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Apresentação Quando se atribui o adjetivo "histórico" a uma manifestação cultural, considerando-a um patrimônio histórico, confere-se um valor a esse aspecto da cultura, por acreditar que ele contribui para consolidar identidades, histórias e memórias de comunidades e até de nações. E são essas manifestações que passam a ser objeto de políticas de conservação e preservação. Dessa observação, constata-se que nenhum patrimônio é histórico por si mesmo, mas recebe essa alcunha e um tratamento diferenciado na medida em que é valorado positivamente em meio a conflitos políticos simbólicos, que ora podem excluir, ora podem incorporar certos aspectos da cultura de uma sociedade. Uma corrente mais crítica do patrimônio abandonou a ideia de patrimônio histórico, por seu viés excludente e homogeneizante, e passou a utilizar a terminologia patrimônio cultural para se referir ao conjunto de manifestações culturais de um povo, em sua diversidade e variedade. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará a relação entre as ideias de patrimônio histórico, memória e história local. Compreenderá a emergência do pensamento conservadorista e preservacionista do patrimônio no Brasil, juntamente com os objetivos de consolidar determinada identidade nacional. Por fim, conhecerá as convenções e a legislação que regem a preservação patrimonial no Brasil. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: • Analisar as relações entre patrimônio histórico, memória e história local. • Relacionar a formação das políticas e órgãos de preservação do patrimônio no Brasil. • Explicar a evolução das políticas de preservação patriomonial no Brasil. Marcar como concluído Desafio A educação patrimonial, compreendida como uma ferramenta para o ensino de história e para positivação e valorização da diversidade cultural brasileira, permite aos alunos compreenderem os processos pelos quais se constrõem certas identidades, histórias e memórias, e porque determinadas experiências são mais valorizadas que outras ao longo do tempo. Dessa forma, com a educação patrimonial, um assunto abstrato e complexo, como o exercício do poder a partir de determinadas narrativas, representações e símbolos, torna-se possível de ser trabalhado no ensino fundamental. Mas, além da disposicão dos professores em trabalhar com a educação patrimonial em sala de aula, é necessário que rompam com a concepção de patrimônio que o limita a bens arquitetônicos antigos. Considere a situação a seguir: Diante da situação apresentada, analise a resposta do aluno e explique detalhadamente como abordaria a compreensão de patrimônio do aluno. Resposta Simples P 0 PALAVRASDISTRIBUÍDO POR TINY Solte o arquivo aqui ou busque em seu computador jpg, jpeg, png, gif, txt, pdf, doc, docx, xls, xlsx, ppt, pptx, rar, zip, 7z - Tamanho máximo: 150.00 MB Salvar rascunhoEnviar resposta Infográfico No Brasil, a primeira legislação referente à preservação e à proteção do patrimônio data de 1937, promulgada por Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, em uma conjuntura em que era preciso reforçar certa identidade nacional a partir de certas manifestações culturais. Passados quase cem anos, o patrimônio cultural brasileiro segue conectando gerações por meio da identidade e da memória social, mas, atualmente, com uma visão bem mais ampla do que seja patrimônio. Se os valores que orientam a conservação e e preservação dos patrimônios mudam ao longo do tempo, quais são as justificativas contemporâneas para seu fomento e proteção? Veja, neste Infográfico, qual a importância da preservação do patrimônio cultural do Brasil, tanto do patrimônio material quanto imaterial, e como ele contribui em uma sociedade pluriétnica como a brasileira. https://www.tiny.cloud/?utm_campaign=editor_referral&utm_medium=poweredby&utm_source=tinymce&utm_content=v5 Marcar como concluído Conteúdo do Livro “Patrimônio” é uma categoria surgida na Europa no final do século XVIII, juntamente com os processos de formação dos Estados nacionais. Porém, se sua conceituação data da modernidade europeia, o ato que nomeia é muito mais antigo, e de extrema importância para a vida social das coletividades: acumular, colecionar, reter, a fim de demarcar um domínio subjetivo em oposição a outro. Essa constatação permite compreender o processo de constituição do patrimônio histórico e cultural brasileiro. Se as diferentes culturas que compõem a sociedade brasileira guardam características próprias de colecionismo e constituição de seus patrimônios, o Estado operou selecionando determinados bens e registros do passado para a construção da identidade e da memória nacional brasileira. Recuperar e valorizar outras expressões e outros bens culturais por meio da história local significa confrontar essas narrativas homogeneizantes e totalizadoras. No capítulo O patrimônio histórico e cultural no Brasil, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você estudará a relação entre patrimônio, memória e história local. Conhecerá as motivações e as práticas de preservação do patrimônio desenvolvidas pelo Estado brasileiro. Por fim, acompanhará um desenvolvimento da legislação e das políticas de preservação patrimonial no Brasil. Boa leitura. Marcar como concluído Dica do Professor A noção de conservação e preservação do patrimônio cultural traz consigo um debate sobre as diferentes concepções temporais das sociedades. Dependendo da forma como as pessoas se relacionam com o passado, o presente e o futuro, as concepções sobre "permanência" (conservação) e transmissão serão modificadas. O historiador francês François Hartog desenvolveu a ideia de "regime de historicidade" para fazer referência às distintas formas de articulação entre passado, presente e futuro nas sociedades. A fim de estudar o tempo e a temporalidade, abordou em seus trabalhos a memória e o patrimônio como indícios dessas relações entre essas diferentes esferas. Veja, na Dica do Professor, como Hartog compreende as transformações ocorridas nos debates sobre o patrimônio no final do século XX, a partir da noção de "presentismo". Marcar como concluído Exercícios Questão 1 A noção de “patrimônio cultural” foi criada em meados do século XX, e foi se transformando ao longo do tempo. Leia a definição a seguir, elaborada por Canclini (1994, p. 99). “O patrimônio cultural – ou seja, o que um conjunto social considera como cultura própria, que sustenta sua identidade e o diferencia de outros grupos – não abarca apenas os monumentos históricos, o desenho urbanístico e outros bens físicos; a experiência vivida também se condensa em linguagens, conhecimentos, tradições imateriais, modos de usar os bens e os espaços físicos.” Sobre essa definição, são feitas as seguintes afirmações: I – Trata-se de uma definição ampliada, que engloba bens imóveis, mas também o chamado patrimônio imaterial ou intangível. II – É uma definição que reitera a supremacia das construções arquitetônicas e dos monumentos históricos como patrimônios culturais por excelência. III – Trata-se de uma definição que ignora o uso do patrimônio como forma de construir uma identidade específica. Qual(is) está(ão) correta(s)? Selecione a resposta: • A Apenas I. • B Apenas II. • C Apenas III. • D Apenas I e II. • E Apenas II e III. 1 de 5 perguntas Voltar Próxima Na prática As políticas de conservação e preservação estão inseridas em conflitos e negociações atravessadas por questões políticas em que diferentes segmentos da sociedade disputam o que será patrimonializado ou não. Pela ausência de representatividade e pela desigualdade que marcam a história do Brasil, sabe-se que boa parte dos bens patrimonializados correspondem a uma cultura específica, o que faz com que uma parcela significativa da população não legitime, não se reconheça e não se identifique com o que é considerado patrimônio cultural e históriconacional. Assim, mais do que nunca, é fundamental que o ensino de história se ocupe de temas da diversidade e do patrimônio, demonstrando como a memória e o esquecimento são produtos sociais, construídos com determinadas finalidades. Neste Na Prática, veja como o professor Cássio realizou essa atividade com as turmas dos quintos anos, e como, dessa forma, conseguiu trabalhar as noções de patrimônio cultural, de conservação e de preservação. Cássio organizou uma atividade que envolveu não somente suas turmas do quinto ano do ensino fundamental, mas também a comunidade escolar, principalmente seus familiares. Seu objetivo era valorizar determinadas práticas como um patrimônio que configurava a identidade da localidade em que a escola estava inserida.