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Definição A saúde como um direito legal estabelecido na constituição possui carta de direito para os usuários e está sendo aperfeiçoada por meio de políticas de humanização que adequam a assistência para que ela funcione de forma corresponsável, envolvendo todos os stakeholderes nessa proposta de melhoria contínua. Propósito Compreender a saúde como um direito, reconhecer a importância da política de humanização não só na prática mas também no ensino das profissões. Conhecer os espaço de compartilhamento de boas práticas para aperfeiçoamento do SUS. Objetivos Módulo 1 Compreender a importância de ofertar nas disciplinas de ensino no paradigma da humanização. Módulo 2 Entender a política de humanização, sua implementação, os processos de corresponsabilidade e os espaços de troca de experiência. Módulo 3 Reconhecer a saúde como um direito e saber que quando esse direito não é ofertado é possível a judicialização para que a assistência ocorra. Módulo 4 Compreender o sistema de saúde suplementar e a função da ANS. Introdução O reconhecimento da importância da Humanização no ensino superior será abordado nesse módulo que se inicia elucidando as dificuldades de se introduzir a temática da humanização no ensino dos cursos voltados para a área da saúde. Algumas mudanças estão sendo adotadas para que essa temática seja introduzida nas disciplinas mas a formação tradicional ainda possui poucas iniciativas de abordar o tema. Com as mudanças e a introdução de algumas disciplinas nos currículos, aos poucos esse reconhecimento vai acontecendo. É salutar que a forma humanizada de se atender ao usuário do SUS, agora presente nas práticas diárias de assistência, sejam apresentadas aos que se dispõem a estudar para entrar para a área. Exemplos do que se faz no Humaniza SUS são exploradas na primeira parte do módulo. É que com o avanço da implementação do SUS muita coisa vem mudando e um novo paradigma passou a ser implementado. A corresponsabilização contendo pilares que incluam a gestão humanizada. Esse módulo apresenta exemplos de programas e estratégias que promovem a humanização. Reforça que a gestão humanizada depende do envolvimento de todos, inclusive do usuário, que tem responsabilidades dentro da gestão. Salientamos que apesar do esforço, há muito o que fazer ainda, e para que a toca aconteça uma espaço cibernético chamado Rede humaniza SUS, em que os gestores trocam experiências e novidades implementadas. A saúde é um direito. E no desenvolvimento do módulo essa premissa é apresentada. A conquista da constituição de 1988 é relembrada destacando que a oferta de saúde é um dever do estado e um direito do usuário e que quando essa assistência é negada há uma forma de garantir essa entrega que é através da Judicialização da Saúde, que deve ser cuidadosa e respeitar o mínimo existencial porque em alguns aspectos os pedidos judiciais significam o orçamento de um ano de uma cidade inteira. A estrutura do SUS é apresentada e o módulo encerra com as informações pertinentes à saúde suplementar e suas possibilidades. É preciso reconhecer a existência da Agência Nacional de Saúde – ANS, que controla e regula esse sistema. Um módulo rico de Humanização, acessibilidade e cuidados. Módulo 1 1.0 Educação superior e humanização 1.1 Lei de diretrizes e bases da educação e diretrizes curriculares nacionais Ao longo das aulas temos dialogado sobre o que é humanização e qual é a sua importância para a prática dos profissionais de saúde. Mas há um questionamento importante que precisa ser feito. Você estudou Humanização na sua grade curricular na graduação? Se você se formou no curso entre 2000 e 2010 provavelmente não. A ausência da disciplina nas grades causa um viés para o profissional. A base do aprendizado vem das instituições formais de ensino que devem privilegiar questões importantes como a humanização na estrutura curricular. As instituições de ensino precisam pautar seus cursos de graduação em um entendimento interdisciplinar, visando, além dos conteúdos, a técnicas e teorias, perpassando também questões políticas, humanas, socioculturais, econômicas e tecnológicas da atualidade, para suprir as necessidades de formação para o SUS (ROSEVICS ET AL., 2014). O PNH apontou em 2004, a necessidade de se inserir conteúdos relacionados à Humanização e sua importância, mas, ainda hoje, a prevalência de disciplinas desse assunto ainda é escassa. A metodologia de ensino precisa ser pautada em um modelo hegemônico no cotidiano da população que é assistida pelo sistema, as práticas de educação e saúde e o atendimento humanizado reconhecendo o homem com um ser biopsicossocial. O modelo hospitalocêntrico biomédico, que não reconhece o ser em sua integralidade, deve ser substituído pelas novas práticas propostas pelo SUS. É preciso entender como funciona a regulamentação das estruturas dos cursos para compreender que a inserção destes temas deve ser uma premissa. A formação superior é regulada pelas Leis de Diretrizes e Bases (LDB) 9.394/96 (BRASIL, 1996) e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) que possuem princípios que norteiam a construção dos conteúdos e as instituições de ensino possuem autônoma para fazer adequações curriculares que levem em conta a realidade da sociedade e da cultura de onde a instituição está sediada. Trabalhar na formação, na problematização e nas transformações sociais vinculadas à realidade dos indivíduos desperta nos estudantes certa autonomia e os capacita para reflexões críticas que são transpostas para a prática profissional. Essa formação, quando bem posta, reflete no desenvolvimento do trabalho diário. Fica a cargo das instituições de ensino a criação de seus projetos pedagógicos de curso (PPC) e para cada curso há um específico é salutar entender o que diz Seixas (2014): Projetos pedagógicos de curso, segundo Seixas (2014) Apesar de não haver normas para os PCCs, estes possuem uma regularidade. O autor apresenta os PCCs com um primeiro espaço dedicado aos princípios filosóficos e pedagógicos da instituição. Em um segundo espaço são delineadas as particularidades das ênfases oferecidas pela instituição e, por fim, há a formação profissional guiada pela matriz curricular, que descreve as atividades, os estágios e a grade curricular. As ementas presentes no PPCs são a orientação mais geral e permanente que uma disciplina pode ter alterando-se apenas quando um novo projeto pedagógico é instalado. (SEIXAS, 2014, p.192). A grade curricular de cada curso é composta das disciplinas e das suas ementas. A ementa expõe os conteúdos centrais norteadores que direcionam o docente para a elaboração da disciplina que muda a cada ano. 1.2 Formação em saúde durante o tempo A assistência nos hospitais antes da reforma sanitária era baseada no modelo Flexeneriano. Mendes explica os elementos estruturais compõem o modelo biomédico flexneriano que são mecanicismo que entende o corpo humano como uma máquina (1986); o Biologismo que "pressupõe o reconhecimento, exclusivo e crescente, da natureza biológica das doenças e de suas causas e consequências e procura absolver os fatores determinantes de natureza e social, na causa das doenças" (1985, p. 31); o individualismo que imputa ao indivíduo a responsabilidade pela sua própria doença" (1985,p. 31); a especialização que “aprofunda o conhecimento específico e que atenua o conhecimento holístico e que exige a fragmentação do processo de produção e do produtor, via divisão técnica do trabalho" (1986, p. 540); a Exclusão de práticas alternativas a que desconsidera qualquer prática alternativa; a tecnificação do cuidado à saúde que faz da medicina uma "engenharia biomédica [que] cria uma nova forma de mediação entre o homem e as doenças, os milagres da medicina tecnológica" (1986, p. 32) e a ênfase na prática curativa que prestigia a cura ao invés do reconhecimento da causa.no canal da médica no YouTube. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022014000400010 http://repositorio.ufrn.br:8080/jspui/bitstream/123456789/17401/1/PabloSS_TESE.pdf http://repositorio.ufrn.br:8080/jspui/bitstream/123456789/17401/1/PabloSS_TESE.pdf Conteudista Satina Priscila Marcondes Pimenta Mello Advogada, Psicóloga inscrita. Mestre em Administração com ênfase em Gestão de Pessoas, Pós-graduada em Direito Público e em Saúde e Intervenção Psicossocial. Experiência em trabalhos interdisciplinares na Rede de Assistência Social e na Rede de Assistência a Saúde em diferentes complexidades. Professora Universitária atuante na área de ciências humanas e da saúde há 18 anos. Pesquisadora bolsista nas áreas de afinidade com diversos trabalhos publicados nacional e internacionalmente. Produtora de material didático no âmbito das ciências humanas e da saúde. Idealizadora do Projeto Ressignificando com atendimento Clínico em Psicologia para pessoas em situação de vunerabilidade. Definição Propósito Objetivos Módulo 1 Módulo 2 Módulo 3 Módulo 4 Introdução Módulo 1 1.0 Educação superior e humanização 1.1 Lei de diretrizes e bases da educação e diretrizes curriculares nacionais Projetos pedagógicos de curso, segundo Seixas (2014) Apesar de não haver normas para os PCCs, estes possuem uma regularidade. O autor apresenta os PCCs com um primeiro espaço dedicado aos princípios filosóficos e pedagógicos da instituição. Em um se... 1.2 Formação em saúde durante o tempo Modelo flexneriano, Segundo mendes (…) com o modelo flexneriano a medicina científica se institucionalizou, ligou o grande capital, a corporação médica e as universidades e trouxe mudança no objeto nos propósitos, nos recursos e nos agentes da medicina, levando à configuração de um mar... 1.3 A importância do ensino humanizado Vídeo Verificando o aprendizado Exemplo Exemplo Módulo 2 2.0 Gestão humanizada 2.1 Um novo paradigma 2.2 Pilares da gestão humanizada 2.3 Programas e estratégias que promovem a humanização Quadro X Vídeo Verificando o aprendizado Módulo 3 3.0 Direito do usuário de saúde 3.1 Saúde como direito 3.2 Mínimo existencial Visão de Gilmar Mendes A moderna dogmática dos direitos fundamentais discute a possibilidade de o estado vir a ser obrigado a criar os pressupostos fáticos necessários ao exercício efetivo dos direitos constitucionalmente assegurados e sobre a possibilidade de eventual titu... 3.3 Judicialização da saúde 3.3.1 Princípio da reserva do possível x direito a saúde Vamos a um caso concreto! 3.4 Carta dos direitos dos usuários da saúde Vídeo Verificando o aprendizado Saiba mais Exemplo Atenção Saiba mais Módulo 4 4.0 Humanização e saúde suplementar 4.1 Saúde suplementar Subsetores da saúde suplementar O subsetor saúde suplementar e o subsetor liberal clássico. O liberal clássico é o composto por serviços particulares autônomos, caracterizados por clientela própria, captada por processos informais, em que os profissionais da saúde estabelecem direta... 4.2 Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) Atribuições da ANS, segundo Lima A ANS desenvolve e aprimora inúmeros mecanismos para gerar informações relativas ao setor de saúde suplementar: a constituição de câmaras técnicas; consultas públicas; disque ANS e portal ANS; e o acesso através dos núcleos regionais. Para as ações de... Vamos falar um pouco sobre os instrumentos de controle da ANS! 4.2.1 Programas da ANS para a garantia da humanização Vídeo Verificando o aprendizado Saiba maisO que é saúde suplementar? Conclusão Considerações finais Bibliografia Explore + ConteudistaMendes explica: Modelo flexneriano, Segundo mendes (…) com o modelo flexneriano a medicina científica se institucionalizou, ligou o grande capital, a corporação médica e as universidades e trouxe mudança no objeto nos propósitos, nos recursos e nos agentes da medicina, levando à configuração de um marco conceitual, que passa a referenciar a prática e a educação médicas (1986,p. 540). A formação médica passou a ser baseada no método científico e o hospital passou a ser o local de prática do estudante. Segundo Flexner o aluno de medicina só aprende fazendo. É a defesa de que o estudante não mais observa, escuta e memoriza, mas executa. É o modelo de aprendizado baseado na prática. E durante muitos anos o modelo pedagógico teve essa estrutura. As mudanças na saúde se estabeleceram no mundo na década de 1970 em um relatório que ressalta a importância da promoção à saúde e que atribuía práticas pouco saudáveis à ausência de saúde. O Relatório Lalonde foi um documento produzido pelo Ministério de Bem Estar e Saúde do Canadá e preconizou um conjunto de ações que pudessem intervir positivamente no comportamento de indivíduos não-saudáveis. É a primeira vez que se interrelaciona quatro grupos do fenômeno saúde/ doença que são o ambiente (natural e social), o estilo de vida (comportamento individual que afeta a saúde), a biologia humana (genética e função humana) e a organização dos serviços de saúde (LALONDE, 1974). Em setembro de 1978, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou em Alma-Ata, na República do Cazaquistão, a Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde que era a necessidade dos governos e dos trabalhadores da saúde. A proposta era investir na promoção da saúde e desse encontro foi produzido um documento intitulado A Declaração de Alma Ata, que sintetizou a partir de dez pontos os cuidados primários que o mundo precisava implementar em seus sistemas de forma urgente. Naquela ocasião a OMS passou a entender a saúde como o “completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”. Figura 1: Texto Mas a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, só foi realizada em Ottawa, Canadá, em novembro de 1986. Deste evento surgiu uma Carta de Intenções que indicava contribuições para que se atingisse a Saúde para Todos no Ano 2000. Havia no mundo uma crescente expectativa de uma nova saúde pública. Havia uma discussão mundial sobre os avanços da declaração de Alma Ata em relação aos cuidados primários e no Brasil a repercussão foi grande e culminou em discussões e iniciativas para uma grande reforma sanitária. As mudanças se deram porque o país enfrentava uma reforma política que culminou na constituição de 1988 e na criação do SUS. Junto com a criação do novo sistema a mudança de paradigma de saúde baseado na promoção da saúde e na prevenção de doenças. A assistência passou a se dar pelo Programa de Saúde da Família, como porta de entrada do sistema e tendo como base a atenção primária da saúde e a busca ativa de doenças. E se o país foi enfrentando todas estas mudanças estruturais na saúde o ensino também necessitava de transformações. É nesse contexto de reconhecer a importância das mudanças pedagógicas que recorremos a Paulo Freire. Paulo Freire associa a educação à solidariedade ao diálogo como instrumento de transformação da sociedade. O compromisso do pensador sempre foi a libertação dos homens. Ele entende que se o homem compreender a sua realidade e interagir de forma crítica é possível propor hipóteses para solucionar os desafios. Essa prática de reconhecer que a realidade é mutável e que é possível a inclusão de outras propostas que inovem e mudem com a potência criativa dos seres humanos. 1.3 A importância do ensino humanizado Agora vamos relembrar como é a base da prática de resolução de problemas e identificação de novas propostas do SUS atual. Ela precede a intervenção dos atores que ficam responsáveis por se envolver na gestão propondo mudanças. Quando entendemos o funcionamento do SUS e a forma de interação do PNH fica difícil de dissociar o ensino e a formação desse profissional desta base que sustenta o bom funcionamento do sistema. O ensino torna-se um aliado para as mudanças que o sistema precisa, que devem ocorrer em dois movimentos: Primerio movimento A formação acontece cia educação permanente e os profissionais da saúde devem ser afetados por ela no cotidiano do trabalho. Segundo movimento Ocorrer a ruptura do ensino de graduação em saúde pautado em procedimentos técnicos e de evolução dos quadros clínicos. A "educação em ato" ocorre através de práticas cuidadoras, com inovação e centrada no diálogo com o usuário e equipe buscando criar os nexos necessários entre saúde, educação e trabalho. O fato é que dentro do sistema humanizado a comunicação funciona como um insumo de saúde e deve permear todas as relações. A inclusão de propostas que priorizem uma formação mais dinamizadora que potencialize a criatividade humana, reflete nos futuros profissionais. Nos processos de formação educacional as experiências de ação-reflexão permitem essa formação humanista, principalmente nas 14 profissões em saúde definidas pela Resolução 287/98 CNS em 08/10/1998. A inclusão do eixo Educação PNH nos conteúdos e nos componentes curriculares de cursos de graduação, pós-graduação e extensão em saúde, vinculando-se às instituições de formação da área da saúde deve ser uma prioridade. O modelo ideal de educação em saúde traz consigo os traços da pedagogia de Paulo Freire. Um modelo que se caracteriza pelo bi-direcionamento das partes envolvidas no processo educativo, em que os saberes devem ser respeitados e não sobrepostos. O profissional de saúde e a comunidade devem criar elos e vínculos e formas educativas tradicionais de cunho impositivo devem ser substituídas por modelos de valorização do saber e de participação ativa dos usuários. A presença da empatia nas relações de cuidado é fundamental. Dito isso, é preciso reconhecer que o processo empático deve ser mútuo. Os profissionais de saúde também precisam de reconhecimento e cuido. O processo de cuidar de quem cuida, que não se estabelece sem respeito aos conhecimentos do outro. Nesse sentido é importante reconhecer que as práticas pedagógicas de Paulo Freire são as mais adequadas para a construção de uma participação ativa dos envolvidos no processo de cuidado. Interessante observar o quadro de Marcelo José Souza e Silva (2015): Fonte: SILVA, 2015 O autor indica as abordagens da educação em saúde e elenca que elas podem ser: educativa, preventiva, radical e pessoal. Faz uma analogia que como cada uma delas impacta em cada ação. Observe que quando se tem um objetivo a abordagem muda de acordo com a forma comunicativa de agir. O profissional consegue escolher a forma melhor de agir comunicativamente quando compreende o que precisa atingir com essa prática. Exemplo Vamos avaliar a estratégia, por exemplo: quando a atitude comunicacional é educativa é preciso compartilhar e explorar crenças e valores, para que se consiga atingir o objetivo. Um exemplo clássico dessa prática é a saúde do indígena. Como fazê-los aderir a novas práticas de cuidados sem respeitar suas crenças e práticas de curandeirismo e uso de ervas? Como negar os rituais de cura que fazem parte de sua cultura? Ainda sobre estratégia quando a atitude comunicacional é preventiva é preciso estimular o desenvolvimento de comportamentos saudáveis dos usuários, e práticas de cuidados para evitar doenças. Quando a abordagem é radical é preciso lutar por mudanças políticas e estruturais que privilegiem o cuidado com a saúde. É preciso cobrar do poder público a implementação efetiva de práticas estabelecidas na criação do sistema, como por exemplo a cobertura 100% da estratégia de saúde da família, que deveria ser hojea principal porta de entrada do sistema. O impacto pessoal que se tem com essa prática é a aquisição da destreza para o cuidado com a própria vida, que é o bem maior do ser humano. Compreendem como é importante que essas abordagens teóricas sejam acopladas à espinha dorsal dos cursos de saúde. Não se pode acreditar que essas habilidades sejam inerentes aos seres humanos. Elas precisam ser aprendidas, reconhecidas, e apresentadas aos profissionais. Em seus bancos acadêmicos, em suas especializações, em cursos capacitatórios e reciclagens profissionais. Defendemos isso porque entendemos que algumas atitudes por sem aprendidas com a prática educacional adequada. Essas atitudes quando despertadas fazem com o indivíduo transforme suas práticas diárias de assistência e não entendemos como isso se dá fora do processo educacional. Observe o quadro abaixo: Fonte: Elaborado pelo autor Mas você deve estar se perguntando: Atitudes devem fazer parte do indivíduo que atua no sistema de assistência? É fundamental destacar que em muitos casos o profissional precisa ser apresentado à essas atitudes. Os mentores e educadores devem em seu processo de ensino salientar e despertar no outro a atenção para a importância de alguns aspectos que podem passar despercebido por ele. O quadro acima destaca algumas das atitudes que podem significar uma melhor assistência para o enfermo. Como despertar hábitos sanitários de cuidados se o cuidador desconhece por exemplo o contexto de vida do paciente. Exemplo Um exemplo dessa necessidade é que precisamos reconhecer que vivem em um país de desigualdades sociais e existem pessoas que não vivem em condições de sanitárias adequadas. Algumas não possuem banheiro em casa. Como despertar hábitos de higiene necessários para a proteção sem uma estrutura adequada? Alguns aspectos da condição de vida do paciente interferem na atenção integral a ele. Sem envolvimento e empatia, sem atitude de curiosidade e sem vínculo o cuidado se torna superficial. As práticas pedagógicas adequadas podem despertar no acadêmico um olhar mais sensível para esses aspectos. Como ser o profissional um agente educador que não foi adequadamente educado? Outra questão que é fundamental e que já tratamos nas aulas anteriores, se refere às mudanças que a saúde enfrenta. Novas enfermidades, novas tecnologias, novas formas de assistir, surgem a cada dia. O profissional que atua na área da saúde depende de atualização constante. Mas para que isso aconteça é fundamental que políticas públicas de educação em saúde sejam preconizadas. Observe o quadro abaixo que destacamos os objetivos, a importância e os desafio que os profissionais enfrentam para implementar política de educação em saúde: Fonte: Elaborado pelo autor O envolvimento com a elaboração de políticas públicas que que consolidem os princípios do SUS no sistema educacional de ensino é um compromisso do Estado Brasileiro e deve ser prioridade nas pautas de discussão. Além de ampliar o conhecimento científico o modo de pensar e agir dos usuários transforma o sistema e oferta melhorias e quanto antes os profissionais estiveram familiarizados com essa prática, mais ela funcionará. Essa é a base do PNH. Mas o país enfrenta desafios e o principal deles é formar novos profissionais que realmente compreendam o funcionamento do SUS e o defendam em sua amplitude, que estes profissionais se empenhem em melhorar e aperfeiçoar as práticas e que os profissionais na ativa se reciclem e se insiram nas formações que privilegiem a humanização. Vídeo Acesse o material digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado 1) Leia a frase a seguir sobre o modelo de ensino Flexneriano e após indiquei a correlação correta dos entre termos e conceitos, assinalando a sequência que a representa entre as alternativas. ”(…) com o modelo flexneriano a medicina científica se institucionalizou, ligou o grande capital, a corporação médica e as universidades e trouxe mudança no objeto nos propósitos, nos recursos e nos agentes da medicina, levando à configuração de um marco conceitual, que passa a referenciar a prática e a educação médicas (MENDES, 1986,p. 540)". Termos 1. Biologismo 2. Individualismo 3. Tecnificação 4. Prática curativa Conceitos A. Imputa ao indivíduo a responsabilidade pela sua própria doença B. Reconhecimento da natureza biológica das doenças e de suas causas e consequências C. prestigia a cura ao invés do reconhecimento da causa D. engenharia biomédica [que] cria uma nova forma de mediação entre o homem e as doenças, os milagres da medicina tecnológica a) 1B, 2A, 3D, 4C b) 1A, 2B, 3D, 4C c) 1C, 2B, 3A, 4D d) 1D, 2A, 3C, 4B e) 1C, 2D, 3A, 4B 2) O modelo ideal de educação em saúde traz consigo os traços da pedagogia de Paulo Freire. Sobre o modelo pedagógico ideal para os dias atuais e para consolidar a prática de ensino/informações sobre PNH podemos é correto afirmar que: a) Deve ser um modelo que se caracteriza pelo bi-direcionamento das partes envolvidas no processo educativo, em que os saberes devem ser respeitados e não sobrepostos. b) Deve ser pautado no aprendizado prático em que o aluno aprende fazendo. c) Deve excluir ensinamentos de educação em saúde porque esses ensinamentos se aprende no exercício diário da profissão. d) Deve ser verticalizado e impositivo, só se consegue proteger e cuidar da saúde dos indivíduos com a culpabilização que o faz ser responsável por sua melhora. e) Nenhumas das alternativas condiz com o modelo a ser aplicado. 3) A primeira grande iniciativa para a mudança dos sistemas de saúde mundial para uma prática mais preventiva e promocional foi: a) A Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Alma-Ata. b) A Constituição Federal do Brasil de 1988. c) O relatório de Lalonde. d) A conferência de Ottawa. e) A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Módulo 2 2.0 Gestão humanizada 2.1 Um novo paradigma A PNH preconiza a transversalidade na construção de redes cooperativas, solidárias e comprometidas com a produção de saúde, estimulando o protagonismo e a co-responsabilidade de sujeitos e coletivos, dos profissionais e dos gestores mas isso só se aplica se existir uma Gestão Humanizada. A gestão humanizada tem seus elementos originados a partir de teorias da administração e da psicologia comportamental, mas vamos entender esse conceito. Segundo Silva (2006) a gestão humanizada é um novo paradigma organizacional que tem o intuito de propor uma mudança do perfil do gestor em substituição ao estilo autocrático para se tornar um líder e poder captar e desenvolver a capacidade criativa e os talentos que a organização dispõe. Vergara e Branco (1995) descrevem que as competências gerenciais de habilidades técnicas, humanas e conceituais foram direcionadas para o desenvolvimento de atitudes, valores e visões de mundo, afim de permitir aos gestores apreender e lidar com uma grande variedade de forças dentro e fora das empresas. Carvalho (1995) ressalta que na gestão humanizada, a competência se volta para a visão humanística, e faz com que o gestor passe a ter uma compreensão maior da natureza e das motivações humanas, bem como da influência do ambiente social externo à organização sobre o comportamento das pessoas (Carvalho, 1995). Rocha (2011) diz que a gestão humanizada é um conjunto de tarefas que procura garantir a afetação eficaz de todos os recursos disponibilizados pela organização, afim de serem atingidos os objetivos pré-determinados. Cabe à gestão a otimização do funcionamento das organizações através da tomada de decisões racionais e fundamentadas na escolha e tratamento de dados e informação relevante e, por essa via, contribuir para o seu desenvolvimento e para a satisfação dosinteresses de todos os seus colaboradores e proprietários e para a satisfação de necessidades da sociedade em geral ou de um grupo em particular. A base da gestão humanizada é relação interpessoal. O que transforma e traz bons resultados é a ação da liderança gestora, a formação de equipes e o comprometimento de todos os envolvidos nos processos internos e externos organizacionais, o objetivo é a busca por melhores resultados e pelo bem comum. 2.2 Pilares da gestão humanizada A gestão humanizada tem como pilares: • O propósito maior • A interação com os stakeholders • Cultura consciente • Liderança consciente/ Inteligências Vamos compreender todos esses aspectos! 2.2.1 O propósito Maior O propósito maior é que diferença a empresa com gestão humanizada quer causar no mundo. Para que isso aconteça estabelecer e direcionar as estratégias são atitudes fundamentais. Quando isso acontece o público externo reconhece o empenho o que gera reputação para a empresa/instituição e fica cada vez mais sólida e consolidada a estrutura e a realidade interna que é a cultura organizacional. Mas como essa gestão funciona? 2.2.2 A interação com os stakeholders A base de tudo é a integração de stakeholders. Mas o que é isso? Stakeholders significa público estratégico e descreve todas as pessoas ou "grupo de interesse" que são impactados pelas ações de um empreendimento, projeto, empresa ou negócio. Observe a figura abaixo: Quando existe a integração de stakeholders as empresas/instituições conscientes reconhecem que todos os stakeholders os internos, os externos se relacionam com ela de maneira intimista até. Entender como eles se relacionam e que contribuição podem dar para que o negócio da empresa ou instituição possa alcançar sua finalidade com mais potencial é de suma importância para concretizar ideias e planos. A participação ativa desses públicos torna o ambiente mais saudável e mais vibrante e quando há uma sintonia com o propósito a reputação institucional fica mais sólida e o alcance de metas é mais assertivo. Assim sendo, o fortalecimento do propósito cria internamente uma cultura consciente. 2.2.3 Cultura consciente “A cultura consciente corresponde à incorporação dos valores, princípios e práticas subjacentes ao tecido social de uma empresa, conectando stakeholders e estes com o seu propósito, as pessoas e os processos” segundo Sisodia, Henry e Eckschmidt (2018). Saussen e Baggio (2021) em artigo recente destacam as qualidades que a cultura consciente tem que solidificam a gestão humanizada. Veja na figura abaixo: Confiança Empresas humanizadas desfrutam de altos níveis de confiança interna – entre liderança e equipe na linha de frente, e liderança e equipes diversas – e externa – organização e clientes, fornecedores, parceiros, comunidades, investidores e governo Autenticidade Consiste em se apropriar do propósito, habilidades e valores culturais da organização, transformando-os em estratégias, práticas e recursos inovadores, que podem se tornar uma vantagem competitiva e valorativa em longo prazo e para todos Cuidado Empresas humanizadas adotam atitudes de cuidado, atenção, gentileza, respeito e compaixão com seus stakeholders, tratando-os como família e, em retribuição, estes cultivam uma preocupação genuína com estas empresas Transparência Líderes de empresas humanizadas compartilham mais informações com sua equipe do que outras empresas, reconhecendo que esta postura contribui para o desenvolvimento da confiança entre todos e o consequente aumento da produtividade Integridade Por meio da cultura consciente, as organizações comprometem-se em externar a verdade e costumam orientar-se pelo que julgam eticamente correto, não 99 apenas pelo que é exigido pelo sistema legal ou socialmente aceitável Aprendizado Empresas humanizadas transmitem diariamente seu propósito às equipes, e investem nas habilidades e no desenvolvimento, por meio de treinamentos, palestras e incentivos em cursos, contribuindo para a produtividade e desempenho Empoderamento Ênfase na prestação de contas com altos níveis de autonomia e autogestão, somados à flexibilidade e liberdade nas tomadas de decisões e na condução dos processos organizacionais, em que todos são responsáveis e comprometidos. Fonte: Elaboração própria Saussen e Baggio (2021). 2.2.4 Liderança consciente Já a liderança consciente inclina-se à liderança servidora, integridade sólida e grande capacidade de cuidar e amar, com um olhar humano, empático e altruísta. Para que um gestor tenha condições de desenvolver uma gestão humanizada é preciso que ele tenha: DIMENSÕES PARA A GESTÃO HUMANIZADA HABILIDADES DO GESTOR Competência Técnica Capacidade de comunicar ideais Capacidade de trabalhar com equipes Capacidade de formar substitutos Capacidade de resolver conflitos Competência Humana Práticas de valorização do ser humano Relacionamento interpessoal Capacidade de estimular pessoas Empatia Competência Conceitual Capacidade de pensar estrategicamente Capacidade reflexiva Capacidade empreendedora Visão Sistêmica Fonte: adaptado Silva (2006) O autor divide as competências que o gestor precisa ter para conseguir realizar a gestão humanizada. Identifica que é necessário competência técnica, competência humana e competência conceitual. Quando distingue as capacidades que precisa para desenvolver cada competência inclui a comunicação, a capacidade de trabalhar em equipe e de formar pessoas que possam substituir seu trabalho e a habilidade de resolver conflitos essas características unidas e usadas da forma adequada fazem com que o gestor tenha êxitos. Mas só elas não são suficientes, porque estamos falando de gestão consciente então ressalta também a necessidade de incluir a competência humana que irá fazer com que o gestor valorize o ser humano e o relacionamento interpessoal. O gestor também será capaz de despertar empatia com a equipe. Isso fica completo quando se une aos conceitos institucionais que alinha o pensamento à estratégia sempre com visão sistêmica, capacidade empreendedora e reflexiva. Quando trazemos essa dinâmica de competências para o sistema de humanização do SUS o ganho é real e social. 2.3 Programas e estratégias que promovem a humanização Temos que compreender que o próprio SUS foi criado com base da humanização da assistência e como vimos nas aulas anteriores alguns programas foram criados para garantir que essa humanização se estabelecesse nos espaços de trabalho. O PNAH Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar que foi criado para melhorar o atendimento dentro dos hospitais e que posteriormente se transformou em uma política que é a PNH a Política Nacional de Humanização. Todas essas iniciativas porque compreendemos que as necessidades dos processos e das equipes, se atendidas geram maior efetividade nas relações entre profissionais e pacientes. Observe o quadro abaixo criado com as estratégias que auxiliam a implementação da PNH: Quadro X Fonte: Elaboração própria Essas estratégias de envolvimento e gestão são permeadas de comunicação. O que chama atenção é a proposta de envolver grupos diversos na contrução dos processos adequados. A valorização dos saberes, a união de profissionais de formações diversas, a criação de equipes transdisciplinares que se comprometem com a essência do SUS e auxiliam no aproveitamento da inteligência coletiva, todas essas ações são primordiais para que os frutos da humanização efetiva seja colhidos. Outra estratégia que merece destaque é a realização de pesquisas para compreender a satisfação dos usuários e dos trabalhadores o que favorece a construção de alternativas com base nas dificuldades apontadas. Os grupos de trabalho que são constituídos por lideranças e representantes também auxiliam nesse processo. O que é salutar destacar é que a implementaçãodas políticas de humanização ainda não são uma realidade para o SUS. É um processo de avanços e retrocessos e alguns pontos devem ser observados e destacados para que sirvam de alerta sobre as necessidades que ainda existem para humanizar o sistema. No âmbito da atuação da gestão os profissionais ainda enfrentam a inexistência de dispositivos de fomento à cogestão a a inclusão de gestores no processo de participação compartilhada. Muitos relatos de gestão verticalizada ainda existem. A má remuneração, a falta de políticas remuneratórias e a ausência de planos de ascensão de carreira também dificultam o processo. Sobre o usuário enquanto autônomo, protagonista, corresponsável ainda carece atenção e cuidado. Muitos modos de atenção ainda carregam as heranças do cuidado fracionado e mecanicista. Muitas práticas ainda são autoritárias e pouco envolventes para os sujeitos envolvidos. A cultura organizacional é fraca e o a falta de vínculo dos profissionais compromete a chegada e a permanência no sistema. As filas e a falta de investimento em sistemas de tecnologia da informação capazes de organizar essa assistência também devem ser levadas em consideração. A tecnologia também deve ser empregada para aumentar a efetividade dos processos diagnósticos e terapêuticos. O maior desafio na verdade é o envolvimento na implantação efetiva da política, de todos os envolvidos. É preciso publicizar e robustecer a divulgação das práticas que funcionam no SUS. Ampliar a rede de troca de informações e replicar práticas exitosas. A humanização em saúde precisa encontrar um equilíbrio do cenário econômico e social. Os saberes técnicos precisam estar respaldados da valorização dos profissionais. O usuário merece mais reconhecimento e respeito. O que se espera é que além de uma lei ou política a humanização volte a ser valor ético do cidadão. Vídeo Acesse o material digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado 1) Observe as alternativas abaixo a assinale aquela que condiz com o seguinte conceito: “A competência se volta para a visão humanística, e faz com que o gestor passe a ter uma compreensão maior da natureza e das motivações humanas, bem como da influência do ambiente social externo à organização sobre o comportamento das pessoas." a) HumanizaSUS. b) Política Nacional de Humanização. c) Liderança consciente. d) Gestão por competencia. e) Gestão Humanizada. 2) Ao lermos sobre liderança consciente no sito Capitalismo Consciente observamos as seguintes informações: "De acordo com o relatório Edelman Trust Barometer do ano passado, 64% das pessoas de diversos países esperam que os CEOs liderem as transformações sociais em vez de aguardar por intervenções governamentais. Paralelamente, 84% desejam que os CEOs participem ativamente de debates sobre políticas em questões sociais” (2021). Assim sendo, relacione as qualidades da liderança consciente aos conceitos e marque a alternativa correta: Qualidades 1. Autenticidade 2. Transparência 3. Integridade 4. Confiança Conceitos A. Líderes de empresas humanizadas compartilham mais informações com sua equipe do que outras empresas, reconhecendo que esta postura contribui para o desenvolvimento da confiança entre todos e o consequente aumento da produtividade B. Consiste em se apropriar do propósito, habilidades e valores culturais da organização, transformando-os em estratégias, práticas e recursos inovadores, que podem se tornar uma vantagem competitiva e valorativa em longo prazo e para todos C. Por meio da cultura consciente, as organizações comprometem-se em externar a verdade e costumam orientar-se pelo que julgam eticamente correto, não apenas pelo que é exigido pelo sistema legal ou socialmente aceitável D. Empresas humanizadas desfrutam de altos níveis de confiança interna – entre liderança e equipe na linha de frente, e liderança e equipes diversas – e externa – organização e clientes, fornecedores, parceiros, comunidades, investidores e governo. a) 1D, 2A, 3C, 4B b) 1B, 2A, 3C, 4D c) 1A, 2B, 3C, 4D d) 1D, 2A, 3D, 4B e) 1C, 2A, 3B, 4D 3) As instituições com um todo relacionam-se a todo o momento com o mundo interno e o mundo externo a ela. Assim sendo o conceito "Público estratégico e descreve todas as pessoas ou 'grupo de interesse' que são impactados pelas ações de um empreendimento, projeto, empresa ou negócio” é de(a): a) Stakeholders b) Humanização c) Liderança consciente d) Transparência e) Gestão Humanizada Módulo 3 3.0 Direito do usuário de saúde 3.1 Saúde como direito O direito social à saúde, e o seu acesso, é um direito de todos e dever do Estado, que deve garanti-lo mediante políticas sociais e econômicas e pela oferta de serviços públicos que visem à redução do risco de doenças e outros agravos. OEstá garantido no art. 6º da constituição Federal de 1988; “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição” (BRASIL, 1988). A inclusão da saúde como um direito social estabeleceu para ela princípios e diretrizes de ordem social. Os direitos sociais pertencem aos denominados direitos de segunda geração/dimensão, ligados diretamente à igualdade material. Exigem prestações concretas do Estado e envolvem custos. A implementação ocorre por meio das políticas públicas e são de responsabilidade do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Quando esse direto não é ofertado por omissão, é possível a judicialização. 3.2 Mínimo existencial Ingo Wolfgang Sarlet, é um grande jurista brasileiro e destinou o seu trabalho a estudar os direitos fundamentais com base no principio do mínimo existencial proveniente da doutrina alemã do finado séc XX. De acordo com o jurista o mínimo existencial é o conjunto de direitos básicos para uma vida digna. Mas o que seria ter uma vida digna? Vamos parar para pensar sobre isto. Ter uma vida digna é ter minimamente uma casa para se morar, uma escola para se educar, uma alimentação adequada, lazer, cultura, um trabalho não exploratório, a garantia de liberdade e de expressão e obviamente SAÚDE. Os princípios são fontes de direito e são através dele que é possível cobrar do estado a garantia de direitos, principalmente os fundamentais como a saúde. Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) indica os princípios geram a imposição de uma obrigação prestacional ao estado de materialização dos direitos fundamentais tangentes ao mínimo existencial, apontando que: Visão de Gilmar Mendes A moderna dogmática dos direitos fundamentais discute a possibilidade de o estado vir a ser obrigado a criar os pressupostos fáticos necessários ao exercício efetivo dos direitos constitucionalmente assegurados e sobre a possibilidade de eventual titular do direito dispor de pretensão a prestações por parte do Estado. (MENDES, 1993. p. 28.). 3.3 Judicialização da saúde Judicialização é o ato ou efeito de judicializar. Judicializar é dar caráter judicial ou recorrer à justiça para resolver um problema. (DICIONÁRIO PRIBERAM, 2008) Saiba mais Vamos explicar esse processo! Segundo Figueiredo (2018) o direito à saúde possui características de direito subjetivo público, pois além de ser um dever do Estado implementar ações que diminuam os riscos de doença e, também, propiciar o acesso universal, a Constituição enumera-o como um direito de todos, como explica a autora “Sendo um direito subjetivo, passa a ser oponível por via judicial, possibilitando a exigência de medicamentos, cirurgias etc. Também é possível adotar medidas visando à abstenção de ações estatais que prejudiquem a saúde individual ou coletiva” (FIGUEIREDO, 2018). 3.3.1 Princípio da reserva do possível x direito a saúde Vamos a um caso concreto! ExemploNo mês de março de 2021, quando a Justiça Federal de Minas Gerais negou o medicamento (Zolgensma) a uma criança, de um ano e oito meses. O medicamento custava 12 milhões de reais e é considerado um dos mais caros do mundo. A negativa se deu com base na justificativa de que retirar do orçamento do SUS esta importância, que corresponde a manutenção anual de um número expressivo de postos de saúde, prejudicaria uma parcela grandiosa da população em detrimento da saúde de uma pessoa. A vida humana importa, e muito, mas é preciso pensar na reserva do possível. O argumento aqui apresentado versa sobre o Princípio da Reserva do Possível. Este está correlacionado à judicialização da saúde, de forma bem direta, uma vez que, teoricamente deveria representar a vontade da maioria em detrimento da minoria por força orçamentária estatal, é o Princípio da Reserva do Possível – fundamentado no artigo 167 da presente carta constituinte brasileira –, que, segundo o artigo mencionado, “regula a possibilidade e a extensão da atuação estatal no que se refere à efetivação de alguns direitos sociais e fundamentais, [...] condicionando a prestação do Estado à existência de recursos públicos disponíveis.” Veja o argumento do magistrado no caso aqui apresentado: “O Juízo não desconhece a ansiedade dos pais, familiares e médicos da criança portadora de moléstia tão cruel. No entanto, a pretensão deduzida neste feito importa em retirar do orçamento do Sistema Único de Saúde a importância ao redor de R$ 12 milhões. Essa importância corresponde à manutenção anual de um número expressivo de postos de saúde, único recurso à disposição da população carente, sem acesso a planos de saúde, aí incluídas crianças, com moléstias diversas”, frisou. Fonte: Metropoles.com, 2021 Assim sendo, sob este prisma quando o estado tem limitações ao investir nas condições sociais como saúde chamamos de reserva do possível. O Estado possui uma verba orçamentária e precisa dividir entre as áreas, educação, segurança e outras, não pode destinar todos os recursos para uma área específica porque isso pode causar um desequilíbrio financeiro. A verba precisa ser dividida de forma a atender a coletividade, mas muitas pessoas, com enfermidades que necessitam do uso de medicamentos de alto custo, por exemplo acionam a justiça para conseguir o medicamento. Atenção Mas, atenção! Já ouviu falar que tudo no Direito “depende"? No mesmo ano, no mês de setembro, a Justiça Federal de Pernambuco, determinou que a União comprasse o medicamento acima citado para outra criança e no caso em questão utilizou-se do argumento que o direito a saúde era mais importante do que a reserva do possível. Acontece que quando temos dois direitos em conflito, principalmente direitos ou princípios tão importantes como a saúde e o orçamento público o jurista Robert Alexy nos ensina que o caso em concreto deverá ser analisado e sob uma ótica de “balança" a Teoria do Sopesamento traria o magistrado que julga a situação fática a melhor solução para o conflito. Mas o que os Tribunais superiores tem decidido sobre a disponibilidade de tratamentos de auto custo? Como dito deverá ser analisado caso o caso, porém o Ministro Marco Aurélio do STF no ano de 2020 apresentou aos colegas a necessidade de se determinar certos parâmetros de análise. Saiba mais Vejamos: Tabela 1 - Elaboração própria. O Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamentos experimentais. A ausência de registro na Anvisa impede, como regra geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial. É possível, excepcionalmente, a concessão judicial de medicamento sem registro sanitário, em caso de mora irrazoável da Anvisa em apreciar o pedido (prazo superior ao previsto na Lei 13.411/2016), quando preenchidos três requisitos: I – a existência de pedido de registro do medicamento no Brasil, salvo no caso de medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras; II – A existência de registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior; III – a inexistência de substituto terapêutico com registro no Brasil. As ações que demandem o fornecimento de medicamentos sem registro na Anvisa deverão ser necessariamente propostas em face da União. Não achem que a sugestão foi aceita de pronto! O ministro Luíz Roberto Barroso foi contra o colega e alegou que: “(…) o sistema de saúde não suportaria um modelo em que todos os remédios, independentemente, do seu custo e impacto financeiro devessem ser fornecidos pelo Estado a todas as pessoas. Portanto, a melhor forma seria racionalizar a judicialização da saúde, buscando a opinião de órgãos técnicos responsável pela dispensação de medicamentos. (Supremo Tribunal Federal. RE 566471/RN). Dever do Estado de fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possui condições financeiras para comprá- lo”. Relator: MIN. MARCO AURÉLIO. Data de publicação: 01/09/2020) Como vimos não há de se falar em consenso e assim seguimos analisando e julgando caso a caso. 3.4 Carta dos direitos dos usuários da saúde O Conselho Nacional de Saúde (CNS) em sua 198ª Reunião Ordinária, realizada no dia 17 de junho de 2009 aprovou a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde. É um instrumento elaborado para que o cidadão brasileiro conheça seus direitos e possa ajudar o Brasil a ter um sistema de saúde com muito mais qualidade. O documento foi elaborado de acordo com seis princípios basilares que, juntos, asseguram ao cidadão o direito básico ao ingresso digno nos sistemas de saúde. A carta foi elaborada baseada em 6 princípios que vamos observar no quadro abaixo: Fonte: Elaboração própria A carta defende no primeiro princípio a acessibilidade ao sistema priorizando o que a atenção básica defende que é a promoção de saúde e a prevenção de agravos. O segundo princípio defende a humanização da assistência e o cuidado integral. O terceiro reforça a importância da humanização no aspecto de estrutura física e profissionais qualificados. O quarto princípio defende o respeito aos valores e a cultura dos usuários e sua relação com sua saúde. O quinto chama a responsabilidade do usuário com a continuidade de seu tratamento, garantido pelo SUS. O sexto diz respeito ao direito à informação e como essa informação colabora para que a saúde seja reestabelecida e garantida. Para o Conselho Nacional de Saúde é importante que todos se apossem do conteúdo da Carta. O material foi elaborado com uma linguagem acessível e, assim, permitir o debate e apropriação dos direitos e deveres nela contidos por parte dos gestores, trabalhadores e usuários do SUS, garantida pela Portaria nº 1.820, de 13 de agosto de 2009, publicada no Diário Oficial da União nº 155, de 14 de agosto de 2009, que dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde. Para entender melhor a carta vamos entender que ligações ela tem: Fonte: Adaptado de Passei Direto (2021) disponível em https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos- usuarios-do-sus A carta de direitos dos usuários estabelece princípios e diretrizes e a igualdade, universalidade, equidade, igualdade e integralidade, preserva a autuonomia e dá ao usuário o direto à informação de forma clara, integra as açoes de saúde e ofera a capacidade de resolução dos serviços por conta da organização, consegue isso por meio dos organizadores, da descentralização do comando, da participação popular e da regionalização. https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus A carta de direitos dos usuários do sus posssui seis princípios básicos como podemos ver na figura abaixo: Fonte: Adaptado de Passei Direto (2021) disponívelem https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos- usuarios-do-sus Observe que os princípios são: 1. todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde; 2. todo cidadão tem direito ao tratamento adequado e efefetivo para o seu problema; 3. todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação; 4. todo cidadão tem o direito a atendimento que respeite a sua pessoa, seus valores e sues direitos; 5. todo cidadão também tem responsabilidades para que seu tratamento aconteça de forma adequada; 6. todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que os principios anteriores sejam cumpridos. https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus A carta também defende além dos direitos, o acolhimento e o ambiente como podemos obeservar na figura abaixo: Fonte: Adaptado de Passei Direto (2021) disponível em https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos- usuarios-do-sus Observe que a figura apresenta três áreas contempladas como um direito que são a defesa do direito que consiste na igualdade da assistência, sem preconceito ou privilégios dando ao paciente a possibilidade de aceitar ou recusar a assistência. Menciona o acolhimento que precisa ser humanizado e baseado na confiança e na entrega de informações claras e objetivas em um bom ambiente de cuidados e o destaque para o ambiente que também deve respeitar a privacidade e ofertar os aportes tecnológicos para a assistência. A carta destaca a importância da conquista cidadã de participação na gestão e no cuidado. Veja a figura: Fonte: Adaptado de Passei Direto (2021) disponível em https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos- usuarios-do-sus A carta pressupõe a gestão participativa que inclui a participaçãod dos usuários nos processos estimulando a co-responsabilidade e o o fazer e pensar coletivo para que as mudanças aconteçam. E a valorização do profissional que precisa ter vos nas decisões e respeito nas relações de trabalho. A contemplação dos https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus direitos estabelecidos em um instrumento de garantia que contempla toda essência do SUS. Vídeo Acesse o material digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado 1) A partir do conhecimento prévio sobre a Carta de Direitos dos Usuários do SUS, observe os itens abaixo. • Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas de saúde; • Todo cidadão tem direito ao tratamento adequado e efetivo para o seu problema; • Todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer discriminação; • Todo cidadão tem o direito a atendimento que respeite a sua pessoa, seus valores e sues direitos; todo cidadão também tem responsabilidades para que seu tratamento aconteça de forma adequada; • Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde para que os princípios anteriores sejam cumpridos. Estes estão ligados a (os): a) Princípios básicos de cidadania. b) Acolhimento. c) Ambiente. d) Valorização do profissional. e) Gestão participativa. 2) O Estado possui uma verba orçamentária e precisa dividir entre as áreas, educação, segurança e outras, não pode destinar todos os recursos para uma área específica porque isso pode causar um desequilíbrio financeiro. A verba precisa ser dividida de forma a atender a coletividade, mas muitas pessoas, com enfermidades que necessitam do uso de medicamentos de alto custo, por exemplo acionam a justiça para conseguir o medicamento. Esse é o conceito de: a) Carta de direitos do SUS. b) Princípio de cidadania. c) Acolhimento. d) Reserva do possível. e) Financiamento. 3) Sobre os princípios contidos na carta de direito dos usuários indique o que está incorreto: a) A carta defende no primeiro princípio a acessibilidade ao sistema priorizando o que a atenção básica defende que é a promoção de saúde e a prevenção de agravos. b) O segundo princípio defende a humanização da assistência e o cuidado parcial ofentando assistência que tenha disponível no SUS exclusivamente. c) O terceiro reforça a importância da humanização no aspecto de estrutura física e profissionais qualificados. d) O quarto princípio defende o respeito aos valores e a cultura dos usuários e sua relação com sua saúde. e) O quinto chama a responsabilidade do usuário com a continuidade de seu tratamento, garantido pelo SUS. Módulo 4 4.0 Humanização e saúde suplementar 4.1 Saúde suplementar A Saúde Suplementar surgiu no país na da década de 1960. O Sistema de Saúde não conseguia comportar o quantitativo de pessoas que precisava de assistência. A saúde era de responsabilidade exclusiva do primeiro setor, mas com o crescimento econômico do Brasil e o avanço do trabalho formal, o segundo setor começou a oferecer serviços de saúde pagos e as empresas começaram a pagar planos de assistência médica aos colaboradores. A atividade só foi regulamentada em 1998, 10 anos depois da criação do SUS, por meio da Lei nª 9.656, que regulamenta os Planos de Saúde e as empresas deste ramo, que são as operadoras. A partir da criação da lei foram estabelecidos os principais requisitos e diretrizes para o melhor funcionamento deste segmento. Como vimos na aula anterior com as conquistas da Constituição de 1988, a saúde passou a ser declarada como um direito fundamental, exercido pelo SUS que visa garantir condição médica e hospitalar além do bem-estar de toda população. Mas o setor público não comparta o quantitativo de pessoas que dependem do sistema. Como é de responsabilidade do Estado prover as condições para oferta de saúde integral, foi necessária a participação da iniciativa privada em caráter complementar e suplementar para que a assistência se desse por completo. Em 2008, através da edição da Lei nº 9656, enfim, institucionalizou-se o setor suplementar (BRASIL, 1998). O Sistema de Saúde Brasileiro hoje é duplicado, conforme apontado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2008. Então vamos entender: Fonte: ANS 2009 Saiba mais O que é saúde suplementar? A saúde suplementar é o ramo da atividade que envolve a operação de planos e seguros privados de assistência médica à saúde, regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e é composta por operadoras, profissionais e beneficiários. A saúde suplementar engloba ações e serviços privados prestados por meio de planos de saúde. Trata-se da prestação de serviço exclusivamente na esfera privada. A saúde suplementar faz parte do subsistema privado que é dividido em dois subsetores a saber: Subsetores da saúde suplementar O subsetor saúde suplementar e o subsetor liberal clássico. O liberal clássico é o composto por serviços particulares autônomos, caracterizados por clientela própria, captada por processos informais, em que os profissionais da saúde estabelecem diretamente as condições de tratamento e de sua remuneração. A saúde suplementar é composta pelos serviços financiados pelos planos e seguros de saúde, sendo predominante neste subsistema. Este possui um financiamento privado, mas com subsídios públicos, gestão privada regulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. Os prestadores de assistência são privados, credenciados pelos planos e segurosde saúde ou pelas cooperativas médicas, serviços próprios dos planos e seguros de saúde, serviços conveniados ou contratados pelo subsistema público, que são contratados pelas empresas de planos e seguros de saúde que fazem parte de sua rede credenciada (BRASIL, 2007). No quadro abaixo compreendemos a diferença dos sistemas público e privados de atenção à saúde: Fonte: Elaboração própria Qual é a diferença entre saúde suplementar e saúde complementar? A classificação de complementar é a atuação da iniciativa privada na área da saúde pública. Quando supõe a existência e a limitação do sistema de saúde público neste caso, o sistema privado complementa a cobertura de determinados serviços. É um serviço feito mediante contrato de direito público ou convênio. O estado utiliza a rede privada, mas privilegia a compra no terceiro setor que possui entidades filantrópicas e sem fins lucrativos para comprar os serviços necessários. É, portanto, a compra de serviços para ofertar e suprir as lacunas que o sistema tiver. (PIETROBON, PRADO E CAETANO, 2008) A diferença é na suplementar quem paga a conta é o usuário e na complementar é o governo, com os impostos dos usuários. Que fique claro que quem financia a saúde pública é o cidadão que paga seus impostos. Dados divulgados em maio de 2021 pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) registram que 48,1 milhões de usuários no Brasil e o número aumenta consideravelmente é o maior desde julho de 2016. 4.2 Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é uma autarquia sob regime especial vinculada ao Ministério da Saúde e responsável pela regulação, normatização, controle e fiscalização das atividades que garantam a assistência suplementar à saúde. Tem por finalidade institucional "promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, regulando as operadoras setoriais, inclusive quanto às suas relações com prestadores e consumidores, contribuindo para o desenvolvimento das ações de saúde" (BRASIL, 2000) e tem atribuições importantes: Atribuições da ANS, segundo Lima A ANS desenvolve e aprimora inúmeros mecanismos para gerar informações relativas ao setor de saúde suplementar: a constituição de câmaras técnicas; consultas públicas; disque ANS e portal ANS; e o acesso através dos núcleos regionais. Para as ações de fiscalização, existem dois grandes blocos de atuações estratégicas: medidas preventivas e os regimes especiais. As medidas preventivas são os processos de ajuste acordados entre a ANS e as operadoras de planos de saúde e os planos de recuperação. Os regimes especiais são as direções técnicas e fiscais que são processos instaurados pela ANS quando as empresas descumprem os processos de ajuste e realizam processos de monitoramento das anormalidades administrativas (BRASIL, 2007; LIMA, 2007). A ANS desenvolve, ainda, dois projetos para a fiscalização e instrumentos de transformação de comportamento do mercado de planos de saúde denominados "Cidadania Ativa" e "Olho Vivo" (LIMA, 2007). Vamos falar um pouco sobre os instrumentos de controle da ANS! A agência possui o programa de certificação de boas práticas em atenção à saúde foi instituído pela Resolução Normativa 440/18 Resolução Normativa nº 440/18. A medida visa incentivar as operadoras de planos de saúde a desenvolverem um cuidado cada vez mais qualificado aos seus beneficiários, através da implantação de redes de atenção ou linhas de cuidado certificadas por entidades acreditadoras reconhecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Fonte: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/gestaosaude/programa-de- certificacao-de-boas-praticas-em-atencao-a-saude-1 4.2.1 Programas da ANS para a garantia da humanização Esses programas desenvolvidos pela ANS visam melhorias na prestação da assistência suplementar resguardando os direitos dos usuários e incentivando boas práticas relacionadas à humanização. Observe a figura abaixo: Fonte: Elaboração própria https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/gestaosaude/programa-de-certificacao-de-boas-praticas-em-atencao-a-saude-1 https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/gestaosaude/programa-de-certificacao-de-boas-praticas-em-atencao-a-saude-1 Vamos destacar alguns dos projetos: a) Projeto parto adequado O projeto estimula a mudança no modelo de atenção ao parto e nascimento, incentivando a adoção de boas práticas que valorizem o parto normal e, como consequência, reduzam o percentual de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar. (ANS, 2021). Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), com o apoio do Ministério da Saúde, criaram o projeto com objetivo de identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, que valorizem o parto normal e reduzam o percentual de cesarianas sem indicação clínica na saúde suplementar. Além desse incentivo as mulheres recebem orientação quanto aos cuidados adequados com os bebês o cuidado certo, na hora certa, ao longo da gestação, durante todo o trabalho de parto e pós-parto, considerando a estrutura e o preparo da equipe multiprofissional, a medicina baseada em evidência e as condições socioculturais e afetivas da gestante e da família. Durante a pandemia de covid-19 as mulheres receberam orientação sobre os cuidados e prevenções. Observe no quadro abaixo a imprementação da fase 3 da Campanha do Parto adequado: Fonte: ANS (2021) b) Sua Saúde: informe-se e faça boas escolhas A ANS tem o projeto Sua Saúde que estimula a participação mais proativa do paciente em relação à tomada de decisão em saúde, focando na informação de qualidade compartilhada com os outros responsáveis pelo cuidado. Incentivar uma maior participa do paciente na tomada de decisões para corresponsabilizar e qualificar o cuidado. É uma forma de tornar o paciente mais consciente sobre suas necessidades. A iniciativa é inspirada em ações desenvolvidas em outros países e busca falar diretamente com o paciente, fornecendo informações relevantes e orientando sobre questões relacionadas ao cuidado e tecnologias utilizadas no diagnóstico e tratamento de doenças. O projeto conta com a parceria de 17 instituições, incluindo entidades médicas, acadêmicas e de apoio ao paciente. Tem um grupo coordenado pela ANS que concentra informações e disponibiliza no Portal da Agência que é atualizada periodicamente. Há também a inclusão do responsável pelo cuidado no processo comunicativo. O paciente passa a ser protagonista do cuidado. c) Projeto Quallis – Programa de Qualificação dos prestadores de serviço Para compreender esse projeto construímos o quadro abaixo: Fonte: Elaboração própria d) Projeto Remuneração baseada em valor A remuneração baseada em valor prioriza a melhoria da atenção à saúde e, como consequência, a sustentabilidade do sistema. Valor em saúde é definido como a relação entre os resultados que importam para os pacientes (desfechos clínicos) e o custo para atingir esses resultados (PORTER e TEISBERG, 2007). O conceito de valor em saúde pode ser resumido na seguinte fórmula: Fonte: ANS (2021) A saúde suplementar é uma realidade para muitos brasileiros. O cuidado e o controle do serviços ofertados são da ANS a agência reguladora que tem se preocupado com a inserção de projetos e programas que visem a humanização e o cuidado com o paciente. Os projetos criados, e incentivados atendem a muitas diretrizes da PNH. Inserir os stakholders da saúde suplementar no processo de humanização. Vídeo Acesse o material digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado 1) É o ramo da atividade que envolve a operação de planos e seguros privados de assistência médica à saúde, composta por operadoras, profissionais e beneficiários, engloba ações e serviços privadosprestados por meio de planos de saúde. Trata-se da prestação de serviço exclusivamente na esfera privada. Essa é a definição de: a) Saúde Complementar. b) Saúde Suplementar. c) Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). d) Valor em saúde. e) Saúde institucional. 2) Sobre a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é correto afirmar: a) É responsável pela regulação, normatização, controle e fiscalização das atividades que garantam a assistência suplementar à saúde. b) É uma autarquia sob regime especial que não possui vinculo nenhum com o Ministério da Saúde. c) Tem por finalidade institucional "promover a defesa do interesse exclusivo das as operadoras setoriais, e das relações com prestadores e consumidores, contribuindo para o desenvolvimento das ações de saúde". d) A ANS só não realiza ações de fiscalização. 3) Sobre o sistema privado de atenção à saúde é correto afirmar: a) Direito aos contribuintes disponibilizados de acordo com o valor pago. b) Totalmente independente ao vínculo empregatício. c) Universal, integral e equitativo. d) Realiza campanhas de prevenção em saúde. e) Nenhuma das anteriores. Conclusão Considerações finais Nesse módulo tivemos a oportunidade de conhecer os direitos que enolvem a prestação de serviços do SUS. As mudanças que o sistema vem sofrendo para atender com humanização os usuários e trazer a coresponsabilização dos profissionais, dos usuários e da sociedade para aprimorar e fazer com que o sistema funcione são constantes e fundamentais. O SUS é um sistema muito bem planejado e pensado, mas as mudanças e o aprimoramento são necessários. No módulo vimos que se o sistema de ensino ofertar um preparo melhor para o profissional, significará uma melhora na proposta de humanizar a assistência. Entendemos e reconhecemos que essa é uma necessidade latente que merece atenção. Conhecemos a Rede HumanizaSUS que serve como um espaço de troca de informações e práticas e que funciona integrando experiências. Espaço como esses possibilitam melhorias no cuidado e a possibilidade de replicar práticas bem-sucedidas. Também vimos que a necessidade de humanizar o sistema e envolver os stakeholders no processo de corresponsabilidade com o funcionamento do SUS é uma realidade que está se tornando mais próxima, é uma mudança de paradigma mas que quando estabelecida significará um ganho estrutural para o SUS, para seus usuários e profissionais. Tivemos acesso a exemplos de programas que promovem essa humanização e que possibilitam um cuidado maior da assistência. Reconhecemos ao longo do módulo a saúde como um direito, bem estabelecido constitucionalmente. Conhecemos a carta de direito e suas aplicabilidade, seus princípios e as garantias que ela oferta, mas é importante também, salientar que o SUS não é um sistema perfeito e que alguns destes direitos deixam se ser cumpridos e para isso há a possibilidade de judicializar, ou seja, solicitar na justiça direitos que não são cumpridos. Entendemos que há uma saúde suplementar ofertada para quem tem condições de pagar, pelo segundo setor, que são os planos e seguros de saúde, mas que são regulamentadas e fiscalizadas pelo orgão do governo que é a ANS – Agência Nacional de Saúde. Vimos também que quando o SUS não possui o serviço para ofertar ele pode comprar do sistema privado a assistência. Compreender o funcionamento do SUS, suas garantias legais, sua organização e estrutura é um passo importante para que se possa cobrar o direito de uso. Reconhecer a saúde como um direito é um ato cidadão. O SUS ainda precisa melhorar, precisa de aperfeiçoamento, mas as experiências exitosas de um SUS que funciona devem ser replicadas, e o hábito de reclamar do SUS deve ser substituidos por corresponsabilidade para essa melhoria. Bibliografia ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais. Tradução de Virgílio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2008. (Coleção teoria & direito público).siso. 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O mesmo está disponível