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AULA 1 PLANEJAMENTO E GESTÃO EM SAÚDE Prof. Altair Turbay Junior 2 INTRODUÇÃO Os desafios sociais (desigualdades econômicas e no acesso à prestação de serviços básicos de excelência), a globalização e seus impactos na macroeconomia, além das crises sanitárias e climáticas, justificam a obrigatoriedade da estruturação de sistemas e de prestação de serviços com planejamento e gestão estratégica e efetiva, com foco na melhoria contínua na qualidade de vida em nossa sociedade. Dessa forma, este estudo tem como objetivos: (a) promover reflexões; (b) compartilhar conceitos e ferramentas; e (c) estimular ideias e práticas para tomadas de decisões desenvolvidas pela qualidade das relações entre as áreas organizacionais, alinhadas com os valores humanos e organizacionais, pilares essenciais para a sustentabilidade e a perenidade na prestação de serviços de excelência em saúde. Desejamos que essa seja uma rica jornada, abrindo caminhos para a descoberta e/ou o aprimoramento de conceitos, metodologias e ferramentas aplicáveis em sua vida profissional. TEMA 1 – PRINCÍPIOS E CONCEITOS EM PLANEJAMENTO E GESTÃO EM SAÚDE O cenário socioeconômico é estruturado por circunstâncias e elementos gerados pelas relações sociais e financeiras, impactadas pelas mudanças constantes de um mundo cada vez mais globalizado, que evidencia cada vez mais a interdependência de países em sua relação com fornecedores e consumidores. Na área da saúde, esses impactos devem ser analisados diariamente, para garantir uma gestão capaz de levar à prestação de serviço de excelência, promovendo a qualidade de vida dos colaboradores, que são essenciais para a geração de resultados melhores. Dessa forma, vamos iniciar a nossa jornada com a compreensão dos princípios e conceitos relacionados com planejamento e gestão em saúde, para promover o conhecimento que por sua vez aprimora a gestão de alta performance. Gerenciar serviços e organizações na área da saúde, tanto privadas como públicas, exige tomadas de decisões perenes e sustentáveis, alinhadas com os valores organizacionais, sempre com ações planejadas, que possam ser checadas e gerenciadas constantemente, para que o alto desempenho garanta a 3 excelência na prestação de serviços. Como citado por Úrsula Araújo e Orenzio Soler (2022): Administrar organizações de saúde requer uma série de operações complexas envolvendo insumos e profissionais colaboradores. Logo, a aplicação de boas práticas de governança, gestão por resultados e planejamento estratégico situacional; em especial ao processo de aquisição de medicamentos e materiais hospitalares, tem papel fundamental no enfrentamento dos desafios relacionados à gestão hospitalar, possibilitam elaborar planos de ação que proporcionam tomar decisões com maior segurança; gestão mais eficientes, incluindo indicadores de monitoramento/acompanhamento e avaliação. Dessa forma, devido à complexidade na gestão em saúde, é essencial que toda prestação de serviço, inclusive de profissionais autônomos, seja planejada e gerenciada para qualificar serviços com foco em qualidade e lucratividade. Sem planejamento, não temos o que gerenciar, e sem gestão não acompanhamos indicadores internos e externos para compreender os cenários em que navegamos profissionalmente. Ou seja, segundo a analogia com a navegação, sem planejamento e gestão estamos navegando sem bússola e mapa; estamos prestando um serviço à deriva na realidade BANI em que vivemos. O termo BANI (Brittle, Anxious, Nonlinear and Incomprehensible), que em tradução significa Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível, foi criado por Jamais Cascio, para substituir o termo VUCA (Volatile, Uncertain, Complex and Ambigous – Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), criado na década de 1990 (Thornburg; Cascio, 2021). Jamais Cascio relata: “criei o BANI em parte como uma forma de esboçar um enquadramento para um mundo que foi além de ser apenas complexo e tornou-se totalmente caótico. [...] Eu o uso para me referir a sistemas que exibem todas as evidências de força e solidez, mas se desfazem com um certo nível de pressão” (Thornburg; Cascio, 2021). Imaginem o seguinte cenário: a prestação de serviço em saúde busca atender a população de forma integral, com equidade e de forma efetiva, seguindo políticas públicas e programas focados na garantia de excelência em gestão. Porém quando o ambiente apresenta pressão constante, em um mundo ansioso e caótico, desenvolver um planejamento estratégico é obrigatório para alinhar a excelência ideal (ou seja, pretendida) com a excelência real, que precisamos alcançar e manter. Assim, conhecer os princípios e os conceitos que estruturam o planejamento estratégico para a gestão de alto desempenho é essencial. 4 TEMA 2 – PLANEJAMENTO E GESTÃO ESTRATÉGICA Planejamento é um processo que deve ser estruturado com atenção, a partir do estudo das interações sociais, econômicas e comportamentais que são identificadas nos cenários internos e externos, considerando a prestação de serviço e/ou as organizações e instituições empresariais. Por que chamamos o planejamento de processo? Porque ele é estruturado considerando cinco aspectos que definem os princípios básicos de um processo, conhecidos como as “cinco dimensões do planejamento” (Steiner, 1969): • Tema a ser abordado: dimensão relacionada às funções desempenhadas na organização, ou seja, o tema refere-se a novos produtos, novas relações comerciais, gestão de pessoas, questões financeiras etc. • Elementos do planejamento: os elementos do planejamento são os processos que usamos como referências ou que devem ser criados, como estratégias, políticas, normas e procedimentos. • Tempo do planejamento: o planejamento é para ações de curto, médio ou longo prazo. • Unidades da organização: refere-se às áreas de estruturação do planejamento, a exemplo de unidades básicas de saúde, atenção terciária, nas estratégias de saúde da família. • Características do planejamento: o planejamento é estratégico, tático ou operacional? Qual o nível de confidencialidade do planejamento? Ou seja, é preciso considerar características que ampliam o entendimento financeiro, de gestão da informação, com apoio na definição da complexidade do projeto. Importante salientar que, além das dimensões propostas, que definem o processo de planejamento, é importante entender que faz parte do princípio de planejar a reflexão para uma tomada de decisão assertiva, capaz de promover uma construção, no presente, de transformação do passado para um futuro com qualidade e lucratividade, tanto para os indivíduos quanto para as organizações. Segundo Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira (2008): O planejamento estratégico corresponde ao estabelecimento de um conjunto de providências a serem tomadas pelo executivo para a situação em que o futuro tende a ser diferente do passado; entretanto, a empresa tem condições e meios de agir sobre variáveis e fatores, de modo que possa exercer alguma influência; o planejamento é, ainda, um 5 processo contínuo, um exercício mental que é executado pela empresa, independentemente, de vontade específica de seus executivos. Um planejamento com foco na tríade de cenário interno, cenário externo e projeções futuras desenvolvidas pelo estudo crítico do passado e do presente gera modificações constantes em termos de aprimoramento organizacional e prestação de serviço individual. Tais modificações resultam da influência do modo de pensar no gerenciamento para a excelência. Figura 1 – Fluxograma das modificações provocadas pelo planejamento Fonte: Elaborado com base em Oliveira, 2008, p. 7. As modificações geradas devem mitigar as vulnerabilidades e maximizar os resultados positivos, desenvolvendo processos eficientes, eficazes e/ou efetivos. Conhecer esses três conceitos é primordialpara que o planejamento garanta os resultados/modificações desejados: • Eficiência é realizar da melhor maneira, utilizando os recursos de forma produtiva, com foco na mitigação de perdas e/ou desperdícios. Análise do custo-benefício. A atenção está nos recursos. • Eficácia é realizar o que deve ser feito, cumprindo metas. Fazer aquilo que foi proposto. Foco no cumprimento de metas, ou seja, no resultado. • Efetividade é realizar, de forma ética e correta, aquilo que deve ser feito, gerando transformação no cenário existente. Desenvolvimento e gestão de mudança. Sempre com avaliação do impacto e da perenidade dos processos. Assim, entendemos que o planejamento é um processo contínuo, capaz de desenvolver a interatividade em todas as áreas em que a prestação de serviço está inserida. Além disso, é preciso sempre respeitar os níveis hierárquicos. 6 Dessa forma, o planejamento é dividido em três tipos: estratégico, tático e operacional. 2.1 Planejamento estratégico O planejamento estratégico é desenvolvido pelos níveis hierárquicos mais altos da empresa, que estruturam a metodologia, o tempo de aplicação, os objetivos e as metas que devem ser alcançadas, analisando questões mercadológicas, financeiras e produtivas, alinhadas com os recursos humanos e com os valores organizacionais. Segundo Suellen Elias e Thafarell Ruiz (2016), “é a definição dos objetivos e programas a serem executados para traçar metas e alcançar o sucesso delas”. 2.2 Planejamento tático O planejamento tático diferencia-se do estratégico por ser mais setorial, ou seja, está relacionado a cada setor de uma organização. Por exemplo, na saúde pública, o papel da secretaria de saúde (seja estadual ou municipal) é realizar um planejamento estratégico, utilizado como referência para o planejamento tático de cada serviço prestado para a comunidade. Assim, cada serviço estrutura a tática para o cumprimento das ações estratégicas. O planejamento tático está relacionado aos níveis intermediários, que ficam entre o planejamento estratégico e o processo de operacionalização do planejado. Segundo Oliveira (2008), o planejamento tático “tem por finalidade otimizar determinada área de resultado e não a empresa como um todo. Portanto, trabalha com decomposições dos objetivos, estratégias e políticas estabelecidos no planejamento estratégico”. 2.3 Planejamento operacional O planejamento operacional é identificado na rotina organizacional quando percebemos, no dia a dia, os resultados esperados e os apresentados a partir da análise dos recursos utilizados na prestação de serviços, considerando a forma como os procedimentos, as normas e as regulamentações são praticados, além da metodologia para a análise dos indicadores que demonstram cenários e metas alcançáveis e dos papéis e responsabilidades reconhecidos na prestação de serviços. 7 O planejamento operacional está estruturado por decisões operacionais. Segundo Fernandes e Berton (citados por Mendes; Raiser, 2009), “as decisões operacionais, são decisões do cotidiano das organizações, que estabelece uma ligação entre decisões táticas e estratégicas e seu impacto se dá no curto prazo, afetando apenas determinados setores ou áreas específicas”. Figura 2 – Fluxograma da relação entre os tipos de planejamento Fonte: Elaborado com base em Oliveira, 2008, p. 19. O fluxograma da relação entre os tipos de planejamento (Figura 2) evidencia que o planejamento estratégico norteia as diversas áreas da organização que desenvolvem o planejamento tático, de modo que, nas rotinas organizacionais, os resultados esperados podem ser comunicados e gerenciados na prática. Além disso, o processo deve ser retroalimentado e avaliado constantemente, com base em ferramentas e metodologias alinhadas com as competências técnicas e com os papéis e responsabilidades dos colaboradores, de acordo com a área em que estão inseridos. Para além da construção de planejamentos coerentes com a realidade técnica, partindo dos recursos que vão ser utilizados, para que o planejamento estratégico e a gestão apresentem os melhores resultados, o planejamento deve obrigatoriamente estar alinhado com a cultura organizacional, representada pela missão, pela visão e pelos valores organizacionais. TEMA 3 – MISSÃO, VISÃO E VALORES ORGANIZACIONAIS “A vitória de uma organização, seja ela uma escola, um hospital, uma prefeitura, uma empresa ou até mesmo o Governo Federal, é algo desejado por todos e, quando acontece, é uma grande fonte de alegria e satisfação”. Esta frase 8 do engenheiro e consultor Vicente Falconi (2009) nos mostra que todos os colaboradores de uma organização buscam alcançar bons resultados porque, bons resultados atingidos são “fontes de motivação humana”. Além da frase do brilhante consultor, é interessante conhecer a pergunta com que ele nos provoca na obra O Verdadeiro Poder: se essa frase é verdadeira, por que as empresas falham em motivar e alcançar a excelência? Segundo Falconi (2009), nós falhamos porque: (a) não definimos metas de forma correta; (b) os planejamentos não são feitos utilizando a técnica e os métodos corretos; (c) não executamos da forma e no tempo correto aquilo que foi planejado; e (d) não identificamos as circunstâncias que estão fora do nosso controle. Acredito que tais falhas no planejamento, em conjunto com a falta de clareza da missão, da visão e dos valores organizacionais, impactam a empresa de forma negativa, minando a energia organizacional. Para atingir os objetivos organizacionais e garantir a satisfação de todos os envolvidos, seja no cenário interno como no externo, é preciso superar as falhas. Dessa forma, o planejamento e a gestão devem utilizar, em todas as tomadas de decisão, os três pilares da excelência: o entendimento da nossa missão; o que pretendemos com a nossa visão; e quais valores vamos identificar em todas as ações e ambientes organizacionais. Afinal, como define Richard Barrett (2018), “as organizações dirigidas por valores são as mais bem-sucedidas organizações no planeta”. Agora, vamos apresentar os pilares que guiam o planejamento e a gestão de uma organização. 3.1 Missão organizacional Para a realização de um planejamento capaz de desenvolver a excelência de forma coerente e efetiva, é necessário que os gestores conheçam, fortaleçam e comuniquem em suas ações o propósito e a razão de existência da organização. Segundo Klöppel, De Souza e Lunkes (2015), para que os gestores possam definir os objetivos e as estratégias que precisam ser desenvolvidos, “um dos primeiros pontos a ser observado é a definição da missão empresarial das organizações, que visa orientar o seu planejamento estratégico”. Segundo Takeski e Rezende (citados por Klöppel; De Souza; Lunkes, 2015), “a declaração da missão expõe a razão de ser da entidade, qual a 9 finalidade ela possui e qual a razão de sua existência para a sociedade, ou seja, a função social exercida por ela”. A missão deve ser uma frase curta, clara e objetiva, capaz de responder às questões supracitadas, além de ser facilmente entendida por todos que representam a organização. A missão é essencial, afinal, “um negócio não é definido pelo seu nome ou estatuto, e sim pela definição da missão do negócio” (Drucker, 1973, citado por Klöppel; De Souza; Lunkes, 2015). Ou seja, um planejamento desalinhado com a missão impacta negativamente na sustentabilidade organizacional. São exemplos de missões organizacionais na área da saúde: • “Oferecer excelência de qualidade no âmbito da saúde, da geração do conhecimento e da responsabilidade social, como forma de evidenciar a contribuição da comunidade judaica à sociedade brasileira.” (Hospital Albert Einstein, 2019) • “Promover Saúde através de Atendimento Médico Hospitalar qualificado em Oncologia, de forma Humanizada, em ÂmbitoNacional, para pacientes do Sistema Único de Saúde, apoiado em Programas de Prevenção, Ensino e Pesquisa.” (Hospital de Amor, 2022) 3.2 Visão organizacional Aonde queremos chegar? Nosso planejamento tem que nos levar para onde? Essas perguntas são norteadoras. A partir do nosso planejamento e da nossa gestão, ajudam a construir a jornada e a sustentabilidade da organização: trata-se da visão organizacional. Conforme apresenta Oliveira (2008), a visão organizacional “é conceituada como os limites que os proprietários e principais executivos da empresa conseguem enxergar dentro de um período de tempo mais longo e uma abordagem mais ampla”. A visão é o norte que a empresa idealiza ser e onde quer chegar, considerando o papel que cumpre na sociedade em que está inserida. Segundo Mello e Ortega (2012), “a visão cria uma imagem em perspectiva de algo de grande valor para a empresa. Mais que um desejo mágico ou uma frase de efeito, é importante direcionador estratégico que determina um alvo a ser alcançado”. Dessa forma, realizar o planejamento e a gestão estratégicos, sem alinhamento com a visão organizacional, seria o mesmo que fazer uma trilha sem 10 bússola e mapa adequados. O gasto de recursos e energia acaba competindo com a nossa performance, impactando negativamente a nossa rotina. É fundamental, a cada ação desenvolvida para o aprimoramento dos resultados gerenciais, revisitar a visão para analisar se ela é coerente com o que tem sido idealizado pela nossa visão. São exemplos de visão nas organizações da saúde: • “Sistema de Saúde Público efetivo e reconhecido por todos.” (Ministério da Saúde, 2022) • “Ser, até 2032, uma cidade com população saudável e feliz onde o SUS seja reconhecido por sua excelência, tornando-se uma referência nacional e internacional.” (SUS Curitiba, 2022) 3.3 Valores organizacionais Os desafios contemporâneos (globalização, mudanças climáticas e crises sanitárias) evidenciam porque não podemos desenvolver estratégias a partir da missão e da visão de uma organização. A missão orienta os nossos planejamentos e gestões, enquanto a visão mostra onde devemos chegar. Porém, eles não são suficientes para a sustentabilidade e a perenidade dos negócios. O planejamento estratégico e a gestão de excelência devem estar alinhados com valores que nos impulsionam para o sucesso. Segundo Barrett (2018), “o século XXI, qualidade, preço, rapidez e serviço não serão suficientes para garantir o sucesso; você terá que agir com integridade e estar 100% focado em construir um futuro sustentável. [...] Seus valores devem ficar evidenciados em cada decisão que toma e cada ação que pratica”. Valores organizacionais, segundo Oliveira (2008) “representam o conjunto de princípios e crenças fundamentais de uma empresa, bem como fornecem sustentação para todas as suas principais decisões”. Portanto, para colocar em prática o que foi planejado, devemos nos basear nos valores definidos pela alta administração da organização. TEAMA 4 – VALORES ORGANIZACIONAIS E VALORES HUMANOS Importante: os valores organizacionais estarão sempre conectados com os valores humanos de todos os envolvidos em nossa rotina. Dessa forma, aumentamos o engajamento e aprimoramos o senso coletivo da organização. 11 Tamayo (2005) desenvolveu uma pesquisa (Quadro 1) que demonstra a conexão entre os valores organizacionais e a correspondência com os valores pessoais. Quadro 1 – Similaridade entre duas categorias de valores: organizacionais e motivacionais pessoais VALORES ORGANIZACIONAIS CORRESPONDÊNCIA COM OS VALORES PESSOAIS META DOS VALORES ORGANIZACIONAIS AUTONOMIA Autodeterminação, estimulação Oferecer desafios e variedade no trabalho, estimular a curiosidade, a criatividade e a inovação. BEM-ESTAR Hedonismo Promover a satisfação, o bem- estar e a qualidade de vida no trabalho. REALIZAÇÃO Realização Valorizar a competência e o sucesso dos trabalhadores. DOMÍNIO Poder Obter lucros, ser competitiva e garantir o sucesso dos trabalhadores. PRESTÍGIO Poder Ter prestígio, ser conhecida e admirada por todos e oferecer produtos e serviços satisfatórios para os clientes. TRADIÇÃO Tradição Manter a tradição e respeitar os costumes da organização. CONFORMIDADE Conformidade Promover a correção, a cortesia e as boas maneiras no trabalho, com respeito às normas da organização. PREOCUPAÇÃO COM A COLETIVIDADE Benevolência, universalismo Promover a justiça e a igualdade no trabalho, bem como tolerância, sinceridade e honestidade. Fonte: Elaborado com base em Tamayo, 2005, p. 202-203. Vejamos agora os valores organizações das organizações de saúde já mencionadas: 12 • “Honestidade: lidar com a realidade como ela é e honrar os compromissos. Verdade: adequar o que é dito ao que é. Integridade: coerência entre os valores e as ações. Diligência: zelo e cuidado em todas as tarefas que são executadas. Justiça: não discriminar as pessoas sob qualquer forma, seja por raça ou etnia, idade, sexo, religião, filosofia, capacidade física ou intelectual, origem socioeconômica, orientação sexual, saúde mental ou física, atributos genéticos, comportamento, atratividade, local de origem, valores culturais ou posição política. Altruísmo: preocupação com o bem- estar dos outros, sem esperar reciprocidade. Autonomia: capacidade de fazer escolhas e conduzir suas próprias ações. Profissionalismo: se vale a pena ser feito, deve ser bem-feito. Trabalho em equipe: cooperação para atingir as metas e os objetivos.” (Hospital Albert Einstein, 2019) • “Amor; humanização; honestidade; humildade; ética; respeito; comprometimento; trabalho em equipe; gratidão aos doadores; responsabilidade social.” (Hospital de Amor, 2022) • “Inovação; comprometimento; empatia; transparência; ética; eficiência e efetividade; sinergia e sustentabilidade.” (Ministério da Saúde, 2022) • “Ética: entendida como um conjunto de valores morais e princípios, que deve orientar a instituição na sua atuação, para criar um ambiente social e político justo, solidário e pacífico. Respeito: entendido como um valor institucional que permite que se possa reconhecer, aceitar, apreciar e valorizar as qualidades do próximo e os seus direitos. Portanto, pressupõe um comportamento institucional disponível e receptivo, para expressar e ouvir o contraditório, para conviver e relacionar-se com as diferenças mais variadas e com as preferências da maioria e das minorias. Transparência: entendida como tornar de domínio público os atos do governo, dar pleno conhecimento ao cidadão das políticas públicas; é cultivar a noção de interdependência e de que a história de uma organização se constrói junto com todos, em um modelo no qual a confiança é protagonista. Eficiência: entendida como a capacidade institucional e dos profissionais de fazer as coisas no tempo devido sem erros e utilizar somente os recursos necessários. Compromisso: entendido como a capacidade da instituição de sustentar uma escolha, em razão da sua missão e visão; e o comprometimento com os resultados desejados para a sociedade” (SUS Curitiba, 2022). 13 TEMA 5 – CONECTANDO OS CONCEITOS COM MÉTODOS E FERRAMENTAS O desenvolvimento do planejamento e da gestão estratégica, alinhados com a missão, a visão e os valores organizacionais, são essenciais para nortear as ações e os projetos que objetivam a resolução de problemas e a sustentabilidade organizacional. Porém, para que na prática os desafios sejam enfrentados, existe a necessidade de trabalhar com metodologias e ferramentas que garantam, na prática, o acompanhamento e o gerenciamento da rotina organizacional. Utilizar métodos que desenvolvam o diagnóstico dos cenários atuais e futuros permite a compreensão de recursos financeiros e de tecnologia para a atuação perene com efetividade na utilizaçãodas competências certas para cada desafio apresentado (conhecimento, habilidade e atitude). Além disso, é necessário, na fluidez contemporânea, mapear as oportunidades e as ameaças em que a instituição está inserida. Além disso, a gestão deve usar de ferramentas que possibilitem acompanhar as áreas operacionais, táticas e estratégicas, com reconhecimento na prática do que foi inserido e discutido nos conceitos organizacionais. Essa prática garante a segurança e a qualidade dos processos, considerando a lucratividade a partir do reconhecimento do cliente. Segundo Falconi (2009), “existem três fatores fundamentais para a obtenção de resultados em qualquer iniciativa humana: liderança, conhecimento técnico e método”. Assim, liderar com uma missão e visão objetivas e realistas, com base em valores organizacionais, investindo constantemente no aprimoramento, para que o conhecimento técnico garanta uma atuação efetiva, não é possível sem métodos e ferramentas conectados com um processo decisório sustentável. Portanto, não há estratégia e gestão sem método e sem ferramentas, tema a ser estudado posteriormente. Leitura Complementar DA SILVA LIMA, E. V. A. et al. Planejamento estratégico situacional como ferramenta de promoção em saúde na gestão: revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 11, n. 2, p. e5911225302-e5911225302, 2022. 14 REFERÊNCIAS ARAÚJO, U. M. M. da. S.; SOLER, O. 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