Prévia do material em texto
Podcast Disciplina: Gestão logística e de suprimentos aplicada a processos agroindustriais Título do tema: O Transporte e seus modais Autoria: João Carlos Barreto, JB Leitura crítica: Edimar Rodrigues Soares Abertura: Olá, ouvinte, hoje vamos falar um bocadinho sobre o transporte e os modais utilizados. Acredito que uma diferença básica entre armazenagem e transporte está no controle das ações. Em um armazém, a empresa aloca os produtos da maneira que quiser, cria o layout que achar mais interessante, tem as máquinas e equipamentos que puder disponibilizar e ainda cria um processo que geralmente é praticado na maior parte das vezes, envolvendo o recebimento, a armazenagem, a separação e a expedição. Quando se fala de transporte, algo similar também acontece. É possível definir o que se carregar, qual a rota até chegar ao destino e até o tempo de trajeto. Entretanto, diferentemente do armazém, em que tudo parece controlável e sob controle, no transporte nem tudo está sob controle, não é verdade? Deixe-me tentar ser mais claro. Trabalhei em uma grande indústria que atua com produtos agros e os disponibiliza tanto em mercado interno, quanto externo. Pela particularidade do produto, eram necessários veículos de tipos diferentes para atender a demanda nacional ou internacional. O que acontece é que eu fazia todo o planejamento da chegada dos veículos na planta industrial para carregamento, algo controlável, com todas as informações necessárias, desde o destino da carga, passando pelo tipo de produto e rota prevista. Tudo lindo no computador. Mas, era sempre necessário desejar que não chovesse próximo à chegada do veículo na fábrica. Caso a chuva acontecesse, deveríamos desejar que não fosse forte. Caso fosse forte, deveríamos desejar que não tivesse danos à via. Caso tivesse danos à via, deveríamos desejar que o motorista não desistisse da sua viagem. Ufa, muitos desejos, nem sempre todos atendidos. Isso acontecia porque a unidade fabril estava localizada em uma zona rural e o acesso até lá era por meio de uma via ainda em parte de terra, dificultando o acesso e, para complementar, quando chovia, a barreira gerada era tão grande que os veículos poderiam atolar. Ah, não posso esquecer que os veículos unitários deveriam ser sempre grandes para conseguirem transitar no local. O que tudo isso mostra? O transporte era algo controlável, mas não sob controle. E nesse caso, apenas investimento em infraestrutura poderia tornar algo mais viável, o que fugia da minha alçada, apesar das várias tratativas com W B A 1 1 0 7 _ v1 .0 os governantes da região. É por isso que ao planejar uma operação de transporte é preciso analisar a distância entre a fábrica e o recebedor da mercadoria no Brasil ou até os portos para clientes internacionais, a densidade da carga, a facilidade de acomodação, o risco dentre tantos outros fatores fundamentais para o bom andamento da operação. Mas, lembre-se que, mesmo assim, ainda é possível que imprevistos ou previstos não resolvidos podem acontecer. Claro que uma das alternativas na busca da gestão do transporte está na otimização dos recursos, por isso, coloquei um exemplo de como a tomada de decisão é importante para não gerar maiores gastos na empresa. Eu utilizei o Solver para resolver o problema, apresentando para vocês exatamente como aconteceu a situação, alterando apenas o volume, a quantidade e localização das fábricas para fins didáticos. Mas, nesse exemplo, economizamos algo em torno de 15% se não tivéssemos analisados previamente a situação. Por fim, ao falarmos de transporte, não podemos esquecer da necessidade de uso dos portos. No Brasil, apesar de termos o maior porto da América Latina, o Porto de Santos, ainda temos muitos problemas estruturais para resolver, o que faz gerar gastos maiores com transporte em diversos momentos. Aliás, eu sou um eterno indignado com a nossa postura sobre os portos e a baixa utilização da cabotagem. Como podemos ser um país com as capitais dos estados em sua maioria no litoral e não fazermos uso mais efetivo da cabotagem? Você pode até falar que tem um histórico por trás de tudo isso e tem mesmo, mas vai além dos que muitos falam da interferência das montadoras de veículos, o que para mim nem foi relevante essa possível interferência. A verdade é que uma série de fatores, incluindo o “50 anos em 5” de Juscelino Kubistchek fez com que hoje o modal rodoviário fosse mandatório no país. Mas, esse papo político-transporte é para outro momento... Fechamento: Este foi nosso podcast de hoje! Até a próxima!