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LITERATURA
INFANTO-JUVENIL
A Faculdade Multivix está presente de norte a sul 
do Estado do Espírito Santo, com unidades em 
Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova 
Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. 
Desde 1999 atua no mercado capixaba, 
destacando-se pela oferta de cursos de 
graduação, técnico, pós-graduação e 
extensão, com qualidade nas quatro áreas 
do conhecimento: Agrárias, Exatas, 
Humanas e Saúde, sempre primando pela 
qualidade de seu ensino e pela formação 
de profissionais com consciência cidadã 
para o mercado de trabalho.
Atualmente, a Multivix está entre o seleto 
grupo de Instituições de Ensino Superior que 
possuem conceito de excelência junto ao 
Ministério da Educação (MEC). Das 2109 institu-
ições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquis-
taram notas 4 e 5, que são consideradas 
conceitos de excelência em ensino.
Estes resultados acadêmicos colocam 
todas as unidades da Multivix entre as 
melhores do Estado do Espírito Santo e 
entre as 50 melhores do país.
 
MISSÃO
Formar profissionais com consciência 
cidadã para o mercado de trabalho, com elevado 
padrão de qualidade, sempre mantendo a credibil-
idade, segurança e modernidade, visando à satis-
fação dos clientes e colaboradores.
 
VISÃO
Ser uma Instituição de Ensino Superior reconheci-
da nacionalmente como referência em qualidade 
educacional.
R E I TO R
GRUPO
MULTIVIX
R E I
2
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
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MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte)
Leonardo Teixeira de Freitas Ribeiro Vilhagra
Literatura Infanto-juvenil / VIHAGRA, Leonardo Teixeira de Freitas Ribeiro - Multivix, 
2020
Catalogação: Biblioteca Central Multivix 
 2020 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. 
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LISTA DE FIGURAS
 > Figura 1 – Quadro “Cinco filhos mais velhos de Charles I” 
de Anthony van Dyck 13
 > Figura 2 – Infância e adolescência como etapas do 
desenvolvimento humano 14
 > Figura 3 – Literatura infanto-juvenil 15
 > Figura 4 – Com o nascimento da criança, nasce a literatura infanto-juvenil 16
 > Figura 5 – O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry 17
 > Figura 6 – Qual livro escolher? 18
 > Figura 7 – Qualidade da produção editorial de obras infanto-juvenis 19
 > Figura 8 – Consequências de uma escolha inadequada de livro infanto-
juvenil 19
 > Figura 9 – Pensamento mágico das crianças 21
 > Figura 10 – Leitura de realismo mágico 22
 > Figura 11 – Terceira fase de leitura 24
 > Figura 12 – Quarta fase de leitura 25
 > Figura 13 – Quinta fase de leitura 26
 > Figura 14 – Hábito da leitura 27
 > Figura 1 - Proclamação da República 31
 > Figura 2 - Predomínio de obras literárias importadas do Velho Mundo 32
 > Figura 3 - Obras literárias pedagogizantes 32
 > Figura 4 - Monteiro Lobato 34
 > Figura 5 - Início da Era Vargas 34
 > Figura 6 - Ditadura Militar 36
 > Figura 7 - A Ditadura Militar e a censura 36
 > Figura 8 - Livro Coração de Onça e a temática dos Bandeirantes 37
 > Figura 9 - Movimento “Diretas Já” 38
 > Figura 10 - Modernização da narrativa e da poesia infanto-juvenil 39
 > Figura 11 - MEC e as políticas públicas direcionadas à literatura infanto-juvenil 40
 > Figura 12 - Programa Nacional Biblioteca da Escola 41
 > Figura 12 - Políticas públicas de estímulo e de distribuição de livros 42
 > Figura 13 - Avanço tecnológico 43
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 > Figura 14 - Tecnologias digitais e obras literárias infanto-juvenis 43
 > Figura 1 - Coelho Neto 47
 > Figura 2 – Além de bacharel em Direito, Coelho Neto também foi professor 48
 > Figura 3 - Literatura infanto-juvenil pedagogizante e com valores 
nacionais 49
 > Figura 4 – Estátua de Monteiro Lobato na cidade de Taubaté 49
 > Figura 5 - Monteiro Lobato e o movimento “O Petróleo é nosso” 50
 > Figura 6 - A menina do narizinho arrebitado 51
 > Figura 7 – São Paulo, capital do estado paulista 52
 > Figura 8 - Prêmio Jabuti 53
 > Figura 9 - Ana Maria Machado 54
 > Figura 10 - Ana Maria Machado como imortal da ABL 55
 > Figura 11 - A personagem Nita e a imaginação das crianças 56
 > Figura 12 – Belém, capital do Pará 57
 > Figura 13 - A história e a cultura dos povos indígenas 58
 > Figura 14 – Cariacica, no Espírito Santo 59
 > Figura 15 - Prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil 59
 > Figura 1 - Tratamento dado à leitura pelas escolas brasileiras 62
 > Figura 2 - Literatura pedagogizante e a formação cidadã da criança e do jovem 63
 > Figura 3 - Literatura voltada à alfabetização 64
 > Figura 4 - Obras literárias infanto-juvenis associadas à alfabetização e ao 
letramento 65
 > Figura 5 - A formação de leitores pela literatura infanto-juvenil 66
 > Figura 6 - Linguagem e temáticas 67
 > Figura 7 - Pais e a escola na formação do leitor pela literatura infanto-
juvenil 68
 > Figura 8 - Desempenho escolar dos jovens leitores 69
 > Figura 9 - Leitor crítico 70
 > Figura 10 - Literatura infanto-juvenil ligada à escrita, de acordo com a BNCC 73
 > Figura 1 - A figura do docente e o fomento da leitura 77
 > Figura 2 - A desmotivação para a leitura 78
 > Figura 3 - Leitura como atividade individual e silenciosa 79
 > Figura 4 - Espaços de leitura 80
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 > Figura 5 - Biblioteca Transcol 80
 > Figura 6 - Biblioteca de Alexandria hoje 82
 > Figura 7 - A biblioteca escolar 82
 > Figura 8 - Exemplo de cantinho de leitura em uma escola municipal de 
Santa Catarina 84
 > Figura 9 - A composição do acervo no cantinho de leitura é coletivo 84
 > Figura 10 - Hábito da leitura e a contação de histórias 86
 > Figura 11 - A leitura compartilhada 86
 > Figura 12 - A leitura continuada 88
 > Figura 1 - Realidade e fantasia na literatura infantil e juvenil 93
 > Figura 2 - A transformação do leitor por meio da fantasia e da realidade 
nos textos infanto-juvenis 93
 > Figura 3 - O humor nos textos infanto-juvenis 94
 > Figura 4 - Humor como releitura dos contos de fadas 95
 > Figura 5 – Chapeuzinho vermelho e os contos de fadas 96
 > Figura 6 - Leitura de contos de fadas e a transmissão de valores 97
 > Figura 7 - Poesia 98
 > Figura 8 - Poesia infanto-juvenil e a supressão do posicionamento 
adultocêntrico 98
 > Figura 9 - Histórias sem texto 100
 > Figura 10 - Invenção de narrativas por meio das histórias sem texto 101
 > Figura 11 - Ilustração no livro infantil 102
 > Figura 12 - Letras Capitulares 103
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 10
1 ASPECTOS TEÓRICOS DA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 12
INTRODUÇÃO DA UNIDADE 12
1.1 O QUE É LITERATURA INFANTIL E JUVENIL? 12
1.2 LITERATURA INFANTIL E JUVENIL, E COMPETÊNCIA LINGUÍSTICA DO 
LEITOR 15
1.3 CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DE 
TEXTOS INFANTIS 18
 1.4 PRIMEIRA FASE DE LEITURA DE TEXTOS INFANTIS 20
1.5 SEGUNDA E TERCEIRA FASES DE LEITURA DE TEXTOS INFANTIS 22
1.6 QUARTA E QUINTA FASES DE LEITURA DE TEXTOS JUVENIS 24
CONCLUSÃO 28
2 BREVE TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 
BRASILEIRA 30
INTRODUÇÃO DA UNIDADE 30
2.1 FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO XX 30
2.2 1920 ATÉ 1950 33
2.3 1950 ATÉ 1960 35
2.4 1970 ATÉ 1980 38
2.5 1990 ATÉ 2000 40
2.6 INÍCIO DO SÉC. XXI 42
CONCLUSÃO 44
3 PRINCIPAIS AUTORES BRASILEIROS DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 46
INTRODUÇÃO DA UNIDADE 46
3.1 COELHO NETO 46
3.2 MONTEIRO LOBATO 49
3.3 RUTH ROCHA 52
3.4 ANA MARIA MACHADO 54
3.5 DANIEL MUNDURUKU 56
3.5 ELISA LUCINDA 59
CONCLUSÃO 60
1UNIDADE
2UNIDADE
3UNIDADE
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Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017,MULTIVIX EAD
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
4 EDUCAÇÃO E LITERATURA 
INFANTIL E JUVENIL
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Esta unidade vai abordar diretamente o tema da Educação e a literatura infan-
til e juvenil. O objetivo, portanto, será promover a discussão no que diz respeito 
à maneira pela qual a educação básica se associa à literatura infantil e juvenil, 
e propiciar a análise desse tipo de literatura como ferramenta direcionada ao 
desenvolvimento da leitura, sobretudo no que tange às crianças e aos jovens. 
Essa temática é fundamental, uma vez que você, na qualidade de futuro pro-
fissional de Letras, atuará nesse contexto, principalmente no Ensino Funda-
mental e no Médio. Logo, estar munido de conceitos, de reflexões e de prá-
ticas pedagógicas as quais envolvem a literatura infanto-juvenil voltadas à 
Educação fará uma diferença considerável na sua atuação profissional.
Assim, prezado(a) estudante, esperamos que você aproveite este e-book, mas sem 
se esquecer dos outros recursos didáticos ligados a ele. No mais, bons estudos. 
4.1 A FUNÇÃO PEDAGÓGICA DA LEITURA
A fim de começar este tópico, é interessante destacar a citação de Minuzzi 
(2019) sobre a maneira pela qual a literatura foi/é tratada nas escolas brasilei-
ras ao longo do tempo.
FIGURA 1 - TRATAMENTO DADO À LEITURA PELAS ESCOLAS BRASILEIRAS
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Na visão da autora, 
Dentro do campo da literatura infanto-juvenil, ainda havia um outro 
aspecto: muitos acreditavam que os escritores, ao produzirem suas obras, 
não deveriam estar livres — eles deveriam ter sempre em seu horizonte o 
objetivo de formar as crianças; seus textos, portanto, deveriam ser formativos 
antes de mais nada. (MINUZZI, 2019, p. 15)
Em outras palavras, a pesquisadora afirma que, desde a transição do sécu-
lo XIX para o XX, um número considerável de autores(as) não produzia suas 
obras apenas para contar histórias ou manifestar seus sentimentos por meio 
da poesia. 
Para ela, havia no horizonte das obras a finalidade de um conteúdo formativo 
destinado aos leitores. Neste momento, você deve estar se perguntando: “que 
tipo de conteúdo seria esse?”. Pois bem, Minuzzi (2019, p. 15) responde: 
Os textos literários serviriam como modelos de conduta para o 
desenvolvimento de cidadãos e, nesse sentido, as histórias deveriam conter 
lições de moral.
Esse conteúdo, denominado literatura pedagogizante, conforme já vimos an-
teriormente, foi predominante nos livros infanto-juvenis.
FIGURA 2 - LITERATURA PEDAGOGIZANTE E A FORMAÇÃO CIDADÃ DA CRIANÇA E DO 
JOVEM
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Porém, na década de 1980, esse panorama começou a mudar. Segundo Mi-
nuzzi (2019, p. 15), tais obras literárias:
[...] também teriam a função de passar informações que os professores 
julgam importantes ou necessárias aos alunos. Assim, esse é mais um 
aspecto dentro da visão da literatura como uma ferramenta útil (e utilitarista) 
ao ensino.
Complementando a fala da autora, Maciel (2014, p. 8) também confirma isso, 
dizendo que “[...] os livros de literatura, no espaço escolar, conferem à criança 
uma multifacetada forma de acesso ao saber”. 
Portanto, de acordo com Minuzzi (2019), as obras literárias infanto-juvenis 
também possuíam essa função direcionada ao ensino, em particular ao ensi-
no regular brasileiro.
4.2 LITERATURA E ALFABETIZAÇÃO
Conforme vimos antes, as obras literárias infanto-juvenis são utilizadas nas es-
colas regulares brasileiras tanto direcionadas para uma formação cívico-moral 
das crianças e dos jovens, centrada em uma perspectiva político-ideológica 
específica, quanto como uma ferramenta de auxílio nas práticas pedagógicas 
diárias dos(as) professores(as). 
Aliás, em relação a essa última característica, teremos de dar um destaque 
maior. Varella (2008) afirma que tais obras podem ser usadas nas aulas de 
língua materna, desenvolvendo, em especial, a alfabetização e o letramento.
FIGURA 3 - LITERATURA VOLTADA À ALFABETIZAÇÃO
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Aliás, a autora faz uma distinção importante sobre esses dois últimos termos, 
conforme você pode ver a seguir:
1. Alfabetização: 
Processo de aprendizagem do código de uma língua, pelo qual o 
falante de uma língua converte o som em letras.
2. Letramento: 
Conjunto de habilidades e competências relacionados ao uso social de 
uma língua, tendo em vista a compreensão e a produção de textos.
FIGURA 4 - OBRAS LITERÁRIAS INFANTO-JUVENIS ASSOCIADAS À ALFABETIZAÇÃO E AO 
LETRAMENTO
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Se você quiser aprender mais sobre o conceito de 
alfabetização e de letramento, sugerimos o artigo 
científico “Letramento e alfabetização: as muitas 
facetas”, da professora Magda Soares, cujo link é: 
http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n25/n25a01.pdf.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
4.3 LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 
ASSOCIADA À FORMAÇÃO DOS LEITORES
Devemos destacar que, entre as atividades envolvendo a utilização das obras 
literárias infanto-juvenis nas aulas de alfabetização e de letramento nas esco-
las regulares brasileiras, um aspecto extremamente relevante emerge disso: a 
formação dos leitores. 
FIGURA 5 - A FORMAÇÃO DE LEITORES PELA LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Para Maciel (2014), a literatura infanto-juvenil é um recurso pedagógico extre-
mamente valioso na geração e no estabelecimento do hábito de ler, quando 
se trata de crianças e também de adolescentes. 
Segundo o autor, podemos elencar dois motivos principais que explicam esse 
fato. O primeiro se deve à linguagem empregada, ou seja, tais livros possuem 
uma forma de escrita lúdica e direcionada a esse público, de modo a não pro-
vocar estranhamento por parte dos leitores. 
O segundo fator está relacionado aos assuntos abordados. Em geral, eles es-
tão relacionados ao dia a dia das crianças e dos jovens, gerando uma afinidade 
deles pelas obras. Por outro lado, o conteúdo também pode ser tão fantasioso 
e criativo que instiga a atenção e a curiosidade, propiciando gradativamente 
o ato de ler das crianças e jovens. 
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 6 - LINGUAGEM E TEMÁTICAS 
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Desse modo, esses dois fatores associados às obras literárias infantis e juvenis 
estimulam consideravelmente o hábito da leitura, auxiliando na formação dos 
leitores. Todavia, para Saraiva (2008), é relevante destacar que isso dificilmen-
te ocorreria se não houvesse a presença de dois agentes: os pais e a escola. 
Essa é uma questão interessante de ser discutida, uma vez que a ação de am-
bos deve ser de complementaridade, isto é, é necessário que ambos ajam em 
conjunto para gerar o hábito de leitura e, consequentemente, a formação do 
leitor. 
Assim os familiares devem, desde cedo, proporcionar o contato de seus filhos 
com obras literárias. Somado a isso, a instituição escolar também deve, de 
maneira sistematizada e planejada, inserir a literatura infanto-juvenil nas prá-
ticas pedagógicas do cotidiano da escola.
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FIGURA 7 - PAIS E A ESCOLA NA FORMAÇÃO DO LEITOR PELA LITERATURA INFANTO-
JUVENIL
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
4.4 BENEFÍCIOS DA CONSTRUÇÃO DOS 
HÁBITOS DE LEITURA POR MEIO DA LITERATURA 
INFANTIL E JUVENIL
Apósexaminarmos o papel da literatura infanto-juvenil ligada à construção 
do hábito da leitura e, por sua vez, à formação dos leitores, principalmente de 
crianças e de jovens, vamos expor os principais benefícios gerados por esse 
processo. 
De fato, se fôssemos elencar todos, seria um trabalho exaustivo e longo, uma 
vez que são muitos os benefícios. Porém, aqui, podemos nos concentrar em 
três: a melhoria no desempenho escolar, a capacitação deatuar em sociedade 
e a criação do leitor crítico.
Caso você tenha mais interesse em relação 
ao tema da formação de leitores por meio da 
literatura infanto-juvenil, indicamos o seguinte 
artigo científico: “Papel da Literatura Infantil e 
Infanto-Juvenil na Formação do Leitor”, de Gilmei 
Fleck, cujo link é: http://revistas.fw.uri.br/index.php/
revistalinguaeliteratura/article/view/72/137 
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4.4.1 MELHORIA DO DESEMPENHO ESCOLAR
O primeiro benefício que podemos destacar, conforme aponta Maciel (2014), 
é a melhoria do desempenho escolar que a criança e o jovem leitor com o 
hábito da leitura possuem. 
FIGURA 8 - DESEMPENHO ESCOLAR DOS JOVENS LEITORES
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Não só o conhecimento da língua materna, no caso a Língua Portuguesa, fa-
lada e escrita é aperfeiçoado, mas também o acesso ao conhecimento de ou-
tras áreas, como a Matemática, as Ciências, a História etc., é proporcionado, 
aumentando a compreensão do pequeno e jovem leitor nessas áreas. 
Caso queira se aprofundar mais nesse tema, 
orientamos a leitura do artigo “A importância da 
leitura para o desempenho escolar dos alunos do 
ensino fundamental”, de José Simões e Beatrice 
Carnielli. Confira no link: http://periodicos.puc-
campinas.edu.br/seer/index.php/reveducacao/article/
view/318/301
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4.4.2 A CAPACITAÇÃO DE ATUAR EM 
SOCIEDADE 
O hábito de leitura também propicia à criança e ao jovem leitor a capacidade de 
atuar em sociedade de modo mais eficaz e desenvolto, nos mais variados con-
textos envolvendo os atos de ler e de escrever. Na visão de Minuzzi (2017, p. 28),
Saber ler e produzir textos de diferentes formatos, com diferentes objetivos e 
registros da língua é um ato de cidadania. Saber transitar entre as variações 
linguísticas é um dos passos necessários para viver em sociedade: se você 
precisa encaminhar um e-mail para seu chefe, mandar um recado de 
condolências, conversar com um amigo em um ambiente descontraído 
ou analisar um edital de um concurso, todas essas diferentes modalidades 
exigem uma adaptação do discurso.
Isso não significa que a pessoa que não desenvolveu as capacidades de ler e 
de escrever não seja um/uma cidadão/cidadã e que não deve viver em socie-
dade. No entanto, tal pessoa terá maior dificuldade no ingresso e no proveito 
das situações que abarcam aquelas ações. 
4.4.3 CRIAÇÃO DO LEITOR CRÍTICO 
O último benefício que podemos evidenciar é a criação do leitor crítico. A 
criança e o jovem leitor, não só em longo prazo mas também em curto prazo, 
pode adquirir uma postura mais questionadora e reflexiva como um ser que 
ocupa um espaço no mundo.
FIGURA 9 - LEITOR CRÍTICO
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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Consoante Maciel (2014, p. 14), o hábito de ler, principalmente os livros infanto-
-juvenis, contribui “[...] de maneira única para a formação de um leitor crítico 
e capaz de articular o mundo das palavras com o seu eu mais profundo e a 
comunidade onde ele se insere”.
4.5 A RELAÇÃO ENTRE A LITERATURA INFANTIL 
E JUVENIL E A EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA
Antes de discorremos sobre a relação entre literatura infanto-juvenil e a edu-
cação básica nacional, devemos relembrar que esta última é dividida em três 
grandes segmentos, conforme você pode notar a seguir:
1. Ensino infantil: 
Primeira etapa da educação regular brasileira. Esse período 
compreende os estudantes de zero a cinco anos (sendo que os 
estudantes dos dois últimos anos devem ser matriculados em alguma 
instituição de ensino regularizada pelo MEC.
2. Ensino Fundamental: 
Segunda etapa do ensino regular, sendo a mais longa. Ela 
compreende estudantes de 6 até 14 anos de idade.
3. Ensino Médio: 
Por fim, a terceira e última etapa do ensino regular. Ela compreende 
estudantes de 15 até 17 anos de idade, encerrando a obrigatoriedade 
de vínculo com uma escola regular. 
Considerando isso, é importante frisar que a literatura infanto-juvenil possui 
um estreito vínculo com a educação básica. Podemos observar que aquela, 
conforme já mencionado por Marciel (2014), não é apenas associada à fruição 
e ao prazer de ler uma obra literária, mas também abre portas para o ensino 
em suas diversas facetas.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Nesse contexto, cabe uma menção especial ao professor. A figura dele é fun-
damental nesse processo, porque é ele que será um dos agentes que terá mais 
contato com os estudantes, seja no momento de incentivar a leitura, seja com 
alguma atividade pedagógica relacionada a alguma finalidade específica. 
1.6 A MANEIRA PELA QUAL A BNCC TRATA A 
LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
Neste último tópico, vamos explorar como a Base Nacional Comum Curricu-
lar (BNCC) lida com a literatura infanto-juvenil. É interessante abordar a Base, 
pois, atualmente, é um dos principais documentos oficiais que rege e regula 
a educação básica no Brasil. 
Em relação a ela, você pode explorá-la um pouco mais no item seguinte:
1. BNCC: Base Nacional Comum 
Curricular: O texto da BNCC 
pode ser acessado na íntegra 
por meio do site oficial: http://
basenacionalcomum.mec.gov.br/
2. Proposta daBNCC: Esse 
documento almeja definir “[...] o 
conjunto orgânico e progressivo 
de aprendizagens essenciais 
que todos os alunos devem 
desenvolver ao longo das etapas 
e modalidades da Educação 
Básica” (BRASIL, 2017, p. 7).
Caso queira saber mais sobre a figura do professor 
na relação entre literatura infanto-juvenil e a 
educação básica, sugerimos o artigo científico “A 
formação do professor e a literatura infanto-juvenil”, 
da professora Marisa Lajolo. Confira o link: http://
www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_05_p029-
034_c.pdf
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Depois de conhecer brevemente o documento, vamos analisar a maneira 
pela qual ele lida com a literatura infanto-juvenil. Analisando o documento, 
nota-se que ele a associa, principalmente, ao desenvolvimento da escrita: 
As experiências com a literatura infantil, propostas pelo educador, mediador 
entre os textos e as crianças, contribuem para o desenvolvimento do gosto 
pela leitura, do estímulo à imaginação e da ampliação do conhecimento de 
mundo. Além disso, o contato com histórias, contos, fábulas, poemas, cordéis 
etc. propicia a familiaridade com livros, com diferentes gêneros literários, a 
diferenciação entre ilustrações e escrita, a aprendizagem da direção da 
escrita e as formas corretas de manipulação de livros. (BRASIL, 2017, p. 42)
FIGURA 10 - LITERATURA INFANTO-JUVENIL LIGADA À ESCRITA, DE ACORDO COM A 
BNCC
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Você sabia que a BNCC teve três versões? Depois de 
várias consultas públicas, chegou-se à última versão: 
a de 2017.
Se desejar se aprofundar mais sobre isso, sugerimos 
a leitura do capítulo 1 da monografia A literatura 
como prática pedagógica na educação infantil, de 
Karoline Araújo. O link dessa produção acadêmica 
é: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/19044/1/2017_
KarolineMoreiraDeAraujo_tcc.pdf.
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Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017,Publicada no D.O.U em 23/06/2017
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
CONCLUSÃO
Esta unidade teve como objetivo apresentar a você uma série de reflexões e 
discussões no que diz respeito à literatura infanto-juvenil e à Educação. Assim, 
foi possível observar que a literatura direcionada a tal público não se limita 
apenas à fruição da leitura. Como vimos, ela pode proporcionar acesso ao en-
sino em suas mais diversas formas, em especial ao ensino regular.
Conforme aqui discutido, uma dessas formas está associada à alfabetização e ao 
letramento da língua materna, no caso o português. Em decorrência, também 
refletimos acerca da função da literatura infantil e juvenil tal qual mecanismo de 
incentivo à formação de leitores por meio da criação do hábito de leitura. 
Além disso, vimos, como consequência da formação de leitores por meio des-
sa literatura, os benefícios gerados nas crianças e jovens leitores, os quais se 
manifestam em curto e em longo prazo. Por fim, depois de constatar a impor-
tância da Literatura Infanto-Juvenil na educação básica nacional, analisamos 
a maneira pela qual ela é abordada no principal documento norteador da 
educação brasileira, a Base Nacional Comum Curricular.
UNIDADE 5
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
> Discutir a função 
dos professores em 
relação ao estímulo 
à leitura de textos 
literários infantis e 
juvenis;
> Conhecer espaços 
formais e não 
formais de leitura 
de textos literários 
infantis e juvenis;
> Abordar algumas 
propostas de 
contação de histórias 
infantis e juvenis 
na educação básica 
nacional.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
5 A DOCÊNCIA, A LITERATURA 
INFANTIL E O CONTAR HISTÓRIAS
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Na unidade passada, vimos o quanto os pais e os professores são peças-chave 
na formação do hábito de leitura, ainda mais no caso de livros infanto-juvenis, 
dos estudantes. Agora, esta unidade tem como objetivo refletir acerca do pro-
fessor, da literatura infantil e da contação de histórias, em especial na pers-
pectiva da construção do hábito de ler. 
Isso é relevante, uma vez que, conforme será visto adiante, como muitas famí-
lias não estimulam tal hábito nos seus lares, a instituição escolar acaba sendo 
uma das principais responsáveis por isso, destacando-se a figura do docente 
nesse processo.
Assim, em um primeiro momento, discutiremos a importância do papel do 
professor nesse contexto. Em seguida, abordaremos os espaços de leitura for-
mais e não formais. Depois, aprofundando mais os espaços formais, conhe-
ceremos a biblioteca escolar e o cantinho de leitura, locais voltados para a 
prática de leitura.
Por último, vamos propor algumas práticas voltadas ao fomento e ao estímu-
lo do hábito da leitura, principalmente envolvendo as obras literárias infanto-
-juvenis, nas quais vocês, na qualidade de estudantes de Letras, podem base-
ar suas propostas pedagógicas futuras. 
5.1 O PAPEL DOS DOCENTES NO ESTÍMULO 
À LEITURA DE OBRAS LITERÁRIAS INFANTIS E 
JUVENIS
Conforme você viu anteriormente, a formação dos leitores está diretamente 
ligada à promoção do hábito de leitura, em particular dos livros literários in-
fanto-juvenis. Tal ação é propiciada por dois agentes: pela família e pela escola, 
sendo esta última encabeçada pelo professor. Neste tópico, vamos esmiuçar 
e detalhar sobre a figura desse último. 
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 1 - A FIGURA DO DOCENTE E O FOMENTO DA LEITURA
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Em relação a isso, é válido relembrar que, segundo Rosa e Nunes (2011, p. 2), a 
prática da leitura, ainda mais a de natureza infanto-juvenil no ambiente escolar, 
[...] implica na relação cognitiva e pode representar uma potencialidade 
para interferir no desenvolvimento infantil como um todo, além de ser um 
instrumento de construção do conhecimento para o aluno. 
Para tal, os docentes, principalmente os relacionados à Língua Portuguesa, 
detêm um papel fundamental, uma vez que, por eles terem uma formação 
profissional e pedagógica voltada para esse fim, a viabilização do hábito da 
leitura, sobretudo das obras infanto-juvenis, é mais eficaz.
Porém, com a importância, vem também a responsabilidade, porque, depen-
dendo das ações feitas, o resultado pode ser inverso, isto é, afastar os futuros 
leitores. Sobre isso, Rosa e Nunes (2011, p. 8) comentam que: 
[...] a criança e mesmo o jovem oferecem uma resistência à escola e ao ensino, 
porque a leitura torna-se algo obrigatório, imposto como estudo, e não como 
uma oportunidade de conhecimento dos diversos assuntos por meio das 
obras literárias.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 2 - A DESMOTIVAÇÃO PARA A LEITURA
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Portanto, discutiremos e apresentaremos possíveis propostas pedagógicas 
voltadas ao fomento do hábito da leitura que os docentes podem utilizar. As-
sim, para iniciar essa discussão, começaremos pelos espaços de leitura, os 
quais serão tratados nos tópicos seguintes.
5.2 OS ESPAÇOS DE LEITURA PARA TEXTOS 
LITERÁRIOS INFANTIS E JUVENIS
Como a escola desempenha uma função importante, bem como os seus 
agentes, com destaque para a figura do professor, no fomento à leitura de 
obras infanto-juvenis, deve-se ter em mente que o espaço no qual isso ocor-
rerá também é fundamental e deve ser considerado. 
Segundo Perissé (2014), a leitura, atualmente, é uma atividade individual, em-
bora, em outros tempos, isso fosse diferente. 
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FIGURA 3 - LEITURA COMO ATIVIDADE INDIVIDUAL E SILENCIOSA
 
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Levando em consideração a leitura individualizada no contexto de construção 
do hábito de leitura, o primeiro passo que o docente deve incluir no seu pla-
nejamento das propostas pedagógicas voltadas ao fomento da leitura, prin-
cipalmente atrelada às obras literárias infanto-juvenis, é o espaço no qual isso 
deve acontecer.
Você sabia que nem sempre a leitura foi feita 
de maneira individualizada? Aliás, na história da 
humanidade, isso é um fato recente. Se você quiser 
saber mais sobre isso, sugerimos a reportagem 
“Como a leitura se tornou um hábito individual”, de 
Juliana Lima. Confira no link: https://www.nexojornal.
com.br/expresso/2017/11/23/Como-a-leitura-se-
tornou-um-h%C3%A1bito-individual.
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FIGURA 4 - ESPAÇOS DE LEITURA
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Isso se justifica, porque o local onde a proposta pedagógica ocorrerá reúne 
um conjunto de características que influenciam na atividade de leitura. Assim, 
se o lugar não for limpo, organizado, convidativo visualmente e humanizado, 
dificilmente as atividades de promoção de leitura terão êxito. 
Perissé (2014) nos mostra que existem os espaços formais de leitura, como a 
própria sala de aula, a biblioteca e os cantinhos de leitura, e os espaços infor-
mais de leitura, os quais ficam “além-muro” da escola, por exemplo, a Biblio-
teca Transcol, salas com um acervo de livros, além de espaços climatizados 
para a leitura localizada em terminais de ônibus na grande Vitória, capital do 
Espírito Santo. 
FIGURA 5 - BIBLIOTECA TRANSCOL
Fonte: Secult (2020)
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Aliás, existem outros projetos associados aos espaços não formais de leitura, 
conforme você pode ver aqui:
1. Projeto Dose deLeitura: 
Local criado dentro do Hospital Waldomiro Colautti, no município de 
Ibirama, em Santa Catarina. 
2. Geladeira Mágica em Itaquaquecetuba (SP): 
Geladeira reformada, pintada, transformada em uma estante e 
colocada em espaços públicos ao longo da cidade. 
3. Literatura no Varal em Gravataí (RS): 
Projeto de iniciativa popular, a partir do qual moradores estendem 
varais com livros literários infantis e juvenis pendurados neles, os quais 
ficam disponíveis à população.
Diante disso, a seguir, veremos dois espaços formais de leitura voltados ao 
fomento do hábito de ler: a biblioteca e o cantinho de leitura. 
5.3 A BIBLIOTECA E OS TEXTOS DE LITERATURA 
INFANTIL E JUVENIL
Na visão de Perissé (2014, p. 117), a biblioteca “[...] é cultivo sistemático, busca, 
tentativa de ordenar o universo em estantes, convivência silenciosa com au-
tores metamorfoseados em papel”.
Ou seja, com o surgimento da escrita, o ser humano passou a registrar o mun-
do por meio dos diversos materiais, a exemplo do papiro, do pergaminho, do 
livro etc. Em virtude disso, era necessário criar um espaço no qual tais regis-
tros fossem guardados e organizados. 
As bibliotecas existem desde a Antiguidade, sendo a mais famosa a Biblioteca 
de Alexandria, situada no Egito. Hoje, ela ganhou uma nova estrutura, como 
você pode ver a seguir:
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FIGURA 6 - BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA HOJE
Fonte: Shutterstock (2020)
Nessa conjuntura, as bibliotecas, com o tempo, passaram a se tornar lugares 
frequentes nos diversos centros de ensino, como é o caso do contexto brasi-
leiro, em especial nas escolas regulares e nas instituições de ensino superior. 
Inclusive, conforme já expusemos nas unidades anteriores, as bibliotecas ti-
veram uma grande expansão nos colégios brasileiros na década de 1990, por 
intermédio de políticas públicas, exemplo do Programa Nacional Biblioteca 
na Escola (PNBE).
No caso das escolas de ensino regular, segundo Perissé (2014), as bibliotecas 
escolares são espaços destinados a, além de acondicionar o acervo bibliográ-
fi co, também a coordenar e a estimular a leitura dos estudantes.
FIGURA 7 - A BIBLIOTECA ESCOLAR
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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No que concerne a isso, é interessante ressaltar que, segundo Rosa e Nunes 
(2011), deve-se desassociar a imagem arcaica de que a biblioteca é um lugar 
entediante e enfadonho sob a óptica dos estudantes, a fim de transformá-la 
em um espaço de aprendizagem e de fomento à leitura. 
Aliás, conforme as autoras nos alertam, como muitas crianças e jovens não 
tiveram acesso aos livros, principalmente os literários infanto-juvenis em seus 
lares, a biblioteca escolar tem a grande probabilidade de ser o primeiro con-
tato com os livros que os estudantes terão (ROSA; NUNES, 2011).
Por fim, Rosa e Nunes (2011, p. 5) atestam que o êxito da biblioteca no contato 
e no estímulo à leitura de livros infanto-juvenis “[...] depende do acervo biblio-
gráfico e do profissional que nela atua”. 
5.4 OS CANTINHOS DE LEITURA
Outro espaço voltado ao ato de ler é o “cantinho de leitura”. Também chama-
do de “biblioteca da sala”, “estante mágica”, “baú de leitura”, Souza e Cosson 
(2018, p. 101) afirmam que esse espaço 
[...] é composto com os livros dispostos em estantes, caixas e/ou baús – daí 
derivando as distintas denominações – na própria sala de aula para leitura 
individualizada dos alunos. Quanto menores são os alunos, mais bem 
elaborado é este espaço, podendo ir de almofadas com tapetes, confortáveis 
divãs, iluminação especial e itens diversos de decoração nas salas da 
Educação Infantil, até uma simples caixa deixada em um canto da sala de 
aula dos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Se você quiser fazer uma leitura complementar 
sobre o papel da biblioteca não só em relação à 
literatura infanto-juvenil mas também à escola como 
um todo, indicamos o artigo científico “A função 
da biblioteca na escola”, de Luciana Ferreira. Veja 
em: https://periodicos.ufrn.br/informacao/article/
view/13302/9527.
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FIGURA 8 - EXEMPLO DE CANTINHO DE LEITURA EM UMA ESCOLA MUNICIPAL DE SANTA 
CATARINA
Fonte: Secretaria Municipal de Porto União (2020)
Nesse viés, as autoras atestam que ele almeja
[...] oferecer a leitura diretamente em sala de aula e não na biblioteca ou até 
substituí-la quando não tem uma na escola e tornar os livros mais acessíveis 
para os alunos (SOUZA; COSSON, 2018, p. 101).
Em relação ao acervo bibliográfico, em particular o de livros literários infanto-
-juvenis, tais espaços possuem uma quantidade variável de obras, sendo, por 
muitas vezes, feitos de maneira coletiva, ou seja, os professores, os estudantes 
e até a própria biblioteca escolar, se houver, contribuem para a oferta de livros 
no cantinho de leitura. 
FIGURA 9 - A COMPOSIÇÃO DO ACERVO NO CANTINHO DE LEITURA É COLETIVO
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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Todavia, Souza e Cosson (2018, p. 101) chamam a atenção para o fato da pre-
sença do profissional de educação nesse espaço, uma vez que “[...] confunde-
-se o dar acesso ao livro com o trabalho pedagógico de formação do leitor”.
Colocando em outras palavras, não é que se deve “[...] recusar a leitura inde-
pendente como atividade inadequada na escola” (SOUZA; COSSON, 2018, p. 
101), mas sim que é necessário que o professor faça a mediação desse pro-
cesso, de modo que este esteja fundamentado em propostas pedagógicas 
associadas ao fomento do hábito da leitura, em particular às obras literárias 
infantis e juvenis. 
5.5 PROPOSTAS DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS 
INFANTIS E JUVENIS APLICÁVEIS À ESCOLA I
Após discutirmos o papel do docente, sobretudo dos profissionais associados 
à Língua Portuguesa, no que tange ao estímulo do hábito de leitura, bem 
como conhecermos sobre os espaços de leitura no qual isso pode ocorrer, 
vamos agora abordar algumas propostas que podem ser empregadas pelos 
professores para tal fim. 
Inicialmente, é relevante frisar que uma maneira eficiente de fomentar o há-
bito da leitura, em especial nos anos finais do Ensino Fundamental (segmen-
to em que o profissional de Letras começa a atuar), é pela contação de histó-
rias (CAGNETI; SILVA, 2013).
Se você quiser saber mais acerca da potencialidade que 
o cantinho de leitura possui, indicamos o seguinte artigo 
científico: http://www.editorarealize.com.br/revistas/fiped/
trabalhos/Modalidade_1datahora_16_06_2014_20_27_24_
idinscrito_1866_86c9e35a65fbf5dcb61fcad1773b3208.pdf
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FIGURA 10 - HÁBITO DA LEITURA E A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
De acordo com Saraiva (2008, p. 52), a narrativa, ainda mais as ligadas ao uni-
verso literário infanto-juvenil, proporciona ao leitor o “[...] confronto do mundo 
do texto com o mundo do real”, gerando curiosidade e interesse em quem 
lê. Assim, à medida que a curiosidade e o interesse crescem pelas histórias, 
desenvolve-se o hábito de leitura. 
Dessa forma, depois de entendermos a relevância da contação de histórias, 
vamos orientar acerca de alguns aspectos ligados à formação das propostas 
de contação de histórias.
5.5.1 A LEITURA COMPARTILHADA
A leitura compartilhada, na visão de Brasil (2017), é uma atividade que envolve 
a leitura coletiva mediada pelo professor junto com os estudantes. 
FIGURA 11 - A LEITURA COMPARTILHADA
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Em geral, ela é feita oralmente a partir de uma obra, enquanto os alunos a ou-
vem. No entanto, isso não ocorre passivamente. Durante esse ato, o professor 
pode interagir e instigar os estudantes por meio de questionamentos e inda-
gações sobre alguma passagem da obra ou personagem etc. 
Portanto, nesse formato, o que é mais importante é o processo do que o pro-
duto, ou seja, as interações feitas entre estudantes e o professor são essenciais 
no que diz respeito ao incentivo e à construção do hábito de ler. A seguir, você 
pode ver algumas técnicas as quais você pode empregar na prática da leitura 
compartilhada.
1. Destaque a ação de algum personagem:
Você pode questionar os estudantes sobre algum comportamento de 
algum(ns) personagem(ns), ainda mais se este(s) estiver(em) diante de 
um dilema.
2. Instigue o estudante a encenar uma passagem: 
Após ler uma passagem do livro, você pode instigar um estudante, 
ou pequeno grupo, a encenar uma passagem na qual ele(s) devem 
considerar elementos corporais e expressivos.
3. Ressalte a temática: 
Depois da leitura compartilhada, você pode provocar os estudantes a 
refletirem sobre a temática abordada, relacionando-a à realidade deles, 
ou seja, se ela é próxima, distante etc.
4. Procure outros livros: 
Caso esteja na biblioteca escolar ou no cantinho de leitura, você pode 
perguntar aos estudantes se existe uma outra obra literária infanto-
juvenil que possui um tema parecido com o que foi lido em conjunto. 
Ao procurarem, você pode questionar o que há de semelhante ou de 
diferente.
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5.6 PROPOSTAS DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS 
INFANTIS E JUVENIS APLICÁVEIS À ESCOLA II
Além da leitura compartilhada, podemos orientar um outro tipo: a leitura 
continuada. Esse tipo de leitura consiste no sequenciamento de narrativas, 
ou seja, o professor inicia uma história e cada estudante narra uma parte dela.
FIGURA 12 - A LEITURA CONTINUADA
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Esse tipo de proposta envolvendo a leitura é relevante, uma vez que os estu-
dantes participam ativa e colaborativamente da construção da narrativa. 
Não só eles ficarão mais engajados com a obra narrada, mas também, depois 
disso, o professor pode orientar a turma a ler a obra escrita e compará-la com 
o que foi construído de forma coletiva. 
Se você quiser se aprofundar mais sobre esse tema, 
sugerimos o artigo científico “Leitura compartilhada: 
primícia da formação de leitores e escritores”, de Maria 
da Conceição Rosa. O link é: http://www.cap.uerj.br/site/
images/stories/noticias/xsesc/leitura-compartilhada.pdf
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
É interessante também, nesse processo de criação coletiva, que o professor 
oriente os estudantes a manterem alguns elementos da narrativa, a exemplo 
do narrador, com o intuito de que a corência do texto seja preservada. Aliás, 
caso você não se lembre dos elementos da narrativa, confira no item a seguir:
1. Narrador: 
A voz narrativa da história. Em geral, ele pode ser narrador em primeira 
pessoa (participante) ou em terceira pessoa (observador).
2. Enredo: 
Enredo é o assunto tratado na história.
3. Personagens: 
São os agentes que interagem na narrativa. Eles não necessariamente 
são pessoas, podendo ser animais, seres inanimados etc.
4. Tempo: 
Diz respeito à passagem temporal dos acontecimentos. Ele pode 
ser cronológico (linear) ou psicológico (em consonância com o 
pensamento do autor).
5 Ambiente: 
São cenários nos quais a narrativa ocorre. 
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CONCLUSÃO
Nesta unidade, você viu o quanto a relação entre professor, a literatura e o 
contar histórias é intrínseca, visando à construção do hábito da leitura. Assim, 
inicialmente, vimos a importância que o professor, em sua atuação na sala 
de aula, tem no que se refere ao contato com os livros, principalmente os de 
literatura infanto-juvenil, e ao estímulo da leitura.
Também vimos que, além de ter um planejamento de uma atividade peda-
gógica de estímulo à leitura, é relevante que o professor conheça e leve em 
consideração os espaços de leitura, uma vez que eles desempenham uma 
função importante para o ato de ler. Sobre isso, vimos dois tipos: os espaços 
formais e os não formais. Em relação aos primeiros, conhecemos mais as ca-
racterísticas da biblioteca escolar e do cantinho de leitura. 
Por fim, propomos a vocês algumas atividades de estímulo à leitura abarcan-
do, principalmente, a contação de histórias infanto-juvenis a partir da leitura 
compartilhada e da leitura continuada. Desse modo, acreditamos que, com 
esse embasamento teórico e prático, vocês possam estar mais preparados 
para lidar com isso no futuro cotidiano escolar.
Se você quiser conhecer um pouco mais sobre os 
elementos da narrativa, sugerimos o livro de Cândida 
Gancho: Como analisar narrativas (2008).
UNIDADE 6
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
> Discutir aspectos 
essenciais ligados 
aos textos literários 
infantis e juvenis;
> Refletir sobre a 
linguagem verbal e 
não verbal nesse tipo 
de textos;
> Conhecer os 
principais gêneros 
textuais literários 
infantis e juvenis.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
6 PRINCIPAIS ASPECTOS E 
GÊNEROS TEXTUAIS LIGADOS À 
LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Nesta unidade, você terá acesso aos principais aspectos e gêneros textuais li-
gados à literatura infantil e juvenil. Portanto, buscaremos aqui fazer uma refle-
xão acerca dos aspectos essenciais ligados às obras destinadas a esse público, 
questionar sobre a linguagem verbal e não verbal nesses livros, bem como 
vamos também apresentar os principais gêneros textuais desse universo. 
Fazer isso é importante, pois, nesta parte, você vai se aprofundar mais sobre 
os livros literários infanto-juvenis a partir de tais aspectos, os quais são recor-
rentes e também são fatores essenciais na configuração e na leitura dos livros. 
Assim, em primeiro lugar, esmiuçaremos a discussão entre a realidade e a 
fantasia no texto para crianças, observando como isso interfere na leitura e 
também no próprio leitor. Em segundo lugar, veremos o humor tanto na po-
esia quanto na prosa, percebendo suas características nas obras infanto-juve-
nis. Em terceiro lugar, daremos enfoque aos contos de fadas, gênero sempre 
presente nesse tipo de literatura.
Prosseguindo, em quarto lugar, priorizaremos a poesia, notando como os ver-
sos e suas características impactam os leitores. Em quinto lugar, apresentare-
mos o conceito de histórias sem texto, vendo suas singularidades e caracterís-
ticas principais. Por fim, veremos a ilustração do livro para crianças e como ela 
se relaciona na composição do texto voltado aos pequenos leitores.
6.1 REALIDADE E FANTASIA NO TEXTO PARA 
CRIANÇAS
Iniciando o aprofundamento dos aspectos dos textos infanto-juvenis, o pri-
meiro aspecto que vamos discutir envolve a realidade e a fantasia. Embora 
sejam dois conceitos complexos e instigantes, procuraremos dar uma abor-
dagem mais didática e voltada ao contexto literário infanto-juvenil.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 1 - REALIDADE E FANTASIA NA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Em primeiro lugar, devemos relembrar o que expusemos antes sobre as nar-
rativas proporcionarem o contraste do mundo ficcional com o mundo real, 
instigando, assim,o interesse pela leitura (SARAIVA, 2008).
Somado a isso, esse contraste da fantasia presente nas páginas de obras in-
fanto-juvenis proporciona às crianças transformações profundas nelas pró-
prias, uma vez que 
[...] a literatura instaura-se no trabalho com a linguagem, reveladora de pistas 
para a ideação da vida não tal qual ela é, mas como ela pode ser. Daí a sua 
perenidade. (AGUIAR, 2014, p. 18)
FIGURA 2 - A TRANSFORMAÇÃO DO LEITOR POR MEIO DA FANTASIA E DA REALIDADE 
NOS TEXTOS INFANTO-JUVENIS
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Ainda sobre isso, a autora complementa, dizendo que 
Por essas razões, a arte literária é o espaço da imaginação, do lúdico, da 
liberdade. Aceitando o pacto ficcional proposto pelo autor, invento novos 
mundos, experimento emoções jamais sentidas e descubro-me capaz de 
correr riscos, alargar limites, enriquecer meu cotidiano e projetar caminhos. 
Ao término da leitura, não sou a mesma de antes, porque tenho comigo os 
resultados da experiência vivida, equilibrada na linha que une fantasia e 
realidade. (AGUIAR, 2014, p. 18)
Por conseguinte, a fantasia e a realidade nos textos infanto-juvenis provocam 
transformações nos seus leitores, não só oferecendo experiências e vivências 
distintas, as quais contribuem para o desenvolvimento, mas também favore-
cendo diretamente a transformação e o amadurecimento deles.
6.2 O HUMOR
Outro aspecto associado aos textos infanto-juvenis é o humor. Muito explo-
rado em diversas produções, seja na prosa, seja na poesia etc., a comicidade, 
além de garantir boas risadas, fornece ludicidade à leitura (MACHADO, 2014).
FIGURA 3 - O HUMOR NOS TEXTOS INFANTO-JUVENIS
Fonte: Freepik (2020)
Ficou curioso sobre a relação entre fantasia, realidade e 
literatura infantil? Confira o seguinte vídeo: https://www.
youtube.com/watch?v=4p4FaujoxKY. 
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Segundo Machado (2008), as situações cômicas proporcionam o lúdico à lei-
tura, facilitando-a, além de dar mais prazer a quem lê. Além disso, os diálogos, 
narrativas, versos etc. que contêm humor possuem uma construção linguística 
complexa, estimulando e desenvolvendo a interpretação textual dos leitores.
Outro fator que merece destaque em relação ao humor é a aplicação deste 
nas releituras dos contos de fadas. Tais contos são refeitos com uma carga hu-
morística maior e também produzem críticas aos comportamentos, inclusive, 
presentes na sociedade atual.
FIGURA 4 - HUMOR COMO RELEITURA DOS CONTOS DE FADAS
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Caso queira ler mais sobre os novos contos de fadas, 
principalmente com seu viés cômico, indicamos 
o trabalho de Vidal (2006) denominado Príncipes, 
princesas, sapos, bruxas e fadas: os “novos contos’ 
de fadas ensinando sobre como ser e viver na 
contemporaneidade.
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6.3 OS CONTOS DE FADAS
O próximo aspecto das obras literárias infanto-juvenis de que trataremos diz 
respeito a um dos gêneros textuais mais conhecidos: os contos de fadas. Para 
Vale (2008), eles surgiram na Europa a partir do século XVII, com os autores 
Charles Perrault, os irmãos Grimm e Hans Christian Andersen. 
FIGURA 5 – CHAPEUZINHO VERMELHO E OS CONTOS DE FADAS
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Ainda de acordo com a autora, essas narrativas possuem uma origem folclóri-
ca, ou seja, são originárias do povo europeu. Além disso, ela nos mostra que a 
constituição dessas histórias possui certa similaridade. Elas contêm persona-
gens reais, como crianças, jovens, adultos, princesas, príncipes, até seres irre-
ais, como anões, gigantes, duendes, bruxas etc. 
Sobre isso, Vale destaca que 
Esses seres são considerados tipos, pois se apresentam com virtudes ou 
defeitos exageradamente destacados. Assim, personificam o orgulho, 
a modéstia, a covardia, a feiura, a beleza, a bondade, a maldade. Suas 
características evidenciam-se no desenvolvimento da trama e interferem no 
destino dos protagonistas, na medida em que o bem triunfa sobre o mal, a 
coragem sobre a covardia, o belo sobre o feio, a modéstia sobre a prepotência. 
(VALE, 2008, p. 47)
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Em virtude disso, a autora também enfatiza a característica da transmissão 
dos valores relacionada aos contos de fadas, ou seja, devido a esse alto grau de 
simbolismo e de representação que as personagens detêm, os contos de fa-
das conseguem, pela leitura, veicular valores sociais aos leitores (VALE, 2008).
FIGURA 6 - LEITURA DE CONTOS DE FADAS E A TRANSMISSÃO DE VALORES
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
A pesquisadora ainda nos mostra que os contos de fadas tradicionais pos-
suem uma estrutura relativamente simples, a qual é feita a partir das seguin-
tes etapas:
1. Situação inicial de equilíbrio;
2. Alteração desse equilíbrio, por conta de uma carência ou conflito por par-
te do herói;
3. Apresentação das peripécias do herói que, com a ajuda dos seres/objetos 
mágicos, vence os obstáculos;
4. Por fim, é instaurada outra situação de equilíbrio.
Se você se interessou sobre a questão da influência que os 
contos de fadas possuem em relação ao comportamento 
das crianças, indicamos o livro A psicanálise nos contos de 
fadas, de Bruno Bettelhein (2009).
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6.4 A POESIA
Outro aspecto relevante dos textos infanto-juvenis é a poesia. Diferentemen-
te da prosa, a poesia explora mais aspectos estéticos da linguagem, como a 
rima, o ritmo, as figuras de linguagem etc. a fim de que o autor possa expres-
sar suas inquietações e emoções de maneira única e singular. 
FIGURA 7 - POESIA
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Aliás, esse fato se torna ainda mais interessante ao tratarmos das obras infan-
to-juvenis na modalidade da prosa. Segundo Mello (2008, p. 61), o autor dessas 
obras deve suprimir “[...] o posicionamento adultocêntrico e assumir o ponto 
de vista infantil, expressando as aspirações e os sentimentos da criança, isto é, 
falando por ela”.
FIGURA 8 - POESIA INFANTO-JUVENIL E A SUPRESSÃO DO POSICIONAMENTO 
ADULTOCÊNTRICO
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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Nesse contexto, devido a esse diferencial, o autor, ao assumir a “voz” de uma 
criança, pode desenvolver uma linguagem mais inventiva e criativa, porém 
não menos complexa, como você pode ver a seguir:
1. Exemplo de poema infanto-juvenil “Voo”, de Cecília 
Meirelles:
Alheias e nossas as palavras voam. 
Bando de borboletas multicores, as palavras voam. 
Bando azul de andorinhas, 
bando de gaivotas brancas, 
as palavras voam. 
Voam as palavras 
Como águias imensas. 
Como escuros morcegos 
como negros abutres, as palavras voam. 
Oh! Alto e baixo 
Em círculo e retas 
Acima de nós, em redor de nós 
As palavras voam. 
E às vezes pousam.
2. A análise do poema infanto-juvenil: 
Esse é um exemplo de poema em que o autor assume a voz infantil, 
expressando de maneira criativa o voo em suas diversas formas, 
seja das borboletas, das andorinhas, das gaivotas etc. De maneira 
aparentemente ingênua, o eu lírico trata nos versos das diversas 
formas de voar, mobilizando vários sentidos para isso.
Outra questão que podemos pontuar acerca da poesia nos textos infanto-ju-
venis é que eles, ao trabalharem a linguagem em seus versos, desenvolvem 
no leitor 
[...] a imaginação em movimento. Em todo texto poético, existe uma 
imaginação que se expressa através de imagens: essas acrescentam a um 
sentido primeiro,literal, um sentido analógico ou simbólico. (VALE, 2008, p. 64)
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6.5 HISTÓRIAS SEM TEXTO
Outro aspecto que podemos abordar no texto literário infantil e juvenil são as 
chamadas histórias sem texto. Também chamadas de narrativas por imagens, 
as histórias sem texto são obras “[...] sem enunciado verbal” (VALE, 2008, p. 43), 
apenas com figuras.
FIGURA 9 - HISTÓRIAS SEM TEXTO 
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Isto é, são narrativas “[...] apresentadas unicamente por imagens visuais, e o 
leitor vai construindo episódios ou pequenos relatos a partir das ilustrações, 
de acordo com sua fantasia e experiência de vida” (VALE, 2008, p. 43).
Elas começaram a ser desenvolvidas em 1970, no Brasil, sendo já feitas em 
outros lugares do mundo. Inclusive, 
Nessas obras, as situações expressas nas gravuras têm estreita relação com 
o cotidiano infantil. Algumas dessas narrativas apresentam cenas isoladas, 
como “Ai que fome” [...], de Eva Furnari (1984), em que a ilustração mostra 
uma cozinha e a sala de jantar. (VALE, 2008, p. 43)
Ainda de acordo com Vale (2008), a leitura dessa obra também é importante, 
uma vez que não só instiga a imaginação da criança como também, a partir da 
imagem, quem a lê pode desenvolver outras histórias originando-se daquela.
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FIGURA 10 - INVENÇÃO DE NARRATIVAS POR MEIO DAS HISTÓRIAS SEM TEXTO
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
6.6 A ILUSTRAÇÃO DO LIVRO PARA CRIANÇAS
O último aspecto sobre os textos literários infanto-juvenis diz respeito às ilus-
trações dos livros destinados a tal público. De acordo com Vale (2008), nesses 
livros as ilustrações têm a função de complementar o texto escrito e compor 
a obra como um todo.
Inclusive, por meio delas, também é possível contar histórias, bem como in-
centivar os leitores a lerem os livros, uma vez que, devido às cores, aos traços, 
às formas etc. nas capas, ou no próprio miolo, a atenção dos pequenos leitores 
é despertada.
Caso queira saber mais sobre isso, indicamos o artigo “Ler 
livros sem palavras, ler imagens e mundos”, de Daniela 
Segabinazi. Confira em: http://www.revistas.udesc.br/
index.php/linhas/article/view/1984723818372017022.
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FIGURA 11 - ILUSTRAÇÃO NO LIVRO INFANTIL
Fonte: Shutterstock (2020)
Além disso, existem também outros elementos visuais que auxiliam as ilustra-
ções. Trata-se dos recursos tipográfi cos, como você pode ver a seguir:
1. Fonte da letra: 
É um conjunto de caracteres, não só letras, com os mesmos atributos e 
tamanhos.
2. Tamanho: 
É essencial também aos olhos dos leitores, pois, dependendo da 
idade, as letras devem ser maiores e mais curtas, afetando, também, a 
dimensão das fi guras.
3. Espaçamentos:
São os espaços entre as letras, as palavras, as linhas e os parágrafos. 
Dependendo do tamanho, pode interferir na leitura da obra.
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Um exemplo de um elemento que engloba os recursos tipográfi cos são as le-
tras capitulares: aquelas maiores, mais chamativas e que iniciam os capítulos 
dos livros. Elas eram muito comuns nos textos medievais e até hoje inspiram 
os autores a comporem suas obras.
FIGURA 12 - LETRAS CAPITULARES
Fonte: Elaborada pelo autor (2020)
De qualquer modo, é importante que você tenha em mente que, de igual 
forma que as fi guras, os recursos tipográfi cos também são importantes na 
composição das obras e também na leitura delas, seja de narrativas, seja de 
poesias etc. Logo, é muito importante que você leve em consideração tais ele-
mentos no momento em que for utilizá-las nas atividades pedagógicas.
Você sabia que o Prêmio Jabuti possui uma categoria 
específi ca para os ilustradores? Sim, existe. Inclusive, 
caso queira saber mais, basta verifi car o site: https://
www.premiojabuti.com.br/premiados-por-edicao/
premiacao/?ano=2019&eixo=d30301d0-832b-e811-a837-
000d3ac085f9
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CONCLUSÃO
Nesta unidade, pudemos discutir sobre os aspectos e os gêneros textuais es-
senciais nas obras literárias infanto-juvenis. Dessa forma, vimos a relação entre 
fantasia e realidade no texto infantil e juvenil, e como esses gêneros influenciam 
na transformação do leitor, proporcionando-lhe novas experiências de vida.
Além disso, notamos o quanto o humor traz prazer e ludicidade à leitura. Tam-
bém vimos as características gerais dos contos de fadas, sobretudo a sua ca-
pacidade de transmissão de valores. Somado a isso, pudemos nos aprofundar 
na poesia e no seu potencial de enriquecer a linguagem. 
Ademais, estudamos as histórias sem textos, notando como elas contribuem 
para o desenvolvimento da imaginação das crianças. Por fim, debruçamo-
-nos nas ilustrações, evidenciando o quanto elas complementam o texto es-
crito e ajudam a compor a obra literária.
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Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006, 
EAD.MULTIVIX.EDU.BR
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SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOSPublicada no D.O.U em 23/06/2017
4UNIDADE
5UNIDADE
6UNIDADE
4 EDUCAÇÃO E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 62
INTRODUÇÃO DA UNIDADE 62
4.1 A FUNÇÃO PEDAGÓGICA DA LEITURA 62
4.2 LITERATURA E ALFABETIZAÇÃO 64
4.3 LITERATURA INFANTIL E JUVENIL ASSOCIADA À FORMAÇÃO DOS 
LEITORES 66
4.4 BENEFÍCIOS DA CONSTRUÇÃO DOS HÁBITOS DE LEITURA POR 
MEIO DA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 68
4.5 A RELAÇÃO ENTRE A LITERATURA INFANTIL E JUVENIL E A 
EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA 71
1.6 A MANEIRA PELA QUAL A BNCC TRATA A LITERATURA INFANTIL E 
JUVENIL 72
CONCLUSÃO 74
5 A DOCÊNCIA, A LITERATURA INFANTIL E O CONTAR HISTÓRIAS 76
INTRODUÇÃO DA UNIDADE 76
5.1 O PAPEL DOS DOCENTES NO ESTÍMULO À LEITURA DE OBRAS 
LITERÁRIAS INFANTIS E JUVENIS 76
5.2 OS ESPAÇOS DE LEITURA PARA TEXTOS LITERÁRIOS INFANTIS E 
JUVENIS 78
5.3 A BIBLIOTECA E OS TEXTOS DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 81
5.4 OS CANTINHOS DE LEITURA 83
5.5 PROPOSTAS DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS INFANTIS E JUVENIS 
APLICÁVEIS À ESCOLA I 85
5.6 PROPOSTAS DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS INFANTIS E JUVENIS 
APLICÁVEIS À ESCOLA II 88
CONCLUSÃO 90
6 PRINCIPAIS ASPECTOS E GÊNEROS TEXTUAIS LIGADOS À LITERATURA 
INFANTIL E JUVENIL 92
INTRODUÇÃO DA UNIDADE 92
6.1 REALIDADE E FANTASIA NO TEXTO PARA CRIANÇAS 92
6.2 O HUMOR 94
6.3 OS CONTOS DE FADAS 96
6.4 A POESIA 98
6.5 HISTÓRIAS SEM TEXTO 100
6.6 A ILUSTRAÇÃO DO LIVRO PARA CRIANÇAS 101
CONCLUSÃO 104
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ATENÇÃO 
PARA SABER
SAIBA MAIS
ONDE PESQUISAR
DICAS
LEITURA COMPLEMENTAR
GLOSSÁRIO
ATIVIDADES DE
APRENDIZAGEM
CURIOSIDADES
QUESTÕES
ÁUDIOSMÍDIAS
INTEGRADAS
ANOTAÇÕES
EXEMPLOS
CITAÇÕES
DOWNLOADS
ICONOGRAFIA
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
A disciplina Literatura Infanto-Juvenil possui o objetivo de conceituar e de 
refletir acerca das produções literárias tanto para os pequenos quanto para 
os adolescentes. Por muito tempo, ela foi tratada como uma literatura me-
nor, isto é, inferiorizada em relação às demais. Todavia, com os avanços das 
pesquisas, bem como com o crescimento da produção editorial, tais obras 
não só se multiplicaram mas também se tornaram altamente relevantes. In-
clusive, vale destacar que a literatura infanto-juvenil possui sua importância 
do ponto de vista educacional, na medida em que auxilia na aquisição, no 
aprimoramento da língua materna e no desenvolvimento também de outras 
disciplinas escolares, e também do ponto de vista da formação humana, pois 
transmite e consolida valores sociais às gerações futuras. Portanto, frente a 
essa desafiadora disciplina, desejamos-lhe um ótimo aproveitamento e que 
esse material seja proveitoso e benéfico em sua vida acadêmica.
UNIDADE 1
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
> Definir os 
principais conceitos 
relacionados à 
literatura infantil e 
juvenil;
> Refletir acerca dos 
critérios de seleção 
de obras de textos 
infantis e juvenis;
> Conhecer as cinco 
fases de leitura de 
textos infantis e 
juvenis
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
1 ASPECTOS TEÓRICOS DA 
LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Nesta unidade, denominada “Aspectos teóricos da literatura infantil e juvenil” 
ou, ainda, infanto-juvenil, vamos abordar as principais questões conceituais 
desse universo literário. Devido à extensão e aos vários trabalhos já produzidos 
sobre o assunto, iremos dar um enfoque mais prático, de modo a introduzir o 
tema para você, mas sem encerrar a discussão.
Diante disso, em um primeiro momento, procuraremos definir a seguinte 
questão: “O que é literatura infantil e juvenil?”, cujo nome, inclusive, é do pri-
meiro tópico. Já no segundo, chamado de “Literatura infantil e juvenil e com-
petência linguística do leitor”, refletiremos sobre a linguagem empregada na 
obra literária para tal público. No terceiro, chamado de “Considerações acerca 
dos critérios para a seleção de textos infantis”, vamos discutir possíveis para-
digmas pelos quais uma obra literária infanto-juvenil pode ser escolhida para 
determinada faixa etária.
Já o quarto, quinto e sexto tópicos representam as cinco fases de leitura ela-
boradas por Jardim (2008). Neles, veremos os critérios pelos quais um deter-
minado livro literário pode ser utilizado adequadamente para o público leitor 
infantil e juvenil. 
1.1 O QUE É LITERATURA INFANTIL E JUVENIL?
A literatura infanto-juvenil, ou infantil e juvenil, é um conceito extremamente 
amplo, sendo que não queremos, ao refletir sobre alguns aspectos teóricos, limi-
tar a discussão e os questionamentos sobre esse ramo da literatura neste tópico.
Contudo, embora o seu conceito seja amplo, não podemos desconsiderar não 
só a sua importância mas também os seus vários benefícios, em particular, 
para a formação humana. Assim, inicialmente, vamos discutir o surgimen-
to da literatura infanto-juvenil para, depois, abordar os principais conceitos 
relacionados a ela.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Segundo Paiva (2008), a literatura infanto-juvenil está ligada diretamente à 
concepção de infância e de adolescência ao longo da história, que, inclusive, 
não foi igual ao longo do tempo. Antigamente, a criança e o adolescente eram 
tratados como pequenos adultos. Isso pode ser observado, por exemplo, nos 
quadros da época:
FIGURA 1 – QUADRO “CINCO FILHOS MAIS VELHOS DE CHARLES I” 
DE ANTHONY VAN DYCK
Fonte: Wikipedia (2020)
No quadro do pintor Anthony van Dyck, feito no séc. XVII, as crianças eram 
retratadas como adultos pequenos. De igual maneira, elas eram tratadas 
socialmente.
Por conseguinte, na Idade Moderna (me-
ados do séc. XVIII), com os avanços das 
ciências, a percepção sobre a infância e, 
por sua vez, da adolescência mudou to-
talmente. Elas passaram a ser etapas da 
vida humana relevantes, as quais deman-
dam necessidades específicas, além de 
influenciarem diretamente na formação 
futura do indivíduo.
Caso queira se aprofundar 
mais nessa discussão sobre a 
maneira pela qual a infância 
e a adolescência foram 
construídas socialmente, 
sugerimos a obra “História 
Social da Criança e da 
Família”, de Philippe Ariès. 
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 2 – INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA COMO ETAPAS DO 
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Fonte: Freepik (2020)
É nesse contexto em que a literatura infanto-juvenil se insere. A principal 
característica desse tipo de literatura em relação às demais é a maneira pela 
qual a obra literária é escrita, ou seja, se ela é adaptada para o seu público. 
Aliás, Paiva (2008, p. 44-45) traz um questionamento relevante sobre isso. 
Para a autora, existem 
[...] questões fundamentais da existência humana que atingem crianças com 
intensidade semelhante à que atinge os adultos. Por trás das nossas costas, 
pretensamente protetoras, temas como morte, medo, abandono, separação 
e sexualidade confrontam a criança em seu cotidiano.
Portanto, a literatura infanto-juvenil pode abordar dilemas e discussões pro-
fundas e complexas, da mesma maneira do que os clássicos adultos. Isso não 
quer dizer que uma obra dessa natureza tenha de ser infantilizada. Contudo, 
para que isso ocorra, deve-se ter uma linguagem adequada e ajustada ao lei-
tor em questão. 
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 3 – LITERATURA INFANTO-JUVENIL 
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
1.2 LITERATURA INFANTIL E JUVENIL, E 
COMPETÊNCIA LINGUÍSTICADO LEITOR
Conforme vimos antes, para se falar acerca da literatura infanto-juvenil é ne-
cessário ter em mente a noção de infância e de adolescência. E, como foi 
discutido, tais conceitos, além de recentes, transformaram a ideia de um 
“adulto pequeno” para um período da vida humana importante e que requer 
cuidados especiais.
Em virtude disso, a literatura feita na época para adultos deveria ser ajustada 
para esse novo público, uma vez que eles ganharam um novo status social, 
bem como necessidades específicas para a sua formação.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 4 – COM O NASCIMENTO DA CRIANÇA, NASCE A LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Fonte: Plataforma Deduca (2020). 
Por conta disso, o fator linguístico das obras literárias infanto-juvenis é decisi-
vo, porque, dependendo da linguagem empregada nas criações literárias, o 
leitor dessa idade não conseguirá lê-las, muito menos compreendê-las.
Ainda sobre isso, outro fator diferencial da literatura infanto-juvenil é a possi-
bilidade de se utilizar os mais variados tipos de linguagem em sua composi-
ção (PAIVA, 2008). Em livros desse tipo, podemos encontrar o texto escrito e 
também figuras, desenhos, animações etc., fato que pode desenvolver con-
sideravelmente a formação e a competência leitora (isso será mais explorado 
nos tópicos seguintes).
Porém, é importante destacar aqui que, embora essa linguagem seja adap-
tada ao público infanto-juvenil, não significa que não possa ser enriquecedo-
ra, complexa e instigante. Um exemplo que mostra esse fenômeno é a obra 
“O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 5 – O PEQUENO PRÍNCIPE, DE ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY
Fonte: Folha (2020)
Embora ele pertença à literatura infanto-juvenil, em sua narrativa, a criança 
e o jovem podem encontrar uma linguagem intensamente elaborada, com 
uma carga metafórica signifi cativa, sem falar da abordagem de temas caros 
ao ser humano, como a amizade, o medo, a empatia, a morte etc.
Logo, as obras literárias destinadas a esses 
leitores devem considerar, bem como res-
peitar, o nível e a capacidade linguística 
voltados a seus leitores e leitoras. Todavia, 
após discutirmos a questão da linguagem 
relacionada à capacidade linguística dos 
leitores infantis e juvenis, é comum surgir 
uma questão: como escolher obras literá-
rias infanto-juvenis?
Em relação a essa indagação frequente, 
sobretudo para os(as) docentes da edu-
cação básica, procuraremos desenvolver 
algumas reflexões nos próximos tópicos.
No link a seguir, a professora 
Patrícia Lopes comenta um 
pouco mais sobre a obra “O 
Pequeno Príncipe”. Confi ra 
em: https://www.youtube.
com/watch?v=7AP_0GJnLss. 
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1.3 CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS CRITÉRIOS 
PARA A SELEÇÃO DE TEXTOS INFANTIS
Segundo o que foi explorado anteriormente, a seleção de textos para o públi-
co infanto-juvenil, em especial para as crianças, mostra-se um desafio singu-
lar, ainda mais no caso do contexto da educação básica.
FIGURA 6 – QUAL LIVRO ESCOLHER?
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
Em relação a isso, neste tópico, refletiremos sobre alguns critérios possíveis 
de serem utilizados. Segundo Jardim (2008, p. 66), a oferta de livros para tal 
público é extensa atualmente, contendo 
[...] livros dos mais diferentes formatos e materiais, com ilustrações coloridas 
e atraentes, figuras que muitas vezes se movimentam, alguns com recursos 
sonoros: aperta-se um botão e o livro se enche de música, ou se ouve a fala 
das personagens.
Realmente, esse crescimento é considerável. Só para você ter uma noção, em 
2016, a venda de livros literários infanto-juvenis aumentou 28%. Caso queira 
se aprofundar sobre esse panorama, sugerimos a reportagem “Livros infantis 
ganham espaço no mercado brasileiro”, da Agência Brasil. Confira em: http://
agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-04/livros-infantis-ganham-
-espaco-no-mercado-brasileiro.
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Entretanto, ainda de acordo com a autora, embora exista uma grande quan-
tidade, o conteúdo da produção em si acaba sendo [...] menos importante do 
que a parafernália audiovisual oferecida ao leitor (JARDIM, 2008, p. 66). 
FIGURA 7 – QUALIDADE DA PRODUÇÃO EDITORIAL DE OBRAS INFANTO-JUVENIS
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
Portanto, dependendo da escolha feita, o que deveria ser uma ação benéfica, 
a qual iria impactar positivamente na formação da criança e do adolescente, 
poderá não surtir o efeito desejado.
FIGURA 8 – CONSEQUÊNCIAS DE UMA ESCOLHA INADEQUADA DE LIVRO INFANTO-
JUVENIL
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Logo, diante desse cenário desafiador, vamos refletir acerca dos critérios de 
seleção de livros de literatura infanto-juvenil. O primeiro aspecto que o(a) 
professor(a) deve levar em consideração é ter estabelecido objetivos claros 
para o trabalho que irá desenvolver, ou seja, a finalidade pedagógica que se 
pretende desenvolver com a obra selecionada (JARDIM, 2008, p. 66). 
Depois que isso foi definido, existe o segundo aspecto que deve ser obser-
vado: a idade do leitor. Na visão de Jardim (2008), existe um conjunto de ca-
racterísticas em um livro que, se atendido, torna a obra mais adequada para 
determinada faixa etária da criança. 
Com o intuito de organizar melhor tal seleção, Jardim, a partir dos estudos de 
Shliebe-Lippert e A. Beinlich, estabeleceu cinco fases de leitura.
 1.4 PRIMEIRA FASE DE LEITURA DE TEXTOS 
INFANTIS
A primeira fase de leitura, segundo Jardim (2008), vai dos dois até os cinco 
ou seis anos de idade. Para ela, “Nessa fase, a criança faz pouca distinção 
entre o mundo exterior e o interior, vivendo um período de grande egocen-
trismo” (JARDIM, 2008, p. 68). Caso você não se lembre desse conceito, veja 
o item a seguir:
1. Conceito de egocentrismo
Criado por Jean Piaget, o egocentrismo, fenômeno que ocorre entre 
o segundo até o sexto ano de vida, é a incapacidade de a criança não 
reconhecer e de se colocar no lugar do outro.
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2. Jean Piaget
Biólogo suíço do século passado, que 
contribuiu muito para a psicologia e, 
sobretudo, para a pedagogia, é um dos 
principais nomes do Construtivismo. 
Outra singularidade dessa fase, segundo a 
autora, é o “[...] pensamento mágico (JAR-
DIM, 2008, p. 68), isto é, a imaginação da 
criança está disponível, a fi m de que ela 
interaja com a realidade, produzindo novas possibilidades de expressão e de 
interpretação na criança, as quais são importantes para o seu desenvolvimento. 
FIGURA 9 – PENSAMENTO MÁGICO DAS CRIANÇAS
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
Fonte: Centre Culturel Suisse - Paris 
(2020) Se quiser saber mais sobre 
esse conceito piagetiano, 
indicamos o artigo científi co 
“Piaget: do egocentrismo 
(História de um conceito)”, de 
Jair Fonzar.
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Por isso, os livros de literatura infanto-juvenil devem ter textos escritos curtos, 
por conta da alfabetização, mas também conter 
[...] gravuras que apresentem objetos simples, isolados, pertencentes ao meio 
em que a criança vive e que possam ser identificados por ela (brinquedos, 
animais, etc.) (JARDIM, 2008, p. 68).
Por último, a autora ainda comenta que outro fator interessante associado a 
livros dessa fase é que esses contenham e estimulem 
[...]brincadeiras que envolvam parlendas, quadrinhas e cantigas de roda, 
já que a criança gosta de versos infantis em virtude do ritmo, do jogo de 
palavras e de sons (JARDIM, 2008, p. 68).
1.5 SEGUNDA E TERCEIRA FASES DE LEITURA DE 
TEXTOS INFANTIS
A segunda fase de leitura corresponde à idade entre cinco ou seis anos até os 
nove anos. De acordo com Jardim (2008, p. 68), essa idade seria a “idade de 
leitura de realismo mágico”, ou seja, um afloramento da capacidade imagina-
tiva e criativa iniciada na fase anterior. 
No que diz respeito a isso, 
Trata-se de um período em que a criança deixa-se levar pela fantasia. É a 
idade dos contos de fadas. Prevalece, ainda, no texto poético o gosto pelo 
ritmo e pelas rimas (JARDIM, 2008, p. 68).
FIGURA 10 – LEITURA DE REALISMO MÁGICO
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
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Dessa forma, livros literários que tenham recursos os quais instigam a imagina-
ção da criança são relevantes para essa fase, principalmente se apresentarem 
em suas capas e páginas elementos comuns ao ambiente dela (brinquedos, 
membros da família etc.). 
Além disso, é interessante que o conteúdo escrito seja voltado para uma te-
mática da fantasia, em especial aos contos de fada. Caso estes sejam em ver-
so, é vantajosa a presença de rimas, bem como de outros recursos estilísticos 
sonoros, como aliterações, assonâncias e onomatopeias. Aliás, vale relembrar 
brevemente tais recursos sonoros:
1. Aliterações:
Consiste na repetição de sons consonantais nos versos.
2. Assonâncias: 
Representa a repetição de vogais ao longo do poema.
3. Onomatopeias: 
É a reprodução escrita de sons presentes no nosso cotidiano.
Já a terceira fase de leitura vai dos nove até os 12 anos. 
Para saber mais acerca dos recursos estilísticos 
sonoros usados na poesia infanto-juvenil, indicamos 
o artigo científico “Poesia infantil: uma linguagem 
lúdica”, da professora da UEM Maria de Lourdes 
Gonçalves, cujo link é: http://www.pucrs.br/edipucrs/
CILLIJ/praticas/POESIA_INFANTIL_OK.pdf. 
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FIGURA 11 – TERCEIRA FASE DE LEITURA
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
Segundo Jardim (2008, p. 68), a criança nessa faixa etária inicia um processo 
de configuração de “[...] uma fachada prática, realista, ordenada racionalmente, 
diante de um fundo mágico-aventuresco pseudorrealisticamente mascarado”.
Complementando, a autora nos diz que esse público “Continua o interesse por 
contos de fadas e sagas, mas o leitor começa a buscar as histórias de aven-
tura” (JARDIM, 2008, p. 68). Nesse sentido, as crianças dessa fase começam a 
transitar entre a infância e a adolescência, desenvolvendo ainda mais o pen-
samento racional e crítico. 
Em virtude disso, é interessante que as obras literárias desse grupo etário não 
só foquem apenas em contos de fada, mas que comecem a abordar histórias 
envolvendo aventuras, em especial com personagens marcantes e notáveis.
1.6 QUARTA E QUINTA FASES DE LEITURA DE 
TEXTOS JUVENIS
A quarta fase ocorre entre 12 até os 14 ou 15 anos. Conforme Jardim (2008, p. 68), 
“Nesse período, o pré-adolescente, pouco a pouco, toma consciência da própria 
personalidade”. 
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Por conta disso, é recorrente o aparecimento do conflito não só do pré-adoles-
cente com o outro mas também com ele próprio.
FIGURA 12 – QUARTA FASE DE LEITURA
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
Somado a isso, essa fase de leitura é marcada pela “[...] leitura não psicológica 
orientada para o sensacionalismo” (JARDIM, 2008, p. 68). Quando a autora 
utiliza “sensacionalismo”, ela almeja evidenciar que, nessa fase, os aconteci-
mentos e os eventos impactantes são mais procurados pelos(as) leitores(as). 
Desse modo, os livros que contenham narrativas com um enredo mais sur-
preendente e chocante, principalmente que abordem histórias de amor, dra-
máticas etc., são mais indicados para esse público. Inclusive, o interesse pela 
poesia acaba decaindo nesse período.
Por fim, temos a quinta e última fase de leitura. Ela vai dos 14 até os 17 anos, ou 
seja, a adolescência definitiva.
Já parou para refletir sobre o período da pré-
adolescência? A fim de contribuir para essa 
reflexão, sugerimos o link https://www.youtube.com/
watch?v=nNzro3qr5Bk.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 13 – QUINTA FASE DE LEITURA
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
 Consoante Jardim (2008), nessa fase ocorre o “desenvolvimento da esfera es-
tética-literária da leitura”. De acordo com a autora, 
Nesse período, o leitor já é capaz de valorizar, além da trama, a forma e o 
conteúdo das histórias. O interesse pelo mundo exterior começa a ser 
substituído pela participação no mundo interior e no mundo dos valores. 
(JARDIM, 2008, p. 68)
Além disso, segundo a autora, 
A leitura passa a ser bem mais diversificada e abrange histórias de aventura de 
conteúdo mais intelectual, livros de viagens, romances históricos, biografias, 
histórias de amor, atualidades, literatura engajada, etc. (JARDIM, 2008, p. 68)
Logo, nessa fase, obras literárias as quais abordem histórias de aventura, ro-
mances de época, biografias sobre pessoas de destaque na mídia etc. são 
indicadas para o público dessa faixa etária. Outro fator importante é a quan-
tidade de texto escrito. Nesse período, obras com parágrafos mais longos po-
dem aparecer sem problemas.
Aliás, antes de encerrar este tópico, gostaríamos de dar algumas dicas que 
estimulam o hábito da leitura no público infanto-juvenil.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 14 – HÁBITO DA LEITURA
Fonte: Plataforma Deduca (2020).
Os pais devem ler junto com os filhos: 
As crianças são seres miméticos, ou seja, imitam o mundo à sua volta. 
Se os pais têm esse hábito em casa, certamente elas vão adquiri-lo ao 
longo da vida.
Rodas de leitura nas escolas: 
A leitura compartilhada e dentro da sala de aula é um importante 
recurso didático para o estímulo da leitura.
Apresentação da biblioteca: 
Caso não tenha na escola, procure uma biblioteca pública.
Indicação de filmes adaptados de livros: 
Indique filmes para o(a) estudante e, depois, oriente-o(a) a ler a obra 
original.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
CONCLUSÃO
Esta unidade teve como objetivo definir os aspectos teóricos básicos da litera-
tura infanto-juvenil. Conforme vimos, ela se diferencia, em particular, pela lin-
guagem adaptada aos pequenos e jovens leitores, sendo que temas mais com-
plexos e profundos podem ser igualmente tratados em suas histórias e versos.
Além disso, podemos ver os possíveis critérios os quais, divididos em cinco fa-
ses, visam selecionar uma obra, de acordo com o planejamento pedagógico 
do docente, e, principalmente, em relação à faixa etária do leitor. Por conse-
guinte, de posse desses conceitos, esperamos que você dê os primeiros pas-
sos no universo literário infanto-juvenil mais firmes e também esteja mais 
preparado(a) para aplicar tal conhecimento em sala de aula.
UNIDADE 2
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
> Descrever, 
brevemente, a 
trajetória histórica da 
literatura infantil e 
juvenil brasileira;
> Compreender o 
contexto histórico 
desse tipo de 
literatura no Brasil; 
> Relacionar os 
eventos históricos 
com as produções 
literárias infantis 
e juvenisde cada 
época.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
2 BREVE TRAJETÓRIA HISTÓRICA 
DA LITERATURA INFANTIL E 
JUVENIL BRASILEIRA
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
A unidade “Breve trajetória histórica da literatura infantil e juvenil brasileira” 
busca proporcionar um panorama histórico da evolução das obras literárias 
destinadas a esse público em território nacional. Considerando isso a partir 
de Becker (2008), Cavéquia (2013) e Coelho (2010), dividimos essa trajetória em 
seis partes.
O primeiro período vai do final do século XIX ao início do XX. O segundo perío-
do contempla de 1920 até 1950. Depois disso, temos o terceiro período, o qual 
vai de 1950 até 1960. Em seguida, há o quarto período, cuja duração é de 1970 
até 1980. O quinto período começa em 1990 e prossegue até o ano 2000. Por 
fim, o sexto e último período representa o início do século XXI.
Desse modo, vamos observar tanto as características histórico-sociais e cultu-
rais, quanto as propriamente literárias e da linguagem feitas em cada época 
delimitada anteriormente, com o intuito de refletirmos acerca dos impactos 
gerados por tais características nas obras produzidas nos referidos contextos. 
Além disso, também veremos um pouco dos(as) autores(as) que mais se des-
tacaram em cada fase. 
2.1 FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO XX
O primeiro período que iremos estudar referente à trajetória histórica da lite-
ratura infanto-juvenil brasileira diz respeito à transição do final do século XIX 
para o início do século XX.
Nesse período, o Brasil vivia também a transição, em nível político, do Império 
para a República, com a proclamação da República, em 1889, por Marechal 
Deodoro.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 1 - PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
Fonte: Wikipedia (2020)
Caso queira saber mais sobre esse evento histórico, 
sugerimos o vídeo feito pela professora Maria 
Aquino. Confira em: https://www.youtube.com/
watch?v=nkKJHFnLIpU
No entanto, embora a independência já tenha sido feita, bem como a imple-
mentação da república, isso não ocorreu no âmbito da produção editorial das 
obras literárias infanto-juvenis. Segundo Cavéquia (2012, p. 2):
No Brasil, até o século XIX, a literatura destinada a crianças e jovens 
era importada, sendo majoritariamente constituída de traduções feitas 
em Portugal. Consistia numa literatura cara e, obviamente, para poucos. 
Não havia editoras no país e mesmo autores brasileiros tinham seus 
textos impressos na Europa. Iniciou-se nos primórdios do século XX um 
movimento em reação a essa situação. 
Dialogando com Cavéquia (2012), Becker (2008, p. 36) também atesta isso:
Delinearam-se, nesse momento, as primeiras tentativas de formação de um 
público leitor infantil que registrava o caráter norteador das leituras surgidas 
no Velho Mundo.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 2 - PREDOMÍNIO DE OBRAS LITERÁRIAS IMPORTADAS DO VELHO MUNDO
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Além disso, os livros de literatura para esse público, de uma maneira geral, 
tinham um objetivo pedagógico. Sobre isso, Becker (2008, p. 36) afi rma que:
O compromisso pedagogizante, que marca a produç ã o dessa é poca, revela a 
posiç ã o assumida pelos intelectuais, preocupados, nesse momento histó rico, 
com um projeto: a modernizaç ã o do paí s. Atravé s da escola, acreditavam ser 
possí vel nã o só atingir esse objetivo, como també m in- centivar a adoç ã o de 
valores patrió ticos pelo povo, a começ ar pelas crianç as.
FIGURA 3 - OBRAS LITERÁRIAS PEDAGOGIZANTES
Fonte: Shutterstock (2020)
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Confira algumas obras apontadas por Becker (2008), que circulavam nesse 
período. Inclusive, muitas eram traduzidas, principalmente, por Carlos Jansen 
e Figueiredo Pimentel.
1. Contos seletos das mil e uma noites, publicado no Bra-
sil em 1882.
2. Robinson Crusoé, publicado no Brasil em 1885.
3. Viagens de Gulliver, publicado no Brasil em 1888.
4. Don Quixote de la Mancha, publicado no Brasil em 1901.
2.2 1920 ATÉ 1950
O segundo período referente à história da literatura infanto-juvenil brasileira 
se refere aos anos 1920 até os anos 1950. Nesse tempo, o Brasil começava a dar 
seus primeiros passos republicanos.
Sabia que um dos principais museus nacionais 
sobre a república pode ser visitado virtualmente? Se 
você quiser saber mais sobre ele e esse período da 
nossa história, acesse o link: http://museudarepublica.
museus.gov.br/visita-virtual/
Nessa época, sobretudo na década de 1920, houve uma efervescência políti-
ca e cultural em nosso país, com o aumento considerável do sentimento de 
progresso. Além disso, inicia-se um processo de urbanização do país e um 
dos reflexos disso é o surgimento e a consolidação de editoras nacionais, bem 
como do público leitor. 
Pode-se dizer que, nesse período, começaram a surgir autores nacionais com 
produções voltadas aos pequenos brasileiros, com destaque para dois: Coelho 
Neto e Monteiro Lobato. 
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 4 - MONTEIRO LOBATO
Fonte: Nova Escola (2020)
Aliás, este último merece uma breve consideração:
A criação literária do autor paulista dirigida às crianças centrou-se no 
receptor e, nessa trajetória, seguia os passos da elite artística, que buscava 
uma identidade de tipos e de linguagem na produção literária. Adaptaram-
se os clássicos, e o folclore constituiu fonte preciosa para revelar um mundo 
bem brasileiro nos textos infantis. (BECKER, 2008, p. 37)
Já na década de 1930, foi implementada a Era Vargas. Em sua duração, um 
forte pensamento nacionalista se instalou em vários setores da sociedade 
brasileira. Entre várias medidas impostas, surge o movimento Escola Nova, 
a fim de implementar uma série de mudanças curriculares e estruturais da 
educação nacional.
FIGURA 5 - INÍCIO DA ERA VARGAS
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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Em virtude disso, a produção literária infanto-juvenil teve intensa influência 
da Era Vargas. Segundo Lajolo e Zilberman (apud BECKER, 2008, p. 38):
[...] os autores, nessas décadas, tinham em vista um projeto que se coa- 
dunava com o espírito norteador do regime autoritário próprio do momento. 
Para tanto, privilegiaram o espaço rural como cenário para as ações de seus 
enredos, criaram um elenco de personagens infantis que pudessem transitar 
de um livro a outro, adaptaram clássicos, inseriram material folclórico e 
aproveitaram os feitos e figuras da História do Brasil. 
Além de Coelho Neto e Monteiro Lobato, outros autores também surgiram 
nessa época (COELHO, 2010):
1. Menotti Del Picchia
2. Malba Tahan
3. Vicente Guimarães
4. Viriato Correia
2.3 1950 ATÉ 1960
O terceiro período se concentra entre 1950 e 1960. No Brasil, durante essa época, 
houve a transição entre a República pós-Vargas e o início da Ditadura Militar. 
O período republicano pós-Vargas ainda manteve uma linha nacionalista, 
com um acentuado crescimento industrial e econômico. Todavia, quando 
João Goulart foi eleito, acabou herdando problemas econômicos de seu ante-
cessor, Jânio Quadros. Além disso, houve uma série de medidas econômicas 
reformistas de base, inclusive, envolvendo a reforma agrária, fato altamente 
contrário às elites econômicas da época.
Por conta disso, parcelas da população civil, juntamente com a alta cúpula 
dos militares, depuseram o presidente eleito e deram o golpe militar, insta-
lando a ditadura.36
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 6 - DITADURA MILITAR
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Nesse contexto, além das perseguições, torturas e assassinatos de oposito-
res políticos do regime militar, um fato merecedor de destaque foi a imple-
mentação do Ato Institucional 5 (AI-5). Basicamente, esse ato não só cassava 
mandatos políticos e habeas corpus como também censurava a liberdade de 
expressão, em especial as produções artísticas. 
Caso queira saber mais acerca do AI-5, orientamos 
você a assistir ao vídeo da TV Cultura sobre esse fato 
histórico no seguinte link: https://www.youtube.com/
watch?v=2Wguze1bgMU
FIGURA 7 - A DITADURA MILITAR E A CENSURA
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Por causa disso, os temas das obras literárias infanto-juvenis desse período 
acabaram sendo controlados, limitando-se a assuntos como:
Destacaram-se entre esses temas o café, encarado como fonte primeira de 
riqueza, apontando-se o esgotamento das terras e o abandono das instituições 
públicas como responsáveis pelas mudanças que se operaram. A supremacia 
da vida urbana sobre a rural foi um segundo tema explorado. A zona campestre 
se transformou em local para lazer ou férias, mero pano de fundo para as 
aventuras das narrativas. Seus moradores foram desprestigiados, desprezando-
se o homem do campo e sua fala característica. A Amazônia misteriosa mereceu 
destaque: passou a ser explorada em aventuras, como consequência do poder 
de comunicação da cultura de massa. (BECKER, 2008, p. 39)
Nesse esteio, Becker (2008, p. 39) também nos mostra que outro tema foi bem 
explorado nos livros de literatura para tal público: a história dos bandeirantes. 
Com esses temas, transfiguraram-se em propaganda política os 
acontecimentos da memória nacional. Consideraram-se heróis os 
bandeirantes, e o oeste revelou riquezas de vulto, justificando-se, assim, a 
necessidade de empreender a continuação das obras daqueles pioneiros. 
Além disso, um elenco de nomes ilustres reforçaria o sentimento patriótico e 
serviria de exemplo aos jovens leitores.
Um exemplo de uma obra desse período é Coração de onça, de Ofélia e Narsal 
Fontes, cuja temática aborda os bandeirantes na época das Entradas e Bandeiras:
FIGURA 8 - LIVRO CORAÇÃO DE ONÇA E A TEMÁTICA DOS BANDEIRANTES
 
Fonte: Cidade de São Paulo (2020)
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
2.4 1970 ATÉ 1980
O quarto período compreende a década de 1970 até a de 1980. Nele, há a tran-
sição da Ditadura Militar para a Redemocratização. Entre outros fatores, como 
o desastre econômico e a resistência de uma parcela da população, o Regime 
Militar se desmantelou, dando início à reabertura política em 1984.
FIGURA 9 - MOVIMENTO “DIRETAS JÁ”
Fonte: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (2020)
Com a censura se desfazendo, há um crescimento expressivo de autores e de 
editoras voltadas à literatura infanto-juvenil. Para Becker (2008, p. 40), “[o] sal-
do mais positivo que se pô de verifi car relacionou-se com os caminhos segui-
dos pela narrativa e pela poesia e com o tratamento dispensado por ambas 
aos temas e à linguagem”.
Ela também nos mostra que, nas obras em prosa:
A linguagem reencontrou as sendas inovadoras abertas pelo Modernismo 
de 1922 e por Monteiro Lobato. Distanciando-se do padrã o formal culto, 
privilegiou-se o coloquialismo marcante da oralidade e registrou-se a 
presenç a de gí rias, dialetos e falares regionais.
Já nas obras em verso, há um rompimento com a poética tradicional, em par-
ticular com a métrica regular, permitindo uma modernização nessa área. 
Por um lado, os autores privilegiaram o enfoque do cotidiano infantil, 
reforç ando a independê ncia, a criaç ã o e a rebeldia da crianç a que, mesmo 
frá gil perante o mundo, pode deter a palavra e vê -lo com olhar ingê nuo e 
desarmado. Por outro lado, os aspectos anticonvencionais da realidade 
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mereceram destaque, valorizando-se a antropomorfização de animais e, na 
linguagem, a ênfase na exploração da sonoridade das palavras. Explorou-
se, igualmente, a relação criança-natureza, focalizando-se as sensações e o 
mundo das cores. Finalmente, recuperou-se o folclore oral pela abordagem 
das modinhas infantis, das canções de ninar e das brincadeiras de roda. 
(BECKER, 2008, p. 41)
FIGURA 10 - MODERNIZAÇÃO DA NARRATIVA E DA POESIA INFANTO-JUVENIL
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Outro fato dessa época e que influenciou diretamente a produção literária 
nacional foi a
[...] lei de reforma de ensino que obriga a adoção de livros de autor 
brasileiro nas escolas de 1° grau. Surgem, assim, escritores como Fernanda 
Lopes de Almeida, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Marina Colasanti 
e Eliardo França. Trata-se de autores que compuseram/compõem uma 
literatura com fortes traços lobatianos, em que o lúdico, o inventivo, o 
real e o imaginário são preponderantes, além da busca pela linguagem 
e cultura brasileiras. (CAVÉQUIA, 2008, p. 3)
Se você quiser saber mais acerca dessa lei e de 
outras implementadas nesse período, indicamos 
o artigo científico “O currículo das escolas 
brasileiras na década de 1970: novas perspectivas 
historiográficas”, de Beatriz Santos.
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2.5 1990 ATÉ 2000
Nesse período da literatura infanto-juvenil brasileira, o cenário político social é 
de estabilização da República como forma de governo, ainda que sua prática 
não seja plena. A partir da Assembleia Constituinte, uma nova Constituição é 
promulgada, sendo utilizada até hoje. 
Se considerarmos o aspecto das inovações literárias das obras, de certa forma 
podemos notar uma continuidade do período anterior. Porém, uma série de 
políticas públicas, em especial advindas do Ministério da Educação, foram de-
cisivas para o universo da literatura infanto-juvenil brasileira.
FIGURA 11 - MEC E AS POLÍTICAS PÚBLICAS DIRECIONADAS À LITERATURA INFANTO-
JUVENIL
Fonte: Ministério da Educação (2020)
Em relação a isso, Cavéquia (2013, p. 3) nos diz que:
Embora, no Brasil, por vários fatores dos quais não intenciono tratar 
nesse momento, o livro continue sendo um bem caro, o que dificulta 
seu alcance pelas camadas de poder aquisitivo mais baixo, o Programa 
Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), do Governo Federal, tem possibilitado 
o acesso de inúmeras crianças a obras literárias de qualidade. A recente 
publicação Programa Nacional Biblioteca da Escola: (PNBE): leituras 
e bibliotecas nas escolas públicas brasileiras relata uma importante 
pesquisa avaliativa realizada com o objetivo de obter subsídios sobre o 
uso que vem sendo feito dos livros que são encaminhados às escolas e 
sobre o impacto desse programa na formação de leitores.
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FIGURA 12 - PROGRAMA NACIONAL BIBLIOTECA DA ESCOLA
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Esse programa, implementado em 1997, promoveu a ampliação e o estímulo 
ao acesso à cultura do livro por meio da distribuição de acervos, entre eles o 
literário, às escolas públicas por todo o Brasil.
Nesse cenário, outras políticas públicas também foram criadas depois do Pro-
grama Nacional Biblioteca na Escola, os quais você pode ver a seguir:
1. Plano Nacional do Livro e da Leitura (2003): 
Consiste em um conjuntode projetos, programas, atividades e eventos 
na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas em desenvolvimento 
no país, empreendidos pelo Estado (em âmbito federal, estadual e 
municipal) e pela sociedade. A prioridade do PNLL é transformar a 
qualidade da capacidade leitora do Brasil e trazer a leitura para o dia a 
dia do brasileiro.
2. Programa Livro Aberto (2004): 
Propõe-se a implantar bibliotecas públicas em municípios que não 
as possuem e revitalizar as já existentes.
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3. Instituto Pró-Livro (2006): 
Associação de caráter privado e sem fins lucrativos mantida 
com recursos constituídos principalmente por contribuições de 
entidades do mercado editorial, com o objetivo principal de 
fomento à leitura e à difusão do livro.
FIGURA 12 - POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESTÍMULO E DE DISTRIBUIÇÃO DE LIVROS
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
2.6 INÍCIO DO SÉC. XXI
O último período é o início do século XXI. Atualmente, pode-se dizer que a 
República se estabilizou, bem como as instituições sociais, embora ainda te-
nhamos muito a avançar como Estado democrático.
Todavia, o fato mais marcante nesse cenário foi o avanço tecnológico, sobre-
tudo das tecnologias digitais e o crescimento da internet, provocando uma 
revolução nas relações humanas, tanto em nível local quanto em nível global.
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FIGURA 13 - AVANÇO TECNOLÓGICO
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Tais fatos impactaram diretamente na produção literária infanto-juvenil. E isso 
não foi diferente no Brasil. Sobre isso, Cavéquia (2008, p. 3) nos fala o seguinte: 
“[a]tualmente, no tecnológico e globalizado século XXI, a produção tem tido cres-
cimento realmente significativo, tanto quantitativa quanto qualitativamente”.
Assim, novos(as) autores(as) aparecem no mercado não só por meio das 
grandes editoras, mas também de modo independente, por intermédio, por 
exemplo, das redes sociais. Inclusive, o próprio público, com uma intimidade 
maior com essas tecnologias, gradativamente, tem acesso às produções, po-
dendo até interagir diretamente com os(as) escritores(as).
Outro detalhe que merece relevância são as obras tradicionais, ou seja, aque-
las impressas no papel, conviverem ainda mais com as obras que utilizam 
esses novos recursos digitais disponíveis. 
FIGURA 14 - TECNOLOGIAS DIGITAIS E OBRAS LITERÁRIAS INFANTO-JUVENIS
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Cada vez mais, livros de narrativa e de poesia são publicados em formato de 
e-book, os quais permitem recursos como imagens e animações (vídeos, gifs 
etc.), além de sons (áudios e gravações).
Somado a isso, também são utilizados mecanismos mais elaborados, a exem-
plo dos links que levam a outros endereços eletrônicos e até o uso de QR code, 
o qual pode proporcionar experiências dinâmicas e tridimensionais sobre um 
determinado conteúdo.
CONCLUSÃO
Nesta unidade, pudemos traçar um breve balanço histórico acerca da produ-
ção literária voltada às crianças e aos adolescentes brasileiros, nas visões de 
Becker (2008), Cavéquia (2013) e Coelho (2010).
Segundo vimos anteriormente, estipulamos seis períodos. O primeiro diz res-
peito ao final do século XIX e ao início do XX. Nesse tempo, predominaram as 
obras literárias importadas e traduzidas da Europa. Já o segundo vai de 1920 
até 1950. Em tal contexto, houve uma busca de uma identidade e de uma 
linguagem própria nos livros literários infanto-juvenis. Com a Era Vargas, sur-
giram obras de cunho nacionalista, explorando personagens históricos brasi-
leiros. O terceiro período vai de 1950 até 1960. Nele, em virtude da censura e 
da perseguição da Ditadura Militar, as temáticas dos livros literários destina-
dos ao público infanto-juvenil eram voltadas para a exaltação da nação, bem 
como para as riquezas naturais e, novamente, enalteciam personagens histó-
ricos, a exemplo dos bandeirantes.
Já o quarto período dura de 1970 até 1980. Com a redemocratização, houve 
uma retomada de escritores(as) voltados(as) às crianças e aos adolescentes, 
buscando renovar, principalmente, a linguagem empregada nas narrativas e 
nos versos rumo à modernização. O quinto período, de 1990 até o ano 2000, 
do ponto de vista da qualidade das obras literárias, foi uma continuidade da 
época anterior. Entretanto, foi grande a implementação das políticas públicas 
de incentivo ao livro e à leitura. Por fim, o sexto e último período representa o 
início do século XXI. Em um contexto mais recente, observamos que houve o 
crescimento exponencial de novos(as) autores(as) além, também, de as histó-
rias e de as poesias para o público infanto-juvenil serem influenciadas pelas 
novas tecnologias digitais.
UNIDADE 3
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
> Conhecer os 
principais autores 
brasileiros de 
literatura infantil e 
juvenil;
> Apresentar as suas 
principais obras;
detalhar o contexto 
de produção no qual 
eles estavam/estão 
inseridos.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
3 PRINCIPAIS AUTORES 
BRASILEIROS DE LITERATURA 
INFANTIL E JUVENIL
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Esta unidade tem o objetivo de apresentar os(as) principais autores(as) 
brasileiros(as) de literatura infantil e juvenil. Além disso, vamos descrever e 
discutir brevemente acerca das suas principais obras literárias e detalhar o 
contexto de produção no qual eles(elas) estavam e ainda estão inseridos.
Assim, inicialmente, vamos abordar o escritor Coelho Neto, considerado um 
dos primeiros autores brasileiros da literatura infanto-juvenil. Somado à his-
tória dele, falaremos do seu livro mais conhecido, América. Depois disso, será 
a vez de Monteiro Lobato. Tido como um dos principais escritores para esse 
público, descreveremos sua vida e as obras que giram em torno do mundo do 
Sítio do Pica-Pau Amarelo. Após isso, vamos nos encaminhar a Ruth Rocha, 
escritora paulistana e vencedora do Prêmio Jabuti. Conheceremos sua histó-
ria de vida e seu livro mais renomado: Marcelo, Marmelo, Martelo.
Em seguida, falaremos de Ana Maria Machado, autora carioca em plena ati-
vidade. Vamos expor rapidamente a sua biografia, além de apresentar o seu 
livro Bento-que-bento-é-o-frade. Posteriormente, falaremos de Daniel Mun-
duruku, autor paraense e um dos nomes mais relevantes da literatura infan-
to-juvenil brasileira, sobretudo a indígena. A obra que detalharemos dele é 
Karú Tarú: o pequeno pajé. Por fim, encerraremos com a autora Elisa Lucinda. 
Apresentaremos os fatos mais relevantes da sua vida, bem como o seu livro 
Lili, a rainha das escolhas.
3.1 COELHO NETO
Na unidade passada, pudemos ver, sucintamente, a trajetória da história da li-
teratura infanto-juvenil brasileira. Dividida em seis períodos, refletimos acerca 
tanto dos eventos histórico-sociais e culturais quanto das principais caracte-
rísticas literárias de cada época.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Todavia, agora veremos os principais agentes responsáveis por isso, ou seja, os 
autores, a iniciar por Coelho Neto. 
FIGURA 1 - COELHO NETO
Fonte: ABL (2020)
Henrique Maximiano Coelho Neto nasceu em 1864, em Caxias, Maranhão. Fi-
lho de uma indígena com um português, ele se mudou para o Rio de Janeiro 
aos seis anos de idade (CAVÉQUIA, 2013). 
Após desistir da faculdade de Medicina, Coelho Neto ingressou no curso de 
Direito. O desenvolvimento das suas habilidadesde escrita o fez entrar em 
contato com outros escritores da época, a exemplo de Olavo Bilac.
Depois de ser incorporado ao funcionalismo público e ascender a cargos im-
portantes, Coelho Neto foi nomeado docente da Escola Nacional de Belas Ar-
tes e, em seguida, professor de Literatura do Ginásio Pedro II. 
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 2 – ALÉM DE BACHAREL EM DIREITO, COELHO NETO TAMBÉM FOI PROFESSOR
 
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
O autor em questão teve uma produção literária muito vasta e profícua. Entre 
elas, podemos destacar a obra infanto-juvenil América. Essa narrativa conta 
a história de Renato, criança que, depois da morte do pai, é levada pela mãe 
para estudar no internato América. Lá, a personagem vive uma série de acon-
tecimentos até se formar (COELHO, 2010).
Essa obra foi uma das primeiras escritas por autores brasileiros destinados às 
crianças e jovens brasileiros. Conforme discutimos antes, na transição do sé-
culo XIX para o XX, os livros literários destinadas a essa faixa etária tinham um 
caráter pedagogizante, em especial ao estimularem valores cívicos e morais 
aos pequenos leitores relacionados à também jovem nação brasileira. 
Uma curiosidade sobre Coelho Neto é que ele foi 
fundador da cadeira 2 da Academia Brasileira de 
Letras. Para mais informações, sugerimos o seguinte 
link: http://www.academia.org.br/academicos/coelho-
neto/biografia
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 3 - LITERATURA INFANTO-JUVENIL PEDAGOGIZANTE E COM VALORES 
NACIONAIS 
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Nela, algumas características podem ser observadas, por exemplo, a cena do 
início da obra em que, por mais que doa no coração da mãe, Renato preci-
sa ir à escola para que ele inicie a caminhada rumo à ciência dos homens e 
também para ser tornar um cidadão digno e respeitável. Outra característica 
marcante é o protagonista ser uma criança, fato muito incomum na época.
3.2 MONTEIRO LOBATO
O segundo autor relevante, e talvez o mais conhecido, da literatura infanto-
-juvenil brasileira é Monteiro Lobato.
FIGURA 4 – ESTÁTUA DE MONTEIRO LOBATO NA CIDADE DE TAUBATÉ
 
Fonte: Shutterstock (2020)
Contemporâneo de Coelho Neto, José Bento Monteiro Lobato nasceu em 
1882, na cidade paulista de Taubaté. Em 1904, formou-se em Direito pela Fa-
culdade do Largo do São Francisco, mas acabou dedicando-se à sua paixão: 
as artes, em particular a literatura (COELHO, 2010).
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Ao se empenhar mais nesse meio, acabou conhecendo outras figuras impor-
tantes da literatura da época; inclusive, chegou a participar da Semana de 
Arte Moderna de 22, evento que gerou a polêmica entre ele e Anita Malfatti.
Depois disso, no final da década de 1930, Lobato integrou uma missão diplo-
mática aos EUA, fato que o estimulou a se engajar a favor do desenvolvimento 
nacional. Aliás, é nessa época em que ele ajuda a fundar companhias brasilei-
ras de petróleo, bem como a campanha “O Petróleo é nosso”, a qual propiciou 
uma mobilização nacional por tal recurso.
FIGURA 5 - MONTEIRO LOBATO E O MOVIMENTO “O PETRÓLEO É NOSSO” 
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Já no período do Estado Novo, por conflitos com o regime, foi perseguido e 
preso, sendo liberado no fim da Era Vargas. Depois, acaba morrendo em 1948 
e é considerado um dos maiores autores brasileiros.
Caso você queira saber mais sobre esse evento, 
indicamos a reportagem feita pelo professor Antonio 
Gonçalves Filho, cujo link é: https://cultura.estadao.
com.br/noticias/artes,anita-malfatti-100-anos-de-
polemica-com-monteiro-lobato,70002125682
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
O primeiro livro que publicou foi Urupês, em 1918. Entretanto, a primeira obra 
literária destinada ao público infanto-juvenil foi A menina do narizinho arre-
bitado, em 1921. Segundo Cavéquia (2013, p. 3), “A partir de então tem-se uma 
mudança nos paradigmas de o que publicar para os leitores infanto-juvenis”. 
FIGURA 6 - A MENINA DO NARIZINHO ARREBITADO
Fonte: Google Fotos (2020)
Nela, Monteiro Lobato introduzia todo o universo do Sítio do Pica-Pau Amare-
lo para os(as) leitores(as). Depois dessa obra, vieram ainda 39 títulos, os quais 
alargaram e enriqueceram ainda mais esse universo mágico.
Conforme vimos antes, a grande inovação literária proporcionada por Mon-
teiro Lobato foi a busca por uma linguagem próxima à identidade da maioria 
da população brasileira na época, além da inserção do folclore nacional nas 
páginas dos livros, fazendo com que o Brasil fosse enxergado de fato pelos(as) 
pequenos(as) brasileiros(as) daquele tempo (COELHO, 2013).
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3.3 RUTH ROCHA
A terceira escritora de livros infanto-juvenis que merece destaque é Ruth Ro-
cha. Nascida em 1931, em São Paulo, Ruth Rocha cresceu na capital paulistana. 
FIGURA 7 – SÃO PAULO, CAPITAL DO ESTADO PAULISTA
Fonte: Shutterstock (2020)
Em sua infância, entrou em contato com os recém-publicados livros de Mon-
teiro Lobato, pelo qual possuía admiração e em quem muito se inspirou.
Em meados do século XX, Ruth Rocha se formou em Ciências Políticas na 
PUC-SP. Já no final da década de 1950, começou a trabalhar no Colégio Rio 
Branco. Inclusive, é nesse espaço que ela começou a esboçar as suas primei-
ras obras literárias infanto-juvenis (COELHO, 2013).
No início da década de 1980, Ruth Rocha passa a trabalhar na Editora Abril, as-
sumindo a direção do departamento de publicação para o nicho de crianças 
e jovens.
Devido à sua profícua produção literária reconhecida nacional e internacional-
mente, a autora recebeu diversos prêmios, entre eles o Jabuti. Hoje, ela conti-
nua em plena atividade, produzindo novos livros para o público infanto-juvenil.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
FIGURA 8 - PRÊMIO JABUTI
Fonte: Cidade de São Paulo Cultura (2020)
Como falamos antes, foram muitas as criações de Ruth Rocha ao longo de sua 
vida. Porém, neste tópico, vamos nos dedicar a uma das suas principais obras: 
Marcelo, Marmelo e Martelo.
Segundo Cavéquia (2013, p. 3), Ruth Rocha, entre outros autores que come-
çaram junto com ela, “[...] compuseram/compõem uma literatura com fortes 
traços lobatianos, em que o lúdico, o inventivo, o real e o imaginário são pre-
ponderantes”. 
1. Livro Marcelo, Marmelo, 
Martelo: Publicado pela 
primeira vez em 1976, narra a 
vida do menino Marcelo que, 
em um dia, inicia uma série de 
questionamentos sobre o nome 
dado às coisas e às convenções 
sociais estabelecidas, chegando 
até a renomeá-los a partir de 
sua imaginação.
Ruth Rocha e Otávio Roth produziram uma versão 
infantil da Declaração Universal dos Direitos 
Humanos e fizeram o lançamento dela em 1988, na 
sede da ONU, em Nova York.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
2. Comentários sobre a obra: 
Conforme Cavéquia (2013), a 
característica literária de Ruth 
Rocha pode ser observada 
nessa obra, pois ela trabalha 
tanto a imaginação quanto a 
criação lúdica das crianças pela 
elaboração de novas palavras, 
além de dar mais protagonismo 
a elas..
3.4 ANA MARIA MACHADO
Outra autora importante da literatura infanto-juvenil brasileira é Ana Maria 
Machado.
FIGURA 9 - ANA MARIA MACHADO
Fonte: ABL (2020)
Ficou interessado(a) em conhecer mais sobre Ruth 
Rocha? Sugerimos o site da autora. Confira em: 
http://www.ruthrocha.com.br/home.
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Natural da cidade do Rio de Janeiro, Ana Maria Machado nasceu em 1941. 
Passou sua infância no bairro de Santa Teresa e, em 1964, formou-se em Le-
tras Neolatinas na Faculdade Nacional de Filosofi a da Universidade do Brasil 
(COELHO, 2010).
Após isso, passou a lecionar Língua Portuguesa nos colégios Santo Inácio e 
Princesa Isabel, bem como deu aula no curso de Letras da UFRJ e da PUC - RJ.
Com a Ditadura Militar, Ana Maria Machado foi para o exílio em Paris e, depois, 
em Londres, praticando o ofício de jornalista. Com o fi m da Ditadura, ela volta 
ao Brasil e passa a se dedicar ao ramo editorial. Inclusive, junto com duas ami-
gas, funda a primeira livraria brasileira dedicada exclusivamente à literatura 
infanto-juvenil, a Livraria Malasartes.
Nessa época, Ana Maria Machado começou a escrever livros de fi cção, em 
particular os destinados às crianças e aos jovens. Em 2003, ela se tornou uma 
imortal na Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 1.
FIGURA 10 - ANA MARIA MACHADO COMO IMORTAL DA ABL
 
Fonte: ABL (2020)
Contemporânea de Ruth Rocha, Ana Maria Machado também compartilha 
de algumas características literárias de sua colega escritora, ou seja, suas 
Se você quiser saber mais sobre a Livraria 
Malasartes, sugerimos a reportagem sobre os 40 
anos de nascimento dela no seguinte link: https://
oglobo.globo.com/rio/bairros/primeira-livraria-
infantojuvenil-do-brasil-malasartes-completa-40-
anos-na-gavea-23679491 
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL
obras infanto-juvenis, além de uma grande influência lobatiana, possuem tra-
ços lúdicos, com narrativas contendo temáticas que estimulam a imaginação 
convivendo com a realidade da criança e com uma linguagem próxima ao 
universo delas.
Entre os seus principais livros, está Bento-que-bento-é-o-frade. Com sua pri-
meira publicação em 1977, essa narrativa conta a história de Nita, uma me-
nina que conseguia moldar e recriar tudo à sua volta por meio de sua fértil 
imaginação.
FIGURA 11 - A PERSONAGEM NITA E A IMAGINAÇÃO DAS CRIANÇAS
Fonte: Plataforma Deduca (2020)
Essa obra, além de grande sucesso, trouxe como protagonista uma persona-
gem feminina, além de ter contribuído bastante para o protagonismo infantil 
na época.
3.5 DANIEL MUNDURUKU
Seguindo a lista dos(as) autores(as) relevantes no cenário literário infanto-ju-
venil brasileiro, apresentamos Daniel Munduruku. Natural de Belém, capital 
do estado do Pará, ele é da etnia Mundurucu e nasceu em 1964. 
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FIGURA 12 – BELÉM, CAPITAL DO PARÁ
Fonte: Iphan (2020)
Na década de 1980, muda-se para São Paulo, onde se graduou em Filosofia, 
História e Pedagogia (BRANDILEONE; VALENTE, 2018). Depois do mestrado 
e doutorado no curso de Educação, fez o pós-doutoramento em Linguística 
pela Universidade Federal de São Carlos. Atualmente, mora em Lorena, inte-
rior de SP, e continua a produzir novas obras literárias.
Em relação à literatura infanto-juvenil brasileira escrita por indígenas, vale 
destacar que, a partir de 2008, elas passaram a ser incorporadas aos currícu-
los escolares por meio da 
Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008, que cria a obrigatoriedade do ensino 
da história e da cultura dos povos indígenas nos estabelecimentos de ensino 
fundamental e médio do país. (BRANDILEONE; VALENTE, 2018, p. 199)
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FIGURA 13 - A HISTÓRIA E A CULTURA DOS POVOS INDÍGENAS
Fonte: Freepik (2020)
Dessa forma, com essa legislação, não só a produção e a distribuição das obras 
literárias dessa natureza aumentaram, como também novos(as) autores(as) 
indígenas surgiram, como é o caso de Daniel Munduruku. 
Em função disso, espera-se que se desenvolva o reconhecimento e o respeito 
no que tange aos costumes, às tradições e aos estilos de vida dos indígenas, 
fato que, durante muito tempo na história do Brasil, foi marginalizado e silen-
ciado, contribuindo, assim, para a consolidação identitária dos povos originá-
rios do Brasil nos dias de hoje.
Entre uma grande quantidade de livros publicados, podemos enfocar na sua 
obra principal, Karú Tarú: o pequeno pajé. Nessa ficção, o autor narra a histó-
ria de Karú Tarú, um menino de uma tribo que será iniciado aos segredos e 
saberes a fim de se tornar o pajé de sua comunidade.
Escrita em terceira pessoa e de maneira bem original, Munduruku trabalha, 
nas páginas do livro, um 
[...] tema instigante pela proposta de trazer ao leitor uma experiência 
peculiar, partindo do horizonte de uma criança que se vê predestinada a este 
importante papel em sua tribo. (BRANDILEONE; VALENTE, 2018, p. 199)
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3.5 ELISA LUCINDA
Por fi m, a última escritora relevante no contexto da literatura infanto-juvenil é 
Elisa Lucinda. Nascida em 1958, em Cariacica, no Espírito Santo, Elisa Lucinda 
teve contato com as letras desde a infância e a adolescência, por causa de seu 
pai, que era professor. Na década de 1980, ela se formou em Jornalismo pela 
Universidade Federal do Espírito Santo.
FIGURA 14 – CARIACICA, NO ESPÍRITO SANTO
Fonte: Prefeitura de Cariacica (2020)
No fi nal dessa década, ela acaba se mudando para o Rio de Janeiro, onde 
decide focar na carreira de atriz. Morando lá, Elisa Lucinda estuda na Casa de 
Artes de Laranjeiras (CAL) e passa a atuar em peças teatrais e até na televisão. 
Atualmente, ela não só escreve literatura infanto-juvenil como também com-
põe canções e CDs de poesia.
Com uma produção literária considerável, Elisa Lucinda também demonstra 
ser uma excelente escritora de obras infanto-juvenis. Inclusive, em 2008, ela 
ganhou o prêmio de livro “Altamente Recomendável”, da Fundação Nacional 
do Livro Infantil e Juvenil. 
FIGURA 15 - PRÊMIO DA FUNDAÇÃO NACIONAL DO LIVRO INFANTIL E JUVENIL
Fonte: FNLIJ (2020)
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Aliás, uma das principais obras para esse público da autora é Lili, a rainha das 
escolhas.
1. Lili, a rainha das escolhas:
Essa obra conta a história de Lili, uma menina negra, criativa e 
decidida, a qual faz uma série de questionamentos sobre a vida e 
sobre o mundo. 
2. A temática racial e metafórica: 
Na obra, além da discussão racial, sobre ser uma mulher negra na 
sociedade atual, também é trabalhada em suas páginas a metáfora 
da liberdade. Vale ressaltar, ainda, que o livro possui várias ilustrações 
encantadoras, sendo que a narrativa é feita em forma de poema.
CONCLUSÃO
Nesta unidade, objetivamos não só apresentar os(as) escritores(as) de livros 
infanto-juvenis mais relevantes do Brasil mas também divulgar e comentar 
acerca das suas principais criações. Dessa forma, pudemos conhecer mais so-
bre Coelho Neto, Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Daniel 
Munduruku e Elisa Lucinda. 
Portanto, com essa proposta, esperamos que você possa saber mais sobre 
eles e também que, após estudar esta unidade, você se sinta estimulado(a) e 
passe a utilizar tais obras no seu dia a dia escolar, principalmente nas aulas de 
literatura brasileira.
UNIDADE 4
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OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
LITERATURA INFANTO-JUVENIL
> Discutir a relação 
entre educação e 
literatura infantil e 
juvenil;
> Examinar o 
papel da literatura 
infantil e juvenil no 
desenvolvimento da 
leitura; 
> Conhecer a relação 
entre a literatura 
infantil e juvenil e 
a educação básica 
nacional.
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