Prévia do material em texto
Professor(a) Esp. Ana Carolina Coculo da Costa CUIDADOS PALIATIVOS E CONTEXTO HOSPITALAR NA TERAPIA OCUPACIONAL REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Marcelino Fernando Rodrigues Santos PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Hugo Batalhoti Morangueira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira Carlos Henrique Moraes dos Anjos Kauê Berto Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP C837c Costa, Ana carolina Colulo da Cuidados paliativos e contexto hospitalar na terapia ocupacional/ Ana carolina Colulo da Costa. Paranavaí: EduFatecie, 2023. 58 p.: il. Color. 1. Terapia ocupacional – Tratamento paliativo . 2. Doentes terminais – Cuidado e tratamento. 3. Cuidados paliativos. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 616.029 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock . 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/pt/ 3 Professor(a) Esp. Ana Carolina Coculo da Costa Olá, aluno(a)! Sou a professora Ana Carolina Coculo da Costa, graduada em Terapia Ocupacional pela UFPR. Possuo especialização em Desenvolvimento Infantil e Intervenção Precoce (IPPEO) e em Terapia da Mão e do Membro Superior (FM USP). Atualmente, estou cur- sando a especialização em Órtese, Prótese e Meios Auxiliares (FM USP). Além disso, realizei cursos de capacitação e aperfeiçoamento em Confecção de Órteses para Membros Superiores, Reabilitação Neurológica, Aplicação do protocolo Interface Cérebro Máquina (EXOBOTS-Neurobots), Bandagem Neurofuncional Infantil e Bandagem Neurofuncional Adulto. Também estou em processo de capacitação em Contensão Induzida. Conto com 4 anos de experiência na confecção de órteses e 5 anos de prática em atendimentos ortopé- dicos e neurológicos a adultos e crianças. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/8339982101718259 AUTOR http://lattes.cnpq.br/8339982101718259 4 Seja muito bem-vindo (a)! Nesta disciplina, você aprofundará seus conhecimentos sobre Cuidados Paliati- vos e sua aplicação nos Contextos Hospitalares. Além disso, o curso proporcionará uma compreensão mais profunda do processo de adoecimento, seu impacto no cotidiano e, principalmente, no desempenho ocupacional do indivíduo. Destacaremos como a prática da terapia ocupacional pode facilitar esse processo. Na Unidade I, você aprenderá sobre o conceito de cuidados paliativos, explorando sua definição por meio de legislações e como ele é aplicado, além de discutir as principais doenças impactadas por esses cuidados. Na Unidade II, abordaremos o processo de adoecimento, suas consequências e como a hospitalização pode ser um desafio para o indivíduo. Nesta unidade, também destacaremos o papel do terapeuta ocupacional neste contexto. Na Unidade III, você conhecerá a trajetória da terapia ocupacional dentro do am- biente hospitalar e se aprofundará na prática deste profissional neste ambiente. Também apresentaremos legislações relevantes para esta área. Por fim, na última unidade, discutiremos as unidades de tratamento intensivo neo- natais e como o terapeuta ocupacional pode atuar em diferentes faixas etárias. Além disso, exploraremos a atuação deste profissional em brinquedotecas. Bons estudos! APRESENTAÇÃO DO MATERIAL 5 UNIDADE 4 Terapia Ocupacional e Contextos Hospitalares: Pediatria e Neonatologia Trajetória e Prática da Terapia Ocupacional na Intervenção Hospitalar UNIDADE 3 Processo do Adoecimento e da Hospitalização UNIDADE 2 Cuidados Paliativos em Vários Diagnósticos UNIDADE 1 SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares; • Conceitos e Definições de Cuidados Paliativos e seus princípios norteadores; • Principais diagnósticos em Cuidados Paliativos e a atuação do terapeuta ocupacional com a abordagem de cuidados paliativos. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar Contextos Hospitalares e Cuidados Paliativos; • Compreender a utilização da abordagem de Cuidados Paliativos pelo terapeuta ocupacional; • Estabelecer os objetivos da terapia ocupacional na intervenção em cuidados paliativos e contextos hospitalares frente a diversos diagnósticos. Professor(a) Esp. Ana Carolina Coculo da Costa CUIDADOS CUIDADOS PALIATIVOS PALIATIVOS EM VÁRIOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSDIAGNÓSTICOS1UNIDADEUNIDADE INTRODUÇÃO 7CUIDADOS PALIATIVOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSUNIDADE 1 Caro (a) aluno (a), seja muito bem-vindo (a)! Cuidados paliativos é uma vertente dos contextos hospitalares. O terapeuta ocu- pacional pode se especializar em contextos hospitalares e consequentementee suas relações com os outros. Portanto, ambientes e situações que geram alto nível de estresse, como ocorre em uma internação, podem afetar o desenvolvimento da criança. (NASCIMENTO, 2019). Em uma UTIN, o trabalho da Terapia Ocupacional se concentra nas ocupações tan- to do recém-nascido quanto dos pais. Após uma avaliação inicial, o Terapeuta Ocupacional pode pensar em estratégias para promover a participação da família nos cuidados com o recém-nascido, prevenir e minimizar possíveis atrasos no desenvolvimento, prescrever e confeccionar tecnologias assistivas, orientar a família em relação a questões técnicas e realizar a escuta qualificada. Também podem ser realizadas adaptações arquitetônicas, utilizando a CIF-CJ para auxiliar na avaliação do que pode ser barreira e facilitador, pro- porcionar o brincar exploratório, estabelecer e manter uma rotina adequada, participar do Método Canguru, entender como acontece e qual a importância dos protocolos de Manuseio Restrito dentro da UTIN, entre outros. 47TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 É necessário que o ambiente hospitalar seja o mais próximo possível do ambiente familiar, diminuindo a insegurança da criança internada, isso significa humanizar o ambiente hospitalar, podemos ver comumente alas pediátricas com paredes pintadas e mais acon- chegantes dentro do possível. Além de todas as ações citadas anteriormente, o profissional deve avaliar as questões culturais da criança para lhe oferecer brincadeiras próprias do seu universo, assim ampliar o leque para prevenir e tratar os problemas que interferem no desempenho funcional da criança. (DOMINGUES, MARTINEZ, 2001). Independentemente do contexto, o terapeuta ocupacional deve fazer a análise de atividade para poder intervir, exemplo se a criança deve permanecer no leito e gostaria de realizar determinada atividade, mediante a análise de atividade o profissional poderá adaptar utensílios, ou até mesmo postura, para a criança ser protagonista do seu processo e não perca sua independência e principalmente sua autonomia. Kudo mostra que a atuação do TO contribui com o campo de ação da pediatria, ou seja, o profissional pode facilitar a compreensão e a integração da criança frente ao processo de hospitalização (KUDO, 1994). Uma forma de se fazer isso é por meio do brincar, utilizando da brincadeira como um processo de autoconhecimento, estabelecer vínculos, interagir. Devemos lembrar que assim como o trabalho é importante para o adulto, o brinquedo/brincar é importante para a criança (DOMINGUES; MARTINEZ, 2001). Para complementar, como já comentamos que o TO deve compor a equipe presente na brinquedoteca, a mesma resolução nos traz que: É exclusiva competência do Terapeuta Ocupacional, devidamente registrado no CREFITO da jurisdição de sua atuação profissional, desenvolver atividade de brincar e utilizar o brinquedo como recursos terapêutico-ocupacionais na assistência ao ser humano em suas capacidades motoras, mentais, emo- cionais, percepto-cognitivas, cinético-ocupacionais e sensoriais, em todos os níveis de atenção à saúde (COFFITO, 2007, p. 205). Entendendo isso, a resolução também nos resolve a seguinte prerrogativa: Com vistas a prestar assistência profissional em situação individualizada ou grupal, o Terapeuta Ocupacional desenvolverá atividade de brincar e utilizará o brinquedo como recursos terapêutico-ocupacionais para possibilitar à crian- ça e seus familiares o enfrentamento dos desafios no ambiente demandado, em especial o hospitalar, estimulando os componentes de desempenho ocu- pacional sensório-motor, integração cognitiva e componentes cognitivos, ha- bilidades psicossociais e componentes psicológicos, nos contextos temporais e ambientais de desempenho ocupacional. Recomendar que os serviços ine- rentes ao desenvolvimento de atividade de brincar e utilização do brinquedo como recursos terapêutico-ocupacionais na assistência ao ser humano, em brinquedotecas ou outros serviços, estejam sob a coordenação e responsabi- lidade técnica do Terapeuta Ocupacional (COFFITO, 2007, p. 205). 48TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 Você sabia que pode se especializar em atendimento com o público infantil dentro do contexto hospitalar? Existem residências multiprofissionais que possibilitam que você aprenda mais a respeito da pediatria dentro do contexto hospitalar, podendo passar por diversas demandas e diversos ambientes, como enfer- marias e UTIs. Fonte: A autora (2023). A escuta qualificada é o maior artifício que o TO pode ter dentro do contexto hospitalar, podendo ele ser a intervenção propriamente dita quanto uma ponte para se pensar em como intervir. Então sempre esteja aberto a escutar seu paciente e seus familiares, isso é humanizar o serviço. Fonte: A autora (2023). 49TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 Nos hospitais pediátricos, o terapeuta ocupacional trabalha em estreita colaboração com a equipe médica e multidisciplinar para fornecer intervenções terapêuticas individua- lizadas às crianças. Seu principal objetivo é promover o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social dos pacientes pediátricos, considerando suas necessidades específicas e o estágio de desenvolvimento. O terapeuta ocupacional utiliza técnicas especializadas, como atividades lúdicas, jogos, brinquedos adaptados e intervenções sensoriais, para auxiliar as crianças a melhorar suas habilidades motoras finas e grossas, coordenação, equilíbrio, força e destreza. Além disso, eles também trabalham no desenvolvimento de habilidades para a vida diária, como alimentação, vestuário, higiene pessoal e autonomia, visando aumentar a independência e a qualidade de vida das crianças durante sua estadia no hospital. Ou seja, a atuação do terapeuta ocupacional em hospitais pediátricos e em UTI neonatais desempenha um papel essencial no cuidado e recuperação de crianças e recém- -nascidos. CONSIDERAÇÕES FINAIS 50TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 Sugiro a leitura para complementar o tema a respeito das brinquedotecas, a Reso- lução n.° 324/2007 do COFFITO. LEITURA COMPLEMENTAR 51TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Uma prova de amor. • Ano: 2009. • Sinopse: Em Uma Prova de Amor, Sara e Brian Fitzgerald são informados que Kate, sua filha, tem leucemia e possui poucos anos de vida. O médico sugere aos pais que tentem um procedimento médico ortodoxo, gerando um filho de proveta que seja um doador compatível com Kate. Disposto a tudo para salvar a filha, eles acei- tam a proposta. Assim nasce Anna, que logo ao nascer doa sangue de seu cordão umbilical para a irmã. Anos depois, os médicos decidem fazer um transplante de medula de Anna para Kate. Ao atingir 11 anos, Anna precisa doar um rim para a irmã. Cansada dos procedimentos médicos aos quais é submetida, ela decide enfrentar os pais e lutar na justiça por emancipação médica, para ter direito a decidir o que fazer com seu corpo. Para defendê-la, ela contrata Campbell Alexander, um advogado que cuidará de seus interesses. LIVRO • Título: Brinquedoteca e Terapia Ocupacional: ações interdiscipli- nares. • Autor: Andreia Carvalho e Helena Scatolini. • Editora: Rubio. • Sinopse: Guiada pela interdisciplinaridade, a brinquedoteca desper- ta relações de respeito, cuidado e aprendizado por meio da humani- zação. Estas ações têm o potencial de favorecer um olhar para o todo do indivíduo que está internado, contemplando corpo e mente. Assim, além de curativas, são orientadoras e diagnósticas. A obra que esti- mula e instiga, propõe-se a refletir sobre o espaço da brinquedoteca, rico em aprendizado, alegria e vivências lúdicas. Além disso, pretende sensibilizar os leitores quanto à saúde humanae ao conhecimento in- tegrado sobre o atendimento humanizado difundido na prática laboral do terapeuta ocupacional e dos profissionais de áreas afins. WEB Assim coma existo a Associação Brasileira de Terapia Ocupacional na qual você pode se filiar e fazer parte de uma comunidade que luta pelos direitos da profissão, também existe a Associação de Terapia Ocupacional Hospitalar que luta pelos direitos da TO nos hospitais, no site você encontra diversas legislações e fica sabendo de eventos voltados para esse tema. • Link do site: http://www.atohosp.com.br/. http://www.atohosp.com.br/ 52 Como vimos nesta disciplina, a terapia ocupacional desempenha um papel crucial nos cuidados paliativos, fornecendo suporte para pacientes que enfrentam o processo de adoecimento. Ao focar na melhoria da qualidade de vida e no alívio do sofrimento, os terapeutas ocupacionais adaptam estratégias personalizadas para ajudar os pacientes a manter a autonomia e a dignidade em meio aos desafios físicos, emocionais e sociais associados à doença avançada. Ao incorporar atividades significativas e práticas terapêuticas, a terapia ocupacio- nal busca mitigar sintomas como dor, ansiedade e depressão, promovendo o bem-estar emocional. Além disso, os terapeutas ocupacionais trabalham em estreita colaboração com a equipe multidisciplinar e os cuidadores, contribuindo para um ambiente de cuidado compassivo e centrado no paciente. Nos cuidados paliativos, a terapia ocupacional transcende a mera gestão de sinto- mas físicos, abraçando uma abordagem holística que considera as necessidades emocio- nais, espirituais e sociais do paciente. Essa abordagem centrada na pessoa permite que os indivíduos enfrentem o final da vida com dignidade, significado e, sempre que possível, participação ativa nas atividades que trazem alegria e conforto. A história da terapia ocupacional em hospitais reflete uma evolução notável na abordagem aos cuidados de saúde, destacando-se como uma disciplina fundamental na promoção da recuperação e no aumento da qualidade de vida dos pacientes. Ao longo do tempo, a terapia ocupacional nos ambientes hospitalares passou por uma transformação significativa, expandindo seu escopo para abranger uma variedade de condições médicas e necessidades dos pacientes. No início, a terapia ocupacional concentrou-se principalmente na reabilitação de soldados durante e após as guerras, enfatizando a importância da ocupação e da atividade para a recuperação física e mental. Com o tempo, essa abordagem foi ampliada para incluir uma variedade de condições médicas, tornando-se uma prática essencial em hospitais para tratar pacientes com lesões traumáticas, doenças crônicas, distúrbios neurológicos e outros desafios de saúde. A presença da terapia ocupacional em hospitais representa uma abordagem cen- trada no paciente, visando não apenas tratar as condições médicas subjacentes, mas tam- bém facilitar a reintegração funcional e social dos pacientes. O trabalho colaborativo com CONCLUSÃO GERAL 53 equipes multidisciplinares reforçou o papel da terapia ocupacional na gestão abrangente da saúde, integrando a ocupação terapêutica como parte essencial do plano de cuidados. Hoje, a terapia ocupacional em hospitais continua a se adaptar às necessidades emergentes da saúde, incorporando inovações, tecnologias e abordagens baseadas em evidências. Sua história é marcada por uma progressiva compreensão da importância do engajamento ocupacional na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes hospitalizados. Terapeutas ocupacionais desempenham um papel significativo na UTI neonatal e em brinquedotecas, contribuindo para o bem-estar e desenvolvimento de bebês prematuros e crianças hospitalizadas. Como no desenvolvimento sensório-motor, manuseio e posicio- namento, intervenção com a família, adaptações, retomada da rotina, brincar, entre outros. Os terapeutas ocupacionais desempenham um papel crucial na promoção do de- senvolvimento infantil, na melhoria da qualidade de vida e no suporte emocional tanto para os pacientes quanto para suas famílias. Até a próxima! 54 BARCELOS, T. A. et al. A atuação da terapia ocupacional em hospital pediátrico. Rev. Med. Minas Gerais 2012; 22 (Supl 2): S1-S173. BATISTA, P. R. O. et al. Atuação do terapeuta ocupacional no contexto da hospitalização infantil oncológica: uma revisão de literatura. REAS, v.13, p.1-8, 2021. BEZERRA, D. S., SIQUEIRA, A. C. Processo de adoecimento e hospitalização em pa- cientes de um hospital público. Fortaleza: Ver. Psicologia, p.61-71, 2021. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Mês da prematuridade: Ministério da Saúde defende separação zero entre pais e recém-nascidos. Publicado em: 01/11/2022, disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/novembro/mes-da-prematurida- de-ministerio-da-saude-defende-separacao-zero-entre-pais-e-recem-nascidos. Acesso em: 04 dez. 2023. BRASIL. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990: Dispõe sobre as condições para a pro- moção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília/DF, p. 18.055, 20 set. 1990. CASTRO, E. D.; LIMA, E. M. F. A.; BRUNELLO, M. I. B. Atividades humanas e terapia ocupacional. In: DE CARLO, M. M. R. P.; BARTALOTTI, C. C. Terapia ocupacional no Brasil. Fundamentos e perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001. p. 41-59. CASTRO, E. K. e BORNHOLDT, E. Psicologia da saúde x psicologia hospitalar: defi- nições e possibilidades de inserção profissional. Psicologia: ciência e profissão, v. 24, n.3 Brasília, 2004. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/novembro/mes-da-prematuridade-ministerio-da-saude-defende-separacao-zero-entre-pais-e-recem-nascidos https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/novembro/mes-da-prematuridade-ministerio-da-saude-defende-separacao-zero-entre-pais-e-recem-nascidos https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/novembro/mes-da-prematuridade-ministerio-da-saude-defende-separacao-zero-entre-pais-e-recem-nascidos 55 COFFITO. Resolução N.° 445 de 26 de abril de 2014- Altera a Resolução N.° 418/2011, que fixa e estabelece aos Parâmetros Assistenciais Terapêutico Ocupacional nas diversas modalidades prestadas pelo Terapeuta Ocupacional. Dou N°203, seção 1, em 21/10/2014, p. 128. COFFITO. Resolução N°324 de 25 de abril de 2007. Dispõe sobre a atuação do Terapeuta Ocupacional na brinquedoteca e outros serviços inerentes e o uso dos Recursos Terapêu- tico Ocupacional do brincar e do brinquedo e dá outras providências. DOU N.° 91, seção 1, em 14/05/2007, p. 205. DE CARLO, M. M. R., E BARTALOTTI, C. C. Terapia Ocupacional e os Sentidos das Ati- vidades. In: Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e perspectivas (1st ed., p. 8-15). Plexus Editora, 2001. DE CARLO, M. M. R., E BARTALOTTI, C. C. Terapia Ocupacional em reabilitação física e contextos hospitalares: fundamentos para a prática. In: Terapia Ocupacional: reabilitação física e contextos hospitalares, p. 3-28. São Paulo: Roca, 2004. DE CARLO, M. P. et al. Terapia Ocupacional: Reabilitação Física e Contextos Hospitala- res. São Paulo: Roca, 2004, p. 10-11. DE CARLO, M. P.; BARTALOTTI, C. C. Terapia Ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas.3. ed. São Paulo: Plexus, 2001. DOMINGUES, A. C. G.; MARTINEZ, C. M. S. Hospitalização infantil: buscando identificar e caracterizar experiências de terapia ocupacional com crianças internadas. Cad. Ter. Ocup. UFSCar, v.9, n.1, 2001. DUARTE, L. F. D e LEAL, O. F. Investigação antropológica sobre doença, sofrimento e perturbação: uma introdução. Doença, sofrimento, perturbação: perspectivas etnográficas. 2. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001, p. 9-27. 56 FERRARI, M. A. C. Lazer e ocupação do tempo livre na terceira idade. In: NETTO, M.P. (org.). Gerontologia. A velhice e o envelhecimento em visão globalizada. São Paulo: Atheneu, 2005. p. 98-105. FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal LTDA. FRANCISCO, B. R. Terapia ocupacional. Campinas, SP: Papirus, 1988. FRIZZO, H. C. F, CORRÊA, V. A. C. Terapia ocupacional em contextos hospitalares: a especialidade, atribuições, competências e fundamentos. Minas Gerais: Ver Família, p.130- 139, 2018. GAMONDI, C.; LARKIN, P.; PAYNE, S. Core competencies in palliative care: An EAPC white paper on palliative care education - Part 2. European Journal of Palliative Care, v. 20, nº 3, p. 140–145, 2013. Disponível em: https://www.semanticscholar.org/paper/Core-compe- tencies-in-palliative-care%3A-an-EAPC-white-GamondiLarkin/19ae0cb6f15fde949c2444a- be2881083c334e92d. Acesso em: 04 dez. 2023. GIL, N. A. N., DE CARLO, M. M. R. P. Os papeis ocupacionais de pessoas hospitaliza- das em decorrência da Síndrome Imunodeficiência Adquirida. São Paulo: O mundo da saúde, p. 179-188, 2014. GOMES, L. C, FRAGA, M. N. O. Doenças, hospitalização e ansiedade: uma abordagem em saúde mental. Brasília: Rev. Brasileira de Enfermagem, p. 425-440, 1997. JOAQUIM, R. H. V. T.; SILVESTRINI, M. S.; MARINI, B. P. R. Grupo de mães de bebês prematuros hospitalizados: experiência de intervenção de Terapia Ocupacional no contexto hospitalar. Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos, v.22, n1, p.145-150, 2014. KAVALIERATOS, D. et al. Association between palliative care and patient and caregiver outcomes: a systematic review and meta-analysi. Journal of the American Medical 57 Association, v. 316, nº 20, p. 2104–2114, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1001/ jama.2016.16840. Acesso em: 04 dez. 2023. KUDO, A. M.; PIERRE, S. A. Terapia Ocupacional com crianças hospitalizadas. IN: Fisiote- rapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. 2°ed., São Paulo: Sarvier, 1994. LAPLANTINE, F. Anthropologie de la maladie. Paris: Payot, 1986. MATSUMOTO, D. Y. Cuidados Paliativos: conceito, fundamentos e princípios. In: Acade- mia Nacional de Cuidados Paliativos (org.). Manual de cuidados paliativos. Rio de Janeiro: Diagraphic, 2009. p. 14-19. MCCOUCHLAN, M. A. necessidade de cuidados paliativos. In: PESSINI, L.; BERTACHINI, L. Humanização e cuidados paliativos. São Paulo: Edições Loyola, 2004. p. 167-180. MEDEIROS, M. H. R. Terapia ocupacional: um enfoque epistemológico e social. São Carlos: EdUFSCAR, 2003. MEZZOMO, A. A. et al. Fundamentos da Humanização Hospitalar: uma versão multipro- fissional. São Paulo: Loyola, 2003. MIYAJIMA, K. et al. Association between quality of end-of-life care and possible complica- ted grief among bereaved family members. Journal of Palliative Medicine, nº 17, v. 9, p. 1025–1031, 2014. Disponível em: https://doi. org/10.1089/jpm.2013.0552. Acesso em: 04 dez. 2023. NASCIMENTO, A. C. L. O papel da Terapia Ocupacional no apoio humanizado aos pais de bebês internados em UTI neonatal. Rio de Janeiro, 2019, 32f. NEVES, L. et al. O impacto do processo de hospitalização para o acompanhante fa- miliar do paciente crítico crônico internado em Unidade de Terapia Semi-Intensiva. Escola Anna Nery, p. 4, 2018. https://doi.org/10.1001/jama.2016.16840 https://doi.org/10.1001/jama.2016.16840 58 PALM, R. C. M. Contribuindo ações interdisciplinares num hospital geral. Anais do V Congresso Brasileiro e IV Simpósio Latino Americano de Terapia ocupacional. Belo Hori- zonte, 1997, p. 52-63. PINHEIRO, R. P. C. Sujeito e a hospitalização. Brasília: Faces - faculdade de ciências da educação e saúde do curso de psicologia. 2008. REIS, C. G. C. et al. Repercussão profissionais e cotidianas do adoecimento em pa- cientes do sexo masculino com câncer avançado. Juiz de Fora: Psicol. Pesqui., p. 1-11, 2018. SANTOS, L. P. et al. Terapia ocupacional e a promoção da saúde no contexto hospita- lar: cuidado e acolhimento. Rio de Janeiro: Ver. Interinst. Bras. Ter. Ocup., p. 607-620,2018. SOARES, L. B. Terapia Ocupacional: Lógica do Capital e do Trabalho? São Paulo: Huci- tec, 1991. STEDMAN. Dicionário Médico. 25. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Knowledge into Action Palliative Care. Cancer Control, 1–42, 2007. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/hand- le/10665/44024/9241547345_eng. pdf;jsessionid=C3E11870D89E18DAED6CE04DC7C- 0D0FF?sequence=1. Acesso em: 04 dez. 2023. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Worldwide Palliative Care Aliance. Global Atlas of Palliative Care at the End of Life, 2014. Disponível em: https://www.who.int/nmh/ Global_Atlas_of_Palliative_Care.pdf. Acesso em: 04 dez. 2023. YAMAGUCHI, T. et al. Effects of End-of-Life Discussions on the Mental Health of Be- reaved Family Members and Quality of Patient Death and Care. Journal of Pain and Symptom Management, nº 54, v. 1, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j. jpainsymman.2017.03.008. Acesso em: 04 dez. 2023. https://www.who.int/nmh/Global_Atlas_of_Palliative_Care.pdf https://www.who.int/nmh/Global_Atlas_of_Palliative_Care.pdf https://doi.org/10.1016/j.jpainsymman.2017.03.008 https://doi.org/10.1016/j.jpainsymman.2017.03.008 ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Shutterstock Site UniFatecie 3:atender demandas de cuidados paliativos. A terapia ocupacional envolve a utilização de atividades para a realização das atividades de vida diária ou de outras ocupações, o fato do sujeito estar hospitalizado pode gerar uma ruptura, sem falar do adoecimento ou do fim da vida. A humanização está diretamente ligada ao trabalho do terapeuta ocupacional em contextos hospitalares e cuidados paliativos, trazendo maior significado e acolhimento para todos envolvidos no processo de adoecimento. É sobre isso que se trata esta unidade, entender sobre a especialidade de terapia ocupacional em cuidados paliativos e como este profissional pode atuar frente aos cuidados paliativos. TERAPIA OCUPACIONAL EM CONTEXTOS HOSPITALARES1 TÓPICO 8CUIDADOS PALIATIVOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSUNIDADE 1 Segundo o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, a Terapia Ocu- pacional tem como objetivo prevenir e tratar indivíduos com distúrbios cognitivos, afetivos, perceptivos e psico-motores através do uso da ocupação humana, o que é a base para desenvolver projetos terapêuticos de qualquer nível de complexidade, seja ele médio ou alto. A Resolução n.° 429 de 2013 “reconhece e disciplina a especialidade de Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares, define as áreas de atuação e as competências do terapeuta ocupacional especialista em Contextos Hospitalares e dá outras providências” (BRASIL, 2013). O terapeuta ocupacional especialista em contextos hospitalares pode atuar nas seguintes áreas: Atenção Intra-hospitalar, atenção extra-hospitalar oferecida pelo hospital e atenção em cuidados paliativos, sendo esse o enfoque da unidade em questão (BRASIL, 2013). A Atenção em Cuidados Paliativos busca oferecer os cuidados terapêuticos ocupa- cionais junto à equipe multiprofissional, a indivíduos em condições crônico-degenerativas potencialmente fatais, podendo ser realizado intra-hospitalar, extra-hospitalar, e não se restringe à fase de terminalidade da vida e são considerados cuidados preventivos, pois buscam prevenção do sofrimento causado por dores, sintomas e pelas perdas físicas, psi- cossociais e espirituais e podem reduzir o risco de luto complicado (BRASIL, 2013). Antes de falarmos sobre como a Terapia Ocupacional pode ajudar em diagnósticos e cuidados paliativos, precisamos entender melhor sobre essa abordagem. CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE CUIDADOS PALIATIVOS E SEUS PRINCÍPIOS NORTEADORES2 TÓPICO 9CUIDADOS PALIATIVOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSUNIDADE 1 A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002) definiu Cuidados Paliativos como: uma abordagem que visa a promoção da qualidade de vida de pacientes e seus familiares, através de uma avaliação precoce e controle de sintomas físicos, sociais, emocionais, espirituais desagradáveis, no contexto da doen- ça que ameaçam a continuidade da vida, sendo a assistência realizada por uma equipe multiprofissional durante o período do diagnóstico, adoecimento, finitude e luto. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2007, p.13). A abordagem em Cuidados Paliativos possui os seguintes princípios norteadores: • Iniciar de maneira precoce junto ao tratamento da doença, incluindo a investiga- ção necessária para a compreensão de qual o melhor tratamento e manejo dos sintomas presentados; • Reforçar a importância da vida. • Considerar o indivíduo na totalidade, não somente em seus aspectos físicos, mas também psicossociais e espirituais, o que é necessário e é acompanhado por uma equipe multiprofissional. • O melhor suporte deve ser ofertado, buscando maior qualidade de vida; • Entender que a família e entes queridos também fazem parte do processo da doença, oferecendo suporte a eles tanto no período de adoecimento quanto no processo de luto; • Trazer que a morte é algo natural e faz parte do processo natural da vida, onde não se pode antecipar nem postergar (MATSUMOTO, 2009). Como você pode perceber, os Cuidados Paliativos se iniciam desde o momento do diagnóstico, ficando mais necessário ao longo do curso da doença e sendo de extrema importância como intenção paliativa. A relação entre cuidados curativos e paliativos acon- tece diferente em cada país, sendo que os cuidados paliativos não podem substituir os cuidados curativos, e todo paciente com doença crônica e/ou ameaçadora da vida poderá se beneficiar com os cuidados paliativos, independentemente da idade, estando presente em todos os níveis de atendimento (GAMONDI; LARKIN; PAYNE, 2013). PRINCIPAIS DIAGNÓSTICOS EM CUIDADOS PALIATIVOS E A ATUAÇÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL COM A ABORDAGEM DE CUIDADOS PALIATIVOS3 TÓPICO 10CUIDADOS PALIATIVOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSUNIDADE 1 De acordo com as estimativas globais da OMS, as doenças cardiovasculares, neoplasias, Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (DPOC), HIV/Aids e outras são as principais enfermidades que requerem cuidados paliativos (WORLDWIDE PALLIATIVE CARE ALLIANCE, 2014). As principais doenças que afetam a população infantil são as anormalidades con- gênitas, as condições neonatais, a desnutrição calórica-proteica, a meningite e o HIV/Aids, dentre outras. A Terapia Ocupacional tem como objetivo primordial melhorar a qualidade de vida, tendo em vista que a existência é composta por ações e atividades. No entanto, a doença pode ocasionar diversas rupturas, como dor e outros sintomas que podem prejudicar as atividades diárias. As limitações que acontecem devido ao processo de adoecimento de- vem-se haver intervenção buscando a promoção de um sistema de apoio e ajuda para que o paciente viva o mais ativamente possível até o momento de sua morte (CASTRO, 2001; FERRARI, 2005; MCCOUCHLAN, 2004). Compreendemos o campo da Terapia Ocupacional, sua especialidade e o conceito de Cuidados Paliativos, bem como as principais doenças de cada faixa etária. Agora, é necessário compreender sua aplicabilidade e seus benefícios. O objetivo dos cuidados paliativos é oferecer os cuidados adequados e dignos para os pacientes com e sem a possibilidade de cura. A abordagem é associada a benefícios, como redução de sintomas, melhora da qualidade de vida, planejamento prévio, satisfação dos pa- cientes e do núcleo cuidador e menor utilização do sistema de saúde (KAVALIERATOS, 2016). 11CUIDADOS PALIATIVOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSUNIDADE 1 Estudos comprovam os efeitos desse tipo de abordagem nos familiares, conversar sobre cuidados e a percepção positiva dos familiares em relação à assistência durante essa fase foi um fator de proteção contra o surgimento de depressão e luto-complicado. Dessa forma, a assistência paliativa poderia reduzir o impacto dos familiares enlutados (MIYAJIMA, 2014; YAMAGUCHI, 2017). Esta abordagem não possui um local específico para ser realizada, acontecendo onde o paciente estiver, isso pode ser no domicílio, no hospital, ambulatório, instituição de longa permanência ou hospice (WORLDWIDE PALLIATIVE CARE ALLIANCE, 2014). A qualidade do cuidado tem influência no local onde será realizado, tornando signi- ficativo o processo de luto vivenciado pelo adoecimento e após o falecimento do indivíduo (MIYAJIMA, 2014). O Ministério da Saúde publicou a resolução nº 41 em 2018, que “normatiza a oferta de cuidados paliativos como parte dos cuidados continuados integrados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018, p.196). A resolução sugere que, nas redes de atendimento à saúde, sejam claramente iden- tificadas e observadas as preferências da pessoa doente em relação ao tipo de assistência e tratamento médico que receberá. A resolução estabelece que os cuidados paliativos devem estar disponíveis em todos os níveis da rede, incluindo a atenção básica, ambulatorial, hos- pitalar, ambulatorial, a urgência e emergência (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018). A intervenção do terapeuta ocupacional é fundamental, pois o profissional busca ampliar a autonomia e as possibilidades do fazer, compreendendo as atividades como potencializadores, possibilitandoo resgate de capacidades restantes, bem como a criação de projetos a serem realizados, ou seja, a intervenção é voltada para a permanência de atividades significativas no cotidiano tanto do paciente como de seus familiares (CASTRO, 2001; FERRARI, 2005; MCCOUCHLAN, 2004) Em relação ao cuidado com os familiares, o objetivo primordial é orientá-los em relação aos estímulos positivos ao paciente e realizar o treinamento do familiar para ele seja um facilitador da independência em suas atividades de vida diária, incluindo a escuta qualificada e o acolhimento das demandas dos próprios familiares frente ao processo de adoecimento do paciente (CASTRO, 2001; FERRARI, 2005; MCCOUCHLAN, 2004). O Terapeuta Ocupacional tem como objetivos: • Manutenção das atividades significativas para o paciente e sua família; • Promoção de estímulos sensoriais e cognitivos para o enriquecimento do coti- diano; 12CUIDADOS PALIATIVOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSUNIDADE 1 • Orientação e realização de medidas de conforto e controle de outros sintomas; • Adaptação e treino de AVDs para autonomia e independência; • Criação de possibilidades de comunicação, expressão e exercícios de criativi- dade; • Criação de espaços de convivência e interação, pautados nas potencialidades dos sujeitos; • Apoio, escuta qualificada e orientação ao familiar e/ou cuidador. No final da vida, o terapeuta ocupacional acompanha o paciente e muda o foco, buscando organizar a rotina e diminuir os estímulos como uma forma de proporcionar conforto. Existem casos em que é possível manter suas atividades significativas. No acompanhamento familiar, pode-se auxiliar nas despedidas, na expressão de sentimentos e emoções e na abertura de novos canais de comunicação por meio de atividades. O acompanhamento pós-óbito faz parte da assistência terapêutica ocupacional. Portanto, a atuação em terapia ocupacional nos Cuidados Paliativos é importante, buscando preencher brechas de vida, potência, criação e singularidade, em um cotidiano por vezes empobrecido e limitado pela doença. A vida não pode perder seus sentidos e significado até o último momento, e deve-se promover a dignidade ao paciente quando não há possibilidade de cura, levando a autonomia e independência para o sujeito. Somente com um trabalho em equipe é possível oferecer assistência de qualidade, de maneira que pacientes e familiares sejam acolhidos e cuidados (CASTRO, 2001; FERRARI, 2005; MCCOUCHLAN, 2004). 13CUIDADOS PALIATIVOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSUNIDADE 1 Você sabia que é obrigatoriedade que hospital que possui UTI adulto e pediátrico deve ter um Terapeuta Ocupacional na equipe conforme a Resolução RDC 07/2010? Dessa forma, com um Terapeuta Ocupacional na equipe que tenha experiência e formação em cuidados paliativos, pode-se oferecer qualidade no final da vida do indivíduo, ou até mesmo ajudar no processo de adoecimento, uma vez que o cuidado paliativo começa com a confirmação diagnóstica. Fonte: A autora (2023). “Você é importante por quem você é. Você é importante até o último momento da sua vida, e faremos tudo o que pudermos, não só para ajudá-lo a morrer em paz, mas também para a viver até morrer”. Fonte: Cicely Saunders (2015). 14CUIDADOS PALIATIVOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSUNIDADE 1 A Terapia Ocupacional e os cuidados paliativos desempenham papéis fundamen- tais na melhoria da qualidade de vida e no bem-estar de pacientes com doenças graves ou terminais. A terapia ocupacional se concentra em ajudar os pacientes a recuperar ou man- ter sua independência funcional, adaptando suas atividades diárias de acordo com suas necessidades e capacidades. Isso é especialmente importante em contextos de cuidados paliativos, onde o conforto, a dignidade e a qualidade de vida são prioridades. A terapia ocupacional não apenas ajuda os pacientes a lidar com desafios físicos, emocionais e cognitivos, mas também fornece apoio psicossocial e emocional para eles e suas famílias. Ela aborda aspectos da vida cotidiana, como mobilidade, autocuidado, comunicação e interações sociais, com o objetivo de proporcionar conforto e uma sensação de propósito. Os cuidados paliativos, por sua vez, buscam aliviar o sofrimento de pacientes com doenças avançadas ou terminais, focando no controle de sintomas, no suporte emocional e espiritual e na promoção da qualidade de vida até o final. A combinação da terapia ocupacio- nal com os cuidados paliativos é valiosa, uma vez que a terapia ajuda a tornar a vida dos pa- cientes mais significativa e confortável, mesmo em face de condições de saúde desafiadoras. Em resumo, a terapia ocupacional e os cuidados paliativos são interligados, pro- porcionando apoio holístico e centrado no paciente para indivíduos que enfrentam doenças graves. Juntos, eles ajudam a proporcionar conforto, dignidade e uma melhor qualidade de vida, não apenas para os pacientes, mas também para suas famílias, durante uma fase crítica da jornada de saúde. Essa abordagem compassiva desempenha um papel vital na promoção do bem-estar e no alívio do sofrimento em momentos difíceis da vida. CONSIDERAÇÕES FINAIS MATERIAL COMPLEMENTAR 15CUIDADOS PALIATIVOS EM VÁRIOS DIAGNÓSTICOSUNIDADE 1 FILME/VÍDEO • Título: Pronta para Amar • Ano: 2011 • Sinopse: Marley Corbett é uma jovem divertida que tem medo de se entregar completamente em um relacionamento. Ela tenta usar o humor para impedir que os problemas se agravem, mas é pega de surpresa quando, ao visitar o médico Julian Goldstein, descobre que está com uma doença grave. LIVRO • Título: Terapia Ocupacional em contextos hospitalares e cuida- dos paliativos. • Autor: Marysia De Carlo, Aide Kudo. • Editora: Editora Paya. • Sinopse: Os campos de conhecimentos e de atuação da Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares e Cuidados Paliativos são bastante amplos, diversificados e crescentes. Este livro tem como objetivo fundamental compartilhar experiências assistenciais e trabalhos científicos produzidos sobre a especialidade profissional de Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares e suas áreas de atuação, particularmente em Cuidados Paliativos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • O Processo de Adoecimento: Uma Visão de Saúde-Doença; • A Hospitalização Durante o Processo de Adoecimento; • As Contribuições da Terapia Ocupacional Junto a Pessoas Hospi- talizadas Devido ao Processo de Adoecimento. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar o processo de saúde e doença; • Compreender como a hospitalização e o adoecimento podem afetar a rotina e os papéis ocupacionais do sujeito; • Estabelecer qual a função da terapia ocupacional durante o processo de adoecimento e hospitalização. Professor(a) Esp. Ana Carolina Coculo da Costa PROCESSO DO PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOHOSPITALIZAÇÃO2UNIDADEUNIDADE INTRODUÇÃO 17PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 Nesta unidade veremos que o processo de adoecimento é complexo e multifa- cetado, influenciado por fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. A terapia ocupacional desempenha um papel essencial ao abordaras implicações do adoecimento e promover a saúde e o bem-estar dos indivíduos afetados. Faz necessário uma avaliação Integral, planejamento personalizado, intervenção terapêutica, suporte psicossocial, pre- venção e promoção da saúde. Saúde-doença é um processo dinâmico, complexo e multidimensional, pois apre- senta dimensões biológicas, psicológicas, socioculturais, econômicas, ambientais, políticas, sendo muito mais complexo do que simplesmente a relação de saúde e doença de uma pessoa ou uma sociedade. O fato de adoecer pode ser demonstrado como uma perturbação, uma interrupção, distúrbio de funções e sensações, além de poder alterar sistemas ou órgãos do corpo. Apresenta-se com sinais e sintomas que formam um quadro de doença com um agente etiológico reconhecido ou alterações anatômicas compatíveis, com isso se dá um diagnós- tico que possui uma grande importância para definir como será o processo em relação às reações físicas e emocionais do paciente. Em suma, a terapia ocupacional se destaca como uma abordagem centrada no paciente para lidar com o processo de adoecimento, visando melhorar a qualidade de vida, a funcionalidade e a autonomia dos indivíduos. 18PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 O PROCESSO DE ADOECIMENTO: UMA VISÃO DE SAÚDE-DOENÇA1 TÓPICO O processo de adoecimento é acompanhado por diversos estereótipos, associa- do muitas vezes à dor e ao sofrimento, com frequência algumas doenças são associadas como intratáveis e cruéis, um exemplo disso é o câncer. (Reis et al., 2018). Citado por Gomes et al., Camon diz que a saúde não é apenas uma questão de combater doenças, mas também de expandir nossas prioridades. Isso envolve uma reorientação no desenvolvimento científico, a promoção da justiça social, a distribuição equitativa de cuidados de saúde para a população e o desenvolvimento de programas de saúde e educação que incentivem os profissionais do setor a adotar uma visão mais realista, social e alinhada com as necessidades da população. Saúde-doença é um processo dinâmico, complexo e multidimensional, pois apresenta dimensões biológicas, psicológicas, socioculturais, econômicas, ambientais, políticas, sendo muito mais complexo do que simplesmente a relação de saúde e doença de uma pessoa ou uma sociedade. Segundo a Lei Orgânica de Saúde (LOS), de número 8.080, de 1990, além do que a OMS aponta, a LOS estabelece que a saúde se relaciona com certos fatores e seus condicionantes, tais como alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, educação, transporte, lazer e outros serviços essenciais. Esses são os níveis de saúde em que uma população se organiza social e economicamente (BRASIL, 1990, Art. 3). 19PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 O fato de adoecer pode ser demonstrado como uma perturbação, uma interrup- ção, distúrbio de funções e sensações, além de poder alterar sistemas ou órgãos do corpo. Apresenta-se com sinais e sintomas que formam um quadro de doença com um agente etiológico reconhecido ou alterações anatômicas compatíveis, com isso se dá um diagnóstico que possui uma grande importância para definir como será o processo em relação às reações físicas e emocionais do paciente. Identifica-se primeiro a doença e posteriormente a enfermidade, sendo este um processo que vai além da reação do or- ganismo, mas diz respeito também à reação do paciente. A doença traz uma experiência de ruptura das formas e funções que aquela pessoa possui e implica em um processo de sofrimento, podendo haver impactos sociais como sugerido pela antropologia, além de variar conforme a sociedade em que aquela pessoa está inserida (Duarte et al., 2011; Laplantine, 1986; Stedman, 1996). 20PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 A HOSPITALIZAÇÃO DURANTE O PROCESSO DE ADOECIMENTO2 TÓPICO A literatura apresenta que as pessoas quando estão em processo de adoecimento e necessitam ser hospitalizadas, são comumente tratadas de modo impessoal e passam a conviver com situações difíceis e desconhecidas, gerando anseios e temores, passam a ser assistidos de forma mecânica e seus medos são frequentemente ignorados. Passar do estado sadio e se encontrar em uma situação de doente, implicando em suas ocupações, contribui com o aumento da ansiedade e níveis de dores, além de vivências de condutas de emergência agressivas e dolorosas e estar longe da sua família, se encontra em uma enfermaria e passa por procedimentos invasivos, palavras frias, experimentando uma nova fase de sua vida, onde suas vontade deixam de ser importantes para a equipe de saúde. (Gomes, 1997). De acordo com Castro & Bornholdt em 2004, um hospital é entendido como uma entidade tangível que cuida de pacientes, independentemente de estarem internados ou não. A ideia de um hospital geralmente nos leva a pensar em uma doença já existente, onde apenas intervenções de nível secundário e terciário são possíveis para prevenir seus efeitos adversos, sejam eles físicos, emocionais ou sociais. Foucault, 1995, diz que o hospital é um meio de intervenção sobre o doente, cuja função é assegurar o enquadrilhamento, a vigilância, a disciplinarização do mundo confuso do doente e da doença, como também transformar as condições do meio em que os indiví- duos serão colocados, visando assumir os cuidados com pessoas doentes que não podem ser tratadas em suas próprias casas. Já a OMS, citado por Mezzomo (2003, p. 20), classifica o hospital como 21PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 parte integrante de um sistema coordenado de saúde, cuja função é dispen- sar à comunidade completa assistência médica, preventiva ou curativa, in- cluindo serviços extensivos à família em seu domicílio e ainda funcionando como centro de formação dos que trabalham no campo da saúde, no desen- volvimento de pesquisas biopsicossociais, doentes em regime de internação; desenvolvimento, sempre que possível, de atividades de natureza comunitá- ria, procurando atingir o contexto sócio-familiar dos doentes, incluído aqui a educação em saúde, que abrange a divulgação dos conceitos de promoção, proteção e prevenção da saúde. O processo de adoecimento e de hospitalização podem variar, mas de modo geral se caracterizam em algumas etapas: Aparecimento dos sintomas: o processo de adoecimento começa geralmente com o aparecimento de sintomas físicos ou emocionais que afetam a qualidade de vida do paciente. Esses sintomas podem variar de acordo com a condição médica, mas podem incluir dor, febre, náusea, vômito, dificuldade respiratória, entre outros. Diagnóstico: quando os sintomas se tornam preocupantes, o paciente pode procu- rar ajuda médica. O médico então realiza um exame físico e, se necessário, solicita exames para diagnosticar a condição médica. Admissão hospitalar: se a condição médica do paciente for grave o suficiente, pode ser necessária uma hospitalização para poder receber tratamento adequado. A hospi- talização pode ser feita em uma unidade de emergência ou o paciente pode ser transferido para uma unidade hospitalar específica. Avaliação médica: assim que o paciente é admitido, ele é avaliado por uma equipe de profissionais de saúde para avaliar sua condição e estabelecer um plano de tratamento. A equipe pode incluir médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, nutri- cionistas e outros profissionais, dependendo da condição médica do paciente. Tratamento: após a avaliação médica, o paciente começa a receber o tratamento necessário para tratar sua condição médica. O tratamento pode incluir medicamentos, terapias, cirurgias ou outros procedimentos médicos. Monitoramento: durante a hospitalização, o paciente é monitorado de perto pela equi- pe médica para avaliar a eficácia do tratamento e monitorar o progresso da condição médica. Alta hospitalar: quando a condição médica do paciente está sob controle, ele podereceber alta hospitalar. Antes da alta, a equipe médica pode fornecer instruções para o cui- dado pós-alta, incluindo medicações, cuidados de feridas, terapia ocupacional, fisioterapia ou outras instruções específicas. 22PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 Ao ser hospitalizado acontece uma modificação no dia a dia do indivíduo, passando a ter limitações, dependências e impotências, surgindo um novo contexto, levando à interrup- ção do processo produtivo do indivíduo, do contato com o ambiente familiar, uma nova rotina, equipamentos estranhos ligados ao seu corpo, diagnósticos que podem ser assustadores, sem que a pessoa perca a sua capacidade de percepção do que está acontecendo a sua volta, entendendo toda a gravidade da situação em que está presente. (Pinheiros, 2008). Aspectos negativos da hospitalização: • Afastamento de casa/família; • Exames/procedimentos invasivos; • Aspectos emocionais; • Acompanhamento psicológico; • Atuação humanizada da equipe (Bezerra, 2021). 23PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 AS CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA OCUPACIONAL JUNTO A PESSOAS HOSPITALIZADAS DEVIDO AO PROCESSO DE ADOECIMENTO3 TÓPICO O terapeuta ocupacional buscará promover conforto e qualidade de vida, auxilian- do nesse processo tanto a pessoa quanto o seu cuidador e/ou família, para que assim consigam lidar com perdas funcionais, cognitivas, sociais e emocionais, buscando sempre a promoção de autonomia e/ou independência no desempenho ocupacional. Promoção de atividades significativas no enfrentamento da doença ou pela hospitalização em si e seu tratamento. A contribuição e promoção da capacidade funcional, buscando um maior desempenho ocupacional, que nada mais é que uma vida ativa, recuperando seus papéis ocupacionais ou ressignificando eles (De Carlo et al., 2004). Os papéis ocupacionais, segundo o Modelo de Ocupação Humana da Terapia Ocupa- cional, determinam a rotina diária e estruturam a maioria dos comportamentos das pessoas. Quando ocorre o processo de hospitalização acontece uma ruptura, que se torna um processo complexo e requer uma transformação de hábitos e integrar isso em uma nova rotina. A prá- tica clínica da terapia ocupacional busca a possibilidade de resgate dos papéis ocupacionais, dando maior independência e autonomia possível para o sujeito (Gil et al., 2014). Buscando favorecer a saúde, os terapeutas ocupacionais por meio de sua assistên- cia podem buscar a promoção da saúde através do cuidado em sua multidimensionalidade, se estendendo desde a atenção ao estado de saúde frente às condições sociais, de trabalho e autocuidado. Considerando isso, durante o processo de adoecimento e hospitalização, o acolhimento, a recuperação das emoções, atividades significativas, o aprimoramento de competências e a participação social fazem parte da compreensão do processo de saúde e doença pelo terapeuta ocupacional (Santos et al., 2018). 24PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 A terapia ocupacional desempenha um papel essencial junto a pessoas hospitali- zadas devido a processos de adoecimento, oferecendo uma série de contribuições signifi- cativas para promover a recuperação, a independência funcional e o bem-estar. Aqui estão algumas das principais contribuições da terapia ocupacional em ambientes hospitalares: Avaliação e planejamento individualizado: Terapeutas ocupacionais conduzem avaliações detalhadas para entender as necessidades, capacidades e objetivos específicos de cada paciente. Com base nessa avaliação, eles elaboram planos de tratamento personalizados. Promoção da independência: a Terapia Ocupacional visa ajudar os pacientes a recuperar habilidades necessárias para o autocuidado, como vestir-se, tomar banho, comer e realizar atividades cotidianas. Isso contribui para a independência e para a redução da necessidade de cuidadores. Prevenção de complicações: Terapeutas ocupacionais ensinam estratégias de movimento seguro e fornecem equipamentos de auxílio, como dispositivos adaptativos, para reduzir o risco de quedas e lesões durante a hospitalização. Gerenciamento da dor: a terapia ocupacional pode incluir técnicas de geren- ciamento da dor, como o uso de modalidades terapêuticas, posicionamento adequado e atividades que ajudam a distrair a atenção do paciente da dor. Reabilitação pós-cirurgia: terapeutas ocupacionais trabalham com pacientes após cirurgias para auxiliá-los na recuperação e no fortalecimento dos músculos afetados, bem como na restauração da função. Abordagem psicossocial: além dos aspectos físicos, a terapia ocupacional considera o bem-estar emocional e mental dos pacientes. Isso envolve o fornecimento de apoio psicos- social, estratégias de enfrentamento e a promoção da saúde mental durante a hospitalização. Promoção da mobilidade: terapeutas ocupacionais ajudam os pacientes a manter ou recuperar a mobilidade, seja por meio de exercícios, treinamento para o uso de equipa- mentos de assistência à mobilidade ou técnicas de transferência segura. Aumento da adesão ao tratamento: a terapia ocupacional pode ajudar os pa- cientes a entender a importância de seu tratamento e a cumprir suas prescrições médicas, promovendo assim melhores resultados de saúde. Preparação para alta hospitalar: Terapeutas ocupacionais preparam os pacientes para o retorno ao ambiente doméstico, avaliando as adaptações necessárias e fornecendo treinamento para o uso de dispositivos assistivos ou modificações no ambiente. Integração na comunidade: quando apropriado, a terapia ocupacional pode aju- dar os pacientes a retomar suas atividades e papéis sociais em suas comunidades, o que é especialmente importante após um período de hospitalização (Santos et al., 2018). 25PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 A atuação do terapeuta ocupacional junto ao hospital deve buscar desenvolver escuta e acolhimento às ne- cessidades e problemáticas dos sujeitos sob cuidado, deslocando o hospital do eixo da assistência à saúde e entendendo-o como estação do cuidado. Ao oferecer atenção a partir de linhas do cuidado (à criança e ao adolescente; ao adulto sob cuidados clínicos e cirúrgicos; à saúde materno-infantil; à pessoa com HIV/AIDS, à pessoa com câncer; à pessoa em cuidados paliativos, entre outras), as práticas e saberes produzidos pela Terapia Ocupacional poderão percorrer itinerários nas diferentes linhas passando pela atenção primária, secundária e terciária, e parando em várias estações do cuidado. Nesta perspectiva, o foco das ações do terapeuta ocupacional no hospital são as atividades e cotidianos. O cuidado à saúde que a Terapia Ocu- pacional disponibiliza se constitui em poder entender e intervir nas manifestações e descontinuidades da cotidianidade ocasionadas por situações diversas de adoecimento, que transitam pelo domicílio, hospital, e/ou por outros equipamentos sociais e de saúde. Fonte: Frizzo e Corrêa (2018). “(Choro) Muito horroroso! Puxado, porque já se passou um mês. Difícil! [...] Ela tá evoluindo muito bem, porque esperavam [os médicos] uma evolução em três meses e ela tá evoluindo em semanas, mas, apesar disso, ainda tá sendo muito doloroso (E1).” Fala de uma paciente entrevista que consta no trabalho de Neves et al. (p. 4, 2018) que nos faz pensar em como o adoecimento e a hospitalização podem abalar e ser um processo doloroso. Fonte: Neves et al. (2018). 26PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 O processo de saúde-doença é dinâmico, complexo e multidimensional. A doença provoca uma ruptura nas formas e funções que a pessoa possui, resultando em sofrimento. A transição de um estado saudável para um estado de doença, com implicações em suas ocupações, pode aumentar a ansiedade e os níveis de dor. Além disso, experiências de condutas de emergência agressivas e dolorosas, a distância da família, a estadia em uma enfermaria e a submissão a procedimentos invasivos podemser traumáticas. Nesse contexto, a pessoa experimenta uma nova fase de sua vida, onde suas vontades podem ser negligenciadas pela equipe de saúde. As intervenções da Terapia Ocupacional têm como objetivo possibilitar a (re)signifi- cação da vida e o resgate de papéis e do desempenho ocupacional. Isso é feito explorando as habilidades e potenciais do indivíduo, a fim de manter sua autonomia nas decisões refe- rentes a si mesmo e ao ambiente em que vive. Essas intervenções promovem e preservam sentimentos de autoestima, reconhecimento e valorização, contribuindo para uma melhor adaptação pessoal e social. Até a próxima Unidade! CONSIDERAÇÕES FINAIS 27PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 Sugiro como leitura complementar o seguinte artigo: FRIZZO, H. C. F.; CORRÊA, V. A. C. Terapia ocupacional em contextos hospitalares: a especialidade, atribuições, competências e fundamentos. Minas Gerais: Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, v. 6, p. 130-139, 2018. LEITURA COMPLEMENTAR 28PROCESSO DO ADOECIMENTO E DA HOSPITALIZAÇÃOUNIDADE 2 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Para sempre Alice. • Ano: 2014. • Sinopse: O filme conta a história de Dr.ª Alice Howlandé, uma renomada professora de linguística que, aos poucos, começa a esquecer certas palavras e se perder pelas ruas de Manhattan. Ela é diagnosticada com Alzheimer. A doença coloca em prova a força de sua família. Enquanto a relação de Alice com o marido John fragiliza, ela e a filha caçula, Lydia se aproximam. LIVRO • Título: Terapia ocupacional em contextos hospitalares e cuidados paliativos. • Autor: Marysia Mara Rodrigues do Prado de Carlo e Aide Mitie Kudo. • Editora: Editora Payá. • Sinopse: Os campos de conhecimentos e de atuação da Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares e Cuidados Paliativos são bastante amplos, diversificados e crescentes. Esse livro pretende fundamental compartilhar experiências assistenciais e trabalhos científicos produzidos sobre a especialidade profissional de Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares e suas áreas de atuação, particularmente em Cuidados Paliativos. Traz uma grande contri- buição para a consolidação das práticas baseadas em evidências na área da saúde e consequente melhoria da qualidade da assis- tência prestada aos clientes, seus familiares e cuidadores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Histórico da Terapia Ocupacional nos Contextos Hospitalares; • As Práticas da Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares; • A importância da atuação da Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar Contextos Hospitalares; • Compreender os tipos de cuidados e as práticas da Terapia Ocupacional; • Estabelecer a importância da Terapia Ocupacional nos contextos hospitalares. Professor(a) Esp. Ana Carolina Coculo da Costa TRAJETÓRIA ETRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERA-PRÁTICA DA TERA- PIA OCUPACIONAL PIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃONA INTERVENÇÃO HOSPITALARHOSPITALAR UNIDADEUNIDADE3 30TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 INTRODUÇÃO A terapia ocupacional surgiu nos contextos hospitalares como uma abordagem tera- pêutica voltada a ajudar na recuperação e reabilitação de pessoas que enfrentam desafios de saúde física e mental. A terapia ocupacional no ambiente hospitalar pretende auxiliar os pacientes a retomarem suas atividades diárias e a desempenharem papéis significativos em suas vidas. O desenvolvimento da terapia ocupacional nos hospitais remonta ao final do século XIX e início do século XX. Durante esse período, a medicina estava se tornando mais científica e a compreensão da relação entre atividade humana e saúde estava começando a ser explorada. Nesse contexto, a terapia ocupacional surgiu como uma resposta às ne- cessidades dos pacientes hospitalizados. Ao longo do tempo, a terapia ocupacional evoluiu e se tornou uma disciplina reco- nhecida no campo da saúde. Atualmente, os terapeutas ocupacionais em hospitais traba- lham com uma variedade de pacientes, incluindo aqueles que sofreram lesões traumáticas, passaram por cirurgias, têm condições crônicas ou enfrentam desafios de saúde mental. Até o momento vimos sobre as intervenções em diferentes diagnósticos, o pro- cesso de hospitalização, agora entenderemos por meio de um breve contexto histórico sobre como a ciência da profissão surgiu e como foi que isso se deu mediante ao ambiente hospitalar, além de apresentarmos os Parâmetros Assistenciais e às legislações gerais sobre a atuação do terapeuta ocupacional em contextos hospitalares, além de demonstrar a importância da atuação do profissional em questão neste contexto. HISTÓRICO DA TERAPIA OCUPACIONAL NOS CONTEXTOS HOSPITALARES1 TÓPICO 31TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 A literatura nos traz através de Francisco (1988) que a Terapia Ocupacional surge em meados dos anos iniciais do século XX. Assim como Medeiros (2003) e Willard (2011) que também apontam o tratamento das doenças mentais através da ocupação, considerado como “Tratamento Moral”, se dava pelo uso do trabalho como abordagem. Todo esse pro- cesso apresentou declínio com o avanço da medicina, onde a natureza de como se utilizava a ocupação passava a ser uma ciência que possuía eficácia tanto para a pessoa enferma quanto para o ambiente hospitalar (MEDEIROS, 2003; WILLARD, 2011; FRANCISCO, 1988). Assim com as grandes guerras, a Terapia Ocupacional surge, acompanhando as incapacidades relacionadas aos acidentes industriais, além de tratar pessoas incapacitadas, buscando sempre a reabilitação e reinserção social, tendo seu viés no uso da ocupação como o treinamento de atividades de autocuidado e de participação social por meio da graduação de demandas físicas para realização de tarefas (DE CARLO, 2001). A Terapia Ocupacional se desenvolve por meio das consequências do pós-guerra, em que passou a se ter departamentos de Terapia Ocupacional em hospitais militares, buscando a reabilitação de jovens que apresentavam disfunções físicas e assim ficaram incapacitados durante a guerra (Willard, 2011). Entendendo isso, vemos que a Terapia Ocupacional surge como profissão atuando em grandes hospitais. Soares (1991) cita que a profissão surge mediante a dois processos: em hospitais de longa permanência com doentes crônicos por meio da laborterapia e res- taurando capacidades funcionais daqueles com disfunções físicas, e através da redução 32TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 de danos causados pela hospitalização por meio de atividades recreativas e autocuidado, profissionais e atividades para conservação do espaço físico da instituição. O Terapeuta Ocupacional tem como objetivo primordial a qualidade de vida do indivíduo hospitalizado, em torno do dimensionamento das condições e necessidades com o ambiente e da relação com família e equipe, consideran- do sua globalidade e integralidade (PALM, 1997, p. 56). Sempre buscando a vida ocupacional, segundo Soares (1991),a Terapia Ocupa- cional nasceu em contextos hospitalares, e se constitui através da atuação com doentes crônicos, utilizando da ocupação, atividades, sejam produtivas, as de autocuidado e/ou recreativas. AS PRÁTICAS DA TERAPIA OCUPACIONAL EM CONTEXTOS HOSPITALARES2 TÓPICO 33TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 O profissional de terapia ocupacional emprega tecnologias voltadas para a liberação e independência de indivíduos que, devido a circunstâncias específicas (sejam elas físicas, sensoriais, psicológicas, mentais e/ou sociais), possuem limitações funcionais temporárias ou permanentes e/ou enfrentam desafios na integração e participação na vida social (DE CARLO; LUZO, 2004). Para falarmos mais sobre as práticas da Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares, apresentaremos os Parâmetros Assistenciais, que mostram os conceitos e definições de contextos hospitalares. Conforme a Lei n°6.839/1980 descreve: Atuação do terapeuta ocupacional em instituições hospitalares de saúde de pequeno, médio ou grande porte, seja hospital geral ou especializado, nos níveis secundário e terciário de atenção à saúde, inclusive os hospitais psi- quiátricos e penitenciários, em todas as fases do desenvolvimento ontoge- nético, com ações de prevenção, promoção, proteção, educação, interven- ção e reabilitação do cliente/paciente/usuário. Procedimento de avaliação, intervenção e orientação, realizado em regime ambulatorial (hospitalar) ou internação, com o cliente/paciente/usuário internado e/ou familiar e cuidador, em pronto atendimento, enfermaria, berçário, CTI, UTI (neonatal, pediátrica e de adulto), unidades semi-intensivas, hospital-dia, unidades especializadas, como unidade coronariana, isolamento, brinquedoteca hospitalar, unidade materno infantil, unidade de desintoxicação, de quimioterapia, radioterapia e hemodiálise para intervenção o mais precoce possível, a fim de prevenir deformidades, disfunções e agravos físicos e/ou psicossociais e afetivos, pro- movendo o desempenho ocupacional e qualidade de vida a todos os clientes/ pacientes/usuários, incluindo os que estão “fora de possibilidades curativas”, ou atuando em Cuidados Paliativos. (COFFITO, 2014, p.128). O documento ainda apresenta o que se deve conter no processo avaliativo em contextos hospitalares, frisa que devem ocorrer intervenções não só ao usuário/paciente, 34TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 mas também com os familiares e cuidadores, além de apresentar os procedimentos que devem constar nessas orientações. Como apontado por De Carlo e Luzo (2004), a Terapia Ocupacional tem como objetivo intervir nas consequências tanto da doença quanto da internação hospitalar, pro- movendo a qualidade de vida através da integridade e globalidade do indivíduo em todas as suas dimensões. Quando pensamos em crianças hospitalizadas, também podemos pensar na in- tervenção do terapeuta ocupacional, que pode vir seguindo os mesmos parâmetros para o atendimento de adultos e idosos, mas focando nas ocupações e atividades exclusivas da infância. Além disso, em hospitais infantis comumente há brinquedotecas, local em que pode-se contar com a presença do terapeuta ocupacional, conforme estabelece a Resolução N.° 324/2007, que considera: A Terapia Ocupacional é uma profissão de nível superior, legitimada pelo Decreto-Lei n.° 938/69 e pelas Resoluções COFFITO n.° 08/1978, 10/1978, 81/1987. Essas normativas conferem ao Terapeuta Ocupacional a habilidade para diagnosticar o desempenho ocupacional em diversas áreas, como atividades cotidianas, trabalho, lazer, e componentes de desempenho sensório-motor, integração cognitiva, habi- lidades psicossociais e componentes psicológicos, por meio do uso de métodos e técnicas terapêuticas ocupacionais. A atividade de brincar e o uso de brinquedos são ferramentas importantes no pro- cesso terapêutico ocupacional, pois estimulam o indivíduo a desenvolver estratégias para superar desafios do dia a dia. Brincar e usar brinquedos são partes integrantes do processo de desenvolvimento e construção da identidade do indivíduo e da criança, incentivando a resolução de problemas e o estabelecimento de novas relações com objetos, seu corpo, sua história e a produção de diversos conhecimentos. A Lei n.º 11.104/2005 obriga a instalação de brinquedotecas em unidades de saúde que oferecem atendimento pediátrico em regime de internação, e a Portaria n.º 2.261/2005- GM/MS estabelece as diretrizes para a instalação e funcionamento dessas brinquedotecas. A hospitalização pode ser uma experiência traumática que impacta significativa- mente a vida do indivíduo e da criança e de sua família, podendo causar dor, procedimentos invasivos, apatia, inatividade, regressão no desenvolvimento infantil, desorganização nas tarefas cotidianas, de lazer e escolares, e limitações funcionais. A criação de espaços de brinquedotecas em ambientes especializados, ambulatoriais e hospitalares, tem como objetivo oferecer à criança e seus acompanhantes meios que permitam a continuidade do desenvolvimento infantil, proporcionando um espaço onde a criança, sob orientação, possa compreender e elaborar melhor a problemática que vivencia. 35TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 O Terapeuta Ocupacional tem a responsabilidade de avaliar e intervir nos efeitos do processo de hospitalização, promovendo estratégias de superação dos problemas e conse- quente adaptação ao espaço hospitalar, por meio de atividades terapêuticas ocupacionais que favorecem situações prazerosas, criativas, inovadoras e mudanças comportamentais. Artigo 1º - Apenas o Terapeuta Ocupacional, devidamente registrado no CREFITO da jurisdição de sua atuação profissional, tem a competência exclusiva para desenvolver a atividade de brincar e utilizar o brinquedo como recursos terapêutico-ocupacionais na assistência ao ser humano em suas capacidades motoras, mentais, emocionais, percep- to-cognitivas, cinético-ocupacionais e sensoriais, em todos os níveis de atenção à saúde. Artigo 2º - O Terapeuta Ocupacional desenvolverá a atividade de brincar e utili- zará o brinquedo como recursos terapêutico-ocupacionais para ajudar a criança e seus familiares a enfrentar os desafios no ambiente demandado, especialmente o hospitalar, estimulando os componentes de desempenho ocupacional sensoriomotor, integração cog- nitiva e componentes cognitivos, habilidades psicossociais e componentes psicológicos, nos contextos temporais e ambientais de desempenho ocupacional. Isso pode ser feito em situação individualizada ou grupal. Artigo 3º - A equipe multidisciplinar da brinquedoteca ou de serviços relacionados ao desenvolvimento da atividade de brincar e utilização do brinquedo como instrumento terapêutico ocupacional deve incluir um profissional Terapeuta Ocupacional em número que permita um atendimento de qualidade no estabelecimento assistencial público ou privado. Apenas este profissional tem a competência para desempenhar esses serviços. Artigo 4º - É recomendado que os serviços relacionados ao desenvolvimento de atividade de brincar e utilização do brinquedo como recursos terapêuticos ocupacionais na assistência ao ser humano, em brinquedotecas ou outros serviços, estejam sob a coorde- nação e responsabilidade técnica do Terapeuta Ocupacional (COFFITO, 2007). A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL EM CONTEXTOS HOSPITALARES3 TÓPICO 36TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 A importância da atuação da Terapia Ocupacional em contextos hospitalares reside em seus processos de intervenção, que se concentram na vida ocupacional e nas disfun- ções ocupacionais. Essas disfunções são caracterizadas pela combinação de dificuldades ou alterações físicas, mentais, cognitivas, sociais e espirituais que o indivíduoapresenta. A Terapia Ocupacional atua na prevenção de úlceras de pressão, hipotensão or- tostática, trombose venosa profunda e desorientação temporoespacial. Também previne deformidades, contraturas, atrofias por desuso e diminuição da força muscular e amplitude de movimento, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e vigilância, além de dificulda- des psicossociais e espirituais. O Terapeuta Ocupacional orienta o uso de órteses e equipamentos de tecnologia assistiva, de comunicação alternativa, cadeira de rodas e outros equipamentos. Ele tam- bém auxilia na readaptação de atividades escolares ou laborais/reabilitação vocacional, adequação do ambiente hospitalar e proteção articular e conservação de energia. A Terapia Ocupacional promove a independência funcional e o desempenho ocu- pacional. Ela acompanha o paciente durante os procedimentos médicos (exames, cirur- gias, etc), auxilia no posicionamento, mobilidade e transferência, adesão ao tratamento, organização da rotina e vida cotidiana, valorização da capacidade e das habilidades de fortalecimento da autoestima. A Terapia Ocupacional também atua no manejo de dor e controle de sintomas, promovendo bem-estar e qualidade de vida. Ela resgata atividades significativas durante a intervenção, acompanha a família no período de luto, proporciona conforto psicossocial 37TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 e espiritual para o paciente, familiar e cuidador, auxilia no enfrentamento do processo de adoecimento, hospitalização e tratamento, e ajuda na elaboração do processo final de vida. O Terapeuta Ocupacional também realiza a análise e monitoramento da intervenção, reavaliação pontual ou processual, redefinição do planejamento e metas da intervenção, preparação da alta, encaminhamento para serviços extra-hospitalares e ambientação em domicílio para alta hospitalar (acessibilidade, segurança e conforto). Além disso, o Terapeuta Ocupacional contribui para os Contextos Hospitalares participando de visitas clínicas, reuniões e discussões de casos clínicos com a equipe multiprofissional, higienização de equipamentos e materiais, cuidados de biossegurança, organização, adaptação e humanização do ambiente hospitalar, solicitação de interconsulta hospitalar, encaminhamento para serviços extra-hospitalares, registro em prontuário do paciente, registro na estatística do serviço, emissão de laudos, pareceres e relatórios do paciente (KUDO, 2018). No Brasil os precursores da Terapia Ocupacional foram médicos como Elso Arruda, Henrique de Oliveira Mattos, Luiz Cerqueira e a conhecida Nise da Silveira, desenvolvendo o trabalho com laborterapia e recre- acionismo em hospitais psiquiátricos. Fonte: A autora (2023). A falta de conhecimento sobre a atuação do terapeuta ocupacional é uma das dificuldades do desenvolvimento de um trabalho e reforçam a concepção das participantes ao lecionarem que o desconhecimento de outros profissionais da equipe, bem como da gerência do serviço, referente a especificidade, atribuições e possibilidades de ações conjuntas. Fonte: Othero e Silva (2010). 38TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 Os terapeutas ocupacionais hospitalares avaliam as habilidades funcionais dos pacientes, identificam suas metas de recuperação e desenvolvem planos de tratamento individualizados. Eles utilizam atividades terapêuticas adaptadas para ajudar os pacientes a recuperar a independência, aprimorar as habilidades motoras e cognitivas, aliviar a dor, reduzir o estresse e promover a reintegração na vida cotidiana. Além disso, os terapeutas ocupacionais também trabalham em equipe multidis- ciplinar, colaborando com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais de saúde para garantir uma abordagem abrangente e eficaz no cuidado dos pacientes hospitalizados. Em resumo, a terapia ocupacional nos contextos hospitalares teve origem na ne- cessidade de promover a recuperação e reabilitação de pacientes hospitalizados. Através do envolvimento em atividades significativas, os terapeutas ocupacionais buscam melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida dos pacientes, ajudando-os a retomar suas ativida- des diárias e desempenhar papéis importantes em suas vidas. CONSIDERAÇÕES FINAIS 39TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 Todos os terapeutas ocupacionais precisam conhecer seus princípios de trabalho, independentemente da área de atuação. Aqui está um material para ler mais informações sobre como trabalhar em ambientes hospitalares. Segue o link de acesso ao material: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=3209. LEITURA COMPLEMENTAR 40TRAJETÓRIA E PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA INTERVENÇÃO HOSPITALARUNIDADE 3 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: So Proudly We Hail! • Ano: 1943. • Sinopse: Um grupo de inexperientes enfermeiras norte-ameri- canas, comandadas pela tenente Janet Davidson, deixa seu país para servir no Havaí, em 1941. Após o ataque a Pearl Harbor, elas são enviadas para Bataan, nas Filipinas. Em meio a romances, bombas e problemas pessoais, elas se sacrificam para mitigar o sofrimento dos soldados, que lutam contra a invasão japonesa. Após a derrota dos Aliados na Batalha de Bataan, que levou, inclu- sive, à cruel Marcha da Morte de Bataan, elas empreendem a fuga para Corregidor, onde mais perigos as aguardam. LIVRO • Título: Willard & Spackman - Terapia Ocupacional - Crepeau. • Autor: Crepeau et al. • Editora: Guanabara. • Sinopse: Seguindo as orientações claras dos autores e os exer- cícios modelados por especialistas, você aprenderá a aplicar uma abordagem centrada no cliente, ocupacional e baseada em evi- dências em variados ambientes de atuação. Totalmente atualizada e revisada, esta Décima Primeira Edição reflete a maior ênfase à evidência e o foco crescente sobre a ocupação como base para a prática. Além disso, ampliou suas narrativas pessoais, oferecendo visões únicas da vida com doenças crônicas ou incapacidade. https://pt.wikipedia.org/wiki/Estadunidenses https://pt.wikipedia.org/wiki/Estadunidenses https://pt.wikipedia.org/wiki/Tenente https://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADs https://pt.wikipedia.org/wiki/Hava%C3%AD https://pt.wikipedia.org/wiki/1941 https://pt.wikipedia.org/wiki/Pearl_Harbor https://pt.wikipedia.org/wiki/Bataan https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipinas https://pt.wikipedia.org/wiki/Soldados https://pt.wikipedia.org/wiki/Japonesa https://pt.wikipedia.org/wiki/Aliados https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Bataan https://pt.wikipedia.org/wiki/Corregidor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • A Prematuridade; • Criança Hospitalizada e as Consequências Frente à Rotina e o Brincar; • As Ações e Contribuições do Terapeuta Ocupacional na UTNI e no processo de Hospitalização. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e Contextualizar Prematuridade e o Serviço da Terapia Ocupacional na Neonatologia; • Compreender a Atuação do Terapeuta Ocupacional Frente a Enfermarias Pediátricas e UTNI; • Estabelecer a Importância da TerapiaOcupacional em Hospitais Infantis. Professor(a) Esp. Ana Carolina Coculo da Costa TERAPIA TERAPIA OCUPACIONAL OCUPACIONAL E CONTEXTOS E CONTEXTOS HOSPITALARES: HOSPITALARES: PEDIATRIA E PEDIATRIA E NEONATOLOGIANEONATOLOGIA UNIDADEUNIDADE4 42TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 INTRODUÇÃO A terapia ocupacional é uma disciplina da área da saúde que busca promover a saúde e o bem-estar dos indivíduos por meio da ocupação significativa e do engajamento em atividades terapêuticas. Em ambientes hospitalares, os terapeutas ocupacionais desem- penham um papel crucial no cuidado de crianças e recém-nascidos que estão enfrentando desafios de saúde. Nos hospitais pediátricos, o terapeuta ocupacional trabalha em estreita colaboração com a equipe médica e multidisciplinar para fornecer intervenções terapêuticas individua- lizadas às crianças. Seu principal objetivo é promover o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social dos pacientes pediátricos, considerando suas necessidades específicas e o estágio de desenvolvimento. Nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatais (UTIN), os terapeutas ocupacionais desempenham um papel fundamental na avaliação e intervenção precoce de bebês pre- maturos ou com condições médicas graves. Eles trabalham em estreita colaboração com a equipe médica para fornecer cuidados centrados no desenvolvimento, considerando as necessidades únicas dos recém-nascidos. A atuação do terapeuta ocupacional em hospitais pediátricos e em UTI neonatais desempenha um papel essencial no cuidado e recuperação de crianças e recém-nascidos. Seu trabalho visa promover o desenvolvimento e a independência funcional, ajudando es- ses pacientes a superar desafios e alcançar seu potencial máximo, enquanto oferece apoio emocional tanto para as crianças quanto para suas famílias. A PREMATURIDADE1 TÓPICO 43TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 Quando a família se depara com a prematuridade os pais enfrentam uma gama de sentimentos, pois o primeiro contato com o filho foge de tudo que idealizaram e tanto sonharam. Situações em que o nascimento é pré-termo, ou seja, aquele que nasce antes das 37 semanas, o baixo peso, algumas patologias congênitas que podem estar presentes trazem uma urgência do recém-nascido ser internado na unidade de terapia intensiva neo- natal (UTIN) (NASCIMENTO, 2019). Todo bebê nasce com uma necessidade específica e isso diferencia no seu cui- dado, pois ali podemos ter as condições biológicas que se encontram fragilizadas, pode haver restrição de contato desse bebê com a sua família, os estímulos recebidos podem ser intrusivos e dolorosos, seja por meio de sondas, agulhas, tubos, luzes fortes, barulhos, dentre tantos outros, o que o faz muito diferente do ambiente intrauterino. Pensando nis- so, em 2000 surge o Programa Nacional de Humanização Hospitalar, conhecido como o HumanaSUS, que busca a melhora na qualidade do atendimento daqueles internados e inclusive de seus acompanhantes. Posteriormente, surge o Programa Cegonha, buscando melhorar a estrutura do hospital, qualificar profissionais e criar novas estratégias para aten- der gestantes e seus bebês desde o pré-natal, o pós-natal e também acompanhamento, atendimento especial prioritário, educação, planejamento reprodutivo e aleitamento, dentre outros. No entanto, às UTIN, devido a todos os procedimentos que envolvem risco, ainda é um local onde há dificuldade para se ter a humanização estabelecida (JOAQUIM, 2014). Conforme publicado no site do Ministério da Saúde, novembro é o mês que se tem a conscientização a respeito da prematuridade, sendo conhecido como Novembro Roxo. Nesta mesma publicação, o Ministério da Saúde fez em novembro de 2022 campanha “Se- paração Zero-Direito do Prematuro. Aja agora! Mantenha pais e bebês prematuros juntos”, buscando o reconhecimento da necessidade do recém-nascido de estar acompanhado e como isso pode favorecer no seu desenvolvimento. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022). CRIANÇA HOSPITALIZADA E AS CONSEQUÊNCIAS FRENTE À ROTINA E O BRINCAR2 TÓPICO 44TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 A experiência do adoecimento não causa apenas alterações no corpo físico, mas também requer uma adaptação à rotina e aos papéis ocupacionais, como já foi discutido anteriormente, seja na criança ou na família. A hospitalização pode ser uma experiência estressante, repleta de desconforto e vulnerabilidades, devido à mudança de ambiente e ao afastamento do ambiente familiar. Isso pode levar a várias alterações, incluindo emocionais e comportamentais no paciente hospitalizado. No hospital, especialmente na UTIN, o paciente vivencia situações marcantes, rea- liza diversos exames, usa tecnologias complexas, tem seus sinais vitais monitorados cons- tantemente, recebe inúmeros estímulos dolorosos, toma medicações, tem sua alimentação e rotina diária alteradas, passa por procedimentos invasivos, perde sua individualidade, e está exposto a barulhos e luzes constantes. Tudo isso pode tornar o ambiente hospitalar angustiante, gerando ansiedade e medo. (NASCIMENTO, 2019). A ruptura com a rotina diária e a distância entre a família e a criança podem causar atrasos no desenvolvimento global da criança hospitalizada. Nesse contexto, o brincar pode ser utilizado como recurso terapêutico (BARCELOS, 2012). O brincar é a principal atividade de uma criança e é essencial para o seu desen- volvimento. Desde 2005, é obrigatório que ambientes de saúde que oferecem internação pediátrica tenham uma brinquedoteca. É por meio do brincar que as crianças podem realizar atividades adequadas ao seu quadro clínico e idade da melhor maneira possível, 45TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 possibilitando a socialização, que está limitada devido à internação. Isso auxilia no estado emocional da criança, torna o ambiente mais humanizado devido às estratégias lúdicas e diminui os impactos negativos da internação. (BATISTA, 2021). O brincar dentro do hospital se manifesta como uma atividade simbólica que propor- ciona vivências do cotidiano e promove a aprendizagem, permitindo a ação intencional. O brincar é o elo entre o profissional e o paciente. (BARCELOS, 2012). A Resolução n°34/2007 estabelece que a equipe multidisciplinar da brinquedoteca ou de serviços relacionados ao desenvolvimento da atividade de brincar e utilização do brinquedo como instrumentos tera- pêuticos ocupacionais deve incluir um Terapeuta Ocupacional (COFFITO, 2007). Assim, o terapeuta ocupacional utilizará atividades lúdicas e criativas como recur- sos, após uma avaliação minuciosa, promovendo a capacidade funcional e proporcionando um desempenho ocupacional adequado. Isso favorece o desenvolvimento psicomotor, afe- tivo e cognitivo, a autonomia, a comunicação e a aceitação do processo de hospitalização (BARCELOS, 2012). AS AÇÕES E CONTRIBUIÇÕES DO TERAPEUTA OCUPACIONAL NA UTIN E NO PROCESSO DE HOSPITALIZAÇÃO3 TÓPICO 46TERAPIA OCUPACIONAL E CONTEXTOS HOSPITALARES: PEDIATRIA E NEONATOLOGIAUNIDADE 4 A Terapia Ocupacional é uma ciência que estuda a atividade humana e utiliza re- cursos terapêuticos para reabilitar o indivíduo. Todas as atividades cotidianas são áreas de intervenção da Terapia Ocupacional. Existem oito ocupações que são domínios da Terapia Ocupacional, incluindo as Atividades de Vida Diárias (AVDs), as Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs), o Brincar, a Participação Social, Educação e Lazer. Essas ocupações são influenciadas pela interação entre fatores do cliente, habilidades de desempenho e padrões de desempenho. À medida que o indivíduo cresce, ele passa pelo processo de amadurecimento de seus aspectos motores, cognitivos e psicológicos, conhecido como desenvolvimento in- fantil, que depende da interação com o ambiente em que está inserido