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Marcela Bastos, 71C Síndrome Coronariana Aguda Injúria Miocárdica: ❖ Lesão miocárdica com elevação de marcadores de necrose miocárdica. ❖ SEM evidência de isquemia. ❖ Causas: IC descompensada, miocardite, cardioversão/desfibrilação, sepse, DRC, TEP, AVE, doentes críticos. Infarto Agudo do Miocárdio: ❖ Elevação dos marcadores de necrose miocárdica (MNM) COM evidência de isquemia. • Dor isquêmica, ECG isquêmico, onda Q patológica, alteração segmentar nova em imagem, redução nova na FEVE, identificação de trombo na angiografia. IAM tipo 1: ❖ Causado por um processo de aterotrombose. ❖ A placa de ateroma se rompe e no local, há uma exposição dos ácidos graxos da placa, que causam agregação plaquetária e formação do trombo. • Oclusão parcial: IAM SSST • Oclusão total: IAM CSST. IAM tipo 2 (MINOCA): ❖ Não há formação de trombo, mas a coronária é doente. Pode ter uma placa de ateroma, mas ela não obstrui o vaso de forma a causar um infarto. ❖ Aterosclerose (sem trombo) + desbalanço oferta x consumo de O2. Ex: hemorragia digestiva maciça em paciente com doença aterosclerótica coronariana (ex: obstrução de 10% da luz do vaso, que não é suficiente para causar infarto) > porém, mesmo assim, o paciente evolui com infarto, sem oclusão arterial. ❖ Elevação do segmento ST em 3 a 24% dos casos. ❖ Pode ocorrer no vasoespasmo. ❖ O cateterismo não possui alterações, não precisa colocar Stent. ❖ Também chamado de MINOCA (TEM UMA QUESTÃO DE PROVA QUE TEMOS QUE DIFERENCIAR SE É INFARTO TIPO 1 OU TIPO 2). Marcela Bastos, 71C Infarto Silencioso Prévio: ❖ Sem sintomas ou não diagnosticado na época do evento. ❖ Encontramos uma onda Q patológica no eletro ou imagem com perda de miocárdio de padrão isquêmico, mas o paciente não se lembra de ter tido infarto. Ex: alteração segmentar. ❖ Não tratamos como síndrome coronariana aguda, mas devemos tratar como doença arterial coronariana e fazer prevenção secundária. Marcadores de Injúria Miocárdica: ❖ Macromoléculas liberadas pela injúria aos cardiomiócitos. CKTotal: ❖ Sensível para lesões musculares em geral, mas altamente inespecífica. ❖ Não recomendada na prática. ❖ Elevação de 4 a 6h. Pico em 24h. Normaliza de 36 a 48h. CK-MB: ❖ É sensível após 12h (93%), mas pouco sensível em menos de 6h. ❖ Elevação em 3 a 6 horas. Pico de 16 a 24h. Normaliza em 48 a 72h. Troponina: ❖ A troponina é mais específica e mais sensível. ❖ Atualmente é o método de escolha para infarto. ❖ Podem ser usadas para reinfarto. ❖ Elevação em 4 a 8 horas. ❖ Pico em 36-72h e normalização em 5 a 14 dias. ❖ Aumento de 20% no valor prévio da troponina é diagnóstico de reinfarto. Mioglobina: ❖ É pouco disponível e pouco usada. ❖ Elevação em 1 a 2h. Pico de 6 a 9h. Normaliza entre 12 a 24h. ❖ Alto valor preditivo negativo, se dosada em menos de 6h. Princípios Práticos: ❖ Troponina T ou I: maior acurácia. ❖ CKMB se troponina não disponível. ❖ Troponina ultrassensível: protocolo de exclusão rápida com 1h e/ou 3h. ESCOLHA ATUAL. Quadro Clínico: ❖ Dor torácica > é a grande manifestação isquêmica. Qualquer dor da mandíbula ao epigástrio. Marcela Bastos, 71C Anamnese da Dor Anginosa: ❖ Início gradual com piora, desencadeada com exercício ou estresse. Pode aparecer no repouso. ❖ Mal localizada, retroesternal/precordial. Sinal de Levine (paciente leva a mão ao coração). ❖ Duração maior que 10-20 minutos. ❖ Irradiação: umbigo a mandíbula. ❖ Dor em aperto ou peso. ❖ Alivia com o repouso ou nitrato. Pioro com o esforço ou estresse. ❖ Sintomas associados: sudorese, náuseas/vômitos, dispneia, sincope, pré-síncope. ❖ Fatores de risco: homem, idade maior que 45/55 anos, HF+, DM. ❖ O diagnóstico é CLÍNICO! Dor tipo A: ❖ Dor típica, definitivamente anginosa. ❖ Tem as 3 características: aperto/pressão, estresse, alivia com nitrato ou repouso. ❖ Fazer ECG e marcadores de necrose miocárdica + tratar como SCA. Dor tipo B: ❖ Atípica. ❖ Provavelmente anginosa. ❖ 2 características. ❖ Fazer ECG e marcadores de necrose miocárdica + tratar como SCA. Marcela Bastos, 71C Dor tipo C: ❖ Provavelmente não anginosa. ❖ 1 característica. ❖ Excluir SCA: fazer o HEART score. Dor tipo D: ❖ Definitivamente não anginosa. ❖ Nenhuma característica. ❖ Ex: fincada, dor ventilatório-dependente, reprodutível à palpação. ❖ Excluir SCA: fazer o HEART score. ➢ Sempre excluir as 6 grandes catástrofes: ruptura esofágica, SCA, síndrome aórtica aguda, TEP, pneumotórax e tamponamento cardíaco. HEART Score: dor tipo C ou tipo D. ❖ Muito utilizado para dores duvidosas. ❖ Se vem normal, podemos excluir SCA como diagnostico do paciente. Dor Torácica + ECG sem supra ST: ❖ 1ª troponina negativa: se a dor é precoce ( angina instável. Se troponina positiva > IAM SSST. Eletrocardiograma em SCA SSST: ❖ Pode ser normal em 50%. ❖ Depressão do segmento ST > ou igual a 0,5mm. ❖ Inversão da onda T > 2mm em duas derivações contíguas. ❖ Alterações dinâmicas do segmento ST. ❖ Se inespecífico: SERIAR!. ❖ Aumento da sensibilidade em 95%. Marcela Bastos, 71C ❖ ELETRO: DEVEMOS OLHAR SE TEM SUPRA DE ST OU BRE NOVO, PORQUE ISSO MUDA A CONDUTA. Se não tiver, temos tempo para seguir a investigação. Eletrocardiograma em SCA CSST: ❖ Elevação de ST > ou igual a 1mm em pelo menos 2 derivações contíguas (da mesma parede). ❖ BRE novo ou supostamente novo. ❖ Cuidado com V2 e V3! Dependendo do sexo e da idade, devemos ter elevações um pouco maiores para considerar supra. Marcela Bastos, 71C BRE supostamente novo: ❖ BRE também é considerado oclusão total da artéria, desde que seja um BRE novo. ❖ Devemos comparar com eletro antigo ou então podemos usar critérios (Sgarbossa) para avaliar a morfologia do QRS e ver se é um BRE novo. ❖ Esse critério avalia se é supra concordante ou discordante (ser concordante significa que está na mesma polaridade do QRS – para cima ou para baixo). ❖ Tem uma boa especificidade, mas não é muito sensível. ❖ Critérios novos: critério de Barcelona é mais sensível e especifico para avaliar se o BRE é novo. Mas ainda precisa ser validado no Brasil. Marcela Bastos, 71C ❖ Imagem acima: infarto anterior extenso > supra de ST em V1 a V6 + aVL. ECG: Parede Anterior do VE: V1 a V6. • Derivação precordial. • DA acometida. Parede Lateral do VE: DI e aVL. • Artéria circunflexa acometida. • Se DI e aVL também estiverem acometidos junto com V1 a V6 > considerar como DA acometida, infarto extenso de parede anterior. Parede Inferior/Posterior do VE: DII, DIII e aVF. • Artéria coronária direita acometida. Ventrículo Direito: ❖ Acometimento de V3r e V4r. Marcela Bastos, 71C ❖ Coronária direita nutre ventrículo direito e parede posterior/inferior do ventrículo esquerdo. ❖ Toda vez que tiver supra de DII, DIII e aVF, devemos procurar infarto da parede posterior do VE. ❖ Infarto de VD tem implicação clínica detratamento > causa hipotensão, com pulmões limpos e turgência jugular. Não podemos usar medicações que reduzam ainda mais o retorno venoso, pois o VD já está comprometido, logo o retorno venoso já está reduzido. Ex: Nitrato e Morfina. Outros Padrões de Risco: ❖ Não quebrar cabeça com isso, não precisa gravar. Também indicam oclusão total. ➢ DIANTE DE UMA DOR TÍPICA, É DIAGNOSTICO DE SCA E JÁ COMEÇAMOS A TRATAR, INDEPENDENTE DE ELETRO E MNM. 4As: 4 pilares > reduzem mortalidade e devem ser iniciados para todos os pacientes imediatamente. FAZER PARA TODOS com dor tipo A ou B. ❖ AAS. ❖ Antagonista ADP. ❖ Anticoagulação. ❖ Angiografia. ❖ Adjuvantes COM redução de mortalidade: não devem ser usados para todos. Devem ser iniciadas mas não para todos os pacientes: beta-bloqueador, estatina de alta potência, IECA/BRA, espironolactona. ❖ Não reduzem mortalidade: nitrato. ❖ Aumentam mortalidade: morfina. ❖ O2 apenas se saturação inibição de função plaquetária (agregação). ❖ Ataque: 300mg VO (mastigar e engolir) / Manutenção: 100mg. ❖ Contraindicações: anafilaxia, úlcera péptica ativa, HDA ulcerosa. 2°A: ANTAGONISTA DE ADP ❖ Considerar início imediato. Prasugrel: 1ª escolha. ❖ Primeira escolha, mas precisa de anatomia conhecida, ou seja, apenas após o cateterismo, para ter certeza que o paciente não vai precisar operar, pois ele fica no corpo por 7 dias, logo aumentaria o risco de sangramento caso seja necessária uma cirurgia. ❖ Contraindicação: se história de AIT ou AVE. ❖ Ataque: 60mg. Manutenção: 10mg/dia. Se > 75 anos ou peso 75 anos: sem dose de ataque. Marcela Bastos, 71C SCA SSST: ❖ Se ICP (angioplastia primária) em menos de 24h: • Prasugrel. • Ticagrelor. • Clopidogrel. • Iniciar na hemodinâmica. ❖ Se ICP em mais de 24h (ou tratamento clínico): • Ticagrelor. • Clopidogrel. • Iniciar na sala de emergência. SCA CSST: ❖ ICP Primária: • Prasugrel. • Ticagrelor. • Clopidogrel. • Iniciar na hemodinâmica. ❖ Trombólise: • Clopidogrel. • Iniciar na sala de emergência. 3ª A: ANTICOAGULAÇÃO Marcela Bastos, 71C ❖ Início imediato. ❖ Reduz mortalidade. ❖ Manutenção: 8 dias OU até angioplastia. SCA SSST: ❖ ICP (angioplastia primária) 24h, alto risco de sangrar ou tratamento clínico: 1) Fondaparinux (24h de meia-vida). 2) Enoxaparina SC. 3) HNF. SCA CSST: ❖ ICP primária: 1) HNF. ❖ Trombólise: 1) Enoxaparina EV. 2) HNF. ❖ Enoxaparina > feita subcutânea e tem correção de dose para pacientes com problemas renais. 4°A: ANGIOGRAFIA (CATETERISMO) ❖ É feito pela punção da artéria radial ou femoral, passa um fio até chegar na coronária, infunde um contraste e faz uma imagem pelo tomógrafo. É possível ver um ponto de falha de enchimento pelo contraste. ❖ Terapia: angioplastia com balão ou colocação do Stent. ❖ Devemos manter o paciente com dupla antiagregação pós-stent para reduzir o risco trombótico. Marcela Bastos, 71C MONABICHE: ❖ Mnemônico em desuso. ❖ Devemos considerar o início em 24 horas, mas não podemos fazer em pacientes com risco preditor de choque cardiogênico. ❖ Pode ser iniciado em até 24 horas e podemos usar qualquer um, não tem superioridade de um para o outro. Cuidados com Preditores de Choque Cardiogênico: ❖ Idade > 70 anos. ❖ FC> 110 ou devem ir para o CATE imediatamente em até 2h. ❖ Se alto risco: CATE em até 24h. ❖ Todos os outros: angina instável com GRACE de baixo risco > CATE eletivo em 72h ou até fora da internação. Marcela Bastos, 71C Terapia de Reperfusão: O PRÓXIMO SLIDE É O MAIS IMPORTANTE!!! SCA CSST devo saber se tem menos de 12 horas do início da dor ou mais de 12 horas. ❖ Se menor que 12h, devemos correr para o CATE ou trombólise para salvar o miocárdio. ❖ Se o serviço tiver hemodinâmica (CATE), ela é preferível do que o trombolítico. ❖ se trombolisar e não der certo, podemos fazer CATE de resgate em até 1 hora e 30min. • Mesmo que o paciente melhore com o trombolítico, ele deve ir para o CATE em até 24h, porque é o CATE que resolve o problema. SCA CSST > 12H DE DOR: ❖ Não se beneficia de ir pro CATE ou trombólise, pois já morreu o que tinha que morrer. ❖ Mas, se passaram as 12 horas e o paciente persiste com sintoma isquêmicos? • Se sim: pode ser que o miocárdio esteja viável, por isso temos um possível benefício de reperfusão. • ICP sempre preferível. • Fibrinolíticos: controverso e arriscado. o 50% SST. ❖ Pico precoce CK-MB (12-18h) ou MNM. ❖ Arritmias de reperfusão (RIVA). ❖ Confirmação por angiografia. Cuidados a LongoPrazo: ❖ Cessar tabagismo, dieta adequada, exercícios, perder peso. ❖ Dupla antiagregação: o tempo varia com a estratégia de reperfusão (Stent convencional: 30 dias - farmacológico: 1 ano). ❖ AAS + estatina potente para sempre. ❖ Vacinação para influenza anual, porque IAM aumenta o risco de morte por gripe a longo prazo. ❖ Metas: PA