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PROCESSO CIVIL II
CUMPRIMENTO DE SENTEÇA E PROCEDIMENTOS ESPECIAIS
Procedimentos especiais 
Ação de Consignação em Pagamento: possibilita ao devedor ou ao terceiro o depósito de determinada quantia ou coisa devida. Em regra, somente é admissível nas hipóteses previstas em lei e o objetivo do autor deve se fundar no pagamento.
Carlos Roberto Gonçalves:
 O pagamento em consignação consiste no depósito, pelo devedor, da coisa devida, com o objetivo de liberar-se da obrigação. 
É meio indireto de pagamento ou pagamento especial [...].
O sujeito passivo da obrigação tem não apenas o dever de pagar mas também o direito de pagar. Se não for possível realizar o pagamento diretamente ao credor, 
em razão de recusa injustificada deste em receber ou de alguma outra circunstância, poderá valer-se da consignação em pagamento para não sofrer as consequências da mora.
O locatário, por exemplo, a quem o credor recusou o recebimento do aluguel por discordar do valor ofertado, 
tem interesse em não incorrer em mora e em não deixar acumular as prestações para não correr o risco de sofrer uma ação de despejo. 
Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho:
Embora o vínculo jurídico que envolve os sujeitos da relação obrigacional leve à visão de que o devedor somente tenha a obrigação de satisfazer o crédito, não há como se negar a ele o direito de cumprir a prestação que foi pactuada.
Assim, se o credor — teoricamente o mais interessado na realização da prestação — 
se nega a recebê-la ou surge outro fato qualquer obstativo desse pagamento direto, pode o devedor se valer da consignação para se ver livre da obrigação assumida.
Flávio Tartuce:
 O pagamento em consignação, regra especial de pagamento, pode ser conceituado como o depósito feito pelo devedor, da coisa devida, para liberar-se de uma obrigação assumida em face de um credor determinado. 
Tal depósito pode ocorrer, conforme estabelece o art. 334 do CC, na esfera judicial ou extrajudicial (em estabelecimento bancário oficial, conforme já constava no art. 890 do CPC/1973, repetido pelo art. 539 do CPC/2015).
Desse modo, na esteira da melhor doutrina, o pagamento em consignação pode ser definido como "o meio indireto de o devedor, em caso de mora do credor, exonerar-se do liame obrigacional, consistente no depósito judicial (consignação judicial) ou em estabelecimento bancário (consignação extrajudicial), da coisa devida, nos casos e formas da lei". 
Código Civil:
Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e forma legais.
Art. 335. A consignação tem lugar:
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
CABIMENTO DO PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO:
O pagamento em consignação consiste no depósito judicial ou extrajudicial da quantia ou coisa devida, 
que extinguirá a obrigação se o credor aceitar ou se um juiz declarar a quitação dívida de acordo com o Código de Processo Civil em seus artigos 539 a 549.
Segundo artigo 335 do Código Civil, existem algumas hipóteses que cabem o pagamento em consignação:
I – se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma;
II – se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos;
III – se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV – se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;
V – se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
CONSIGNAÇÃO EXTRAJUDICIAL
A consignação extrajudicial é uma decisão que, apesar de não precisar de determinação de um juiz, uma vez que é prevista na lei.
A consignação em pagamento é uma ação proposta pelo devedor contra o credor, quando ele se recusa a receber o valor de uma dívida ou quando exigi do devedor um valor superior ao que este deve, por exemplo, como uma das hipóteses previstas em lei.
O credor é informado de depósito e tem prazo de 10 dias para dizer se aceita ou não.
Se o credor aceitar, o devedor está liberado da obrigação. Mas se o credor recusar, o devedor propõe a ação de consignação em 30 dias e o pagamento é considerado válido. A ação segue o procedimento ordinário.
O consumidor fará o depósito em juízo apenas do valor que considera devido e não do valor que a empresa está cobrando.
CONSIGNAÇÃO JUDICIAL
Neste caso, o devedor oficializa o pagamento da quantia ou coisa devida. O credor é notificado e, se ele aceitar o depósito, a questão é resolvida e o credor terá de arcar com as despesas processuais.
Caso o credor venha a contestar o valor e pedir complementação do pagamento, o devedor tem 10 dias para fazê-la.
Após, o processo será extinto com julgamento do mérito, sendo o credor devidamente informado por carta com AR
se o devedor não pagar esta complementação, o caso seguirá para audiência de instrução e julgamento, na qual o juiz decidirá se o que foi pago é válido ou não.
Quando o devedor não sabe para quem pagar, como deve proceder?
Após o devedor oficializar o pagamento, o juiz citará os credores para uma audiência.
Se nenhum deles comparecer, o caso se dará como encerrado e o depósito é convertido em bens de ausente.
Se aparecer um ou mais credores, o devedor só estará livre do depósito se não precisar complementar a quantia ou coisa devida.
Ação de Exigir Contas: A observância da boa-fé objetiva que deve imperar nas relações civis (CC, art. 422) traz consigo deveres que tornam a transparência um pressuposto essencial dos negócios jurídicos.
havendo relação jurídica estabelecida entre os sujeitos em que um administre os negócios ou interesses do outro, o direito positivo resguardou o dever se prestar contas, que poderá ser exigida pelo administrado em face do gestor.
A obrigação de prestar contas pode decorrer de imposição legal, como por exemplo do curador em relação aos bens e negócios do curatelado (CC, art. 1.756), 
do síndico do condomínio (CC, art. 1.348, VIII), dentre outras. Também pode decorrer de contrato particular entre partes, como no caso do Condomínio Edilício
em relação à Administradora contratada para gestão, do mandatário em relação ao mandante, ou seja, quando alguma pessoa, física ou jurídica, gerir patrimônio alheio.
No caso se não ser realizada voluntariamente a prestação de contas, será cabível o direito de exigir-lhes por intermédio do procedimento especial previsto entre os arts. 550 a 553 do Código de Processo Civil, 
com o objetivo de trazer luz à gestão, identificando recursos, gastos e investimentos com o objetivo final de gerar um saldo credor ou devedor.
Marcus Vinicius Rios Gonçalves (Gonçalves, 2021): A prestação de contas serve para aclarar o resultado da gestão, permitindo que se verifique se há saldo em favor de alguém.
Quem administra negócios ou bens alheios pode receber valores que devem ser entregues ao titular, e fazer despesas, que devem ser repostas. Só por meio dela será possível verificar se há saldo em favor de algum dos envolvidos.
Um dos elementos que caracterizam a especificidade desse procedimento é o fato de ser constituído por duas fases em que, inicialmente se verificará a existência, ou não, 
da obrigação de prestação de contas pelo requerido e, a depender do resultado, em segundo momento, serão julgadas as contas apresentadas pelo réu, ou pelo autor, no caso de inércia daquele, 
com a possibilidade de constituição de um saldo credor ou devedor, a depender do casoconcreto, constituindo título de crédito judicial.
Na 1ª fase se buscará identificar a existência, ou não, da obrigação do réu em prestar as contas. O pronunciamento judicial que encerra a primeira fase julgando o feito procedente será decisão interlocutória de mérito recorrível por Agravo de Instrumento
na 2ª fase o requerido será intimado apresentar as contas no prazo de 15 (quinze) dias sob a gravosa pena de não poder impugnar aquelas que o autor apresentar (art. 550, § 5º do CPC).
Apresentar as contas, especificando e comprovando as receitas, despesas e investimentos, se houver (art. 551)
Uma vez impugnadas, facultar-se-á ao réu que apresente documentos justificativos dos lançamentos individualmente impugnados (art. 551, § 1º).
Pode ser necessária produção de provas e audiência de instrução, conforme o caso.
Posteriormente o processo deve ser julgado, oportunidade em que decidirá se há saldo credor/devedor em favor do autor ou mesmo do réu.
Contra a sentença que julgar as contas na segunda fase caberá apelação. Transitada em julgado formar-se-á um título de crédito judicial passando para a fase de cumprimento de sentença.
do art. 553 as contas do inventariante, do tutor, curador, do depositário e de outro administrador serão prestadas em apenso aos autos do processo em que tiver sido nomeado. 
Caso não cumpram com o pagamento do saldo casualmente apurado, serão destituídos do encargo podendo sofrer constrição em seus bens para adimplemento destes (medidas executivas).
à primeira fase da Ação de Exigir Contas será para que se decida sobre a existência ou não da obrigação do réu em apresentar as contas. Em caso negativo, o processo se encerra. Contudo, sendo procedente o direito á prestação de contas,
não tendo o réu as apresentadas logo após a citação, será condenado a fazê-lo dentro de 15 dias, sob pena de não poder impugnar as que forem prestadas pelo autor, sob o crivo do juízo que poderá determinar produção de outras provas eventualmente necessárias.

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