ___________________________________ MÁRIO AUGUSTO TOLDO CUNHA Supervisor de Estágio image3.jpeg image4.jpeg image1.png image2.jpeg