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FACULDADE ANHANGUERA DE PINDAMONHANGABA transforme seu futuro DIREITO CIVIL – PARTE GERAL Prof. ÁLVARO MARTON BARBOSA JÚNIOR E-mail: alvaro.junior@anhanguera.com Instagram: @alvaromartonbj Facebook: @alvaromarton 3 4 PROVA DO 1° BIMESTRE DIA 27/09/2024 – SEXTA-FEIRA HORÁRIO: 19:00 HORAS PRESENCIAL NA FACULDADE *** Sujeito a alterações *** PROVA DO 2° BIMESTRE DIA 22/11/2024 – SEXTA-FEIRA HORÁRIO: 19:00 HORAS PRESENCIAL NA FACULDADE *** Sujeito a alterações *** PROVA DE SEGUNDA CHAMADA (1° e 2° BIMESTRES) DIA 02/12/2024 – SEGUNDA-FEIRA HORÁRIO: 19:00 HORAS PRESENCIAL NA FACULDADE *** Sujeito a alterações *** PROVA DE EXAME FINAL DIA 09/12/2024 – SEGUNDA-FEIRA HORÁRIO: 19:00 HORAS PRESENCIAL NA FACULDADE *** Sujeito a alterações *** DAS PESSOAS JURÍDICAS ARTIGOS 40 a 69 do CÓDIGO CIVIL As pessoas jurídicas, também denominadas pessoas coletivas, morais, fictícias ou abstratas, podem ser conceituadas, em regra, como conjuntos de pessoas naturais ou de bens arrecadados, que adquirem personalidade jurídica própria por uma ficção legal. Tanto o Código Civil de 1916, quanto o de 2002 adotaram a teoria da realidade técnica. Essa teoria constitui um somatório entre as outras duas teorias justificatórias da existência da pessoa jurídica: a teoria da ficção – de Savigny (Século XVIII), onde a pessoa jurídica não teria personalidade jurídica e estaria relacionada somente com as relações patrimoniais e a teoria da realidade orgânica ou objetiva – de Hauriou, Gierke e Zitelman, que a pessoa jurídica existiria apenas para os fins sociais e somente adquire personalidade moral. Para a primeira teoria, as pessoas jurídicas são criadas por uma ficção legal, entretanto, mesmo diante dessa criação legal, não se pode esquecer que a pessoa jurídica tem identidade organizacional própria, identidade essa que deve ser preservada (teoria da realidade orgânica). Assim sendo, temos o esquema a seguir: Teoria da Realidade Técnica do Código Civil de 2002 (Colin, Capitante) = Teoria da Ficção + Teoria da Realidade Orgânica. Quanto à teoria da realidade técnica, Maria Helena Diniz prefere denominá-la como a teoria da realidade das instituições jurídicas entendendo que “A personalidade jurídica é um atributo que a ordem jurídica estatal outorgada a entes que o merecerem, possuindo objetivos em comum e que cumpram os requisitos legais. Logo, essa teoria é a que melhor atende à essência da pessoa jurídica, por estabelecer, com propriedade, que a pessoa jurídica é uma realidade jurídica e técnica”. Esse também é o entendimento de outros autores clássicos ou modernos do Direito Civil Brasileiro Sílvio Rodrigues, Washington de Barros Monteiro, Serpa Lopes e Caio Mário da Silva Pereira. O art. 45 do CC dispõe que a existência da pessoa jurídica de Direito Privado começa a partir da inscrição do seu ato constitutivo no respectivo registro, sendo eventualmente necessária a sua aprovação pelo Poder Executivo, como ocorre com as sociedades seguradoras. Diante dessa identidade própria, o registro deve contar com os requisitos constantes do art. 46 do CC, sob pena de não valer a constituição (plano da validade), a saber: a) A denominação da pessoa jurídica, identificação de sua sede, tempo de duração e o fundo social, quando houver. b) O nome e individualização dos fundadores e instituidores, bem como dos seus diretores. c) O modo de administração e representação ativa e passiva da pessoa jurídica. d) A previsão quanto à possibilidade ou não de reforma do ato constitutivo, particularmente quanto à administração da pessoa jurídica. e) A previsão se há ou não responsabilidade subsidiária dos membros da pessoa jurídica. f) As condições de extinção da pessoa jurídica e o destino de seu patrimônio em casos tais. Resumidamente – Requisitos da Pessoa Jurídica: 1) Reunião de pessoas e bens; 2) Finalidade em comum; 3) Personalidade e capacidade jurídica própria. O requisito da vontade humana de criar um ente distinto dos seus membros concretiza-se no ato de sua constituição, que deve guardar a forma escrita. No que concerne à observância da legalidade, considera-se o ato constitutivo um requisito formal exigido por lei. Podemos chamar esse ato constitutivo de estatuto quando temos as associações sem fins lucrativos; de contrato social quando temos as sociedades simples ou empresárias; e de escritura pública no caso das fundações. E, claro, o ato constitutivo deve ser levado a registro para que se inicie a existência legal da pessoa jurídica de Direito Privado. Para a constituição de uma pessoa jurídica, a licitude do seu objetivo, que deve ser determinada e possível, é primordial. O ato constitutivo da empresa é o que indica o começo de uma existência legal através de contrato social ou estatuto conforme o tipo de pessoa jurídica que se pretende criar e da observância dos requisitos de validade dos negócios jurídicos dispostos no artigo 104 do Código Civil. No que tange ao registro do ato constitutivo, assim dispõe o Código Civil, em seu artigo 45: Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. O registro do contrato social de uma sociedade empresária deve ser realizado em uma Junta Comercial, e o das demais pessoas jurídicas de direto privado, no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Um advogado, caso queira se associar deve registrá-la na OAB, conforme EOAB, artigos 15 e 16, §3º, e posteriormente nos órgãos responsáveis para obter o CNPJ. O registro de cada sociedade em seu órgão competente tem natureza constitutiva e serve de prova da obtenção de suas: personalidade e capacidade jurídica. Nos casos de dissolução ou cassação de funcionamento da pessoa jurídica, o cancelamento do registro só será realizado após o encerramento da liquidação, conforme artigo 51 do Código Civil. De acordo com o parágrafo único, do artigo 45, decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de Direito Privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. A pessoa jurídica deve ser representada por uma pessoa natural de forma ativa ou passiva, manifestando a sua vontade, nos atos judiciais ou extrajudiciais. Em regra essa pessoa natural que representa a pessoa jurídica é indicada nos seus próprios estatutos. Na sua omissão a pessoa jurídica será representada por seus diretores, e os atos praticados por tais pessoas vinculam a pessoa jurídica, pelo que consta do art. 47 do Código Civil. Eventualmente, havendo administração coletiva, as decisões quanto à administração devem ser tomadas por maioria de votos, salvo se houver outra previsão no ato constitutivo da pessoa jurídica, situação em que deve ser preservada a autonomia privada antes manifestada (art. 48, caput, do CC). Pergunta: A pessoa jurídica possui a proteção os direitos da personalidade? Resposta: Artigos 1° e 52 do Código Civil. PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES GERAIS DA PESSOA JURÍDICA As pessoas jurídicas podem ser classificadas: 1) Quanto à nacionalidade: a) Pessoa jurídica nacional – é a organizada conforme a lei brasileira e que tem no Brasil a sua sede principal e os seus órgãos de administração. b) Pessoa jurídica estrangeira – é aquela formada em outro país, e que não poderá funcionar no Brasil sem autorização do Poder Executivo, interessando também ao Direito Internacional Privado. 2) Quanto à estrutura interna: a) Corporação – é o conjunto de pessoas que atua com fins e objetivos próprios. São corporações as sociedades, as associações, os partidos políticos e as entidades religiosas. b) Fundação – é o conjunto de bens arrecadados com finalidade e interesse social. 3) Quanto às funções e capacidade: a) Pessoa jurídica de Direito Público – é o conjunto de pessoas ou bens que visa atender a interesses públicos, sejam internos ou externos. De acordo com o art. 41 do CC/2002 são pessoas jurídicas de direito público interno a União, os Estados, o Distrito Federal, os Territórios, os Municípios, as autarquias e as demais entidades de caráter público criadas pela lei. Seu estudo é objetivo mais do Direito Administrativo do que do Direito Civil. Nos termos do art. 42 do Código Civil, “são pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas jurídicas que forem regidas pelo direito internacional público”. b) Pessoa jurídica de Direito Privado – é a pessoa jurídica instituída pela vontade de particulares, visando a atender os seus interesses. Pelo que consta do art. 44 do CC/2002, inclusive pelas redações dadas pela Lei 10.825/2003 e pela Lei 12.441/2011, dividem-se em: fundações, associações, sociedades (simples ou empresárias), partidos políticos, entidades religiosas e empresas individuais de sociedade limitada (EIRELI). DAS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO PREVISTAS NO ART. 44 DO CC 1) Das fundações particulares: Maria Helena Diniz entende que o termo fundação é originário do latim fundatio, ação ou efeito de fundar, de criar, de fazer surgir. As fundações, assim, são bens arrecadados e personificados, em atenção a um determinado fim, que por uma ficção legal lhe dá unidade parcial. Para Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho, “diferentemente das associações e das sociedades, as fundações resultam não da união de indivíduos, mas da afetação de um patrimônio, por testamento ou escritura pública, que faz o seu instituidor, especificando o fim para o qual se destina” Nos termos do art. 62 do CC, as fundações são criadas a partir de escritura pública ou testamento. Para a sua criação, pressupõem-se a existência dos seguintes elementos: a) afetação de bens livres; b) especificação dos fins; c) previsão do modo de administrá-las; d) elaboração de estatutos com base em seus objetivos e submetidos à apreciação do Ministério Público que os fiscalizará; único dos requisitos que não é obrigatório, mas facultativo, no ato de instituição. 2) Das Associações: Conforme disciplina o art. 53 do CC: “Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”. As associações, pela previsão legal, são conjuntos de pessoas, com fins determinados, que não sejam lucrativos. Assim deve ser entendida a expressão “fins não econômicos”. Como exemplos de associações, podem ser citados os clubes esportivos recreativos, típicos das cidades do interior do Brasil, e algumas entidades de classe. No âmbito jurídico, entre as últimas, podem ser mencionados, como ilustração, o Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), a Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) e o Instituto Brasileiro de Direito Civil (IBDCivil). Pelo fato de serem constituídas por pessoas, assim como são as sociedades, as associações são uma espécie de corporação. Não há, entre associados, direitos e obrigações recíprocos, uma vez que não há intuito de lucro (art. 53, parágrafo único, do CC). Por outro lado, podem existir direitos e deveres entre associados e associação, como o dever do associado de pagar a contribuição mensal. A associação deve sempre ser registrada, passando com o registro a ter aptidões para ser sujeito de direitos e deveres na ordem civil. Como ocorre com todas as pessoas jurídicas, a associação também tem identidade distinta dos seus membros. O art. 54 do CC/2002 elenca uma série de requisitos para elaboração dos estatutos da associação, cujo desrespeito poderá acarretar a sua nulidade. Assim, deverá constar do estatuto: a) A denominação da associação, os seus fins e o local da sua sede. b) Os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados. c) Os direitos e deveres dos associados. d) As fontes de recursos para manter a associação. e) O modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos. Não há mais previsão quanto aos órgãos administrativos, o que foi alterado pela Lei 11.127/2005. f) As condições para alterar as disposições estatutárias e as condições para dissolução da associação. g) A forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas (introduzido pela Lei 11.127/2005). 3) Das Sociedades: A finalidade lucrativa é o que distingue uma associação de uma sociedade, ambas constituindo espécies de corporação (conjunto de pessoas), e se dividem em: a) Sociedades empresárias – são as que visam a uma finalidade lucrativa, mediante exercício de atividade empresária. Como exemplo pode ser citada qualquer sociedade que tem objetivo comercial ou, ainda, que traz como conteúdo o próprio conceito de empresário (art. 966 do CC: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”). b) Sociedades simples – são as que visam, também, a um fim econômico (lucro), mediante exercício de atividade não empresária. São as antigas sociedades civis. Como exemplos, podem ser citados os grandes escritórios de advocacia, as sociedades imobiliárias e as cooperativas. Quanto às cooperativas prevê o Enunciado n. 69 do CJF/STJ, aprovado n a I Jornada de Direito Civil que “As sociedades cooperativas são sociedades simples sujeitas a inscrição nas juntas comerciais”. As sociedades, sejam elas simples ou empresárias, de acordo com o Código Civil de 2002, podem assumir a forma de sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples, sociedade em conta de participação ou sociedade por quotas de responsabilidade limitada. As sociedades anônimas, por outro lado, somente podem se enquadrar como sociedades empresárias. 4) Das organizações religiosas e dos partidos políticos: A Lei n° 10.825, de 22 de dezembro de 2003, alterou a redação do art. 44 do CC, que passou a tratar, nos seus incisos IV e V, das organizações religiosas e dos partidos políticos. Além disso, foi instituído um § 1.º no comando estabelecendo que “São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento”. Passou-se também a estabelecer que “As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código” (§ 2.º). Por fim, o § 3.º da norma preconiza que “Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica”. Na doutrina, contudo, alguns autores ainda perfilham tais entidades como espécies de associações, como faz Maria Helena Diniz (Código..., 2005, p. 76). Essa é mesma a conclusão dos juristas que participaram da III Jornada de Direito Civil, com a aprovação dos seguintes enunciados: “Os partidos políticos, sindicatos e associações religiosas possuem natureza associativa, aplicando-se-lhes o Código Civil” (Enunciado n. 142). “A liberdade de funcionamento das organizações religiosas não afasta o controle de legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame, pelo Judiciário, da compatibilidade de seus atos com a lei e com seus estatutos” (Enunciado n. 143). 5) Das Empresas Individuais de Sociedade Limitada (EIRELI) – Transformação em Sociedades Limitadas Unipessoais (SLU): Com a promulgação da Lei 14.195/2021, foi determinada a transformação automática das empresas individuais de responsabilidade limitada (“EIRELI”) em sociedades limitadas unipessoais (“SLU”). O Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI), publicou o Ofício Circular SEI nº 3510/21 para disciplinar a forma de transformação das EIRELI’s em SLU’s. A extinção da EIRELI se deu pela possibilidade da criação de sociedades limitadas com apenas um sócio, com o advento da Lei 13.874/19 (Lei da Liberdade Econômica). Assim, a finalidade de existência da EIRELI, que era separação patrimonial da pessoa física (titular) para a pessoa jurídica –passou a ser cumprida com a SLU – que não tem capital social mínimo e nem limitação na quantidade de sociedades que uma pessoa pode constituir. A Lei 14.195/2021 promoveu a alterações legislativas em diversas áreas da econômica. No art. 41 da Lei nº 14.195/2021 foi estabelecido que todas as Empresas Individuais de Responsabilidade Limitada (EIRELI), existentes na data de início de vigência (do citado art. 41), serão automaticamente transformadas em sociedades limitadas unipessoais, independentemente de qualquer alteração no ato constitutivo. Logo, a sociedade limitada unipessoal é o mesmo tipo de empresa previsto no art. 1.052 do Código Civil, ou seja, sociedade limitada. Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. §1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) §2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as disposições sobre o contrato social. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) Foram revogados o inciso VI do art. 44 e o art. 980-A, ambos do Código Civil. - Nas sociedades em geral, o objetivo é o lucro pelo exercício da atividade. - Nas fundações, os fins podem ser religiosos, morais, culturais ou de assistência e se prestar a outras finalidades, desde que afastado o intuito lucrativo. - Nas associações de fins não econômicos, os objetivos podem ser de natureza cultural, educacional, esportiva, religiosa, filantrópica, recreativa, moral etc. Como fica a situação das sociedades de fato, sem a existência de ato constitutivo? O artigo 986 do Código Civil estabelece que, enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger- se-á a sociedade, pelo disposto nesse Capítulo, observadas subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis as normas da sociedade simples. A depender do tipo de sociedade e genericamente, os sócios respondem por seus atos de forma ilimitada e o patrimônio das sociedades responde pelas obrigações contraídas, primeiramente, afinal, via de regra, os sócios não respondem com seus bens pessoais. DOMICÍLIO DAS PESSOAS JURÍDICAS A pessoa jurídica, assim como a pessoa natural, também tem domicílio, que é a sua sede jurídica, local em que responderá pelos direitos e deveres assumidos. Essa é a regra que pode ser retirada do art. 75 do Código Civil. A pessoa jurídica de Direito Privado tem domicílio no lugar onde funcionam as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial nos seus estatutos. Admite-se a pluralidade de domicílios dessas pessoas jurídicas, assim como ocorre com a pessoa natural, conforme o capítulo anteriormente estudado. Isso será possível desde que a pessoa jurídica de direito privado, como no caso de uma empresa, tenha diversos estabelecimentos, como as agências ou escritórios de representação ou administração (art. 75, § 1.º, do CC). Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder (art. 75, § 2.º, do CC). EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA E DESTINAÇÃO DOS BENS A existência das corporações (sociedades e associações) termina: a) Pela dissolução deliberada de seus membros, por unanimidade e mediante distrato, ressalvados os direitos de terceiros e da minoria. b) Quando for determinado por lei. c) Em decorrência de ato governamental. d) No caso de termo extintivo ou decurso de prazo. e) Por dissolução parcial, havendo falta de pluralidade de sócios. f) Por dissolução judicial. Como bem ensina Maria Helena Diniz, é primaz notar que a extinção da pessoa jurídica não se opera de modo instantâneo , qualquer que seja o fator extintivo, tem-se o fim da entidade; porém, se houver bens de seu patrimônio e dívidas a resgatar, ela continuará em fase de liquidação, durante a qual subsiste para a realização do ativo e pagamento de débitos. Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica (Curso..., 2003, p. 249). Regras nesse sentido constam do art. 51 do CC. Também dentro dessa ideia, demonstra Sílvio Venosa que, “ao contrário do que ocorre com a pessoa natural, o desaparecimento da pessoa jurídica não pode, por necessidade material, dar- se instantaneamente, qualquer que seja sua forma de extinção. Havendo patrimônio e débitos, a pessoa jurídica entrará em fase de liquidação, subsistindo tão só para a realização do ativo e para o pagamento de débitos, vindo a terminar completamente quando o patrimônio atingir seu destino” (Direito civil..., 2003, p. 299). Desse modo, ocorrendo a sua dissolução, cada sócio terá direito ao seu quinhão, o remanescente do patrimônio social será partilhado entre os sócios ou seus herdeiros. No caso de dissolução de uma associação, seus bens arrecadados serão destinados para entidades também de fins não lucrativos, conforme previsto nos estatutos (art. 61 do CC/2002). Se não estiver prevista nos estatutos a destinação, os bens irão para estabelecimento municipal, estadual ou federal de fins semelhantes aos seus. Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação (art. 61, § 1.º, do CC). A norma está amparada na vedação do enriquecimento sem causa, o que se dá por tentativa de volta ao estado anterior, com a devolução ao associado dos investimentos feitos na pessoa jurídica (contribuição social). Em relação à dissolução das fundações, além dos casos vistos anteriormente, há norma específica, constante do art. 69 do CC. DIREITO CIVIL – PARTE GERAL Prof. Álvaro Marton Barbosa Júnior E-mail: alvaro.junior@anhanguera.com DIREITO CIVIL – PARTE GERAL Prof. Álvaro Marton Barbosa Júnior E-mail: alvaro.junior@anhanguera.com