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Situações em que o aborto é legal no BR:
● Quando a vida da pessoa grávida estiver em risco
● Quando a gravidez for resultado de um estupro
● Em casos de anencefalia fetal.
Dados:
● Dados da Pesquisa Nacional de Aborto que usaram questionários autoaplicáveis
depositados em urnas, para reduzir a taxa de respostas falsas, indicam que o aborto
é um evento comum na vida reprodutiva das mulheres brasileiras.
● Aproximadamente uma em cada cinco mulheres teve pelo menos um aborto até os
40 anos
● Taxas mais altas entre as respondentes com menor nível educacional, mulheres
negras e indígenas, e mulheres residentes em regiões mais pobres.
● Idade com maior índice de aborto = entre 20 e 39 anos
Discussão:
● As taxas de aborto vêm diminuindo, o que provavelmente está relacionado à queda
nas gestações indesejadas, por meio de métodos contraceptivos (link com o filme
passado em aula), especialmente os reversíveis e de longa duração, que são mais
eficazes, fato que inclui países em desenvolvimento.
● Embora o aborto tenha diminuído ao longo do tempo, ainda há uma prevalência
significativa de gestações não planejadas. O uso de métodos anticoncepcionais,
embora em crescimento, não foi suficiente para reduzir de forma acentuada a
incidência de abortos, especialmente entre mulheres mais vulneráveis, como as
mais jovens, com menor escolaridade, negras, indígenas e aquelas que residem em
regiões mais empobrecidas e rurais.
● Entre aquelas que já haviam feito aborto, mais de ⅕ (21%) tiveram dois ou mais
abortos (67% tiveram o último aborto entre 20 e 39 anos; 74% entre mulheres
negras). Esses dados revelam um subgrupo de mulheres que enfrentam maior
vulnerabilidade em suas vidas reprodutivas e estão provavelmente expostas a
resultados negativos de saúde mais graves.
● Estudos demonstraram que oferecer aconselhamento pós-aborto e aumentar o
acesso e a disponibilidade de métodos contraceptivos são os mecanismos mais
eficientes para prevenir abortos repetidos e inseguros.
● Uma possível explicação para a menor taxa de abortos médicos pode ser uma maior
taxa de atendimento em clínicas para realização de abortos, especialmente entre
mulheres de classes média e alta; no entanto, isso é difícil de afirmar, dado a
criminalização do aborto no Brasil.
● O fato de cerca de 52% das mulheres terem feito o primeiro aborto quando ainda
eram adolescentes demonstra como a população jovem é especialmente vulnerável
aos efeitos da criminalização nas necessidades de aborto. Assim, o achado
demonstra a necessidade crítica de uma política integrada de justiça reprodutiva no
Brasil, que vá desde a educação sexual abrangente até a descriminalização do
aborto.
● Nos últimos onze anos (2010-2021), as evidências mostram que o aborto continua a
ser um evento comum na vida das mulheres e um problema de saúde pública em
larga escala no Brasil.
● Os Direitos Humanos contemplam os direitos sexuais e reprodutivos, portanto,
criminalizar aborto é ferir os direitos humanos.
● Existem princípios jurídicos que afirmam que o estado não deve criminalizar uma
conduta com a finalidade impor princípios morais (que é o caso do aborto no BR)
Texto “ A verdade do estupro”:
● A legislação, embora reconheça essas exceções, apresenta lacunas em relação à
comprovação das alegações de estupro ou risco à saúde, o que gerou uma
necessidade de investigação adicional.
● Em 1999, o Ministério da Saúde regulamentou o aborto legal, permitindo que o
testemunho da mulher fosse suficiente, sem a necessidade de investigação policial.
● Apesar dessa regulamentação, muitos profissionais de saúde ainda questionam a
veracidade das alegações de estupro, o que reflete uma controvérsia moral
persistente sobre a legitimidade do aborto legal. Além disso, a “verdade do estupro”
é construída pelos profissionais de saúde, que validam a narrativa da mulher por
meio de exames e questionamentos (realizar exames ginecológicos é como se fosse
uma investigação policial).
● Em algumas cidades brasileiras, observa-se uma desconfiança generalizada,
enquanto em outras a voz da mulher é considerada fundamental.
● As equipes de saúde, ao atenderem mulheres vítimas de estupro, enfrentam uma
ambiguidade moral e jurídica: enquanto o aborto é crime, ele é permitido como
exceção, gerando um regime de suspeição sobre a narrativa da mulher.
● Por conseguinte, o inquérito, que investiga a veracidade do estupro, e como ele se
estende dos tribunais aos serviços de saúde, onde o "nexo causal" entre estupro e
gestação é central para determinar a legalidade do aborto. As práticas periciais
incluem a repetição de depoimentos e exames ( exatamenteo que as equipes
médicas costumam fazer), o que gera uma tensão entre garantir os direitos das
mulheres e as pressões morais e legais que envolvem a prática do aborto.
● Em resumo, o aborto legal no Brasil é envolto em uma economia moral complexa,
onde o direito das mulheres à autonomia reprodutiva é muitas vezes secundário à
construção moral de que elas devem ser vistas como vítimas, o que continua a
impactar o acesso ao aborto legal no país.
● Assim, o sistema de saúde e os profissionais têm a responsabilidade de oferecer
assistência legal, segura e respeitosa, sem imposições externas, para garantir a
saúde e os direitos das mulheres em situações de abortamento.
Questões ético-profissionais:
● O médico não pode revelar segredo profissional sobre menores de idade, salvo
quando a omissão puder acarretar danos ao paciente. Isso se aplica mesmo quando
o menor tenha capacidade de avaliar seu problema e agir para solucioná-lo,
respeitando a opinião e vontade da criança ou adolescente.
● O Código de Ética Médica garante ao médico o direito à objeção de consciência, ou
seja, o direito de se recusar a realizar um procedimento médico que vá contra suas
convicções, desde que não haja risco imediato para a vida do paciente. No entanto,
a objeção de consciência não se aplica em situações urgentes, como abortamento
quando há risco de vida para a mulher ou quando o abortamento é legalmente
permitido.
● O médico não pode se recusar a prestar cuidados a uma mulher em necessidade de
abortamento, especialmente em casos onde a omissão possa acarretar danos
irreversíveis à saúde da mulher. Se houver recusa, o médico pode ser
responsabilizado civil e criminalmente.
● Quando o médico opta pela objeção de consciência, ele deve garantir que outro
profissional disponível preste o atendimento adequado, assegurando que a mulher
tenha acesso ao aborto legalmente permitido, sem demora.
Princípios da Bioética no Abortamento:
1. Autonomia: A mulher tem o direito de decidir sobre seu corpo e sua vida, inclusive no que
diz respeito à interrupção da gravidez.
2. Beneficência: Os profissionais de saúde têm a obrigação ética de maximizar os
benefícios (de acordo com as técnicas e conhecimentos disponíveis) durante o
atendimento.
3. Não maleficência: A ação médica deve ser orientada a causar o menor prejuízo à mulher,
evitando danos físicos, psicológicos ou emocionais.
4. Justiça: O atendimento deve ser imparcial, sem discriminação ou preconceito com base
em aspectos sociais, culturais ou religiosos.
A atenção humanizada ao abortamento deve garantir que a mulher tenha seu direito de
decisão respeitado, afastando-se de julgamentos morais ou preconceituosos. A principal
preocupação deve ser a sobrevivência e bem-estar da mulher, com um tratamento digno e
sem constrangimentos, respeitando sua autonomia e direitos.

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