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Quando o ECA Foi Criado? O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº 8.069/1990, foi promulgado em 13 de julho de 1990, durante o governo de Fernando Collor de Mello, representando um momento histórico na defesa dos direitos das crianças e adolescentes no Brasil. A criação do ECA foi fortemente influenciada pela Constituição Federal de 1988, que em seu artigo 227 já estabelecia como dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, diversos direitos fundamentais. Esta base constitucional foi essencial para a posterior elaboração do Estatuto. A sua criação foi um marco histórico para a proteção dos direitos da criança e do adolescente no Brasil, resultando de um longo processo de mobilização social e de debates sobre a necessidade de uma legislação específica para garantir os direitos desse grupo. O processo de elaboração do ECA contou com a participação de diversos setores da sociedade, incluindo movimentos sociais, organizações não-governamentais, especialistas em direitos da criança e adolescente, e representantes do poder público. O ECA substituiu o Código de Menores de 1979, que era considerado inadequado e discriminatório, pois tratava as crianças e adolescentes como objetos de tutela e não como sujeitos de direitos. Este código anterior refletia uma doutrina ultrapassada de situação irregular, onde apenas os menores em situação de abandono ou delinquência eram objeto de atenção do Estado. O ECA é uma lei inovadora que reconhece a criança e o adolescente como sujeitos de direitos e responsabilidades, com direito à proteção integral e prioritária. Esta mudança fundamental alterou completamente a forma como o Estado e a sociedade devem tratar as questões relacionadas à infância e adolescência. A sua criação representou uma mudança de paradigma na forma como a sociedade brasileira se relaciona com as crianças e adolescentes, estabelecendo um novo modelo de proteção integral. O Estatuto também foi influenciado por importantes documentos internacionais, como a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU (1989), da qual o Brasil é signatário. Esta sintonia com as diretrizes internacionais de proteção à infância e adolescência tornou o ECA uma das legislações mais avançadas do mundo nesta área. A implementação do ECA exigiu a criação de uma nova estrutura institucional, incluindo os Conselhos Tutelares, os Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente e a reorganização do sistema de justiça da infância e juventude. Esta estrutura continua em constante evolução e aperfeiçoamento para melhor atender às necessidades das crianças e adolescentes brasileiros.