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Car����og�� Blo�� I BÔNU�-Fis���o��� Car�íac�- Rev����do P2 –Introdução O coração é composto por três tipos principais de músculos: o músculo atrial, o músculo ventricular e as fibras especializadas excitatórias e condutoras. Os tipos atrial e ventricular de músculo contraem-se quase como os músculos esqueléticos, mas com duração muito maior da contração. As fibras excitatórias e de condução do coração, no entanto, só se contraem fracamente por conterem poucas fibras contráteis, mas apresentam descargas elétricas rítmicas automáticas, na forma de potenciais de ação, ou fazem a condução desses potenciais de ação pelo coração, representando sistema excitatório que controla os batimentos rítmicos. →Por qu� o po���c�a� de ação mi��ár�i� é tão lo��� e ap����n�a p�a�ô, en����to o do mús�u�� es����éti�� não te�? Pelo menos, duas grandes diferenças nas características das membranas dos músculos cardíaco e esquelético explicam o potencial de ação prolongado e o platô encontrado no miocárdio. O primeiro, o potencial de ação do músculo esquelético é causado quase inteiramente pela súbita abertura de grande quantidade de canais rápidos de sódio, permitindo que um número imenso de íons sódio entre nas fibras do músculo esquelético vindo do líquido extracelular. Esses canais são denominados rápidos porque permanecem abertos apenas por alguns milésimos de segundo e então se fecham de modo abrupto. Ao final desse fechamento, ocorre a repolarização, e o potencial de ação termina em aproximadamente um milissegundo. No músculo cardíaco, o potencial de ação é originado pela abertura de canais de dois tipos: 1-os mesmos canais rápidos de sódio ativados por voltagem, tais nos músculos esqueléticos; e 2- os canais de cálcio do tipo L (canais lentos). Essa segunda população de canais difere dos canais de sódio rápido por serem mais lentos para se abrir, e mais importante, por continuarem abertos por vários décimos de segundo. Durante esse tempo, uma grande quantidade de íons cálcio e sódio penetra nas fibras miocárdicas por esses canais e essa atividade mantém o prolongado período de despolarização, causando o platô do potencial de ação. A segunda grande diferença funcional entre os dois tipos musculares em questão, que ajuda a explicar o potencial de ação prolongado e o platô, é a seguinte: imediatamente após o início do potencial de ação a permeabilidade da membrana celular miocárdica aos íons potássio diminui, aproximadamente, por 5 vezes, efeito que não ocorre nos músculos esqueléticos. A redução da permeabilidade ao potássio diminui a saída dos íons potássio com carga positiva durante o platô do potencial de ação e, assim, impede o retorno rápido do potencial de ação ao seu nível basal. Quando os canais de cálcio-sódio lentos se fecham e cessam o influxo cálcio e sódio, a permeabilidade da Maríli� Mir���� San���� 2 Car����og�� membrana aos íons potássio aumenta rapidamente, essa perda rápida de potássio provoca o retorno imediato do potencial de membrana da fibra em seu nível de repouso, encerrando, dessa forma o potencial de ação. →Período refratário do miocárdio É o intervalo de tempo durante o qual o impulso cardíaco normal não pode excitar a área já excitada do miocárdio. O músculo cardíaco começa a se contrair poucos milissegundos após o potencial de ação ter início e continua a se contrair por alguns milissegundos após o final desse potencial de ação. Assim, a duração de contração do miocárdio é principalmente função da duração do potencial ação, incluindo o platô. –O ci��� ca��íac� O conjunto de eventos cardíacos, que ocorre entre o início de um batimento e o início do próximo, é denominado ciclo cardíaco. Cada ciclo é iniciado pela geração espontânea de potencial de ação no nodo sinusal. Esse nodo situa-se na parede lateral superior do átrio direito, próximo à abertura da veia cava superior, e o potencial de ação se difunde desse ponto rapidamente por ambos os átrios e, depois, por meio do feixe A-V para os ventrículos. Em virtude dessa disposição especial do sistema de condução, há um retardo de mais de 0,1 segundo na passagem do impulso. Esse retardo permite que os átrios se contraiam antes dos ventrículos, bombeando, assim, sangue para o interior dos ventrículos antes do começo da forte contração ventricular. →Diástole e Sístole O ciclo cardíaco consiste no período de relaxamento, chamado diástole, durante o qual o coração se enche de sangue, seguido pelo período de contração, chamado sístole. A duração total do ciclo cardíaco, incluindo a sístole e a diástole, é a recíproca da frequência cardíaca. Por exemplo, se a frequência cardíaca é de 72 bpm, a duração do ciclo cardíaco é de 1/72 bpm (aproximadamente 0,0139 minuto por batimento). →O a�m���o da F� re��� a du��ção do ci��� Quando a frequência cardíaca aumenta, a duração de cada ciclo cardíaco diminui, incluindo as fases de contração e de relaxamento. A duração do potencial de ação e o período de contração (sístole) também diminuem, mas não por percentual tão alto quanto na fase de relaxamento (diástole). Isso significa que o coração, em frequência muito rápida, não permanece relaxado tempo suficiente para permitir o enchimento completo das câmaras cardíacas antes da próxima contração. →Os át�i�� fu����na� co�� p�é-bo���s pa�� os ve��rícu��� Normalmente, o sangue flui de forma contínua, vindo das grandes veias para os átrios; cerca de 80% do sangue fluem diretamente dos átrios para os ventrículos, mesmo antes da contração atrial. Então, essa contração representa os 20% adicionais para acabar de encher os ventrículos. Dessa forma, os átrios melhoram a eficácia do bombeamento ventricular por, no máximo, 20%. Entretanto, o coração pode continuar operando, na maioria das circunstâncias, mesmo sem esses 20% a mais de eficiência, pois ele normalmente tem capacidade de bombear de 300 a 400% a mais de sangue do que o necessário para o corpo, nas condições de repouso. Assim, quando os átrios param de funcionar a diferença dificilmente será notada, a menos que a pessoa se exercite; sinais agudos de insuficiência Maríli� Mir���� San���� 3 Car����og�� cardíaca podem, por vezes, aparecer principalmente por falta de ar. →Função do� ve��rícu��� co�� bo���s Durante a sístole ventricular, grande quantidade de sangue se acumula nos átrios direito e esquerdo, uma vez que as valvas A-V estão fechadas. Dessa maneira, assim que a sístole termina e as pressões ventriculares retornam aos baixos valores diastólicos, as pressões moderadamente altas que se desenvolvem nos átrios durante a sístole ventricular forçam de imediato as valvas A-V a se abrirem. É o chamado período de enchimento rápido ventricular. →Ejeção do sa���� do� ve��rícu��� du���t� a sís�o�� a-)Período de contração isovolumétrica Imediatamente após o início da contração ventricular, a pressão ventricular sobe, de modo abrupto, fazendo com que as valvas A-V se fechem. É necessário mais de 0,02 a 0,03 segundo para que o ventrículo gere pressão suficiente para empurrar e abrir as válvulas semilunares (aórtica e pulmonar) contra a pressão nas artérias aorta e pulmonar. Portanto, durante esse período os ventrículos estão se contraindo, mas não ocorre esvaziamento. É chamado período de contração isovolumétrica ou isométrica, significando que a tensão aumenta no músculo cardíaco, mas ocorre pouco ou nenhum encurtamento das fibras musculares. b-)Período de Ejeção Quando a pressão no interior do ventrículo esquerdo aumenta até pouco acima de 80 mmHg (e a pressão do ventrículo direito, pouco acima de 8 mmHg), a pressão ventricular força a abertura das valvas semilunares. Imediatamente, o sangue começa a ser lançado para diante, para as artérias. Em torno de 60% do sangue do ventrículo no final da diástole são ejetados durante a sístole; cerca de 70% dessa porção são ejetados durante o primeiro terço de ejeção, e os 30% restantes do esvaziamento ocorrem nos outros dois terços do período. Assim, o primeiro terço é chamado de período de ejeção rápida, e os demais dois terços, período deejeção lenta. c-)Período de relaxamento isovolumétrico Ao final da sístole, o relaxamento ventricular começa de modo repentino, fazendo com as pressões intraventriculares direita e esquerda diminuam rapidamente. As altas pressões nas artérias distendidas que acabaram de ser cheias com o sangue vindo dos ventrículos tornam a empurrar o sangue de volta para os ventrículos, causando o fechamento das valvas aórtica e pulmonar. Durante mais de 0,03 a 0,06 segundo, o músculo ventricular continua a relaxar, mesmo que o volume não se altere, originando o período de relaxamento isovolumétrico ou isométrico. →Volume Diastólico final, volume sistólico final e débito sistólico Durante a diástole, o enchimento normal dos ventrículos de cada um deles para 110 ou 120 mL. Esse volume é chamado de volume diastólico final. Então, à medida que os ventrículos se esvaziam durante a sístole, o volume diminui por aproximadamente 70 mL, o que é chamado de débito sistólico. A quantidade restante em cada ventrículo, de 40 a 50 mL, é chamada de volume sistólico final. A fração do volume final diastólico que é ejetada, é denominada a fração de ejeção (normalmente equivale a 0,6 ou 60%). –As va���s ca��íac�� ev���� o refl��� de sa���� du���t� a sís�o�� a-)Válvulas Atrioventriculares Maríli� Mir���� San���� 4 Car����og�� As valvas-AV (isto é, tricúspide e mitral) evitam o refluxo de sangue dos ventrículos para os átrios durante a sístole, e as valvas semilunares (isto é, as valvas aórtica e da artéria pulmonar) impedem o refluxo da aorta e das artérias pulmonares para o ventrículo durante a sístole. Essas valvas, abrem e fecham passivamente. Ou seja, elas se fecham quando o gradiente de pressão para diante leva o sangue à frente. Para se fecharem, as valvas A-V, finas e membranosas quase não requerem pressão retrógrada, enquanto as semilunares muito mais pesadas requerem fluxo retrógrado rápido por alguns milissegundos. →Função dos Músculos Papilares Os músculos papilares contraem-se ao mesmo tempo que as paredes dos ventrículos, mas ao contrário do que seria esperado, não ajudam as valvas a se fechar. Em vez disso, eles puxam as extremidades das valvas em direção aos ventrículos para evitar que as valvas sejam muito abauladas para trás, em direção aos átrios, durante a contração ventricular. Se uma corda tendínea se romper, ou um dos músculos papilares ficar paralisado, a valva se abaula muito para trás durante a sístole, às vezes tanto que permite grave refluxo, resultando em uma insuficiência cardíaca grave ou até mesmo letal. b-)Valvas Aórtica e da Artéria Pulmonar As valvas semilunares aórtica e pulmonar funcionam de modo diferente das valvas A-V. Primeiro, as altas pressões nas artérias, no final da sístole, fazem com que as valvas sejam impelidas de modo repentino, de volta à posição fechada, de modo muito diferente do fechamento mais suave das valvas A-V. Segundo, por terem aberturas menores, a velocidade de ejeção do sangue através das valvas aórtica e pulmonar é muito maior que pelas valvas A-V, bem maiores. Além disso, por causa da abertura e dos fluxos rápidos, as extremidades das valvas semilunares estão sujeitas a abrasões mecânicas muito maiores do que as valvas A-V. Finalmente, as valvas A-V são contidas pela corda tendínea, o que não ocorre com as semilunares. –Cur�� da Pre��ão Aór�i�� Quando o ventrículo esquerdo se contrai, a pressão ventricular aumenta rapidamente até que a valva aórtica se abra. Então, após sua abertura, a pressão no ventrículo se eleva bem mais lentamente, pois o sangue já flui de imediato do ventrículo para a aorta e de lá para as artérias sistêmicas de distribuição. A entrada de sangue nas artérias durante a sístole faz com que suas paredes sejam distendidas, e a pressão sobe aproximadamente 120 mmHg. Em seguida, ao final da sístole, quando o ventrículo esquerdo para de ejetar sangue e a valva aórtica se fecha, as paredes elásticas das artérias mantêm a pressão elevada nessas artérias mesmo durante a diástole. Após o fechamento da valva aórtica, a pressão na aorta cai vagarosamente durante a diástole, pois o sangue armazenado nas artérias Maríli� Mir���� San���� 5 Car����og�� distendidas fui de forma contínua para os vasos periféricos, até retornar às veias. Antes que o ventrículo se contraia de novo, a pressão aórtica, nas condições normais, cai para cerca de 80 mmHg (pressão diastólica), o que equivale a dos terços da pressão máxima de 120 mmHg (pressão sistólica), que é medida na aorta durante a contração ventricular. →Con����os de Pré-Car�� e Pós-Car�� Ao avaliar as propriedades contráteis do coração, é importante especificar o grau de tensão do músculo quando ele começa a se contrair, que é chamada de pré-carga, e especificar a carga contra a qual o músculo exerce sua força contrátil, chamada pós-carga. Para a contração cardíaca, a pré-carga é geralmente considerada como a pressão diastólica final quando o ventrículo está cheio. A pós-carga do ventrículo é a pressão na aorta à saída do ventrículo. A importância dos conceitos de pré-carga e pós-carga é atribuída principalmente ao fato de que, em muitas condições funcionais anormais do coração ou da circulação, a pressão durante o enchimento do ventrículo (pré-carga), a pressão arterial contra a qual o ventrículo deve exercer a contração (pós-carga), ou ambas, podem estar alteradas em relação ao normal, de forma significativa. Reg���ção do Bom����en�� Car�íac� Quando a pessoa se encontra em repouso, o coração bombeia apenas 4-6 litros de sangue por minuto. Durante o exercício intenso, pode ser necessário que esse coração bombeie de 4 a 7 vezes essa quantidade. Os meios básicos da regulação do volume bombeado são: 1. Regulação cardíaca intrínseca, em resposta às variações no aporte de volume sanguíneo em direção ao coração; 2. Controle da frequência cardíaca e da força de bombeamento pelo sistema nervoso autônomo. 1.Regulação Intrínseca do Bombeamento- O mecanismos de Frank-Starling A quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto, em geral, é determinada pelo volume de sangue que chega ao coração pelas veias, o chamado retorno venoso. Cada tecido periférico do corpo controla seu fluxo local de sangue, e todos os fluxos locais se combinam e retornam pelas veias para o átrio direito, compondo o retorno venoso. O coração, por sua vez, automaticamente bombeia esse sangue que chegou até ele para as artérias, para que volte a circular ao longo do circuito. Essa capacidade intrínseca do coração de se adaptar a volumes crescentes do afluxo sanguíneo é conhecida como Mecanismo Cardíaco de Frank-Starling. Esse mecanismo basicamente afirma que quanto mais o miocárdio for distendido durante o enchimento, maior será a força de contração e maior será a quantidade de sangue bombeada para a aorta. →O que explica esse mecanismo? Quando uma quantidade de sangue adicional chega aos ventrículos, o músculo cardíaco é mais distendido. Essa distensão, por sua vez, leva o músculo a se contrair com força aumentada, pois os filamentos de miosina e actina ficam dispostos em superposição para geração de força. Assim, o ventrículo em sua função de enchimento otimizado automaticamente bombeia mais sangue para as artérias. Essa capacidade do músculo distendido, de se contrair com maior produção de trabalho até seu comprimento ideal, é característica de todos os músculos estriados e não somente do cardíaco. Maríli� Mir���� San���� 6 Car����og�� 2.Controle do coração pela inervação simpática e parassimpática A eficácia do bombeamento cardíaco é também controlada pelos nervos simpáticos e parassimpáticos que inervam de forma abundante o coração. Para determinar níveis de pressão atrial, a quantidade de sangue bombeada a cada minuto (o débito cardíaco) com frequência pode ser aumentada por mais de 100% pelo estímulo simpático. E, por outro lado, o débito pode ser diminuído até zero, ou quase zero por estímulo vagal (parassimpático). a-)Nervos Simpáticos ● Podem aumentar a FC em até 180-200 bpm; ● Aumentam a forçade contração até o dobro da normal, aumentando, desse modo, o volume bombeado de sangue e elevando sua pressão de ejeção; ● A estimulação simpática, com frequência, é capaz de aumentar o débito cardíaco até seu dobro ou triplo, além do aumento do débito, originado pelo mecanismo de Frank-Starling; ● A inibição dos nervos simpáticos pode diminuir moderadamente o bombeamento cardíaco: sob circunstâncias normais, as fibras nervosas simpáticas do coração têm descarga contínua, mas em baixa frequência, mas em baixa frequência suficiente para manter o bombeamento cerca de 30% . b-)Nervos Parassimpáticos ● A forte estimulação das fibras nervosas parassimpáticas (vagais) pode chegar a parar os batimentos por alguns segundos, mas então o coração usualmente escapa e volta a bater entre 20 e 40 vezes por minuto; ● As fibras vagais diminuem a frequência cardíaca, mas não diminui a força de contração (de forma acentuada), isso ocorre porque elas não estão muito distribuídas nos ventrículos. –Efe��� do� íon� po�ás�i� e cál�i� no fu����na���t� ca��íac� a-)Potássio ● O excesso de potássio nos líquidos extracelulares pode fazer com que o coração se dilate e fique flácido; ● Diminui a FC; ● Grandes quantidades de potássio podem vir a bloquear a condução do impulso cardíaco dos átrios para os ventrículos pelo feixe A-V; ● O aumento de potássio, diminui o potencial da membrana em assim, diminui a força de contração. b-)Cálcio ● Causa efeitos quase opostos aos dos íons potássio, induzindo o coração a produzir contrações espásticas; ● A causa disso é o efeito direto dos íons cálcio na deflagração do processo contrátil cardíaco; ● A deficiência dos íons cálcio causa fraqueza cardíaca, semelhante à causada pelo aumento de potássio; ● Os níveis de íons cálcio no sangue normalmente são mantidos dentro da faixa estreita, não representando uma preocupação. Maríli� Mir���� San���� 7 Car����og�� Aul� 01- Car����og��- HA� –Definição 2020 A hipertensão arterial (HA) é uma doença crônica não transmissível (DCNT) definida por níveis pressóricos, em que os benefícios do tratamento superam os riscos. Trata-se de uma condição multifatorial, que depende de fatores genéticos/epigenéticos, ambientais e sociais. Caracterizada por elevação persistente da pressão arterial (PA), ou seja, PAS maior ou igual a 140 mmHg e/ou PAD maior ou igual a 90 mmHg, medida com a técnica correta, em pelo menos duas ocasiões diferentes, na ausência de medicação anti-hipertensiva. –Introdução É indicado que se faça na primeira consulta a aferição da pressão nos dois membros superiores e a partir do maior valor, faz-se a aferição no membro que obteve maior valor nas consultas seguintes. Outro tópico importante: é importante avaliar, se for o caso, há quantos anos os familiares possuem comorbidades, investigar inquérito alimentar e físico do paciente . →Passo a passo da consulta HAS: 1. Diagnóstico e classificação; 2. Avaliação complementar; 3. Estratificação do risco; 4. Decisão e metas terapêuticas. a-)Diagnóstico e classificação “A avaliação inicial de um paciente com hipertensão arterial (HA) inclui a confirmação do diagnóstico, a suspeita e a identificação de causa secundária, além da avaliação do risco cardiovascular (CV). As lesões de órgão-alvo (LOA) e as doenças associadas também devem ser investigadas.” -Diretriz 2020 A hipertensão é uma doença complexa associada a fatores genéticos, ambientais e epigenéticos. Por isso, é importante identificar o motivo pelo o qual o paciente é hipertenso, pois dependendo da causa a medicação/terapêutica será diferente. O diagnóstico de hipertensão é numérico, sendo ele feito quando a PAS está maior ou igual a 140 mmHg e/ou a PAD está maior ou igual a 90 mmHg. Quando utilizadas as medidas de consultório, o diagnóstico de HA deverá ser sempre validado por medições repetidas, em condições ideias, em duas ou mais visitas médicas em intervalo de dias ou semanas (Diretriz 2020). De maneira mais assertiva, realiza-se o diagnóstico com medidas fora do consultório como o MAPA em que os valores são reduzidos 10 mmHg, pois este é realizado em ambientes fora do consultório o mesmo equivale para o MRPA, outra opção fora do consultório, ambos são avaliados a partir da mediana dos valores obtidos. É importante lembrar que essas medidas não são válidas para pacientes que já apresentam LOA ou doença cardiovascular. Categoria PAS PAD Consultório >= 140 >=90 MAPA 24h Vigília Sono >= 130 >=135 >=120 >=80 >=85 >=70 MRPA >=130 >=80 Maríli� Mir���� San���� 8 Car����og�� Obs: Um conceito errado que tem-se na prática é que, nos PSFs, faz-se o MRPA. Na verdade, a ferramenta utilizada é a AMPA que avalia a média dos valores obtidos. A classificação da pressão arterial é dividida em PA ótima, PA normal, Pré-hipertensão, HA Estágio 1, HA Estágio 2 e HA Estágio 3. Classificação PAS PAD PA ótima <120 <80 PA normal 120-129 80-84 Pré-hipertenso 130-139 85-89 HA Estágio 1 140-159 90-99 HA Estágio 2 160-179 100-109 HA Estágio 3 >=180 >=110 Obs:Hipertensão Sistólica Isolada é comum em pacientes hiperativos, hiperlálicos enquanto a Hipertensão Diastólica Isolada é comum em pacientes com hipotireoidismo e pacientes idosos. Em PA ótima, é recomendado que a nova aferição seja feita a partir de 1 ano após a primeira aferição. Já em pacientes pré-hipertensos ou em estágio 1 ou 2, é sugerido a realização do MAPA ou MRPA para identificar a existência ou não de hipertensão mascarada ou a hipertensão do avental branco. Se o MAPA/MRPA for normal é identificado com nível normal ou hipertensão do avental branco e a conduta baseia-se em repetir medidas anualmente, já em pacientes com MAPA/MRPA anormal identifica-se com hipertensão mascarada ou hipertensão sistêmica e a conduta é iniciar o tratamento. No caso de pacientes com hipertensão estágio 3, faz-se o diagnóstico de hipertensão e deve-se iniciar o tratamento, enquanto em emergência ou urgência hipertensiva, deve-se encaminhar o paciente para o serviço de emergência. A classificação também pode ser feita com base na presença de fatores de risco, sendo tais estes: Idade ( mulher >65 e homem >55) Sexo masculino Tabagismo Dislipidemia Diabetes melito História familiar prematura de DCV (mulher <65 anos e homem <55 anos) Pressão de pulso em idosos >65 mmHg ITB ou VOP anormais História patológica de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia Obesidade central Relação cintura/quadril anormal Perfil de síndrome metabólica A partir dos fatores de riscos, a hipertensão pode ser classificada da seguinte forma: b-) Avaliação Clínica e Complementar A avaliação clínica do paciente hipertenso deve ser feita seguindo-se o método tradicional, constituído por anamnese, exame físico e laboratorial. Os exames de rotina para avaliação e diagnóstico do paciente são: Maríli� Mir���� San���� 9 Car����og�� 1. Análise de urina; 2. Potássio plasmático; 3. Glicemia em jejum; 4. Ritmo de filtração glomerular; 5. Creatinina plasmática; 6. Colesterol total e triglicerídeos plasmáticos; 7. Ácido úrico; 8. ECG convencional. Obs: O ECO não é solicitado de rotina, apesar da alta sensibilidade, é realizado apenas quando há alterações nos exames inicialmente solicitados, com atenção ao ECG . c-)Estratificação de risco “Está amplamente estabelecida a relação causal, linear e contínua entre o aumento da pressão arterial (PA) e o risco de doença cardiovascular (DCV) (...) o aumento modesto de vários fatores de risco (FR) pode desencadear maior incremento no risco cardiovascular que a elevação acentuada de apenas um único FR.” Diretriz 2020 A estratificação do risco CV depende dos níveis da PA, dos FRCV associados, da presença de LOA, que são lesões estruturais e/ou funcionais decorrentes da HA em vasos, coração, cérebro, rins e retina e/ou da existência de DCV ou renal estabelecidas. A identificação de tais condições é importante não apenas para estimar o risco a que se expõem o paciente hipertenso em seu respectivo estágio de hipertensão, bem como para que os FR controláveis sejam alvosde intervenção terapêutica própria. Devem ser priorizados os FR de mais fácil identificação e os mais prevalentes, bem como aqueles cuja associação ao risco CV esteja solidamente estabelecida. →Lesões de órgão-alvo: ● Hipertrofia ventricular esquerda; ● Doença renal crônica; ● Albumina entre 30 e 300mg/24 horas; ● AVC; ● Doença vascular periférica; ● VOP carotídeo-femoral >10 m/s. d-)Decisão e metas terapêuticas As metas terapêuticas são feitas para diminuir os riscos de desfechos maléficos (AVC, IC, morte cardiovascular). Para cada paciente há um risco cardiovascular diferente, por isso, as metas terapêuticas são individuais. De uma forma geral, quando o RCV for baixo ou moderado, o ideal é que seja inferior a 140x90 mmHg e em alto RCV, a meta deve ser inferior a 120-129x70-79 mmHg. Em pacientes idosos, as metas são mais permissivas, dependendo se são hígidos (<140x90) ou frágeis (<160x90). Obs: Curva J, a diminuição da pressão arterial diastólica diminui os riscos cardiovasculares, porém apenas até 70 mmHg (efeito da curva jota), ponto que que a relação entre a curva e o risco cardiovascular torna-se inversamente proporcional. Quanto ao tratamento, ele pode ser medicamentoso e não medicamentoso (musculação é tão importante quanto fazer aeróbico). d.1-) Tratamento não medicamentoso Pontos da terapia não medicamentosa: ● Tabagismo; ● Padrão alimentar; ● Sódio da dieta; ● Potássio; ● Café e produtos com cafeína; ● Consumo de bebidas alcoólicas; ● Atividade física e exercício físico; ● Controle de estresse; ● Espiritualidade e religiosidade. d.2-) Tratamento medicamentoso Maríli� Mir���� San���� 10 Car����og�� A proteção cardiovascular consiste no objetivo do tratamento anti-hipertensivo. Estudos clínicos randomizados em pacientes hipertensos mostram que a redução da PAS de 10 mmHg e PAD de 5 mmHg com fármacos se acompanha de diminuição significativa do risco relativo de desfechos maiores. →Pontos da terapia medicamentosa: ● Inércia terapêutica; ● Avaliar sinergismos e efeitos adversos; ● Perfil de segurança; ● Ganhos secundários; ● Custo; ● Combinações; ● Aderência; ● Comunicação com o paciente. A maioria dos pacientes hipertensos necessitará de fármacos em adição às modificações do estilo de vida para alcançar a meta pressórica. →Monoterapia A monoterapia pode ser a estratégia anti-hipertensiva inicial para pacientes com HA Estágio 1 com risco CV baixo ou pré-hipertensos de risco CV alto ou para indivíduos idosos e/ou frágeis. Nesses perfis de pacientes, a redução da PA desejada é pequena ou deve ser feita de maneira gradual, de modo a evitar eventos adversos. O tratamento deve ser individualizado; e a escolha inicial do medicamento, baseia-se nas características gerais desejáveis dos medicamentos anti-hipertensivos já descritas, nas particularidades individuais, na presença de doenças associadas e lesões de órgão-alvo (LOA). As classes de anti-hipertensivos preferenciais para o controle da PA em monoterapia inicial são: ● DIU tiazídicos ou similares; ● BCC; ● IECA; ● BRA. Obs: Os BB podem ser considerados como fármaco inicial em situações específicas (pós-IAM, angina do peito, IC com fração de ejeção reduzida, controle de FC em mulheres com potencial de engravidar), e mais frequentemente são usados em associação a outros fármacos. →Combinação de medicamentos A combinação de fármacos é a estratégia terapêutica preferencial para a maioria dos pacientes hipertensos. O início do tratamento deve ser feito com combinação dupla de medicamentos que tenham mecanismo de ação diferentes, sendo a exceção a essa regra a associação de DIU tiazídicos com poupadores de potássio. Caso a meta pressórica não seja alcançada, ajustes de dose e/ou combinação tripla de fármacos estarão indicados. Na sequência, mais fármacos estarão indicados. A combinação de dois fármacos é feita em pacientes de HA estágio 1 de risco moderado e alto e HA estágios 2 e 3, a combinação é feita com IECA ou BRA + BCC ou DIU. A combinação de três fármacos é feita nas mesmas condições, sendo as associações IECA ou BRA + BCC ou DIU, enquanto a associação do quarto fármaco é feita com uma das opções anteriores associada a espironolactona (emergência hipertensiva) e a adição de mais fármacos pode ser considerada por BB, simpatolíticos centrais, alfabloqueadores e vasodilatadores. IECA→ PRIL (CaptoPRIL) BRA→ANA (LosartANA) BCC→INA (NifedipINA) Maríli� Mir���� San���� 11 Car����og�� Na teoria, quanto menor risco possibilita ao paciente iniciar o tratamento não medicamentoso e esperar 3 meses para uma nova avaliação e assim, vê a necessidade ou não do início do tratamento medicamentoso. Na prática, inicia-se o tratamento medicamentoso associado ao não medicamentoso. Combinações de fármacos Na teoria, quanto menor risco, possibilita ao paciente iniciar o tratamento não medicamentoso e esperar 3 meses para uma nova avaliação e assim, vê a necessidade ou não do início do tratamento medicamentoso. Na prática, inicia-se o tratamento medicamentoso associado ao não medicamentoso. Aul� 02- Car����og��- Cri�� Hip����n�i�� –Introdução A crise hipertensiva acontece, geralmente, em uma sala de emergência e pode se apresentar em três espectros de doença: 1. Urgência hipertensiva; 2. Emergência hipertensiva; 3. Pseudocrise. As emergências hipertensivas (EH) são situações clínicas sintomáticas, caracterizadas pela presença de sofrimento tecidual de órgãos-alvos, com risco iminente de vida em geral, mas não necessariamente associado a altos níveis pressóricos, definidos arbitrariamente por níveis de PAS maior que 200 mmHg e/ou PAD maior que 120 mmHg. Frequentemente, os valores pressóricos encontrados são significativamente elevados, mas não são eles que definem a condição de emergência, e sim a lesão em órgão-alvo e o risco iminente de vida, ou seja, o paciente pode comparecer com uma PA de 140x90 mmHg associada à LOA e ainda assim será classificado com EH. É o caso da encefalopatia hipertensiva, da cardiopatia isquêmica, do edema agudo de pulmão, da dissecção de aorta e do AVE, situações de gravidade clínica acentuada. As urgências hipertensivas (UH) são situações clínicas sintomáticas em que há elevação acentuada da pressão arterial sem lesão aguda e progressiva em órgãos-alvo, e sem risco iminente de morte. Uma condição comum nos setores de emergência é a pseudocrise hipertensiva (PCH). Na PCH, não há LOA aguda ou risco imediato de morte. Geralmente, ocorre em hipertensos tratados e não controlados, ou em hipertensos não tratados, com medidas de PA muito elevadas, mas oligossintomáticos ou assintomáticos. Também se caracteriza como PCH a elevação da PA diante de evento emocional, doloroso, ou de algum desconforto, como enxaqueca, tontura Maríli� Mir���� San���� 12 Car����og�� rotatória, cefaleias vasculares e de origem musculoesquelética, além de manifestação da síndrome de pânico. Obs: A EH não é definida pelo nível da PA, apesar de ser frequentemente muito elevada, mas predominantemente pelo status clínico do paciente. A EH pode manifestar-se como um evento cardiovascular, cerebrovascular, renal ou com envolvimento de múltiplos órgãos ou menos na forma de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade/eclâmpsia. –Lesões de Órgão-Alvo ● Cérebro: AVC, encefalopatia hipertensiva; ● Pulmão: edema agudo de pulmão; ● Rins; Obs: Não há correlação entre cefaléia, nucalgia e hipertensão, ou seja, se pacientes aparecem com pressão alta “devido à cefaleia”, o tratamento é analgésico e não anti-hipertensivo. –Pressão Arterial Tendo em vista que a PA sistêmica é resultante do produto do débito cardíaco (DC) pela resistência vascular periférica (RVP). Elevações agudas da PA podem resultar de alterações nessas variáveis. Assim, aumento do volume intravascular, da RVP, produção reduzida de vasodilatadores endógenos e/ou ativação de sistemas vasoconstritores podem precipitar maior vasorreatividade resultando em crise hipertensiva (CH). A autorregularação tissular é suplantada, particularmente nos leitos vasculares cerebral e renal,causando isquemia local, o que desencadeia um círculo vicioso de vasoconstrição, lesão endotelial e ativação plaquetária, do sistema da coagulação e do sistema imune, com necrose de arteríolas e isquemia em órgãos-alvo. A curva de autorregulação é deslocada para a direita nos hipertensos crônicos, o que faz com que o nível de PA atingido quanto a velocidade da elevação sejam importantes na gênese da EH. Por outro lado, esse deslocamento da curva de autorregulação predispõe à isquemia tissular em reduções agressivas da PA no tratamento das EH. Em outras palavras: O fluxo sanguíneo cerebral é mantido pela PA, e quando há aumento (hiperfluxo) ou diminuição (hipofluxo), afeta diretamente a perfusão cerebral. Quanto maior o período em que o paciente fica submetido a hiperfluxo, ou seja, hipertenso crônico com má adesão ao tratamento, maior será a complexidade do tratamento para controle da PA, esse processo é chamado de memória metabólica. Em pacientes com hiperfluxo, não pode ser feita uma queda brusca da pressão, pois pode ocorrer um quadro de hipofluxo e, consequentemente, isquemia. O objetivo inicial do tratamento de hiperfluxo, é reduzir de forma gradual (em até 48h) a PA, com exceção de DA e encefalopatia hipertensiva. –Investigação Clinicolaboratorial É essencial a realização de uma história clínica direcionada para a causa Maríli� Mir���� San���� 13 Car����og�� possível. A investigação clínica e a solicitação de exames devem prover a adequada avaliação da PA e a presença de LOA agudas. A PA deve ser medida inicialmente nos dois braços, de preferência em um ambiente calmo, e repetidamente até a estabilização (no mínimo, três medidas). Deve-se rapidamente coletar informações sobre a PA habitual do paciente e as situações que possam desencadear um aumento da PA e comorbidades; o uso de fármacos anti-hipertensivos ou sua descontinuação ou a utilização de substâncias que aumentem a PA. Uma abordagem sistematizada com a avaliação de sinais/sintomas, exame físico e investigação complementar auxilia na verificação da presença de LOA aguda ou progressiva. –Tratamento Geral da CH a-)Urgência Hipertensiva ● Tratamento rotineiramente é feito em ambiente calmo; ● Captopril 50mg ou Clonidina 0,100mg; ● Não mais que 25% de redução na primeira hora; ● O uso de nifedipina de liberação rápida deve ser proscrito por não ser seguro, nem eficaz, além de provocar reduções rápidas e acentuadas da PA, o que pode resultar em isquemia tecidual; ● Follow up ambulatorial. b-)Pseudocrise ● Tratamento rotineiramente é feito em ambiente calmo; ● Deve-se tratar em causa base. c-)Emergência Hipertensiva ● Tratamento rápido em ambiente de UTI; ● Drogas parenterais; ● Tratar a causa base; ● A PA média tem que reduzir 25% na primeira hora. Após 2-6 horas a PA deve ficar em torno de 160/100-110 mmHg e após 24-48 horas a PA deve manter-se em 135/85 mmHg. –EH em situações especiais →Encefalopatia Hipertensiva A encefalopatia hipertensiva é uma EH neurológica caracterizada por sinais e/ou sintomas de edema cerebral secundário à elevação súbita e/ou mantida da PA. Geralmente, ocorrem hipertensos crônicos que desenvolvem hipertensão acelerada-maligna em indivíduos normalmente normotensos que apresentam elevações súbitas da PA, que cursam com falência dos mecanismos de autorregulação da perfusão cerebral. O início é insidioso e evolui com cefaléia, náuseas ou vômitos. Podem surgir alterações do campo visual, fotopsia, visão turva, alucinações visuais, confusão mental, coma, crise convulsiva generalizada e hiper-reflexia. O objetivo do tratamento consiste em diminuir a PA de forma lenta porque reduções intensas e rápidas podem provocar hipoperfusão cerebral e perda do mecanismo de autorregulação cerebral. Recomenda-se o uso de nitroprussiato de sódio (NPS). Em outras palavras… O hiperfluxo cerebral gera um edema na fossa posterior craniana, o que acarreta uma cefaleia intensa, aumento da PIC. O que chama atenção no caso é que, geralmente o paciente é hipertenso crônico que não tem boa adesão ao tratamento e apresenta, subitamente, PAS > 200 mmHg e estocomas visuais. Maríli� Mir���� San���� 14 Car����og�� O diagnóstico da encefalopatia hipertensiva é a fundoscopia, pela verificação de papiloedemas, um espessamento do nervo óptico. O tratamento é por via parenteral, por nitroglicerina (vasodilatador venoso) ou o nitroprussiato de sódio (potente vasodilatador arterial). O ideal é que o nitroprussiato fosse usado por via invasiva (cateter) para análise da PA. Essa medicação é contraindicada em pacientes com isquemia cardíaca, pelo risco do aumento de FC e, consequentemente, aumento da isquemia cardíaca. →AVE A hipertensão é o principal fator de risco para o AVE, principalmente o hemorrágico (AVEH). O paciente com AVE geralmente está hipertenso e, provavelmente, continuará hipertenso. O controle pressórico desse paciente é feito apenas até 180x110 mmHg. →Edema Agudo de Pulmão (EAP) O EAP é subdivido em causa cardiogênica e não cardiogênica . Dentro dos edemas agudos de pulmão ainda é avaliada se a causa é hipertensiva ou não hipertensiva. Dentre as causas hipertensivas, o mais comum é o tipo Flash, que tem um quadro clínico caracterizado pela sensação de “afogamento” em um curto espaço de tempo, ou seja, o paciente, em um intervalo de 1 hora, começa apresentar os sintomas. Para essa situação, o tratamento é feito com um vasodilatador arterial central (nitroprussiato) para diminuir a pós-carga e, assim, diminuir o volume pulmonar. Outros tipos de edema agudo de pulmão têm uma construção gradual, ou seja, é aquele paciente que vem apresentando os sintomas ao longo de dias/semanas, com edema de MMII, dispneia paroxística noturna. Já nessa situação, o paciente se beneficia com o tratamento feito com diuréticos ( em especial a furosemida) para diminuir a volemia do paciente. →DAA Em pacientes com dor precordial e elevação da PA, sempre considerar a dissecção aguda de aorta. É uma causa de dor torácica catastrófica. A dor tem aspecto lancinante (cortante) com irradiação do tórax para a costas em sentido caudal. A progressão da dissecção está relacionada com o valor da PA e a velocidade de ejeção ventricular. O tratamento clínico é feito com base na análise da frequência, dor e pressão (obrigatoriamente nessa sequência). É importante obter controle adequado da dor (analgesia por opiáceos IV), a FC < 60 bpm e PAS entre 100-120 mmHg (a PAS <120 mmHg deve ser alcançada em 20 minutos). O uso isolado de NPS não é ideal, pois promove o aumento da FC e da velocidade de ejeção aórtica, podendo piorar a dissecção. Assim o NPS deve ser associado ao BB, inicialmente IV (metoprolol, labetalol, esmolol), para diminuir a frequência. Em pacientes asmáticos, os bloqueadores dos canais de cálcio (BCC) não dihidropiridínicos podem ser usados como alternativa. Aul� 03- Car����og��- O qu� pe���r qu���� não ba����? Investigar: ● Adesão; ● Feocromocitoma; ● Avental branco; ● Sal em excesso; ● Tireoidopatia; ● Apneia do sono; ● Rim/ resistente; ● Aldosteronismo; ● Medicamentos. →Hipertensão Resistente/Refratária Define-se hipertensão arterial resistente (HAR) como a PA de consultório com valores maior ou igual a 140x90 mmHg, com uso de três ou mais Maríli� Mir���� San���� 15 Car����og�� classes de fármacos anti-hipertensivos com ações sinérgicas, em doses máximas preconizadas ou toleradas, sendo um deles preferencialmente um diurético tiazídico. Quando o paciente necessita do uso de quatro ou mais fármacos anti-hipertensivos para alcançar o controle da PA, ele também é um hipertenso resistente, porém controlado (PA < 140 x 90 mmHg). Já a hipertensão refratária (HARf) é definida como um subgrupo de pacientes com HAR verdadeira, que mantém a PA não controlada (PA maior ou igual a 140 x 90 mmHg), mesmo estando em uso de cinco ou mais fármacos anti-hipertensivos, incluindo a espironolactona e um diurético de longa ação. Define-se a hipertensão arterial pseudorresistente como a falha no controle da PA relacionada com hipertensãodo avental branco, falha na técnica da verificação da PA, inércia terapêutica ou falha na adesão ao tratamento farmacológico proposto. A identificação dos pacientes com HAR verdadeira impõe, portanto, o afastamento de pseudorresistência e das condições a ela associadas, sendo fundamental para estabelecer abordagens específicas. –Tratamento da HAR →Hipertensão Secundária É uma causa estrutural, endócrina ou associada a uma medicação que pode causar hipertensão. É uma patologia com alto potencial de ser curada. Indícios de hipertensão arterial secundária: ● Hipertensão estágio 3 antes dos 30 anos ou após 55 anos; ● Hipertensão resistente ou refratária; ● Utilização de hormônios exógenos; ● Tríade de feocromocitoma: crises de palpitações, sudorese e cefaléia; Maríli� Mir���� San���� 16 Car����og�� ● Indícios de apneia obstrutiva do sono; ● Fácies típicas ou biotipo de doenças que cursam com hipertensão arterial (hipertelorismo)l; ● Assimetria ou ausência de pulsos em MMII; –Causas a-)Endócrinas ● Cushing; ● Hiper/hipotireoidismo ● Acromegalia; ● Hiperparatireoidismo; ● Hiperaldosteronismo 1ª; ● Feocromocitoma; ● Obesidade. b-)Não endócrinas ● DRC; ● Renovascular; ● AOS; ● Cortação da aorta. c-)Exógenas ● AINEs; ● Corticóides; ● ACO; ● Imunossupressores. É importante sempre pesquisar LOA nos pacientes com hipertensão secundária. Aul� 04- Car����og��- Sín��om� Cor����i�n� Crôni�� –Introdução A Síndrome Coronariana Crônica (SCC) incorpora um conceito fundamental no entendimento da Doença Arterial Coronariana (DAC), por um processo dinâmico que envolve desde a formação de placas aterogênicas, alterações funcionais, eventos agudos (SCA), em alguns casos, e morbimortalidade elevada. A SCC caracteriza-se pela reversão do quadro com o repouso e/ou com uso de antianginosos. Na SCC, ou angina estável, o paciente refere sinais e sintomas de isquemia durante o esforço, mas em repouso essas manifestações desaparecem. Não há “instabilidade” da placa de ateroma, mas esta é grande o suficiente para obstruir a maior parte do lúmen coronariano, produzindo isquemia somente em face de um aumento na demanda miocárdica. Obs: Um aspecto importante é que a dor em aperto tem melhora em repouso de até 20 minutos, em um período superior a isso, considera-se a SAC. Na ausência de tratamento, o desfecho de todas as formas de aterosclerose coronária, seja aguda, assintomática ou crônica, é o mesmo: infarto do miocárdio na região suprida pelo vaso doente –Fisiopatologia da Aterosclerose O endotélio é um componente fenestrado, mas em algumas situações, como a de estado inflamatório crônico, ele se torna mais fenestrado com proteínas em sua membrana celular. Essas situações aumentam a atividade inflamatória com as interleucinas que aumentam a fenestração do endotélio que, associado à alimentação do paciente, sofrerá um acúmulo de LDL nas fenestrações, alcançando o endotélio. Esse processo desencadeia um processo inflamatório, provocando a formação de células escamosas que irão se acumular, culminando na formação de uma placa. Essas formações elevadas na superfície da íntima podem se associar a complicações, como fissuras, trombose, roturas, calcificações e necrose. As placas fibrolipídicas podem ser divididas em estáveis e instáveis. Quando ocorrem fissuras e roturas, poderá haver instabilidade da placa, de forma que o paciente evolua com síndrome coronariana instável. Por sua vez, quando o indivíduo apresenta calcificação com obstrução fixa ao fluxo coronariano, há evolução para angina estável. Maríli� Mir���� San���� 17 Car����og�� Obs: Por isso é muito mais provável que um paciente com uma placa menor venha a infartar do que um paciente com uma placa maior. –Fisiopatologia da Isquemia O tecido miocárdico possui uma peculiaridade fisiológica que facilita a ocorrência de isquemia na vigência de uma obstrução do lúmen coronário: trata-se do tecido com a maior taxa de extração de oxigênio do organismo. A taxa de extração de oxigênio é a fração do conteúdo arterial de oxigênio captada pelos tecidos quando há passagem de sangue pela microcirculação. No miocárdio ela é relativamente fixa e gira em torno de 75%, não havendo muita margem para o aumento da taxa. Quando há necessidade do aumento da taxa de extração de oxigênio, ocorre um aumento do fluxo pelo leito coronário, fenômeno chamado de reserva coronariana. Reserva Coronariana Esgotamento da reserva coronariana À medida em que surgem oclusões hemodinamicamente significativas nas coronárias, a reserva coronariana será progressivamente requisitada, a fim de manter em equilíbrio a relação entre a oferta e o consumo de oxigênio. Isso acontece mesmo que não haja aumento na demanda por oxigênio, ou seja, quando se está em repouso, o que leva ao esgotamento da reserva coronariana e, desse modo, diminui a capacidade de aumentar o fluxo sanguíneo em resposta a um verdadeiro aumento da demanda. Podemos dizer também que… A isquemia acontece em decorrência de uma necessidade hiperfluxo sanguíneo e ao não atender essa demanda, o coração entra em respiração anaeróbica que leva ao acúmulo de ácido lático que estimula liberação de bradicinina e adenosina para a sinalizam o SNC. Essa sinalização corrobora no estímulo aos dermátomos de mesma origem cardíaca, ou seja, braços, pescoço, mandíbula e peito, provocando dor nesses sítios. Além disso, há um estímulo no sistema nervoso autônomo provocando sintomas vagais, ou seja, o paciente começa a apresentar náuseas, vômitos. Obs:O processo isquêmico não ocorre somente por formação de placas de ateroma, já que pode ocorrer por vasoespasmo de grande intensidade, como na “síndrome do coração partido”. –Manifestações Clínicas A história clínica é um dos passos mais importantes, pois possibilita a caracterização adequada da dor torácica. Algumas características devem ser cuidadosamente questionadas com o objetivo de verificar a probabilidade da presença de angina: 1. Caráter: em pressão, aperto, constrição ou peso; 2. Duração: alguns minutos (usual) paciente com quadro de aparecimento repentino e duração fugaz, ou com várias horas de evolução, raramente apresentam angina; 3. Localização: subesternal, podendo ocorrer ainda, no ombro, Maríli� Mir���� San���� 18 Car����og�� no epigástrio, na região cervical, no hemitórax e no dorso; 4. Irradiação: eventualmente, para membros superiores (direito, esquerdo ou ambos), ombro, mandíbula, pescoço, dorso e região epigástrica; 5. Intensidade: variada, podendo levar o indivíduo à imobilidade por alguns minutos ou ser menos pronunciada, em especial em alguns grupos com neuropatia associada (diabéticos, por exemplo); 6. Fatores desencadeadores e de piora: precipitação por esforço físico e estresse emocional; 7. Fatores de melhora: alívio característico com repouso ou uso de nitratos; 8. Sintomas associados: possibilidade de náuseas, vômitos e palidez mucocutânea. Obs: É mais comum os pacientes referirem aperto e não dor no peito. –Classificação de Angina De acordo com suas características clínicas, a dor torácica pode ser classificada em angina típica, com dor característica em aperto ou pressão, provocada por esforço e alívio por meio de nitrato ou repouso; angina atípica, com duas das características anteriores; e dor torácica não cardíaca, com uma ou nenhuma das características anteriores. –Equivalentes Isquêmicos Nem todo paciente vai apresentar os sinais típicos, mas podem surgir com equivalentes isquêmicos, como dispnéia e náuseas, que podem substituir a presença da sensação de aperto. O grupo de pessoas que mais apresentam os equivalentes isquêmicos são: mulheres menopausadas, pacientes psiquiátricos, idosos, diabéticos, pacientes com doenças crônicas e pacientes com histórico de doença isquêmica prévia. –Exame físico Costuma ser normal nos pacientes com angina estável. Contudo, se realizado durante o episódio anginoso, a presença de terceira ou quarta bulha, sopro de regurgitação mitral e estertores pulmonares sugere doença coronariana. O achado de ateroscleroseem outros locais (pulsos arteriais de membros inferiores diminuídos, endurecimento arterial, aneurismas de aorta abdominal) costuma ter boa correlação com a doença coronariana, assim como a existência de múltiplos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial, tabagismo e outros que aumentam a probabilidade diagnóstica. –Graduação de Isquemia Quanto maior a limitação ao exercício, pior o prognóstico do paciente. A graduação é com base no CCS: A partir da graduação, é feito o tratamento. –Fatores de risco ● Diabetes; Maríli� Mir���� San���� 19 Car����og�� ● Tabagista; ● Obesidade; ● Sedentarismo; ● HAS; ● Dislipidemia; ● Parto pré-termo; ● Doenças hipertensivas da gestação; ● Diabetes gestacional; ● Doenças autoimunes (psoríase); ● Câncer (sobretudo o de mama); ● Depressão. –Exames ● Hemograma; ● Glicemia de Jejum; ● Hemoglobina glicada; ● Triglicerídeos; ● Colesterol total e frações; ● Ureia e creatinina; ● Ionograma; ● Eletrocardiograma; ● Ecocardiograma. →Testes Todo exame diagnóstico é feito para o paciente de probabilidade intermediária e para os pacientes de alta probabilidade para fins de estratificação. →Exames funcionais a-) Teste Ergométrico Na ausência de contraindicação, costuma ser o método de escolha para a confirmação do diagnóstico da doença arterial coronariana. O teste de esforço ergométrico é utilizado tanto para diagnóstico quanto para estratificação do risco de pacientes com doença coronariana, sendo o método não invasivo mais comumente empregado. Não é possível fazer em pacientes com BRE e alterações no segmento ST. b-)Cintilografia O ideal é fazer a cintilografia + teste ergométrico. →Exames anatômicos a-)Angiotomografia coronária Aplicada para pacientes de probabilidade intermediária com tendência a menos. Se houver muita isquemia, o paciente é encaminhado para fazer o cateterismo. –Estratificação de Risco Quanto mais isquemia der em um exame, mais grave é o risco do paciente e mais indicado é a avaliação invasiva (cateterismo). O cateterismo é feito em pacientes com angina refratária, coronariopatia e em fração de ejeção reduzida. –Tratamento a-)Não medicamentoso ● Tratar maus hábitos; ● Tratar fatores de risco; b-)Medicamentoso Estudos apontam que não há diferença nos resultados entre o tratamento medicamentoso e angioplastia, o que muda é apenas a qualidade de vida do paciente. →Tratamento farmacológico: IEBA ● Estatina em dose alta (LDL tem que ficar menor do que 50); ● Aspirina; os pacientes que tiverem contraindicação ao uso, deve-se considerar o uso de ticlopidina ou clopidogrel; ● IECA: se o paciente sentir muita tosse, pode ser substituído por BRA; ● BB são as drogas de primeira linha na terapia antianginosa, em especial naqueles com angina após infarto. O efeito protetor deles está associado à limitação da elevação da frequência cardíaca; ● BCC é uma opção alternativa para o BB. ● Isordil, sustrate são nitratos usados para alívio da dor no cotidiano; Maríli� Mir���� San���� 20 Car����og�� Aul� 05- Car����og��- Sín��om� Cor����i�n� Agu�� Par�� I →Desconforto Torácico Agudo Nem toda dor torácica simboliza infarto, por isso é imprescindível, inicialmente, diagnosticar o paciente com sua causa sindrômica e não etiológica. O diagnóstico sindrômico de dor torácica aguda pode ter 5 principais causas no Pronto-Socorro, seguindo o mnemônico PEDIR: 1. Pneumotórax; 2. Embolia pulmonar; 3. Dissecção de aorta; 4. IAM; 5. Rotura de esôfago. Obs: A dor da dissecção de aorta é de aspecto lancinante que inicia no tórax e migra para o dorso. Costuma ter diferença de PA nos MMSS. No atendimento é importante fazer uma anamnese direcionada e ter uma atenção ao exame físico do paciente, sendo este também direcionado com a verificação de pulsos, aferição de PA em ambos os membros superiores e avaliação de perfusão. →Avaliação da dor torácica ● Onde se localiza a dor? ● Quando? (a duração da dor é imprescindível) ● Como é a dor? ● Para onde irradia a dor? ● É associada com algum outro sintoma? É necessária uma abordagem sistematizada para identificar os pacientes com SCA e aqueles com maior risco de má evolução a partir do diagnóstico firmado. Diante dessa queixa de dor torácica, há quatro possibilidades diagnósticas, a partir de três características básicas: dor retroesternal, desencadeada por esforço, aliviada com repouso ou nitrato. O paciente com dor torácica de possível origem cardíaca (2/3 das características) deve ser observado no pronto-socorro e avaliado, por algumas horas, com ECG ou troponina e outros exames, como teste de esforço ou cintilografia miocárdica, para definir com maior segurança, a existência ou não do primeiro evento isquêmico. Mesmo com a pesquisa negativa, esse paciente deve ser seguido ambulatorialmente. Caso a pesquisa seja positiva, em alguns dos exames, o indivíduo deve ser internado e aguardar o resultado de todos os exames. (MEDCEL 2022). A dor de origem isquêmica miocárdica pode ter localização variada, porém segue um padrão clínico sugestivo: –Características típicas da dor associada à isquemia miocárdica: ● Dor em aperto, precordial ou retroesternal, com irradiação para Maríli� Mir���� San���� 21 Car����og�� a mandíbula ou para o membro superior; ● Dor acompanhada de sudorese, palpitação e vômitos; ● Dor desencadeada por esforço físico ou emoção; ● Duração prolongada, superior a 20 minutos no IAM; ● Alívio com repouso ou nitrato. →Quais pacientes têm maior probabilidade de apresentar dor torácica atípica ● Mulheres; ● Idosos; ● Diabéticos; ● Pacientes com doença renal crônica; ● Paciente com quadro demencial. →Equivalentes anginosos ● Dispneia; ● Síncope; ● EAP; ● Confusão mental; ● Mal-estar. –Eletrocardiograma No paciente com dor torácica aguda, o porta-ECG deve ser feito e interpretado em menos de 10 minutos. A avaliação do eletrocardiograma tem que ser direcionado com: 1. Tem supra de ST? 2. BRE novo ou supostamente novo? 3. Outras alterações isquêmicas? 4. Sinais de cardiopatia. Obs: Qualquer alteração direciona o paciente à sala vermelha. Em casos de ECG normal, o seguimento deve ser com nova realização em 10-30 minutos ou conforme sintomas. →Alterações no ECG a-)Segmento ST: Quando fica acima da linha de base, é sugestivo de isquemia (supradesnivelamento de ST). Causas de supradesnivelamento: ● IAM; ● Pericardite e miocardite; ● BRE; ● Sobrecarga ventricular; ● Repolarização precoce; ● Síndrome de Brugada; ● Hipercalemia; ● Hipercalcemia; ● Angina de Prinzmetal; ● TEP maciço; ● Marca-passo; ● Aneurisma de ventrículo esquerdo; ● Takotsubo. Supradesnivelamento do Segmento ST b-) QRS: O alargamento do QRS (superior 0,12 ms) é sugestivo de bloqueio de ramo. Sendo o bloqueio esquerdo, a característica é de que o QRS seja totalmente positivo.BRE novo ou supostamente novo é equivalente ao supra, podendo ser tratado como supra. c-) Outras alterações sugestivas de isquemia: ● Infra de ST; ● Inversão de onda T com onda T simétrica e apiculadas (sem inversão também pode ser um achado isquêmico) →Os critérios utilizados pela III Diretriz de ECG da SBC: 1-Nova elevação do segmento ST: ● Medida no ponto J maior ou igual 1 mm em pelo menos duas derivações contíguas com exceção de V2 e V3; 2-Em V2 e V3 ● O critério depende do gênero e da idade do paciente: Maríli� Mir���� San���� 22 Car����og�� ● Se mulher é maior ou igual a 1,5 mm; ● Se homem com mais de 40 anos é maior ou igual a 2 mm; ● Se homem com menos de 40 anos é maior ou igual a 2,5 mm. Obs: O diagnóstico de supradesnivelamento de ST em derivações posteriores e direitas é feito pelo desnivelamento do ponto J maior ou igual a 0,5 mm. Obs: Toda vez que ocorrer supra de parede inferior é mandatório fazer ECG de precordial direita (V3r e V4r). –Troponina As troponinas são os biomarcadores de escolha no diagnóstico de pacientes com suspeita de IAM. O tempo porta-troponina tem o resultado do exame entregue para avaliação em menos de 1 hora. As troponinas são marcadores específicos de injúria do músculo cardíaco, masinespecífico quanto à natureza da injúria. Troponinas têm baixo valor preditivo positivo (53%) quando dosadas indiscriminadamente em paciente sem alta probabilidade de DAC. Causas de positividade de troponina: ● Aumento de PA; ● Câncer de mama; ● Insuficiência cardíaca grave; ● Taquiarritmia; ● Sepse; ● Grande queimado; ● Choque; ● Dissecção de aorta; ● Embolia pulmonar, hipertensão pulmonar. Obs: CK-mb é a isoenzima predominante no coração, mas pequenas quantidades desta ainda podem ser encontradas no intestino delgado, língua, no útero e na próstata. Há duas isoformas de CK-MB, a 1 e a 2, esta última é liberada mais rapidamente no sangue após o infarto. Aproveitando-se disso, autores têm proposto a dosagem de CK-MB-2, ou a relação entre a 2 e a 1 no sangue, como maneira de tornar mais sensível o exame. Vale lembrar que outras formas de injúria miocárdica, que não a isquemia, podem elevar a CK-MB (miocardite, choque, cateterismo cardíaco, cirurgia cardíaca e trauma). Em virtude da alta sensibilidade da troponina, a coleta de CK-mb não é mais indicada para diagnóstico de IAM. Obs: TnUS são as troponinas I e T com ensaios ultra sensíveis, capazes de detectar quantidades 10 a 100 vezes menores no sangue, indicadas principalmente para os casos de AI/IAMSSST. –Quadro Clínico Sugestivo O critério clínico se sobrepõe ao eletrocardiograma ou à troponina, ou seja, o paciente sem alterações de ECG e com troponina negativa, mas com quadro Maríli� Mir���� San���� 23 Car����og�� clínico sugestivo, deve ser avaliado com atenção. A partir dos achados clínicos e dos exames (ECG + troponina), pode-se utilizar o Heart Score para facilitar o diagnóstico de infarto e a comunicação entre os profissionais. A partir de 3 pontos, o risco de algum evento cardíaco sobe linearmente e com a pontuação 4 o paciente deve ficar em observação com ECG repetidos ou com transferência para uma unidade terciária. Outro algoritmo possível é o Hear Score, o qual não possui a troponina como um dos seus critérios. Além deste, há o modelo de TIMI Risk, que possui os seguintes fatores de risco independentes: 1. Idade superior a 65 anos; 2. Mais de três fatores de risco para doença coronariana (diabetes, hipertensão, dislipidemia, tabagismo e histórico familiar); 3. Doença aterosclerótica coronariana prévia (estenose maior ou igual a 50% previamente documentada); 4. Uso de AAS nos últimos sete dias; 5. Alterações de segmento ST (elevação transitória ou depressão persistente); 6. Troponina positiva; 7. Mais de dois episódios de angina nas últimas 24 horas. A presença de até 2 fatores de risco classifica o paciente em baixo risco, três ou quatro, em moderado; cinco ou mais em alto risco para AI/ IAMSSST. 1-)Infarto com supra ● ECG com supra ST; ● Troponina +*; Obs: Nesse caso não é necessária para o diagnóstico. 2-) Infarto sem supra ● ECG isquêmico ou não; ● Troponina +; →Classificação de risco para evolução com morte ou infarto (com supra) em pacientes com infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento 3-) Angina instável ● ECG isquêmico ou não; ● Troponina -. Segundo tal classificação, são considerados pacientes de risco para eventos graves (morte e infarto) aqueles com angina de repouso nas últimas 48 horas, principalmente em se tratando de angina pós-infarto. Maríli� Mir���� San���� 24 Car����og�� Aul� 06- Car����og��- Sín��om� Cor����i�n� Agu�� Par�� I� –Infarto A definição de infarto consiste em pacientes com valores de troponina cardíaca, em pelo menos uma dosagem, acima do percentil 99 do limite da normalidade. A lesão é considerada aguda se houver comportamento dinâmico com ascensão e/ou queda dos valores basais. Valores de troponina persistentemente são considerados lesão miocárdica crônica. A definição do IAM implica a presença de lesão miocárdica aguda em um contexto clínico de isquemia miocárdica: ● Sintomas sugestivos de isquemia miocárdica aguda; ● Nova alteração isquêmica no ECG; ● Nova onda Q patológica no ECG; ● Exame de imagem evidenciando nova alteração de contratilidade ou perda de miocárdio viável consistente com etiologia isquêmica; ● Identificação de trombo intracoronário por angiografia. –Com ou Sem Supra? Fisiologia A placa pode sofrer rotura ou fissura ou ter o seu endotélio desnudado. Tais eventos costumam ser mais frequentes em placas jovens, com grande quantidade de lipídios e menor quantidade de colágeno, fibroblastos e cálcio. Após a instabilização da placa, principal mecanismo de descompensação da SCA, forma-se sobre ela o trombo, a partir da agregação plaquetária. Esse trombo pode ocluir de forma completa ou parcial a luz do vaso, o que limita a oferta de oxigênio para o tecido miocárdico e, dessa maneira, determina a síndrome clínica.Quando a obstrução é completa, a forma de apresentação clínica é o IAM com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST); quando a obstrução é parcial e na presença de circulação colateral, ocorre o IAM sem supradesnivelamento do segmento st (IAMSSST) ou angina instável (AI). Obs: A diferença entre AI e IAMSSST é que a angina instável se dá sem determinar lesão muscular miocárdica. Vale lembrar que, ao mesmo tempo que os mecanismos de trombose são ativados pela instabilização da placa aterosclerótica, há ativação dos mecanismos fibrinolíticos locais. O resultante do equilíbrio entre essas forças determina a progressão, a estabilização ou a regressão da obstrução coronariana, a partir da formação ou lise do trombo local. →Tipos de Infarto a-) Tipo I ● Relacionado a aterotrombose de coronária e ocorre por rotura ou erosão da placa; ● Definido pela elevação acima do LSN e/ou queda de ao menos um valor de troponina associada a sintomas de isquemia miocárdica aguda, novas alterações isquêmicas ao ECG, surgimento de onda Q patológica; b-)Tipo II ● Desbalanço entre a oferta e a demanda de oxigênio pelo miocárdio não relacionada a fenômeno aterotrombótico; ● É definido pela elevação acima do LSN e/ou queda de ao menos um valor de troponina e evidência de desbalanço entre consumo e demanda de oxigênio pelo o miocárdio, associada a sintomas de isquemia miocárdica aguda, novas alterações isquêmicas ao ECG, surgimento de onda Q patológicas, novas alterações de mobilidade da parede miocárdica ou de nova perda de miocárdio viável; Maríli� Mir���� San���� 25 Car����og�� ● Exemplos de causa: taquiarritmia sustentada, hipertensão severa, anemia, hipotensão ou choque e espasmo coronário; o grande queimado e o politraumatizado; ● Geralmente não há uma área de isquemia prévia; ● O tratamento gira em torno da causa do estresse. –Tratamento Na sala de emergência, o paciente com dor torácica deve ser avaliado visando à rápida identificação da SCA e mantido em repouso, recebendo morfina, oxigênio, nitrato e AAS para o controle da dor. (MedCel 2022). Obs:Oxigenoterapia ● Oxigenioterapia em pacientes com risco intermediário a alto, na presença de saturação inferior a 90% e/ou sinais clínicos de desconforto respiratório; Obs: MOVED→ D de desfibrilador. →Uso de nitratos ● Uso de nitrato sublingual para alívio de angina; ● Uso de nitrato endovenoso para controle da angina persistente, hipertensão arterial ou sinais de congestão; ● Quando não usar nitratos: Uso associado a hipotensão arterial, infarto do ventrículo direito (em supra de parede inferior faz precordiais direitas para avaliar se tem ou não infarto da parede direita), uso de inibidores da fosfodiesterase sildenafil e vardenafil (levitra) dentro de 24 horas e tadalafila (viagra) dentro de 48 horas com a dose de 20mg; Obs: As estatinas de alta potência são iniciadas nas primeiras 24 horas após o diagnóstico (alvo de LDL<50). →Diferenças básicas ● Com supra a artéria deve ser aberta o mais rápido possível; ● Sem supra o tratamento invasivo pode acontecer em 12-24 horas. 1-)Cenário sem supra a-)Aspirina ● Não pode ser usada em reação alérgica grave ou em sangramento gastrointestinal ativo; ● Age inibindo irreversivelmente a agregação plaquetária pelo bloqueio do tromboxanoA2; ● Inibe a formação da COX-1, enzima fundamental no processo de agregação plaquetária. Por inibir de forma irreversível, seu efeito persiste enquanto dura a sobrevida da plaqueta (7-10 dias); ● 2 a 3 comprimidos mastigável/ macerado (cada um tem 100mg), resultando em 200-300 mg; ● Dupla antiagregação plaquetária: AAS + clopidogrel; no serviço privado,o AAS é associado com prasugrel que só pode ser usado após o cateterismos e em paciente que não tiveram um AIT prévio, em pacientes com baixo peso ou com mais de 70 anos; ● Em casos de alergia a AAS, utiliza-se o clopidogrel 75mg, 4 Maríli� Mir���� San���� 26 Car����og�� cp (300mg) e manutenção de 75mg/dia; ● Outro agregante plaquetário: ticagrelor, com melhor eficácia em relação ao clopidogrel; b-)Antagonista do ADP ● Clopidogrel 75mg; ● Atua por bloqueio irreversível do receptor plaquetário de ADP, via diferente do AAS, sua associação a este não aumenta significativamente o risco de sangramento e reduz o risco de re-infarto e angina pós-infarto; ● Seu uso deve ser suspenso de 5 a 7 dias antes da abordagem cirúrgica para revascularização do miocárdio, pelo risco elevado de sangramento no pós-operatório. c-)Anticoagulante ● Preferencialmente HBPM (enoxaparina), pois dispensa controle laboratorial e determina menor incidência de plaquetopenia; ● Enoxaparina 1mg/Kg 12/12 horas SC quando manutenção; ● Heparina não fracionada é uma boa opção se houver alto risco hemorrágico e cateterismo ultraprecoce. Indicado na doença renal crônica avançada em bolus de 60 U/Kg 12 U/Kg, h na bomba de infusão; meta de TTPA de 1,5 a 2,5; d-)Angioplastia ● Não se faz fibrinolítico em infarto sem supra; o paciente provavelmente fará supra, mas não necessariamente de imediato; ● HEART escore (história, ECG, idade, risco e troponina): deve ser utilizado para estratificação de risco e auxílio na decisão de alta hospitalar precoce; paciente com escore < 3 associado à troponina em tempo hábil negativa, ECG sem alteração isquêmica e ausência de antecedentes de DAC podem ser liberados do serviço de emergência com segurança para reavaliação ambulatorial; ● Uso de timi risk model pode agilizar a internação do paciente. 2-)Cenário com supra a-)Abrir a artéria ● Preferencialmente à angioplastia ao uso de fibrinolíticos; ● Se o paciente conseguir ser transferido em 2 horas, a angioplastia é ainda preferencial. Sendo que em menos de 90 minutos, dada a entrada do paciente na unidade terciária, a mesma deva ser realizada; mas se o hospital tiver hemodinâmica, a angioplastia deve ser realizada em até 60 minutos; ● Só faz trombólise paciente com supra ou BRE novo ou supostamente novo; ● Os fibrinolíticos não podem ser usados em: 1-Cabeça: AVCh, AVCi nos últimos 3 meses, qualquer sangramento intracraniano em qualquer época da vida, trauma cranioencefálico nos últimos 3 meses, neoplasia ou malformação formação arterio-venosa no SNC; 2-Tórax: Dissecção de aorta; 3-Barriga: Sangramentos ativos; ● As contra-indicações relativas, como gestação, devem ser pesadas o risco e o benefício; ● Se o paciente não está dentro dessas contraindicações e apresenta infarto com supra e dentro da janela de 6 horas e vai demorar para chegar à hemodinâmica, usa o trombolítico; ● Fibrinolíticos: Metalyse e alteplase. O clopidogrel é o único que pode ser usado na fibrinólise; Maríli� Mir���� San���� 27 Car����og�� →Fibrinolítico + clopidogrel + anticoagulante ● <75 anos: fibrinolítico + 300 mg clopidogrel + enoxaparina 30 mg EV +1mg/Kg, 12/12 horas, SC; ● >75 anos: fibrinolítico + 75mg clopidogrel + enoxaparina 0,75 mg/Kg, 12/12 horas, SC; ● Clearance de creatinina <30mL/Kg/m2 dose de anticoagulante de acordo com a idade apenas uma vez ao dia. Se menor que 15, evitar anticoagulante, Obs: Critérios de reperfusão (60-90 minutos) ● Redução do supra >50%; ● Melhora da dor; ● Arritmias de reperfusão; ● Pico precoce dos marcadores. Se não melhorar, solicitar angioplastia de reperfusão. →Angioplastia + Antagonista ADP + Anticoagulante + AAS ● Clopidogrel 600 mg (8 cp); ● Enoxaparina 1mg/Kg, SC 12/12 horas quando não há hemodinâmica; ● Durante um ano o paciente usa o anti plaquetário + AAS; ● Após um ano utiliza apenas o AAS. Obs: AAS para todas as situações de 200-300 mg. Aul� 07- Car����og��- In�ufi��ên�i� Car�íac� Crôni�� –Introdução A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome complexa que resulta de qualquer anormalidade estrutural ou funcional que prejudique o enchimento ventricular ou a ejeção do sangue. Também se caracteriza pela incapacidade do coração de suprir as necessidades metabólicas do organismo, e diferentes estruturas cardíacas podem estar acometidas e determiná-la. É possível, ainda, que ocorra não por mau funcionamento cardíaco, mas por excessiva demanda metabólica tecidual, como acontece na anemia, na sepse e em outras situações em que a IC é dita de alto débito. Por definição, para o estudo da IC, o grande marcador é a presença de baixo débito cardíaco por disfunção miocárdica ventricular, já que essa é a forma mais frequente de apresentação. A disfunção pode ocorrer por predomínio de dificuldade para relaxamento miocárdico (IC diastólica) ou de déficit contrátil (IC sistólica). São exemplos de doenças que causam IC diastólica: isquemia miocárdica, miocardiopatia hipertensiva ou hipertrófica e doenças infiltrativas do miocárdio (amiloidose, sarcoidose). Já a dilatação ventricular e a consequente disfunção sistólica representam a via final comum de diferentes miocardiopatias como isquêmica, hipertensiva, chagásica e dilatada idiopática. –Revisando o Guyton Após uma injúria ao coração que leva ao estado de baixo débito cardíaco, diversos mecanismos são ativados para compensar a queda do débito cardíaco por aumento de inotropismo e cronotropismo, mantendo a pressão arterial à custa de vasoconstrição arterial e periférica (sistema nervoso autônomo simpático) e retenção de sódio e água (sistema renina-angiotensina- aldosterona). Mesmo procurando melhorar o débito cardíaco, esses mecanismos também podem ser deletérios. A persistência de um regime de pressão cronicamente elevado nas câmaras cardíacas acaba causando hipertrofia e dilatação miocárdica, além de elevação das pressões nos átrios e nas circulações sistêmica e pulmonar. A taquicardia e o aumento da contratilidade podem desencadear Maríli� Mir���� San���� 28 Car����og�� isquemia do miocárdio, e o aumento da pré-carga agrava a congestão pulmonar. A vasoconstrição excessiva eleva demasiadamente a pós-carga, dificultando o esvaziamento cardíaco, além de prejudicar a perfusão dos demais órgãos. Há aumento dos níveis de vasopressina, responsável pela absorção de água livre de sódio, podendo gerar hiponatremia, marcador de severidade da IC e de prognóstico. Também pode ser utilizada, quando revertida, como indicador de compensação do quadro de IC. Outros mecanismos compensatórios promovem vasodilatação, natriurese e diurese por meio da ação de peptídeos natriuréticos do tipo B (BNPs), de algumas prostaglandinas e da bradicinina. Embora interajam continuamente, as ações vasoconstritoras e retentoras de sódio superam as ações vasodilatadoras e natriuréticas, resultando em um aumento da resistência vascular periférica e na retenção de sódio e água. –Sinais e sintomas Quanto aos sintomas, o paciente queixa-se de dispneia aos esforços moderados, dispneia paroxística noturna* e de edema em MMII. Costuma ser um paciente com fatores de risco já presentes, como tabagismo, hipertensão ou diabetes. Obs: A dispneia paroxística noturna é a dispneia que não passa rapidamente, que acontece principalmente à noite porque em decúbito há o aumento de líquido extravascular no pulmão. A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica acompanhada por sinais como turgência jugular, creptos à ausculta (bilaterais, com predominância do lado direito sobre o lado esquerdo; caracterizado por uma grande força inspiratória para dilatar o alvéolo que está colabado). Obs: As vezes é possível que os creptos da ausculta sejam abolidos,pois o paciente pode evoluir com edema de pulmão e no tratamento, com diurético, o crepto pode retornar. Ou seja, a ausculta pode indicar tanto uma piora da evolução do quadro quanto uma melhora diante do tratamento. O lado direito fica mais congesto que o esquerdo, isso ocorre porque os vasos linfáticos direitos têm uma menor densidade que o esquerdo, facilitando a reabsorção do lado direito. Por isso, é mais provável que aconteça uma congestão quando há crepitos do lado direito do que do lado esquerdo. –Principais sinais e sintomas: ● Creptos; ● Baqueteamento digital (hipóxia); ● Edema de MMII; ● Sopros; ● Arritmia; ● Taquicardia; ● Bulhas hipofonéticas (força de contração é menor); ● Turgência jugular; ● Ortopneia; ● Sopro. Obs: *Edema Pulmonar →Zonas de West: A zona superior é mais ventilada do que perfundida, a zona média tem um bom equilíbrio, já a zona inferior é mais perfundida do que ventilada. É na porção inferior que se aloja mais água, dificultando a troca gasosa, gerando o distúrbio VQ, em que há perfusão, mas não há ventilação. O paciente em Maríli� Mir���� San���� 29 Car����og�� ortopneia vai ter o líquido difuso no pulmão, aumentando a área do distúrbio VQ e, por isso, o paciente deita com travesseiros para o líquido descer para a zona inferior. –Critérios de Framingham Para fazer o diagnóstico é preciso a presença de 2 critérios maiores associados a 1 menor ou 2 menores a-)Maiores 1. Dispneia paroxística noturna; 2. Estase jugular; 3. Estertores crepitantes à ausculta pulmonar; 4. Cardiomegalia à radiografia de tórax; 5. Terceira bulha; 6. Refluxo hepatojugular; 7. PVC>16 cm/H2O*; 8. Perda de 4,5Kg após 5 dias de tratamento. Obs: Todo paciente hepatopata e com IC devem ser pesados todos os dias em jejum no hospital para avaliação de diurese. b-)Menores 1. Edema de tornozelos bilateral; 2. Tosse noturna; 3. Dispneia aos esforços; 4. Hepatomegalia; 5. Derrame pleural; 6. Taquicardia. –Exames complementares ● Radiografia de tórax: sinal do duplo contorno, sinal da bailarina (esses primeiros são o aumento do átrio esquerdo), linha de Belly-Kerly; ● Eletrocardiograma; –Exames laboratoriais ● Hemograma; ● Função renal; ● Ionograma; ● Glicemia de jejum; ● Lipidograma; ● TSH/T4 livre; ● TGO/TGP; ● Cinética do ferro (ferro sérico, ferritina, saturação de transferrina)*; Obs*:O paciente pode estar diante de um quadro de anemia decorrente de uma débito cardíaco baixo, que influencia a uma baixa de eritropoietina gerando anemia. A anemia gera metabolismo anaeróbico, gerando hipóxia e provocando, mais uma vez, uma baixa de eritropoietina. –ECO ● Avalia função sistólica e diastólica; ● Classifica; ● Define etiologia; ● Avalia complicações. →Para quem solicitar? ● Todo paciente com suspeita de insuficiência cardíaca; ● Repetição quando o paciente exibe mudanças significativas de seu estado clínico ou mudanças no tratamento. –BNP ou Pro-BNP Quanto mais dilatado, quanto maior as pressões de enchimento, o coração libera o BNP para estimular a diurese. Entretanto, ele funciona como um marcador de risco, já que este não consegue promover melhora clínica do paciente. Ou seja, o BNP é um marcador de risco, indicando que há alguma patologia cardíaca. →Recomendações ● Quando há dúvida no diagnóstico da IC; ● Estratificação prognóstica na IC; ● Medidas seriadas como complemento ao exame físico, para avaliar resposta ao tratamento; ● Dosagem de troponina T ou I na estratificação prognóstica; ● Medidas seriadas para guiar o tratamento com alvo pré-definido a ser atingido. –Classificação de New York Heart Association Maríli� Mir���� San���� 30 Car����og�� ● NYRA I: Ausência de sintomas; ● NYRA II: Atividades físicas habituais causam sintomas; limitação leve; ● NYRA III: Atividades físicas menos intensas que as habituais causam sintomas; limitação importante, porém confortável ao repouso; ● NYRA IV: Incapacidade para realizar qualquer atividade sem apresentar desconforto; sintomas no repouso. –Definição de insuficiência cardíaca, de acordo com a fração de ejeção de ventrículo esquerdo ● Fração de ejeção reduzida é menor que 40%; ● Diz-se fração de ejeção preservada quando a fração de ejeção maior ou igual a 50%; ● Diz-se fração de ejeção melhorada quando há um aumento maior ou igual a 10% em que esta fique acima de 40%; ● BNP elevados ; ● Alteração estrutural e disfunção sistólica (quando preservada há alteração estruturadas e/ou disfunção diastólica); ● Nem mesmo quando a fração de ejeção é preservada o diagnóstico é isento. –Classificação por estágios Estágios Condições A Paciente sem insuficiência cardíaca, mas com fatores de risco para a patologia. B Paciente com doença cardíaca estrutural, mas é assintomático; como a hipertrofia ventricular esquerda. C Paciente com doença cardíaca estrutural e com sintomas atuais ou prévios. D Paciente com doença cardíaca avançada, refratário à terapia medicamentosa e sintomático. Obs: As classes são evolutivas, ou seja, uma vez atingido um estágio, não retrocede para o anterior. –Etiologia ● Isquêmica (maior causa); ● Hipertensiva (terceira causa); ● Chagásica (quarta causa); ● Valvar; ● Alcóolica; ● Endócrinas; ● Autoimune; ● Infiltrativas; ● Quimioterapia (CA de mama); desoxiuridina faz lesão cardíaca; ● Periparto. –Tratamento Parte 1 ● É feito por estágios; ● Pode ser farmacológico ou não farmacológico; ● Vacinação. Estágio A ● Tratamento da hipertensão; ● Interrupção do tabagismo; ● Redução da ingesta excessiva de álcool; ● Uso de estatinas para pacientes com DAC ou elevado risco cardiovascular. Estágio B ● IECA na disfunção do VE assintomática; ● IECA na disfunção do VE assintomática de etiologia isquêmica; ● Betabloqueador em adição ao IECA na disfunção do VE assintomática de etiologia isquêmica; ● Betabloqueador adição do IECA na disfunção do VE assintomática de etiologia isquêmica; Maríli� Mir���� San���� 31 Car����og�� ● Antagonista mineralocorticoide em paciente pós-infarto com disfunção de VE (FEVE<40%) e diabetes. Estágio C e D ● Evitar ingesta excessiva de sal (consumo de 5-7 g/dia); ● Não há evidências robustas para restrição de água; ● Dieta do mediterrâneo e dieta dash; ● Evitar tabagismo; ● Evitar o excesso de bebida; ● Tomar vacina influenza anualmente e pneumocócica a cada 5 anos. Aul� 08- Car����og��-IC� t�a��m���o –Conceitos fisiológicos para entender o tratamento ● PA é o produto entre o débito cardíaco e a resistência vascular sistêmica; ● O débito cardíaco é o produto da frequência cardíaca e o volume sistólico; ● Ou seja, a PA é a frequência cardíaca vezes o volume sistólico e posteriormente multiplicado pela resistência vascular sistêmica; ● Na queda do débito e da PA, todos os órgãos são afetados. Nos rins, na mácula densa, ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, aumenta a reabsorção de sódio e água para aumentar o volume; o sistema nervoso autônomo simpático aumenta as catecolaminas na circulação para aumentar a frequência e o volume sistólico, pelo estímulo dos receptores beta-1 no coração; ● A resposta das catecolaminas é mais rápida quando comparada a resposta renal; ● O tratamento vai ser baseado na ativação do sistema nervoso autônomo simpático, com IECA, BB e espirolactona, que inibem o mesmo sistema que tenta manter a homeostase. O sistema homeostático tem ótima funcionalidade em eventos agudos, mas não por longo período, pois as catecolaminas e o SRAA com o tempo levam à morte miocitária das células cardíacas. →Medicações para IC de FER a-)Antagonista de Mineralocorticóides ● Espironolactona 25-50 mg, 1x/dia; ● É utilizado em paciente da classe NYHA II-IV, em pós-infarto com FEVE<40%; ● É preciso ter precaução em creatinina >2,5 mg/dL e K >5,5 mEq/L; ● Reduz a morbidade e mortalidade; ● Reduz hospitalização. b-)IECA/BRA/INRA →IECA/BRA ● Preferencialmente deve-se usar o IECA; ● A tosse é mais comum no IECA; ● O BRA só é utilizado quando o paciente não tolera o IECA (tosse intensa); ● Geralmente com o início do IECA há uma piora dafunção renal, mas isso é decorrente da ativação do SRAA para a homeostase na IC, então o IECA vasodilata os vasos renais, diminuindo a função renal. O normal é que caia em 50% a creatinina sérica; ● As contraindicações do IECA/BRA são: creatinina > 3 mg/dL, clearance <2,5, K> 5,5, gestação e angioedema; doença renal crônica é uma contraindicação relativa; ● Não se pode usar o duplo bloqueio SRAA I (IECA + BRA), pois piora a função renal do paciente; Maríli� Mir���� San���� 32 Car����og�� Obs: A losartana tem a dose alvo de 150mg por dia. →INRA ● Sacubitril/valsartana (INRA + BRA); ● A neprisilina degrada o BNP; ● Benefícios do BNP: diminui a pressão arterial, diminui o tônus simpático, aumenta a natriurese e a diurese, diminui vasopressina, diminui fibrose/ hipertrofia e diminui a aldosteona; ● BNP inibe o SRAA, diminuindo a PA, e aumenta a atividade do BNP; ● Nos pacientes que usam IECA, aguarda-se 36 horas para o início da droga, pois a associação antes desse horário predispõe a uma hipotensão grave (o contrário também é verdadeiro); ● As contraindicações são: creatinina >2,5, hipercalemia e angioedema. c-)BB ● Bloqueiam o sistema nervoso autônomo simpático; ● Os únicos utilizados são: carvedilol, succinato de metoprolol e bisoprolol; ● A frequência cardíaca alvo dos pacientes é de 60 bpm; ● Considera-se estável quando o paciente está com a frequência adequada ou quando está na dose máxima tolerada; ● Inicialmente há uma piora da classe funcional inicialmente, para posteriormente melhorar. Na prática, pode-se iniciar o BB na menor dose associado a um diurético (furosemida) por uma semana e, posteriormente, retirar o diurético; ● É a medicação que mais reduz a mortalidade, inclusive a morte súbita; ● Bisoprolol ou succinato de metoprolol são preferíveis em paciente com asma/DPOC; ● Contraindicações: BAV de alto grau, hipotensão, bradicardia e gestação; →Observação SanarFlix Regra de ouro para uso dos betabloqueadores (BB) na IC descompensada: se for virgem de tratamento, NÃO INICIAR durante uma descompensação. Se já faz uso, MANTER se não houver baixo débito e REDUZIR ou SUSPENDER em caso de baixo débito. d-)iSGLT2 ● A glifozina é uma inibidora do co-transporte sódio-glicose do tipo II, ou seja, impedindo a recaptação de glicose e água, aumentando a diurese; ● Reduz a mortalidade, o risco cardiovascular tanto micro como por macrovascular e o risco de diálise; ● Diminui a pressão arterial sistólica, melhora o controle glicêmico; ● No EAS virá glicosúria, mas é o esperado pois a medicação diminui a reabsorção de glicose nos rins, aumentando o seu teor na urina; ● Reduz hospitalização. –Medicações complementares ao tratamento a-)Digoxina ● Muito pouco utilizada; Maríli� Mir���� San���� 33 Car����og�� ● Aumenta o AMPc e o cálcio intracardíaco, aumentando a função cardíaca; ● Só deve ser utilizado em um cenário específico e se for possível dosar a sua quantidade de sanguínea, pois a janela de risco e benefício é bastante curta; ● É mais restrita ao especialista. b-)Diuréticos ● Utilizado em edema, crepito, congestão; ● Hidroclorotiazida só tem efeito diurético por até 4 semanas e posteriormente ela reduz a resistência vascular, diferente da furosemida que é diurético e só tem comportamento anti-hipertensivo em paciente renal crônico que urine; c-)Ivabradina ● Muito pouco utilizada; ● É associada ao BB para reduzir a frequência cardíaca. d-)Hidralazina + Nitrato ● É uma opção para as medicações que não podem ser utilizadas em diminuição de função renal e hipercalemia; ● Reduz a pós-carga. –Fluxograma Obs: Os INRA passaram a ser classe 1 em 2023 →Atuação do generalista ● O tratamento inicialmente é feito com IECA/BRA e BB e espironolactona (Classe I) ou INRA substituindo IECA/BRA (Classe II); ● Se NYRA ficar acima de 2, o paciente evolui o tratamento para INRA e/ou iSGLT2; ● Tratamento ouro de hoje: valsartana/sacubitril + BB + espironolactona + iSGLT2. Aul� 09- Car����og��- IC Agu�� –Introdução É determinada pelo início ou piora dos sintomas de uma IC, o qual o sintoma principal é a dispneia. Esse quadro pode ser uma primo-manifestação ou pode ser uma exacerbação de uma IC já diagnosticada previamente. –Abordagem A abordagem inicial dos pacientes na sala de emergência com suspeita de IC aguda deve ser realizada de forma sistemática, seguindo quatro etapas distintas: definição de risco imediato de vida, diagnóstico de IC aguda, perfil hemodinâmico e abordagem terapêutica. Essas quatro etapas da abordagem inicial sistematizada devem ser realizadas idealmente dentro dos primeiros 120 minutos de admissão, para estabelecer, de forma rápida, o tratamento da IC aguda, o que terá como benefícios uma melhor evolução prognóstica intra-hospitalar. a-)Avaliar o risco iminente de vida Na admissão dos pacientes com suspeita clínica de IC aguda, devemos, inicialmente, identificar se o paciente encontra-se em alto risco imediato de vida, por meio da avaliação do fator causal, da apresentação clínica, da presença de arritmias ou de bradiarritmias ou alterações isquêmicas agudas no ECG Maríli� Mir���� San���� 34 Car����og�� e da presença de elevação de troponina ou dos indicadores de inflamação. Estes pacientes devem ser identificados e tratados nos primeiros 30 minutos da admissão, por meio de fluxogramas terapêuticos específicos. ● Insuficiência respiratória; ● IAM; ● Choque cardiogênico; ● EAP; ● Taquiarritmia ou bradicardia; ● Causa mecânica aguda; ● EH; ● EP; ● AVC; ● Comorbidades descompensadas. b-)Diagnóstico de IC-Aguda A suspeita clínica de IC aguda tem como base a identificação da presença de congestão pulmonar ou sistêmica por meio da história clínica e do exame físico. Os achados clínicos, ao serem analisados de forma agrupada pelos critérios de Framingham, apresentam maior acurácia diagnóstica, podendo chegar a 75%. A história clínica pregressa ou de internação por IC bem definidos, assim como a identificação do fator causal ou agravante, são fortes indicadores do diagnóstico possível de IC aguda. Os exames laboratoriais e de imagem devem ser solicitados na admissão, para complementar a avaliação clínica no diagnóstico da IC aguda, definir o fator causal e o diagnóstico diferencial, detectar comorbidades que possam agravar a IC aguda, definir e quantificar a congestão pulmonar sistêmica, e na presença de baixo débito cardíaco, assim como auxiliar no estabelecimento do perfil de risco admissional e prognóstico intra-hospitalar. Obs: Como a dispnéia é um dos sintomas principais na clínica do paciente com IC aguda, às vezes pode haver dúvida quanto a sua origem (cardíaca ou pulmonar). Para isso, faz-se o uso da dosagem do BNP para entender a origem da dispneia. Em casos em que o BNP estiver acima de 100 e/ou o NT-proBNP estiver acima de 300 pg/mL tem-se a confirmação de uma causa cardíaca. Quando abaixo dos valores, apresentam alta capacidade de afastar o diagnóstico de IC. Valores de BNP> 500 pg/mL e NT-proBNP>900 pg/mL indicam fortemente o diagnóstico de IC aguda. Maríli� Mir���� San���� 35 Car����og�� Outros exames laboratoriais que devem ser solicitados na admissão são: ● Troponina (na suspeita de doença arterial, miocardite ou Takotsubo); ● Eletrólitos (Na, K e Mg); ● Função renal; ● Proteína C-reativa; ● Coagulograma; ● Proteínas totais e frações; ● Hemograma completo; ● TGO e TGP e bilirrubinas; ● TSH (se >60 anos ou suspeita de doença tireoidiana); ● Gasometria venosa; ● Lactato. Obs: Só pede exame que vá modificar o curso do tratamento!!! Não é para sair pedindo tudo. Obs: Uma atualização importante é a utilização do USG beira-leito, que possui alta acurácia na detecção de congestão pulmonar e sistêmica. c-)Perfil Hemodinâmico A avaliação clínica de sinais de congestão pulmonar ou sistêmica, e da presença ou não de baixo débito cardíaco estabelece quatro modelos clínicos-hemodinâmicos, sendo o perfil de congestão associado à ausência de sinais de baixo débito cardíaco, o mais frequente observado e de melhor prognóstico. d-)TerapêuticaGuiada O tratamento é direcionado à causa da IC aguda ou ao fator que agudizou a IC prévia. –Conduta O manuseio terapêutico admissional dos pacientes com IC aguda tem como objetivos a correção dos distúrbios cardiopulmonares reconhecidos por meio da avaliação sistemática, para estabelecer a estratégia da abordagem terapêutica. →Paciente com suspeita de IC aguda ● Em 30 minutos deve ser feita a abordagem rápida; ● É preciso investigar se o paciente tem CHAMPS, para uma intervenção imediata nas principais causas de IC aguda ou de sua agudização→ C: síndrome coronariana aguda, H: emergência hipertensiva; A: arritmia; M: complicação mecânica (infarto ou pós-infarto); P: embolia pulmonar; S: sepse; ● Se não houver CHAMPS, faz-se a estratificação de risco (alto e baixo Maríli� Mir���� San���� 36 Car����og�� risco) a qual depende do perfil de cada paciente; ● Na dúvida se é uma dispneia de causa cardíaca ou pulmonar, o que auxilia é o BNP quanto maior o BNP, maior a probabilidade de ter uma causa cardíaca. →Fatores causais –Classificação de Stevenson a-) Perfil A- Quente-Seco ● Sem congestão e com boa perfusão; ● Enchimento capilar <3 segundos, diurese adequada, saturação boa, boa PA, bom nível de consciência; ● É o perfil que se deseja, pois ou o paciente está assintomático ou os sintomas estão relacionados com outra causa. b-) Perfil B Quente-Úmido ● Com congestão mas com boa perfusão; ● É o perfil mais comum; ● Edema de membros inferiores, crepitos na ausculta; ● O tratamento volta-se para a resolução da congestão. c-) Perfil C Frio-Úmido ● Com congestão e sem perfusão; ● Paciente em choque; d-) Perfil L Frio-Seco ● Sem congestão mas sem perfusão; ● Perfil menos comum; ● Choque hipovolêmico; ● Idosos que não tomam água e usam grande quantidade de diuréticos; ● Tratamento consiste em hidratação. –Congestão? ● Congestão pulmonar; ● Ortopneia/DPN; ● Dilatação venosa; ● Hepatomegalia; ● Ascite; ● Edema bilateral periférico. –Má perfusão? ● Extremidades frias e pegajosas; ● Oligúria; ● Confusão mental; ● Tontura; ● Achatamento pressão de pulso.; Obs: Hipotensão não é sinônimo de hipotensão!! –Tratamento a-)Quente-Seco ● Otimizar medicações modificadoras do curso da doença; ● i-SFGT2; ● INRA; ● Vacinas; ● Programas de reabilitação; ● Avaliar deficiência de ferro. b-) Quente-úmido ● Diurético + vasodilatador; ● O que, talvez, tenha levado o paciente à IC foi uma pós-carga aumentada, e com o vasodilatador haverá uma diminuição da pressão aórtica, facilitando a perfusão da medula renal; Maríli� Mir���� San���� 37 Car����og�� ● Vasodilatadores: Nitroprussiato (potente vasodilatador arterial e venosos) e Nitroglicerina (vasodilatador, diminui a pré-carga; melhor opção se não for uma emergência hipertensiva); ● Diuréticos: Furosemida (a dose depende). Teste de estresse 1mg/Kg e avalia a reação do paciente. É de concentração dependente, ou seja, melhor fazer mais doses em um intervalo de tempo maior ou menos doses em um intervalo menor; →Metas do Perfil B c-) Perfil C Frio-Úmido O paciente perfil C, é aquele que está diante de um quadro de congestão também enfrenta hipoperfusão. Para estes, diferente do perfil B, a congestão é resolvida após a melhora da perfusão, porque para haver diurese é preciso aumentar o fluxo sanguíneo renal. Por isso, faz-se uso da dobutamina, que agindo nos receptores beta adrenérgicos aumentam o inotroprismos (força cardíaca) e, consequentemente, o fluxo sanguíneo na mácula renal. Entretanto, a dobutamina exige uma pressão sistólica mínima para seu funcionamento, o que, na prática clínica, se conhece por cabeça de pressão. Para pressões abaixo da cabeça de pressão, faz-se uso de vasoconstritores para aumentar a PA até o valor mínimo desejado (não precisa aumentar demais a pressão do paciente). →PAS 85-110 ● Faz-se a dobutamina sem a necessidade de noradrenalina; →PAS <85 ● Faz a noradrenalina e depois a dobutamina; ● Desvantagens da dobutamina: eficácia reduzida se o paciente fizer uso de BB; ● É preciso fazer a suspensão do BB, IECA e BRA, se o paciente estiver em uso. d-) Perfil L ● Hidratação cautelosa; ● Considerar inotrópico; ● Considerar vasopressor. Blo�� I� Aul� 10- Car����og��- Do�nça de Cha��� e Feb�� Re�máti�� –Cardiomiopatia Chagásica A infecção em humanos ocorre pelo Trypanosoma Cruzi e tem como vetor os insetos do gênero Triatomíneo, em sua maioria. É considerada a maior infecção parasitária sistêmica do mundo, com cerca de 12 a 14 milhões de infectados nas Américas e 1,8 milhões de infectados no Brasil. A cardiopatia chagásica é essencialmente uma miocardiopatia dilatada em que a inflamação crônica, usualmente de baixa intensidade, mas Maríli� Mir���� San���� 38 Car����og�� incessante, provoca destruição tissular progressiva e fibrose extensa no coração. →Ciclo da doença O ciclo de vida do T. cruzi inicia quando o barbeiro, ao se alimentar do hospedeiro vertebrado, elimina suas fezes e urina, onde podem estar presentes as formas tripomastigotas. Os parasitas tripomastigotas penetram na pele e infectam as células do hospedeiro, onde transformam-se para a forma amastigota. Quando as células estão repletas de parasitos, eles novamente mudam para a forma tripomastigotas. Por estarem com grande quantidade de parasitos, as células se rompem e os protozoários atingem a corrente sanguínea, atingindo outros órgãos. Nessa fase, se o hospedeiro vertebrado for picado pelo barbeiro, os protozoários serão transmitidos ao inseto. No intestino do barbeiro, mudam sua forma para epimastigotas, onde multiplicam-se e tornam-se novamente tripomastigotas, as formas infectantes aos vertebrados. Obs: Nem toda pessoa que é infectada manifesta a doença, pois isso depende do sistema imunológico do paciente. O dano cardíaco resulta das alterações fundamentais (inflamação, necrose e fibrose) que o T.cruzi provoca, direta ou indiretamente, no tecido especializado de condução, no miocárdio contrátil e no sistema nervoso intramural. O frequente comprometimento do nó sinusal, do nó atrioventricular e do feixe de His, por alterações inflamatórias, degenerativas e fibróticas, pode dar origem a disfunção sinusal degenerativas e fibróticas, pode dar origem a disfunção sinusal e a bloqueios variados atrioventriculares e intraventriculares. Por serem estruturas mais individualizadas, o ramo direito e o fascículo anterior-superior esquerdo são mais frequentemente afetados. →Formas de transmissão ● Principal forma de transmissão é a vetorial: 80-90% dos casos (pelo contato da pele ou mucosas com fezes do inseto barbeiro); ● Materno fetal: de 1-2%; ● Oral: infestação parasitária maciça. Geralmente causa quadro clínico grave, com alta taxa de mortalidade; ● Acidental; ● Transfusão de sangue com bolsas contaminadas; ● Transplante de órgãos contaminados. Obs: Os pacientes que são infectados de forma oral, podem evoluir com quadro inespecífico (febre, adinamia, prostração) e subitamente podem progredir com miocardite. Para esses casos, quanto maior o contato com o patógeno, maior a intensidade da doença (Chagas Maciço ou Fulminante). →Patogenia ● Não é totalmente conhecida; ● O que diferencia se o paciente vai evoluir ou não a doença relaciona-se com a resposta imune, com disfunção endotelial e autonômica; →Como ocorre… Ocorre a infecção ao T.cruzi e o paciente pode ou não desenvolver infecção aguda, esta ser assintomática (a maioria) ou sintomática. Destes casos ocorre cura em cerca de 50-80% dos Maríli� Mir���� San���� 39 Car����og�� casos (por drogas antiparasitárias), uma minoria evolui para a fase crônica e menos que 5-10% dos sintomáticos evoluem para a morte por miocardite e meningoencefalite. Na fase crônica há a possibilidade de cura em cerca de 20-60% (drogas antiparasitárias), caso esse em que ainda o paciente pode permanecer na forma indeterminada permanentemente, ou pode ocorrer evolução para sintomatologia cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva. Obs: A maioria dos pacientes da fase crônica permanecem na fase crônica indeterminada(sem sintomatologia). –Formas Clínicas A doença de chagas (DC) pode ser classificada evolutivamente em duas fases: aguda e crônica. A fase aguda pode ser devida à infecção primária ou a reativação da fase crônica. Na fase crônica, quatro situações clínicas podem evoluir: forma indeterminada, forma cardíaca, forma digestiva e forma mista. a-)Fase Aguda ● É mais comum em crianças; ● Com duração de 4-8 semanas de forma limitada na maioria dos casos; ● Os locais de inoculação podem evoluir com vermelhidão local (Chagoma de Inoculação); ● Pode evoluir com sepse parasitária: febre, taquicardia, anorexia e hepatoesplenomegalia; ● Pode desenvolver miocardite aguda e meningoencefalite; ● Se o local de penetração foi a região ocular, pode ocorrer conjuntivite acompanhada de edema palpebral unilateral (Sinal de Romanã); ● Pode decorrer também de reativação infecciosa a partir de fase crônica previamente estabelecida. Condições que provoquem imunossupressão podem causar proliferação dos parasitos, lesões necróticas ou tumorais no cérebro, esôfago e intensificação da miocardite. b-)Forma Crônica Após a fase aguda inicial, três condições clínicas podem surgir: indeterminada, cardíaca e a digestiva. b.1-)Fase Crônica Indeterminada ● Paciente assintomático associado a dois testes sorológicos positivos (por métodos diferentes); ● O paciente não possui evidências de alteração em ECO, RX, EDA e imagens de TGI; ● Representa cerca de 60-70% dos indivíduos da fase crônica; ● Pode evoluir para outra forma crônica (2-3%). b.2-)Forma Crônica Digestiva ● Cerca de 10-15% dos indivíduos da fase crônica; ● Quase exclusiva da região amazônica; ● O quadro clínico é de desnutrição, disfagia, odinofagia, constipação e etc; ● O paciente pode evoluir com megacólon afetando principalmente o cólon esquerdo (não aumenta a incidência de neoplasia); ● Além de megaesôfago (aumenta a incidência de neoplasia). Maríli� Mir���� San���� 40 Car����og�� b.3-)Fase Crônica Cardíaca ● Forma mais grave da doença; ● Afeta é 2-30% dos indivíduos; ● As manifestações cardíacas mais comuns são insuficiência cardíaca, tromboembolismo venoso, AVE e miocardite; ● A associação de BRD a um bloqueio divisional do ramo superior (BDS) deve ser um sinal de alerta, mas não patognomônico, para a investigação de chagas; ● Os BDS não alargam o QRS, mas mudam o eixo cardíaco. Presença de onda negativa de D2 e D3 na qual a D3 é mais negativa quando comparada ao do D2; diagnóstico de exclusão ● Paciente assintomático, sorologia positiva, com ECO e outros exames normais mas com ECG com alteração sugestiva, confirma-se o diagnóstico de fase crônica cardíaca; ● No ECO, é possível analisar, às vezes, um aneurisma de ponta de VE (dedo de luva), uma característica quase que patognomônica para chagas. →Como prosseguir 1. Anamnese + exame físico + epidemiologia; 2. ECG + ECO; 3. Se 2 testes positivos para Chagas. →Tratamento a-) Prevenção ● Benzonidazol; ● Usado para pacientes em fase aguda ou em um contexto epidemiológico favorável, fase crônica em crianças menores de 12 anos (diminuir a evolução futura para a forma cardíaca ou digestiva), reativação da doença, contaminação acidental, adultos entre 19 a 50 anos sem doença cardíaca avançada (sem IC); ● Não é utilizado para: gestante, insuficiência renal grave, insuficiência hepática, miocardiopatia chagásica avançada (IC) e megaesôfago com disfagia; nas contraindicações, trata-se apenas as complicações; ● Anticoagulação: é prescrito em pacientes com Chagas pelo alto risco de evolução para trombos; Varfarina. Obs: Escore de Rassi Obs: Pacientes com Chagas respondem melhor à transplante. –Prognóstico de mortalidade ● FE> 40%; ● Sintomas clássicos; ● Taquicardia ventricular não sustentada. –Febre Reumática Aguda A febre reumática (FR) e a cardiopatia reumática crônica (CRC) são complicações não supurativas da faringoamigdalite causada pelo estreptococos do grupo A e decorrem de resposta imune tardia a esta infecção em populações predispostas.Essa é uma doença que está frequentemente associada à pobreza e às más condições de vida. Assim, apesar da reconhecida redução da incidência da FR nas últimas décadas nos países desenvolvidos, com consequente redução na prevalência da CRC, a FR permanece como um grande problema de saúde pública. →Epidemiologia ● Doença de países em desenvolvimento e subdesenvolvidos; Maríli� Mir���� San���� 41 Car����og�� ● Está associado a condições de saúde e qualidade de vida; ● Impacta o sistema de saúde Brasileiro. →Etiopatogenia O desenvolvimento da FR está associado à infecção de orofaringe pelo EBGA, principalmente em crianças e adolescentes. Anticorpos e linfócitos T do hospedeiro dirigidos contra antígenos estreptocócicos também reconhecem estruturas do hospedeiro, iniciando o processo de autoimunidade. A resposta mediada por linfócitos T parece ser especialmente importante em pacientes que desenvolvem cardite grave. Os anticorpos na FR são importantes durante sua fase inicial e, provavelmente, pelas manifestações de poliartrite e coreia de Sydenham. →Diagnóstico O diagnóstico de febre reumática é clínico, não existindo sinal patognomônico ou exame específico. Os exames laboratoriais, apesar de inespecíficos, sustentam o diagnóstico do processo inflamatório e da infecção estreptocócica. A probabilidade de FR é alta quando há evidências de infecção estreptocócica anterior, determinada pelo ASLO, além da presença de dois critérios maiores ou um critério maior e dois menores (Critérios de Jones). →Critérios diagnósticos Critérios de Jones Dentre eles, há um critério obrigatório: Evidência de infecção pelo estreptococo do grupo A por meio de cultura de orofaringe, teste rápido para EBGA e elevação dos títulos de anticorpos (ASLO). Critérios de Jones Modificado –Manifestações Clínicas a-)Cardite ● 2º manifestação mais comum ocorrendo em 40-70% no primeiro surto; ● Apresenta-se 1 semana a 3 meses após infecção EBGA; Maríli� Mir���� San���� 42 Car����og�� ● Pode acometer qualquer tecido cardíaco; ● O acometimento valvar pode deixar sequelas (a valva mitral é a mais acometida, sendo a sequela valvar mais comum); ● A estenose mitral é a lesão (complicação) mais comum, na fase aguda é a insuficiência mitral; ● Durante a insuficiência mitral, fase aguda da doença, é possível ouvir um sopro de estenose mitral, a qual está edemaciada (sopro de Coodley); ● Outras evoluções: sopro cardíaco, sinais de IC, cardiomegalia, atrito pericárdico, edema de MMII, febre, ortopneia, dor torácica; ● Piora na mudança no padrão do sopro ou piora do status clínico pode significar novo surto; sempre pedir o ECO. →Tratamento Fase Aguda ● Erradicação da infecção estreptocócica: penicilina G benzatina; ● Anti-inflamatórios (AINES ou corticóides). No caso de cardite moderada a grave, deve-se preferir o uso de corticoides; ● Dose: prednisona 1-2mg/Kg/dia, VO (até 80 mg/dia), durante 10 a 14 dias. Reduzir lentamente até a retirada completa em 8 a 12 semanas. Se quadro refratário há opção de pulsos com metilprednisolona; b-)Artrite ● Manifestação mais comum da FR; ● Autolimitada e sem sequelas; ● Surge de 1-3 semanas após infecção EBGA; ● Apresenta-se de dois tipos: 1.Típica, representa 80% dos casos, (poliartrite aguda, simétrica e migratória e em pequenas articulações; possui melhora com AINE); 2.Atípica (moarticular e aditiva e em grande articulações); ● O paciente não tem sequelas! →Tratamento ● AINES por duas semanas ou; ● AAS por duas semanas; ● O corticóide não está indicado para a artrite. Se necessário seu uso deve ser por cardite associada. c-)Coreia de Sydenham ● Critério excepcional: na ausência de outros diagnósticos pode se utilizar para diagnóstico de FR de forma isolada; ● É uma manifestação tardia (1-6 meses pós infecção EBGA); ● Provas inflamatórias normais; ● A sua presença exclui a necessidade de outros achados para a comprovação diagnóstica; ● É preciso fazer diagnósticos diferenciais para descartar outras causas; ● É mais comumem meninas na adolescência. d-)Eritema Marginatum Maríli� Mir���� San���� 43 Car����og�� ● 5-13% é mais frequente em pacientes com cardite e nódulos subcutâneos; ● Está associado a manifestação mais raras, principalmente os nódulos subcutâneos associados à cardite grave. –Profilaxia a-)Profilaxia Primária ● Reconhecimento e tratamento das infecções estreptocócicas, com a faringoamigdalite, com a finalidade de prevenir o primeiro surto de FR, por meio da redução do contato e erradicação do estreptococo; ● Medicação indicada: Penicilina G benzatina; ● Opções à penicilina G benzatina: Penicilina V, via oral; amoxicilina (500mg, VO, 8/8 horas por 10 dias); eritromicina; claritromicina; azitromicina. b-)Profilaxia Secundária ● Uso contínuo de antibiótico específico em pacientes portadores de FR prévia ou com cardiopatia reumática comprovada, para prevenir colonização ou novas infecções estreptocócicas, que poderão levar a novos surtos da doença; ● Medicação indicada: Penicilina G benzatina a cada 21 dias; →Quando indicar a profilaxia ● FR sem cardite prévia: até 21 anos ou por 5 anos após último surto (cobrir maior período); ● FR com cardite prévia, sem sequelas: até 25 anos ou por 10 anos após surto (cobrir maior período); ● FR com cardite prévia e com sequelas (lesão valvar residual moderada a grave): penicilina G benzatina contínuo; ● Após cirurgia valvar: uso contínuo de penicilina G benzatina contínua. Obs: É preciso realocar o paciente de acordo com a profissão do mesmo. Aul� 11- Car����og��-Abo���g�� da Val����ti�� Mit��� –Valvopatia Mitral Os passos a serem seguidos, independente do tipo de valvopatia são estes: Primeiro passo: Certificar-se de que a valvopatia é anatomicamente importante e, se confirmada, progredir para segundo passo. Caso não seja, procurar diagnósticos diferenciais em pacientes sintomáticos e monitorizar a evolução em pacientes idosos. Segundo passo: Avaliar a etiologia, incluindo história clínica e antecedentes pessoais, em conjunção com exames complementares. Maríli� Mir���� San���� 44 Car����og�� Terceiro passo: Avaliar sintomas (fundamental na decisão de intervenção). O tratamento farmacológico está indicado para alívio dos sintomas até o tratamento intervencionista da doença valvar. Quarto passo: Avaliação de complicadores anatômicos e/ou funcionais. Pode ser determinante para intervenção nos pacientes assintomáticos. Quinto passo: Tipo de intervenção (o procedimento de correção da doença valvar pode ser cirúrgico ou transcateter, com indicação individualizada dependendo do risco operatório, das comorbidades. –Revisando Fisiologia Guyton Em pessoas com estenose mitral, o fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo é impedido e, nos casos de regurgitação mitral, muito do sangue fluiu para o ventrículo esquerdo, durante a diástole, reflui para o átrio esquerdo na sístole, em vez de ser bombeado para a aorta. Portanto, quaisquer dessas condições reduzem o movimento efetivo de sangue do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. →Compensação na Valvopatia Mitral Inicial O volume de sangue aumenta na valvopatia mitral devido, principalmente, à diminuição da excreção de líquido e de sal pelos rins. Esse aumento do volume sanguíneo eleva o retorno venoso para o coração, ajudando, assim, a superar o efeito da debilidade cardíaca. Portanto, após a compensação, o débito cardíaco pode cair apenas minimamente até os estágios finais da valvopatia mitral, mesmo que a pressão atrial esquerda esteja aumentada. Enquanto a pressão atrial esquerda aumenta, o sangue começa a se acumular, talvez, por toda a extensão de volta à artéria pulmonar. Além disso, o edema incipiente dos pulmões causa constrição arteriolar pulmonar. Esses dois efeitos juntos elevam a pressão arterial pulmonar sistólica e também a pressão ventricular direita. Por sua vez, esse aumento da pressão ocasiona hipertrofia do lado direito do coração, o que compensa, em parte, o aumento da sua carga de trabalho. →Edema Pulmonar na Valvopatia Mitral O acúmulo de sangue no átrio esquerdo provoca aumento progressivo da pressão atrial esquerda, o que resulta, eventualmente, no desenvolvimento de edema pulmonar grave. Na forma usual, não ocorre edema letal até que a pressão média atrial esquerda se eleve acima de 25 mmHg e, ocasionalmente, até 40 mmHg, porque a vasculatura linfática pulmonar aumenta muitas vezes e pode retirar o líquido dos tecidos pulmonares com extrema rapidez. –Patologias da Valva Mitral 1.Estenose Mitral –Estágios ● A: Possui fatores de risco ● B: Valvopatia discreta ou moderada ● C: Valvopatia importante assintomática ● D: Valvopatia importante sintomática. Maríli� Mir���� San���� 45 Car����og�� –Valva Mitral ● Valva bicúspide, dividida por dois folhetos, um anterior e o posterior; ● Se interpõe entre o átrio e o ventrículo esquerdo; ● Têm a função anti-refluxo (impede que o conteúdo saia da cavidade da qual saiu). –Fisiopatologia ● O aumento da pressão atrial esquerda, leva a dilatação do átrio esquerdo que, consequentemente, leva ao aumento da pressão arterial pulmonar nos capilares pulmonares por estenose da mitral (que provoca refluxo do sangue), leva ao extravasamento de líquido pulmonar e consequente edema; por isso a principal sintoma é a dispneia; ● O ventrículo esquerdo é pouco atingido pela estenose, pois sua atividade contrátil permanece a mesma, apenas a quantidade de sangue diminui; Diferentemente do átrio esquerdo que vai estar aumentado; –Etiologia –Exame Físico O exame físico é o primeiro recurso utilizado para avaliação anatômica da estenose mitral. →Sopro ● O sopro é decorrente de disfunção da valva; os sopros se dividem de acordo com a sua localização (mitral, tricúspide), intensidade (de 0 a 6 cruzes), momento do ciclo cardíaco (sistólico ou diastólico); ● O sopro da estenose mitral é diastólico (ruflar diastólico); ● O sopro tem irradiação para a região axilar frequentemente, diminuindo com a inspiração, valsalva e aumenta com o decúbito lateral esquerdo e exercício físico; ● O ruflar diastólico é TUM-RUUF-TA; Obs: Na ausculta do sopro, para saber se ele é diastólico ou sistólico, palpa-se o pulso do paciente e se o sopro acompanhar o pulsar, é sistólico; se o sopro surgir quando o pulsar for ausente é diastólico; se for nos dois períodos é holossistólico. →Ainda sobre a ausculta… ● B1 é hiperfonética (a pressão no átrio esquerda está alta, sendo necessária uma maior pressão no ventrículo para o fechamento da válvula); ● A B2 pode aparecer hipofonéticas; ● Estalido de abertura; ● Reforço pré-sistólico: intensificação do sopro com a contração atrial; exceto em pacientes com fibrilação atrial; Obs SanarFlix: O estalido precoce é, classicamente, considerado um marcador de gravidade. O exame físico costuma mostrar sinais de insuficiência cardíaca, com a presença frequente de congestão direita (sistêmica) e esquerda (pulmonar). Maríli� Mir���� San���� 46 Car����og�� –Exames a-)ECG ● Sobrecarga atrial esquerda (câmara mais atingida); a-) Onda P negativa em V1, e sua largura é maior que 1 quadradinho (Índice de Morris); b-) Onda P com declínio e depois positivando nas derivações precordiais c-)Onda P com aumento da velocidade em D1, D2 e aVF; ● Sobrecarga ventricular direita (Penalosa Tranchesi); ● É a única valvopatia que pode causar SAD + SAE + SVD!! b-)ECO ● Consegue avaliar a gravidade da lesão, sugere a etiologia, dá o escore de Wilkins (é algo do especialista), avalia se há valvopatias associadas e identifica trombos intracavitários; →Na Estenose Mitral, encontra-se no ECO: ● AVM (área valvar mitral) <1,5 cm2; ● Pressão aumentada (>10 mmHg); ● PSAP em repouso > 50 mmHg; ● PSAP no esforço > 60 mmHg. c-) Raio-X ● Sinal do Duplo Contorno; ● Sinal da Bailarina: aumento da “perna” do brônquio principal esquerdo; Outros achados –Sintomatologia ● Dispneia; ● Palpitações; ● Eventos embólicos; ● Disfagia (o átrio pode crescer a ponto de atingir o esôfago); ● Disfonia (o átrio pode crescer a ponto de atingiro nervo laríngeo recorrente); ● Hemoptise; ● Dor torácica por dilatação da artéria pulmonar. Obs: A estenose mitral leve não causa sintomas, por isso é importante investigar outras causas de dispneia em pacientes que se suspeita de estenose mitral leve. Obs: Estenose mitral grave é contraindicação para gravidez. –Tratamento ● Profilaxia de febre reumática (uso de penicilina G benzatina a cada 21 dias de forma contínua); ● Profilaxia de endocardite infecciosa; ● Restrição hidrossalina; ● Beta-Bloqueador: diminui a FC, aumentando o tempo de diástole. Minimizando os sintomas; ● Diuréticos: utilizado para congestão com atenção para não causar baixo débito cardíaco; ● Varfarina para os pacientes que passaram por procedimento cirúrgico (uso contínuo). –Quando etiologia reumática →Valvoplastia mitral por cateter-balão Maríli� Mir���� San���� 47 Car����og�� ● Indicações: sintomas e/ou fatores complicadores escore de Wilkins < 8; ● Contraindicações: trombo de AE, insuficiência mitral importante ou moderada e fenômenos embólicos recentes. Obs SanarFlix: Pacientes com estenose mitral assintomática não necessitam de profilaxia de endocardite de rotina, a menos que tenham outros fatores de risco. A profilaxia é geralmente reservada para procedimentos dentários invasivos em pacientes com alto risco de endocardite infecciosa. –Cirurgia ● Comissurotomia/ troca valvar; (prótese biológica/ prótese mecânica); ● Indicado para etiología reumática grave (CF III-IV); ● Contraindicado à VMCB; ● Também indicada para etiologia degenerativa refratária ao tratamento clínico. 2. Regurgitação Mitral ou Insuficiência Mitral –Manejo –Fisiopatologia ● A válvula permite a existência do refluxo; ● Pode ocorrer por um problema direto valvar, ou seja, primário (folheto, músculo papilar) ou por dilatação ventricular esquerda, causa secundária (alargamento do anel mitral). –Clínica do paciente ● O sangue regurgitado para o átrio esquerdo mistura-se com o sangue vindo das artérias pulmonares, ocorrendo sobrecarga volêmica, aumentando o volume diastólico final no VE; ● A longo prazo, o aumento de volume provoca dilatação ventricular e atrial esquerda; ● A dilatação atrial esquerda corrobora na hipertensão pulmonar, ocasionando o principal sintoma clínico da insuficiência mitral, a dispneia. Maríli� Mir���� San���� 48 Car����og�� –Etiologias mais comuns –Exame Físico ● Ictus cordis desviado para esquerda e para baixo; ● Sopro holossistólico em foco mitral (FM); ● Sopro que irradia para axila; ● B1 costuma ser hipofonética; ● Sobrecarga volêmica gera um aumento do ventrículo esquerdo; –Exames a-)ECG ● Sobrecarga de átrio e ventrículo esquerdo (onda T invertida: padrão stren); ● Índice de morris em V1 indica aumento do átrio esquerdo; ● Arritmias atriais ou ventriculares e FA; b-) ECO ● Fração de Ejeção: superestimada quanto maior for a gravidade (porque, por mais que haja ejeção, boa parte volta para o átrio). Quanto menor a fração de ejeção de um paciente com insuficiência mitral, pior o prognóstico porque significa que menos sangue está sendo ejetado para a aorta do que o superestimado; ● Complicadores: FA, hipertensão arterial pulmonar, VE <60% e diâmetro de AE >4mm. c-) Radiografía de tórax ● Aumento da silhueta cardíaca com dilatação do VE e AE; ● Sinais de congestão pulmonar. –Tratamento ● Cirúrgico: Comissurotomia /troca valvar (prótese biológica/ prótese mecânica); ● Otimizar tratamento de IC. Obs: Insuficiência Mitral Secundária: O tratamento consiste em otimizar o tratamento da insuficiência cardíaca; tratar doenças de base. Caso haja complicador, faz-se a intervenção cirúrgica. Aul� 12- Car����og��-Abo���g�� da Val����ti� Aór�i�� –Revisando Fisiologia (Guyton) →Dinâmica Circulatória na Estenose Aórtica e na Regurgitação Aórtica Maríli� Mir���� San���� 49 Car����og�� Na estenose aórtica, o ventrículo esquerdo em contração falha em se esvaziar de modo adequado, enquanto na regurgitação aórtica, o sangue fui, retrogradamente, para o ventrículo, vindo da aorta após o ventrículo já ter bombeado o sangue para a aorta. Por conseguinte, em qualquer um dos casos, o volume efetivo do débito sistólico cardíaco fica reduzido. Acontecem várias compensações importantes que podem diminuir a gravidade dos efeitos circulatórios. a-)Hipertrofia do Ventrículo Esquerdo Tanto na estenose aórtica quanto na regurgitação aórtica, a musculatura ventricular esquerda se hipertrofia, devido ao aumento da carga do trabalho ventricular. Na regurgitação, a câmara ventricular também aumenta para conter todo o sangue regurgitado da aorta. Algumas vezes, a massa muscular ventricular esquerda se eleva por quatro a cinco vezes, produzindo hipertrofia cardíaca esquerda. Quando a valva aórtica estiver seriamente estenosada, o músculo hipertrofiado permite que o ventrículo esquerdo desenvolva pressão intraventricular de até 400 mmHg no pico sistólico. b-) Aumento do Volume Sanguíneo Outro efeito que ajuda a compensar a diminuição do bombeamento efetivo pelo ventrículo esquerdo é o aumento do volume de sangue. Esse volume aumentado é o resultado de 1-leve diminuição inicial na PA; mais 2- reflexos circulatórios periféricos induzidos por essa redução. Esses mecanismos, em conjunto, diminuem o débito renal de urina, fazendo com que o volume sanguíneo aumente e a pressão arterial média retorne ao normal. A elevação do volume sanguíneo tende a aumentar o retorno venoso para o coração. Isso, por sua vez, faz com que o VE bombeie com força adicional, necessária para superar a dinâmica do bombeamento anormal. c-) Lesões Valvulares Aórticas podem estar associadas a um fluxo sanguíneo coronariano inadequado Quando uma pessoa tem estenose da valva aórtica, o músculo ventricular precisa desenvolver uma tensão elevada para gerar uma alta pressão intraventricular, necessária para forçar o sangue através da válvula estenosada. Essa ação aumenta a carga de trabalho e o consumo de oxigênio do ventrículo, o que exige incremento do fluxo sanguíneo coronariano para fornecer esse oxigênio. Entretanto, a tensão aumentada da parede ventricular provoca quedas acentuadas no fluxo coronariano durante a sístole, particularmente sobre os vasos subendocárdicos. A pressão diastólica intraventricular também é aumentada quando existe estenose da valva aórtica, e esse aumento da pressão pode provocar compressão das câmaras internas do miocárdio e redução do fluxo sanguíneo coronariano. Assim, a estenose grave da valva aórtica provoca, muitas vezes, isquemia do miocárdio. Com a regurgitação aórtica, a pressão diastólica intraventricular também aumenta, comprimindo, assim, a camada interna do miocárdio e reduzindo o fluxo coronariano. d-) Falência do VE e desenvolvimento de edema pulmonar Nos estágios iniciais da estenose aórtica ou da regurgitação aórtica, a capacidade intrínseca do VE, de se adaptar a cargas cada vez maiores, impede anormalidades significativas da função circulatória no indivíduo em repouso, além do aumento do trabalho necessário do VE. Por conseguinte, graus consideráveis de estenose aórtica ou de regurgitação aórtica ocorrem, muitas vezes, antes que a pessoa saiba que tem cardiopatia grave. Maríli� Mir���� San���� 50 Car����og�� Além desse estágio crítico nessas lesões da valva aórtica, o ventrículo esquerdo não pode, finalmente, acompanhar a demanda do trabalho. Como consequência, o ventrículo esquerdo se dilata e o débito cardíaco começa a cair; ao mesmo tempo, o sangue se acumula no átrio esquerdo e nos pulmões acima do ventrículo esquerdo em falência. A pressão atrial esquerda se eleva progressivamente, e com pressões altas, ocorre edema grave nos pulmões. 1-Estenose Aórtica A estenose aórtica (EAo) apresenta prevalência crescente na atualidade em razão do aumento da expectativa de vida e do consequente envelhecimento da população brasileira. Atualmente, a causa mais comum de EAo é a calcificação/degeneração aórtica, que acomete principalmente pacientes idosos. →Fisiopatologia ● Com o estreitamento davalva aórtica o sangue que passa do VE para a aorta passa por dificuldade durante a sístole; ● Para que o sangue passe para a aorta, o VE se hipertrofia para compensar a dificuldade da passagem sanguínea; ● A hipertrofia do VE causa uma maior demanda de oxigênio no miocárdio e, pela maior espessura muscular, os capilares sanguíneos não alcançam completamente toda a parede miocárdica; ● A junção dessas alterações levam o tecido muscular a um processo de isquemia; ● A isquemia do tecido causa uma disfunção diastólica, a priori, sequenciada por uma disfunção sistólica; ● O VE disfuncional ainda precisa atuar diante da estenose aórtica, e essa disfunção leva à IC; ● A valvopatia aórtica compartilha dos mesmos fatores de risco da DAC e isso favorece que as duas apareçam concomitantemente. →Etiologia ● Bicúspide: estenose aórtica grave, pacientes jovens (40 anos); ● Reumática; ● Calcífica: ocorre uma calcificação da valva aórtica, associada à senilidade (7ª década de vida), tabagismo, diabetes, HAS, dislipidemia; →Mecanismos de Calcificação a-)Fatores iniciadores ● Anatômico; ● Atrito; ● Calcificação. b-)Fatores complicadores ● Tabagismo; ● Senilidade; ● HAS; ● DM; ● Dislipidemia. →Sintomatologia 1. Angina; 2. Síncope: a dilatação VE e diante de um débito cardíaco fixo (pois esse paciente não consegue elevar o DE) e quando submetido a esforços, a demanda de oxigênio Maríli� Mir���� San���� 51 Car����og�� aumenta, mas o coração não consegue suprir; 3. Dispneia. Obs: A sintomatologia segue essa sequência e sua progressão está relacionada com a gravidade da doença. Obs: O estadiamento da doença pode ser delimitado de acordo com a sintomatologia. A temporalidade e a mortalidade estão relacionados com a cronologia dos sintomas. →Exame físico ● Na ausculta, percebe-se um sopro sistólico; sopro increscente (sopro em diamante); auscultado no foco aórtico para o aórtico acessório com irradiação para as carótidas; ● Em fases avançadas o tem-se o pulso parvus et tardus com duração maior e baixa amplitude (lento e fraco); ● Hipofonese de 2ª bulha; ● Fenômeno de Gallavardin: ocorre quando a vibração da valva aórtica reverbera no anel mitral, provocando um sopro de irradiação para o foco mitral. Diferencia no foco acessório. →Exames a-)ECG ● Hipertrofia ventricular esquerda: infradesnivelamento de ST com onda T invertida nas derivações precordiais; ● Desvio do eixo a esquerda e HVE chamativos; b-)ECO ● Permite avaliar a etiologia, se há calcificação, avaliação hemodinâmica e das cavidades cardíacas (função ventricular), outras doenças valvares e pressão sistólica pulmonar; ● Parâmetros levados em consideração: AVA < 1cm2, gradiente médio VE/Aorta > 40 mmHg. →Manejo →Qual a melhor opção de intervenção? ● Cirurgia; ● Cateterismo; ● TAVI. Obs: Atualmente a melhor opção é o TAVI, sendo a cirurgia indicada para paciente baixo risco maior de 70 anos. →Tratamento clínico ● O controle dos fatores de risco é importante para evitar outras complicações, tendo em vista que esse controle não evita a progressão da doença; ● É importante evitar atividade física intensa ou esportiva; ● É importante realizar cateterismo para avaliar se há presença de DAC em pacientes que vão realizar a cirurgia. 2-Regurgitação ou Insuficiência Aórtica →Fisiopatologia Maríli� Mir���� San���� 52 Car����og�� ● A insuficiência aórtica permite o retorno do sangue da aorta para o VE; ● O VE tem aumento do volume, pois o sangue da diástole é acrescido ao que é regurgitado da aorta; sendo um problema volêmico e não pressórico; ● O aumento da volemia leva à dilatação ventricular; coração em moringa; quando a dilatação chega ao limite máximo, vai ocorrer um aumento pressórico compensatório; ● Diante de uma insuficiência aórtica grave, a PA é divergente ou uma pressão de pulso aumentada (que deve variar entre 30-40 mmHg); as alterações de pulso levam às sintomatologias da patologia. Obs SanarFlix: Uma associação importante de lembrar é que a espondilite anquilosante pode causar insuficiência aórtica, assim como a dissecção de aorta (lembrar de pensar em insuficiência aórtica quando houver um paciente com dor torácica e sopro diastólico). →Etiologia ● Reumática; ● Aterosclerótica; ● Bicúspide; ● Doenças relacionadas à alterações da geometria da raiz da aorta. →Exame físico ● Ausculta apresenta um sopro diastólico aspirativo (TUM-aspiração-TÁ); ● Hipofonese da 2ª bulha; ● Pulso em martelo d´água: pulso forte e rápido; ● PA divergente; ● Sinais semiológicos: Musset, Becker, Dança das Artérias, Muller, Quincke, Rosemback, Gerhard, Traube, Durozier, Mayne, Hill. →Exames a-)ECG ● Sobrecarga ventricular esquerda: infradesnivelamento e onda T invertida nas derivações precordiais; ● Desvio de eixo à esquerda. b-)ECO ● Permite avaliar a etiologia, se há calcificação, avaliação hemodinâmica e das cavidades cardíacas (função ventricular), outras doenças valvares e pressão sistólica pulmonar; c-) Raio-X de tórax ● Aumento do coração (Coração em Moringa); exclui estenose mitral porque esta polpa o VE. →Manejo →Intervenção ● Na maioria dos casos, cirúrgica; ● TAVI ainda está sendo estudada para a intervenção. Maríli� Mir���� San���� 53 Car����og�� Aul� 13- Car����og��-En�o��r���e In�e�c���a –Introdução ● É uma inflamação/infecção da porção mais interna do músculo cardíaco; ● Na maioria das vezes envolvendo folhetos valvares e aparelho subvalvar; ● Bactérias seguidas dos fungos são os patógenos envolvidos na doença; ● É preciso ter um arcabouço anatômico para que o patógeno se deposite no endocárdio, e esse será as patologias valvares, próteses, dispositivos cardíacos e uma quantidade suficiente de patógeno que supere o sistema imune, que, na maioria das vezes, ocorre em procedimentos (cateter duplo J, acesso venoso central, por exemplo); Obs: o uso de stent não aumenta o uso de endocardite; –Fatores de risco ● Valvopatia (reumática, degenerativa etc); ● Uso de dispositivos intracardíacos; ● Endocardite infecciosa prévia; ● DRC; ● Diabetes; ● Usuário de drogas injetáveis. –Epidemiologia ● Apesar dos avanços na saúde a mortalidade para EI permaneceu, praticamente, a mesma nos últimos 5 anos; ● EI associado à valvopatia reumática é muito frequente no meio, porém causas relacionadas a dispositivos intracardíacos, próteses, uso de drogas injetáveis e hemodiálise cresceu nas últimas décadas; ● Agente etiológico: Streptococos, Stafilococos, enterococos, grupo HACEK (EI arrastada, subaguda) e fungos (eventualmente, 100% dos pacientes com infecções por fungos, terão que realizar a cirurgia); –Clínica ● A associação inicial do paciente com EI é febre intermitente sem origem clara (sem melhora ao uso de antibióticos) associada a um sopro na ausculta cardíaca; ● A febre (que está presente em 90% dos casos) tem rápida ascenção devido ao abrir e fechar da valva que, como está preenchida com patógenos, provoca bacteremia; ● O sopro pode ser novo ou pode ter piora deste; ● Fenômenos embólicos (cérebro, baço, pulmão e periferia): esses fenômenos fazem repercussão em um sinal semiológico chamado de Janeway; ● Bloqueios AV variados; ● Glomerulonefrite e fenômenos imunológicos (fator reumatóide positivo); na fundoscopia, pode se perceber manchas de Roth; nas mãos podem ser encontrados Nódulos de Osler. Manchas de Roth Maríli� Mir���� San���� 54 Car����og�� Nódulos de Osler →Pensar em endocardite ● Presença de novo sopro de regurgitação valvar; ● Presença de doença cardíaca estrutural; ● Uso de drogas endovenosas: a valva mais acometida é a tricúspide, com agente infeccioso mais comum o estafilococos; ● Presença de prótese valvar ou de dispositivo intracardíaca; ● História prévia de endocardite; ● Paciente imunocomprometido; ● História de procedimento associado com bacteremia nos últimos dias/semanas; ● Quadro clínico de ICC; ● Novo distúrbio de condução; ● Hemoculturas com crescimento de organismos conhecidos por causar endocardite; –Diagnóstico ● Basicamente é feito com base na hemocultura associadoa exame de imagem (ECO); ● Deve ser colhida três pares de hemocultura, cada par constituído por duas amostras contendo 10 mL de sangue de veias periféricas diferentes e, se possível, em tempos diferentes (ao menos 30 minutos); ● Como a bacteremia na endocardite é contínua, não há necessidade de aguardar o momento da febre para fazer a cultura. –Critérios de Duke a-)Maiores →Hemoculturas Positivas ● Agentes típicos de endocardite em 2 amostras (estreptococos, HACEK, estafilococos ou enterococos); ● Se na cultura vier streptococcus bovis, deve-se solicitar uma colonoscopia e um teste para HIV; a chance do paciente ter uma neoplasia intestinal é grande; ● Se houver uma sorologia para Coxiella burnetii ou IgG positivo, não é preciso uma cultura para diagnóstico. →Exames de imagem para endocardite ● ECO com vegetação, abscesso, fístula, pseudoaneurisma, perfuração de valva u folheto de prótese ou nova deiscência parcial de prótese valvar; ● A sensibilidade do ECO é aumentada fazendo-o transesofágico; ● Pode ser feito a tomografia cardíaca, spect; b-)Menores ● Fatores predisponentes: uso de drogas intravenosas ou cardiopatia predisponente, EI prévia; ● Febre> 38ºC ● Fenômenos vasculares: embolia arterial, embolia séptica para os pulmões, aneurisma micótico, hemorragia intracraniana, hemorragia conjuntival, manchas de Janeway; ● Fenômenos imunológicos: glomerulonefrite, nódulos de Osler, manchas de Roth, presença de fator reumatóide; ● Evidência microbiológica: hemocultura positiva, mas que não preencham os critérios maiores; Maríli� Mir���� San���� 55 Car����og�� ● Diagnóstico: 2 critérios maiores ou 1 critério maior e 3 menores ou 5 critérios menores; Obs: dentro dos critérios menores, só conta a classe da qual ele faz parte. Exemplo: o paciente tem nódulos de osler e manchas de roth, só conta como 1 ponto pois ambos fazem parte dos fenômenos imunológicos. a-)Endocardite Definitiva ● Critérios patológicos: microrganismo demonstrado por cultura ou por exame histológico de uma vegetação ou abscesso intracardíaco; ● Critérios clínicos: 2 maiores ou 1 maior e 3 menores ou 5 menores. b-)Endocardite Provável ● Critérios clínicos: 1 maior e 1 menor ou 3 menores. c-)Endocardite Rejeitada ● Nenhuma evidência patológica de EI na cirurgia ou autópsia; ● Resolução de sintomas sugestivas de EI com antibióticos por menos de 4 dias; ● Não preenche os critérios de EI provável. →Fluxograma –Tratamento ● Inicialmente, faz-se o tratamento empírico, enquanto a cultura não chega; ● Se for uma valva nativa ou uma prótese com menos de 12 meses de implantação, usa-se: oxacilina 2g, IV de 4/4 horas + ampicilina 2g, IV, de 4/4 horas + gentamicina mg/Kg, IV, de 8/8 horas; ● Se for prótese valvar implantada há menos de 12 meses: vancomicina 15mg/Kg, IV, de 12/12 horas, associada à gentamicina 1mg/Kg, 12/12 horas; atualmente coloca-se em alguns protocolos a associação com rifampicina; ● Na prática, quando o paciente tem a prótese por menos de 12 meses, pode-se fazer vancomicina, oxacilina e ceftriaxona; ● A duração do tratamento é de, no mínimo, 4 semanas. →Metade dos pacientes podem precisar de cirurgia devido a: ● Abscesso perivalvar; ● Perfuração de valva levando ICA; ● Etiologia fúngica, na maioria das vezes; ● Infecção não controlado por antibiótico; ● Necessidade de troca valvar; ● Prevenção de fenômenos tromboembólicos; ● Obs: avaliar a necessidade de coronariografia pré-operatória. →Particularidades ● EI de prótese; ● Afeta igualmente biológica e mecânica; ● ETE; ● <12 m comumente se relacionam a infecção do anel de implante. Maríli� Mir���� San���� 56 Car����og�� –Profilaxia →Não fazer de forma alguma se ● Comunicação interatrial; ● Comunicação interventricular ou persistência do canal arterial corrigidas e sem defeitos residuais; ● Cirurgia de revascularização miocárdica; ● Prolapso de valva mitral sem regurgitação; ● Após colocação de stents; ● Sopros cardíacos inocentes; ● Portadores de marca-passo ou cardiodesfribilador implantável; ● História de doença de Kawasaki; ● História de febre reumática, mas sem sequela valvar; ● Procedimentos sem risco de bacteremia; ● Os seguintes procedimentos odontológicos. →Deve-se fazer ● Paciente com alto risco valvar: portador de prótese cardíaca valvar, valvopatia corrigida com material protético, passado de endocardite infecciosa; Aul� 14- Car����og��-Bra����ri����s –Fisiologia do sistema de condução elétrico intracardíaco (MedCel 2022) O sistema de condução intracardíaco é composto pelas seguintes estruturas: nó sinusal, nó atrioventricular, feixe juncional ou de His, ramos direito e esquerdo e fibras de Purkinje. Tais estruturas têm a característica intrínseca de despolarizar automaticamente a uma frequência própria (cronotropismo), sendo desnecessário algum estímulo externo para gerar essa despolarização. A frequência cardíaca será determinada pela região do sistema de condução que estiver com a maior frequência de despolarização. Isso explica porque o nó sinusal, em condições normais, determina o ritmo cardíaco, podendo essa propriedade nas situações em que focos elétricos ectópicos, fora do sistema de condução, apresentem frequências automáticas de despolarização mais elevadas que a do sistema de condução elétrica miocárdica. Maríli� Mir���� San���� 57 Car����og�� –Introdução Considera-se bradiarritmia a FC < 50 bpm. Os pacientes com bradiarritmia podem ser: a-)Assintomáticos; b-)Sintomáticos: astenia, tontura, com intolerância ao exercício, pré/síncope, náusea e vômitos; c-)Instáveis; Obs: Se atentar a pacientes que fazem AIT, pois não é comum que pacientes com bradiarritmia evoluam dessa forma. Pois o AIT é uma isquemia focal e a bradiarritmia causa isquemia difusa, por isso a síncope. –Passo a passo 1-)Identificar bradiarritmia e causas reversíveis 2-)Avaliar hemodinâmica 3-)Manejo terapêutico –Mecanismos →Disfunções sinuais ● Disfunção do nó sinusal; ● Bradicardia sinusal: ritmo normal só que bradicárdico; ● Parada sinusal; ● Bloqueio sinoatrial; ● Síndrome braquitaqui; ● Hipersensibilidade do seio carotídeo: o problema não está no nó sinusal, o paciente tem hipersensibilidade vagal. a-)Bradicardia Sinusal ● Ritmo sinusal: Onda P em D1 e avF positiva; Onda P precede QRS; Onda P com a mesma morfologia; ● Bradicardia: FC <50 bpm; ● Detalhes: V6 com ritmo levemente irregular ou V1,V2,V3 com alterações no QRS semelhantes ao supra só que a concavidade do segmento ST é para cima. b-)Parada Sinusal ● Parada do ritmo sem manter uma distância estabelecida. c-)Bloqueio Sinusal ● Parada do ritmo com o múltiplo da frequência. d-)Síndrome Bradi Taqui ● Síndrome que associa ritmo bradicárdico e taquicárdico. Obs: As doenças do nó sinusal são comuns em pacientes idosos que possuem um sistema de condução envelhecido. Diante de qualquer das alterações acima no ECG em pacientes sintomáticos e idosos a evolução será para uso de marca-passo. Obs: O marca-passo não interfere no prognóstico da doença, apenas na qualidade de vida do paciente, amenizando os sintomas. →Bloqueio AV ● Bloqueio no nó atrioventricular, impedindo a passagem do estímulo dos átrios para os ventrículos. Maríli� Mir���� San���� 58 Car����og�� a-)Bloqueio AV 1º ● Acontece um atraso entre a onda P e o QRS, ou seja, um aumento de PR; ● QRS regular! ● O intervalo vai ser maior do que 200 ms, o equivalente a um quadradão ou 5 quadradinhos. b-)Bloqueio AV 2º b.1-)Tipo I (Wenckebach) ● Fenômeno de Wenckebach: onda P sem o QRS; ● Ocorre uma lentificação, aumentando a distância da onda P até o QRS até que ocorre o bloqueio; ● QRS irregular; ● Bloqueio avisado!! b.2-)Tipo II ● Não ocorre a lentificação progressiva do intervalo PR; ● QRS irregular; ● Bloqueio desavisado!! Obs:O BAV tipo I tem melhor prognóstico do que o tipo II, porque há um “aviso” antes da parada. b.3-)2:1/Avançado ● Duas ondas P para um QRS; ● Não consegue fazer a distinção entre o tipo I e o tipo II, pois não há ciclos suficientes para a avaliação; ● QRS irregular;● Só é possível identificar por cateterismos; ● Avançado: quando há mais ondas bloqueadas do que normais. Considera-se quando há uma diferença maior do que 1 (ex: 5:3). c-)Bloqueio AV 3º ou total ● Onda P irregular com o QRS, podendo aparecer em intervalos diferentes; ● Ritmo regular; ● Não há nenhuma associação entre a onda P e o QRS; ● Diz-se que o bloqueio é total pelo aparecimento de onda P entre o QRS e a onda T; geralmente é uma FC muito baixa. Obs: O prognóstico piora de acordo com o avanço dos graus, não sendo necessário passar por todos os graus (o paciente pode evoluir direto para o de 3º grau). –Causas a-)Intrínsecas ● Isquemia; ● Fibrose; ● Inflamação; ● IC; ● Autonômica; ● Envelhecimento; ● Congênita. b-)Extrínseca ● SAOS; ● Fármacos; ● Intoxicação; ● Hipotireoidismos; ● Hipotermia; ● Eletrólitos (K); ● pH. –Medicações que alteram ● BB diidropiridínicos; ● Digitálicos; ● Ivabradina; ● Antiarrítmico classe III. Maríli� Mir���� San���� 59 Car����og�� –Manejo ● Avaliar paciente se FC< 50bpm; ● Fazer MOVE; ● Avaliar se há ou não estabilidade para determinar o manejo, mas sempre considerar causas extrínsecas; →Instabilidade ● Se houver instabilidade (CHIA: consciência alterada ou choque, hipotensão, IC e angina; tendo apenas um dos critérios, já considera-se instabilidade) o paciente precisa de atendimento imediato; ● Medicações: atropina 1mg (3-5min) com dose máxima de 3mg ou dopamina 50mg/10mL 5-20 mcg/Kg/min ou adrenalina 1mg/mL 2-10 mcg/min. Pode ser feita uma associação, desde que não seja adrenalina com dopamina; ● Se não melhorar usando uma, vai para a outra; ● O marca-passo transcutâneo é uma alternativa para quando a medicação não obteve melhora do quadro (coloca FC entre 55-60 bpm, pois quanto maior a FC que coloca, maior a quantidade de choque que o paciente irá utilizar); ● O ACLS prefere o início do tratamento com atropina; ● Em BAVT o uso de atropina pode piorar o prognóstico, o ideal é iniciar por adrenalina. Obs: A atropina responde melhor no BAV 1º grau e BAV 2º grau do tipo I. →Estabilidade ● Paciente fica em observação até chegada de especialista ou até a transferência; ● Considerar marcapasso transvenoso. –Observações gerais ● Avaliar causas reversíveis para bradicardia; ● Certifique-se que a bradicardia é a responsável pelos sinais/sintomas; ● Estabeleça tratamento, se indicado, sistematizado, rápido e eficiente; ● Não retarde o tratamento esperando o especialista; ● Conheça os recursos disponíveis do seu ambiente de trabalho; ● Estabilizar primeiro, transferir depois. Aul� 15- Car����og��-Taq��a���t��a� –Fisiologia do sistema de condução elétrico intracardíaco (MedCel 2022) O sistema de condução intracardíaco é composto pelas seguintes estruturas: nó sinusal, nó atrioventricular, feixe juncional ou de His, ramos direito e esquerdo e fibras de Purkinje. Tais estruturas têm a característica intrínseca de despolarizar automaticamente a uma frequência própria (cronotropismo), sendo desnecessário algum estímulo externo para gerar essa despolarização. Maríli� Mir���� San���� 60 Car����og�� A frequência cardíaca será determinada pela região do sistema de condução que estiver com a maior frequência de despolarização. Isso explica porque o nó sinusal, em condições normais, determina o ritmo cardíaco, podendo essa propriedade nas situações em que focos elétricos ectópicos, fora do sistema de condução, apresentem frequências automáticas de despolarização mais elevadas que a do sistema de condução elétrica miocárdica. –Introdução ● Define-se taquicardia a frequência maior do que 100 bpm; ● Causas: exercício, ectopias, febre, drogas, reentrada, isquemia, automatismo, inflamação, choque. –Classificação a-)Origem ● Supraventriculares: se originam na porção superior do anel cartilaginoso; ● Ventriculares: se originam abaixo do anel cartilaginoso. b-)Duração do QRS ● É uma classificação mais utilizada; ● Estreito: menos que 120 ms (3 quadradinhos); ● Largo: maior que 120 ms (3 quadradinhos). Obs: Toda taquicardia ventricular tem o QRS alargado (>120 ms), porém nem toda taquicardia de QRS largo é ventricular. As taquicardias supraventriculares podem ser de QRS estreito ou alargado. Obs: 90% das taquicardia supraventricular são taquicardia de QRS estreito e 10% são com QRS largo (taquicardia aberrantes). –Manejo Terapêutico ● MOVE; ● A partir da identificação da taquicardia (FC> 100 bpm), observa-se se o paciente é estável (CHIA); ● CHIA: consciência/choque, hipotensão, insuficiência cardíaca, angina; →Taquicardia Estável ● Diante de uma taquicardia estável, avalia se o QRS é estreito ou largo; ● QRS estreito: aumento da FC, com QRS <120ms, mas sem onda P ou com onda P anômala; é comum em mulheres jovens que evoluem subitamente com a sensação de palpitação na fúrcula; ● O primeiro tratamento para taquicardia de QRS estreito é por manobras vagais (manobra de valsalva modificada) ou adenosina na falha da manobra vagal; Maríli� Mir���� San���� 61 Car����og�� Obs Manobra de Valsalva Modificada: O paciente expira por 1 minuto e depois, deita-se rapidamente o paciente com extensão das pernas. Obs Adenosina: 6 mg em bolus sendo administrado rapidamente 20mL de soro; é possível fazer uma outra administração com 12 mg de adenosina. Utilizada em QRS estreito + RR regular (TPSV) em que a manobra de valsalva não seja eficaz. Obs: Medicação para taquicardia estável de QRS largo-Amiodarona: 50mg/mL (3mL) em bomba de infusão em BIC. Dose de ataque: 1 amp + 100 ml SG 5% IV em 20 minutos. Dose de manutenção: 6am + 482 mL SG5% →Taquicardia Instável ● Diante de uma taquicardia instável, faz-se a cardioversão sincronizada; ● No choque, se o médico souber a voltagem do choque, faz a voltagem que sabe e se não souber, faz no nível máximo; ● Entretanto, é primordial entender se a instabilidade é causada de fato pela taquicardia ou se é por outra causa; ● Outras causas de taquicardia instável: febre, hemorragia, desidratação, sepse, hipovolemia. E nesses casos, não faz cardioversão. –Cardioversão ● Também pode ser chamada de choque sincronizado e é assim chamado porque é sincronizado para que o choque ocorra em cima do QRS, quando o coração está despolarizando; ● Se o aparelho não conseguir identificar o QRS, ele não conseguirá dar o choque. Essa é a justificativa para não cardioverter paciente em parada, pois os ritmos chocáveis, como a fibrilação ventricular, não possuem QRS; ● A cardioversão não tem o poder de alterar o ritmo para um sinusal; ● A cardioversão “zera” o ritmo para que o coração, por si só, volte a funcionar em um novo ritmo; →Procedimento 1. Preparar Material para IOT/PCR; 2. Analgesia/sedação do paciente; 3. Cuidado com a equipe e certificar-se do modo SYNC (sincronizador). –Taquicardia Atrial ● É uma taquicardia que tem onda P não sinusal (negativa em D1 e avF ou não precedida de QRS ou com morfologia diferente); ● Taquicardia multifocal: a morfologia da onda P fica alterando na mesma derivação. Maríli� Mir���� San���� 62 Car����og�� –Taquicardia Ventricular ● Pode ser classificada como monomórfica, quando os QRS são semelhantes em morfologia, ou polimórfica (torção das pontas), quando os QRS são irregulares; ● É primordial entender se o paciente tem pulso ou não para a possibilidade ou não de choque; ● O paciente taquicárdico ventricular polimórfico geralmente vai estar instável; ● Esse paciente não pode fazer cardioversão, porque o aparelho não consegue sincronizar com o QRS e, nesse caso, desfibrila. –EC� co���t��o� pe�� Pro���s�� a-)Taquicardia Sinusal ● Ritmo sinusal: Onda P positiva em D1 e avF, precedidas do QRS e de mesma morfologia na mesma derivação; ● Onda P é bem analisada em D2 e V1; ● Presença de FC> 100. b-) Taquicardia Paroxística Supraventricular ● ECG com taquicardia com QRS estreito; ● R-R regular; ● Também pode ser chamada de reentrada nodal; ● Ausência de onda P. Obs: As primeiras medidas são as manobras vagais e na não resolução, utiliza-se a adenosina 6mg, podendo ser repetidaem dose dobrada, EV em flush com 200 mL de SF 0,9% com elevação do membro. c-)Taquicardia Atrial Unifocal Maríli� Mir���� San���� 63 Car����og�� ● Taquicardia com QRS estreito; ● R-R regular; ● Presença de onda P, mas sem características sinusais. d-)Taquicardia Atrial Multifocal ● Taquicardia com QRS estreito; ● R-R irregular; ● Presença de onda P, mas sem características sinusais. e-)Taquicardia Ventricular Monomórfica ● Lembra um espiral do caderno e foi esticada; ● Muito mais visualizada do que descrita. f-)Taquicardia Ventricular Polimórfica ● ECG com QRS largo; ● Lembra um espiral de caderno torcido sobre si mesmo, ou seja, há uma variação de QRS de batimento a batimento. Obs: Se o paciente estiver instável, faz-se a desfibrilação e não cardioversão. Aul� 16- Car����og��-Fib����ção At�i�� –Fisiologia Guyton A massa muscular atrial, exceto para a via de condução do feixe AV, é separada da massa muscular ventricular por tecido fibroso. Portanto,a fibrilação ventricular costuma ocorrer sem fibrilação atrial. Da mesma forma, em geral acontece fibrilação nos átrios sem fibrilação ventricular. O mecanismo da fibrilação atrial é idêntico ao da fibrilação ventricular, exceto que o processo ocorre somente na massa muscular atrial, em lugar da massa ventricular. Causa frequente de fibrilação atrial é o aumento do volume atrial, que pode se dever, por exemplo, a lesões valvares cardíacas que impedem os átrios de esvaziarem-se adequadamente nos ventrículos ou de insuficiência ventricular com acúmulo excessivo de sangue no átrio. As paredes atriais dilatadas criam condições ideais de via de condução longa, bem como de condução lenta, ambas predisponentes de fibrilação atrial. →Bombeamento atrial prejudicado durante a fibrilação atrial Pelas mesmas razões por que os ventrículos não bombeiam sangue durante a fibrilação ventricular, também os átrios não bombeiam sangue na fibrilação atrial. Portanto, os átrios passam a ser inúteis como bombas de escorva para os ventrículos. Ainda assim, o sangue flui passivamente dos átrios e vai para os ventrículos, e a eficiência do bombeamento ventricular diminui apenas por 20-30%. Por conseguinte, em comparação com a letalidade da fibrilação ventricular, o paciente pode viver anos com fibrilação atrial, embora com redução da eficiência do bombeamento global do coração. –Introdução ● Define-se como uma taquiarritmia supraventricular (com Maríli� Mir���� San���� 64 Car����og�� estreitamento de QRS) e, por não haver uma contração atrial (fibrilação), no ECG percebe-se a ausência de onda P; ● Ocorre uma deficiência do enchimento do ventrículo esquerdo por uma disfunção atrial; ● O estímulo autonômico dispara cerca de 600 vezes por minuto, impedindo a contração atrial; ● Como tentativa de impedir a passagem dessa velocidade, o nó AV bloqueia o estímulo, mas de forma irregular, gerando R-R irregular. –ECG Quando os átrios estão em fibrilação, os impulsos chegam vindos do músculo atrial ao nodo AV com alta frequência, mas também de forma irregular. ● O ritmo cardíaco é irregular e, por isso, o cálculo da FC é feito pela multiplicação da quantidade de QRS no D2 longo por 6; ● QRS estreito, demonstrando origem supraventricular; ● Avaliar D2 e V1, sobretudo o último que observa a fibrilação atrial, com ondulações em V1 na onda que seria a P. Obs: Paciente em uso de beta-bloqueador tem a frequência cardíaca menor, então no ECG percebe-se as mesmas alterações só que em uma FC baixa ou normal. Obs:É preciso entrar em alerta com a fibrilação, pois ela provoca lesão endotelial no miocárdio, com estase sanguínea (por não haver contração efetiva) e, assim, provocando um estado de hipercoagulabilidade, corroborando em formação de trombos. →Flutter Atrial É mais uma patologia causada pelo movimento em círculo nos átrios. O flutter atrial é diferente da fibrilação atrial,pois o sinal elétrico se propaga como onda grande e única, sempre pelo Maríli� Mir���� San���� 65 Car����og�� mesmo percurso, repetitivamente pela massa muscular atrial. O flutter atrial produz aceleração da frequência de contração, em geral > 150 bpm. No entanto, como um lado dos átrios está se contraindo enquanto o outro está relaxando, a quantidade de sangue bombeada pelos átrios é pequena. Além disso, os sinais chegam ao nodo AV de modo rápido demais para que todos passem para os ventrículos, porque os períodos refratários do nodo AV e do feixe AV são longos demais para só permitir a transmissão de apenas pequena fração dos sinais atriais. Assim, usualmente ocorrem dois a três batimentos atriais para cada batimento ventricular. ● É classificada como uma taquiarritmia supraventricular associada a um circuito mais organizado por um sistema de macro-reentrada, isso significa que o ciclo encurta, aumentando a FC. ECG ● Possui um ritmo regular; ● Ausência de onda P; ● Geralmente costumam aparecer com taquicardia na frequência cardíaca de 150 bpm; ● A onda F é melhor observada nas paredes inferiores (D2, D3 e avF). Obs: Onda F se assemelham a ondas do mar, características do flutter, com um serrilhado parecendo dente de tubarão. Quando a frequência está muito alta não é possível observar, mas quando baixa, é possível identificar. Obs: Na prática, diante de um ECG duvidoso entre flutter e taquicardia paroxística supraventricular, utiliza-se adenosina, diante de uma taquicardia paroxística supraventricular a onda P retorna, já no flutter diminui a frequência diminui, possibilitando a visualização das ondas F. –Fatores de risco ● Idade avançada; ● Etnia (brancos); ● Genética; ● Sexo masculino; ● Em média o paciente tem 5 doenças associadas à fibrilação. –Classificação Obs- Mais importantes: Fibrilação atrial paroxística em que o paciente tem momentos de fibrilação e depois para e fibrilação persistente, em que a fibrilação se mantém constante. –Tratamento ● Diante de uma fibrilação instável, faz-se a cardioversão; ● Diante de uma fibrilação estável. Entretanto, a depender do tempo Maríli� Mir���� San���� 66 Car����og�� (>48 horas) que o paciente está sintomático, maior a probabilidade do paciente ter trombo cavitário; ● Nos casos do paciente estável com <48 horas de sintomatologia, faz-se anticoagulação, depois a cardioversão (amiodarona) e continua a anticoagulação pós-hospitalar; ● Nos casos do paciente estável >48 horas de sintomatologia, faz-se a anticoagulação e solicita um ECO transesofágico. Na ausência de trombo, pode fazer a cardioversão; ● Na ausência de ECO, algumas literaturas, colocam que pode deixar o paciente em fibrilação por 3 semanas, com anticoagulação, para realizar a cardioversão. Obs: Se o paciente estiver em uso de anticoagulantes, faz-se a cardioversão normalmente, se não estiver em uso, após a cardioversão, começa. Obs:Independente da cardioversão (química ou por choque), após a cardioversão, o paciente faz anticoagulação por 3 semanas. Após esse período, somente homens com CHADSVASC > 2 ou mulheres com CHADSVASC > 3, com varfarina ou com DOA. Em casos de estenose mitral, prótese mecânica não precisa fazer CHADSVASC, e a anticoagulação é exclusiva pela varfarina. Obs: Anticoagulantes: Marevan é barato, mas tem que fazer INR, altamente mutável sua ação, pode causar sangramento em SNC e é revertido pela vitamina K; Eliquis é mais caro, não precisa fazer INR, diminui sangramento e não possui reversores. Obs: Outra opção é a ablação, que é indicada para o paciente sintomático, com FA paroxística, refratário ou intolerante a ao tratamento. Obs: Para o controle da FC (<100bpm), pode-se utilizar o BB, os BCC não dihidropiridínicos (verapamil e diltiazem) e digoxina e colocar o ritmo ou a FC de forma não excludente. –CC to ABC ● C: confirmado no eletro a fibrilação e C: caracterizar a fibrilação; ● ABC: A:anticoagulação, B: controlar sintomas e C: evitar fatores de risco que predisponham a fibrilação atrial. 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