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Bilinguismo - Uma perspectiva teórica
“Se a tendência contemporânea é fugir – intencional
ou ingenuamente – de toda a discussão que exceda
o plano estrito das línguas na educação dos surdos,
corre-se o risco de transformar a proposta bilíngue
em mais um dispositivo pedagógico “especial”, em
mais uma grande narrativa educacional, em mais
uma utopia a ser rapidamente abandonada. Em
síntese: a educação bilíngue pode-se transformar
numa “neo-metodologia” colonialista, positivista,
ahistórica e despolitizada.” (SKLIAR, 1999a, p. 7)
• “[...] a língua é construtora da identidade do
sujeito e dos processos discursivos, e não mero
instrumento de mediação/comunicação com o
mundo externo. Atrelada a essa concepção de
língua, remeto-me a uma visão de sujeito
essencialmente histórico, ideológico e
heterogêneo, interpelado pelo inconsciente e
constituído na e pela linguagem [...]” (MEGALE,
A.. Entretextos, Londrina, v.14, n.1, p. 79 - 99,
jan./jun.2014)
● Quando falamos de Bilinguismo, não estamos apenas falando do uso de duas
línguas... Muitas outras questões estão em jogo.
● Sendo assim, vamos analisar o que significa Bilinguismo como paradigma
(abordagem educacional ou filosofia ou ainda, política linguística), pois se a
possibilidade de falar outras línguas é interessante para ouvintes, por que para o
surdo pode ser tão mau visto? Que entendimentos acabam por refletir sobre isso
quando a questão é o surdo? Por que o uso de uma língua gestual pode causar
tanto temor?
Assim…
● Pensar na defesa pelo direito linguístico do surdo esbarra em certezas e cultura
bastante arraigadas socialmente
● “Deficiência”
➔ Interfere na forma que vemos a pessoa surda
➔ “Menos valor” - a língua é de menor prestígio (língua de alguém “não
normal”)
➔ Não é uma língua para todos
➔ Quebrar o paradigma
Bilinguismo
● Depende de questões de ordem política, social e cultural
● Sendo que as políticas linguísticas geralmente são “subtrativas”- Significa que a
língua minoritária serve apenas para alcançar a majoritária
● E as políticas públicas educacionais são de “assimilação” linguística e cultural -
Se o aluno não consegue “assimilar” um conteúdo da língua alvo ele é visto
como incapaz.
O que é Bilinguismo?
1. Habilidade de falar duas línguas (Dicionário)
2. “Controle nativo de duas línguas” (BLOOMFIELD, 1935)
3. “... Um indivíduo bilíngue é alguém que possui competência mínima em uma das
quatro habilidades linguísticas (falar, ouvir, ler e escrever) em uma língua
diferente de sua língua nativa” (MACNAMARA, 1967)
4. Harmers e Blanc (2000) – fenômeno multidimensional. Analisa 6 dimensões:
➔ Competência relativa - Bilinguismo balanceado (competência linguística
em ambas línguas) e dominante (maior competência em uma das línguas)
➔ Organização cognitiva – como se organizam, cognitivamente, as línguas
(os sistemas linguísticos)
➔ Idade de aquisição – bilinguismo infantil (simultâneo / consecutivo);
adolescente ou adulto.
➔ Presença ou não de indivíduos falantes da L2
➔ Status das línguas envolvidas
➔ Identidade cultural (bicultural, monocultural, acultural e descultural)
Conceitos
● Língua materna: Primeira língua que a criança adquire – é língua natural (língua
nativa)
● Língua estrangeira (LE): refere-se ao ensino da língua estrangeira em países
onde essa língua não é materna/oficial ou nacional.
● Segunda Língua (L2): é o termo utilizado para referir-se ao ensino da língua
estrangeira no país onde ela é falada como língua materna de minorias e/ou
oficial/nacional.
Perspectiva sócio-antropológica
● Ramo da antropologia que trata das características socioculturais da
humanidade (costumes, crenças, comportamento, organização social) e que se
relaciona, portanto, com várias outras ciências, tais como etnologia, arqueologia,
linguística, sociologia, economia, história, geografia humana; antropologia
cultural...
“A comunidade surda se origina em uma
atitude diferente frente ao déficit, já que
não leva em consideração o grau de perda
auditiv de seus membros. A participação na
comunidade surda se define pelo uso
comum da Língua de Sinais, pelos
sentimentos de identidade grupal, o
auto-reconhecimento e identificação como
surdo, o reconhecer-se como diferentes, os
casamentos endogâmicos, fatores estes
que levam a redefinir a surdez como um
adiferença e não como uma deficiência. [...]
A Língua de Sinais anula a deficiência e
permite que os surdos constituam, então,
uma comunidade linguística minoritária
diferente e não um desvio da normalidade.”
(SKLIAR, 1999b, p. 141, 142)
Se bilinguismo não é apenas duas línguas
● ... Bilinguismo para surdos diz respeito ao entendimento de conceitos
específicos:
➔ Deficiência
➔ Língua
➔ Identidade
➔ Cultura
● Pelo reconhecimento da condição bilíngue – bicultural do surdo
Bilinguismo
● Movimento de reconhecimento da cultura, comunidade e identidade do surdo
● O bilinguismo baseia-se no reconhecimento do fato de que as crianças surdas
são interlocutoras naturais de uma língua coerente com a sua capacidade de
expressão. Assim sendo, a comunidade surda propõe que a língua gestual do
seu país de origem lhes seja ensinada, desde a infância com a sua capacidade
de expressão. Assim sendo, a comunidade surda propõe que a língua gestual do
seu país de origem lhes seja ensinada, desde a infância, como primeira língua.
● Reconhece ainda o fato de que a língua oral oficial do seu país não deve ser por
ela ignorada, pelo que lhe deve ser ensinada, como segunda língua (L2).
● Os bilíngues defendem que a língua gestual deve ser adquirida,
preferencialmente, pelo convívio com outros Surdos mais velhos, que dominem
a língua gestual.
Aspecto psicossocial
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crian%C3%A7a
http://pt.wikipedia.org/wiki/Inf%C3%A2ncia
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_materna
● A criança irá integrar-se adequadamente à comunidade ouvinte, somente tendo
identificação sólida com seu grupo – caso contrário – ela terá dificuldades tanto
numa comunidade quanto em outra, apresentando limitações sociais e
linguísticas, as vezes até irreversíveis.
● Os problemas tradicionais apontados como característicos da pessoa surda, são
produzidos por CONDIÇÕES SOCIAIS – não há limitações cognitivas ou
afetivas inerentes à surdez, tudo dependendo das possibilidades oferecidas pelo
grupo social para seu desenvolvimento, em especial para consolidação da
linguagem (QUADROS, 1997 P. 27)
A aplicação pode ocorrer como:
● Aquisição da LS e língua do país na modalidade oral, posteriormente
alfabetização na língua oficial do país.
● Aquisição da LS e a língua do país na modalidade escrita

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