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EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE 
Cultura: um conceito antropológico plural A disciplina de educação e diversidade toma como premissa o conceito de cultura pertencente ao conjunto de perspectivas antropológicas que partem do entendimento de que nós, seres humanos, vivemos em uma sociedade plural e diversa. A educação está diretamente relacionada à cultura e às diversas possibilidades com que se realiza nas diferentes sociedades. Assim, nessa perspectiva, devemos reconhecer as diferenças culturais como fundamento da diversidade com que a vida social se realiza. Perceber as diferenças humanas como algo normal, nada mais é do que o contínuo exercício de visar o bem viver em sociedade. A cultura, vista sob esse ângulo, caracteriza-se como a possibilidade do indivíduo, inserido em seu agrupamento social, de viver o seu dia a dia, compreender a realidade e atribuir significados a ela, planejar, calcular e transformar a natureza, além de refletir sobre todas as coisas que estão ao nosso redor. A abordagem antropológica é uma das maneiras de definir cultura a partir de um conjunto de pressupostos metodológicos e regras determinados por essa ciência. A antropologia, portanto, é uma ciência que se dedica ao estudo aprofundado do ser humano e suas relações, é um termo de origem grega, formado por anthropos (homem, ser humano) e logos (conhecimento). Sendo uma das ciências sociais, a antropologia nasceu e se desenvolveu ao longo do século XIX, tendo o objetivo de estudar e conhecer a cultura e a diversidade das manifestações culturais dos diferentes povos no tempo e no espaço.
O multiculturalismo parte da premissa da existência de sociedades multiculturais, ou seja, de que diferentes culturas coexistem no interior de um mesmo espaço social, e suas relações podem se dar por aceitação, podendo ser até híbridos quanto à inclusão do outro na condução política e econômica de uma determinada sociedade; de tolerância, como o próprio termo define, ou seja, quando as culturas se toleram em uma mesma sociedade, mesmo que os interesses da cultura dominante prevaleça, mas sem que ocorra a aceitação; ou de conflitos, quando se percebem manifestações de diversas formas de violência, por meio de ações preconceituosas e/ou discriminatórias praticadas por indivíduos e grupos.
O etnocentrismo parte da ideia, do ponto de vista de quem observa, em considerar a sua própria etnia no centro de tudo, ou seja, é a base (conjunto de princípios e valores) pela qual o observador deve olhar as demais culturas existentes no mundo. Nesse sentido, a própria etnia (povo) e todos os atributos culturais que lhes são peculiares devem estar no centro de referência do sujeito observador, especialmente quando se relaciona a culturas diferentes. Trata-se de um instrumento comparativo de diferentes culturas.
Segundo Geertz, é necessário compreender o significado de cultura, assumindo-o como uma produção humana que tem sentido. O conceito de cultura deve ser preciso, não muito amplo, relacionado a uma dimensão justa (Geertz, 1989). Afinal, cultura, para Geertz, sob a influência de Weber, corresponde a teias de significado por meio das quais o homem estabelece as relações com a natureza e com outros homens.
O sociólogo canadense Erving Goffman parte do entendimento de que a vida social do indivíduo, por consequência de sua identidade, pode ser entendida como uma representação teatral. Isso quer dizer que a ação de um indivíduo em relação a outros não tem somente uma finalidade instrumental, ou seja, não tem somente o objetivo de fazer algo, mas também é condicionada pelo modo como esse sujeito quer aparecer diante dos outros (Oliveira; Costa, 2016).
A identidade circunstancial está relacionada às circunstâncias da vida, assim como o próprio termo define. A identidade circunstancial refere-se às características atribuídas a um indivíduo inserido em sociedade com base em fatores externos muitas vezes fora de seu controle.
A identidade dinâmica está sujeita a mudanças ao longo do tempo, é algo fluido, que se adapta segundo as condicionantes da vida. São mudanças que passamos pela vida e que influenciam a construção de nossa identidade, como algo dinâmico, em constante mudança.
A identidade contrastiva está relacionada a algo que diferencia, motivado pelo próprio indivíduo. A identidade contrastiva é a forma como as pessoas se definem em relação aos outros. É o indivíduo definindo a si mesmo.
Reconhecimento do outro e alteridade
Para o sociólogo britânico Anthony Giddens, as influências globalizantes e a simples sensação de ser presa das maciças ondas de transformação global é perturbadora. Mas importante é o fato de que tal mudança é também intensa – cada vez mais, atinge as bases da atividade individual e da constituição do eu (Previtalli; Vieira, 2017, p. 33).
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman (2001) analisa a questão da identidade na modernidade, denominando-a líquida. Nessa fase, os indivíduos incorporam outros e novos elementos de forma mais fluida, líquida e flexível se comparado ao contexto histórico anterior, no qual se observava a identidade de forma mais rígida. A modernidade líquida pauta-se pela liquidez em que nada consegue manter sua forma por muito tempo.
Preconceito e discriminação: conceitos interligados, porém diferentes
Os preconceitos são julgamentos ou percepções antecipadas acerca de pessoas, crenças ou sentimentos; já a discriminação se reflete em tratamento diferenciado e/ou exclusão diante de características específicas da pessoa ou grupo social.
A distribuição desigual de recursos, poder e oportunidades
Marx explicou as contradições sociais produzidas pelas relações materiais de produção e o fenômeno que dá origem às desigualdades no capitalismo, utilizando o materialismo histórico dialético como método científico. A sociedade capitalista apresenta-se de modo contraditório, portanto transitório no curso da humanidade. A classe trabalhadora (classes populares), oprimida no contexto do capitalismo, deveria se organizar e realizar a revolução social, visando a construção de uma sociedade mais justa entre as classes. As forças produtivas de uma sociedade são os meios de produção necessários para a realização da vida material dos homens e, nesse sentido, a relação de produção se configura, no curso da história, pela exploração de uma classe sobre a outra.
Políticas públicas de educação, inclusão e ações afirmativas
O Brasil é signatário dos valores universais dos direitos humanos, constituídos mediante lutas sociais históricas. Na Constituição “Cidadã” de 1988, documento que marca o processo de redemocratização do país, após anos de regime ditatorial, há um entendimento claro a respeito da compreensão e da importância de valorizar e reconhecer os direitos humanos. A construção dos direitos humanos relaciona-se com a perspectiva dos direitos de cidadania: direitos civis, direitos políticos e direitos sociais (Marshall, 1967 apud Machado, Amorim, Barros, 2016). Cidadania é uma condição que permite àquele que é cidadão participar como igual da discussão política, com uma reivindicação de que todos participem da “herança comum” da sociedade, da riqueza que ela produz e da discussão sobre os valores que a sustentam. Observe as características dos direitos de cidadania:
Direitos civis: aqueles que permitem ao cidadão exercer sua liberdade individual.
Direitos políticos: são aqueles que permitem ao cidadão participar do exercício do poder político.
Direitos sociais: são aqueles que garantem ao cidadão um mínimo de bem-estar econômico e uma vida digna, de acordo com o padrão do país e da época.
O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos (1979 apud Oliveira; Costa, 2016) afirma que, no Brasil, vivemos uma cidadania regulada, ou seja, esses direitos não são previstos em sua totalidade para toda a população brasileira, especialmente para a população pertencente às classes menos abastadas social e economicamente.
Pierre Bourdieu e a teoria da reprodução da violência simbólica
Pierre Bourdieu, fundamental para refletir sobre educação e diversidade.Pierre Bourdieu nasceu em 1930, em Béarn, região rural de uma província periférica da França, filho de operários, pequenos comerciantes e camponeses. Ou seja, pode-se perceber a origem humilde e simples do sociólogo francês. Pierre Bourdieu desenvolve conceitos e problematizações importantes da estrutura social e sua reprodução em seu livro A economia das trocas simbólicas. O conceito de capital em Bourdieu corresponde à unidade de medida que determina a posição social de cada indivíduo no interior de uma sociedade, a partir das relações e trocas simbólicas que ocorrem em diversos “campos” da vida social.
Epistemicídio
é um elemento que exprime a ação que provoca a morte ou o extermínio de algo. Epistemicídio, termo cunhado pelo sociólogo Boaventura Sousa Santos, que, aliás, você conheceu na unidade anterior, corresponde à morte da construção do conhecimento. Bourdieu e Passeron (1975) chamam a atenção para essa atitude da escola, isto é, o ato de ignorar as diferenças culturais perante a educação, uma “violência simbólica”. Isso quer dizer que a ação pedagógica envolve tanto a reprodução cultural quanto social. Assim, ela tem uma atitude “arbitrária”, isto é, coercitiva, pois, apresenta a cultura dominante (das classes mais abastadas) como uma cultura geral, concebida como uma “violência simbólica”
Lei 10.639/03: ensino da história e cultura afro-brasileira e africana 
Em diversidade, educação e políticas da diferença, é preciso destacar os avanços sociais trazidos com o advento das políticas educacionais de ações afirmativas no Brasil. Essas políticas que emergem especialmente no contexto da década de 2000, foram resultado de pressões e lutas históricas de movimentos sociais e grupos engajados por melhores condições e oportunidades mais justas e equitativas para as minorias sociais. 
A Lei 10.639/03, que completou duas décadas no ano de 2023, aborda a questão da história e cultura afro-brasileira e africana, tornando esses conteúdos obrigatórios em todos os componentes curriculares das matrizes dos sistemas educacionais de ensino no país. Isso quer dizer que não é somente em História, Arte ou Língua Portuguesa que essas questões devem ser abordadas, mas em todas as disciplinas e por toda a escola.
Lei 11.645/08: ensino da história e cultura dos povos indígenas
A Lei 11.645/08 vai na esteira das políticas educacionais voltadas à inclusão e a valorização da diversidade sociocultural. Sabemos da importância da contribuição dos povos indígenas, seus modos de vida e cosmovisão, saberes e conhecimentos, cultura, arte, economia, entre outros elementos, fundamentais para a formação social e cultural do Brasil. A Lei 11.645/08 trata da questão da diversidade cultural dos povos indígenas e a forma de apreensão da realidade.
Educação intercultural e bilíngue
A educação intercultural e bilíngue é primordial para que os povos indígenas possam ser incluídos na sociedade de modo mais efetivo, pois assim se contribui para a promoção da igualdade e da valorização da diversidade cultural. Como se pode perceber, somos uma sociedade multicultural e, por isso, não devemos economizar esforços para a construção de sociedades mais inclusivas e respeitosas em relação às diferentes culturas.
Construção do conceito de gênero e movimentos feministas
O conceito de gênero destaca que as diferenças entre homens e mulheres não são apenas biológicas, mas socialmente construídas, influenciada por normas, expectativas e valores culturais. O contexto do Pós-Segunda Guerra Mundial e as mudanças sociais e políticas ao longo das décadas de 1960 e 1970 colocaram em evidência o debate sobre o determinismo biológico, cujo questionamento foi impulsionado pelo movimento feminista. O filósofo Michel Foucault aponta em seus estudos sobre a sexualidade, investigada a partir da sujeição, que ela se configura como um processo no qual nos tornamos o que somos a partir de algo produzido para dizer quem somos e como devemos nos manter para ser o que está definido. Os movimentos feministas tiveram origem desde fins do século XIX. Ali se encontra a raiz da problematização que culminou com a elaboração do conceito de gênero (Previtalli; Vieira, 2017). Esses movimentos lutam por equidade e igualdade de condições entre homens e mulheres, apontando as desigualdades de gênero existentes em nossa sociedade.
Luta contra estereótipos e representatividade
É preciso conhecer e combater os diversos estereótipos existentes no convívio social de uma escola, por exemplo. As pessoas precisam desnaturalizar as formas de vida que as colocam em condição de inferioridade, por isso precisamos exercer um papel crítico e construtivo no que diz respeito à questão de gênero. A principal crítica de Joan Scott se deu justamente pelo caráter descritivo de gênero, sem ir além de questões envolvendo homens e mulheres, ou seja, gênero é uma forma relacional de saber a respeito das diferenças sexuais, permeado por relações de poder que dão sentido a um espaço estabelecido, segundo a historiadora. Os estereótipos são clichês, uma imagem preconcebida e padronizada. É preciso desconstruir certos padrões de comportamento que estão embrenhados em nossa cultura social, nos quais se relega, muitas vezes, um papel de inferioridade à mulher.
Problematizando ideologia de gênero
No final da década de 1960, os estudos de gênero e sexualidade ligados à educação no Brasil estiveram presentes em universidades e escolas através das militantes feministas.
Construção do conceito de gênero e movimentos feministas
O conceito de gênero destaca que as diferenças entre homens e mulheres não são apenas biológicas, mas socialmente construídas, influenciada por normas, expectativas e valores culturais. O contexto do Pós-Segunda Guerra Mundial e as mudanças sociais e políticas ao longo das décadas de 1960 e 1970 colocaram em evidência o debate sobre o determinismo biológico, cujo questionamento foi impulsionado pelo movimento feminista. O filósofo Michel Foucault aponta em seus estudos sobre a sexualidade, investigada a partir da sujeição, que ela se configura como um processo no qual nos tornamos o que somos a partir de algo produzido para dizer quem somos e como devemos nos manter para ser o que está definido. Segundo Foucault, nos tornamos quem somos, fazemos ou nomeamos as coisas de uma forma e não de outra e isso gera efeitos ao tomarmos determinadas atitudes sobre nós e sobre os outros e o que se produz a partir disso no espaço em que vivemos.

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