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Fisiologia cardíaca- resumo guyton Cardiologia Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) 9 pag. Document shared on https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/ Downloaded by: ana-clara-pessuti (pessutianaclara7@gmail.com) https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark o coração como bombao coração como bomba Formado por duas bombas separadas, o direito, que bombeia o sangue aos pulmões, e o esquerdo aos órgão periféricos. Cada um é uma bomba pulsátil composta de duas cavidades: a aurícula e o ventrículo. Endocárdio: camada mais interna e fina, composta de células endoteliais -capacidade de evitar uma provável agregação plaquetária Miocárdio: Camada mais espessa e composta de células musculares cardíacas - força para a contração Pericárdio: camada mais externa, rica em lipídeos. Funciona como dois folhetos que ficam por fora do coração, pericárdio visceral (epicárdio) e pericárdio parietal (mais externo, encosta nas paredes do tórax). Espaço pericárdico (entre epicárdio e pericárdio parietal): circula líquido pericárdico, que permite uma boa lubrificação das camadas visceral e parietal quando o coração dilata para não haver atrito. Cada uma dessas bombas é composta por duas câmaras: Átrio direito (AD) e Ventrículo direito (VD); Átrio esquerdo (AE) e Ventrículo esquerdo (VE) Os átrios são considerados bombas de escorva (primer pump) e se contraem fracamente ao final da sístole, visto que o sangue apenas ‘‘escorre’’ para os ventrículos. Os ventrículos, por sua vez, fornecem a força de bombeamento principal que propele o sangue através: Da circulação sistêmica → ventrículo direito. Da circulação periférica → ventrículo esquerdo. fisiologia maria fernanda - farma xxi Document shared on https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/ Downloaded by: ana-clara-pessuti (pessutianaclara7@gmail.com) https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark fisiologia maria fernanda - farma xxi Três tipos de músculo:Três tipos de músculo: Auricular: Faz contração como o estriado esquelético, com a diferença de ter uma contração mais prolongada. Ventricular: Contrai igual ao auricular, mas tem contração mais forte (parede muscular mais espessa). Fibras excitatórias e condutoras especializadas: Têm pouca característica de contração muscular, contraem pouco e muito debilmente, mas tem boa capacidade de envio de potencial, com uma grande velocidade de condução: o potencial passa rapidamente despolarizando todo o músculo cardíaco. anatomia fisiológica do músculo cardíaco:anatomia fisiológica do músculo cardíaco: As fibras musculares cardíacas se dispõem em malha ou treliça com as fibras se dividindo, se recombinando, e novamente se separando. As áreas escuras que cruzam as fibras miocárdicas são os discos intercalados; elas são, na verdade, membranas celulares que separam as células miocárdicas umas das outras As membranas se fundem para formar junções comunicantes permeáveis (gap junctions), que permitem rápida difusão, quase totalmente livre, dos íons. Os íons se movem com facilidade pelo LIC, com os PA se propagando facilmente de uma célula muscular cardíaca para outra, através dos discos intercalados. Dessa forma, o miocárdio forma um sinsício de muitas células musculares cardíacas, no qual, as células estão tão intercomunicadas que quando uma célula é excitada, o potencial de ação se espalha rapidamente para todas. Document shared on https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/ Downloaded by: ana-clara-pessuti (pessutianaclara7@gmail.com) https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark esqueleto fibroso do coração:esqueleto fibroso do coração: As aurículas estão separadas dos ventrículos por tecido fibroso que circunda as aberturas das valvas atrioventriculares (A-V), entre os átrios e os ventrículos. Normalmente, os potenciais não atravessam essa barreira fibrosa pra atingir diretamente os ventrículos a partir do sincício atrial. Em vez disso, eles são conduzidos por meio de sistema especializado de condução, chamado feixe A-V, o feixe de fibras condutoras. Essa divisão do músculo cardíaco em dois sincícios funcionais permite que os átrios se contraiam um pouco antes da contração ventricular, o que é importante para a eficiência do bombeamento cardíaco. Potenciais de Ação no Músculo Cardíaco:Potenciais de Ação no Músculo Cardíaco: Potencial de ação tem em média 105mv. Ou seja, a cada batimento o potencial sai do valor negativo de -85 milivolts, para o valor ligeiramente positivo em torno de +20 milivolts No músculo cardíaco, o potencial de ação é originado pela abertura de canais de dois tipos: os canais rápidos de sódio e um segundo tipo, conhecido como canais lentos de cálcio, também conhecidos como canais de cálcio-sódio. Os canais de cálcio são mais lentos para abrir e permanecem abertos por mais tempo, e durante esse tempo que continuam abertos, grande quantidade de íons cálcio e sódio penetra nas fibras miocárdicas, mantendo prolongado o período de despolarização, gerando o platô do potencial de ação. fisiologia maria fernanda - farma xxi Document shared on https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/ Downloaded by: ana-clara-pessuti (pessutianaclara7@gmail.com) https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark fisiologia maria fernanda - farma xxi fases do potencial de ação:fases do potencial de ação: Fase 0: Despolarização; Fase 1: Início da repolarização; Fase 2: Platô Fase 3: Repolarização rápida Fase 4: Membrana em repouso período refratário:período refratário: Definição: O intervalo de tempo durante o qual o impulso cardíaco normal não pode reexcitar área já excitada do miocárdio. O período refratário normal do ventrículo é de 0,25 a 0,30 segundo, o que aproximadamente à duração do prolongado platÔ do potencial de ação. Acoplamento excitação-contração:Acoplamento excitação-contração: Assim como no músculo esquelético, quando o PA passa pela membrana, também se propaga ao interior da fibra, ao longo das membranas dos túbulos T, produzindo a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático, que depois difunde em direção às miofibrilas, gerando assim a contração muscular. O termo "acoplamento excitação- contração" refere-se ao mecanismo pelo qual o potencial de ação provoca a contração das miofibrilas. Document shared on https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/ Downloaded by: ana-clara-pessuti (pessutianaclara7@gmail.com) https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark fisiologia maria fernanda - farma xxi Até este ponto, o mecanismo de acoplamento excitação-contração é o mesmo encontrado no MEE, mas, além dos íons Ca++, liberados pelo RS, íons Ca++ adicionais também se difundem para o sarcoplasma, partindo dos túbulos T no momento do PA. Sem esse cálcio adicional, a força da contração miocárdica ficaria reduzida, pois o RS do miocárdio é menos desenvolvido que o do MEE e não armazena cálcio suficiente. duração da contração:duração da contração: O músculo cardíaco começa a se contrair poucos milissegundos após o potencial de ação ter início e continua a se contrair por alguns milissegundos após o final desse potencial de ação. Assim, a duração da contração do miocárdio é principalmente função da duração do potencial de ação, incluindo o platô- por volta de 0,2 segundo, no músculo atrial, e 0,3 segundo, no músculo ventricular. Document shared on https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/ Downloaded by: ana-clara-pessuti (pessutianaclara7@gmail.com)https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark fisiologia maria fernanda - farma xxi Ciclo Cardíaco:Ciclo Cardíaco: O conjunto de eventos cardíacos que ocorrem entre o início de um batimento e o início do próximo batimento é conhecido como Ciclo Cardíaco. Cada ciclo é iniciado pela geração espontânea de potencial de ação no nodo Sinoatrial. Esse nodo se encontra na parede lateral superior do átrio direito, próximo à abertura da veia cava superior. O potencial de ação se difunde desse ponto, rapidamente, por ambos os átrios e, depois, através do feixe A-V, para os ventrículos. Graças a essa disposição do sistema de condução, os átrios contraem 0,1 segundo antes dos ventrículos, bombeando sangue para os ventrículos antes do início da potente contração ventricular. Por isso, os átrios são considerados bombas de "escorva" para os ventrículos. Os ventrículos, por sua vez, fornecem a fonte principal de força para propelir o sangue pelo sistema vascular do corpo. Document shared on https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/ Downloaded by: ana-clara-pessuti (pessutianaclara7@gmail.com) https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark fisiologia maria fernanda - farma xxi ciclo cardíacociclo cardíaco Ventrículos se enchem de sangue e contraem → Sístole. Eles só se enchem porque as valvas atrioventriculares estavam abertas e as semilunares fechadas, o que permite o acúmulo de sangue na câmara dos ventrículos → Quando começa a se contrair , mecanismo antirefluxo das valvas entra em ação → ventrículo tenta expelir sangue e a movimentação do sangue fecha as valvas atrioventriculares. Contração isovolumétrica: ventrículo contrai, mas o volume de sangue continua o mesmo → valvas semilunares se abrem e permitem a saída do sangue → fase de ejeção (nem todo o sangue é ejetado durante a sístole, apenas cerca de 60% → fração de ejeção cardíaca) → contração acaba e ventrículo relaxa, semilunares se fecham → relaxamento isovolumétrico. Pressão baixa nos ventrículos e pressão alta nas artérias → valvas atrioventriculares se abrem → reinício do processo. Pré e pós-cargaPré e pós-carga Pré-carga: Grau de tensão do músculo quando ele começa a contrair. Equivale à pressão diastólica final. Pós-carga: Carga contra a qual o músculo exerce sua força contrátil, mais precisamente refere-se a pressão nas artérias aorta e pulmonar, que impede a saída do sangue dos ventrículos para estes vasos. Regulação do bombeamento cardíacoRegulação do bombeamento cardíaco Em repouso, normalmente, uma pessoa bombeia cerca de 4 a 6L de sangue por minuto. Entretanto, para que essa quantidade de sangue seja bombeada diversos mecanismos de regulação estão envolvidos, os quais podem ser divididos em: Mecanismos de regulação intrínseca:Mecanismos de regulação intrínseca: Mecanismo de Frank-Starling: Relacionado à capacidade intrínseca do coração de se adaptar a volumes crescentes de afluxo sanguíneo, respeitando um limite fisiológico, ou seja, desde que não ultrapasse esse limite todo volume excedente de sangue que chega aos átrios (retorno venoso) é bombeado para a circulação. Quantidade adicional de sangue chega aos ventrículos → Distensão do músculo cardíaco → Aumenta a força de contração do músculo, pois os filamentos de miosina e actina ficam dispostos em ponto mais próximo do grau ideal de superposição para a geração de força → Ventrículo automaticamente bombeia mais sangue para as artérias. 1. 2. Document shared on https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/ Downloaded by: ana-clara-pessuti (pessutianaclara7@gmail.com) https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Estimulação simpática (fibras adrenérgicas) → Aumenta a FC e a força de contração, a qual em consequência aumenta o volume de sangue bombeado (debito cardíaco) Inibição simpática → Diminui moderadamente o bombeamento cardíaco, em decorrência da diminuição da FC e da força de bombeamento. Estimulação parassimpática (nervo vago) → Atua principalmente reduzindo a FC, visto que as fibras vagais estão dispersas, em grande parte, pelos átrios e muito pouco nos ventrículos, onde realmente ocorre a geração da força de contração, o que impede grandes alterações na intensidade das contrações. Mesmo assim, a combinação dos efeitos de redução importante da frequência, com leve diminuição da força de contração, pode diminuir o bombeamento ventricular em 50% ou mais. 1. 2. 3. 4. fisiologia maria fernanda - farma xxi Inervação Simpática e Parassimpática: Na figura, observa-se, tanto no ventrículo esquerdo quanto no direito, um aumento do trabalho ventricular conforme aumenta a pressão média no átrio correspondente. isso é conhecido como trabalho sistólico dos ventrículos. Mecanismos de regulação extrínsecaMecanismos de regulação extrínseca Efeito dos íons potássio e cálcio: Íons potássio → Aumento do potássio extracelular faz com que mais potássio atravesse a membrana citoplasmática, diminuindo seu potencial de repouso (ou seja, despolarizando parcialmente). Um potencial de repouso menor vai dar origem a potenciais de ação com uma intensidade menor, deixando as contrações do coração progressivamente mais fracas. Íons cálcio → o excesso de cálcioinduz o coração a produzir contrações involuntárias e intensas. A causa disso é o efeito direto dos íons cálcio na deflagração do processo contrátil cardíaco. 1. 2. Document shared on https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/ Downloaded by: ana-clara-pessuti (pessutianaclara7@gmail.com) https://www.docsity.com/pt/fisiologia-cardiaca-resumo-guyton/8101776/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark fisiologia maria fernanda - farma xxi eletriocardiograma:eletriocardiograma: Onda P: causa pela disseminação da despolarização pelo átrios, seguido pela contração atrial. Ondas QRS: após o início da onda P, cerca de 0,16 segundos depois surgem as ondas QRS, resultantes da despolarização elétrica dos ventrículos, o que inicia a contração ventricular e faz com que a pressão ventricular. Assim, o complexo QRS se inicia pouco antes da sístole ventricular. Ondas T: conhecida também como onda ventricular, que representa o estágio de repolarização dos ventrículos quando suas fibras musculares começam a relaxar. Portanto, a onda T surge um pouco antes do final da contração ventricular. 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