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AULA 1 
PLANEJAMENTO E 
GESTÃO EM SAÚDE 
Prof. Altair Turbay Junior 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Os desafios sociais (desigualdades econômicas e no acesso à prestação 
de serviços básicos de excelência), a globalização e seus impactos na 
macroeconomia, além das crises sanitárias e climáticas, justificam a 
obrigatoriedade da estruturação de sistemas e de prestação de serviços com 
planejamento e gestão estratégica e efetiva, com foco na melhoria contínua na 
qualidade de vida em nossa sociedade. 
Dessa forma, este estudo tem como objetivos: (a) promover reflexões; (b) 
compartilhar conceitos e ferramentas; e (c) estimular ideias e práticas para 
tomadas de decisões desenvolvidas pela qualidade das relações entre as áreas 
organizacionais, alinhadas com os valores humanos e organizacionais, pilares 
essenciais para a sustentabilidade e a perenidade na prestação de serviços de 
excelência em saúde. 
Desejamos que essa seja uma rica jornada, abrindo caminhos para a 
descoberta e/ou o aprimoramento de conceitos, metodologias e ferramentas 
aplicáveis em sua vida profissional. 
TEMA 1 – PRINCÍPIOS E CONCEITOS EM PLANEJAMENTO E GESTÃO EM 
SAÚDE 
O cenário socioeconômico é estruturado por circunstâncias e elementos 
gerados pelas relações sociais e financeiras, impactadas pelas mudanças 
constantes de um mundo cada vez mais globalizado, que evidencia cada vez mais 
a interdependência de países em sua relação com fornecedores e consumidores. 
Na área da saúde, esses impactos devem ser analisados diariamente, para 
garantir uma gestão capaz de levar à prestação de serviço de excelência, 
promovendo a qualidade de vida dos colaboradores, que são essenciais para a 
geração de resultados melhores. Dessa forma, vamos iniciar a nossa jornada com 
a compreensão dos princípios e conceitos relacionados com planejamento e 
gestão em saúde, para promover o conhecimento que por sua vez aprimora a 
gestão de alta performance. 
Gerenciar serviços e organizações na área da saúde, tanto privadas como 
públicas, exige tomadas de decisões perenes e sustentáveis, alinhadas com os 
valores organizacionais, sempre com ações planejadas, que possam ser 
checadas e gerenciadas constantemente, para que o alto desempenho garanta a 
 
 
3 
excelência na prestação de serviços. Como citado por Úrsula Araújo e Orenzio 
Soler (2022): 
Administrar organizações de saúde requer uma série de operações 
complexas envolvendo insumos e profissionais colaboradores. Logo, a 
aplicação de boas práticas de governança, gestão por resultados e 
planejamento estratégico situacional; em especial ao processo de 
aquisição de medicamentos e materiais hospitalares, tem papel 
fundamental no enfrentamento dos desafios relacionados à gestão 
hospitalar, possibilitam elaborar planos de ação que proporcionam tomar 
decisões com maior segurança; gestão mais eficientes, incluindo 
indicadores de monitoramento/acompanhamento e avaliação. 
Dessa forma, devido à complexidade na gestão em saúde, é essencial que 
toda prestação de serviço, inclusive de profissionais autônomos, seja planejada e 
gerenciada para qualificar serviços com foco em qualidade e lucratividade. Sem 
planejamento, não temos o que gerenciar, e sem gestão não acompanhamos 
indicadores internos e externos para compreender os cenários em que 
navegamos profissionalmente. Ou seja, segundo a analogia com a navegação, 
sem planejamento e gestão estamos navegando sem bússola e mapa; estamos 
prestando um serviço à deriva na realidade BANI em que vivemos. 
O termo BANI (Brittle, Anxious, Nonlinear and Incomprehensible), que em 
tradução significa Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível, foi criado por 
Jamais Cascio, para substituir o termo VUCA (Volatile, Uncertain, Complex and 
Ambigous – Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), criado na década de 1990 
(Thornburg; Cascio, 2021). Jamais Cascio relata: “criei o BANI em parte como 
uma forma de esboçar um enquadramento para um mundo que foi além de ser 
apenas complexo e tornou-se totalmente caótico. [...] Eu o uso para me referir a 
sistemas que exibem todas as evidências de força e solidez, mas se desfazem 
com um certo nível de pressão” (Thornburg; Cascio, 2021). 
Imaginem o seguinte cenário: a prestação de serviço em saúde busca 
atender a população de forma integral, com equidade e de forma efetiva, seguindo 
políticas públicas e programas focados na garantia de excelência em gestão. 
Porém quando o ambiente apresenta pressão constante, em um mundo ansioso 
e caótico, desenvolver um planejamento estratégico é obrigatório para alinhar a 
excelência ideal (ou seja, pretendida) com a excelência real, que precisamos 
alcançar e manter. 
Assim, conhecer os princípios e os conceitos que estruturam o 
planejamento estratégico para a gestão de alto desempenho é essencial. 
 
 
4 
TEMA 2 – PLANEJAMENTO E GESTÃO ESTRATÉGICA 
Planejamento é um processo que deve ser estruturado com atenção, a 
partir do estudo das interações sociais, econômicas e comportamentais que são 
identificadas nos cenários internos e externos, considerando a prestação de 
serviço e/ou as organizações e instituições empresariais. 
Por que chamamos o planejamento de processo? Porque ele é estruturado 
considerando cinco aspectos que definem os princípios básicos de um processo, 
conhecidos como as “cinco dimensões do planejamento” (Steiner, 1969): 
• Tema a ser abordado: dimensão relacionada às funções desempenhadas 
na organização, ou seja, o tema refere-se a novos produtos, novas relações 
comerciais, gestão de pessoas, questões financeiras etc. 
• Elementos do planejamento: os elementos do planejamento são os 
processos que usamos como referências ou que devem ser criados, como 
estratégias, políticas, normas e procedimentos. 
• Tempo do planejamento: o planejamento é para ações de curto, médio ou 
longo prazo. 
• Unidades da organização: refere-se às áreas de estruturação do 
planejamento, a exemplo de unidades básicas de saúde, atenção terciária, 
nas estratégias de saúde da família. 
• Características do planejamento: o planejamento é estratégico, tático ou 
operacional? Qual o nível de confidencialidade do planejamento? Ou seja, 
é preciso considerar características que ampliam o entendimento 
financeiro, de gestão da informação, com apoio na definição da 
complexidade do projeto. 
Importante salientar que, além das dimensões propostas, que definem o 
processo de planejamento, é importante entender que faz parte do princípio de 
planejar a reflexão para uma tomada de decisão assertiva, capaz de promover 
uma construção, no presente, de transformação do passado para um futuro com 
qualidade e lucratividade, tanto para os indivíduos quanto para as organizações. 
Segundo Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira (2008): 
O planejamento estratégico corresponde ao estabelecimento de um 
conjunto de providências a serem tomadas pelo executivo para a 
situação em que o futuro tende a ser diferente do passado; entretanto, a 
empresa tem condições e meios de agir sobre variáveis e fatores, de 
modo que possa exercer alguma influência; o planejamento é, ainda, um 
 
 
5 
processo contínuo, um exercício mental que é executado pela empresa, 
independentemente, de vontade específica de seus executivos. 
Um planejamento com foco na tríade de cenário interno, cenário externo e 
projeções futuras desenvolvidas pelo estudo crítico do passado e do presente 
gera modificações constantes em termos de aprimoramento organizacional e 
prestação de serviço individual. Tais modificações resultam da influência do modo 
de pensar no gerenciamento para a excelência. 
Figura 1 – Fluxograma das modificações provocadas pelo planejamento 
 
Fonte: Elaborado com base em Oliveira, 2008, p. 7. 
As modificações geradas devem mitigar as vulnerabilidades e maximizar 
os resultados positivos, desenvolvendo processos eficientes, eficazes e/ou 
efetivos. Conhecer esses três conceitos é primordialpara que o planejamento 
garanta os resultados/modificações desejados: 
• Eficiência é realizar da melhor maneira, utilizando os recursos de forma 
produtiva, com foco na mitigação de perdas e/ou desperdícios. Análise do 
custo-benefício. A atenção está nos recursos. 
• Eficácia é realizar o que deve ser feito, cumprindo metas. Fazer aquilo que 
foi proposto. Foco no cumprimento de metas, ou seja, no resultado. 
• Efetividade é realizar, de forma ética e correta, aquilo que deve ser feito, 
gerando transformação no cenário existente. Desenvolvimento e gestão de 
mudança. Sempre com avaliação do impacto e da perenidade dos 
processos. 
Assim, entendemos que o planejamento é um processo contínuo, capaz de 
desenvolver a interatividade em todas as áreas em que a prestação de serviço 
está inserida. Além disso, é preciso sempre respeitar os níveis hierárquicos. 
 
 
6 
Dessa forma, o planejamento é dividido em três tipos: estratégico, tático e 
operacional. 
2.1 Planejamento estratégico 
O planejamento estratégico é desenvolvido pelos níveis hierárquicos mais 
altos da empresa, que estruturam a metodologia, o tempo de aplicação, os 
objetivos e as metas que devem ser alcançadas, analisando questões 
mercadológicas, financeiras e produtivas, alinhadas com os recursos humanos e 
com os valores organizacionais. 
Segundo Suellen Elias e Thafarell Ruiz (2016), “é a definição dos objetivos 
e programas a serem executados para traçar metas e alcançar o sucesso delas”. 
2.2 Planejamento tático 
O planejamento tático diferencia-se do estratégico por ser mais setorial, ou 
seja, está relacionado a cada setor de uma organização. Por exemplo, na saúde 
pública, o papel da secretaria de saúde (seja estadual ou municipal) é realizar um 
planejamento estratégico, utilizado como referência para o planejamento tático de 
cada serviço prestado para a comunidade. Assim, cada serviço estrutura a tática 
para o cumprimento das ações estratégicas. O planejamento tático está 
relacionado aos níveis intermediários, que ficam entre o planejamento estratégico 
e o processo de operacionalização do planejado. 
Segundo Oliveira (2008), o planejamento tático “tem por finalidade otimizar 
determinada área de resultado e não a empresa como um todo. Portanto, trabalha 
com decomposições dos objetivos, estratégias e políticas estabelecidos no 
planejamento estratégico”. 
2.3 Planejamento operacional 
O planejamento operacional é identificado na rotina organizacional quando 
percebemos, no dia a dia, os resultados esperados e os apresentados a partir da 
análise dos recursos utilizados na prestação de serviços, considerando a forma 
como os procedimentos, as normas e as regulamentações são praticados, além 
da metodologia para a análise dos indicadores que demonstram cenários e metas 
alcançáveis e dos papéis e responsabilidades reconhecidos na prestação de 
serviços. 
 
 
7 
O planejamento operacional está estruturado por decisões operacionais. 
Segundo Fernandes e Berton (citados por Mendes; Raiser, 2009), “as decisões 
operacionais, são decisões do cotidiano das organizações, que estabelece uma 
ligação entre decisões táticas e estratégicas e seu impacto se dá no curto prazo, 
afetando apenas determinados setores ou áreas específicas”. 
Figura 2 – Fluxograma da relação entre os tipos de planejamento 
 
Fonte: Elaborado com base em Oliveira, 2008, p. 19. 
O fluxograma da relação entre os tipos de planejamento (Figura 2) 
evidencia que o planejamento estratégico norteia as diversas áreas da 
organização que desenvolvem o planejamento tático, de modo que, nas rotinas 
organizacionais, os resultados esperados podem ser comunicados e gerenciados 
na prática. Além disso, o processo deve ser retroalimentado e avaliado 
constantemente, com base em ferramentas e metodologias alinhadas com as 
competências técnicas e com os papéis e responsabilidades dos colaboradores, 
de acordo com a área em que estão inseridos. 
Para além da construção de planejamentos coerentes com a realidade 
técnica, partindo dos recursos que vão ser utilizados, para que o planejamento 
estratégico e a gestão apresentem os melhores resultados, o planejamento deve 
obrigatoriamente estar alinhado com a cultura organizacional, representada pela 
missão, pela visão e pelos valores organizacionais. 
TEMA 3 – MISSÃO, VISÃO E VALORES ORGANIZACIONAIS 
“A vitória de uma organização, seja ela uma escola, um hospital, uma 
prefeitura, uma empresa ou até mesmo o Governo Federal, é algo desejado por 
todos e, quando acontece, é uma grande fonte de alegria e satisfação”. Esta frase 
 
 
8 
do engenheiro e consultor Vicente Falconi (2009) nos mostra que todos os 
colaboradores de uma organização buscam alcançar bons resultados porque, 
bons resultados atingidos são “fontes de motivação humana”. Além da frase do 
brilhante consultor, é interessante conhecer a pergunta com que ele nos provoca 
na obra O Verdadeiro Poder: se essa frase é verdadeira, por que as empresas 
falham em motivar e alcançar a excelência? 
Segundo Falconi (2009), nós falhamos porque: (a) não definimos metas de 
forma correta; (b) os planejamentos não são feitos utilizando a técnica e os 
métodos corretos; (c) não executamos da forma e no tempo correto aquilo que foi 
planejado; e (d) não identificamos as circunstâncias que estão fora do nosso 
controle. 
Acredito que tais falhas no planejamento, em conjunto com a falta de 
clareza da missão, da visão e dos valores organizacionais, impactam a empresa 
de forma negativa, minando a energia organizacional. Para atingir os objetivos 
organizacionais e garantir a satisfação de todos os envolvidos, seja no cenário 
interno como no externo, é preciso superar as falhas. 
Dessa forma, o planejamento e a gestão devem utilizar, em todas as 
tomadas de decisão, os três pilares da excelência: o entendimento da nossa 
missão; o que pretendemos com a nossa visão; e quais valores vamos identificar 
em todas as ações e ambientes organizacionais. Afinal, como define Richard 
Barrett (2018), “as organizações dirigidas por valores são as mais bem-sucedidas 
organizações no planeta”. 
Agora, vamos apresentar os pilares que guiam o planejamento e a gestão 
de uma organização. 
3.1 Missão organizacional 
Para a realização de um planejamento capaz de desenvolver a excelência 
de forma coerente e efetiva, é necessário que os gestores conheçam, fortaleçam 
e comuniquem em suas ações o propósito e a razão de existência da organização. 
Segundo Klöppel, De Souza e Lunkes (2015), para que os gestores possam definir 
os objetivos e as estratégias que precisam ser desenvolvidos, “um dos primeiros 
pontos a ser observado é a definição da missão empresarial das organizações, 
que visa orientar o seu planejamento estratégico”. 
Segundo Takeski e Rezende (citados por Klöppel; De Souza; Lunkes, 
2015), “a declaração da missão expõe a razão de ser da entidade, qual a 
 
 
9 
finalidade ela possui e qual a razão de sua existência para a sociedade, ou seja, 
a função social exercida por ela”. 
A missão deve ser uma frase curta, clara e objetiva, capaz de responder às 
questões supracitadas, além de ser facilmente entendida por todos que 
representam a organização. A missão é essencial, afinal, “um negócio não é 
definido pelo seu nome ou estatuto, e sim pela definição da missão do negócio” 
(Drucker, 1973, citado por Klöppel; De Souza; Lunkes, 2015). Ou seja, um 
planejamento desalinhado com a missão impacta negativamente na 
sustentabilidade organizacional. 
São exemplos de missões organizacionais na área da saúde: 
• “Oferecer excelência de qualidade no âmbito da saúde, da geração do 
conhecimento e da responsabilidade social, como forma de evidenciar a 
contribuição da comunidade judaica à sociedade brasileira.” (Hospital 
Albert Einstein, 2019) 
• “Promover Saúde através de Atendimento Médico Hospitalar qualificado 
em Oncologia, de forma Humanizada, em ÂmbitoNacional, para pacientes 
do Sistema Único de Saúde, apoiado em Programas de Prevenção, Ensino 
e Pesquisa.” (Hospital de Amor, 2022) 
3.2 Visão organizacional 
Aonde queremos chegar? Nosso planejamento tem que nos levar para 
onde? Essas perguntas são norteadoras. A partir do nosso planejamento e da 
nossa gestão, ajudam a construir a jornada e a sustentabilidade da organização: 
trata-se da visão organizacional. Conforme apresenta Oliveira (2008), a visão 
organizacional “é conceituada como os limites que os proprietários e principais 
executivos da empresa conseguem enxergar dentro de um período de tempo mais 
longo e uma abordagem mais ampla”. A visão é o norte que a empresa idealiza 
ser e onde quer chegar, considerando o papel que cumpre na sociedade em que 
está inserida. 
Segundo Mello e Ortega (2012), “a visão cria uma imagem em perspectiva 
de algo de grande valor para a empresa. Mais que um desejo mágico ou uma 
frase de efeito, é importante direcionador estratégico que determina um alvo a ser 
alcançado”. Dessa forma, realizar o planejamento e a gestão estratégicos, sem 
alinhamento com a visão organizacional, seria o mesmo que fazer uma trilha sem 
 
 
10 
bússola e mapa adequados. O gasto de recursos e energia acaba competindo 
com a nossa performance, impactando negativamente a nossa rotina. É 
fundamental, a cada ação desenvolvida para o aprimoramento dos resultados 
gerenciais, revisitar a visão para analisar se ela é coerente com o que tem sido 
idealizado pela nossa visão. 
São exemplos de visão nas organizações da saúde: 
• “Sistema de Saúde Público efetivo e reconhecido por todos.” (Ministério da 
Saúde, 2022) 
• “Ser, até 2032, uma cidade com população saudável e feliz onde o SUS 
seja reconhecido por sua excelência, tornando-se uma referência nacional 
e internacional.” (SUS Curitiba, 2022) 
3.3 Valores organizacionais 
Os desafios contemporâneos (globalização, mudanças climáticas e crises 
sanitárias) evidenciam porque não podemos desenvolver estratégias a partir da 
missão e da visão de uma organização. A missão orienta os nossos 
planejamentos e gestões, enquanto a visão mostra onde devemos chegar. Porém, 
eles não são suficientes para a sustentabilidade e a perenidade dos negócios. O 
planejamento estratégico e a gestão de excelência devem estar alinhados com 
valores que nos impulsionam para o sucesso. 
Segundo Barrett (2018), “o século XXI, qualidade, preço, rapidez e serviço 
não serão suficientes para garantir o sucesso; você terá que agir com integridade 
e estar 100% focado em construir um futuro sustentável. [...] Seus valores devem 
ficar evidenciados em cada decisão que toma e cada ação que pratica”. 
Valores organizacionais, segundo Oliveira (2008) “representam o conjunto 
de princípios e crenças fundamentais de uma empresa, bem como fornecem 
sustentação para todas as suas principais decisões”. Portanto, para colocar em 
prática o que foi planejado, devemos nos basear nos valores definidos pela alta 
administração da organização. 
TEAMA 4 – VALORES ORGANIZACIONAIS E VALORES HUMANOS 
Importante: os valores organizacionais estarão sempre conectados com os 
valores humanos de todos os envolvidos em nossa rotina. Dessa forma, 
aumentamos o engajamento e aprimoramos o senso coletivo da organização. 
 
 
11 
Tamayo (2005) desenvolveu uma pesquisa (Quadro 1) que demonstra a conexão 
entre os valores organizacionais e a correspondência com os valores pessoais. 
Quadro 1 – Similaridade entre duas categorias de valores: organizacionais e 
motivacionais pessoais 
VALORES 
ORGANIZACIONAIS 
CORRESPONDÊNCIA 
COM OS VALORES 
PESSOAIS 
META DOS VALORES 
ORGANIZACIONAIS 
AUTONOMIA Autodeterminação, 
estimulação 
Oferecer desafios e variedade 
no trabalho, estimular a 
curiosidade, a criatividade e a 
inovação. 
BEM-ESTAR Hedonismo Promover a satisfação, o bem-
estar e a qualidade de vida no 
trabalho. 
REALIZAÇÃO Realização Valorizar a competência e o 
sucesso dos trabalhadores. 
DOMÍNIO Poder Obter lucros, ser competitiva e 
garantir o sucesso dos 
trabalhadores. 
PRESTÍGIO Poder Ter prestígio, ser conhecida e 
admirada por todos e oferecer 
produtos e serviços 
satisfatórios para os clientes. 
TRADIÇÃO Tradição Manter a tradição e respeitar 
os costumes da organização. 
CONFORMIDADE Conformidade Promover a correção, a 
cortesia e as boas maneiras 
no trabalho, com respeito às 
normas da organização. 
PREOCUPAÇÃO COM A 
COLETIVIDADE 
Benevolência, 
universalismo 
Promover a justiça e a 
igualdade no trabalho, bem 
como tolerância, sinceridade e 
honestidade. 
Fonte: Elaborado com base em Tamayo, 2005, p. 202-203. 
Vejamos agora os valores organizações das organizações de saúde já 
mencionadas: 
 
 
12 
• “Honestidade: lidar com a realidade como ela é e honrar os compromissos. 
Verdade: adequar o que é dito ao que é. Integridade: coerência entre os 
valores e as ações. Diligência: zelo e cuidado em todas as tarefas que são 
executadas. Justiça: não discriminar as pessoas sob qualquer forma, seja 
por raça ou etnia, idade, sexo, religião, filosofia, capacidade física ou 
intelectual, origem socioeconômica, orientação sexual, saúde mental ou 
física, atributos genéticos, comportamento, atratividade, local de origem, 
valores culturais ou posição política. Altruísmo: preocupação com o bem-
estar dos outros, sem esperar reciprocidade. Autonomia: capacidade de 
fazer escolhas e conduzir suas próprias ações. Profissionalismo: se vale a 
pena ser feito, deve ser bem-feito. Trabalho em equipe: cooperação para 
atingir as metas e os objetivos.” (Hospital Albert Einstein, 2019) 
• “Amor; humanização; honestidade; humildade; ética; respeito; 
comprometimento; trabalho em equipe; gratidão aos doadores; 
responsabilidade social.” (Hospital de Amor, 2022) 
• “Inovação; comprometimento; empatia; transparência; ética; eficiência e 
efetividade; sinergia e sustentabilidade.” (Ministério da Saúde, 2022) 
• “Ética: entendida como um conjunto de valores morais e princípios, que 
deve orientar a instituição na sua atuação, para criar um ambiente social e 
político justo, solidário e pacífico. Respeito: entendido como um valor 
institucional que permite que se possa reconhecer, aceitar, apreciar e 
valorizar as qualidades do próximo e os seus direitos. Portanto, pressupõe 
um comportamento institucional disponível e receptivo, para expressar e 
ouvir o contraditório, para conviver e relacionar-se com as diferenças mais 
variadas e com as preferências da maioria e das minorias. Transparência: 
entendida como tornar de domínio público os atos do governo, dar pleno 
conhecimento ao cidadão das políticas públicas; é cultivar a noção de 
interdependência e de que a história de uma organização se constrói junto 
com todos, em um modelo no qual a confiança é protagonista. Eficiência: 
entendida como a capacidade institucional e dos profissionais de fazer as 
coisas no tempo devido sem erros e utilizar somente os recursos 
necessários. Compromisso: entendido como a capacidade da instituição de 
sustentar uma escolha, em razão da sua missão e visão; e o 
comprometimento com os resultados desejados para a sociedade” (SUS 
Curitiba, 2022). 
 
 
13 
TEMA 5 – CONECTANDO OS CONCEITOS COM MÉTODOS E FERRAMENTAS 
O desenvolvimento do planejamento e da gestão estratégica, alinhados 
com a missão, a visão e os valores organizacionais, são essenciais para nortear 
as ações e os projetos que objetivam a resolução de problemas e a 
sustentabilidade organizacional. Porém, para que na prática os desafios sejam 
enfrentados, existe a necessidade de trabalhar com metodologias e ferramentas 
que garantam, na prática, o acompanhamento e o gerenciamento da rotina 
organizacional. 
Utilizar métodos que desenvolvam o diagnóstico dos cenários atuais e 
futuros permite a compreensão de recursos financeiros e de tecnologia para a 
atuação perene com efetividade na utilizaçãodas competências certas para cada 
desafio apresentado (conhecimento, habilidade e atitude). Além disso, é 
necessário, na fluidez contemporânea, mapear as oportunidades e as ameaças 
em que a instituição está inserida. 
Além disso, a gestão deve usar de ferramentas que possibilitem 
acompanhar as áreas operacionais, táticas e estratégicas, com reconhecimento 
na prática do que foi inserido e discutido nos conceitos organizacionais. Essa 
prática garante a segurança e a qualidade dos processos, considerando a 
lucratividade a partir do reconhecimento do cliente. 
Segundo Falconi (2009), “existem três fatores fundamentais para a 
obtenção de resultados em qualquer iniciativa humana: liderança, conhecimento 
técnico e método”. 
Assim, liderar com uma missão e visão objetivas e realistas, com base em 
valores organizacionais, investindo constantemente no aprimoramento, para que 
o conhecimento técnico garanta uma atuação efetiva, não é possível sem métodos 
e ferramentas conectados com um processo decisório sustentável. 
Portanto, não há estratégia e gestão sem método e sem ferramentas, tema 
a ser estudado posteriormente. 
Leitura Complementar 
DA SILVA LIMA, E. V. A. et al. Planejamento estratégico situacional como 
ferramenta de promoção em saúde na gestão: revisão integrativa. Research, 
Society and Development, v. 11, n. 2, p. e5911225302-e5911225302, 2022. 
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
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gestão por resultados e planejamento estratégico situacional relacionados ao 
processo de aquisição de medicamentos e materiais hospitalares: revisão 
integrativa. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 2, 2022. 
BARRETT, R. A Organização Dirigida por Valores: liberando o potencial 
humano para a performance e a lucratividade. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018. 
ELIAS, S. de M.; RUIZ, T. R. O planejamento estratégico dentro do conceito 
de administração estratégica. Monografia (Conclusão de Curso) – Faculdade 
Doctum de Administração da Serra, Serra, 2016. 
FALCONI, V. O verdadeiro poder. Belo Horizonte: Falconi, 2009. 
HOSPITAL ALBERT EINSTEIN. Manual institucional: diretrizes de conduta 
ética. São Paulo, 2019. Disponível em: 
. Acesso em: 15 jul. 2022. 
HOSPITAL DE AMOR. Institucional. Disponível em: 
. Acesso em: 7 jul. 2022. 
KLÖPPEL, F. V.; DE SOUZA, P.; LUNKES, R. J. Missão empresarial: uma análise 
de sua efetividade para o planejamento estratégico. Contaduría Universidad de 
Antioquia, n. 66, p. 113-129, 2015. 
MELLO, J. B. de; ORTEGA, M. Práticas de gestão empresarial de alta 
performance baseada em pessoas. São Paulo: Nova Cultural, 2012. 
MENDES, O.; RAISER, G. Planejamento estratégico. Revista Interdisciplinar 
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MINISTÉRIO DA SAÚDE. Missão, Visão e Valores Institucionais. Disponível 
em: . 
Acesso em: 15 jul. 2022. 
OLIVEIRA, D. de P. R. de. Planejamento estratégico: conceitos, metodologias e 
práticas. 25 ed. São Paulo: Atlas, 2008. 
 
 
15 
STEINER, G. A. A Conceptual and Operational Model of Corporate Planning. Top 
Management Planning, Toronto, p. 31-61, 1969. 
SUS CURITIBA. Missão, Visão e Valores do SUS Curitiba. Disponível em: 
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2022. 
TAMAYO, Á. Valores organizacionais e comprometimento afetivo. Revista de 
Administração Mackenzie, v. 6, p. 192-213, 2005. 
THORNBURG, D.; CASCIO, J. A educação em um mundo cada vez mais caótico. 
B. Téc. Senac, Rio de Janeiro, v. 47, n. 1, jan./abr. 2021.

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