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Definição 
A saúde como um direito legal estabelecido na constituição possui carta de 
direito para os usuários e está sendo aperfeiçoada por meio de políticas de 
humanização que adequam a assistência para que ela funcione de forma 
corresponsável, envolvendo todos os stakeholderes nessa proposta de 
melhoria contínua. 
Propósito 
Compreender a saúde como um direito, reconhecer a importância da política de 
humanização não só na prática mas também no ensino das profissões. 
Conhecer os espaço de compartilhamento de boas práticas para 
aperfeiçoamento do SUS. 
Objetivos 
Módulo 1 
Compreender a importância de ofertar nas disciplinas de ensino no paradigma 
da humanização. 
Módulo 2 
Entender a política de humanização, sua implementação, os processos de 
corresponsabilidade e os espaços de troca de experiência. 
Módulo 3 
Reconhecer a saúde como um direito e saber que quando esse direito não é 
ofertado é possível a judicialização para que a assistência ocorra. 
Módulo 4 
Compreender o sistema de saúde suplementar e a função da ANS. 
Introdução 
O reconhecimento da importância da Humanização no ensino superior será 
abordado nesse módulo que se inicia elucidando as dificuldades de se 
introduzir a temática da humanização no ensino dos cursos voltados para a 
área da saúde. Algumas mudanças estão sendo adotadas para que essa 
temática seja introduzida nas disciplinas mas a formação tradicional ainda 
possui poucas iniciativas de abordar o tema. Com as mudanças e a introdução 
de algumas disciplinas nos currículos, aos poucos esse reconhecimento vai 
acontecendo. É salutar que a forma humanizada de se atender ao usuário do 
SUS, agora presente nas práticas diárias de assistência, sejam apresentadas 
aos que se dispõem a estudar para entrar para a área. Exemplos do que se faz 
no Humaniza SUS são exploradas na primeira parte do módulo. 
É que com o avanço da implementação do SUS muita coisa vem mudando e 
um novo paradigma passou a ser implementado. A corresponsabilização 
contendo pilares que incluam a gestão humanizada. Esse módulo apresenta 
exemplos de programas e estratégias que promovem a humanização. Reforça 
que a gestão humanizada depende do envolvimento de todos, inclusive do 
usuário, que tem responsabilidades dentro da gestão. Salientamos que apesar 
do esforço, há muito o que fazer ainda, e para que a toca aconteça uma 
espaço cibernético chamado Rede humaniza SUS, em que os gestores trocam 
experiências e novidades implementadas. 
A saúde é um direito. E no desenvolvimento do módulo essa premissa é 
apresentada. A conquista da constituição de 1988 é relembrada destacando 
que a oferta de saúde é um dever do estado e um direito do usuário e que 
quando essa assistência é negada há uma forma de garantir essa entrega que 
é através da Judicialização da Saúde, que deve ser cuidadosa e respeitar o 
mínimo existencial porque em alguns aspectos os pedidos judiciais significam o 
orçamento de um ano de uma cidade inteira. 
A estrutura do SUS é apresentada e o módulo encerra com as informações 
pertinentes à saúde suplementar e suas possibilidades. É preciso reconhecer a 
existência da Agência Nacional de Saúde – ANS, que controla e regula esse 
sistema. Um módulo rico de Humanização, acessibilidade e cuidados. 
Módulo 1 
1.0 Educação superior e 
humanização 
1.1 Lei de diretrizes e bases da educação e 
diretrizes curriculares nacionais 
Ao longo das aulas temos dialogado sobre o que é humanização e qual é a sua 
importância para a prática dos profissionais de saúde. Mas há um 
questionamento importante que precisa ser feito. 
Você estudou Humanização na sua grade curricular na graduação? 
Se você se formou no curso entre 2000 e 2010 provavelmente não. 
A ausência da disciplina nas grades causa um viés para o profissional. A base 
do aprendizado vem das instituições formais de ensino que devem privilegiar 
questões importantes como a humanização na estrutura curricular. As 
instituições de ensino precisam pautar seus cursos de graduação em um 
entendimento interdisciplinar, visando, além dos conteúdos, a técnicas e 
teorias, perpassando também questões políticas, humanas, socioculturais, 
econômicas e tecnológicas da atualidade, para suprir as necessidades de 
formação para o SUS (ROSEVICS ET AL., 2014). O PNH apontou em 2004, a 
necessidade de se inserir conteúdos relacionados à Humanização e sua 
importância, mas, ainda hoje, a prevalência de disciplinas desse assunto ainda 
é escassa. 
A metodologia de ensino precisa ser pautada em um modelo hegemônico no 
cotidiano da população que é assistida pelo sistema, as práticas de educação e 
saúde e o atendimento humanizado reconhecendo o homem com um ser 
biopsicossocial. O modelo hospitalocêntrico biomédico, que não reconhece o 
ser em sua integralidade, deve ser substituído pelas novas práticas propostas 
pelo SUS. 
 
É preciso entender como funciona a regulamentação das estruturas dos cursos 
para compreender que a inserção destes temas deve ser uma premissa. A 
formação superior é regulada pelas Leis de Diretrizes e Bases (LDB) 
9.394/96 (BRASIL, 1996) e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) que 
possuem princípios que norteiam a construção dos conteúdos e as instituições 
de ensino possuem autônoma para fazer adequações curriculares que levem 
em conta a realidade da sociedade e da cultura de onde a instituição está 
sediada. 
Trabalhar na formação, na problematização e nas transformações sociais 
vinculadas à realidade dos indivíduos desperta nos estudantes certa autonomia 
e os capacita para reflexões críticas que são transpostas para a prática 
profissional. Essa formação, quando bem posta, reflete no desenvolvimento do 
trabalho diário. 
Fica a cargo das instituições de ensino a criação de seus projetos pedagógicos 
de curso (PPC) e para cada curso há um específico é salutar entender o que 
diz Seixas (2014): 
 
Projetos pedagógicos de curso, segundo Seixas (2014) 
 
Apesar de não haver normas para os PCCs, estes possuem uma regularidade. 
O autor apresenta os PCCs com um primeiro espaço dedicado aos princípios 
filosóficos e pedagógicos da instituição. Em um segundo espaço são 
delineadas as particularidades das ênfases oferecidas pela instituição e, por 
fim, há a formação profissional guiada pela matriz curricular, que descreve as 
atividades, os estágios e a grade curricular. As ementas presentes no PPCs 
são a orientação mais geral e permanente que uma disciplina pode ter 
alterando-se apenas quando um novo projeto pedagógico é instalado. 
(SEIXAS, 2014, p.192). 
 
A grade curricular de cada curso é composta das disciplinas e das suas 
ementas. A ementa expõe os conteúdos centrais norteadores que direcionam o 
docente para a elaboração da disciplina que muda a cada ano. 
1.2 Formação em saúde durante o tempo 
A assistência nos hospitais antes da reforma sanitária era baseada no modelo 
Flexeneriano. Mendes explica os elementos estruturais compõem o modelo 
biomédico flexneriano que são mecanicismo que entende o corpo humano 
como uma máquina (1986); o Biologismo que "pressupõe o reconhecimento, 
exclusivo e crescente, da natureza biológica das doenças e de suas causas e 
consequências e procura absolver os fatores determinantes de natureza e 
social, na causa das doenças" (1985, p. 31); o individualismo que imputa ao 
indivíduo a responsabilidade pela sua própria doença" (1985,p. 31); a 
especialização que “aprofunda o conhecimento específico e que atenua o 
conhecimento holístico e que exige a fragmentação do processo de produção e 
do produtor, via divisão técnica do trabalho" (1986, p. 540); a Exclusão de 
práticas alternativas a que desconsidera qualquer prática alternativa; a 
tecnificação do cuidado à saúde que faz da medicina uma "engenharia 
biomédica [que] cria uma nova forma de mediação entre o homem e as 
doenças, os milagres da medicina tecnológica" (1986, p. 32) e a ênfase na 
prática curativa que prestigia a cura ao invés do reconhecimento da causa.no canal da médica no YouTube. 
 
 
 
 
 
 
 
http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022014000400010
http://repositorio.ufrn.br:8080/jspui/bitstream/123456789/17401/1/PabloSS_TESE.pdf
http://repositorio.ufrn.br:8080/jspui/bitstream/123456789/17401/1/PabloSS_TESE.pdf
Conteudista 
Satina Priscila Marcondes Pimenta Mello 
Advogada, Psicóloga inscrita. Mestre em Administração com ênfase em Gestão 
de Pessoas, Pós-graduada em Direito Público e em Saúde e Intervenção 
Psicossocial. Experiência em trabalhos interdisciplinares na Rede de 
Assistência Social e na Rede de Assistência a Saúde em diferentes 
complexidades. Professora Universitária atuante na área de ciências humanas 
e da saúde há 18 anos. Pesquisadora bolsista nas áreas de afinidade com 
diversos trabalhos publicados nacional e internacionalmente. Produtora de 
material didático no âmbito das ciências humanas e da saúde. Idealizadora do 
Projeto Ressignificando com atendimento Clínico em Psicologia para pessoas 
em situação de vunerabilidade. 
	Definição
	Propósito
	Objetivos
	Módulo 1
	Módulo 2
	Módulo 3
	Módulo 4
	Introdução
	Módulo 1
	1.0 Educação superior e humanização
	1.1 Lei de diretrizes e bases da educação e diretrizes curriculares nacionais
	Projetos pedagógicos de curso, segundo Seixas (2014) Apesar de não haver normas para os PCCs, estes possuem uma regularidade. O autor apresenta os PCCs com um primeiro espaço dedicado aos princípios filosóficos e pedagógicos da instituição. Em um se...
	1.2 Formação em saúde durante o tempo
	Modelo flexneriano, Segundo mendes
	(…) com o modelo flexneriano a medicina científica se institucionalizou, ligou o grande capital, a corporação médica e as universidades e trouxe mudança no objeto nos propósitos, nos recursos e nos agentes da medicina, levando à configuração de um mar...
	1.3 A importância do ensino humanizado
	Vídeo
	Verificando o aprendizado
	Exemplo
	Exemplo
	Módulo 2
	2.0 Gestão humanizada
	2.1 Um novo paradigma
	2.2 Pilares da gestão humanizada
	2.3 Programas e estratégias que promovem a humanização
	Quadro X
	Vídeo
	Verificando o aprendizado
	Módulo 3
	3.0 Direito do usuário de saúde
	3.1 Saúde como direito
	3.2 Mínimo existencial
	Visão de Gilmar Mendes
	A moderna dogmática dos direitos fundamentais discute a possibilidade de o estado vir a ser obrigado a criar os pressupostos fáticos necessários ao exercício efetivo dos direitos constitucionalmente assegurados e sobre a possibilidade de eventual titu...
	3.3 Judicialização da saúde
	3.3.1 Princípio da reserva do possível x direito a saúde
	Vamos a um caso concreto!
	3.4 Carta dos direitos dos usuários da saúde
	Vídeo
	Verificando o aprendizado
	Saiba mais
	Exemplo
	Atenção
	Saiba mais
	Módulo 4
	4.0 Humanização e saúde suplementar
	4.1 Saúde suplementar
	Subsetores da saúde suplementar
	O subsetor saúde suplementar e o subsetor liberal clássico. O liberal clássico é o composto por serviços particulares autônomos, caracterizados por clientela própria, captada por processos informais, em que os profissionais da saúde estabelecem direta...
	4.2 Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
	Atribuições da ANS, segundo Lima
	A ANS desenvolve e aprimora inúmeros mecanismos para gerar informações relativas ao setor de saúde suplementar: a constituição de câmaras técnicas; consultas públicas; disque ANS e portal ANS; e o acesso através dos núcleos regionais. Para as ações de...
	Vamos falar um pouco sobre os instrumentos de controle da ANS!
	4.2.1 Programas da ANS para a garantia da humanização
	Vídeo
	Verificando o aprendizado
	Saiba maisO que é saúde suplementar? 
	Conclusão
	Considerações finais
	Bibliografia
	Explore +
	ConteudistaMendes explica: 
 
Modelo flexneriano, Segundo mendes 
(…) com o modelo flexneriano a medicina científica se institucionalizou, ligou o 
grande capital, a corporação médica e as universidades e trouxe mudança no 
objeto nos propósitos, nos recursos e nos agentes da medicina, levando à 
configuração de um marco conceitual, que passa a referenciar a prática e a 
educação médicas (1986,p. 540). 
 
A formação médica passou a ser baseada no método científico e o hospital 
passou a ser o local de prática do estudante. Segundo Flexner o aluno de 
medicina só aprende fazendo. É a defesa de que o estudante não mais 
observa, escuta e memoriza, mas executa. É o modelo de aprendizado 
baseado na prática. E durante muitos anos o modelo pedagógico teve essa 
estrutura. 
As mudanças na saúde se estabeleceram no mundo na década de 1970 em 
um relatório que ressalta a importância da promoção à saúde e que atribuía 
práticas pouco saudáveis à ausência de saúde. O Relatório Lalonde foi um 
documento produzido pelo Ministério de Bem Estar e Saúde do Canadá e 
preconizou um conjunto de ações que pudessem intervir positivamente no 
comportamento de indivíduos não-saudáveis. É a primeira vez que se 
interrelaciona quatro grupos do fenômeno saúde/ doença que são o ambiente 
(natural e social), o estilo de vida (comportamento individual que afeta a 
saúde), a biologia humana (genética e função humana) e a organização dos 
serviços de saúde (LALONDE, 1974). 
Em setembro de 1978, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou em 
Alma-Ata, na República do Cazaquistão, a Conferência Internacional sobre 
Cuidados Primários de Saúde que era a necessidade dos governos e dos 
trabalhadores da saúde. A proposta era investir na promoção da saúde e desse 
encontro foi produzido um documento intitulado A Declaração de Alma Ata, que 
sintetizou a partir de dez pontos os cuidados primários que o mundo precisava 
implementar em seus sistemas de forma urgente. Naquela ocasião a OMS 
passou a entender a saúde como o “completo bem-estar físico, mental e social, 
e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”. 
Figura 1: Texto 
Mas a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, só foi 
realizada em Ottawa, Canadá, em novembro de 1986. Deste evento surgiu 
uma Carta de Intenções que indicava contribuições para que se atingisse a 
Saúde para Todos no Ano 2000. Havia no mundo uma crescente expectativa 
de uma nova saúde pública. Havia uma discussão mundial sobre os avanços 
da declaração de Alma Ata em relação aos cuidados primários e no Brasil a 
repercussão foi grande e culminou em discussões e iniciativas para uma 
grande reforma sanitária. 
As mudanças se deram porque o país enfrentava uma reforma política que 
culminou na constituição de 1988 e na criação do SUS. Junto com a criação do 
novo sistema a mudança de paradigma de saúde baseado na promoção da 
saúde e na prevenção de doenças. A assistência passou a se dar pelo 
Programa de Saúde da Família, como porta de entrada do sistema e tendo 
como base a atenção primária da saúde e a busca ativa de doenças. 
E se o país foi enfrentando todas estas mudanças estruturais na saúde o 
ensino também necessitava de transformações. É nesse contexto de 
reconhecer a importância das mudanças pedagógicas que recorremos a Paulo 
Freire. 
Paulo Freire associa a educação à solidariedade ao diálogo como instrumento 
de transformação da sociedade. O compromisso do pensador sempre foi a 
libertação dos homens. Ele entende que se o homem compreender a sua 
realidade e interagir de forma crítica é possível propor hipóteses para 
solucionar os desafios. Essa prática de reconhecer que a realidade é mutável e 
que é possível a inclusão de outras propostas que inovem e mudem com a 
potência criativa dos seres humanos. 
1.3 A importância do ensino humanizado 
Agora vamos relembrar como é a base da prática de resolução de problemas e 
identificação de novas propostas do SUS atual. Ela precede a intervenção dos 
atores que ficam responsáveis por se envolver na gestão propondo mudanças. 
Quando entendemos o funcionamento do SUS e a forma de interação do PNH 
fica difícil de dissociar o ensino e a formação desse profissional desta base que 
sustenta o bom funcionamento do sistema. 
O ensino torna-se um aliado para as mudanças que o sistema precisa, que 
devem ocorrer em dois movimentos: 
Primerio movimento 
A formação acontece cia educação permanente e os profissionais da saúde 
devem ser afetados por ela no cotidiano do trabalho. 
Segundo movimento 
Ocorrer a ruptura do ensino de graduação em saúde pautado em 
procedimentos técnicos e de evolução dos quadros clínicos. 
A "educação em ato" ocorre através de práticas cuidadoras, com inovação e 
centrada no diálogo com o usuário e equipe buscando criar os nexos 
necessários entre saúde, educação e trabalho. 
O fato é que dentro do sistema humanizado a comunicação funciona como um 
insumo de saúde e deve permear todas as relações. 
A inclusão de propostas que priorizem uma formação mais dinamizadora que 
potencialize a criatividade humana, reflete nos futuros profissionais. Nos 
processos de formação educacional as experiências de ação-reflexão permitem 
essa formação humanista, principalmente nas 14 profissões em saúde 
definidas pela Resolução 287/98 CNS em 08/10/1998. 
A inclusão do eixo Educação PNH nos conteúdos e nos componentes 
curriculares de cursos de graduação, pós-graduação e extensão em saúde, 
vinculando-se às instituições de formação da área da saúde deve ser uma 
prioridade. 
O modelo ideal de educação em saúde traz consigo os traços da pedagogia de 
Paulo Freire. Um modelo que se caracteriza pelo bi-direcionamento das partes 
envolvidas no processo educativo, em que os saberes devem ser respeitados e 
não sobrepostos. O profissional de saúde e a comunidade devem criar elos e 
vínculos e formas educativas tradicionais de cunho impositivo devem ser 
substituídas por modelos de valorização do saber e de participação ativa dos 
usuários. 
A presença da empatia nas relações de cuidado é fundamental. Dito isso, é 
preciso reconhecer que o processo empático deve ser mútuo. Os profissionais 
de saúde também precisam de reconhecimento e cuido. O processo de cuidar 
de quem cuida, que não se estabelece sem respeito aos conhecimentos do 
outro. Nesse sentido é importante reconhecer que as práticas pedagógicas de 
Paulo Freire são as mais adequadas para a construção de uma participação 
ativa dos envolvidos no processo de cuidado. 
Interessante observar o quadro de Marcelo José Souza e Silva (2015): 
Fonte: SILVA, 2015 
 
O autor indica as abordagens da educação em saúde e elenca que elas podem 
ser: educativa, preventiva, radical e pessoal. Faz uma analogia que como cada 
uma delas impacta em cada ação. Observe que quando se tem um objetivo a 
abordagem muda de acordo com a forma comunicativa de agir. O profissional 
consegue escolher a forma melhor de agir comunicativamente quando 
compreende o que precisa atingir com essa prática. 
 
 
Exemplo 
Vamos avaliar a estratégia, por exemplo: quando a 
atitude comunicacional é educativa é preciso 
compartilhar e explorar crenças e valores, para que se 
consiga atingir o objetivo. Um exemplo clássico dessa 
prática é a saúde do indígena. Como fazê-los aderir a 
novas práticas de cuidados sem respeitar suas 
crenças e práticas de curandeirismo e uso de ervas? 
Como negar os rituais de cura que fazem parte de sua 
cultura? 
 
Ainda sobre estratégia quando a atitude comunicacional é preventiva é preciso 
estimular o desenvolvimento de comportamentos saudáveis dos usuários, e 
práticas de cuidados para evitar doenças. 
Quando a abordagem é radical é preciso lutar por mudanças políticas e 
estruturais que privilegiem o cuidado com a saúde. É preciso cobrar do poder 
público a implementação efetiva de práticas estabelecidas na criação do 
sistema, como por exemplo a cobertura 100% da estratégia de saúde da 
família, que deveria ser hojea principal porta de entrada do sistema. 
O impacto pessoal que se tem com essa prática é a aquisição da destreza para 
o cuidado com a própria vida, que é o bem maior do ser humano. 
Compreendem como é importante que essas abordagens teóricas sejam 
acopladas à espinha dorsal dos cursos de saúde. 
Não se pode acreditar que essas habilidades sejam inerentes aos seres 
humanos. Elas precisam ser aprendidas, reconhecidas, e apresentadas aos 
profissionais. Em seus bancos acadêmicos, em suas especializações, em 
cursos capacitatórios e reciclagens profissionais. 
Defendemos isso porque entendemos que algumas atitudes por sem 
aprendidas com a prática educacional adequada. Essas atitudes quando 
despertadas fazem com o indivíduo transforme suas práticas diárias de 
assistência e não entendemos como isso se dá fora do processo educacional. 
Observe o quadro abaixo: 
 
Fonte: Elaborado pelo autor 
 
Mas você deve estar se perguntando: Atitudes devem fazer parte do indivíduo 
que atua no sistema de assistência? É fundamental destacar que em muitos 
casos o profissional precisa ser apresentado à essas atitudes. Os mentores e 
educadores devem em seu processo de ensino salientar e despertar no outro a 
atenção para a importância de alguns aspectos que podem passar 
despercebido por ele. 
O quadro acima destaca algumas das atitudes que podem significar uma 
melhor assistência para o enfermo. Como despertar hábitos sanitários de 
cuidados se o cuidador desconhece por exemplo o contexto de vida do 
paciente. 
 
Exemplo 
Um exemplo dessa necessidade é que precisamos 
reconhecer que vivem em um país de desigualdades 
sociais e existem pessoas que não vivem em 
condições de sanitárias adequadas. Algumas não 
possuem banheiro em casa. Como despertar hábitos 
de higiene necessários para a proteção sem uma 
estrutura adequada? 
 
 
Alguns aspectos da condição de vida do paciente interferem na atenção 
integral a ele. Sem envolvimento e empatia, sem atitude de curiosidade e sem 
vínculo o cuidado se torna superficial. 
As práticas pedagógicas adequadas podem despertar no acadêmico um olhar 
mais sensível para esses aspectos. Como ser o profissional um agente 
educador que não foi adequadamente educado? 
Outra questão que é fundamental e que já tratamos nas aulas anteriores, se 
refere às mudanças que a saúde enfrenta. Novas enfermidades, novas 
tecnologias, novas formas de assistir, surgem a cada dia. O profissional que 
atua na área da saúde depende de atualização constante. 
Mas para que isso aconteça é fundamental que políticas públicas de educação 
em saúde sejam preconizadas. 
Observe o quadro abaixo que destacamos os objetivos, a importância e os 
desafio que os profissionais enfrentam para implementar política de educação 
em saúde: 
 
Fonte: Elaborado pelo autor 
O envolvimento com a elaboração de políticas públicas que que consolidem os 
princípios do SUS no sistema educacional de ensino é um compromisso do 
Estado Brasileiro e deve ser prioridade nas pautas de discussão. 
Além de ampliar o conhecimento científico o modo de pensar e agir dos 
usuários transforma o sistema e oferta melhorias e quanto antes os 
profissionais estiveram familiarizados com essa prática, mais ela funcionará. 
Essa é a base do PNH. 
Mas o país enfrenta desafios e o principal deles é formar novos profissionais 
que realmente compreendam o funcionamento do SUS e o defendam em sua 
amplitude, que estes profissionais se empenhem em melhorar e aperfeiçoar as 
práticas e que os profissionais na ativa se reciclem e se insiram nas formações 
que privilegiem a humanização. 
Vídeo 
Acesse o material digital para assistir ao vídeo. 
Verificando o aprendizado 
1) Leia a frase a seguir sobre o modelo de ensino Flexneriano e após indiquei a 
correlação correta dos entre termos e conceitos, assinalando a sequência que 
a representa entre as alternativas. 
 
”(…) com o modelo flexneriano a medicina científica se institucionalizou, ligou o 
grande capital, a corporação médica e as universidades e trouxe mudança no 
objeto nos propósitos, nos recursos e nos agentes da medicina, levando à 
configuração de um marco conceitual, que passa a referenciar a prática e a 
educação médicas (MENDES, 1986,p. 540)". 
 
Termos 
1. Biologismo 
2. Individualismo 
3. Tecnificação 
4. Prática curativa 
 
Conceitos 
A. Imputa ao indivíduo a responsabilidade pela sua própria doença 
B. Reconhecimento da natureza biológica das doenças e de suas causas e 
consequências 
C. prestigia a cura ao invés do reconhecimento da causa 
D. engenharia biomédica [que] cria uma nova forma de mediação entre o 
homem e as doenças, os milagres da medicina tecnológica 
a) 1B, 2A, 3D, 4C 
 
b) 1A, 2B, 3D, 4C 
 
c) 1C, 2B, 3A, 4D 
 
d) 1D, 2A, 3C, 4B 
 
e) 1C, 2D, 3A, 4B 
2) O modelo ideal de educação em saúde traz consigo os traços da pedagogia 
de Paulo Freire. Sobre o modelo pedagógico ideal para os dias atuais e para 
consolidar a prática de ensino/informações sobre PNH podemos é correto 
afirmar que: 
a) Deve ser um modelo que se caracteriza pelo bi-direcionamento das 
partes envolvidas no processo educativo, em que os saberes devem ser 
respeitados e não sobrepostos. 
 
b) Deve ser pautado no aprendizado prático em que o aluno aprende 
fazendo. 
 
c) Deve excluir ensinamentos de educação em saúde porque esses 
ensinamentos se aprende no exercício diário da profissão. 
 
d) Deve ser verticalizado e impositivo, só se consegue proteger e cuidar da 
saúde dos indivíduos com a culpabilização que o faz ser responsável por 
sua melhora. 
 
e) Nenhumas das alternativas condiz com o modelo a ser aplicado. 
 
 
 
3) A primeira grande iniciativa para a mudança dos sistemas de saúde mundial 
para uma prática mais preventiva e promocional foi: 
a) A Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde 
realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Alma-Ata. 
 
b) A Constituição Federal do Brasil de 1988. 
 
c) O relatório de Lalonde. 
 
d) A conferência de Ottawa. 
 
e) A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. 
 
Módulo 2 
2.0 Gestão humanizada 
2.1 Um novo paradigma 
A PNH preconiza a transversalidade na construção de redes cooperativas, 
solidárias e comprometidas com a produção de saúde, estimulando o 
protagonismo e a co-responsabilidade de sujeitos e coletivos, dos profissionais 
e dos gestores mas isso só se aplica se existir uma Gestão Humanizada. 
A gestão humanizada tem seus elementos originados a partir de teorias da 
administração e da psicologia comportamental, mas vamos entender esse 
conceito. 
 
Segundo Silva (2006) a gestão humanizada é um novo paradigma 
organizacional que tem o intuito de propor uma mudança do perfil do gestor em 
substituição ao estilo autocrático para se tornar um líder e poder captar e 
desenvolver a capacidade criativa e os talentos que a organização dispõe. 
 
 
Vergara e Branco (1995) descrevem que as competências gerenciais de 
habilidades técnicas, humanas e conceituais foram direcionadas para o 
desenvolvimento de atitudes, valores e visões de mundo, afim de permitir aos 
gestores apreender e lidar com uma grande variedade de forças dentro e fora 
das empresas. 
 
 
Carvalho (1995) ressalta que na gestão humanizada, a competência se volta 
para a visão humanística, e faz com que o gestor passe a ter uma 
compreensão maior da natureza e das motivações humanas, bem como da 
influência do ambiente social externo à organização sobre o comportamento 
das pessoas (Carvalho, 1995). 
 
 
Rocha (2011) diz que a gestão humanizada é um conjunto de tarefas que 
procura garantir a afetação eficaz de todos os recursos disponibilizados pela 
organização, afim de serem atingidos os objetivos pré-determinados. Cabe à 
gestão a otimização do funcionamento das organizações através da tomada de 
decisões racionais e fundamentadas na escolha e tratamento de dados e 
informação relevante e, por essa via, contribuir para o seu desenvolvimento e 
para a satisfação dosinteresses de todos os seus colaboradores e 
proprietários e para a satisfação de necessidades da sociedade em geral ou de 
um grupo em particular. 
 
A base da gestão humanizada é relação interpessoal. O que transforma e traz 
bons resultados é a ação da liderança gestora, a formação de equipes e o 
comprometimento de todos os envolvidos nos processos internos e externos 
organizacionais, o objetivo é a busca por melhores resultados e pelo bem 
comum. 
2.2 Pilares da gestão humanizada 
A gestão humanizada tem como pilares: 
 
• O propósito maior 
• A interação com os stakeholders 
• Cultura consciente 
• Liderança consciente/ Inteligências 
 
Vamos compreender todos esses aspectos! 
2.2.1 O propósito Maior 
O propósito maior é que diferença a empresa com gestão humanizada quer 
causar no mundo. Para que isso aconteça estabelecer e direcionar as 
estratégias são atitudes fundamentais. Quando isso acontece o público externo 
reconhece o empenho o que gera reputação para a empresa/instituição e fica 
cada vez mais sólida e consolidada a estrutura e a realidade interna que é a 
cultura organizacional. Mas como essa gestão funciona? 
2.2.2 A interação com os stakeholders 
A base de tudo é a integração de stakeholders. Mas o que é isso? 
Stakeholders significa público estratégico e descreve todas as pessoas ou 
"grupo de interesse" que são impactados pelas ações de um empreendimento, 
projeto, empresa ou negócio. Observe a figura abaixo: 
 
Quando existe a integração de stakeholders as empresas/instituições 
conscientes reconhecem que todos os stakeholders os internos, os externos se 
relacionam com ela de maneira intimista até. Entender como eles se 
relacionam e que contribuição podem dar para que o negócio da empresa ou 
instituição possa alcançar sua finalidade com mais potencial é de suma 
importância para concretizar ideias e planos. A participação ativa desses 
públicos torna o ambiente mais saudável e mais vibrante e quando há uma 
sintonia com o propósito a reputação institucional fica mais sólida e o alcance 
de metas é mais assertivo. 
Assim sendo, o fortalecimento do propósito cria internamente uma cultura 
consciente. 
2.2.3 Cultura consciente 
“A cultura consciente corresponde à incorporação dos valores, princípios e 
práticas subjacentes ao tecido social de uma empresa, conectando 
stakeholders e estes com o seu propósito, as pessoas e os processos” 
segundo Sisodia, Henry e Eckschmidt (2018). 
Saussen e Baggio (2021) em artigo recente destacam as qualidades que a 
cultura consciente tem que solidificam a gestão humanizada. 
Veja na figura abaixo: 
Confiança 
Empresas humanizadas desfrutam de altos níveis de 
confiança interna – entre liderança e equipe na linha 
de frente, e liderança e equipes diversas – e externa – 
organização e clientes, fornecedores, parceiros, 
comunidades, investidores e governo 
Autenticidade 
Consiste em se apropriar do propósito, habilidades e 
valores culturais da organização, transformando-os em 
estratégias, práticas e recursos inovadores, que 
podem se tornar uma vantagem competitiva e 
valorativa em longo prazo e para todos 
Cuidado 
Empresas humanizadas adotam atitudes de cuidado, 
atenção, gentileza, respeito e compaixão com seus 
stakeholders, tratando-os como família e, em 
retribuição, estes cultivam uma preocupação genuína 
com estas empresas 
Transparência 
Líderes de empresas humanizadas compartilham mais 
informações com sua equipe do que outras empresas, 
reconhecendo que esta postura contribui para o 
desenvolvimento da confiança entre todos e o 
consequente aumento da produtividade 
Integridade 
Por meio da cultura consciente, as organizações 
comprometem-se em externar a verdade e costumam 
orientar-se pelo que julgam eticamente correto, não 99 
apenas pelo que é exigido pelo sistema legal ou 
socialmente aceitável 
Aprendizado 
Empresas humanizadas transmitem diariamente seu 
propósito às equipes, e investem nas habilidades e no 
desenvolvimento, por meio de treinamentos, palestras 
e incentivos em cursos, contribuindo para a 
produtividade e desempenho 
Empoderamento 
Ênfase na prestação de contas com altos níveis de 
autonomia e autogestão, somados à flexibilidade e 
liberdade nas tomadas de decisões e na condução 
dos processos organizacionais, em que todos são 
responsáveis e comprometidos. 
 
Fonte: Elaboração própria Saussen e Baggio (2021). 
2.2.4 Liderança consciente 
Já a liderança consciente inclina-se à liderança servidora, integridade sólida e 
grande capacidade de cuidar e amar, com um olhar humano, empático e 
altruísta. Para que um gestor tenha condições de desenvolver uma gestão 
humanizada é preciso que ele tenha: 
 
 
 
DIMENSÕES PARA A 
GESTÃO HUMANIZADA HABILIDADES DO GESTOR 
Competência Técnica 
Capacidade de comunicar ideais 
Capacidade de trabalhar com equipes 
Capacidade de formar substitutos 
Capacidade de resolver conflitos 
Competência Humana 
Práticas de valorização do ser humano 
Relacionamento interpessoal Capacidade de 
estimular pessoas Empatia 
Competência Conceitual 
Capacidade de pensar estrategicamente 
Capacidade reflexiva 
Capacidade empreendedora 
Visão Sistêmica 
Fonte: adaptado Silva (2006) 
 
O autor divide as competências que o gestor precisa ter para conseguir realizar 
a gestão humanizada. Identifica que é necessário competência técnica, 
competência humana e competência conceitual. Quando distingue as 
capacidades que precisa para desenvolver cada competência inclui a 
comunicação, a capacidade de trabalhar em equipe e de formar pessoas que 
possam substituir seu trabalho e a habilidade de resolver conflitos essas 
características unidas e usadas da forma adequada fazem com que o gestor 
tenha êxitos. 
Mas só elas não são suficientes, porque estamos falando de gestão consciente 
então ressalta também a necessidade de incluir a competência humana que irá 
fazer com que o gestor valorize o ser humano e o relacionamento interpessoal. 
O gestor também será capaz de despertar empatia com a equipe. 
Isso fica completo quando se une aos conceitos institucionais que alinha o 
pensamento à estratégia sempre com visão sistêmica, capacidade 
empreendedora e reflexiva. 
Quando trazemos essa dinâmica de competências para o sistema de 
humanização do SUS o ganho é real e social. 
2.3 Programas e estratégias que promovem a 
humanização 
Temos que compreender que o próprio SUS foi criado com base da 
humanização da assistência e como vimos nas aulas anteriores alguns 
programas foram criados para garantir que essa humanização se 
estabelecesse nos espaços de trabalho. O PNAH Programa Nacional de 
Humanização da Assistência Hospitalar que foi criado para melhorar o 
atendimento dentro dos hospitais e que posteriormente se transformou em uma 
política que é a PNH a Política Nacional de Humanização. Todas essas 
iniciativas porque compreendemos que as necessidades dos processos e das 
equipes, se atendidas geram maior efetividade nas relações entre profissionais 
e pacientes. 
Observe o quadro abaixo criado com as estratégias que auxiliam a 
implementação da PNH: 
Quadro X 
 
Fonte: Elaboração própria 
Essas estratégias de envolvimento e gestão são permeadas de comunicação. 
O que chama atenção é a proposta de envolver grupos diversos na contrução 
dos processos adequados. A valorização dos saberes, a união de profissionais 
de formações diversas, a criação de equipes transdisciplinares que se 
comprometem com a essência do SUS e auxiliam no aproveitamento da 
inteligência coletiva, todas essas ações são primordiais para que os frutos da 
humanização efetiva seja colhidos. 
Outra estratégia que merece destaque é a realização de pesquisas para 
compreender a satisfação dos usuários e dos trabalhadores o que favorece a 
construção de alternativas com base nas dificuldades apontadas. 
Os grupos de trabalho que são constituídos por lideranças e representantes 
também auxiliam nesse processo. 
O que é salutar destacar é que a implementaçãodas políticas de humanização 
ainda não são uma realidade para o SUS. É um processo de avanços e 
retrocessos e alguns pontos devem ser observados e destacados para que 
sirvam de alerta sobre as necessidades que ainda existem para humanizar o 
sistema. 
No âmbito da atuação da gestão os profissionais ainda enfrentam a 
inexistência de dispositivos de fomento à cogestão a a inclusão de gestores no 
processo de participação compartilhada. Muitos relatos de gestão verticalizada 
ainda existem. A má remuneração, a falta de políticas remuneratórias e a 
ausência de planos de ascensão de carreira também dificultam o processo. 
Sobre o usuário enquanto autônomo, protagonista, corresponsável ainda 
carece atenção e cuidado. Muitos modos de atenção ainda carregam as 
heranças do cuidado fracionado e mecanicista. Muitas práticas ainda são 
autoritárias e pouco envolventes para os sujeitos envolvidos. 
A cultura organizacional é fraca e o a falta de vínculo dos profissionais 
compromete a chegada e a permanência no sistema. As filas e a falta de 
investimento em sistemas de tecnologia da informação capazes de organizar 
essa assistência também devem ser levadas em consideração. A tecnologia 
também deve ser empregada para aumentar a efetividade dos processos 
diagnósticos e terapêuticos. 
O maior desafio na verdade é o envolvimento na implantação efetiva da 
política, de todos os envolvidos. É preciso publicizar e robustecer a divulgação 
das práticas que funcionam no SUS. 
Ampliar a rede de troca de informações e replicar práticas exitosas. 
A humanização em saúde precisa encontrar um equilíbrio do cenário 
econômico e social. Os saberes técnicos precisam estar respaldados da 
valorização dos profissionais. O usuário merece mais reconhecimento e 
respeito. O que se espera é que além de uma lei ou política a humanização 
volte a ser valor ético do cidadão. 
 
Vídeo 
Acesse o material digital para assistir ao vídeo. 
Verificando o aprendizado 
1) Observe as alternativas abaixo a assinale aquela que condiz com o seguinte 
conceito: “A competência se volta para a visão humanística, e faz com que o 
gestor passe a ter uma compreensão maior da natureza e das motivações 
humanas, bem como da influência do ambiente social externo à organização 
sobre o comportamento das pessoas." 
a) HumanizaSUS. 
b) Política Nacional de Humanização. 
c) Liderança consciente. 
d) Gestão por competencia. 
e) Gestão Humanizada. 
2) Ao lermos sobre liderança consciente no sito Capitalismo Consciente 
observamos as seguintes informações: "De acordo com o relatório Edelman 
Trust Barometer do ano passado, 64% das pessoas de diversos países 
esperam que os CEOs liderem as transformações sociais em vez de aguardar 
por intervenções governamentais. Paralelamente, 84% desejam que os CEOs 
participem ativamente de debates sobre políticas em questões sociais” (2021). 
Assim sendo, relacione as qualidades da liderança consciente aos conceitos e 
marque a alternativa correta: 
 
Qualidades 
 
1. Autenticidade 
2. Transparência 
3. Integridade 
4. Confiança 
 
Conceitos 
 
A. Líderes de empresas humanizadas compartilham mais informações com sua 
equipe do que outras empresas, reconhecendo que esta postura contribui para 
o desenvolvimento da confiança entre todos e o consequente aumento da 
produtividade 
 
B. Consiste em se apropriar do propósito, habilidades e valores culturais da 
organização, transformando-os em estratégias, práticas e recursos inovadores, 
que podem se tornar uma vantagem competitiva e valorativa em longo prazo e 
para todos 
 
C. Por meio da cultura consciente, as organizações comprometem-se em 
externar a verdade e costumam orientar-se pelo que julgam eticamente correto, 
não apenas pelo que é exigido pelo sistema legal ou socialmente aceitável 
D. Empresas humanizadas desfrutam de altos níveis de confiança interna – 
entre liderança e equipe na linha de frente, e liderança e equipes diversas – e 
externa – organização e clientes, fornecedores, parceiros, comunidades, 
investidores e governo. 
a) 1D, 2A, 3C, 4B 
b) 1B, 2A, 3C, 4D 
c) 1A, 2B, 3C, 4D 
d) 1D, 2A, 3D, 4B 
e) 1C, 2A, 3B, 4D 
3) As instituições com um todo relacionam-se a todo o momento com o mundo 
interno e o mundo externo a ela. Assim sendo o conceito "Público estratégico e 
descreve todas as pessoas ou 'grupo de interesse' que são impactados pelas 
ações de um empreendimento, projeto, empresa ou negócio” é de(a): 
a) Stakeholders 
b) Humanização 
c) Liderança consciente 
d) Transparência 
e) Gestão Humanizada 
Módulo 3 
3.0 Direito do usuário de saúde 
3.1 Saúde como direito 
O direito social à saúde, e o seu acesso, é um direito de todos e dever do 
Estado, que deve garanti-lo mediante políticas sociais e econômicas e pela 
oferta de serviços públicos que visem à redução do risco de doenças e outros 
agravos. 
OEstá garantido no art. 6º da constituição Federal de 1988; “São direitos 
sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o 
transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade 
e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição” 
(BRASIL, 1988). A inclusão da saúde como um direito social estabeleceu para 
ela princípios e diretrizes de ordem social. 
Os direitos sociais pertencem aos denominados direitos de segunda 
geração/dimensão, ligados diretamente à igualdade material. Exigem 
prestações concretas do Estado e envolvem custos. A implementação ocorre 
por meio das políticas públicas e são de responsabilidade do Poder Executivo e 
do Poder Legislativo. Quando esse direto não é ofertado por omissão, é 
possível a judicialização. 
3.2 Mínimo existencial 
Ingo Wolfgang Sarlet, é um grande jurista brasileiro e destinou o seu trabalho a 
estudar os direitos fundamentais com base no principio do mínimo existencial 
proveniente da doutrina alemã do finado séc XX. De acordo com o jurista o 
mínimo existencial é o conjunto de direitos básicos para uma vida digna. 
Mas o que seria ter uma vida digna? Vamos parar para pensar sobre isto. Ter 
uma vida digna é ter minimamente uma casa para se morar, uma escola para 
se educar, uma alimentação adequada, lazer, cultura, um trabalho não 
exploratório, a garantia de liberdade e de expressão e obviamente SAÚDE. 
Os princípios são fontes de direito e são através dele que é possível cobrar do 
estado a garantia de direitos, principalmente os fundamentais como a saúde. 
Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) indica os 
princípios geram a imposição de uma obrigação prestacional ao estado de 
materialização dos direitos fundamentais tangentes ao mínimo existencial, 
apontando que: 
 
Visão de Gilmar Mendes 
A moderna dogmática dos direitos fundamentais discute a possibilidade de o 
estado vir a ser obrigado a criar os pressupostos fáticos necessários ao 
exercício efetivo dos direitos constitucionalmente assegurados e sobre a 
possibilidade de eventual titular do direito dispor de pretensão a prestações por 
parte do Estado. (MENDES, 1993. p. 28.). 
 
3.3 Judicialização da saúde 
Judicialização é o ato ou efeito de judicializar. Judicializar é dar caráter judicial 
ou recorrer à justiça para resolver um problema. (DICIONÁRIO PRIBERAM, 
2008) 
 
 
 
 
 
Saiba mais 
Vamos explicar esse processo! 
 
 
 
 
Segundo Figueiredo (2018) o direito à saúde possui características de direito 
subjetivo público, pois além de ser um dever do Estado implementar ações que 
diminuam os riscos de doença e, também, propiciar o acesso universal, a 
Constituição enumera-o como um direito de todos, como explica a autora 
“Sendo um direito subjetivo, passa a ser oponível por via judicial, possibilitando 
a exigência de medicamentos, cirurgias etc. Também é possível adotar 
medidas visando à abstenção de ações estatais que prejudiquem a saúde 
individual ou coletiva” (FIGUEIREDO, 2018). 
3.3.1 Princípio da reserva do possível x direito a 
saúde 
Vamos a um caso concreto! 
 
 
ExemploNo mês de março de 2021, quando a Justiça Federal 
de Minas Gerais negou o medicamento (Zolgensma) a 
uma criança, de um ano e oito meses. O medicamento 
custava 12 milhões de reais e é considerado um dos 
mais caros do mundo. A negativa se deu com base na 
justificativa de que retirar do orçamento do SUS esta 
importância, que corresponde a manutenção anual de 
um número expressivo de postos de saúde, 
prejudicaria uma parcela grandiosa da população em 
detrimento da saúde de uma pessoa. A vida humana 
importa, e muito, mas é preciso pensar na reserva do 
possível. 
O argumento aqui apresentado versa sobre o Princípio 
da Reserva do Possível. Este está correlacionado à 
judicialização da saúde, de forma bem direta, uma vez 
que, teoricamente deveria representar a vontade da 
maioria em detrimento da minoria por força 
orçamentária estatal, é o Princípio da Reserva do 
Possível – fundamentado no artigo 167 da presente 
carta constituinte brasileira –, que, segundo o artigo 
mencionado, “regula a possibilidade e a extensão da 
atuação estatal no que se refere à efetivação de 
alguns direitos sociais e fundamentais, [...] 
condicionando a prestação do Estado à existência de 
recursos públicos disponíveis.” 
 
 
 
 
Veja o argumento do magistrado no caso aqui apresentado: 
“O Juízo não desconhece a ansiedade dos pais, familiares e médicos da 
criança portadora de moléstia tão cruel. No entanto, a pretensão deduzida 
neste feito importa em retirar do orçamento do Sistema Único de Saúde a 
importância ao redor de R$ 12 milhões. Essa importância corresponde à 
manutenção anual de um número expressivo de postos de saúde, único 
recurso à disposição da população carente, sem acesso a planos de saúde, aí 
incluídas crianças, com moléstias diversas”, frisou. 
Fonte: Metropoles.com, 2021 
 
Assim sendo, sob este prisma quando o estado tem limitações ao investir nas 
condições sociais como saúde chamamos de reserva do possível. O Estado 
possui uma verba orçamentária e precisa dividir entre as áreas, educação, 
segurança e outras, não pode destinar todos os recursos para uma área 
específica porque isso pode causar um desequilíbrio financeiro. A verba 
precisa ser dividida de forma a atender a coletividade, mas muitas pessoas, 
com enfermidades que necessitam do uso de medicamentos de alto custo, por 
exemplo acionam a justiça para conseguir o medicamento. 
 
 
 
Atenção 
Mas, atenção! Já ouviu falar que tudo no Direito 
“depende"? No mesmo ano, no mês de setembro, a 
Justiça Federal de Pernambuco, determinou que a 
União comprasse o medicamento acima citado para 
outra criança e no caso em questão utilizou-se do 
argumento que o direito a saúde era mais importante 
do que a reserva do possível. 
 
 
 
Acontece que quando temos dois direitos em conflito, principalmente direitos ou 
princípios tão importantes como a saúde e o orçamento público o jurista Robert 
Alexy nos ensina que o caso em concreto deverá ser analisado e sob uma ótica 
de “balança" a Teoria do Sopesamento traria o magistrado que julga a situação 
fática a melhor solução para o conflito. 
Mas o que os Tribunais superiores tem decidido sobre a disponibilidade de 
tratamentos de auto custo? Como dito deverá ser analisado caso o caso, 
porém o Ministro Marco Aurélio do STF no ano de 2020 apresentou aos 
colegas a necessidade de se determinar certos parâmetros de análise. 
 
 
 
 
 
 
Saiba mais 
Vejamos: 
 
Tabela 1 - Elaboração própria. 
 
O Estado não pode ser obrigado a fornecer 
medicamentos experimentais. 
A ausência de registro na Anvisa impede, como 
regra geral, o fornecimento de medicamento por 
decisão judicial. 
É possível, excepcionalmente, a concessão judicial 
de medicamento sem registro sanitário, em caso de 
mora irrazoável da Anvisa em apreciar o pedido 
(prazo superior ao previsto na Lei 13.411/2016), 
quando preenchidos três requisitos: I – a existência 
de pedido de registro do medicamento no Brasil, 
salvo no caso de medicamentos órfãos para doenças 
raras e ultrarraras; II – A existência de registro do 
medicamento em renomadas agências de regulação 
no exterior; III – a inexistência de substituto 
terapêutico com registro no Brasil. 
As ações que demandem o fornecimento de 
medicamentos sem registro na Anvisa deverão ser 
necessariamente propostas em face da União. 
 
 
Não achem que a sugestão foi aceita de pronto! O ministro Luíz Roberto 
Barroso foi contra o colega e alegou que: 
“(…) o sistema de saúde não suportaria um modelo em que todos os remédios, 
independentemente, do seu custo e impacto financeiro devessem ser 
fornecidos pelo Estado a todas as pessoas. Portanto, a melhor forma seria 
racionalizar a judicialização da saúde, buscando a opinião de órgãos técnicos 
responsável pela dispensação de medicamentos. (Supremo Tribunal Federal. 
RE 566471/RN). Dever do Estado de fornecer medicamento de alto custo a 
portador de doença grave que não possui condições financeiras para comprá-
lo”. 
Relator: MIN. MARCO AURÉLIO. Data de publicação: 01/09/2020) 
Como vimos não há de se falar em consenso e assim seguimos analisando e 
julgando caso a caso. 
3.4 Carta dos direitos dos usuários da saúde 
O Conselho Nacional de Saúde (CNS) em sua 198ª Reunião Ordinária, 
realizada no dia 17 de junho de 2009 aprovou a Carta dos Direitos dos 
Usuários da Saúde. É um instrumento elaborado para que o cidadão brasileiro 
conheça seus direitos e possa ajudar o Brasil a ter um sistema de saúde com 
muito mais qualidade. 
O documento foi elaborado de acordo com seis princípios basilares que, juntos, 
asseguram ao cidadão o direito básico ao ingresso digno nos sistemas de 
saúde. A carta foi elaborada baseada em 6 princípios que vamos observar no 
quadro abaixo: 
 
Fonte: Elaboração própria 
A carta defende no primeiro princípio a acessibilidade ao sistema priorizando o 
que a atenção básica defende que é a promoção de saúde e a prevenção de 
agravos. 
O segundo princípio defende a humanização da assistência e o cuidado 
integral. 
O terceiro reforça a importância da humanização no aspecto de estrutura física 
e profissionais qualificados. 
O quarto princípio defende o respeito aos valores e a cultura dos usuários e 
sua relação com sua saúde. 
O quinto chama a responsabilidade do usuário com a continuidade de seu 
tratamento, garantido pelo SUS. 
O sexto diz respeito ao direito à informação e como essa informação colabora 
para que a saúde seja reestabelecida e garantida. 
Para o Conselho Nacional de Saúde é importante que todos se apossem do 
conteúdo da Carta. O material foi elaborado com uma linguagem acessível e, 
assim, permitir o debate e apropriação dos direitos e deveres nela contidos por 
parte dos gestores, trabalhadores e usuários do SUS, garantida pela Portaria 
nº 1.820, de 13 de agosto de 2009, publicada no Diário Oficial da União nº 
155, de 14 de agosto de 2009, que dispõe sobre os direitos e deveres dos 
usuários da saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para entender melhor a carta vamos entender que ligações ela tem: 
 
 
Fonte: Adaptado de Passei Direto (2021) disponível em 
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-
usuarios-do-sus 
A carta de direitos dos usuários estabelece princípios e diretrizes e a igualdade, 
universalidade, equidade, igualdade e integralidade, preserva a autuonomia e 
dá ao usuário o direto à informação de forma clara, integra as açoes de saúde 
e ofera a capacidade de resolução dos serviços por conta da organização, 
consegue isso por meio dos organizadores, da descentralização do comando, 
da participação popular e da regionalização. 
 
 
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus
A carta de direitos dos usuários do sus posssui seis princípios básicos como 
podemos ver na figura abaixo: 
 
Fonte: Adaptado de Passei Direto (2021) disponívelem 
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-
usuarios-do-sus 
Observe que os princípios são: 
1. todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos sistemas 
de saúde; 
2. todo cidadão tem direito ao tratamento adequado e efefetivo para o seu 
problema; 
3. todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre 
de qualquer discriminação; 
4. todo cidadão tem o direito a atendimento que respeite a sua pessoa, 
seus valores e sues direitos; 
5. todo cidadão também tem responsabilidades para que seu tratamento 
aconteça de forma adequada; 
6. todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde 
para que os principios anteriores sejam cumpridos. 
 
 
 
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus
A carta também defende além dos direitos, o acolhimento e o ambiente como 
podemos obeservar na figura abaixo: 
 
Fonte: Adaptado de Passei Direto (2021) disponível em 
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-
usuarios-do-sus 
Observe que a figura apresenta três áreas contempladas como um direito que 
são a defesa do direito que consiste na igualdade da assistência, sem 
preconceito ou privilégios dando ao paciente a possibilidade de aceitar ou 
recusar a assistência. Menciona o acolhimento que precisa ser humanizado e 
baseado na confiança e na entrega de informações claras e objetivas em um 
bom ambiente de cuidados e o destaque para o ambiente que também deve 
respeitar a privacidade e ofertar os aportes tecnológicos para a assistência. 
 
A carta destaca a importância da conquista cidadã de participação na gestão e 
no cuidado. Veja a figura: 
 
Fonte: Adaptado de Passei Direto (2021) disponível em 
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-
usuarios-do-sus 
A carta pressupõe a gestão participativa que inclui a participaçãod dos usuários 
nos processos estimulando a co-responsabilidade e o o fazer e pensar coletivo 
para que as mudanças aconteçam. E a valorização do profissional que precisa 
ter vos nas decisões e respeito nas relações de trabalho. A contemplação dos 
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus
https://www.passeidireto.com/arquivo/80685217/mapa-carta-de-direito-dos-usuarios-do-sus
direitos estabelecidos em um instrumento de garantia que contempla toda 
essência do SUS. 
Vídeo 
Acesse o material digital para assistir ao vídeo. 
Verificando o aprendizado 
1) A partir do conhecimento prévio sobre a Carta de Direitos dos Usuários do 
SUS, observe os itens abaixo. 
 
• Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos 
sistemas de saúde; 
 
• Todo cidadão tem direito ao tratamento adequado e efetivo para o seu 
problema; 
 
• Todo cidadão tem direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre 
de qualquer discriminação; 
 
• Todo cidadão tem o direito a atendimento que respeite a sua pessoa, 
seus valores e sues direitos; todo cidadão também tem 
responsabilidades para que seu tratamento aconteça de forma 
adequada; 
 
• Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores da saúde 
para que os princípios anteriores sejam cumpridos. 
 
 
Estes estão ligados a (os): 
a) Princípios básicos de cidadania. 
b) Acolhimento. 
c) Ambiente. 
d) Valorização do profissional. 
e) Gestão participativa. 
2) O Estado possui uma verba orçamentária e precisa dividir entre as áreas, 
educação, segurança e outras, não pode destinar todos os recursos para uma 
área específica porque isso pode causar um desequilíbrio financeiro. A verba 
precisa ser dividida de forma a atender a coletividade, mas muitas pessoas, 
com enfermidades que necessitam do uso de medicamentos de alto custo, por 
exemplo acionam a justiça para conseguir o medicamento. 
Esse é o conceito de: 
a) Carta de direitos do SUS. 
b) Princípio de cidadania. 
c) Acolhimento. 
d) Reserva do possível. 
e) Financiamento. 
3) Sobre os princípios contidos na carta de direito dos usuários indique o que 
está incorreto: 
a) A carta defende no primeiro princípio a acessibilidade ao sistema 
priorizando o que a atenção básica defende que é a promoção de saúde 
e a prevenção de agravos. 
 
b) O segundo princípio defende a humanização da assistência e o cuidado 
parcial ofentando assistência que tenha disponível no SUS 
exclusivamente. 
 
c) O terceiro reforça a importância da humanização no aspecto de 
estrutura física e profissionais qualificados. 
 
d) O quarto princípio defende o respeito aos valores e a cultura dos 
usuários e sua relação com sua saúde. 
 
e) O quinto chama a responsabilidade do usuário com a continuidade de 
seu tratamento, garantido pelo SUS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Módulo 4 
4.0 Humanização e saúde 
suplementar 
4.1 Saúde suplementar 
A Saúde Suplementar surgiu no país na da década de 1960. O Sistema de 
Saúde não conseguia comportar o quantitativo de pessoas que precisava de 
assistência. A saúde era de responsabilidade exclusiva do primeiro setor, mas 
com o crescimento econômico do Brasil e o avanço do trabalho formal, o 
segundo setor começou a oferecer serviços de saúde pagos e as empresas 
começaram a pagar planos de assistência médica aos colaboradores. 
A atividade só foi regulamentada em 1998, 10 anos depois da criação do SUS, 
por meio da Lei nª 9.656, que regulamenta os Planos de Saúde e as empresas 
deste ramo, que são as operadoras. A partir da criação da lei foram 
estabelecidos os principais requisitos e diretrizes para o melhor funcionamento 
deste segmento. 
Como vimos na aula anterior com as conquistas da Constituição de 1988, a 
saúde passou a ser declarada como um direito fundamental, exercido pelo SUS 
que visa garantir condição médica e hospitalar além do bem-estar de toda 
população. Mas o setor público não comparta o quantitativo de pessoas que 
dependem do sistema. 
Como é de responsabilidade do Estado prover as condições para oferta de 
saúde integral, foi necessária a participação da iniciativa privada em caráter 
complementar e suplementar para que a assistência se desse por completo. 
Em 2008, através da edição da Lei nº 9656, enfim, institucionalizou-se o setor 
suplementar (BRASIL, 1998). O Sistema de Saúde Brasileiro hoje é duplicado, 
conforme apontado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento 
Econômico (OCDE) em 2008. Então vamos entender: 
 
Fonte: ANS 2009 
 
 
 
 
Saiba mais 
 
O que é saúde suplementar? 
A saúde suplementar é o ramo da atividade que 
envolve a operação de planos e seguros privados de 
assistência médica à saúde, regulada e fiscalizada 
pela Agência Nacional de Saúde Suplementar 
(ANS), e é composta por operadoras, profissionais e 
beneficiários. A saúde suplementar engloba ações e 
serviços privados prestados por meio de planos de 
saúde. Trata-se da prestação de serviço 
exclusivamente na esfera privada. 
 
 
 
 
A saúde suplementar faz parte do subsistema privado que é dividido em dois 
subsetores a saber: 
 
Subsetores da saúde suplementar 
O subsetor saúde suplementar e o subsetor liberal clássico. O liberal clássico é 
o composto por serviços particulares autônomos, caracterizados por clientela 
própria, captada por processos informais, em que os profissionais da saúde 
estabelecem diretamente as condições de tratamento e de sua remuneração. A 
saúde suplementar é composta pelos serviços financiados pelos planos e 
seguros de saúde, sendo predominante neste subsistema. Este possui um 
financiamento privado, mas com subsídios públicos, gestão privada regulada 
pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. Os prestadores de assistência 
são privados, credenciados pelos planos e segurosde saúde ou pelas 
cooperativas médicas, serviços próprios dos planos e seguros de saúde, 
serviços conveniados ou contratados pelo subsistema público, que são 
contratados pelas empresas de planos e seguros de saúde que fazem parte de 
sua rede credenciada (BRASIL, 2007). 
 
No quadro abaixo compreendemos a diferença dos sistemas público e privados 
de atenção à saúde: 
 
Fonte: Elaboração própria 
 
 
 
 
Qual é a diferença entre saúde suplementar e saúde complementar? 
A classificação de complementar é a atuação da iniciativa privada na área da 
saúde pública. Quando supõe a existência e a limitação do sistema de saúde 
público neste caso, o sistema privado complementa a cobertura de 
determinados serviços. É um serviço feito mediante contrato de direito público 
ou convênio. O estado utiliza a rede privada, mas privilegia a compra no 
terceiro setor que possui entidades filantrópicas e sem fins lucrativos para 
comprar os serviços necessários. É, portanto, a compra de serviços para 
ofertar e suprir as lacunas que o sistema tiver. (PIETROBON, PRADO E 
CAETANO, 2008) 
A diferença é na suplementar quem paga a conta é o usuário e na 
complementar é o governo, com os impostos dos usuários. Que fique claro que 
quem financia a saúde pública é o cidadão que paga seus impostos. 
Dados divulgados em maio de 2021 pela Agência Nacional de Saúde 
Suplementar (ANS) registram que 48,1 milhões de usuários no Brasil e o 
número aumenta consideravelmente é o maior desde julho de 2016. 
4.2 Agência Nacional de Saúde Suplementar 
(ANS) 
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é uma autarquia sob 
regime especial vinculada ao Ministério da Saúde e responsável pela 
regulação, normatização, controle e fiscalização das atividades que garantam a 
assistência suplementar à saúde. Tem por finalidade institucional "promover a 
defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, regulando as 
operadoras setoriais, inclusive quanto às suas relações com prestadores e 
consumidores, contribuindo para o desenvolvimento das ações de saúde" 
(BRASIL, 2000) e tem atribuições importantes: 
 
Atribuições da ANS, segundo Lima 
A ANS desenvolve e aprimora inúmeros mecanismos para gerar informações 
relativas ao setor de saúde suplementar: a constituição de câmaras técnicas; 
consultas públicas; disque ANS e portal ANS; e o acesso através dos núcleos 
regionais. Para as ações de fiscalização, existem dois grandes blocos de 
atuações estratégicas: medidas preventivas e os regimes especiais. As 
medidas preventivas são os processos de ajuste acordados entre a ANS e as 
operadoras de planos de saúde e os planos de recuperação. Os regimes 
especiais são as direções técnicas e fiscais que são processos instaurados 
pela ANS quando as empresas descumprem os processos de ajuste e realizam 
processos de monitoramento das anormalidades administrativas (BRASIL, 
2007; LIMA, 2007). A ANS desenvolve, ainda, dois projetos para a fiscalização 
e instrumentos de transformação de comportamento do mercado de planos de 
saúde denominados "Cidadania Ativa" e "Olho Vivo" (LIMA, 2007). 
 
Vamos falar um pouco sobre os instrumentos de controle da ANS! 
A agência possui o programa de certificação de boas práticas em atenção à 
saúde foi instituído pela Resolução Normativa 440/18 Resolução Normativa 
nº 440/18. A medida visa incentivar as operadoras de planos de saúde a 
desenvolverem um cuidado cada vez mais qualificado aos seus beneficiários, 
através da implantação de redes de atenção ou linhas de cuidado certificadas 
por entidades acreditadoras reconhecidas pela Agência Nacional de Saúde 
Suplementar (ANS). 
 
Fonte: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/gestaosaude/programa-de-
certificacao-de-boas-praticas-em-atencao-a-saude-1 
4.2.1 Programas da ANS para a garantia da 
humanização 
Esses programas desenvolvidos pela ANS visam melhorias na prestação da 
assistência suplementar resguardando os direitos dos usuários e incentivando 
boas práticas relacionadas à humanização. Observe a figura abaixo: 
 
Fonte: Elaboração própria 
https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/gestaosaude/programa-de-certificacao-de-boas-praticas-em-atencao-a-saude-1
https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/gestaosaude/programa-de-certificacao-de-boas-praticas-em-atencao-a-saude-1
Vamos destacar alguns dos projetos: 
a) Projeto parto adequado 
O projeto estimula a mudança no modelo de atenção ao parto e nascimento, 
incentivando a adoção de boas práticas que valorizem o parto normal e, como 
consequência, reduzam o percentual de cesarianas desnecessárias na saúde 
suplementar. (ANS, 2021). 
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Hospital Israelita Albert 
Einstein (HIAE) e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), com o apoio 
do Ministério da Saúde, criaram o projeto com objetivo de identificar modelos 
inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, que valorizem o parto 
normal e reduzam o percentual de cesarianas sem indicação clínica na saúde 
suplementar. 
Além desse incentivo as mulheres recebem orientação quanto aos cuidados 
adequados com os bebês o cuidado certo, na hora certa, ao longo da gestação, 
durante todo o trabalho de parto e pós-parto, considerando a estrutura e o 
preparo da equipe multiprofissional, a medicina baseada em evidência e as 
condições socioculturais e afetivas da gestante e da família. Durante a 
pandemia de covid-19 as mulheres receberam orientação sobre os cuidados e 
prevenções. Observe no quadro abaixo a imprementação da fase 3 da 
Campanha do Parto adequado: 
 
Fonte: ANS (2021) 
 
b) Sua Saúde: informe-se e faça boas escolhas 
A ANS tem o projeto Sua Saúde que estimula a participação mais proativa do 
paciente em relação à tomada de decisão em saúde, focando na informação de 
qualidade compartilhada com os outros responsáveis pelo cuidado. Incentivar 
uma maior participa do paciente na tomada de decisões para 
corresponsabilizar e qualificar o cuidado. É uma forma de tornar o paciente 
mais consciente sobre suas necessidades. 
A iniciativa é inspirada em ações desenvolvidas em outros países e busca falar 
diretamente com o paciente, fornecendo informações relevantes e orientando 
sobre questões relacionadas ao cuidado e tecnologias utilizadas no diagnóstico 
e tratamento de doenças. 
O projeto conta com a parceria de 17 instituições, incluindo entidades médicas, 
acadêmicas e de apoio ao paciente. Tem um grupo coordenado pela ANS que 
concentra informações e disponibiliza no Portal da Agência que é atualizada 
periodicamente. Há também a inclusão do responsável pelo cuidado no 
processo comunicativo. O paciente passa a ser protagonista do cuidado. 
c) Projeto Quallis – Programa de Qualificação dos prestadores de serviço 
Para compreender esse projeto construímos o quadro abaixo: 
 
Fonte: Elaboração própria 
 
 
 
 
d) Projeto Remuneração baseada em valor 
A remuneração baseada em valor prioriza a melhoria da atenção à saúde e, 
como consequência, a sustentabilidade do sistema. Valor em saúde é definido 
como a relação entre os resultados que importam para os pacientes (desfechos 
clínicos) e o custo para atingir esses resultados (PORTER e TEISBERG, 
2007). O conceito de valor em saúde pode ser resumido na seguinte fórmula: 
 
Fonte: ANS (2021) 
 
A saúde suplementar é uma realidade para muitos brasileiros. O cuidado e o 
controle do serviços ofertados são da ANS a agência reguladora que tem se 
preocupado com a inserção de projetos e programas que visem a humanização 
e o cuidado com o paciente. 
Os projetos criados, e incentivados atendem a muitas diretrizes da PNH. Inserir 
os stakholders da saúde suplementar no processo de humanização. 
Vídeo 
Acesse o material digital para assistir ao vídeo. 
 
 
 
 
 
 
Verificando o aprendizado 
1) É o ramo da atividade que envolve a operação de planos e seguros privados 
de assistência médica à saúde, composta por operadoras, profissionais e 
beneficiários, engloba ações e serviços privadosprestados por meio de planos 
de saúde. Trata-se da prestação de serviço exclusivamente na esfera privada. 
Essa é a definição de: 
a) Saúde Complementar. 
b) Saúde Suplementar. 
c) Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 
d) Valor em saúde. 
e) Saúde institucional. 
2) Sobre a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é correto afirmar: 
a) É responsável pela regulação, normatização, controle e fiscalização das 
atividades que garantam a assistência suplementar à saúde. 
 
b) É uma autarquia sob regime especial que não possui vinculo nenhum 
com o Ministério da Saúde. 
 
c) Tem por finalidade institucional "promover a defesa do interesse 
exclusivo das as operadoras setoriais, e das relações com prestadores e 
consumidores, contribuindo para o desenvolvimento das ações de 
saúde". 
 
d) A ANS só não realiza ações de fiscalização. 
 
3) Sobre o sistema privado de atenção à saúde é correto afirmar: 
a) Direito aos contribuintes disponibilizados de acordo com o valor pago. 
b) Totalmente independente ao vínculo empregatício. 
c) Universal, integral e equitativo. 
d) Realiza campanhas de prevenção em saúde. 
e) Nenhuma das anteriores. 
 
 
 
 
 
 
Conclusão 
Considerações finais 
Nesse módulo tivemos a oportunidade de conhecer os direitos que enolvem a 
prestação de serviços do SUS. As mudanças que o sistema vem sofrendo para 
atender com humanização os usuários e trazer a coresponsabilização dos 
profissionais, dos usuários e da sociedade para aprimorar e fazer com que o 
sistema funcione são constantes e fundamentais. 
O SUS é um sistema muito bem planejado e pensado, mas as mudanças e o 
aprimoramento são necessários. No módulo vimos que se o sistema de ensino 
ofertar um preparo melhor para o profissional, significará uma melhora na 
proposta de humanizar a assistência. Entendemos e reconhecemos que essa é 
uma necessidade latente que merece atenção. 
Conhecemos a Rede HumanizaSUS que serve como um espaço de troca de 
informações e práticas e que funciona integrando experiências. Espaço como 
esses possibilitam melhorias no cuidado e a possibilidade de replicar práticas 
bem-sucedidas. 
Também vimos que a necessidade de humanizar o sistema e envolver os 
stakeholders no processo de corresponsabilidade com o funcionamento do 
SUS é uma realidade que está se tornando mais próxima, é uma mudança de 
paradigma mas que quando estabelecida significará um ganho estrutural para o 
SUS, para seus usuários e profissionais. 
Tivemos acesso a exemplos de programas que promovem essa humanização 
e que possibilitam um cuidado maior da assistência. Reconhecemos ao longo 
do módulo a saúde como um direito, bem estabelecido constitucionalmente. 
Conhecemos a carta de direito e suas aplicabilidade, seus princípios e as 
garantias que ela oferta, mas é importante também, salientar que o SUS não é 
um sistema perfeito e que alguns destes direitos deixam se ser cumpridos e 
para isso há a possibilidade de judicializar, ou seja, solicitar na justiça direitos 
que não são cumpridos. 
Entendemos que há uma saúde suplementar ofertada para quem tem 
condições de pagar, pelo segundo setor, que são os planos e seguros de 
saúde, mas que são regulamentadas e fiscalizadas pelo orgão do governo que 
é a ANS – Agência Nacional de Saúde. Vimos também que quando o SUS não 
possui o serviço para ofertar ele pode comprar do sistema privado a 
assistência. 
Compreender o funcionamento do SUS, suas garantias legais, sua organização 
e estrutura é um passo importante para que se possa cobrar o direito de uso. 
Reconhecer a saúde como um direito é um ato cidadão. O SUS ainda precisa 
melhorar, precisa de aperfeiçoamento, mas as experiências exitosas de um 
SUS que funciona devem ser replicadas, e o hábito de reclamar do SUS deve 
ser substituidos por corresponsabilidade para essa melhoria. 
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