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Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 1 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ENTREPRENEURSHIP AND PUBLIC POLICIES FOR PROMOTING ENTREPRENEURIAL EDUCATION IN BRAZIL EMPRENDIMIENTO Y POLÍTICAS PÚBLICAS PARA PROMOVER LA EDUCACIÓN EMPRENDEDORA EN BRASIL Alinne Amunielle da Silva Alves1 Ângelo Magalhães Silva2 Elicely Cesário Fernandes3 Werena de Oliveira Barbosa4 Renata Jane Gomes Sarmento5 Emanuely dos Santos Marques6 DOI: 10.54751/revistafoco.v16n10-210 Recebido em: 29 de Setembro de 2023 Aceito em: 30 de Outubro de 2023 RESUMO Este artigo busca investigar a eficácia das políticas públicas voltadas para a promoção da educação empreendedora no Brasil, explorando a interseção entre empreendedorismo, economia e políticas governamentais. Começamos com uma introdução que enfatiza a importância crítica do empreendedorismo como impulsionador do crescimento econômico e a necessidade premente de políticas públicas eficazes para promover a educação empreendedora. Em seguida, a Fundamentação Teórica aborda conceitos-chave relacionados ao empreendedorismo, políticas públicas e educação empreendedora, fornecendo uma visão do cenário atual. Nossa análise inclui uma revisão da literatura sobre empreendedorismo no contexto brasileiro, destacando os desafios enfrentados pelos empreendedores e a importância da educação empreendedora. Também examinamos as políticas públicas em vigor, avaliando seu impacto na promoção do empreendedorismo. Além disso, investigamos indicadores de empreendedorismo e educação no Brasil para fornecer uma base empírica sólida. A 1 Mestra em Planejamento e Dinâmicas Territoriais no Semiárido. Universidad do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Br 405, Km 153, Arizona, Pau dos Ferros - RN, CEP: 59900-000. E-mail: alinneamunielle@gmail.com 2 Doutor em Ciências Sociais na área de Política, Desenvolvimento e Sociedade. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Av. Francisco Mota, 572, Costa e Silva, Mossoró - RN, CEP: 59625-900. E-mail: angelomagalhaes@ufersa.edu.br 3 Mestra em Planejamento e Dinâmicas Territoriais no Semiárido pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Br 405, Km 153, Arizona, Pau dos Ferros - RN, CEP: 59900-000. E-mail: elicelycesario@gmail.com 4 Mestra em Planejamento e Dinâmicas Territoriais no Semiárido pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Br 405, Km 153, Arizona, Pau dos Ferros - RN, CEP: 59900-000. E-mail: werenabarbosa@gmail.com 5 Mestra em Planejamento e Dinâmicas Territoriais no Semiárido pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Br 405, Km 153, Arizona, Pau dos Ferros - RN, CEP: 59900-000. E-mail: rehjanegs@gmail.com 6 Mestra em Planejamento e Dinâmicas Territoriais no Semiárido pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Br 405, Km 153, Arizona, Pau dos Ferros - RN, CEP: 59900-000. E-mail: emanuelymarques.alirn@gmail.com mailto:alinneamunielle@gmail.com mailto:angelomagalhaes@ufersa.edu.br mailto:elicelycesario@gmail.com mailto:werenabarbosa@gmail.com mailto:rehjanegs@gmail.com mailto:emanuelymarques.alirn@gmail.com Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 2 EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ____________________________________________________________________________ discussão resultante interpreta os resultados encontrados, realçando as implicações das políticas públicas examinadas. As conclusões enfatizam as contribuições da pesquisa e sugerem áreas para pesquisas futuras. Este estudo proporciona uma análise das políticas públicas de fomento à educação empreendedora no Brasil, destacando desafios e oportunidades para fortalecer a cultura empreendedora, melhorar a educação financeira/fiscal, simplificar processos burocráticos e promover a inclusão social no ecossistema empreendedor brasileiro. Palavras-chave: Empreendedorismo; políticas públicas; educação empreendedora. ABSTRACT This article seeks to investigate the effectiveness of public policies aimed at promoting entrepreneurial education in Brazil, exploring the intersection between entrepreneurship, the economy, and government policies. We begin with an introduction that emphasizes the critical importance of entrepreneurship as a driver of economic growth and the urgent need for effective public policies to promote entrepreneurial education. Next, the Theoretical Framework addresses key concepts related to entrepreneurship, public policies, and entrepreneurial education, providing an overview of the current landscape. Our analysis includes a review of the literature on entrepreneurship in the Brazilian context, highlighting the challenges faced by entrepreneurs and the importance of entrepreneurial education. We also examine the existing public policies, assessing their impact on promoting entrepreneurship. Additionally, we investigate indicators of entrepreneurship and education in Brazil to provide a solid empirical foundation. The resulting discussion interprets the findings, highlighting the implications of the examined public policies. The conclusions emphasize the contributions of the research and suggest areas for future research. This study provides an analysis of public policies aimed at fostering entrepreneurial education in Brazil, highlighting challenges and opportunities to strengthen the entrepreneurial culture, improve financial and fiscal education, simplify bureaucratic processes, and promote social inclusion in the Brazilian entrepreneurial ecosystem. Keywords: Entrepreneurship; public policies; entrepreneurial education. RESUMEN Este artículo busca investigar la efectividad de las políticas públicas dirigidas a promover la educación emprendedora en Brasil, explorando la intersección entre el emprendimiento, la economía y las políticas gubernamentales. Comenzamos con una introducción que enfatiza la importancia crítica del emprendimiento como motor del crecimiento económico y la necesidad urgente de políticas públicas efectivas para promover la educación emprendedora. A continuación, el Marco Teórico aborda conceptos clave relacionados con el emprendimiento, las políticas públicas y la educación emprendedora, proporcionando una visión general del panorama actual. Nuestro análisis incluye una revisión de la literatura sobre el emprendimiento en el contexto brasileño, destacando los desafíos que enfrentan los emprendedores y la importancia de la educación emprendedora. También examinamos las políticas públicas vigentes, evaluando su impacto en la promoción del emprendimiento. Además, investigamos indicadores de emprendimiento y educación en Brasil para proporcionar una sólida base empírica. La discusión resultante interpreta los hallazgos, resaltando las implicaciones de las políticas públicas examinadas. Las conclusiones enfatizan las contribuciones de la investigación y sugieren áreas para futuras investigaciones. Este estudio proporciona un análisis de las políticas públicas destinadas a fomentar la educación emprendedora en Brasil, destacando desafíos y oportunidades para fortalecer la cultura emprendedora, mejorar la educación financiera y fiscal, simplificar Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 3 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ procesos burocráticosy promover la inclusión social en el ecosistema emprendedor brasileño. Palabras clave: Emprendimiento; políticas públicas; educación emprendedora. 1. Introdução O empreendedorismo, como motor de crescimento econômico e inovação, tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento das nações ao redor do mundo. No contexto brasileiro, a promoção do empreendedorismo tem sido uma prioridade governamental, refletida em políticas públicas que visam fomentar a cultura empreendedora e impulsionar o desenvolvimento econômico. Nesse cenário, a educação empreendedora emerge como um componente essencial para capacitar indivíduos a enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades do ambiente empresarial. A relevância desse tema se manifesta na necessidade premente de se avaliar a eficácia das políticas públicas de fomento à educação empreendedora no Brasil. A promoção de uma cultura empreendedora, aliada a políticas públicas bem estruturadas, não apenas estimula a criação de novos negócios, mas também fortalece a economia, gera empregos e contribui para a inovação. No entanto, é imperativo que tais políticas sejam avaliadas de forma crítica para garantir que atinjam seus objetivos. O presente artigo tem como objetivo principal analisar a efetividade das políticas públicas de fomento à educação empreendedora implementadas pelo Governo Federal do Brasil. Esta pesquisa procura explorar a relação entre empreendedorismo, economia e políticas públicas, fornecendo perspectivas que podem enriquecer a criação de políticas mais eficazes no futuro. Este estudo adota uma abordagem de pesquisa quali-quantitativa, complementada por uma pesquisa bibliográfica. A pesquisa quali-quantitativa permitirá uma análise abrangente da efetividade das políticas públicas de fomento à educação empreendedora, combinando elementos qualitativos e quantitativos para uma compreensão mais completa do fenômeno. A pesquisa bibliográfica, como apontado por Lima e Mioto (2007), implica em um conjunto Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 4 EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ____________________________________________________________________________ ordenado de procedimentos de busca por soluções, atento ao objeto de estudo, e que, por isso, não pode ser aleatório. Ela será essencial para reunir informações relevantes a partir de artigos, livros e revistas científicas, fundamentando nosso estudo em contribuições teóricas e em dados empíricos já existentes. Este estudo contribui para a literatura existente ao fornecer uma análise das políticas de fomento à educação empreendedora no Brasil, identificando desafios e oportunidades para melhorar sua eficácia. Além disso, oferece recomendações baseadas em evidências que podem guiar a formulação de políticas futuras. Ao fazer isso, este artigo visa promover a discussão e o aprimoramento contínuo das políticas públicas relacionadas ao empreendedorismo no contexto brasileiro. 2. Base Teórica e Contextualização Nesse capítulo iremos explorar os conceitos-chave em Empreendedorismo e Políticas Públicas, onde definimos os elementos essenciais do empreendedorismo e discutimos como as políticas públicas se entrelaçam nesse contexto. Em seguida, faremos uma Revisão da Literatura sobre o Empreendedorismo no Brasil, acompanhando a trajetória do empreendedorismo no país e identificando os desafios que os empreendedores enfrentam ao longo do caminho. 2.1. O Empreendedorismo e as Políticas Públicas O empreendedorismo é um campo de estudo que tem despertado o interesse de acadêmicos e pesquisadores ao longo do tempo. Sua relevância está ligada aos potenciais benefícios que a atividade empreendedora pode trazer, particularmente para o desenvolvimento econômico e social, sobretudo em regiões com maiores desafios econômicos. No entanto, vale ressaltar que o empreendedorismo é uma área que ainda carece de definições precisas e universalmente aceitas. Como destacado por Baron e Shane (2007), a tarefa de definir o empreendedorismo é complexa, e para um campo de estudo relativamente novo, essa complexidade é ainda mais evidente. Conforme Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 5 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ apontado por Hisrich, Peters e Shepherd (2009), até o momento, não existe uma definição única e amplamente aceita. É relevante observar que o termo "empreendedorismo" encontra suas raízes na palavra francesa "entrepreneur," que surgiu nos séculos XVII e XVIII com o propósito original de promover o progresso econômico por meio das ações e mentalidade empreendedora das pessoas. A expressão "empreendedorismo" foi traduzida da palavra francesa "entrepreneurship," que, por sua vez, deriva da palavra latina "imprehendere." Ao ser incorporada à língua portuguesa no século XV, essa palavra passou a transmitir o significado de "empreender" (DORNELAS, 2017). Ao analisar o contexto atual, podemos inferir que diversos elementos estão contribuindo para o crescente interesse e disseminação do tema no Brasil. Isso inclui questões como o desemprego, a precarização das condições de trabalho, o estímulo à formalização de microempresas e sua capacidade de permanecerem no mercado, bem como o esforço para aprimorar o ambiente de negócios no Brasil em comparação com outros países. De acordo com Dornelas (2008), uma das repercussões do aumento do desemprego, particularmente nas grandes cidades, onde a concentração de empresas é mais elevada, é a emergência de uma alternativa para os funcionários dessas organizações. Muitos deles começam a empreender e criar seus próprios negócios, frequentemente sem experiência prévia no setor e, por vezes, utilizando as economias pessoais que restaram. Quanto à definição de políticas públicas, Forbeloni (2014) destaca que é possível encontrar pelo menos duas interpretações relevantes. A primeira interpretação considera as políticas públicas como um campo de estudo nas ciências humanas, especialmente na ciência política. Esse campo se dedica à análise de questões relacionadas aos assuntos públicos e à ação governamental. A segunda interpretação está vinculada à perspectiva das relações institucionais, englobando o conjunto de atividades realizadas pelos governos em níveis municipal, estadual e federal. As políticas públicas representam a implementação de iniciativas governamentais por meio de programas e ações que envolvem diversas Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 6 EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ____________________________________________________________________________ unidades e atores tanto do governo quanto da sociedade em geral. Além disso, elas têm uma perspectiva social na promoção do bem-estar, com o objetivo de mitigar a desigualdade social causada pelo modelo econômico em vigor (BEZERRA et al, 2014). Essa abordagem ressalta a intervenção estatal como um instrumento importante para alcançar o equilíbrio e a justiça social na sociedade. Nesse contexto, Fusioka e Platt (2014) enfatizam que o empreendedorismo se torna relevante no âmbito das políticas públicas quando está alinhado aos princípios da boa governança. Isso implica reconhecer que a atuação governamental deve se concentrar na resolução de questões sociais e na promoção do desenvolvimento por meio do estímulo ao empreendedorismo. Com as transformações nas cadeias produtivas em escala global e a adoção de modelos de negócios inspirados no Toyotismo, baseados na terceirização,subcontratação e alta flexibilidade de produtos e serviços, o Brasil estabelece uma agenda de políticas públicas voltadas para a educação empreendedora. O objetivo é capacitar profissionais localmente para atender às demandas do cenário empresarial, impulsionando assim o crescimento econômico. 2.2 Trajetória do Empreendedorismo no Brasil e seus Desafios Atuais O empreendedorismo, como campo de estudo, abrange uma vasta gama de fatores que desempenham papéis cruciais nesse fenômeno. Autores como Da Silva e Silva (2018) destacam a importância de considerar elementos como inovação, criatividade, descobertas, invenção, liderança, cultura organizacional, tomada de decisões, visão de futuro, riscos inerentes ao processo empreendedor, julgamento, valores, crenças e uma gestão eficaz dos recursos humanos, materiais e financeiros que compõem o cenário empreendedor. Sob essa perspectiva, Denzin e Lincoln (1994) salientam que essas características contribuem significativamente para uma compreensão mais abrangente do empreendedorismo, enfatizando a importância das pesquisas conduzidas por autores com experiência prática nessa área. O contexto do empreendedorismo no Brasil foi significativamente influenciado pelas mudanças econômicas e políticas das décadas de 1980 e Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 7 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ 1990. A abertura econômica, privatizações e reformas estruturais desempenharam papéis cruciais na redefinição de como os empreendedores conduziriam seus negócios. Além disso, a ascensão de novos setores, como a tecnologia da informação e as startups, trouxe tanto novas oportunidades quanto desafios para os empreendedores brasileiros. No entanto, é importante notar que, no contexto brasileiro, o estudo do empreendedorismo é relativamente recente. Apenas em 2003, esse tema passou a ser abordado no Encontro Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ENANPAD). Isso demonstra que há um vasto campo a ser explorado e compreendido em relação a essa atividade em crescimento. Muitos estudiosos também observam que ainda não foi desenvolvida uma teoria própria abrangente que explique o fenômeno do empreendedorismo no contexto nacional (GREBEL; PIKA; HANUSCH, 2003). Empreendedores no Brasil enfrentam uma série de desafios substanciais. A complexidade burocrática e regulatória envolvendo a abertura e gestão de empresas no país é notável, consumindo tempo e recursos preciosos e desencorajando potenciais empreendedores. Além disso, a escassez de acesso a financiamento adequado, as elevadas taxas de juros e a dificuldade de obtenção de investimentos para startups e pequenas empresas são desafios financeiros persistentes. Questões relacionadas à infraestrutura, logística, segurança e instabilidade econômica também representam riscos adicionais. Para enfrentar esses desafios, tanto o setor privado quanto o público têm buscado soluções, como programas de capacitação, incubadoras de negócios e iniciativas de simplificação regulatória. No entanto, a superação desses desafios ainda requer esforços contínuos e colaborativos de diversos atores, incluindo o governo, instituições financeiras, organizações de apoio ao empreendedorismo e a própria comunidade empreendedora. A superação desses desafios é fundamental para fortalecer o ambiente empreendedor no Brasil e promover o crescimento econômico sustentável. 3. Políticas Públicas de Fomento à Educação Empreendedora no Brasil O termo "fomentar" tem raízes etimológicas no latim "fomēnto, as, āvi, Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 8 EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ____________________________________________________________________________ ātum, āre," que originalmente significava "alimentar o fogo, aquecer, esquentar, fomentar." (HOUAISS, 2003). Nesse contexto, "fomentar" refere-se à ação de proporcionar os meios para o desenvolvimento de algo, estimulando, promovendo e desenvolvendo essa coisa. Quando se trata da educação empreendedora, essa ação visa promover o progresso da educação, especificamente por meio do ensino do empreendedorismo. Essas ações de fomento têm um impacto positivo em diversos setores produtivos da sociedade, abrangendo áreas como Agropecuária, Comércio e Serviços, Cultura, Indústria, Saúde, Turismo, Educação e muito mais. No contexto da indústria, as políticas públicas de fomento são direcionadas para aumentar o conteúdo tecnológico dos produtos industriais. Isso é alcançado por meio da redução da dependência da venda de commodities e produtos primários de baixo valor agregado, bem como pela promoção da aquisição de bens e serviços com maior conteúdo tecnológico (MINAS GERAIS, 2019). O Brasil passou por diversas fases em sua história no que diz respeito às políticas públicas relacionadas ao empreendedorismo e à educação empreendedora. Ao longo das décadas, a compreensão da importância do empreendedorismo como motor do desenvolvimento econômico e social cresceu. Nos anos 1990, houve uma ênfase na estabilização econômica e na abertura do mercado, mas as políticas de empreendedorismo ainda eram incipientes. A partir dos anos 2000, uma série de iniciativas começou a surgir com o objetivo de fomentar o empreendedorismo. A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, de 2006, por exemplo, trouxe mudanças significativas na forma como os pequenos negócios eram tratados no país (BRASIL, 2006). Para fortalecer a promoção do empreendedorismo, o governo brasileiro criou órgãos e agências específicas. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é um dos exemplos mais notáveis. Fundado em 1972, o Sebrae tem desempenhado um papel fundamental no apoio a empreendedores e na promoção da educação empreendedora em todo o país. Como afirma Silva, Nascimento e Ribeiro (2023, p. 24): Importante destacar que, não obstante os obstáculos burocráticos Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 9 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ legais e jurídicos para a implantação de políticas públicas destinadas a fomentar uma educação empreendedora no país, a sociedade, por meio das iniciativas privadas, já se mobiliza nesse sentido, com a construção de espaços em que são promovidas essa educação, a exemplo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) que, desde 1972, apoia essa ideia há décadas. Além disso, surgiram programas como o Programa Nacional de Educação Empreendedora (PNEE), que foi lançado em 2004 com o objetivo de promover a educação empreendedora nas instituições de ensino brasileiras. No contexto da educação empreendedora no Brasil atualmente, é possível destacar sete políticas públicas de fomento que envolvem uma colaboração estreita entre o setor público e privado. Essas iniciativas desempenham um papel crucial no estímulo ao empreendedorismo e podem ser delineadas a seguir: InovAtiva, StarOut, StartUp Brasil, FINEP StartUp, FENIMPACTO, SEED e Minha Primeira Empresa (7 POLÍTICAS..., 2018). Essas agências e programas voltados para o fomento do empreendedorismo compreendem a importância de encontrar um equilíbrio entre a aspiração de empreender e a criação das condições necessárias para que isso se torne uma realidade. Como expresso por Pereira (2017), essa abordagem reflete a necessidade deunir o desejo de empreender com a capacidade de fornecer os recursos e o suporte necessários para concretizar esses objetivos. Assim, por meio dessas políticas públicas, o Brasil busca promover um ambiente favorável ao empreendedorismo, incentivando a criação e o crescimento de novos empreendimentos, bem como o desenvolvimento de soluções inovadoras que impulsionam a economia e a sociedade como um todo. 3.1 A Importância e os Benefícios da Educação Empreendedora A educação empreendedora é muito mais do que simplesmente ensinar indivíduos a iniciar seus próprios negócios. Ela abrange uma abordagem holística para o desenvolvimento de habilidades, atitudes e mentalidades empreendedoras, independentemente de os alunos se tornarem ou não empreendedores de negócios no futuro. Nesse contexto, a educação empreendedora é destacada como um dos meios mais eficazes para promover Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 10 EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ____________________________________________________________________________ a capacitação e formação de novos empreendedores (ROCHA; FREITAS, 2014). Em sua essência, a educação empreendedora busca cultivar a capacidade de identificar oportunidades, tomar decisões informadas, assumir riscos calculados e inovar. Ela enfatiza a importância da criatividade, do pensamento crítico, da resolução de problemas e da resiliência. Lima et al. (2015) observam que o interesse pela educação empreendedora experimentou um notável aumento na última década, e diversas razões podem ser apontadas para essa tendência. Entre essas razões, destaca-se o reconhecimento de que a educação empreendedora desempenha um papel crucial no fomento de novos empreendimentos, na geração de empregos e no estímulo à inovação em organizações em geral (LANERO et al., 2011; LIMA et al., 2015). Como afirma Singer, Amorós e Arreola (2015 APUD KRÜGER; BÜRGER; MINELLO, 2019, p. 64): o conteúdo empreendedor deve ser inserido nos três níveis de educação de forma sistemática e consistente, com vistas ao desenvolvimento de uma cultura empreendedora que permeie a sociedade como um todo. Dentro desse enfoque, destaca-se o papel da instituição de ensino superior que pode ser fomentadora do preparo para empreender, desenvolver novas formas de ensinar que despertem em seus alunos uma mentalidade empreendedora. A educação empreendedora, que pode ser integrada em diferentes níveis de ensino, desde o ensino fundamental até o ensino superior, bem como em programas de formação profissional, desempenha um papel fundamental na preparação dos alunos para empreenderem seus próprios projetos. Além disso, ela equipa os estudantes com habilidades transferíveis que são valiosas em qualquer carreira, trazendo uma série de benefícios tanto para os indivíduos quanto para a sociedade como um todo. Em termos econômicos, ele estimula a inovação e impulsiona o crescimento econômico, alimentando a competitividade das empresas e promovendo a evolução econômica. No mercado de trabalho, promove a empregabilidade, tornando os indivíduos mais valiosos e reduzindo o desemprego, especialmente entre os jovens. Socialmente, contribui para a solução de problemas sociais e a redução da desigualdade, incentivando a busca por soluções e oferecendo oportunidades a grupos sub-representados. Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 11 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ Além disso, em nível regional, o empreendedorismo pode impulsionar o desenvolvimento de áreas economicamente carentes e diversificar as economias locais, enquanto na esfera tecnológica, ele é um motor significativo da inovação, fomentando a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias que, por sua vez, impulsionam o crescimento econômico (PICANÇO; SILVA; PERIOTTO, 2019). Essa abordagem da educação empreendedora não apenas forma empreendedores, mas também cidadãos preparados para enfrentar os desafios do mundo moderno, onde a adaptabilidade, a resolução de problemas e a criatividade são habilidades essenciais. Ela contribui para o progresso social e econômico, promovendo um ambiente onde novas ideias florescem e a prosperidade é compartilhada por todos. 4. Análise dos Indicadores de Empreendedorismo e Educação no Brasil O empreendedorismo desempenha um papel fundamental no desenvolvimento econômico e social de um país, e a educação empreendedora é uma ferramenta essencial para fomentar essa mentalidade. Este capítulo irá abordar a importância do empreendedorismo e da educação empreendedora no contexto brasileiro, delineando os objetivos da análise, que incluem a coleta e análise de dados relevantes, especialmente aqueles obtidos por meio do Globar Entrepreneurship Monitor (GEM), buscando discutir os resultados obtidos e suas implicações para o contexto econômico e social do Brasil. 4.1 Análise dos Indicadores de Empreendedorismo no Brasil Para compreender o cenário do empreendedorismo no Brasil e sua relação com a educação empreendedora, é essencial contar com indicadores sólidos e confiáveis. Nesse contexto, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) desempenha um papel importante. O GEM é uma iniciativa que utiliza modelos conceituais e metodológicos próprios para coletar informações diretamente de fontes primárias. Seu processo de coleta envolve entrevistas realizadas junto a duas fontes igualmente cruciais: indivíduos adultos e especialistas. Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 12 EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ____________________________________________________________________________ Os indivíduos adultos entrevistados representam a população adulta brasileira, abrangendo cidadãos de 18 a 64 anos; já os especialistas, por sua vez, oferecem uma perspectiva adicional, compartilhando suas opiniões sobre as condições propícias ao desenvolvimento do empreendedorismo no país. Suas visões complementam os dados obtidos junto aos indivíduos adultos, proporcionando uma análise mais abrangente do ecossistema empreendedor brasileiro. Ao utilizar os dados e metodologias do GEM, esta análise busca oferecer uma visão aprofundada dos indicadores de empreendedorismo e educação empreendedora no Brasil. Os resultados obtidos por meio dessas fontes proporcionarão uma base sólida para a discussão sobre a situação atual do empreendedorismo no país, suas implicações para o crescimento econômico e social, bem como as limitações que devem ser consideradas ao interpretar tais indicadores. Na Tabela 1, podemos observar uma tendência interessante no panorama do empreendedorismo no Brasil ao longo dos últimos quatro anos. Com exceção da notável redução na taxa total de empreendedorismo de 2019 para 2020, os dados revelam que, no período considerado, o nível de empreendedorismo total manteve-se, em sua maioria, relativamente estável, com uma leve inclinação à diminuição. As taxas oscilaram de 31,6% em 2020 para 30,3% em 2022. Tabela 1 - Taxas (% população adulta) e estimativas (número de pessoas) de empreendedorismo segundo o estágio dos empreendimentos - Brasil - 2019:2022 Taxa e estimativas Ano Estágios do empreendedorismo Total(TTE) Inicial(TEA) Nascente Novo Estabelecido(EBO) Taxa 2019 38,7 23,3 8,1 15,8 16,2 2020 31,6 23,4 10,2 13,4 8,7 2021 30,4 21,0 10,2 11,1 9,9 2022 30,3 20,0 7,5 12,6 10,4 Estimativa 2019 53.437.971 32.177.117 11.120.000 21.880.835 22.323.036 2020 43.986.939 32.646.95414.200.981 18.730.815 12.061.053 2021 42.765.008 29.482.295 14.351.515 15.568.870 13.980.790 2022 42.157.295 27.884.678 10.467.952 17.543.018 14.432.248 Fonte: GEM (2022) Isso sugere que, a cada ano, aproximadamente 42,2 milhões de indivíduos estiveram envolvidos em alguma atividade relacionada à criação ou Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 13 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ manutenção de um negócio próprio, abrangendo empreendimentos em diferentes estágios de desenvolvimento. Essa relativa estabilidade nas taxas de empreendedorismo pode ser atribuída a uma série de fatores, como o ambiente econômico, políticas governamentais e até mesmo eventos extraordinários, como a pandemia de COVID-19, que pode ter influenciado a queda em 2020. É importante ressaltar que, apesar da leve tendência de queda, a persistência de cerca de 42,2 milhões de empreendedores é um indicador significativo da resiliência do espírito empreendedor no Brasil, sugerindo que o desejo de criar e manter negócios próprios permanece forte, mesmo diante de desafios econômicos e sociais. Tabela 2 - Percentual da população que descontinuou um negócio e principais razões da descontinuidade - Brasil - 2020:2022 Proporção da população que afirma ter encerrado algum negócio no ano anterior Ano 2020 2021 2022 9,4 9,1 9,8 Principais razões da descontinuidade Negócio não lucrativo ou dificuldade de recursos 26,1 24,4 35,2 Questões relacionadas à pandemia 41,6 47,4 26,6 Questões pessoais ou familiares 15,5 13,5 23,4 Outras oportunidades de trabalho 5,8 4,9 4,6 Outras 11,0 9,7 10,02 Total 100,0 100,0 100,0 Fonte: GEM (2022) A análise da Tabela 2 revela importantes mudanças no cenário empreendedor do Brasil ao longo dos anos. Em 2022, notamos um ligeiro aumento na proporção de brasileiros que encerraram suas atividades empresariais no ano anterior à pesquisa, com a taxa se aproximando dos 10%. Para entender essa dinâmica, é fundamental observar como as taxas de empreendedores novos e estabelecidos evoluíram durante o período. O aumento nas taxas de descontinuidade dos negócios em 2022 se concentrou principalmente no grupo dos empreendedores nascentes, ou seja, aqueles que estavam no estágio inicial de seus empreendimentos, com até 3 meses de atividade. Esse aumento sugere que um número significativo de empreendimentos não conseguiu superar os desafios iniciais, permanecendo no estágio inicial de desenvolvimento. Por outro lado, a parcela de negócios que Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 14 EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ____________________________________________________________________________ conseguiu superar essa fase inicial contribuiu para o aumento das taxas de empreendedores novos e estabelecidos. É importante também explorar as razões por trás da descontinuidade dos negócios. Nos anos de 2020 e 2021, as causas mais mencionadas estavam diretamente relacionadas à pandemia, o que indica que a crise sanitária levou muitos novos empreendedores ao mercado, mas uma parcela significativa não conseguiu se manter devido às adversidades geradas pela própria pandemia. No entanto, em 2022, o cenário começou a mudar. Ainda que as taxas de descontinuidade continuem relativamente altas, a pandemia deixou de ser a principal causa. Agora, as razões relacionadas ao negócio em si, como lucratividade e obtenção de recursos financeiros, voltaram a se destacar. Além disso, é relevante considerar a percepção de oportunidades no mercado e a intenção da população em criar negócios nos três anos posteriores à pesquisa. Em 2022, com a economia em recuperação, observou-se um aumento significativo na proporção de empreendedores que afirmaram ter identificado oportunidades de abrir um negócio em decorrência da pandemia, em comparação com 2021 (tabela 3). Isso sugere que muitos brasileiros passaram a enxergar novas possibilidades de atender à demanda do mercado devido à nova situação econômica. Tabela 3 - Percentual dos empreendedores que perceberam oportunidades na pandemia - Brasil 2021:2022 Afirmações Percentual dos Empreendedores (%) Iniciais (TEA) Estabelecidos (EBO) Nascentes Novos Total (TEA) A pandemia proporcionou novas oportunidades para o negócio 2021 47,6 58,9 53,5 49,7 2022 52,6 72,0 64,8 60,8 Fonte: GEM (2022) Em resumo, a análise das tabelas apresentadas revela uma dinâmica interessante no cenário empreendedor do Brasil nos anos considerados (2020 a 2022). Inicialmente, a pandemia teve um impacto significativo no aumento do empreendedorismo, levando muitos brasileiros a criar negócios em resposta às mudanças econômicas e sociais. No entanto, em 2022, observamos um aumento na descontinuidade dos negócios, concentrado principalmente em Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 15 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ empreendedores nascentes. A pandemia deixou de ser a principal causa de descontinuidade dos negócios, cedendo espaço para questões relacionadas à lucratividade e à obtenção de recursos financeiros como motivos para o encerramento das atividades empresariais. Por outro lado, houve um crescimento notável na percepção de oportunidades de empreendedorismo em 2022, sugerindo que a recuperação econômica abriu novas perspectivas de negócios para a população. Essas tendências ressaltam a complexa interação entre fatores econômicos, sociais e individuais que moldam o empreendedorismo no Brasil. Elas também destacam a importância de políticas públicas e apoio a empreendedores, especialmente durante períodos de crise, para fortalecer a resiliência do ecossistema empreendedor e promover o crescimento econômico e social sustentável no país. 4.2 Indicadores de Educação Empreendedora no Brasil A promoção da educação empreendedora desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de uma cultura empreendedora e na formação de indivíduos capazes de criar, inovar e gerenciar seus próprios negócios. Neste capítulo, exploraremos uma série de indicadores relacionados à educação empreendedora no Brasil, analisando o panorama atual, as tendências recentes e o impacto das políticas públicas nesse contexto. Um dos indicadores-chave da educação empreendedora é o número de instituições de ensino que oferecem programas, cursos e disciplinas voltados para o empreendedorismo. Essas instituições desempenham um papel crucial na disseminação dos princípios empreendedores entre os estudantes. Tabela 4 - Implementação da Educação Empreendedora por Professores na Educação Básica no Brasil Indicadores Dados Professores que não aplicaram educação empreendedora 56% Professores com conhecimento sobre educação empreendedora 25% Principal barreira para implementação Falta de tempo (46%) Fonte: Santos (2022) Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 16 EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ____________________________________________________________________________ A pesquisa mostrada na tabela 4 revela que a maioria esmagadora dos professores de educação básica no Brasil, equivalente a 56%, ainda não implementou a educação empreendedora em suas salas de aula. Essa constatação levanta preocupações legítimas sobre a eficácia da incorporaçãodesse conceito no ambiente educacional. A pesquisa também indica que apenas um quarto dos docentes afirmou possuir conhecimento sobre o tema da educação empreendedora, destacando uma lacuna significativa na preparação dos professores para ensinar empreendedorismo. Além disso, os resultados apontam que a principal barreira mencionada por 46% dos professores para a implementação da educação empreendedora é a falta de tempo. Isso destaca a urgência de repensar a forma como o tema é apresentado aos professores e a necessidade de encontrar abordagens eficazes para a integração do empreendedorismo no currículo escolar. Com relação ao ensino médio, a grade curricular das escolas muitas vezes parece desconectada da realidade da vida adulta, especialmente para os mais de 40% de crianças e adolescentes que vivem em situação de pobreza (KLING, 2021). A escola, teoricamente, deveria preparar os alunos para os desafios do futuro, mas frequentemente parece que saímos dela com conhecimentos acadêmicos, como fórmulas matemáticas complexas, sem compreender coisas cruciais, como as taxas de juros do cheque especial. Essa desconexão entre o que se aprende na escola e o que é necessário na realidade tem impactos profundos no futuro dos jovens. De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o Brasil possui mais de 50 milhões de pessoas envolvidas com atividades empreendedoras, sendo que 90% delas empreendem por necessidade. A falta de acesso à educação empreendedora formal faz com que muitos desses empreendedores enfrentem desafios sem saber que estão praticando o empreendedorismo (GEM, 2022). Falar sobre empreendedorismo com jovens já é pauta na mão de quem comanda o jogo há tempos. Aulas sobre comportamento empreendedor já fazem parte do conteúdo de escolas particulares, mantendo na mão de um seleto grupo de pessoas as tais habilidades empreendedoras. Felizmente, a aprovação da nova grade curricular do MEC amplia o acesso a esse conhecimento, levando para as escolas públicas matérias eletivas que refletem necessidades muitas vezes mais reais do que simplesmente “passar de ano” (O NOVO..., 2022, Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 17 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ online). A partir de 2022, o ensino médio foi dividido em 1800 horas de ensino regular e 1200 horas dedicadas a itinerários formativos, que incluem matérias como mediação de conflitos, comunicação não-violenta e, claro, empreendedorismo. Ensinar empreendedorismo não se trata apenas de fluxo de caixa ou gestão de projetos, mas também envolve o desenvolvimento de habilidades essenciais, como gestão do tempo, liderança, tomada de decisão e trabalho em equipe (O NOVO..., 2022). A ideia é formar empreendedores que não apenas abram novos negócios, mas também desenvolvam o pensamento autônomo, criativo e questionador. Isso significa preparar os jovens para verem soluções onde outros veem apenas problemas, capacitando-os a construir seu futuro de acordo com seus sonhos e aspirações, não apenas para pagar contas. Essa abordagem representa uma educação não apenas formativa, mas também transformativa. Os dados revelam que o Brasil enfrenta desafios significativos na promoção da educação empreendedora nas escolas. A falta de conhecimento e a falta de tempo dos professores são obstáculos cruciais a serem superados. Essas descobertas têm implicações importantes para a formulação de políticas educacionais que visam fortalecer a educação empreendedora no país. É essencial que os esforços se concentrem na capacitação dos professores, tornando-os mais proficientes no ensino do empreendedorismo. Além disso, deve-se desenvolver abordagens inovadoras para integrar efetivamente a educação empreendedora no currículo escolar, levando em consideração as restrições de tempo. É importante ressaltar que a análise dos indicadores de educação empreendedora no Brasil enfrenta algumas limitações. A coleta de dados pode ser desafiadora devido à variedade de programas e iniciativas em todo o país. Além disso, a avaliação da eficácia desses programas em preparar os estudantes para o empreendedorismo requer análises mais aprofundadas ao longo do tempo. Apesar dessas limitações, os indicadores apresentados fornecem uma Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 18 EMPREENDEDORISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ____________________________________________________________________________ visão importante do estado atual da educação empreendedora no Brasil, destacando o progresso significativo alcançado e as oportunidades de melhoria contínua. A promoção da educação empreendedora desempenha um papel crucial no desenvolvimento de uma sociedade mais inovadora e preparada para os desafios do século XXI. 5. Conclusão O Brasil demonstra um cenário de empreendedorismo robusto, com uma taxa relativamente estável de empreendedorismo total nos últimos anos, mantendo-se em torno de 30%. Isso implica a existência de aproximadamente 42,2 milhões de indivíduos envolvidos em algum estágio de criação ou manutenção de negócios próprios. No entanto, é importante notar que, em 2020 e 2021, a pandemia desempenhou um papel significativo na descontinuidade de negócios, especialmente entre os empreendedores nascentes. As políticas públicas desempenharam um papel crucial na promoção do empreendedorismo no país, com programas como o InovAtiva, StartOut, e o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Essas iniciativas buscam equilibrar a aspiração de empreender com a capacidade de fornecer recursos e suporte necessários para concretizar objetivos empreendedores. No entanto, persistem desafios significativos, como a complexidade burocrática e a limitação de acesso a financiamento para empreendedores. É essencial superar essas barreiras para incentivar o crescimento contínuo do empreendedorismo no país. Esta pesquisa contribui para uma compreensão mais profunda do empreendedorismo no Brasil, destacando a importância das políticas públicas no estímulo ao empreendedorismo. Além disso, identificamos a necessidade de abordar as barreiras burocráticas e de financiamento para garantir que os empreendedores tenham as condições necessárias para prosperar. A análise dos dados sobre educação empreendedora revelou que, embora haja progressos na incorporação dessa disciplina nas escolas, ainda existem desafios significativos. Muitos professores carecem de conhecimento e tempo para integrar eficazmente o empreendedorismo em suas salas de aula. Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.10|e3253| p.01-22 |2023 19 Alinne Amunielle da Silva Alves, Ângelo Magalhães Silva, Elicely Cesário Fernandes, Werena de Oliveira Barbosa, Renata Jane Gomes Sarmento, Emanuely dos Santos Marques _____________________________________________________________________________________ Essa lacuna indica a necessidade de treinamento e suporte adicionais para os educadores. Para pesquisas futuras, sugerimos uma análise mais aprofundada das políticas públicas de fomento ao empreendedorismo, incluindo uma avaliação de seu impacto econômico e social a longo prazo. Além disso, estudos adicionais podem investigar as melhores práticas de educação empreendedora em escolas, com foco no desenvolvimento de programas de formação de professores e na superação das barreiras de implementação. A promoção do empreendedorismo e da educação empreendedora desempenha um importante no desenvolvimento econômico e social do Brasil. À medida que o país busca superar desafios históricos e enfrentaras demandas de um ambiente globalizado, investir na capacitação de empreendedores e na formação de uma nova geração de líderes autônomos e criativos é essencial. As políticas públicas desempenham um papel vital nesse processo, mas exigem adaptação contínua e esforços para remover barreiras que ainda persistem. O futuro do empreendedorismo no Brasil depende de nossa capacidade de nutrir e orientar o espírito empreendedor, capacitando os brasileiros a transformar ideias em empreendimentos de sucesso, gerando impacto positivo em toda a sociedade. REFERÊNCIAS BARON, R. A.; SHANE, S. A. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Thomson Learning, 2007. BEZERRA, E et al. Políticas Públicas de Empreendedorismo no Brasil: Levantamento e Análise. In: Encontro De Estudos Em Empreendedorismo E Gestão De Pequenas Empresas, 2014, Brasília. Anais... Brasília: ANEGEPE, 2014. Disponível em: https://anegepe.org.br/wp- content/uploads/2021/09/324.pdf. Acesso em: 11 out. 2022. BRASIL. Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Brasília: Presidência da República, 2006. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm. Acesso em: 23 set. 2023. DA SILVA, J. A. B.; SILVA, S. 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