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Marcela Bastos, 71C FA e Flutter Fibrilação Atrial: ❖ O impulso cardíaco nasce no nó atrial, segue para o nó AV, que faz uma lentificação do impulso (intervalo PR), até que segue para os feixes de purkinje e despolariza os ventrículos. ❖ Na fibrilação atrial, o nó sinusal para de controlar o batimento cardíaco e nascem múltiplos focos ectópicos de reentrada. ❖ O ritmo cardíaco fica completamente desregulado. Quando o estímulo ectópico está próximo do nó AV, o RR fica curto. Quando está longe, o RR fica longo = ritmo irregular, intervalo RR hora curto e hora longo. ❖ O nó AV normalmente filtra os estímulos, deixando passar cerca de 90 a 170 estímulos. ❖ Perda de despolarização e contração atrial organizada: ausência de onda P. ❖ Estase + trombo em aurícula. ❖ Perda da sístole atrial gera hipotensão e queda no débito cardíaco. ❖ Intervalo RR irregular. Flutter: ❖ Não existem múltiplos focos ectópicos, temos apenas um foco ectópico que gera a despolarização. ❖ A despolarização ventricular se manifesta de forma regular, porque é apenas um foco ectópico que está gerando o estímulo. ❖ Perda de despolarização e contração atrial organizada: ausência de onda P. ❖ O manejo e as consequência da FA e do flutter são as mesmas. Marcela Bastos, 71C Etiologia: qualquer sobrecarga atrial. ❖ Principais causas: estenose mitral reumática e disfunção de VE > sobrecarga atrial. Átrios aumentados aumentam o automatismo das células miocárdicas > gera focos de reentrada. ❖ Miocardite, peritonite. ❖ Disturbio hidroeletrolítico. ❖ Hipertireoidismo: o hormônio tireoideano aumenta o automatismo das células miocárdicas. ❖ Libação alcoolica. ❖ Anfetaminas e cocaína. ❖ Pós-operatório cardíaco. ❖ SAHOS: gera sobrecarga do átrio direito, que também pode gerar focos ectópicos. Fatores de Risco: ❖ Qualquer fator de risco que gere disfunção cardíaca, com disfunção do átrio. ❖ Obesidade, tabagismo, consumo de álcool, HAS, diabetes, valvopatias, doença arterial coronária etc. Manifestações Clínicas: ❖ Incomuns. ❖ A maioria e assintomática e descobre em exames de rotina. Marcela Bastos, 71C ❖ Sintomas: palpitações, dispneia, fadiga. ❖ Instabilidade: dor anginosa, edema agudo de pulmão, choque, rebaixamento. ❖ Pacientes com FC muito alta pela arritmia > sintomas de baixo débito e de congestão > instabilidade: dor anginosa, edema agudo de pulmão, choque, rebaixamento. ❖ Complicações: as principais são as embólicas. Maior mortalidade, AVE e embolia sistêmica, IC, declínio cognitivo, depressão, redução da qualidade de vida, hospitalizações. Semiologia: ❖ B1 variável. ❖ Ritmo irregular > contar FC auscultando o precórdio (dissociação pulso-precórdio). ❖ Perda da contração atrial > perda do reforço pré-sistólico do sopro de estenose mitral. Em pacientes com o coração normal, isso pode ser irrelevante, mas em pacientes com FEJE de 20%, isso pode ser um grande problema. ❖ Ausência de B4 (contração atrial). ❖ Perda da onda A venosa. Consequências: ❖ Taquicardiomiopatia. ❖ Piora hemodinâmica. ❖ Tromboembolismo a partir da aurícula (isquemia de membros, mesentérico, AVE, esplênico, renal). Diagnóstico: ❖ Eletrocardiográfico: fazer um ECG com duração de 30 segundos. Critérios para FA: ❖ Ausência de onda P. ❖ Intervalo RR irregular. ❖ QRS estreito. ❖ Pode ter QRS largo (ex: paciente já tinha BRE antes). FA aberrante. Critérios para Flutter: ❖ Um mesmo foco ectópico causa ondas F > intervalo RR é regular. ❖ Frequência atrial > 250bpm. ❖ FC critérios usados no CHADSVASC. ❖ Outros fatores: tabagismo, amiloidose etc. CHADSVASC: avalia o risco de o paciente embolizar em 1 ano > O PROF FALOU QUE ISSO É IMPORTANTE. ❖ Pacientes com 2 ou mais pontos tem maior risco de embolizar. ❖ Para oferecermos anticoagulação, devemos avaliar o HAS BLEED. Marcela Bastos, 71C HAS BLEED: ❖ HAS, DRC, doença hepática, AVE hemorrágico prévio, história de sangramento ou predisposição prévia, RNI lábil, idosos > 65 anos, uso excessivo de álcool e drogas. ❖ O HAS BLEED não é proibitivo. Quando ele tem um HAS BLEED alto, temos que pesar risco x benefício e discutir a conduta com o paciente. ❖ CHADSVASC limítrofe: considerar anticoagulação. ❖ CHADSVASC alto: anticoagular. Quase sempre optamos pelos novos anticoagulantes orais diretos (NOACs: Dabigatran, Rivaroxabana, Apixabana, Edoxabana). ❖ Só optamos pela Varfarina (Marevan) se prótese metálica ou estenose mitral moderada/grave. Nesses casos, sempre vamos anticoagular, independente do HASBLEED. Marcela Bastos, 71C ❖ Vantagens dos NOACs: não exigem controle de RNI e possuem menor risco de sangramento. ❖ Varfarina tem antidoto no BR: vitamina K. ❖ Para os NOACs, o antídoto não é liberado no Brasil. ❖ A Varfarina demora um pouco para fazer efeito, mas nesses pacientes, não precisamos fazer ponte com heparina, já que o risco embólico é ao longo do ano, então temos tempo para a Varfarina começar a fazer efeito. Varfarina na Pratica: ❖ Ajuste semanal da dose. O ajuste na primeira semana é feito com a tabela da esquerda (ajuste de dose diária). ❖ Depois, de 1 semana, seguimos com a tabela da direita, no ajuste de dose semanal. Marcela Bastos, 71C Para a Prática: ❖ Para FA valvar/prótese metálica: Varfarina é o ÚNICO POSSÍVEL. Para FA não valvar/prótese: ❖ TODOS os NOAC foram não inferiores (ou superiores) ao Varfarin. ❖ Todos NOAC reduziram AVEh. ❖ ÚNICO SUPERIOR à Varfarina em AVEi: Dabigatran. ❖ ÚNICO SUPERIOR à Varfarina e embolia sistêmica: Rivaroxabana. ❖ ÚNICO INFERIOR à Varfarina em AVEi: Endoxabana 30mg. ❖ MAIOR REDUÇÃO DE SANGRAMENTOS MAIORES: Apixabana. Endoxabana também reduz, mas 10% menos. EXEMPLOS: ❖ Paciente mulher 77 anos, hipertensa, diabética, dislipidêmica, com FA permanente, AVC há 1 ano, história de anemia, apresenta alto risco trombótico e alto risco de sangramento. ❖ CHADSVASC = 7. HAS-BLEED = 2. ❖ Escolhemos Apixabana porque foi o que teve menor risco de sangramento. ❖ Paciente homem 65 anos, hipertenso, FA e átrio esquerdo aumentado com trombo no apêndice atrial esquerdo, apresenta um alto risco de AVC e um baixo risco hemorrágico. ❖ CHADSVASC = 2 e HAS-BLEED = 0. ❖ Escolhemos a Dabigatrana, porque é a que mais reduziu AVE. Marcela Bastos, 71C ❖ Paciente homem de 70 anos, hipertenso, DM, dislipidêmico, FA, polifarmácia e com uso irregular das medicações. ❖ CHADSVASC = 2 e HAS-BLEED = 2. ❖ Escolhemos uma medicação que é dose única diária, para garantir a adesão do paciente > Endoxabana e Rivaroxabana. E para Alto Risco de Sangramento, Impeditivo ao Uso de Anticoagulantes: ❖ PROTECT-AF e PREVAIL: não inferior ao Varfarin. ❖ Complicações: 4% em 30 dias. ❖ Trombose de dispositivo não desprezível. ❖ AAS contínuo+ clopidogral/varfarin transitórios. B - Controle FC x Controle de Ritmo: Marcela Bastos, 71C Controle de Sintomas: controle da frequência ou controle do ritmo. ❖ 1ª opção de controle dos sintomas: controlar a frequência cardíaca (ela que causa os sintomas). ❖ 1ª linha do controle de FC: é feita com betabloqueador (qualquer um, não há preferência de um sobre o outro). • Alvo: 100-110bpm), mas SEM INSTABILIDADE = FA de alta resposta ventricular. • Ex: paciente que tem FA e teve hemorragia digestiva > fica hipovolêmico e aumenta a FC para tentar controlar, mas ele tem FA, então aumenta muito a FA. ❖ Reduzir FC rapidamente com medicação EV. Nesses casos, não podemos atuar com medicamentos orais, temos que fazer venoso. a) Sem IC descompensada: usar Metoprolol EV ou Verapamil EV (controle de FC). b) Com IC descompensada: usar BCC = Diltiazem EV ou Deslanosídeo EV (controle de FC). c) Instabilidade não causada pela FA (ex: choque séptico que gerou uma alta resposta compensatória). Nessa situação, não podemos usar um medicamento que bloqueia o nó AV para controle de FC (betabloqueadores), porque eles causariam hipotensão em um paciente que já está hipotenso, logo a opção é sempre pelo controle de ritmo: Amiodarona ataque + manutenção EV). Controle de Ritmo: ❖ Nos PACIENTES INSTÁVEIS: não nos importamos por possíveis trombos na aurícula, pois o paciente está instável, então ele pode morrer da instabilidade. Precisamos fazer o controle de ritmo. Logo, não nos preocupamos com a possibilidade de trombos e fazemos a cardioversão elétrica. ❖ Indicação: Marcela Bastos, 71C • Melhora de sintomas/qualidade de vida. • Refratariedade ao controle de FC. • Instabilidade = cardioversão elétrica. CONROLE DE RITMO EM PACIENTE ESTÁVEL: ❖ Precisamos garantir primeiro que o paciente não tem trombo na aurícula. ❖ Pacientes com mais de 48h da duração da FA, provavelmente já tem um coágulo. Então temos que fazer um ecocardiograma transesofágico para avaliar. • ECOTE sem trombo > cardioversão. Se CHADSVASC alto > anticoagulação contínua. • ECOTE com trombo > anticoagulação por 4 semanas. • Sem ECOTE disponível: anticoagulação por 4 semanas. ESTRATÉGIAS DE CARDIOVERSÃO EM PACIENTES ESTÁVEIS: ❖ Cardioversão elétrica sincronizada (CVE). ❖ Cardioversão química EV: Amiodarona EV ataque e manutenção. ❖ Ablação de focos ectópicos > preferimos nos pacientes jovens, pois os outros possem riscos maiores. ❖ 1ª escolha para controle de ritmo a longo prazo: cardioversão química VO: Amiodarona 200mg VO TID por 4 semanas, seguido de 200mg MID. ❖ Sempre escolhemos a elétrica nos casos de instabilidade. Marcela Bastos, 71C C - Controle dos Fatores de Risco Cardiovasculares: ❖ Controle de HAS, obesidade, álcool, dislipidemia, tabagismo, obesidade, diabetes e sedentarismo. Manejo FA/Flutter Instável: ❖ Anticoagular por 4 semanas depois da cardioversão. ❖ Instabilidade: FC tao alta, que não dá tempo do coração encher, logo ele não ejeta (reduz o débito cardíaco). Instabilidade = sinal de baixo débito: hipotensão, alteração mental, choque, dor torácica, sinais de IC aguda). CVE Sincronizada: Marcela Bastos, 71C ❖ Monitorar o paciente. ❖ Conectar o paciente no monitor do desfibrilador. ❖ A CVE para arritmias instáveis é uma CVE sincronizada = o desfibrilador entrega o choque exatamente em cima do QRS. Isso é necessário para ter garantia de que todas as células estão despolarizáveis. ❖ O choque deve ser dado exatamente em cima do QRS, para evitar o fenômeno de R sobre T > se isso ocorrer, pode evoluir para fibrilação ventricular. ❖ LEMBRAR SEMPRE DE APERTAR O BOTAO DE SINCRONIZAR. PASSOS PARA A CVE: ❖ MOV ❖ Material de IOT e atendimento a PCR. ❖ Retirar próteses e colares (se houver tempo). ❖ Analgosedação (se houver tempo). ❖ Fentanil e Etomidato em 1/3 da dose para IOT. Técnica: ❖ Desconectar o O2 se o paciente estiver em uso. ❖ ❖ Selecionar carga (FA=200J) + SYNC. ❖ Gel em toda a superfície das pás. ❖ Posicionamento das pás. ❖ Colocar sobre as pás o peso do tronco. Marcela Bastos, 71C ❖ Carregar e deflagrar o choque (pedir para afastar). ❖ Pode demorar para deflagrar o choque (o aparelho leva segundos para detectar o melhor QRS). ❖ Após a CVE, manter as pás sobre o tórax! Se complicar com fibrilação ventricular > desfibrilação imediata. Bradiarritmias e Marca-Passo ❖ Todo ritmo que gera FC 65ª). ❖ IAM parede inferior: vagotomia ou comprometimento NAV. ❖ IAM de parede anterior: comprometimento septal. ❖ Doenças endocárdio/miocárdio: endocardite infecciosa, Chagas, colagenoses, amiloidose, sarcoidose, hemocromatose. Clínica: ❖ Síndromes de baixo débito ou congestivas (paciente bate devagar, sobra sangue pra trás, fica congesto). ❖ Síncope/pré-sincope liga-desliga (o paciente desmaia do nada) > chamado de Stoke-Adams. ❖ Fadiga, tonteira/vertigem, visão turva. ❖ Sinais de IC. ❖ Morte súbita. Paciente Estável: ❖ Monitorar e avaliar. Paciente Instável: ❖ 1ª escolha: Atropina > começar com atropina 1mg e pode repetir no máximo 3x a cada 3-5 minutos. ❖ Se atropina inefetiva: terapia de 2ª linha > marca-passo transcutâneo. ❖ Suspensão de bloqueadores do NAV por 48h para saber se é reversível ou não. Marcela Bastos, 71C ❖ Marca-passo provisório: transvenoso (punção de na jugular e colocação de um marca-passo até a ponta do VD). ❖ Avaliar necessidade de marca-passo definitivo. Indicações Classe I de MP definitivo: ❖ Doença do nó sinusal sintomática. ❖ BAV maior ou igual a 2ª grau: geralmente coloca marca-passo. ❖ Bloqueios bi ou trifasciculares crônicos: bloqueio ramo alternante, BAVT/Mobitz II intermitente associado. ❖ Pós-IAM + BAVT, Mobitz II, trifascicular persistentes. ❖ Síncope por hipersensibilidade do seio carotídeo sintomática. QUESTÕES: tinham algumas questões na aula, mas o prof não enviou as questões no slide que ele disponibilizou para a turma. ❖ Na FA existe nítida variação na amplitude de pulso: batimentos mais pertos um do outro causam amplitude de pulso menor, porque o paciente teve menor tempo para encher o coração. ❖ SE TEM FA, NÃO PODE TER B4. ❖ Digoxina não pode em situações que exigem medicação venosa, porque a Digoxina é de uso oral.