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WBA1275_v1.0 Microbiologia de alimentos Alteração da qualidade de alimentos, critérios microbiológicos e legislações Alteração da qualidade dos alimentos Bloco 1 Maria de Sousa Carvalho Rossi Vamos refletir? Como você avalia a qualidade de um alimento? Fonte: Shutterstok.com. Figura 1. Hambúrguer O que é um alimento de qualidade? Química Física Sensorial Microbiológica Fonte Shutterstock.com. Alterações provocadas por microrganismos deteriorantes Leite e derivados • Odor: odor de batata por Pseudomonas mucidolens, de peixe por Aeromonas hydrophila e de estábulo por Enbterobacter. • Cor: coloração azulada (Pseudomonas syncyanea), coloração amarela (Flavobacterium) e coloração vermelha (Serratia marcencens e Micrococcus roseus). • Alteração de sabor: microrganismos psicotróficos como Pseudomonas, Flavobacterium e Alcaligenes ssp Ovos • Possuem barreiras físicas, como a casca e as membranas internas. • Produção de gás H2S e odor desagradável: Pseudomonas, Alcaligenes e Acinetobacter. • Manchas pretas: Proteus e outras espécies de Pseudomonas e Aeromonas. • Pontos coloridos: Serratia (vermelho) Penicilium (azul, amarelo e verde). • Desenvolvimento de outros fungos quando a umidade durante o armazenamento é alta: Sporotrichum, Cladosporium, Mucor, Thamnidium, Alternaria e Botrytis. (FRANCO; LANDGRAF, 2008; FRANCO; LANDGRAF, 2019) Alterações provocadas por microrganismos deteriorantes em vegetais (FRANCO; LANDGRAF, 2019) Podridão mole • Erwinia, Pectobacterium Carotovora, Pseudomonas e Xantomonas. Podridão fúngica • Botrytis. • Este fungo acomete mais de 26 tipos de vegetais. Antracnose • Colletotrichum na maçã e Gloeosporium na banana. Fermentação alcóolica e produção de ácidos • Leveduras e Leveduras selvagens. • Lactobacillus ssp. Leuconostoc ssp. Deterioração seca • Fusarium sambucium, F. coerulum e Penicilium sclerotigenum. Deterioração cereais e produção de micotoxinas • Bacillus ssp. Rizopus Fusarium e Alternaria. Alterações provocadas por microrganismos deteriorantes em carnes e derivados (GERMANO; GERMANO, 2013; FRANCO; LANDGRAF, 2019) Ação de microrganismos aeróbios e anaeróbios facultativos. Limosidade superficial. Produção de Sulfeto de hidrogênio (H2S). Esverdeamento por H2S. Odor de sulfeto em carnes embaladas à vácuo; odor de repolho. Putrefação. Acidificação e azedamento em presunto. Alterações provocadas por microrganismos deteriorantes em pescados (GERMANO; GERMANO, 2013; FRANCO; LANDGRAF, 2019) • Ação dos sucos digestivos liberados após a morte do pescado que atravessam a parede intestinal, atuando sobre a decomposição dos tecidos musculares. Autólise • Alto teor de gorduras poli-insaturadas, provocado por microrganismos que produzem lipases. Oxidação de gorduras • Bactérias psicotróficas. • Bactérias produtoras de H2S, de odor desagradável (trimetilamina). • Produção de histamina. • Alteração de cor por bactéria halofílicas e halotolerantes. Desenvolvimento microbiano Alteração da qualidade de alimentos, critérios microbiológicos e legislações Definição dos critérios microbiológicos dos alimentos Bloco 2 Maria de Sousa Carvalho Rossi Definição dos critérios microbiológicos ICMSF - Comissão Internacional de Especificações Microbiológicas para Alimentos. OMS, FAO e Codex Alimentarius. Desenvolvem diretrizes e recomendações sobre a segurança dos alimentos. No Brasil, a Anvisa e o MAPA regulamentam os critérios microbiológicos. Anvisa: RDC n. 724/2022, IN n. 161/2022 e RTIQ. MAPA: RTIQ. Como são definidos estes critérios? Determinação do microrganismo relevante a ser pesquisado. Risco que oferecem à saúde do consumidor. Método analítico de detecção do microrganismo ou metabólito. Plano de amostragem: determina quantas amostras serão analisadas de um mesmo lote, qual o tamanho da amostra e indica quantas amostras serão toleradas com qualidade intermediária. Limites microbiológicos: quais limites serão considerados apropriados para o alimento. Estabelecimento de especificações de conformidade, ou seja, padrões e normas que vão definir se o produto será aprovado ou reprovado. (PAIVA; MACHADO, 2019) Conceitos importantes • Representativa. • Indicativa.Amostra • Só há duas possibilidades de resultado: o produto está aceitável ou está inaceitável. Plano de 2 classes • O alimento pode ser classificado em três categorias: qualidade aceitável, qualidade intermediária ou qualidade inaceitável, baseado na determinação da concentração de microrganismos. Plano de 3 classes Como são definidos estes critérios? (PAIVA; MACHADO, 2019) Sem risco à saúde Risco indireto à saúde Risco direto à saúde 2 classes Não patogênicos. Indicadores. Moderado; difusão limitada. Moderado; difusão extensa. Grave (elevado); altamente patogênico. Deteriorantes. Coliformes totais. Causam doenças brandas. Causam doenças mais graves que o grupo anterior em doses infectantes mais baixas. Não devem estar presente em nenhum alimento. Fungos e bactérias mesófilas aeróbias. Família Enterobactereciae. S. aureus, C perfringens tipo A, Yersínia enterocolítica, Campylobacter jejuni e Nematóide Trichinella spiralis. Salmonella Thyphimurium, E.coli patogênica, Shiguela, Vibrio parahaemoliticus e Estreptococus beta-hemolíticus. C. Botulinum, Salmonella typhy, Salmonella paratyphy A e B, Shiguella dysenteriae tipo I, Vivrio Choleraceae, Vírus hepatite infecciosa, Brucella etc. Como são definidos estes critérios segundo ICMSF? Condições em que o alimento poderá ser manipulado ou consumido após a amostragem Grau de risco Exemplos Risco diminui Risco não se altera Risco pode aumentar Utilidade: contaminação geral, vida de prateleira reduzida e deterioração incipiente. Contagem total de aeróbios, leveduras e bolores. Caso 1 n = 5, c = 3 Caso 2 n = 5, c = 2 Caso 3 n = 5, c = 1 Indicador: perigo baixo e indireto. Enterobacteriaceae e Escherichia coli genérica. Caso 4 n = 5, c = 3 Caso 5 n = 5, c = 2 Caso 6 n = 5, c = 1 Perigo moderado. S. aureus, B. cereus, C.perfringens e V. Parahaemolyticus. Caso 7 n = 5, c = 2 Caso 8 n = 5, c = 1 Caso 9 n = 10, c = 1 Perigo grave. Salmonella, L. e monocytogenes. Caso 10 n = 5, c = 0 Caso 11 n = 10, c = 0 Caso 12 n = 20, c = 0 Perigo severo. Para a população em geral: E.coli O157:H7 e neurotoxina de C. botulinum. Caso 13 n = 15, c = 0 Caso 14 n = 30, c = 0 Caso 15 n = 60, c = 0 (FRANCO et al., 2015, p. 18) Alteração da qualidade de alimentos, critérios microbiológicos e legislações Legislações brasileiras relacionadas aos critérios microbiológicos Bloco 3 Maria de Sousa Carvalho Rossi RDC N. 724, DE 1º DE JULHO DE 2022 Dispõe sobre os padrões microbiológicos dos alimentos e sua aplicação. Resolução se aplica a toda a cadeia produtiva de alimentos. Apresenta conceitos e definições importantes para compreensão da aplicabilidade dos critérios microbiológicos adotados no Brasil. Os alimentos não podem conter microrganismos patogênicos, suas toxinas ou metabólitos em quantidades que causem dano para a saúde humana. No caso de ingredientes destinados exclusivamente ao uso industrial, incluindo os aditivos alimentares, devem ser observados os padrões microbiológicos estabelecidos em suas especificações. RDC N. 724, DE 1º DE JULHO DE 2022 Planos de amostragem alternativos podem ser utilizados, desde que forneçam proteção equivalente comprovada por meio de histórico de produção e implementação de sistema de qualidade e segurança de alimentos documentado e validado (BRASIL, 2022a, p. 205). Os resultados analíticos devem ser expressos em: Contagem por placa UFC/g ou UFC/ml Método NMP NMP/g ou NMP/ml RDC N. 724, DE 1º DE JULHO DE 2022 Interpretação dos resultados Plano de 3 classes Satisfatório com qualidade aceitável, quando o resultado = em todas as unidades amostraisfor menor ou igual a m. Satisfatório com qualidade intermediária, quando o número de unidades amostrais com resultados entre m e M for = ou > c e nenhuma unidade amostral apresentar resultado maior que M ou c. Insatisfatório com qualidade inaceitável, quando o número de unidades amostrais com resultados entre m e M for maior que c ou alguma unidade amostral apresentar resultado maior que M. Plano de duas classes Satisfatório, quando Resultado = ausência ou valor > que m. Insatisfatório, quando Resultado = presença ou valor2019. GERMANO, Pedro Manuel; GERMANO, Maria Izabel Simões. Sistema de Gestão: Qualidade e Segurança dos alimentos. Barueri: Manole, 2013. PAIVA, A. D; MACHADO, A. B. F. Critérios microbiológicos para avaliação de qualidade dos alimentos. In: SÃO JOSÉ, J. F. B.; ABRANCHES, M. V. Microbiologia e Higiene de Alimentos: Teoria e prática. 1. ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2019. Referências Bons estudos! Slide 1: Microbiologia de alimentos Slide 2: Alteração da qualidade de alimentos, critérios microbiológicos e legislações Slide 3: Vamos refletir? Slide 4: O que é um alimento de qualidade? Slide 5: Alterações provocadas por microrganismos deteriorantes Slide 6: Alterações provocadas por microrganismos deteriorantes em vegetais Slide 7: Alterações provocadas por microrganismos deteriorantes em carnes e derivados Slide 8: Alterações provocadas por microrganismos deteriorantes em pescados Slide 9: Alteração da qualidade de alimentos, critérios microbiológicos e legislações Slide 10: Definição dos critérios microbiológicos Slide 11 Slide 12: Conceitos importantes Slide 13 Slide 14 Slide 15: Alteração da qualidade de alimentos, critérios microbiológicos e legislações Slide 16: RDC N. 724, DE 1º DE JULHO DE 2022 Slide 17: RDC N. 724, DE 1º DE JULHO DE 2022 Slide 18: RDC N. 724, DE 1º DE JULHO DE 2022 Slide 19: INSTRUÇÃO NORMATIVA - IN N. 161, DE 1º DE JULHO DE 2022 Slide 20: Quiz Slide 21: Quiz Slide 22: Quiz - Resolução Slide 23: Alteração da qualidade de alimentos, critérios microbiológicos e legislações Slide 24: Reflita sobre a seguinte situação Slide 25: Norte para a resolução Slide 26: Norte para a resolução Slide 27: Norte para a resolução Slide 28: Norte para a resolução Slide 29: Alteração da qualidade de alimentos, critérios microbiológicos e legislações Slide 30 Slide 31: Indicação de leitura 1 Slide 32: Indicação de leitura 2 Slide 33: Dica do(a) Professor(a) Slide 34: Referências Slide 35: Referências Slide 36: Bons estudos!