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PSICOLOGIA A linguagem oral assume um papel preponderante no desenvolvimento global da criança, com influência direta sobre aspectos sociais, intelectuais e emocionais. Porém, embora exista uma determinação de natu- reza genética, isso não significa que esse desenvolvimento se dará automaticamente. Mais especificamente, a aquisição da linguagem, em sua extensão e profundidade, além dos aspectos orgânicos, será fortemente determinada por fatores sociais e ambientais. Podemos afirmar, então, que a qualidade da linguagem depen- de, de modo marcante, de dinâmicas socio interacionais, assim como da riqueza e diversidade do ambiente linguístico no qual a criança vive. Temos aqui esboçada, desde muito cedo, a origem da diversidade humana. É necessário compreendermos a dimensão da linguagem em todos os seus aspectos: semânticos, inte- rativos/pragmáticos e formais. Os aspectos semânticos dizem respeito aos conteúdos mentais, aos signifi- cados, que são transmitidos pela linguagem. Os aspectos interativos envolvem habilidades sociais e prag- máticas, como a capacidade de responder ao outro, iniciar interações, manter conversações, saber ouvir, colocar-se no lugar do outro e alternar turnos. Os aspectos formais estão ligados aos recursos linguísticos que são empregados na comunicação como o desenvolvimento fonológico, prosódico, sintático e morfológico. O processamento da linguagem oral, em termos neurofisiológicos, depende da entrada sensorial, que é dada pela audição e envolve, predominantemente a área frontal do cérebro, responsável pelos mecanismos de expressão de linguagem e as áreas temporal e parietal, ligadas aos processos de compreensão verbal. Por sua vez, a linguagem escrita não apresenta a mesma determinação genética da linguagem oral. Criação relativamente recente na história humana, sua origem e aprendizagem dependem, fundamental- mente, de fatores sociais e culturais. Em outras palavras, ao contrário da linguagem oral, não basta a crian- ça conviver com pessoas que leem e escrevem para que, a partir dessa simples exposição, aprenda a ler e escrever. Faz-se necessário, nesse contexto da linguagem escrita, que a criança seja ensinada, o que pode ocorrer em vários contextos, como em casa ou na escola. De modo geral, as escolas estão incumbidas de, formalmente, promover essa aprendizagem. Estamos, portanto, frente a uma aprendizagem que depende, em muito, de fatores sociais, mais espe- cificamente, de oportunidades, as quais podem variar significativamente. A criança pode fazer parte, por exemplo, de uma sociedade não letrada, portanto, embora aprenda a falar, não irá aprender a ler e escrever. Ou ela pode fazer parte de um meio social no qual a escrita está presente e aprender a ler e escrever muito cedo, antes de ir para o ensino fundamental, em razão de uma série de situações favoráveis para tanto. Ou pode aprender a ler e escrever aos 6 anos, quando ingressar no ensino fundamental. Também é possível que não aprenda, se não puder ir para a escola ou se a escola não tiver condições mínimas para promover essa aprendizagem. Estamos, novamente, falando em diversidade. O processamento cerebral da linguagem escrita irá utilizar os mesmos mecanismos neurais que proces- sam a linguagem falada. A diferença fundamental estará na entrada sensorial, ou seja, enquanto usamos a audição para a entrada da informação oral, iremos empregar a visão para poder receber as palavras, agora em uma forma impressa e não mais como sons. Para realizar tal tarefa, o cérebro humano, graças ao proces- so de plasticidade neuronal, desenvolveu uma área especializada no processamento da informação escrita e que tem um papel fundamental na identificação das palavras. Essa região envolve os lobos occipital e tem- poral, sendo considerada a área de reconhecimento da forma das palavras escritas. Em síntese, o processamento da palavra escrita pode variar, dependendo do grau de familiaridade que o leitor tenha com as palavras que está lendo. Quando na presença de palavras familiares, a tendência é a de ativar a região têmporooccipital para realizar o reconhecimento, uma vez que essa área permite o registro da forma ortográfica das palavras e seu reconhecimento mais global, graças à memória. Por outro lado, as palavras lidas podem não ser conhecidas, requerendo outro tipo de processamento, que irá ativar a região têmporoparietal, responsável pelos mecanismos de correspondência entre letras e sons, para proceder a lei- tura. Dessa forma, as letras se transformam em sons, esses sons são sintetizados em sílabas e as sílabas em palavras, permitindo a identificação e sua transformação em palavra oral.